clube   |   doar   |   idiomas
O que o capitalismo não é

Foi Karl Marx quem cunhou o depreciativo termo "capitalista" para identificar um sistema econômico que havia recebido de Adam Smith uma expressão mais descritiva e bonita: "sistema de liberdade natural". A origem negativa do termo é um dos motivos pelos quais a discussão sobre o capitalismo necessita de um esclarecimento. Seja para atacá-lo ou defendê-lo, é importante entendermos primeiro o que o capitalismo não significa.

O capitalismo não é exclusivamente "capitalista". 

A acumulação de capital é um fato existente em qualquer sociedade, independentemente de sua estrutura política e econômica. Max Weber já dizia em A ética protestante e o espírito do capitalismo que "a ganância pelo ouro é tão antiga quanto a história do homem". E que onde o capitalismo era mais atrasado encontrava-se "o reino universal da absoluta falta de escrúpulos na busca dos próprios interesses por meio do enriquecimento".

No entanto, as pessoas ainda encaram o capitalismo como um ordenamento moral, um modo de vida em que a acumulação de riqueza é o bem superior. Mas a defesa do capitalismo não significa a defesa de um homo economicus cuja única preocupação na vida é ganhar dinheiro. Há muitas coisas mais importantes do que a acumulação de capital, como a família, a religião, a arte e a cultura. E isso realça a importância da economia de mercado.

É verdade que no livre mercado há mais oportunidade para aquele que pretende enriquecer, mas nele o filósofo também tem mais oportunidade de aprender e o artista tem mais oportunidade de se expressar. E é por meio do livre mercado que o filantropo, a pessoa que deseja ajudar o próximo, dispõe de mais recursos para fazer assistência social, e, através do sistema de preços livres, pode utilizar seus recursos de forma mais eficiente.

O capitalismo não é a burocracia internacional. 

As pessoas de esquerda costumam identificar pelo termo "neoliberal" tanto as reformas modernizadoras que diminuem a participação do estado na economia quanto as organizações inter-governamentais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Como neoliberalismo e capitalismo são termos intercambiáveis no discurso vulgar, o FMI e o Banco Mundial aparecem como braços operadores do capitalismo internacional. Essa confusão também costuma ser feita por pessoas de direita que, definindo-se por sua oposição sem reservas à esquerda, acabam defendendo instituições burocráticas como se fossem partes integrantes do sistema capitalista.

Nesse caso, a esquerda tem razão em denunciar a arrogância de agências internacionais, que nada mais são do que uma forma de planejamento central de larga escala. Enquanto o liberal entende que a prosperidade depende da utilização do conhecimento e dos incentivos dispersos na sociedade, os burocratas internacionais acreditam que podem comandar o desenvolvimento econômico na Zâmbia ou em Guiné-Bissau de seus escritórios em Washington e Nova York. O resultado não tem sido animador.

O jornalista Andrew Mwenda, de Uganda, continua sem resposta para sua pergunta sobre exemplos históricos de países que tenham realmente prosperado graças à ajuda externa. De 1975 a 2000, o continente africano recebeu em auxílio externo uma média de 24 dólares per capita por ano. Entretanto, o PIB africano per capita diminuiu a uma taxa média anual de 0,59%. Durante o mesmo período, o PIB per capita do sul asiático cresceu a uma média de 2,94%, apesar de ter recebido em auxílio externo uma média de apenas 5 dólares per capita a cada ano. Políticas de abertura de mercado têm um efeito mais positivo do que o planejamento internacional financiado por impostos.

Na verdade, em vez de criar economias de mercado ativas e autônomas, as políticas do Banco Mundial diminuem a dependência dos governos por sua própria população, já que a receita não vem dos tributos extraídos do desenvolvimento econômico doméstico, mas das negociações com outros burocratas. O poder da população é transferido para essas organizações, criando uma cultura de dependência em que a miséria local apenas aumenta o poder de barganha dos governos que recebem auxílio externo. O resultado é a perpetuação da miséria.

O capitalismo não é a política norte-americana. 

Apesar de os Estados Unidos historicamente terem tido um de seus pilares no livre mercado, grandes contribuições para a compreensão do capitalismo foram feitas em outros países. Sem contar que, ultimamente, o governo americano tem feito um ótimo trabalho de difamação do nome do livre mercado. O crescimento nos gastos da atual administração supera o de qualquer outro presidente desde o democrata Lyndon Johnson, criador do programa assistencialista da Great Society.

George W. Bush foi o primeiro presidente americano a assinar um orçamento de mais de 2 trilhões de dólares. E também foi o primeiro presidente americano a assinar um orçamento de mais de 3 trilhões de dólares. Um aumento que inclui gastos significativos na previdência social e saúde pública, além dos gastos bélicos. As recentes aventuras no Oriente Médio também não podem ser consideradas políticas pró-capitalistas. A própria guerra e a permanência no Iraque são um experimento socialista de escala internacional, que já custou mais de 1 trilhão de dólares e cerca de 30 mil vidas.

Liberais defensores do capitalismo não acreditam que nações são violentamente construídas por meio da política, mas que se desenvolvem espontânea e pacificamente. É o socialismo que defende a prosperidade planejada. E o que o governo americano tem feito no Iraque é um planejamento de longo alcance.

O capitalismo não é a defesa irrestrita das grandes corporações. 

Os defensores do livre mercado entendem que os negócios podem tanto servir quanto prejudicar a população em geral. Em um sistema intervencionista, toda empresa que quer aumentar o seu lucro tem duas opções: investir em produtividade, para competir pelos consumidores, ou investir em lobby, para competir pelos favores políticos. A competição para servir à sociedade é capitalismo, a competição para servir ao governo é mercantilismo. São os mercantilistas que defendem legislações protecionistas de corporações contra a competição estrangeira e doméstica. Os liberais defendem um mercado aberto, em que a manutenção de um negócio depende do oferecimento de serviços e produtos que satisfaçam ao consumidor.

O capitalismo não é a perpetuação das elites. 

São os oponentes do capitalismo que, ao defender maior concentração de poder nas mãos de políticos e burocratas, constroem um sistema corrupto e estático, no qual há pouco espaço para a mobilidade social e pouca oportunidade para o desenvolvimento da criatividade humana. Há doses de capitalismo em diferentes sociedades do mundo, mas não há uma sociedade onde a economia seja puramente livre, e nem o Brasil está entre as economias mais livres do mundo.

Na verdade, de acordo com o ranking de liberdade econômica publicado anualmente pelo Fraser Institute, do Canadá, o Brasil encontra-se no 101º lugar entre 168 países examinados, empatado com Paquistão, Etiópia, Bangladesh e Haiti.

No Brasil, há excesso de burocracia para a entrada e a permanência no mercado, uma legislação trabalhista rígida, que empurra os trabalhadores para a informalidade e uma legislação tributária que já foi considerada pelo Fórum Econômico Mundial como a mais complexa de todo o mundo. Os oponentes do livre mercado insistem no controle governamental da economia para resolver os problemas que foram criados pelo próprio governo. Defender o livre mercado é defender a estrutura de um sistema econômico dinâmico em que se estimula a produção de riquezas e se permite a mobilidade social.

O capitalismo não é a defesa do tratamento desigual das pessoas. 

Há diversas formas de tornar as pessoas mais iguais. Os igualitários normalmente não pretendem torná-las mais iguais em conhecimento ou em beleza, mas em recursos, pelo menos em alguns recursos que consideram fundamentais. É bem verdade que o livre mercado não se baseia na igualdade de recursos. Mas isso não significa um tratamento desigual das pessoas. A igualdade liberal, da qual floresce o capitalismo, é a igualdade de direitos, a igualdade perante a lei. Isso significa que as questões de justiça e o uso da sua liberdade no mercado não dependem de quem você é, mas do que você faz.

O capitalismo é um sistema econômico de cooperação mútua, apoiado em uma estrutura de direitos na qual prevalece a igualdade jurídica entre as pessoas. As pessoas no livre mercado não são iguais em "distribuição de renda", mas são iguais em liberdade.

Por fim, capitalismo não é socialismo.

O capitalismo não é uma imposição do governo, nem o mercado é uma ideologia em que a teoria necessariamente precede a prática. O capitalismo é simplesmente o que ocorre quando as pessoas têm liberdade para fazer trocas, apoiadas em direitos de propriedade bem definidos. É o socialismo que necessita da mobilização social para alcançar um objetivo comum entre todas as pessoas. O socialismo precisa da pregação e da concentração de poder na autoridade manipuladora. O socialismo é a politização da vida econômica, é um discurso interminável do Fidel Castro, é a transformação de tudo o que é belo e espontâneo no dirigismo rígido da política.

O livre mercado é apenas o conjunto de ações de agentes humanos livres sobre a alocação de recursos escassos. Se os propósitos desses agentes são morais, a ordem gerada será igualmente moral. E é quando nós conseguimos sinceramente compreender e avaliar o capitalismo que passamos a ter o discernimento para defendê-lo ou atacá-lo.



Artigo originalmente publicado no OrdemLivre.

 


autor

Diogo Costa
é presidente do Instituto Ordem Livre e professor do curso de Relações Internacionais do Ibmec-MG. Trabalhou com pesquisa em políticas públicas para o Cato Institute e para a Atlas Economic Research Foundation em Washington DC. Seus artigos já apareceram em publicações diversas, como O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Diogo é Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Petrópolis e Mestre em Ciência Política pela Columbia University de Nova York.  Seu blog: http://www.capitalismoparaospobres.com

  • Andrey Soares  19/04/2013 13:49
    Acho bacana ressaltar, também, que no meio libertário a evolução é maior e a usamos de maneira inteligente, sem desgastes exagerados dos recursos naturais, melhorando cada vez mais a sociedade.
    As pessoas acham que capitalismo é visão de quem quer utilizar todos os recursos até o final, o que é uma concepção errônea, pois utilizamos a inteligência para conseguirmos obter um crescimento otimizado.
  • Tory  19/04/2013 14:27
    A inteligência coletiva, por mais paradoxal que possa parecer. Já que o sistema de preços é que se encarrega de dizer o quanto algo escasso é valioso, e não um burocrata.
  • Marcelo  25/04/2013 20:24
    Senhor Tory. Creio que me confundiu com o ótimo e benquisto debatedor Lucas Raal. Foi ele que mencionou a moralidade dos agentes. Embora concorde com a tese dele, não fui eu que a apresentou. Como já disse antes, agradeço a hospitalidade de todos mas gostaria de me retirar do debate. Tenho que ganhar meu rico dinheirinho.
  • Pedro Ivo  19/04/2013 17:11
    Bem dito Andrey. Se há propriedade privada dos recursos (e defesa destes direitos de propriedade), as pessoas tem que racionalizar seu uso. Não podem depredar, e normalmente não depredam àquilo que lhes pertence (mas aquilo sob o que não tem responsabilidade nem propriedade). Direitos e deveres de propriedade implicam preservação dos recursos.

    Além de que, como recursos são escassos, a tendência do desenvolvimento tecnológico é na direção de racionalizar seu uso, i. é, obter maior produção a partir dos mesmos recursos (ex.: mais sacas de cereais por hectare; bens de capital que consomem menos energia para aumentar a razão entre bens produzidos e kilowatts-hora utilizados; rotas mais curtas e/ou mais rápidas para a distribuição de bens; reduzir o tempo de atendimento por cliente para atender + clientes; reciclar lixo porque lixo é recurso; não desperdiçar recursos os + diversos [desde poupar papel num escritório e não deixar lampadas acesas em ambientes desocupados, até processos industriais que consumam menos recursos]; etc.). Esta racionalização de recursos também envolve a preservação dos mesmos, meio ambiente entre eles.

    Mas isto implica consequências que a maioria não está preparada para aceitar. Por ex., a preservação de um lago envolve privatizá-lo. Se ele for público ou um bem-livre, não há direitos de propriedade claros a seu respeito, logo, nem responsabilidades acerca de como usufruí-lo. Isto leva a uma concorrência predatória em seu uso, pois se eu não usufruir dele agora, não sobrará utilidade num futuro próximo. Isto porque, por ilustração, se sua água é usada para irrigação, todos os agricultores em volta a usam sem despesa, então correrão para usá-la, ainda que isto esgote o lago (lembrando que "se eu não usufruir dele agora, não sobrará utilidade num futuro próximo"). Mas se o lago é privado, seu proprietário usufrui renda por vender sua água, e tem um incentivo para só permitir drenagem numa proporção que não esvazie o lago; não quer ver sua fonte de renda destruída. E o preço pela tonelada de água é a sinalização decorrente de sua escassez (quantidade que pode ser drenada em cada época do ano) e demanda (se a demanda é menor que a drenagem possível, a água será barata. Se há mais demanda que a drenagem possível, o preço subirá até equilibrar demanda com a oferta, oferta esta determinada pela drenagem possível do lago em cada época do ano. Por esta razão, propriedade privada dos recursos e sistema de preços preservam os recursos: eles equilibram demanda com oferta, conforme a escassez do recurso).

    Mas a despeito das consequências que a maioria não está preparada para aceitar, o fato é que livre mercado, propriedade privada e sistema de preços preservam recursos e meio ambiente.
  • Pedro Ivo  20/04/2013 14:13
  • Gilberto  16/11/2018 19:45
    Acredito que se as grandes fortunas continuarem nas mãos de poucos a degradação do planeta terra será menor do que se toda riqueza da terra fosse dividida igualitariamente entre todos os terráqueos, pois haverá um maior consumo dos recursos naturais do planeta e menos pessoas interessadas em reciclar.
  • Leonardo Faccioni  19/04/2013 14:17
    Que excelente desconstrução de mitos! Por um momento, confesso, distraí-me da leitura e, ao retomá-la, jurava de pés juntos que estivesse a ler Rothbard. Qualidade irretocável.
  • Roberval  19/04/2013 14:37
    Texto muito bom.
    Mais só tem uma coisa que eu queria entender.
    Qual é o pais mais capitalista livre mercado alem do Estados Unidos?
    Hoje o Estados Unidos não é grande coisa,eu sei,mais em minha humilde opinião,é o pais que mais perto chegou do livre mercado e do capitalismo,não é verdade?
    Que pais podemos usar como exemplo para estressar os esquerdistas amantes de estatais?:] :)
  • Thames  19/04/2013 14:59
    Hong Kong, Cingapura, Suíça, Austrália, Nova Zelândia. Até mesmo o Canadá dá pra incluir aí. E se o objetivo for apenas estresse amantes de estatais, a própria Dinamarca serve. Lá quase não há estatais.
  • Diego  20/04/2013 16:09
    "Qual é o pais mais capitalista livre mercado alem do Estados Unidos?"

    Além dos países quais Thames citou, obviamente há outros. É possível ter noção de quais são, além do Fraser Institute ( www.freetheworld.com/release.html ), pelo The Heritage Foudation ( www.heritage.org/index/ ). Neste, há relatório de economias mais livres em língua portuguesa (de Portugal).
  • Um Filósofo  19/04/2013 16:16
    Confesso que censuraria este artigo se tivesse poder. O autor demonstra técnica argumentativa e coesão, tornando o texto gentilmente sútil e sorrateiro quanto à sua mensagem real. O artigo serve de boa síntese da retórica burguesa, aproveitando-se das propriedades dessa ao máximo. É um texto maravilhoso, porém luta pela perpetuação de uma injustiça.

    Por tal motivo, censura-lo-ia. Sua mensagem não é nova, porém é dotada de um poder de persuasão capaz de induzir defensores menos aptos da igualdade. Em nosso cenário atual, de educação precária e conservadora, o estrago que causaria o texto se feito popular seria digno de tragédias.

    Elogio o autor por sus sutileza e capacidade de síntese, porém o temo com todas as minhas forças.
  • Renato Souza  20/04/2013 01:38
    É este artigo é temível.

    Se alguém com esse discurso tivesse dissuadido os russos ou chineses de adotarem um sistema socialista, o resultado terrível teria sido a não ocorrência de genocídios imensos e pavorosos, somando mais de 100 milhões de mortes, muitos delas de fome. Outro resultado seria que inúmeras pessoas (talvez na casa de centenas de milhões) não teriam sofrido prisões arbitrarias, injustas e inumanas, nem teriam sido torturados. Outro resultado seria que a Rússia teria um padrão de vida comparável ao dos países mais ricos do mundo. Possivelmente a Segunda Guerra não teria acontecido, e a prosperidade no mundo seria muito maior.

    É, seria terrível...
  • Andre Cavalcante  20/04/2013 14:48
    É, este artigo é terrível!

    Os pensadores de esquerda temem ao ver uma lógica irrefutável como esta.
    Eles ficam sem saber o que dizer, a não ser: "censuro este artigo porque ele acaba com a minha capacidade intelectual de discernir e me mostra que o que sempre vi como um problema é, de fato, solução e o contrário também, o que sempre defendi como o mais correto e mais moral é acima de tudo errado e imoral".


  • Um Filósofo  20/04/2013 18:30
    André, a liberdade de expressão DEVE ser limitada pelo estado. O radicalismo reacionário sempre fora utilizado pela burguesia para manipular os pobres, seja através da religião ou da doutrinação política. Se o texto supra-colocado tivesse cobertura midiática neoliberal o suficiente, causaria um estrago indescritível devido à incapacidade da população de verificar a retórica reacionária presente no texto.

    Não existem ainda condições educacionais suficientes para que tal síntese do pensamento burguês seja refutada, por tal motivo, é imprescindível a censura de tal texto em defesa do progresso da sociedade. Apesar de lamentar e considerar imoral o ato da censura, a cobertura midiática ofuscaria qualquer refutação revolucionária de tal artigo, concedendo um grande golpe à evolução crítica da juventude.

    Caso houvesse justiça comunicativa, porém, tal artigo seria válido pois tornaria qualquer refutação por parte de algum intelectual de fato comprometido com a causa social mais acessível.

    As universidades brasileiras servem de excelente exemplo do efeito positivo de tal igualdade ideológica, pois lá as idéias de esquerda possuem grande espaço.
  • Andre Cavalcante  21/04/2013 20:50
    Pois é Um Filósofo, este é sempre o mesmo argumento: "eu posso doutrinar as mentes através de uma educação estatal de esquerda, mas os outros não podem falar nada" - isto é o mais belo exemplo da tirania das ideias que a esquerda criou. Ainda mais, coloca para "os outros" justamente a pecha de reacionário, tirânico etc. E infelizmente a Universidade atual é realmente o nascedouro e a perpetuação de tais ideias. Boa Filósofo.
  • Típico Filósofo  21/04/2013 23:44
    A doutrinação midiática não opera como uma aula de filosofia e sociologia. Ela age de forma agressiva e comportamentalista, como explica Skenner; induz o indivíduo a determinada reações baseada em complexos métodos desenvolvidos para enganar e controlar aqueles que não tiveram acesso à uma educação pública de qualidade.

    A razão pela qual as crianças passam no mínimo teórico de 1/3 de seu tempo no ambiente escolar é justamente para que elaborem habilidades, senso crítico e compromisso social para resistirem ao consumismo e à doutrinação capitalista. O direitismo e o conservadorismo, por serem doutrinas produto do pensamento burguês, defendem meramente a autoridade absoluta do indivíduo sobre si mesmo e hábitos de consumo. Normalmente, as idéias da esquerda se limitam a estudar cada mínimo ato de consumo da população comum, denunciando suas incoerências e sua natural incapacidade de coordenar sua própria vida econômica.

    É essencial que a causa social seja compreendida. Infelizmente, devido às circunstâncias de fraqueza da igualdade frente à grande mídia, é imprescindível que textos de grande poder doutrinador sejam evitados.

    André, essencialmente, o que diferencia o convencimento esquerdista do direitista é que o primeiro se baseia na defesa das artimanhas do segundo. É a mera resistência contra o consumismo da sociedade. Por tal motivo, é imprescindível que o discurso igualitário permaneça vivo, mesmo em sociedades que já o tenham adotado.
  • Andre Cavalcante  23/04/2013 18:41
    Boa essa.

    Vamos lá: "causa social" - o problema com o termo é essencialmente que ele se torna o que o governante de plantão queira. Por exemplo: vai um presidente conservador de direita assumir, ele vai dizer que a "causa social" é família e a necessidade de o estado regular as relações familiares - é o estado invadindo o espaço privado. Da mesma forma, um governante de esquerda vai dizer que "causa social" é a igualdade - e claro vai fazer a sua definição de igualdade (por exemplo, igualdade econômica, fazer com que todos ganhem a mesma coisa) e para isso vem mais invasão do estado no espaço privado.

    Outra: consumismo - quem mais estimula o consumismo não são as empresas (e olha que elas teriam o motivo para isso) mas justamente o governo. No momento em que as pessoas passam a fazer poupança, o governo não tem o que tributar. Também ele necessita de fazer rodar o dinheiro a fim de conseguir empréstimos para cobrir o seu déficit.

    É uma luta de ideias: aquelas que querem se perpetuar no poder, a custa do coletivismo e aquelas que querem a liberdade das mentes.
  • Mestre Madeira  22/04/2013 01:56
    Alguém leva esse funcionário público a sério?
  • Marcelo  24/04/2013 22:08
    Renato Souza e demais que responderam ao filósofo... Não estou defendendo o filósofo. Creio que ele o fará melhor do que eu, se quiser fazê-lo. Quanto a todas aquelas desgraças que Renato elenca e que poderiam ser evitadas caso alguém tivesse convencido russos e chineses sobre as "verdades" contidas neste artigo, é livre o exercício de prognósticos mas não se deve esquecer que só pode ser encarado como um mero desabafo, pois grandes "desgraças" acontecem ainda hoje sob a égide da economia não-planificada, aquela, a chamada economia de mercado. E aquilo que chamaram um dia de socialismo e/ou comunismo não passa de uma sombra na sociedade mundial hoje. Digo que "chamaram", porque aquilo que foi chamado, na verdade já se apresentou ao mundo corrompido no seu ideal. Porque justamente o principio do socialismo não é este dirigismo centralizado, autoritário e despótico. Não era, e não é, por isso o nome de "soviets". Por isso o nome de "comunas". Mas como já disse, o maldito camarada Stalin matou o ideal no seu quase nascedouro, assim como o maldito camarada Lula, achou por bem trair a idéia da esquerda em seus mais básicos fundamentos. E ambos conseguiram transformá-la num amontoado de coisas inúteis, aliás úteis somente para dizer tudo o que "o socialismo não é". Mas esta discussão ainda não morreu, este assunto não se exaure aqui. Só gostaria de alertar que os cometários mais agressivos, sarcásticos e irônicos tem partido normalmente de quem defende o atual estado de coisas, seja lá o nome que queiram dar a ele. E são estes tipos de comentários que demonstram falta de argumentação sólida e não o contrário.

    Sobre desgraças atuais que nada tem a ver com China, Cuba, U.R.S.S.:

    "O senador republicano Lindsey Graham declarou que os drones americanos mataram pelo menos 4.700 pessoas nos últimos anos. Em seu primeiro mandato, o presidente e Prêmio Nobel da Paz Barack Obama aumentou de forma notável o uso desses drones no Afeganistão e no Paquistão, assim como no Iraque, Iêmen, Somália, os países do Sahel e nas Filipinas. É Washington precisamente que, junto com Israel, está apostando no desenvolvimento de instrumentos de matar que, de um só golpe (ou melhor, de um botão do joystick), questionam a soberania nacional dos países vítimas de seus ataques, realizaram execuções extrajudiciais e desumanizam guerra."

    Matéria completa em espanhol: elpais.com/elpais/2013/03/11/eps/1363023250_534046.html

    O autor do artigo que estamos comentando (Diogo Costa) lembrou bem que a atividade guerreira deste teor que é tão cara ao espírito desbravador dos americanos é, conceitualmente, anti-capitalista. Não tenho esta clareza, mas sei que sua classificação pode ser enquadrada no próximo passo além do capitalismo, o imperialismo. E nós ainda somos colônia. E eles são os mercantilistas/capitalistas/imperialistas aos quais dobramos os joelhos e dizemos amém a todas as atrocidades cometidas a outros povos pelos representantes máximos (embora o autor Diogo discorde) do capitalismo, os americanos, apesar de termos na nossa Constituição dispositivos claros quanto ao respeito à auto-determinação dos povos. E ainda assim nos calamos e fazemos nossa lição de casa treinando nosso engatinhar no imperialismo do papai E.U.A mantendo nossas tropas no Haiti, fazendo papel de polícia do sistema, num arremedo de política externa...
  • Leandro  24/04/2013 23:09
    O que o imperialismo, que consiste no domínio de populações por um estado super-poderoso (ou seja, o jugo de populações por políticos e burocratas), tem a ver com livre mercado, liberdade de empreendimento, liberdade de transações econômicas e liberdade individual?

    Defina seus termos antes de sair oferecendo vaticínios.
  • Marcelo  25/04/2013 00:28
    Leandro, os termos estão explicados no mesmo local onde foram escritos. Basta ler que imperialismo, é o próximo passo adotado pela grande potência capitalista. Aliás até fiz referência ao autor do artigo quando diz que as guerras e belicosidade americanas são anti-capitalistas. Não lembro de ter oferecido vaticínios. Na verdade respondi aos prognósticos do Sr. Renato. Até agora não me lembro de ninguém ser cobrado quanto à definições de termos nestes comentários. A que devo a honra e deferência? E quem é o senhor que vem reclamá-las? Por que acha que pode exigir algo que condicione o que o outro vai fazer ou dizer? Quais as suas premissas neste quesito? Tem algum título? Hoje em dia milhares de pessoas são doutores no Brasil. Até mesmo o inesgotável sr. Lula. Não creio ter atacado ninguém no meu comentário. Baixe a guarda e apenas comente. Não exija algo de ninguém como condição para livre expressão.
  • Leandro  25/04/2013 19:25
    "os termos estão explicados no mesmo local onde foram escritos."

    Não, não estão. Você não apresentou sua definição de capitalismo e nem de imperialismo. E tampouco explicou porque o primeiro leva ao segundo. Apenas jogou palavras de significado variável e deu o serviço por completo.

    "Basta ler que imperialismo, é o próximo passo adotado pela grande potência capitalista."

    Viu só? Incorreu novamente no mesmo erro. Você tem de explicar o que é capitalismo e por que ele inevitavelmente gera imperialismo. Não se esqueça também de demonstrar todo o imperialismo suíço.

    "Não lembro de ter oferecido vaticínios."

    Só nessa postagem, você já ofereceu dois.

    "Até agora não me lembro de ninguém ser cobrado quanto à definições de termos nestes comentários. A que devo a honra e deferência?"

    Se você quer participar de um debate, um pré-requisito intelectual mínimo é apresentar os conceitos que você defende. Você tem de apresentar a sua definição de capitalismo e de imperialismo. E então, só então, explicar logicamente por que o capitalismo leva ao imperialismo. (Não se esqueça de fornecer exemplos de imperialismos suíços).

    "E quem é o senhor que vem reclamá-las? Por que acha que pode exigir algo que condicione o que o outro vai fazer ou dizer? Quais as suas premissas neste quesito?"

    Pedir para um interlocutor definir seus termos e conceitos é "reclamar definições"? É "exigir algo que condicione o que outro vai dizer"? Pensava eu que definir termos e conceitos era um pré-requisito indelével para qualquer debate intelectualmente honesto. Acabo de descobrir que estou exigindo uma tarefa sobre-humana das classes pensantes.

    "Tem algum título? Hoje em dia milhares de pessoas são doutores no Brasil. Até mesmo o inesgotável sr. Lula."

    Não entendi. Afinal, ter títulos é obrigatório para alguém pedir que você defina seus conceitos ou ter títulos é vergonhoso porque até Lula tem? Foi contraditório.

    "Não creio ter atacado ninguém no meu comentário."

    Não atacou mesmo não. Apenas se esquivou de conceituar seus termos. Ou seja, você não fez absolutamente nada de relevante.

    "Baixe a guarda e apenas comente. Não exija algo de ninguém como condição para livre expressão."

    Dado que este site é minha propriedade privada, esta é exatamente a ordem que eu lhe dou. Aliás, sou tão caridoso, que permito que você, com todo esse atrevimento, usufrua "livre expressão" em minha casa. Mas doravante terá de dançar conforme minha música.

    Pode começar definindo seus conceitos. E não se esqueça de exemplos de imperialismo suíço.
  • Marcelo  25/04/2013 20:09
    Senhor Leandro, muito obrigado pelas suas explicações. Foram satisfatórias. Obrigado também por ceder espaço em sua casa para esta discussão e me aceitar dentro delas. Da casa e da discussão. Mas seu poder de convencimento é inexorável. Agradeço a acolhida.
  • Andre Cavalcante  25/04/2013 15:02
    Marcelo, agora fiquei sem entender.

    Você disse: "Digo que "chamaram", porque aquilo que foi chamado, na verdade já se apresentou ao mundo corrompido no seu ideal. Porque justamente o principio do socialismo não é este dirigismo centralizado, autoritário e despótico."

    Me responda: como é possível uma sociedade comunista sem um planejamento central?

    Se eu tenho liberdade de adquir os bens que necessito/queiro usando de negociação voluntária e entre mim e um vendedor, então necessariamente tenho propriedade privada (não tenho acesso aos bens que o vendedor vende), então tenho puro capitalismo, não tenho comunismo. Se o vendedor não tem a propriedade daquilo em que trabalhou, então tem que me submeter a uma terceira pessoa (a dona) que mediasse a negociação e/ou definisse as regras do quanto é devido a um (eu) ou a outro (o vendedor), o configura uma planificação, o que só é possível graças a essa terceira pessoa que centraliza a tomada de decisão. Logo, ou temos um capitalismo livre (de todas as formas) ou temos um comunismo autoritário (de qualquer forma).

  • Marcelo  25/04/2013 20:00
    Caro André, por primeiro quero desde já agradecer o tom de gentileza utilizado na sua abordagem do meu comentário. Podemos até de certa forma antagonizar, mas não acredito que o tom de muitos aqui possa ser produtivo de maneira alguma. Veja, o que se apresenta como dificuldade me parece ser uma distorção histórica, que por sua vez vincou o caminho para alguma distorção conceitual. A economia pode ser planificada sem "dirigismo centralizado, autoritário e despótico" como eu disse. Os "soviets" eram assembléias de trabalhadores que se reuniam periodicamente para decidir questões de importância capital (sem trocadilhos). Estas questões eram votadas a cada passo e submetidas a representantes que as levariam a outras assembléias e assim por diante. Está claro que para a implementação do "projeto" forçosamente haveria uma centralização, inclusive para a análise e tabulação destes dados. Mas não é exato que tudo transcorresse de forma autoritária, de forma alguma. A idéia do socialismo não era essa. Portanto tudo o que se refere às trocas (comércio) que você mencionou, sob este prisma não seriam afetadas da maneira despótica como você destacou. O que se revela sob este ponto de vista é que todos deveriam ter acesso a produtos e coisas e não somente alguns. No entanto, a revolução foi traída em seus princípios e o foi pelo "tovarich" Stalin que a transformou naquele "dirigismo centralizado, autoritário e despótico" que eu havia mencionado. Muitas pessoas pensam que o socialismo não deu certo. Ele teve algumas décadas para ficar à prova e contou com princípios corrompidos por pessoas desde praticamente seu início. Eu li alhures, nestes comentários mesmo, alguém muito lúcido argumentar que na verdade o que corrompe todos os sistemas são as pessoas que os tocam adiante. Assim é também com o capitalismo. Pergunto para quem funciona? Pergunto para quem deu certo? Ele está aí porque as pessoas querem acreditar que conseguem, que chegam lá. Alguns estão confiantes de que se fizeram tudo certo o milagre vai acontecer com eles também. Talvez sim. Talvez não. E quando você mexe com este sonho, você mexe num vespeiro. Dizem que funciona para todos porque todos tem as "mesmas" chances e oportunidades. E sabemos que este discurso não serve, porque seria inexplicável o número de fracassados neste mundo. O que na verdade é centralizador e despótico? Um soviete votando na política econômica que quer ver ser implantada ou um alto CEO acumulador de capital determinando que o eixo todo deve se deslocar para esta ou aquela plataforma de mercado mais promissora, desconsiderando toda e qualquer condição histórico-social-humanística de uma localidade? Você consegue adquirir todos os produtos que quer e acredita precisar? Sem sair do Brasil? Sem viajar para o exterior? Creio que não. Você consegue importar tudo que quer? Porque não? Porque alguém determinou que este mercado ou esta forma de comércio não é promissor(a). Isto é livre mercado ou é planificação globalizada? Será um mix de ambos para serem aplicados onde mais interessa? E quem decide isso? Não sou eu. Num soviete, se tivesse "dado certo" (como dizem para depreciar) eu poderia votar e correr o risco de muitas outras pessoas quererem o que eu quero e de conseguirmos. Ou não.
    Se o socialismo não deu certo, como dizem, convenhamos que o capitalismo não funciona bem para todos. Então para aqueles para os quais ele não funciona, o capitalismo também não deu certo. Então porque ele continua aí e com alguns defensores? Porque para alguns funcionou e funcionou tão bem que eles não querem saber de outra coisa. Perguntemos se alguém que tem os meios de produção, e o capital, e as riquezas gostaria de ser expropriado, ou ainda de compartilhá-las. Claro que não há de querer. Mas este self made man conseguiu o que conseguiu sozinho? Se não houvesse mais ninguém ao redor dele no mundo, qual seria sua riqueza? Até para prosperar ele precisa de outra pessoa. Precisa desde que este ser diferenciado compre seu produto, ou trabalhe para ele. Se ele tiver trabalhadores e consumidores não precisa de mais nada. Seu mundo está completo. E quando eles se confundem então, é uma maravilha! Pode pagar barato a mão de obra e vender caro o produto!A matéria-prima é uma premissa básica, deve ser desprezada. Sem ela nada disso faria o menor sentido nem num mundo capitalista nem num mundo socialista. Mas agora que chegamos a uma premissa básica vejo que corremos o risco de começarmos a discussão novamente do seu princípio. Mas já escrevi demais. Espero que tenha desfeito o primeiro mal-entendido e tenha iniciado outros tantos. Desculpe a imensidão da resposta. Você foi bem mais conciso. Não pretendo convencer ninguém, por enquanto. Um abraço.
  • Charles  20/04/2013 11:55
    na boa filósofo, se o IMB permitir eu responder seu comentário dessa forma, eu irei responder assim: VAI SE FUDER FILÓSOFO! HSUAHSAHSHASHAHSAHSUAHSAHS


    muito comédia esses personagens fictícios do IMB!
  • Mestre Madeira  22/04/2013 01:52
    "Confesso que censuraria esse artigo"... Quanta prepotência, funcionário público.. Confesso que te colocaria num trabalho de verdade, decente.
  • Joao Paulo Carvalho  22/04/2013 18:20
    Acho que os filósofos estavam sendo irônicos
  • Anônimo.  23/04/2013 15:37
    O filósofo ironiza, mas tudo o que ele disse é defendido pela esquerda.

    Principalmente as loucuras românticas e idólatras do intelectual como o grande protetor dos mais necessitados, ao invés da promessa da liberdade.
  • 4lex5andro  04/07/2018 13:00
    O filósofo e o típico filósofo são figuras alegóricas do contraponto ao que é argumentado no IMB.

    Este "contraponto" deveria ser hilário até, no máximo uma ironia tacanha, porém no Brasil tem representantes convictos no mundo real.

  • Mohamed Attcka Todomundo  24/04/2013 01:13
    Um Filósofo – "Confesso que censuraria este artigo se tivesse poder". – você tem poder de censura. Censure-se a si mesmo

    Um Filósofo – "Sua mensagem não é nova, porém é dotada de um poder de persuasão capaz de induzir defensores menos aptos da igualdade". – Errata: Capacidade de persuadir virou motivo para censura?!!!!!!!? Jesus Cristo que se cuide! Vai para cruz de novo depois dessa.

    Um Filósofo – "Em nosso cenário atual, de educação precária e conservadora, o estrago que causaria o texto se feito popular seria digno de tragédias". – Errata: Em nosso cenário atual, de educação precária, as pessoas que te preocupam lerem este texto provavelmente não sabem ler. Sorte sua! Se elas soubessem você seria um dos desmascarados.

    Um Filósofo – "a liberdade de expressão DEVE ser limitada pelo estado." A sua também?

    Um Filósofo – "O radicalismo reacionário sempre fora utilizado pela burguesia para manipular os pobres, seja através da religião ou da doutrinação política." – Errata: "O radicalismo reacionário sempre fora utilizado pelos socialistas para manipular os pobres, seja através da política ou da doutrinação sindical e educacional"

    Um Filósofo – "Se o texto supra-colocado tivesse cobertura midiática neoliberal o suficiente, causaria um estrago indescritível devido à incapacidade da população de verificar a retórica reacionária presente no texto." – errata: "Se literatura sindical e/ou O Manifesto do Partido Comunista tivesse cobertura midiática suficiente, causaria um estrago indescritível devido à incapacidade da população de verificar a retórica reacionária presente no texto."

    Um Filósofo – "Não existem ainda condições educacionais suficientes para que tal síntese do pensamento burguês seja refutada,..." – errata: verdade!!! E mesmo você que se acha instruído ñ refutou. Quando as condições educacionais dos outros serão suficientes?! E as suas?!" – "...por tal motivo, é imprescindível a censura de tal texto em defesa do progresso da sociedade."– errata: ""...por tal motivo, é imprescindível a censura de Um 'tal' Filósofo em defesa do progresso da sociedade." – Ora! Francamente! Produza progresso usando da sua liberdade de expressão e pensamento ao invés de arrotar censura! O seu direito de pensar é o mesmo de quem escreveu este texto aqui! Como você se atreve a supor que você tem qualquer direito de se opor ao que foi expresso por outrem e que as suas opiniões são invioláveis?!

    Um Filósofo – "Apesar de lamentar e considerar imoral o ato da censura, a cobertura midiática ofuscaria qualquer refutação revolucionária de tal artigo, concedendo um grande golpe à evolução crítica da juventude."– errata: nossa! Mas que grande "refutação revolucionária de tal artigo" é esta?! Basta ter cobertura midiática que ela cai no ostracismo?! Você é discípulo de Goebels e acha que basta repetir uma coisa o suficiente para fazer dela verdade como mentira?! Quer dizer que refutar é impedir de expressar?!

    Um Filósofo – "Caso houvesse justiça comunicativa, porém, tal artigo seria válido pois tornaria qualquer refutação por parte de algum intelectual de fato comprometido com a causa social mais acessível."– errata: + justiça comunicativa que o sítio que o publicou te deu ao permitir você venha aqui refutá-lo?!!!!!!!? Pôrra cara!!!!!!! Cresce e desaparece!!!!!!! Que editora teria te dado este espaço acerca de qq publicação q ela fizesse?!?!?! Alem de que, tornar "qualquer refutação por parte de algum intelectual de fato comprometido com a causa social mais acessível" é exatamente o que você pode fazer nestas postagens, ou num blog ou outro sitio qualquer, tudo disponibilizado a você pela internet e economia de mercado.

    Um Filósofo – "As universidades brasileiras servem de excelente exemplo do efeito positivo de tal igualdade ideológica, pois lá as idéias de esquerda possuem grande espaço."– errata: "As universidades brasileiras servem de péssimo exemplo do efeito positivo da igualdade ideológica, pois lá as idéias de esquerda possuem grande espaço." – e digo +: o IMB é dos poucos espaços que conservadores, liberais clássicos e anarcocapitalistas tem. Então, do que você está reclamando? Este espaço aqui é totalmente voluntário: só lê e contribui quem quer. Enquanto a educação estatal tem monopólio jurídico de validação profissional: ela e espaços afins são compulsórios. Então como você se atreve a falar em censura se o monopólio legal das profissões já o faz? Como você se atreve a falar em censura se ela já existe em espaços públicos, curiosamente pagos com os impostos da iniciativa privada contra quem estes espaços atentam!?

    Típico Filósofo – "A doutrinação midiática não opera como uma aula de filosofia e sociologia. Ela age de forma agressiva e comportamentalista, como explica Skenner; induz o indivíduo a determinada reações baseada em complexos métodos desenvolvidos para enganar e controlar aqueles que não tiveram acesso à uma educação pública de qualidade." – errata: A doutrinação de uma aula de filosofia e sociologia não opera como a mídia. Ela age de forma agressiva e comportamentalista, como explica Skenner; induz o indivíduo a determinada reações baseada em complexos métodos desenvolvidos para enganar e controlar aqueles que não tiveram acesso à uma educação de qualidade." - Pensa bem: oq torna uma doutrinação pedagógica diferente da midiática? E pense mais: Skinner argumentava que as pessoas, através das agências de controle comportamental (escola, mídia, religião, estado, medicina, psicoterapia, etc.), eram expostas à doutrinação, e que o papel da reflexão pedagógica e psicológica era justamente por fim à doutrinação (o que, na opinião dele, seria por meio de uma utopia socialista de que você iria gostar. Mas como é analfabeto e não leu Walden II nunca vai descobrir).

    Típico Filósofo - "A razão pela qual as crianças passam no mínimo teórico de 1/3 de seu tempo no ambiente escolar é justamente para que elaborem habilidades, senso crítico e compromisso social para resistirem ao consumismo e à doutrinação capitalista." – errata: "A razão pela qual as crianças passam no mínimo teórico de 1/3 de seu tempo no ambiente escolar é justamente para que elaborem habilidades, senso crítico e compromisso social para resistirem ao socialismo e à doutrinação esquerdista."

    Típico Filósofo - "O direitismo e o conservadorismo, por serem doutrinas produto do pensamento burguês, defendem meramente a autoridade absoluta do indivíduo sobre si mesmo e hábitos de consumo. Normalmente, as idéias da esquerda se limitam a estudar cada mínimo ato de consumo da população comum, denunciando suas incoerências e sua natural incapacidade de coordenar sua própria vida econômica."– errata: "O esquerdismo e o socialismo, por serem doutrinas produto do pensamento proletário, defendem meramente a autoridade absoluta do estado sobre o indivíduo e sobre seus hábitos de consumo. Normalmente, as idéias da libertárias se limitam a estudar cada mínimo ato de consumo da população comum, denunciando suas coerências e sua natural capacidade de coordenar sua própria vida econômica por decisões tomadas no mercado e apela ordem emergente daí."

    Típico Filósofo - "É essencial que a causa social seja compreendida. Infelizmente, devido às circunstâncias de fraqueza da igualdade frente à grande mídia, é imprescindível que textos de grande poder doutrinador sejam evitados." – errata: Então tá! Cala a boca! Pois você esta doutrinando, e se a ordem vale para mim, salvo você prove o porquê, também vale para você.

    Típico Filósofo - "André, essencialmente, o que diferencia o convencimento esquerdista do direitista é que o primeiro se baseia na defesa das artimanhas do segundo. É a mera resistência contra o consumismo da sociedade. Por tal motivo, é imprescindível que o discurso igualitário permaneça vivo, mesmo em sociedades que já o tenham adotado."– errata: não entendi! Esta parte do texto não tem nexo nenhum.

    [i]Sugestão caríssimos: sempre que estruturarem um silogismo ou argumento mantenham a esqueleto conceitual e troquem os termos ('sindicato' em lugar de 'burguesia'; 'socialistas' em lugar de 'liberais/neoliberais'; 'mercado' em lugar de 'estado'; 'nós' em lugar de 'eles';). Aí vocês vão ver quem são, ao invés de presumir quem são os d+.

    PS! E descubram o que é 'argumento', 'silogismo' e 'estruturar', porque não vou contar.
  • Pedro Ivo  26/04/2013 12:04
    Assino em baixo do que disse o Mohamed, só gostaria de acrescentar duas coisas ao que disse o Carlos Salles:

    "Temos que dar graças a Ele, por não ter-lhe concedido, também, a onipotência." - Infelizmente o diabo concedeu-lhes a oniprepotência.

    "Já que estamos tratando de sandices, aqui vai a minha - coerente com a posição intelectual adotada pelo senhor e - pasmem! - corroborada pela História que enxergais como Deusa: Confesso que, se tivesse poder, eu o mataria." - Não se incomode com isto Carlos. Este sujeitinho não vale nem a bala, que dirá a conspurcação da sua alma.
  • Carlos Salles  25/04/2013 23:56
    Mises já disse, em seu Unmasking Marxism, que a pior coisa para um comunista (ou socialista, ou qualquer outro estuprador da semântica) é ver-se em um governo comunista no qual ele não seja o ditador, ou cujo ditador dependa quase que exclusivamente de suas orientações políticas - ou de seus surtos esquizofrênicos, que vem a ser a mesma coisa.

    Olhe a contradição: Você clama pela censura. Contudo, ao empreender nessa nobre tarefa tirânica, você mesmo destrói o pilar da liberdade - a de que ela é um fim em si mesmo, e não meio para qualquer sandice de estupradores do verbo como o Sr. Quanta arrogância! Quem sois vós para determinar o que alguém deve ler? Deus lhe delegou a onisciência por acaso?

    Temos que dar graças a Ele, por não ter-lhe concedido, também, a onipotência.

    Já que estamos tratando de sandices, aqui vai a minha - coerente com a posição intelectual adotada pelo senhor e - pasmem! - corroborada pela História que enxergais como Deusa: Confesso que, se tivesse poder, eu o mataria.

  • fachetti  29/01/2018 11:32
    Resumo de toda a argumentação do tal Um Filósofo:
    - Esse texto é ruim e deveria ser censurado. Por quê? Porque sim, ora! Ele está bem escrito e pode convencer pessoas de tudo aquilo que considero errado, mas como não posso derrubar os argumentos, visto que o que está exposto é a verdade, possui argumentos lógicos e racionais, a saída seria a censura...
    Que sujeito patético, mas típico dos metidos a filósofo: preocupação com a forma maior do que com o conteúdo. Não derrubou um ÚNICO ponto do texto, nenhum, nada, fora aquilo que é só pode ser produto de uma mente esquizofrenia, dizer que nosso sistema educacional é conservador? Que existe liberdade e igualdade de pensamento dentro de nossas universidades, que a mídia é "neoliberal" e por ai vai...a impressão é que ao escrever a, a sua, é, vejamos...ta, vá lá, ao escrever a sua argumentação, na falta de conteúdo, tenta priorizar a forma, o resultado é algo brega, como um panfleto universitário que passou pela mão do coleguinha da classe metido a redator...o produto como contraponto é tão fraco, que só mesmo apelando a censura...
  • Getulio Malveira  19/04/2013 16:46
    Muito bom artigo! A Cesar o que é de Cesar! Só se pode discutir racionalmente sobre os benefícios do capitalismo se ambos os interlocutores estão falando da mesma coisa, o que frequentemente não ocorre.
  • Nilo BP  19/04/2013 18:17
    Meio como desabafo, venho aqui tentar expor uma teoria de porque tentar explicar aos socialistas que o capitalismo não destrói a alma do homem é girar em falso.

    Tenho tido aulas com um marxista dos mais pirados da USP (uma daquelas disciplinas "obrigativas") e ele explicitou que "a única coisa que importa são as relações de trabalho".

    Ou seja, não importa se você gosta do seu trabalho, se dá muito bem com os outros, tem um hobby, etc. Enquanto você vender sua força de trabalho, você está sendo "coisificado", e só isso é suficiente para condenar o capitalismo.

    Pelo que pude apreender, ele despreza qualquer argumento que não defina o ser humano de acordo com uma variável só. De acordo com ele, os defensores do livre mercado, que pregam a liberdade de cada um definir sua vida como quiser dentro dos limites da propriedade privada, são "simplistas intelectuais" porque ignoram o problema do ser humano.

    Mas esperem que o melhor está por vir: de acordo com esse professor, Marx não terminou o Capital porque... era desnecessário. Um "mero ensaio de economia política, para provar que a economia política era uma banalidade".

    E ele não queria explicitar como a economia sem "alienação" organizaria o problema da produção... porque "não queria contaminar o futuro".

    E aí está, senhores: esse tipo de marxista não está lá muito interessado em como organizar a produção, mas sim em como o capitalismo corrompe a "essência do homem". Por mais que fiquem soltando zombarias peçonhentas contra a "moralidade burguesa", toda a crítica deles é baseada em uma quimera moralista.

    Não sei o quanto essa linha de pensamento influencia os socialistas em geral, mas ao que me parece essa relutância contra "vender a alma do homem" é um dos pilares da teimosia deles, que os impede de adotar uma postura mais liberal mesmo vendo com os próprios olhos o resultado deplorável das políticas estatistas.

    Acho que essa é uma raiz que vale a pena atacar com motoserra. Enquanto os socialistas tiverem um caso moral contra a liberdade econômica, eles vão acusar todo tipo de desgraça (incluindo furacões) de ser fruto do capitalismo. E artigos como este vão ter o mesmo efeito que atacar um pedregulho com balas de borracha.

    Abraços!
  • Anônimo  19/04/2013 21:11
    Se trabalhar honestamente é vender sua alma, Deus deve ser o estado e o Diabo deve ser o mercado. Este professor é um imbecil e é incapaz de compreender tanto o objetivo de um empregado como o de seu empregador. O patrão, assim como seu funcionário, possuem diferentes objetivos e para tais utilizam um ao outro como meio. Diferentemente do que parece pensar este professor, o homem não trabalha por fazê-lo, ele o faz racionalmente para melhorar seu padrão de vida, servindo o labor como mero instrumento para atingir tal fim.

    Infelizmente, persiste um pensamento infundado que parece tornar o homem o soberano de tudo no estado natural, onde não há direito à propriedade reconhecido; na realidade, quando ainda não havia império da lei, deduz-se que éramos mais pobres que nunca. Foi o trabalho organizado dos homens que os elevou socialmente, principalmente com o surgimento da divisão de trabalho.

    É triste.
  • anônimo  20/04/2013 02:37
    Exatamente. Os socialistas sofrem para aceitar o fato de que o ser humano é limitado e que tem que conviver com a natureza - e com outros seres humanos - de formas que não serão plenamente satisfatórias. Por isso eles vêem injustiça e exploração em tudo quanto é canto. E é por isso que as "soluções" deles são tão ridiculamente absurdas.

    Tem um excelente texto do Rothbard que mostra como essa incapacidade de aceitar a natureza limitada do homem é um tema recorrente em várias loucuras pela história afora: mises.org/daily/3769.
  • Lucas Raal  21/04/2013 22:56
    Sinto-lhe informar, mas você está muito equivocado. Os socialistas atacam a insustentabilidade do capitalismo por não abranger beneficamente a todos os agentes da sociedade. Sendo essa marginalização a raiz para maioria esmagadora dos problemas sociais existentes.
  • Andre Cavalcante  24/04/2013 17:59
    "Sinto-lhe informar, mas você está muito equivocado. Os socialistas atacam a insustentabilidade do capitalismo por não abranger beneficamente a todos os agentes da sociedade. Sendo essa marginalização a raiz para maioria esmagadora dos problemas sociais existentes"

    Incrível como ainda existem os que acham que o governo, mesmo tirando 40% da renda nacional (60% no caso dos mais pobres) não tem nada a ver com a "maioria esmagadora dos problemas sociais existentes".

    Lucas Raal, creio que o Sr. é que está equivocado em suas colocações. O capitalismo, conforme mostrado no artigo, não pode, por definição, ser insustentável, uma vez que se trata de relacionamento voluntário em pessoas.

    Aliás, somente o capitalismo permitiria "abranger beneficamente todos os agentes da sociedade", uma vez que as trocas mútuas beneficiam a ambos (não é um jogo de soma zero).

    O que é insustentável é a sanha de uns em ser diferente e tratar diferentemente os outros, em particular, criar a instituição do governo e mantê-la para benefício próprio, mesmo em detrimento de todo o resto da sociedade (aqui sim, temos um jogo em que uns ganham e outros perdem).

  • Sir.  19/04/2013 21:37
    Texto estupendo caros colegas.
  • João Valvel  19/04/2013 21:42
    Olá, eu gostaria de comunicar uma ideia que tive há pouco tempo. Tenho 16 anos e li A Revolta de Atlas no ano passado, desde então tento fazer com que todos os meus colegas (a maioria doutrinada por professores de esquerda)leiam esse livro, mas em geral eles se recusam e um dos principais motivos é a falta de tempo. Praticamente nenhum adolescente, nesse mundo informatizado de hoje, tem a capacidade de ler um livro com mais de 1200 páginas, além do que para pessoas politicamente analfabetas, acostumadas apenas com conceitos ensinados (de forma tendenciosa) no colégio, pode ser muito cansativo. Então, eu tive uma ideia: porque nao resumir A Revolta de Atlas, e tambem outros livros não-econômicos que inspirem o liberalismo(porque nunca um adolescente de 16 anos vai ler um livro de economia, como O Caminho da Servidão ou Ação Humana, a não ser que estejam resumidos num panfleto de 10 páginas, e olhe lá)? A minha proposta seria o seguinte: Tentar resumir as 1200 páginas da obra-prima de Ayn Rand em 300-400 páginas, que é um tamanho razoável, sem perder a qualidade e a mensagem do texto. Assim, teríamos mais capacidade de difundir as ideias, o livro seria mais interessante, e até mais barato. O que acham? Obrigado. A propósito, algum de vocês sabe outro lugar onde eu poderia divulgar essa ideia?
  • Anônimo  19/04/2013 22:38
    Eu lia livros de política e debatia com 14 anos. Seus amigos apenas não são interessados em economia ou em sociedade. O pouco que sabem tende apenas ao lado esquerdista e já são carregados com uma boa dose de cismas. Sua ideia de criar resumos é boa, porém tenho dúvidas de que haveria algum economista no IMB com paixão literária necessária para traduzir uma obra complexa como "A Revolta de Atlas" ao vocabulário de adolescentes indiferentes e já no processo de doutrinação.

    Por que você mesmo não o faz e publica seus pensamentos aqui? Não é preciso que seja um resumo do livro, basta que sirva como síntese das principais mensagens de liberdade nesse.

    Não comecei libertário pois nem sabia o que isso era, mas sempre levantei sobrancelhas ao estatismo devido à evidência que é esfregada em nossos rostos todos os dias do quão ineficiente esse é. Lia alguns "neo-liberais" como Fukuyama, que advogavam por baixos impostos mas que de forma errônea também zelavam pela criação de serviços privados de qualidade, principalmente na educação. Conheci grande parte dos jargões marxistas da nossa época(Obsolescências, violência simbólica, mídia-culpada-de-todos-os-problemas-do-mundo, etc), aceitei a veracidade de uns porém sempre tentei criar soluções baseadas na liberdade a esses. O IMB foi um presente pois não apenas eliminou a necessidade de concessão aos socialistas como também ofereceu-me um forte arcabouço argumentativo envolvendo praxeologia e excelentes análises econômicas.

    Enfim, apoio a ideia.
  • saoPaulo  21/04/2013 01:21
    Harry Potter: 3400 páginas.
    Twilight: 2600 páginas.
    Fifty Shades Trilogy: 1600 páginas.
    Lord of the Rings: 1100 páginas.

    Muito mais importante que o número de páginas, é o interesse do leitor. E convenhamos, a verdade é que Atlas é um livro chato... Tem momentos incríveis, como o julgamento de Rearden e o discurso do dinheiro de Francisco (só pra começar e não dar mais spoilers). Mas, no geral, é chatíssimo.

    O que é aquele discurso do John Galt? E o final? Sem comentários.

    Uma versão mais compacta com a metade do tamanho, mas com uma história mais dinâmica, já seria suficiente pra prender a atenção do leitor. O problema é fazer isso sem comprometer a qualidade da obra.

    Além disso, já existem livros mais curtos, bastante instigantes, e que podem ajudar a afastar seus amigos da ignorância coitadista: "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" e "Carregando o Elefante". Deve ter mais, mas não me recordo agora.

    Você também pode usar filmes que inspiram liberdade e "sonho americano" (alguém que, com trabalho árduo, consegue melhorar sua vida): "Coração Valente", "Rocky", "Em Busca da Felicidade", "Amistad", "A Lista de Schindler" (um empresário rico desistindo de toda sua fortuna para ajudar pobres? Jamais! ), "Robin Hood" (de Ridley Scott, onde Robin não rouba dos ricos para dar aos pobres, ele devolve aos pobres o que lhes foi roubado pelos ricos = governo), etc.

    Aliás, o IMB tem alguma lista sugerida de livros, filmes, documentários, etc? Seria bem bacana pra quem se interessa pelo assunto liberdade.
  • Marcelo Werlang de Assis  30/07/2013 15:08
    João Valvel,

    Basta você mandar aos seus amigos e conhecidos este seguinte excerto de A Revolta de Atlas, a brilhante obra-prima de Ayn Rand:

    Ela olhou para a mesa e pensou que o magnífico de um mundo em que as pessoas tinham tempo para se preocupar com coisas como guardanapos engomados e cubos de gelo, oferecidas aos viajantes juntamente com a refeição por uns poucos dólares, era o vestígio de uma época em que ganhar a própria vida não era crime e em que conseguir uma refeição não era uma questão de vida ou morte — um vestígio que em breve desapareceria, como o posto de gasolina branco à margem da floresta.

    Percebeu que o vagabundo, que estava fraco demais para ficar em pé, não perdera o respeito pelo significado das coisas colocadas à sua frente. Não se jogou sobre a comida. Obrigou-se a fazer movimentos lentos, a desdobrar o guardanapo, a pegar o seu garfo no mesmo momento em que Dagny pegou o dela, com mão trêmula — como se ele ainda soubesse que eram estes os modos adequados a um ser humano, por piores que fossem as indignidades que lhe haviam sido impostas.

    — Que tipo de trabalho você fazia antigamente? — Perguntou ela, depois que o garçom saiu. — Industrial?

    — Sim, senhora.

    — Qual era o seu ofício?

    — Torneiro.

    — Qual foi o seu último emprego?

    — No Colorado, na fábrica de carros Hammond.

    — Ah...!

    — O que foi?

    — Nada, nada. Trabalhou muito tempo lá?

    — Não, senhora. Só duas semanas.

    — Por quê?

    — Bem, eu esperei um ano para arranjar esse emprego, fiquei lá no Colorado esperando. Havia uma lista de espera, lá na Hammond, só que lá o sistema não era o pistolão nem a antiguidade, era a folha de serviço que contava. A minha era boa. Mas, duas semanas depois que comecei, Lawrence Hammond largou tudo e desapareceu. Fecharam a fábrica. Depois, uma comissão de cidadãos a reabriu e me chamou de volta. Mas só durou cinco dias. Logo começaram as demissões. Por antiguidade. Então fui despedido. Soube que a tal comissão durou uns três meses. Depois tiveram que fechar a fábrica de vez.

    — E, antes disso, onde você trabalhava?

    — Em tudo quanto é estado do Leste. Mas nunca por mais de um ou dois meses. As fábricas fechavam.

    — Isso aconteceu em todos os empregos que você teve? — Ele olhou para ela, como se entendesse a pergunta.

    — Não, senhora. — Respondeu ele. Pela primeira vez, Dagny percebeu um leve toque de orgulho na sua voz. — No meu primeiro emprego, fiquei vinte anos. Não no mesmo cargo, mas na mesma fábrica. Acabei mestre. Isso faz doze anos. Então morreu o dono da fábrica, e os herdeiros deram com os burros n'água. Os tempos já estavam difíceis, mas depois as coisas começaram a piorar cada vez mais depressa, em tudo quanto era lugar. Depois disso, onde eu arrumasse emprego, a fábrica fechava logo. No começo, eu achava que o problema era só num estado ou numa região. Muita gente achava que o Colorado iria durar. Mas lá tudo também fechou. Aonde a gente ia, a coisa acabava. As fábricas fechavam, as máquinas paravam... — E acrescentou, num sussurro, como se enxergasse algum terror interior só seu: — Os motores paravam. — E, levantando a voz, disse: — Ah, meu Deus! Quem é... — Não concluiu a pergunta.

    — ... John Galt?

    — É — disse ele, que sacudiu a cabeça, como se para afastar alguma visão —, só que eu não gosto de dizer isso.

    — Nem eu. Eu queria saber por que as pessoas dizem isso e quem foi que inventou essa expressão...

    — Pois é, madame. É o que me preocupa. Talvez até tenha sido eu que a inventei.

    — O quê?

    — Eu e mais uns seis mil. É possível. Acho que fomos nós, sim. Espero que não.

    — Como assim?

    — Bem, foi uma coisa que aconteceu na fábrica onde trabalhei durante vinte anos. Foi quando o velho morreu e os herdeiros tomaram conta. Eles eram três, dois filhos e uma filha, e inventaram um novo plano para administrar a fábrica. Deixaram a gente votar, também, para aceitar ou não o plano, e todo mundo, quase todo mundo, votou a favor. A gente não sabia, pensava que fosse bom. Não, também não é bem isso, não. A gente pensava que queriam que a gente achasse bom. O plano era o seguinte: cada um trabalhava conforme a sua capacidade e recebia conforme a sua necessidade. Nós... O que foi? A senhora está bem?

    — Qual era o nome dessa fábrica? — Perguntou ela, com voz quase inaudível.

    — A Fábrica de Motores Século XX, em Starnesville, Wisconsin.

    — Continue.

    — Aprovamos o tal plano numa grande assembleia. Nós éramos seis mil, todo mundo que trabalhava na fábrica. Os herdeiros do velho Starnes fizeram uns discursos compridos, e ninguém entendeu muito bem, mas ninguém fez pergunta alguma. Ninguém sabia como é que o plano funcionaria, mas cada um achava que o outro sabia. E quem tinha dúvida se sentia culpado e nada dizia, porque, do jeito como os herdeiros falavam, quem fosse contra era desumano e assassino de criancinhas. Disseram que esse plano concretizaria um nobre ideal. Como é que a gente poderia saber? Não era isso que a gente ouvia a vida toda dos pais, professores e pastores, em todos os jornais, filmes e discursos políticos? Não diziam sempre que isso era o certo e o justo?

    Dagny ouvia atentamente o que o homem dizia, e ele prosseguiu:

    — Bem, pode ser que a gente tenha alguma desculpa para o que fez naquela assembleia. O fato é que votamos a favor do plano, e o que aconteceu conosco depois foi merecido. A senhora sabe, nós, que trabalhamos lá na Século XX, durante aqueles quatro anos, somos homens marcados. O que dizem que o inferno é? O mal puro, nu, absoluto, não é? Pois foi isso que a gente viu e ajudou a fazer, e acho que todos nós estamos malditos e talvez nunca mais vamos ter perdão... A senhora quer saber como funcionou o tal plano e o que aconteceu com as pessoas? É como derramar água dentro de um tanque em que há um cano no fundo puxando mais água do que entra, e a cada balde que a senhora derrama lá dentro o cano alarga mais um bocado, e, quanto mais a senhora trabalha, mais exigem da senhora, e no fim a senhora está despejando baldes 40 horas por semana, depois 48, depois 56, para o jantar do vizinho, para a operação da mulher dele, para o sarampo do filho dele, para a cadeira de rodas da mãe dele, para a camisa do tio dele, para a escola do sobrinho dele, para o bebê do vizinho, para o bebê que ainda nascerá, para todo mundo à sua volta, tudo é para eles, desde as fraldas até as dentaduras, e só o trabalho é seu, trabalhar da hora em que o sol nasce até escurecer, mês após mês, ano após ano, ganhando só suor, o prazer sendo só deles, durante toda a vida, sem descansar, sem esperança, sem fim... De cada um, conforme a sua capacidade; para cada um, conforme a sua necessidade...

    Enquanto falava, o homem não tirava os olhos de Dagny, para enfatizar cada uma das suas palavras.

    — Nós somos uma grande família, todo mundo, é o que diziam, estamos todos no mesmo barco. Mas não é todo mundo que passa 10 horas com um maçarico na mão, nem todo mundo que fica com dor de barriga ao mesmo tempo. Capacidade de quem? Necessidade de quem, quem tem prioridade? Quando tudo é uma coisa só, ninguém pode dizer quais são as suas necessidades, não é? Se não, qualquer um pode dizer que necessita de um iate, e, se só o que conta são os sentimentos dele, ele acaba até provando que tem razão. Por que não? Se eu só tenho o direito de ter um carro depois que trabalhei tanto que fui parar no hospital, depois de garantir um carro para todo vagabundo e todo selvagem nu do mundo, por que ele não pode exigir de mim um iate também, se eu ainda tenho a capacidade de trabalhar? Não pode? Então ele não pode também exigir que eu não tome o meu café sem leite até ele conseguir pintar a sala de visitas dele? Pois é... Mas então decidiram que ninguém tinha o direito de julgar as suas próprias capacidades e necessidades. Tudo era resolvido na base da votação. Sim, senhora, tudo era votado em assembleia duas vezes por ano. Não tinha outro jeito, não é? E a senhora imagina o que acontecia nesses eventos? Bastou a primeira para a gente descobrir que todo mundo tinha virado mendigo — mendigos esfarrapados, humilhados, todos nós, porque nenhum homem podia dizer que fazia jus ao seu salário, não tinha direitos nem fazia jus a nada, não era dono do seu trabalho, o trabalho pertencia à "família", e ela não lhe devia nada em troca, a única coisa que cada um tinha era a sua "necessidade": e aí tinha que pedir em público que atendessem as suas necessidades, como qualquer parasita, enumerando todos os seus problemas, até os remendos na calça e os resfriados da esposa, na esperança de que a "família" lhe jogasse uma esmola. O jeito era chorar miséria, porque era a sua miséria — e não o seu trabalho — a moeda corrente de lá. Assim, a coisa virou um concurso de misérias disputado por seis mil pedintes, cada um choramingando mais miséria do que o outro. Não tinha outro jeito, não é? A senhora imagina o que aconteceu, que tipo de homem ficava calado, com vergonha, e que tipo de homem levava a melhor?

    Ela não fez menção de responder, sem querer interromper o relato que tanto a interessava. O homem prosseguiu:

    — Mas há mais. Mais uma coisa que a gente descobriu na mesma assembleia. A produção da fábrica caíra 40 por cento naquele primeiro semestre, e então concluiu-se que alguém não usara toda a sua "capacidade". Quem? Como descobrir? A "família" também decidia isso no voto. Escolhiam no voto quais eram os melhores trabalhadores, e esses eram condenados a trabalhar mais, fazer hora extra todas as noites durante os seis meses seguintes. E sem ganhar nada a mais, porque a gente ganhava não por tempo nem por trabalho, e sim conforme a necessidade. Será que preciso explicar o que aconteceu depois disso? Explicar que tipo de criaturas nós fomos virando, nós, que antes éramos seres humanos? Começamos a esconder toda a nossa capacidade, trabalhar mais devagar, ficar de olho para ter certeza de que a gente não trabalhava mais depressa nem melhor do que o colega ao nosso lado. Tinha de ser assim, pois a gente sabia que quem desse o melhor de si para a "família" não ganhava elogio nem recompensa, mas castigo. Sabíamos que, para cada imbecil que estragasse um motor e desse um prejuízo para a fábrica — ou por desleixo, porque não havia motivo para caprichar, ou por pura incompetência —, quem teria de pagar era a gente, trabalhando de noite e no domingo. Por isso, a gente se esforçava ao máximo para ser o pior possível. Havia um garoto que começou todo empolgado com o nobre ideal, um garoto muito vivo, sem instrução, mas um crânio. No primeiro ano, ele inventou um processo que economizava milhares de homens-horas. Deu de mão beijada a descoberta dele para a "família", nada pediu em troca, aliás nem podia, mas não se incomodava com isso. "Era tudo pelo ideal", dizia ele. Mas, quando foi eleito um dos mais capazes e condenado a trabalhar de noite, ele fechou a boca e o cérebro. No ano seguinte, é claro, não teve ideia brilhante nenhuma. A vida inteira, nos ensinaram que os lucros e a competição tinham um efeito nefasto, que era terrível um competir com o outro para ver quem era melhor, não é?

    — É verdade, muitos acham que essa competição é algo nefasto. — Comentou Dagny.

    — Pois deveriam ver o que acontecia quando um competia com o outro para ver quem era pior. Não há maneira melhor de destruir um homem do que obrigá-lo a tentar não fazer o melhor de que é capaz, a se esforçar por fazer o pior possível dia após dia. Isso mata mais depressa do que a bebida, a vadiagem, a vida de crime. Mas para nós a única saída era fingir incompetência. A única acusação que temíamos era a de que tínhamos capacidade. A capacidade era como uma hipoteca que nunca se termina de pagar. E trabalhar para quê? A gente sabia que o mínimo para a sobrevivência era dado a todo mundo, quer trabalhasse, quer não, a chamada "ajuda de custo para moradia e alimentação", e mais do que isso não havia como ganhar, por mais que se esforçasse. Não era possível ter a certeza de que se poderia comprar uma muda de roupas no ano seguinte — a senhora podia ou não ganhar uma "ajuda de custo para vestimentas", dependendo de quantas pessoas quebrassem a perna, precisassem ser operadas ou tivessem mais filhos. E, se não havia dinheiro para todo mundo comprar roupas, então a senhora também ficava sem roupa nova. Havia um homem que passara a vida toda trabalhando até não poder mais porque queria que o seu filho fizesse faculdade. Pois bem, o garoto terminou o ensino médio no segundo ano de vigência do plano, mas a "família" não quis dar ao homem uma "ajuda de custo" para pagar a faculdade do filho. Disseram que o filho só poderia entrar para a faculdade quando houvesse dinheiro para os filhos de todos entrarem na faculdade — e, para isso, era preciso primeiro pagar o ensino médio dos filhos de todos, e não havia dinheiro nem para isso. O homem morreu no ano seguinte, numa briga de faca num bar, uma briga sem motivo. Brigas desse tipo se tornaram cada vez mais comuns entre nós. Havia um sujeito mais velho, um viúvo sem família, que tinha um hobby: colecionar discos. Acho que era a única coisa de que ele gostava na vida. Antes, ele costumava ficar sem almoçar para ter dinheiro para comprar mais um disco clássico. Pois não lhe deram nenhuma "ajuda de custo" para comprar discos — disseram que aquilo era um "luxo pessoal". Mas, naquela mesma assembleia, votaram a favor de dar para uma tal de Millie Bush, filha de alguém, uma garotinha feia e má, um aparelho de ouro para corrigir os seus dentes — isso era uma "necessidade médica", porque o psicólogo da empresa disse que a coitadinha ficaria com complexo de inferioridade se os seus dentes não fossem endireitados. O velho que gostava de música passou a beber. Chegou a um ponto em que nunca mais era visto sóbrio. Mas parece que uma coisa ele nunca esqueceu. Uma noite, ele vinha cambaleando pela rua quando viu a tal da Millie Bush, então lhe deu um soco que quebrou todos os dentes da menina. Todos.

    Atônita, Dagny ouvia o homem cuja expulsão do trem ela impedira.

    — A bebida, naturalmente, era a solução para a qual todos nós apelávamos, uns mais, outros menos. Não me pergunte onde é que achávamos dinheiro para isso. Quando todos os prazeres decentes são proibidos, sempre se dá um jeito de gozar os prazeres que não prestam. Ninguém arromba mercearias à noite nem rouba o colega para comprar discos clássicos nem caniços de pesca, mas, se é para tomar um porre e esquecer, faz-se de tudo. Caniços de pesca? Armas para caçar? Máquinas fotográficas? Hobbies? Para ninguém havia "ajuda de custo de entretenimento". O lazer foi a primeira coisa que cortaram. Pois a gente não deve ter vergonha de reclamar quando alguém pede para abrirmos mão de uma coisa que nos dá prazer? Até mesmo a nossa "ajuda de custo de fumo" foi raciocinada a ponto de só recebermos dois maços de cigarro por mês — e isso, diziam eles, porque o dinheiro estava indo para o fundo de leite para os bebês. Os bebês eram o único produto que havia em quantidades cada vez maiores — porque as pessoas não tinham outra coisa para fazer, imagino, e porque não tinham de se preocupar com os gastos da criação dos bebês, já que eram uma responsabilidade da "família". Aliás, a melhor maneira de conseguir um aumento e poder ficar mais folgado por uns tempos era ganhar uma "ajuda de custo para bebês" — ou isso, ou arranjar uma doença séria.

    — E como vocês faziam para sobreviver assim? — Quis saber Dagny.

    — Bom, não demorou muito para a gente entender como a coisa funcionava. Todo aquele que resolvia agir certinho tinha de se abster de tudo. Tinha de perder toda a vontade de gozar qualquer prazer, não gostar de fumar um cigarro nem mascar um chiclete, porque alguém poderia ter uma necessidade maior do dinheiro gasto naquele cigarro ou chiclete. Sentia vergonha cada vez que engolia uma garfada de comida, pensando em quem tinha sido obrigado a trabalhar de noite para pagar aquela garfada, sabendo que o alimento que comia não era seu por direito, sentindo a vontade infame de ser trapaceado ao invés de trapacear, de ser um pato, não uma sanguessuga. Não poderia ajudar os pais, para não colocar um fardo mais pesado sobre os ombros da "família". Além disso, se ele tivesse um mínimo de senso de responsabilidade, não poderia se casar nem ter filhos, pois não era possível planejar algo, nem prometer algo, nem contar com alguma coisa. Mas os indolentes e os irresponsáveis se deram bem. Arranjaram filhos, seduziram moças, trouxeram todos os parentes imprestáveis que tinham, todas as irmãs solteiras grávidas; para receber uma "ajuda de custo de doença", inventaram todas as doenças possíveis sem que os médicos pudessem provar a fraude, estragaram as suas roupas, os seus móveis, as suas casas — pois não era a "família" que estava pagando? Descobriram muito mais "necessidades" do que os outros, desenvolvendo um talento especial para isso, a única capacidade que demonstraram. Deus me livre!

    O fôlego dele para contar um passado não tão distante parecia não terminar, então ele prosseguiu, sem tirar os olhos de Dagny:

    — A senhora entende? Compreendemos que nos tinham dado uma lei, uma lei moral, segundo eles, que punia quem a observava — pelo fato de observá-la. Quanto mais a senhora tentava seguir essa lei, mais sofria; quanto mais a violava, mais lucrava. A sua honestidade era como um instrumento nas mãos da desonestidade do próximo. Os honestos pagavam, e os desonestos lucravam. Os honestos perdiam, e os desonestos ganhavam. Com esse tipo de padrão do que seja o certo e o errado, por quanto tempo os homens poderiam permanecer honestos? No começo, éramos pessoas bem honestas, e só havia uns poucos aproveitadores. Éramos competentes; nós nos orgulhávamos do nosso trabalho e éramos funcionários da melhor fábrica do país, para a qual o velho Starnes só contratava a nata dos trabalhadores. Um ano depois da implantação do plano, não havia mais homens honestos entre nós. Era isso o mal, o horror infernal que os pregadores usavam para assustar os fiéis, mas que a gente nunca imaginava ver em vida. A questão não foi que o plano estimulasse uns poucos corruptos, e sim que ele corrompia pessoas honestas, e o efeito não poderia ser outro — e era isso que chamavam de ideia moral! Queriam que trabalhássemos em nome de quê? Do amor por nossos irmãos? Que irmãos? Os parasitas, os sanguessugas que víamos ao redor? E se eles eram desonestos ou se eram incompetentes, se não tinham vontade ou não tinham capacidade de trabalhar — que diferença fazia para nós? Se estávamos presos para o restante da vida àquele nível de incompetência, fosse verdadeiro ou fingido, por quanto tempo nós nos daríamos ao trabalho de seguir em frente?

    Dagny o encarava sem dizer palavra alguma, enquanto ele falava o que lhe vinha à mente.

    — Não tínhamos como saber qual era a verdadeira capacidade deles, não tínhamos como controlar as suas necessidades, só sabíamos que éramos burros de carga lutando às cegas num lugar que era meio hospital, meio curral — um lugar onde só se incentivavam a incompetência, as catástrofes, as doenças —, burros de carga que só serviam às necessidades que os outros afirmavam ter. Amor fraternal? Foi então que aprendemos, pela primeira vez, a odiar os nossos irmãos. Começamos a odiá-los por causa de cada refeição que faziam, cada pequeno prazer que gozavam, a camisa nova de um, o chapéu da esposa de outro, o passeio que um dava com a sua família, a reforma que o outro fazia em sua casa — tudo aquilo era tirado de nós, era pago pelas nossas privações, nossas renúncias, nossa fome. Um começou a espionar o outro, cada um tentando flagrar o outro em alguma mentira sobre as suas necessidades, com o intuito de cortar a sua "ajuda de custo" na assembleia seguinte. Começaram a surgir delatores, que descobriram que alguém comprara às escondidas um peru para a família num domingo qualquer, provavelmente com dinheiro que ganhara no jogo. Começamos a nos meter um na vida do outro. Provocávamos brigas de família, para conseguir que os parentes de alguém saíssem da lista dos beneficiados. Toda vez em que víamos algum homem começando a namorar uma moça, tornávamos a vida dele um inferno. Fizemos muitos noivados se romperem. Não queríamos que alguém se casasse, pois não queríamos mais dependentes para alimentar. Antes, comemorávamos quando alguém tinha um filho, todo mundo contribuía para ajudar a pagar a conta do hospital, quando os pais estavam sem dinheiro. Nessa época, quando nascia uma criança, ficávamos semanas sem falar com os pais. Para nós, os bebês eram o que os gafanhotos são para os fazendeiros: uma praga. Antes, ajudávamos quem tinha doente na família. Depois...

    Ele notou a curiosidade no rosto de Dagny e prosseguiu antes que ela perguntasse o que acontecera:

    — Bom, contarei apenas um caso para a senhora. Era a mãe de um homem que trabalhava conosco havia 15 anos, uma senhora simpática, alegre e sábia, conhecia todos nós pelo primeiro nome, todos nós gostávamos dela antes. Um dia, ela escorregou na escada do porão, caiu e quebrou a bacia. Nós sabíamos o que isso representava para uma pessoa daquela idade. O médico disse que ela teria que ser internada, para fazer um tratamento caro e demorado. A velha morreu na véspera do dia em que seria levada para o hospital. Ninguém jamais explicou a causa da morte dela. Não, não sei se foi assassinato. Ninguém disse isso. Não se comentava sobre o assunto. A única coisa que eu sei — e disso nunca me esquecerei — é que eu também, quando me dei conta de mim, estava rezando para que ela morresse. Que Deus nos perdoe! Eram essas a fraternidade, a segurança, a abundância que nos foram prometidas com a adoção do plano.

    — Havia alguma razão para alguém pregar esse horror? Alguém lucrava com isso? — Perguntou Dagny.

    — Havia, sim: os herdeiros de Starnes. Espero que a senhora não vá me dizer que eles tinham sacrificado uma fortuna para nos dar a fábrica de presente. Nós também caímos nessa. É, é verdade que eles deram a fábrica. Mas lucro, madame, depende do que a pessoa quer. E o que os herdeiros de Starnes queriam, não havia dinheiro neste mundo que pudesse comprar. O dinheiro é uma coisa limpa e inocente demais para isso. Eric Starnes, o mais moço, era um frouxo que não tinha peito para ser nada. Conseguiu, no entanto, ser eleito diretor do nosso departamento de relações públicas. Nada fazia e tinha à sua disposição uma equipe que também nada fazia, por isso ele nem se dava ao trabalho de aparecer no escritório. O salário que ele recebia... Não, "salário" não é o nome apropriado, ninguém recebia salário, mas esmolas. As esmolas que lhe cabiam eram bastante modestas, umas 10 vezes o que eu ganhava, mas não chegavam a ser uma fortuna. Eric não ligava para dinheiro, não sabia o que fazer com ele. Vivia andando com a gente, para mostrar que era simpático e democrático. Pelo visto, queria que gostassem dele. Fazia questão de nos lembrar o tempo todo que ele nos tinha dado a fábrica. Gerald Starnes era o nosso diretor de produção. Nunca descobrimos que fatia ele levava — a esmola dele. Só mesmo uma equipe de contadores para calcular isso, e uma equipe de engenheiros para entender todas as manobras que levavam o dinheiro até a sua sala, fosse de maneira direta ou indireta. Supostamente, nem um tostão era para ele — era tudo para as despesas da companhia. Gerald tinha três carros, cinco telefones e dava festas regadas a champanhe e caviar, eventos mais extravagantes do que qualquer contribuinte milionário seria capaz de financiar. Gastou mais dinheiro em um ano do que o que o seu pai conseguira lucrar nos seus últimos dois anos de vida. Na sala dele, vimos uma pilha de revistas de 50 quilos — 50 quilos mesmo, a gente pesou — só com matérias sobre a fábrica e o nosso nobre plano, cheias de fotos dele, dizendo que ele era um grande líder social. Gerald gostava de visitar a fábrica à noite, vestindo smoking, com abotoaduras com brilhantes enormes, espalhando cinza de charuto por toda parte. Já é ruim um sujeito cuja única coisa que tem para exibir é o seu dinheiro, só que ele assume que o dinheiro é dele, e a senhora pode ou não achar isso bonito — a maioria não acha, aliás. Mas, quando um cachorro como Gerald Starnes vive dizendo que não liga para a riqueza material, que está apenas servindo à "família", que todo aquele luxo não é para ele, mas para o nosso bem e para o bem comum, porque é necessário para preservar o prestígio da empresa e do nobre plano perante o público, aí a senhora odeia o sujeito como jamais odiou um ser humano.

    Dagny lançou um olhar curioso para ele ao perceber que havia ainda mais coisas para saber.

    — No entanto, a irmã dele, Ivy, era ainda pior. Não ligava mesmo para a riqueza material. A esmola que ela recebia não era maior do que a nossa, e ela andava com uns sapatos sem salto surrados e umas blusas simples, só para mostrar como não pensava em si mesma. Era a nossa diretora de distribuição. Era ela a encarregada das nossas necessidades, quem nos prendia pela garganta. É claro que a distribuição era oficialmente decidida na base da votação, de acordo com a voz do povo. Mas, quando o povo em questão são seis mil pessoas berrando ao mesmo tempo, sem nenhum princípio, nenhuma lógica, quando o jogo não tem regras e cada um pode pedir qualquer coisa, mas a nada tem direito, quando todo mundo tem poder sobre a vida de todo mundo, menos sobre a sua própria, então acaba sempre acontecendo que a voz do povo é a voz de um só — no caso, Ivy Starnes. No fim do segundo ano, acabamos com aquele fingimento de "reunião familiar" — em nome da "eficiência da produção" e da "economia de tempo", já que cada assembleia durava 10 dias e todas as petições de necessidade eram simplesmente enviadas à sala da Srta. Starnes. Não, não eram bem enviadas. Tinham de ser recitadas perante ela pessoalmente por todos, cada um de vez. Então, ela elaborava uma lista de distribuição, que lia para nós para depois receber o nosso voto de aprovação, numa assembleia que levava 45 minutos. Sempre aprovávamos a lista. Constava da pauta um período de 10 minutos para discussão e objeções. Nenhuma objeção nós fazíamos. Àquela altura, já sabíamos que não valia a pena. Ninguém pode dividir a renda de uma fábrica entre milhares de pessoas sem ter algum critério para avaliar o valor individual de cada um. O critério dela era a bajulação. E, apesar de toda a sua imagem de desprendimento, ela falava com os nossos colegas mais habilitados e com as suas esposas de um jeito que o pai dela, com todo o seu dinheiro, jamais poderia ter usado para se dirigir ao último dos contínuos impunemente. A Srta. Starnes tinha uns olhos descorados que pareciam olhos de peixe: frios e mortos. E, se a senhora algum dia quiser ver o mal em seu estado mais puro, é só ver o jeito como os olhos dela brilhavam quando olhava para algum homem que uma vez tivesse levantado a voz para ela no momento em que ele ouvia o seu nome na lista de quem nada receberia além da cota mínima.

    — Estou impressionada. — Comentou Dagny.

    — Bem, quando a gente via isso, entendia qual era a motivação verdadeira de todo mundo que já pregou o princípio "de cada um conforme a sua capacidade, a cada um conforme a sua necessidade". Era esse o segredo da coisa. De início, eu não entendia como é que homens instruídos, cultos e famosos do mundo poderiam cometer um erro como esse e pregar que esse tipo de abominação era direito quando bastavam cinco minutos de reflexão para verem o que aconteceria quando alguém tentasse pôr em prática essa ideia. Agora sei que eles não defendiam isso por erro. Ninguém comete um erro desse tamanho inocentemente. Quando os homens defendem alguma loucura malévola, quando não têm como fazer essa ideia funcionar na prática e não têm um motivo que possa explicar a sua escolha, então é porque não querem revelar o verdadeiro motivo. E nós também não éramos tão inocentes assim, quando votamos a favor daquele plano na primeira assembleia. Não fizemos isso só porque acreditávamos naquelas besteiradas que eles vomitavam. Nós tínhamos outro motivo, mas as besteiradas nos ajudavam a escondê-lo dos outros e de nós mesmos — elas nos ofereciam uma oportunidade de dar a impressão de que era virtude algo que tínhamos vergonha de assumir. Cada um que aprovou o plano achava que, num sistema assim, conseguiria faturar em cima dos lucros dos homens mais capazes. Cada um, por mais rico e inteligente que fosse, achava que havia alguém mais rico e mais inteligente e que esse plano lhe daria acesso a uma fatia da riqueza e da inteligência dos que eram melhores do que ele. Mas, enquanto ele pensava que ganharia aquilo que não merecia e que cabia aos que lhe eram superiores, ele esquecia os homens que lhe eram inferiores, os quais também ganhariam o que não mereciam. Ele esquecia os inferiores que iriam querer roubá-lo tanto quanto ele queria roubar os seus superiores. O trabalhador que gostava de pensar que as suas necessidades lhe davam o direito de ter uma limusine igual à do patrão se esquecia de que todo vagabundo e mendigo do mundo viria gritando que as necessidades deles lhes davam o direito de ter uma geladeira igual à do trabalhador. Era esse o nosso motivo para aprovar o plano, na verdade, mas não gostávamos de pensar nisso. E então, quanto mais a ideia nos desagradava, mais alto gritávamos que éramos a favor do bem comum. Bem, tivemos o que merecíamos. Quando vimos o que pedíramos, era tarde demais. Havíamos caído numa armadilha e não tínhamos para onde ir. Os melhores de nós saíram da fábrica na primeira semana de vigência do plano. Perdemos os nossos melhores engenheiros, superintendentes, chefes, os trabalhadores mais qualificados. Quem tem amor-próprio não se deixa transformar em vaca leiteira para ser ordenhada pelos outros. Alguns sujeitos capacitados tentaram seguir em frente, mas não conseguiram aguentar muito tempo. A gente estava sempre perdendo os melhores, que viviam fugindo da fábrica como o diabo da cruz, até que só nos restavam os homens necessitados, sem mais nenhum dos capacitados. E os poucos que ainda valiam alguma coisa eram aqueles que já estavam lá havia muito tempo.

    — Sim, isso faz sentido. — Concordou Dagny.

    — Antigamente, ninguém pedia demissão da Século XX, e a gente não conseguia se convencer de que a companhia não existia mais. Depois de algum tempo, não podíamos mais pedir demissão porque nenhum outro empregador nos aceitaria — aliás, com razão. Ninguém queria ter qualquer tipo de relacionamento conosco, nenhuma pessoa nem firma respeitável. Todas as pequenas lojas com as quais negociávamos começaram a sair de Starnesville depressa, e no fim só restavam bares, cassinos e salafrários que nos vendiam porcarias a preços exorbitantes. As esmolas que recebíamos eram cada vez menores, mas o custo de vida subia. A lista dos necessitados da fábrica não parava de aumentar, mas a quantidade de fregueses diminuía. Havia cada vez menos renda para dividir entre cada vez mais pessoas. Antes, dizia-se que a marca da Século XX era tão confiável quanto a de quilates num lingote de ouro. Não sei o que pensavam os herdeiros do velho Starnes, se é que pensavam alguma coisa, mas imagino que, como todos os planejadores sociais e selvagens, eles achavam que essa marca era um selo mágico que tinha um poder sobrenatural que os manteria ricos, tal como ela enriquecera o pai deles. Mas, quando os nossos fregueses começaram a perceber que nunca conseguiríamos entregar uma encomenda dentro do prazo, nem produzir um motor que não tivesse defeito, o selo mágico passou a ter o valor oposto: as pessoas não queriam um motor, nem se ele fosse dado, caso ostentasse o selo da Século XX. E no fim os nossos fregueses eram todos do tipo que nunca paga o que deve e nunca tem nem mesmo a intenção de pagar.

    Dagny estava cada vez mais surpresa com tudo o que o vagabundo lhe dizia e não tirava os olhos dele.

    — No entanto, Gerald Starnes, dopado por sua própria publicidade, ficava todo empertigado, com ar de superioridade moral, exigindo que os empresários comprassem os nossos motores não porque fossem bons, mas porque tínhamos muita necessidade de encomendas. Àquela altura, qualquer imbecil já poderia ver o que gerações de professores não haviam conseguido enxergar. De que adiantaria a nossa necessidade, para uma usina, quando os geradores paravam porque os nossos motores não funcionavam direito? De que ela adiantaria para um paciente sendo operado, quando faltasse luz no hospital? De que adiantaria para os passageiros de um avião, quando as turbinas pifassem em pleno voo? E, se eles comprassem os nossos produtos não por causa de seu valor, mas por causa de nossa necessidade, isso seria correto, bom, moralmente certo para o dono daquela usina, o cirurgião daquele hospital, o fabricante daquele avião? Pois era essa a lei moral que os professores, líderes e pensadores queriam estabelecer no mundo inteiro. Se esse era o resultado quando ela era aplicada numa única cidadezinha onde todos se conheciam, a senhora pode imaginar o que aconteceria em escala mundial? Pode imaginar o que aconteceria se a senhora tivesse de viver e trabalhar afetada por todos os desastres e toda a malandragem do mundo? Trabalhar — e, quando alguém cometesse um erro em algum lugar, a senhora é que teria de pagar. Trabalhar — sem jamais ter perspectivas de melhorar de vida, sendo que as suas refeições, as suas roupas, a sua casa e o seu prazer estariam à mercê de qualquer trapaça, de qualquer problema de fome ou de peste em qualquer parte do mundo. Trabalhar — sem nenhuma perspectiva de ganhar uma ração extra enquanto os cambojanos não tivessem sido alimentados e os patagônios não tivessem todos feito faculdade. Trabalhar — tendo cada criatura no mundo um cheque em branco na mão, gente que a senhora nunca conhecerá, cujas necessidades a senhora jamais saberá quais são, cujas capacidade, preguiça, desleixo e desonestidade são coisas de que a senhora jamais terá ciência nem terá o direito de questionar — enquanto as Ivys e os Geralds da vida resolvem quem consumirá o esforço, os sonhos e os dias da sua vida. E é essa a lei moral que se deve aceitar? Isso é um ideal moral?

    Diante do semblante atônito de Dagny, ele concluiu:

    — Olhe, nós tentamos — e aprendemos. A nossa agonia durou quatro anos, da primeira assembleia à última, e acabou da única maneira que poderia acabar: com a falência da companhia. Na nossa última assembleia, foi Ivy Starnes quem tentou manter as aparências. Fez um discurso curto, vil e insolente, dizendo que o plano fracassara porque o restante do país não aceitara que uma única comunidade poderia ter sucesso no meio de um mundo egoísta e ganancioso, dizendo que o plano era um ideal nobre, mas que a natureza humana não era suficientemente boa para que ele desse certo. Um rapaz — o mesmo que fora punido por dar uma boa ideia no primeiro ano — levantou-se, enquanto todos os outros permaneciam calados, e dirigiu-se até Ivy, que estava no tablado. Sem dizer nada, ele cuspiu na cara dela. Foi assim que acabaram o nobre plano e a Século XX.

    O homem falara como se o fardo de seus anos de silêncio de repente houvesse escapado ao seu controle. Dagny sabia que era essa a homenagem que ele lhe prestava: não demonstrara reação alguma à sua bondade, parecera entorpecido para todos os valores e todas as esperanças humanas, mas algo dentro de si fora tocado, e a sua reação era essa confissão, esse longo e desesperado grito de rebelião contra a injustiça, contido há anos, porém libertado na primeira vez em que ele encontrara uma pessoa em cuja presença um apelo como esse não seria perda de tempo. Era como se a vida a que ele estivera prestes a renunciar lhe tivesse sido restituída pelas duas coisas essenciais de que necessitava: a comida e a presença de um ser humano racional.

    — Mas... E John Galt? — Perguntou ela.

    — Ah... — Disse ele, lembrando-se. — Ah, sim...

    — Você iria me explicar por que as pessoas começaram a dizer isso.

    — É... — O seu olhar estava perdido na distância, como se visse algo que vinha examinando havia anos, porém que jamais mudara, jamais fora explicado: em seu rosto existia uma expressão estranha e indagadora de terror.

    — Você iria me dizer quem era o John Galt a quem as pessoas se referem, se é que já houve alguém com esse nome.

    — Espero que não, minha senhora. Quer dizer, espero que seja apenas uma coincidência, uma frase sem sentido.

    — Você estava pensando em alguma coisa. O que era?

    — Foi... Foi uma coisa que aconteceu na primeira assembleia da Século XX. Talvez tenha a ver com isso, talvez não, não sei... A deliberação foi numa noite de primavera, há doze anos. Os seis mil funcionários, nós todos, estávamos amontoados numa arquibancada que ia até o teto, construída no maior galpão da fábrica. Havíamos acabado de aprovar o plano e estávamos meio irritadiços, fazendo muito barulho, dando vivas à vitória do povo, ameaçando inimigos invisíveis e nos preparando para a luta, como valentões de consciência pesada. As luzes brancas dos arcos voltaicos nos iluminavam, e nós estávamos desconfiados e agressivos. Éramos uma multidão perigosa naquele momento. Gerald Starnes, que presidia a assembleia, batia o seu martelo sem parar, pedindo ordem, e nós fomos nos acalmando um pouco, mas não muito. Era como se todos nós nos sacudíssemos como água numa panela que alguém está agitando. "Este é um momento crucial na história da humanidade", gritou Gerald no meio da barulhada. "Lembrem-se de que nenhum de nós agora pode sair desta fábrica, pois cada um pertence a todos por força da lei moral que aceitamos!" Foi quando um homem, levantando-se, disse: "Eu, não." Era um jovem engenheiro. Ninguém o conhecia bem, era uma pessoa reservada. Quando ele se levantou, fez-se um silêncio mortal de repente. Era pela maneira como ele mantinha a cabeça erguida. Era um homem alto e magro — lembro que pensei que dois homens quaisquer naquela assembleia poderiam quebrar o seu pescoço sem muita dificuldade —, mas o que todos nós sentíamos era medo. Ele tinha a postura do homem que sabe que está com a razão. "Acabarei com isso de uma vez por todas", disse. A sua voz era muito nítida e não exprimia qualquer sentimento. Só disse isso e começou a andar em direção à saída. Atravessou todo o galpão, à luz branca dos arcos, sem olhar para qualquer um. Ninguém tentou detê-lo. Gerald de repente lhe perguntou: "Como?" Ele se virou e respondeu: "Vou parar o motor do mundo." E então saiu. Nunca mais voltamos a vê-lo.

    Dagny mal piscava ao observá-lo falar sobre o episódio.

    — Porém, anos depois, quando vimos as luzes se apagarem uma por uma, nas grandes fábricas antes tão sólidas quanto montanhas, há gerações; quando vimos os portões se fecharem e as correias transportadoras pararem; quando vimos as estradas se esvaziarem e os carros desaparecerem; quando começamos a achar que alguma força silenciosa estava parando os geradores do planeta e quando o mundo inteiro estava se despedaçando, como um corpo que perde o espírito — então começamos a fazer perguntas sobre ele. Começamos a perguntar um ao outro, a perguntar a quem o ouvira falar. Começamos a achar que ele cumprira a promessa, que ele, que vira a verdade, que conhecia a verdade que nós nos recusávamos a admitir, era a retribuição que merecêramos, o vingador, o justiceiro que desafiáramos. Começamos a achar que ele nos amaldiçoara e que não tínhamos como escapar do seu veredicto, que não tínhamos como escapar dele — e o que era mais terrível era que ele não nos estava perseguindo, e sim éramos nós que de repente estávamos procurando por ele, e ele havia simplesmente desaparecido sem deixar vestígio. Não encontramos resposta alguma. Ficávamos intrigados com que espécie de poder impossível lhe permitira fazer o que ele prometera fazer. Não havia resposta a essa pergunta. Começamos a pensar nele sempre que víamos mais alguma coisa desmoronar, algo que ninguém explicava, sempre que sofríamos mais uma derrota, sempre que perdíamos mais uma esperança, sempre que nos sentíamos presos nessa neblina morta e cinzenta que está descendo sobre o mundo todo. Talvez as pessoas nos tenham ouvido gritar essa pergunta e, embora não entendessem o que queríamos dizer, compreendessem perfeitamente por que a fizéramos. Elas também achavam que alguma coisa havia desaparecido do mundo. Talvez tenha sido por isso que começaram a fazer essa indagação, sempre que acreditavam não haver mais esperanças. Espero que eu esteja enganado: que essas palavras não tenham sentido algum, que não haja uma intenção consciente, nenhum vingador, por trás do crepúsculo da espécie humana. Mas, quando ouço das pessoas repetindo essa pergunta, tenho medo. Penso no homem que disse que iria parar o motor do mundo. O nome dele era John Galt.
  • Julio dos Santos  19/04/2013 23:09
    Ótima ideia João! Ela vai ao encontro da proposta do livro, que é espalhar os ideais libertários!
  • Andre Cavalcante  20/04/2013 15:03
    Eu queria dar uma sugestão: a palavra "capitalismo" está cheia de conotações variadas que vai desde o mercantilismo ao neoliberalismo e uma infinidade de outras coisas, como o artigo aborda. Que tal um outro nome para o sistema de trocas voluntárias?

    Voluntarismo não seria mais fácil de ser "vendido" que o termo "capitalismo" já apropriado, de forma equivocada eu sei, justamente por quem está no oposto ao voluntarismo?.

    Abraços

  • Pedro Mourao  20/04/2013 21:08
    Que tal liberalismo, que já existe e representa a liberdade, o verdadeiro objetivo do sistema?
  • Nilo BP  21/04/2013 20:28
    Abandonar o "capitalismo" não ajudaria em nada, mesmo porque qualquer economista decente sabe que o capital, em suas várias encarnações, é a base da prosperidade. Ao mesmo tempo, a propriedade privada, na qual o capitalismo está fundado, é a base de qualquer moralidade sustentável.

    A briga dos libertários é justamente para aumentar a aceitação desse ponto de vista. Fugir dele para ganhar pontos de popularidade não parece uma estratégia vencedora.
  • Marcus Benites  21/04/2013 00:12
    Foi das coisas mais didádicas que já li. Simples e objetivo, sem margem a contestação honesta. Realmente dou meus parabéns ao autor. No entanto, não sei se textos como esse adiantam muito... Estamos lidando, infelizmente, com uma sociedade doutrinada composta, majoritariamente, por zumbis. Percebo que já não há alguma coisa lá dentro da cabeça deles que possa ser "despertada" de repente.
  • Lucas Raal  21/04/2013 00:33
    "O livre mercado é apenas o conjunto de ações de agentes humanos livres sobre a alocação de recursos escassos. Se os propósitos desses agentes são morais, a ordem gerada será igualmente moral. E é quando nós conseguimos sinceramente compreender e avaliar o capitalismo que passamos a ter o discernimento para defendê-lo ou atacá-lo."

    Acontece que, na prática, os propósitos de tais agentes não são de moral benéfica para a evolução da sociedade como um todo, e a base dessa simples afirmação consiste em uma análise da conjuntura econômica atual e passada.
    Logo, [n]como o próprio artigo sugere[/u], a explicação para a ordem estabelecida tão criticada pelas ideias libertárias, tanto no cenário recente como ao longo da história, provém dos propósitos morais de todos os agente que aqui são livres.

    Então, como posso dar crédito a um sistema que afirma que nele tudo seguirá os rumos da paz, prosperidade e liberdade; sendo que o seu motor (o conjunto de ações de agentes humanos livres sobre a alocação de recursos escassos - que nada mais é do que comercializar) será o mesmo que gerou todos os atos tão criticados (a centralização da autoridade que aloca os recursos escassos em desejo de muitos agentes humanos livres) pelos adeptos desse novo sistema econômico hipotético?

    Sinceramente, cada vez mais tenho a convicção de que esses adeptos vivem em um mundo completamente diferente do real, por esse mesmo motivo são rotulados de "filinhos de papai criados a leite com pera".
  • Tory  25/04/2013 20:08
    Avise-me quando encontrar um desses agentes livres, especialmente no Brasil, para que eu o cumprimente e aprenda como ele consegue sobreviver.
    Difícil saber como você observa que no geral os propósitos das pessoas são imorais, a não ser que olhe para o umbigo. Já eu estou em boa posição para dizer que 100% das atividades de regulação e supressão da liberdade de mercado NÃO visam o bem-estar da população em geral, mas apenas de uns poucos. Só preciso ler jornal.
  • Lucas Raal  27/04/2013 03:01
    Primeiro, o que é ser um agente livre para você?

    Na antiguidade, o conceito de liberdade era fazer parte de um grupo para se defender de ameaças externas, lutando para não se tornar um escravo de outros povos. Hoje, a liberdade pode ser definida como ser livre para agir dentro de um grupo, sendo que essa possibilidade de agir assim dentro desse grupo implica que o conceito antigo de liberdade seja real, ou seja, que esse grupo já seja protegido de ameaças externas, cuja proteção é feita pelo Estado.

    Logo, pressuponho de forma lógica que o termo livre, usado em agente livre, não é sinônimo de uma espécie de anarquia generalizada, pois o conceito de liberdade atual depende do Estado, como explicado anteriormente, para que possa ser realizável. Caso o Estado fosse extinto, numa situação hipotética onde tal fosse considerado um opressor da liberdade, tal consideração seria contraditória, já que para o atual conceito de liberdade existir, o mesmo que levou a considerar o Estado como opressor, é preciso que o Estado necessariamente exista.

    Dito isso, peço para que reflita sua indagação de que acha ser muito improvável encontrar um agente livre no Brasil.

    Segundo, "Difícil saber como você observa que no geral os propósitos das pessoas são imorais, a não ser que olhe para o umbigo.".

    Nada difícil, basta abrir um livro de história de Ensino Médio que você encontrará registros de o que os homens foram capazes de fazer com o propósito de gerar ganho e gerar lucro que, de alguma forma, gerava poder. Exploração de terras desconhecidas com escravização e aniquilação de seus respectivos nativos são alguns exemplos. Não creio que isso seja moral.

    Nos dias de hoje, podemos visualizar o resultado desses propósitos que geraram ações nada morais. Desigualdade socioeconômica é a principal. Então, todo conjunto de ideias que afirma que a meritocracia só será alcançada a partir da ausência de interferências na esfera socioeconômica, também é resultado de propósitos nada morais, já que lutam pela não reparação dos cenários construídos por atos de imoralidade, podendo assim não ser considerado moral.

    Terceiro, "Já eu estou em boa posição para dizer que 100% das atividades de regulação e supressão da liberdade de mercado NÃO visam o bem-estar da população em geral, mas apenas de uns poucos. Só preciso ler jornal.".

    As regulações que beneficiam apenas certos grupos, invés do bem-estar da população em geral, são resultados de ações de membros do governo que recebem apoio, seja de qualquer forma, dos grupos beneficiados.

    Para exemplificar melhor, usarei um conceito de administração:
    A empresa Kopenhagen vende chocolates, porém o seu negócio não é puramente chocolate, caso contrário ela concorreria com todas as comercializadoras de chocolate, como a Garoto, Lakta, etc. No entanto, o real negócio da Kopenhagen é vender presentes, ou seja, chocolates que são comprados para ser dado com o objetivo de presentear alguém. Logo, seus concorrentes de fato são O Boticário, etc.

    Agora que o conceito foi compreendido, usarei um exemplo aplicável à sua declaração.
    A empresa Amil trabalha com rede de saúde, porém seu real negócio é a área de saúde como um todo, concorrendo inclusive com hospitais públicos. Então, um político que lutasse pela reestruturação da saúde pública prejudicaria as receitas da empresa. Logo, é lucrativo para que a Amil financie um candidato que sucateará a saúde pública da região.

    O mesmo pode ser válido para empresas que tenham como real negócio os mesmos que são prestados por serviços públicos. E também para atuantes de setores que sejam sensíveis a interferências governamentais, tal quais obterão lucros ao financiar candidatos que as beneficiarão futuramente.

    Aqui, neste claro exemplo inclusive, também pela sua própria afirmação, podemos ver uma clara demonstração de propósitos imorais apresentados por gestores de empresas que têm como finalidade lucrar, ou seja, toda S/A, segundo a própria legislação.
  • Ricardo  27/04/2013 04:06
    Lucas, desigualdade socioeconômica, da forma como existe no Brasil, nada tem a ver com a busca pelo lucro. Ela não é consequência disso. Desigualdade socioeconômica é causada majoritariamente pela inflação monetária.

    Esse artigo destrincha bem os dois tipos de desigualdade que podem existir:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=313
  • Lucas Raal  27/04/2013 18:09
    Eu não disse que a busca pelo lucro necessariamente gera desigualdade, mas sim a forma de como ela é feita. Eu condenei que o ser humano, quando não fiscalizado, demonstrou ausência de limites para agir de forma qualquer para atingir seus objetivos, sendo esses meios de ação morais ou não.

    Outra coisa, com todo o respeito, chega a ser surreal você me dizer que o quadro de desigualdade socioeconômico brasileiro foi causado majoritariamente pela inflação. Essas deficiências consequentes de alterações no nível de preços são eliminadas a partir do momento em que os trabalhadores refazem suas expectativas sobre o próprio nível de preços. Não discordo de que os beneficiados primariamente tiveram a possibilidade de aumentar seu patrimônio real com certa vantagem, alargando assim a desigualdade econômica; no entanto, utilizar esse fato para explicar a maior parte do surgimento da desigualdade existente no país, ignorando suas raízes históricas, é de fato surreal.

    Além do mais, foi a própria intervenção humana ao longo da história, no que diz respeito a forma de como buscou beneficiar-se individualmente, que eu já a critiquei de ser imoral no primeiro comentário, que determinou os que no período demonstrado pelo artigo que você me enviou, teriam acesso direto ao sistema bancário. Ou seja, a desigualdade já havia sido gerada antes mesmo de onde você acredita que iniciou-se sua causa.
  • Ricardo  27/04/2013 18:26
    Prezado Lucas, por que seria surreal dizer que a inflação monetária gera redistribuição de renda às avessas? Você entende como funciona a inflação monetária? Entende o mecanismo por meio do qual o dinheiro vai se espalhando pela economia? Se sim, cabe a você explicar por que a inflação monetária -- especialmente uma hiperinflação, na qual os ricos têm acesso privilegiado a montanhas de dinheiro enquanto os pobres nada recebem -- não tem papel decisivo nas desigualdades de renda.

    Caso você consiga explicar, aí sim será surreal. Boa sorte com sua teoria.
  • Tory  27/04/2013 18:27
    Que comédia.

    Vai lá me diz então no que as bases históricas da Austrália diferem das nossas? Onde estão eles hoje e onde estamos nós? E o Chile?
  • anônimo  27/04/2013 04:13
    Mais um iluminado que segue a linha do "o conceito de criar precisa do conceito de destruir para existir. Portanto, antes de você criar alguma coisa, você precisa destruir outra coisa.".

    Lucas, de fato, todo lucro é imoral. Aposto que você, sendo um pessoa altamente moral, doa todo o salário que você ganha além do mínimo. Afinal, qualquer gasto acima disso pode ser considerado supérfluo, pois você não precisa destes gastos para viver, o salário mínimo lhe basta para isso.
  • Diogo  27/04/2013 11:41
    "Para exemplificar melhor, usarei um conceito de administração:
    A empresa Kopenhagen vende chocolates, porém o seu negócio não é puramente chocolate, caso contrário ela concorreria com todas as comercializadoras de chocolate, como a Garoto, Lakta, etc. No entanto, o real negócio da Kopenhagen é vender presentes, ou seja, chocolates que são comprados para ser dado com o objetivo de presentear alguém. Logo, seus concorrentes de fato são O Boticário, etc."

    Exemplo classico de livre mercado, Kopenhagen viu a necessidade dos consumidores de presentear com chocolates, e fez isso em busca do lucro que não conseguiria no mercado tradicional de chocolates. Ela aumentou seus lucros e os consumidores ganharam uma nova opçao para presentear, todos sairam ganhando, voce pode dizer que o lucro neste caso foi imoral? Pode, mas não pode negar o beneficio para ambas as partes.

    "Agora que o conceito foi compreendido, usarei um exemplo aplicável à sua declaração.
    A empresa Amil trabalha com rede de saúde, porém seu real negócio é a área de saúde como um todo, concorrendo inclusive com hospitais públicos. Então, um político que lutasse pela reestruturação da saúde pública prejudicaria as receitas da empresa. Logo, é lucrativo para que a Amil financie um candidato que sucateará a saúde pública da região."

    Isso de capitalismo não tem nada, aqui temos monopolio estatal da saude, regulação das empresas de saude, lobby de empresas junto ao governo, propina, corrupçao, não existe um unico agente livre no exemplo, e os maiores ganhadores são o governo e a empresa em questão, os consumidores so perdem.
  • Lucas Raal  27/04/2013 18:23
    Diogo, nesse exemplo eu apenas afirmei que, independentemente da localização do que busca o lucro na escala de liberdade, o propósito de sua ação foi imoral, logo todo o quadro de sujeira que você citou representa a ordem moral gerada pelo propósito de tal agente.

    Se, como você mesmo deixa claro, com restrições a liberdade de suas ações, tal gestor ainda age de forma imoral, porque eu devo acreditar que um sistema que por definição é:
    "O livre mercado é apenas o conjunto de ações de agentes humanos livres sobre a alocação de recursos escassos. Se os propósitos desses agentes são morais, a ordem gerada será igualmente moral."
    Ou seja, depende exclusivamente da moral dos propósitos dos agentes, no caso o gestor, para se gerar uma ordem? Por que eu acreditaria que essa ordem gerada será de paz e prosperidade se a raiz dela, a moral dos propósitos dos agentes, gera hoje corrupção e outros malefícios a sociedade?

    Fica a reflexão, um abraço.
  • Diogo  28/04/2013 01:37
    "Diogo, nesse exemplo eu apenas afirmei que, independentemente da localização do que busca o lucro na escala de liberdade, o propósito de sua ação foi imoral, logo todo o quadro de sujeira que você citou representa a ordem moral gerada pelo propósito de tal agente."

    Não a sujeira esta ligada aos agentes intervencionistas, e não nos agentes livres, leia o que voce mesmo escreveu esta muito claro no primeiro exemplo onde temos liberdade todos ganharam, ja no segundo onde a liberdade foi restringida poucos ganharam em detrimento de muitos.

    "Se, como você mesmo deixa claro, com restrições a liberdade de suas ações, tal gestor ainda age de forma imoral, porque eu devo acreditar que um sistema que por definição é:"

    Justamente no cenario de intervenção que cresce a imoralidade, mais uma vez leia seu proprio exemplo e me diga no primeiro onde esta a açao moral.

    "O livre mercado é apenas o conjunto de ações de agentes humanos livres sobre a alocação de recursos escassos. Se os propósitos desses agentes são morais, a ordem gerada será igualmente moral."

    Sim e todas trocas voluntárias.

    "Ou seja, depende exclusivamente da moral dos propósitos dos agentes, no caso o gestor, para se gerar uma ordem? Por que eu acreditaria que essa ordem gerada será de paz e prosperidade se a raiz dela, a moral dos propósitos dos agentes, gera hoje corrupção e outros malefícios a sociedade?"

    E hoje nos vivemos em um livre mercado? Claro que não, então como você atribui a corrupção e outros malefício a ele.
  • Tory  27/04/2013 16:48
    Lucas, se você acredita no que está escrito em seu livro de história do ensino médio só posso lamentar por sua educação. Eu conservo o meu só para dar risadas de vez em quando. Nada aconteceu como descrito neles, são pura propaganda marxista, bem digerida e repetida por você.

    No Brasil não há liberdade para contratar, demitir, abrir e fechar empresas, importar, exportar, enviar e receber documentos, enviar e receber dinheiro nem exercer a maioria das profissões, mesmo de forma autônoma. E metade de tudo que ganhamos é desperdiçada em impostos. Economicamente ninguém é livre, aqui.



  • anônimo  25/04/2013 20:27
    E aí é você que vai impôr sua moral sobre mim? Aposto que é pra defender cotas, bolsa esmola e todo tipo de coitadismo não é?
  • Fabio MS  25/04/2013 21:28
    Lucas,
    seu comentário é bem interessante.
    Deixe-me ver se eu entendi: você está dizendo que a ordem moral vigente é reflexo da moral "geral" (dos agentes) de toda a sociedade. Se essa soma das "morais individuais" é maléfica, a ordem daí gerada também o será.
    Essa moral maléfica é gerada, portanto, pela "moral individual" dos agentes. Nesse caso, tais agentes, sob o julgo estatal, podem ser considerados livres? Isso depende.
    Se considerarmos que, por exemplo, a condição de servidão frente ao estado é, de alguma forma, sempre voluntária (La Boetie?) ou que um regime estatal só se sustenta se for apoiado pela maioria dos súditos (Mises), acho que você PODE ter alguma razão.
    Parece-me uma discussão válida. Mas posso ter partido de uma premissa equivocada, o que tranforma em lixo tudo que escrevi. Alguém concorda? Discorda?
  • Renato Souza  27/04/2013 15:26
    Lucas

    Sou miniarquista, e portanto acredito que deva existir governo, mais limitado o suficiente para não fazer mal à sociedade. O contrário do que pensa um totalitarista, para quem o governo deve ser o maior possivel.

    Note que o conceito de liberdade original, como citado por você, é equivocaqdo. Em todas as épocas as pessoas queriam ser livrres não só de inimigos externos (que os podiam escravizar) mas também de escravizadores internos. Tanto assim que, onde quer que isso fosse possível, escravos usualmente buscavam a liberdade, seja através da fuga (o meio mais perigoso e mais drástico) seja através da compra da liberdade. Há textos inúmeros falando disso, de forma que está porvado além de qualquer dúvida que sempre houve demanda por liberdade, mesmo ao custo de riscos ou valores monetários.

    Mas se o conceito de liberdade já era desde sempre tão amplo, certamente as pessoas preferiam mais liberdade dentro de seu grupo (tribo, cidade, nação) do que menos. Há imensa quantidade de registros históricos sobre povos e pessoas que julgavam que deveriam ter mais liberdade. Então porque as pessoas ACEITAVAM (que é muito diferente de buscavam) certa perda da liberdade dentro do grupo? Apenas para prevenir uma perda maior de liberdade (escravização) muito maior. Ao se tornarem proprietários comuns de um território, de equipamentos (muralhas), necessários para sua segurança contra forças externas, tinham de erigir um governo sobre esses bens comuns, com normas comuns, porque toda propriedade comum implica em governo, que implica em alguma perda de liberdade individual. Note que isso foi feito por necessidade, não por desejo. O desejo do homem é sempre de ter o máximo de liberdade possível.

    Quanto à maldade natural das pessoas, isso é muito variável. Há um pequeno grupo de pessoas (psicopatas, por exemplo) que tem um enorme potencial para a maldade. A imensa maioria das pessoas tem certo grau de maldade que pode ser exarcebado em condições limite, mas via de regra agem de forma razoÁvel em suas relações com seus semelhantes. Quanto àquela pequena porcentagem de pessoas extremamente más, em uma nação que não seja particularmente disfuncional, suas ações maldosas são inibidas e prevenidas. Há pouquíssimo crime na Suiça ou na Finlândia, por exemplo. Agora há um ente com imenso potencial para a maldade, talvez porque os mecanismos internos tendam a levar os piores para as posições de topo. Esse ente deve ter seu poder estritamente limitado, para evitar genocídios, guerras, escravização em massa, perdas absurdas da liberdade individual, perversão da justiça, perseguições a dissidentes, etc. Esse ente é o governo.

    Finalmente, vocÊ deu a entender que as pessoas em busca de lucro fazem aumentar enormemente os males e perversidades na sociedade, e que o estado deve ter enorme controle sobre a sociedade para impedir isso. Vejamos se isso é verdade. O Brasil, e outros países de mesma tradição cultural, tem uma cultura de multiplicação das normas, leis, regulamentos. Paises da mesma tradição que a nossa, tem legislações imensas (e alguns, como nós, tem constituições imensas). Uma evidência disso é, por exemplo, o tempo enorme e a enorme quantidade de documentos necessários para abrir um empresa, importar um produto, resolver uma questão burocrática. Entretanto, em países como o Brasil, e outros do mesmo perfil, o crime, a fraude, a pobreza, a desigualdade imensa, são comuns. Mas há países com um tendência muito menor para a criação de normas, leis, regulamntos, que tem constituições muito menores que a nossa. E nesses países, há muito menos crimes, fraudes, e desigualdade econômica. Então cai por terra a sua argumentação de que os empresários devem ser estritamente controlados para diminuir a grau de maldade e pobreza na sociedade.

    Lembro ainda que, num mesmo país, freqüentemente os setores mais controlados pelo estado são os que apresentam piores e mais amplos problemas. Nos EUA, por exemplo, o sistema financeiro entrou quase que em colapso, e as empresas avaliadoras de riscos maquiaram o problema até se tornar inescapável. Mas o setor financeiro em geral (e de financiamento habitacional em particular) é o ramo mais controlado pelo governo naquele país (bem como em virtualemnte todos os outros países). E as empresas avaliadoras de risco operam por concessão do governo.

    Os fatos desmentem a sua tese, de que a intervenção governamental é um bem, e que leva a uma vida melhor e mais justa para todos.
  • Cesar Massimo  21/04/2013 03:28
    Excelente artigo.
    Discordo tão somente do "depreciativo termo 'capitalista' " empregado pelo autor. Entendo que cada palavra leva a um sentimento que estará conectado com a história vivida por cada um mas, para mim, usar e ouvir o termo 'capitalista' soa como algo muito positivo.

    Ser capitalista é defender a "igualdade de oportunidades" onde tantos querem "igualdade de benefícios".
  • Daniel Costa  22/04/2013 12:36
    Amigos, foi um dos artigos mais gloriosos que já lí. Parabéns ao Diogo Costa. É fácil saber que o capitalismo preserva entre outras coisas a família e a arte, é só observar a podridão moral social que estamos vivendo, violência urbana e agora no campo_ninguém está a salvo_ cretinice e ineficiência des_educacional. Me lembra o fim do Império Romano com o filme Calígula. Espero que sobre uma raça decente para construirmos um "mundo" novo quando este acabar. Abraços
  • David  23/04/2013 14:20
    ... e as neurociências descobrem o capitalismo:
    www1.folha.uol.com.br/colunas/suzanaherculanohouzel/1266979-motivacao-capitalista.shtml

    Deve-se elogiar a coragem de Suzana em dizer a verdade para um jornalista de sindicato.
  • Danielbg  23/04/2013 15:28
    Veja os comentários, que "brilhantes"! Hehehehe
  • Pedro  26/04/2013 07:46
    Excelente artigo. Acho que todos que usam expressões, como: as elites, a burguesia, os reacionarios e blablabla. Deveriam entender o que o capitalismo prega de fato. Pena que nunca teremos um Brasil com economia totalmente de mercado =/
  • Luciano  28/04/2013 01:17
    Eu sempre uso a expressão "sistema capitalista de livre mercado" quando me refiro ao capitalismo. Vejo essa como uma forma mais clara de mostrar os conceitos que defendo e critico.
  • Alexandre Almeida  17/10/2018 01:09
    "A igualdade liberal, da qual floresce o capitalismo, é a igualdade de direitos, a igualdade perante a lei. Isso significa que as questões de justiça e o uso da sua liberdade no mercado não dependem de quem você é, mas do que você faz.

    O capitalismo é um sistema econômico de cooperação mútua, apoiado em uma estrutura de direitos na qual prevalece a igualdade jurídica entre as pessoas. As pessoas no livre mercado não são iguais em "distribuição de renda", mas são iguais em liberdade."

    Antes de tudo, quero deixar bem claro que concordo totalmente com esse trecho. No entanto, esse discurso abre, claramente, a brecha para os populistas denunciarem o "descaso" do sistema capitalista com os menos favorecidos, criando, então, a justificativa de por que o Estado deveria intervir nesses casos a fim de tornar a "corrida" uma disputa mais justa, uma vez que alguns largam à frente dos outros.
    Meu intuito com essa pergunta é simplesmente fortalecer meus argumentos e estar prevenido contra essas afirmações. Agradeço desde já a quem puder me esclarecer esse ponto.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.