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Mas afinal, o que diz a tal Yoani Sánchez?

Yoani Sánchez chegou ao Brasil sob protestos de emissários de partidos políticos nacionais ligados à ditadura cubana (PT, PCdoB, e PCB). Também por isso recebeu boas vindas de defensores da liberdade, que queriam, ao menos no Brasil, garantir a liberdade de expressão que apenas ditadores temem dar a Yoani.

Suas críticas à dinastia dos Castro foram acusadas de serem "financiadas pela CIA", sem que se explicasse por que críticas de entidades financiadas por fundos partidários de entidades moribundas deveriam ser levadas a sério. Afirmou-se que "Yoani mente", sem demonstrar uma mentira que fosse.

Mas, afinal, o que diz a tal Yoani?

Se seus "críticos" tivessem lido o blog mais influente da raça humana, ou o livro de artigos compilados De Cuba com carinho, lançado no Brasil, saberiam de uma coisa surpreendente: Yoani não fala de política.

O ideário socialista (e suas versões sem genocídio, como a social-democracia) sobrevive apenas como força simbólica contra "os poderosos" (que, no teste de realidade, são quem sustenta o enriquecimento da população). Não há grandes socialistas na Economia, não há como defender uma ditadura no Direito, não há "luta de classes" na Ciência Política. Os grandes socialistas se refugiam nas áreas dos símbolos sem aferição de resultado na realidade: as Letras, a Psicanálise, as macaqueações abstratas que fazem na Sociologia, na Filosofia, na História.

O que lemos em Yoani, ao contrário do que pregam seus "críticos" (aspas por não saberem o que criticam), não é uma defesa dos interesses americanos e do livre-mercado (que "os poderosos" de Washington não sonham em defender) financiada pela CIA. É, justamente, um passeio pela dura realidade cubana, que deixa o ideário simbólico do socialismo no seu devido lugar: um sonho adolescente totalitário, disfarçado de aversão à autoridade — quando raros jovens deixam de ser autoritários.

Seus "críticos" não devem sequer saber o nome do blog de Yoani (Generación Y, a geração dos que, não podendo ter contato com o mundo exterior, "burlaram" a burocracia dando nomes com letras estrangeiras aos filhos, como Yoani — uma geração que "viu o futuro esgotar-se antes de chegar").

Lá está a rotina de uma mulher viver cercada por homens encarregados de classificar binariamente as pessoas entre "revolucionário" e "contrarrevolucionário", vigiando os últimos em seus apartamentos. Lá se vê que "pronunciar-se é o caminho mais curto para atrair problemas".

fuga_para_cuba-300x211.jpgO que se vê não é propaganda capitalista. É apenas uma rotina em que as pessoas não se chamam mais de "companheiro", muito menos aquele "companheiro" que te fez esperar 4 horas numa fila e te atende de má vontade para enfrentar a burocracia (e é bom evitar a expressão "não aguento mais" em público ou lugares possivelmente monitorados), em que o Congresso do Partido é adiado porque nem o governo tem como alimentar e hospedar tanta gente ao mesmo tempo — e, afinal, para ditar ordens de cima e todos concordarem com a vontade de um único homem, sob palavras de ordem como "é preciso trabalhar a terra", não é preciso Congresso.

Vemos o saudosismo das revoltas por comida contra o governo enquanto se assiste novelas brasileiras — como aquela em que uma mulher que vende comida na praia constrói um grande consórcio — sonhando poder ter essa mesma liberdade. Descobrimos que o governo gasta rios de dinheiro com 138 bandeiras (corroídas pelo vento e maresia toda semana) apenas para tapar da população o painel da Seção de Interesses dos EUA do outro lado, enquanto seu povo descobre com seus filhos que pode descobrir com uma conta simples quantos frangos comeu na vida: "Ai, papai, você quer que eu acredite que antes, nos açougues, vendiam todo o frango que a gente queria…"

A internet, "tão escassa quanto a tolerância", mostra que a ditadura trata melhor os turistas que financiam a ditadura com seus dólares (pois o socialismo só produz miséria) do que os nativos, tratados como inimigos do povo e agentes da CIA, enquanto as pessoas na rua mal sabem o que é um blog. O MSN é proibido para o povo, enquanto os líderes têm acesso ao "imperialismo". Apenas 2% dos cubanos tem acesso à internet, enquanto a cifra chega a 11% no Haiti. Por que o medo de os cubanos dizerem ao mundo como é a verdade em Cuba? Ela não é uma vitória dos oprimidos?

dissidentes_cubanos-300x225.jpgIsso rende anedotas quase engraçadas, como jornalistas se calando sobre Barack Obama flexibilizar as limitações para cubano-americanos viajarem a ilha, preferindo se focar no "beisebol, na revolução bolivariana e — claro — os festejos pelo dia da imprensa cubana". Enquanto vende-se ao mundo a idéia de que as aspirações do povo cubano são a liberdade de cinco espiões cubanos presos nos EUA e a extradição de Posada Carriles, acusado de fazer explodir um avião em pleno voo em 1976, o povo ainda luta para ganhar salário na mesma moeda em que se vende a maioria dos produtos — mas essa caderneta de aspirações o PT e o PCdoB não querem folhear.

Vemos as cooperativas de trabalho rural e estudo no campo para pré-universitários gerando piolhos, alimentação de arroz e couve, completa falta de intimidade até nos banhos públicos sem cortinas, hepatite, falta de água, roubo de comida e moças fazendo sexo para conseguir notas ou "mostrar" o excedente da produção agrícola. Até a própria nudez vira "bem público" ou "objeto de uso social", onde "compartilhar" é a palavra obrigatória.

A "igualdade" do "governo para os miseráveis", que justifica, no Brasil, que os Castro (e seu braço ditatorial brasileiro) calem Yoani, garante aos cubanos uma comida pior do que de uma prisão, também impedindo que seu povo se expresse e caminhe livremente. Todo cubano é visto como um prisioneiro em uma cela maiorzinha. Junto aos altíssimos índices de suicídios, abortos e divórcios, a cifra de desempregados é muito maior nas tardes das praças do que na propaganda do governo, já que os jovens graduados reclamam das vagas de faxineiro ou "inspetor de mosquitos" que lhes são atribuídas. É o destino que o socialismo dá a tantas mentes que poderiam estar mudando o mundo e ainda enriquecendo com seu trabalho.

Enquanto o povo se sacrifica em "planos econômicos", os verdadeiros poderosos têm ar condicionado e torram combustível indo aplaudir por unanimidade atos ditatoriais, enquanto os trabalhadores não podem ter eletricidade o dia inteiro nem um refresco gelado. Deve ser contra o "Império" e a CIA que se sobe 14 andares de escada por cinco meses, e contra as "perversões da rede" que se proíbe a internet e o Facebook. Ao menos as crianças, os trouxas e os intelectuais de esquerda parecem acreditar nisso.

Não é o governo do "ariano superior", mas nesse mesmíssimo regime em que tudo está no Estado, tudo para o Estado e nada fora do Estado, os autoproclamados "revolucionários" proíbem o povo sequer de tentar ter os direitos que eles outorgam apenas a si próprios. Enquanto isso, "o povo reduziu as suas ações a um verbo moroso: esperar".

Nas lojas há escassez de produtos marinhos. Tudo bem se fosse no Tocantins ou Mato Grosso, mas em uma ilha? Claro, Cuba é a única ilha do mundo sem comunidade pesqueira — ou todos iriam para Miami. Também é proibido ter uma prancha de surf — objeto que alguns usariam para enfrentar tubarões para fugir do Éden de igualdade. Apesar da logorréia sobre o "embargo", os frangos da loja são "made in USA".

Yoani-banana.pngA infância com ajuda da União Soviética e o seu "não deixe nada no prato, Yoani" se torna um passado saudosista, transformado num presente de "coma devagar, Yoani" — enquanto os líderes têm geladeiras cheias. Até a abundante banana arrisca-se ser perdida pelos planos do Agricultor em Chefe — tão desejados por nossa intelligentsia esquerdista — impedindo o "picadinho de casca de banana", iguaria da casa. Por conseguir comprar essa caríssima e rara substância com os prêmios internacionais que recebeu por criar o blog mais influente da crosta terrestre, Yoani foi acusada de "agente da CIA". Melhor nem falar na saudade das pizzas, ou do que o povo ganha na comemoração pelos 50 anos da revolução: direito a meia libra de carne moída. Pela caderneta de racionamento.

saúde cubana é exposta: a imprensa do governo não fala da epidemia de dengue ou gripe suína em Havana, apenas explicam como tomar cuidado com o mosquito. Para que prejudicar o povo assim? Apenas para maquiar o símbolo vazio de conteúdo da imagem da medicina do país. E o que fazer depois de quatro meses sem absorventes femininos? A natureza não entende de cartelas de racionamento, e os jornais que exaltam a recuperação econômica infelizmente servem como papel higiênico, mas não como absorventes.

cuba-hospital-294x300.jpgO hospital para câncer não tem água na privada, deixando doentes terminais esperando que os próprios parentes os livrem do "aroma" (dica para terminais: tenha parentes), além de não contar com seringas descartáveis, só as bem grossas de vidro. Gaze a algodão, só via mercado negro — ambulância, só para casos absolutamente críticos.

A famosa "educação sem analfabetismo"também: os jovens desistem da universidade por não terem como custear roupas, alimentação e transporte. Podendo ter apenas um emprego (em nome da "igualdade"), é só através de empregos duplos proibidos que podem vir a ser alguém — ou seja, apenas sabotando o socialismo, que os prende na miséria.

A ortografia não vale nota, e Yoani se surpreende quando um aluno escreve "seveu" no lugar de "civil" — mas logo se acalma, lembrando que o conceito é tão alheio a essa sociedade onde os cidadãos são soldados, e não seres com direitos.

Os piores alunos vão para a área pedagógica "porque o curso é na cidade e não [se quer] uma bolsa de estudos no campo". Seus alunos mal os superam em idade, e ouve-se que "Madagascar é uma ilha na América do Sul". Dá até um alento por morar em um país em que os piores vão para a presidência, e não para a sala de aula.

Claro que, quando estrangeiros visitam a escola cheios de doações, o ambiente muda. Até a auxiliar pedagógica não exigiu que os alunos lhe dessem um pouco da merenda que trazem de casa. Só acontece um acidente quando um dos turistas, fora do script, precisou ir ao banheiro.

A meritocracia se revela na disputa quase física por dez televisores para um prédio de trezentas pessoas: ganha quem mais defende o Partido. Com prestações custando mais de um terço do salário cubano, uma velhinha comprou o seu com a certeza de que morreria antes de terminar de pagá-lo. Troca-se o "quanto você produz?" por "de qual órgão você é?" — assim se aprende as atividades contraditórias: "o ato de sobreviver e o de acatar o código penal".

cuba_paredon.jpg"'Esta é a revolução socialista dos humildes, pelos humildes e para os humildes…', anunciou Fidel Castro perto das premonitórias portas do cemitério de Colón". Enquanto "supunham que o propósito revolucionário seria que não houvesse mais gente humilde", não souberam quando a prosperidade deixaria de ser vista como contrarrevolucionária — e fala-se apenas de um teto que não seja arrancado com o vento, esse luxo burguês. A "humildade" todavia não é escolha voluntária assumida pelos que governam — eles apenas sabem que "a pobreza leva à obediência".

Enquanto se jura que a "educação e a saúde são de graça", não se percebe o quanto se trabalha para ter apenas migalhas — às vezes menos do que um senhor de escravos dá às suas posses para que continuem trabalhando. Quem pode ter algo é quem consegue, burlando o socialismo, moeda conversível, o bem que o Estado cubano mais deseja. Quem é o inimigo do povo cubano e quem só pensa em conseguir algo dos EUA, mesmo?

Com a ideologia marxista, invertem o que é roubo e o que é produção, sem perceber que um trabalhador que produz aço, níquel ou rum recebe uma minúscula porção da venda de sua produção. "O resto é diretamente para subsidiar um Estado insaciável" (segundo a Forbes, Fidel Castro já é mais rico do que Elizabeth II, sendo o oitavo governante mais rico do mundo). O preço "simbólico" de uma libra de arroz mostra que o povo é emissor, e não receptor de subsídios. Mas é este roubo que é apregoado como "salvação da desigualdade" por partidos que também nos governam.

Um boneco para carros que balança a cabeça a cada solavanco como um "sim" eterno vira piada sobre a aceitação da vontade Daquele Homem — igualzinho PT, PCdoB e PCB acataram Sua vontade no Brasil, sem ler o que diz a tal Yoani. O Homem que em 2007 declara: "quem nos dera houvesse um copo de leite ao alcance de todos" impede que os cubanos leiam livros de Economia que explicam por que a Suíça, com seus 4% de terras cultiváveis, consegue colocar o leite na boca de cada um de seus rebentos.

cuba_fome_farinas.jpgEste Homem também não explica por que recusou uma proposta de Obama para que empresas de telecomunicações americanas disponibilizassem a internet para os cubanos (um mercado no qual elas devem estar de olho há tempos). Os emissários comprados dos partidos vermelhos no Brasil também não explicaram isso ao reclamarem tanto do "embargo", nem por que Cuba não entrou na OEA e tampouco aplicou o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais ou o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, ou por que o povo não é informado da proposta de Obama, "um novo começo com Cuba".

Rouba-se material de construção do vizinho, turistas, armazéns. Rouba-se, mais aceitavelmente, o Estado: o garçom aumenta preços, o comerciante altera a lista de consumidores do mercado racionado para ficar com o que sobra. Assim se forma a calada e sobrevivente sociedade cubana, nas belíssimas palavras de Yoani: "reforçam as paredes da bolha que os protege dos discursos, mas que também os dissuade de protestar publicamente". Claro que só se conhece casos dedesencanto com o socialismo com o tempo — ninguém "que tenha passado da descrença para a lealdade, que começasse a confiar nos discursos depois de anos de críticas".

Quem dera se os discursos alimentassem a população, enquanto os Castro alimentam melhor seus tubarões do que seu povo. Todo "revolucionário" já sabe o que dirão seus líderes antes que eles emitam uma única palavra, e a "vitória" contra o "imperialismo" se reduziu a se manter tempo no poder o suficiente pra definir o destino dos avós de Yoani e também de seu filho, numa política que não é jogo de xadrez, mas cabra-cega — em que todos são chamados a resistir, mas "ninguém sabe mais muito bem a quem ou a quê".

Pessoas vão trabalhar para a polícia política, denunciando seus vizinhos, em troca de mais um lanche, que podem vender e duplicar seus proventos.

Cubano-Greve-de-Fome-300x174.jpgEnquanto a divergência política é criminalizada, avós não podem ver netos nascidos de filhos dissidentes. Famílias são separadas para nunca mais terem notícias um do outro. A palavra "liberdade" é ouvida com cuidado — pode ser uma "provocação contrarrevolucionária". A retórica serve para disfarçar o desastre socialista — uma vida pouco melhor do que uma favela com puxadinhos — e para, sendo proibida a literatura, alimentar bichos-papões, como a ameaça eterna de uma invasão americana — fábula bobalhóide em que apenas crianças, idiotas e militantes de partidos esquerdistas brasileiros acreditam.

Quem fica angustiado com isso não é o povo, mais preocupado em ter carne para comer. São apenas os que "têm lançado mão do confronto para se manter no poder". Ou para conseguir fundo partidário no Brasil.

Yoani até sugere uma tour por Cuba "no estilo cubano", para turistas que queiram viver de caderneta de racionamento (experiência impressionante relatada por Patrick Symmes), programa que nenhum financiado que grita "Yoani mente" em um centro comercial de São Paulo parece disposto sequer a ler, que dirá viver.

Como se vê, Yoani não fala de política. Não é uma emissária que busca trazer capitalismo para Cuba — e se ganha da CIA para escrever o que escreve, a CIA anda desperdiçando dinheiro.

Yoani apenas relata a vida real, ao invés da utopia dos livros que falam em "desigualdade" sem saber explicar a vantagem para um ser vivo de ser "igual" a outro miserável.

Yoani apenas é contra uma ditadura — e por isso odiada pela esquerda, só ganhando proteção daqueles que, ao contrário dela (que sequer pôde aprender sobre isso), defendem a liberdade de trabalhar e ter para si (e não para o Estado) os frutos do seu trabalho.

É mais revelador do que parece.


Artigo originalmente publicado em O Implicante



autor

Flavio Morgenstern
é colunista do site O Implicante.  Também escreve para o Ordem Livre, para o Papo de Homem e em seu blog pessoal.  Nas horas vagas, passa o cafezinho do Reinaldo Azevedo.  No Twitter, @flaviomorgen



  • Bezerra  10/03/2013 12:36
    Mises e Hayek estavam errado quando disseram que o socialismo é inviável e colapsaria. Um povo desnutrido, desarmado, desinformado e vigiado em tempo integral pelo governo não tem como se rebelar contra o governo.
  • anônimo  10/03/2013 19:36
    Mas o estado socialista cubano colapsou há muito tempo. O que ocorreu foi que colapsaram sobre seus súditos.

    Quando alguém é fortemente reprimido, ele tem duas ações padrão: ele explode, ou ele implode. Cuba implodiu. Por isso um operário deve ser colocado por lá para trabalhar sobre os escombros desta implosão. Yoani pode ser um destes operários para trabalhar na limpeza daquele país, em suas viagens para fora da ilha ela PRECISA compreender o que é a luta pela liberdade.
  • anônimo  10/03/2013 21:13
    Ah se o estado tivesse realmente implodido, as pessoas alí poderiam viajar pra outros países
  • Joao Alberto  11/03/2013 13:38
    O governo Cubano não se manteria se não recebesse ajuda externa, como a mesada da Venezuela.
  • Lucas Silva  10/04/2014 02:40
    Mas Cuba apesar de ser uma ilha, praticamente fechou suas "fronteiras" por assim dizer, os únicos meios do povo cubano sair do país é em botes improvisados até a Flórida, se todos os cubanos que não fazem parte do partido do Fidel tivessem meios de fugir de lá além de se lançarem ao mar infestado de tubarões, com certeza Cuba já estaria desabitada! não há uma fuga em massa de lá simplesmente porque não há meios!
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  10/03/2013 13:35
    Saudações, realmente,Yoani, conforme alguns exilados comentam, nada diz de tão severo em seu blog, até parece quanta maldadecom o novo modelito de socialismo,mais rosáceo,light, devidamente doutrinada pelo castrismo.
    Será que Yoani fará parte, assim como aconteceu no bloco comunismo pós muro de Berlim, Perestroica e Glasnost, do novo velho? Daquilo que o libertário tem repugância?
    Vejo que preciso lê-la mais, saber se ela pede o fim do embargo [u/] e começo do [u]bloqueio naval, chega de torniquete!Não tenho esperança de que Yoani seja algo parecido como uma libertária, pró-capitalismo, aliás, quando olho para as nações vejo o mais do mesmo, tão somente.
    Bem, quem é Yoani, o tempo dirá.
  • anônimo  10/03/2013 16:51
    Não dá pra exigir muito dela neste quesito. Enquanto ela possa ser uma excelente repórter do cotidiano cubano, esperar que seja uma excelente teórica da liberdade é esperar demais, visto a impossibilidade do acesso a tal literatura aos cidadãos daquela ilha. Mas não dá pra negar que aqueles que vivenciam as restrições do estatsimo autoritário tem uma propensão maior para serem defensores da liberdade. Basta que tenham conhecimento dos autores certos.
  • Jose Ricardo das Chagas Monteiro  10/03/2013 18:27
    Saudações, tenho minhas dúvidas, ela tem todo o acesso em seu apartamento, veja uma coisa, os seguranças são pagos por Soros, percebe o fabianismo ?
    Como disse anteriormente: o tempo é senhor da razão.
  • Mohamed Attcka Todomundo  10/03/2013 14:28
    dia q algum culturologo onesto escreva um livro sobre a cultura cubana sob o socialismo, vai se chamar ""casa grande e senzala
  • Cuba Revolução  10/03/2013 14:59
    O capitalismo é que ameaça destruir a Cuba moderna. Perder o Partido Comunista Cubano será uma derrota para a classe trabalhadora de todo o mundo.

    A revolução cubana de 1959 derrubou uma ditadura expulsando o capital estrangeiro e expropriando a burguesia, o que levou a um grande avanço social e instaurou o único estado soberano e independente do imperialismo na América Latina. De lá para cá, a política da burocracia destrói e ameaça as conquistas da revolução. Em 1992, diante da crise interna após o fim da URSS, foram anunciadas concessões ao capital com o "Plano do Período Especial" de abertura às empresas mistas e aos investimentos estrangeiros. Desde 1998, se estendeu o programa "Aperfeiçoamento empresarial", que foi aplicado às empresas estatais sob controle das FAR. Este plano implica uma autonomia relativa das empresas e a gestão em função da rentabilidade, concedendo benefícios individuais aos trabalhadores e o pagamento de salário por produtividade. Também há brechas sociais entre os setores como o turismo, em que se remunera com o CUC, moeda indexada ao dólar, e os demais trabalhadores que recebem em pesos cubanos. No plano político, há um descontentamento dos trabalhadores em relação à brecha social aberta, por ora passivo, produto da abertura econômica, e em relação ao crescimento da corrupção. Porém, como dissemos antes: "Cuba erradicou o analfabetismo e praticamente a mortalidade infantil. Para se ter uma idéia, em 2007, a taxa de mortalidade em Cuba foi de 5,3 x mil, enquanto na Venezuela de Chávez foi de 22,02 x mil. A revolução deu um grande impulso à saúde pública: em 1958, havia um médico para cada 1.100 habitantes; em 2007, era um médico para cada 159 pessoas. O índice de analfabetismo é o mais baixo de América Latina: 1,7%. Sendo que Cuba alcançou essas conquistas apesar do criminoso bloqueio econômico de 50 anos por parte dos EUA. É verdade que a burocracia castrista avançou nas medidas restauracionistas. Porém, o processo de reversão econômico e social não é para nada comparável com o acontecido no Leste Europeu, na Rússia e até mesmo na China. Para os marxistas é chave definir com clareza quando uma série de mudanças quantitativas se transforma numa qualidade distinta1". O Estado cubano destina quase 50% de seu orçamento à Educação, Saúde e Assistência Social (ONE 2009). No setor agrícola, apesar do governo impulsionar medidas em favor da exploração privada de parte das terras, estas seguem sendo propriedade estatal. Por outro lado, o Estado segue sendo o principal empregador, contando com mais de 80% da força de trabalho. Ainda que o monopólio do comércio exterior se debilitou desde a época do Período Especial, em 2003 se tomaram medidas parciais de reversão deste processo, em que se recolocou o controle de alguns setores ao Ministério o Comércio Exterior e ao Banco Central, e se abriu uma conta única para controlar as divisas e o CUC. Tampouco se restaurou a propriedade dos gusanos de Miami. São conquistas vigentes, que precisam ser defendidas. Aqueles que defendem que em Cuba teria se dado uma "restauração chinesa" ignoram o fato de que a China e o Vietnã tiveram sua restauração acelerada a partir da sua entrada na OMC. Cuba, ao contrário, segue tendo que enfrentar o embargo imperialista! Além disso, a aspiração de uma restauração chinesa, defendida por setores da burocracia castrista, é uma grande utopia, pois, sobretudo a China realizou sua restauração se beneficiando de sua enorme oferta de mão-de-obra barata e de imensos investimentos estrangeiros, o que fez com que durante a restauração capitalista o país tenha atingido altos índices de crescimento, base de sustentação do PC chinês no poder até hoje. As conseqüências da restauração capitalista em Cuba seriam catastróficas, e seu destino seria um empobrecimento e uma piora qualitativa da economia, a exemplo das demais semicolonias do Caribe, subordinadas ao imperialismo norte-americano. Isso é uma dificuldade para a burocracia cubana conduzir o processo de restauração capitalista, pois eles sabem que se isso se der, os gusanos voltarão e o PC não seguirá no poder. Tudo isso demonstra que ao contrário do que a LIT defende, o ataque às conquistas da revolução ainda está em curso, mas este processo não está completo, deixando aos revolucionários questões chave a serem defendidas.

    Se o capitalismo terminar de ser restaurado em Cuba, isso será um retrocesso enorme para a classe trabalhadora de todo o mundo, e abrirá caminho para aprofundar a nova ofensiva do imperialismo norte-americano. Ao contrário da política da LIT de instaurar uma democracia burguesa parlamentar, lutamos pela única via de combater a perspectiva da restauração capitalista: através de uma revolução política encabeçada pelos trabalhadores e camponeses, que partindo da defesa das conquistas da revolução derrote o embargo imperialista e acabe com os privilégios e a opressão política da burocracia. Isso deve se combinar à luta para que os trabalhadores e os camponeses constituam como organismo fundamental os conselhos operários de produtores e consumidores que dirijam a planificação da economia, a manutenção da propriedade estatal, a restauração do monopólio do comércio exterior pelo Estado, pela reversão da Política de Plano Especial. Portanto é chave instaurar o controle operário da produção, retirando-o das mãos da burocracia e das FAR. Combatemos o regime de partido único imposto pela burocracia, porém dando liberdade de organização política a todos os setores que defendem as conquistas da revolução de 1959, e de nenhuma maneira aos burgueses opositores. Também defendemos a mais ampla liberdade de organização sindical aos setores que busquem retomar a planificação e controle operário da produção. Para levar adiante estas tarefas faz-se necessário a construção de um partido operário internacionalista, isto é, trotskista, que enfrente resolutamente tanto o imperialismo como a burocracia governante. Chamamos ao PSTU a corrigir a sua política, que faz o jogo da política de Obama, e, retomando os ensinamentos do trotskismo, a se colocar ao lado do povo e dos trabalhadores cubanos em sua luta contra o bloqueio imperialista e pela revolução política contra a burocracia castrista. Aos leitores de nosso jornal, e a todos os companheiros independentes com os quais impulsionamos o Movimento de Mulheres Pão e Rosas, a agrupação juvenil A Plenos Pulmões, e os trabalhadores do Movimento Classe contra Classe os chamamos a discutir, divulgar e assumir esta campanha que estamos impulsionando a partir da Fração Trotskista (QI) na defesa de Cuba socialista.

    Fonte: www.cubarevolucao.org
    [Não entrem, pois o site apresenta um malware instalado pela direita neo-liberal brasileira para impedir qualquer um que busque a verdade sobre o regime cubano.

    - Um Filósofo/Típico Filósofo.

    _____________________________________________________________________________________
    (Um Filósofo/Típico Filósofo é um personagem humorístico criado com o intuito de demonstrar o atual pensamento intelectual brasileiro e satirizar os típicos jargões esquerdistas ouvidos nas escolas, universidades, visitas de supostas espiãs da CIA, reuniões da UJS, sindicatos e no governo. Qualquer semelhança com geógrafos/historiadores/economistas/filósofos/cientistas-sociais reais não é, infelizmente, mera coincidência.)
  • Brenner  10/03/2013 18:23
    Seja menos prolixo na próxima vez que for comentar.
  • josuel  11/03/2013 16:36
    O moderador do IMB deveria impedir a publicação deste tipo de lixo. Este cara não leu o texto? Fica repetindo mentiras que todo mundo já conhece.
    Se a medicina cubana é avançada, se lá tem vacina contra o câncer, então porque o Chávez morreu?
    Explica isto.
    (A canalhice da esquerda não tem limites)
  • André Luis  11/03/2013 18:07
    Gostava mais quando o típico filósofo utilizava sua própria retórica. Essa colagem não acompanhou o nível das intervenções anteriores.
  • Fabrício  11/03/2013 00:17
    Animal esse texto!

    Apenas por curiosidade, e para complementar, conheço um sujeito que recentemente retornou de Cuba; disse ele que lá vive-se melhor que aqui. Que na saúde fazem muito com pouco. Ele só esqueceu de explicar como conseguiu trocar dez rolos de papel higiênico por uma caixa de Cohiba; caixinha esta que aqui vendeu por 450 mangos. Também não conseguiu explicar como um especulador nato, como ele, consegue defender o socialismo.

    O resto vocês já sabem...
  • anônimo  11/03/2013 03:18
    Os imbecis que defendem cuba já tem uma resposta pronta pra tudo isso:é tudo culpa do embargo
  • Gustavo BNG  11/03/2013 05:48
    Socialistas são, simultaneamente, contra o embargo a Cuba E contra o Livre Mercado. (!!!!!)
    Segundo Olavo de Carvalho, trata-se de uma psicose paranóica chamada delírio de interpretação, diagnosticada pela primeira vez pelo psiquiatra francês Paul Sérieux, em 1909, no livro Les folies raisonnantes: bit.ly/YVgS6G
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  11/03/2013 10:49
    Saudações, mais ou menos, os socialistas preferem o embargo ao bloqueio; os socialistas tiram proveito da situação de embargo; os socialistas, pode chamar de coletivismo / fabianismo,já estão prontos com a nova máscara,caso queira saber como serão basta olhar para Obama,Yoani. Nem o discurso dessa turma traz algo de novo,trata-se do mais do mesmo.Obama está destruindo U.S.A com seus benesses assistencialistas; Yoani tem um discurso light pacas nos ataques aos crimes cubanos, sem proposta de libertarianista.
  • Marcus Benites  11/03/2013 20:10
    Ela não é libertarianista... Por que teria esse discurso? Ela apenas faz relatos do que vê, só isso. Teoria da conspiração enche o saco, seja de que lado for...
  • Gustavo Sauer  11/03/2013 22:52
    Prova que socialista é um ser que não consegue pensar ou apenas um desonesto intelectual.
  • anônimo  11/03/2013 10:17
    Tem duas coisas que faltam aqui
    -um fórum (sério, os comentários não substituem, fica tudo desorganizado, a mesma pergunta aparece toda semana)
    -seção de links, é muito chato ter que procurar cada artigo pelo nome do autor pra depois achar o site oficial dele ou o canal do youtube
  • Felix  11/03/2013 12:51
    Um fórum seria muito bom mesmo
  • Eduardo Bellani  11/03/2013 14:24
    Coisas que eu acho que trariam muito mais valor e eficiência para o instituto:

    * link proeminente para um FAQ
    * Forum
  • Victor  23/12/2014 16:19
    Forum signed!
  • Daniel J.  13/03/2013 13:35
    Desculpe -me o autor, mais ele cometeu grande equívoco em uma passagem.

    Onde diz "A retórica serve para disfarçar o desastre socialista — uma vida pouco melhor do que uma favela com puxadinhos " é falsa.

    Estive na ilha em 2009, e posso dizer de cadeira que a vida deles é bem pior que a grande maioria dos favelados do Brasil.
    Isso porque nosso favelados tem muito mais poder aquisitivo , escola e saúde do que eles. E a liberdade de comprar um celular, ter internet, comprar um televisor em 24 prestacoes nas casa bahia. De trabalhar em qq lugar, ou até mesmo na informalidade, sem ser preso, cassado.
    Nossos favelados tem acesso a sabonete, leite, carne, frutas. Os cubanos não tem isso, só no mercado negro, e pouco.

    Não cheguei a ver as escolas de lá, mas aqui tem escola pra todo mundo com essa penca de programas sociais do nosso governo. Mesmo sendo de péssima qualidade, só não estuda quem nao quer. Mas será que a nossa escola, de qualidade ruim, não será, ainda assim, uma escola melhor que a de Cuba, que doutrina e ensina mentiras? Acredito que sim.

    Farmacia popular em cuba? o nosso SUS, com extensa lista de medicamentos gratuitos, deixa eles no chinelo. Vejam bem, não defendo que a nossa saúde publica seja otima. Mas mesmo com todos os problemas, falta de medicos, remedios etc, atende muito melhor que o falido e precario sistema cubano. A farmacia popular deles era uma piada, uma saleta suja, porca, quase sem nenhum remedio.

    Enfim, os defensores de Cuba, em qq área que seja (educação, saude, etc) só se valem de mitos infundados. Tudo lá é horrível, precario, sujo, pobre, e vc ainda pode ser preso a qq momento. Não é uma populacao de "favelados", porque, como disse, nossos favelados tem acesso a muitas coisas. lá é uma população de miseráveis vigiados. E todos se prostituem por alguns dolares. Homens e mulheres. Enfim, tudo que está no livro da Yoni é visível com 1 semana de ilha.
  • Rafael José Caruccio  21/03/2013 07:02
    Não entendi a parte do "não existe luta de classes na Ciência Política". Depende do marco teórico-metodológico de um projeto de pesquisa. Se o pesquisador utilizar esta categoria de análise, haverá.
  • Caio Bustani  03/09/2013 10:20
    Bom, quero só comentar duas coisas. A primeira é que dizer que Yoani "não fala de política" não é completamente verdade até que se defina o que é falar de política. Afinal a própria apresentação do Blog refere-se a um contexto histórico e social que remete à política. A saber:

    "Geração Y é um Blog inspirado em pessoas como eu, com nomes que começam ou contem um ípsilon. Nascidas na Cuba dos anos 70 e 80, marcadas pelas escolas rurais, bonequinhos russos, saídas ilegais e frustração."

    Aceito o argumento de que certos posicionamentos políticos derivados do blog não foram propostos por ela, mas dizer que não é política é forçar a barra. (ao menos para mim!)

    O segundo ponto é que percebo uma confusão e uma certa inércia histórica na interpretação de alguns termos. Até onde eu sei Socialismo não é sinônimo de ditadura. Socialismo e Capitalismo são modelos econômicos enquanto Ditadura e Democracia pertencem à esfera do Governo. É compreensível (e de se esperar) que estas duas esferas mantenham uma relação bastante próxima mas elas não estão necessariamente acopladas em um arranjo específico.

    Desde modo peço um pouco mais de calma na hora de jogar tudo na vala. Se o governo "dos Castros" há de ser criticado, que o seja, mas reserve melhores argumentos para criticar o Socialismo, se for o caso. Até por que pode ser que "não haja grandes socialistas na Economia", mas há ao menos uma grande economia socialista - a China - que é, sem sombra de dúvidas, um interessante objeto de estudos.

    Não me considero Socialista e me ofenderia se os meus argumentos fossem tratados como "macaqueações abstrata". Só acho importante que o abandono do debate enviesado pois enquanto apontamos os nossos dedos a coisa vai mal pra muita gente, independente do regime de governo, do modelo econômico ou da tendência ao "destrismo/canhotismo" político.

    Saudações.
  • 5 minutos de ira!!!  07/11/2018 12:52
    Gostaria que todos revisitassem essa postagem pra lembrar da repressão que houve na passagem dessa blogueira pelo Brasil.

    Cabelo puxado, dólar esfregado na cara, impedida de rodar filme na Bahia.

    Acredito que isso seja importante diante das alegações de que viveremos repressão a partir do próximo governo.......... e antes, então, não havia repressão!?!?!?!
    A repressão se houver, só terá mudado de lado!!!!!
  • Irônico  07/11/2018 15:07
    É que a nossa mídia é muito séria. Por isso noticiaram isso durante um mês pra ninguém esquecer.


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