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O “acordo do Chipre” e o desenlace do sistema bancário de reservas fracionárias

O "acordo do Chipre" — que é como o arranjo tem sido amplamente rotulado pela mídia — pode representar o penúltimo ato do colapso que está ocorrendo em câmera lenta do sistema bancário de reservas fracionárias.  Este colapso começou, na prática, com a implosão das instituições de poupança e empréstimo dos EUA no final dos anos 1980. 

[N. do T.: as Savings and loan association são instituições financeiras americanas que captam fundos — e pagam juros aos seus investidores — para investi-los principalmente em hipotecas, e que podem também oferecer depósitos em conta-corrente e outros serviços bancários. A crise desse setor começou em 1986 e só acabou em 1995].

Esta tendência continuou com as crises monetárias do México em 1994, do Sudeste Asiático em 1997, da Rússia em 1998 e da Argentina em 2001, crises estas nas quais o sistema bancário de reservas fracionárias teve um papel decisivo.  O deslindamento do sistema bancário de reservas fracionárias se tornou visível até mesmo para correntistas comuns dos países desenvolvidos durante o colapso financeiro de 2008, o qual desencadeou algumas corridas bancárias a algumas das maiores e mais veneradas instituições financeiras do mundo (Northern Rock, Countrywide Financial, Bear Stearns, Lehman Brothers, Merrill Lynch, Fannie Mae, Freddie Mac, Washington Mutual, Wachovia, Citigroup e AIG).  O colapso total só foi evitado porque o Federal Reserve concedeu um pacote de socorro multitrilionário (US$16 trilhões) aos bancos americanos e também aos estrangeiros.

No entanto, de uma forma ainda mais intensa do que a inédita crise financeira de 2008, os recentes eventos no Chipre podem ter desferido o golpe moral no sistema bancário de reservas fracionárias.  Um sistema bancário de reservas fracionárias só pode continuar operando normalmente enquanto seus correntistas tiverem a plena confiança de que, independentemente das agruras financeiras que venham a acometer o banco no qual seu dinheiro está "depositado", eles sempre poderão retirar todo o seu dinheiro deste banco, a qualquer momento e sem nenhuma perda.  Em um sistema de reservas fracionárias, sistema este em que bancos operam tecnicamente insolventes (pois nunca têm dinheiro para honrar todos os seus compromissos), a confiança é tudo.  Se a confiança se esvair, o sistema entra em colapso.

Desde a Segunda Guerra Mundial, os seguros governamentais sobre depósitos bancários, lastreados pelos poderes de criação de dinheiro do banco central, passaram a ser vistos como a inabalável garantia que sanciona esta confiança.  Com efeito, por causa desta 'garantia', o sistema bancário de reservas fracionárias passou a ser visto pelos correntistas como sendo, na prática, um sistema bancário com 100% de reservas — afinal, desde a criação dos seguros para os depósitos, os correntistas passaram a agir com a tranquilidade de quem acredita que seu dinheiro de fato está "lá no banco".  "Na pior das hipóteses", pensam eles, "os bancos centrais irão simplesmente criar o dinheiro do nada".

Perversamente, as várias crises envolvendo o sistema bancário de reservas fracionárias que citei acima apenas reforçaram esta crença entre os correntistas, pois os bancos que apresentavam problemas sempre foram prontamente socorridos — especialmente os grandes e menos estáveis.  Daí surgiu a doutrina do "grande demais para quebrar".

Por causa desta doutrina, correntistas cujos depósitos estavam acima do valor garantido pelo governo — bem como pessoas que compraram títulos emitidos por bancos que querem se recapitalizar — quase sempre foram integralmente restituídos quando algum grande banco falia, pois era senso comum que a confiança em todo o sistema bancário era algo frágil e evanescente, que se quebraria e se dissiparia completamente mesmo que somente uma grande instituição falisse.

Voltando ao acordo do Chipre.  De um ponto de vista pró-livre mercado, ele está longe do ideal.  A solução livre-mercadista não envolveria restrições a saques (€300 por dia), não imporia controles de capital fascistas sobre residentes domésticos (pessoas estão sendo revistadas nos aeroportos, pois não se pode sair do país com mais de €3.000)  e investidores estrangeiros, não limitaria o uso do dinheiro (transações totais com qualquer tipo de cartão será limitadas a €5.000 por mês) e não obrigaria os pagadores de impostos do restante da zona do euro a contribuir com o pacote de socorro de €10 bilhões para os bancos do Chipre. 

Não obstante, o acordo de fato transmite uma salutar mensagem para os correntistas e credores de bancos de todo o mundo.  Tal mensagem está em obrigar tanto os correntistas cujos depósitos estão acima do valor segurado (acima de €100.000) quanto os compradores de títulos bancários a arcarem com parte do custo do pacote de socorro.

Estes credores que compraram títulos dos dois maiores bancos do Chipre perderão tudo, e já foi anunciado que os grandes correntistas do banco estatal Laiki (que foi liquidado) poderão também perder absolutamente tudo.  Já os grandes correntistas do Banco do Chipre perderão algo entre 30 e 60% de seus depósitos.  Os pequenos correntistas de ambos os bancos, cujas contas estão totalmente seguradas — pois são menores que €100.000 — não perderão nada.

O bom resultado de tudo isso é que os correntistas, tanto os segurados quanto os não-segurados, na Europa e ao redor do mundo, irão se tornar muito mais cautelosos ou até mesmo mais desconfiados ao lidar com bancos de reservas fracionadas.  Eles estarão bem mais propensos a correr aos bancos e sacar seu dinheiro ao mais mínimo sinal ou rumor de instabilidade.  Isso irá induzir os bancos a alterar radicalmente as fontes de financiamento que eles utilizam para conceder empréstimos.  A esperança é que eles diminuam a criação de dinheiro (que, em última instância, utiliza o dinheiro depositado em depósitos à vista por correntistas) e passem a utilizar mais a emissão de títulos e até mesmo seu capital próprio.

Como foi relatado na terça-feira, tal mudança de postura já vem sendo esperada por muitos analistas:

Uma possível consequência do acordo de ontem é a reação em cadeia que pode ser gerara sobre a maneira como os bancos se financiam, disseram analistas.  Bancos tipicamente se financiam por meio de alguma combinação entre depósitos de correntistas, lançamento de ações, e emissão de diversos tipos de títulos, os quais são lastreados por um conjunto de ativos de alta qualidade que vão para o balancete do financiador do banco.

A consequência do socorro ao Chipre pode ser a de que os bancos passarão a ser mais propensos a utilizar títulos condicionalmente conversíveis — contingent convertible bonds, os CoCos — para levantar dinheiro, dado que sua capacidade de sobrecarregar ativos emitindo títulos poderá ultrapassar os limites estipulados pelas regulamentações, disse Chris Bowie, da Ignis Asset Management Ltd  de Londres.

"É de se esperar algumas fugas de depósitos e uma mudança no padrão de financiamento, o qual passará a ser formado por uma combinação entre títulos, capital próprio e ações", disse Bowie, que é chefe do departamento de administração de carteira de crédito da Ignis, a qual gerencia aproximadamente US$ 110 bilhões.

Se isso de fato ocorrer, será uma mudança significativa e um passo rumo a um sistema financeiro mais de acordo com os princípios do livre mercado; um sistema financeiro no qual o radical descasamento entre o prazo de maturação de ativos e de passivos — como ocorre quando os bancos utilizam depósitos a vista para financiar empréstimos de longo prazo — é eliminado de uma vez por todas.

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Algumas crises bancárias a mais na zona do euro — especialmente uma em que os correntistas segurados sejam obrigados arcar com o socorro — irão provavelmente fazer com que a fé nos seguros governamentais dos depósitos se evapore por completo, levando junto a confiança no sistema bancário de reservas fracionárias.  E então pode ser que surja naturalmente no mercado um sistema em que títulos, ações e genuínos depósitos a prazo que não podem ser sacados antes do prazo de maturação se tornem as fontes exclusivas de financiamento para empréstimos bancários.  Depósitos à vista, movimentáveis ou não por meio de cheques ou cartão de débito (conta-corrente e poupança), seriam segregados e mantidos em depósitos bancários que realmente mantenham 100% de reservas e realizem toda uma gama de serviços de pagamento, de caixas eletrônicos a cartões de débito.

Embora esta conjectura possa soar excessivamente otimista, é fato que hoje estamos muito mais próximos de tal arranjo do que antes do "acordo do Chipre" ter sido efetivado.  É claro que estaríamos ainda mais perto se não houvesse nenhum pacote de socorro e se todo o ônus de uma quebra bancária recaísse exclusivamente sobre os credores e correntistas dos bancos falidos (em vez de ser socializado com os pagadores de impostos).  Caso isso ocorresse — isto é, caso todo o ônus ficasse para credores e correntistas —, a real natureza do sistema bancário de reservas fracionárias seria explicitada de modo que qualquer leigo entenderia.

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Veja também: Propostas para uma reforma bancária completa e estabilizadora



autor

Joseph Salerno
é o vice-presidente acadêmico do Mises Institute, professor de economia da Pace University, e editor do periódico Quarterly Journal of Austrian Economics.

 

  • Julio Heitor  28/03/2013 13:01
    No caso do Brasil, existe algum banco que, se fosse da minha vontade, eu poderia depositar meu dinheiro tendo a certeza de que este não se baseia em reservas fracionárias, eliminando a possibilidade de longo prazo de eu perder todo o meu dinheiro?

    Se não houver este banco, seria uma solução válida transformar todo o meu dinheiro em ouro?
  • Leandro  28/03/2013 13:26
    Não existe. A partir do momento que o governo autoriza (na verdade, estimula) os bancos a praticarem reservas fracionadas, aquele banco que não o fizer ficará para trás, pois não poderá pagar juros tão atrativos sobre os depósitos bancários e nem cobrar juros tão baixos nos empréstimos.

    Durante uma expansão creditícia, aquele banco que se reprimir e não embarcar na euforia simplesmente irá perder uma importante fatia de mercado. Logo, mesmo um banqueiro comedido e totalmente versado na teoria austríaca acabará sendo obrigado a entrar na farra. Se não o fizer, seus concorrentes agradecerão, tomarão seus clientes e, com isso, poderão até tirá-lo do mercado. Você simplesmente não pode se dar ao luxo de correr este risco.

    Esta é a nocividade do sistema. Ele inevitavelmente pune os prudentes, de um jeito ou de outro. Ele praticamente obriga os sensatos a se juntarem aos desatinados.
  • luiz fernando  28/03/2013 18:40
    olá Leandro!

    o que você acha dos cartões pré-pagos? estão crescendo bastante nos EUA e iniciando no Brasil.

    um abraço
    Luiz
  • Pedro Ivo  28/03/2013 13:52
    Prezado José Heitor: todos os bancos de varejo brasileiros funcionam sob reservas fracionárias. Pesquise se os bancos e associações de empréstimos ligados à cooperativas funcionam fora-das-reservas-fracionárias. Se há alguma chance da existência de um sistema bancário extra-reservas-fracionárias é ali. Mas não sei se é assim. Você vai ter que pesquisar as regras do BACEN a respeito, e depois checar nas cooperativas.

    Quanto ao ouro, você há de ter SEGURANÇA para armazená-lo, e sabendo que ouro não tem (pelo manos não ainda) liquidez no mercado de varejo. Você terá de fazer uma composição entre dinheiro para o cotidiano e ouro para poupança. Se você está disposto a isto,sim, ouro é uma opção. Se você esta pensando em títulos-de-ouro, saiba que quando der um pipoco no Brasil, seu patrimônio é, em ouro, tão rastreável quanto dinheiro no banco, e vão apreender parte do que você tem em ouro, senão tudo, pois em caso de uma quebra no Brasil, o ouro tornar-se-irá extremamente visado, pois é a maior ameaça ao sistema fiduciário estatal.

    Outra opção você encontra no interior do Brasil. Nas cidades voltadas para o agronegócio (Lucas do Rio Verde, Sinop, Anápolis, etc.) é comum as pessoas manterem sua poupança em soja, milho, sorgo, etc.. Commodities, enfim. Disse-me uma Sra. que poupa assim que não praticam reservas fracionarias com poupança em commodities. Verifique também isto.
  • TL  28/03/2013 14:54
    Prezado Pedro Ivo.

    Acredito que nem mesmo commodities estão totalmente à salvo do sistema de reservas fracionárias. Afirmo isso porque commodities (como soja, milho, . . .) são perecíveis, portanto as cooperativas não podem armazená-las por muito tempo.

    Dessa forma, acredito, que as cooperativas lastreiam as commodities (depósitos de sacos de soja, milho, trigo, . . . ) em R$ e/ou ativos financeiros.

    Por exemplo, um Sr. é arrendatário de um área de terra e recebe o arrendamento em sacos de soja (não conheci nenhum negócio de arrendamento de terras que não seja em sacos de soja por hectare). O locatário paga uma quantia de sacos de soja por hectare. Na cooperativa, no momento do pagamento, fica registrado que esse arrendatário recebeu uma quantia de sacos de soja (igual a poupança de banco – inclusive, você pode fazer transferências). Ao depositar os sacos de soja, a commoditie passa a ser propriedade da cooperativa e o depositante ganha créditos (no seu extrato sairia: você tem 1.000 sacos de sojas, por exemplo).

    A cooperativa se responsabilidade pelo resgate em dinheiro (R$) dos seus créditos de soja em qualquer dia comercial, conforme a cotação do saco de soja do dia da requisição. Às vezes o resgate pode demorar alguns dias (2 até 3 dias).

    O importante dessa história é que os sacos de soja que foram depositados não estão mais lá fisicamente. Muito provavelmente, a cooperativa já vendeu esses sacos de soja. No fundo o verdadeiro lastro dos sacos de soja são R$ e os ativos da própria cooperativa.

    Se o R$ entrar em colapso e a cooperativa for a falência, você perderá sua poupança de commodities. Por outro lado, um saco de soja é um saco de soja, independente de quanto dinheiro os bancos centrais imprimirem.
  • anônimo  28/03/2013 17:17
    TL, commodity não é só isso, ouro é commodity, prata, cobre etc
  • TL  28/03/2013 17:55
    Perfeito seu adendo Anônimo.

    Ao reler meu comentário, eu verifiquei que eu deveria ter sido mais prudente e preciso. Eu deveria ter escrito que eu somente me referia a commodities do agronegócio (grãos), depositadas em cooperativas.
  • André Luis  28/03/2013 17:29
    Me parece que o Banco Alfa opera com 104% do capital depositado em caixa/patrimônio, essa informação confere?
  • Tiago Fernandes  29/03/2013 01:17
    Também fiquei sabendo dessa informação pela revista Exame. O dinheiro em caixa em relação aos depósitos a vista seria de 106% enquanto a média de mercado é de 3%. Possui uma inadimplência bem mais baixa que a média de mercado e um crescimento de lucro mais de 5 vezes superior ao mercado. Somente a rentabilidade sobre o patrimônio é mais baixa que o mercado, representando cerca de metade (9%) da média de mercado. A reportagem diz também que o banco não opera carteira de crédito imobiliário e é considerado o banco mais seguro do país, onde o FGC deposita seus recursos nele. Será mesmo um banco sólido?
  • Julio Heitor  29/03/2013 13:33
    Caro Pedro Ivo,

    obrigado pelas suas explicações. De fato, não havia pensado na alternativa de investimento em commodities.

    Mas ainda tenho uma queda por poupar em ouro parte da minha renda e a outra parte usá-la na forma de dinheiro para custos diários/mensais.

    Abraços!
  • Randalf  28/03/2013 13:18
    "O 'acordo do Chipre' (...) pode representar o penúltimo ato do colapso que está ocorrendo em câmera lenta do sistema bancário de reservas fracionárias" - Qual é o último ato do colapso?
  • Leandro  28/03/2013 13:27
    Ué, o colapso propriamente dito. Quando algo está em (processo de) colapso, o ato final é o colapso.
  • Anônimo  28/03/2013 16:56
    O futuro guarda grandes incertezas. Manter-me-ei tímido quanto às minhas especulações, porém guardo sérias dúvidas de que haverá um verdadeiro colapso do sistema de reservas fracionárias e de seus mal-aventurados e generosos "emprestadores de última instância" cujo perigo representado ao sistema monetário já fora excelentemente supra-descrito pelo Pedro Ivo e Leandro.

    Posiciono minhas apostas no permanecimento das reservas fracionárias. Sobreviveram a 302 anos da história ocidental e hoje, em uma de suas piores - senão a pior crise, é tomado como garantido pelos analistas econômicos, banqueiros e políticos. Na realidade, considero mais provável um colapso de toda a economia a um legítimo fim do modelo bancário atual. A confiança nesse por parte de economistas é infinitamente maior que aquela que é depositada na "anarquia dos mercados" e em suas malignas "epidemias de poupança".

    É mister reconhecermos os fatores que levaram à consolidação do modelo de reservas fracionárias e à certeza de seu benefício à economia. Tomo como muito mais possível que ocorra um aumento da intervenção dos bancos centrais para salvar bancos sofrendo corrida às custas da própria economia
    Coloquemos nossas apostas em jogo. Qual destes é mais provável de entrar em colapso para que o outro exista:
    *Sistema de reservas fracionárias.
    *A própria economia.

    Alea jacta est!
  • Andre  28/03/2013 16:58
    O cartão do Euro Pacific Bank funcionaria no Brasil?

    europacbank.com/

    O Peter Schiff diz que tem 100% de lastro.
    Claro que eu não confiaria 100% nisso, imagino que a combinação ideal seria deixar a maior parte da poupança em algum lugar bem confiável, com seguro, em ouro, ou outra coisa que não desvalorize fácil, e usar esse banco só para operações do dia a dia.

    Mas o que espero que ocorra é que o Bitcoin se torne a moeda corrente mundial. Assim ninguém poderá controlar, ou pelo menos será muito difícil de controlar.

    Hoje o Bitcoin alcançou 1 bilhão de dólares em valor de mercado!!!
  • anônimo  28/03/2013 17:14
    'Assim ninguém poderá controlar'...

    Mas você não tem acompanhado as discussões, não é mesmo?
    Como é que falaram...'o bitcoin pode ser uma caixa preta com criptografia quântica, mas o mundo ao redor dele não.Na hora que os governos o quiserem considerar ilegal, ele vai ser.
  • Wagner  28/03/2013 18:01
    Compra aqueles cartões Valcambi que o Schiff ta vendendo, fácil de guardar e de usar caso um dia seja necessário.
  • zanforlin  28/03/2013 18:28
    Esses terremotos econômicos atuais têm a propriedade de levar-nos refletir sobre proposições econômicas que se lêem aqui e ali. Assim "capitalismo austríaco" parece incompatível com reservas fracionárias, desde que sistemas bancários que adotam tal prática necessitam de bancos centrais e suas funções lastimáveis.

    Por outro lado (e aí peço auxílio dos que conhecem o tema - Leandro e outros) é instigante a afirmativa de Paul Craig Roberts (encontrável em www.globalresearch.ca/the-failure-of-laissez-faire-capitalism-and-economic-dissolution-of-the-west/5328685) de que

    "Economists have failed to recognize the threat that jobs offshoring poses to economies and to economic theory itself, because economists confuse offshoring with free trade, which they believe is mutually beneficial. I will show that offshoring is the antithesis of free trade and that the doctrine of free trade itself is found to be incorrect by the latest work in trade theory. Indeed, as we reach toward a new economics, cherished assumptions and comforting theoretical conclusions will be shown to be erroneous."

    Pergunto, onde "jobs offshoring" se choca com a liberdade de mercados preconizada pela Escola Austríaca? Adiante o mesmo autor expressa que "Globalism and financial concentration have destroyed the justifications of market capitalism." A Escola Austríaca explica o limite do globalismo e da concentração financeira?

    Grato.
  • Arthur M M  28/03/2013 22:44
    Jobs offshoring não se choca com a liberdade de mercados. É como aqui em São Paulo, as muitas empresas vendem seus serviços aqui mas são dos munícipios vizinhos, para se tornarem mais competitivas. É uma questão nacional-socialista.

    Em relação ao globalismo e concentração financeira o que explica é o sistema de reservas fracionárias. Como se já não bastasse o cara ser rico e ter capital que a grande maioria não tem, ele tem um alto poder de alavancagem.

    Questiono-me se empresas estrangeiras que compram empresas no Brasil de fato tem toda a grana que eles pagam no negócio. Penso que o globalismo é natural (laissez-faire), porém essa altíssima concentração financeira só é possível com altas alavancagens, a qual só é possível com o sistema de reservas fracionárias.
  • Cristiano  28/03/2013 19:44
    O artigo é muito otimista e ignora o fato que enquanto tivermos moeda de curso forçado pelo governo, teremos os bancos e as reservas fracionadas. Elas são parte do sistema de moeda de curso forçado. Com uma moeda sólida as reservas fracionárias caem por terra.
  • Wagner  28/03/2013 20:12
    Se eu abrir um estabelecimento eu posso fazer algo tipo:

    "KG do Pão: 30.000,00 reais, 0,06g de ouro ou 0,04 bitcoin?"

    Eu ainda aceitaria a moeda de curso forçado, no caso o Real, mas por um preço muito mais alto do que em ouro ou bitcoin por exemplo.
    Se isso não for contra a lei talvez seja uma saída no futuro, "aceitar" a moeda de curso forçado apenas para satisfazer a lei mas na verdade negociar em ouro, prata ou o que o mercado decidir.
  • Cedric  01/04/2013 18:04
    Wagner, parece até que tu não conhece teu país, hahaha
    Num instante iriam "congelar os preços" ou lhe obrigar a vender, ou simplesmente confiscar os bens e etc.... Se lembra dos anos 80?
  • Lopes  28/03/2013 20:20
    Admiro a racionalidade e o conhecimento econômico incrível detido por Salerno, porém também não creio que surgirá um possível colapso do sistema de reservas fracionárias, mesmo que às custas de qualquer tipo de estabilidade bancária. Enfim, apesar de meu pessimismo, compartilho da esperança de uma política mais próxima de um livre-mercado no setor bancário no futuro;

    Há uma lacuna que separa o otimismo racional da fé cega a respeito do futuro. Salerno demonstrou com simplicidade e clareza o que um arranjo de verdadeiro livre-mercado buscaria e como tal serviria como solução dura e necessária ao atual modelo. Entretanto, lembrar-los-ei que enquanto houver como adiar uma tragédia, políticos postergá-la-ão ao infinito.
  • Anarcofobico  28/03/2013 20:32
    A verdade que toda essa crise só tem um culpado: o capitalismo! A ganância dos banqueiros e a busca frenética pelo lucro são o motivo dessa crise. Se houvesse maior controle estatal essas disparidades não ocorreriam jamais! Gostaria de aproveitar para lançar um elogio a um comentário da dignissima presidenta Dilma Rousseff que revelou o conhecimento profundo de economia que ela tem e me fez sentir seguro ao afirmar que a expansão monetária não causa inflação! O povo tem sorte por ter um presidente de elevada ciência!
  • Andre Cavalcante  28/03/2013 21:28
    kkkkk!!!!

    Fino...
  • estatista  28/03/2013 22:03
    Sem contar que o Chipre é um paraiso fiscal.
  • Blue Eyes, Na Resistencia  01/04/2013 19:46
    Eu também acredito em papai noel, coelhinho da pascoa, curupira, lobisomem... rsrsrsrsrsrs... hilário... qnto será o soldo deste nobre contribuinte petista?... rsrsrsrsrsr...
  • Occam's Razor  28/03/2013 22:06
    E com relação ao banco dos BRICS? Mais uma organização criminosa criada para salvar os bancos em apuros, certo?
  • anônimo  28/03/2013 22:16
    Quem, QUEM teve essa idéia de inventar o sistema bancário de reservas fracionárias? Como isso pode ter sido criada? Não faz sentido uma doidera dessas...
  • IRCR  28/03/2013 23:38
    Anarcofobico


    De certa forma vc está correto se vivessemos numa intervenção estatal plena como na Korea do Norte dificilmente teriamos não teriamos crise alguma, por isso sugiro que vc se mude para lá junto com o Kim Jong Un.
    Mas prefiro viver melhor... prefiro um sistema de mercado livre PLENO, pq um pseudo "mercado livre" com intervenção estatal a qual vivenciamos pelo mundo é o causador de crises.

    Apesar de não existir um pais de livre mercado PLENO os que mais chegam perto são Suiça, Australia, Nova Zelandia, Hong Kong e Singapura. Se pudesse morar em algum desses lugares moraria facil. Já para vc acho melhor logo uma Korea do Norte ou até mesmo Cuba ou quem sabe o proprio BRASIL de Dilma e PT.
  • Anarcofóbico  29/03/2013 14:40
    E abandonar meus conterrâneos? Prefiro lutar junto ao honesto PT para implantar um governo justo e consciente de suas responsabilidades. Importante exaltar também a importância do PSOL que teve como fundador ninguém menos que o ilibado e amável Achile Lollo, protetor da vida e da informação honesta!
  • Blue Eyes, Na Resistencia  01/04/2013 19:49
    Ehh... Zé Dirceu, Genoino, Delubio e cia estão ai para não te deixar mentir... sozinho... rsrsrsrsrsrsrsrsr...
  • Leandro  29/03/2013 14:23
    Uma foto pavorosa.

    Um empreendedor cuja empresa de IT possuía 850 mil euros no banco estatal Laiki, do Chipre, teve bloqueados 721 mil euros. Ele pode agora movimentar menos do que 129 mil.

    i.imgur.com/wbpomEF.png


    Veja o que ele escreveu:

    The most of circulating assets on our business Current Account are blocked.
    Over 700k of expropriated money will be used to repay country's debt. Probably we will get back about 20% of this amount in 6-7 years.

    I'm not Russian oligarch, but just European medium size IT business. Thousands of other companies around Cyprus have the same situation.

    The business is definitely ruined, all Cypriot workers to be fired.
    We are moving to small Caribbean country where authorities have more respect to people's assets. Also we are thinking about using Bitcoin to pay wages and for payments between our partners.

    https://bitcointalk.org/index.php?topic=160292.0;all
  • Cat  29/03/2013 14:37
    Li em algum lugar que as filiais dos bancos cipriotas na Inglaterra não fecharam nem determinaram limites para saques ou transferências. Moral? Os russos e quem mais podia foram lá e transferiram tudo. A classe média que se ferrou de novo... Quem manda ser teimoso e querer se virar sozinho sem a ajuda do governo?
  • Randalf  01/04/2013 17:16
    O haircut no Chipre é só feito aos depósitos (contas à ordem) ou às contas-correntes também?
  • Marcos  04/04/2013 00:34
    Não acredito que mude grande coisa. No máximo vão "pegar mais leve" por um tempo, só até a poeira baixar.

    Acredito que a única segurança que temos é o conhecimento. Se soubermos que há risco iminente de quebra no setor bancário devemos agir imediatamente antes que haja a crise. Por isso é importante acompanhar a situação econômica.
  • Fabiano  17/07/2016 16:24
    As cooperativas de crédito não seriam uma solução para esse sistema? Ou elas também fracionam reservas?


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