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A diferença entre preço e custo - e como os impostos distorcem tudo

Supunha que você compre 1 litro de gasolina por $3.  Quanto esse 1 litro lhe custou?  Um sujeito mais apressado responderia: "Mas que pergunta tola, Williams.  É óbvio que ele me custou $3". 

É aí que você se engana, pois há uma diferença entre preço e custo.  Para entender por que preço e custo não são a mesma coisa, considere a seguinte situação.  Suponha que, na cidade em que você mora, você rotineiramente pague $15 por um corte de cabelo.  Agora imagine que você descubra que haja uma barbearia em uma cidade a 2 mil quilômetros de distância cujo preço cobrado por um serviço idêntico seja de apenas $5.  Você por acaso iria passar a cortar o cabelo nesta outra cidade?  Tenho certeza de que sua resposta é não, pois, embora o preço seja bem menor, o custo envolvido na operação é bem maior.

Podemos pensar no preço como sendo o dinheiro que é dado em troca de uma transferência de propriedade.  Quando você comprou o litro de gasolina, você simplesmente transferiu a propriedade de seus $3.  Quanto o litro de gasolina realmente lhe custou é outro assunto.  Uma maneira de determinar o custo de um galão de gasolina é se perguntar a si próprio qual foi o sacrifício que você teve de fazer para obter os $3 necessários para comprar a gasolina.

Suponha que seu salário anual seja de $75.000.  O total de impostos que você paga — o imposto de renda, o INSS, o IPVA, o IPTU e todos os impostos indiretos — chega a 35% do seu salário.  Isso significa que, para comprar o litro de gasolina de $3, você teve de ganhar o equivalente a $4,60 por hora para ter os $3 após os impostos.  Isso significa que um litro de gasolina, na realidade, custa para você um sacrifício de $4,60.

Mas a gasolina é menos custosa para você do que para uma pessoa rica — por exemplo, alguém que ganhe um salário anual de $500.000.  Esta pessoa paga uma alíquota de imposto de renda maior do que você (e, adicionalmente, não é desarrazoado imaginar que seus gastos com IPTU e IPVA também sejam maiores).  Sendo assim, ela tem de ganhar mais de $5 por hora para ter os mesmos $3 após os impostos. 

Se tudo o que os impostos fizessem fosse ocultar estes custos embutidos em tudo o que compramos, seria bom demais; porém, os impostos geram outras formas mais insidiosas de destruição.  Suponha que eu queira contratar você para consertar meu computador.  Ter este serviço feito vale $200 para mim, e efetuar tal serviço vale $200 para você.  A transação ocorre porque nós temos esta coincidência de desejos, e porque voluntariamente concordamos que tal transação melhorará nossa situação.  Agora, suponha que o governo imponha uma alíquota de 30% de imposto de renda sobre o seu ganho.  Isso significa que, se você consertar meu computador, você não mais receberia $200 — que era o que valia para você fazer o serviço —, mas somente $140 após os impostos.  Você poderá dizer "Que se dane este serviço; ficar com minha família vale mais do que $140".

No entanto, você ainda assim poderá se oferecer para fazer o serviço, mas só se eu lhe pagar $283.  Desta forma, sua renda após os impostos continuaria sendo de $200 — que é o que tal serviço vale para você.  Mas aí há um problema.  O serviço de reparação valia $200 para mim, e não $283.  Sendo assim, é minha vez de dizer "que se dane tudo isso; não vale a pena".

Este exemplo simples demonstra que um dos efeitos dos impostos é o de destruir as transações — e, por conseguinte, os empregos e a renda.  Na mais branda das hipóteses, impostos encarecem o valor final para o consumidor e reduzem a renda total do trabalhador. 

Mas políticos possuem uma visão de mundo que, no jargão dos economistas, é caracterizada por uma elasticidade zero.  Em outras palavras, eles são idiotas o suficiente para acreditar que as pessoas, após um aumento de impostos, irão se comportar exatamente como se comportariam caso não houvesse esses impostos, e que o único efeito de um imposto é o de aumentar a arrecadação do governo, sendo totalmente neutro para a economia.  Já uma análise mais lisonjeira diria que os políticos não são nada idiotas e sabem perfeitamente que suas medidas destroem transações — e, logo, emprego e renda —, mas não estão nem aí porque se importam apenas em aumentar as receitas do governo.

Fica então uma pergunta: você e eu, bem como todo o país, estaríamos em melhor situação se você consertasse meu computador e eu lhe pagasse $200 em dinheiro vivo e nós dois concordássemos em não declarar a transação para a Receita Federal?  A resposta é sim e não.  Sim, pois haveria mais transações, mais empregos e mais riqueza.  Não, pois seríamos tratados como criminosos caso os burocratas descobrissem nossa transação voluntária, e poderíamos ir para a cadeia.

Impostos são sagrados para políticos.  É com impostos que eles mantêm suas mordomias e é com impostos que eles distribuem agrados para a sua base eleitoral.  Os efeitos econômicos dos impostos sobre os reais trabalhadores são um fenômeno pra lá de secundário nos cálculos desta gente.



autor

Walter Williams
é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros.  Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.


  • Um Filósofo  14/05/2013 13:00
    O imposto beneficia o pobre em detrimento do rico, dado que o segundo jamais utilizará as obras realizadas com seu dinheiro. Sendo assim, a retórica burguesa por trás do vídeo é meramente uma conspiração contra o grande POVO em prol da maximização dos lucros da burguesia através da mais-valia. Sem estado, quem proverá os serviços públicos de qualidade a todos vitais para a existência da sociedade? Absurdo que os pobres tenham de pegar por eles; são todos direitos dos seres humanos que outros os providenciem suas necessidades fundamentais de amor, alimentação, abrigo, calefação, educação revolucionária anti-neoliberal e saúde.

    Quanto à questão do encarecimento de serviços e seu desemprego resultante:

    Data máxima venia, o autor se faz de míope e ignora a importância hegeliana do proletariado. O desemprego eventualmente gerado por tal encarecimento no emprego de mão-de-obra possui uma função revolucionária: Evitar a submissão cultural classista dos pobres à pequena burguesia e acender a consciência de classe em sua mente, levando-os a ingressar em movimentos sociais cruciais para o benefício de toda a classe proletária do país, como o MST, o PCC(Que apesar de sua atitude violenta criminalizada pela mídia golpista, logra despertar a consciência de classe nos prisioneiros) e inúmeros outros.

    É preciso combater o fervor reacionário da juventude mais do que nunca ou uma geração revolucionária será perdida.
  • Dagny Taggart  14/05/2013 15:17
    Até o mais leigo leitor interpretará este comentário do Um Filósofo com indiferença. Não merece mais do que isso.

    Excelente trabalho IMB!
  • Um Filósofo  14/05/2013 17:02
    Não permitirei que a juventude seja perdida ao capitalismo, Dagny.

    Já organizo inúmeros aglomerações universitárias na USP e grupos de debate nas escolas onde trabalho alguns dias por semana(Sou funcionário público por dever e professor por doação à sociedade) e ofereço méritos e convites especiais aos alunos que mais demonstrarem técnica argumentativa em prol da luta social. Sempre visando a imparcialidade à medida que estudamos o impacto destrutivo realizado pelo mercado à sociedade e como toda a riqueza é produto da mais-valia.

    Já adicionei o número de aulas em que falarei a respeito da exploração e prometo um "aulão" semana que vem com 180 alunos da rede privada falando da história do pensamento marxista no Brasil e sua importância no contexto neoliberal. Juntamente a um vereador do PSOL, ofereceremos cursos especiais gratuitos aos estudantes da rede pública com excelentes aulas de matemática, física e química juntamente à uma carga revolucionária de filosofia e sociologia, essenciais para a formação de um cidadão crítico, democrático e racional frente às injustiças da sociedade.

    A classe média moderna é nazista e terrorista, como dito brilhantemente por minha amiga, a também filósofa Marilena Chaui no comício do PT ao qual tive o prazer de ser convidado. Perdoe-me, mas como a VPR(Vanguarda Popular Revolucionária), não abandonarei minha bandeira em prol de uma democracia justa e igualitária onde a elite não terá vez.
  • Pupilo  14/05/2013 18:42
    Meu Deus. O nosso amigo disse que o desemprego é crucial e defendeu o PCC "apesar de sua atitudes violentas". HAHAHAHAHAHAHAHA. Como levar um cara desse a sério?
  • edison  14/05/2013 20:54
    "A clase média moderna é nazista e terrorista". Lênin: "xingue-os do que você é".
  • Um burrinho  15/05/2013 00:26
    Caro Filósofo,

    Quem pagará os impostos para sustentar todos os vagabundos profissionais, se você conseguir se livrar da classe média moderna nazista e terrorista?
  • Marcio  15/05/2013 01:36
    Quando você fizer a pergunta: "Quem pagará essa conta?", não espere uma resposta e se a obter, não crie nenhuma esperança de que ela será satisfatória.
  • Mr.Garone  15/05/2013 01:17
    Filósofos de esquerda, geralmente eu ignoro, pois a burrice é a cegueira deles é tanta que eu fico bem longe deles, e se acham filósofos, com tamanha ignorância não passa de um frustrado.
  • josuel  16/05/2013 14:41
    Por favor, me passa a relação das escolas onde você vai dar palestras, pois quero deixar meus filhos longe do seu falatório boçal.
  • Um burrinho  17/05/2013 01:16
    Caro "Filosofo",

    Sou empregado da iniciativa privada e dou cursos gratuitos (por iniciativa própria e sem coerção alguma) de Finanças Pessoais e Contabilidade Básica à menores de baixa renda. Porém, jamais introduzi qualquer conceito liberal, libertário, conservador, anarcocapitalista e etc. na cabeça dessas pessoas, pois entendo que essa escolha é direito deles. Na minha opinião, doutrinar jovens, sem dar a opção de escolha é, no mínimo, "golpe baixo".

    Participo desse projeto, pois vejo como uma contribuição para o futuro da juventude e não como uma forma de captar militantes para a minha ideologia.
  • Caio-SP  14/05/2013 17:51
    Você tá falando sério?
  • Felipe  14/05/2013 19:55
    O Filósofo é uma caricatura do esquerdista brasileiro criado para nos divertir com seus argumentos. O fato é que o leitor que o criou é muito inteligente e conhece perfeitamente o ambiente intelectual do Brasil.
  • Rudson  14/05/2013 20:20
    O filósofo representa a esquerda que, por exemplo, elaborou essa apostila escolar:

    fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-snc6/255421_603828392970139_280898541_n.jpg

    (é uma URL do facebook, mas é possível acessar a foto sem ter conta lá)
  • Melanie Schwartz  15/05/2013 14:26
    Que livro genial! Tem mais dessas fotos? Ri muito. :D
  • Mr.Garone  15/05/2013 01:11
    O Valor Subjetivo de Carl Menger

    "O valor que os bens possuem para cada indivíduo constitui a base mais importante para a determinação do preço."


    – Carl Menger

    Considerado o fundador da Escola Austríaca de Economia, Carl Menger ficou famoso por sua contribuição ao desenvolvimento da teoria da utilidade marginal ao refutar a teoria clássica de valor do trabalho. A objetividade das ideias de Menger no livro Princípios de Economia Política deveria, inclusive, ser conhecida por leigos em Economia. Posteriormente expandidas por Mises e Hayek, as ideias de Menger foram revolucionárias num mundo influenciado pela teoria marxista de valor. Façamos, pois, uma síntese delas.

    Aquilo que tem nexo causal com a satisfação de nossas necessidades humanas pode ser denominado utilidade, podendo ser definido como bem na medida em que reconhecemos o nexo causal e temos a possibilidade e capacidade de utilizar tal coisa para, efetivamente, satisfazer tais finalidades. Menger diferencia bens reais e imaginários, e a qualidade destes últimos é derivada de propriedades imaginárias. "Quanto mais elevada for a cultura de um povo", expõe, "e quanto mais profundamente os homens investigarem a sua própria natureza, tanto menor será o número de bens imaginários." A condição para a coisa ser um bem é haver nexo causal entre a coisa e o atendimento da necessidade humana. O nexo pode ser direto ou indireto, imediato ou futuro.

    O fato de o nexo causal não ter que ser imediato é relevante. Se a demanda por fumo desaparecesse por conta de uma mudança no gosto das pessoas, não apenas os estoques de fumo perderiam sua qualidade de bem, mas todos os demais ingredientes e máquinas utilizadas somente para este fim. No caso, isso ocorre porque todos derivam sua qualidade de bens de seu nexo causal com o atendimento da necessidade humana concreta de consumir fumo. É o conhecimento progressivo do nexo causal das coisas com o bem-estar humano que leva a humanidade do estágio primitivo e de miséria extrema para ao desenvolvimento e riqueza.

    Os bens reais demandados não existem em quantidade infinita na natureza. No caso em que a quantidade disponível de um bem não é suficiente para todos, cada indivíduo tentará atender sua própria necessidade. Eis o motivo, segundo Menger, da necessidade de proteção legal aos indivíduos que conseguirem apossar-se legitimamente da referida parcela de bens contra os ataques dos demais. A propriedade seria "a única solução prática possível que a própria natureza (isto é, a defasagem entre demanda e oferta de bens) nos impõe, no caso de todos os bens denominados econômicos". Um bem econômico seria justamente aquele em que a demanda excede a oferta. Quando a oferta do bem é praticamente ilimitada, ele não é denominado econômico justamente por não possuir tal valor. É, por exemplo, o caso do ar que respiramos.

    Avançando nos princípios de Menger, chegamos a sua definição de valor: "A importância que determinados bens concretos – ou quantidades concretas de bens – adquirem para nós, pelo fato de estarmos conscientes de que só poderemos atender às nossas necessidades na medida em que dispusermos deles". Um bem não econômico pode ser útil, mas não terá valor para nós. A confusão entre utilidade e valor tem gerado problemas nas teorias econômicas. Como já citado, o ar que respiramos é útil a todos, mas nem por isso os indivíduos atribuem um valor econômico a ele.

    O valor dos bens depende de nossas necessidades, não sendo intrínseco a eles. Como exemplifica Menger, "para os habitantes de um oásis que dispõem de uma fonte que atende plenamente às suas necessidades de água, não terá valor algum determinado quantidade dessa água". Já num deserto ou mesmo em eventual catástrofe que reduzisse essa água a ponto de os habitantes não disporem mais do suficiente para o atendimento pleno de suas necessidades, essa quantidade de água passaria imediatamente a ter valor. O valor não é algo inerente aos próprios bens, mas "um juízo que as pessoas envolvidas em atividades econômicas fazem sobre a importância dos bens de que dispõem para a conservação de sua vida e bem estar". Portanto, só existe na consciência das pessoas em questão. Os bens têm valor de acordo com o julgamento dos homens. "O valor é, por sua própria natureza, algo totalmente subjetivo", conclui Menger.

    Um exemplo clássico para reforçar esse ponto é comparar a água ao diamante. Um pouco de água, via de regra, não tem valor algum para os homens, enquanto uma pedrinha de diamante costuma ter valor elevado. Mas numa situação anormal em que a água não exista em abundância, como num deserto, qualquer porção dela passa a ter muito valor para o indivíduo em questão. Nesse caso, a maioria dos indivíduos não trocaria um pouco de água nem mesmo por meio quilo de ouro ou diamante.

    Tal como o valor, a medida para se determiná-lo também é de natureza totalmente subjetiva. A quantidade de trabalho ou outros bens secundários necessários para se produzir o bem primário não possui nexo causal necessário e direto com a medida de valor que ele terá. "O valor de um diamante independe totalmente de ter sido ele encontrado por acaso ou ser o resultado de mil dias de trabalho em um garimpo", escreve Menger. "Com efeito, quando alguém faz a avaliação de um bem, não investiga a história da origem do mesmo, mas se preocupa exclusivamente em saber que serventia tem para ele e de que vantagens se privaria não dispondo dele."

    Podemos extrair importantes conclusões desse princípio econômico. Uma das mais relevantes é o axioma de que, havendo consciência por parte dos indivíduos em questão, qualquer troca voluntária – ou seja, sem coerção ou ameaça de violência – é mutuamente benéfica. Isso decorre do fato de que cada indivíduo irá participar de uma permuta de bens somente quando julgar que o valor daquilo que recebe supera o valor do que dá em troca. Sem ser obrigado por ninguém a trocar, o indivíduo, quando realiza uma troca, sempre irá julgá-la vantajosa sob a ótica de seus valores pessoais. As consequências políticas do reconhecimento desse princípio são extraordinárias. Eis um dos grandes legados da teoria do valor subjetivo e um dos motivos de reconhecimento da importância de Menger.
  • Neto  15/05/2013 09:35
    'Menger diferencia bens reais e imaginários, e a qualidade destes últimos é derivada de propriedades imaginárias. "Quanto mais elevada for a cultura de um povo", expõe, "e quanto mais profundamente os homens investigarem a sua própria natureza, tanto menor será o número de bens imaginários." '

    Interessante, em que livro ele fala isso? Tem algum artigo sobre isso?
    Obrigado
  • Eduardo  14/05/2013 13:13
    Texto oportuno, no momento em que acabaram de aumentar os custos das empregadas. Ainda que não seja a mesma situação, pois os custos extras pago pelos patrões irão em boa parte para as domésticas, a distorção de preços e seu impactos no mercado de trabalho são os mesmos.
  • Sir. Fonseca  14/05/2013 13:39
    Lembrando que o aumento dos custos com empregadas domésticas acarretará no aumento de desemprego da classe e também do trabalho informal. Certa vez no Fantástico vi uma empregada dizer que agora ela ganhará mais que muitos que andam de "terninho" na rua, mas o que ela não levou em conta é que seu patrão pode demitir ela e contratar uma diarista duas vezes por semana.
  • Paula Valente  18/03/2017 19:13
    E o cara que anda de terninho na rua é quem paga o salário dela. Se ele não tiver dinheiro para isso, não tem salário para ela
  • mauricio barbosa  14/05/2013 13:28
    Parafraseando o mestre francês Bastiat,isso é O que se vê e o que não se vê, a carga tributária que é condenada até mesmo pelos economistas mainstream sendo a diferença em relação aos austríacos a magnitude ou seja os austríacos pregam a eliminação dos tributos enquanto os economistas mainstream pregam a redução de alíquotas de forma a onerar menos o setor produtivo e o engraçado é que todos os tributos são indiretos (esse papo de imposto direto só serve no caso do assalariado ao contrário dos empresários)pois todos os empresários embutem qualquer imposto nos preços finais dos seus produtos de maneira que quem sustenta o governo somos nós consumidores independente da renda então o verdadeiro conflito social é quem recebe recursos públicos líquidos(Políticos,funcionários públicos e recebedores do bolsa-família)e quem são pagadores líquidos de impostos ou seja a massa retante da população algo em torno de 70% dos brasileiros são ferrados diariamente por este sistema oneroso e caro que é o sistema estatal, e os economistas mainstream gostam de apelidar o sistema tributário nacional de manicômio tributário,dai críticos do IMB vocês podem concluir que não é birra a crítica deste artigo,muito pelo contrário é lógica pura.
  • Lopes  14/05/2013 13:31
    "No entanto, você ainda assim poderá se oferecer para fazer o serviço, mas só se eu lhe pagar $283. Desta forma, sua renda após os impostos continuaria sendo de $200 — que é o que tal serviço vale para você. Mas aí há um problema. O serviço de reparação valia $200 para mim, e não $283. Sendo assim, é minha vez de dizer "que se dane tudo isso; não vale a pena".

    Este exemplo simples demonstra que um dos efeitos dos impostos é o de destruir as transações — e, por conseguinte, os empregos e a renda. Na mais branda das hipóteses, impostos encarecem o valor final para o consumidor e reduzem a renda total do trabalhador. Excelente parágrafo, receio não haver nada que pudera adicionar à tamanha sensatez e clareza ontológica. Tais 9 linhas apenas satisfariam o público leitor como artigo completo.

    Lição de História.

    O maior exemplo que sou capaz de conceber das consequências dramáticas e históricas de uma medida de encarecimento artificial da mão-de-obra é o New Deal e suas taxas altíssimas de desemprego erroneamente tratado com gastos estatais por 10 anos. Quando o sempre onividente presidente F.D Roosevelt assinara um simples salário mínimo de 0.40cents/hora, a então negativada utilidade marginal de mais de 500 mil trabalhadores os lançaria ao desemprego uma semana depois. Devido ás circunstâncias históricas da divisão de trabalho americana, tais agricultores tratavam-se de negros adultos, tornando tal crise de desemprego uma cicatriz invisível que amaldiçoaria o progresso social negro nos EUA pelos próximos 20 anos.
    -------------------------------------------------------------------------------------
    Através de tal reflexão, sugeriria ao IMB juntamente ao autor Walter Williams uma coletânea histórica das consequências do encarecimento artificial da prestação de serviços através de impostos ou mera legislação trabalhista.

    A experiência factual sempre será a maior lição aos homens astutos o suficiente para estudá-la.
  • Alisson Barateli Bodelon  14/05/2013 13:49
    ..."um dos efeitos dos impostos é o de destruir as transações"...

    Acredito que este é o ponto de destaque mais pertinente do artigo!
    Penso que se tivéssemos um imposto único a ser cobrado em nossa nação (de repente de 10%, a semelhança do "imposto social" estabelecido por Deus na Antiga Aliança), apenas em relação com os nossos rendimentos, ao mesmo tempo em que fosse extirpada a "mordomia parlamentar", que é um disparate, além de um insulto a todo o nosso povo, e privatizado o maior número de serviços possíveis, haveria mais igualdade, e a liberdade, sobretudo individual, seria mais preservada.
    Antes pensava que o nosso governo muito nos atrapalhava, no tocante a questão dos impostos. Hoje, entendo que ele não apenas "muito" nos atrapalha, mas que "somente" nos atrapalha nisso.
    Saúde amigos!!!
  • Glaucio  15/05/2013 17:10
    Aviso-o que os 10% não ficava para o estado. Ele era dividido com os levitas, os órfãos, as viúvas, o estrangeiro e comigo. Se levar em consideração que o levita era o estado, somente 2% na verdade ficava com eles.
  • Alisson Barateli Bodelon  16/05/2013 01:27
    Glaucio, saudações meu mano!

    Na verdade, fiz menção da lei do dízimo estabelecida como um "imposto social" para a nação de Israel pelo próprio Deus, segundo a Escritura Veterotestamentária, apenas para externar que acredito que, uma forma de organização social calcada em um imposto único cobrado em um regime democrático, a semelhança daquela, seria a medida mais adequada a ser tomada. Pois, no meu ponto de vista, teríamos condições de corrigir com maior eficácia as questões de injustiças sociais em nossa terra, além de proporcionarmos, sem exploração alguma, o bom funcionamento da nossa economia, garantindo o bem estar social do nosso povo. Sei que a lei do dízimo, de acordo com o seu propósito original (agora falo a respeito de uma convicção pessoal), a partir do momento em que fora estabelecido como "imposto social", visava socorrer os órfãos, as viúvas; sustentar os levitas, por não terem herança ou parte na terra, como os seus demais compatriotas; além de providenciar ajuda para estrangeiros e peregrinos enquanto lá permanecessem (Deuteronômio 14. 28-29). Também compreendo que viviam em um regime chamado ou conhecido na história como "Teocracia", e sendo assim, a classe sacerdotal (levítica), poderia sim ser entendida como "representação" do Estado, em um primeiro momento, mesmo porque, a posteriori, o rei "consagrado", no exercício de sua função, também seria um "represente" seu, e etc.
    Todavia, a minha intenção não era iniciar um debate acerca disso, Glaucio.
    Para lhe ser franco, mais pensava sobre o exemplo do imposto único cobrado na Espanha aproximadamente 8% a tempos atrás (não sei em relação a hoje), que na questão teológica do dízimo no Antigo Testamento! Muito embora, tenha procurado relacionar um com o outro em meu texto! Obviamente, tendo em vista o imposto a ser cobrado apenas sobre rendimentos.
    Meu intuito era apenas o de apresentar uma nova proposta regimental de cunho econômico-social.
    Acredito que promoveria tanto mais ordem e progresso, como mais igualdade e liberdade!

    Saúde Glaucio!

    Espero que tenha pelo menos me compreendido agora, ainda que nisso, comigo não concorde!
  • Gabriel  15/05/2013 18:42
    Há uma diferença enorme entre i imposto da antiga aliança divina e o atual: Aquele era sobre os rendimentos, este sobre as transações. Naquele você poderia comprar, vender, comerciar livremente e, no fim de um determinado período você destinaria uma parte de seus rendimentos para quem não era permitido viver uma vida comercial: os levitas. Neste, as transações são atacadas pela raíz, o artigo deixou claro o efeito de impostos sobre transações ao exemplificar o concerto do computador.
  • Alisson Barateli Bodelon  16/05/2013 02:17
    Saudações, Gabriel!

    Penso que, em minhas respostas, sobretudo, em minha resposta ao Glaucio, pude esclarecer ou elucidar melhor a minha perspectiva.
    Espero da mesma forma que me tenha compreendido.
    Na verdade, em suma, concordo com o que dissestes em seu comentário!

    Saúde meu mano!
  • Gabriel  16/05/2013 16:48
    Entendi sim, eu estava apenas reafirmando e não contrapondo uma ideia. Mas é minha única visão de imposto "justo". Os levitas eram impedidos de trabalhar por razões teológicas, e como eu já disse imposto sobre transações é uma verdadeira desgraça. Apesar de um imposto sobre o produto final também representar um problema, e também causar impacto no custo das transações, eu acredito que não é tão devastador quanto o imposto sobre as transações diretas. Sinceramente, a "legislação bíblica" é complesxa e extremamente eficiente. Permite que as pessoas compram e vendam, que enriqueçam mas oferece oportunidade para que até quem perdeu tudo receba de volta um pouco ao fim de 40 anos. É como eu disse, entendi o que você disse Alisson, apenas reafirmei. Abraço Mano.
  • Ali Baba  14/05/2013 15:30
    @Alisson,

    Se o governo somente nos atrapalha como você conclui, então destinar qualquer real para ele na forma de imposto é estúpido. Não importa se 10% ou 1%.

    Zero imposto já! Zero governo já!
  • Alisson Barateli Bodelon  14/05/2013 18:22
    Vulgo Ali Baba, saudações!

    Entendo que o nosso governo "somente nos atrapalha", justamente por conta dessa "coerção tributária" de 35% de impostos que de um modo geral nos são cobrados. É um método ou medida governamental adotada que somente nos explora. Não observamos retorno significativo algum para nós, os contribuintes! Digo, relacionado a saúde, a educação e a segurança, por exemplo. Se não tivermos condições financeiras no Brasil a fim de pagarmos um bom plano de saúde, uma boa escola para os nossos filhos e de alguma maneira nos precavermos com itens de segurança que nos são oferecidos no mercado, além de planos de seguradoras, para a nossa própria segurança e proteção, estaremos lascados! À mercê de todo tipo de mazelas sociais! E parece que isso não incomoda a classe parlamentar brasileira, com raríssimas exceções obviamente. Daí a minha conclusão: "somente no atrapalha". De fato, nosso governo não nos oferece ajuda significativa, mas entendo que poderia ser diferente se passássemos por algumas reformas, inclusive a tributária! Nosso dinheiro, através desses impostos que nos são cobrados, servem apenas para manter o funcionamento de uma "máquina estatal" que precisa na verdade ser parada, destruída ou re-feita! Porém, com outros tipos de engrenagens!
    Todavia, não estou convencido ainda de que a solução seria "Zero imposto já! Zero governo já!" como sugeristes, dentro de uma perspectiva anárquica ou anarcocapitalista! Muito embora, como alguém já disse em outro comentário relacionado ao tema em um artigo neste mesmo portal, também esteja "entre o liberalismo clássico e o anarcocapitalismo"!

    Mas valeu a postagem Baba! Não há nada melhor do que o diálogo para a construção de um verdadeiro estado democrático! E que bom seria se nele já vivêssemos!

    Saúde e tudo de bom na vida meu mano!
  • Camarada Friedman  14/05/2013 16:14
    Muito bom, Walter Williams é fera. Queria muito ler o livro dele: The State Against Blacks
    Mas não consigo achar no BR
  • Randalf  14/05/2013 16:16
    Em todo o rigor, os impostos devem, em minha opinião, financiar o governo para que este mantenha as transações voluntárias. Para o fazer, o governo tem de ir buscar impostos a algum lado.
  • Guilherme  14/05/2013 18:45
    Muito bom o texto,

    Gostaria de aproveitar par levantar uma questão;

    Aqui no Sul do Brasil foi descoberto fraudes na produção de leite por vários transportadores e isso diminuiu bastante a oferta no curto prazo, sendo assim, as marcas que não foram retiradas do mercado, agora aumentaram seus preços aos consumidores.

    Em uma economia livre, este processo seria absolutamente normal? ou teríamos que ter algum mecanismo para tentar diminuir a volatilidade de produtos considerados essenciais? ou pessoas com baixo poder aquisitivo teriam que eliminar o leite para consumo no curto prazo e esperar o mercado se estabilizar? Gostaria de saber a visão de voces neste assunto...
  • Marcelo Werlang de Assis  14/05/2013 19:38
    Guilherme,

    O caso do leite adulterado é parecido com o ocorrido em Santa Maria (RS). Por gentileza, leia o artigo "Sensação de Segurança", de Roberto Rachewsky, publicado no site do IMB (seção "Blog"), bem como os comentários a esse texto.

    Você concluirá que um verdadeiro livre mercado de seguradoras e de certificadoras garantiria a sanidade do leite.

    Abraço!
  • Thames  14/05/2013 19:45
    Fora a questão da concorrência externa. Os produtores nacionais de leite sempre gozaram de um oligopólio, pois o governo federal os protege da concorrência externa por meio das altas tarifas de importação, atualmente de 28%.

    Aí acontece essas maracutaias e ninguém sabe por quê.
  • anônimo  14/05/2013 19:43
    Haveriam mais empresas oferecendo este produto ( leite ), e as que cometessem fraude ( como colocar formol no leite ) seriam duramente punidas, e provavelmente sairiam do mercado, devido aos danos à sua imagem.
  • Lopes  14/05/2013 19:45
    Guilherme, inicialmente, é vital compreendermos os fatores que determinam a volatilidade de um mercado. Antes, um pequeno detalhe:

    *Função do Aumento do Preço: Recapitalização. Preços aumentam em um tempo T1 visando a recuperação ou aumento do nível de geração de estoques em T2. Ou seja, o capitalista que está agora lidando por contra própria de toda a demanda de leite possui o incentivo de aplicar qualquer adicional à reposição de capital na fabricação de mais unidades do produto e assim ganhar o máximo de benefício pessoal possível. Entretanto, lembrá-lo-ei que para que ocorra uma troca, é preciso que cada um dos dois agentes julgue que estará em situação melhor após essa que antes; ou seja, se eu dou 10 reais por uma maçã sua, é porque julgo que a maçã vale mais que meus 10 reais e que você julga que meus 10 reais valem mais que a maçã. Sendo assim, preços não podem ir nunca a absurdos, pois assim não teriam seu estoque "eliminado" e o produtor não lucraria.

    Fatores Benéficos(Aceleram a aplicação de capital):

    - Presença de poupança. Por consequência, sempre haverá uma grande oferta de crédito naturalmente disposta para ser utilidade para alimentar projetos de longo prazo e em caso de emergências(Como aquela mencionada por você) onde é preciso obter capital repentinamente para sustentar um súbito aumento na demanda. Quanto mais produtiva for uma economia, maior será a tendência de haver mais abstenção de consumo devido ao barateamento do custo de vida e uma maior presença de poupança.

    - Previsão de acontecimentos. Devido à máxima da "Ação, Tempo e Conhecimento"(Ver David Hume e a palestra homônima do professor Ubiratan), empreendedores podem prever acontecimentos e visando o benefício próprio, tomar medidas de precaução que beneficiam a sociedade. Em caso de desastres naturais, por exemplo.

    - Uma economia desregulamentada. O principal. Regulações estatais são as principais responsáveis pela lentidão do capital e de sua aplicação, o que prejudica toda a economia. Controle de preços são encaixadas nessa categoria. O aumento de preços nunca ocorre desesperadamente pois um preço é uma estimativa de cobrança criada pelo patrão onde ele visa a "eliminação" de seu estoque, ou seja, seu aumento além do poder de compra da maioria consumidora não é lucrativo(Lembre-se que a condição para que ocorra uma compra é que o produto tenha maior valor agregado a quem o obtém que aquilo que é pago).
    _____________________________________________________________________________________
    Há 4 coisas que você precisa saber em especial sobre a crise do leite em seu estado.

    *Em primeiro lugar, o livre-mercado é o sistema que pune firmemente produtores maliciosos ou acusados de tal, como foi o caso da inocente Beverage quando fora acusada de matar uma jovem alérgica a cafeína que tomou seu energético, apesar de a bebida deixar de forma explícita e chamativa que possuía altas concentrações da substância. Uma semana após o acidente, as ações da empresa tiveram uma queda dramática assim como suas vendas, pressionando-a a tomar medidas preventivas para que isso não volte a ocorrer apesar de ter sido uma falha inteiramente do consumidor. Companhias que operam em oligopólios, concorrências limitadas e monopólios artificiais possuem pouco para nenhum incentivo de ofertarem produtos de crescente qualidade com preços declinantes.

    *O segundo fundamento que você precisa saber é o básico de economia doméstica. O que acontece quando um produto da sua rotina recebe um súbito aumento de preços? 1) Você compra versões alternativas do produto, se possível. 2) Você retira o produto de sua lista de compras. 3) Você deixa de comprar outros produtos para comprá-lo caso apareça necessidade. Se os pobres terão de eliminar o leite de sua lista de compras, dependerá inteiramente de suas valorizações subjetivas e eu, infelizmente, não posso prever o futuro com exatidão; apenas garanti-lo-ei que se ceteris paribus, haverá uma óbvia redução no consumo de leite no curto prazo.
    Obs: Lembrá-lo-ei que o leite não é apenas um bem de consumo, consiste também em um importante elemento de produção para a indústria alimentícia.

    *O terceiro fundamento é a utilidade social(Em meu espírito de "Filósofo") do aumento de preços. Já supra-esclarecido.

    *O quarto fundamento é meramente uma invitação à criatividade. Em um cenário de plena volatilidade e concorrência aberta(Como explicado em minha postagem no artigo de 13/05/2013), não apenas haveria um risco enormemente maior em operações arriscadas como as feitas pelos cidadãos que adulteraram o leite como também haveria uma oferta consideravelmente maior, distribuindo os danos gerados pela crise do leite por diversas regiões(Devido ao desequilíbrio decorrente da diminuição repentina da oferta), minimizando-os. Em Hong Kong, por exemplo, onde um consumidor pode importar um produto ou serviço de qualquer lugar do mundo sem impedimentos nacionais(Apenas internacionais, dada a nação onde estará o prestador), os impactos de tal crise em laticínios seria mínimo aos consumidores e produtores.
    _____________________________________________________________________________________
  • Rudson  14/05/2013 21:21
    Vou tentar explicar isso, espero que não fique muito confuso. Vamos lá:

    Por causa da adulteração do leite, menos leite está disponível para consumo aqui no RS. Isso significa que saímos de uma situação de menor escassez para uma situação de maior escassez. Logo, é inevitável que as pessoas tenham que ajustar seu consumo a essa situação nova. Justamente por ter menos leite, portanto, os preços acabam subindo, levando a esse reajustamento inicial (menor consumo).

    O que ocorre então?

    Com o aumento do preço do leite no RS, ficou mais atrativo para os produtores dos outros estados (como SP por exemplo) desviar a sua produção para atender a demanda do RS. Assim, a escassez relativa pode ser atenuada graças ao sistema de preços, aumentando a oferta no RS e reduzindo os preços com o tempo. Claro que isso levará a uma maior escassez de leite em SP, elevando o preço nesse estado e reduzindo no RS. Como se pode perceber, graças ao mecanismo do leite, a escassez severa do RS acaba "diluída" entre o RS e SP. Ela pode inclusive se "diluir" entre todos os estados brasileiros e, caso não houvesse barreiras a importação de leite, a toda região platina. Quanto maior a área em que a escassez é diluída (graças ao sistema de preços), menor ela será em cada estado.

    Portanto, é inevitável que, ao menos inicialmente, as pessoas no RS tenham que se ajustar a nova realidade, já que é um fato que o bem se tornou mais escasso. Mas, caso o sistema de preços seja deixado livre, essa situação não durará muito, diluíndo-se a escassez em uma área menor, não afetando de forma tão negativa a vida de todos.

    Mas vamos imaginar que o governo decida que o preço do leite deve ficar congelado, para que os mais pobres possam continuar consumindo normalmente. O que ocorrerá?

    A escassez não mudou: continua havendo menos leite no mercado. No entanto, as pessoas continuam consumindo de igual forma. Numa situação extrema, é bem possível que falte leite nas prateleiras e logo ninguém mais consiga consumir o produto (ou tenha que esperar em longas filas). Como o preço está igual, da mesma forma, nenhum produtor de outro estado vai querer mandar sua produção para cá, não há incentivos. Assim, a escassez será mais severa e mais duradoura.

    Para o governo arrumar essa situação, ele poderá fazer duas coisas: ou deixa os preços agirem normalmente (aí aplicando-se o que eu disse antes), de forma a refletir a maior escassez, ou passa a obrigar os produtores de outros estados a mandar sua produção para cá.

    Caso a segundo opção seja aplicada, então os produtores de outros estados passaram a ter menos lucros (já que os preços estarão inalterados) e, por conseguinte, vão decidir abandonar o ramo, passando a produzir outras coisas. Menos produção, menos oferta, maior escassez.

    Tudo isso reflete em apenas uma regra da natureza inalterável: os bens são escassos. Todos os bens que consumimos são escassos e, numa situação como a atual, o governo não tem poderes mágicos para evitar a escassez. Ele pode apenas tentar maquiá-la com medidas populistas.

    Por fim, num livre mercado, podem existir pessoas que adulterem o leite ou tentem sacanear outras. Ninguém jamais nega isso: trapaceiros existem em qualquer sistema. A diferença é que, como explicaram ali em cima, no livre mercado existe maior possibilidade de se punir o produtor salafrário.

    Espero que tenha ficado claro o que eu disse.
    Abraçios
  • Marcelo Werlang de Assis  14/05/2013 23:09
    Para complementar o tópico do leite fraudado, recomendo a leitura do artigo "Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas", de Leandro Roque, publicado neste mesmo esplendoroso sítio do IMB.

    Amplexos!

  • Guilherme  15/05/2013 12:53
    Obrigado pelas respostas de todos...
  • Leonardo Faccioni  15/05/2013 14:08
    Não se pode desconsiderar o impacto da notícia das adulterações sobre a demanda, que efetivamente foi contingenciada. Revendedores têm se esmerado a convencer consumidores quanto à segurança das demais marcas fornecedoras, que estavam por encalhar nas prateleiras dos supermercados. É mesmo sustentável uma elevação significativa no preço dos laticínios quando todo o mercado do produto tem a percepção de estar sob suspeição e ataque?

    Ademais, não consta que as marcas comprovadamente envolvidas controlassem fatia muito significativa do mercado local a ponto de justificar flutuação nos preços por sua retirada de circulação. Alguém verificou dita ocorrência aqui no RS ou a questão é meramente especulativa?

    ___

    Eu creio mesmo que o evento possa ser capitalizado em favor da divulgação do pensamento livre e mereceria um estudo de caso pela equipe do Instituto. Vejam vocês como a constatação da fraude levada a cabo por um agente econômico levou a duas conseqüências imediatas, totalmente alheias ao Estado:
    a) a disposição dos consumidores a contingenciar sua demanda, penalizando os fornecedores. Penalização espontânea. Nenhum agente estatal teve de proferir à sociedade um comando para que deixasse de consumir leite (com efeito, a orientação do Estado foi oposta, a fim de sustentar o fluxo do mercado);
    b) o interesse dos concorrentes - e das próprias empresas lesadas pelos atravessadores - em se dissociar dos elos desonestos em suas cadeias, para assim manter e ampliar seu público alvo.
    Mesmo em um setor brutalmente subsidiado e regulamentado, a sociedade ainda respira e demonstra-se plenamente apta e disposta à autogestão.

    __

    E por falar em regulamentações e subsídios, recordo-me agora que há muito torço por um exame austríaco sobre as condições da produção de hortifrutigranjeiros no sul do Brasil. Esse mercado produtor parece caracterizar-se por uma permanente dependência de incentivos estatais, em um ciclo parcamente retratável como "plantio -> seca -> produção destruída -> refinanciamento por bancos públicos -> plantio -> geada -> refinanciamento por bancos públicos -> plantio -> granizo -> refinanciamento ...", repetindo-se ao infinito. Nada muito diferente, digamos, da produção agrícola de países europeus como a França, não fosse a permanente incapacidade de investimento em capital/tecnologia, que amplifica a socialização de prejuízos e a ineficiência crônica do setor. Valeria uma bela análise pelos competentes colegas, caso já não haja tal texto.
  • Glaucio  15/05/2013 19:01
    Por que o leite é essencial para um adulto? Por que o homem é o único animal adulto que bebe leite? Será realmente necessário? Se aumentou o preço, diminua a quantidade ingerida e o preço tende a baixar. Continue com a quantidade dada as crianças....
  • Guilherme  15/05/2013 19:31
    Glaucio,

    Esse realmente seria um outro ponto a ser pensado. Levantei a questão do leite pelo acontecimento e não por considera-lo "Necessário" ou "Indispensável" na dieta humana, ja que não bebo leite desde os 15 anos aprox...

    Seria mais um assunto cultural, pois a grande maioria considera o leite (de Vaca) como sendo indispensavel para crianças e adolescentes, mesmo com um crescente numero de mulheres que a cada dia, param de amamentar mais cedo, muitas vezes trocando o leite materno pelo de outros animais.


  • Anônimo  15/05/2013 20:29
    Você consome leite e não sabe: Queijo, iogurte, sorvete, inúmeros tipos de doces, refrescos e até uns produtos de limpeza são compostos por leite. Mesmo pastas de dente utilizam leite, se não estou enganado.

    Nunca subestime a capacidade humana de aproveitar recursos, Guilherme.
  • Eliel  14/05/2013 19:09
    Estive um tempinho afastado em meus comentários nesse elogiado site. Entretanto nunca deixei de acompanhar seus artigos muito bem elaborados. E continua sendo hilário a pregação marxchiitas dos pseudo intelectuais. Empolado e entediante blá-blá-blá ...
    Mas antes ser um tolo aqui, em confronto com gente bem esclarecida em economia da E.A., do que ser um tolo lá "fora" por toda a vida sem o conhecimento,a lá Hayek, sempre esclarecedor. Aqui tolice sociopática de comunite aguda tem cura.
    Parabéns ao professor Walter Williams. E para quem não o conhece ainda sugiro o vídeo em que o mesmo é entrevistado por um repórter globolóide:



    A propósito dos impostos estes um dia deixarão de existir. Nesse dia haverá desemprego em massa de políticos, militantes marxchiitas, ... "filósofos", ...
  • Rudson  14/05/2013 20:11
    Um pouco off-topic:
    Uma apostila escolar de Minas Gerais:

    São dois desenhos, um escrito capitalismo mostrando uma fábrica com funcionários claramente amendrontados e tristes, escrito embaixo:
    "Os operários trabalham para o dono da fábrica"
    "Propriedade privada: terras, minas, fábricas, bancos, empresas em geral pertencem aos burgueses"
    "Os objetivos são os lucros da burguesia"
    "As decisões são tomadas a partir de situações de mercado."

    Ao lado, um outro desenho escrito "socialismo". Nele, todos os funcionários estão felizes. Note-se que nenhum dos funcionários está trabalhando: dois estão lendo livros e outro está vendo uma gravura da monalisa num laptop, enquanto as máquinas (!!) fazem todo o trabalho. Embaixo aparece:

    "A fábrica pertence a sociedade, que trabalha para si mesma"
    "Propriedade coletiva (socializada): o povo trabalhador é dono de tudo"
    "O objetivo é o bem-estar de todos"
    "As decisões são tomadas democraticamente pela sociedade que planifica a economia".

    Depois falam que as escolas servem pra doutrinação ideológica e ninguém sabe o porque..

  • anônimo  14/05/2013 20:11
    Aqui a foto da apostila que eu mencionei (é uma URL do facebook)

    fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-snc6/255421_603828392970139_280898541_n.jpg

    Não sei se vai conseguir aparecer...
  • Bruno D  14/05/2013 20:21
    Srs.

    Off-topic-enigma:

    A ONU quer que agente coma insetos para que os alimentos não acabem, mas quem vai comer os alimentos que não acabaram depois de estarmos com a barriga cheia de insetos?

    Att
  • Wagner  14/05/2013 20:39
    Eu sei que é off-topic mas eu preciso compartilhar isso com os senhores, é o vídeo mais assustador que já vi na vida:

    Estudantes Brasileiros de medicina em Cuba - youtu.be/KslPYEoUg-A
  • anônimo  14/05/2013 22:19
    Estava lendo o blog de um senhor hoje, sobre brasileiros cursando medicina em Cuba. Foi uma experiência horrível, portanto tratei de isolar na minha memória muito do que havia ali, de forma que me esqueci quem era este senhor. Mas me lembro de algo, ainda, como por exemplo, a foto dos alegres estudantes de punhos cerrados e erguidos - todos. Curioso?
  • Felipe Esquimó  15/05/2013 01:19
    Levando em consideração que o governo tende a baixar impostos dos setores "amigos do Rei" quando querem alavancar consumo, tenho minhas dúvidas se eles realmente são crentes da "elasticidade nula".
  • Comerciante  16/05/2013 04:43
    É evidente que o governo não deseja apenas arrecadar dinheiro com impostos. Se isso realmente fosse verdade, toda a tributação seria por renda, e não por renda e consumo. Ao tributar especificamente um produto ou um serviço, como no exemplo do artigo, não restam dúvidas de que o governo quer também interferir na escolha dos consumidores.

    Se a tributação fosse exclusivamente por renda, aí sim iríamos obter o cenário citado no artigo: governo arrecadando dinheiro sem interferir no mercado. Nesse caso, teríamos elasticidade zero.
  • Anarco-Individualista  17/05/2013 02:45
    ^ DEUS NÃO EXISTE!
  • Anti-virus  07/09/2013 23:05
    Existe e virá nos julgar. Você ficará do lado Dele ou das riquezas?


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