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Mises e sua decepção com o movimento conservador

Em meados da década de 1950, a revista libertária The Freeman já havia conseguido cumprir seu objetivo de reagrupar e revigorar várias forças libertárias distintas e bem diferentes, formadas por liberais da Velha Direita americana (Old Right) que pregavam o não-intervencionismo estatal tanto em questões nacionais quanto internacionais — "os Remanescentes", como Albert Jay Nock os apelidaria. 

No entanto, as dificuldades financeiras e organizacionais da revista acabaram abrindo espaço para o surgimento de um outro periódico não-esquerdista, o qual viria a consolidar as forças da direita americana em torno de um ponto de vista bem menos libertário do que o da revista The Freeman.

A revista National Review surgiu no cenário americano no segundo semestre de 1955.  Sua força-motriz estava centrada na jovem figura de seu editor-chefe, William F. Buckley, Jr., formado em Yale e com um forte pedigree anti-comunista: durante seus anos de estudo, ele coletara informações sobre professores e alunos para o FBI.[1]  Buckley absorveu todo o talento editorial que não havia encontrado um lar na revista The Freeman, em particular a feminista libertária Suzanne La Follete e o historiador William Henry Chamberlin, mas também homens do calibre de Russell Kirk, Frank Meyer, Max Eastman e Erik von Kuehnelt-Leddihn.

Quando Buckley anunciou que a National Review seria "francamente conservadora",[2] homens do velho mundo como Mises devem ter pensado que, francamente, Buckley não tinha a menor ideia do que estava falando.  Mises chegou a contribuir com alguns artigos para a revista ao longo dos primeiros anos de sua existência.  No entanto, em mais de uma ocasião, ele enfatizou a diferença entre libertarianismo e conservadorismo.  Em resposta a saudações pelo seu aniversário em 1957, ele escreveu para seu amigo, o liberal-clássico alemão Volkmar Muthesius: "Infelizmente, isso não pode ser mudado.  Sou um remanescente contemporâneo de Karl Marx, Wilhelm I e Horatio Alger.  Em suma, sou um paleo-liberal [Paläo-liberaler]".[3]

Em outubro de 1954, Mises recusou um convite da Universidade de Yale para participar de um seminário intitulado de "Palestras Conservadoras", o qual foi promovido com a promessa de que "cada palestrante irá conscientemente trabalhar em prol da restauração ... do poder da palavra 'conservador'".  Mises observou que a palavra "conservador" não possuía raízes políticas nos EUA e que, na Europa, ela significava o exato oposto dos princípios apoiados pelos EUA:

Conservar significa preservar o que existe.  Trata-se de um programa vazio, meramente negativo, que rejeita qualquer mudança. ... Conservar o que existe nos EUA da atualidade é o equivalente a preservar aquelas leis e instituições que o New Deal e o Fair Deal legaram à nação.[4]

A súbita aparição da palavra "conservador" ressaltou um desconforto mais generalizado presente nas forças contra-revolucionárias nos EUA.  Tais pessoas sabiam perfeitamente contra o que lutavam: comunismo, fascismo, socialismo, o New Deal, o Fair Deal etc.  Mas o que elas defendiam?  O fato é que, mesmo entre a liderança do movimento, conhecimento econômico e sólidas convicções libertárias eram algo raro.  O refúgio buscado em palavras como "conservadorismo" refletia um desconforto generalizado em adotar qualquer tipo de mensagem claramente positiva.

Era mais fácil ser evasivo do que afirmar claramente que no cerne da agenda deste novo movimento estava a defesa da propriedade privada, como faziam os libertários.  Consequentemente, outros termos também começaram a ser utilizados, tais como "governo limitado", "federalismo" e "descentralização".  Quando Mises enfatizou, em uma monografia, a crucial importância de se ter um aparato judicial independente, um que "proteja o indivíduo e sua propriedade contra qualquer tipo de agressor, seja este agressor um rei ou um assaltante comum"[5], o secretário da Fundação Earhart [uma fundação privada que financia pesquisas e estudos acadêmicos] ponderou se isso não poderia soar um tanto radical.  Afinal, todos os juízes nos EUA eram nomeados e pagos pelo governo.

Mises retrucou dizendo que os juízes americanos eram independentes apenas na medida em que eles não podiam ser afastados ou processados mesmo que suas decisões não fossem palatáveis para o poder executivo.  Por outro lado, a insistência em um governo limitado era, na melhor das hipóteses, útil apenas "na atual luta americana contra as tentativas do governo de ir gradativamente se tornando mais totalitário".  E Mises prosseguiu:

Mas não há dúvidas de que, fora deste campo específico, o termo "governo limitado" é inexpressivo, pois ele não indica em qual aspecto o governo deve ser limitado.  Líderes sindicais poderiam, por exemplo, recorrer a este slogan para justificar a não-interferência do governo sempre que grevistas cometerem atos de violência e sabotagem contra a propriedade de seus empregadores.

Era, portanto, de vital importância a defesa clara e irrestrita da supremacia da propriedade privada e de suas ramificações: o capitalismo e a economia de mercado.  A insistência apenas no federalismo e na descentralização não bastaria:

A descentralização em nível federal não oferece, por si só, nenhuma garantia de que a liberdade será preservada.  O feudalismo medieval também apresentava essas duas características, descentralização e federalismo; no entanto, apenas os senhores feudais eram livres (e isentos de impostos); burgueses e camponeses não tinham acesso a um sistema judiciário, não tinham participação no governo, e apenas eles pagavam impostos.[6]

Estas eram ótimas razões para não se adotar o rótulo "conservador" para descrever este novo movimento americano que rejeitava o comunismo, o socialismo e o New Deal, e que lutava contra o crescimento de uma mentalidade anti-mercado capitaneada por uma mídia cada vez mais estatista. 

Mas a decisão já havia sido tomada.  Quatro anos após a criação da National Review, o rótulo "conservador" já era comum na arena do debate público.

Naquela época, Mises provavelmente já havia abandonado todo o otimismo que ele sentira nos primórdios da criação da The Freeman.  Ele regrediu a uma perspectiva pessimista, a qual passaria a ser quase que instintiva em sua personalidade.  Quando seu aluno George Reisman lhe disse ter a impressão de que o número de liberais laissez-faire estava crescendo, Mises respondeu dizendo que essa era a impressão natural de uma pessoa que ainda estava no processo de conhecer os outros indivíduos dispersos entre os "Remanescentes".  Tal pessoa pode genuinamente crer que o número de indivíduos que compartilham de sua visão de mundo está crescendo simplesmente porque ela passa a conhecer vários outros destes indivíduos.  Mises acreditava que o crescimento era apenas em termos de encontros pessoais e não em termos de números absolutos. 

Em uma outra ocasião, ele comentou que seus escritos eram como os Pergaminhos do Mar Morto: algo que alguém iria encontrar apenas dali a mil anos.[7]

Mas o pessimismo não impediu Mises de lutar a boa luta, e nem de seguir encorajando outras pessoas a serem fortes e inflexíveis na batalha das ideias.  Em uma carta a Hayek, que também havia vigorosamente rejeitado o rótulo de "conservador", Mises escreveu:

Concordo completamente com sua rejeição ao conservadorismo.  No livro Up from Liberalism, Buckley — um cavalheiro fino e educado — definiu claramente seu ponto de vista: "O conservadorismo é o reconhecimento tácito de que tudo o que é decididamente importante na experiência humana já está no passado; que as explorações cruciais já foram empreendidas e que é dado ao homem saber quais são as grandes verdades que emergiram delas.  O que quer que advenha de tudo isso não pode superar a importância de tudo o que já ocorreu antes". (p. 154).  Marcus Porcius Cato, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino já haviam dito a mesma coisa com outras palavras.  É uma triste realidade constatar que este programa seja mais atraente do que tudo o que já foi dito sobre liberdade e sobre os benefícios idealistas e materialistas da economia livre.[8]

Quais foram os motivos para esta triste realidade?  Mises sentia que havia aí uma pergunta inexplorada.  Ele prosseguiu:

Suponho que você, assim como eu, não escreve apenas para se consolar a si próprio com o provérbio Dixi et salvavi animam meam [Falei e assim salvei minha alma].  Logo, há a pergunta: como é possível que a elite de nossos contemporâneos seja absolutamente ignorante em relação a todas essas coisas?  Como é possível que, por exemplo, a política adotada pelo governo americano de encarecer artificialmente o preço do açúcar raramente seja contestada, mesmo que de cada 500 ou 1.000 eleitores haja no máximo um que possa se beneficiar deste encarecimento institucionalizado?

O problema que tenho em mente não é o comportamento nem da massa de "intelectuais" e nem daqueles que se consideram intelectuais.  Tenho em mente aqueles escritores, tanto de ficção quanto de não-ficção, que, por exemplo, falam simultaneamente sobre afluência e sobre uma superpopulação que periga levar a humanidade para perto da inanição.  Também tenho em mente a ONG União Americana pelas Liberdades Civis, que, de um lado, move céus e terras quando descobre que um clube de tênis só admite negros em seus recintos na condição de convidados, negando a eles a condição de sócios, e de outro, declara que ninguém tem o direito civil de trabalhar sem pertencer a um sindicato.

 

O artigo acima é um trecho extraído do magistral livro Mises — The Last Knight of Liberalism



[1] Ver Sigmund Diamond, Compromised Campus: The Collaboration of Universities with the Intelligence Community, 1945–1955 (New York: Oxford University Press, 1992).

[2] Ver a carta de intenções de Buckley, datada de 4 de novembro de 1955; Grove City Archive: Buckley file. A carta não contém nenhuma definição para o termo "conservadorismo".

[3] Mises para o liberal-clássico alemão Volkmar Muthesius, carta datada de 3 de outubro de 1957; Grove City Archive: Muthesius files.

[4] Mises para John Belding Wirt, carta datada de 23 de outubro de 1954; Grove City Archive: Conservatism files. Ver também declarações similares na carta de Mises para Richard Cornuelle, carta datada de 1º de novembro de 1965; Grove City Archive: Richard Cornuelle file.

[5] Mises, "Economic Freedom in the Present World," Economic Freedom and Interventionism: An Anthology of Articles and Essays (Irvington-on-Hudson, N.Y.: Foundation for Economic Education, 1990), cap. 47. Ver também a exortação de Henry Hazlitt em prol de uma mudança na "excessivamente rígida" Constituição Americana em sua carta ao editor do The New York Times (8 de fevereiro de 1942); Grove City Archive: Hazlitt files. Ver também Henry Hazlitt, A New Constitution Now (New York: McGraw Hill, 1942)

[6] Mises para Richard Ware, carta datada de 24 de outubro de 1957; Grove City Archive: Earhart Foundation files.

[7] Jeffrey A. Tucker, "Mises as Mentor: An Interview with George Reisman," Austrian Economics Newsletter 21, no. 3 (Fall, 2001): 4.

[8] Mises para Hayek, carta datada de 18 de fevereiro de 1960; Grove City Archive: Hayek files. Ver também F.A. Hayek, The Constitution of Liberty (Chicago: University of Chicago Press, 1960), nota de acréscimo.



autor

Jörg Guido Hülsmann
é membro sênior do Mises Institute e autor de Mises: The Last Knight of Liberalism e e The Ethics of Money Production.  Ele leciona na França, na Université d'Angers.


  • Eduardo Bellani  06/12/2013 12:28
    É o que eu sempre digo, conservadorismo é tão bom quanto aquilo que se busca conservar.

  • anônimo  12/09/2014 11:05
    O que mostra que você não entende nada de conservadorismo. O 'que se busca conservar' não é uma escolha arbitrária.
  • Frank W.  12/12/2015 16:35
    É tâo difícil aceitar que Mises fora um conservador? Eu realmente não consigo entender essa necessidade que o IMB tem de denegrir o movimento conservador aproveitando-se do fato de que Mises entendia por conservadorismo algo nada relacionado aos princípios conservadores, mas apenas à uma luta pela manutenção do status quo.

    Mises até mesmo utilizava expressões como "ordem natural da sociedade" -expressão que só um conservador utilizaria -, quando em relação a temas como feminismo, homossexualidade e família.

    A menos que se refute as afirmações contidas no artigo do Lew Rockwell intitulado "The Cultural Thought of Ludwig von Mises"*, é preciso aceitar que Mises fora um conservador, e não há nada de ruim nisso para quem já tenha tido contato com a doutrina conservadora.

    Abraços.

    * Aí está um artigo que o IMB deveria traduzir, mas se não é tendencioso não é válido, não é?
  • Miller  12/12/2015 17:56
    Você chegou ao site agora, leu um artigo, tirou conclusões precipitadas e, em vez de pesquisar mais, preferiu partir pra calúnia direta.

    Houvesse você pesquisado mais, teria encontrado os seguintes artigos sobre este tema:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=557

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1292

    Mais atenção na próxima.
  • Roberto   06/12/2013 12:45
    "Conservar significa preservar o que existe. Trata-se de um programa vazio, meramente negativo, que rejeita qualquer mudança. ... "


    "O conservadorismo é o reconhecimento tácito de que tudo o que é decididamente importante na experiência humana já está no passado; que as explorações cruciais já foram empreendidas e que é dado ao homem saber quais são as grandes verdades que emergiram delas. O que quer que advenha de tudo isso não pode superar a importância de tudo o que já ocorreu antes".


    Isso NÃO É conservadorismo.
    Nenhum pensador conservador, de Burke a Russell Kirk afirmou que o conservadorismo se trata de um fundamentalista e insensato Argumentum ad Antiquitatem.
    O conservadorismo se opõe ao PROGRESSISMO, ao culto e às ilusões messiânicas que colocam o progresso como um fim em sí mesmo.
    Não sei qual pode ser a razão de bater num espantalho desses.
  • Magno  06/12/2013 12:53
    Roberto, a segunda frase é do William Buckley, um dos papas do movimento conservador americano (junto com Russell Kirk). Logo, ao contrário do que você diz, não se trata de nenhum espantalho. Você pode perfeitamente discordar do que disse o Buckley, mas dizer que transcrever a frase dele significa "bater em espantalho" denota que você aparentemente não conhece o significado do termo "espantalho".
  • Roberto  06/12/2013 13:08
    Acontece que da forma como foi citado, tenta-se passar a impressão de que o conservador é irrevogavelmente avesso ao progresso, quando na verdade em um contexto elaborado adequadamente o que o conservador acredita é que nada de verdadeiramente louvável pode surgir da total rejeição e ruptura com o que foi constuído ao longo dos séculos.
    Isso é TOTALMENTE diferente do que afirmar que "tudo que existe no passado é invariavelmente melhor do que aquilo que possa surgir".
    Se não é espantalho, é pelo menos leviano usar essa citação com tal objetivo.
  • Roberto  06/12/2013 13:12
    Mas de fato vacilei em não notar que frase era do William Buckley, como era o Mises citando ele, acabei confundindo.
    O que não muda minha estranheza com essa afirmação tão deslocada. Gostaria de saber qual pode ser o objetivo de um conservador ao afirmar isso.

  • Arthur M M  06/12/2013 13:49
    Na minha humilde opinião ...

    "O conservadorismo é o reconhecimento tácito de que tudo o que é decididamente importante na experiência humana já está no passado; que as explorações cruciais já foram empreendidas e que é dado ao homem saber quais são as grandes verdades que emergiram delas. O que quer que advenha de tudo isso não pode superar a importância de tudo o que já ocorreu antes".

    ... meramente significa o status-quo. Em outras palavras, os eventuais desenvolvimentos que surgirão não superarão os do passado, o que, pra mim, é uma absurda besteira.
  • Luís Guilherme Sella  06/04/2014 05:35
    Arthur M M, ultimamente tenho lido algumas obras conservadoras e estou conseguindo entender melhor do que se trata. O próprio título do livro de Russel Kirk (citado como Papa do conservadorismo norte-americano) "A Política da Prudência" já define a raiz deste pensamento. A causa conservadora não é necessariamente defender e manter o status quo, muito menos se opor a qualquer tipo de "progresso". Excluindo-se as carolas e os papa-hóstias, os conservadores apenas rechaçam mudanças sociais drásticas e repentinas. A abolição completa e abrupta do Estado ou a ruptura das tradições e das bases morais da sociedade, por exemplo, criariam um período de turbulência desnecessário na visão conservadora. Pelo que entendo, eles não são contra mudanças, apenas prezam pela "prudência". E, de fato, vale lembrar que qualquer tipo de mudança radical, seja para esquerda ou direita, é um tipo de "revolução" puramente ideológica. É a aplicação pura e simples de um conjunto de ideias que dificilmente deixarão de criar instabilidades indesejadas.

    Sei que estou fora do timing postando quase um ano depois, mas o assunto ainda está em voga por aí...

    Abraço
  • Pedro Ivo  06/12/2013 13:46
    O livro "Mises — The Last Knight of Liberalism" está em vias de tradução para o português, catelhano ou romeno? Alguém tem esta informação?
  • Vitor  06/12/2013 17:31
    Eu estou lendo em inglês mesmo e pense num livro super rico em detalhes, não fala apenas sobre Mises em si, é um verdadeiro doutorado em história, super rico em detalhes mas também fácil de ler.
  • anônimo  06/12/2013 13:52
    'O problema que tenho em mente não é o comportamento nem da massa de "intelectuais" e nem daqueles que se consideram intelectuais. Tenho em mente aqueles escritores, tanto de ficção quanto de não-ficção, que, por exemplo, falam simultaneamente sobre afluência e sobre uma superpopulação que periga levar a humanidade para perto da inanição. Também tenho em mente a ONG União Americana pelas Liberdades Civis, que, de um lado, move céus e terras quando descobre que um clube de tênis só admite negros em seus recintos na condição de convidados, negando a eles a condição de sócios, e de outro, declara que ninguém tem o direito civil de trabalhar sem pertencer a um sindicato.'

    Achei essa parte meio confusa, pra mim esses escritores e ONGs são parte desses pseudo intelectuais, não?
  • anônimo  06/12/2013 14:43
    'Quando seu aluno George Reisman lhe disse ter a impressão de que o número de liberais laissez-faire estava crescendo, Mises respondeu dizendo que essa era a impressão natural de uma pessoa que ainda estava no processo de conhecer os outros indivíduos dispersos entre os "Remanescentes". '

    Fico imaginando se não é esse o ponto onde os liberais brasileiros estão agora
  • Tano  06/12/2013 15:04
    Boa tarde!

    Sem querer desviar o assunto mas já desviando:

    Tenho a impresao que o liberalismo pode levar ao Feudalismo.

    Evidentemente que sao coisas muito diferentes, mas o ponto que me intriga é se o propietario tem direito completo sobre a sua propiedade (Igual que no feudalismo), até de determinar quem pode pasar por ela: Nao poderia prejudicar outro propietario?, por exemplo impedindo que escoa sua producao através dela?.
    Se eu sou propietario das terras que cercam o porto de Santos, sem fazer nada poderia me beneficiar da situacao ao nao deixar opcao nenhuma ao porto: Quer passar, paga pedagio. Nao tem concorrencia, entao nao tenho por que investir em estrada.
    Posso no longo praco me prejudicar porque outros portos ficariam viaveis, ou mais interessantes, mas igual acho que estou afetando a liberdade do dono do porto.

    Outro exemplo. Faz poucos anos ganhei um estado inteiro do nordeste que herdei. Está na familia ha 500 anos, quando meu antepassado ganhou uma capitania hereditaria. É propriedade privada hoje em dia. Ao invés de vender os terrenos para interessados em trabalhar a terra, decido ceder direitos de trabalhar ela, tipo aluguel, e sobre ela cobrar uma percentagem da producao.
    O resto pode ser permitido, liberdade de ir e vir (nas minhas terras, portanto ao preco que eu decidir), garantias judiciais para quem mora na minha terra,etc mas nao estaria transformando a regiao em um lugar com caracteristicas feudais?. Qual a alternativa? Concorrencia de outras regioes?.

    Obrigado
  • Felipe  06/12/2013 19:54
    Ora, o que impediria eu de construir um porto bem ao lado do seu e cobrar menos? Você teria que diminuir o preço ou quebrar. Ou construir uma estrada particular? Certamente o dono do porto teria isso em mente na hora de comprar a propriedade

    Segunda parte: Se as pessoas que moram no "seu" estado possuem contrato legítimo da propriedade que possuem, você não tem absolutamente nenhum direito sobre elas. Pense em uma monarquia libertária. O rei é o representante supremo do estado, ele pode ter sido o dono de todas a propriedades do país no passado, mas pense. Uma hora ele dá um ducado para um primo, depois ele dá um condado para o cunhado. O duque, depois, pode premiar cidadãos com terra e esses cidadãos depois podem concordar em vender/comprar terras em outras negociações com outros cidadãos. Assim, efetivamente, o rei, o duque e o conde perderam soberania sobre a propriedade que doaram/venderam. Claro que embora eles possam ser menos ricos que os grandes empresários, seus conselhos e opiniões podem ainda ser muito estimados perante a população, pelo histórico de identidade com o povo local, idoneidade e isonomia (se for o caso) entre outros. Esse é, mais ou menos, o conceito de "elites naturais" elaborado por Hans-Hermann Hoppe.
  • Tano  08/12/2013 12:07
    Ontem saiu um artigo legal sobre a minha pergunta (primeira parte), a conclusão seria que não tem que defender os negócios sobre a propriedade privada, não interessa o tamanho do proprietário ou a "importância" do negócio.
  • anônimo  06/12/2013 17:28
    A visão de mundo libertária é bem superior a dos conservadores, não resta dúvida. Quando contestados contra suas idéias errôneas, os conservadores são tão histéricos quanto os socialistas.
  • Felipe  06/12/2013 21:43
    O movimento conservador americano foi extremamente viciado por neocons do pós-guerra. Antigos socialistas que viraram "de direita". São eles que querem continuar com os exorbitantes gastos militares, os demais gastos governamentais e os projetos populistas megalomaníacos dos antecessores.
  • oneide teixeira  06/12/2013 21:31
    Saul Alinksy e o Império do Radicalismo Político.
    Palestra realizada na PUC-SP por Silvio Medeiros, promovido pelo grupo de Formação Política sobre Saul Alinsky, fiel discípulo de Gramsci e mentor ideológico de Barack Obama.
    Para assistir a palestra de David Horowitz e os princípios da guerra

    www.youtube.com/watch?v=i11taVO1hIY
  • oneide teixeira  07/12/2013 04:16
    Este é melhor, todo devem olhar.

    A arte da guerra política de David Horowitz, os 6 princípios de comunicação no debate político baseado na obra de David Horowitz.

    www.youtube.com/watch?v=KNCAUfQUvJA
  • anônimo  07/12/2013 03:38
    Deixe-me começar discutindo dois possíveis significados para o termo conservador. O primeiro significado é para referir como conservador alguém que geralmente apoia o status quo; isso é, uma pessoa que quer conservar quaisquer leis, regras, regulamentos, moral e códigos comportamentais que acontecem de existir em determinado ponto no tempo. Como diferentes leis, regras e instituições políticas estão em vigor em momentos diferentes e/ou locais diferentes, o que um conservador defende depende e muda com tempo e lugar. Ser um conservador não significa nada em específico exceto gostar de uma ordem existente, seja ela qual for. O primeiro sentido pode ser descartado, então. O termo conservador deve possuir um diferente significado. O que significa e, possivelmente, só pode significar, é isto: Conservador se refere a alguém que acredita na existência de uma ordem natural, um estado natural que corresponde à natureza das coisas: da natureza e do homem. Essa ordem natural pode ser e é perturbada por acidentes e anomalias: por terremotos e furações, doenças, pestes, monstros e bestas, por cavalos de duas cabeças ou humanos de quatro pernas, aleijados e idiotas, e pela guerra, conquista e tirania. Mas não é difícil distinguir o normal a partir da anomalia, o essencial do acidental. Um pouco de abstração remove toda a desordem e permite que quase todos "vejam" o que é e o que não é natural e de acordo com a natureza das coisas. Além disso, o natural é ao mesmo tempo o estado mais duradouro de coisas. A ordem natural é antiga e sempre a mesma (apenas anomalias e acidentes passam por mudanças), e, daí, ela pode ser reconhecida por nós em todos os lugares e em todos os momentos.

    Conservador se refere a alguém que reconhece o antigo e natural através do "ruído" das anomalias e acidentes e que defende, apoia e ajuda a preservá-los contra o temporário e anômalo. Dentro do reino das ciências humanas, incluindo as ciências sociais, um conservador reconhece famílias (pais, mães, filhos, netos) e lares com base na propriedade privada e em cooperação com a comunidade de outros lares como as mais fundamentais, naturais, essenciais, antigas e indispensáveis unidades sociais. Além disso, o lar familiar representa também o modelo da ordem social em geral. Assim como existe uma ordem hierárquica em uma família, também existe uma ordem hierárquica dentro de uma comunidade de aprendizes, servos e senhores, vassalos, cavaleiros, mestres e até mesmo reis – ligados por um elaborado e intricado sistema de relações de parentescos; de crianças, pais, sacerdotes, bispos, cardeais, patriarcas ou papas e, finalmente, o Deus transcendente. Das duas camadas de autoridade, o poder físico terreno dos pais, senhores e reis é naturalmente subordinado e sujeito ao controle da autoridade espiritual-intelectual dos padres, sacerdotes, bispos, e em última instância Deus.

    Conservadores (ou mais especificamente conservadores ocidentais greco-cristãos), se eles defendem algo, defendem e querem preservar as famílias e as hierarquias sociais e camadas de autoridade material e espiritual que surgem de laços familiares e relações de parentesco.

    POR HANS-HERMANN HOPPE
  • Emerson Luís, um Psicólogo  08/12/2013 11:31

    As palavras são muito sinuosas e temos que explicar o que queremos dizer com determinados termos para prevenir maus entendidos. Às vezes pode ser melhor evitar certas palavras com certas pessoas, inicialmente.

    Se eu sou "conservador"? Depende. Conservador é aquele que conserva, a questão é o quê. Sou conservador quanto a princípios e valores elevados, mas não necessariamente quanto a paradigmas, métodos e metas.

    Da mesma forma, "progresso" significa literalmente "andar para frente". Pode ser bom ou pode ser ruim, depende de para onde vamos e de como vamos lá. Se faço um curso, espero progredir; se estou doente, espero regredir. O problema é que muitos que se intitulam "progressistas" são defensores do intervencionismo, quando os maiores progressos são feitos quando existe liberdade e responsabilidade.

    * * *
  • Sérgio  08/12/2013 19:07
    Conservadorismo não é sinônimo da manutenção indiscriminada de tudo. Trecho interessante dos Dez Príncípios Conservadores de Russell Kirk:

    "A necessidade de uma mudança prudente, recordada por Burke, está na mente de um conservador. Mas a mudança necessária, redargúem os conservadores, deve ser gradual e descriminativa, nunca se desvencilhando de uma só vez dos antigos cuidados."
  • joao  09/12/2013 01:49
    Eu ainda estou enfrentando uma batalha intelectual para saber o que é viável e mais moral: conservadorismo (no sentido clássico do termo, inglês) ou anarcocapitalismo. Deixando isso de lado, eis aqui 2 artigos do Olavo sobre essa dicotomia:

    Por que não sou liberal

    E especialmente este (mais detalhado e profundo):
    O patinho feio da política nacional

    Prestem atenção à distinção que ele faz entre liberalismo econômico, que é o tradicional, e o liberalismo político, que é a social-democracia. Os trechos a seguir foram retirados do último artigo supracitado.

    Vejam só:
    "O "liberalismo" brasileiro, unificado exclusivamente por um programa econômico, é um saco de gatos no qual têm de conviver em harmonia abortistas e anti-abortistas, adeptos e inimigos da liberação das drogas e da eutanásia, fiéis religiosos ao lado de discípulos de Voltaire e Richard Dawkins empenhados em banir a religião da vida pública. Durante algum tempo, essas divergências podem parecer desprezíveis em face da luta mais imediata contra a economia estatista. Mas isso é uma ilusão mortal. Há tempos a esquerda internacional e local já decidiu que a estatização da economia pode ser adiada indefinidamente, se não sacrificada de vez em favor da fórmula mista chinesa -- e que muito antes dela vem o combate no campo cultural, a luta contra a civilização judaico-cristã. Nessa luta, bandeiras como a liberação das drogas, a proibição da "homofobia" ou a legalização da eutanásia são prioritárias. Como se pode combater o esquerdismo concentrando o ataque num objetivo hipotético de longo prazo e cedendo ao inimigo todo o campo de batalha real e imediato onde ele já conquistou a hegemonia e tem quase o controle completo da situação?"



    Aqui o Olavo trata da questão da liberdade e a propriedade serem tratadas como princípios, o que, na opinião dele, é o grande erro dos liberais nacionais. Para ele (apoiando-se num outro autor, verificar o artigo na íntegra para mais detalhes), o liberalismo é um método que precisa de "molduras". Tais molduras podem ser os princípios conservadores - liberalismo clássico - ou revolucionários:

    "Para qualquer pessoa não intoxicada do preconceito kantiano, o direito à vida é que é fundamento da liberdade e da propriedade. Reconhecem-no implicitamente todos os códigos penais do mundo (exceto o velho código penal soviético) ao prescrever penas mais graves para o homicídio do que para a mera subtração da propriedade ou da liberdade. Fundamentar o direito à vida com base na liberdade e na propriedade é torná-lo tão ambíguo quanto elas. E aí a única solução possível é transformar o "Não matarás" num "imperativo categórico", isto é, em algo que é assim só porque o fulano sente que deve ser assim.

    Um liberal pode ter princípios, sim, e a maioria dos que conheço os têm, mas os têm enquanto indivíduos concretos e não enquanto "liberais". A incongruência da situação reside em que o método liberal, posto a serviço de princípios e valores substantivos tradicionais, constitui precisamente aquilo que nos EUA se chama "conservatism". Nesse sentido, nem Friedrich Hayek nem Ludwig von Mises jamais foram liberais: e nos EUA não há quem não os considere anjos tutelares do movimento conservador. Porém o mesmo método, separado da moldura tradicional e erigido ele mesmo em princípio, se torna uma arma terrível nas mãos do movimento revolucionário, que através dele põe a serviço da mutação cultural gramsciana milhões de idiotas úteis liberais dispostos a ceder em tudo o que não lhes pareça limitar diretamente a liberdade e a propriedade (ou, pior ainda, em tudo que pareça fomentá-las mersmo à custa de dessensibilizar moralmente a população). Muitos desses, na verdade, não são propriamente idiotas: são liberais no sentido estrito e espanhol do termo, empenhados em destruir a civilização judaico-cristã e em implantar universalmente o império do niilismo por meio da radicalização da economia de mercado transfigurada em molde e princípio para a conduta humana em todas as áreas da vida. Não é sem razão que alguns deles se gabam de ser mais revolucionários que os socialistas.
    "

    É aquilo que já disse em outro artigo daqui do IMB. No mundo real, via de regra os libertários e alguns liberais têm sido apenas idiotas úteis a serviço da agenda esquerdista (destruir os valores e a moral, para depois dominar a sociedade).
  • Eduardo Bellani  09/12/2013 11:28
    No mundo real, via de regra os libertários e alguns liberais têm sido apenas idiotas úteis a serviço da agenda esquerdista

    Você, o Olavo, ou qualquer um ainda tem que comer muito feijão com arroz pra achar que gente como Roderick Long, Herman Hoppe e Rothbard são idiotas úteis a serviço de qq agenda.

    Abraços.
  • joao  09/12/2013 12:25
    @Eduardo,

    Idiotas úteis no sentido de que vários proposições defendidas por eles acabam, no final, favorecendo a agenda esquerdista. Simples. Eles podem ser anti-estado, mas nada impede que muitas ideias deles sejam usadas "parcialmente" para acabar abrindo portas aos esquerdistas (e mais estado, consequentemente).

    Por exemplo a questão das drogas. Já vi vários "libertários" defendendo a legalização, ou seja, o estado regulando a atividade. Falta discernimento para reconhecer que não é qualquer medida ancap que pode ser implementada hoje, num mundo e numa cultura estatista. Mas grande parcela dos libertários comemora qualquer medida libertária, ignorando que meia liberdade continua sendo escravidão (e pode significar até mais escravidão, no longo prazo).

    A saber: o governo tomar uma medida libertária não necessariamente implica que teremos mais liberdade. Não necessariamente. E ao esquecer disso, libertários podem favorecer a agenda esquerdista (aquela velha história: causa o caos e depois se oferece como o salvador).

    Então mesmo bem intencionados, mesmo bem fundamentados em lógica, deve-se avaliar as consequências das suas ideias no mundo real, não em futuro provavelmente distante (numa sociedade ancap ou que largamente não confia mais no estado). Adotar "meias medidas" libertárias pode, em alguns casos, causar o tão querido caos que os esquerdistas aguardam para se oferecerem como os agentes da ordem.
  • Norbs  09/12/2013 12:50
    @João, tudo correto, mas não é necessariamente o caos que o governo quer, e sim uma geração de retardados passivos que dependem do papai estado pra quase tudo, e é nesse sentido que destruir a família e incentivar feminismo, abortismo, gayzismo etc, é de importância fundamental.
    Era isso que eu estava falando no artigo sobre cotas.
  • anônimo  09/12/2013 12:39
    Eduardo Bellani, engraçado vc citar Rothbard, justamente ele que no fim da vida virou conservador con gusto.
  • Tano  09/12/2013 11:33
    Minha opiniao: Conservadorismo deveria ser uma opcao pessoal. Anarcocapitalismo uma opcao social.
    Ou seja, voce quer manter e promover as hierarquias sociais, faca-o na sua familia, igreja, club, amizades, no seu entorno. Mas perimta o vizinho ter opcao de escolher o oposto.
  • Lopes  09/12/2013 15:06
    Francamente... João, já respondi a questionamentos pertinentes seus e espero que esta minha resposta lhe sirva mais uma vez como um veículo para espantar seus fantasmas intelectuais. Pessoalmente, abomino o uso de todas as drogas recreativas, inclusive o álcool, entretanto, como libertário; oponho-me à proibição.
    Peço que leia.

    Disclaimer:

    Confesso não ser o maior fã do Olavo de Carvalho. Entre suas obras, apenas conheço seu projeto para a biblioteca do exército brasileiro cooperado com alguns historiadores a respeito da história do exército brasileiro e, é claro, sua excelente "Aristóteles em Nova Perspectiva", uma obra cuja análise aristotélica em nada deve a Tomás de Aquino, por assim dizer. Não viso ofendê-lo, entretanto, lembro-me também de suas infames obras de início de carreira sobre astrologia, que apesar de não corresponderem intelectualmente ao Olavo filósofo que há décadas abandonou o tópico, receio; são as "pequenas vergonhas" que assombram porém humanizam qualquer autor.

    Apesar de deter certo respeito, considero-o um pensador em decadência. O Olavo de Carvalho dos True Outspeaks continua sendo combativo quanto à esquerda e necessariamente irrefreado quando está disposto a emitir críticas, mas deixa a desejar ao Olavo autor.

    Bem, chega de "data venia", analisemos suas denúncias, João:

    "É aquilo que já disse em outro artigo daqui do IMB. No mundo real, via de regra os libertários e alguns liberais têm sido apenas idiotas úteis a serviço da agenda esquerdista (destruir os valores e a moral, para depois dominar a sociedade)."

    Parto das seguintes premissas:

    > "Alguns liberais" refere-se à direita liberal.

    > Libertários são indivíduos contra a coerção legítima em quaisquer circunstâncias. Independentemente de emitidas A->B ou B). Portanto, possuem meramente um posicionamento político, podendo deter quaisquer posições morais (conservadora, "libertina" ou simplesmente indiferente).

    > Sobre a agenda gramsciana e o marxismo cultural, simplesmente partirei da premissa que seu "modus operandi" é efetivo para a implantação do socialismo e está em atividade intensa neste exato momento.

    Analisemos o tal "mundo real", provável eufemismo para as seguintes questões:

    1 - Liberação do uso de drogas.
    2 - Questão homossexual.
    3 - Multiculturalismo (no contexto europeu).
    4 - Questões gerais, vide a prostituição, pornografia, o divórcio e os jogos de azar.
    -------------------------------------------------------------------------------------
    (1)

    Não compreendo a obsessão de certos conservadores com a proibição das drogas.

    Partindo da premissa de que ao defender a liberdade dos indivíduos de consumirem drogas, os libertários estão a apoiar a agenda gramsciana e a destruição da família; os conservadores também o fazem ao permitir o consumo de álcool: O alcoolismo está relacionado a no mínimo 40% dos casos de violência doméstica, em uma análise otimista. Entre os casos analisados pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Unifesp, esteve relacionado à metade. Na análise britânica, é pior: 70% dos agressores haviam consumido álcool antes da execução das agressões

    O que é pior é que casos assim prevalecem entre as famílias mais pobres e mais suscetíveis às bondades estatais motivadas pela agenda da transformação cultural da sociedade.

    No Reino Unido: www.alcoholconcern.org.uk/assets/files/Publications/Grasping%20the%20nettle%20factsheet%20revised%20June%202010.pdf (Leia a página 2)
    No Brasil:
    www2.uol.com.br/vyaestelar/alcool_violencia.htm
    vidanovasemdrogas.blogspot.com.br/2012/05/alcool-e-violencia-varios-estudos.html
    (Infelizmente, não pude encontrar a fonte primária do Cebrid, tentarei mais tarde)

    Assim como Ron Paul, sou cético quanto a um aumento considerável no consumo de drogas caso fossem legalizadas. Não imagino um indivíduo dizendo: "não legalizem as drogas! Se as fizerem, eu vou utilizá-las! Preciso que o estado me proteja!". A guerra às drogas toma uma quantidade absurda de recursos do rebanho (pagadores de impostos) e aplica um contingente policial considerável para integrá-la e lograr resultados pífios, ambos fatores que poderiam ser melhor alocados caso não existisse.

    Além disso, as organizações criminosas agem de certa forma em colaboração com a agenda da legislação trabalhista: Jovens que enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho devido às dificuldades legais, servem de mão-de-obra para traficantes, o que os torna "vitimados sociais" para a esquerda e são transformados em grupos vitimológicos, o que os torna simpatizantes dos agentes do marxismo cultural tanto no meio intelectual como no cultural, vide os "rappers financiados pela Petrobrás".

    Na perspectiva brasileira, a situação ainda possui um agravante: os presídios. Assim como na realidade americana, a guerra às drogas cria uma grande massa de presidiários desnecessária, o que tanto eleva o gasto estatal para financiá-los (o que faz parte da agenda gramsciana) como fortalece "movimentos sociais duvidosos" de cunho ideológico marxista como o PCC e as ONGs compostas por "intelectuais bons samaritanos" que conquistam a simpatia dos mais pobres na porta dos presídios.

    O raciocínio não é nada diferente quanto aos jogos de azar. Mesmo se todas as drogas fossem liberadas, não haveria garantia alguma do fim das organizações criminosas financiadas pelo tráfico. Haveria seu enfraquecimento, obviamente, dadas as margens de lucro reduzidas na oferta de outros serviços ilegais, como os jogos de azar, que já integram parte do orçamento de diversas facções. Não estou ciente do posicionamento conservador a respeito desses, entretanto, saiba que o discurso acima também lhes caberia perfeitamente. Detalhe interessante: Sabia que anteriormente à legalização da divulgação de material pornográfico nos EUA, a máfia controlava também este mercado? Leia (breakshotblog.blogspot.com.br/2013/05/the-mafia-and-porn.html)

    Há inúmeros outros aspectos que eu poderia abordar nos quais a proibição das drogas apenas fortalece a retórica dos detentores da agenda do marxismo cultural: A divisão racial, dado que a maioria dos pobres no Brasil é composta por pardos ou negros e estes integram a linha de frente da guerra às drogas (tanto no front legal contra a polícia, como no ilegal, contra outras facções), as ONGs de liderança racial e seus representantes no legislativo utilizam os altos números de homicídios entre grupos étnicos para apoiar políticas que podem ser consideradas como "Class Warfare ou Ethnic Warfare", ambas que sob uma perspectiva do marxismo cultural, visam transformar a sociedade. Permitirei que Milton Friedman explane um outro fator relevante: o aparecimento de novas drogas como reação à guerra às drogas.


    E os libertários e a direita liberal, que fazem em tal contexto? Opõem-se à proibição das drogas tanto por motivos deontológicos primeiramente. Sob uma perspectiva consequencialista, opor-me-ei JAMAIS às palavras do Olavo de que as drogas recreativas (inclusive o álcool) enfraquecem a família e fortalecem a agenda do marxismo cultural, pois esta é uma verdade irrefutável. Entretanto, como expus no ensaio acima, sob uma perspectiva consequencialista, são os opositores à legalização das drogas que estão a colaborar acidentalmente com a agenda esquerdista - e não os libertários.

    Outros argumentos de menor credibilidade que poderiam ser utilizados:

    - Um usuário de heroína (droga ilegal) estará mais determinado a roubar de sua família ou de outros para sustentar seu vício que um viciado em álcool (droga legal), dados os preços mais elevados da substância devido à existência apenas de uma oferta ilegal. Ou seja, ele seria levado ao seu estágio socialmente danoso mais rapidamente.
    (Não o utilizo recorrentemente pois ainda falta substanciação: Tabelas de preços médios nacionais, etc.)

    - Diferentemente do álcool e do tabaco, há um pequeno desenvolvimento de tecnologias para auxiliar os usuários de drogas ilegais a abandonarem o uso, como os famosos "adesivos" e "pastilhas". Em grande parte, deve-se ao fato de que grande parte dos usuários de drogas são simplesmente presos e enterrados em clínicas estatais de péssima qualidade e com pouquíssimo incentivo para o desenvolvimento de métodos de auxílio aos seus pacientes. A legalização do consumo levaria, no longo prazo, tanto à uma maior variação nos métodos de tratamento (e à existência de competição entre os mesmos) como também à uma diminuição mesmo que pequena da indisposição dos dependentes de procurar ajuda, dado que resultaria no início do fim da estigmatização criminosa do dependente. (Não utilizo pois ainda requer estudos mais aprofundados da realidade brasileira no tratamento às drogas e também de um maior conhecimento da função do empreendimento no combate à dependência).
    __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
    (2)

    Sobre a questão homossexual, serei breve. É incrível como este tópico de conflito entre os leitores do IMB é capaz de incitar discussões ainda maiores que debates relacionados à questão das drogas. Não estou ciente do posicionamento da direita liberal, entretanto, libertários apenas concordam em um aspecto: O estado (->) deve ser retirado imediatamente da determinação dos contratos voluntários entre indivíduos, sejam estes de cunho financeiro ou pessoal.

    Agora, sob uma perspectiva consequencialista brasileira, o conflito entre conservadores, neoconservadores, intelectuais de Facebook e progressistas vêm apenas contribuindo para a transformação dos gays em mais um grupo vitimológico a ser utilizado para a realização da agenda do marxismo cultural. Em uma visão realista, nunca houve debate sobre a legalização da união estável entre homossexuais: os progressistas atropelaram a bancada opositora na câmara dos deputados, que foi demonizada (e ridicularizada) juntamente a qualquer indivíduo que ousasse defendê-la (o próprio Olavo recebeu críticas por haver refutado alguma das iniciativas mais infundadas contra o Marco Feliciano) e ficou a falar sozinha em uma câmara onde a maioria falava ao telefone ou simplesmente não prestava atenção. Os gays foram transformados em um grupo de interesse (comunidade LGBT) por seus representantes no legislativo (que receberam inúmeras honras e ganhos eleitoreiros, principalmente entre os jovens) e atualmente, qualquer um que deseje recuperar o debate sobre a união estável gay, poderá contar com apenas os votos do eleitor religioso praticante, o suicídio político nas redes sociais e com o apoio de poucos porém significativos conservadores politicamente ativos.

    Uma análise no contexto americano:

    __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
    (3)

    Sobre o multiculturalismo, é mister discriminá-lo de "melting pot", o arranjo defendido por libertários. Nas palavras do Leandro: Existe uma diferença entre "multiculturalismo" e "melting pot".

    No 'melting pot' as diversas culturas estão misturadas e integradas naturalmente, sem nenhuma política estatal voltada para forçar essa integração. Já no multiculturalismo criticado no texto, que é o movimento defendido por progressistas, tal mistura e integração ocorre forçadamente, por meio de políticas públicas que obrigam terceiros a aceitar as culturas distintas.

    Isso é explosivo, como aliás tudo que ocorre forçosamente em vez de voluntariamente.


    Recomendo o artigo e a sessão de comentários: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1554&comments=true
    __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
    (4)

    Outras questões gerais foram debatidas ao redor do item (1), resta apenas o divórcio, que também consiste em um fator que danifica a família. Como dito anteriormente, libertários são contra a saída do estado de quaisquer associações interpessoais. Defensores da filosofia que constantemente lidam com a questão, principalmente o Stefan Molyneux, manifestam-se em defesa dos homens que em geral sofrem terríveis revezes nos procedimentos de divórcio, tanto materiais como emocionais. Destaca-se neste contexto os acordos desiguais quanto à guarda dos filhos, que são especialmente desfavoráveis aos homens. Francamente, considero um ponto comum entre libertários e conservadores.


    -------------------------------------------------------------------------------------
    Espero que ao menos leia, João. Meu sermão a respeito de respostas fáceis permanece.
  • joao  09/12/2013 15:30
    @Lopes,

    Caro Lopes, em primeiro lugar devo dizer que é uma honra receber uma resposta tão bem-fundamentada. Obrigado por enriquecer o debate.

    Agora vamos aos que importa:

    Antes de tudo, devo frisar que não está em debate a questão de liberar X ou Y. Como nós sabemos, esses assuntos dão muito pano pra manga e acabam levando a perda de tempo nos debates online. Reafirmando: vamos nos concentrar na questão do uso do libertarianismo como aríete gramsciano.

    (citei a questão das drogas apenas para exemplificar o foco do debate que levantei)


    Muito perspicaz seu apontamento de que a posição conservadora típica acaba também favorecendo os gramscianos. Há a criação de caos e do exército de dependentes, e como consequência a sociedade demanda mais estado para reprimir, estado aparelhado por quem? É, pelos gramscianos.


    Entretanto, devo afirmar com ênfase que estou ciente da posição libertária autêntica, que é a ausência de interferência estatal. O problema - talvez eu não fui claro em meu comentário - é apoiar "meias liberdades", medidas que soam libertárias mas na verdade resultam em mais poder estatal. Tanto que o exemplo que eu citei foi a legalização das drogas. É a mesma coisa que apoiar as concessões. Não há nada de libertário numa concessão: o estado cede seu monopólio a uma empresa amiga e cria uma agência reguladora para engessar mais o setor. É apenas maquiagem. E pode apostar que muitos libertários/liberais aplaudiram essa cortina de fumaça, sem compreender que no final das contas acabaram concentrando mais poder no estado.

    Então, sobre o que eu disse de libertários como peões, tenha em mente o exemplo das concessões estatais. Ele resume tudo a que me refiro.

    Claro, sei que entre os libertários esclarecidos a chance de se deixar enganar é ínfima, mas me preocupo com o extremo desserviço que alguns libertários (e algumas organizações que se dizem libertárias) vêm prestando à causa da responsabilidade indidivual (= liberdade), apoiando concessões e "meia liberdade" que no final só beneficiam o estado e seus conchavos.

    Espero que tenha compreendido minha questão.

    Obrigado pela sua resposta.
  • Lopes  09/12/2013 16:34
    Caro João, primeiramente agradeço pela consideração. Foi de fato uma resposta trabalhosa de se elaborar devido ao quão abrangente tinha de ser. Entretanto, vamos aos pontos:

    Dado que sua crítica não está relacionada ao libertarianismo como filosofia por si mas sim ao comportamento de certos libertários, liberais e suas organizações, gostaria que fosse um pouco mais específico quanto a quem ou às quais instituições refere-se e também quanto às divulgações que lhes comprometem frente às suas filosofias. Também seria extremamente útil se dirigisse sua crítica diretamente a eles, se possível, pois não posso falar por quem não represento.

    Apenas gostaria de pedir que fosse mais cauteloso na próxima vez.
  • joao  09/12/2013 18:09
    @Lopes,

    Dado que sua crítica não está relacionada ao libertarianismo como filosofia por si mas sim ao comportamento de certos libertários, liberais e suas organizações, gostaria que fosse um pouco mais específico quanto a quem ou às quais instituições refere-se e também quanto às divulgações que lhes comprometem frente às suas filosofias. Também seria extremamente útil se dirigisse sua crítica diretamente a eles, se possível, pois não posso falar por quem não represento.


    Quer um exemplo claro? Os que se autointitulam "left libs" (left libertarians) e o pessoal do Portal Libertarianismo. Depois vc dá uma olhada, se puder, nos repetidos posts "políticamente corretos".

    Mas tudo bem. Referencio esse pessoal apenas como exemplos de libertários-peões, onde qualquer concessão estatal já é dada como vitória da liberdade individual. Que sirvam de exemplo aos verdadeiros libertários. Talvez esse seja o tal radicalismo que Rothbard falava.... não se enganar com as concessões à liberdade dadas pelo estado.
  • TL  09/12/2013 12:18
    Caro João, esse seu comentário trata de um assunto extremamente pertinente.

    A alternativa do Anarcocapitalismo provavelmente resulta em uma moral Subjetivista Kantiana [por isso a discordância do OdC].

    Sobre a moral Subjetivista Kantiana, eu recomendaria o seguinte artigo da Andrea Faggion: Subjetivismo Kantiano x Objetivismo.

    Apesar da publicação tratar da diferença entre o Subjetivismo Kantiano versus Objetivismo (Rand), entendo que essa publicação pode contribuir. Ao contrário do que o nome sugere (Subjetivismo Kantiano), na verdade essa moral é uma simbiose entre ética objetiva e moral subjetiva.

    Então, existiria uma conduta universalmente aplicável [a ética], entretanto os princípios morais do indivíduo seriam subjetivos. E por que os princípios morais seriam subjetivos? Porque o propósito final da vida humana seria a busca da sua própria felicidade*. Exatamente nesse ponto, existe uma ruptura entre os Conservadores e Kantianos, pois o propósito da vida humana para um conservador não seria a busca da sua própria felicidade, mas sim, a redenção perante Deus.

    Esse problema extremamente é complexo, para o qual não tenho uma resposta**. Apenas escrevi esse comentário com objetivo de compartilhá-lo a outros que eventualmente passam pelo mesmo dilema. Ressalto que sou apenas um leigo nesse complexo assunto!

    Obs.: A alternativa utilitarista, conforme a Andrea Faggion, seria uma moral contraditória ao próprio Anarcocapitalismo.

    *Elucubração rápida I: aqui cabe salientar que um indivíduo poderia ter como moral subjetiva o hedonismo e libertinagem. Algo certamente reprovável para um conservador. Ou para ser mais enfático, sob a moral Subjetiva Kantiana, o caso MeiWes e Gosnell não seria reprovável eticamente [Gosnell se ofereceu voluntariamente para ser canibalizado por Meiwes].

    **Elucubração rápida II: talvez a alternativa anarcocapitalismo e moral conservadora seja a melhor, mesmo que Deus não exista. A vida seria uma grande mentira, porém nós nunca saberíamos que estivemos errados [risos!!].
  • joao  09/12/2013 12:38
    Elucubração rápida II: talvez a alternativa anarcocapitalismo e moral conservadora seja a melhor, mesmo que Deus não exista. A vida seria uma grande mentira, porém nós nunca saberíamos que estivemos errados [risos!!].

    Meu caro TL, você pegou o ponto da questão!

    Também já penso há algum tempo que uma sociedade amoral, sob qualquer sistema político será terrível. E às vezes temo que muitos libertários brasileiros esquecem que a realidade cultural dos EUA (fonte intelectual dos libertários nacionais) é completamente distinta da brasileira. Há uma forte tradição cristã, conservadora e fraterna entre os americanos, uma longa tradição de associações voluntárias e de pragmatismo. Basta ler um pouco de Tocqueville para entender o que eu digo.

    Só que tenho a impressão que eles simplesmente interpretam o material libertário americano como se aqui a população, a cultura e as instituições fossem idênticas. E negar a relevância destes aspectos na determinação do tipo de vida em sociedade que um povo tem é absoluta ignorância, coisa que me surpreenderia de encontrar entre os libertários.

    Por isso que acredito tanto que o foco dos esforços libertários devem ser a educação. Sem mudar a mentalidade, formar uma (alta)cultura (e não essa militância que temos hoje, chamada de 'cultura'), por melhores que sejam suas ideias, eles não avançarão por aqui. Os EUA ainda têm alta cultura, já o Brasil...
  • Tano  09/12/2013 13:11
    Minha opiniao (nao estou relacionado ao site):

    JOAO: O site nao teria esse foco? Ir mudando a mentalidade das pessoas? Nao se muda a mentalidade das pessoas com debate, idéias, etc?. O que teriam que fazer os libertarios para mudar a cultura/educacao das pessoas? Quem sabe lutar para que nao seja o Estado quem regule a educacao das pessoas.

    Eu acho que a sua preocupacao é também uma desculpa dos socialistas para se intrometer mais no sistema: "Temos que resolver tudo pelos pobres porque eles nao conseguem, eles nao tem educacao". E acho que quanto menos liberdades temos mais burros ficamos. Nao sabemos quanto custam as coisas de verdade (subsidios, proibicoes, taxas diferentes para diferentes produtos), nao administramos a nossa poupanca, nem podemos escolher a educacao, a saude, e a seguraca básica. So podemos escolher a que pagamos por segunda vez, já que todos pagamos a primeira obrigatoriamente, e geralmente ela está extremamente regulada. Ah, nao podemos fumar maconha porque vai nos fazer mal. Mesmo que nao recebamos nem um tustao do governo e seja nosso problema.


    Entao para deixar o povo mais inteligente: De mais liberdade a ele. Essa é a minha opiniao.
  • joao  09/12/2013 13:19
    @Tano,

    JOAO: O site nao teria esse foco? Ir mudando a mentalidade das pessoas? Nao se muda a mentalidade das pessoas com debate, idéias, etc?. O que teriam que fazer os libertarios para mudar a cultura/educacao das pessoas? Quem sabe lutar para que nao seja o Estado quem regule a educacao das pessoas.

    É exatamente o que o IMB faz. Por isso ele é vital nesse propósito. Quando me refiro à educação é educação de verdade, não o lixo doutrinário das escolas públicas. Por isso que todo governo morre de medo do homeschooling.

    As 2 coisas que sustentam o estado:

    1) Educação
    2) Banco Central

    Em ordem de importância.
  • Guilherme br  10/12/2013 00:53
    O problema do debate Conservador x Libertário é que ambos são, na maioria das vezes, pessoas que se identificam com a busca da verdade. É por isso que não conseguimos nos unir. Nos prendemos no menor nuance observável e debatemos a exaustão a correlação entre a palavra e a realidade. Enquanto isso a esquerdalhada, que só tem m... na cabeça passa o tempo todo se auto-felando e cuspindo nos outros.
  • Carlos  06/04/2014 14:53
    Este tal conservadorismo precisava de um nome melhor. Dá para associar a palavra conservador a muitas coisas que muitas hoje nada parecem com o conservadorismo de Burke. Conservar o que? Sendo que a sociedade não é estática o que um momento os conservadores queriam conservar pode não existir mais em outro momento. Alguém que não queria a abertura política e econômica da URSS era um conservador? Com um termo podendo referenciar tanta coisa fica fácil cair num espantalho quando debatendo contra um dito conservador.

    Todavia não vejo o conservador como alguém que preze somente pelo status quo. Está mais para uma mentalidade de "no time que está ganhando não se mexe". É olhar com cautela, não com desdém, para as ideias progressistas - nem tudo que é novo é melhor. Nessa visão um conservador não apoia golpes, logo nunca que a ditadura militar brasileira poderia ser conservadora(mas a mesma não tinha muitos traços nitidamente progressistas?).


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