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Podres poderes

Quando Hugo Chávez morreu, minha timeline foi tomada, como de costume, por manifestações contraditórias: uns em luto, outros em festa. Devo admitir que minha reação estava mais para o time da celebração. Totalmente alheio que sou à vida pessoal do homem — como cristão, contudo, espero que encontre a paz —, para mim já passou da hora da América católica se libertar de seus ridículos tiranos. Um líder autoritário a menos é sempre uma boa notícia. Claro que em seu lugar virão outros. As ideias que garantiram seu poder estão firmes e fortes.

Sendo sinceros, no entanto, temos que reconhecer que, embora Hugo Chávez tenha sido um líder autoritário, não foi um monstro tirânico. Perpetuou-se no poder indefinidamente, travou uma campanha de coação pesada contra todos os seus opositores, especialmente na mídia (campanha que culminou com as declarações de Nicolás Maduro, às vésperas da morte do presidente, acusando a mídia de espalhar mentiras sobre sua saúde). Fechou redes privadas de televisão, impôs quotas enormes de produção local a todas as estações, bem como financiou essa produção local — entre elas o hilário talk show comandado pelo próprio Chávez. Seu governo desceu ainda a pormenores ridículos como a restrição de horário aos Simpsons e a proibição total de Family Guy.

Ao mesmo tempo em que mobilizava força policial para fiscalizar lan houses e se certificar de que ninguém estava jogando jogos violentos, a violência real no país, medida em número de homicídios, mais do que triplicou desde que ele assumiu o poder. Não se trata de mortes comandadas pelo poder central, mas de um clima de absoluta anomia, ou seja, falta de lei, que permite que bandidos e mesmo a polícia ajam como bem entenderem, como é próprio de governos autoritários em que o poder do estado é magnificado.

Como eu ia dizendo, Chávez foi um presidente (e por que negar-lhe o título? Por acaso a maioria não o elegeu?) autoritário, mas não foi um monstro. Não foi, por exemplo, um ditador brutal como Pinochet, do Chile, cujo governo matou cerca de 3.000 dissidentes políticos e torturou dezenas de milhares de pessoas.  Até agora, apesar da violência endêmica da polícia venezuelana (sem conteúdo ideológico pró ou anti-governo), não se tem notícias desse tipo de repressão direta por parte das autoridades. A coação aos grupos de mídia e aos partidos de oposição é real, mas não chegou ao nível da proibição direta da opinião contrária e da execução ou prisão sumárias de quem discorda.

A crítica a Chávez: bons e maus motivos

Chávez foi membro de uma nova esquerda que apresenta problemas à crítica mainstream. A maior parte das críticas se refere à "falta de democracia", à falta de liberdade de imprensa, à violação de direitos humanos. São todas preocupações reais, mas estão longe de ser o pior lado do regime Chávez. Essas críticas erram, em minha opinião, exatamente no ponto em que o livro O Caminho da Servidão, de Hayek, errou. Ele criticava os governos da social-democracia intervencionista (e a esquerda latinoamericana é uma versão um pouco mais contundente da variante europeia que Hayek tinha em mente) porque, supostamente, eles levariam à supressão das liberdades civis e da democracia e conduziriam à tirania. Passaram as décadas e sua previsão pessimista não se concretizou.

Na prática, é possível um regime francamente de esquerda que não viole os direitos civis, a democracia, a liberdade de imprensa. Chávez tem notas ruins em tudo isso; exceto, em certo sentido, na democracia: suas decisões sempre estavam amparadas pela vontade expressa da maioria — nesse sentido, ele foi até democrático em demasia. Enfim, apesar das notas ruins, não foi dos piores violadores que o mundo já conheceu. Regimes mais capitalistas em vários aspectos foram piores nesses quesitos; é o caso novamente do Chile de Pinochet (voltarei à comparação à frente). Para um libertário, essa constatação não traz problema algum: as medidas da esquerda social-democrata e socialista não são ruins devido a supostas violações de direitos civis que elas podem trazer no longo prazo. São ruins devido à violação da liberdade individual e da consequente distorção econômica que eles provocam no presente. E falar de economia não é falar de números abstratos e índices arcanos do mercado financeiro, mas da qualidade de vida de toda a população.

Economicamente, Chávez foi um desastre. Um desastre que só não levou ao colapso completo da nação porque foi salvo por uma dádiva dos céus: o petróleo e o aumento de seu preço desde que o regime começou. Ainda assim, a inépcia do estado venezuelano neutralizou boa parte dessa benesse da natureza. O mínimo que uma empresa estatal pode fazer (e que se espera que faça) é alocar cargos de acordo com a qualidade técnica dos funcionários, e não com a orientação ideológica deles, que foi o que Chávez fez. A inépcia foi tamanha que a produção de petróleo medida em barris caiu desde que Chávez assumiu, apesar da renda com a venda deles ter aumentado.

Os defensores de Chávez exaltam suas conquistas sociais: a diminuição da pobreza e o aumento do alfabetismo (de 90% para 95% da população). É verdade: se se tira o dinheiro de alguns mais produtivos — e mais, se se usa os retornos generosos do petróleo — e se dá aos muito pobres, isso significará um aumento em sua qualidade de vida. Todo mundo há de convir que pessoas passando um pouco menos de necessidade é, em si mesmo, algo bom. Mas e se, para realizar essa leve melhora na qualidade de vida da população mais pobre, o governo minar significativamente as bases que permitiriam a melhora substancial na qualidade de vida de todos no longo prazo? Foi isso que Chávez fez.

O uso político dos recursos permite que o estado atinja — com muita ineficiência e desperdício, claro — algumas metas bem definidas: diminuir a miséria atual; melhorar alguns índices da educação (ainda que os alunos tenham que ler "bibliografia revolucionária"). A ineficiência do programa educacional de Chávez confirma essa hipótese. A UNESCO sugere que custos entre US$ 50 e US$ 100 por pessoa são razoáveis para um programa de alfabetização; o programa de alfabetização do governo Chávez, além de fazer uma autopromoção notoriamente falsa, custou mais de US$ 500 por pessoa. Isso é mérito? Jogando muito dinheiro, custe o que custar, alguma coisa dá pra fazer; o resto do sistema é que rui.

Chávez fez ruir a já precária economia venezuelana, cada vez mais dependente de um petróleo extraído com ineficiência crescente. Destinou os retornos dessa extração para aliviar a pobreza extrema de grande parte da população (e conquistar seu apoio nas urnas), é verdade; mas ao mesmo tempo garantiu que a pobreza continuará sendo um problema crônico da Venezuela por muitas décadas. Um país com enormes reservas de petróleo convive com apagões rotineiros; com o quarto maior rio do mundo, e enfrentando racionamento crônico de água. Impõe-se o controle de preços (com ameaça de prisão de infratores e nacionalização de seus negócios) para mascarar uma inflação que oscila entre 20% e 30% ao ano (isso porque os preços controlados entram no cálculo do índice).

Em consequência, faltam itens básicos nas lojas, como leite, açúcar, farinha, óleo, frango, carne; filas se formam nas portas dos mercados. As leis são ineficientes, e o mercado informal contrata 50% dos trabalhadores. A participação do governo na economia não para de crescer: não só com medidas assistencialistas, mas também com grandes obras rodoviárias, construções de estádios e subsídios para empresas estatais. A sociedade é cada vez mais estatizada (mais de mil empresas já passaram para as mãos do estado), e a ineficiência do estado como gestor apenas agrava as lacunas crônicas da infraestrutura. Empregos secam no setor privado, sendo absorvidos pelo estado, que está, além de tudo, cada vez mais endividado.

Enfim, Chávez reverteu os ganhos de sua incompetente indústria estatal petrolífera em benefícios sociais para os muito pobres. Minou, contudo, as bases da economia venezuelana, que é o que poderia dar aos muito pobres chances de aumentarem sua produtividade e dar fim à pobreza. Os venezuelanos pobres que louvam Chávez não sabem que, graças a ele, permanecerão pobres por muito mais tempo. Novamente, o contraste com o Chile de Pinochet é marcante. É um fato desconfortável, mas real: o regime ditatorial e homicida de Pinochet provavelmente foi, no longo prazo, mais benéfico à sua população que o regime bem menos violento e mais democrático de Chávez.

Do ponto de vista econômico, as medidas de Pinochet eram sensatas: controle da inflação, equilíbrio fiscal, abertura ao comércio exterior, simplicidade e contenção de impostos, facilidade para empreender. A herança disso se vê hoje em dia: abrir empresas no Chile demora poucos dias, e quase toda a parte burocrática pode ser feita pela internet. Mérito do governo? Calma lá! Se não fosse pelo governo, abrir uma nova empresa seria um ato instantâneo e gratuito. Podemos dizer, isso sim, que o estado chileno atrapalha menos a vida do empreendedor do que o estado venezuelano (ou do que o brasileiro...). Por esses motivos, a Venezuela continuará a integrar o rol das nações pobres por um bom tempo ainda, enquanto o Chile já desponta como a nação mais rica da América do Sul. O Peru, outro país que adotou medidas liberalizantes, e que em 2002 tinha uma taxa de pobreza superior à da Venezuela, hoje tem taxa menor, e é o país que mais cresce no continente.

Conclusão: pouco se salva na política

É muito fácil se deixar levar por partidarismos, e eleger Chávez como um enorme vilão enquanto poupamos outros chefes de estado com condutas até piores, como Pinochet, por terem tido algum mérito no que diz respeito ao ordenamento econômico (o "mérito", novamente, de terem atrapalhado menos); também é fácil cair no conto de que a oposição atual a Chávez apresenta uma solução de verdade. A posição libertária não se deixa iludir por nenhum dos lados. Ela tem que estar acima de quaisquer partidarismos, sem exaltar e nem demonizar nenhum governante, mostrando todas as falhas e eventuais méritos que uma administração tenha tido. O valor de suas propostas não se confunde com o desempenho de algum político ou partido. Chávez foi um governante muito ruim, bem pior do que a média; o que não significa que a média seja boa. Se comparado ao que fazem na Europa e nos EUA, levou mais a sério as premissas que eles próprios advogam e põem em prática de forma mais tímida. Não se presta serviço algum à causa da liberdade se, ao criticar Chávez, louvemos Lula (como fez a The Economist em um infeliz editorial), Obama ou Merkel.

Penso que o único bom político é aquele que propõe menos estado; e ele é bom apenas na medida em que o faz. Mesmo os melhores, como Reagan ou Thatcher, ainda estão muito longe de ter promovido uma sociedade libertária. Se ajudaram a regredir ou ao menos conter um pouco o avanço do estado, é um mérito que deve ser reconhecido (mas será que ajudaram mesmo?); precisamos, contudo, de muito mais. As mudanças que propomos estão tão distantes do panorama político atual — na verdade, de todo o panorama político de toda a história da humanidade —, que muito pouco dele se salva. São propostas que a política jamais conheceu, embora, ao mesmo tempo, elas se baseiem na experiência acumulada mais sólida de cada um de nós: relações voluntárias promovem o progresso de ambas as partes.

Não vejo governantes e estado como bandidos, a não ser quando realmente violam a dignidade mais básica de seus cidadãos. Acho que o estado, bem ou mal, é um meio para se tentar garantir um mínimo de justiça e legalidade. Não sei se uma sociedade plenamente livre do estado é possível, embora esteja convicto de que ela deva ser tentada. Assim, Chávez não foi um monstro, um tirano, como um Hitler ou um Stalin. Não foi nem mesmo tão violento quanto um Pinochet ou quanto nossos ditadores militares. Foi um presidente terrível, como tantos outros.

Claro que sempre dá pra piorar. Imagine um chefe de estado que unisse brutalidade maior que a de Pinochet a medidas econômicas ainda mais desastrosas que as de Chávez. Fidel ainda vive. E mesmo ele não precisa ser demonizado. Combatamos, com ideias e ideais, todos os inimigos da ordem pacífica e harmoniosa que o mercado — ou seja, o processo de relações voluntárias entre indivíduos — gera e garante; mas saibamos também que nossos grandes rivais não são essas pessoas específicas, e sim as ideias falsas e a estúpida retórica que mantêm e justificam esses podres poderes.

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Para uma visão um tanto distinta, leia Ditaduras, relativismo moral e a necessidade de métodos brutais para se atingir o socialismo



autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com.

  • Sérgio  02/04/2013 12:57
    Como eu já tinha apontado aqui, durante a Era Chavista, ao contrário do que dizem, a pobreza aumentou. E não é invenção minha não. São dados do governo venezuelano. Por exemplo, segundo a ONU, durante a Era Chavista, o percentual de pessoas subnutridas na Venezuela aumentou de 16% em 1997 para 18% em 2003.


    Os numeros abaixo são estatísticas do próprio Governo Venezuelano, pelo INE (Instituto Nacional de Estatísticas) da Venezuela:

    Necessidades Básicas Não Satisfeitas:

    Hacinamiento Crítico (Super-povoadas em condições péssimas):
    1997 - 629.183
    1998 - 713.226
    1999 - 745.712
    2000 - 765.311
    2001 - 737.382
    2002 - 942.043
    2003 - 950.592
    2004 - 941.844
    2005 - 867.366
    2006 - 892.330
    2007 - 830.090
    2008 - 777.961
    2009 - 762.875
    2010 - 764.488
    2011 - 705.692

    Viviendas Inadecuadas
    1997 - 222.857
    1998 - 319.385
    1999 - 294.599
    2000 - 286.081
    2001 - 283.553
    2002 - 544.816
    2003 - 541.120
    2004 - 528.209
    2005 - 495.463
    2006 - 493.914
    2007 - 463.187
    2008 - 455.448
    2009 - 435.360
    2010 - 447.018
    2011 - 404.465

    A população vivendo em condições inadequadas, isto é, um pouco melhor que o "hacinamiento crítico", aumentou 81,49% de 1997 a 2011. . Ou seja, na Era Chavista, aumentou a quantidade de pessoas morando em em habitações de risco e em condições ruins (hacinamiento crítico e Viviendas Inadecuadas). Números do governo venezuelano, nada foi inventado aqui.

    A erradicação do analfabetismo é outra mentira.

    Veja:

    Niños 7 a 12 años que no asisten a la escuela
    1997 - 78.840
    1998 - 88.558
    1999 - 84.032
    2000 - 83.618
    2001 - 93.281
    2002 - 105.742
    2003 - 110.043
    2004 - 91.034
    2005 - 87.614
    2006 - 68.450
    2007 - 57.172
    2008 - 64.468
    2009 - 73.525
    2010 - 56.377
    2011 - 64.576

    Ou seja, entre 1997 e 2011, o número de crianças de 7 a 12 que não assistem à escola diminuiu 18%. Sendo que entre 1997 e 2003, o número de crianças de 7 a 12 anos que não assistem à escola aumentou 39,5%. Novamente, não são números inventados, são números do governo venezuelano.


    Este numeros vc encontra em:
    www.ine.gov.ve/index.php?option=com_content&view=category&id=104&Itemid=45#
  • Oziel Jose  02/04/2013 13:35
    Ao afirmar que a Venezuela tinha democracia, o autor se perdeu um pouco nos argumentos, apesar de pessoalmente concordar com quase tudo que ele disse. A democracia pode ser usada para quaisquer meios que se queira, bons ou maus e isso só depende da própria população se deixar levar.
  • Luis Almeida  02/04/2013 13:41
    O autor está corretíssimo nessa afirmação.

    A Venezuela é um dos países onde a democracia é exercida no seu sentido mais pleno. Aloizio Mercadante estava corretíssimo quando disse que "Na Venezuela, há democracia até em excesso". Claro! Lá, basta a pequena maioria demandar, e o governo faz. Confiscos de renda, expropriação de terra, congelamento de preços e censura. Tudo democraticamente exigido pela pequena maioria da população. Elas mandam, o governo prontamente obedece. E a minoria se estrepa. Lá, o desejo espoliador da maioria é atendido pelo governo. Democracia em sua plenitude.

    Na Bolívia, a mesma coisa.
  • Oziel Jose  02/04/2013 15:19
    Nesse quesito você desconsidera a total manipulação de informação e opinião por parte do governo. Um dos fundamentos da democracia é a liberdade de idéias, sem isso a democracia se acaba, pois não existe mais sentido em soltar 1000 ratos em um labirinto que só possui uma saída, pois todos vão escolher "democraticamente" o mesmo caminho.

    Alguns plebiscitos foram cancelados ou manipulados para que se chegasse aonde o governo deseja chegar. Penso que essa análise crítica e histórica deveria ter sido feita, inclusive me pergunto se a própria existência de uma "oposição", não faz parte do plano de Chávez de legitimar a ideia de opções.
  • Fernando Chiocca  02/04/2013 14:13
    O presidente Chávez, sempre eleito democraticamente, foi um dos maiores democratas que já viveram, e a Venezuela de seu governo, com a realização de vários plebiscitos, foi um dos maiores exemplos de Democracia que o mundo já viu.
  • Sérgio  02/04/2013 15:23
    Faltou democracia, sim. As eleições na Venezuela eram fraudadas. No mais, o Chávez só convocava plebiscito quando sabia que ia vencer. Pq por exemplo, ele não fez um plebiscito sobre o fechamento da RCTV, se povo apoiaria ou ñ. Porque ele sabia que ia perder.
  • Luis Almeida  02/04/2013 15:29
    Sobre fraudes, não há comprovação. Sobre convocar plebiscitos que ele sabia que ia ganhar, ora, isso também é democracia, não? Trata-se de uma demanda de mais de 50% da população que foi chancelada pelo voto. Exatamente como os idiotas defensores da democracia dizem que tem de ser.

    No dia em que vocês acordarem e pararem de defender este lixo, esta coisa nefasta chamada democracia, vocês finalmente entenderão que não há a mínima compatibilidade entre liberdade e democracia.

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=11
  • Sérgio  02/04/2013 15:27
    O maior exemplo de democracia é a SUÍÇA. Lá tudo é referendado. Vê se lá tem um Estado Gigante, interferindo em tudo, como no Brasil, Venezuela e Cuba.
  • Luis Almeida  02/04/2013 15:35
    "Vê se lá tem um Estado Gigante, interferindo em tudo,"

    Em relação ao Brasil, não, mas está crescendo. A diferença entre governos é apenas uma questão de tempo.

    Eis a evolução dos gastos do governo suíço. Bem em sintonia com as "demandas da democracia".

    www.tradingeconomics.com/charts/switzerland-government-spending.png?s=switzerlangovspe&d1=19800101&d2=20130430
  • anônimo  02/04/2013 16:39
    Como diz o Rodrigo Constantino, a democracia não é só a vontade da maioria mas também as instituições e Chavez solapou as mesmas com toda a força que pôde.
    Não faz sentido chamar ele de democrata.
  • RIcardo  02/04/2013 17:55
    Instituições robustas nada têm a ver com democracia. Instituições surgem naturalmente em um ambiente estável. Monarquias e aristocracias também têm instituições. A democracia, aliás, destrói instituições se não houver um poder superior para frear a democracia -- tanto é que são justamente os países que têm um chefe de estado separado de um chefe de governo que têm as instituições mais robustas. As monarquias, principados e ducados europeus são os melhores exemplos.
  • Joel Pinheiro  02/04/2013 18:06
    A discussão sobre quem tem direito a se dizer "democrata" me parece secundária.

    O importante é frisar que, seja como for, não é a vontade da maioria que faz com que políticas sejam boas ou más. A vontade do povo nos dá Chávez. Sistemas que impedem um Chávez funcionam, em parte, contra a vontade de grande parte da população (que quer mais é um líder carismático que lhes faça chover benefícios).
  • Reinaldo  02/04/2013 18:46
    Bom ponto em Joel. Mas esses espaços (para líderes carismáticos e usurpadores) surgem com maior frequencia nas repúblicas. Nas monarquias, aproveitando o gancho do comentarista acima, esse espaço costuma já ter dono.
  • Renato Souza  03/04/2013 23:11
    Como assim,uma questão de tempo? A suiça é um país muito mais antigo que os da América do Sul. Se seu governo é tão menos intrusivo que o nosso, mas agora está se tornando maior, então isso significa que houve uma mudança importante em tempos recentes.

    Para aqueles que não sabem, a Suiça era um república muito antes de existir EUA. O caso suiço parece indicar que um governo limitado não se torna um governo totalitário assim por inércia. Há fatores que preservam as instituições (que protegem cada indivíduo contra a massa) e há fatores que solapam essa proteção.
  • Eduardo 1  07/04/2013 01:07
    Inacreditável como até aqui nos comentários do Mises, onde deveria existir a elite do pensamento econômico brasileiro, ainda tem gente que defenda democracia. Ô, vergonha!
    Acordem!!! TUDO que o Estado faz, TUDO mesmo, pode ser feito pela iniciativa privada. Abram a cabeça e a imaginação!
  • Marcio  02/04/2013 14:06
    Quem tiver interesse, veja o que aconteceu em um mercado venezuelano alguns dias atrás:

    www.facebook.com/photo.php?v=441047519305084
  • Anarcofobico  02/04/2013 14:36
    Esse texto apenas vem realçar tudo o que tenho dito. Venezuela chora por Chaves! Eu estou de luto, pois ele foi um exemplo. Claro, não foi tão exemplar como Che Guevara, mas fez algo. O que faltou foi regulamentar mais setores da economia e cortar certas parcerias com empresários gananciosos! No resto, vemos que o país estava crescendo e certamente alcançou um alto padrão! Quem não quer morar lá ou em Cuba? Todos queremos! Mas eu não vou abandonar minha nação, vou lutar para que o governo cresça cada vez mais para garantir nossa evolução!
  • Fabio  03/04/2013 12:24
    Sr. Anarcofóbico,

    Eu acho que o Sr. deveria ir morar lá na Venezuela e em Cuba. Poderia até ser uma experiência. Você vai munido de uma câmera, um gravador, papel e caneta, e registre tudo o que há de bom e ruim nestes dois países. Converse com o povo, veja a situação deles. Viva em cada país por, pelo menos 5 anos. Depois volte e nos diga, sem ideologias o que vi. Apenas fatos e números. Isso sim poderia ajudar-nos.
  • YBS  04/04/2013 07:53
    Sou obrigado a dizer que também choro por Chaves, mas no caso é chorar de rir.
  • Dam Herzog  07/04/2013 02:11
    Anarcofobico, saiba que o Che Guevara matou mais 600 pessoas, e se a gente adora estas pessoas matam é porque a gente apoia o uso de força e a matança de seres humanos sem o devido processo legal. Isto é pura execução. Teria vergonho de usar uma camiseta do Guevara ou um quadro do Fidel e do Lula no meu quarto como declarou fazer o Luciano Huck. As pessoas precisam aprender que socialismo é palavrão, e sua adoção e apoio é certeza de sofrimento fisico e mental futuro. Quem apoia deve adorar sofrer. Mesmo o idolo Pelé se diz, socialista mas nem foi socialista com a propria filha. O unico sistema justo, motivador, equanime, racional,eficiente neutro, aberto chama capitalismo. Eu apoio o Capitalismo.
  • Dam Herzog  07/04/2013 02:25
    Anarcofobico, saiba que o Che Guevara matou mais 600 pessoas, e se a gente adora estas pessoas matam é porque a gente apoia o uso de força e a matança de seres humanos sem o devido processo legal. Isto é pura execução. Teria vergonho de usar uma camiseta do Guevara ou um quadro do Fidel e do Lula no meu quarto como declarou fazer o Luciano Huck. As pessoas precisam aprender que socialismo é palavrão, e sua adoção e apoio é certeza de sofrimento fisico e mental futuro. Quem apoia deve adorar sofrer. Mesmo o idolo Pelé se diz, socialista mas nem foi socialista com a propria filha. O unico sistema justo, motivador, equanime, racional,eficiente neutro, aberto, inovador, pacifico chama capitalismo. Qualquer prestador de serviço é um capitalista, um capitalista anonimo amanhã estará com o seu pãozinho quente desde as 5:00 horas da manhã com seu cafezinho proto e sem aviso previo sem voce pedir, nem ser seu amigo e o supermercado estara organizado e dando as boas vindas para voce comprar uma serie de produtos mesmo que sejam pereciveis, este capitalista é seu servo, é você que exige. Eu apoio o Capitalismo.
  • Pedro Evandro Montini  07/04/2013 06:23
    Deve ser por isso que vemos milhares e milhares de pessoas fugindo pra Cuba e Venezuela em busca de melhores condições de vida.
  • Anarcofóbico  07/04/2013 13:38
    Exato!! É isso que estou tentando dizer! Não ocorre isso, pois o nosso maravilhoso governo feito nosso país prosperar e vai continuar cada vez melhor, a medida que o governo regular todos os setores e intervir mais na propriedade privada!
  • Filipe F.  02/04/2013 14:38
    Bom artigo. O melhor governo será aquele que se intromete menos em nossas vidas.

    Hugo Chaves foi terrível em todos os sentidos. Pinochet foi horrível, mas não destruiu o país economicamente. Pelo contrario...

    *Uma sugestão... Assim como Leandro fez um excelente estudo da Argentina, seria interessante o IMB fazer estudos sobre outros países da AL e depois do mundo. Me interesso bastante por história econômica dos países.
  • Reinaldo  02/04/2013 16:04
    Não sou um especialista em Venezuela. Sei apenas o que leio em diversos blogs e noticiários. Entretanto, o fato das pessoas votarem (e o sufrágio ser universal) não garante um sistema democrático. É uma condição necessária, mas não suficiente. Robert Dahl, um dos mais proeminentes estudiosos da democracia, define que o sistema para ser democrático deve apresentar representação e oposição. A partir disso, ele cria diversos "indicadores" para serem monitorados no intuito de avaliar a qualidade (ou mesmo a existência) de um regime democrático.

    O fato de votar, portanto, é apenas um "indicador". Ser votado é outro ("liberdade de formar ou aderir a organizações"). Não tenho as informações, mas acredito que se candidatar a qualquer coisa na Venezuela, ou mesmo constituir um partido deva ser algo extremamente difícil. No Brasil também é. Mesmo assim, um indicador importante com relação ao ato de votar seria "eleições livres e idôneas". Não são raros os relatos de coerção em redutos oposicionistas.

    Outro ponto importante levantado pelo autor é a questão da informação. O autor levanta dois indicadores ("liberdade de expressão" e "garantia de acesso a fontes alternativas de informação"). Isso é interessante. Além de dispor de uma quantidade altíssima de recursos públicos para fazer propaganda do governo (o Uribe vive reclamando, e com razão, disso), o regime ainda nacionalizou todos os grandes veículos de informação. Basta verificar o "índice de liberdade de imprensa". A Venezuela ocupa, em um ranking de 177 países, a 133ª posição e foi um dos países que houve maior degradação do indicador no período 2002/2010. A coerção à imprensa livre pode ser feita de diversas formas, por vias judiciais, financeiras ou mesmo difamatórias. Tenho poucas dúvidas que o Robert Dahl não classificaria o regima chavista como democracia.

    Outro fator a ser observado é a questão dos limites do poder central e garantias dos direitos individuais. Embora o Robert Dahl admita que o sistema de pesos e contrapesos possa ser ineficiente nesse sentido (ele analisou o sistema americano) e que não há meios para a construção de direitos atemporais somente pela democracia, existem outros autores que referendam essa posição. John Locke afirmava ser a propriedade (definida, por ele, como "liberdade, bens e vida") um direito inviolável do homem e que, qualquer governo que não reconhecesse esse direito seria, portanto, tirânico. As nacionalizações forçadas e as mudanças de regras para "quebrar" adversários mostram que o respeito aos bens (à propriedade privada) não é um ponto a favor do regime.

    Montesquieu, por sua vez, postula a necessidade de independência entre os poderes para evitar a tirania. Nessa mesma linha, Tocqueville, olhando para a liberdade nos EUA, formula sua hipótese de que havia democracia (e essa era duradoura e provia liberdade aos cidadãos) pela existência de uma infinidade de estruturas intermediárias de poder (com conseqüente pulverização do poder central), entre as quais se destacava a imprensa livre. Ora, o fato de o Chavez recorrer, sistematicamente, a plebiscitos nada mais é do que um ardil para ignorar o parlamento e concentrar um poder tirânico nas mãos. Não preciso lembrar aqui que o "governo plebiscitário" costuma ser utilizado por ditadores (Fidel, Hitler, Stalin entre outros).

    Nem mesmo o exército e o judiciário escaparam desse movimento de concentração de poder. Prova inconteste desse fato, é a constatação de que a Venezuela, hoje em dia, não é sequer um Estado de Direito. A pantomima sucessória em que o vice presidente assumiu o governo antes de ser empossado (!!!!!) mesmo estando expresso na Constituição que o presidente da Câmara dos Deputados assume na ausência do presidente eleito demonstra isso. Ora, o vice presidente não é eleito, é escolhido e assumiu antes de tomar posse!!! Podem existir ditaduras de direito ou de exceção. Democracia, sob qualquer ponto de vista, só existe do tipo "de direito", onde vigora o império da lei e não do arbítrio. Entretanto, faz sentido, se o parlamento (o legislativo) não serve mais para nada, o executivo pode fazer o que bem entender. A falta de independência entre os poderes, como previa Montesquieu, degenera em tirania e arbitrariedade.

    Enfim (já ficou grande o comentário. Me desculpem), o autor, na minha opinião, está certo em falar que o regime chavista não violou (até onde se sabe, pelo menos) o direto mais básico dos cidadãos (nesse caso, o direito a vida). Entretanto, dizer que vigora um regime democrático na Venezuela somente porque há voto não me parece correto. Não existe democracia na Venezuela e isso é fruto do governo de Hugo Chavez.
  • Joel Pinheiro  02/04/2013 16:29
    O debate sobre a democracia recai sobre diferentes definições do termo.

    Entendida simplesmente como poder do povo, expresso por meio do voto, o regime de Chávez foi democrático sim.

    Em outro sentido, é mais democrático o país em que esse processo de decisão do povo é regulado por uma série de considerações formais e legais de forma a limitar o poder dos governantes.

    Nesse segundo sentido, Chávez foi pouco democrático.

    Coloquei minha provocação ali no texto porque, embora muitos (eu mesmo) sejam partidários da democracia entendida da segunda maneira, o comum é justificá-lo fazendo recurso ao mero "poder do povo" ou "vontade da maioria", que na verdade sustentam a primeira definição. Pois não nos enganemos: a maioria não está nem aí para as regras formais de exercício do poder, para a rotatividade dos governantes, etc. Assim, a democracia da segunda definição é MENOS representativa da vontade da maioria do que a primeira.

    Assim, achei que cabia a provocação.
  • Tory  02/04/2013 16:49
    Joel, esse segundo sentido de democracia não seria simplesmente a república?
  • Joel Pinheiro  02/04/2013 17:14
    Pode ser, Tory. Mas acho que hoje em dia, quem defende isso em geral o chama também de "democracia". E por isso as longas discussões sobre quem é mais democrático.

    Na minha opinião, democracia é um meio desejável para impedir governos brutais de tiranos, mas é um bem muito pequeno se comparado à liberdade de mercado, ou seja, aos direitos individuais sobre a propriedade. Idealmente, o método pelo qual os governantes são eleitos e ficam no poder, e o que fazem os próprios governantes, deveriam ser detalhes na vida das pessoas, e não o centro de nossa existência e de nossos jornais.
  • Reinaldo  02/04/2013 18:31
    Tendo a acreditar que a primeira definição ("poder do povo, expresso por meio do voto") é um resquício do conceito rosseauniano da Vontade Geral. O sistema democrático, como diria Schumpeter (e eu concordo com ele) é somente um mecanismo de validar decisões tomadas por uma minoria que está no poder. O poder nunca seria, portanto, do povo ou mesmo da maioria. Nesse sentido, um governo que legitima suas ações sob o auspício de representar a vontade da maioria tende a ser o mais tirânico porque, em paralelo, utiliza o fundamento de que a suposta vontade do povo se sobrepõe aos direitos dos indivíduos e dos grupos. Nesse cenário, temos uma minoria (sempre uma minoria no poder) que não reconhece limites às suas ações.

    A discussão passaria, portanto, por definir quais os limites da "vontade da maioria". Se a maioria decidir que os judeus devem ser assassinados, resta evidente que tal desejo não pode ser atendido. Se a maioria decide que os armênios devem ser escravizados, outro exemplo que não deve ser executado. Como esses limites são estabelecidos nas sociedades? Por meio de instituições que regulam e limitam o poder do estado e dos governantes. Essa é uma cultura que foi forjada na Idade Média quando havia a separação formal entre o poder temporal (estado) e o poder atemporal (Igreja). Não havia essa ideia no mundo antigo, no qual (nos casos famosos) vigorava uma espécie de "democracia direta". O governante, mesmo ungido por Deus, não podia desrespeitar a lei natural. A democracia liberal desenvolvida no ocidente é herdeira dessa tradição. Um governo plebiscitário que toma decisões arbitrárias somente por ser popular pode ser classificado como democracia? No Irã, a população, em peso, apoia o aiatolá. Cristãos, gays e adúlteras são enforcados em guindastes em praça pública. Sem julgamento e sem direito à defesa. Esse conceito seria tão escorregadio que permitiria a classificação do Nazismo do 3º Reich como democracia. Os EUA, nessa perspectiva, seriam menos democráticos do que a Venezuela do Chavez. Isso faz sentido? Se um mesmo conceito de governo pudesse abranger o Irã, a Alemanha Nazista e os EUA esse conceito certamente não serviria para nada.
  • K. Lincoln  02/04/2013 19:29
    Bem lembrado. lewrockwell.com/paul/paul821.html ("A Republic, not a Democracy").
  • Luciano A.  02/04/2013 16:51
    Muito bom artigo,

    gostaria de uma análise austríaca similar sobre o governo Pinochet (erros e acertos), e também sobre a Tatcher no Reino Unido. Tem algum artigo no site?
  • Ricardo  02/04/2013 17:07
    Clique no link recomendado no final do artigo. Aliás, sempre faça isso.
  • Luciano A.  02/04/2013 18:13
    Obrigado, acabei de ler o artigo do link, mas eu gostaria de ler uma análise das políticas econômicas do Pinochet e da Tatcher, pois há muitas divergências de opiniões sobre elas.

    No link, o tema em foco é sobre ditaduras de direita e esquerda e o relativismo no julgamento de cada uma. Não é o que eu procuro.
  • Bruno D  02/04/2013 17:05
    Eu não entendi a comparação entre Chavez e Pinochet,foram épocas distintas, um cenário polítio totalmente diferente.

    Havia uma guerra civil, uma tentativa de mudança de regime por grupos guerrilheiros e terroristas como em toda a AL praticamente. Inclusive todos esses regimes justificaram a definição clássica de ditadura em tempos de crise, a ação foi legitima. Todo mundo sabe disso.

    Também é claro não sou especialista em AL como por exemplo o é a Graça Salgueiro que denúnciou várias arbitrariedades, como o caso do opositor Alejandro Peña Esclusa.

    Utilizando esse argumento até o regime militar brasileiro foi pior que o Chavez em termos de violência, que matou em torno de 400 enquanto Chávez não matou nenhum, pelo menos oficialmente é claro.

    Realmente nem no quesito violência o regime de Chávez e o pós-Chavez pode ser justificado ainda.
  • Joel Pinheiro  02/04/2013 17:19
    Claro, o regime de Chávez matou e torturou bem menos que nossa ditadura, que ainda assim foi bem mais leve do que a do Chile ou da Argentina, ou de Cuba!

    Sim, os contextos são outros. Havia uma liberdade para governantes em décadas atrás que não existe mais, devido à maior circulação de informação. Mesmo em Cuba, Fidel e Raul têm que pensar muitas vezes antes de executar um dissidente que seja, coisa que antes era feita com a maior leveza.

    Ainda assim, a violência dos regimes militares segue como uma mácula injustificável sobre eles. E não me venha falar que foi violência justificada. Torturava-se e matava-se estudantes, professores, jornalistas. Gente totalmente iludida e crente em ideologias terríveis, é verdade, mas nem por isso merecedores de violência!

    Convivo muito na faculdade com gente que adere ainda a diversas ideologias de socialismo e estatismo bem radicais. Acho que estão completamente equivocados, e que suas ideias são perversas, mas será que por isso merecem prisão, tortura e morte?? É claro que não.
  • anônimo  07/04/2013 15:07
    Não se trata de merecer tortura ou morte, mas quando um grupo de guerrilheiros começa a fazer justiçamentos no meio da população humilde do meio da amazônia como fizeram n araguaia você não pode chegar lá e pedir por favor, é um pouco mais complicado.
  • Renato Souza  02/04/2013 19:50
    "regime militar brasileiro ... matou em torno de 400 ".

    OOopss! Como assim, matou 400?

    Alega-se que pouco menos que 400 esquerdistas morreram em confronto ou depois de presos. É dito que várias pessoas morreram depois de presas. Mas é um erro de lógica supor que TODOS os guerrilheiros morreram depois de presos. Eles não estavam armados? Não sabiam atirar? Se rendiam ao menor sinal de perigo?

    Terroristas marxistas mataram, durante os anos do regime militar, bem mais de cem pessoas. Inclusive, vários de seus próprios companheiros, conforme eles mesmos contaram depois. Quantos terroristas foram assassinados pelos militares (isto é, mortos depois de presos)? É difícil saber, e talvez só Deus saiba, mas intuo que possivelmente foram menos do que aqueles que os terroristas assassinaram.

    Além disso, é uma situação totalmente diferente da situação da Venezuela. Não há, nem nunca houve, o menor sinal de rebelião armada contra Chavez. Toda a sua truculência, com prisões ilegais, privação de tratamento médio a prisioneiros, censura, submissão da justiça ao executivo, uso de milicias armadas para intimidar adversários, entrega do sistema de segurança a agentes cubanos, tudo isso se dá num contexto em que há apenas oposição pacífica. Quem comete violência é ele, não só na Venezuela, mas também na Colômbia, onde é ele que sustenta as FARC que já assassinaram milhares de colombianos, e sequestraram muitos outros.

    Essa é uma situação totalmente diferente da que ocorreu no Brasil, onde grupos armados tentavam implantar um sistema totalitário, se espelhando em Cuba e na Coréia do Norte.

    Antes que algum estúpido, que não sabe ler ,diga que estou justificando atos ilegais do regime militar, o que não estou fazendo, respondo que a descrição correta e isenta dos fatos é sempre justa, e foi isso que procurei fazer. E mentir em favor doe "mocinhos" da vez é sempre injusto. Mesmo porque, só podem posar de "mocinhos" porque mentem pra caramba.
  • Bruno D  03/04/2013 01:33
    Ué? Não foi o que eu disse textualmente?

    Bom,

    Inocentes foram mortos e torturados? Claro, mas não acredito que eles eram tão inocentes assim, em uma gerra o simples contato com o inimigo já faz a pessoa um inimigo também. A visão romantica de uma guerra sem injustiças.. Numa guerra sempre haverá dessas coisas por qualquer dos lados eu ainda acredito que o exército e FAs foram bem parcimoniosos e seletivos, em uma guerra de 20 anos morrerem em torno de 400 pessoas? Pra livrar de pessoas que não estavam de brincadeira: explodindo pessoas, assaltando, roubando, justiçando e torturando também.

    E srs. por favor, uma ditadura está prevista em qualquer sistema de governo em que há desordem o corrupção da ditadura(dictator em caso de Roma por exemplo) é que não pois é a tirania: quando o ditador não devolve o governo ao sistema anterior ou ao legítimo.

    Talvez num sistema mais libertário esse tipo de movimento nem se crie. A satisfação individual e a moral bem consolidada através de contratos e acordos tácitos e licitos etc. Quem ia querer um regime socialista-comunista numa Suiça por exemplo?
  • YBS  04/04/2013 07:35
    Por isso costuma-se dizer: morreram quase 400, sendo cerca de 300 com arma na mão.
  • Marcus Benites  06/04/2013 17:37
    As mortes por tortura, ou seja, depois de rendidos e presos os guerrilheiros, são injustificáveis. No entanto, mortes oriundas de um conflito armado não podem ser vistas como abusivas. Havia um grupo que defendia uma ditadura "de direita" e que tinha tomado o poder, e outro que defendia uma ditadura "de esquerda" e que queria esse poder. Ambos os grupos armados. Nesse cenário, não há mocinhos, só vilões. Não há lado certo. Só lado errado. No entanto, torturar e matar alguém já rendido, como foi feito em alguns poucos casos, não só não tem qualquer respaldo moral como foi um tiro no pé. Hoje, com os armados do outro lado no poder, a história é recontada com "mocinhos" (sendo que eram todos vilões), e esses atos servem a convencer a massa ignorante e fácil de ser doutrinada de que havia, sim, "lado bom" e "lado mau". Sobre Chávez, só não matou porque houve resistência mais pacífica a seus arroubos e porque os tempos atuais são mais "vigiados". Até os Castro seguram sua verve sanguinária hoje. Mas aí já é outra história.
  • zanforlin  02/04/2013 17:19
    O espaço concedido para analisar a Chavez poderia diferenciar-se um pouco da mídia "adestrada" e analisar os que invadiram a Bósnia, o Afganistão, o Iraque, a Líbia, o sanguinário regime de israel contra a Palestina e agora praticam a chassina na Síria, os que montaram a farsa das torres gêmeas, do assassinato do Kenedy. Ora, ser libertário, ser racionalista é não se informar na CNN, Fox e na mídia oficial. Desculpem, mas comecei a ler e logo parei, parecia que estava a ler a mesma mídia que informa que o Irã tem bombas atômicas!
  • Cleiton  02/04/2013 18:04
    WTF? Será mais um troll?
  • K. Lincoln  02/04/2013 19:28
    não, é mais um que pensa que ser libertário é ser esquerdinha que vota no PSOL.
  • Leandro  02/04/2013 21:21
    Aproveitando a deixa, já que falaram do Iraque. Aconteceu algo bastante interessante recentemente, e que confirmou uma previsão feita pelo Rothbard ainda no ano de 1990.

    Quando ocorreu a primeira guerra do Golfo, Rothbard escreveu um artigo dizendo que o propósito da invasão do Iraque era o de aumentar o preço do petróleo. Todos devem se lembrar de que naquela época o preço do petróleo estava baixo (US$ 20 o barril, sendo que no início da década de 1980 o preço era de U$40).

    O principal "problema" era que Saddam estava trapaceando o cartel da OPEP: o volume de produção do Iraque era suficiente para quebrar os preços do cartel e, com isso, gerar grandes receitas para o Iraque. Saddam estava fazendo isso e ganhando muito dinheiro. E o preço do petróleo, por causa disso, estava em um de seus menores valores históricos.

    Rothbard sustentou essa sua acusação citando as conhecidas ligações da família Bush com as empresas petrolíferas do Texas (que estavam sofrendo com os preços baixos) e com as grandes empresas petrolíferas dos EUA, e também a visita que o presidente Bush pai havia feito aos sauditas antes da guerra, visita essa que tinha como objetivo esboçar esforços para aumentar os preços do petróleo.

    Por que estou dizendo tudo isso? Porque, na semana passada, Greg Palast, um renomado repórter investigativo, escreveu um artigo dizendo que altos oficiais do governo de W. Bush impediram todo e qualquer esforço de privatização do petróleo iraquiano após a segunda invasão. Eles não queriam de maneira nenhuma que o petróleo iraquiano ficasse sob controle privado. Mais ainda: queriam que tudo ficasse sob controle estatal. O objetivo era justamente o de impedir qualquer aumento na produtividade, algo que afetaria os lucros das petrolíferas americanas.

    Segundo Palast, a invasão do Iraque teve um só objetivo: manter a oferta de petróleo comprimida.

    Veja o artigo:

    www.vice.com/en_uk/read/the-iraqi-war-wasnt-waged-for-oil-greg-palast
  • Occam's Razor  02/04/2013 22:40
    E o petrodólar? Não entra na equação ou é secundário?
  • Joel Pinheiro  02/04/2013 18:08
    E quais as fontes você usa para ter informações sobre o que se passa no resto do mundo?
  • Joel Pinheiro  02/04/2013 18:09
    No mais, pode ter certeza que não faltam artigos críticos ao governo norte-americano aqui e nos demais sites libertários.
  • Renato Souza  02/04/2013 20:05
    A mídia é adestrada sim, mas pela esquerda. Até se permite um ou outro comentarista não esquerdista (ou não totalmente esquerdista) nos jornais, mas as notícias já trazem em si um forte viés esquerdista.

    Quanto aos EUA, se fossem miniarquistas como no passado, seriam condenados o tempo todo. Mas como as suas elites estão em processo de implantar um regime totalitário esquerdista, alguns de nossos esquerdistas tendem para eles, enquanto outros tendem para o sistema esquerdista chinês, outros para o norte-coreano, outros para o cubano, etc.
  • Marck   02/04/2013 18:24
    Sinceramente, o texto sobre a Venezuela de Chávez escrito pelo Flávio Morgenstern foi mais a fundo:

    www.implicante.org/artigos/licoes-de-hugo-chavez-ao-brasil/
  • Henrique Mareze  02/04/2013 18:30
    Gostei do final: ''Claro que sempre dá pra piorar. Imagine um chefe de estado que unisse brutalidade maior que a de Pinochet a medidas econômicas ainda mais desastrosas que as de Chávez.''
    Devemos, sim, lutar por uma sociedade mais livre. Mas, mesmo assim, tentar melhorar a qualidade de quem está lá... Não adianta dizer: ''Pra quê tirar Renan Calheiros se outro bandido vai tomar o lugar?''. Em parte, é verdade. Mas há bandidos piores que outros, embora todos sejam ruins.
    Portanto, não adianta EM NADA deixar um Calheiros, Collor ou Feliciano no poder, sabendo que somente são as pessoas que mudarão, ao invés do sistema. Porém, há àqueles que governam mais e menos; que estragam mais e menos.
  • edison  02/04/2013 18:37
    Se Fidel não precisa ser demonizado, sorte do demônio. No Brasil, entre os julgadores do mensalão um era advogado do réu José Dirceu. Advogado e juiz simultanemente. Também Levandowsky é sentinela da "lei" que protege a urna eletrônica, comprovadamente falha nos quesitos de segurança e já burlada. Em ação contestatória quanto à segurança da urna, o mesmo juiz, além de não julgar o mérito sob alegação de que existe lei protetora, multou pesadamente o titular da ação. Nem no tempo do AI 5 da ditadura militar se viu tal coisa. Se já não estamos no totalitarismo esquerdopata, não sei mais o que é totalitarismo. O resultado da ideologia esquerdopata é visível nas notícias e comentários tendenciosos da midia que torce propositalmente os eventos de revolução de 1964, transformando guerrilheiros armados em coitadinhos e heróis da "democracia" financiada por Cuba. Enquanto os "intelectuais" suavizam a intenção, o demônio não perde tempo na estratégia.
  • Carteiro Capital  02/04/2013 19:20
    Este homem tirou 5 milhões do analfabetismo e da pobreza extrema. Protegeu sua indústria contra o imperialismo e utilizou seu petróleo para promover reformas sociais na Venezuela. Hugo Chávez foi um líder inesquecível e o resistiu com seu bolivarianismo em uma América Latina que cada vez mais sucumbe ao neoliberalismo e à globalização. Tudo isso, feito sob a luz da democracia. É um feito inimaginável.

    Entretanto, há uma sempre presente velha elite reacionária ou simplesmente apaixonada por denegrir os ídolos dos pobres para perverter seu legado. Chávez estava ciente e a enfrentou com toda força, vencendo-a; diferentemente de outros governantes que outrora falharam para tal elite(Como os últimos presidentes do Paraguai e Honduras). Há quem diga que o fechamento de 9 canais de mídia venezuelanos foi um ato autoritário, porém a recente experiência da Austrália com a tragédia da liberdade de expressão demonstra como é essencial limitar a mídia devido ao seu poder de alienar o povo.

    Hugo pouco se importou com as farpas mandadas a ele durante o governo Bush e também não se vendeu ao "imperialismo manso" de Obama, típico da falsa esquerda burguesa dos EUA. Foi um homem de ferro. Sua ajuda ao governo cubano serve de demonstração que apesar de a Venezuela ter sido sua principal atenção, Chávez sabia da importância histórica da velha ilha socialista.

    Peço aos cultos que aqui se encontram para refletir sobre a boa herança chavista. Legado esse que nem mesmo o maior "cientista" reacionário é capaz de negar, independente dos absurdos e fórmulas mágicas que invente.

    Foi a morte de um líder.
  • Anarcofobico  02/04/2013 20:39
    Finalmente alguém lúcido nesse fórum! Mas, cuidado, os prosélitos do PIG estão a espreita, querendo incriminar homens que tanto produziram! Homens que assim como Fidel, Guevara, Lula e Dilma, lutaram para construir um mundo livre de alienados capitalistas! Parabenizo sua coragem e ousadia, os fundamentos de seus argumentos são inovadores e incontestáveis por essas bandas!
  • Carteiro Capital  02/04/2013 22:14
    Infelizmente, a mentalidade reacionária já dominou o país. Porém, isso apenas se mostra de forma evidente em comunidades ultra-direitistas e ultra-conservadoras(Grupos que há 20 anos nem sonhavam existir graças à visão mais realista do mal capitalista da época). Graças a alguns anos de alienação, expansão do crédito alimentada por falta de regulação no sistema bancário e uma falsa classe C escrava de sua própria dívida, o capitalismo ganhou algum crédito e seus mantenedores crescem em fama e reconhecimento.

    Temo que tais movimentos direitistas escapem da mídia e passem a influenciar outros setores da mentalidade brasileira. Se já não bastasse uma classe média egoísta, alienada e obesa pelas importações de futilidade, um fundo ideológico fascista neoliberal apenas colaboraria para o agravamento da situação.

    É preciso deixarmos claro, Anarcofóbico, a malícia e as intenções ocultas dos cientistas reacionários nas ciências econômicas(Pouparei nomes), históricas(Narloch e sua história brasileira para leigos) e filosóficas(Pondé).

    É uma baita ingenuidade acreditar que um determinado pesquisador reacionário vá honestamente construir raciocínios que não beneficiem sua classe.
    Lutemos para que não apareça um retorno ao passado e seu pensamento medieval sobre os pobres, mulheres e minorias.
  • Bruno Chevi  04/04/2013 16:48
    Prezados Senhores; vocês postaram suas mensagens atrasados! 1º de abril, foi segunda-feira!
  • zanforlin  02/04/2013 19:47

    Prezado Joel Pinheiro:

    Supondo sincero seu pedido de informações sobre outras fontes de informação, eis, abaixo, algumas delas. Você constará que umas e outras são muito "engajadas" à política do país de onde provêm, mas servem de parâmetro de confronto e contrapeso ao o que sai na mídia amestrada.
    Desde já agradeço outras fontes de informação, de coração aberto, sem sarcasmo!
    jcz



    www.atimes.com/atimes/Global_Economy/KF06Dj03.html
    futurefastforward.com/
    blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/
    www.counterpunch.com/
    www.globalresearch.ca/
    mat-rodina.blogspot.com.br/
    theeconomiccollapseblog.com/
    www.veteranstoday.com/
    www.ng.ru/
    www.rg.ru/
    www.vz.ru/
    gazetarussa.com.br/
    americanfreepress.net/
  • Leonardo Couto  02/04/2013 21:40

    Não importa se Chávez era democrata ou não. Ele era coercivo: havia impostos, havia sujeição pela força, e isto já é um mal em si, algo imoral. Acredito que a imoralidade traga punições utilitárias, então não é novidade que o aspecto utilitário de sua presença tenha sido ruim para os que estão sujeitos a ele, para desgraça e surpresa de estatistas preocupados com isso. Mas, me pergunto, é relevante saber se Chávez foi ou não democrático?

    Democracia é simplesmente a execução da coerção dirigida - pelo menos em último caso - pelo punhado majoritário de pessoas, assim como teocracia é a coerção dirigida pelos líderes religiosos, a oligocracia é dirigida por um punhado minoritário, a autocracia é pelo grupo no poder ( seja "raça" ou "classe" ). Debater os termos desta coerção significa fugir do embate ao, e até contribuir com, o grande mal que é a sua própria existência.

    Seja qual for o modus operandi da agressão, jamais se conseguirá desvinculá-la de sua própria natureza imoral. Enquanto houver essa "legitimata" da coerção, pouco diferença no seu fim vai trazer selecionar o grupo que tem o seu controle.

    Para mim, esse foi o artigo que mais destoou da natureza, pureza, da robustez de ideias e da solidez de raciocínio que caracterizam este grande site. Não sei se estou exagerando, mas é minha opinião. O IMB não pode jamais ceder em uma vírgula da convicção dos valores que o fazem tão nobre. Não que ele o tenha feito, mas artigos assim acendem, pelo menos em mim, uma luz de perigo; somado a alguns comentários. Acho que foi mais a linguagem que o autor usou que me incomodou, me pareceu meio "vejista", não sei, como que fazendo média.

    Me decepcionou muito a atribuição de um caráter "não tão violador" a Chávez pelo fato de ele ter sido, segundo o autor, democrático. Acaso a democracia não é ,como tentei dizer, em si violadora?

    Nossas ideias são outras, nossas palavras são outras, nossa visão é diferente. A nobreza de nosso combate está em acertar o real inimigo, o fruto da coerção, a cracia. Tanto é que em qualquer debate de ideias o estatismo se vê sem argumentos frente à defesa da liberdade.
    Nunca concordei com a ética de Rothbard, mas o princípio que ele alegou utilizar ao desenvolvê-la é correto, o princípio da não-agressão (se ele foi exitoso em aplicar este princípio em toda sua ética é outra história). Podemos ser contra o estado, não importa se concordamos ou não com a ética rothbardiana. Somos livres para repudiar a violação do real soberano, do estado primordial, presente em cada um. Somos livres para, indenpendente de ser anarcocapitalista - leia-se "rothbardiano" - ou não; sermos, pelo repúdio à coerção, defensores firmes da Acracia, da ausência de coerção, do não-uso de força agressora, da soberania do indivíduo.

    Espero que nossa proposta de liberdade seja plena e, por isso, louvavelmente ácrata.
  • Anarcofóbico  02/04/2013 23:13
    Os agentes da CIA mataram Hugo Chaves!!! Não bastou financiar uma mera blogueira com o intuito de afundar todo um regime!
  • Bruno D  03/04/2013 01:44
    Interessante, desde pequeno eu nunca concordei com votação por exemplo (uma ferramenta dita democrática) na escola tinha votação pra alguma coisa eu já sabia que ia perder e ficava puto com esse sistema e todfo mundo dizia não.. mas foi votação e a maioria ganhou. Se a maioria votar pela sua cabeça, e aí e justo? Não! Mas é democrático.

    Muito irônico. Assim como quando a Dilma (e o Lula) venceu e se tornou presidente, foi justo? Ela vai guiar o Brasil numa economia de mercado irá acabar com o tamanho do governo, instituir o verdadeiro federalismo, não é claro que não, mas é democrático!
  • Getulio Malveira  03/04/2013 02:01
    No geral, um texto muito bom, mas fico muito triste quando leio aqui ataques e dúvidas lançados contra Hayek, Reagan ou Thatcher. Sinceramente não entendo onde se quer chegar quando os primeiros que acusamos são justamente os que nos estão mais próximos. É como se estivéssemos alimentando a ideia de que o libertarianismo é radicalmente diferente do liberalismo clássico ou contemporâneo.

  • Joel Pinheiro  03/04/2013 03:22
    Caro, fiz uma crítica a um livro do Hayek, que considero legítima.

    Quanto a Reagan e Thatcher, sim, são, como eu disse, os melhores. Só apontei que, mesmo sendo os melhores, estão ainda longe do que propusemos. Ok, talvez eu tenha dado uma impressão negativa demais sobre eles, o que seria injustificado. Eu adoraria ter um candidato como a Thatcher no Brasil (antes do poll tax!).

    Mas o tipo de posição que eu defendo e que é defendida aqui no Mises.org.br vai muito além de qualquer coisa que eles tenham feito.
  • Getulio Malveira  03/04/2013 13:44
    Joel, eu sei que as posições austríacas e libertárias vão além de qualquer coisa que eles teriam feito. Suas críticas e pontuações são perfeitamente legítimas e nem estão entre as mais radicais que já vi - e que são igualmente legítimas e coerentes com nosso modo de pensar e o princípio que nos guia moral e politicamente. O que me preocupa é a insistência em sempre ter de marcar posição sobre isso. Isso complica muito o diálogo mesmo com pessoas de tendência liberal. Pior, faz com que liberais e libertários fiquem discutindo entre si sobre um futuro hipotético enquanto no presente real o socialismo continua a avançar.

    É só uma opinião pessoal: prefiro mil vezes o pior dos ditadores militares que o melhor dos governantes socialistas, porque o ditador agride aqueles que se-lhe opõem, mas o socialistas agride a todos, agredindo todas as liberdades individuais.

  • Joel Pinheiro  03/04/2013 21:55
    Aye, verdade. Concordo com você. Deixemos esse tipo de briga para quando ela for relevante.
  • Dam Herzog  03/04/2013 03:49
    Achei que o respeitavel articulista falou a mesma coisa que o Lula e Mercadante, Dilma Fidel, e Morales diriam do Sr. Chaves. O libertarianismo defende principios sem fazer concessão de qualquer forma. O primeiro é o principio da não agressão que diz " é ilegítimo praticar agressão contra não agressores. Outra ideia diz que o liberalismo não mata ninguém, e ninguem mata em seu nome.Trocas só voluntárias. Uso da força só se for para se defender. Eu nunca assinei nenhum contrato social permitindo autorizaçao de tributação então pago obrigatóriamente, e sou preso se não pagar. O individuo é dono do seu corpo e o fruto de seu trabalho ele deve usar em beneficio proprio. O interesse proprio é uma força mais dinamica e motivadora que o altruismo. O egoismo promove o bem geral. Nunca esquecer da maravilha do mercado totalmente livre. Então se êle adquiriu e acumulou bens deveria ter liberdade de usa-los sem nenhuma interferencia.O individuo para ser creativo precisa ter liberdade e ter a propriedade do que ganhou com o seu trabalho. O articulista Sr. Joel não sei o que ele pensa que é pior um governo que toma o que o individuo adquiriu com seu trabalho com muitos anos de luta, ou que manda prender alguem por não respeitar algum tipo de tabelamento, ou praticou coerção moral, usando milicias populares e deixando que a policia maltrate seus inimigos, desapropriando bens que você comprou, ou seja humilhação, desrespeitos aos direitos humanos OU aqueles que mataram seus oponentes numa contra-revoluçao,não por ódio mas para libertarem seus paises da servidão: Pinochet. Os governos vivem de proibições e proibições sempre favorece alguem. Drogas: a batalha perdida. Este mêdo que você sente, por não poder falar, este receio intimo, sufocar os jornais e revista, prendendo juizes no cumprimento de seus deveres, censurando a mídia, intervindo nas taxas de juros, com mercado controlado,determinando preço, tudo isto é uma agressão moral e psicologica brutal. Rir quando a alma chora, para apoiar sem titubiar os donos do poder.Tudo isto o Sr Chaves fez, não podemos ser politicamente corretos, nestes casos, pois houve sofrimento grande e nunca devemos passar a mão na cabeça de tiranos. Usou e abusou do dinheiro do povo, pois nunca é bom esquecer que tudo que o governo tem veio do povo coercitivamente. Não devemos fazer concessões, houve grandes assassinos do seculo, com Lenin, Stalin, Mao tse tung,Fidel Castro, Che Guevara, Pinochet.Fiquei muito contente quando ele morreu, pois ditador bom é debaixo da terra. Falar bem dele acho que nunca irei falar. Nosso dever e lutar para a liberdade,a democracia o Sr. Chaves usou para sufocar a liberdade. A midia brasileira apoia sempre, o governo da Republica Socialista do Brasil. Este artigo na minha opinião úm mau exemplo para o IMB, e faz o jogo dos inimigos da Liberdade.
  • Pensador de esquerda  03/04/2013 12:14
    Antes de Hugo Chávez, a Venezuela só era conhecida por suas garotinhas que ganhavam títulos de Miss Mundo. Com o camarada Chávez, aquele país deixou de ser piada e hoje figura como uma das mais respeitáveis e exemplares nações na conquista de direitos sociais básicos. O Brasil e toda a América Latina tem muito o que aprender com o legado daquele líder irretocável.
  • Dam Herzog  03/04/2013 13:14
    Venezuela no último lugar do ranking mundial da liberdade econômica
  • Marcus Benites  06/04/2013 17:48
    E o país mais violento da América Latina também. E o nono em corrupção em uma lista com 182 países. Um país que só não quebra totalmente por causa de um mercado negro que ainda o sustenta, mas que não consegue produzir sequer seu próprio alimento.
  • oneide teixeira  03/04/2013 13:20
    Desculpe tirar um pouco do foco, mas a ascensão de governos de esquerda "bolivarianos" se deve primeiramente a incompetência da direita em dar resposta as necessidades da população.

    A esquerda tomou o poder no continente não tanto por mérito seu e sim por que a direita não fez um bom trabalho quando estava no poder.

    Criticar e denunciar os males do socialismo é correto, mas e dai.

    Qual é a proposta de desenvolvimento econômico(e humano) da direita para o continente sul americano?

    Se coloquem no lugar de um eleitor-cidadão sul americano, qual é o projeto da direita para ele ascender socialmente (que é o que lhe interessa)?

    Ficar falando de economia é importante mas não basta, e diga se ate parece que é este o papel deixado para os liberais ficar apenas falando de economia enquanto os socialistas falam de tudo, facilitando muito a retórica socialista.

    Outro ponto e a divisão da direita, enquanto a esquerda é unida pela "causa" a direita se divide em meio a caprichos pessoais permitindo que a esquerda ocupe espaços.

    Sem ter uma visão sociológica completa da sociedade e consequentemente um projeto de tomada de poder prático e claro a direita vai desaparecer do continente deixando o na mão de tiranos.

  • Ali Baba  04/04/2013 15:10
    @oneide,

    Não sou de direita ou de esquerda (uma vez que isso presume que aceito um governo), mas vou tentar responder a sua pergunta (embora fale do Brasil, e não da AL).

    É muito difícil vencer a retórica de esquerda na cabeça do cidadão médio. É só pensar em quem esse cidadão médio votaria, em um candidato que promete melhorar a indústria nacional, abrir as fronteiras para concorrência, reduzir impostos das empresas e cortar benefícios assistenciais (discurso da direita), ou em um candidato que promete dominar a indústria nacional para que o industriário faça o que o governo manda, fechar as fronteiras e diminuir a concorrência com o produto externo, aumentar impostos das empresas (leia-se, dos mais ricos) para ampliar os benefícios assistenciais (discurso da esquerda).

    Veja que a sedução que a esquerda exerce sobre o cidadão médio com seu discurso é quase invencível. Alie-se a isso que a maioria dos pensadores liberais no Brasil tem um carisma absurdamente baixo (e ainda menor se comparado ao carisma dos expoentes de esquerda), e você tem a receita para a situação atual. Ninguém quer pensar no que é de fato melhor... as pessoas se contentam com o que parece melhor. O resto é futebol e carnaval.
  • Dam Herzog  03/04/2013 17:50
    Leitor assido do site IMB, não saberia como seria um plano da tomada do poder.?? O libertarianismo não é de direita ou de esquerda. É uma filosofia para frente e para cima. Então a primeira coisa a fazer é conscientizar que o socialismo é uma roubada, no rol dos palavrões. Um governo socialista só com o uso da força. Ele é inconsistente sem condições de fazer calculo economico, não consegue vitalizar o auto interesse,os laços de fraternidade do socialismo é trabalhar o minimo, fingir que trabalha e no fim receber um salario maximo que com o tempo transforma em salário minimo. Um cartaz colocado no protesto contra a yoani sanches custava 2/3 do salario do operario cubano. A partir dai é só calar a boca pois é um sistema que usar força para fazer o individuo, sabendo que quem não trabalha não come,e cumprir as metas nacionais que nunca são cumpridas. Dai em diante é só censura, reeducação dos inadaptados, e matança:é só pesquisar quantos milhões o estado socialista ja matou. Então o socialismo é um mal e nunca pode ser democratico, porque tira a liberdade criativa. 1) desconstruir a palavra. 2) Depois começar tirar as proibições, isto é aumentando a liberdade. O produto do trabalho acumulado pertence ao individuo,3) a propriedade privada será sagrada. A liberdede total levara ao, 4) mercado ideal que é o voluntario, totalmente desimpedido. O incentivo do 5)auto interesse é muitas vezes mais forte que os laços da fraternidade ou da religião, na promoção, não intencional do bem geral. Então liberdade + propriedade privada + mercado livre e desimpedido +6)supressão da força = rapido e progressiva criação de riquezas que benifícia toda a humanidade. Sabendo que os homens são desiguais e sempre serão desiguais atualmente e no futuro. Mesmo cinco irmãos da mesma familia serão sempre desiguais. A igualdade economica, intelectual,social nunca existira por que o ser humano, isto é cada individuo é uma raridade que nunca existiu antes e nunca existira no futuro, é um DNA unico. Quando nós matamos uma pessôa estamos destruindo uma raridade. É uma justificativa para o não matar. 7)Deveriamos convidar os formadores de opinião a se envolver com a filosofia do IMB. O IMB deveria usar a inteligencia do iluminado Leandro e do radical Chioca para nos dar as dicas de como nos tornar Ativista da Liberdade. Chega de Estado!!!!! Estatismo nunca mais.
  • oneide teixeira  04/04/2013 14:30
    "Leitor assido do site IMB, não saberia como seria um plano da tomada do poder.??"

    O script esta ai para qualquer um ver, e só utilizar os mesmos métodos que a esquerda utilizou para tomar o poder em todo o continente, em principio ocupar espaços na politica, na cultura etc.

    "Um governo socialista só com o uso da força." esquece da revolução cultural que esta moldando a nossa juventude a muito tempo.

    Essa coisa de não ser nem de direita nem esquerda e coisa do Kassab e do PSD.

    Denunciar as mazelas do socialismo e do estatismo e importante, mas como disse não basta, não vê que é este o papel que nos foi deixado falar apenas de economia,e como uma válvula de escape para impedir o crescimento do liberalismo.

  • anônimo  03/04/2013 22:25
    "Fidel ainda vive. E mesmo ele não precisa ser demonizado."

    O texto veio cheio de perfumarias, tentando atenuar esse governo tirano do caudilho chávez e no final o autor termina com essa frase. Pelo amor... O IMB deveria censurar isso. Sinceramente. É uma pouca vergonha.
  • Renato Souza  07/04/2013 14:53
    Realmente "Fidel não precisa ser demonizado" é de lascar. Onde alguém pretende chegar com isso. Daqui a pouco leremos "Stalin não precisa ser demonizado", "Mao não precisa ser demonizado".

    De certa forma isso é resultado do mito fundador do anarcocapitalismo. Quem supõe que os governos começaram pela tomada do poder por uma gang (é só pensar em um governo tribal, para entender o quanto essa tese é absurda) terá dificuldade em fazer diferença entre governos. Nessa visão, Mao fazia o mesmo papel que qualquer outro chefe de governo: Um sequestrador violento da sociedade. Mao (que matou talvez 60 milhões de pessoas e prendeu e torturou incontáveis)é um sequestrador mais violento. O primeiro ministro da finlândia, por exemplo, é um sequestrador menos violento, sua pena teria menos agravantes...

    Veja que esse mito fundador não é irrelevante. Mesmo que se acridite que governos são absolutamente desnecessários, a rejeição desse mito terá efeitos na análise das situações atuais.

    Numa análise mais racional, entendemos que nenhuma gang sequestrou os povos tribais. Eles simplesmente consideram que tem bens em comum (seu território, sua aldeia ou cidade, suas muralhas, suas ruas) e a existência de bens em comum implica em um governo (assim como um condomínio, um clube, uma igreja, tem de ter governo porque implicam em bens em comum: terreno, instalações, objetivos, fé, etc). Bens em comum implicam em regras, em ação comum, em governo, e geralmente resultam e justiça em comum. Essa é a origem dos governos. Eventualmente, as unidades naturais (aldeias, cidades) de um mesmo povo se unificaram em unidades políticas maiores. Tais unificações se deram tanto por convencimento (comum acordo) quando por violência. Eventualmente, as unidades políticas mais fortes atacaram outras unidades políticas, e tomaram o poder a força. Nesse intermédio, possivelmente por causa desse pecado original da tomada hostil, os governos se tornaram cada vez mais abusivos, injustos e desrespeitadores.

    Quem entende a origem dos governos dessa forma, jamais comparará um governente genocida com um governante pacífico e avesso à intrusão. O governante genocida é filho espiritual daqueles primeiros a "unificarem" os países pela violência. Um governante pacífico e liberal, é filho espiritual daqueles antigos governos tribais. Os limites que devem ter os governos são melhor percebidos pelo entendimento de quais foram os motivos e as funções desses primeiros governos tribais.

    Alguém poderá dizer: Mas será que os antigos povos não erraram na solução encontrada. Será que não deveriam ter dividido seus territórios, aldeia e cidades (ruas, muros) em propriedades privadas, com acesso através de acordos explícitos? Será que não seria melhor tornar toda a terra um conjunto de propriedade privadas?
    Bom, eu pessoalmente não acredito nisso. Mas, mesmo que alguém seja ancap, uma análise correta do passado terá conseqüencias sobre a análise do presente. Se governos não surgiram inicialmente do desrespeito e da violência, mas do desejo das pessoas de terem bens em comum (um território, um sistema de justiça, um muro), então um governo não pode ser condenado apenas por ser governo, mas só quando ele extrapola suas funções e age não como administrador (comprovadamente sua função original), mas como dono. Isso pode acontecer em qualquer sistema comum de bens: um condomínio, uma associação beneficente ou esportiva, uma igreja, uma sociedade comercial, uma sociedade anônima. Um ancap que entenda isso não dirá "derrubaremos o governo, porque ele é mal por natureza", ele dirá "certo, a propriedade comum foi maneira que vocês encontraram de tentar resolver seus problemas, mas eu proponho que essas propriedades comuns seja dividas entre todos os moradores, e administrada por acordos voluntários". Não se nega a legitimidade do sistema, apenas se propõe outro. Se eu fosse ancap, é o que eu proporia. No caso de sistemas mais opressivos, pode-se propor a separação, mesmo que por meios violentos, porque se alguém se declara governo, mas age não como administrador de bens comuns, mas como dono, ele se tornou um tirano, e pode ser derrubado até por meio da força.

    Outra conseqüencia dessa análise histórica é que se compreende que governos se tornaram abusivos principalmente no processo de crescimento do território. Os imperios são violentos e desrespeitadores por natureza. Limitações aos tamanhos dos territórios seriam uma boa medida. Poderiam ser criadas, por exemplo, federações de cidades, mas teriam de ser federações verdadeiras, das quais qualquer uma das unidades pudesse se separar sem traumas. Tais federações não precisariam ter uma lei comum (se assim preferissem), mas um conjunto de acordos bilaterias ou multilaterias que pudessem ser denunciados a qualquer tempo. Se alguém não concordasse com o governo de sua cidade, o auto-exílio não seria um trauma, porque hoje em dia você pode ir em minutos de uma cidade a outra, e portanto você não ficaria isolado de sues parentes e amigos.
  • Daniel J.  04/04/2013 12:43
    Engraçado...um homem que alçou seu país à condição de desenvolvido é cassado até na velhice(Pinochet), inclusive por gerações que não sofreram suas torturas mas gozam de seus feitos econômicos benéficos. Um ignorante corrupto violador dos direitos individuais que leva seu país à ruína é ovacionado pela população em seu velório.

    Essa "fartura de democracia" é falácia petralha. Sem o contra-peso de um núcleo inviolável de direitos individuais, a democracia se transforma em "ditadura da maioria" ( ou fica mais com essa cara, pois a democracia empre é uma ditadura da maioria) , e o Estado se agigante perante os indivíduos. exatamente como ocorreu na Venezuela.

    Esse artigo está tentando dar nó em pingo dágua, passando um pó de arroz na cara póstuma de um caudilho violador dos direitos individuais, agigantador do Estado, corrupto que condenou seu país a anos de miséria passados e por vir. Reprovado.
  • Leonardo Faccioni  04/04/2013 12:58
    "Como eu ia dizendo, Chávez foi um presidente (e por que negar-lhe o título? Por acaso a maioria não o elegeu?) autoritário, mas não foi um monstro."

    Quanto aos parênteses levantados, responda-se: pela mesma razão que Adolf Hitler, elevado ao poder total por mecanismos regulares do governo parlamentar, consta nos livros de história não como chanceler do Reich, mas como ditador feroz.

    Se formos aguardar a eliminação física massiva de adversários e o desfile ostensivo de tanques e mísseis em avenidas para caracterizar regimes de força, ficaremos a ver navios assim que Cuba e Coréia do Norte conhecerem o fim de seus ciclos atuais. Tais configurações políticas eram características do século XX e foram há muito superadas por novas e mais eficientes tecnologias de controle social - tecnologias que, ao invés de temerem a era da informação, tiram proveito desta para sua máxima eficiência.

    Eis o primeiro ponto que me preocupa no artigo. O segundo é o aparente (corrija-me, Joel, por favor, se minha leitura é equivocada) esvaziamento da defesa de valores e princípios não-utilitários em prol de uma vinculação exclusiva da avaliação do ambiente político à liberdade econômica.

    Sim, eu compreendo perfeitamente que a liberdade econômica, quando bem entendida, e a liberdade individual guardam entre si uma quase sinonímia. Já defendi essa visão em outras oportunidades. Mas é necessário um grande esforço, ao assim se posicionar, para não reforçar a ilusão de que uma simples abertura comercial ou desburocratização para empreendimentos econômicos produz, de per si, um ambiente de liberdade política. A China não mais nos permite admiti-lo. Se insistirmos nisto, ainda andaremos de mãos dadas com a New Left frankfurtiana.

    Minha terceira e final crítica à linha adotada, retomando o trecho que destaco ao abrir o comentário, é a escolha por "não demonizar" figuras públicas que, por deliberado intento, criam, propagam e mantêm infernos na Terra. Ora, sou católico e compreendo perfeitamente a louvável pretensão de combater o pecado, não o pecador, mas idéias não agem, não têm conduta, não produzem resultados per se. Para combater uma conduta, é necessário, sim, expor seus agentes. A imoralidade de uma idéia é manifesta na incoerência e na odiosidade de seus condutores, dos responsáveis por sua materialização, dos responsáveis pelas escolhas desastrosas, nos mandantes dos assassinatos em massa e dos regimes de terror psicológico (sendo este último, sim, o caso venezuelano). As conseqüências do chavismo sobre a Venezuela são monstruosas e se perpetuarão por muito, e a figura abominável de seu criador, um militar de reiterados golpismos (desde suas tentativas frustradas de golpes à velha moda gorillesca do século passado até as revoluções dentro de sua própria revolução, solapando as leis por si mesmo erigidas) e vida privada caracterizadora de suas falácias teóricas precisa, sim, ser desconstruída.
  • Leonardo Couto  04/04/2013 13:54

    Concordo, acho que as posições que devemos adotar devem ser firmes e claras. Quero dizer, precisamos mostrar que temos convicção firme nos princípios da liberdade, para ser mais bem sucedidos em demonstrar o indispensável porquê. Acho que seria bom ressaltar a reprovabilidade moral dos atos de Chávez, e então demonstrar as consequências utilitárias, frisando que são um fim aprioristicamente conhecido.

    Só uma coisa, Leonardo Faccioni, acho que quando você usou o termo "liberdade individual" quis dizer "liberdade política", não? Acho que liberdade individual diz respeito a todos os campos da vida do indivíduo, seja o material ou o das ideias.
  • Leonardo Faccioni  04/04/2013 14:24
    Leonardo Couto, entendo que se trate mesmo de liberdade individual. Reprima-se a ação econômica do indivíduo e se estará a reprimir a expressão de sua dimensão criativa (mesmo de seus ideais e convicções). Reprima-se o pensamento e se estará, do mesmo modo, a reprimir a ação econômica. Como quase qualquer expressão humana em sociedade pode, em última análise, ter resultados econômicos, e qualquer resultado econômico deriva da convicção e avaliação de homens em sociedade, interferências em quaisquer desses sentidos produzem resultados sobre ambos.

    Liberdades de pensamento, associação, expressão ou circulação jamais podem ser efetivas sob fortes amarras à ação econômica. Mesmo quando não ambicionada diretamente, a ação econômica é conseqüência daquelas possibilidades levadas a ato.
  • Leonardo Faccioni  04/04/2013 14:05
    Acrescento: é provável que nunca mais vejamos tomadas de poder com guerrilheiros esfarrapados descendo de Sierra Maestra para cercar o palácio presidencial; tampouco veremos quarteladas ao gosto da tradição latino-americana. Autoritários e totalitários de todos os matizes já compreenderam que a tomada do poder político por meios institucionais é muito mais simples, eficaz e duradoura. Isto quando sequer necessária, já que o aparelhamento indireto da "sociedade civil organizada", em simbiose com a burocracia do Estado a ponto de dispensar o controle de seus postos eletivos, é mais do que suficiente para controlar a sociedade em suas leis, regulamentos e comportamentos.

    A caracterização de regimes ditatoriais (ou da efetividade das instituições democráticas - no que se subentende a democracia liberal, regime de pesos e contrapesos de entendimento bem caracterizado pelo comentário de Reinaldo em 02/04/2013, às 16:04:11) exige, assim, um exame mais profundo que o de meros ritos e formalidades superficiais, como o meio de ascensão de seu líder ou de legitimação de seu discurso. Mais que discursos e ritos, há que enfrentar a substância de seus atos, seus meios de financiamento, braços executivos de suas políticas e resultados efetivamente obtidos. E, em tudo isso, Chávez foi um desastre anunciado por bem mais que quebrar a economia de seu país.
  • Betto Morais  04/04/2013 14:11
    A quem poder responder sobre economia e estrategia de governo na Venezuela.

    A produção de petróleo na Venezuela é praticamente constante há anos(mais de uma década), sera porquê é apenas ineficiente o seu parque industrial extrativista? ou é também uma forma de buscar um aumento de preço de uma commoditie pela escassez. Buscando assim ter esse produto tão procurado por mais tempo, preservando as reservas atuais. Consequentemente esse Governo pode esta buscando nesta politica, a "estabilidade" e como resultado o continuísmo do próprio?
  • Leandro  04/04/2013 14:21
    A Venezuela não é minha especialidade, dado que não acompanho o que acontece por lá. Mas posso dizer que uma estatal não conseguir aumentar sua produtividade e se manter encalhada é a regra, e não a exceção. Eles não produzem mais não é porque não querem, mas simplesmente porque não são capazes. E a explicação é simples.

    Agências governamentais não operam de acordo com os sinais de preços do mercado e nem de acordo com o sistema de lucros e prejuízos. Uma empresa ser gerida pelo governo significa apenas que ela opera sem precisar se sujeitar ao mecanismo de lucros e prejuízos do mercado. Todos os déficits operacionais serão cobertos pelo Tesouro, que vai utilizar o dinheiro confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Uma estatal não precisa de incentivos, pois não sofre concorrência financeira -- seus fundos, oriundos do Tesouro, não infinitos.

    Uma empresa que não é gerida privadamente, que não está sujeita a uma concorrência direta, nunca terá de enfrentar riscos genuínos e nunca terá de lidar com a possibilidade de prejuízos reais. Logo, é como se ela operasse fora do mercado, em uma dimensão paralela.

    E há também a questão política. A gerência governamental está sempre subordinada a ineficiências criadas por conchavos políticos, a esquemas de propina em licitações, a loteamentos de cargos para apadrinhados políticos e a monumentais desvios de verba -- afinal, como dito, uma estatal não busca o lucro, não precisa se submeter ao mecanismo de lucros e prejuízos do mercado, não tem concorrência e não deve transparência a ninguém.

    A Petrobras só conseguiu se sair melhor que a PDVSA porque ela tem ações em bolsa, e o governo controla apenas uns 40% de seu capital total (51% do capital votante). No entanto, bastou o PT recentemente ter politizado a empresa, que tudo já degringolou. Exatamente como explica a teoria econômica.


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