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O Chipre revela a realidade do sistema bancário

Durante a semana passada, analistas financeiros, economistas, políticos e correntistas bancários ao redor de todo o mundo se mostraram ultrajados com o fato de que os líderes europeus — mais especificamente os alemães, que atualmente comandam as principais decisões tomadas em Bruxelas e Frankfurt — pudessem se mostrar tão politicamente temerários, tão economicamente ignorantes e tão emocionalmente insensíveis a ponto de violar a santidade dos depósitos bancários a fim de financiar um pacote de socorro para o Chipre.

Esse coro de condenações pode ter sido decisivo em dar ao parlamento cipriota a confiança necessária para rejeitar de forma unânime as medidas impostas, na esperança de que Berlim ou a Rússia — país natal de boa parte dos correntistas dos bancos cipriotas — iriam se apressar em conceder o pacote de socorro sem exigir contrapartidas.

A decisão de tributar em 10% os depósitos acima de €100.000 e em 7% os depósitos menores que €100.000 — desta forma, infligindo dor tanto nos correntistas mais ricos quanto nos mais pobres — foi descrita quase que universalmente como uma trapalhada histórica.  No entanto, e curiosamente, o erro foi justamente o fato de os burocratas da União Europeia terem optado por fazer as coisas de modo aberto e explícito, de uma maneira que não fosse camuflada por truques financeiros.  Em vez de optarem pela inflação monetária ou por simplesmente tomar dinheiro de uns para repassar para outros, optaram por uma tributação que incide diretamente sobre aqueles que estão sendo socorridos.

Como escreveu Detlev Schlichter,

A maioria das pessoas nos países desenvolvidos já se acostumou a não se preocupar com a saúde de seu sistema bancário.  Elas foram, ao longo de décadas, condicionadas a acreditar que todos os bancos, por serem regulados pelo estado, são também protegidos pelo estado.  Sim, mas tal proteção ocorre justamente para que os bancos possam incorrer em ainda mais riscos e se tornarem ainda mais alavancados.  A "proteção" garantida pelo estado criou em todos os países um sistema bancário monstruoso que está engolindo os recursos do próprio estado.  É impossível encarar os eventos no Chipre como uma surpresa chocante em pleno 2013.

[...]

Perdoem-me, mas minha empatia pelos correntistas cipriotas é bastante limitada.  Se você é correntista de um banco cipriota, independentemente de seus depósitos serem maiores ou menores que €100.000, quem você acha que estava garantindo seus depósitos?  A Fada Madrinha?  Você realmente pensou que em um país tão minúsculo e com um sistema bancário tão bizarramente inchado — um sistema bancário que por anos, e de forma muito pública, vinha adquirindo títulos do governo grego! —, seu governo teria os recursos necessários para proteger todos os correntistas?  O socorro dos dois maiores bancos do Chipre está estimado em 60% do PIB do país!  E depois do que ocorreu na Grécia, você realmente pensou que os alemães estariam dispostos a continuar pagando sozinhos as contas de todos os outros países?

[...]

Se isso que está sendo proposto ao Chipre fosse realmente uma expropriação, como muitos estão dizendo, então o ato de se abster dessa expropriação — isto é, o expropriador simplesmente não fazer nada — significaria que a 'vítima' estaria mantendo sua propriedade, certo?  O problema é que se a União Europeia não fizesse nada nesta situação, a maioria dos correntistas, inclusive aqueles que têm menos de €100.000, seriam totalmente dizimados.  A escolha dos cipriotas, portanto, não é entre manter tudo ou pagar uma 'taxa', mas sim entre pagar uma 'taxa' ou perder praticamente tudo.

A realidade é que os correntistas do Chipre já estão pagando e continuarão pagando por todos os tipos de pacotes de socorro e de estímulos.  Seja por meio de uma baixa taxa de juros sobre seus depósitos, seja por meio de inflação monetária, de maiores impostos, de maiores custos para empréstimos, ou pelo acúmulo de uma insustentável dívida pública, os cipriotas arcarão com o fardo de sua prodigalidade incorrida no passado.  Não há como escapar.  O problema é que o plano de socorro criado para o Chipre foi transparente demais, simples demais e direto demais para sobreviver em um mundo dependente do engano, da fraude e da ofuscação.  Ele já estava morto antes mesmo de ter sido criado.

Ao redor de todo o mundo, os bancos centrais estão ativamente buscando metas de inflação propositadamente altas.  Ora, não seria a inflação monetária — que permite aos governos cobrir parte de seus déficits por meio da criação de dinheiro, medida essa que transfere poder de compra dos poupadores para os tomadores de empréstimo — uma espécie de imposto sobre depósitos?  No Reino Unido, por exemplo, os britânicos estão vivendo há três anos com uma taxa de inflação de preços de 3% e juros sobre seus depósitos de praticamente 0%.  Espera-se que tal situação continue por pelo menos mais dois anos.  Ninguém protesta.  No entanto, um imposto de 6,75% no Chipre, a ser cobrado uma só vez sobre os depósitos, é visto como um ato de suprema traição?

[Aqui vale um parênteses para fazermos um comparativo com a situação brasileira.  Um brasileiro comum que colocou seu dinheiro na poupança ganhou, de maio até hoje, 5,35%. Se ele tiver deixado o dinheiro parado na conta-corrente, ele não ganhou nada. Se ele for do tipo que tem de transacionar diariamente com dinheiro vivo — como fazem, por exemplo, trabalhadores informais —, ele também não ganhou nada.

Neste mesmo período, o INPC (que mensura a inflação para as famílias mais pobres) foi de 6,77%, os alimentos subiram 19,20%, os serviços encareceram 8,75%, e o IGP-M (que reajusta o aluguel e outros serviços, como TV a cabo) subiu 8,29%. 

Conclusão: aquele coitado que deixou o dinheiro na conta-corrente ou aquele que precisa de grandes quantias de dinheiro vivo diariamente (porque é informal) perdeu 16,10% do seu poder de compra em termos de alimentação, 7,70% em termos de aluguel, e 8,05% em termos de serviços.
]

Muitos estão lamentando o fato de que, sendo o Chipre membro da zona do euro, seu governo não pode inflacionar e desvalorizar sua moeda para sair desta enrascada.  Mas por que tal medida seria moralmente superior?  Perder uma parte de seus depósitos não é diferente de perder poder de compra por meio da desvalorização monetária e da inflação.  Ambas as medidas resultam em perda do poder aquisitivo.  Pedir para um correntista abrir mão de parte de seu dinheiro é uma atitude que ao menos lida com o problema de forma honesta e imediata. 

A mesma dinâmica é válida para os fundos de um pacote de socorro.  Suponha que a União Europeia aceite conceder mais dinheiro para socorrer os bancos do Chipre.  A consequência disso é que os cipriotas, no futuro, terão de pagar os juros e a amortização dessa dívida.  Portanto, ao aceitarem um pacote de socorro hoje, eles irão sobrecarregar as gerações futuras com um fardo cuja criação não foi responsabilidade delas.  Como isso seria justo e moralmente aceitável?

No que mais, não é correto dizer que os correntistas dos bancos cipriotas — muitos deles cidadãos russos em busca de um paraíso fiscal — são totalmente inocentes e não foram cúmplices neste comportamento imprudente de seus bancos.  Segundo relatos da Bloomberg, ao longo dos últimos cinco anos, os depósitos em euros nos bancos cipriotas apresentaram um rendimento cumulativo superior a 24%, quase o dobro do rendimento proporcionado por contas bancárias equivalentes na Alemanha.  Os bancos do Chipre foram capazes de oferecer tais retornos porque se expuseram a ativos de alto risco (como os títulos do governo grego).  O que há de tão errado em pedir que aqueles que incorreram em altos riscos com o intuito auferir retornos maiores aceitem perder algo quando suas decisões se revelam erradas?

Os cidadãos do Chipre, como membros da União Europeia, tinham a opção de colocar seus depósitos em qualquer banco da União Europeia.  Mesmo se pagarem as taxas propostas no pacote de socorro, os correntistas do Chipre — ao menos os mais antigos, aqueles que mantiveram seu dinheiro nos bancos do Chipre por um longo período de tempo — terão ganhado mais dinheiro por terem mantido sua poupança em aplicações de alto retorno nos bancos do Chipre do que se tivessem depositado nos bancos alemães, cujo retorno é bem menor.  Sendo assim, que Rubicão é esse que estamos atravessando?

O temor internacional que predominou na semana passada não era de que o cidadão comum do Chipre não mais fosse capaz de conseguir se sustentar, ou de que mafiosos russos fossem perder parte de suas questionáveis fortunas, mas sim de que uma corrida bancária no Chipre fosse levar a pânicos similares na Grécia, na Espanha ou no mundo em geral.  Como resultado, os problemas vivenciados por uma insignificante economia estão sendo vistos como uma ameaça a todo o edifício financeiro global.  Este é apenas mais um sinal de que nosso sistema financeiro atual se baseia exclusivamente na confiança — algo que, no final, pode ser totalmente efêmero.

Não obstante os insuperáveis desafios matemáticos que aqueles países extremamente endividados têm de enfrentar, os investidores seguem tendo a confiança de que os bancos centrais serão capazes de engendrar um retorno ao crescimento econômico sustentável sem criar uma inflação galopante e sem desencadear uma nova recessão por meio de um prematuro aperto monetário.  Isso, mesmo na melhor das circunstâncias, já seria uma tarefa vultosa.  Mas se um pequeno problema como o Chipre foi capaz de abalar toda essa confiança, quão robusta ela realmente é?

No final, este episódio do Chipre deixa ainda mais evidente o quão deletéria é a existência de seguros governamentais sobre depósitos bancários.  Ao oferecer a ilusão de segurança sistêmica aos depósitos bancários, as garantias governamentais acabam por encorajar a imprudência tanto dos bancos quanto dos depositantes.  Se você é um banqueiro e sabe que o governo irá proteger os depósitos de seus correntistas, qual o seu estímulo em ser prudente e não fazer apostas arriscadas no mercado?  Se você é um correntista e sabe que o governo está protegendo seu dinheiro, qual o seu estímulo em procurar se informar sobre as atitudes de seu banco?  Qual o seu estímulo em procurar bancos prudentes e em evitar bancos arrojados?  Mais ainda: qual o estímulo de um banqueiro ser prudente em vez de arrojado?

Seguros sobre depósitos fornecem aos bancos os mesmos incentivos que um seguro federal contra enchentes fornece a imobiliárias que querem construir em zonas suscetíveis a inundação.  Aversão ao risco e preferência dos consumidores são poderosas forças que poderiam trazer uma extremamente necessária disciplina ao sistema bancário.  No atual arranjo, o banco que for mais prudente e honesto perderá mercado para os imprudentes e desonestos, pois estes poderão por algum tempo oferecer retornos maiores.

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Leia tembém:

Sobre o assalto cipriota



autor

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.



  • mauricio barbosa  25/03/2013 13:15
    Os cipriotas foram iludidos iguais nós brasileiros estamos sendo e não acordamos para a realidade,até quando meu Deus esse império do mal prevalecerá.
  • Juliano  25/03/2013 13:20
    Acho complicado colocar culpa nos depositantes. Eles também são vítimas da bagunça que é o sistema bancário.

    Antes de repassar os prejuísos para os depositantes, ainda existe uma lista de culpados que devem ser responsabilizados. Os ativos do banco precisam ser vendidos, os gestores precisam ser responsabilizados, o Estado precisa arcar com sua fatia de responsabilidade usando seus ativos e também responsabilizando seus gestores.

    Adoro o Peter Schiff, mas ele está apenas considerando como alternativa a inflação monetária. A insolvência de um banco precisa ser tratada como realmente é: fraude onde as vítimas são os correntistas. Os responsáveis pelo crime precisam ser identificados e suas propriedades usadas para indenização.



  • zanforlin  25/03/2013 14:54
    Há um russo (Stanislav Mishin) que escreve em (mat-rodina.blogspot.com.br/) a maioria das vezes em inglês, cujo artigo, sobre o tema, pode fornecer outra visão sobre o "caso Chipre". Sua coluna (Mat Rodina, transliteração do cirílico- ??? ?????? ,"mãe pátria", pode afastar os que não tenham em tão alta conta o patriotismo ou que endeuzam o comando daquele pequeno país do oriente médio sobre os anglo-saxônicos ...). O quarto parágrafo é interessante pois esclarece a natureza do capital de "maioria russa" nos bancos de Chipre e informa o montante do capital inglês nesses mesmos bancos. Informação que pode ser refutada, claro...

    Lá vai o texto (desculpem postá-lo em inglês, pois meus rudimentos nesse idioma bloqueiam minha ousadia em traduzi-lo):

    Cyprus: The German Checkmate

    Many talking heads have not slept a wink or a minute in their effort to wax endlessly on the Cyprus conundrum . They point out endlessly that this could lead to runs on the banks throughout southern Europe and that this would hit Russian money the most.

    In truth, I say to you, listen not to these useful fools of the Prince of Lies. While they give you a few ounces of truth, they sell you tons of lies to lead you into the fog and away from the truth of what you are witnessing and it is something much much worse than what they are proposing.

    The truth of this move by Brussels, in other words by the Franco-Prussian alliance, is much more sinister and much more Byzantine. Let us explore.

    We are told that the majority of the money here is Russian. That is not the truth. Russian monies are over $40 billion but are mostly tied to companies not individuals, though those are not in short supply either, but the biggest investors are the British who have over $120 billion in Cyprus. So on one level this a Eurobank move to close down a perfect off shore and push out not only the external competitor Russia but also the more dangerous internal competitor the UK.

    For Russia, in all truth, this is not a disaster, it is a small gift, though it was never meant to be such. President Putin has long been talking about repatriating the various off shore funds, however, no one knew how to do it. Enter the Franco-Prussians.

    Russia is not react loudly not because it is weak or because some oligarchs are taking out hits on EU officials, though this last can not be rules out when people lose hundreds of millions of dollars to government and banker thieves. Contrare, the Russian government is quite happy with this theft and the higher corporate taxes. While not all the money will return, a large portion will and the outflow to Cyprus and the rest of Europe, which can equally be hit with the same out and out theft, will slow. Indeed Europeans will look to Russia as well as the usual US and UK safe havens.

    On top of this, Russia is now seen as the hero and Orthodox brother of Cyprus for its various loans and the EU and the Germans in particular, as the enemy. The crowds standing outside the Cypriot parliament are waving Russian flags.

    A win-win for a relatively small price.

    For the Uk, this is only a lose lose as the Franco-Prussians out maneuver them and drive them further out of Europe and thus devaluing the cause of Anglo finance. That the British will seek revenge is a given. That revenge will not be hit contracts, what it will be is the traditional British role in the world. As the UK gets further and further pushed out of direct European politics, they will take up their usual role of spoiler of the peace. The British will move to create strife and cause war.

    As for Cyprus, they are screwed regardless. By simply bringing this up for actual and realistic consideration, they have done unrepairable damage to their reputation that will take decades to fix, even as they have refused this blackmail. Of course the vote against was only the first battle and the EU is not done with them yet. Their economy, already damaged is now ruined, and thats exactly how the Franco-Prussians want it.

    The roots of their evil runs much much deeper than just theft of bank accounts.

    By destroying the credibility of Cyprus, through their puppets, they are making sure that Cyprus will be in to weak a position to grow and profit from the bonanza of gas wealth that is just now being developed. By driving the government and the economy into total ruin, the Franco-Prussians are making sure that they will be in position to become masters of that wealth. They will then attempt to route that gas to themselves and the Turks, thus further driving out the British and their North Seas gas and the Russians from the European market, while making trillions off of their own people.

    Further, by leaving the door open to further grabs of depositor cash throughout Southern Europe, they are absolutely guaranteeing bank runs and collapse. But why.

    Quite simple, actually.

    What they are creating is absolute Ruin in the PIIGS and this is what is desired. The next round of credits will be more of the Greek variety, where Brussels, as the agent of the Franco-Prussians, will take full financial control of those nations, turning them into nothing more than vassals of the reborn Charmlamainian Empire, otherwise known as the Holy Roman Empire, mark two.

    What they are doing is building Fortress Europe, first financially and than soon militarily. The military will be in the guise of keeping peace in the vassal states. They are pushing us Russians, as well as the British, Americans and Chinese out to create their own monopoly, the desires of the slave people's be damned.


  • Andre  25/03/2013 17:19
    Muito do que esse russo diz parece fazer sentido.
    Mas não sei se é teoria da conspiração.
    Mas é algo sobre o qual ponderar.


  • Felipe  25/03/2013 17:51
    Ho, que malvados esses prussianos, importunando altruístas russos! Por quê ele não diz que os prussianos são os maiores parceiros russos na Europa - financiando gasodutos e mineração?
  • Anônimo  25/03/2013 18:20
    A Rússia é, francamente, um bloco de gelo em rápido derretimento. Desde a União Soviética, sua única influência no teatro europeu consistiu ora no domínio sobre as reservas de hidrocarbonetos da Ucrânia e ora graças ao poder militar da nação.

    Nenhum país europeu possui demografia ou cultura para reviver o passado de violência e nacionalismo exacerbado. A Europa é um continente afundando contra seu próprio planejamento central, imobilizada pelo populismo de seus governantes e a eterna ameaça de seus inimigos imaginários. A população alemã, a mais rica e livre, já não compartilha dos valores coletivistas e irracionais que levaram às gerações das guerras mundiais, seu nacionalismo mora entre os mais pobres e "pseudo-nerds" da Alemanha oriental, porém é uma espécie em extinção. Chegará o momento em que eles não mais estarão para vender a Alemanha aos paraísos almejados pelos eurocratas e a UE será um sonho.

    Há milhões de problemas mais relevantes que um futuro de violência. A caríssima mão-de--obra européia, a demografia decadente, o colapso da previdência social na França e Itália e, acima de tudo, a questão bancária.
    Ao autor de tal blog, parabenizá-lo-ei pelo engenhosidade de sua hipótese. Porém devo lembrá-lo que não é preciso nenhuma teoria da conspiração para que o intervencionismo e keynesianismo tomem conta do governo, basta que haja uma democracia e ela fará o serviço de demolir a economia em prol do imediato, dos gastos estatais e do agigantamento do estado(O que já é tautológico).

    Nenhum urso polar virá do oriente tomar conta da política européia. A inteligentsia da UE provou ser mais que capaz de fazer o serviço auto-destruitivo por conta própria.
  • buno barreto  25/03/2013 15:01
    juliano tem todo o meu apoio, depois de feito tudo isso ai sim poderia-se pensar em taxar o correntista!!! ate pq a maioria deles sao leigos quanto a esse assunto e acham que o dinheiro que depositam no banco esta mesmo la!!!
  • bruno  27/03/2013 20:39
    Mas ignorância vira motivo pra escapar da punição?
  • Occam's Razor  25/03/2013 15:19
    Pra mim essa é uma das fraudes ocultas mais importantes de se revelar ativamente para as pessoas: que os bancos operam continuamente insolventes e, em caso de crises bancárias, os bancos são salvos com o dinheiro da população em geral (seja com impostos, inflação etc)
  • andre  25/03/2013 16:26
    Senhores, piorou, o Zelia fez escola:

    "Acordo do Chipre fecha banco e confisca depósitos acima de 100 mil euros"
  • Andre Cavalcante  25/03/2013 20:48
    A propósito do Schiff, o seu Euro Pacific Bank diz que opera com 100% das reservas lastreadas em ouro, mas todavia, ele mesmo diz que, quem não operar assim, vai ser engolido por aqueles que operam com reservas fracionárias.
    Estranho...

    A propósito do Chipre: afinal, houve ou não a tal corrida bancária? Era mesmo um caso pensado da UE em não mais poder (querer) financiar os países devedores (sem causar superinflação de preços, ou era burrice mesmo desse pessoal, quando propôs tal coisa?
  • Luciano  25/03/2013 21:42
    Schiff, como sempre, destruindo o mainstream econômico!

    Gostei muito do ponto que o texto ressaltou sobre a inflação brasileira:

    "[Aqui vale um parênteses para fazermos um comparativo com a situação brasileira. Um brasileiro comum que colocou seu dinheiro na poupança ganhou, de maio até hoje, 5,35%. Se ele tiver deixado o dinheiro parado na conta-corrente, ele não ganhou nada. Se ele for do tipo que tem de transacionar diariamente com dinheiro vivo — como fazem, por exemplo, trabalhadores informais —, ele também não ganhou nada.

    Neste mesmo período, o INPC (que mensura a inflação para as famílias mais pobres) foi de 6,77%, os alimentos subiram 19,20%, os serviços encareceram 8,75%, e o IGP-M (que reajusta o aluguel e outros serviços, como TV a cabo) subiu 8,29%.

    Conclusão: aquele coitado que deixou o dinheiro na conta-corrente ou aquele que precisa de grandes quantias de dinheiro vivo diariamente (porque é informal) perdeu 19,20% do seu poder de compra em termos de alimentação, 8,29% em termos de aluguel, e 8,75% em termos de serviços.]"

    Ou seja, não basta a paquidérmica carga tributária que temos, ainda perdemos nosso poder de compra unicamente graças à sanha do governo em imprimir dinheiro para sustentar seus parasitas e a enferrujada máquina pública.

    É por isso que já estou caindo na real e investindo em ouro - físico, não em certificados BM&F.

    Saudações
  • bruno d  26/03/2013 17:41
    Desculpe perguntar mas comprando ouro físico? PELA WEB? ou localmente?
  • Luciano  26/03/2013 20:13
    Sim, Bruno, é possível comprar ouro físico pela WEB.
    Eu compro por este site (www.omdtvm.com/). É bastante confiável e lá vende ouro em pequenas quantidades.

    Abraços
  • bruno d  27/03/2013 14:55
    Eh obrigado pela resposta.

    estava procurando saber como comprar em dinheiro na loja física.

    Att
  • bruno d  27/03/2013 19:32
    Sei q eh do ir na loja e comprar mas tem umas coisas (meio que absurdas) como cadastro para preencher com endereço e tudo!!!:[ vc comprar ouro e deixar ele em casa com cadastro do seu endereço... Não acho muito seguro pois pessoas mau intencionadas podem ter acesso a ele:[
  • Luciano  27/03/2013 20:06
    Mas você pode comprar nas lojas físicas também.

    Para mais informações, consulte esse artigo: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1075

    Abraços
  • Emerson  26/03/2013 03:00
    Brilhante texto, demonstra que o sistema financeiro é tão falho que de nenhuma forma parece haver uma solução mais adequada. Não sou fanático religioso, tenho uma tendencia de observar o mundo ao meu redor com pragmatismo mas, nada como a bíblia para descrever o que mais se parece o sistema financeiro atual. O que parece é que ta tudo errado e ninguém faz a mínima ideia do que fazer...

    E os reis da terra, que se prostituíram com ela, e viveram em delícias, a chorarão, e sobre ela prantearão, quando virem a fumaça do seu incêndio;

    Estando de longe pelo temor do seu tormento, dizendo: Ai! ai daquela grande babilônia, aquela forte cidade! pois numa hora veio o seu juízo.

    E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra; porque ninguém mais compra as suas mercadorias:

    Mercadorias de ouro, e de prata, e de pedras preciosas, e de pérolas, e de linho fino, e de púrpura, e de seda, e de escarlata; e toda a madeira odorífera, e todo o vaso de marfim, e todo o vaso de madeira preciosíssima, de bronze e de ferro, e de mármore;

    E canela, e perfume, e mirra, e incenso, e vinho, e azeite, e flor de farinha, e trigo, e gado, e ovelhas; e cavalos, e carros, e corpos e almas de homens.
    E o fruto do desejo da tua alma foi-se de ti; e todas as coisas gostosas e excelentes se foram de ti, e não mais as acharás.

    Os mercadores destas coisas, que com elas se enriqueceram, estarão de longe, pelo temor do seu tormento, chorando e lamentando,
    E dizendo: Ai, ai daquela grande cidade! que estava vestida de linho fino, de púrpura, de escarlata; e adornada com ouro e pedras preciosas e pérolas! porque numa hora foram assoladas tantas riquezas.

    E todo o piloto, e todo o que navega em naus, e todo o marinheiro, e todos os que negociam no mar se puseram de longe;

    E, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade é semelhante a esta grande cidade?

    E lançaram pó sobre as suas cabeças, e clamaram, chorando, e lamentando, e dizendo: Ai, ai daquela grande cidade! na qual todos os que tinham naus no mar se enriqueceram em razão da sua opulência; porque numa hora foi assolada.

    Apocalipse 18:9-19
  • Leandro  24/04/2013 15:24
    Enquanto isso, os bancos suíços, os últimos bastiões da confiabilidade, estão indo para o mesmo caminho.

    Um sujeito, muito rico, depositou ouro em um banco suíço. Agora ele quer seu ouro de volta. O banco se recusou. Disse não ter autorização para restituir o sujeito em ouro em um valor superior a 200.000 euros. Sendo assim, irá depositar euros na conta do sujeito.

    O ouro estava em uma conta separada e em nome do sujeito. Ele havia obtido a promessa de que teria seu ouro sempre que demandasse. Ele nunca foi avisado de que poderia não ter como restituir seu ouro. Isso é uma violação de contrato. O cara quer ouro e não euros.

    Isso significa que as promessas de um banco suíço não mais valem os dígitos em que foram escritas. Se você não mais pode confiar em um banco suíço, em qual banco você irá confiar? Você acha que seu dinheiro está no banco neste momento?

    kingworldnews.com/kingworldnews/KWN_DailyWeb/Entries/2013/4/23_Sinclair_-_Swiss_Bank_Just_Refused_To_Give_My_Friend_His_Gold.html
  • Lopes  24/04/2013 15:39
    O jurista diria, em sua inocência, para que tal caso fosse tratado sob formas legais pois tal ação é clara violação de contrato. Porém, o que fazer quando aquele agente que viola o combinado está agindo sob a própria asa daqueles que dominam os meios legais?

    Leandro, proponho que façamos um negócio informal: Sob a taxa de cofre anual de 2,0%, utilizaremos minha casa em Bern como reserva de ouro aos ricos sensatos da Europa, entregando-os nosso humilde certificado de depósito. Como empreendedores conscientes, sabemos que nosso negócio apenas terá sucesso se honrarmos nosso contrato. Enquanto bancos populares populares na Suíça prejudicam coitados como esse fidalgo mencionado, minha pequena moradia crescerá rapidamente conforme mais indivíduos buscarem segurança para seus depósitos em ouro, mostrando-se um negócio lucrativo a ponto de atrair competidores para saturar a crescente demanda por depósitos. Estando a situação de segurança bancária sendo desmontada até mesmo na Suíça, não vejo o motivo de tal empreendimento nosso não ser um sucesso.

    Perdoe-me por não conhecer o sistema bancário suíço, porém o que nos impede de fazer tal negócio e lucrar sobre tal falta de compromisso dos bancos suíços?
  • Julio dos Santos  24/04/2013 16:24
    Lopes, a tua ideia é ótima e faz certo tempo que eu tenho refletido um modelo de negócio neste gênero. O problema fundamental deste empreendimento é o que irá me garantir que o meu dinheiro não sumirá do teu cofre. Eu espero que o governo esteja distante deste contrato, mas, via de regra, são os estados que garantem que um contrato bancário seja cumprido na maioria dos países. Mesmo que o teu argumento seja a necessidade de manter a tua palavra para ter credibilidade e se manter no negócio, o teu prêmio em descumprir este contrato é gigantesco. Quanto maior a confiança em ti, maior será o valor em tua custódia e maior será o teu prêmio de descumprimento. Teria mais alguma garantia utilizada neste contrato?
  • Lopes  24/04/2013 16:49
    Júlio, meu empreendimento é análogo a deixar ouro sob a cama, sendo essa seu principal inimigo. Para tal, custaria uma tarifa para ser mantido no cofre. Diferentemente de depósitos bancários que rendem juros, meu banco seria uma mera caixa de armazenamento sob um custo monetário mais um custo por incerteza(O que foi mencionado em seu texto).

    Lidando com o problema que mencionaste, caso eu não tivesse seu ouro no momento do saque por tê-lo usado no passado para fins próprios, não apenas eu seria um criminoso por ter violado seu direito à propriedade e o contrato como veria meu banco ser desmoralizado, o que prejudicaria em muito os hipotéticos acionistas ou sócios graças à retirada de ouro do cofre por parte de aplicantes inseguros. Desde que exista uma defesa coerente da propriedade em nosso contexto e uma livre-entrada de competidores no setor, não haveriam grandes escândalos.

    Meu comentário acima, na realidade, foi um tanto irônico. Apenas desejava criar um cenário fictício para obter um comentário sobre o funcionamento do sistema bancário na Suíça, assunto que buscarei a respeito mais tarde.


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