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Manipular juros não gera crescimento econômico

É até possível que haja alguns políticos e burocratas que tenham conhecimento de alguns inexoráveis princípios econômicos, mas é fato que a maioria se deixa guiar apenas por aquela mística sensação gerada pelo poder político.  Eles legislam e regulam qualquer atividade ou fenômeno econômico que chame sua atenção.  A taxa de juros, que é o preço dos empréstimos, é um dos principais exemplos desta concupiscência pelo poder.

Desde o surgimento da história documentada, a taxa de juros tem sido o objeto que os políticos mais desejam controlar.  Na Grécia antiga, os estadista e legislador ateniense Sólon proibiu a cobrança de juros em alguns mercados.  Os judeus antigos, a Igreja Cristã, e o Islamismo chamavam este fenômeno de usura e proibiram sua prática entre seus congregados.  Quando a proibição finalmente foi revogada nos países ocidentais, as taxas de juros passaram a ser rigidamente fixadas ou estreitamente limitadas pelos governos ou por seus bancos centrais.  Os juros raramente foram deixados a cargo da livre interação das forças do mercado.

Em uma economia livre, na qual não houvesse uma agência governamental com a função de manipular os juros, estes teriam uma função similar àquela desempenhada pelos preços e pelos salários.  Juros, preços e salários surgem naturalmente das escolhas e dos juízos de valor feitos pelas pessoas.  E suas escolhas e juízos de valor dão origem ao fenômeno da "oferta e demanda", que é o que guiará os produtores em suas decisões sobre a amplitude do investimento que devem fazer e o tipo de atividade econômica a que devem se dedicar.  A taxa de juros informa aos empreendedores a quantidade de recursos escassos disponíveis para serem investidos (ou seja, o capital), além de como eles devem utilizar este capital limitado ao longo do tempo — se ele deve utilizá-lo na produção para bens de consumo presentes ou se ele deve investi-lo para satisfazer aqueles desejos que os consumidores manifestarão mais no futuro.  A função básica da taxa de juros, portanto, é guiar as decisões empreendedoriais.

A taxa de juros de mercado é uma taxa bruta normalmente formada por três componentes distintos: a taxa pura, a taxa de inflação, e o prêmio de risco em decorrência da chance de o empréstimo não ser pago

A taxa pura advém da simples realidade de que o homem é um ser mortal, o que o obriga a acrescentar o fator tempo em todos os fenômenos econômicos por ele vivenciados.  Sendo assim, o homem atribui um valor menor para bens futuros em relação ao presente.  Em outras palavras, tudo o mais constante, o homem prefere ter um bem hoje a ter este mesmo bem em uma data futura.  Logo, ele valora um bem presente de maneira mais alta do que este mesmo bem no futuro.  Ou, o que dá no mesmo, para abrir mão de um bem presente em troca de tê-lo de volta apenas no futuro, ele irá cobrar algo por isso.

Já o componente inflacionário surge sempre que Banco Central inflaciona e deprecia a moeda.  A taxa de depreciação da moeda — mais especificamente, o quanto o emprestador imagina que a moeda será depreciada durante seu empréstimo — determina o tamanho deste componente.

Por fim, o prêmio de risco reflete a confiabilidade e a solvência do devedor.

O Banco Central, que legalmente possui a responsabilidade de manter as condições monetárias e creditícias favoráveis a uma economia robusta, raramente presta atenção à taxa de juros de mercado.  Suas políticas são guiadas por doutrinas populistas que clamam pelo contínuo estímulo ao emprego e à renda.  O Banco Central é alheio ao fato de que todas as taxas que não sejam determinadas pelo mercado fornecem sinais errôneos aos produtores e consumidores.  Elas estimulam investimentos errôneos e insustentáveis, que geram desperdício de capital e subsequente empobrecimento.

Quando o Banco Central estipula uma taxa de juros menor do que as taxas de mercado, ele está estimulando o aumento da demanda por crédito.  Empreendedores tomam empréstimos para investir em projetos de mais longo prazo (quanto menores os juros, mais rentáveis passam a ser os projetos de longo prazo).  Ao mesmo tempo, os consumidores também se aproveitam dos juros baixos para se endividar e aumentar seu nível de consumo.  A expansão do crédito aumenta aceleradamente.  Esta maior demanda tanto por bens de consumo da parte dos consumidores quanto por bens de capital da parte dos empreendedores gera três efeitos: a taxa de desemprego cai, os salários aumentam e os preços sobem.

Esta expansão do crédito, que ocorreu por meio da simples criação de dinheiro do nada (tanto pelo Banco Central quanto pelo sistema bancário de reservas fracionárias) e que ocorreu sem que houvesse nenhum aumento na poupança, gera ganhos monetários ilusórios.  Como a quantidade de dinheiro na economia cresce a taxas altas, as pessoas passam a ganhar dinheiro com mais facilidades.  Elas genuinamente creem que estão vivendo um momento de prosperidade perene.  Elas genuinamente creem que estão mais ricas do que realmente são.  Durante este período de expansão do crédito, os preços das ações e dos imóveis disparam, o que atrai vários especuladores para este mercado em busca de ganhos fáceis.  As construções e as reformas de imóveis viram febre.  Quem está no setor aufere ganhos invejáveis.  No entanto, todos os indivíduos, empreendedores e investidores, executivos e trabalhadores, estão apenas consumindo seu capital. 

Em um dado momento, em decorrência de toda essa expansão creditícia e monetária, preços e salários começam a apresentar uma aceleração mais forte.  Ato contínuo, o Banco Central eleva os juros para conter esta escalada de preços.  Os bancos restringem seus empréstimos.  A quantidade de dinheiro na economia passa então a crescer a taxas menores.  Com empresas e indivíduos endividados, preços em alta, e uma menor quantidade de dinheiro entrando na economia, gastos e investimentos são reduzidos. Empreendimentos vultosos descobrem que não têm aquela demanda que inicialmente havia sido imaginada.  Vários são liquidados.  Alguns imóveis ficam inacabados.  Recursos escassos — como matérias-primas e materiais de construção — foram desperdiçados.  Houve uma destruição de capital.  A economia está mais pobre.

Neste momento, o Banco Central pode tentar reativar a economia reduzindo novamente a taxa básica de juros, na esperança de reestimular a atividade econômica.  No entanto, dependendo da intensidade com que se deu a expansão econômica anterior, esta medida será inócua. 

A redução da taxa básica de juros durante uma recessão tende a ter seu efeito expansionista frustrado pela incerteza econômica.  A incerteza desencoraja novos endividamentos.  O temor quanto à duração da recessão pode até mesmo induzir os devedores a reduzir suas dívidas, o que reduzirá o volume de gastos na economia, levando a menores receita para as empresas, dificultando ainda mais sua situação. 

Adicionalmente, em um ambiente de adversidade e incerteza, os credores tendem a elevar os juros cobrados com o intuito de compensar o maior risco agora vigente neste cenário.  Enquanto o Banco Central se esforça para reduzir a taxa básica de juros, o mercado pode se opor adotando medidas contrárias, mitigando seus efeitos.

No que mais, uma redução da taxa básica de juros afeta muito pouco os juros cobrados pelos bancos para a concessão de empréstimos.  A taxa básica de juros controlada pelo Banco Central é uma taxa de curto prazo e os empréstimos bancários tendem a ser de longo prazo.  As expectativas do mercado quanto à inflação futura — as quais podem aumentar em decorrência da postura mais agressiva do Banco Central — constituem um importante componente da formação dos juros cobrados pelos bancos em seus empréstimos.  Em épocas inflacionárias, essas expectativas tendem a frustrar as políticas do Banco Central.

Portanto, por mais que o Banco Central tente reativar a economia reduzindo a taxa básica de juros, o mercado pode reagir de maneira oposta, contrariando a intenção dos burocratas.  Com empresas e indivíduos endividados e gastando menos, e com um grande volume de capital tendo sido imobilizado em empreendimentos infrutíferos, os prejuízos forçam as empresas a finalmente se reajustarem às novas condições do mercado.  É impossível evitar o reajuste.

Uma expansão creditícia inevitavelmente leva a uma recessão.  E uma recessão nada mais é do que o período em que o mercado se reajusta, liquidando os investimentos errôneos que foram feitos na época da expansão econômica artificial.  Enquanto alguns investimentos são liquidados, outros apenas têm seu valor reduzido.  Mas, no final, houve empobrecimento, uma vez que recursos escassos foram desperdiçados em investimentos insustentáveis, para os quais não havia demanda.  (Investidores sagazes podem reconhecer os reajustes que estão ocorrendo durante o período da expansão e enriquecer quando chegar a recessão, mas, no geral, a farra do consumo e os investimentos errados reduzirão a riqueza da sociedade).

Uma recessão, em vez de ser evitada, deve ser abraçada, pois é ela quem corrigirá os excessos do boom anterior.  O mercado só se reajustará quando os juros puderem ir livremente para seu real valor de mercado, e preços e salários puderem cair para seus valores reais (e não os artificiais estimulados pela expansão do crédito).

Não existem milagres na economia.  Não é possível enriquecer toda uma sociedade pela simples manipulação dos juros e pela simples criação de dinheiro.  A realidade, cedo ou tarde, sempre irá se impor.  E, quando isso ocorrer, políticos e funcionários do Banco Central serão relembrados de que manipular os juros não gera crescimento econômico.

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Veja nossos artigos sobre a economia brasileira, sobre a recessão europeia e sobre a crise financeira americana.

 


autor

Hans F. Sennholz
(1922-2007) foi o primeiro aluno Ph.D de Mises nos Estados Unidos.  Ele lecionou economia no Grove City College, de 1956 a 1992, tendo sido contratado assim que chegou.  Após ter se aposentado, tornou-se presidente da Foundation for Economic Education, 1992-1997.  Foi um scholar adjunto do Mises Institute e, em outubro de 2004, ganhou prêmio Gary G. Schlarbaum por sua defesa vitalícia da liberdade.


  • IRC  02/03/2013 18:45
    "Neste momento, o Banco Central pode tentar reativar a economia reduzindo novamente a taxa básica de juros, na esperança de reestimular a atividade econômica. No entanto, dependendo da intensidade com que se deu a expansão econômica anterior, esta medida será inócua."

    Pode-se dizer que esse cenário foi o que aconteceu com o Brasil em 2012 ?

    Qual será o futuro para o Brasil nos proximos 5, 10, 15 e 20 anos ? uma Grécia sulaamericana ?
  • Charles Hertz da Silva  02/03/2013 20:35
    putz, não fala em grécia sulamericana! a grécia de hoje em dia ainda é melhor que o Brasil... ao menos os seus habitantes tem mais cultura e o IDH la é bem maior que o daqui...rsrs

    mas acho que o que acontece com a grécia jamais aconteceria com o Brasil, porque o brasil é um país que paga muito mais imposto do que a grécia...

    o Brasil está sendo extorquido desde os tempos de Cabral, está sendo sugado por poucos (em relação ao tamanha da população), e esses poucos são impertinentes políticos corruptos que desviam muita grana todo ano, nosso dinheiro alimenta muita coisa, e alimenta muitas fortunas bilionárias de políticos Brasileiros...

    mas o que esperar de um povo que enriquece pastores de igreja que compram fazendas milionárias com o dinheiro de fiéis? se nem com isso as pessoas conseguem perceber a malandragem alheia, quem dirá que um dia irão perceber a malandragem do governo?

    o povo brasileiro faz um misto de ignorância e Ingenuidade!

    o que eu espero do Brasil para os próximos anos? sinceramente não sei! mas se o PT, PSDB, PMDB ou qualquer partido desses ou socialistas continuarem no poder, eu vou é mudar para o uruguai...

    la ao menos os governantes ainda colocam todos os alunos do País na faculdade... não são hipócritas ao nível do governo brasileiro, de fazer propaganda para o FIES e no fim da propaganda dizer que a educação é um ''direito de todos''...
  • Gustavo BNG  02/03/2013 22:30
    e esses poucos são impertinentes políticos corruptos que desviam muita grana todo ano

    A estrutura do estado abrange também todo o funcionalismo público, não apenas os políticos.
    O imposto, que é um roubo, beneficia a todos eles!
  • charles  04/03/2013 16:14
    Verdade! até o funcionário que ganha menos, que limpa o chão da prefeitura, está sendo pago com dinheiro público! é lamentável, mas infelizmente só nos resta assistir...
  • Luiz Carlos  26/02/2014 15:46
    Puxa vida... E eu que pensava em fazer um concurso público para melhorar de vida... Bom, vou ter que me contentar em trabalhar pelo meu salário cada vez menor (corroído pela inflação). Mesmo com curso superior e especialização a situação está difícil. Só se vê "padrinhagens" nas empresas privadas. É dose...
  • Giulliano  26/02/2014 19:28

    Olá Luiz Carlos.

    Com um concurso público, você certamente terá um salário melhor e a tão desejada estabilidade (forma de se dizer que produz pouco e retira da sociedade mais do que agregou). Em relação a inflação, sim, concordo plenamente com você. A ineficácia do Governo, refletindo em inflação, destrói a riqueza e o crescimento econômico. Porém, em relação ao "apadrinhamento", a empresa privada que emprega um funcionário/chefe com base em relações extra-profissionais, está destruindo valor, tendo em vista que o processo de escolha deste profissional não reflete o mais eficiente para exercer a função, aumentando a produtividade e otimizando a empresa. Ou seja, essas situações são prejudiciais a empresa privada. Agora, já pensou em relação ao governo/setor público? Lá sim, eficiência e produtividade representam pouco.
  • aspone  26/02/2014 20:01
    Amigo, funcionário do governo não precisa temer a inflação.

    De tempos em tempos ele ganha aumento. E não pode ser demitido. Vai por mim. É um ótimo negócio.

    Eu mesmo já estou esperando quando vai sair meu próximo reajuste.
  • Rodrigo D.  26/02/2014 20:04
    Eu sempre repito o mesmo conselho. Descobre algo que faça seus olhos brilharem e empreenda. É mais empolgante e se vc for razoavelmente bom, ganha mais que nesses concursos padrão.

    Mas além do dinheiro, a satisfação pessoal é bem legal.

    Só uma dica; existem ramos, tecnologias e equipamentos que diminuem sua necessidade de mão de obra. Porque se for depender dela, se prepare para chorar.

  • Aline  02/03/2013 22:17
    O mercado só se reajustará quando os juros puderem ir livremente para seu real valor de mercado, e preços e salários puderem cair para seus valores reais (e não os artificiais estimulados pela expansão do crédito).

    Dado a rigidez de preços e salários, precisa haver uma brutal recessão para ajustar essas duas variáveis via livre mercado, com desemprego atingindo níveis estratosféricos. Isso foi feito na grande depressão nos EUA. Por isso o desemprego beirou os 30%. Hoje é politicamente inviável. A sociedade não aceita. Ela prefere a política atual do Fed.
  • anônimo  02/03/2013 23:49
    Aline, a Grande Depressão foi grande porque houve uma forte deflação monetária causada por saques generalizados nas contas-correntes dos bancos. Neste cenário de forte deflação monetária, preços e salários devem ser reajustados para baixo. Mas o que fez o governo americano?

    Implementou o New Deal, que nada mais foi do que um conjunto de políticas de controle de preços, controle de salários, arregimentação sindical, cartel de empresários incentivados pelo governo a não reduzirem seus preços, aumento das tarifas de importação, aumento de impostos, aumento de gastos e aumento dos déficits. É claro que a recessão se prolongou.

    Deixe de ideologia e estude com mais honestidade intelectual a ciência econômica.
  • anônimo  03/03/2013 11:13
    A sociedade não sabe o que quer.E ela não 'prefere' a política do FED porque nem entende o que é isso.No dia que entender, aí a conversa vai ser outra.
  • Anarcofobico  13/04/2013 11:05
    O mesmo FED que já estava lá na Grande Depressão, neh?? FED este criado em 1913 e que ajudou os Eua a alcançarem um grande boom, claro com o único detalhe do "bust" ao final do ciclo... Os bancos centrais são realmente maravilhosos, todo mundo concorda com a política do Fed, é só perguntar nas ruas! Esses dias eu passei num barzinho para tomar uma dose em homenagem ao meu grande mestre político, melhor presidente que o Brasil já teve, e o garçom disse isso pra mim: prefiro as políticas do FED! A grande recessão ultra turbinada ao final é só um detalhe!
  • Vinicius Costa  02/03/2013 22:34
    "Juros, preços e salários surgem naturalmente das escolhas e dos juízos de valor feitos pelas pessoas."

    Estranho é notar que na cabeça da maioria é normal controlarem os juros e salários, enquanto um controle de preços é assustador.

    O Brasil está no final desse ciclo, acho impossível que Mantega e seus amigos consigam inflar essa bolha por mais alguns anos.
  • Marcos  03/03/2013 13:37
    Não sei. Economicamente, certamente não conseguirão. Mas no aspecto político não há esperanças de modificação. Os que hoje estão no poder simplesmente são ignorantes demais para mudarem de rumo. Possuem uma fé cega no atual modelo econômico. Provavelmente vamos chegar em um impasse, pois não haverá alternativa aos que hoje ocupam o poder. Estaremos no mesmo caminho da Argentina, que acumula sucessivos fracassos econômicos, com o partido dominante intocável no poder.
  • Dalton C. Rocha  02/03/2013 22:38
    Os juros altos no Brasil são decididos pelo governo, não pela lei da oferta e da procura. É preciso se encerrar o direito de todos os níveis de governo Brasil (municipais, estaduais, distrital e federal) de fazerem novas dívidas, que o povo paga duramente depois.
  • Oziel Jose  04/03/2013 15:36
    Assim com clubes de futebol, governos(estaduais e municipais) no Brasil não quebram, além de um monopólio eles nunca vão quebrar, a "justiça" não deixaria.
  • Emerson Luis, um Psicologo  26/02/2014 14:48

    Entre os antigos judeus, o que era proibido era a cobrança de juros exploratória de pessoas necessitadas, que deviam receber caridade e não empréstimos com taxas acima do mercado (ou seja, agiotagem). Mas era permitida a cobrança de juros para empréstimos comerciais.

    Resumindo o artigo, os governos corrigem os erros do passado cometendo novos erros; assim como amanhã corrigirão os erros de hoje com novos erros.

    * * *
  • Joao  26/02/2014 16:43
    7,25% causou supervalorização dos imóveis e as manifestações, que foram consequência do sentimento do povo de perda de poder de compra pois a inflação de produtos de primeira necessidade foi muito alta.

    Governo populista, incompetente e inconsequente. Não se baixa taxa de juros na marra. Não é difícil entender.
  • Andre Cavalcante  26/02/2014 16:54
    No artigo, o Sennholz iniciou o ciclo a partir de análise sobre o que ocorre quando o BC põe os juros menor que os de mercado. O que aconteceria se o BC colocasse os juros acima dos de mercado? Geraria um outro tipo de ciclo?
  • Leandro  26/02/2014 18:50
    É um exercício mental interessante e muito pouco abordado pela teoria, já que suas aplicações no mundo real tendem a ser raras.

    Mas é seguro dizer que, no curto prazo, haveria uma recessão. Mas haveria também um substancial aumento na poupança -- em grande parte por causa da redução no consumo -- e um grande influxo de capital estrangeiro. E toda essa conjuntura (poupança em alta, consumo em baixa, capital externo), por sua vez, permitiria um grande crescimento econômico mais à frente tão logo os juros começassem a baixar.

    De certa forma, isso ocorreu no Brasil em 2003. A SELIC foi pra 26,5%, o desemprego chegou a 14%, os gastos do governo ficaram praticamente congelados e as vendas no varejo caíram 6% no primeiro semestre. Aí os juros puderam cair de 26,5% para 16% em um período de menos de um ano e, já o terceiro trimestre de 2004, os investimentos voltaram com tudo, e o país cresceu até 2010 (com um breve hiato em 2009).
  • Pedro  26/02/2014 19:21
    "Juros acima ou abaixo dos de mercado" é uma expressão complicada, pois é difícil saber exatamente onde estariam os juros caso não houvesse manipulação dos mesmos por parte do governo, já que a resposta de uma determinada politica monetária é diferente no curto e no longo prazo.

    No curto prazo, se um BC começa a emitir dinheiro e comprar títulos do governo, e isso resulte num aumento na oferta de crédito, os juros tendem a cair, mas no longo prazo a inflação gerada por esse aumento no dinheiro em circulação empurra os juros para cima.

    Então tudo depende de quando o governo parou de intervir no mercado. Sabemos que na situação atual, se o governo parar de intervir hoje, provavelmente os juros seriam maiores do que os que são agora, mas se ele tivesse parado de intervir a vários anos e tivéssemos um modelo de livre mercado de lá para cá é bem provável que os juros fossem menores, pois a inflação seria menor. Logo, mesmo os juros sendo atualmente maiores do que os desse cenário, ainda temos ciclos econômicos.

    E finalmente o que importa para os ciclos econômicos é a manipulação artificial do crédito, não dos juros em si (embora na pratica mexer em um quase sempre altera o outro).
  • Marconi Soldate  26/02/2014 17:12
    Essa explicação de que a taxa de juros é o quanto a pessoa valoriza o gasto futuro x o gasto presente é balela. Como explicar então as taxas de juros negativas? Sejam reais ou nominais!?

    Keynes não sabia quase nada, mas o entesouramento existe sim, ou seja, super-ricos podem guardar dinheiro simplesmente porque não tem outra opção. Consumi-lo no presente seria impossível devido o tamanho da riqueza de alguns. E isso pode gerar uma enorme perda econômica, com um mundo de desempregados ao mesmo tempo com milhares de fábricas paradas (1929). Assim, manipular a taxa de juros em situações de pânico é perfeitamente aceitável. Não se come dinheiro.

    Essa explicação de juros de Mises só seria válida se a distância de rendas não fosse tão gigantesca quanto é na realidade.
  • Leandro  26/02/2014 18:33
    "Essa explicação de que a taxa de juros é o quanto a pessoa valoriza o gasto futuro x o gasto presente é balela. Como explicar então as taxas de juros negativas? Sejam reais ou nominais!?"

    Taxas de juros reais negativas só são possíveis de existir justamente em um ambiente intervencionista, no qual haja uma entidade com a capacidade de imprimir dinheiro e com a função exclusiva de suprimir aumentos nos juros.

    Já taxas de juros nominais negativas não existem. Se eu chegar pra você e falar: "Me empresta $100 agora e, daqui a dois anos, eu lhe devolvo $90", por que você aceitaria tal arranjo? O que você ganha com ele?

    Se você deixar os $100 dentro da gaveta, dali a dois anos eles continuam ali. Se você me emprestar os $100, dali a dois anos você recebe $90. Sob qual circunstância esse segundo arranjo seria vantajoso pra você? Por que você voluntariamente faria isso? Por que receber juros negativos seria preferível a simplesmente deixar o dinheiro guardado em casa? Você está simplesmente dizendo que é preferível queimar uma cédula de R$10 a ficar com ela.

    "Keynes não sabia quase nada, mas o entesouramento existe sim, ou seja, super-ricos podem guardar dinheiro simplesmente porque não tem outra opção."

    Não sei em qual mundo você vive. Você acredita na fábula do dinheiro guardado na gaveta? Ora, no atual arranjo monetário e financeiro, ninguém guarda dinheiro em casa. O dinheiro fica no banco, e o banco empresta esse dinheiro. Quanto mais dinheiro "parado" nos bancos, menores tendem a ser os juros para emprestar esse dinheiro. Sendo assim, você, como friedmaniano, deveria endossar este arranjo como sendo o mais propício a "estimular" uma recuperação da economia (já que, para vocês, taxa de juros baixa determina tudo).

    "Consumi-lo no presente seria impossível devido o tamanho da riqueza de alguns. E isso pode gerar uma enorme perda econômica, com um mundo de desempregados ao mesmo tempo com milhares de fábricas paradas (1929). Assim, manipular a taxa de juros em situações de pânico é perfeitamente aceitável. Não se come dinheiro."

    Raciocínio convoluto e sem absolutamente nenhum sentido.

    Primeiro você diz que não é possível os ricos consumirem seu dinheiro porque são muito ricos. Depois diz que, se fizessem isso (ou seja, se os ricos gastassem seu dinheiro), haveria "uma enorme perda econômica, com um mundo de desempregados ao mesmo tempo com milhares de fábricas paradas (1929)". Depois, logo em seguida, diz que a solução é diminuir os juros para incentivar o consumismo...

    "Essa explicação de juros de Mises só seria válida se a distância de rendas não fosse tão gigantesca quanto é na realidade."

    Nonsense total. Por essa lógica, a teoria misesiana dos juros só valeria em países comunistas, nos quais não há grandes disparidades de renda entre a população.
  • Marconi Soldate  27/02/2014 17:28
    "Já taxas de juros nominais negativas não existem. Se eu chegar pra você e falar: "Me empresta $100 agora e, daqui a dois anos, eu lhe devolvo $90", por que você aceitaria tal arranjo? O que você ganha com ele? "

    Existem sim.
    www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120712_juros_baixos_ru.shtml

    E, além do mais, sejam os juros nominais ou reais negativos, implicam que a explicação de que juros é preferência temporal é balela. Se fosse verdade, ao menor sinal de que o poupador perderia dinheiro ao deixá-lo parado (ou seja, compraria menos no futuro do que hoje), ele gastaria todo o dinheiro hoje.

    Se uma pessoa endinheirada prefere consumir mais no futuro e empresta a uma outra pessoa não-pobre que resolve gastar no presente, aí sim a explicação é válida. Mas e quando um endinheirado empresta a juros a alguém que, se não pegar emprestado, tá lascado? A pessoa fica refém do empréstimo.

    Solução? Renda mínima, custada com imposto de renda e BC mantendo inflação em 0%.

  • Leandro  27/02/2014 18:13
    De novo...

    Pra começar, esa reportagem mostra uma total confusão do repórter. O que está ocorrendo na Dinamarca é que o Banco Central está (na verdade estava, pois a matéria é antiga) cobrando uma taxa dos bancos que preferem manter seu dinheiro depositado no BC em vez de emprestá-lo. Só isso. O BC está cobrando uma taxa.

    O Fed, por exemplo, paga 0,25% ao ano para os bancos manterem suas reservas em excesso depositadas no Fed -- pois, se retirarem essas reservas e saírem emprestando, a inflação de preços dispararia. Já a Dinamarca optou pelo contrário: quem deixar dinheiro no BC será punido com uma taxa. É isso que eles estão chamando de juros nominais negativos.

    É o óbvio ululante que se trata de uma bizarrice criada única e exclusivamente pelo seu Banco Central. Não é um arranjo que surgiria de trocas voluntárias.

    "E, além do mais, sejam os juros nominais ou reais negativos, implicam que a explicação de que juros é preferência temporal é balela."

    Se você acha que preferência temporal é balela, então, por uma questão de coerência, você tem necessariamente de adotar as três seguintes posturas:

    1) Consumir única e exclusivamente alimentos (pois são indispensáveis para a sua sobrevivência), e postergar para o futuro indefinido qualquer outro tipo de consumo, principalmente viagens e diversões. Afinal, você é totalmente indiferente entre viajar e se divertir hoje, e viajar e se divertir daqui a uns 35 anos.

    2) Emprestar absolutamente tudo o que você tem para qualquer um que lhe pedir, e jamais pedir de volta. Afinal, você é totalmente indiferente entre ter algo hoje e ter esse mesmo algo somente daqui a 50 anos.

    3) Jamais cobrar qualquer tipo de salário ou pagamento em dinheiro. Afinal, você é indiferente entre ser pago hoje ou ser pago somente daqui a 60 anos.

    "Se fosse verdade, ao menor sinal de que o poupador perderia dinheiro ao deixá-lo parado (ou seja, compraria menos no futuro do que hoje), ele gastaria todo o dinheiro hoje."

    Se os bancos fossem estúpidos a ponto de cobrar juros de seus correntistas, todos eles imediatamente sacariam seu dinheiro e quebrariam os bancos. Se os bancos começaram a cobrar para manter dinheiro nas contas-correntes ao mesmo tempo em que oferecem juros negativos em todas as outras aplicações, as pessoas simplesmente irão retirar seu dinheiro dos bancos. Aí todo o processo de reservas fracionárias seria revertido, os bancos seriam aniquilados e todo o sistema quebraria.

    Por que os bancos fariam algo que precipitasse sua falência? Raciocine um pouco antes de escrever.

    "Se uma pessoa endinheirada prefere consumir mais no futuro e empresta a uma outra pessoa não-pobre que resolve gastar no presente, aí sim a explicação é válida. Mas e quando um endinheirado empresta a juros a alguém que, se não pegar emprestado, tá lascado? A pessoa fica refém do empréstimo."

    Não entendi nem o que uma coisa tem a ver com a outra, nem o que ela tem a ver com o resto.

    "Solução? Renda mínima, custada com imposto de renda e BC mantendo inflação em 0%."

    Renda mínima já existe e é custeada também com o imposto de renda. Ou seja, 2/3 do seu sonho já está realizado. Fique feliz.
  • Indignado  27/02/2014 18:17
    Sério, acho que o moderador aprova os comentários do Marconi apenas para fazê-lo passar vergonha (e, de quebra, humilhar a Escola de Chicago). Não acho isso correto. O estado deve intervir.
  • aspone  26/02/2014 19:59
    Pô, colega, vc vinha bem até hoje! Tente participar dos encontros do Grupo de Estudos de Escola Austríaca aí no DF!
  • Leonardo Couto  27/02/2014 18:49

    Só tentando esclarecer esta parte:

    "E isso pode gerar uma enorme perda econômica, com um mundo de desempregados ao mesmo tempo com milhares de fábricas paradas (1929). Assim, manipular a taxa de juros em situações de pânico é perfeitamente aceitável."

    Na verdade, como já foi bem explicado, este cenário com bens ociosos foi causado devido à manipulação das taxas de juros, e foi mantido devido à rigidez dos preços de tais bens imposta pelo estado. Sem essa rigidez teria-se uma queda de seus preços até que estivessem em consonância com a nova quantidade de dinheiro vigente, cuja súbita alteração, inclusive, só ocorreu devido às intervenções no sistema bancário.

    Manipular as taxas de juros só distorceria ainda mais a estrutura da economia e requereria correções mais dramáticas no futuro.

    Resumindo: Problema com criação, manutenção e agravamento puramente estatais.
  • Rogério  26/02/2014 18:19
    É sensato um país que possua um Currency Board lastreado em dólares aumente a taxa básica de juros, para atrair investimento estrangeiro, quando o sistema bancário de reservas fracionárias estiver na eminencia de provocar um deslastreamento? É possível fazer um Currency Board coexistir perfeitamente com o sistema bancário de reservas fracionárias?
  • Leandro  26/02/2014 18:41
    Como a sua pergunta ficou dúbia, vou enfatizar o de sempre: Currency Board ortodoxo não faz política monetária.

    Um Currency Board é apenas uma agência cuja única atribuição é trocar moeda nacional pela moeda estrangeira utilizada como âncora a uma taxa fixa. Só isso e nada mais do que isso. Um Currency Board funciona exatamente como uma casa de câmbio, mas sem cobrar taxas e sem variar o valor da conversão. Assim como uma casa de câmbio não faz política monetária, um Currency Board ortodoxo também não faz política monetária. Se estiver fazendo política monetária então já deixou de ser Currency Board e virou Banco Central.

    Tendo entendido isso, sim, em um país com Currency Board, os próprios bancos irão elevar os juros para atrair reservas caso eles estejam sofrendo perda de dólares. Eles não terão outra escolha. Se não elevarem os juros, não atrairão dólares. Se não atraírem dólares, ficarão totalmente insolventes.
  • Pobre Paulista  26/02/2014 18:22
    Pessoal, desculpe pela pergunta OFF-Topic, mas ando ouvindo rumores que Ron Paul virá ao Brasil este ano, alguém tem como confirmar ou refutar essa informação?
  • Informante  26/02/2014 18:42
    Sim, já está confirmado. Será em setembro.
  • Pobre Paulista  26/02/2014 19:15
    Certo, vou refinar minha pergunta. Ele vai vir só pra dar um rolê na praia de Copacabana ou tem alguns eventos marcados?
  • Delator  26/02/2014 19:33
    Virá para a IV Conferência de Escola Austríaca organizada pelo IMB.
  • Pobre Paulista  26/02/2014 20:04
    Legal! Obrigado.
  • amauri  26/02/2014 19:39
    Boa tarde!
    Eles assim agem por teimosia? Ou por imcorpetencia? Ou por que alguns tem muitos ganhos?
  • IRCR  26/02/2014 23:26
    Em qual cidade será sediado a conferencia ?
  • Henrique  27/02/2014 00:38
    Pessoal, o calote da dívida pública seria interessante sob uma perspectiva austríaca?
    Afinal, não haveria mais despesa com juros e o governo teria que cortar seus gastos, já que ninguém vai emprestar-lhe dinheiro. Qual é a posição dos mais entendidos aqui do site?

    Valeu
  • Leandro  27/02/2014 01:43
    Não é necessário dar calote. Há uma reforma bancária que, de brinde, acabaria totalmente com o problema da dívida do país.

    Propostas para uma reforma bancária completa e estabilizadora
  • aspone  27/02/2014 18:04
    Mas há austríacos que defendem o calote, não?

    Lembro de ter lido em algum lugar que ao dar o calote, quem realmente paga a dívida - contribuintes - estariam livres desse problema...
  • Fernando da Silva  27/02/2014 18:07
    Todo cidadão deveria ler esse artigo.
  • Gustavo  01/03/2014 16:58
    Quando não há taxa de juros real negativa, o que garante que o valor dos juros estipulado pelo Banco Central não é o valor de mercado? Como saber qual seria a taxa de juros de mercado? O que garante que a expansão creditícia e monetária artificial é gerada por um Banco Central que estipula uma taxa de juros menor que a de mercado?
  • Matheus  01/03/2014 17:08
    O BC está diariamente injetando dinheiro no mercado interbancário para manipular os juros. Os juros de livre mercado seriam aqueles vigentes em um cenário sem imposição de compulsório e sem injeção de dinheiro no mercado interbancário.

    Ou você também pode ler este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=606
  • Gustavo  01/03/2014 18:11
    Ótimo artigo, todos os cursos de economia deveriam ser baseados na Escola Austríaca. Encontrar um site como esse é uma sorte num país onde a ignorância econômica reina. Então os EUA e a Zona do Euro estão em uma ilusória recuperação da crise de 2008, por basearem a recuperação em uma taxa de juros real negativa? No futuro serão atingidos por uma recessão pior que a originada em 2008?
  • coutinho  05/03/2014 15:10
    Exagero a parte, chamar de populista a criação de emprego e renda é algo descabido. Pode não ser função do banco central. Afinal a quem cabe a implementação dessa política? Especificamente no Brasil
  • Thales  05/03/2014 15:54
    Dependendo do tipo de emprego é populismo sim, por que não? Um governo colocar as pessoas para cavar buracos e tapá-los novamente, apenas para reduzir o desemprego, é sim algo totalmente populista. Da mesma forma, um BC estimular uma expansão creditícia apenas para gerar empregos para os quais não há uma genuína demanda (os quais serão extintos tão logo acabe a expansão) é igualmente populista.

    Não há erro nenhum em se utilizar tal definição.
  • Sérgio Duarte  05/03/2014 17:45
    Esse artigo não faz sentido. O que assegura que mesmo que haja abstenção de consumo proporcional ao empreendimento, o empreendedor conseguirá acertar qual será a demanda quando seu empreendimento for finalizado? Empreendedorismo e especulação estão intimamente ligados. Qualquer empreendimento, seja feito com ou sem abstenção de consumo por outrem, pode levar a perdas de capital. Quando esse outrem, que poupou para emprestar o dinheiro ao empreendedor, reaver o dinheiro, nada assegura que ele ou outra pessoa tenha interesse pelo o que o empreendedor produziu. Hoje pode estar havendo uma real demanda por casas, amanhã pode não estar. As preferências dos consumidores mudam.
  • Leandro  05/03/2014 20:04
    Prezado Sergio, a única coisa que não faz sentido é esta sua crítica, uma vez que em momento algum o artigo contraria isso que você disse (se sim, gentileza apontar o trecho exato). Por favor, seja mais cauteloso. Certifique-se de que o artigo realmente está defendendo aquilo que você está criticando.
  • Sérgio Duarte  06/03/2014 00:40
    Trecho exato: "Uma expansão creditícia inevitavelmente leva a uma recessão. E uma recessão nada mais é do que o período em que o mercado se reajusta, liquidando os investimentos errôneos que foram feitos na época da expansão econômica artificial.". Podem haver recessões com ou sem expansão creditícia, porque investimentos errôneos podem ser feitos na existência ou ausência dela. Por isso disse que o artigo não faz sentido. De uma forma ou de outra podem haver recessões, então porque não apoiar que investimentos sejam feitos com base em uma expansão creditícia? É especulativo dizer que o número e a qualidade dos investimentos que darão certo numa economia que expande artificialmente o crédito, sejam menores que o número e a qualidade dos investimentos que dariam certo numa economia que não expande artificialmente o crédito.
  • Leandro  06/03/2014 01:06
    "Pode haver recessões com ou sem expansão creditícia, porque investimentos errôneos podem ser feitos na existência ou ausência dela."

    Errado. No atual sistema monetário e bancário, não há investimentos sem expansão do crédito. Não em massa. Você pode, obviamente, encontrar um ou outro indivíduo que resolveu empreender totalmente com capital próprio (por exemplo, abrindo um restaurante a quilo), mas estes são minorias e o resultado é insignificante em termos agregados.

    Todos os grandes investimentos (imobiliários, infraestrutura, grandes complexos comerciais) são financiados com expansão do crédito, até mesmo especulações na bolsa (algo muito comum nos EUA). E é o conjunto destes grandes investimentos que dita os rumos da economia. A recessão ocorre justamente quando há uma interrupção (ou uma desaceleração) na expansão do crédito.

    Exatamente por isso, no atual sistema monetário e bancário, não há recessões que não tenham sido precedidas por uma grande expansão do crédito.

    Tendo entendido isso, o resto de suas colocações não faz nenhum sentido.
  • Sérgio Duarte  06/03/2014 01:37
    Sim, "No atual sistema monetário e bancário, não há investimentos sem expansão do crédito.". E em um sistema monetário e bancário em que haja investimentos sem expansão do crédito? Foi isso que eu quis explicitar no trecho "Podem haver recessões com ou sem expansão creditícia": no sistema avesso ao atual, investimentos poderiam perfeitamente dar errado também.
  • Leandro  06/03/2014 01:57
    Em grande escala não. Seria uma impossibilidade teórica. Esse artigo explica bem o porquê.
  • Sérgio Duarte  06/03/2014 02:37
    E como esse sistema sem expansão creditícia funcionaria? Os bancos assegurariam que o saldo dos empréstimos feitos aos clientes seja igual ou inferior ao valor que tem em seus depósitos a prazo?
  • Magno  06/03/2014 02:58
    Com depósitos a prazo não redimíveis antes de sua data de maturação. Exatamente como deve ser o papel de uma instituição bancária: ela deve ser uma mera intermediadora entre poupança e investimento, e não uma criadora de dívida e expansora dos meios de pagamento.

    Recomendo ao menos a primeira parte deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • coutinho  06/03/2014 19:30
    Thales pela sua resposta voce está empregado. Queria vê-lo desempregado (Deus nos livre) e rejeitar um emprego, para cavar e tapar buraco, por ser populista.
  • Thales  06/03/2014 19:47
    Entendeu tudo errado. Você está fazendo juízo de valor. E economia é uma ciência que não faz juízo valor. A ciência econômica é amoral. Sua função precípua é explicar as consequências de determinadas políticas. Só isso.

    Uma coisa, por exemplo, é explicar as consequências econômicas da imposição de um salário mínimo alto. Outra, completamente distinta, é discutir a moralidade de se ter um salário mínimo alto. A primeira é função da ciência econômica; a última, da filosofia.

    Você, sem argumentos, fez o que todos em sua situação fazem: recorreu a coitadismos e a efusões de sentimentalismo. As consequências de determinadas políticas econômicas, infelizmente, não funcionam com base em afetações sentimentais.

    Se eu aceitaria o emprego de cavador de buracos estando na pior? Pode acreditar que sim. Isso seria bom para a economia? Pode acreditar que não. A função da ciência econômica é apenas explicar esta última parte.
  • Leonardo Couto  06/03/2014 20:17

    O salário de um emprego inútil demanda fatias de riqueza de empregos reais, logo se trata de uma expropriação da produção de terceiros em virtude do que não trabalha.

    Vale ressaltar que é bem comum que a razão de tal indivíduo não conseguir um emprego seja justamente políticas "populistas" como salário mínimo e outras leis trabalhistas.

    A conveniência de sua frase, coutinho, é verdadeira. Mas isso simplesmente não altera nada do caráter ineficaz, deletério e imoral das medidas chamadas populistas.

    "Populistas" só conseguem empobrecer o seu "povo", não é preciso ir muito longe para ver o exemplo da Venezuela. Produção e enriquecimento compete ao capitalismo, a quem quer trabalhar e esforçar-se, não a indolentes.

    Não venha com leviandades aqui, por favor.
  • Davi Pereira Gomes  07/08/2018 19:04
    Eu lendo o artigo em 2018,percebendo que foi exatamente o que ocorreu em 2016


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