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Gastos estatais e empregos públicos podem ser produtivos?

Vários economistas de orientação pró-livre mercado defendem o corte de gastos do governo — majoritariamente na forma de redução de ministérios, de agências reguladoras e de outras formas de burocracia estatal — com a justificativa de que isso permitirá uma redução de impostos.  Outros defendem esses mesmos cortes de gastos com a justificativa de que tais cortes irão liberar recursos e mão-de-obra para o setor privado, consequentemente tornando a economia mais produtiva.

Em comum, todos estes economistas dizem que estes tipos de emprego público não são produtivos.

E então, empregos públicos são ou não são "empregos produtivos"?

Produtividade

Primeiramente, é preciso ressaltar que estes economistas não estão sugerindo que tais empregos são de baixa 'produtividade' no sentido econômico do termo, isto é, no sentido de produção por hora.  Eles não estão dizendo que funcionários públicos são necessariamente preguiçosos.  O que eles querem dizer é que empregos governamentais não fornecem bens de consumo ou serviços para a sociedade.

Imagine que um determinado país A envie um embaixador para o país B.  Se fossemos mensurar a produtividade do embaixador em termos de sua produção por hora, o denominador dessa equação seria simplesmente o número total de horas que o burocrata trabalhou.  Porém, pense na produção do embaixador.  A rotina diária de um embaixador consiste basicamente em encontrar-se com diplomatas estrangeiros, fazer negociações, escrever relatórios e memorandos, e se envolver na supervisão de alguns projetos diplomáticos.  A soma de todos esses encontros, relatórios e supervisão de projetos daria a medida da "produção" do embaixador.  Um embaixador que completasse um maior número destas tarefas seria mais produtivo do que outro embaixador.

Isso nos dá uma ideia da "produtividade" do embaixador no sentido puramente economicista do jargão.

Empregos produtivos

A esta altura já deve estar óbvio que os economistas liberais, ao sugerirem que empregos governamentais não são produtivos, não estão exatamente preocupados com a produtividade econômica destes empregos.  Afinal, em um sentido puramente técnico, eles são tão "produtivos" quanto qualquer outro emprego.

Em vez disso, o que esses economistas estão dizendo — e nisso eles são acompanhados pela maioria dos economistas seguidores da Escola Austríaca de Economia — é que as tarefas realizadas por um embaixador (ou por qualquer outro funcionário público) não apresentam uma função de mercado.  Tais serviços não seriam demandados por ninguém em uma economia de mercado.

Em sua essência, o governo cria do nada uma demanda para estes serviços: a existência de embaixadores é o que gera o trabalho realizado por embaixadores.  Eles não levam seus serviços ao mercado para vendê-los a qualquer indivíduo que porventura queira voluntariamente comprá-los.  Os governos nomeiam embaixadores para realizar serviços que nenhum consumidor quer comprar.

Compare estes serviços aos serviços realizados por um indivíduo para cujo trabalho há uma genuína demanda — por exemplo, um engenheiro mecânico.  Engenheiros mecânicos são contratados por clientes que não sabem como atender de maneira mais eficiente as necessidades de seus consumidores porque não possuem a solução para um determinado problema mecânico — como, por exemplo, transportar grandes cargas do ponto A até o ponto B, aumentar a velocidade na qual o bem X é produzido etc. 

O engenheiro mecânico desenvolve uma solução para estes problemas em troca da uma remuneração que irá corresponder à quantia de dinheiro que o cliente espera poupar ao adotar essa nova e mais eficiente solução.

O centro da questão

Dado que embaixadores são pagos com dinheiro coletado de impostos, ao passo que engenheiros mecânicos são pagos com o capital que foi acumulado por indivíduos e empresas, os empregos públicos criam a seguinte situação:

1. Governos contratam e começam a pagar embaixadores.

2. Governos tributam o público para pagar embaixadores.

3. O público, por conseguinte, tem sua poupança total reduzida, gastaram parte dela pagando mais impostos.

4. Com a poupança reduzida, o público possui menos capital para investir em projetos de engenharia.

Assim, pagar funcionários públicos significa retirar recursos econômicos da produção de bens e serviços demandados pelo mercado e desviá-los para o financiamento de serviços para os quais não há nenhuma demanda de mercado.

É a isso que economistas se referem quando dizem que empregos públicos "não são produtivos".

A alegação keynesiana e o teste decisivo

embaixada_brasileira2.jpgEconomistas keynesianos argumentam que os salários pagos a funcionários públicos irão inevitavelmente terminar nas mãos do público em geral, pois os funcionários públicos utilizarão seus salários no mercado para adquirir bens de consumo e serviços.  Embora haja um custo inicial no pagamento de impostos, a economia como um todo não irá sofrer nenhum impacto, pois o dinheiro irá retornar para a economia na forma de consumo incorrido por funcionários públicos.

Se não nos aprofundássemos mais neste exemplo, de fato não poderíamos dizer que a alegação keynesiana está errada.  Mas a questão a ser analisada não é simplesmente se os funcionários públicos irão eventualmente gastar seu dinheiro em bens de consumo.  Eles irão.

O teste decisivo é ver até que ponto um indivíduo acredita que o consumo dos funcionários públicos irá devolver o dinheiro à economia de forma tão uniforme e eficientemente distribuída quanto era antes dos impostos.  Será que o dinheiro pago aos funcionários públicos simplesmente passa através da máquina estatal e retorna aos indivíduos de uma economia exatamente da maneira como estava distribuído antes?  Ou será que a distribuição total do dinheiro é alterada quando o dinheiro é confiscado dos indivíduos produtores — que o utilizariam como investimento — e redistribuído a funcionários públicos que o utilizarão para consumo?

Gastos governamentais sob a perspectiva austríaca

No exemplo acima, os seguidores da Escola Austríaca diriam o seguinte:

  • Como o governo contratou funcionários públicos, indivíduos que de outra forma estariam realizando outras atividades irão agora efetuar uma função extramercado, para a qual não há demanda.
  • Como o governo paga os funcionários públicos com dinheiro que foi retirado de indivíduos do setor privado, recursos que estavam sendo utilizado na produção de um determinado tipo de bem ou serviço será agora redirecionado para a produção de serviços extramercados para os quais não há demanda.

Consequentemente, há uma alteração na distribuição de recursos na economia.

E o que ocorre quando os funcionários públicos gastam seu dinheiro consumindo bens e serviços?  Novamente, voltando ao exemplo acima, os seguidores da Escola Austríaca diriam o seguinte:

  • O dinheiro que alguns indivíduos tinham a intenção de gastar em projetos de engenharia mecânica foi transferido para funcionários públicos.
  • Estes funcionários públicos, antes de incorrer em qualquer outra forma de consumo, irão adquirir alimentos, roupas, moradias, serviços de saúde e outras necessidades.

O consumo dos funcionários públicos não devolve o dinheiro para aqueles engenheiros mecânicos que seriam os recebedores originais do dinheiro que foi tributado.  Ao contrário, esse dinheiro será desviado para produtores de alimentos, de roupas, imóveis, de serviços de saúde etc.  Se o dinheiro, de alguma forma, acabar voltando para os engenheiros mecânicos, será apenas uma minúscula fatia dos gastos em consumo dos funcionários públicos.  Ou seja, será apenas uma pequena fração da quantidade original que iria para suas mãos.

Os economistas seguidores da Escola Austríaca se referem a esse fenômeno como a não-neutralidade da moeda.

Gastos do governo destroem riqueza

Em um sentido macroeconômico, todos os gastos do governo — mesmo para aqueles projetos de investimento que o governo decide empreender — podem ser classificados como desperdício de riqueza.  Em primeiro lugar, o simples fato de o setor privado não ter se interessado por esses projetos indica que eles são de baixa prioridade para os indivíduos. 

Em segundo lugar, e ainda mais importante: as atividades do governo são financiadas por meio ou da tributação ou do endividamento (o qual, devido ao funcionamento peculiar do setor bancário, gera inflação monetária e consequente aumento de preços). 

Sendo assim, o setor produtivo da economia é obrigado a ceder parte de sua riqueza — seja por meio de impostos, seja pelo aumento de preços, o que gera aumento de custos — para financiar serviços governamentais pouco desejáveis.  Isso diminui seu bem-estar.

A implementação desses gastos e projetos pelo governo irá debilitar o bem-estar do setor produtivo porque eles serão financiados à custa de outros projetos de maior prioridade que teriam sido empreendidos pelo setor produtivo caso não houvesse ocorrido esse desvio de recursos para as obras governamentais. 

Suponhamos que o governo decida construir estádios de futebol, e que a maioria das pessoas considere isso como sendo algo de baixa prioridade.  Como o governo não é um produtor de riqueza, ele terá de financiar este projeto ou por meio de mais impostos ou por meio de mais endividamento (o qual, vale enfatizar, será pago no futuro por impostos).  Isso representa um fardo para o setor produtivo da sociedade — aqueles indivíduos que produzem bens e serviços de acordo com as prioridades dos consumidores, e que são os reais geradores de riqueza da sociedade.

Quanto mais estádios o governo resolver construir, mais riqueza real será confiscada destes geradores de riqueza.  Disso, podemos concluir que o nível de impostos — isto é, a riqueza real roubada do setor que gera riquezas, o setor privado — será diretamente determinado pelo tamanho das atividades do governo.

Se as atividades do governo pudessem gerar riqueza, elas seriam auto-financiadas e não iriam requerer confisco algum de recursos dos outros geradores de riqueza.  E a questão dos impostos jamais surgiria.  Mas dada a sua natureza, o governo não é capaz de fazer qualquer contribuição para o aumento da riqueza de um país.  As atividades do governo consomem riqueza. 

O dinheiro arrecadado e gasto pelo governo será transferido para os vários indivíduos que são direta e indiretamente empregados pelo governo.  Esses empregados do governo poderão agora trocar esse dinheiro por vários bens e serviços.  Isso significa que eles estarão consumindo riqueza real sem que tenham feito qualquer contribuição para a real formação de riqueza da economia.

Conclusão

O grau com que você concorda com a afirmação de que empregos públicos "não são produtivos" ou que "gastos do governo são ruins para a economia" irá fornecer um valioso discernimento sobre até que ponto você acredita na visão keynesiana a respeito do dinheiro na macroeconomia.

A perspectiva austríaca argumenta que todos os gastos e empregos públicos retiram recursos do setor produtivo e os desviam para a produção de bens e serviços que jamais existiriam sob condições de livre mercado ou que existiriam em quantidade e volume muito menores.

Neste sentido, gastos e empregos públicos não são produtivos.

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Leia também:

Privatize tudo

Como as obras públicas subtraem riqueza da população 

Setor público mais produtivo do que o setor privado?



autor

Roy Cordato
é vice-presidente para pesquisas e acadêmico residente da John Locke Foundation. É também pesquisador adjunto do Mises Institute.

Tradução de Leandro Roque

  • Eduardo  02/01/2014 13:58
    E quanto aos sociedades de economia mista e as empresas públicas?

    Tipo os bancos, correios, etc?

    E uma grande obra de infra-estrutura que ninguém do setor privado se dispos a realizar, como uma ferrovia, rodovia, porto e aeroporto?

  • Guilherme  02/01/2014 14:22
    Por que "uma grande obra de infra-estrutura [...] como uma ferrovia, rodovia, porto e aeroporto" não seria realizada por empreendedores privados? Será que eles deixaram de ser gananciosos e odeiam o lucro? Se a construção de tais obras são, segundo você próprio, grandiosas e imprescindíveis, então vários haverá uma demanda enorme por elas, e empreendedores irão se aglomerar para construí-las e lucrar futuramente com elas.

    A questão atual é a seguinte: obras de infraestrutura e de saneamento são monopólios estatais. Mesmo se você considerasse ser lucrativo abrir uma estrada para a Amazônia ou levar saneamento para favelas do interior do Maranhão, você não poderia. O governo não deixa (a menos, é claro, que você estivesse disposto a pagar altas propinas, o que poderia comprometer totalmente o retorno do seu investimento).

    Enquanto o governo for o dono das terras e detiver o monopólio da construção da infraestrutura, deve ser imputado a ele qualquer eventual "falta de interesse" por grandes projetos.


    P.S.: Os Correios não são uma empresa mista, mas sim 100% estatal e monopolista.
  • Eduardo  02/01/2014 17:28
    Só por questão de curiosidade, diz a Constituição Federal no seu Artigo 21

    Art. 21. Compete à União:

    X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
  • Ronaldo  02/01/2014 21:03
    Uma pena ter isso na constituição...pena para nós no caso presos a essa mentalidade.
  • anônimo  02/01/2014 19:36
    Eduardo sua duvida é muito comum mas altamente equivocada.

    "E quanto aos sociedades de economia mista e as empresas públicas?"

    Sociedades de economia mista e empresas públicas não são empresas privadas. Uma empresa privada é aquela cuja propriedade é de algum dono ou grupo específico onde os lucros e prejuízos são ganhos e perdidos por eles mesmos. Um sociedade de economia mista, como o próprio nome diz, é uma mistura de administração parcialmente privada com uma majoritariamente pública. Nas sociedades de economia mista o governo detem a metade das ações e escolhe politicamente como a empresa vai atuar no mercado, quem serão seus presidentes, a quantia de subsídios públicos repassados, etc. São empresas que não vão à falência justamente porque nós, os "contribuintes", bancamos suas infinitas dívidas e nunca vemos nem cheiro de seus supostos lucros. Nas empresas públicas o capital é 100% da união. Não há nada parecido com o mercado neste arranjo, a começar pela ausência de competitividade e pelo financiamento coercivo.

    "E uma grande obra de infra-estrutura que ninguém do setor privado se dispos a realizar, como uma ferrovia, rodovia, porto e aeroporto?"

    Até mesmo no arranjo atual, quem constrói obras de infra-estruturas públicas são empresas licitadas pelo governo. É um ledo engano pensar que não falta vontade para empreendedores empreenderem em algo cuja demanda é muito alta. O que ocorre é uma monopolização e intervenção de setores altamente lucrativos a mandos e desmandos dos políticos. Essa é uma das maiores irracionalidades do ordenamento jurídico no que diz respeito ao mercado: pensar que os empresários não têm interesses em fornecer serviços e em construir obras de infra-estrutura cuja demanda é muito alta. Também não há uma determinação de mercado para que as obras públicas sejam construídas ou que sejam construídas da forma que o governo escolheu. No mercado ela seria levada adiante pelos empresários em busca de lucro, o que levaria à competitividade e a consequente baixa nos preços e diversidade de opções (atua conforme a demanda). O governo não atua desta maneira, o governo ao licitar (supondo que não haja corrupção na licitação) pressupõe de uma superioridade contratual (pode quebrar o contrato unilateralmente), aprova qual sistema de preços será utilizado e impõe centenas de regras para a empresa vencedora. Neste arranjo a competitividade é inócua (se resume aos participantes da licitação) e também não é baseada na demanda da população, já que é o governo quem vai decidir como as obras serão construídas. Isso vai gerar baixa diversidade e muito incentivo para o clientelismo político. Se você quiser uma receita para desperdício de dinheiro público, então financie obras monumentais com os instrumentos tributários e de endividamento público legislando de cima pra baixo com viés anti-mercado, e condene a população à pobreza e à má qualidade dos serviços.
    Abraços.

  • Bruno  02/01/2014 20:06
    Eduardo, você ignora que o surgimento destes setores que citou se deu por "mãos" privadas. As ferrovias no Brasil, por exemplo, foram de iniciativa do Barão de Mauá, nos EUA, por John Stevens. Os portos, principalmente a doca de Santos foi construída e administrada pela família Guinle.
  • Cristovam  02/01/2014 15:00
    Conforme a EA, o preço de um produto depende não da mão de obra empregada e do custo dos insumos, mais é subjetivo e dependente de decrescimos marginais. O que fazer quando mesmo existindo a demanda esta não é suficiente para que o mercado se interesse pelo investimento. Ou melhor, existe prioridades mais lucrativa para o mercado que consequentemente vai deixar de lado o investimento em função de melhor remuneração?
  • Thiago  02/01/2014 15:11
    Cite um exemplo concreto e explique o problema.
  • Henrique  02/01/2014 16:02
    "O que fazer quando mesmo existindo a demanda esta não é suficiente para que o mercado se interesse pelo investimento. Ou melhor, existe prioridades mais lucrativa para o mercado que consequentemente vai deixar de lado o investimento em função de melhor remuneração?"

    Mas qual é o problema nisso? Não temos que fazer nada. Se não existe interesse por investimentos, os que tem a demanda podem estar dispostos a pagar mais, o que possivelmente atrairia investidores, ou então procurar bens ou serviços alternativos.

    Mas tenha certeza que sua situacao hipotética só acontece por que há intervenções demais na economia. Num livre mercado, pelo preço certo, qualquer demanda é atendida...
  • Pedro  02/01/2014 18:23
    Se algo que tenha demanda deixa de ser feito no mercado é porque tais recursos foram usados na produção de algo em que havia ainda mais demanda em primeiro lugar. Ou é claro, o governou tornou cara demais a produção desse bem, mesmo havendo demanda suficiente para justifica-lo e não haver nada melhor para fazer com o dinheiro.

    Recursos são escassos, nunca se esqueça disso, ou eles são aplicados em outra coisa ou roubados pelo estado.
  • Ali Baba  03/01/2014 12:14
    @Cristovam 02/01/2014 15:00:48

    "O que fazer quando mesmo existindo a demanda esta não é suficiente para que o mercado se interesse pelo investimento."

    Esse é um não-problema, e é um dos pontos de maior confusão para as pessoas que querem entender a EA, mas ainda estão presos às ideias estadistas. O Mercado é dinâmico... o que é verdade hoje, não é mais verdade amanhã. Os custos de produção mudam e novas ideias melhoram e barateiam o processo.

    Pressupondo um Livre Mercado, se algo tem demanda para ser produzido, será. Se a demanda for pequena e o custo de produção for alto, esse algo terá um preço caro. Se mesmo assim os preços não cobrirem os custos, esse algo terá sua produção reduzida ou até cessará por não ser lucrativo.

    Entenda que "não ser lucrativo" significa que o Mercado não quer pagar o alto preço de algum bem, ainda que esse bem seja desejado. Aqui entram empreendedores com novas ideias para reduzir o custo de produção do bem em questão para que ele atinja o público a um preço que ele possa pagar. Se absolutamente não existir como inovar na cadeia produtiva, esse será para sempre um produto de nicho, com poucas pessoas com capacidade para pagar por ele e a produção desse bem se adequará a essa demanda restrita.

    Um bom exemplo que se encaixa em seu não-problema é o dos caros automóveis esportivos. Veja um carro cujo preço seja de 2 milhões tem um pequeno público que o deseja e pode pagar, e um grande público que só o deseja. Se existe alguém que paga por aquilo, não existe "a demanda não ser o suficiente para que o mercado se interesse pelo investimento"... o mercado vai fabricar o carro de 2 milhões, desde que tenha alguém que pague isso, ainda que a demanda seja muito pequena.
  • Bezerra  03/01/2014 12:27
    "O que fazer quando mesmo existindo a demanda esta não é suficiente para que o mercado se interesse pelo investimento. Ou melhor, existe prioridades mais lucrativa para o mercado que consequentemente vai deixar de lado o investimento em função de melhor remuneração?"

    A princípio esse investimento menos lucrativo seria realizado após o mais lucrativo ser realizado. Quando um investimento é mais lucrativo que outro, isso é sinal que o investimento mais lucrativo é mais prioritário. Portanto um investidor inteligente utilizará os lucros do investimento mais lucrativo em um segundo momento para realizar o investimento menos lucrativo.

    Dessa forma se consegue ter os dois investimentos realizados mais rapidamente, pois os maiores lucros do investimento mais lucrativo financiaria mais rapidamente o investimento menos lucrativo do que se fosse feito o inverso. Portanto seria ilógico e irracional tentar realizar primeiro o investimento menos lucrativo para depois realizar o investimento mais lucrativo.
  • Lg  02/01/2014 17:26
    "Economistas keynesianos argumentam que os salários pagos a funcionários públicos irão inevitavelmente terminar nas mãos do público em geral, pois os funcionários públicos utilizarão seus salários no mercado para adquirir bens de consumo e serviços. Embora haja um custo inicial no pagamento de impostos, a economia como um todo não irá sofrer nenhum impacto"

    Eu acho um absurdo como alguém que se diz um economista pode bostejar um argumento desse, mas infelizmente é muito comum ouvirmos pessoas falando isso.

    O mercado é extremamente simples, você produz uma laranja e troca por uma maçã, o que garante que a troca é boa para todos é o fato dela ser VOLUNTÁRIA. Dinheiro é apenas uma abstração de "Laranjas e maçãs".

    Ao afirmar que "o dinheiro volta" quando passa na mão de um servidor público um keynesiano está basicamente dizendo que o funça pega a maçã, come, e depois ela magicamente volta pro mercado... não faz sentido nenhum! Quando o bem vai pro estado ele é consumido e pronto, acabou... pra onde o dinheiro foi ou deixou de ir é um mero detalhe pra ludibriar o povo.
    Cada carro que um funça rouba, cada imóvel, cada maçã ou laranja, são consumidos e pronto... é um a menos que fica pro povo trabalhador... eles não reaparecem do nada. Por isso toda vez que compramos uma laranja temos que produzir duas maçãs, uma vai pro funça.
  • Um burrinho  02/01/2014 23:34
    Excelente a analogia com maças e laranjas!
  • Concurseiro amigo  02/01/2014 18:30
    Este site é realmente zero em economia. Pretendo fazer concurso para o Bacen (Banco Central) e não encontro nenhum texto sobre a pauta das disciplinas a serem estudadas. Vou denunciar este site ao MEC por total desserviço ao serviço público.
  • Davizão  02/01/2014 21:38
    Hahaha!!! Que figura...
  • Um burrinho  02/01/2014 23:35
    MEC?
  • JBALL  03/01/2014 13:48
    Hahaha. Ai ai, quer denunciar o site e ser funcionário público? É o próprio censurador burocrata inútil que existe!
  • Rod100  04/01/2014 17:12
    Pois é... Só de curioso, ano passado fui ver o que o BACEN estava cobrando na prova em seu edital. Só pelo conteúdo cobrado deu para perceber o quanto o BACEN está totalmente perdido. Inventaram um sistema e vivem dele, não são capazes de enxergar coisa alguma fora do sistema que criaram.
  • Eduardo  02/01/2014 18:37
    Em uma situação hipotética, onde uma pequena rodovia que liga duas cidades, também pequenas, traria vários benefícios aos moradores dessas cidades, entretanto o baixo fluxo de veículos não seria atrativo suficiente a uma rodovia privada.

    Deve o governo intervir e fazer uma rodovia pública, ou deixar com que os moradores tenham um custo de vida maior e dificuldade em acessar mercados maiores e melhores?
  • Maciel  02/01/2014 18:44
    Essa sua situação hipotética é totalmente contraditória. Se a estrada "traria vários benefícios aos moradores dessas cidades" e se a não-construção faria "com que os moradores tenham um custo de vida maior e dificuldade em acessar mercados maiores e melhor", então por que diabos a estrada não seria construída pelos moradores?

    Ilógico seu raciocínio, pois afronta suas próprias premissas.
  • Carlos Prado  02/01/2014 19:01
    Os moradores poderiam simplesmente contratar alguém para fazer a estrada. Da mesma forma que há empresas que abrem estradas prontas para receber do governo, as mesmas poderiam muito bem receber dos moradores. Estes não só conseguiriam negociar mais barato como não teriam os custos a parte do que a construtora cobra, de licitação, fiscais, carimbadores, deputados votando a construção e decidindo quanto cada um faturará e toda a burocracia "necessária" para uma obra governamental sair.
    Os moradores já estão pagando pela estrada e não podem opinar nada sobre ela e nem podem cobrar para apressarem a entrega.
  • Rafael  02/01/2014 21:29
    Mais uma vez você fez um raciocínio equivocado e também muito comum caro Eduardo. (eu sou o "anonimo").

    Como o colega disse acima, não somente os moradores deste hipotético bairro pagariam (e caro) pela construção de uma rodovia pública como também moradores em situação pior do que a você descreveu também pagariam, mesmo sem ter nenhum retorno direto ou indireto com tal obra. Todos pagamos caro para as superfaturadas obras públicas, independentemente de raça e classe ou de todas essas besteiras marxistas. Financiamos todos os dias infra-estruturas públicas mesmo sem termos consciência que elas existem.

    Você supõe que uma rodovia importante para a população não seria atrativa para a iniciativa privada porque ela têm baixo fluxo de carros. Correto, em termos de mercado realmente seria arriscado para o empresario investir seu capital em uma estrada que pode não gerar os lucros necessários para dar continuidade a seu investimento.Ora, o mercado funciona de acordo com o sistema de lucros e prejuízos. Perder uma empresa ou levar prejuízo é o risco que um empresario corre ao entrar no mercado. A falência faz justiça ao empresário e mostra a ele que seu investimento foi mal feito. Isso não ocorre na obra pública: a rodovia pode estar péssima e mesmo assim o agente estatal responsável pela sua construção não será penalizado pelas suas cagadas - ao contrario - ele continuara ganhando seu salario e não será afetado pelo seu mal investimento.
    O seu raciocínio é também baseado na ideia de que toda a sociedade (inclusive os pobres) têm de dar coercivamente seu sofrido capital para uma necessidade local e específica cujos lucros não serão retornados para estes que estão financiando esta obra (ou seja, nós). Seria a sociedade culpada pelo fato de os moradores do bairro X necessitarem de uma estrada cujo fluxo de carros é fraco?
    Se o poder publico construir uma estrada dessas, alem de ser cara, movida a interesse eleitoreiro e possivelmente superfaturada, ela seria mal mantida, porque como você mesmo disse, ela não geraria lucro. De fato uma rodovia publica dessas seria sucateada e sempre faltaria recursos para mante-la, já que ela não gera lucro e que este mesmo governo não produz nada que de lucro.
    Uma empresa poderia racionalmente investir seu capital e lucrar cobrando tarifas ou pedágios para os moradores usarem a rodovia, ou poderia simplesmente construí-la e entregar para a população mediante um pagamento acordado. Nas duas hipóteses a manutenção poderia ser feita pelo mercado na exata medida em que for necessário (on demand). O mercado apresenta soluções mais econômicas e justas do que as obras construídas pelo governo porque ele atua de acordo com as necessidades da população mediante preços acordados; ao passo que a rodovia construída pelo governo seria perpetuamente paga por todos, mesmo sem que exista necessidade ou garantia de que alguma coisa vá ser feita.
  • Emerson Luis, um Psicologo  05/01/2014 13:57
    1- Se existe demanda suficiente para um produto e serviço, mas o mercado não a satisfaz, em geral existem intervenções do governo obstruindo o processo;

    2- Se não existe demanda suficiente para o mercado se interessar, então esse local é tão ruim que os moradores fariam melhor em se mudar;

    3- As intervenções do governo, além de desviar recursos, serem ineficazes e possibilitarem a corrupção, ainda induzem as pessoas a serem dependentes da ajuda estatal e a tomarem decisões pessoais ruins para elas mesmas.

    * * *
  • Gunnar  10/01/2014 21:06
    Eduardo, decida-se. O que é mais caro, a estrada ou o custo de vida? Se a construção da estrada custar menos do que a diferença entre o "alto custo de vida" dos moradores e o "custo de vida ideal", eles vão pagar pela estrada, caso contrário, ela não é realmente necessária. Simples assim.
  • Andre B.  02/01/2014 21:05
    Perdoo o leitor Eduardo, na sua profunda ignorância. Eu também já estive lá, assim como todos (ou quase todos) que foram doutrinados pelo mantra da estatolatria. Essas pessoas simplesmente não conseguem raciocinar sem tirar o estado da equação. Papai estado tem que estar lá para resolver todos os nossos problemas. Henrique respondeu na mosca a hipótese proposta por Eduardo. O que fazer? Nada. Deixa os INDIVÍDUOS resolverem, por meio da lei da oferta e da procura!
    Eduardo também pergunta: "e quanto às sociedades de economia mista e empresas públicas, tipo os bancos e Correios etc.?" O que é que tem eles? Ou agem sob monopólio (como os Correios) ou concorrem com o mercado em condições desiguais, pois nunca vão quebrar. Pode-se extrair alguma eficiência deste arranjo? Já que se falou nos Correios, eu estava pensando, dia desses, que, dentre os inúmeros exemplos de desperdício de recursos públicos, estão as propagandas dos Correios. Porra, não concorre com ninguém! Quem quiser fazer uso daqueles serviços vai ter que recorrer a eles, mesmo! Propaganda pra quê? Só pode ser uma tara pelo desperdício!!!
    Se o artigo "A tragédia social gerada pela democracia" (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1571) já é bom, o trecho abaixo resume por que o estado é, em essência, mau:

    "O economista Milton Friedman descreveu quatro maneiras de se gastar dinheiro. A primeira é quando você gasta o seu dinheiro com você mesmo. Nesse caso, você tem um incentivo para buscar qualidade e gastar o dinheiro de forma eficiente. Este é o modo como, geralmente, o dinheiro é gasto no setor privado. A segunda maneira é gastar o seu dinheiro com outra pessoa — por exemplo, quando você compra jantar para alguém. Nesse caso, você certamente se preocupa com a quantidade de dinheiro que você gasta, mas está menos interessado na qualidade. A terceira maneira é quando você gasta o dinheiro de outra pessoa consigo mesmo, como quando você almoça à custa de sua empresa. Nesse caso, você terá pouco incentivo para ser frugal, mas você vai se esforçar para escolher o melhor almoço. A quarta maneira é quando você gasta o dinheiro de alguém com outra pessoa. Nesse caso, você não tem motivos para se preocupar com a qualidade e nem com o custo. Esta é a maneira como, geralmente, o governo gasta o dinheiro dos impostos."
  • Cauê  02/01/2014 22:00
    Resultado ?

    "Gusso estima que o número de profissionais no país chega quase a 800 mil hoje. Do total, cerca de um terço desempenha funções efetivamente ligadas à engenharia."

    www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=19699&Itemid=75

    Nos últimos concursos, a maioria dos AFRF tinha formação em Engenharia. E entrou muito engenheiro, porque o número ultrapassou os 40% do total dos aprovados.

    www2.unafisco.org.br/conexao/02/report_especial_con02.htm

    Má alocação de recursos ?

    Brasil é uma piada.

    Toda vez que eu ouvir falar que faltam engenheiros, pedirei para irem procurar na receita federal ver se alguém quer largar a mamata.

    Fica a dica para os libertários funças uahuah piada de mal gosto.
    Belo artigo pessoal.
  • Rodrigo  02/01/2014 22:52
    Gastos estatais não são produtivos? Então o que foram as Grandes Navegações, o Homem na Lua, se não produções estatais? Querendo ou não, foi o Estado que fez isso.
  • bruno  03/01/2014 15:16
    É curioso como vc lembra dos benefícios e esquece dos malefícios estatais, procurando crer em um saldo positivo da coisa toda...

    Então o que foram Brasília, Cidade da Música (aq no Rio de Janeiro) ou qq outro elefante branco?

    Eu não consigo imaginar quantos o imenso número de feitos "produtivos" seriam realizados na ausência de um "centralizador".
  • anônimo  03/01/2014 15:53
    (...)Eu não consigo imaginar quantos o imenso número de feitos "produtivos" seriam realizados na ausência de um "centralizador".(...)

    Por isso é tão fácil para os estatólatras estufarem o peito e bradarem que se não fosse o estado, x não teria acontecido. Ninguém pode saber o que teria acontecido se o estado não tivesse desperdiçado quantias enormes de dinheiro no programa lunar. Ou nas grandes navegações. Uma coisa é certa: Portugal e Espanha eram as maiores potências do mundo na época, mas se endividaram tanto como consequência destas navegações, que até hoje não recuperaram a importância que tinham no cenário internacional.

    Bastiat foi muito claro com a fábula da vidraça quebrada. Convido o colega estatólatra Rodrigo a conhecer esta magnífica peça de conhecimento:

    A vidraça quebrada
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1202
  • Jeferson  03/01/2014 16:54
    Interessante que a América já havia sido descoberta pelos europeus séculos antes das grandes navegações, numa iniciativa totalmente privada (Eric, o Vermelho) através da rota do ártico (Islândia > Groenlândia > Canadá > volta à Groenlândia por ser expulso pelos nativos :D). Inclusive, é por isso que a província (província) de Terra Nova (do latim, hoje chamada de Newfoundland and Labrador), no Canadá, tem esse nome. Isso ele não fala...
  • bruno  03/01/2014 17:21
    Uma outra coisa é o fato de julgar "benéfico" um certo acontecimento. Benéfico pra quem?

    Por exemplo, nas tais Grandes Navegações, foi benéfico pra quem? Pra humanidade, pros ibéricos, pros índios?

    E outra, no que implicou a ida do Homem à Lua para o coitado do soviético ou para o africano da época?

    É cada uma...querer regular o "benéfico" é tão infantil quanto querer segurar o vento com as mãos.
  • Josias Luna  03/01/2014 21:49
    Como explicar, sob a perspectiva da impossibilidade do cálculo econômico, a educação da Finlândia ser socializada e a melhor do mundo?

    g1.globo.com/educacao/noticia/2013/05/pais-com-melhor-educacao-do-mundo-finlandia-aposta-no-professor.html
  • Malthus  03/01/2014 21:56
    A explicação é dupla.

    Pela ótica do cálculo econômico, copio o que o Leandro disse em outra ocasião:

    "Dentre todos os serviços ofertados pelo estado, educação é o único que pode manter uma certa qualidade por um tempo mais prolongado (o que não significa que não haverá desperdícios, é claro, pois isso é inerente à atividade estatal).

    Por que a educação estatal é a única que pode manter sua qualidade por mais tempo? Porque "dar ensino", ao contrário de "dar saúde", é algo perfeitamente possível de ser feito no âmbito estatal -- afinal, basta colocar um sujeito pra falar.

    Já a saúde, por outro lado, é um setor que consome capital -- e, logo, precisa receber maciços investimentos em capital para constantemente repor o estoque que foi consumido. (Sobre a impossibilidade de o estado fornecer saúde de qualidade por muito tempo, veja este artigo.)

    Tal necessidade de reposição constante de capital não ocorre na educação -- a menos que consideremos a necessidade de repor quadro-negro e giz, coisas de custo ínfimo.

    Logo, dizer que é possível o estado ofertar educação de qualidade não é nenhuma afronta à lógica econômica; basta o estado contratar um sujeito inteligente e com boa didática para sair falando para seus alunos."


    Já a explicação mais direta para a educação da Finlândia -- e a da Estônia, quase tão boa quanto -- é outra: o idioma. Se o idioma é simples e claro, os estudos se tornam mais lógicos e o aprendizado, mais fácil. Há estudos inteiros sobre isso.

    Desde 2006 a amostra de países do PISA foi aumentada, incluindo diversos países em desenvolvimento. Um deles foi a Estônia. E desde então ela também passou a ocupar as posições mais altas no PISA dentre as nações ocidentais (nunca tão boas quanto as da Finlândia, mas ainda assim acima de Noruega, Suécia, Alemanha).

    Há um fator em comum entre Finlândia e Estônia: as línguas de ambos os países não pertencem ao ramo indo-europeu comum a quase toda a Europa, mas ao ramo fino-úgrico; e são muito parecidas entre si. Se a tese ainda parece duvidosa, considere o seguinte: dentro da Finlândia há uma minoria de falantes do sueco. Essa minoria é, em média, mais rica do que a de falantes do finlandês. No entanto, as notas dela no PISA são muito inferiores às deles. A tese do papel da língua na educação finlandesa é exposta neste breve artigo de Taksin Nuoret.

    finnish-and-pisa.blogspot.com.br/

    P.S.: aviso a terceiros: gentileza ler a matéria completa antes de reclamar.
  • Nagib  03/01/2014 22:05
    Essa teoria do idioma é extremamente interessante e, quanto mais me aprofundo nela, mais sentido ela faz.

    Por exemplo, o idioma inglês é extremamente fácil; consequentemente, é comum ver americanos escrevendo de forma correta e elegante nas redes sociais e em fóruns de discussão, sempre apresentando de forma clara e compreensível seu ponto de vista. Consequentemente, é comum ver americanos de baixa renda com alta capacidade literária.

    Já o português é difícil, e a consequência é que é praticamente impossível encontrar um brasileiro -- mesmo aqueles de alta renda e com empregos de alto nível -- escrevendo corretamente na internet; é difícil encontrar um brasileiro nas redes sociais e nos fóruns de discussão que desenvolva de forma clara e coerente seu raciocínio. Os poucos que conseguem fazer isso são justamente os de alta cultura. Logo, não é de se estranhar o alto grau de analfabetismo funcional entre os brasileiros; os coitados simplesmente não entendem sua língua mãe.

    Conclusão: a facilidade do idioma faz com que pessoas comuns tenham mais facilidade para entender as coisas.
  • Alemão  03/01/2014 23:16
    Und die deutsche Sprache? Das ist eine sehr komplizierte Sprache!
  • Occam's Razor  04/01/2014 14:25
    Me surpreendi quando comecei a aprender o alemão (e ainda estou bem no começo). Pensei: uma nação rica como aquela tem que ter um idioma simples, como é o inglês.

    Qual não foi minha surpresa quando descobri que no idioma deles existe 3 gêneros e é essencialmente impossível deduzir qual é o gênero de um determinado substantivo. No geral é completamente aleatório. Isso torna bastante difícil fazer a flexão de gênero dos pronomes possessivos, por exemplo.

    Mas ainda assim estou gostando de aprendê-lo. A complexidade da língua certamente é uma barreira para o desenvolvimento de uma nação, mas com certeza não é uma barreira intransponível.
  • Gunnar  10/01/2014 21:03
    Deutsch ist eine faszinierende Sprache. Mach weiter!
  • Bezerra  04/01/2014 11:36
    O Chile tem a melhor educação superior da América Latina e é totalmente privada. Recentemente houve uma manifestação por educação superior gratuita. Já prevejo que se os manifestantes forem atendidos em sua reivindicação a educação superior chilena rapidinho perederá esse status. Os Estados Unidos tinham a melhor a educação do mundo, só foi criar o ministério da educação para eles perderem essa posição.

    Muito me estranha os finlandeses estarem a frente de coreanos e japoneses. Provavelmente no extremo oriente a educação deve ser mais estatizada do que na Finlândia.
  • Rod100  04/01/2014 17:34
    Um pouco fora do tópico, mas achei bem interessante e na obrigação de compartilhar:

    www.pwc.com/gx/en/paying-taxes/data-tables.jhtml

    A PwC fez um levantamento sobre "paying taxes 2014", comparando os países quanto a porcentagem de impostos, tempo gasto para pagar as taxas e número de impostos.

    Resultado: estamos muito mal aqui no Brasil pelo ranking, e possivelmente pior, pois tenho certeza que são mais de 9 tributos na terra brasilis.

    Abs,

    Rod100
  • Guispan  04/01/2014 19:41
    Descobri este site somente hoje através do compartilhamento por e-mail de um amigo. Achei muito interessante o conteúdo e é bom perceber que existem outros brasileiros querendo discutir problemas econômicos brasileiros de forma mais profunda e abrangente.

    Sobre esse artigo (vale também para outros que li no site) quero fazer uma crítica (construtiva).
    Não basta apenas afirmar "categoricamente" que, por exemplo:
    "Os seguidores da Escola Austríaca diriam que o dinheiro que alguns indivíduos tinham a intenção de gastar em projetos de engenharia mecânica foi transferido para funcionários públicos. Estes funcionários públicos, antes de incorrer em qualquer outra forma de consumo, irão adquirir alimentos, roupas, moradias, serviços de saúde e outras necessidades. O consumo dos funcionários públicos não devolve o dinheiro para aqueles engenheiros mecânicos que seriam os recebedores originais do dinheiro que foi tributado."

    Do mesmo modo o Instituto Brasileiro da Alta Burocracia poderia afirmar que:
    "Como os funcionários públicos irão adquirir alimentos, roupas, moradias, serviços de saúde e outras necessidades, então, devido a necessidade de ampliar a produção desses bens, a demanda de serviços de engenharia mecânica das empresas produtoras de tais bens também aumentará."

    O que vemos nessas afirmações e conclusões derivadas são apenas conjecturas. Será que de fato uma dessas conjecturas é verdadeira e a outra totalmente falsa? Se afirmativo, quem provou isso, em que universo de pesquisa e onde estão os resultados experimentais? A Ciência Econômica pode ser modelada matematicamente. São problemas complexos, com muitas variáveis e que demandam grande poder computacional. Antigamente, este último fator limitava a possibilidade de encontrar encontrar respostas baseadas em simulações mas, atualmente, não é mais o caso. Então por que não modelar o problema, levando em conta o tamanho da população, percentual de funcionários públicos, um modelo estatístico dos seus gastos e os reflexos na economia, etc, e obter os resultados de simulação? Complicado mas factível! Em síntese o conhecimento humano já chegou ao ponto de transformar a Ciência Econômica em uma ciência mais EXATA!
    Obs: Note que a economia nunca será determinística, pois, muitas das suas variáveis são aleatórias, mas isso não impede que os problemas sejam tratados matematicamente e previstos. Dada a aleatoriedade, nunca haverá verdade absoluta em economia, mas o que não impede de estimar qual o número mais adequado de funcionários públicos. Aí sim, comparando o resultado estimado com o número atual do funcionalismo, se poderá dizer se esse número deve ser mantido, aumentado ou diminuído, e em que quantidade. Torço efusivamente para que a Escola Austríaca continue contribuindo para a Economia, empregando os métodos científicos do século XXI.
  • Reginaldo  04/01/2014 23:11
    Prezado Guispan, de fato, é fácil perceber que você é novato aqui. Parece que há um tipo de acordo entre os recém-chegados, pois todos eles, sem exceção, chegam aqui com exatamente a mesma postura: saem fazendo afirmações enfáticas e com ar arrogante, como se suas ideias e observações jamais houvessem sido pensadas e refutadas pelos mais de 1.500 artigos do site.

    Por exemplo, você diz que "A Ciência Econômica pode ser modelada matematicamente. São problemas complexos, com muitas variáveis e que demandam grande poder computacional. [...] Então por que não modelar o problema, levando em conta o tamanho da população, percentual de funcionários públicos, um modelo estatístico dos seus gastos e os reflexos na economia, etc, e obter os resultados de simulação? Complicado mas factível!"

    Uau! Quer dizer então que o comportamento humano agora é perfeitamente matematizável? Como seria, por sistemas estocásticos? Apresente uma fórmula matemática que explique e preveja acuradamente o comportamento de um único indivíduo. Ato contínuo, apresente as fórmulas que expliquem e prevejam o comportamento diário de 7 bilhões de indivíduos ao redor do mundo.

    Estou bem interessado. Deve dar pra ganhar horrores na bolsa com essa equação perfeita.

    Quem jura que o comportamento humano é perfeitamente matematizável tem obrigatoriamente de explicar por que ainda não está bilionário. Afinal, se o cara sabe prever com exatidão como será o comportamento diário de 7 bilhões de indivíduos, deve ser ainda mais fácil prever as variações diárias das bolsas de valores com essa equação perfeita.

    Artigos para você:

    Matemática na economia: bom ou ruim?
    Uma observação sobre o uso da matemática na economia
    A invalidez do positivismo lógico nas ciências sociais
    Ciência é mais do que matemática
    Economia praxeológica e Economia matemática
    As definições corretas de monopólio e concorrência - e por que a concorrência perfeita é ilógica

    Já sobre o mundo mágico em que gasto gera riqueza, sugiro:

    Trabalho, emprego, poupança e capital

    Como as obras públicas subtraem riqueza da população

    A vidraça quebrada

    Gastos governamentais sempre são ruins para a economia

    Muita leitura, hein? Seja bem-vindo.
  • anônimo  05/01/2014 04:48
    Olá Reginaldo. Obrigado pela sua resposta. Meu objetivo é o debate de ideias, sempre respeitando os interlocutores. Desculpe se pareceu arrogante, mas o que afirmei é que para ser considerada científica, toda a teoria tem que ser provada. No campo das ciências socioeconômicas, muitas vezes a falta de provas dá origem apenas a ideologias.

    Respondendo aos seus argumentos:
    "Quer dizer então que o comportamento humano agora é perfeitamente matematizável? Como seria, por sistemas estocásticos? Apresente uma fórmula matemática que explique e preveja acuradamente o comportamento de um único indivíduo. Ato contínuo, apresente as fórmulas que expliquem e prevejam o comportamento diário de 7 bilhões de indivíduos ao redor do mundo."

    Resp.: Não. O comportamento de um único indivíduo não é previsível com confiabilidade, no entanto, o comportamento estatístico de grupos de indivíduos, sim. O próprio artigo prevê que os funcionários públicos irão adquirir alimentos, roupas, moradias, serviços de saúde e outras necessidades. O que falta é modelar estatisticamente qual o percentual de gastos que será destinado a cada setor da economia e qual o reflexo estimado disso nas ampliações do processo produtivo, que por sua vez afetará os rendimentos dos engenheiros mecânicos.

    "Deve dar pra ganhar horrores na bolsa com essa equação perfeita."

    Resp.: Se for de forma honesta, sem informações privilegiadas e sem abuso do poder econômico, é bem difícil. A razão disso é simples: os interesses dos investidores e especuladores são conflitantes. Os ganhos de uns implicam em perdas de outros. No entanto, atualmente existem diversos tipos de modelos computacionais para previsão estocástica dos mercados. Os bancos e os grandes investidores os utilizam cotidianamente.

    "Quem jura que o comportamento humano é perfeitamente matematizável tem obrigatoriamente de explicar por que ainda não está bilionário."

    Resp.: Em lugar algum afirmei que o comportamento é "perfeitamente" matematizável. Pelo contrário, disse que as variáveis são aleatórias e, portanto, as previsões seguem a lei das probabilidades e estão sujeitas a erros. Um exemplo para ilustrar esse ponto: - Não sei sua idade, mas sou do tempo que a previsão do tempo não era nada confiável, com baixos índices de acerto, mesmo para as previsões para o dia seguinte. Mas veja atualmente, em que as previsões meteorológicas são realizadas com confiabilidade para períodos de dez dias ou mais. Isso se tornou possível devido aos avanços no modelamento dos processos climáticos usando novos conceitos, como a Teoria do Caos, ao monitoramento de inúmeros pontos da Terra por meio de satélites e o processamento massivo desses dados em supercomputadores de processamento paralelo. Quanto a razão de eu não ser bilionário, é a mesma de muitos outros e, provavelmente, também a sua: nunca tive apetite nem capital suficiente para montar um negócio realmente lucrativo que permitisse acumular e alavancar riquezas em progressão geométrica. Você deve estar ciente que a grande maioria dos bilionários fez seu primeiro bilhão a partir de lucros provenientes de propriedades e negócios e não de especulação financeira.
  • Valente D  16/09/2014 19:32
    Quando o artigo diz que funcionários públicos "irão adquirir alimentos, roupas, moradias, serviços de saúde e outras necessidades" ele não estabelece quantidades e nem proporção destes consumo, ele não usa estatística, mas simplesmente o conhecimento lógico de que todo ser humano necessita sobreviver e, por isso, possuí necessidades primordiais em relação a outras. Estatística é uma coisa bonita em diversos aspectos, mas não serve para explicar convincentemente as açoes humanas. Não serve porque modelos estatísticos pré-estabelecem que algo será constante, que alguma varíavel será posta de lado em função de outras. Você pode me dizer que, com mudanças em variáveis antes não consideradas relevantes, o modelo pode ser atualizado, mas nesse seu hipotético comentário já estaria implícito o seu erro, pois o modelo anterior não foi capaz de explicar estas mudanças. Afirmo que a melhor forma de analisar ações humanas é na base da lógica, mas sem que seja possível matematizar seus efeitos e tão pouco ignorar que o conhecimento é limitado dentro da sociedade.

    "Se for de forma honesta, sem informações privilegiadas e sem abuso do poder econômico, é bem difícil. A razão disso é simples: os interesses dos investidores e especuladores são conflitantes. Os ganhos de uns implicam em perdas de outros. No entanto, atualmente existem diversos tipos de modelos computacionais para previsão estocástica dos mercados. Os bancos e os grandes investidores os utilizam cotidianamente."

    Esta sua resposta claramente é uma contradição em relação a resposta da primeira questão. Ora, se "sem informações privilegiadas e sem abuso do poder econômico, é bem difícil" matematizar o mercado financeiro, então não seria extremamente complexo matematizar modelos de comportamento humano?

    Considero que a confiança elevada dos bancos em modelos econométricos como uma grande contribuição para o efeito "manada" criado, por exemplo, por uma expansão monetária. Implicando em um fator agravante na formação de bolhas por supervalorização de ativos. E como você mesmo falou, existem falhas. Vide citação abaixo:

    "Em lugar algum afirmei que o comportamento é "perfeitamente" matematizável. Pelo contrário, disse que as variáveis são aleatórias e, portanto, as previsões seguem a lei das probabilidades e estão sujeitas a erros"


    "Mas veja atualmente, em que as previsões meteorológicas são realizadas com confiabilidade para períodos de dez dias ou mais. Isso se tornou possível devido aos avanços no modelamento dos processos climáticos usando novos conceitos, como a Teoria do Caos, ao monitoramento de inúmeros pontos da Terra por meio de satélites e o processamento massivo desses dados em supercomputadores de processamento paralelo."

    Você realmente está comparando o comportamento de 7 bilhões de humanos, interagindo entre sí e sob influência de inúmeras variáveis, ao fenômeno metereológico??

    Me perdoe, mas esse é um erro muito grave. As condições metereológicas respeitam incondicionalmente leis da física. O fato de hoje sermos capazes de prever o tempo com mais acuracidade não é em decorrência dos modelos econométricos per se, mas pelo fato de hoje sermos capazes de "VER" (maior tecnologia) com clareza os fenômenos naturais que SEMPRE, respeitam a mesma lógica, mesmo que ainda não sejamos capazes de "VER" 100%.

    Abs,
  • anônimo  05/01/2014 20:37
    Se gastos estatais são produtivos?

    Leandro Narloch em seu Guia politicamente incorreto da história do mundo:

    "Também havia em Roma o equivalente a shopping centers, como a Basílica Emilia. Com 100 metros de comprimento, três andares e dezenas de arcos de mármore, o edifício era ocupado por empresas de maior porte, como joalheiros, banqueiros, importadores de especiarias e revendas de Vinhos finos."


    A Basílica Emilia foi construída nos tempos da República Romana, pelo censor Marco Fúlvio Nobilio
  • Guimarães  05/01/2014 21:17
    Genial, anônimo. Agora, deixa eu fazer um igual:

    Todos os aeroportos do Brasil foram construídos sob ordens do estado. Logo, não fosse o estado, estou certo de que até hoje o Brasil não teria absolutamente nenhum aeroporto, pois não é do interesse de ninguém construir e operar aeroportos.

    Gostei. Vou fazer outro:

    Os bens e mercadorias do país são transportados majoritariamente por vias rodoviárias. As rodovias foram construídas pelo estado. Não fosse o estado e seu monopólio da infraestrutura, estou certo de que o Brasil não teria absolutamente um metro de estradas asfaltadas, pois não é do interesse de ninguém construir e operar estradas.

    Só mais um, agora com outro enfoque:

    O hospital Sírio-Libanês foi construído em um terreno cujo dono era a prefeitura. Não fosse a prefeitura a dona deste terreno, poderia haver ali hoje um estacionamento, privando o país de um grande hospital.


    E aí, vai dizer que também não temos o nosso Marco Fúlvio?
  • O INDIGNADO  16/09/2014 13:08
    Leiam e chorem www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1497758
  • Rennan Alves  16/09/2014 20:01
    Deixa eu ver se entendi: além dos impostos cobrados pela prefeitura para realizar as obras, os moradores terão que pagar mais para ter a obra no seu bairro?

    E ainda me falam que a região sul é uma maravilha...
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  23/03/2015 22:36
    A única coisa que o setor público faz bem é: atrapalhar a vida de todos os demais membros da sociedade.


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