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Keynes e suas simpatias pelos "experimentos" do nazismo e do fascismo

Este artigo é a segunda parte do texto É verdade que Keynes era um liberal? Todas as referências bibliográficas estão contidas ao final do referido artigo

 

Outras razões para se pôr em dúvida o liberalismo de Keynes se devem à sua atitude, nas décadas de 1920 e 1930, com relação aos "experimentos" ocorridos no continente europeu no campo da economia planejada. Sobre as políticas econômicas do nacional-socialismo alemão e do fascismo italiano, Keynes por diversas vezes manifestou um ponto de vista surpreendente para alguém considerado um modelo de pensador liberal. Nesse particular, estão em questão dois textos: o prefácio à edição alemã de A Teoria Geral (Keynes 1973b, pp. xxv–xxvii) e o ensaio "National self-sufficiency" (Keynes 1933; também incluído em Keynes 1982a, pp. 233–46).

No prefácio, Keynes afirma que está se desviando da "tradição inglesa clássica (ou ortodoxa)", a qual — como observa — jamais prevaleceu por completo no pensamento alemão. "Tanto a Escola de Manchester quanto o marxismo derivam em última instância de Ricardo. ... Mas na Alemanha sempre houve amplos setores da opinião que não aderiram nem a um, nem a outro. ... Talvez, portanto, eu possa contar com uma menor resistência da parte dos leitores alemães do que da parte dos ingleses ao oferecer uma teoria do emprego e da produção como um todo, a qual apresenta divergências da tradição ortodoxa em pontos importantes" (1973b, pp. xxv–xxvi).

Para seduzir ainda mais os leitores da Alemanha nacional-socialista, Keynes acrescenta: "Os exemplos e as explicações de boa parte do livro a seguir remetem principalmente às condições vigentes nos países anglo-saxões. Não obstante, a teoria da produção como um todo, que é o que este livro tenciona oferecer, se adapta muito mais facilmente às condições de um estado totalitário, e não às condições de livre concorrência e uma grande medida de laissez-faire." (1973b, p. xxvi).

Roy Harrod não menciona o prefácio em sua antiga biografia de Keynes (1951).[1]  Robert Skidelsky alude a sua "redação infeliz", e deixa por isso mesmo (1992, p. 581). Alan Peacock escreve a respeito da passagem (sem reproduzi-la) na qual Keynes menciona "que o governo alemão (nazista) à época seria mais simpático às suas ideias sobre o efeito das obras públicas na criação de empregos do que o governo britânico" (1993, p. 7). A interpretação, contudo, vai de encontro ao sentido evidente do texto: não é que os líderes nazistas fossem, por acaso, mais simpáticos a uma das propostas de Keynes em especial, mas sim que, na opinião de Keynes, sua teoria "se adapta muito mais facilmente às condições de um estado totalitário". Peacock ainda diz que "há controvérsias quanto ao prefácio ter sido traduzido corretamente ou não". Mas essa controvérsia em nada influi no trecho aqui reproduzido, já que ele foi extraído do manuscrito inglês de Keynes.[2]

Com frequência, economistas da Alemanha nazista faziam referências a Keynes com o intuito de defender as políticas econômicas ostensivamente antiliberais do nacional-socialismo. Otto Wagener, que tinha chefiado um departamento nazista de pesquisas econômicas antes da tomada do poder, deu a Hitler uma cópia do livro de Keynes sobre dinheiro por considerá-lo "um tratado bem interessante", o qual transmitia a sensação de que o autor estava "bem adiantado e vindo em nossa direção mesmo sem estar familiarizado conosco, nem com nosso ponto de vista" (citado em Barkai 1977, pp. 55, 57, 156).  

O lançamento da edição alemã de A Teoria Geral foi recebido com críticas veiculadas em publicações que tinham conseguido guardar alguma distância das políticas econômicas nazistas oficiais, ao passo que um apologista nazista na cidade de Heidelberg saudou-o "como a justificação do nacional-socialismo". O próprio Keynes comentou que as autoridades alemãs haviam permitido a publicação "em um papel [que era] um tanto melhor que o de costume, a um preço não muito acima que o de costume" (ambas as citações em Skidelsky 1992, pp. 581, 583).

Um exemplo ainda mais relevante das dificuldades de classificar Keynes como um liberal é seu ensaio "National self-sufficiency" (Keynes 1933, 1982b, pp. 233–46).[3] Nele, o laissez-faire e o livre mercado são tratados com o desdém característico do Círculo de Bloomsbury. No passado, haviam sido vistos "quase que como uma parte das leis morais", compondo o "fardo de enfeites obsoletos que o espírito carrega para lá e para cá" (Keynes 1933, p. 755). Bem diferente, no entanto, é a posição de Keynes com relação a doutrinas extremamente populares à época em que escreveu. "A cada ano fica mais evidente que o mundo está embarcando em uma série de experiências político-econômicas" à medida que os pressupostos do livre mercado do século XIX são postos de lado. E quais são essas "experiências"? Aquelas em curso na Rússia, Itália, Irlanda (sic) e Alemanha. Até a Grã-Bretanha e os Estados Unidos têm se empenhado em adotar "um novo plano" (p. 761).

Keynes é estranhamente agnóstico com relação às chances de sucesso desses vários projetos: "Não sabemos quais serão os resultados. Imagino que todos nós estejamos prestes a cometer muitos erros. Ninguém é capaz de dizer qual dos novos sistemas comprovará ser o melhor. ... Cada um de nós tem sua preferência. Não acreditando que já estejamos salvos [sic], cada um de nós gostaria de ter uma chance de encontrar um caminho para a própria salvação" (pp. 761–62).

Ele admite que "no que diz respeito aos pormenores econômicos, em contraste aos controles centrais", prefere "manter privado o máximo possível de decisão, iniciativa e empreendimento" (p. 762). Contudo, "na medida do possível, não podemos estar sujeitos à influência das mudanças econômicas ocorridas em outros lugares, para podermos proceder às experiências de nossa preferência com vistas ao ideal de república social do futuro" (p. 763).

À época em que Keynes escreveu esse artigo, era costume associar a doutrina da "auto-suficiência nacional", que ele pregava, ao nacional-socialismo e ao fascismo. Quando Franklin Roosevelt atacou a conferência econômica de Londres, em junho de 1933, o presidente do Reichsbank, Hjalmar Schacht, declarou ao Völkischer Beobachter (jornal oficial do Partido Nazista), em tom presunçoso, que o líder norte-americano tinha adotado a filosofia econômica de Hitler e de Mussolini: "Tomando nas próprias mãos as rédeas de seu destino econômico, você ajuda não apenas a si mesmo, mas ao mundo inteiro" (Garraty 1973, p. 922).

Keynes admite que muitos desacertos estão sendo cometidos em todas as tentativas de planejamento ao redor do mundo.  Embora Mussolini possa estar "adquirindo prudência e bom senso", "a Alemanha anda à mercê de irresponsabilidades desenfreadas — embora seja cedo demais para julgá-la."[4] Ele reserva suas críticas mais severas à Rússia de Stalin, exemplo histórico talvez sem precedentes de "incompetência administrativa e do sacrifício de quase tudo que faz a vida valer a pena em nome de cabeças-duras" (p. 766). "Que Stalin sirva como um exemplo pavoroso para todos que tentarem realizar experiências", declara Keynes (p. 769).

Contudo, sua crítica a Stalin — que até então já havia condenado à inanição milhões de pessoas na Ucrânia, e que enchia de outros milhões os gulags de Lênin — é curiosamente oblíqua e excêntrica.  O que a experiência socioeconômica soviética, juntamente com as demais, necessita acima de tudo é de uma "crítica audaciosa, livre e desapiedada".  Mas

Stalin eliminou todas as mentes criticas e independentes, mesmo aquelas que, em geral, lhes eram simpáticas.  Ele produziu um ambiente no qual os processos mentais são atrofiados. Os suaves espasmos do cérebro ficam enrijecidas. A vociferação multiplicada dos alto-falantes substitui as delicadas inflexões da voz humana. Os berros da propaganda aborrecem até os pássaros e animais do campo, induzindo ao estupor. (p. 769)

"Cabeças-duras... cérebros enrijecidos... aborrecimento... estupor". O leitor pode julgar por si mesmo se essa crítica — parecida com a insistência com que John Stuart Mill repisava a suma importância das discussões e debates intermináveis — é apropriada aos malfeitos praticados por Stalin e pelo poderio soviético a partir de 1933.

Por fim, uma passagem do ensaio, como consta da primeira versão, no Yale Review, é omitida em The collected writings:[5] "Mas exerço minhas críticas como alguém de coração amistoso e simpático às experiências desesperadas do mundo contemporâneo, alguém que lhes quer bem e que deseja seu sucesso, alguém que tem em vista suas próprias experiências e para quem, em última instância, não há no mundo o que não seja preferível àquilo que os relatórios financeiros costumam chamar de 'a melhor opinião de Wall Street'" (Keynes 1933, p. 766).

O comentário de Skidelsky a respeito do ensaio é lacônico e irrelevante: "Como observou Keynes, nos artigos 'National self-sufficiency' [o ensaio foi publicado em duas partes na revista The New Statesman and Nation], as experiências sociais estavam na moda; independentemente da procedência política, todas tinham em vista um papel bastante dilatado para o governo e um papel extremamente restrito para o livre comércio" (1992, p. 483). Nem de longe essa descrição parece suficiente.

Durante as décadas de 1920 e 1930, a insistência de Keynes nas maravilhas dos "experimentos" da engenharia social acabou se tornando quase risível. Outro exemplo consta do ensaio "The end of laissez-faire" no qual ele escreve: "Eu critico o socialismo de estado doutrinário não porque ele procure mobilizar os impulsos altruístas dos homens em prol da sociedade, nem porque se afaste do laissez-faire, nem porque exclua a liberdade natural do homem de se tornar milionário, nem porque tenha a coragem de promover experiências audaciosas. Todas essas coisas eu aplaudo" (1972, 290, grifo meu).

A esta altura, a pergunta que fica é: como pode alguém que expressou uma ávida simpatia pelos "experimentos" de nazistas, fascistas e comunistas stalinistas, e que reservava zombarias triviais ao livre funcionamento da sociedade do laissez-faire, ser considerado um exemplo acabado de liberal, se é que se pode chamá-lo de liberal?[6]

 

No próximo artigo, as ligações de Keynes com proeminentes comunistas.



[1] Em extensa nota de rodapé, Michael Heilperin comenta a ausência de referências a esse prefácio na obra de Roy Harrod (1951), maior biógrafo de Keynes à época em que Heilperin escreveu. Em vista da repressão à liberdade acadêmica e a outras liberdades, na Alemanha nazista, Heilperin chama o lisonjeiro texto de Keynes de "mancha indelével em seu histórico de liberal" (1960, 127 n. 48).

[2] A discussão envolve algumas frases que constam da edição alemã, mas não do manuscrito de Keynes; contudo, não parece que essas frases incriminem ainda mais o autor, a não ser pelo uso da expressão "eminente liderança nacional [Führung]", com conotação positiva. Seja como for, é provável que Keynes aprovasse os acréscimos. Ver Schefold 1980.

[3] A versão constante em The collected writings é das edições de 8 e 15 de julho de 1933 da revista The New Statesman and Nation. Contudo, primeiro o ensaio foi publicado na revista Yale Review. As citações que fazemos aqui são desta segunda versão, Keynes 1933. Heilperin afirma que, "em vista de sua brevidade, [esse ensaio] pode ser considerado um dos textos mais significativos de Keynes" e comenta que o autor minimiza o caráter totalitário dos regimes em discussão: "Estavam fazendo uma experiência — e é isso que torna maravilhosas as coisas!" (1960, 111). Aqui, Heilperin consegue captar o espírito fundamental desse trabalho e das ideias de Keynes ao longo de muitos anos.

[4] Essa e outras críticas à Alemanha nazista foram omitidas da tradução alemã, evidentemente que com a permissão de Keynes; ver Borchardt 1988. Embora ciente da versão da Yale Review, Borchardt prefere citar o ensaio de The collected writings, desse modo superestimando seu teor liberal.

[5] Este trecho deveria constar de The collected writings depois de "Pois não se pode esperar que eu aprove todas as coisas que hoje são feitas no mundo político em nome do naturalismo econômico. Longe disso." (Keynes 1982b, 244). Do mesmo modo, a versão em The collected writings omite alguns outros trechos, de pouca importância, que aparecem na Yale Review. Não se vê nenhuma indicação, por parte do editor da compilação, de que a versão nela incluída seja diferente daquela publicada na Yale Review; além disso, ele identifica erroneamente a edição da revista, datando-a do "verão de 1933".

[6] Ao longo de sua carreira, Keynes foi um crítico incansável do princípio do laissez-faire. "The end of laissez-faire" (Keynes 1972, 272–294) é o título daquele que talvez seja o ensaio mais polêmico que escreveu. À época (1926), foi objeto de uma resenha de autoria do economista liberal italiano Luigi Einaudi (de modo algum um "doutrinário"), que comentou que o folheto não era exatamente original, nem era dotado de particular importância: a ideia de que ele representaria algum tipo de ponto histórico decisivo era "a mais pura fantasia" de críticos precipitados. Einaudi pergunta por que Keynes, "depois de ter voltado a pôr a regra do laissez-faire fora de combate, como princípio científico, não dedicou mais algumas páginas ao exame da importância que atualmente se atribui a essa regra, como norma prática de conduta? ... Será mesmo que a importância prática da regra do laissez-faire para a conduta dos homens é hoje menor que ontem?" Mesmo que as tarefas do governo tenham se tornado muito mais numerosas, essa concessão não "comprova a decadência da regra do laissez-faire, uma vez que é bem provável que, no mesmo período da ampliação da atividade pública e interferência em alguns setores da vida econômica, tenha ocorrido crescimento bem maior de novos tipos de atividade, nas quais o valor da antiga regra do laissez-faire ainda permanece intacto" (1926, 573).



autor

Ralph Raico

membro sênior do Mises Institute, leciona história no Buffalo State College. É especialista em história da liberdade, na tradição liberal da Europa, e na relação entre guerra e ascensão do estado. É o autor de The Place of Religion in the Liberal Philosophy of Constant, Tocqueville, and Lord Acton



  • Aline  06/08/2013 18:43
    Golpe baixo tentar associar Keynes com nazismo. Já que é pra jogar baixo, vou citar o Hans-Hermann Hope como libertário que também tem um certo amor pelo nazismo.
  • Eduardo Bellani  06/08/2013 19:16
    vou citar o Hans-Hermann Hope como libertário que também tem um certo amor pelo nazismo.

    Nunca a frase "citação necessária" caiu tão bem como resposta a um comentário.
  • anônimo  06/08/2013 19:51
    Você tem que entender a cabeça sem lógica desse pessoal.Por exemplo, se alguém prefere viajar pra europa e não pra áfrica, pra eles ESSA é a prova de que o cara é nazista.
  • anônimo  06/08/2013 19:59
    Outro exemplo de nazista: quem fala sobre a onda de crimes dos negros a brancos americanos, como vingança do tal do filho do Obama.
  • Tory  06/08/2013 20:16
    Acho que você quis dizer que ele sofre muitas críticas por ter comparado as políticas de uns conservadores às dos nacional-socialistas - só que ele não disse isso como elogio. Melhor trabalhar na compreensão de texto, ou não citar seu professor sem dar uma pesquisada antes.
  • Leandro  06/08/2013 21:08
    Não houve nenhuma "tentativa de associação". Houve, isso sim, citação de escritos do próprio Keynes, bem como de fatos comprovados. Se isso lhe causou desassossego, não é problema nosso. Certamente, nada disso pode ser configurado como "jogar baixo".

    "Já que é pra jogar baixo, vou citar o Hans-Hermann Hope como libertário que também tem um certo amor pelo nazismo."

    Ué, aponte escritos do Hoppe que comprovem sua simpatia por partidos nazistas e você terá um bom argumento. Fora isso, é bom se retratar.
  • anônimo  07/08/2013 12:31
    Essa Aline é um típico filósofo 2.0, só pode
  • TC  07/08/2013 03:57
    "Contra factum argumentum non est" Sto. Tomás de Aquino

    PS:E quer saber, Aline, além de fascista, Keynes ainda era viado!
  • Típico Filósofo  07/08/2013 00:32
    Perdoem-me por adentrar a discussão em tópico impróprio, entretanto, devido aos rumos da discussão, considerei apropriado que à bem do discurso revolucionário, tal lista fosse adicionada ao debate.

    Glossário resumido do moderno discurso social:

    (1)Nazista = Qualquer indivíduo que não apoie a decisão de ter uma liberdade pessoal sacrificada pelo Estado em prol do benefício de algum grupo vitimológico que fora arbitrariamente eleito por esse geralmente por haver vivido condições de desigualdade legal pelo própria estado no passado. À bem da verdade, fora atualizado a taxar qualquer indivíduo que questione abrir mão de uma liberdade em prol de quaisquer causas "vitimológicas" adotadas pelo Estado ou seus integrantes.
    Exemplo: "Eu odeio a classe média! Ela é nazista, pedante e terrorista!" - Marilena Chauí, grande pensadora da USP.
    *Terrorista = O "Nazista" que em algum momento manifestou-se.

    (2)Neo-Liberal = Qualquer indivíduo que manifeste questionamento ou pura descrença à doutrina do "serviço público de qualidade" ou que argumente racionalmente em prol do mercado. À bem da preservação ideológica proletária, o PT fora incluso nesta categoria por conveniência ao discurso revolucionário.
    Exemplo: "X relatou dos prejuízos auferidos por uma estatal ano passado, logo, X é neoliberal"
    *Anarco-neo-liberal = Neologismo. Qualquer indivíduo que utilize o termo "monopólio estatal", "coerção estatal" ou "direito natural".

    (3)Reacionário = Qualquer indivíduo que discorde da revolução em si independendo da estratégia empregada. Trata-se de um título cuja legenda consiste em "qualquer argumento proferido por tal indivíduo é retórica burguesa e portanto, não merece ser ouvido".
    Exemplo: "Há diversas lógicas irreconciliáveis no mundo(Polilogismo) e essas são separadas por classes, logo, os argumentos da classe X não merecem discussão por parte da classe Y. Se a classe X é reacionária, logo, é dominante; portanto, sua lógica deve ser irrelevante à classe Y(Revolucionária)."
    *Cientista Reacionário = Qualquer intelectual que rejeite a revolução.

    (4)Alienado = Qualquer indivíduo que não está incluso no grupo onde a expressão é empregada. Qualquer um que não reconheça que a "educação pública de qualidade" é geradora da evolução humana. Ou, simplesmente, todo indivíduo cujas prioridades pessoais e áreas de conhecimento e vida divergem daquelas que são priorizadas pelo revolucionário que profere a denúncia.
    Exemplo: "A classe média brasileira fora distanciada dos livros pela mídia neoliberal-burguesa entreguista. Caso não existira futebol, BBB, pagode ou qualquer tendência moderna rejeitada por nosso grupo; garantis-vos-ei que tal classe passaria as noites a discutir o impacto da hierarquização das condições de trabalho na submissão classista das vítimas da precarização na contingência capitalista."

    (5)Reprodução Capitalista = Deriva-se do conceito marxista dos ciclos econômicos onde cada "ciclo de mais-valia" gera uma diferenciação nas relações interclassistas.
    Exemplo:

    (6)Burguesia = Sorrateira e invisível, trata-se da classe inimiga de toda sociedade cujos preponentes raramente podem ser nomeados por aqueles que utilizam a expressão.
    Exemplo: "O Partido Jacobino consistia na Pequena Burguesia francesa. Logo ao assumir, a classe decretou controle de preços almejando deslocá-los para baixo, o que ironicamente reduz de imediato as margens de lucros dos pequenos produtores a esses deterem menos bens de capital".

    (7)Mais-Valia = Devido à terceirização do debate marxista à elite vanguardista defensora das causas proletárias, seu discurso original em "O Capital" pode ser ignorado. Atualmente, consiste em qualquer benefício obtido por um empregador ao contratar voluntariamente um indivíduo; independente da geração de lucros ou valor objetivo.
    Exemplo: Desnecessário.
    *Explorado = Qualquer indivíduo que trabalha.

    (8)Consumismo = Hábito de qualquer consumidor alienado(Ver 4).
  • anônimo  07/08/2013 12:59
    Por favor, alguém poderia me explicar a diferença entre direita e ultra direita?
    Se tiverem referências sobre o assunto para me passar, agradeço desde já.
  • anônimo  07/08/2013 13:40
    Isso não existe, isso é invenção de gente estúpida como o tal Sakamoto, blogueiros chapa branca pagos com o dinheiro de impostos
    Você pode encontrar a diferença entre ser de direita e ser libertário, isso sim
    Ser libertário também não é conflitante com ser de direita ou de esquerda nos valores culturais.Alguns como o Olavo de Carvalho falam que justamente essa é a grande fraqueza dos libertários
  • Carlos  07/08/2013 14:04
    A direita é em relações pessoais, o que a esquerda o é em qestões económicas. Se a extrema-esquerda acha que uns são inferiores economicamente, a ext-direita pensa que alguns são inferiores socialmente (geralmente estrangeiros). A direita normalmente não tem esta noção de inferioridade (hierarquização). Mas nas sociedades actuais, direita apenas significa alguém que defende sustentabilidade económica do estado, contrastando com a esquerda.
  • Rodrigo Lopes Lourenço  08/08/2013 00:11
    Não se pode aceitar a qualificação de "ultradireita" ou "extremadireita" a quem seja nacional-socialista ou fascistas: em ambos os casos, são esquerdistas.
    Em primeiro lugar, os termos "nazismo" e "nazista" devem ter origem na total e abjeta submissão de Roosevelt a Stalin. Como o americano não queria desagradar o soviético, cunhou-se um termo para evitar-se a palavra socialista: "nazi" é a junção da primeira sílaba da palavra NAtional com a segunda sílaba da palavra soZIalismus.
    Não há - e, há anos, pesquiso isso - documento dos nacionais-socialistas em que utilizem a expressão "nazismo" sobre seu próprio movimento ou ditadura. Presentemente, na Alemanha, sempre se emprega o termo "nacional-socialismo" quando alguém se refere à ditadura de Hitler.
    Hitler era um socialista assumido: "eu sou um socialista, porque para mim é incompreesível que se trate uma máquina com maior cuidado que o mais precioso representante do trabalho, o próprio ser humano." Esse citação foi insculpida em pedra pelo DAF - Front de Trabalho Alemão, instituição nacional-socialista que funcionava como uma grande confederação geral de trabalhadores durante a ditadura.
    O nome do NSDAP era Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães.
    O NSDAP tinha um programa de vinte e cinco pontos dos quais destaco: o décimo, que determinava ao indivíduo submeter suas atividades ao interesse público; o décimo quarto, que exigia participação nos lucros das grandes empresas; o décimo quinto, que exigia aumento das aposentadorias e pensões; e o vigésimo primeiro, que pretendia proibir o trabalho de jovens, a fim de haver tempo para cumprimento da obrigação legal de fazer ginástica.
    Por fim, é difícil não reconhecer Keynes nas práticas econômicas da ditadura de Hitler. Elas resultaram em vários racionamentos de comida, mesmo antes de 1º de setembro de 1939, início da Segunda Guerra Mundial. Quem reconheceu esses racionamentos foi o próprio Hitler em discurso proferido no Parlamento em 30 de janeiro de 1937. Quem quiser verificar, acesse o youtube e digite "Hitler on German economy". O discurso tem legendas em inglês. Aliás, um estudo foi publicado em 26 de agosto de 1937 constantando que as famílias alemãs gastavam entre cinquenta a setenta por cento de sua renda com alimentação.
    Por fim, como um libertário - verdadeiramente um direitista - pode passar perto de um regime que expropriou, na lei e na marra, bens de parcela expressiva da população?
  • Marcos  08/08/2013 01:30
    Pode sim! O nazismo é o epíteto da extrema-direita. Hitler desde o início empreendeu uma feroz perseguição ao KPD - partido comunista alemão e aos marxistas, pois Marx era judeu. Nunca vi um regime de "esquerda" ou "socialista" ser financiado pela própria burguesia que supostamente iria ser expropriada. As grandes corporações industriais alemãs: Krupp, Bayer e Thyssen financiaram o partido nazista, que só adotou o termo "socialista" porque este era muito forte na Alemanha. E como um regime "socialista" ou de "esquerda" iria atacar justamente a URSS - a pátria-mãe do socialismo? Esta tentativa canhestra de revisionismo histórico não encontra respaldo em nenhum historiador e muito menos na população alemã, muito menos na realidade. Pergunte a qualquer neonazista se ele se considera de "esquerda"...
  • Ribbentrop-Molotov  08/08/2013 03:25
    "Pode sim! O nazismo é o epíteto da extrema-direita."

    Só pode ter lido isso na Wikipedia.

    "Hitler desde o início empreendeu uma feroz perseguição ao KPD - partido comunista alemão e aos marxistas, pois Marx era judeu."

    Nem toda a esquerda é marxista, se não sabe isso então nem se meta a discutir.

    "Nunca vi um regime de "esquerda" ou "socialista" ser financiado pela própria burguesia que supostamente iria ser expropriada."

    Exato, o nazismo só mudou o bode expiatório, que em vez de certas classes sociais, eram raças, no caso os judeus.

    "E como um regime "socialista" ou de "esquerda" iria atacar justamente a URSS - a pátria-mãe do socialismo?"

    Grandes merdas...ainda mais, eu diria que a pátria-mãe do socialismo é a França.

    "Esta tentativa canhestra de revisionismo histórico não encontra respaldo em nenhum historiador e muito menos na população alemã, muito menos na realidade. Pergunte a qualquer neonazista se ele se considera de "esquerda"..."

    Ah bom, revisionismo histórico só pode se for pra dizer que Che Guevera era um herói né. Aliás, que respaldo a maioria dos historiadores têm? Ainda mais se forem brasileiros...

    E neonazistas são um bando de broncos que não tem a mínima noção do que é esquerda ou direita, só o que me falta achar que opinião de neonazista tem algum peso.

  • Rodrigo Lopes Lourenço  08/08/2013 03:48
    Marcos,
    Se a perseguição ao KPD é por si só suficiente para transformar o NSDAP em partido de direita, Stalin era de direita porque empreendeu "uma feroz perseguição" a Trotski e conseguiu matá-lo.
    Por outro lado, a "tentativa canhestra de revisionismo histórico" é esquecer que o NSDAP perseguiu todos e todos os partidos políticos alemães, conseguindo, menos de seis meses depois de alcançar o poder, extingui-los. Eliminou, inclusive, o Deutsche Zentrumpartei, conhecido como Zentrum, então com sessenta e três anos de existência e marcantemente católico.
    Sua frase "Hitler desde o início empreendeu uma feroz perseguição ao KPD - partido comunista alemão e aos marxistas, pois Marx era judeu" demonstra que o problema de Hitler com os marxistas era racial, não ideológico. Sim, porque, segundo você, a perseguição foi "aos marxistas, pois Marx era judeu".
    O NSDAP tinha o nome socialista desde a fundação, em 24 de fevereiro de 1920.
    O argumento do financiamento pelas grandes corporações é "tentativa canhestra de revisionismo histórico" porque todo o sistema econômico foi legalmente submetido ao Führer desde 27 de fevereiro de 1934, com a Lei de Reformulação da Economia. Naquela época, já seria impossível não financiar o único partido existente.
    Quanto ao argumento de que o NSDAP não era de esquerda porque atacou a "pátria-mãe do socialismo", esse é prosaico. Por ele, posso afirmar que Hitler não era de direita porque entrou em guerra contra a "pátria-mãe do capitalismo", seja o Reino Unido, sejam os Estados Unidos. Todavia, não faço "tentativa canhestra de revisionismo histórico", motivo por que não preciso apelar para esse fato a fim de provar que Hitler era socialista.
    Vamos agora à questão dos neonazistas. Eu não pergunto nada a eles porque não falo com racistas. Todavia, estudei o programa do NPD, sucessor do NSDAP.
    Todo o programa econômico do NPD consagra a intervenção do estado na economia, a ideia de "domar" o lucro, o estado social e de antiglobalização.
    Por fim, para ser de direita é necessário acreditar no livre comércio, no direito ao lucro, no direito à propriedade. Não havia no Programa de Vinte e Cinco Pontos do NSDAP nem há no programa do NPD defesa desses princípios.
  • Rodolfo  08/08/2013 05:47
    De forma alguma! Nos moldes políticos atuais sem dúvidas o nazismo poderia ser considerado de esquerda. Ocorre que na época da sua implantação o mesmo fazia oposição aos partidos comunistas, que são, por essência, internacionalistas, ao passo que o nazismo era nacionalista. A única e fundamental diferença entre ambos é que um era internacionalista e o outro nacionalista, como o próprio nome do partido indica (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães). O grande erro da sua retórica é pensar que existe apenas um tipo de esquerdismo, o marxista ortodoxo, desconsiderando o socialismo utópico, as vertentes de esquerda do anarquismo, a social-democracia e, é claro, o nacional-socialismo. Hitler era um entusiástico leitor de Marx, como aprovam os seus mais bem conceituados biógrafos, como Joachim Fest e Ian Kershaw. O próprio declarou em um discurso, em 1941, que "basicamente, nacional-socialismo e marxismo são a mesma coisa" (cf. The Bulletin of International News, Royal Institute of International Affairs, v. XVIII, n. 5, p. 269). De fato, segundo outras declarações suas, a única diferença entre o nazismo e o socialismo soviético era uma diferença de interpretação da doutrina de Marx, uma vez que aos olhos de Hitler a verdadeira luta era a luta de raças e não a de classes. Tal interpretação não surpreende, uma vez que no marxismo as releituras da obra marxiana são constantes, como as feitas logo após a morte de Marx por Karl Kautsky, que chegou a escrever à quatro mãos com Engels, e Eduard Bernstein.

    É claro que Hitler não pretendia estatizar por completo as indústrias alemãs, uma vez que o cálculo econômico sobre este arranjo já tinha se demonstrado irrevogável e cabalmente impossível, tanto teoricamente, através dos escritos de Mises, quanto empiricamente, através da experiência soviética. O mesmo, porém, era profundamente anti-liberal e desejava "colocar os empresários de joelhos". E foi o que ele fez, ao perseguir e roubar todo o patrimônio de grande parte da burguesia da época (que era formada por judeus) e o que sobrou foi completamente regulamentada e dirigida pelo estado, ao pode de se determinar, o que, como e quanto se produziria, qual seria o lucro dos empresários, os salários dos funcionários e os preços das mercadorias. É lógico que em um arranjo como este os empresários que se mostrassem fiéis e financiassem o partido teriam menos a perder, uma vez que é melhor perder quase tudo do que absolutamente tudo. Agora quanto ao neonazismo, o mesmo não se considera como de esquerda por mera oposição ao internacionalismo, como o nazismo "clássico", mas tão-pouco são de direita, defensores do laissez-faire ou dos costumes cristãos.
  • Rafael  08/08/2013 06:44
    Será o nazismo de extrema-direita? Not so fast, Junior…


    Conclusão

    Dos 25 pontos do partido alemão, 6 são neutros, 1 poderia ser chamado de centro-esquerda, 1 de direita, e os 17 restantes são plenamente esquerdistas. No único ponto que pode ser associado ao pensamento de direita ("9. Todos os cidadãos devem possuir iguais direitos e deveres."), ele é tão óbvio que até os esquerdistas o entendem como algo facilmente assimilável, mas no caso dos nazistas eles usaram um truque. Como esquerdista gosta de privilegiar uma classe sobre outra (pelo pensamento da guerra de classes), eles acoplaram esse único princípio da direita, e definiram alguns como "não cidadãos". Ora, aí fica fácil. Bastou a eles usarem um princípio da direita para remodelá-lo através de outros novos pontos que dêm um "bypass" no princípio.

    O que importa é que de direita a plataforma do partido nazista não tem nada. Entretanto, especialmente do meio para o final, o que é vê é a essência do pensamento esquerdista, incluindo:

    uso da guerra de classes
    populismo
    inchamento do estado
    culto ao mesmo estado, é óbvio
    limitação da atividade de imprensa
    sistema de ensino público (para doutrinação no culto ao estado)
    estatização de empresas
    reforma agrária
    ataque aos lucros das empresas
    coletivismo, ao invés do individualismo
    Qualquer pessoa honesta intelectualmente irá reconhecer que o nazismo não é um empreendimento de extrema-direita, mas de extrema-esquerda.

    Por fim, fica claro que os marxistas sempre chamaram os nazistas de direita, pois Hitler se opôs a Stalin, embora tenha sido seu aliado em priscas eras. Entretanto, se opor à União Soviética não é o mesmo que se opor ao comunismo, e, mesmo que alguém fosse oponente ao comunismo, isso não implicaria em ser de direita (lembremos da rotina "Eu não sou comunista"). Entretanto, comunismo não é a única forma de esquerdismo, e nem a União Soviética era a única forma de comunismo. Unicamente por confusões (a meu ver, propositais) deste tipo, é que alguns ainda acham que nazismo é de direita.

    Por tudo que está demonstrado aqui, da próxima vez que algum marxista lhe taxar de "nazista" por ser contra as idéias esquerdistas, mostre-lhe um link para esta matéria, e veja que, de acordo com o que os próprios nazistas afirmaram, ser nazista é ser de esquerda. Ou melhor, extrema-esquerda. É por isso que estou legitimado a colocar todas as genocídios da União Soviética, do Cambodja, da China e da Alemanha Nazista na CONTA DA ESQUERDA.

    Uma cena que eu gostaria de acompanhar é um diálogo no qual o esquerdista chega dizendo: "Você não apóia minhas idéias, pois é um nazista", recebendo o coice a seguir: "Não, eu não sou nazista, pois não sou da tua turma", seguido da citação à plataforma do Partido Nazista.

    E não tenha dó deles no debate. Eles merecem essa humilhação. As vítimas que eles já causaram (e ainda estão por causar) justifica essa patada.

  • anônimo  18/08/2013 04:53
    Dúvida: quando a economia não está em crise, os keynesianos clamam por intervenção mesmo assim? Qual o limite dessa intervenção?
  • JBALL  04/03/2014 05:13
    Para a linhagem keynesiana que absorveu as críticas de Friedman e Lucas, os estímulos devem ser apenas para recuperar a economia, voltar a manter crescimento. O problema é que é muito custoso para o estado ter que reduzir seus gastos a um patamar antigo.


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