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Bitcoin: objeções e mais objeções (Parte 3)

Sei que muitos já estão se perguntando se devem ou não comprar bitcoins, ou se o preço está alto ou se há mais espaço para quedas abruptas. Sem dúvida alguma, são questões pertinentes. Mas não podemos responder essas perguntas sem antes entendermos os motivos pelos quais muitos nem sequer consideram a moeda digital como uma opção, rejeitando-a solenemente.

Como não poderia ser diferente, algo novo e sem precedentes gera inúmeras dúvidas, resistências e todo tipo de objeção. Alguns questionamentos merecem uma resposta mais elaborada, outros podem ser rapidamente descartados. Estes, relegaremos às notas de rodapé.[1] Trataremos aqui das objeções complexas e frequentemente levantadas pelos críticos do Bitcoin, buscando demonstrar que estas carecem de fundamento por não compreenderem a essência da moeda digital.

Deflação

Para diversos economistas, uma grande desvantagem da moeda digital é a deflação que o Bitcoin geraria. Em primeiro lugar, é preciso definir os termos. Na acepção correta da palavra, deflação significa uma contração da base monetária. Ora, isso é tecnicamente impossível. A quantidade máxima de bitcoins que podem ser minerados é de 21 milhões. Mineradas todas as unidades monetárias, não há possibilidade de a base monetária diminuir ou contrair. O que pode acontecer é usuários perderem suas senhas e jamais poderem usar suas carteiras novamente, o que os impossibilita de acessar suas contas e transacionar.

Mesmo nesse caso, os bitcoins não seriam destruídos, apenas não mais seriam utilizados. A consequência, por ficarem "fora" de circulação, seria um aumento no poder de compra do restante de bitcoins existentes. Entretanto, costuma-se associar o termo deflação a uma queda dos preços. Infelizmente, redução de preços supõe um problema para a maioria dos economistas. À população, isso significa que seu poder de compra aumentou. Uma moeda que se aprecia ao longo do tempo com certeza não representa nenhuma ameaça à saúde de uma economia (quem quiser saber mais sobre o assunto leia este artigo).

Hyperdeflation.png

Hiperdeflação! Fonte: The Economist

 

Eletricidade e internet não são o problema, são a alternativa

E quanto à dependência da eletricidade e da internet? Não seria uma enorme desvantagem ao projeto Bitcoin? Como tratamos no artigo anterior, essa não é uma característica unicamente restrita ao Bitcoin, já vivemos nessa dependência. É impensável que nossa economia globalizada e interconectada — bem como o sistema bancário – possa seguir inabalada na falta de energia elétrica e internet. Nesse sentido, e já endereçando outra crítica usual, acho pouco provável que governos tentassem "derrubar" a internet com o objetivo de obstruir a rede Bitcoin. Aliás, considerando que governo nenhum até hoje logrou conter nenhuma rede BitTorrent, não me parece plausível esperar que conseguiriam causar danos irreparáveis ao maior projeto de computação distribuída do mundo (sim, Bitcoin já ultrapassou o projeto SETI, Search for Extra Terrestrial Intelligence).

Outros céticos argumentam que a rede poderia ser hackeada, corrompendo o algoritmo, alterando saldos em carteira e roubando ou falsificando bitcoins. Essa preocupação deriva, frequentemente, daquela indiferença que impede as pessoas de estudar a fundo um assunto novo e desconhecido — como eu, algumas semanas atrás. Antes de qualquer coisa, é preciso enfatizar dois inerentes atributos da rede Bitcoin: a total abertura e transparência do sistema. Ainda que o Bitcoin tenha sido criado por um indivíduo (ou grupo de indivíduos) com certos parâmetros e regras de funcionamento, o código fonte é completamente aberto a qualquer um que queira verificá-lo, monitorá-lo e aprimorá-lo (com o consenso de toda a comunidade).  Qualquer pessoa pode acompanhar em tempo real as transações recentes, a quantidade total de bitcoins minerados, etc.

Bitcoins-em-circulação.png

Fonte: blockchain.info

Estaríamos sugerindo que a rede Bitcoin é à prova de falhas? É lógico que não. O Bitcoin não é perfeito e é pouco provável que não sofra alguns solavancos ao longo do seu desenvolvimento e à medida que o seu uso seja ampliado. Ainda assim, é preciso destacar que não há registro algum de ataques à cadeia de blocos do sistema (blockchain). Sim, é verdade que alguns sites de casas de câmbio, por exemplo, foram hackeados e tiveram problemas de operação, mas isso não quer dizer que a "moeda bitcoin" esteve sob ataque.[2]

Mas para efeitos deste artigo, prefiro direcionar o debate a uma questão conceitual a provar a superioridade tecnológica e maior segurança do sistema de forma objetiva — isso requereria especialistas em segurança computacional e/ou criptógrafos. O problema crucial é qual é a alternativa. Dependermos de um dinheiro cuja emissão se dá de forma monopolística pelo estado, cujo órgão central decide unilateralmente qual deve ser seu valor em reuniões restritas a um punhado de burocratas? Em que um emaranhado de instituições financeiras e provedores de serviços é regulado e monitorado por esse mesmo órgão central, por meio de decisões frequentemente arbitrárias e contra os interesses da população?

Os austríacos certamente contestariam. O que precisamos é, na verdade, de um dinheiro privado, de liberdade total na escolha da moeda, diriam eles. Concordo plenamente. Mas como atingir esse objetivo? Como convencer o estado a abrir mão de um sistema monetário e bancário cujo maior beneficiado é o próprio estado? Vou mais longe: admitindo que o objetivo seja logrado, como garantir que o estado não subverterá novamente o sistema — como o fez ao longo de toda a história? Esticando ainda mais o raciocínio, assumamos um mundo ideal dos libertários, em que não há estado; como garantir que bancos ou instituições meramente depositárias não incorrerão nas chamadas reservas fracionárias (RF) — sendo que nem mesmo entre os austríacos há consenso se as RF devam ser coibidas e se representam um perigo à economia? Como garantir um coeficiente de 100% de reservas na ausência do aparato estatal? Qual agência ou entidade o asseguraria? Nem mesmo Murray N. Rothbard respondeu essa última questão (retomarei a esse assunto na última parte da série Bitcoin).

O ponto central, implícito e comum a todas essas alternativas listadas, é que em todas elas dependemos de um terceiro, de um middleman. É justamente aí que reside uma das forças do Bitcoin, pois ele prescinde do intermediário em uma transação (além da própria rede Bitcoin, é claro). Ademais, o que é preferível? Um sistema monetário e bancário controlado e monitorado por poucas pessoas e entidades, ou um totalmente aberto, controlado e monitorado por qualquer interessado em qualquer parte do globo?

Bitcoins, Litecoins, Ripple, etc.

Tratemos agora de algumas das objeções mais complexas, especialmente aquelas lançadas por economistas e investidores com formidável domínio de teoria monetária. Doug Casey, por exemplo, alega que uma das ameaças ao Bitcoin é que não há barreiras de entradas; dessa forma, qualquer um poderia lançar sua própria moeda digital no mercado. Acabaríamos tendo, assim, diversas moedas digitais, o que inviabilizaria que uma preponderasse e viesse a tornar-se um meio de troca universalmente aceito.

Em tese, esse não é um problema exclusivo do Bitcoin. Em qualquer ambiente em que prevaleça a liberdade de escolha de moeda, qualquer um pode competir. No entanto, nessa competição, aquele meio de troca que tenha mais êxito em reduzir os custos de transação tende a sobressair-se como o mais utilizado pelos participantes. Com relação ao Bitcoin, por ter sido a primeira moeda digital, ele goza do privilégio do chamado "efeito de rede" (network effect). Dentro do universo de moedas digitais, Bitcoin já é a mais utilizada e com mais aderentes, portanto, ainda que uma nova moeda possa superá-la em qualidade tecnológica, a barreira de convencer usuários de Bitcoin a trocar para um concorrente é bastante grande.

Converter bitcoins em dólar, eis a questão

Shostak alega que "Bitcoin só funciona enquanto os indivíduos souberem que podem convertê-lo em moeda fiduciária". A priori, não podemos determinar se isso é verdade. Essa conclusão de Shostak deriva da falaciosa ideia de que o Bitcoin é nada menos que uma "nova forma de empregar a moeda fiduciária existente". Mas se entendemos que a moeda digital é dinheiro coisa, dinheiro de fato, perceberemos que os usuários, em realidade, podem utilizar bitcoins não com o intuito de usá-los como uma mera ferramenta de meio de pagamento, mas sim para fugir (ou liberar-se) do sistema de moeda fiduciária.

Uma vez "dentro" da rede Bitcoin, o objetivo é não ter que "voltar" às moedas locais. Sim, no momento ainda não estamos nesse estágio de evolução da rede (por causa da baixa liquidez e aceitação), mas à medida que se amplia a aceitação, não será sequer necessário fazer uso das moedas fiduciárias. Uma vez que ambos os produtores e consumidores aceitarão receber e pagar em bitcoins, por que convertê-los em uma moeda fiduciária que perde poder de compra constantemente?[3]

"Mas Bitcoin não tem valor intrínseco!"

A mais frequente objeção, no entanto, é outra. E, segundo aqueles que recorrem a ela, é a questão básica e fundamental: Bitcoin não tem valor intrínseco, ele não é uma "coisa". É uma unidade de uma moeda virtual não material. Não tem nenhuma condição ou formato físico e, portanto, é descabida a noção de que possa algum dia substituir a moeda fiduciária. Esse é o núcleo do argumento de tais céticos.

O que lhes parece escapar, contudo, é que não existe valor intrínseco, existem propriedades intrínsecas (químicas e físicas). Valor é subjetivo e está na mente de cada indivíduo. "Bitcoin é o ouro digital", defende Jon Matonis, conselheiro da Fundação Bitcoin, "mas em vez de depender de propriedades químicas, ele depende de propriedades matemáticas". Isso quer dizer que as propriedades do Bitcoin resultam do design do sistema, permitindo que sejam valoradas subjetivamente pelos usuários. Essa valoração é demonstrada quando indivíduos transacionam livremente com bitcoins.

Admitindo a fragilidade de seu argumento, os céticos partem para outra crítica, a de que o Bitcoin, além do seu valor de troca (ou seu valor monetário), não apresenta nenhum valor de uso amplamente reconhecido. Por esse motivo, raciocinam eles, a moeda digital não poderia jamais adquirir o status de meio de troca universalmente aceito no comércio. Isso me faz perguntar: como o ouro conseguiu emergir como dinheiro, sendo que seu principal valor de uso séculos atrás era basicamente adorno e enfeite? Sim, é claro que hoje em dia o ouro tem aplicação nos mais diversos campos (indústria, medicina, computação, etc.), mas essa demanda surgiu com relevância somente nos últimos 20 ou 30 anos. E mesmo considerando seu uso industrial, estima-se que mais de 90% da demanda por ouro deriva de seu uso monetário.

Em suma, não proporcionar uma maior variedade de aplicações e uso; ou, dito de outra forma, não ter um valor de uso amplamente reconhecido não impede que o Bitcoin venha a ser um meio de troca universalmente aceito. Ao menos a priori, tal assertiva não pode ser considerada conclusiva.

Nesse momento, você provavelmente já deve ter se perguntado: afinal de contas, vale a pena comprar bitcoins ou não? Já estamos em uma bolha? Tendo estudado a natureza do Bitcoin, suas vantagens em relação a outras moedas e buscado refutar algumas das frequentes objeções, podemos, por fim, responder a essas questões. No próximo artigo prometo acalmar todas as suas inquietações.


Leia aqui a quarta e última parte da série Bitcoin.


Artigo originalmente publicado em O Ponto Base


[1] A objeção mais comum, e um tanto débil, é que, ao permitir o anonimato nas transações, o Bitcoin seria bastante convidativo a traficantes, bicheiros, cafetões e demais cidadãos de reputação não ilibada. Ao governo, esse pode ser um tremendo problema, mas não sugere uma eventual fragilidade da moeda digital.

Outra crítica comum, a qual normalmente advém ou de leigos ou de economistas deficientes em teoria monetária, é que o Bitcoin não tem lastro algum, nem mesmo do governo. A verdade é que lastro estatal não garante muita coisa; basta verificarmos a depreciação de todas as moedas fiduciárias ao longo dos anos. Nem precisamos considerar as crises financeiras. Sob outra perspectiva, a falta de lastro governamental é um problema que depende da sua inclinação econômico-filosófica. Aos marxistas, keynesianos e chicaguenses, isso de fato é uma debilidade; aos austríacos, uma grande virtude. Esse raciocínio é igualmente válido para o ouro. Somente os austríacos enxergam o valor da oferta inelástica do metal e o enaltecem por não ser passivo de ninguém.

Alguns céticos também ficam apreensivos por não saber quase nada sobre o criador (ou criadores) do Bitcoin, o invisível Satoshi Nakamoto, nem mesmo a sua identidade verdadeira. Não posso negar a imensa curiosidade que tenho. Mas para o futuro do projeto Bitcoin, isso é totalmente irrelevante. Independentemente do que Nakamoto pensava, ou pensa, o importante é que o código-fonte do sistema é aberto a todos e, dessa forma, todos conhecem as regras do jogo, o seu algoritmo e seu funcionamento. Nada mais depende de Nakamoto

[2] Seria como afirmar que o real foi atacado porque alguns bandidos roubaram o cofre da Agência da Av. Paulista do Banco do Brasil.

[3] Curiosamente, a própria experiência do site de pagamentos em bitcoins Bitpay ilustra muito bem essa afirmação. No começo, mais de 90% dos comerciantes, para os quais oBitpay intermediava transações, solicitava receber em dólares americanos. Atualmente, pelo menos a metade dos comerciantes tem preferido manter saldos em bitcoins, sem jamais convertê-los em dólares.



autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Tiago Moraes  29/04/2013 12:48
    Fernando, acredito que a indagação a respeito da não "intrinsequitude", seja na verdade uma dificuldade de expressão dessas pessoas. Elas querem dizer que o bitcoin não teria uma utilidade (e existência, adendo meu) fora do meio circulante. Pois é justamente o fato do ouro possuir uma utilidade não-monetária e uma existência real/concreta fora do meio circulante, que permite às pessoas, inclusive, preservarem seu patrimônio fora do meio circulante (entesouramento). O ouro foi o terror dos bancos e dos Estados por conta disso.
  • anônimo  29/04/2013 13:00
    'A objeção mais comum, e um tanto débil, é que, ao permitir o anonimato nas transações, o Bitcoin seria bastante convidativo a traficantes, bicheiros, cafetões e demais cidadãos de reputação não ilibada. Ao governo, esse pode ser um tremendo problema, mas não sugere uma eventual fragilidade da moeda digital.'

    Como assim problema do governo? Então facilitar a vida de traficantes, pedófilos, etc, não é uma coisa que vai afetar toda a sociedade?
  • Mallthus  29/04/2013 13:11
    Depende. Facilitar exclusivamente a vida dessa gente, sim. Já facilitar a vida de todas as pessoas é um objetivo desejável. Se de quebra isso irá também facilitar a vida dessa gente, paciência.

    Aliás, isso é uma inevitabilidade. Por exemplo, se as pessoas sacarem dinheiro dos bancos -- fazendo com que a proporção de dinheiro físico (cédulas e moedas metálicas) aumente -- isso atenuará a inflação de preços e os ciclos econômicos, mas facilitará enormemente as transações de drogas e de outras atividades tidas como criminosas. Não há almoço grátis.
  • P209  29/04/2013 13:21
    Qualquer coisa que facilite a sociedade como um todo, facilitará naturalmente traficantes, pedófilos, e qualquer outro que seja.

    Mas pelo que você deixou a entender, a internet facilita traficantes e pedófilos, então ela deveria ser abolida...

    ... pensa melhor antes de comentar...
  • anônimo  29/04/2013 13:44
    Pense melhor você. Eu nunca neguei que o bitcon também pode ser útil pra não traficantes.
    O alvo do comentário foi o fato do artigo ter dado a entender que esse é um problema exclusivamente do governo.
    O correto seria ele ter dito que no arranjo atual é um problema do governo, mas num mundo sem governo continuaria sendo um problema, provavelmente sendo resolvido por polícias privadas
  • Andre  30/04/2013 12:35
    Facilitar a vida de "traficantes, bicheiros, cafetões" só incomoda pessoas que gostam de interferir em acordos pacíficos de terceiros.

    "Traficantes, bicheiros, cafetões", só são considerados "criminosos" por exercerem atividades que o governo proíbe, mas eles não obrigam ninguém à fazer negócios com eles.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=865

    Obviamente que se um "traficante ou bicheiros ou cafetão" usa coerção ou violência contra qualquer pessoa este será considerado um criminoso sob qualquer ótica. Mas não pelos tipos de atividades que exerciam, mas apenas pelo fato de ter usado de violência contra não agressores.
  • Dam Herzog  29/04/2013 22:49
    Esta afirmação é real e existe atualmente e continuirá a existir. O bitcoin tem o grande merito do governo não desvalorizar seus ativos, permite que voce se safe do excesso roubo, impostos altissimos, não precisar do aval dos governos, diminui a interferencia na vida das pessoas. Tenho adorado ler seus artigos e espalha-los aos amigos. Parabens Fernando, esperamos que esta serie nunca termine.
  • Matheus Polli  29/04/2013 23:00
    Bem, olhando pelo lado que traficantes, bicheiros e cafetões prestam serviços como quaisquer outros para a sociedade e são perseguidos injustamente pelos governos, eu acho ótimo poder transacionar mais tranquilamente com estes comerciantes.
  • Andre  30/04/2013 12:25
    No artigo não foram citados pedófilos.
  • anônimo  29/04/2013 13:15
    Enquanto austríaco o autor desse artigo devia defender a competição entre as moedas, e não falar que o bitcoin é superior ao litecoin por ter sido o primeiro.Na área de tecnologia ser o primeiro não é grande coisa.A Microsoft lidera o mercado de sistemas operacionais pra tablets? A nintendo lidera o mercado de video games?
    Muito suspeito essa parcialidade já que economicamente todas as criptocurrencies são iguais.

    "mas em vez de depender de propriedades químicas, ele depende de propriedades matemáticas"

    Isso sim é um argumento débil, se é que chega a ser um, parece mais um jogo de palavras sem sentido típico de poetas e de gente sem muito contato com a realidade.
    Não existem 'propriedades' matemáticas, a matemática é uma linguagem, só a matéria tem propriedades.Se o que se quer dizer é que o valor está no que o código de um programa é capaz de executar, não faz diferença.O código de um programa é tão bom quanto os problemas do mundo real que ele resolve. Endeusar o código pelo código, mesmo que não tenha utilidade nenhuma é como endeusar o cara que passa a vida cavando um buraco pra depois enterrar.
  • Matheus Polli  29/04/2013 23:08
    Então tenha honestidade e leia novamente o texto. O autor afirma que o BTC goza do privilégio de ter sido uma das primeiras moedas digitais e por isso lidera o mercado em utilização e escolha dos praticantes. O autor nunca afirmou a superioridade do BTC em relação às outras criptocurrencies.

    Sobre seu ranço com as palavras do autor acerca da moeda depender de propriedades matemáticas, só podemos lamentar.
  • Andre  30/04/2013 12:47
    "Não existem 'propriedades' matemáticas".
    Essa é nova pra mim. Sempre aprendi que o fato dos números pares serem divisíveis por dois, por exemplo, fosse uma propriedade matemática.

    E quando as pessoas acessam bancos via internet, principalmente usando uma conexão WiFi, esse acesso só é considerado seguro por causa das "propriedades matemáticas" que os números gigantes possuem de serem difíceis de serem fatorados.

    Se "Propriedades Matemáticas" não existem então porque existem zilhões de estudos sobre as "Propriedades Matemáticas" de um zilhão de tópicos da matemática?

    Fiz uma pesquisa por algo que não existe e achei dois milhões de resultados!
    Que estranho!!!

    Pesquisa no Google por: "Mathematical properties of"
  • Neto  29/04/2013 13:36
    'Isso me faz perguntar: como o ouro conseguiu emergir como dinheiro, sendo que seu principal valor de uso séculos atrás era basicamente adorno e enfeite? '

    Qual o sentido de perguntar isso? Todo austríaco sabe a resposta, além da beleza natural ele emergiu por causa de suas características INTRÍNSECAS de não sofrer oxidação, não reagir com nada, e portanto ser capaz de durar pra sempre.Todos os outros 'dinheiros' tinham a desvantagem de sofrer algum tipo de deterioração.Até os gregos já sabiam disso.

    'E mesmo considerando seu uso industrial, estima-se que mais de 90% da demanda por ouro deriva de seu uso monetário.'

    90, 99, 10, esse número é irrelevante e esse cara sabe disso.O que importa é que pelo teorema da regressão o uso monetário só existe em um segundo momento.



  • Tiago RC  29/04/2013 14:06
    Muito boa a sua série de artigos, Ulrich.

    Só um comentário: para todos os efeitos práticos, perder as chaves privadas para tuas bitcoins equivale a destruí-las. Seria algo deflacionário, no sentido original do termo. É equivalente a destruir uma nota de dinheiro de papel.
    Óbvio que é insignificante como fenômeno, e, como você escreveu, pode ser considerado como uma "doação acidental" daquele que perde para todos os outros que possuem a moeda.
  • Peterson Mota  29/04/2013 18:18
    Vejam como argentinos estao usando bitcoins para se proteger da inflação.

  • Anônimo  29/04/2013 21:40
    [Off-Topic}
    Cientista preve queda de 60% em ações em 3 meses.

    www.moneynews.com/MKTnews/Market-Collapse-Predicted-By-Scientist/2013/03/13/id/494569?promo_code=13001-1

    Por favor, Ulrich e Leandro, alguma opinião a respeito de tal previsão apocalíptica e se caso real, quais seriam suas implicações para a economia dos Bitcoins?

    Apesar de ter sérias dúvidas de que tal previsão ocorrerá, uma valorização devido à fuga de capitais das bolsas para a proteção de encaixes e poupança no Bitcoin ou em ouro seriam resultados possíveis, certo?
  • Andre  30/04/2013 12:52
    Nesse artigo do Hélio Beltrao no site "O ponto base" fala também sobre esse "ciclo de três picos":

    opontobase.com.br/kondratiev-a-irresistivel-forca-gravitacional-dos-ciclos-longos/
  • saoPaulo  29/04/2013 22:44
    Essa questão do "valor intrínsico" e do teorema da regressão ainda não ficou bem clara pra mim. Por um lado, a explicação do Fernando me pareceu uma enrolação, algo que tornaria o teorema da regressão algo inútil: "por que o bitcoin tem um valor x hoje? Ora, porque ontem alguém o criou do nada e disse que ele valia x + dx!" (Sei que forcei um pouco a interpretação). Porém, por outro lado, até que faz sentido. Uma hora teremos que chegar em algum ponto no qual a valoração foi totalmente subjetiva. O primeiro ser humano a vender algo de ouro não tinha padrão nenhum para definir o preço. Dependia exclusivamente da sua subjetividade e da do comprador.

    Na minha cabeça, bitcoin continua sendo uma tulipa: "Hei, você quer trocar minha casa por isso?! Deve achar que estou maluco!" E todo o sistema desmorona. Mas pensando bem, tal raciocínio também não se aplicaria ao ouro? A diferença é que o "valor intrínsico" do bitcoin é zero, enquanto o do ouro é x > 0, sendo que x é bem menor que o valor do ouro moeda.

    Alguém se habilita a responder? Neto? Eduardo Bellani? Tiago Moraes? Andre Cavalcante? Tiago RC? Algum dos Grandes? Leandro? Chiocca? Ulrich?

    Desculpem por prováveis mancadas econômicas. Abraços.
  • Breno de Almeida  30/04/2013 12:30
    Paulo,

    Valor é sempre subjetivo, o valor do ouro sempre foi e será subjetivo. Logo o valor intrínseco do ouro é 0, do diamante é 0 e tudo mais que há na Terra é 0.

    Tenta imaginar uma máquina de sintetizar ouro. Porque eu aceitaria barras de ouro em troca da minha casa? Se eu posso sintetizar quando ouro eu quiser? Pensa onde foi parar o valor intrínseco do ouro? Ele sumiu ou ele nunca existiu.

    Preço é a projeção objetiva do valor subjetivo. Houve uma época onde o ouro não tinha preço e outra onde tinha.

    Preço é muito importante para economia e o preço do dinheiro é o preço mais importante. Se o preço do dinheiro é distorcido ou seja se ele não é a projeção subjetiva de valor de todas as pessoas, então a economia é distorcida, vai ser mais difícil alocar recursos de forma eficiente.

    E como saber se o preço do Real é distorcido ou se ele é a projeção subjetiva de valor de todas as pessoas? É só regredir. Obviamente o Real tem o preço distorcido, ele é uma construção arbitrária e autoritária.

    O Bitcoin não é uma construção autoritária e o preço do Bitcoin também não é arbitrado ele é só a projeção subjetiva de valor de todas as pessoas.

    Sobre tulipas, deflação parece investimento mas não deveria ser considerado investimento. Mas também é claro que as pessoas podem comprar Bitcoin para especular e isso cria bolhas eu vivi umas 3.

    Na Argentina é a demanda por Bitcoins que faz o preço do Bitcoin subir ou é a oferta de Pesos Argentinos que faz o preço do Peso descer? Um pouco dos dois. Existem pessoas tentando usar o bitcoin no dia a dia, existem pessoas poupando em bitcoin ao invés de dólar, existe gente especulando. Se você acredita ser só uma bolha, melhor checar as suas premissas.

    Se a oferta de Bitcoins fosse manipulada seria possível para quem controla a oferta manter a quantidade de bitcoins sempre no nível necessário para o cambio com o dólar ser de 1 para 1. Desse modo as pessoas não confundiriam deflação(não haveria) com investimento e não comprariam bitcoins esperando que eles se valorizem em relação ao dólar. Isso seria bom?

    Não! Afinal você está competindo no mercado de moedas e por isso você quer incentivar as pessoas a venderem as outras moedas para usar a sua.
  • Andre  30/04/2013 13:06
    "Uma hora teremos que chegar em algum ponto no qual a valoração foi totalmente subjetiva."

    Sua conclusão é perfeita. A valoração SEMPRE É totalmente subjetiva.

    Por exemplo:
    Se você para pra pensar que uma bicicleta vale, digamos uns 200 reais, e que com esse dinheiro você pode comprar, digamos, uns 90 Kilos de arroz então isso equivale à dizer que uma bicicleta vale 90 Kilos de arroz!

    Ora, será que alguém usou algum raciocínio lógico dedutivo pra ajustar os preços da bicicleta e do arroz de modo que uma bicicleta "valesse" 90 Kilos de arroz?
    Não, esses preços são o resultado das decisões subjetivas dos participantes do mercado ao valorarem as coisas que eles compram.

    Sendo que as pessoas tendem à achar que os preços não são subjetivos apenas porque elas percebem que no mercado produtos iguais ou similares são sempre vendidos à preços que não estão muito distantes do preço médio. Mas é preciso perceber que o preço médio foi alcançado de forma totalmente subjetiva.

    Na primeira vez que alguém tenta introduzir um novo produto em um mercado, um Pen Drive por exemplo, essa pessoa vai simplesmente "chutar" um preço um pouco acima dos seus custos e ver "se cola". Daí surgem os concorrentes e competindo entre si fazem o preço estabilizar, mas o preço foi definido pelas forças do mercado, ninguém decretou, foi um processo totalmente subjetivo em que cada pessoa ao decidir comprar ou não o produto deu o seu "voto" sobre se aquele produto vale ou não aquele preço.
  • ANDRE LUIS  29/04/2013 23:14

    A meu ver, os Bitcoins são apenas mais do mesmo problema. Se comparado com moeda fiduciária, ele tem sim algumas vantagens, mas seria como comparar um câncer no fígado com um câncer no cérebro. Uma iniciativa dessas não pode ser tratada com a pretensão das coisas eternas, a ponto de se ouvir coisas como "Bitcoin é o ouro digital", ou "mas em vez de depender de propriedades químicas, ele depende de propriedades matemáticas".

    Num mundo indo pelo caminho de um governo mundial, será que dá para acreditar que uma iniciativa dessas, quando atingido seu status pretendido, teria a complacência dos poderosos de plantão? Seria difícil crer que tais "propriedades matemáticas" que sustentam o sistema seriam imunes a ação dos donos do petróleo, da mídia, dos bancos centrais, das redes de abastecimento de comida etc.


  • Julio Heitor  30/04/2013 12:24
    Tentarei responder a esta pergunta lançando mão de um exemplo prático que é o WikiLeaks.

    O fundador do Wikileaks foi preso por expor impormações "sigilosas" de governos no mundo todo.

    O site saiu do ar por apenas um dia (www.mises.org.br/Article.aspx?id=855).

    Depois de um dia, o site estava no ar em um servidor localizado em outro continente.

    Ou seja, o governo simplesmente não tem como controlar um site ou serviço da internet pois este simplesmente pode mudar de lugar a hora que ele quiser.

    O mesmo aconteceu com o Napster. Outros sites semelhantes foram criados e no final, nada mudou. Foi necessário o Steve Jobs reinventar a industria da música para que a pirataria musical fosse reduzida.

    Acredito que ocorreria o mesmo com o BitCoin. Ou ele mudaria de servidor constantemente, ou outros serviços semelhantes seriam criados, substituindo o BitCoin. Basta que haja demanda para tal serviço.
  • Neto  30/04/2013 14:26
    Isso é besteira. Querendo, o governo pode sim. O gordo do megaupload não tinha nada nos EUA e mesmo assim o tio sam foi prender ele lá no fim do mundo.
  • Julio Heitor  30/04/2013 14:47
    O Megaupload voltou ao ar mesmo ele estando preso. E além do megaupload, há inúmeros outros sites de download como rapidshare, 4shared e etc.

    Ou seja, governo nenhum consegue controlar a internet.
  • Tiago Moraes  05/05/2013 13:26
    E daí, se o Megaupload voltou? O fato é que um sistema pretensamente "irrastreável" foi tirado de operação por um governo, em um longo período de tempo. Se o Megaupload fosse um sistema de mineração e apropriação e cripto-moedas, milhões de pessoas teriam se ferrado com isso e a quase totalidade delas jamais voltaria novamente a este serviço, mesmo que ele fosse reestabelecido, pois o tombo que levaram na primeira pancada já as tornariam avessas ao risco de se investir neste sistema.
  • ANDRE LUIS  30/04/2013 18:01
    Olá Julio.

    Ninguém daqui ignora o jogo de poder que vem se desenrolando por séculos, em torno do controle dos meios de troca (dinheiro). Guerras mundiais foram travadas por causa disso. Acho meio ingênuo acreditar em coisas como "a tecnologia está finalmente vencendo os poderosos", ou "estamos livres dos inflacionistas para sempre".

    O mais realista aqui é considerar o Bitcoin como uma criação-teste desta elite globalista, que precisa urgentemente de uma solução para a atual bagunça em que se encontra o sistema financeiro mundial. Sim, provavelmente eles estejam no controle disso, ou ao menos (ainda) estejam tolerando a iniciativa pelos mesmos motivos.



  • Julio Heitor  30/04/2013 21:09
    Oi André,

    não acredito que o BitCoin seja criação da elite globalista. Concordo que estes estejam apenas assistindo o desenrolar da nova possível moeda, de forma a ver como eles no futuro eles poderão controla-la.

    Mas acredito que não com o intuito de arrumar bagunça nenhuma, dado que quase em sua totalidade os governos são keynesianos, e acreditam piamente que a geração fraudulenta de dinheiro gera riquezas.

    Portanto, eles estão assistindo apenas para estudarem como controlar o BitCoin e anular suas vantagens.
  • Andre  30/04/2013 13:15
    "Seria difícil crer que tais "propriedades matemáticas" que sustentam o sistema seriam imunes a ação dos donos do petróleo, da mídia, dos bancos centrais, das redes de abastecimento de comida etc."

    Fazendo uma analogia com as propriedades físicas da matéria sua frase soa como essa:

    "Seria difícil crer que tais "propriedades físicas", como a gravidade, que mantém os aviões no chão seriam imunes a ação dos donos das companhias aéreas, da mídia, dos bancos centrais, das redes de abastecimento de comida etc."

    Propriedades matemáticas, assim como propriedades físicas são sim imunes à quaisquer ações humanas. O máximo que alguém pode fazer é descobrir uma forma de contornar a dificuldade imposta por tais propriedades, mas isso requer muita inteligência, força não vai ajudar, e força é tudo que os governos têm.

    Se não conseguem impedir a pirataria como conseguiriam impedir outros tráfegos de zeros e uns?
  • Neto  30/04/2013 14:34
    '"Seria difícil crer que tais "propriedades matemáticas" que sustentam o sistema seriam imunes a ação dos donos do petróleo, da mídia, dos bancos centrais, das redes de abastecimento de comida etc."

    Fazendo uma analogia com as propriedades físicas da matéria sua frase soa como essa:

    "Seria difícil crer que tais "propriedades físicas", como a gravidade, que mantém os aviões no chão seriam imunes a ação dos donos das companhias aéreas, da mídia, dos bancos centrais, das redes de abastecimento de comida etc."


    É claro, é óbvio que se o governo e as grandes empresas se sentirem ameaçados eles vão atrapalhar a vida dos bitcoinzistas sim. Prendem um ou dois pra servir de exemplo, e pronto, problema resolvido.
  • Julio Heitor  30/04/2013 14:50
    O dono do Wikileaks foi preso e nem assim o site saiu do ar. O mesmo com o dono do Megaupload. Sem falar nos outros sites de mesma finalidade que podem ser abertos a qualquer momento.

    Antes mesmo do cara esquentar as barras de ferro da prissão, outro site/serviço semelhante estará sendo aberto.
  • Neto  01/05/2013 10:08
    O megaupload saiu do ar sim.O tal do mega não é a mesma coisa, é só para arquivos criptografados.Só o dono pode saber o que tem lá, o que na prática foi uma vitória contra a 'pirataria'.
    Mesmo que apareçam outros quinhentos sites, pro governo vai ser como a guerra as drogas, ele pode nem prender todos os traficantes mas a prisão de alguns já serve pra desestimular quem quer entrar no negócio.
  • ANDRE LUIS  30/04/2013 18:48
    Olá André

    Repare que coloquei as "propriedades matemáticas" entre aspas, pois não estou aqui pondo-as em dúvida, e sim aqueles que estão usurpando sua credibilidade para emprestar um caráter eterno a algo tão efêmero como Bitcoins. Lembro que o ouro foi vitma do mesmo ardil.
  • Rodrigo  05/05/2013 19:29
    Oi,

    As comparações estão um pouco fora, seria melhor comparar a rede bitcoin com uma rede de torrent por exemplo com processamento descentralizado. Não com um site com servidor centralizado como megaupload. Só nessa descentralização já dificulta muito em uma interferência definitiva contra a rede.
  • turgot  30/04/2013 11:48
    Fernando, saludos desde España; estoy de acuerdo con tu análisis sobre Bitcoin, salvo en un aspecto que a mi entender es crucial y que el propio Mises destacó respecto del dinero; me explico : vamos a obviar el hecho de que pueden crearse "otros bitcoins" y vamos a suponer que Bitcoin tiene aceptación universal y por lo tanto logra la liquidez perfecta que caracteriza al dinero en la concepción Mengeriana y Misiana; ahora bien, el dinero, antes y después de su surgimiento como tal, como indicó claramente Mises es un bien económico; un bien tiene el carácter de económico "si y solo si" sus efectos resultan cuantitativamente limitados (una cantidad de causa produce una determinada cantidad de efecto); si sus efectos son ilimitados sería un bien libre y su utilidad marginal sería nula (un bien libre es la formula del café, que Mises pone como ejemplo en su obra "La Acción Humana" en el apartado donde demuestra "a priori" la Ley de los Rendimientos Decrecientes); es decir, la escasez de un bien económico es algo natural y físico en el sentido cuantitativo; el oro y la plata cumplen con esta condición; Bitcoin no la cumple, ya que depende de un sistema críptografico (hasta el momento no hay ninguno que no pueda ser descifrado) que lo hace artificialmente escaso y subordinado a la voluntad de los creadores del mismo (doy por supuesto que no puede ser saboteado por los Hackers, lo cual es mucho suponer); éste es para mi el gran defecto de Bitcoin; ¡SERIA COMO LA COCA- COLA DEL DINERO! EL MISMO ESTARIA EN MANOS DEL CRIPTOGRAFO ¿RESISTIRA ESTE LA TENTACION DE NO EMITIR DINERO PARA DETRAER RIQUEZA ,SIN COSTE ALGUNO PARA EL, DEL RESTO DE LA SOCIEDAD COMO HACEN LOS "FALSIFICADORES OFICIALES" ACTUALES?
  • Fernando Ulrich  30/04/2013 12:51
    Turgot de España, gracias pos sus comentarios. La escacasez del Bitcoin no está "subordinado" a la voluntad de los criadores. Ellos crearon el sistema con esta carcaterística intrínseca (límite de bitcoins y esfuerzo computacional para minerarlos) y TODA la comunidad que opera con bitcoins la accepta. Cambiar este protocolo no es posible, SIN EL CONSENSO DE TODA LA COMUNIDAD. El código-fuente es abierto a quien quiera verificarlo, y un cambio como éste sería una alteración del mismo, y no sería acceptado por los usuários de bitcoins. Cada vez más, me parece que el simple hecho de ser "virtual" confunde a mucha gente. Y por eso insisto, no nos olvidemos que sería imposible obviar del sistema bancario electrónico (virtual!) para hacer con que un patrón-oro con coeficiente de 100% funcionara eficientemente.
  • Aksakof  30/04/2013 12:16
    Eu não troco o dinheiro em forma física por um em forma digital, a não ser de forma forçada. No caso do Bitcoin, por exemplo, numa hipótese que ele venha no futuro a ser uma moeda escolhida pela maioria esmagadora das sociedades, e neste caso eu seria obrigado a também optar por ele, nessas condições eu seria obrigado a utilizar uma ferramenta tecnológica para transacionar.

    Isso me soa horrível o fato de existir essa possibilidade de ficar refém da tecnologia, de não poder fazer nada se não submeter a ela. Eu creio que provavelmente bilhões de pessoas ficariam privadas dessa moeda, pois são tantas as possibilidades de uma pessoa qualquer não poder utiliza-la em função de ser uma tecnologia.

    Enfim, creio que apesar de ter características positivas sob certos aspectos, ela tem uma vulnerabilidade insuperável que é estar disponível no mundo real das pessoas em carne e osso.
  • Breno de Almeida  30/04/2013 12:35
    Aksakof,

    Existe bitcoin em forma de papel e em forma de moedas. Que você movimenta para lá e para cá como esses papeis do governo.

    Bitcoin é só uma expressão matemática, que você pode armazenar na memória do celular, no disco rígido do computador, na sua cabeça biológica ou em um pedaço de papel.

    Dinheiro matemático é só informação que dá para armazenar na pedra lascada se você achar melhor.
  • Aksakof  30/04/2013 13:11
    Na minha ignorância não vejo que é tão simples assim. Pode que seja, mas ainda não consegui visualizar tal simplicidade.

    Outro detalhe, se tem papel, ou pode ter papel representado os números matemáticos e virtuais, então qual é a garantia que esses representam 100% lastreados nos bitcoin do dito celular ou correntista? Isso não representaria bancos individuais e um multiplicador das reservas fracionárias?

    Isso são apenas alguns questionamentos de centenas de outros. Eu continuo entendendo que essa moeda continua com as mesmas vulnerabilidades das demais, mais em alguns aspectos e menos em outros, e vice versa.
  • Breno de Almeida  30/04/2013 14:31
    Aksakof,

    Números são números, não vejo diferença entre números e números virtuais.

    O proposito da matemática é justamente garantir que que a chave impressa no papel não foi violada ou seja que ela representa uma unidade ou fração exclusiva sua que ninguém consegue duplicar ou roubar.

    É claro que para certificar que realmente a expressão está correta e não foi violada você vai precisar de um computador afinal a mente tem limitações. Mas você só precisa certificar se você não confiar na origem do papel.Do mesmo modo que você só vai testar o ouro com ácido ou/e balança de precisão se tiver duvidas sobre a sua originalidade. Os fabricantes de meios físicos para armazenar Bitcoin se esforçam para garantir a reputação do meio e deles. Pode saber mais em www.casascius.com

    Não existe bitcoin em papel com lastro, não existe lastro em bitcoin (mas alguém pode criar outra moeda e colocar o bitcoin como lastro).

    O papel/moeda armazena a expressão matemática e a expressão é o dinheiro.
  • Marcio Silva  30/04/2013 19:58


    Acredito que o principal é a experiência de uma moeda inelástica, de aceitação universal, possuindo várias formas de negociar com ela, num ambiente global , aberto e com a emissão de 1 bicoin a cada 2 minutos, faz com que quando, e se ela for amplamente aceita, ela será rigidamente anti-bolha especulativa, pelo menos no sentido clássico e histórico do termo, pois pelo simples fato de que serão emitidos 21 milhões de bitcoins até os anos 2100, e até lá, a população da terra estará em torno de 13 bilhões de habitantes, então podemos supor que sempre haverá gente disposta à trabalhar para as ter, isso explica o porquê quem já as tem, quase que instintivamente não as está convertendo novamente em papel-moeda.

    A lógica, diz que os valores ainda vão oscilar muito pois poucos usuários, que compraram muitos bitcois (exceto os mineradores), ainda estão muito nervosos com as incertezas dos botcoins, mas vai passar, quando eles perceberem que por mais que vendam tudo e as comprem novamente, os ganhos com a especulação vão diminuir pelo simples fato de que o interesse em "acumular bitcoins" será maior do que o de se desfazer deles.
  • Bernardo F  03/05/2013 00:22
    Acabei de ficar sabendo que a Khan Academy publicou uma série de vídeos sobre o BITCOIN.
    Não cheguei a vê-los; mas, dada a qualidade dos vídeos da Khan Academy, certamente o farei em breve.

    Fica a dica:

    https://www.khanacademy.org/science/core-finance/money-and-banking/bitcoin/v/bitcoin-overview
  • anônimo  14/11/2013 15:55
    Se algum dia o bitcoin virar dinheiro, vai ser a prova prática de que Mises estava errado e que é possível sim criar dinheiro do nada. Então talvez o dinheiro do nada criado pelo governo, de uma forma controlada e não inflacionária não seja tão ruim assim
  • Andre Cavalcante  17/11/2014 02:32
    Esse seu comentário é a prova cabal que você não entende nem o teorema da regressão de Mises, e nem do que seja bitcoins
  • Nilmar João dos Santos  17/11/2014 01:10
    O valor da moeda se perde se ela não for aceita. Do que adianta eu ter em mãos um número pomposo de Bitcoins que não é aceito como pagamento, o Bitcoin é mesma coisa que uma moeda estrangeira, veja se alguém aceita Peso Argentino ou o Guarani, nem mesmo aqui perto da fronteira são moedas aceitas.

    As moedas comuns emitidas por governos tem sua obrigatoriedade de aceitação imposta por força de lei. O Bitcoin precisa da aceitação natural das pessoas como meio de troca, se não houver aceitação de troca ela não terá valor. Logo então quem não acredita na moeda e a tem nas mãos terá que se desfazer delas de alguma forma trocando por outra moeda, quem compra irá comprar acreditando que valorizará. Tudo vai depender sempre da aceitação do valor, não importa qual será a moeda.

    Mas tenho certeza que esta da tecnologia é uma ótima oportunidade para os estados de todo mundo criarem uma moeda única sem precedentes. Moeda esta reduziria os custos de transação no mundo de forma significativa. E tiraria a dependência do mundo do dólar como moeda de referência e muitos países poderiam controlar de forma conjunta e transparente a emissão de moeda de forma global. Certamente esta moeda não será o Bitcoin.
  • Silvio  17/11/2014 03:08
    "...estou mais convencido do que nunca de que, se formos ter novamente uma moeda decente, esta não virá do governo: ela será emitida pela iniciativa privada, porque fornecer ao público um dinheiro bom no qual ele pode confiar e utilizar não apenas pode ser um negócio extremamente lucrativo, como também irá impor ao emissor uma disciplina à qual o governo nunca esteve e nunca poderá estar submetido.

    Friedrich A. Hayek, 10/11/1977

    texto completo em: mises.org.br/Article.aspx?id=197

    Mesmo depois de 35 anos, essa afirmação nunca esteve tão correta e atual.


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