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Quatro mil anos de controle de preços

Comentário do IMB:

A economia brasileira opera como se estivesse separada em dois compartimentos.  Há aqueles setores em que o governo interfere muito e há aqueles setores em que ele interfere bastante. 

Interferência estatal existe em cada canto da economia, pois o governo está sempre tributando e regulando — isto é, confiscando dinheiro e impondo normas incompreensíveis e impossíveis de serem obedecidas integralmente.  No entanto, naqueles setores em que o governo interfere menos, ou seja, nos quais ele se limita a tributar e impor ordens, raramente se ouviu falar em problemas de escassez.  Quando foi que você ouviu falar de crise na indústria de lápis?  Ou na indústria de papelão?  Ou na indústria de sorvetes?  Na indústria de parafusos?  E na indústria de eletrônicos, então?  Quando foi que você ouvir falar de escassez no setor alimentício?  Quando foi que um restaurante a quilo deixou de abrir porque não havia comida? 

Nestes setores, oferta e demanda, por mais oprimidas que sejam pelos impostos e regulamentações do governo, conseguem se mover sincronizadamente, e o consumidor jamais temeu qualquer tipo de escassez nestas áreas.

É justamente naqueles setores em que o governo faz sua interferência mais violenta — isto é, por meio de controle de preços —, que a escassez e o desabastecimento são a regra, e não a exceção. 

Antes de tudo, é necessário entender que a escassez não é necessariamente a completa ausência de um produto.  Há várias formas de escassez.  A escassez explícita é aquela vista atualmente no setor da saúde pública, em que faltam medicamentos e atendimentos, e as consultas têm de ser agendadas com até um ano de antecedência. 

Mas há também outros graus de escassez.  Por exemplo, um engarrafamento é uma escassez.  Um bem (rua) está sendo ofertado a preço zero para uma demanda (carros) que tende ao infinito.   Um aeroporto congestionado, em que aviões chegam a ficar uma hora esperando autorização para decolar, é outro exemplo de escassez: a administração do aeroporto é estatal e não sabe praticar discriminação de preços, cobrando tarifas mais altas para as companhias aéreas operarem em horários de pico, e mais baixas para horários de menos demanda. E o setor privado é proibido de construir aeroportos para suprir essa demanda.

Operadoras de celulares que não entregam o prometido ou cujas ligações vivem caindo são outro exemplo de escassez.  O governo, por meio de sua agência reguladora, fechou o mercado para apenas algumas poucas empresas, impedindo que grandes empresas estrangeiras (Vodafone, Verizon, AT&T Mobility, T-Mobile, Orange, entre outras) venham operar aqui.  É a agência reguladora que decide quem pode e quem não pode operar no Brasil, um arranjo que vai totalmente contra a ideia de livre mercado e livre concorrência.

Nos últimos anos, é o setor energético quem está na mídia.  Riscos de apagão e de desabastecimento de gasolina são fenômenos que assombram o brasileiro a cada dois anos em média.  E isso não deveria ser surpresa alguma: são dois setores sob completo controle do governo; dois setores cujos preços dos serviços são diretamente decretados pelo governo, e cuja oferta, embora não seja monopolista em teoria, o é na prática. 

Por exemplo, se uma empresa quiser prospectar petróleo aqui no Brasil e nos vender, ela não pode.  Os preços cairiam muito, e preços baixos afetariam as receitas da Petrobras, que é uma empresa utilizada para fins políticos.  Ademais, após mais de 40 anos de monopólio (quebrado apenas em 1997), a Petrobras já se apossou das melhores jazidas do país.  Nem tem como alguém concorrer.  É como você chegar atrasado ao cinema: os melhores assentos já foram tomados, e você terá de se contentar com os piores.

Após ter pomposamente declarado autossuficiência em 2006, a Petrobras não pára de aumentar suas importações de petróleo, o que mostra que a estatal é incapaz até mesmo de controlar sua oferta.

No setor elétrico, o controle estatal faz com que o país mais bem dotado de recursos hídricos no mundo (recurso este que gera energia barata) tenha uma das contas de energia mais caras do mundo.  Óbvio.  Dado que se trata de um setor extremamente regulado e sem livre concorrência, o resultado não poderia ser outro.  Não apenas a conta é alta, como há constantes riscos de apagão por escassez de oferta.  É necessária uma incompetência alarmante para se chegar a um arranjo em que falta oferta mesmo quando se cobra um dos preços mais altos do mundo. 

Há coisas que apenas um monopólio estatal pode fazer por você.

A seguir, um sucinto relato do histórico dos controles de preços ao longo da história humana, uma praga que aparentemente nunca terá fim.  Como perfeitamente sintetizou Roberto Campos, "Como as damas balzaquianas, de vida airada, o tabelamento de preços rejuvenesce à medida que se esquecem as experiências passadas.  É a teoria dos que não têm teoria."

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O argumento contra os controles de preços não é meramente um exercício acadêmico, algo restrito aos manuais de economia.  Há um histórico de quatro mil anos de catástrofes econômicas causadas pelos controles de preços.  Este histórico está parcialmente documentado em um excelente livro intitulado Forty Centuries of Wage and Price Controls (Quarenta Séculos de Controles de Preços e Salários), de Robert Schuettinger e Eamon Butler, publicado originalmente em 1979.

Os autores começam citando Jean-Philippe Levy, autor de The Economic Life of the Ancient World, que observou que no Egito, durante o século III a.C., "havia uma verdadeira onipresença do estado" na regulação da produção e da distribuição de grãos.  "Todos os preços foram congelados por decreto em todos os níveis".  Este "controle assumiu proporções assustadoras.  Havia um exército de burocratas que inspecionavam diariamente o cumprimento do decreto".

Os agricultores egípcios ficaram tão enfurecidos com esse controle de preços, que vários deles simplesmente abandonaram suas fazendas.  Ao final do século, "a economia egípcia havia entrado em colapso, junto com sua estabilidade política".

Na Babilônia, 4.000 anos atrás, o Código de Hamurabi continha uma barafunda de regulamentações e controle de preços.  "Se um homem contratar um camponês, deverá dar a ele oito gurs (unidade de medida hamurábica) de cereais por ano";  "Se um homem contratar um boiadeiro, deverá dar a ele seis gurs de cereais por ano"; "Se um homem alugar um barco de seis toneladas, deverá pagar um sexto de um shekel de prata por dia por esse aluguel".  E os decretos não paravam mais.

Tais imposições "sufocaram o progresso econômico no império por vários séculos", como mostram os registros históricos.  Assim que estas leis foram implementadas, "houve um acentuado revés na prosperidade das pessoas".

A Grécia antiga também impôs controle de preços sobre cereais e estabeleceu "um exército de fiscalizadores nomeados para a função de estabelecer o preço do cereal em um nível que o governo ateniense julgasse justo".  Esse controle de preços grego inevitavelmente levou à escassez de cereais.  Por sorte, vários empreendedores corajosamente conseguiram se esquivar destas leis ignaras e, com isso, salvaram milhares da inanição.  Não obstante a imposição de pena de morte para aqueles que desobedecessem às leis de controle de preços, tais leis "eram praticamente impossíveis de serem impingidas".  A escassez criada pelo controle de preços criou grandes oportunidades de lucro no mercado negro, para a grande sorte do povo grego.

Em 293 d.C., o imperador romano Diocleciano gerou uma grande inflação de preços ao aumentar enormemente a quantidade de dinheiro em circulação.  Em seguida, ele "estipulou um teto de preços para carnes, cereais, ovos, roupas e outros bens, e instituiu a pena de morte para qualquer um que vendesse seus artigos a um preço maior do que o estabelecido".  Os resultados, como Schuettinger e Butler explicam em seu livro citando um historiador antigo, foram que "as pessoas simplesmente pararam de colocar seus bens à venda no mercado, dado que elas não mais poderiam obter um preço sensato por eles.  Isso aumentou tão acentuadamente a escassez, que, após a morte de várias pessoas, a lei foi finalmente revogada."

Já em épocas mais modernas, foi por muito pouco que o exército revolucionário de George Washington não morreu de fome no campo de batalha graças ao controle de preços sobre alimentos que havia sido instituído pelo governo da Pensilvânia e por outros governos coloniais.  A Pensilvânia impôs controle de preços especificamente sobre "aquelas mercadorias imprescindíveis para o exército", criando uma desastrosa escassez de tudo que o exército mais necessitava.  O Congresso Continental sabiamente adotou uma resolução anti-controle de preços no dia 4 de junho de 1778, a qual dizia: "Considerando que já foi descoberto pela experiência que limitações impostas aos preços das mercadorias não apenas são ineficazes para o objetivo proposto, como também são igualmente geradoras de consequências extremamente maléficas, fica resolvida a recomendação aos vários estados para que revoguem ou suspendam todas as leis limitando, regulando ou restringindo o preço de qualquer artigo". 

Ato contínuo, escreveram Schuettinger and Butler, "Já no outono de 1778, o exército já estava suficientemente bem provido como resultado direto dessa mudança de política".

Os políticos franceses repetiram os mesmos erros após sua revolução, instituindo a "Lei de Maximum" em 1793, a qual impôs controle de preços sobre cereais e, depois, sobre uma longa lista de vários outros itens.  Previsivelmente, "em algumas cidades francesas, as pessoas estavam tão mal alimentadas, que estavam literalmente caindo pelas ruas por desnutrição".  Uma delegação representando várias províncias escreveu para o governo em Paris que, antes da lei do controle de preços, "nossos mercados estavam bem providos; porém, tão logo congelamos os preços do trigo e do centeio, estes cereais nunca mais foram vistos.  Os outros tipos que não estão submetidos ao controle de preços são os únicos que podem ser encontrados à venda".

O governo francês se viu então obrigado a abolir sua maléfica lei de controle de preços após ela ter literalmente dizimado milhares de pessoas.  Quando Maximiliem Robespierre estava sendo carregado pelas ruas de Paris a caminho de sua execução, a plebe gritava "Lá vai o maldito Maximum!"  Se ao menos essa lição fosse aprendida por políticos contemporâneos...

Ao final da Segunda Guerra Mundial, os planejadores centrais americanos haviam se tornado ainda mais totalitários em termos de política econômica do que os nazistas derrotados.  Durante a ocupação americana da Alemanha, no pós-guerra, os "planejadores" americanos se mostraram muito entusiasmados com os controles econômicos impostos pelos nazistas, inclusive o controle de preços.  Desnecessário dizer que eram estes controles econômicos que estavam impedindo a recuperação econômica alemã.  O notório nazista Hermann Goering chegou até mesmo a passar um sermão no correspondente de guerra americano Henry Taylor sobre o assunto.  Como relatado por Schuettinger e Butler, Goering disse:

Todas as coisas que a sua América está fazendo no campo econômico estão nos causando vários problemas.  Vocês estão tentando controlar os preços e os salários das pessoas — ou seja, o trabalho das pessoas.  Se você faz isso, você inevitavelmente tem de controlar a vida das pessoas.  E nenhum país pode fazer isso pela metade.  Eu tentei e não deu certo.  Tampouco pode um país fazer isso integralmente, indo até as últimas consequências.  Eu tentei isso também e, de novo, não deu certo.  Vocês não são melhores planejadores do que nós.  Eu imaginava que seus economistas haviam lido e estudado o que ocorreu aqui.

Os controles de preços foram finalmente abolidos na Alemanha, em 1948, pelo Ministro da Economia Ludwig Erhard.  A abolição ocorreu de uma só vez, em um domingo, quando as autoridades de ocupação americanas estavam ausentes de seus escritórios, incapazes de impedi-lo.  Tal revogação produziu o "milagre econômico alemão".  [Veja todos os detalhes do milagre alemão neste artigo].

Nos EUA, controles de preços foram a causa da "crise energética" da década de 1970 e dos apagões na Califórnia na década de 1990 (apenas os preços do setor de geração de energia foram desregulamentados na Califórnia; os controles foram mantidos no setor de transmissão e distribuição). 

[No Brasil, as destruições e os sofrimentos causados pelos controles de preços estão bem documentados aqui].

Atualmente, Argentina e Venezuela nos fornecem os mais atualizados, didáticos e escabrosos exemplos. Na Venezuela, por exemplo, falta até papel higiênico.

Ao longo de mais de quatro mil anos, ditadores, déspotas e políticos de todos os naipes viram nos controles de preços uma forma suprema de prometer ao público "alguma coisa em troca de nada".  Com o gesto de uma mão, uma piscada de olhos e o movimento de uma caneta, eles prometem que irão deixar tudo milagrosamente mais barato.  E o povo sempre acredita. 

Por mais de quatro mil anos, os resultados têm sido exatamente os mesmos: escassez e desabastecimento, várias vezes com consequências catastróficas; deterioração da qualidade do produto; proliferação dos mercados negros, nos quais os preços são maiores do que seriam em um mercado livre e os subornos são desenfreados; destruição da capacidade produtiva daquelas indústrias cujos preços são controlados; distorções grosseiras dos mercados [no Brasil do Plano Cruzado, carro usado era mais caro do que carro novo]; criação de burocracias tirânicas e opressivas para fiscalizar o controle de preços; e uma perigosa concentração de poder político nas mãos destes burocratas controladores de preços.

E é isso que os economicamente ignorantes querem criar sempre que pedem ao governo que intervenha nos preços de um determinado setor da economia. 

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Leia também:

Recordações de um Brasil socialista

A nova onda de controle de preços na América Latina

A espiral decadente da Venezuela

Cristina Kirchner deveria ler Mises 




  • Joel RGP  12/12/2013 10:49
    É muito bom iniciar o dia lendo um excelente artigo como esse! Parabéns, IMB.
  • Emerson Luis, um Psicologo  12/12/2013 11:34

    A História ensina que a maioria das pessoas não aprende com a História.

    Aqueles antigos desenhos animados que mostram pessoas de séculos ou milênios anteriores pensando e agindo como nós hoje não são tão fantasiosos quanto parecem.

    * * *
  • mauricio barbosa  12/12/2013 12:24
    Emersom luis,um psicológo,os povos do passado eram tão inteligentes quanto os de hoje a unica diferença entre nós e eles é a alta tecnologia existente hoje (ex:internet,satélites artificiais,etc)que continuará evoluindo e projetando para o futuro nós estaremos em desvantagem,enfim o mercado desregulado produz tecnologia ad infinitum,quanto ao ser humano continuará enfrentando seus dilemas,conflitos intímos,desejos mesquinhos,invejas e toda sorte de emoções negativas atemporais e o estado dá vazão a essa mesquinharia...
  • Emerson Luis, um Psicologo  13/12/2013 12:59

    Concordo, Maurício!

    Eles possuíam o mesmíssimo modelo básico de cérebro que nós (com todo seu potencial cognitivo e influências biológicas e emocionais, além das questões existenciais). Foram capazes de grandes feitos intelectuais.

    O que quis dizer é que estes desenhos exageravam na licença poética, mostrando os personagens usando produtos e serviços modernos em versões que obviamente não existiam, além de alguns comportamentos típicos da nossa época e cultura atual. Essa licença podia ser tolerável, pois eram desenhos para entretenimento.

    Porém, existem questões atemporais, como você colocou. E existem erros recorrentes, como o artigo apresentou, pois as leis naturais não imutáveis.

    * * *
  • Pedro  17/12/2013 22:18
    Se chama steampunk. Leonardo da Vinci tinha maquinas voadoras bem fantasiosas para nosso atual conhecimento de física, eram pássaros mecânicos, mas nas tentativas e erros ele chegou a proto-helicóptero qual possuíam certos princípios da física, algo muito a frente do seu tempo. Existe muita fantasia na antiguidade mas é nossa fantasia ao interpretá-la. Não esqueça que Pitágoras(AC2500) concluiu que a terra é redonda e girava entorno do sol observando o céu a olho nu, e Eratóstenes(AC276) deu a medição da circunferência da terra com espantosa exatidão.
  • Gredson  12/12/2013 12:25
    Muito bom. Parece que nunca vão aprender.
  • Arthur M M  12/12/2013 12:56
    Mais um belíssimo trabalho do Thomas DiLorenzo. E obrigado Instituto Mises por trazer este texto até nós. Graças a vocês minha graduação em economia está saindo.
    Livro a ser lido, Forty Centuries of Wage and Price Controls.
  • PESCADOR  12/12/2013 16:30
    Além do presente artigo, aqueles linkados no final, na parte do "Leia também", são maravilhosos. Destaque para o "Recordações de um Brasil Socialista". Leiam todos, mas comecem por esse. É de chorar de raiva da burrice que vicejou no país e destruiu nosso passado, com consequências óbvias para o presente.
  • Rafael  12/12/2013 20:16
    Suponhamos um Estado totalitário. O governo estabelece pena de morte para quem aumentar os preços. As consequências lógicas seriam a escassez. Entretanto, para contornar esse problema, o governo resolve então aplicar a pena de morte para quem diminuir a produção. Qual seria a consequência lógica dessa medida?
  • Ricardo  12/12/2013 20:20
    Trabalho escravo. Socialismo. E tudo o que vem com esse arranjo: desperdícios, destruição de capital, queda no padrão de vida, fome, miséria e milhões de mortos.
  • anônimo  12/12/2013 20:21
    Perguntas:

    E se o preço decretado é abaixo do livre mercado, mas não abaixo dos custos de produção?

    E se o preço decretado é de um monopolio ou cartel, de modo que tal controle nao seja inferior ao livre mercado?

    Nestes casos, haveria também escassez?
  • Leandro  12/12/2013 20:28
    "E se o preço decretado é abaixo do livre mercado, mas não abaixo dos custos de produção?"

    O lucro será muito abaixo do potencial, o que irá afetar a capacidade de investimentos e, consequentemente, a qualidade de seus produtos e serviços. Em última instância, a sobrevivência da própria empresa estará em risco.

    "E se o preço decretado é de um monopolio ou cartel, de modo que tal controle nao seja inferior ao livre mercado?"

    Neste caso, haverá um grande benefício para estas empresas, que estarão colhendo lucros artificiais.
  • Juliano  12/12/2013 20:29
    O que faz uma pessoa investir é a possibilidade de ganhar mais com o investimento. Se existe um limite para o quanto a pessoa pode ganhar, acaba também existindo um limite para o investimento. Preços mais altos também atraem concorrentes. Com o limite no lucro, menos pessoas se interessam em entrar na área.

    Cartél ou monopólio? São criaturas do governo, não do mercado. O governo cria dificuldades e impede a entrada de competidores, deixando a situação dos empresários mais confortável.
  • Arthur M M  12/12/2013 20:34
    Vejamos, vamos definir como ano 0 o ano em que essa medida foi aplicada, então a produção dos anos posteriores deverão ser como a do ano 0.
    No ano 0, produziu-se x geladeiras e y arroz.
    Logo nos anos posteriores deverá se manter a produção de x geladeiras e y arroz.

    Vou tirar todos os problemas inerentes aos insumos necessários para se produzir os dois itens da conta pra simplificar.

    Manter a produção de arroz é complicado, pois é um produto que depende do clima. Se não chover ou se chover muito a produção diminui. Pode-se pensar em aumentar o número de terras para plantação para não haver subprodução, mas o consumo de insumos irá aumentar e como os insumos foram produzidos na mesma quantidade faltará insumo.

    Sem contar o fato das pessoas não quererem comer o arroz no ano que vem, pois, já que nos próximos seria produzido a mesma coisa (pelos mesmos preços), algumas pessoas poderiam resolver consumir algo melhor (para elas), nos levando pro mesmo problema do consumo dos insumos dito anteriormente.

    Idem as geladeiras, se uma grande quantidade de pessoas resolver comprar uma geladeira diferente, o stock da outra não será vendido. Além disso poderá haver escassez das outras geladeiras, pois o consumo mudou e como foi fabricado a mesma quantidade ela acabou.

    Aplique-se esse mesmo conceito aos insumos desses dois itens e a todos os outros produtos de uma economia e perceber-se-á que a única forma disso funcionar é que uma entidade defina quanto arroz e qual geladeira você terá.
  • Adriano Xavier  12/12/2013 21:11
    excelente artigo parabéns!
  • Josias Luna  12/12/2013 22:14
    Caros do IMB,

    1. Primeiramente gostaria de elogiar o excelente trabalho de vocês. Tenho aprendido mais aqui do que no meu curso de Economia.

    2. Gostaria de tirar uma dúvida: às vezes surgem dúvidas quando leio artigos antigos (muito antigos) e não sei se devo efetuar minhas perguntas nos próprios, pois não sei se serão respondidas pelo fato de os artigos serem antigos.

    3. Visto isso, quero tirar uma dúvida aqui - já pedindo perdão caso isso seja um incômodo e, se for, quero ser orientado sobre como proceder.

    Estava lendo o artigo sobre as privatizações da Guatemala no ramo de telefonia (. Tenho um amigo comunista e o mesmo me questionou sobre como a desregulamentação melhoraria os serviços no Brasil. Eu usei da teoria para responder e ele, ainda descrente, questionou se há algum país com livre mercado nesse ramo e eu citei a Guatemala. Ele afirmou que um vídeo como o do artigo o FHC também pode fazer, dizendo que os serviços de telefonia hoje são muito melhores; e também perguntou onde encontraria fontes que fornecem dados a respeito da QUALIDADE do serviço, pois quantidade nós também temos aqui. Portanto, quero, encarecidamente, perguntar se vocês tem essas informações (eu também gostaria de vê-las).

    Um abraço
  • Paulo Soares  12/12/2013 23:29
    Prezado Leandro.

    Lendo um artigo do IMB sobre a origem da Escola Austíaca www.mises.org.br/Article.aspx?id=35, fiquei intessadona passagem que narra a invasão dos nazistas a proprieade de Mises e o roubode suas obras e escritos,tais acervos segundo narrativa foram usados na recuperação da economia alemã no pos guerra.
    Vcs tem alguma fonte confiávelsobre este tema??

    Desdwe já agredeço, e só temos a elogiar a publicação de exceletes artigos como este último.
  • Leandro  12/12/2013 23:53
    Sobre o saque feito pelos nazistas ao apartamento de Mises, você pode ler o relato completo -- com bibliografia e tudo -- nas paginas 726-728 do livro abaixo, em .pdf:

    mises.org/books/lastknight.pdf


    Quanto à frase "tais acervos segundo narrativa foram usados na recuperação da economia alemã no pos guerra", creio que você interpretou um tanto erroneamente. Eis a frase do artigo a que você se refere:

    "Sabendo que Mises era inimigo declarado do Nacional Socialismo, os nazistas invadiram seu apartamento e confiscaram seus trabalhos, escondendo-os durante o período da guerra. Ironicamente, foram as idéias de Mises, filtradas através dos trabalhos de Roepke e do estadista Ludwig Erhard, que levaram a Alemanha a fazer suas reformas econômicas do pós-guerra e, assim, reconstruir o país. E em 1992, arquivistas austríacos descobriram os trabalhos de Mises que foram roubados em Viena em um arquivo reaberto em Moscou."

    Ou seja, não se está dizendo que obras de Mises foram parar nas mãos de Roepke e Erhard (elas na realidade foram parar em um arquivo Moscou); o que se está dizendo é que as ideias de Mises -- com as quais Roepke e Erhard já estavam bem familiarizados --, tão combatidas pelos nazistas, ajudaram posteriormente a reerguer a Alemanha.

    Sobre isso, sugiro fortemente este artigo:

    Como se deu o milagre econômico alemão do pós-guerra

    Abraços!
  • Paulo Soares  13/12/2013 00:18
    Obrigado Leandro

    Peço desculpas pela minha interpretação errônea, agradeço o fornecimento das fontes.
  • Helio Angelo Junior   17/12/2013 06:40
    O Controle de Preços é uma verdadeira catástrofe, a escassez e o desabastecimento tomam conta da economia, estagnando-a. Vivenciei no Plano Cruzado, um controle de preços da Economia Brasileira, o que pude ver foi depois de alguns meses, prateleiras vazias e como consequência uma inflação descontrolada, que perdurou por quase duas décadas, de 1986 a 1994!!!
  • Marcelo  09/08/2014 16:14
    As consequências de falta de oferta para alcançar a demanda, etc, ocorrem quando o preço foi fixado num ponto muito baixo. Mas e se o preço for fixado num ponto muito alto?

    Digamos, por exemplo, que o Estado, por um erro de cálculo (ou para beneficiar os amigos do rei, ou qualquer outro motivo), fixe o valor de um procedimento médico em R$15.000,00, quando o preço no mercado se aproximaria de R$10.000. Em condições normais, a oferta subiria (por causa do maior retorno) e depois cairia até se igualar à demanda, normalizando o preço. Mas e com o controle de preços? Além do acesso restrito, quais seriam as demais consequências? A oferta iria se igualar à demanda do preço artificial (esse trecho deixar a entender que isso poderia não ocorrer: "É necessária uma incompetência alarmante para se chegar a um arranjo em que falta oferta mesmo quando se cobra um dos preços mais altos do mundo")? Os serviços seriam tão ruins quanto com a fixação de preço baixo? (Só para deixar claro, não estou sugerindo que seria uma boa medida. Eu tenho interesse em ver a extensão do dano nesse caso).
  • Leandro  09/08/2014 20:48
    Se a demanda pelo bem for inelástica e seu preço for fixado lá em cima, seus produtores iriam auferir lucros portentosos.

    Os consumidores, por sua vez, em decorrência do encarecimento destes produtos, teriam agora de reduzir seu consumo de outros bens menos importantes. Os produtores destes bens agora teriam prejuízos e, por conseguinte, teriam de reduzir sua produção e oferta de bens.

    A qualidade de vida pioraria.

    No geral, toda a economia perderia, exceto aqueles poucos privilegiados protegidos pelo governo.
  • anônimo  02/12/2014 07:10
    Se o controle de preços gera uma distorçao entre oferta e demanda, se ele for fixado não abaixo dos preços de custo, de modo que os produtores não sofram perdas tão grandes, não poderia o governo, através do racionamento, fazer com que somente os pobres tenham acesso aos produtos, impedindo os ricos de comprar, fazendo com que o objetivo do controle seja alcançado?
  • Leandro  02/12/2014 11:39
    Você próprio chegará à resposta ao responder às duas perguntas a seguir:

    1) Por que os produtores continuariam produzindo normalmente se eles agora sabem que seu mercado consumidor foi severamente restringido pelo governo?

    Afinal, se os produtores sabem que os ricos (aliás, qual a sua definição exata de "rico"? Sem tal definição exata, essa sua "política econômica" não pode ser implantada) estão proibidos de consumir seus produtos, então eles sabem que o mercado consumidor de seus produtos foi severamente reduzido. Logo, suas receitas e sua margem de lucro foram reduzidos. E, logo, não há nenhum motivo para eles manterem o mesmo nível de produção. Finalmente, a quantidade de bens disponíveis irá ser reduzido. Logo, desabastecimento.

    2) Como o governo impingiria tal lei? Ele por acaso colocaria um burocrata em cada armazém de cada cidadezinha do interior para fiscalizar se há algum rico (de novo, qual a sua definição de "rico"?) comprando? E se o rico subornar pobres para que estes comprem para eles? Seria até um bom negócio: o rico pagaria um troco para o pobre e o pobre compraria vários produtos subsidiados para o rico. Dependendo da propina paga ao pobre, é até provável que tal arranjo seja ainda mais benéfico para o rico.

    Raciocine sempre.
  • Curioso  10/07/2016 23:56
    As experiências mostram que controles de preços causa escassez. Mas por que exatamente?
  • Leitor assíduo do Mises BR  11/07/2016 03:09
    Isso faz com que a demanda possa superar a oferta... Imagine o que aconteceria se Ferrari's fossem vendidas por R$10.000,00. Em menos de uma semana não haveria mais nenhuma para se comprar, todas já haveriam sido vendidas. Mas na prática o processo que gera a escassez é mais sutil, os preços ficam defasados do valor real e a renda nominal das pessoas vai aumentando devido à inflação, no longo prazo (ou curto, dependendo da intensidade da inflação) a oferta deixa de suprir a demanda.
  • Magno  11/07/2016 11:27
    Explicado em detalhes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=374#Parte7


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