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Seis lições sobre prosperidade e pobreza

Afinal, o que seria necessário para que o Brasil de fato se torne o país do futuro?

Deixando de lado a fixação dos analistas na imprensa pelos agregados macroeconômicos correntes e a errônea crença do governo de que o investimento pode ser aumentado de forma consistente por meio de políticas públicas de curto prazo, como explicar, sem recorrer a detalhes técnicos ou a disputas teóricas, quais são os fatores que fariam que as crianças do presente, quando crescerem, desenvolvam suas carreiras em uma economia cheia de possibilidades e não tenham seus talentos desperdiçados em um país estagnado, marcado por crises recorrentes?

Se eu dispusesse de apenas um minuto, a resposta seria a seguinte: a prosperidade depende de instituições compatíveis com a liberdade individual, que garantam o direito de propriedade privada e limitem o escopo das alocações de recursos via decisões políticas.  Neste artigo, irei enfatizar alguns pontos fundamentais dos ensinamentos de seis grandes economistas. Essas lições, em conjunto, nos mostram os pré-requisitos para a prosperidade no longo prazo.

Os economistas escolhidos para expressar a mensagem não são necessariamente os teóricos mais originais, os mais famosos ou os mais importantes. Muitos dos maiores economistas não aparecem na nossa lista. Com frequência, em especial na nossa época, o virtuosismo técnico é acompanhado das opiniões políticas mais absurdas. O que buscamos é apenas utilizar a obra dos autores escolhidos para salientar o que considero os elementos cruciais para uma economia próspera. Além disso, os economistas listados são aqueles que fornecem algumas das peças principais que compõem a visão de mundo que informa o presente livro.

Dito isso, vamos às lições.

A lição de Turgot: a prosperidade depende do progressivo uso de bens de capital, que elevam a produtividade do trabalho.

Essa produtividade, ou seja, a produção por tempo de trabalho de bens desejados pelas pessoas cresce com a quantidade, qualidade e variedade de bens de capital empregados na produção. Turgot, assim como virtualmente todos os grandes economistas desde então, enfatizou a importância do acúmulo de capital e da poupança que o viabiliza.

Robinson Crusoé obtém mais peixes se, em vez das próprias mãos, utilizar sucessivamente lanças, anzóis, redes e barcos na pesca. Para que isso ocorra, é necessário reduzir o consumo presente e a poupança de recursos disso resultante ser utilizada para investimento em bens de capital. Crusoé deixa de pescar pela manhã para produzir lanças, aumentando a quantidade de peixes obtidos à tarde. Do mesmo modo, os países enriquecem quando houver poupança canalizada para investimento em bens de capital, aumentando a produtividade do trabalho futuro e os países fracassam quando a poupança for corroída pelo financiamento do estado, predominando e a mentalidade de curto prazo.

O aumento de produtividade resultante do uso cada vez mais intensivo de capital físico e humano, porém, não ocorre por motivos físicos, materiais. Suas causas últimas são institucionais, conforme veremos na segunda lição.

A lição de Smith: o crescimento econômico resultante da poupança e acúmulo de capital depende de instituições liberais, favoráveis ao desenvolvimento do livre comércio.

Adam Smith foi o primeiro economista a perceber o fenômeno do crescimento econômico e elaborar uma explicação correta para o fenômeno. Autores como Cantillon e Condillac, apesar de terem criado teorias econômicas mais sofisticadas que Smith, acreditavam que, eliminadas certas restrições à atividade econômica, a produção atingiria seu potencial máximo, limitado em última análise pela quantidade de terra disponível em um país. Smith foi o primeiro a perceber que, pelo contrário, o bem-estar em uma sociedade pode aumentar continuamente.

A chave para o crescimento, no entanto, não reside no conceito de especialização ou divisão do trabalho, encontrado no início da Riqueza das Nações. A explicação última do fenômeno é de ordem institucional. Para o autor, o progresso depende daquilo que ele denomina de "sistema de liberdades naturais". Se um país for governado por leis impessoais (e não pelos caprichos de governantes com poder ilimitado) e essas leis garantirem o direito de propriedade privada, então vale a pena para os agentes econômicos se especializarem na fabricação de certos bens, pois a especialização aumenta drasticamente a produtividade e a qualidade das regras do jogo garante que essa produção maior possa ser trocada nos mercados com vantagem para todos.[1]

Se, por outro lado, tivermos instituições mercantilistas (hoje em dia diríamos intervencionistas), a concorrência seria substituída por monopólios legais que exploram os consumidores e que se acomodam a essa situação. A comparação entre essas duas modalidades de incentivos institucionais nos leva à próxima lição.

A lição de Bastiat: a prosperidade ou a estagnação dependem da comparação entre os ganhos esperados de se dedicar à atividade produtiva ou à atividade predadora do trabalho dos outros. O predomínio dessa última freia o desenvolvimento econômico.

Bastiat nos ensina que existem apenas duas formas de interação social: trocas voluntárias ou roubo. A História seria marcada de fato pela luta de classes entre exploradores e explorados. A exploração assumiu historicamente várias formas, como escravidão, teocracia, servidão e, modernamente, tributação extorsiva. As fases de prosperidade e declínio das civilizações estão associadas respectivamente ao predomínio da atividade de produção e predação.

Concretamente, devemos observar se os jovens em nossas cidades sonham em se tornar médicos, engenheiros e programadores ou se estudam editais de concursos públicos. Se as instituições favorecem a atividade de predação, mais pessoas se dedicam a esse tipo de atividade. No limite, não sobra muito para ser roubado e, nas palavras de Bastiat, o estado se transforma na grande ficção pela qual todos buscam viver à custa dos demais, e a estagnação impera.

O poder político e o estado grande moderno deslocam o equilíbrio na direção de maior predação. Políticas governamentais de curto prazo geram estímulos visíveis para determinados setores produtivos, ao passo que os custos dessas políticas de incentivos são invisíveis, pois ocorrem em momentos posteriores e são arcados por todos os outros membros da sociedade. O aspecto trágico disso reside na dificuldade que a maioria tem de atribuir esses custos às suas causas, conforme explicado na próxima lição.

A lição de Buchanan: nas economias modernas, a lógica da atividade política faz com que a maioria seja explorada por grupos de interesse, limitando no longo prazo o crescimento econômico.

Buchanan ousou contrariar a concepção romântica dos cientistas sociais a respeito do funcionamento do estado. Em vez de um estado incorpóreo preocupado com o bem-estar coletivo, Buchanan utiliza o mesmo pressuposto de autointeresse empregado na teoria econômica: suas teorias supõem que os políticos gostam de poder e os funcionários públicos, de renda.

Durante o processo democrático, os eleitores são racionalmente ignorantes, pois a chance de um voto mudar o resultado das eleições é minúscula e ao mesmo tempo o monitoramento da ação de um político requer informações custosas, tais como a compreensão das teorias econômicas e a observação das atividades pouco transparentes dos agentes do estado. Eleitores desinformados atuando lado a lado com políticos sedentos de poder faz com que estes últimos favoreçam os interesses de grupos de firmas que buscam privilégios legais, sustentados pela maioria dos eleitores.

Concretamente, produtores de brinquedos obtêm vantagens se o governo impedir a competição externa pelo uso de altas tarifas de importação, sem que os pais das crianças entendam porque a diversidade de produtos diminuiu e os preços se tornaram tão caros. Vale a pena para os poucos produtores formarem associações para pressionar os políticos a adotarem medidas de seu interesse, ao passo que não vale a pena participar de uma associação de consumidores de brinquedos, pois somos consumidores de diversos produtos: o interesse do consumidor não é tão concentrado em um setor como os interesses de cada produtor.

Os privilégios legais obtidos pelos produtores são trocados por favores aos políticos, como doações das firmas para campanhas eleitorais dos partidos e por recursos lícitos e ilícitos transferidos aos burocratas. A competição entre produtores por privilégios legais, atividade chamada de rent-seeking, desvia recursos escassos que poderiam ser empregados de forma produtiva. A competição nos mercados dá lugar à competição na esfera política. Isso impede o aumento de produtividade que caracteriza o crescimento. Caminha-se assim para uma sociedade marcada pela exploração, como descreveu Bastiat.

A exploração da maioria pela aliança entre governos e grandes firmas não é alimentada apenas pelo autointeresse. Se assim fosse, talvez fosse mais fácil separar mocinhos de bandidos. O entrave imposto ao crescimento pela atividade de rent-seeking é alimentado na verdade pelas melhores das intenções. Na próxima lição, vamos reestabelecer a hipótese de governo angelical e mostrar que, mesmo assim, os entraves ao crescimento impostos pelo estado grande e interventor surgem como consequências não intencionais da atividade política, mesmo se esta fosse bem intencionada.

A lição de Hayek: o crescimento no longo prazo depende de mais espaço para mercados livres, pois o aumento da especialização torna progressivamente mais complexa a tarefa de coordenar as ações individuais e ninguém é capaz de centralizar toda a informação necessária para empreender tal tarefa.

A divisão do trabalho de que nos fala Smith, se por um lado aumenta a produtividade, por outro aumenta a complexidade da tarefa de coordenação das atividades. Concretamente, se cada produtor deixar de produzir tudo o que consome e se especializar em um conjunto pequeno de bens, todos passam a produzir bens para pessoas desconhecidas, cujos planos de ação tampouco são acessíveis. Como tomar decisões sobre o que, como, quanto e quando produzir se cada um possui apenas uma pequena fração do conhecimento necessário para que todos os planos sejam consistentes entre si?

Nos mercados, as variações nos preços dos bens nos ajudam a corrigir as ações individuais, fazendo com que cada empresário procure novas fontes de insumos, novos nichos de mercado a serem explorados, novas firmas para trabalhar. Quanto maior o crescimento econômico, mais complexa será a economia e mais difícil avaliar o valor que um recurso obteria em usos alternativos.

Imagine então uma agência estatal reguladora, dessa vez bem intencionada, mas cujos gerentes possuem conhecimento falível. Nesse ambiente, a regulação estatal impõe sua concepção prévia, necessariamente simplista, sobre o valor dos usos alternativos dos recursos. Isso reduz a eficácia do mecanismo de experimentação que marcaria os mercados livres. Os empresários possuem assim menor liberdade para experimentar soluções diferentes, barrando o aprendizado por tentativas e erros. Para Hayek, a defesa principal da liberdade individual repousa, em última análise, no reconhecimento das limitações do conhecimento dos agentes. As grandes inovações que revolucionaram o mundo e impulsionaram o crescimento econômico ocorreram nas áreas livres do controle burocrático dos modernos estados grandes. O progresso técnico e as inovações dependem da liberdade econômica, não de investimento em pesquisa dirigido por agências de fomento à pesquisa.

Com o desenvolvimento da teoria econômica moderna, aumentou a nossa compreensão a respeito da complexidade do problema alocativo, ou seja, sobre a importância do sistema de preços livres para que os recursos escassos sejam dirigidos para a obtenção dos bens mais desejados pelos consumidores, dado que cada um de nós possui parcela verdadeiramente minúscula dos dados necessários para que essa tarefa fosse realizada de forma consciente, centralizada. Essa compreensão superior do problema econômico fundamental nos leva ao aperfeiçoamento do programa smithiano de análise institucional comparada, completado na nossa última lição.

A lição de Mises: o fracasso de alguns países em suas tentativas de gerar crescimento econômico é causado pelos defeitos inerentes ao sistema econômico adotado no presente, denominado intervencionismo. O socialismo tampouco é alternativa viável, já que é impossível alocar recursos de forma econômica em tal sistema.

O sistema de preços nunca gera uma alocação ótima de bens. Mas isso não é desculpa para condenar os mercados livres. Estes devem ser comparados com alternativas concretas, todas elas utilizando os mesmos pressupostos hayekianos sobre conhecimento limitado e buchanianos sobre autointeresse dos agentes. Quando empreendida tal comparação, obtemos as conclusões às quais Mises já havia chegado quase um século atrás. Para Mises, uma sociedade socialista, mesmo se habitada por anjos, não seria um sistema econômico viável, pois, sem propriedade privada, não teríamos mercados genuínos, com preços que refletem o valor dos bens em seus usos alternativos. Sem propriedade, mercados e preços — que, em conjunto, viabilizam o que esse autor denomina de "divisão intelectual do trabalho" —, teríamos dirigentes socialistas que não poderiam planejar uma economia por falta de conhecimento sobre como alocar recursos escassos.

Além de mostrar que o socialismo é impossível, Mises nos ensina que o sistema econômico intervencionista no qual vivemos é inerentemente instável. Nesse sistema, falhas de governo são atribuídas a falhas de mercados, de modo que o fracasso das intervenções gera demanda por mais intervenções, o que resulta em um processo que leva ao crescimento do estado e acúmulo de erros e distorções causados pelas intervenções. As crises do intervencionismo levam ou a mais controle, o que agrava ainda mais a situação, ou a fases de liberalização, que aliviam o problema, até que o processo se reinicie ou até que as pessoas parem de associar os males da realidade ao conceito marxista de "capitalismo" e voltem a analisar a realidade como exemplo de sistema econômico intervencionista, como faziam os economistas clássicos desde Smith.

Conclusão

O país, para crescer, precisa de menos estado e mais liberdade, de mais garantias de propriedade privada e de menos intervenções estatais, de mais regras impessoais e menos privilégios a firmas amigas do poder, de mais investimento privado e menos gastos públicos e impostos, de mais investimentos baseados em critérios econômicos e menos investimentos baseados em critérios políticos, de mais comércio e menos protecionismo, de mais empreendedorismo livre e menos dirigismo.

O exame histórico das ascensões e declínios econômicos das civilizações antigas e modernas ilustra de forma eloquente o que foi dito ao longo dessas seis lições. Outro passo importante para o convencimento do poder explanatório das teorias mencionadas aqui: sugerimos o abandono da prática ideológica que atribui qualquer notícia boa aos governos e qualquer notícia ruim ao "capitalismo", em favor da análise realista de que vivemos em uma economia mista, o que significa que temos de separar causas e efeitos no que diz respeito aos aspectos livres e controlados das economias reais. Para tal, é muito interessante o exame das relações entre as medidas de crescimento econômico e os índices que classificam os países segundo seu grau de liberdade econômica.



[1] Ricardo, mais tarde, viria a estender o argumento de Smith, mostrando que a especialização e o comércio são benéficos para todos mesmo se uma das partes for mais produtiva na produção de todos os bens. Nesse caso, podem-se explorar as vantagens comparativas do comércio.



autor

Fabio Barbieri
é mestre e doutor pela Universidade de São Paulo.  Atualmente, é professor da USP na FEA de Ribeirão Preto.



  • Henrique Mareze  12/10/2013 18:47
    Perfeita análise! Ótimo artigo. Menos estado e mais liberdade!!
  • Dalton C. Rocha  12/10/2013 21:06
    "É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Para cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a." > www.oexplorador.com.br/site/ver.php?codigo=15400
  • Mauro Fraga  07/07/2017 23:19
    Se tu se refere aos programas como o Bolsa Familia no teu comentário, eu devo dizer que é um equivoco interpretar desta forma os programas sociais instalados no Brasil. A base do raciocínio está correta. Porém, Não é verdade, no Brasil, que a metade trabalha para sustentar a outra metade. Na verdade, quem mais ganha dinheiro, no Brasil, nunca trabalha para merecer mais do que 20% do que ganha. Quem mais paga impostos no nosso país são os pobres e a classe média. Estes merecem ter como retribuição escolas gratuitas, água vendida sem lucros exorbitantes e transportes a um valor aceitável. Por fim, em geral, os programas sociais existem por infinitas boas razões (que tu deverias investigar). A principal é: Não podemos construir uma Sociedade realmente boa para se viver se todos não tiverem igualdade de oportunidades, independente do tamanho de sua economia (veja a Noruega).
  • anonimo  12/10/2013 23:54
    Boa noite.

    Logo no começo: "Além disso, os economistas listados são aqueles que fornecem algumas das peças principais que compõem a visão de mundo que informa o presente livro. "

    Qual livro?

    Obrigado.
  • Equipe IMB  13/10/2013 00:06
    Este artigo é o primeiro capítulo de um livro do professor Barbieri que será lançado mês que vem pelo IMB.
  • Henrique Paiva  14/10/2013 14:47
    Eu abri os comentários para perguntar justamente isso. É muito comum os artigos aqui não citarem a fonte e/ou data de publicação adequadamente, perdem-se muitas oportunidades de divulgação como essa, ou dificulta que o leitor busque mais informações que o interessam.
    Já fiz críticas antes sobre isso, existe algum motivo que não estou percebendo para ser assim?
  • Leandro  14/10/2013 14:55
    Sempre que um artigo é retirado de um trecho de livro, isso é informado. Quando se trata de um artigo avulso -- como é a esmagadora maioria dos artigos deste site -- não há fonte a ser informada.

    Quanto à data, ela está especificada ali na cabeça do artigo.

    De resto, estamos sempre à disposição para responder a perguntas específicas do leitor, que é livre para perguntar a fonte e a data quando esta não for explicitamente informada. Por fim, e com todo o respeito, não temos de dar satisfação a ninguém a respeito de nossa política editorial -- talvez apenas aos nossos doadores regulares.

    Agradecemos a compreensão.
  • Henrique Paiva  14/10/2013 16:52
    Nem sempre Leandro, já li diversos trechos de livros aqui sem citações de onde foram extraídos. Percebo mais nos artigos do Mises, talvez por que tenho um pouco mais de familiaridade com sua obra.
    O que eu sinto falta é da referência da publicação e data na qual os artigos foram originalmente publicados, mas talvez eu dê importância excessiva a essas coisas; não tinha pretensões de interferir na política editorial.

    Obrigado pelo esclarecimento.

    Abraços.
  • Daniel  13/10/2013 03:25
    Que o IMB publique mais e mais artigos do prof. Barbieri. Sem dúvida um intelectual de primeira linha.

  • Gredson  13/10/2013 04:43
    Excelente artigo. confesso que não teve como não pensar no Brasil, ao ler o seguinte trecho:

    "Concretamente, devemos observar se os jovens em nossas cidades sonham em se tornar médicos, engenheiros e programadores ou se estudam editais de concursos públicos. Se as instituições favorecem a atividade de predação, mais pessoas se dedicam a esse tipo de atividade. No limite, não sobra muito para ser roubado e, nas palavras de Bastiat, o estado se transforma na grande ficção pela qual todos buscam viver à custa dos demais, e a estagnação impera."

  • Mauro Fraga  07/07/2017 23:35
    O problema desta afirmação de que os funcionários públicos são predadores dos impostos da Sociedade é o a mensagem equivocada, porém, com muito má intenção do autor, afirmando que os "funcionários públicos" concursados são os predadores do sistema quando, na verdade, ele sabe muito bem que o funcionário concursado é o que menos tem poder de gerenciar ou ingerir na politica ou no sistema, muito menos se locupletar das finanças de qualquer orgão publico. Outrossim, há muitos benefícios para a carreira pública. Estes beneficios funcionam como estímulo para estes funcionários pois ao serem bons o suficiente para passarem num concurso público significa que teriam prosperidade no serviço privado e competitivo. Os que assolam o país com seus desmandos são os mesmos que se beneficiam da ideologia do autor que querem explorar o trabalho assalariado com o mínimo de beneficios sociais concedidos ao trabalhador, que é a pregação do Neoliberalismo, pois invariavelmente os empresários são os mantenedores das campanhas dos políticos neoliberais...
  • Arthur  08/07/2017 00:12
    E o pior é que eu comecei a ler seu comentário realmente acreditando que viria algo de diferente e até mesmo desafiador. Ledo engano. Foi só mais um festival de clichês e lugares-comuns típicos de um Diretório Acadêmico de Universidade Federal. Uma lástima.

    Para você:

    Assim se destrói um país

    Como é empreender no Brasil

    No Brasil, os incentivos estão invertidos - mas vai dar tudo certo

    A parábola da improdutividade

    Você sabe o que realmente significa 'neoliberalismo'?
  • Pepe Legal  14/10/2013 11:44
    Uma conclusao meio obvia sobre economia de estado (governo + grandes empresas) é q as proprias empresas sao a favor desse modelo. Acredito que as empresas enquanto pequenas e de minima importancia lutam por um livre mercado. Contudo tao logo elas se tornam maiores mais elas vao requerer subsidios e reservas de mercado.
    Como mudar um sistema q é controlado e bem quisto pelo governo e grandes empresas?
  • Emerson Luis, um Psicologo  14/10/2013 12:54
    Ótima síntese, Fábio Barbieri! E é muito bom saber que existe vida economicamente inteligente na USP, pensava que só tinha keynesianos e neomarxistas lá!

    Um sintoma do primeiro ponto é que regularmente se noticia a expectativa de aumento de consumo em períodos especiais como o Natal (e depois se a expectativa se cumpriu ou não), mas quase nunca se fala da produtividade.

    PS: Alguém já viu "O Livro da Economia" da Editora Globo? Estou em dúvida se seria bom comprá-lo. Ele cita Mises, Hayek e outros liberais. "O Livro da Filosofia" foi razoavelmente bom, explicou Smith e até criticou Marx.

    * * *
  • Fábio Souza  14/10/2013 22:28
    Excelente artigo! Precisamos de mais intelectuais desta categoria no Brasil.
  • Outro  15/10/2013 12:50
    Ok, das seis lições cinco falam sobre a mesma coisa: liberdade para os mercados. A outra fala sobre a acumulação de capital.

    Não tem papel para o capital humano na economia mais não? Externalidades são ficção também?
  • Mago  15/10/2013 14:35
    O capital humano é de extrema importância, mas ele sozinho não faz milagres. Embora o capital humano de fato seja essencial, ele não é absolutamente nada se não estiver munido de máquinas e equipamentos que permitam que todo o seu potencial frutifique.

    Coloque um gênio para arar terras na Índia com um ancinho e coloque um indiano médio para trabalhar em uma empresa americana munida dos mais sofisticados computadores e produtos tecnológicos. Qual dos dois será mais produtivo? Qual acabará sendo mais rico?

    Além do capital humano, o que gera riqueza é divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), segurança institucional, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc. No extremo, se a capacidade intelectual da população for baixa (isto é, se a população for burra), a mão-de-obra terá de ser importada.
  • anônimo  15/10/2013 19:11
    'Embora o capital humano de fato seja essencial, ele não é absolutamente nada se não estiver munido de máquinas e equipamentos que permitam que todo o seu potencial frutifique.'

    Isso não faz o menor sentido. Num suposto mundo onde não exista nenhuma máquina vai ser o próprio capital humano que vai usar sua criatividade e criar as máquinas.
  • Mago  15/10/2013 19:31
    Correto, mas aí é o equivalente a discutir quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

    Veja a coisa por esse lado: o capital humano constrói os bens de capital. Os bens de capital são exportados para uma localidade cujo capital humano é de baixo nível. Tais bens de capital passam a ser usado por esse capital humano de baixo, o que se torna mais produtivo. Logo, os bens de capital fizeram a diferença.

    Agora veja por este outro lado: um capital humano qualificado é mandado para uma localidade sem nenhum bem de capital e sem nenhuma poupança e recursos físicos para construir bens de capital. Pode esta localidade enriquecer? Acho difícil.
  • Occam's Razor  15/10/2013 19:46
    Veja a coisa por esse lado: o capital humano constrói os bens de capital. Os bens de capital são exportados para uma localidade cujo capital humano é de baixo nível. Tais bens de capital passam a ser usado por esse capital humano de baixo, o que se torna mais produtivo. Logo, os bens de capital fizeram a diferença

    Lembrando que esses bens de capital podem ser construídos usando outros bens de capital. Imagine construir e montar um trator ou uma ferrovia usando apenas o corpo humano? Seria um fardo terrível. Na prática são usados diversos equipamentos e ferramentar. Por isso se usa a expressão acumulação de capital como uma forma de se indicar esse processo de enriquecimento de uma economia.
  • anônimo  15/10/2013 20:30
    'Correto, mas aí é o equivalente a discutir quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?'
    Claro que não, o homem sempre vem primeiro.Foi o primeiro neandertal que construiu as primeiras ferramentas de pedra e ossos, e depois dominou os metais, o fogo etc.
    Sem um cérebro não existiria nada.
  • anônimo  15/10/2013 14:39
    Outro, sugiro fortemente que comece por aqui:

    Dez lições de economia austríaca para iniciantes
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1397
  • Renato Souza  17/10/2013 19:42
    Creio que o Mago quer dizer que há uma longa linha de acumulação de capital, ao longo dos séculos, que permite a construção de mais capitais. São Fabricados hoje naves espaciais, computadores impressionantes, robôs, aviões de ultima geração. Mas pense num grupo de pessoas inteligentes e capacitadas abandonadas numa enorme ilha deserta. Quanto tempo eles demorariam para recriar uma civilização com o mesmo nível técnico da nossa? Suponho que várias gerações. Teriam de começar com ferramentas de pedra, buscar sobreviver, construir e acumular pouco a pouco o capital. Você vê um aparelho de ressonância magnética hoje porque um dia, muitos milênios atrás, alguém fez uma machado de pedra.

    Mas isso não quer dizer que capital humano não é importante. Troque as populações da Coreia do Sul e do Sudão. Em duas gerações a Coreia do Sul terá se transformado num Sudão e o Sudão terá se transformado numa Coreia do Sul. Talvez não exatamente, porque os sudaneses poderão tirar algum proveito de bens acumulados, sejam residências, fábricas ou infraestrutura. Mas seria um proveito muito menor que o que os coreanos dariam a esses bens. Com o tempo, grande parte do capital acumulado se deterioraria ou se tornaria obsoleto. A não ser que os sudaneses, realocados na Coreia do Sul. contratassem estrangeiros mais qualificados, que poderiam ser os coreanos, agora realocados no antigo Sudão, por exemplo... o que só evidencia a importância do capital humano.

    Tempos atrás os israelenses resolveram se retirar unilateralmente de Gaza. As pessoas foram retiradas a força de suas casas. Eu imaginava que a população local, se apossando dos bens de capital e infraestrutura deixados, obteriam ganhos. Nada disso aconteceu. Estufas, instalações, equipamentos, foram sistematicamente destruídos.
  • Jeferson  22/10/2013 13:12
    É importante lembrar que o Capital Humano só é capaz de desenvolver outros capitais caso este consiga poupar. É preciso haver suficiente abundância para uma pessoa num local isolado conseguir dedicar algum tempo e esforço à construção de ferramentas que aumentem sua produtividade. Dependendo do nível de preocupação que ele tiver com sua própria sobrevivência (por exemplo, devido a uma grande dificuldade em se conseguir comida e água), nem um machado de pedra o gênio do primeiro exemplo vai conseguir produzir.

    Ninguém está questionando a importância da inteligência, conhecimento e trabalho humanos, apesar da frase não muito feliz do Mago. Só que o capital humano sem outros tipos de capital possui sérias limitações de produtividade. Tanto que todos os exemplos que foram dados, de pessoas pouco qualificadas com equipamentos mais complexos conseguirem ser mais produtivas do que pessoas muito qualificadas sem equipamentos, são reais. O "gênio na Índia" só conseguiria construir um arado, e partir do arado pra um trator se conseguisse poupar.
  • anônimo  17/10/2013 22:52
    Claro que os dois são importantes.Mas se a pergunta for:qual é o MAIS importante? É claro que é o ser humano. Bote um Jack Welch e uma Dilma pra administrar empresas equivalentes, com os mesmos recursos e veja quem vai mais longe.
    Eu achava que os liberais já tinham se vacinado contra essa besteira de igualdade. As pessoas são assim mesmo, umas são mais inteligentes e capazes do que outras, é a vida.


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