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Não faz sentido um Banco Central ter metas de inflação

Economistas permanecem aferrados à ideia de que uma economia pode ser harmoniosamente gerenciada por um Banco Central desde que este consiga manipular os preços no agregado por meio de alterações na taxa básica de juros.

Essa política de determinar metas para a inflação de preços é mundialmente popular.  As autoridades monetárias acreditam que isso não apenas irá estabilizar a taxa de inflação de preços, como também irá ajudar a estabilizar a atividade econômica em torno de níveis sustentáveis.  Ou seja, elas genuinamente acreditam que determinar metas para a inflação de preços é algo que poderia, no mínimo, suavizar os ciclos econômicos.

Ainda pior: a maioria dos economistas segue refém da ideia de que um pouco de inflação é algo positivo.  Será?

Imagine que um empreendedor cometa um erro e acabe produzindo um bem a um custo acima de seu preço de venda.  Neste cenário, caso o Banco Central adote uma postura inflacionista e, como consequência, haja um aumento generalizado de preços em toda a economia, a decisão ruim deste empreendedor acabará se tornando lucrativa.  Ele será agora capaz de vender seus caros estoques.  Em outras palavras, para alguns economistas, um pouco de inflação é bom porque faz com aqueles empreendedores que tomaram decisões ruins consigam ainda assim vender seus estoques. 

Este tipo de raciocínio é surpreendentemente esposado até mesmo por economistas que se dizem favoráveis ao livre mercado.

O capitalismo é um sistema de lucros e prejuízos no qual os empreendedores que sobrevivem são aqueles mais capazes de satisfazer os desejos e as necessidades da sociedade.  Com efeito, prejuízos são ainda mais importantes do que lucros, pois são os prejuízos que expurgam do mercado aqueles empreendedores que não servem os consumidores corretamente.  Esse expurgo permite que recursos escassos — como mão-de-obra e bens de capital — sejam liberados e direcionados para aqueles setores onde são mais demandados.  O movimento de preços de alguns bens e serviços em relação a outros bens e serviços de uma economia pode selar o destino de alguns empreendedores; e são esses preços relativos, e não os preços no agregado, o segredo para se entender a economia.

Um simples exemplo tornará essa ideia mais clara.  Imagine uma economia bastante simples e com apenas dois produtos: maçãs e laranjas.  Vamos trabalhar apenas com o curto prazo, de modo a desconsiderar eventuais alterações na produção.  Comecemos com 10 maçãs e 10 laranjas, e com uma oferta monetária total de $20.  Suponha que a interseção entre oferta de laranjas e demanda por laranjas determine um preço de $1,20 por laranja.  Isso irá, simultaneamente, estipular o preço de cada maçã em $0,80.

O preço relativo entre laranjas e maçãs reflete a demanda da sociedade por estes dois bens, sempre de acordo com sua relativa abundância — ou oferta.  Agora, suponha que os gostos das pessoas se alterem e elas passem a demandar mais maçãs.  O efeito de curto prazo será um aumento no preço das maçãs e — caso a oferta monetária se mantenha inalterada — uma redução no preço das laranjas.  Assim, suponha agora que o novo preço de equilíbrio seja de $1 tanto para maçãs quanto para laranjas.  Isso representa um aumento de 25% no preço das maçãs e uma redução de 16,7% no preço das laranjas.  A economia está, desta maneira, vivenciando uma inflação de preços de 8,3%, calculada como uma média ponderada dos dois bens.  E tudo em decorrência de uma simples mudança na preferência das pessoas.  Evidentemente, poderíamos ter começado com outros preços relativos de modo a criar uma situação de deflação de preços.

No mundo real, se o preço do petróleo aumenta, o preço dos outros bens e serviços terá de cair caso a oferta monetária se mantenha inalterada.  Afinal, se não há um aumento na quantidade de dinheiro, os maiores preços do petróleo reduzirão a demanda por outros bens e serviços.  Sendo assim, os preços de coisas como lazer, boates, roupas elegantes, DVDs, livros, bonés, óculos escuros, TV a cabo, jantares em restaurantes chiques, teatro etc. terão de cair. Caso contrário, simplesmente não venderão nada.

No curto prazo, estes bens e serviços provavelmente serão vendidos a prejuízo, dado que seus custos de produção representam custos passados e irreversíveis.  No longo prazo, o impacto final sobre a inflação de preços deste encarecimento do petróleo irá depender da elasticidade da demanda e da oferta destes outros bens e serviços.  Não existe "inflação de custos" em um cenário de oferta monetária constante; "inflação de custos" é um mito bastante popular.  Um aumento generalizado em todos os preços é um fenômeno monetário

Agora podemos entender melhor a tolice por trás de se ter um Banco Central estipulando metas de inflação para toda a economia.  No nosso exemplo de laranjas e maçãs, o que deveria o Banco Central fazer?  Deveria ele implantar uma política monetária contracionista de modo a reduzir a inflação de preços de 8,3% para um valor mais próximo de sua meta estipulada (digamos, 4%)? 

E se tivéssemos partido de um exemplo de deflação de preços, deveria o Banco Central adotar uma política monetária expansionista para contrabalançar aquilo que é essencialmente uma alteração nos preços relativos?  Em uma economia capitalista, grandes alterações nos preços relativos são um fenômeno extremamente comum.  Pense nos preços dos produtos tecnológicos e nos preços dos imóveis.

Considerando que a China e a Índia entraram no mercado nos últimos 30 anos e passaram a despejar no mundo enormes quantidades de produtos baratos, os preços médios em todo o mundo deveriam estar caindo dramaticamente, exatamente como ocorreu durante a Revolução Industrial do século XIX.  No entanto, os preços daqueles bens e serviços que não são produzidos em países emergentes de baixos salários, como saúde e educação, estão vivenciando uma inflação de preços galopante.  Isso se deve à grande expansão monetária ocorrida em todos os países.

Suponha que a sociedade se torne menos poupadora e mais consumista.  Ou seja, suponha que ela se torne mais imediatista e queira consumir mais no presente.  Sob circunstâncias normais, os preços dos bens de consumo [o nosso IPCA] iriam aumentar e os preços dos bens de capital — utilizado para investimentos de longo prazo — iriam diminuir.  Esta alteração nos preços relativos, com bens de consumo mais caros em decorrência desta postura mais consumista e mais imediatista, levaria naturalmente a taxas de juros mais altas.  Este aumento natural dos juros atuaria como um estabilizador automático, encarecendo o crediário e desta forma arrefecendo o impacto sobre a economia desta alteração na preferência temporal.  Neste cenário, se o Banco Central adotar uma política monetária mais expansionista com o intuito de corrigir este suposto problema, ele irá apenas aumentar a instabilidade e atrapalhar este processo de ajuste. 

Ao ter como meta um agregado estatístico e ao utilizar taxas de juros para alcançar este agregado estatístico, os Bancos Centrais distorcem todos os preços individuais e acabam interferindo em toda a alocação de recursos e na subsequente produção de bens e de serviços.  

Assim como uma régua mensura o comprimento de um objeto, o dinheiro funciona como um mensurador do valor de bens e serviços.  Manipular continuamente a oferta monetária equivale a alterar constantemente o comprimento de uma régua: irá gerar caos.  Deveria um aparato governamental como o Banco Central ter esta função de gerenciar meticulosamente cada mudança mensal em um índice estatístico pra lá de imperfeito?  Já não está claro que alterar constantemente a escala de mensuração faz com que decisões empreendedoriais se tornem ainda mais difíceis e imprevisíveis?

A abolição do Banco Central e o retorno a uma moeda-commodity que não possa ser manipulada por burocratas já seria um grande passo para se devolver estabilidade à oferta monetária e, como consequência, à economia.

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Veja também: Políticas de metas de inflação - nem novas, nem eficazes 

(A palestra também pode ser aprofundada nesta monografia)



autor

Frank Hollenbeck
é Ph.D. em economia e leciona na Universidade Internacional de Genebra.


  • Fernando  11/02/2014 14:54
    Comecemos com 10 maçãs e 10 laranjas, e com uma oferta monetária total de $20. Suponha que a interseção entre oferta de laranjas e demanda por laranjas determine um preço de $1,20 por laranja. Isso irá, simultaneamente, estipular o preço de cada maçã em $0,80.

    Você não pode chegar a um nível de preços de equilíbrio sem supor alguma coisa sobre a demanda por moeda, ou 'velocity'. O nível de preços assim fica indeterminado.

  • Leandro  11/02/2014 15:05
    A partir do momento em que há um preço vigente (nem que seja apenas durante um único dia), então a demanda por moeda e a demanda por bens e serviços já está determinada. Pelo menos para aquele dia.

    Outra coisa, não existe algo como "preços de equilíbrio" e nem "mercado em equilíbrio". Ambos estão em contínua mudança. É exatamente por isso que é tolice (e suprema arrogância) querer manipular preços e mercados.

    O mercado é um processo dinâmico, e não apresenta equilíbrio

    .
  • anônimo  11/02/2014 15:05
    Oi, desculpem a ignorância, mas gostaria da ajuda de alguém sobre um ponto que não entendi: no exemplo das maçãs e laranjas o autor fala de uma situação em que teríamos uma inflação de 8,3% causada apenas pela mudança de preferências entre os consumidores. Pelo que tenho lido aqui no site, a inflação é sempre um excesso de moeda na economia, e desta forma, se não houve expensão da base monetária, entendo que não deveria estar havendo inflação. Alguém pode me explicar onde meu raciocínio está errado? Agradeço antecipadamente!
  • Leandro  11/02/2014 15:16
    Mas não houve inflação de preços generalizada. O preço de um bem subiu 20 centavos e o preço do outro bem caiu os mesmos 20 centavos. Ou seja, ficou tudo na mesma. Só que, no cálculo da variação percentual de cada bem, surgiu um aumento de preços (em decorrência de uma particularidade matemática).

    Apenas mais um exemplo do porquê não devemos nos basear em um índice que proponha agrupar em um único número toda a variação de preços da economia.
  • Aspone  11/02/2014 16:03
    Acho que a dúvida do colega é mais conceitual ou semântica.

    Acho que o amigo quis dizer que o termo "inflação" não deve ser usado para tratar do "aumento de preços", mas somente para definir o "incremento na base monetária".

    Por isso é importante sempre dizer "inflação de preços" ou "inflação monetária" e nunca somente "inflação", porque senão muitas pessoas podem se confundir.
  • Antonio  11/02/2014 15:11
    Creio que no caso do aumento de preço da maçã de $ 0,80 para $ 1,00 e queda do preço da laranja de $1,20 para $ 1,00, a inflação resultante seria 0,5 x 25% + 0,5% ( - 16,7%) = 4,15%. Temos de ponderar pelo peso relativo dos bens. No mais, o texto ilustra bem o mal de se manipular taxas de juros...
  • Leandro  11/02/2014 17:07
    Não é assim que se faz o cálculo. Essa sua ponderação de 0,5 não faz sentido. Eis a maneira correta:

    Se algo caiu de 1,20 para 1, então a queda foi de 16,67%. Ou: -16,67%

    Se algo subiu de 0,80 para 1, então o aumento foi de 25%. Ou: +25%

    Dado que ambos os bens estão em igual quantidade, então o aumento final foi de 25% - 16,67% = 8,33%
  • Observador  11/02/2014 18:11
    Acho que o Antonio está certo. 0,5 é o peso do bem na economia. Ou seja: 50%, uma vez que 50% dos bens são maçãs e 50% são laranjas.
  • Leandro  11/02/2014 23:20
    Não, não faz sentido criar peso para duas mercadorias. Pra começar, a estipulação de pesos é algo totalmente subjetivo. E, no exemplo dado, se houve um aumento na demanda por maçãs e uma redução na demanda por laranjas, então faria mais sentido atribuir pesos distintos a cada bem.

    No que mais, é justamente essa atribuição de pesos o principal problema que encontramos na criação de um índice de preços.

    Em primeiro lugar, não existe algo como um "nível de preços". Como demonstrado no artigo, cada item sofre uma variação peculiar em seu preço, de modo que é impossível agrupar todas as variações observadas e juntá-las em um único valor (como ocorre com o IPCA) e então dizer que há um único "nível de preços".

    Ademais, há justamente esse problema da média ponderada. Se o preço do restaurante a quilo que você frequenta subiu 15% em um ano, então não tem conversa: a inflação de preços que você sente diariamente subiu pelo menos 15%. No entanto, este valor será "ponderado" pelo IBGE e em seguida entrará (com um valor já bem diluído) no valor final do IPCA. Ou seja, aquela inflação que você sente diariamente será captada pelo IBGE de forma bem mais diluída e suave.

    De resto, há o grande problema dos preços controlados diretamente pelo governo (os quais estão reprimidos) e que possuem um alto peso nos cálculos do IBGE.

    Falei sobre isso em meu último artigo sobre a economia brasileira
  • Bal  12/02/2014 16:10
    Leandro,

    Concordo com o Antonio e o Observador. Já tinha achado estranho a forma como o artigo calculou a inflação, mas ignorei essa parte por não comprometer a ideia geral do texto, que é muito boa.

    Não entendo por que a inflação de preços deveria ser calculada do modo como o artigo fez e você demostrou. A inflação dita é de "preços", então deveria ponderar o peso daquele bem na economia. Nessa economia simples, sugerida, cada bem ocupa 50% de tudo que é consumido.

    Pra começar, a estipulação de pesos é algo totalmente subjetivo. E, no exemplo dado, se houve um aumento na demanda por maçãs e uma redução na demanda por laranjas, então faria mais sentido atribuir pesos distintos a cada bem.

    A estipulação de pesos não é subjetiva no exemplo, são 10 maçãs e 10 laranjas. O peso distinto que você sugere, devido a mudança na demanda, está compensando no preço do bem. O aumento do preço de um bem e a diminuição no preço do outro é o resultado da subjetividade do interesse das pessoas nos bens.

    Em primeiro lugar, não existe algo como um "nível de preços". Como demonstrado no artigo, cada item sofre uma variação peculiar em seu preço, de modo que é impossível agrupar todas as variações observadas e juntá-las em um único valor (como ocorre com o IPCA) e então dizer que há um único "nível de preços".

    Não concordo que não exista um "nível de preços", ele existe se você traçar um período de tempo. Pelo que entendi do artigo, o exemplo da inflação serve para mostrar que os dois bens tiveram uma variação absoluta igual a zero, mas mesmo assim o IPCA teria calculado uma inflação positiva, o que é um absurdo. Se um individuo comprava 1 maça e 1 laranja, ele continuaria conseguindo comprar pelo mesmo preço de duas u.m.. Não é impossível agrupar as variações, simplesmente o modo como é feito hoje é um modo ruim e falho, isso não significa que não posso existir outro modo.

    Ademais, há justamente esse problema da média ponderada. Se o preço do restaurante a quilo que você frequenta subiu 15% em um ano, então não tem conversa: a inflação de preços que você sente diariamente subiu pelo menos 15%. No entanto, este valor será "ponderado" pelo IBGE e em seguida entrará (com um valor já bem diluído) no valor final do IPCA. Ou seja, aquela inflação que você sente diariamente será captada pelo IBGE de forma bem mais diluída e suave.

    Concordo com seu exemplo do restaurante, só que em um nível macro, ninguém está interessado no aumento só do restaurante, é preciso ponderar isso com outro valores. Mesmo que o interesse seja de fazer uma inflação por setor ou um inflação dos gastos do indivíduo, você terá que diluir o aumento de um restaurante frente a outras coisas.

    Fora o 8,3%, o texto foi perfeito em mostrar como o BC não deveria interferir na inflação e serviu pra mostrar que o modelo de cálculo inflacionário é ruim.

    De resto, há o grande problema dos preços controlados diretamente pelo governo (os quais estão reprimidos) e que possuem um alto peso nos cálculos do IBGE.

    Concordo.

    Falei sobre isso em meu último artigo sobre a economia brasileira

    Não li, mas vou ler.

    Abs
  • Leandro  12/02/2014 17:31
    Bom, se você acredita em índice único de inflação de preços, em ponderação de preços, e em índice único de inflação ponderado por preços, então eu realmente nada posso fazer. Quem agradece é o governo, que assim (por meio de ponderações) consegue alardear uma inflação muito menor do que aquela realmente vivenciada por todos.

    "Mesmo que o interesse seja de fazer uma inflação por setor ou um inflação dos gastos do indivíduo, você terá que diluir o aumento de um restaurante frente a outras coisas."

    De novo: ponto para o governo. Com a inflação de preços "diluída", sua política monetária se torna mais facilmente bem sucedida. Essa é exatamente a crítica; e é isso que você defende.

    "o peso distinto que você sugere, devido a mudança na demanda[...]"

    Ora, eu não sugeri ponderação nenhuma. Seria uma grande incoerência de minha parte. Afinal, se eu critico a ponderação, então não posso sugerir ponderação. Apenas disse que, se a opção pela ponderação for definitiva, então que ao menos se siga um método mais lógico. Mas isso de modo algum implica defesa da ponderação.

    Entenda o raciocínio:

    1) Ponderação de preços é um método que o governo utiliza para criar um índice único de preços.

    2) O artigo explicou por que é contra o governo estipular um índice de preços e por que é contra o governo fazer manipulação monetárias para entregar este índice de preços. Eu concordo com o artigo.

    3) Quem concorda com o artigo, mas também concorda com a metodologia do índice único de preços e com o uso de preços ponderados, está incorrendo em contradição. Não faz sentido defender a existência de índice único de preços e ao mesmo tempo criticar o governo por fazer justamente isso e por se basear justamente neste índice.
  • Observador  12/02/2014 18:07
    Leandro,

    Não concordo com o método de cálculo da inflação por parte dos governos. Também não concordo com a mensuração de "agregados macroeconômicos" ou qualquer coisa do tipo. Simplesmente disse que a inflação é assim calculada: com ponderação, como disse o Antônio e o Bal. No exemplo do artigo, o autor mostra uma forma de cálculo de inflação que NÃO É a usada pelos governos como se fosse. Logo, não deveria ter sido usada como ilustração, já que não é praticada. A ideia do artigo, pra mim, continua válida, mas o exemplo foi infeliz.
  • Leandro  12/02/2014 18:37
    "Simplesmente disse que a inflação é assim calculada: com ponderação, como disse o Antônio e o Bal."

    Não são apenas vocês três que dizem isso. Todos aqui sabemos que os governos ponderam sua inflação. Diabos, é exatamente essa a crítica!

    "No exemplo do artigo, o autor mostra uma forma de cálculo de inflação que NÃO É a usada pelos governos como se fosse. Logo, não deveria ter sido usada como ilustração, já que não é praticada."

    Meu Deus, mas você não percebe que é exatamente disso que estou falando aqui?! Se você criar ponderações para o exemplo dado no artigo, a inflação de preços será menor do que a ocorrida sem ponderações. Aí é que jaz o problema! Estou sendo obrigado a repetir as mesmas coisa aqui nas minha últimas 5 postagens. Dá desânimo...
  • Pobre Paulista  12/02/2014 17:51
    Os "pesos" que o autor atribuiu no texto são tão arbitrários quanto esse peso de 0.5 que vocês estão falando. E é esse o cerne da questão, não existe um meio objetivo de se estabelecer um "peso correto" para cada item. Ainda que fosse possível estabelecer não seria possível obtê-lo corretamente. É por isso que não faz sentido estabelecer um "índice de preços".
  • Guilherme  12/02/2014 17:55
    Com o detalhe de que o autor não atribuiu peso nenhum. Mas acho que foi a isso que você se referiu ao escrever "pesos" entre aspas...
  • Pobre Paulista  12/02/2014 18:39
    O autor do texto atribuiu peso 1 para ambos os índices:

    1.0 x 25% + 1.0 x(-16,7%) = 8,33%

    O Antonio atribuiu peso 0.5 para ambos os índices:

    0.5 x 25% + 0.5 x(-16,7%) = 4,15%

    Já o Mantega atribuiria 0.4 para laranjas e 0.6 para maçãs:

    0.4 x 25% + 0.6 x(-16,7%) = 0.0%

    (E iria bradar aos 4 ventos que a inflação foi nula).

    Entendeu porquê esse número não significa nada?
  • Magno  12/02/2014 18:46
    Pobre Paulista, se o autor tivesse atribuído peso 1 para ambos os itens, então ele teria de dividir o resultado por dois. Lembre-se que, quando se trabalha com média ponderada, a soma dos pesos entra no denominador.
  • Marcus  12/02/2014 17:59
    Bal disse:

    "A inflação dita é de "preços", então deveria ponderar o peso daquele bem na economia. Nessa economia simples, sugerida, cada bem ocupa 50% de tudo que é consumido."

    Ora, por essa lógica, então o peso da gasolina, da água, da energia elétrica, dos alimentos, e da telefonia celular deveria ser de 100%. Afinal, tais itens são consumidos por 100% da população.
  • Observador  12/02/2014 18:12
    Marcus, vou sair em defesa do Bal mesmo não concordando com o método por meio do qual o governo (e seus derivados) calcula a inflação: O QUE VOCÊ DISSE NÃO FAZ O MENOR SENTIDO, nem foi o que Bal (que eu não faço a mínima ideia de quem seja) quis dizer.
  • Marcus  12/02/2014 18:38
    Ué, estou plenamente ciente de que isso que eu disse não faz nenhum sentido. E é exatamente esta a minha crítica. É exatamente por isso que eu não defendo tal metodologia. Afinal, foi para mostrar esse absurdo que utilizei tal figura de linguagem, na forma de uma lógica levada ao extremo.

    Mas é sim essa a lógica que o Bal defende. Ele foi explícito quanto a isso. Agora, se não foi isso o que ele realmente quis dizer, então ele se expressou mal. Leia de novo o trecho e ensine-nos o que ele realmente quis dizer.
  • Vive la liberte!  13/02/2014 15:47
    Acho que estamos rumando para os métodos de Laspeyres, Paasche ou Fischer para medir a inflação. Porém, no exemplo do texto, não dá para fazer julgamentos a respeito da quantidade, porque todas as maçãs e laranjas já estavam sendo consumidas no primeiro momento. Então, quando "os gostos das pessoas se [alteram] e elas [passam] a demandar mais maçãs", não dá para haver um aumento na quantidade de maçãs consumidas.
    Os pesos atribuídos a cada produto são subjetivos.
    Em termos reais, a sociedade continua consumindo 10 maçãs e 10 laranjas com os 20 R$.
    Dependendo da forma que se messa a inflação em termos monetário, pode-se encontrar distorções, seja 8,3%, 4,15% ou sei lá mais quanto.
  • Bal  13/02/2014 17:52
    Espero que não fique confuso, mas vou responder ao Leandro e ao Marcus no mesmo texto.

    Leandro,

    Bom, se você acredita em índice único de inflação de preços, em ponderação de preços, e em índice único de inflação ponderado por preços, então eu realmente nada posso fazer. Quem agradece é o governo, que assim (por meio de ponderações) consegue alardear uma inflação muito menor do que aquela realmente vivenciada por todos.

    Eu não acredito em um ÚNICO índice de preços. Acredito que em uma economia liberal existiriam diversos índices de preços, criados pela área privada, e o mercado julgaria quais índices seguiria ou ignoraria.

    De novo: ponto para o governo. Com a inflação de preços "diluída", sua política monetária se torna mais facilmente bem sucedida. Essa é exatamente a crítica; e é isso que você defende.

    Eu não estou do lado o índice do governo, se meu modo de escrever transpareceu isso, peço desculpas. Eu só estou defendendo que o fato do governo usar um índice ruim, não quer dizer que não possa existir outras formas de cálculo que sejam boas. Enfim, num mercado livre, as pessoas julgarão. Minha concepção matemática me faria ignorar um índice calculado pelo modo que o artigo fez. Eu seguiria outro índice com alguma ponderação, alguém criaria esse índice ou eu mesmo faria caso precisasse desse número para alguma coisa, como abrir uma empresa ou sei lá.

    Quanto ao seu raciocínio lógico em 3 pontos, concordo. Meu comentário não foi para defender o governo ou o índice único, foi apenas para defender que o modo como o índice foi calculado parece errado, assim como Antonio e Observador também acharam. E não digo "errado" como "cada um tem sua opinião e eu acho errado", mas "errado" no sentido "matematicamente errado". Entretanto, se alguém aqui decidir seguir um índice assim, OK.

    Abs

    Marcus,

    Ora, por essa lógica, então o peso da gasolina, da água, da energia elétrica, dos alimentos, e da telefonia celular deveria ser de 100%. Afinal, tais itens são consumidos por 100% da população.

    Fico meio assutado de você ter entendido desse modo, desculpe se não ficou claro, vou explicar o que quis dizer. Quando propus ponderar o peso do bem na economia, quis dizer na proporção que o consumo desse bem representa no total de bens consumidos. Isso é fácil no exemplo simples do artigo, 50% laranjas e 50% maçãs. Exportando isso para o mundo real, ficaria algo mais menos assim para um indivíduo:
    (apenas um exemplo)
    Peso do que consumo no meu salário: 10% com gasolina, 20% telefone, 30% energia, 10% água e 30% comida. Então vou calcular quanto o preço de todos esses itens mudou, no mês, para saber se houve uma inflação ou deflação nos itens que consumo, ponderando pelo seu peso nas minhas despesas.

    O problema é, eu aplicaria pesos, outros não, então que cada use o índice que preferir. Não sou a favor de um índice único e nem das políticas do governo, que são ruins com índices ou sem índices.

    Abs



  • Tiago Moraes  15/02/2014 18:47
    Ora, por essa lógica, então o peso da gasolina, da água, da energia elétrica, dos alimentos, e da telefonia celular deveria ser de 100%. Afinal, tais itens são consumidos por 100% da população.

    Meu amigo, o peso de um bem na cesta de consumo é Q x p/Rm. Ou seja, o valor dispendido na quantidade que é consumida do bem, divido pela renda monetária do consumidor. Logo, para a Gasolina ter um peso de 100% seria necessário que os consumidores só consumissem Gasolina, logo, não há lógica alguma no que VOCÊ escreveu. Aprende o que é peso em uma média ponderada estatística antes de elucubrar sobre.

    Assim sendo, a colocação do Bal é sim pertinente, a variação do preço de um bem tem de ser ponderada em função do peso que este bem tem na cesta de consumo. O preço do caviar pode iraniano pode subir 1.000.000.000.000.000%, que isso não vai afetar em nada nem a minha e nem a tua cesta de consumo, pois não consumimos essa tralha, logo o peso dele em nossas rendas é nulo.

    Porém, a colocação do Leandro também é verdadeira, mas acredito que ele falhou na justificativa. O sistema de ponderar médias por peso só faz sentido se você calcular o impacto dessa variação sobre a renda de alguma categoria social. Dado que essa categoria social possuirá um determinado padrão de consumo de bens em suas cestas de consumo. Mas no aspecto agregado, que é de fato o que o autor do texto leva em consideração, não faz sentido usar pesos pois não há ótica na visão agregada, é simplesmente o todo sendo analisado.
  • Michelangelo  15/02/2014 19:09
    Então piorou, Tiago. Se o peso é definido pelo "valor dispendido na quantidade que é consumida do bem, divido pela renda monetária do consumidor", então é necessário haver um supercomitê de planejamento central para determinar exatamente:

    1) Qual a quantidade consumida de cada bem por cada indivíduo;

    2) Qual o valor suspendido por cada indivíduo em cada bem;

    3) Qual a renda de cada indivíduo que consome cada bem.

    Entendi o seu raciocínio, mas você ainda tem de provar que tal coisa é possível de ser feita. E a sua arrogância no tratamento dispensado ao Marcus em nada ajuda.
  • anônimo  16/02/2014 17:21
    Então piorou, Tiago. Se o peso é definido pelo "valor dispendido na quantidade que é consumida do bem, divido pela renda monetária do consumidor", então é necessário haver um supercomitê de planejamento central para determinar exatamente:

    1) Qual a quantidade consumida de cada bem por cada indivíduo;

    2) Qual o valor suspendido por cada indivíduo em cada bem;

    3) Qual a renda de cada indivíduo que consome cada bem.



    Mas a crítica é justamente essa, qualquer tipo de categorização social pelo Estado seria arbitrária, o sistema de pesos é coerente apenas no aspecto individual, dada à subjetividade do consumo face às necessidades individuais. Assim EU posso usar o sistema de pesos para ponderar um impacto que cada bem que consumo tem sobre a MINHA renda. O ideal seria que cada família descreve sua renda e sua cesta de consumo básica ao IBGE, que calcularia a inflação para cada uma dessas famílias e obteria o IPCA pela base amostral de todas famílias computadas, claro, isso seria um esforço cavalar, mas necessário caso se quisesse apenas obter uma inferência mais próxima da realidade.


    Entendi o seu raciocínio, mas você ainda tem de provar que tal coisa é possível de ser feita. E a sua arrogância no tratamento dispensado ao Marcus em nada ajuda.

    Eu não tenho que provar nada, dado que meu raciocínio, justamente, reside em provar que não é possível ponderar o impacto da variação dos preços de cada bem sobre o agregado, somente os agentes individuais, que sofrem o impacto da variação dos preços, é que podem fazê-lo.

    PS: E a propósito, onde fui arrogante? Porque apenas não acho legal que uma pessoa critique outra escrevendo bobagem, demonstrando total falta de conhecimento sobre o assunto, isso polui a discussão e ocupa espaços preciosos no fórum.
  • mauricio barbosa  11/02/2014 15:21
    Essas estatísticas e indicadores sócio-econômicos são superlativizadas ou seja o que deveria ser acessório se torna o principal e dá no que dá,manipulação e enganação da boiada haja vista economia ser uma ciência que se aprende com muito estudo e boa vontade,o IMB tem simplificado as coisas para leigos e até mesmo formados iguais a este que vos escreve,enfim vida longa ao IMB.
  • Josias Luna  11/02/2014 16:30
    Excelente artigo.

    Mas supondo que a oferta monetária continue por um longo tempo do jeito que está, ou seja, sem uma moeda-commodity e com a presença do Banco Central, como proceder? No texto, a solução do autor foi a abolição do Banco Central e a mudança do tipo de moeda. Se o Banco Central não for abolido e a moeda permanecer a mesma (fiduciária) qual o melhor caminho - ou o menos desastroso - a seguir? Existe alguma alternativa, segundo a EA, melhor do que o regime de metas de inflação (nas atuais condições)?
  • Leandro  11/02/2014 16:38
    Abolir as reservas fracionárias e adotar este programa de reformas:

    mises.org.br/Article.aspx?id=1553


    Ou então, no mínimo, copiar o estatuto do antigo Bundesbank:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1672
  • Joao  11/02/2014 17:27
    Muito bom o artigo, muito didático. Só não entendi um ponto.
    Por que com o aumento do consumo iria aumentar as taxas de juros? Mais demanda sobre crédito? Por que necessariamente o dinheiro do consumo viria do crédito e não da preferência a consumir do que poupar?
  • Malthus  11/02/2014 17:45
    Em um arranjo de oferta monetária constante, quanto maior o consumismo, menor a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos. Logo, menores os juros.

    Veja este artigo, que fala exatamente sobre isso:

    [link]www.mises.org.br/Article.aspx?id=552[link]
  • Pobre Paulista  11/02/2014 17:39
    O grande problema da inflação, leia-se criação de dinheiro da parte do governo, é que com esse dinheiro novo o governo ganha o poder de consumir algo sem ter ofertado algo. Assim ele pode manipular (distorcer) os preços relativos da economia onde ele efetivamente gastar esse dinheiro (por exemplo aumentando os salários dos funcionários públicos). E é por isso que ao criar dinheiro do nada o governo efetivamente subtrai riqueza da sociedade: Ele diminui a quantidade de bens na economia sem ofertar outros bens.

    Mas o texto dá a entender que qualquer aumento na base monetária causa distorção essa, sem fazer hipóteses da moeda ser fiduciária ou lastreada. Por isso fiquei confuso com a conclusão:

    A abolição do Banco Central e o retorno a uma moeda-commodity que não possa ser manipulada por burocratas já seria um grande passo para se devolver estabilidade à oferta monetária e, como consequência, à economia.

    Mesmo com moeda-commodity, os efeitos citados no texto poderiam ocorrer, certo? Não parece que abolir o banco central resolveria esse problema (certo, resolveria muitos problemas, mas não este).
  • Alfredo  11/02/2014 17:47
    Diminuiria enormemente a propensão dos bancos a expandir o crédito desbragadamante e, com isso, alterar os preços relativos da economia.
  • Pobre Paulista  12/02/2014 11:35
    Eu não entendo porquê. Mesmo com moeda-commodity, um banco pode estar alavancado com empréstimos, causando os mesmos efeitos inflacionários.

    A única diferença é que se ele quebrar não tem banco central para salvá-lo.
  • Marcus  12/02/2014 12:55
    "A única diferença é que se ele quebrar não tem banco central para salvá-lo."

    E isso faz muita diferença.
  • Pobre Paulista  12/02/2014 18:30
    OK, mas o processo inflacionário existe da mesma maneira. Eu ainda não percebi a diferença. Se os bancos conseguirem se manter alavancados, continuará existindo inflação de preços, seja com moeda-commodity, seja com moeda de papel. Não me parece que essa afirmação seja correta mas estou concluindo isso mesmo.
  • Magno  12/02/2014 18:43
    Correto. Mas a alavancagem com moeda-commodity terá de ser necessariamente menor. E se houver uma corrida bancária? E se houver um aumento repentino nas retiradas bancárias? Se os bancos estiverem muito alavancados, eles se tornam insolventes.
  • Helio  11/02/2014 20:25
    Para os que se interessaram pelo artigo e em especial pelo tema de metas de inflação, não deixem de ver a palestra (e a monografia) do Doutor em Escola Austríaca, Leonidas Zelmanovitz, cujo link está ao final do artigo no "Veja também".
  • IRCR  11/02/2014 22:20
    Leandro

    Qual seria os impactos psicologicos no curto prazo nos empresarios tendo que vender suas mercadorias cada vez com um valor mais baixo (podendo ficar abaixo do custo de produção) ?
    Por exemplo, se no inicio do plano real a base monetaria fosse congelada até hj, logicamente a moeda ganharia muito valor, porém com o aumento da população e de bens, como que ficaria a "divisão" da moeda, teriamos que criar uma moeda fisica de por exemplo 0,5 centavos ? assim, teriamos que criar uma subdivisão decimal da moeda como no bitcoin que pode ser divido em 8 casas decimais ?
  • Leandro  11/02/2014 23:19
    "Qual seria os impactos psicologicos no curto prazo nos empresários[...]"

    Não sei. Não sou psicólogo, nem psiquiatra e nem neurolinguista.

    "Se no inicio do plano real a base monetaria fosse congelada até hj, logicamente a moeda ganharia muito valor, porém com o aumento da população e de bens, como que ficaria a "divisão" da moeda, teriamos que criar uma moeda fisica de por exemplo 0,5 centavos ?"

    Congelamento da base monetária por si só não impede a expansão da oferta monetária por parte do sistema bancário de reservas fracionárias. A expansão certamente seria bem menor, mas certamente ocorreria.

    No que mais, todos os experimentos que chegaram perto deste arranjo tinham como moeda uma commodity, a qual podia ser escavada da terra -- ou seja, não havia base monetária fixa.

    Por fim, vale lembrar que nenhum liberal defende congelamento da base monetária, pois isso seria uma medida intervencionista. Afinal, em um arranjo liberal, qualquer coisa poderia ser moeda, e certamente haveria várias moedas concorrendo entre si. Entre elas, o dólar. E não há como controlar a oferta de dólares em uma economia. E nem a quantidade de ouro.

    Base monetária fixa é apenas uma construção teórica para que se entenda melhor o funcionamento de uma economia.
  • Jeferson  12/02/2014 14:04
    Também não sou psicólogo, mas nesse caso acho que não precisa ser pra se especular razoavelmente como deve ser. Provavelmente os empresários ficariam insatisfeitos num primeiro momento, e também seriam obrigados a reduzir os salários dos empregados para se manterem competitivos. Estes, por sua vez, também ficariam insatisfeitos, mas passado um tempo (talvez um ou dois anos, talvez um pouco menos ou um pouco mais), todos se acostumariam, pois veriam que, apesar do valor de seus rendimentos serem reduzidos ao longo do tempo, seu padrão de vida vai aumentando, eles vão passando a ter acesso a produtos que antes não tinham, etc.

    Com certeza o impacto seria negativo no curto prazo. O problema seria num arranjo parecido com esse num país como o Brasil. Com certeza o povo iria às ruas exigir que o governo mudasse sua política, e tudo com o máximo apoio dos empresários. Isso supondo que a redução dos salários fosse possível aqui, coisa que não é.

    Sobre o fracionamento da moeda, isso seria de menos. Se o arranjo fosse um de moeda fiduciária com oferta monetária "mais ou menos" constante, bastava redefinir a moeda de acordo com o contexto. Ia levar um tempo até as moedas de centavos se tornarem relevantes, e mais tempo ainda até isso ser necessário, mas nada impediria a criação de moedas de 0,1 centavos, ou simplesmente a redefinição da moeda pra "1 real novo = 1 centavo de real" (exatamente o movimento contrário do que foi feito ao longo dos anos 80 no Brasil) e a partir daí se remarcam os preços.
  • Vive la liberte!  13/02/2014 15:53
    Eu não entendi esse raciocínio do artigo:
    "Imagine que um empreendedor cometa um erro e acabe produzindo um bem a um custo acima de seu preço de venda. Neste cenário, caso o Banco Central adote uma postura inflacionista e, como consequência, haja um aumento generalizado de preços em toda a economia, a decisão ruim deste empreendedor acabará se tornando lucrativa. Ele será agora capaz de vender seus caros estoques. Em outras palavras, para alguns economistas, um pouco de inflação é bom porque faz com aqueles empreendedores que tomaram decisões ruins consigam ainda assim vender seus estoques."

    Supondo que tudo aumentou na mesma proporção, então o empresário só obteve lucro no papel. O valor real do dinheiro que ele gastou para comprar as mercadorias é superior ao que ele recebeu por elas, ainda que em termos nominais não o seja.

    Portanto, não deveria haver impacto psicológico negativo. É muito mais fácil controlar suas finanças em ambiente de estabilidade.

    Nesse ambiente de alta inflação, esse empresário poderia ir a falência de tanto lucrar. :)
  • Auxiliar  13/02/2014 16:18
    "Supondo que tudo aumentou na mesma proporção, então o empresário só obteve lucro no papel. O valor real do dinheiro que ele gastou para comprar as mercadorias é superior ao que ele recebeu por elas, ainda que em termos nominais não o seja."

    Não. As mercadorias já estavam compradas. No curto prazo, como o empreendedor já havia incorrido nos custos de produção, seu único objetivo será desovar seus estoques a preços maiores. A inflação o ajudará a fazer isso.

    O coitado do Leandro já explicou isso umas 437 vezes só aqui nesta seção de comentários. Tá ali em baixo.
  • Tano  13/02/2014 17:25
    Não é assim que funciona Auxiliar.
    Voce tem que considerar o custo de reposição da mercadoria (o que vale no momento da venda), não o custo que voce comprou. Se nao voce vai a falencia! Especialmente me períodos de inflação alta.

    Inflacao serve a empresarios quando compram e vendem produtos, mas pagam seu fornecedores a 60, 90, 120 dias e recebem a vista (supermercados, ver crecimento fantastico de Pão de Açucar nos anos 80). Também serve que voce repassa a inflacao dos seus produtos. Mas se voce fez um erro economico, a inflação so vai ajudar nos papeis. Voce continua a errar e voce vai a falencia!
  • Leandro  13/02/2014 17:39
    Prezado Tano, qual parte de no curto prazo você não entendeu?

    Pena que não tenho como postar aqui, mas fui a uma palestra do Henrique Meirelles na qual ele falou exatamente sobre isso. Ele relatou como, ainda em 2003, ele sofreu forte pressão de grandes nomes do empresariado, que chegaram a pedir que Lula o demitisse do BC.

    Meirelles relatou que estes empresários imaginaram que haveria uma forte alta na inflação de preços, pois, afinal, era isso que as políticas historicamente defendidas pelo PT geraria. Como eles esperavam essa inflação, eles aceitaram comprar os produtos de seus fornecedores a preços mais altos, pois imaginavam que poderiam revender a preços ainda maiores.

    No entanto, como a inflação esperada não se materializou (a oferta monetária em 2003 ficou quase que literalmente parada), todos eles ficaram com um estoque caro. Aí, em vez de renegociarem os valores com seus fornecedores, ou em vez de aceitarem que erraram e vender a preços menores (o que lhes traria prejuízo), eles simplesmente foram até Lula e pediram a cabeça de Meirelles.

    Por sorte do país, Meirelles ficou. E esses empresários venderam a prejuízo.

    Estou apenas repetindo aqui algo que o Meirelles contou em sua palestra. Algo que bate exatamente com o que foi descrito no artigo.
  • Tano  13/02/2014 18:36

    Não importa se é no curto ou no longo prazo. Você tem que vender um produto considerando o custo de reposição das matérias primas, se não você se auto~engana e acha que tem lucro mas tem prejuízo.
    Me estranha você insistir neste ponto.

    Exemplo claro: Você comprou um apartamento no ano 2003 por 80 mil reais. Desde essas data até hoje, houve inflação (exemplo) de 100%. Você vende o apartamento por 100 mil reais hoje. Você ganhou ou perdeu dinheiro? No curto prazo ganhou 20 mil?? Nao! voce perdeu 60 mil de hoje e 30 mil de 2003!.
    Por que você fala de curto prazo se estamos falando na época da venda, que é um período onde houve inflação. Não foi curto o prazo se houve a inflação

    Bom, os argumentos já foram dados e não adianta insistir sobre eles. Temos uma diferença e os dois achamos que estamos certos.

    Sobre essa fantasia dos empresários comprarem produtos mais caros dos fornecedores, deve ser um caso pontual, e certamente mais devido a pressão de fornecimento do que a repasse de expectativa do empresario.
  • Auxiliar  13/02/2014 19:11
    É, não tem jeito mesmo. O Leandro fala explicitamente "curto prazo" (algo que, na teoria econômica, não chega nem a 3 meses), e o Tano vem e cita um prazo de 11 anos como prova em contrário.

    Eu realmente não queria estar na pele do Leandro, que além de ter de explicar detalhadamente as coisas, ainda tem de lidar com o analfabetismo funcional de alguns.
  • Leandro  13/02/2014 22:44
    Tano, concordo plenamente com você quanto aos efeitos deletérios da inflação no longo prazo. Caramba, seria uma enorme incoerência de minha parte eu dizer que inflação é algo bom após já ter escrito dezenas de artigos sobre os efeitos deletérios da inflação.

    O problema é que, infelizmente, você simplesmente ignorou toda a discussão ali embaixo, na qual explico claramente as diferenças entre os efeitos da inflação no curto prazo e no longo prazo. Se você não entende (ou não aceita) que há uma enorme diferença nos efeitos de curto prazo e de longo prazo da inflação, e acha que tudo é a mesma coisa, então toda e qualquer discussão será infrutífera. E estaremos em um loop infinito.

    Abraço!
  • Vive la liberte!  13/02/2014 18:54
    Obrigado, Auxiliar. Não tinha lido os demais comentários. Desculpe o meu erro.
    Porém, o mecanismo realmente não é nada óbvio.

    Entendi que existem duas maneiras com que a inflação beneficia um empresário no curto prazo:

    1) Ele compra um artigo por 100 e iria vender por 90.
    Devido à inflação ele consegue vender por 110 e lucra em vez de ter prejuízo.
    Nesse cenário, os preços relativos ainda não tiveram tempo de se ajustar. Se o empresário não tivesse feito o "mau negócio" ele estaria com 100 na mão, mas graças à inflação ele saiu ganhando apesar de ter feito um mau negócio.

    2) Ele realiza um compra a prazo. Compra hoje mercadoria por 100, mas promete pagar esses 100 amanhã quando vender. Ele descobre em seguida que o artigo é avaliado a 90 no mercado.
    Dia seguinte, devido a uma inflação louca, o artigo passa a valer 110. Ele é beneficiado, pois paga 100 reais e lucra 10.

    É isso?
    Obrigado. :)
  • Tano  11/02/2014 22:50


    "Imagine que um empreendedor cometa um erro e acabe produzindo um bem a um custo acima de seu preço de venda. Neste cenário, caso o Banco Central adote uma postura inflacionista e, como consequência, haja um aumento generalizado de preços em toda a economia, a decisão ruim deste empreendedor acabará se tornando lucrativa. Ele será agora capaz de vender seus caros estoques. Em outras palavras, para alguns economistas, um pouco de inflação é bom porque faz com aqueles empreendedores que tomaram decisões ruins consigam ainda assim vender seus estoques"

    Fiquei em dúvida com este conceito porque se o empreendedor vende o produto que fez depois dos preços terem inflacionado então ele não foi beneficiado, ele recebeu valor menor ao investido. Igual em termos absolutos mas menor em termos relativos. Agradeço me expliquem.
  • Leandro  11/02/2014 23:18
    Como assim ele não foi beneficiado? Se eu fabrico um bem por $100 e pretendo vendê-lo por $110, mas uma repentina inflação faz com que eu consiga vendê-lo por $120, por que eu não me beneficiei? Por que eu recebi um "valor menor do que o investido"? Como assim o valor foi "igual em termos absolutos mas menor em termos relativos"?
  • Rafael  12/02/2014 00:06
    Eu entendi o questionamento desse leitor:

    "Fiquei em dúvida com este conceito porque se o empreendedor vende o produto que fez depois dos preços terem inflacionado então ele não foi beneficiado, ele recebeu valor menor ao investido. Igual em termos absolutos mas menor em termos relativos. Agradeço me expliquem."

    Os $10 dólares inesperados que o empreendedor ganhou não garantem a ele um maior poder de compra, pois como houve inflação de preços é de se esperar que alguma coisa que o empreendedor deseja adquirir teve o preço elevado entre o inicio do planejamento do empreendimento e a finalização da venda.

  • Leandro  12/02/2014 00:25
    "Os $10 dólares inesperados que o empreendedor ganhou não garantem a ele um maior poder de compra,"

    Dali pra frente, não. Mas lhe garantem lucro operacional sobre o que ele já produziu a $100 e conseguiu vender a $120 (quando, de acordo com o texto, a perspectiva era de que vendesse por um valor muito menor do que isso).

    Outra coisa extremamente importante: um aumento da oferta monetária não gera um aumento em igual proporção nos preços. Logo, se a oferta monetária for elevada, e esse empresário for um dos primeiros a receber este dinheiro recém-criado (dinheiro este que estará em posse de algum consumidor, por exemplo), ele irá se beneficiar ainda mais. Terá agora mais poder de compra sendo que os preços da economia ainda não subiram em igual proporção. Há vários artigos sobre esta mecânica da inflação monetária sobre os preços. Eis o mais recente.

    "pois como houve inflação de preços é de se esperar que alguma coisa que o empreendedor deseja adquirir teve o preço elevado entre o inicio do planejamento do empreendimento e a finalização da venda."

    O texto é claro: o custo de produção já foi incorrido. O planejamento já foi feito. É algo que já foi realizado. Logo, naquele momento, não há isso de "teve o preço elevado entre o inicio do planejamento do empreendimento e a finalização da venda."
  • Tano  12/02/2014 13:37
    Acho que Rafael entendeu e Leandro não.

    Não temos que adicionar novos temperos a discussão como por exemplo se ele se beneficiou porque recebeu o dinheiro antes que outros. Concordo que isso aconteça mas não é o que estamos discutindo.

    Só não entendo como a inflação ajuda a esse empresario. Se produziu um bem por 80, e o mercado paga só 70, mas um tempo depois (só muda o circulante de dinheiro, o resto pode mudar positivamente ou negativamente para o empresario então sera desconsiderado) o mercado paga pelo mesmo bem 85. Ouve inflação de 21% do preço de venda, mas certamente também teve inflação no resto, nos insumos que ele tem que comprar para produzir novamente, e no poder de compra do dinheiro que recebeu. Portanto não se beneficiou. Teria sido o mesmo ele vender por 70 antes da inflação, ou por 85 depois da inflação, sempre use o dinheiro para comprar algo e não fique com ele em mão.
  • Leandro  12/02/2014 14:03
    "Só não entendo como a inflação ajuda a esse empresario."

    A inflação não ajuda ninguém no longo prazo e é deletéria para todos. Mas a inflação faz sim ganhadores no curto prazo. Acompanhe.

    "Se produziu um bem por 80, e o mercado paga só 70, mas um tempo depois (só muda o circulante de dinheiro, o resto pode mudar positivamente ou negativamente para o empresario então sera desconsiderado) o mercado paga pelo mesmo bem 85."

    Entendeu agora por que no curto prazo este empresário irá querer inflação? Ele tinha duas opções: vender no curto prazo a prejuízo ou vender também no curto prazo a lucro. Ele irá optar pela segunda, evidentemente.

    O que virá depois -- isto é, a inflação de preços generalizada no longo prazo --, é de importância secundária para ele. O que importa, agora, é desovar seus estoques sem prejuízo.

    Com esta sua dúvida, você começou a entender por que o inflacionismo é desejado no curto prazo (porque é uma política que ajuda os mais incompetentes) e por que é ruim para todos no longo prazo (vide o que estamos vivendo hoje no Brasil).

    "Ouve inflação de 21% do preço de venda, mas certamente também teve inflação no resto, nos insumos que ele tem que comprar para produzir novamente, e no poder de compra do dinheiro que recebeu. Portanto não se beneficiou."

    De novo, e pela quinta vez: essa "inflação no resto" ocorrerá no longo prazo. No curto prazo, como ele já havia incorrido nos custos de produção, seu único objetivo será desovar seus estoques a preços maiores. A inflação o ajudará a fazer isso.

    Juro que não consigo ser mais claro do que isso, e confesso não entender onde está sua dúvida.

    "Teria sido o mesmo ele vender por 70 antes da inflação, ou por 85 depois da inflação, sempre use o dinheiro para comprar algo e não fique com ele em mão."

    Não. Pela sexta vez: se ele vendesse por 70, teria prejuízo. Se ele vendesse por 85, teria lucro. Em ambos os casos, os custos de produção já haviam sido incorridos. Eram imutáveis. Já estavam na equação. Portanto, dado que os custos já estavam incorridos, quanto maior fosse o preço de venda, maior seria o lucro.

    Toda a inflação que virá dali pra frente será de menor importância. O que importa para este empresário, agora, é desovar seu estoque lucrativamente. E a inflação de curto prazo fará isso, pois seus custos são passados e inalterados.

    De novo, sou totalmente incapaz de ser mais claro do que isso.
  • Pedro  12/02/2014 15:26
    Mas na realidade, na maioria dos casos, o empresário não tem que repor os estoques vendidos já incorrendo a um maior custo de produção provocado pela inflação e, ainda por cima, pagar IRPJ sobre o lucro nominal, o que derrubaria seu lucro real?

    Em outras palavras, não seria a combinação inflação + imposto sobre lucro, para a maioria dos empreendedores, prejudicial?
  • Leandro  12/02/2014 17:04
    Correto quanto ao imposto. Mais inflação gera um maior lucro nominal, o que torna a mordida do IRPJ ainda maior. No entanto, é preferível ter lucro e pagar mais imposto a ficar apenas com o prejuízo. Certo?

    Sobre o primeiro parágrafo, repito exatamente o que já disse ao Tano e ao Rafael. Tudo se resume ao curto prazo (empresário quer os efeitos da inflação) e longo prazo (empresário não quer os efeitos da inflação).
  • Pedro  12/02/2014 19:49
    Correto, estava me referindo justamente a esse efeito de longo prazo da inflação de preços e também estava me referindo a massa dos empreendedores, pois certamente aqueles que recebem o dinheiro primeiro se beneficiarão da mesma dado que sempre estarão com um maior poder de compra em relação ao resto dos mortais.

    Eu acredito também que mude muito de setor para setor, pois na minha experiência na parte imobiliária e na de revenda de combustíveis, enquanto um aumento nos preços beneficia a primeira, na maioria das vezes prejudica a segunda.

    No imóveis é bem óbvio o porque do beneficio, por exemplo, você gasta 200 mil num casa para revende-la por 400 mil 2 anos depois. Apenas um cenário de hiperinflação ou inflação muito alta prejudicaria tal setor pois assim fica muito difícil a uma construtora prever o custo de uma obra, dado que a mesma demora para entregar o produto final e os custos de produção estarão sempre subindo muito e de forma imprevisível ao longo da construção.

    Agora no caso da revenda de combustíveis, com exceção dos raríssimos casos de cartel, você tem inúmeros fatores que prejudicam o revendedor já no curto prazo: o preço sempre demora um pouco para ser repassado ao consumidor (graças a concorrência), mesmo que o revendedor já tenha comprado combustível com preço novo; a margem de lucro (%lucro/faturamento) raramente sobe na mesma proporção; o IRPJ come boa parte do lucro nominal adicional (quando ele existe), reduzindo o lucro real; a demanda sempre é afetada mesmo ela sendo relativamente mais inelástica, etc.
  • IRCR  12/02/2014 00:53
    Leandro,

    Acho que o mais importante é o valor da moeda que vc receberá que o valor nominal.
    Por exemplo, hj eu compro um apartamento por 100k. Digamos que daqui cinco anos eu resolvo vender ele. Considerando um ambiente deflacionario nesse periodo, o valor de mercado dele será de 80k, ou seja, queda de 20%. Nominalmente eu tive um prejuizo de 20k, mas como estamos em um ambiente deflacionario, digamos que os preços gerais cairam 30%, isto é, então eu tive um ganho real, pois os 80k de hj valem mais que os 100k de antes.
    Já em um ambiente inflacionario, vc pode vender o AP por 120k ao final do periodo, mas se os preços gerais subiram, 50%, vc teve um prejuizo real, mesmo tendo um aumento nominal.
  • Leandro  12/02/2014 10:38
    Concordo. O grande problema seria as pessoas se acostumarem com este novo cenário -- principalmente no Brasil, país que nunca vivenciou nem sequer um ano de deflação.

    Sem chance.
  • Regis  12/02/2014 11:29
    Pela primeira comento neste site, porém já o leio há pelo menos três anos. No início, estranhei as idéias sobre anarco-capitalismo, mas me interessei bastante sobre a Escola Austríaca. Era algo totalmente novo e estranho pra mim, mas agora já assimilo bem.

    Parabéns a todos que fazem este maravilhoso instituto. Diria que mudou minha forma de pensar o mundo, e até minha vida pessoal.

    Hoje deparei com uma entrevista na Folha de São Paulo com Delfim Neto, vejam:
    www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/02/1410189-plano-real-e-uma-obra-inacabada-diz-delfim.shtml
    Chamou-me a atençao este trecho sobre planejamento governamental:
    [...]
    Eu planejo e não dá certo porque foi ele que perturbou. Eu preciso de mais poder para obrigá-lo agora a se comportar como eu quero. Eu dou o segundo "round" e não dá certo de novo, está faltando poder, até chegar ao poder absoluto e ver que não funciona.
    [...]

  • Randolfe  12/02/2014 18:54
    Acho que o PT atrasou a mesada do Delfim. De uns tempos pra cá, ele começou a criticar o governo e passou a falar coisas estranhamente sensatas. Curiosamente, ele ignorava esses problemas há menos de um ano...
  • Emerson Luis, um Psicologo  12/02/2014 17:23

    Metas de inflação subentendem uma tolerância à ela em pequenas doses. Seria como se um médico, em vez de curar completamente o paciente podendo fazê-lo, tivesse "metas de redução do distúrbio".

    * * *
  • Luciano A.  13/02/2014 01:46
    Todos os bancos centrais do mundo operam neste sistema de metas de inflação?
    Existe outra maneira deles atuarem?
  • Michelangelo  13/02/2014 02:09
    1) Não. Fed e BCE, por exemplo, não trabalham com uma meta explícita, mas deixam implícito que almejam uma inflação de preços de 2%. Sim, eu sei, na prática dá na mesma. Estou apenas dizendo que, ao menos na retórica, os objetivos declarados mudam um pouco.

    2) Há várias maneiras de os BCs atuarem. No arranjo atual, no entanto, os principais optaram por esta maneira.
  • Interessado no tema  17/02/2014 21:00
    Sobre o texto "Não faz sentido um banco central ter metas de inflação", aliás tema que eu concordo plenamente, em um dos seus comentários, Leandro, você sugeriu que o método certo de se calcular a variação de preços entre dois produtos cujas quantidades não variam, seria simplesmente a somar as taxas de variação dos dois produtos. Então, para que ficasse bem claro no meu entendimento, eu criei um exemplo, parecido com o do autor do texto, mas apenas para investigar sua proposta de que se deve simplesmente adicionar a taxa de variação dos dois preços, quando as quantidades não se alteram, uma vez que usar pesos você considera errado!

    Em uma economia são vendidos apenas dois produtos, em um determinado período, são vendidos 10 motocicletas ao preço de R$10.000,00 cada, e 10 quilos de manteiga ao preço de R$1,00 cada. No período seguinte, foram vendidos também 10 motocicletas mas ao preço de R$12.500,00 cada, e também 10 quilos de manteiga a R$1,60 cada quilo. Estou supondo, como fez o autor do texto, que os gostos se modificaram, e os consumidores aceitaram os aumentos de preço, e havia oferta monetária que sustentasse os aumentos. Sabemos que nem motos custam R$10.000,00, nem manteiga custa R$1,00 o quilo, mas usei esses valores apenas para que ficasse fácil de acompanhar o raciocínio. Acho que um site desse valor merece reflexões.

    Vê-se, claramente, que a inflação puxada pela motocicleta foi de 25% (o preço passou de R$10.000,00 para R$12.500,00), e a inflação da manteiga foi de 60%(o preço passou de R$1,00 para R$1,60). Segundo o método que você propõe, eu devo adicionar os dois aumentos, uma vez que não ocorreram variações nas quantidades físicas. Assim, seguindo seu método, a inflação daria: 25% + 60% = 85%.

    Penso que não houve inflação de 85% em nada, nem em cada um dos produtos, nem na média simples, nem na média ponderada. Esta não me parece uma forma correta de se calcular uma variação de preços, em nenhuma situação, mesmo que discordemos dos cálculos dos institutos de pesquisa, e até do modelo econômico em vigência em nosso país. A inflação calculada corretamente seria:

    NO PERÍODO 1:
    10 motos x R$10.000,00 = R$100.000,00
    10 kg manteiga x R$1,00 = R$10,00
    TOTAL DO GASTO = R$100.010,00

    NO PERÍODO 2:
    10 motos x R$12.500,00 = R$125.000,00
    10 Kg manteiga x RR$1,60 = R$16,00
    TOTAL DO GASTO = R$125.016,00

    CALCULANDO A INFLAÇÃO:
    Inflação = (125.016 / 100.010 – 1) x 100 = 25,00349% ,
    claro, puxada pela ponderação dos pesos, e como os gastos com motocicleta eram acentuadamente os de maior peso, a inflação é mais perto dos 25% (do aumento das motocicletas) do que os 60% (do aumento da manteiga)!!

    Eu concordo com todos os internautas que disseram que o certo é levar em consideração os pesos, independente de se concordar com cálculo de índices globalizantes, ou se a inflação de um produto não representa a inflação de outro, essa é outra discussão que merece debate, mas tudo indica que o autor errou o cálculo da inflação no exemplo dele, e o método que você propõe para calcular-se variação de preços quando as quantidades não se alteram, no meu exemplo, mostrou-se absolutamente equivocado.

    Mas eu só escrevi esse texto para dizer que sou seu fã, que leio seus artigos com muita atenção, que admiro o trabalho que você faz aí no Mises, e vou continuar a acompanhar seus trabalhos, eles são de muita relevância não só para essas ideias libertárias, mas até para os que discordam dela. Você está de parabéns pela contribuição que vem dando ao estudo da Economia, independente das ideias em que acredita. Mas na sua proposta de como se calcula uma variação de preços, desculpe , Leandro, preciso entender melhor então!
  • Leandro  17/02/2014 21:43
    Em primeiro lugar, comparar motocicleta com manteiga é um tantinho diferente de comparar laranja com maçã. Você criou um espantalho absurdo apenas para sustentar um argumento insensato. Mas, ok, isso é o de menos e vou aceitar o desafio. O próximo ponto é o que importa.

    Eu não disse que atribuir pesos é "errado". Eu disse, isso sim, que qualquer ponderação será meramente subjetiva, de modo que é impossível criar uma ponderação única que reflita o que realmente se passa com os preços de uma sociedade. Querer compilar todas as alterações de preços em um único índice por meio de ponderações subjetivas, e achar que assim você terá uma fotografia acurada da situação, é algo impossível e jamais poderá ser acurado.

    Não consigo ser mais claro do que isso, e juro que não vejo que há de controverso em uma afirmação tão óbvia e banal.

    Logo, vou repetir meu ponto: toda esta pendenga se deve ao fato de que você insiste em acreditar que é possível unificar, por meio de ponderações totalmente subjetivas, toda a variação de preços da sociedade em um índice de preços. Juro que não entendo uma pessoa que crê nisso.

    Você jura ser possível unificar de maneira acurada a inflação de preços de todos os bens em um só índice. Já eu humildemente digo que isso não pode dar certo -- por causa da subjetividade implícita na ponderação -- e que o melhor a ser feito é calcular a inflação de preços de cada bem separadamente (o IBGE já faz isso) e pronto. Os valores ficam lá para quem quiser se informar a respeito.

    Quem insiste na viabilidade de reunir a variação de todos os preços em um único índice está na realidade querendo microgerenciar a economia.

    Neste seu exemplo, o aumento do preço da moto foi de 25% e da manteiga foi de 60%. Pronto, fim de papo. Cada um agora que se adapte melhor a estas novas circunstâncias do mercado. Não é necessário compilar estes dois valores, ponderá-los subjetivamente e transformá-los em um índice único para que, então, o governo decida o que deve ser feito com a oferta monetária e com os juros.

    Entendeu agora?

    É exatamente sobre isso que o artigo fala. Estranha-me que tal posição, após quase 70 comentários, ainda não tenha sido entendida. Você, obviamente, não precisa concordar com o autor; mas seu espanto e sua incompreensão perante minha posição mostram que, no mínimo, você não leu o artigo com atenção.

    Estranha-me também tal discussão justamente em um momento em que os índices oficiais de inflação estão -- justamente por uma questão de ponderação -- bem abaixo dos reais valores sentidos diariamente pela população. E foi justamente esse erro de leitura o que fez com que o Banco Central mantivesse sua postura de maior tolerância.

    Grande abraço e muito obrigado pelos elogios.
  • Interessado no tema  18/02/2014 00:06
    Leandro,

    Agradeço sua resposta. Entendi sim sua explicação, e concordo com muitas de suas observações, apenas discordei do método de se cslcular uma variação de preços. Mas acho até que a tese central do texto do autor não se perde porque ele teria calculado erroneamente a inflação do exemplo dele, como muitos apontaram aqui. No meu exemplo, apenas usei de valores extremos para os dois preços, não para criar um espantalho, mas exatamente para mostrar que os pesos são o que fazem de um índice algo coerente, de que adianta dizer que naquela economia manteiga aumentou 60%, se ela não pesa nada no cômputo geral, o(s) produto(s) que pesam aumentaram 25%, e isso é o que representa a inflação daquela economia, puxada pelos produtos que pesam. Quantas vezes ouvimos dizer no noticiário da TV que o preço da gasolina foi o que fez a inflação ser alta em determinado mês, o cara que não tem carro fica dizendo, "e eu com isso?", mas o índice é legítimo porque capturou o que gastou a massa que usa carro e que comprou a gasolina com o preço elevado e que fortemente influenciou o índice geral! Mas se existe um fator de correção de salários que está amarrado aquele índice de inflação, o cara que não tem carro é beneficiado, porque recebe um repasse de salários(por efeito do preço da gasolina que ele nem consome), ou seja , a inflação alta não pegou esse cara, ele não compra gasolina, mas repassa correção de salários para ele com base no índice. Mas, estou apenas citando essas distorções até para dizer que concordo com muito do que diz o texto do Hollenbeck, apenas discordei da questão de como se calcula uma variação de preços.

    Mas, reafirmo minha admiração por seu trabalho no Mises e sempre penso que, se outros sites tivessem um profissional como você e sua capacidade e dedicação, estaríamos todos bem melhores, de conhecimento e de economia! Grande abraço.
  • Magno  18/02/2014 03:33
    Prezado Interessado, ao contrário do que você disse, um aumento dos combustíveis afeta a todos, inclusive quem não tem carro. Dado que todo o transporte de mercadorias é propulsionado por combustível, um encarecimento deste tende a gerar um repasse para os outros preços da economia, afetando desta forma o sujeito que não tem carro. Os alimentos que ele consome ficarão mais caros, assim como as roupas e os móveis que ele compra. Passagem de ônibus e passagem aérea também sofrerão um repasse. Até mesmo o cabeleireiro dele irá aumentar seu preço -- afinal, seu deslocamento ficou mais caro.
  • Interessado no tema  18/02/2014 11:42
    Ao Magno,

    Agradeço seu comentário, você está absolutamente certo, mas quando eu fiz minha análise, foi seccionando elementos para fazer entender a questão, como se faz um mapa em uma determinada escala, mas o mundo real é muito diferente de um mapa, seu olhar é pelo mundo geral, o meu é por um segmento do mundo geral, a única forma que os economistas encontram de entender alguma coisa, através do que chamamos de modelo de análise, uma espécie de fotografia, mas se olharmos fotos de uma rua de Paris ficamos com uma boa idéia sobre Paris, mas andar pelas ruas de Paris por apenas cinco minutos, é, sem duvida, melhor do que olhar fotografias! O fato é que nenhuma taxa de inflação representa a ninguém e a nenhuma empresa, nas épocas de taxas elevadas de inflação, muitas vezes quando uma empresa calcula seu índice interno de inflação, como fazem muitas empresas, muitas vezes ela vê que apresenta um aumento de custos muito abaixo do que a inflação oficial se mostra. Por quê isso? Porque essa empresa pode não ter em sua linha de insumos aqueles insumos que fizeram o índice geral apresentar aquele nível, assim índice de inflação não representa a ninguém, exatamente por causa das ponderações, por isso o tema aqui do Mises me interessou. O mais , é ir a Paris e caminhar pelas ruas, mas isso é muito walrasiano, muito geral, para resultar em análises proveitosas. O economista jamais vai entender o funcionamento geral ou particularizante da vida, se tudo afeta tudo, tudo estaria explicado, não necessitaríamos de economistas! Mas, a verdade é outra, tudo não afeta tudo, para isso nasceram os economistas, e só podemos entender o equilíbrio geral se entendemos as partes, só isso pode conduzir a melhoria da vida geral! Mas, suas observações são acertadas! Obrigado pelos seus comentários.
  • Vive la liberte!  24/02/2014 18:11
    Vocês acham que é um bom negócio no momento investir em fundos cambiais?
    Acho que em período de eleição, Copa e tapering é bem capaz de o dólar continuar crescendo. Contudo, segundo o Peter Schiff, a Janet Yelen não vai se aguentar e vai injetar ainda mais dinheiro na economia estado unidense.
    Será que isso poderia fazer o real subir frente ao dólar?
    Obrigado.
    PS: opontobase.com.br está paradão. :(
  • anônimo  24/02/2014 19:14
    É uma aposta, basicamente. Se as pessoas voltarem às ruas, o dólar tem grandes chances de subir. Se ficar tudo na paz, o dólar provavelmente fica na mesma. E tem as eleições, se a Dilma ganha, possivelmente o dólar fica na mesma ou até cai um pouco. Se um candidato mais à "direita" no espectro político ganha, o dólar provavelmente vai descer. Se um candidato ainda mais maluco ganha, o dólar provavelmente sobe.

    Basicamente, dólar em alta significa que os estrangeiros estão levando o capital embora ( maior procura por dólares ). Se o dólar cai, o pessoal de fora tá trazendo dinheiro pra cá ( maior oferta de dólares ). Com estabilidade, o investidor vem. Se vira bagunça, ele vai embora.

  • Pedro Morais  15/01/2015 21:27
    Leandro, um grande déficit no balanço de pagamento pode aumentar a dívida externa( vi isso num artigo sobe a última ditadura argentina)?

    Os nossos presidentes da república velha eram mais liberais?

    Você acha que pode haver,atualmente,na economia americana, uma crise parecida com o encilhamento brasileiro?

    Porque o grande endividamento do Estado pode favorecer os ricos e,consequentemente, aumentar a concentração de renda?
  • Leandro  15/01/2015 22:12
    "um grande déficit no balanço de pagamento pode aumentar a dívida externa( vi isso num artigo sobe a última ditadura argentina)?"

    Sim, pois pode significar que tanto o governo quanto as empresas tão se endividando em moeda estrangeira.

    "Os nossos presidentes da república velha eram mais liberais?"

    Não. Só na época do Império é que havia um pouco mais de racionalidade econômica.

    "Você acha que pode haver,atualmente,na economia americana, uma crise parecida com o encilhamento brasileiro?"

    Não visualizo isso.

    "Porque o grande endividamento do Estado pode favorecer os ricos e,consequentemente, aumentar a concentração de renda?"

    De duas formas:

    De um lado, endividamento tem como consequência direta a inflação monetária. E a inflação é um processo que beneficia aqueles que são os primeiros a receber o dinheiro recém-criado.

    De outro, dentre as pessoas físicas, os ricos são os que detêm o maior volume dos títulos do Tesouro. Logo, eles auferem boa parte dos juros.
  • Morete  31/07/2015 22:05
    Leandro, boa noite.

    A maneira clássica que se usa para combater a inflação é a elevação de juros. Essa semana mesmo, a Selic passou para 14,25%, o que tornou ainda mais atraente investir em títulos, em especial os ligados a SELIC.

    Se por um lado, no presente momento a elevação dos juros, pode de fato dar uma segurada no consumo e com isto os preços venham a cair (considere a definição mainstream de inflação), uma vez que esse dinheiro hoje poupado e aplicado com altas taxas de retorno, quando começarem a serem resgatados, não irão gerar nova pressão nos preços?

    Em outras palavras, se hoje o BACEN consegue reduzir a inflação via crédito, por outro lado, uma vez que a meta for atingida e a taxa de juros reduzida, as pessoas vão sacar esta grana (que esta ainda maior do que antes de depositarem) e vão voltar novamente para gerar o ciclo vicioso da inflação de preços?
  • Leandro  31/07/2015 22:55
    Correto o raciocínio.

    Mas, fazendo aqui o papel do advogado do diabo, a intenção da política de juros altos é apenas a de conter a carestia no curto prazo, e não no longo. Políticos e burocratas não ligam para o longo prazo; seu horizonte temporal é de quatro anos. Por isso vivemos esse regime cíclico de expansão e recessão.

    Para conter a carestia no também no longo prazo, a moeda tem de estar ancorada a alguma coisa, seja uma commodity ou a outra moeda mais forte. Deixar o Banco Central livre para fazer política monetária, com câmbio flutuante, comprovou-se o arranjo mais propício a surtos inflacionários seguidos de períodos de recessão.
  • Matias  01/08/2015 00:31
    Leandro, boa noite. Vc pretende ainda fazer aquele artigo de como funcionaria um currency board lastreado em ouro?

    Outro assunto relacionado: Você concorda com o Peter Schiff quando ele diz que o próximo grande colapso será a falência do dólar?

    E por último, já abusando da sua paciência, você em mente algum projeto de livro? A historia da moeda brasileira seria sensacional.

    Um abraço e parabéns pelo trabalho


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