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Ainda mais perigoso do que o desabamento do edifício

O recente desabamento em Bangladesh de um edifício que abrigava cinco unidades de confecção de tecido, o que resultou nas mortes, até o momento, de mais de 1.100 pessoas que lá estavam empregadas, gerou uma onda internacional de indignação e revolta não apenas contra o proprietário do edifício, mas também contra as várias multinacionais de roupas dos EUA e da Europa — muitas delas famosas (como a britânica Primark e a espanhola Mango) — que revendem as roupas produzidas naquele edifício.  Exige-se que elas assumam a responsabilidade pelas condições de trabalho nas fábricas que abastecem seus estoques e que não mais lidem com unidades de confecção que não forneçam condições seguras e humanas e que não paguem salários dignos.

Tais exigências se baseiam na crença de que, caso não haja intervenções do governo, os empreendedores e capitalistas, em sua contínua busca pelo lucro, irão pagar salários meramente de subsistência para seus empregados, os quais serão forçados a trabalhar uma quantidade intolerável de horas em condições sub-humanas. 

Mais ainda: tais demandas se baseiam na crença de que os lucros supostamente arrancados dos trabalhadores desta maneira vão parar nas mãos dos capitalistas como se fossem um tipo de 'caixa dois descartável'.  Segundo este raciocínio, uma fatia substancial deste lucro poderia ser devolvida aos trabalhadores dos quais foi extraída — ou então utilizada em benefício deles — sem nenhum efeito negativo, exceto o de privar os capitalistas de seus ganhos imorais. 

Pressupõe-se tacitamente que a razão pela qual as condições precárias observadas em Bangladesh e no resto do Terceiro Mundo não ocorrem nos países ricos é por causa das legislações trabalhistas e sociais existentes nestes países.  Sendo assim, a conclusão lógica passa a ser a de que é necessário expandir estas mesmas legislações para os países pobres que ainda não as possuem.

Absolutamente todos os aspectos desta crença estão errados e, caso tais legislações de fato fossem implantadas nestes países, suas consequências seriam altamente destrutivas, principalmente para todas as massas de trabalhadores que já vivem próximos da inanição e que correriam o risco de realmente morrerem de fome caso se aumentasse desnecessariamente os custos de se empregá-los — seja por meio de um aumento arbitrário de seus salários ou pela exigência de que suas condições de trabalhado sejam melhoradas, sendo que esta última inevitavelmente viria à custa de seus salários, algo que eles não podem se dar ao luxo bancar.

Uma das mais elementares proposições da ciência econômica é que, quanto maior for preço de um bem ou serviço, menor será a quantidade comprada.  Isso se aplica tanto para bens e serviços quanto para a mão-de-obra.  Se os salários em Bangladesh forem arbitrariamente elevados por um decreto governamental, menos trabalhadores serão empregados.  Neste caso, aqueles trabalhadores que hoje ganham salários baixos passariam a não ganhar salário nenhum.  Morreriam de fome.  Se os empregadores em Bangladesh forem obrigados a fazer aprimoramentos nas condições de trabalho de uma forma que não gere aumento nas receitas — e, sendo empreendedores visando ao lucro, é de se esperar que eles já tenham feito todos os aprimoramentos que possibilitem aumentos nas receitas —, então o custo destes aprimoramentos será o equivalente a um aumento nos salários.  Novamente, o resultado será o desemprego.

Neste cenário, o desemprego poderia ser evitado somente se os salários dos trabalhadores fossem reduzidos o suficiente para compensar os custos dos aprimoramentos.  Sendo assim, a situação seria comparável a fazer os trabalhadores utilizarem seus já magros salários para pagar por melhorias que eles simplesmente não têm condições de bancar.

Estas não são as consequências que os defensores da imposição de padrões trabalhistas querem.  O que eles querem são maiores salários e melhores condições de trabalho.  Mas o problema é que eles não se dão conta do que realmente é necessário para se alcançar estes resultados.

E o necessário para se alcançar estes resultados é permitir que as empresas em Bangladesh e ao redor de todo o mundo pobre tenham liberdade para operar, para ser tão lucrativas quanto possível.  (Já deveria estar mais do que óbvio que a perda total de um edifício que abrigava fábricas e máquinas não foi algo lucrativo, e que embora possa ser legítimo denunciar o proprietário do edifício por negligência e imprudência criminal, é simplesmente absurdo denunciá-lo por "estar em busca do lucro", pois o que ele realmente conseguiu, e não poderia ter conseguido outra coisa por meio desta conduta, foi um prejuízo total.)

Os altos lucros que podem ser auferidos em um país de Terceiro Mundo — caso não sejam tributados ou obstaculizados por um excesso de barreiras — serão poupados e investidos majoritariamente naquele mesmo país de Terceiro Mundo.  Como a experiência de Taiwan, da Coréia do Sul e até da própria China comprova, uma geração deste processo já é o suficiente para resultar em uma vasta acumulação de meios de produção no país — isto é, de numerosas novas fábricas, com equipamentos e maquinários cada vez melhores e mais produtivos.  Isso, por sua vez, resulta em uma intensa procura por mão-de-obra, o que leva a um aumento dos salários.  E à medida que os salários sobem, os trabalhadores podem se dar ao luxo de aceitar aumentos salariais cada vez menores em troca de melhores condições de trabalho, as quais serão implantadas justamente à custa deste aumento salarial.

A liberdade econômica, e não a interferência estatal, é a estrada que leva à riqueza das nações.

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Leia também: O livre mercado e a segurança no trabalho 



autor

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.

  • Paulo Kogos  17/05/2013 13:29
    acúmulo de capital é a solução
    o estado soh depreda capital
  • Dermato  17/05/2013 20:18
    Você é parente da Lygia Kogos?
  • FGB  17/05/2013 14:17
    Concordo com a teoria econômica do texto, e repudio qualquer tipo de legislação trabalhista, já que elas só causariam prejuízos aos trabalhadores. Mas terei que discordar de dois pontos.

    O primeiro é quanto à fiscalização das condições estruturais do edifício. Em uma cidade privada, essa fiscalização não só aconteceria como também seria rígida, pois um desabamento como esse causaria um grande transtorno e prejuízo para os arredores. Logo, se o estado tomou para si a tarefa de administrar a cidade, é sim obrigação dele impor regras rígidas para a construção e conservação dos edifícios, muito embora, como todos sabem, essa fiscalização tende a ser ineficiente e corrupta.

    O segundo ponto, que é mais polêmico, é que embora seja imoral impor restrições aos contratos privados e voluntários entre trabalhadores e empregadores, isso não exime as grandes grifes e seus consumidores (ao menos os que agora estão conscientes da situação) de um julgamento moral.
    Perante os parâmetros mínimos de moralidade que imagino serem comuns a maioria das pessoas, é sim imoral submeter seres humanos à condições de trabalho que poem em risco suas vidas. É óbvio que não era de interesse do empresário que esse prédio desabasse, mas ele assumiu esse risco para elevar o sua lucratividade, e isso, na minha opinião é moralmente condenável.
  • anônimo  17/05/2013 14:34
    Como é que ele assumiu o risco se ele nem sabia?
  • Jeferson  17/05/2013 15:17
    Todos nós escolhemos correr diversos riscos diariamente sem saber. Quando a gente não sabe, a gente tem duas escolhas: ou corre um risco totalmente desconhecido, ou busca todas as informações possíveis sobre alguma coisa que pretendamos fazer, pra tomarmos conhecimento dos riscos, e se for o caso, tomarmos medidas para evitá-lo ou mitigá-lo. Ele assumiu o risco a não investigar de maneira meticulosa o suficiente as condições do prédio que usaria como instalações pra sua fábrica.

    Quanto ao julgamento moral, não há discordância entre FGB e o autor. Ele diz que é "legítimo denunciar o proprietário do edifício por negligência e imprudência criminal", ou seja, o cara agiu errado sim. O que ele critica é que "é simplesmente absurdo denunciá-lo por "estar em busca do lucro"", como fazem os ignóbeis "intelectuais" e "formadores de opinião".
  • FGB  17/05/2013 15:57
    Senhor "anônimo", se o empresário não sabia das condições da fábrica, deveria ter procurado saber (especialmente as multinacionais, que tiveram sua imagem prejudicada pelo acontecido).

    Jefferson, na minha opinião, tirando a obviamente necessária punição pelas vias criminais, deve haver sim uma condenação moral (e essa obviamente deve partir de cada indivíduo, e não do estado) do empresário que botou o seu lucro absolutamente acima do valor da vida de seus funcionários. O lucro não é condenável, mas a ação desmedida e extremada para obtê-lo, sim.

    Andre Cavalcante, de modo algum eu disse que a solução para a moralidade está no estado, mesmo porque a condenação moral deve partir dos indivíduos. Sobre a imposição de regras para a construção de edifícios, a mim parece óbvia essa necessidade tanto em uma sociedade estatista quanto em uma de genuíno livre mercado. Como dito, em uma cidade privada, a administradora teria que prezar pela segurança e integridade dos indivíduos e das propriedades que ali se encontram. Logo, é óbvio que o desabamento de um edifício causa prejuízos não só ao seu proprietário como pode causar grandes danos para os edifícios vizinhos e pessoas que transitam pelas ruas, além de prejudicar enormemente qualquer atividade comercial instalada nas redondezas.
  • João Monteiro  17/05/2013 14:41
    Como resposta a esse tipo de pensamento ou ideologia económica, a meu ver totalmente ultrapassada e imoral, só tenho a dizer a que escreveu o artigo, que veja esse video e atente à mensagem de um dos mais bem sucedidos empresários dos Estados Unidos.

    www.youtube.com/watch?v=UrpS9zZfNbk

  • Leandro  17/05/2013 15:20
    Caramba, que palestrante tosco e ignaro. O desconhecimento dele sobre economia básica é pavoroso.

    Primeiro ele diz que empreendedores e capitalistas não criam empregos, e que quem cria empregos são os consumidores. Ou seja, ele genuinamente acha que postos de trabalho e bens de capital utilizados na produção surgem do nada, simplesmente porque alguém está em posse de um pedaço de papel pintado e quer trocá-lo por um bem. Ele não entende que, para que um consumidor possa consumir, ele antes tem de ter um salário. E ele só terá um salário se existir um capitalista que esteja disposto a empregá-lo.

    Eis um artigo que derruba esta falácia e que explica por que são os capitalistas e não os consumidores não criam empregos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1179

    Depois, o sujeito diz que, mesmo sendo milionário, seu nivel de gastos não é o suficiente para "gerar empregos para os desempregados". Ele só se esqueceu de que o dinheiro dele não fica parado no banco, pois é emprestado tanto para capitalistas investirem quanto para consumidores consumirem. Isso é básico e o ignaro desconhece isso.

    Mas o pior de tudo foi a conclusão. Ele diz que quanto mais os ricos forem tributados, mais a classe média gastará (?), mais empregos serão criados (??) e mais os ricos se beneficiarão (???). Só faltou explicar como funcionaria este fantástico e milagroso moto-perpétuo, em que ninguém produz e todo mundo parasita um ao outro.

    O sujeito é tão tosco que, pela descrição do vídeo, fica fácil entender por que o TED optou por não publicar a apresentação. Seria uma tremenda vergonha chancelar a difusão da ignorância.
  • Andre Cavalcante  17/05/2013 14:43
    Olá FGB.

    Concordo com o que tu dizes sobre a responsabilidade moral (aliás tem que prender mesmo os responsáveis pelas lojas e pelo prédio!), mas tens que perceber que a solução para a moralidade não está, como supões, em o estado ou mesmo uma entidade privada ter uma "obrigação de impor regras rígidas para a construção e conservação dos edifícios". Você se esquece que o mercado é, antes de mais nada, um processo. Assim, os prédios mal feitos caem. O que você não percebe é que, o capitalista dono daquele prédio e diversas das fábricas que lá estavam simplesmente faliram, fecharam. Somente ficaram as "boas" em outros prédios. E mais, muitas delas vão começar a se preocupar com isso. Com o tempo, o que ficará serão os locais de trabalho mais adequados.

    Você está cometendo o erro que nós brasileiros geralmente cometemos - nos comparamos com países de 1º mundo, como se fossemos capazes de pagar os mesmos salários, produzir com a mesma produtividade, ter educação no mesmo nível.

    Quanto a questão das multinacionais, elas já estão tomando prejuízo, seja diretamente, pagando alguma indenização às famílias dos trabalhadores (o que deve ser pífio), mas principalmente à sua imagem (o que é crucial no mundo da moda). O mesmo fenômeno aconteceu com a jornada de 12 a 14 horas na fábrica da Foxconn na China: a queda na venda de iphones (que já estava caindo) acentuou-se a tal ponto que a Apple apelou para a Foxconn modificar a jornada de trabalho para 8h - e para exclamação geral do ocidente, os trabalhadores fizeram greve para voltar à jornada antiga!
  • André  17/05/2013 19:32
    Desculpe-me, André Cavalcante, mas creio que o mercado não seria justo nesta seleção. Você esperaria que um prédio caísse para haver uma justiça moral? Você vai esperar que 1100 pessoas morram para que uma empresa saia do mercado e outras prevaleçam porque investiram mais em infra estrutura? E o que vai impedir que esse mal caráter não volte com outra empresa com edificações pífias? Tirando a concorrência desleal, onde a empresa com más condições de trabalho vai "roubar" o mercado das empresas com boas condições, moralmente corretas, porque também sabemos que os consumidores não possuem todas as informações sobre o produto para tomar uma decisão ótima.
    O mercado tem suas limitações e é nelas que o estado deve atuar.
    Temos o exemplo da adulteração do leite no Rio Grande do Sul. Até aonde sabemos não foi nenhuma empresa privada ou consumidor que descobriu a Ureia nos produtos. E tudo isso por quê? Pela competitividade(claro que os impostos e etc acabam levando a esse desvio de conduta, mas creio que não seja justificativa para esse crime). É justo esperar alguém identificar a ureia no leite, fazer propaganda e esperar o mercado fazer a peneira? Novamente, as pessoas não estarão a par de todas as informações para escolher o produto ótimo e por consequência teremos uma disfunção do livre mercado.
  • Rodrigo  17/05/2013 21:48
    Não vejo como solução mais proibição, deixe o mercado livre para órgãos de inspeções privados fazerem vistorias, e quem quiser criar um posto de trabalho 'num local com construção precária ou com baixa segurança' não receberia a devida certificação. É por conta e risco de cada um 'investir' neste local. Pode ser que no começo 'prédios tenham que cair' para que a consciência seja gerada, mas tirar a liberdade dessa escolha do próprio indivíduo sempre me parece perigoso!
  • Andre Cavalcante  21/05/2013 12:38
    Ai, ai, ai xará... (:-))

    "Desculpe-me, André Cavalcante, mas creio que o mercado não seria justo nesta seleção. Você esperaria que um prédio caísse para haver uma justiça moral? Você vai esperar que 1100 pessoas morram para que uma empresa saia do mercado e outras prevaleçam porque investiram mais em infra estrutura? E o que vai impedir que esse mal caráter não volte com outra empresa com edificações pífias?

    Vou assumir que você não entendeu o que falei. Assim dá para dar prosseguimento a uma discussão salutar. Caso contrário, é desonestidade intelectual por tentar aplicar a falácia do espantalho. Então, favor reler o meu comentário. Você está questionando coisas que respondi nas três primeiras linhas do meu comentário anterior.


    "Temos o exemplo da adulteração do leite no Rio Grande do Sul."

    Puts, não há uma semana que passe que alguém não vem dar uma de esperto aqui e cita esse negócio da adulteração do leite - como se a adulteração tivesse ocorrido em um mercado não vigiado pela ANVISA e cia e mesmo depois de 1 ano de investigações do Ministério Público! Eu realmente vou canonizar o Leandro. Aja paciência!...

    Adulteração de qualquer coisa é fraude, portanto, CRIME! O que crime tem a ver com trocas voluntárias e capitalismo? Esse é um problema moral e jurídico, não econômico!
    Se bem que só em um mercado genuinamente livre é que tais aberrações acabam sendo contidas em um espaço geográfico e de tempo bem razoável.
  • Juliano  21/05/2013 13:38
    Cabe lembrar que nesse domingo o Fantástico ainda mostrou um caso com funcionários do Procon recebendo propina pra liberar algumas multas. Há alguns meses mostraram fiscalizações da ANVISA feitas por telefone, onde o fiscal nem se dava ao trabalho de ir ao local.

    O Estado finge que fiscaliza e todos ficam tranquilos. Quando aparecem os efeitos lógicos de um monopólio nas fiscalizações, que não paga absolutamente nada por fazer um serviço ridículo, todos ficam com cara de trouxa, repetindo: "nossa, como tem corrupção no Brasil!.
  • Cedric  17/05/2013 21:26
    Oi André, você tem a fonte da notícia dessa greve por mais horas de trabalho? Dei uma procurada rápida mas não achei...
  • gustavo von krüger  18/05/2013 10:40
    Acho que o artigo não é contra a fiscalização pública da obra, pois ele aceita o fato de que as empresas e os donos do edifício sejam responsabilizados criminalmente pela falta de segurança.
    E é onde falha a estrutura pública que deveria verificar a construção sob o ponto de vista técnico.
    O problema é que todo mundo levou para o lado econômico, condenando o lucro.
  • Melanie Schwartz  17/05/2013 14:46
    Bom texto.
    Eu estava lendo um resumo do Capital do Karl Marx e achei estranha a ideia de que o capitalista extrai a mais-valia do trabalhador. Não sei o quão fiel é o texto que li ao livro original, mas parece que Marx ilustra o processo por meio de um exemplo da produção de algodão. O autor defende que, idealmente, os custos (depreciação, salário) deveriam ser iguais às receitas. Todavia, o empregado trabalha horas adicionais para garantir o lucro do capitalista. Na sua acepção ideal, o capitalista não levaria nada, pois ele não incluiu trabalho humano próprio durante a produção (? - não sei se entendi bem essa parte).
    Essa tal de mais-valia não poderia ser vista como um aluguel? Afinal, para o trabalhador produzir o algodão ele precisa usar equipamentos que não possui.
    O mesmo não vale para esses trabalhadores de Bangladesh? O capital nesse país é muito escasso, portanto o acesso às instalações para produzir roupas também há de ser caro. Por essa ótica, não é surpreendente que a "mais-valia" seja alta.

    E assim, a solução mais lógica seria facilitar a concorrência, respeitar a propriedade privada e permitir maior entrada de capital externo para suprir a falta desse.
  • Blah  17/05/2013 15:26
    Só para você ter uma ideia, Karl Marx, em sua análise na qual sobre o valor, simplesmente deixou de lado os bens naturais, como madeira, minerais, terras. Só isso já seria suficiente para você desconfiar dele, não é? Pois é, de lambuja, dou mais uma evidência: Ele também excluiu da análise as características físico-químicas dos bens.

    Dessa maneira, sua teoria fica assim:
    "Olha, se você deixar de lado qualquer coisa que encontre na natureza e deixar de lado todas as características dos objetos, aí o que sobra de comum nelas é o trabalho".
    Entendeu? Nem eu.
  • Jeferson  17/05/2013 15:37
    Sua conclusão foi perfeita. A "mais valia" de que Marx trata pode ser vista parcialmente como aluguel, mas também pode ser vista como um "prêmio" pago ao capitalista por assumir os riscos do negócio. Isso Marx não era capaz de enxergar, porque ele nunca teve que se arriscar em negócios na vida. Desse modo, é importante frisar que muitas vezes o capitalista tem uma "menos valia", quando o negócio dá errado, pois ele tem que pagar o salário acordado com o trabalhador mesmo quando seus negócios estão indo mal e dando prejuízo. É óbvio que, pra assumi um risco, se espera um retorno que o compense. Pena que um dos escritores que mais influenciou o pensamento ao longo dos anos tenha sido suficientemente ignorante pra não perceber diversos conceitos óbvios.
  • Diogo  17/05/2013 15:55
    Na realidade são juros pois o trabalhador recebe antecipado, se fosse aluguel ele teria que vender o que produziu, produziria menos pois dispenderia tempo para vender.
  • Emerson  17/05/2013 15:40
    Parece piada esse artigo. Não, não sou marxista, mas a dignidade da pessoa humana é fator preponderante para que a especie humana não se auto extingue. Se tem de aumentar os salários dos pobre coitados que vivem em situação dês humana, os empresários de Bangladesh bem como de todos os outros países repassem a conta para nós ocidentais que podemos pagar por um Terno mais bacana.

    A culpa de tudo isso é de nós ocidentais que só fechamos negocio se a mão de obra for absurdamente barata. Se por acaso o azarado desse empresário que perdeu seu prédio tivesse dito que não trabalharia nas condições das grifes internacionais, as grifes investiriam em um local menos desenvolvido que aceitasse as condições.

    Acredito no liberalismo econômico, mas a discussão aqui já não é mais de direita/esquerda. Aqui discutimos moral, ética, bem, mal.
  • TPC  17/05/2013 21:20
    Concordo com você. Vamos pegar a legislação trabalhista francesa, dar CTRL+C, pegar a de Bangladesh, dar CTRL+D e pronto,milhões de trabalhsfores sairão da miséria num piscar de olhos.
  • Rodrigo  17/05/2013 22:01
    Se a escolha livre da maioria das pessoas seja pagar mais barato, mesmo custando a vida de pessoas como nesse caso, as coisas continuarão assim e de nada adiantará tentar impor uma moral coercitiva por melhor das intenções que seja
  • Emerson  19/05/2013 14:27
    Verdade rodrigo. Não enxergo simplicidade no problema, nem uma solução milagrosa.
  • Malthus  17/05/2013 15:50
    O que parece piada é o seu comentário, que além de não apresentar um pingo de argumentação lógica e racional, se resume a emitir afetações de comiseração e de pseudo-compaixão, como se emoções fossem um substituto para a razão e a lógica. Economia não funciona assim, meu caro, sinto lhe informar.
  • Emerson  17/05/2013 16:33
    Malthus, estas bitolado a observar o mundo a sua volta apenas baseado na economia? Essa sua logica econômica está completamente ultrapassada, todas os polos de conhecimento hoje são multidisciplinares. No mundo atual afastar sociologia de economia não é muito lucrativo.

    Por outro norte, se para você, auferir lucro estiver acima de vidas humanas, realmente não temos o que discutir. Não enxergo progresso em um modelo econômico em que o "cidadão" recebe apenas o necessário para sobreviver.

    O que o articulista passa ao leitor é que as grifes de roupas ocidentais estão fazendo favores a esses países, por meio da terceirzção ou estabelecendo suas fabricas neles.

    E por não existir outra alternativa atualmente ao captalismo, em eventual revolta desse povo eles vão buscar um regime socialista, grande vantagem né?
  • Renato Souza  19/05/2013 03:46
    Mas não é verdade que o mercado dá aos cidadãos apenas o necessário para sobreviver. Veja só, na URSS e na China comunista, não havia mercado, e milhões morreram de fome.

    Agora veja a Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Japão, Cingapura, etc. Em um geração, cada um desses países, por terem adotado um modelo de mais liberdade de mercado (muito mais que o nosso) passaram da míséria à riqueza.

    Do jeito que você fala, parece até que morar em Cuba é melhor que morar na Suiça, ou morar na Coreia do Norte é melhor que morar na Coréia do Sul. Mercado livre produz melhores condições de vida. Se o governo de Bangladesh for menos incompetente nas atribuições que ele próprio tomou para si, poderá evitar tragédias como essa. Mas se ele culpar o mercado e promover o fechamento econômico, só produzirá pobreza.
  • Blue Eyes, Na Resistencia  19/05/2013 17:00
    Eu não discuto marxismo porque sei que seu autor não criou tal filosofia para explicar nada, mas sim para gerar novas controversias... é perda de tempo analisar o pensamento de Marx sob a otica economica, pois, se assim fosse possivel, teriamos que esquecer que bens e produtos carregam muito mais que a suposta mais valia, elementos tais como tecnologia, valor material agregado, relação custo/quantidade, entre outros fatores que, por si só desbancariam a ideia de composição da mão-de-obra como fator primordial do enriquecimento do empreendedor fabricante em desvantagem ao operario que manufaturou tal objeto...
  • Filosofo Chato  17/05/2013 18:42
    Falando assim parece que se tem uma formula mágica pra fazer funcionar a economia, e ela não correspondesse há uma multiplicidade de fatores tendo na base o individuo que costumeiramente age de maneira irracional.
  • Mestre Madeira  17/05/2013 19:33
    Nããããoooo!!! Os funcionários da fábrica foram arrastados à força, tirados de seus lares à chibatadas, acorrentados e levados à fábrica para trabalharem até seus poros verterem sangue.

    Consequência de "nós", "ocidentais que só fechamos negócio se a mão de obra for absurdamente barata."

    Pqp...

    Esse fdp desse Marx ferrou com a raça humana...
  • Filosofo Chato  18/05/2013 00:09
    Mas digamos que é fácil explorar os mortos de fome, algo não muito digno. Tipo mulher achou um marido melhor que anterior que batia nela todo dia,pois o novo agora só bate 2x por semana. Mas até entendo que isso não é culpa do mercado, mas quem esta por de trás dele que é homem,ai é que a coisa complica pois este problema não tem concerto em qualquer sistema é um defeito de fabricação.
  • Emerson  19/05/2013 14:28
    Verdade filosofo chato.
  • Renato Souza  19/05/2013 16:19
    Filosofo Chato

    O seu exemplo não corresponde aos fatos.

    O marido anterior, que batia na mulher o dia todo, na sua comparação, corresponderia à situação de um país pobre não integrado ao comércio mundial. Bom, sua comparação é falha. A mulher apanha porque alguém lhe faz um mal - bate nela. Um país é pobre não porque alguém lhe fez algo, mas porque não se produziu ainda riquezas suficientes. Conforme o capital for se acumulando no tempo, haverá mais riquezas na forma de máquinas, conhecimento, estradas, portos, ferrovias, veículos. Esse capital acumulado no tempo causa aumento de produtividade. Mas há um motivo a mais, que se não é a causa principal, contribui gravemente para a pobreza: Um ambiente cultural corrupto. ao extremo. De qualquer forma, a sua comparação nesse ponto está errada. Pobreza não é, fundamentalmente, alguém fazendo mal a outro. É falta de algo, que só pode ser conseguido com o tempo. E o segundo motivo é algo que o próprio país faz a si mesmo.

    Na sua comparação, a integração comercial com outros países, com aumento de comércio exterior, e vinda de novas empresas, é comparável ao segundo marido, que só bate 2x por dia. Novamente a comparação é imprópria. Uma mulher que apanhe 2x por dia, não terá saúde nem felicidade, e principalmente, não estará cada vez melhor. Mas que aconteceu com os países asiáticos que se integraram a mais tempo no comércio mundial, inclusive com implantação de muitas empresas extrangeiras, e ampla liberdade de comércio? Em uma geração pularam da miséria para a riqueza. Não sei em que isso pode ser comparado a apanhar duas vezes por dia.

    O motivo do acidente foi a corrupção governamental MUITO GRANDE em Bangladesh. Onde há muita corrupção, sempre haverá um caminho para genta má fazer coisas ruins.
  • Filosofo Chato  19/05/2013 21:28
    Concordo contigo,não tinha me apercebido do fato que existem algumas talvez que gostem de apanhar, pelo menos segundo Nelson Rodrigues.
  • Eduardo  17/05/2013 18:45
    Acho que não se pode confundir a legítima pressão dos consumidores com uma possível pressão legal.

    Não há dúvida que se o governo de Bangladesh impusesse todas as "garantias" trabalhistas, sanitárias, ergonômicas etc dos europeus, as empresas levariam sua produção para outro lugar e o desemprego explodiria lá.

    Entretanto, os consumidores podem não gostar de saber que pessoas morrem (ou se machucam) fazendo seus produtos preferidos. Assim, podem decidir boicotar a empresa. A empresa, então, irá avaliar o custo x benefício de atender às demandas por melhorias nas condições de trabalho. Caso ela conclua que, sob as novas regras, o custo x produtividade do local não será bom, irá mudar sua produção de local.

    Ironicamente,isso poderia acabar sendo pior para as pessoas que os consumidores conscientes pretendem ajudar.
  • Eliel  17/05/2013 18:46
    Concordo com o Leandro a respeito do palestrante americano Nick Hanauer. Assisti ao vídeo. O que me chamou a atenção é o velho recurso à revolução copernicana ocorrida na astronomia, que substituiu o paradigma dos epiciclos ptolomaicos. É um Nassim Haramein da economia. Tomara que a Espanha o contrate como acessor econômico. Vai que a arrancada da recuperação econômica espanhola, um exemplo para toda a Europa, seja o "consumo" dos livros da E.A. nas fogueiras em praça pública promovida pela Troika sob as bençãos do salvador pós-mainstream Mr. Hanauer?

    Abraços.


  • Fernando Chiocca  17/05/2013 19:30
    A Primark é a oitava maravilha do mundo capitalista!

    Roupas praticamente de graça por todo o Reino Unido.
  • Guilherme Marinho  17/05/2013 19:54
    Primeira maravilha dos brasileiros na Inglaterra hahaha
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  17/05/2013 21:09
    Os salários dos trabalhadores devem aumentar a qualquer custo!
  • Renan Fernandez  17/05/2013 21:14
    Lá fora, em países desenvolvidos onde se consome estas marcas, acredito que o mercado possa penalizá-las sim, todavia, num país como o nosso, onde a vida já não está valendo muita coisa e nos habituamos a ouvir todos os dias, notícias de pessoas assassinadas como quem assiste um novo comercial das Casas Bahia e os valores estão subvertidos pelo marxismo cultura e o costume à violência, necessitaríamos de meio século, pelo menos, pra eliminar essa indiferença e o jeitinho brasileiro, com leis que realmente funcionem e inibam o desrespeito à vida, à liberdade individual e à propriedade privada.
  • Joao  17/05/2013 22:49
    Acredito que o artigo tratou essencialmente do aspecto econômico da questão. Sem muitos juízos de valor, como deve ser a Economia.

    Mas vamos lá:

    1) Todos concordamos que é terrível saber que há pessoas trabalhando nessas condições insalubres e extremamente perigosas.

    2) Concordamos também que o ocorrido no Bangladesh não é um exemplo de "insegurança difícil de perceber", como o autor deu a entender no texto. É bem diferente de comparar com sistemas de freios eletrônicos.

    3) Como ali a insegurança era VISÍVEL e notória (nós ocidentais só soubemos depois do acidente, mas as instalações eram velhas e comprometidas), isso nos leva à seguinte questão: o que levou o empregador a abrir um negócio justamente ali, onde ele arriscaria vidas (dos funcionários) e o seu precioso capital? Ele era um sádico ou um sovina que prefere correr o risco a pagar mais?

    Bom...se isso fosse numa sociedade de livre-mercado, conforme explicado em zilhões de artigos daqui do IMB, as condições seriam melhores. E muito provavelmente, existiram empresas certificadoras, ou seguradoras. Uma seguradora não iria querer segurar um prédio comprometido, e uma grife internacional não iria se arriscar a comprar produtos sem o selo de qualidade da seguradora. Essa é uma hipótese.

    Mas voltemos ao nosso mundo. Acredito que desejamos chegar a um arranjo racional que poderia ter evitado essa tragédia, ou ao menos diminuir suas chances, sem violar liberdades individuais. Então creio que a discussão será frutífera se nos concentrarmos em procurar a resposta à pergunta do ítem 3 acima. Por quê o empreendedor se instalou ali, naquela área perigosa?


    Minha resposta pessoal: no fundo as grifes, que são seus clientes, não se importavam com isso. Logo não havia pressão para o cara procurar locais melhores. Além disso, provavelmente ele era ignorante e deve ter julgado que o risco à vida não era tão grande assim.


    Outra questão importante é a moralidade da ação preventiva nesses casos. Para uma ação ser legítima, precisamos saber sem margem de dúvidas que a atitude do indivíduo vai agredir alguém em específico, violando sua liberdade individual. O cara comprou/alugou um prédio ruim, e ofertou as vagas de emprego. Ninguém foi obrigado a aceitar, e provavelmente quem trabalha sob maior risco, tudo o mais contante, recebe um valor maior. Então tanto o empreendedor quanto os empregados concordaram em correr esse risco, acreditando que se beneficiavam mutuamente.

    Deve-se avaliar se alguém foi ENGANADO. Se o dono mentiu aos candidatos dizendo que o prédio era seguro, se ele foi inspecionado. Deve-se avaliar se ele mentiu às grifes também, dizendo que não havia risco.

    A punição é justificável apenas se houve mentira deliberada. Se ele enganou seus clientes ou empregados. Agora se todos estavam cientes das condições e aceitaram voluntariamente os riscos envolvidos, não há uma ação punitiva moral a ser tomada contra a pessoa do empresário.

    Ou seja, tratariamos o caso como uma fatalidade, da mesma forma que ocorre com acidentes aéreos, deslizamentos em minas e coisas do tipo. Daqui pra frente o público consumidor vai se tocar, as grifes vão pressionar e invariavelmente os empresários do setor terão que se adequar à nova demanda dos seus clientes. Quem não conseguir oferecer melhores condições de trabalho, dessa forma, vai perder mercado até ser eliminado.

    Na minha humilde opinião, não havia ação preventiva moral a ser tomada. Qualquer ação desse tipo violaria os direitos individuais do empresário, dos empregados e das grifes.

    É isso.

  • Lucas  18/05/2013 02:20
    Desculpe fugir do assunto do artigo, mas é que estou em duvida. Pretendia comprar os livros Educaçao: Livre e Obrigatoria e Além da Democracia, mas percebi que os livros se encontram disponiveis na seçao Biblioteca em PDF e para imprimir. Estou em duvida se compro na loja virtual por R$35.00 ou se simplesmente imprimo os dois livros, porque eu estranhei que Educaçao: Livre e Obrigatoria possui na Biblioteca apenas 3 capitulos o que me levou a supor que seja apenas um resumo e que o livro da Loja Virtual seja a versao completa, é isso ou ambos (da biblioteca e da loja virtual) são iguais ?? Se for, qual a vantagem deu comprar o livro ao inves de baixa-lo ou imprimi-lo ??
  • Equipe IMB  18/05/2013 02:59
    99% dos livros estão disponíveis gratuitamente no site, e em sua versão completa, como é o caso do Educação. Fica ao seu critério escolher se compra ou lê gratuitamente.

    Abraços!
  • MZT  18/05/2013 16:55
    Sem delongas:

    Sendo eu engenheiro civil e empresário no ramo imobiliário, recuso validar, construir e empreender caso o objeto em pauta (imóvel em si) não apresente seguras condições para uso em longo prazo.
    Em Bangladesh, a cooperação entre a negligência do construtor ao compromisso moral de prover condições à vida, e a ganância ignorante do investidor (que deixou seu capital inscrustar-se em tal via, assumindo os riscos do iminente desabamento), foram, sem dúvida, a causa.
    O dono deve arcar com as consequências financeiras e criminais, pois, queira ou não, levou à morte de mais de mil pessoas. Os humanos que morreram pagaram com o maior capital que possuímos: a vida.

    Mas partindo do princípio em que o EMPREGADO aceita as cláusulas contratuais, vide salário e situação do local onde irá trabalhar, ele abre mão de qualquer possível direito perante situações como esta. Fácil assinar o contrato onde diz que o EMPREGADOR vai garantir as condições de trabalho, mas o EMPREGADO possui o dever de constá-las, por si próprio. Aceitá-las ou não, portanto, depende de sua opção.

    Debater isto, entretanto, não evita a catástrofe que uma péssima educação moral causa em todos os âmbitos da vida.

    Sempre nos encontramos com situações onde poderíamos alimentar nosso ego capitalista, e simultaneamente socaríamos nossa integridade. E como todos sabem, a verdade prevalece.

    A excelência moral leva tempo, e são poucos os que a atingem.

    Abraços.
  • Joeber B. S. de Souza  18/05/2013 23:35
    Bom dia a todos. Fico entusiasmado com tão boa discussão. Creio que parte do que acontece em Bangladesh e no mundo do mercado livre esteja no desejo pelo consumo intelectual por algumas pessoas e pelo consumo material por outras. Imagino uma análise aprofundada entre estes dois públicos de consumidores. Como resultado, ou melhor, já que não o fiz, coloco como um dos objetivos: a necessidade de encontrarmos um público de consumidores que tivesse as melhores características de cada um dos dois grupos estudados. Vou exemplificar com o mercado das empregadas domésticas. Se eu disser que as Leis atuais não interferiram negativamente na relação entre minha família e a nossa secretária não estaria sendo irônico e nem desmentindo vários artigos que publicitaram o contrário. Atentem para os seguintes fatos. Eu e minha esposa procuramos no mercado, ou através de indicação de outros trabalhadores que passaram pela nossa residência, ou através de vizinhos e amigos, uma pessoa em quem pudéssemos confiar a nossa casa, a nossa família, os nossos bens, a nossa segurança etc. Após, duas tentativas frustradas e uma tentativa bem sucedida, encontrei uma quarta, que está trabalhando conosco até hoje. Todas tiveram as mesmas condições de local de trabalho e de salário tudo dentro da Lei vigente da época, inicialmente. Mas a atual após sete anos de carteira assinada, ganha três vezes mais que inicialmente, ganha hora extra, bônus e gratificações que não estavam na Lei. Todas nunca trabalhavam em feriado ou fim de semana, mas quando necessário e solicitado, apenas as terceira e a quarta secretárias ficavam e ganhavam por isso. Em nenhum momento foi pensado em demiti-las nos dias que não podia acordar tal trabalho extra. A secretária atual com seu pouco conhecimento técnico educacional, mas de grande saber na arte de cuidar de si própria, de sua família e de terceiros fomentou com suas atitudes o crédito de confiança que lhe foi depositado, isso gerou uma relação trabalhista onde o investimento em qualificação era uma meta acordada entre nós e inicialmente financiada por nossa família, o esforço a mais, feito por ela sem a nossa exigência, era sempre compensado sem mesmo ter sido por ela cobrado, financeiramente. Vejam que não houve interferência da Lei atual para que se criasse uma parceria, mas foi graças a essa Lei que nos sentimos mais seguros. Ou seja, enquanto para uns a Lei coibirá abusos para outros a mesma Lei facilitará a relação. Até este ponto já relacionei cinco tipos de consumidores, as minhas quatro secretárias e a nossa família. E cinco tipos de empreendedores, as minhas quatro secretárias e a nossa família. Estranho inicialmente, mas bem fundamentado será. Cada um dos consumidores e empreendedores envolvidos tem diferente formação pessoal e educacional. O único fator comum a todos era o local de trabalho e as condições trabalhistas legais vigentes, então por que a atual secretária continua conosco? Porque ela, assim como, a nossa família encontrou o equilíbrio no universo do consumo intelectual e material. Hoje ela e nossa família, mantida as devidas proporções, alçamos em três vezes mais as riquezas iniciais. Se ela quiser morar em um bairro como o da minha família terá o dinheiro necessário e nosso apoio para investir em seu consumo intelectual, mas terá que diminuir o seu consumo material e começar a trabalhar ou estudar nos fins de semana. E se eu quisesse ter mais riquezas abriria uma empresa de secretárias domésticas em contrapartida diminuiria o meu tempo de dedicação às áreas do conhecimento que mais amo, a ética, a saúde pública e a política. Espaço conquistado com muito trabalho e estudos inclusive nos finais de semana. Toda a discussão do texto engloba a compaixão e compromisso mútuo entre os seres humanos, sua capacidade de criar condições cada vez melhor para as pessoas formarem uma consciência ética e optarem entre o consumo intelectual e material buscando sempre um equilíbrio, que é dinâmico em sua essência.
    No exemplo citado por mim as condições iniciais de instalação para nossas secretárias e nossa família eram sofríveis, mas agora são muito boas, dando condições à secretária de dormir em nossa residência, se assim, for o seu desejo.
    Para concluir, concordaria com o autor caso a fábrica de Bangladesh tivesse no seu planejamento inicial as melhorias das condições de trabalho através dos lucros reinvestidos na própria empresa, mesmo que para isso mais esforços de seus trabalhadores fossem necessários e acordados, creio que não haveria até este ponto nenhuma interferência Legal naquela cidade.
    O problema que levanto em nosso Brasil, dito em desenvolvimento, onde verificamos diferentes graus de excelência na gestão pública e privada é: onde estará a compaixão entre as pessoas, o compromisso com o que é público, a capacidade de criação de melhores condições pelo setor público e privado e a consciência ética dos consumidores e empreendedores?
  • Blue Eyes, Na Resistencia  19/05/2013 06:38
    A logica suplanta qualquer tentativa socialista de imperio do estado sobre os meios de produção... é se meterem e causarem desastres economicos e sociais... a historia ja nos contou...
  • Orfao batalhador  20/05/2013 00:07
    Aprecio muito os artigos do Instituto.
    Porem as vezes regulacoes devem existir. Assim como quando um pai ensina o seu filho.
    **
    No final do artigo lemos: "A liberdade econômica, e não a interferência estatal, é a estrada que leva à riqueza das nações".
    **
    Em 2008 aconteceu um grave acidente numa refinaria de acucar nos Estados Unidos.
    en.wikipedia.org/wiki/2008_Georgia_sugar_refinery_explosion
    **
    Em 1988 aconteceu um grave acidente no mar do Norte, na plataforma Piper Alpha.
    home.versatel.nl/the_sims/rig/pipera.htm
    en.wikipedia.org/wiki/Piper_Alpha
    **
    Como o Sr. Reismann explicaria estes acidentes, ocorridos em paises do primeiro mundo?
    Porque no primeiro caso houve intervencao da OSHA e no segundo do HSE.
    www.oilandgasuk.co.uk/cmsfiles/modules/publications/pdfs/HS048.pdf
    No caso da Piper Alpha, most people agree that Piper Alpha was a turning point for the offshore industry and ushered in big changes in safety management, regulation and training.
    Ou seja, a partir destes acidentes, medidas foram tomadas, e hoje podemos ver que estes ambientes de trabalho sao mais seguros.
    **
    Atenciosamente,
  • anônimo  20/05/2013 11:09
    'Aprecio muito os artigos do Instituto.
    Porem as vezes regulacoes devem existir. Assim como quando um pai ensina o seu filho.'

    Desculpe mas pai eu já tenho.Guarde sua arrogância pros seus iguais, que ironicamente, vão querer ser o seu pai.
  • Anônimo  20/05/2013 04:50
    "Se os salários em Bangladesh forem arbitrariamente elevados por um decreto governamental, menos trabalhadores serão empregados. Neste caso, aqueles trabalhadores que hoje ganham salários baixos passariam a não ganhar salário nenhum."

    A não ser que a fábrica mude toda sua estrutura para um país ainda menos desenvolvido, automatize sua linha de montagem ou planeje diminuir sua produção, demissões em massa não devem ocorrer. Aliás, se houvesse tal decreto em todos países em que os salários da categoria ainda são miseráveis, a empresa não teria escolha senão pagar mais aos trabalhadores, já que a base é maior em todo lugar. Logo, não vejo um aumento decretado como ruim, do ponto de vista do trabalhador. Creio que o salário base deva ser determinado pela categoria, que deve se unir para conseguir o que almeja, e não por decreto governamental, mas se tais trabalhadores elegeram tal governo e este os está representando, então a ideia é a mesma.

    Sobre a legislação em relação à estrutura do prédio:

    Creio que deva haver sim uma intervenção por parte de algum órgão neste quesito. Se o prédio está irregular, não deve operar. Não é como se aqueles trabalhadores estivessem lá porque queriam. Pode até ser que eles conheciam o risco, mas foram forçados a ignorá-lo por ser o único lugar onde conseguiram emprego. Outro exemplo: Sou de Santa Maria, onde recentemente houve um incêndio em uma boate. Creio que a maioria dos jovens que estavam lá não sabiam do risco a que estavam se submetendo - risco este que não seria claro sem uma fiscalização minuciosa.
  • Mauro  20/05/2013 07:17
    Acidentes estão propensos a ocorrer em toda e qualquer fábrica que lide diretamente com processos químicos, como é o caso dos dois exemplos por você citados. Trata-se de uma lógica da natureza. No entanto, é o cúmulo da ingenuidade pensar que burocratas não apenas sabem melhor como impor padrões de segurança, como também estão mais interessados na segurança das indústrias do que os próprios proprietários delas, que serão justamente os mais afetados caso haja explosões ou outros infortúnios.

    Para qualquer pessoa que pensa assim, ficam duas perguntas:

    1) Já que o estado é tão onisciente, por que ele não impediu nenhum destes infortúnios? Ora, o estado e suas regulações sempre existiram. Por que eles não obtiveram êxito em impedir estas tragédias? Parece que conceder a estes incompetentes o monopólio da virtude e da preocupação para com os seres humanos é coisa de utópico sonhador.

    2) O que os proprietários destas indústrias ganham ao fazer coisas que levem à total destruição de suas instalações físicas? Isso tem de ser respondido.
  • Rodrigo  20/05/2013 07:18
  • Anonimo  20/05/2013 21:39
    "O estado não pode ser o fiscal da segurança. Nem das pessoas, nem das propriedades, pois nunca perde nada em caso de sinistro."

    Realmente, nunca vi por este ponto.
  • Renato Souza  21/05/2013 02:31
    Realmente, se os salários subissem igualmente em todos os lugares, não valeria a pena para a empresa mudar de país. Embora uma subida igual em todos os lugares seja um evento para lá de improvável...

    Aparentemente você julga que os salários são neutros em relação à produção. Mas salários são o preço de insumos (mão-de-obra) e nunca o preços de insumos são neutros em relação à produção. Como os salários tem normalmente um peso não desprezível, eu diria que a produção é bastante sensível aos salários. Em outras palavras, aumentos forçados dos salarios em relação aos outros preços tendem a gerar diminuição da produção. Ora, isso não é irrelevante, pelo contrário é bastante problemático. Uma diminuição generalizada da produção por causa de salarios artificialmente altos tende a gerar uma depressão, que é algo pior que uma recessão. Foi exatamente essa a história da grande depressão americana. Foi uma crise como qualquer outra, que em um ano teria acabado. Mas o governo forçou preços e salários artificialmente altos, que impediram a economia de se ajustar, o que causou a manutenção da situação de crise durante muitos anos. Há vários artigos neste site sobre isso.

    Outro ponto importante é que quando os salários são mantidos artificialmente altos, provavelmente os trabalhadores mais experientes e produtivos ainda serão economicamente viáveis para as empresas. Mas muitos trabalhadores inexperientes (e por isso, menos produtivos) se tornam inviáveis. Isso causa um enorme desemprego entre os mais jovens, que é justamente o que se observa na Europa. Também há artigos sobre esse assunto no site.
  • Marcelo Werlang de Assis  03/06/2013 16:47
    Abaixo, reproduzo um artigo publicado hoje (03.06.2013) no jornal Zero Hora, cujo título é "Quando a vida não vale nada". A autora, Andréa Nocchi, é -- como não poderia deixar de ser -- juíza do Trabalho. Trata-se de um ótimo exemplo para ilustrar aquilo a que Reisman se refere -- a mentalidade anticapitalista (contra a lógica econômica, contra o lucro, contra a acumulação de capital) e pró-Estado (a favor de legislações trabalhistas e a favor da crescente ampliação dos poderes estatais) é ainda mais perigosa do que o desabamento do edifício da fábrica.

    Na linda música "Deixando o Pago", o cantor e compositor Vitor Ramil escreve "que o mundo é pequeno e que a vida não vale nada". A morte de mais de 1.100 trabalhadores no desabamento de um prédio em Bangladesh, no final de abril, e o número oficial de 2012 de 2.717 brasileiros que perdem a vida em acidentes de trabalho demonstram, sim, que o mundo é pequeno e que a vida não vale nada.

    Pequeno porque a distância entre o Brasil e Bangladesh é imensa, mas a realidade que envolve as precárias condições de trabalho de milhares de pessoas e a desconsideração com a vida humana nos aproximam; pequeno, porque, quando trabalhadores, na sua maioria mulheres, perderam suas vidas naquele desabamento e em outros incêndios que antecederam a tragédia, estavam confeccionando roupas para as grandes marcas da indústria têxtil mundial, que o brasileiro consome ou sonha consumir. Algumas delas, pressionadas pela repercussão deste e de outros acontecimentos, firmaram acordo para fiscalizar e financiar medidas de segurança e contra incêndio nas fábricas de Bangladesh.

    A tragédia traduzida em morte anunciada tem, pelo menos, três facetas de perversidade. Uma, o trabalho escravo e a total falta de apreço com condições mínimas de dignidade. Outra, a fragmentação dos modos de produção que as terceirizações e toda a divisão da cadeia produtiva disseminam, de modo a desprezar quem e de que forma se produz para valorizar, apenas, a capacidade de produção; e, ainda, uma terceira, vinculada com a morte por acidente de trabalho.

    Qualquer enfoque faz as fronteiras entre o Brasil e Bangladesh desaparecerem neste mundo pequeno. E a vida, que não vale nada lá, também nada vale aqui.

    Silenciosamente, cerca de sete trabalhadores perdem a vida por dia no Brasil. É mais que o dobro das mortes da tragédia do Paquistão, todo o ano, ano após ano. De tão grave o flagelo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) pensa em uma campanha mundial para a prevenção de acidentes, o governo brasileiro começa a divulgar ações neste sentido, e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) tem um programa especialmente desenvolvido para conscientização e redução das mortes e doenças profissionais.

    Mas, enquanto a prioridade for produzir de modo globalizado e massificado, com baixíssimo custo e altíssimos lucros, a vida não valerá nada, e o mundo continuará a ser pequeno, na comunhão das tragédias.


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