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A farsa sobre Abraham Lincoln

O filme Lincoln, de Steven Spielberg, vem sendo um grande sucesso de bilheteria e ganhou doze indicações para o Oscar, inclusive de melhor filme, melhor diretor e melhor ator para Daniel Day-Lewis, que fez o papel do 16º presidente americano.  Como não vi o filme, este artigo não será sobre ele, mas sim sobre o homem que é até hoje endeusado por muitos.

Meu colega Thomas DiLorenzo, professor de economia da Loyola University de Maryland, já expôs vários mitos a respeito de Lincoln em seu livro de 2006, Lincoln Unmasked.  Agora ele acaba de receber o reforço de Joseph Fallon, analista de inteligência cultural e ex-instrutor do Centro de Inteligência do Exército dos EUA, com seu novo e-book, Lincoln Uncensored.  O livro de Fallon examina 10 volumes compilados de discursos e escritos de Lincoln, os quais incluem passagens sobre escravidão, secessão, igualdade para os negros e emancipação.  Não é necessário se basear na interpretação de ninguém.  Apenas leia as palavras de Lincoln e veja o que você conclui delas.

Em uma carta escrita em 1858, Lincoln diz:

Já declarei mil vezes e volto a repetir que é minha firme opinião que nem o Governo Geral e nem qualquer outro poder externo aos estados escravagistas podem constitucionalmente ou por direito interferir na escravidão onde quer que ela já exista.

Em um discurso proferido em Springfield, Illinois, ele explicou:

Minhas declarações sobre este assunto da escravidão negra podem até ser deturpadas, mas não podem ser mal interpretados.  Já disse que não vejo a Declaração (de Independência) como sendo uma afirmação de que todos os homens foram criados iguais sob todos os aspectos.

Debatendo com o senador Stephen Douglas, Lincoln disse:

Digo, portanto, que não sou, nem jamais fui, a favor de criar, de qualquer maneira que seja, a igualdade social e política das raças branca e preta; que não sou, nem nunca fui, a favor de transformar negros em eleitores ou jurados, nem de habilitá-los a exercer cargos públicos, nem de permitir seu casamento com pessoas brancas; e direi, adicionalmente, que há uma diferença física entre as raças branca e preta que, creio eu, irá para sempre proibir as duas de viverem juntas em termos de igualdade social e política.  E, visto que elas não podem conviver desta forma, enquanto elas permanecerem em coexistência terá de haver a posição do superior e do inferior, e eu, assim como qualquer outro homem, sou a favor de que a posição superior seja atribuída à raça branca.  [....] O que eu mais gostaria de ver seria a separação das raças branca e negra. (Abraham Lincoln, First Lincoln-Douglas Debate, Ottawa, Illinois, Sept. 18, 1858, in The Collected Works of Abraham Lincoln vol.3, pp. 145-146; 521).

E então você dirá, "Mas, professor Williams, a Proclamação de Emancipação publicada por Lincoln libertou os escravos!  Isso prova que ele era contra a escravidão!"

Nas palavras do próprio Lincoln:

Vejo a questão [a Proclamação de Emancipação] como uma medida prática para a guerra [de secessão], algo a ser decidido de acordo com as vantagens ou desvantagens que ela possa oferecer à supressão da rebelião. [...]  Também irei admitir que a emancipação irá melhorar nossa situação perante a Europa, convencendo aquele continente de que estamos sendo impelidos por algo mais do que a ambição.

Na época em que Lincoln escreveu a proclamação, a guerra de secessão estava indo mal para a União.  Londres e Paris já estavam considerando reconhecer os Estados Confederados e estavam também considerando auxiliá-los em seus esforços de guerra.

Thomas DiLorenzo, em um recente artigo, apontou que o historiador de Harvard David Donald, vencedor do Prêmio Pulitzer e um dos mais proeminentes historiadores de Lincoln da atualidade, escreveu em sua biografia sobre Lincoln (página 545) que Abraham na realidade não teve praticamente nada a ver com a aprovação da Décima Terceira Emenda, contrariamente ao que é mostrado no filme de Spielberg.  Com efeito, como escreveu Donald, quando perguntado por genuínos abolicionistas no Congresso se ele iria ajudá-los a aprovar a Emenda, Lincoln disse que não. 

Mas ele, no entanto, se empenhou bastante em tentar aprovar, em 1861, uma versão de uma outra décima terceira emenda, conhecida como a Emenda Corwin, a qual visava a consagrar explicitamente a escravidão na Constituição americana.  Essa emenda chegou a ser aprovada pelo Congresso.

A Emenda Corwin proibia o governo federal de interferir, sob qualquer circunstância, na escravidão do sul dos EUA.  A Emanda Corwin dizia:

Nenhuma emenda será feita à Constituição autorizando ou dando ao Congresso o poder de abolir ou interferir nas instituições domésticas de nenhum estado, inclusive no que tange às pessoas mantidas para trabalho ou serviço pelas leis do referido Estado.

"Pessoas mantidas para trabalho ou serviço" é como a Convenção Constitucional se referia aos escravos, e "instituições domésticas" se referia à escravidão.  Em seu discurso de posse, Lincoln anunciou ao mundo que ele apoiava a Emenda Corwin:

Entendo que uma emenda proposta à Constituição — emenda essa que, no entanto, ainda não vi — foi aprovada no Congresso com o propósito de assegurar que o Governo Federal jamais interfira nas instituições domésticas dos Estados, inclusive nas pessoas mantidas para trabalho ou serviço . . . . Considerando que tal provisão resultará em lei constitucional, afirmo que não tenho nenhuma objeção a ela se tornar manifesta e irrevogável. (Ênfase minha).

Permita-me introduzi-los agora a Lerone Bennet, Jr., que foi editor executivo da revista Ebony por várias décadas (começando em 1958) e autor de vários livros, entre eles uma biografia de Martin Luther King, Jr. (What Manner of Man: A Biography of Martin Luther King) e uma obra monumental sobre Lincoln, Forced into Glory: Abraham Lincoln's White Dream.  Bennet é formado pela Morehouse College, em Atlanta, e escreveu vários artigos sobre a cultura e a história afro-americana durante sua carreira na Ebony.  Ele passou mais de vinte anos pesquisando e escrevendo Forced into Glory, uma severa e rigorosa crítica a Abraham Lincoln baseada em montanhas de fatos e verdades.  Segundo Bennet Jr.,

Quem libertou os escravos?  Se é que eles foram de fato 'libertados', isso ocorreu por causa da Décima Terceira Emenda, a qual foi escrita e pressionada para ser aprovada não por Lincoln, mas sim pelos grandes emancipadores que ninguém conhece, os abolicionistas e líderes congressistas que criaram o clima e geraram a pressão política que incitou, empurrou e finalmente forçou Lincoln à glória ao associá-lo a uma política à qual ele resolutamente se opusera por pelo menos cinquenta e quatro de seus cinquenta e seis anos de vida. (Bennett, Jr., Forced into Glory: Abraham Lincoln' s White Dream, p. 19).

Vale dizer que a Proclamação de Emancipação não foi uma declaração universal.  Ela especificava onde os escravos estariam livres: somente naqueles estados que estavam "em rebelião contra os Estados Unidos".  Os escravos permaneceram escravos naqueles estados que não estavam em rebelião — tais como Kentucky, Maryland e Delaware.  A hipocrisia da Proclamação de Emancipação foi alvo de pesadas críticas.  O próprio Secretário de Estado de Lincoln, William Seward, ironizou: "Mostramos nossa desaprovação à escravidão emancipando escravos onde nossa jurisdição não é aceita e mantendo escravos onde podemos de fato libertá-los".

Incoerências à parte, houve sim um momento em que Lincoln articulou um ponto de vista sobre secessão que teria sido muito bem-vindo em 1776:

Quaisquer pessoas, em qualquer lugar do mundo, que estejam dispostas e tenham o poder para tal, têm o direito de se insurgirem e se desvencilharem do governo vigente, e de formarem um novo governo que lhes seja mais apropriado. ... Tampouco está este direito restrito apenas a casos em que todos os cidadãos devem escolher exercê-lo.  Qualquer fatia de um povo que se sinta capaz pode fazer uma revolução, se seceder e se apossar de toda a área daquele território em que habitam.

Mas isso foi dito por Lincoln em 1848 em um discurso na Câmara dos Deputados dos EUA.  Ele se referia à guerra contra o México e à subsequente secessão do Texas em relação àquele país.

O que nos leva à grande pergunta.  Por que Lincoln não aplicou aos estados do sul dos EUA essa mesma lógica do direito à secessão?  Por que ele decidiu enviar tropas federais para massacrar os confederados?  Para chegar à resposta, basta 'seguir o dinheiro'.  Ao longo de toda a história dos EUA até o início do século XX, o governo federal possuía apenas duas fontes de receita: impostos cobrados sobre a venda de alguns bens específicos (que geravam uma receita muito baixa) e tarifas de importação.  Durante a década de 1850, as tarifas de importação representavam nada menos que 90% de toda a receita do governo federal.  E em 1859, os portos dos estados do Sul dos EUA foram responsáveis por nada menos que 75% do total arrecadado pelo governo federal.  Qual político "responsável" aceitaria abrir mão de tamanha receita?  

O preço desta recusa: 750.000 compatriotas assassinados pelo seu próprio governo.

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Leia também: A "guerra civil" americana — uma defesa do separatismo sulista



autor

Walter Williams
é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros.  Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.


  • vanderlei  23/02/2013 13:27
    Falando de Impostos, Li o excelente livro de Monteiro Lobato "América".

    Nele o autor relata sobre o sistema de impostos americanos, tudo sobre o lucro, somente quando este acontecer.

    Falou sobre as crises cíclicas, onde temos a época de expansão de créditos e a de crises, que seria o reajustamento dos saques a futuro...


    Em que ano será feito o reajuste da expansão do crédito nbo Brasil?
  • Henrique Mareze  23/02/2013 14:09
    Ótimo texto. É interessante dissecar a história e mostrar seus fatos e mitos, doe a quem doer.
  • Patrick de Lima Lopes  23/02/2013 15:09
    Enquanto isso, no Brasil, criminaliza-se o revisionismo histórico. A historiografia brasileira, desde a Ditadura Militar, vem sendo um famoso caso onde qualquer questionamento ao "legado histórico" é facilmente rebatido. Geralmente, não por argumentos, trabalhos científicos ou refutações ricas; mas com o bom e velho ad hominem, seja ele na forma de apelo à autoridade ou mero desmerecimento. Somada a falácia lógica à retórica convincente de que para argumentar não basta possuir evidência, cria-se um ambiente histórico aristocrático(Exclusivo aos juízes e seus discípulos, integrantes das universidades federais e pouco fiel ao propósito real da historiografia:
    Relatar com a maior fidelidade possível os acontecimentos do passado.

    Jornalista realizando revisionismo histórico? Absurdo, jornalista possui o poder de especular, historiador, não. O fato de você ter provas de seus clamos de nada vale, pois a partir do momento em que não integras o "debate histórico nacional", nenhum de seus questionamentos entrarão nos livros de história ou alterarão alguma avaliação futura.

    A forma aristocrática como o estudo das ciências humanas ocorre no Brasil é, provavelmente, resultado de intervenções governamentais em diversos setores desconexos relacionados à educação no passado. O primeiro fator a ser adicionado foi o início das universidades no Brasil, cujos os primeiros educadores monopolizavam o título de uma inquestionável elite intelectual. A educação superior pertenceria quase que monopolizada pelo estado até os dias de hoje devido aos fortes entraves burocráticos e financeiros fortalecidos por um século de tragédias econômicas promovidas pelo governo e tirania estatista formal e informal. Tais ações políticas colaboraram para a concentração dos estudos humanos em um grupo seleto de associações entre universidades, que seria essencial para a dominação de um "certo grupo ideológico" anos mais tarde.

    O segundo fator é a ditadura militar, que fortaleceu ad absurdum o esquerdismo como o símbolo da liberdade e do caminho certo, levando à dominação das ciências humanas pela geração socialista, que consiste nos políticos, professores e intelectuais da atualidade. Tal poder esquerdista sobre a educação não é exclusivo ao Brasil, desde a Grécia o meio intelectual sempre nutriu uma preferência pelas "Espartas" da vida, ricas em planejamento central e sempre com estado forte. A ditadura militar impôs uma educação voltada à sua dominação, mas falhou miseravelmente e criou seu próprio inimigo: Sua falha em encontrar um corpo docente disposto a seguir seus dogmas transformou o ambiente universitário no exato contrário ao planejado, formou-se uma resistência esquerdista ferrenha que tomaria as rédeas do movimento de liberdade e, consequentemente, da política da nova república.

    Então, chegamos aos dias de hoje. O fator 1 geraria a concentração do meio intelectual que seria utilizada pelo fator 2 para perpetuar sua obra histórica, escrevendo quase toda a literatura educacional para si. Entretanto, os revisionistas viriam para tentar mudar os equívocos que foram feitos e preservados durante o último século, encontrando como barreira uma monopólio aristocrático esquerdista da verdade no qual não basta possuir evidência, é preciso que tanto o autor como suas provas tenham sido aprovadas pelos mesmos. Sem falar que há também o MEC, um orgão que torna verdade a ser ensinada o status quo, independente de qualquer questionamento que esteja sendo realizado.

    É imprescindível que, se de fato desejarmos recuperar a historiografia para seu propósito original, as mudanças passem a ser oficializadas da forma como qualquer ciência SÉRIA é, através da evidência e não da autoridade. O fato de uma mentira(Vide as explicações correntes da grande depressão e da crise de '70) ser politicamente ou ideologicamente conveniente não a torna uma verdade.

    Especulações à parte que tenha feito em meu comentário, é inegável que a falta de comprometimento com os fatos em prol da ideologia tenha contaminado a economia, a geografia e a historiografia. A questão é: Conseguiremos algum dia recuperá-las da latrina intelectual que ainda as controla?

    Somos livres para questionar. Ao menos até algum filósofo fidalgo inventar uma agência reguladora dos pensamentos(ANAMENTE) em prol de algum bem comum...
  • O Volto  23/02/2013 15:58
    Muito obrigado por esta visão, que desconheci.
  • anônimo  23/02/2013 18:37
    Lincoln declarou guerra para libertar os escravos. Mas o fato é que a decisão da união de abolir a escravidão foi o que desencadeou a declaração de secessão.
  • Ricardo  23/02/2013 18:44
    Entendeu errado. Inverteu tudo. Os estados do sul já estavam confederados. A declaração da abolição veio depois. Aliás, o texto é claro quanto a isso. Tristeza ver gente que, além de desconhecer história, não consegue entender o que está escrito claramente.
  • anônimo  23/02/2013 19:01
    "Lincoln declarou guerra para libertar os escravos"
    - Droga. Digitei mto rapido. Eu queria dizer: "Lincoln NÃO declarou guerra para libertar os escravos".
  • bernardo  24/02/2013 01:22
    Vale a pena analizar os discurssos dos confederados quando se separaram, os motivos por eles alegados, ajudaria a entender melhor a situação. Eu concordo com tudo no texto, mas algo me intriga, Lincoln já não defendia a abolição antes mesmo de ele se eleger?
  • anônimo  24/02/2013 15:38
    Se você perguntar a um político ou historiados oficial dos EUA os motivos que levaram aquele país a invadir tantos outros em tempos modernos eles dirão: estávamos levando a liberdade a estes povos. Este tem sido a resposta padrão deste país desde a Guerra Civil, "levar à liberdade". Pobre de quem acredita.
  • Marcos   24/02/2013 16:54
    Esse tal de Walter Williams é chocantemente ignorante.

    Ele critica Lincoln sobre a Proclamação de Emancipação dizendo que na verdade, Lincoln era um hipócrita por não ter libertado todos os escravos, com a Proclamação de Emancipação. Esquecendo que Lincoln trabalhou assiduamente para obter do Congresso a aprovação da Décima Terceira Emenda, o que fez em janeiro de 1865, mas parece que o autor preferiu não dar nenhum crédito à ele pelo esforço.

    Obviamente, em um sentido puramente restrito, a Proclamação da Emancipação parece contraditório, pois a Emenda dizia que os escravos nos território rebelde seriam libertados, enquanto os escravos em território não rebeldes, atualmente sob a autoridade dos Estados Unidos não seriam libertados.

    Mas chamar isso de hipócrisia seria condenar Lincoln através de fatos históricos incompletos, olhando através de uma lupa, sem abrir a mente e não ver o quadro inteiro da situação, um caso que se aplica especialmente para a guerra civil americana. Nada que Lincoln fez durante a guerra pode ser entendida corretamente sem vê-la no contexto dos acontecimentos da época.
    O Objetivo primordial de Lincoln, como ele mesmo disse, em agosto de 1862, numa carta à Horace Greeley, carta escrita depois de ele ter decido sobre a proclamação da emancipação, foi para salvar a União, ou seja os Estados Unidos. Se ele pudesse salvar a União libertando os escravos, ele teria feito. Se ele pudesse salvar a União, deixando os escravos na escravidão, ele teria feito também. Se ele pudesse salvar a União libertando alguns escravos, e não outras, ele teria feito assim.

    Ao mesmo tempo, como a guerra se arrastava e se tornava um conflito muito sangrento, que ninguém tinha previsto, havia um sentimento crescente entre os americanos da época, de que o custo humano e financeiro da guerra jamais poderia ser recuperado, a União não podia simplesmente deixar o retorno do Sul à condição ante-bellum que levaram à eclosão da guerra. Algo mais precisa ser alcançado para fazer tudo valer a pena. O projeto de libertar os escravos cresceu gradualmente ao longo do tempo e se tornou um fim em si mesmo.

    Enquanto a natureza contraditória do presidente transparecia no seus textos, analisando mais a longo prazo, o fato de Lincoln não objetivar a liberdade de todos os escravos tornou-se irrelevante. A Emenda Constitucional foi uma medida de guerra destinado a derrotar o Sul e restaurar a União, e não uma medida social que visava inicialmente acabar com a escravidão. Mas, uma vez proposto o ato revolucionário de libertar todos os escravos do sul em territórios conquistados pela União, permitiu que surgisse uma nova dinâmica que levaria, por fim a libertação de todos os escravos, o que foi conqusitado graças a emenda proposta por Lincoln.

    Além disso, qualquer preocupação com a hipocrisia de Lincoln é sobrepujado pelo papel de liderança que ele teve na defesa da União e na vitória pela aprovação da 13a emenda. Logo, a obsessão do autor do artigo sobre a suposta hipocrisia de Lincoln em 1863, por não querer libertar todos os escravos, me parece bizarro.

    Acrecentando, como a Emenda de Emancipação ajudou a impulsionar a vitória da União sobre os Confederados do Sul:

    1.Influenciou a opinião pública européia, majoritariamente anti-escravagista, a não apoiar os confederados;

    2. Deu incentivo aos escravos que ouviram a Proclamação da Emancipação, em áreas controladas pelos rebeldes, a atos de desobediência, sabotagem, rebelião e deserção, o que teve um impacto negativo sobre a logística dos confederados (um escravo que escapava e chegasse aos territórios da União passava a lutar pela causa).

    Com base na forma como as coisas aconteceram, diria que esta foi uma manobra extremamente inteligente de Lincoln que contribuiu significativamente para a vitória da União.

    Obs.:
    Entre os pontos do artigo, que não está mencionado na tradução, mas foi mencionado no texto original escrito por Williams e que precisa ser também esclarecidos aqui:

    1. Lincoln não poderia incluir a emancipação dos escravos aos Estados da fronteira, como o Missouri, porque isso poderia ter levado aquele Estado a lutar pelos Confederados. Se isto tivesse acontecido, Washington DC teria sido cercado pelos Confederado de Maryland, bem como pelos Confederação da Virgínia, e as forças da União não seriam capazes de usar Kentucky como ponto de partida pra golpear o coração da Confederação, no Tennessee e, mais tarde, na Geórgia (a Marcha do Gen.Sherman para o Mar, que quebrou a retaguarda da rebelião).
    2. Lincoln acreditava que a emancipação poderia ser derrubado na Suprema Corte, mas caso fosse uma medida de guerra específica contra os rebeldes, não poderia derrubado pelos juízes, o que, obviamente, significava que só poderia aplicar aos escravos dos Estados Confederados. É preciso lembrar que o Chefe da Justiça daquela época, Taney, ainda dirigia o Tribunal e Lincoln estava muito preocupado que a Emenda da
    Emancipação poder ser derrubado na Corte.
    3. Antes de lutar pela proclamação da emenda, Lincoln tentou nos Estados da fronteira (e outros também), com uma Lei de Emancipação que indeniza os
    senhores de escravos. Além disso, o Congresso Republicano, em 1862, aboliu a escravidão no Distrito de Columbia.

    Enfim, O preço desta recusa: 750.000 compatriotas assassinados pelo seu próprio governo é contraditório, pois a cifra representa o total de ambos os lados, milhares de soldados da União foram mortos pelos confederados também. Ademais, a Guerra Civil Americana drenou os recursos financeiros do Norte. O custo total da guerra foi estimado em 115 bilhões de dólares, valor que supera em muito qualquer lógica de arrecadação tributária, o custo do conflito jamais compensaria a perda de arrecadação, caso a União tivesse aceitado a perda dos Estados do Sul.
  • Eleno  24/02/2013 23:35
    "Ele critica Lincoln sobre a Proclamação de Emancipação dizendo que na verdade, Lincoln era um hipócrita por não ter libertado todos os escravos, com a Proclamação de Emancipação."

    Em primeiro lugar, a crítica nunca se centrou a este ponto. Isso foi algo totalmente secundário. Ademais, quem criticou Lincoln neste aspecto não foi o articulista, pois este se limitou a citar as palavras do próprio Secretário de Estado de Lincoln, este sim um grande crítico da Proclamação de Emancipação. Aprende a ler.

    "Esquecendo que Lincoln trabalhou assiduamente para obter do Congresso a aprovação da Décima Terceira Emenda, o que fez em janeiro de 1865, mas parece que o autor preferiu não dar nenhum crédito à ele pelo esforço."

    Lincoln trabalhou assiduamente pela Décima Terceira Emenda?! Você cita lugares-comuns que ouviu em suas aulinhas de história da oitava série e já sai dizendo que todo mundo que não repete o mesmo é igualmente ignorante?

    A literatura sobre Lincoln -- sobre a qual você nunca leu nem o resumo da orelha -- mostra que não há a mais mínima evidencia de que Lincoln trabalhou assiduamente para tal aprovação. Recomendo que você ao menos leia o resumo dessa pendenga aqui:

    lewrockwell.com/dilorenzo/dilorenzo245.html

    Após dois erros crassos em um só parágrafo, não tive a mínima paciência para ler o resto do seu chilique. Se alguém quiser fazer as honras...
  • Josué  25/02/2013 14:35
    Li o comentário de Marcos e não achei ruim...
    Lincoln pode ter trabalhado pela 13a emenda sim, mas não quer dizer que tenha sido fundamental, afinal, segundo especialistas americanos, só não existem evidências.
    De qualquer forma, o assunto é polêmico, o verdadeiro papel de Lincoln sobre a 13a emenda não é 100% unânime entre os historiadores americanos, isso é fato.

  • Paulo Souza  25/02/2013 14:38
    Eleno,
    Vai ser arrogante assim no inferno !
    Li o comentário de Marcos, apesar de não concordar com o texto, é preciso aceitar opiniões contrárias, afinal estamos numa democracia.
    Abraços,
    Paulo
  • Pedro Griese  25/02/2013 09:32
    Corrijam-me se estiver errado, ou confirmem se estiver certo. Mas e Lincoln fez a proclamação de emancipação nos estados rebeldes justamente porque esses estados formaram um "país" novo (Estados Confederados da America) e a legislação dos EUA permita que o governo confiscasse a propriedade de membros estados de inimigos ou rebeldes.

    Essa não foi a brecha legal encontrada para libertar os escravos dos estados que se rebelaram?

    E ao mesmo tempo seria a explicação da razão dele não libertar todos os escravos naqueles lugares em que estavam alinhados com a união. Esperava que Williams abordasse esse ponto.

    Sds
  • Rodrigo G Wettstein  31/01/2018 17:46
    A razão dele não libertar os escravos nos Estados do Norte foi única: não haviam escravos na maioria dos Estados do Norte e nos residuais, ele tentou alterar juridicamente eou através das assembléias estaduais. A nível federal, tentou remover Taney, chefe de justiça da Suprema Corte americana do cargo e alterar a Lei aprovada pelo próprio Taney (o caso Dredd Scott), de que os negros não eram cidadãos e não tinham direitos civis.

    Antes, haviam leis estaduais no sul, aceitas federalmente, a "Lei dos escravos fugidos", em que um escravo que fugisse a outro estado poderia ser resgatado ou morto pelo dono, sem que ninguém interpusesse. Ainda ordenava que os estados não escravocratas ajudassem em sua captura. A questão ía até o nível internacional. Chegaram a tentar obrigar a Inglaterra a indenizar negros apreendidos em navio, no caso Trent.

    Quando Lincoln impôs a Proclamação de Emancipação, mandou tudo isto que eu disse às favas e tudo isto perdeu legalidade.

    Os eventos históricos são muito, mas muito mais complicados do que possa parecer. E muito mais complicado do que ocorreu no Brasil.
  • Rose  25/02/2013 01:16
    Numa séria de TV,com o ator Richard Dreyfus,esse texto foi usado.O filho de seu personagem,que era professor,leu esse texto na aula de história e criou uma polêmica.
    Até hoje,os americanos querem colocar uma pá de cal sobre a real história de Lincoln e
    não admitem que ele tenha sido o hipócrita,maldito e canalha que foi.
    O seu assassino (outro canalha,tão grande quanto ele)gastou bala desnecessária.
    Como agora Lincoln,está até caçando vampiros,no melhor estilo Van Helsing,só podemos
    esperar que algum vampiro nos livre dessa maldição de endeusar um ser humano,que tinha
    algumas qualidades(administrador)e muitos defeitos.Afinal era HUMANO e humanos erram.
    Uma coisa é engraçada,nisso tudo:Por 2 mandatos um mestiço,exatamente das 2 raças que
    ele abominava que se miscigenassem,responde pela presidência,que ele nem conseguiu terminar.
    Será algum karma atrasado?
  • anônimo  25/02/2013 14:39
    Grande karma esse, o cara era um racista e quem paga o pato são os outros; o povo de hoje que tem que aguentar o companheiro Obama
  • Leandro Coelho  25/02/2013 09:32
    Poxa vida, fiquei decepcionado...após ver o filme imaginei um Lincoln e em poucas linhas esse Lincoln sumiu completamente, inclusive com proposições absurdas de apoiar ou no mínimo a indiferença em relação a escravidão!
  • Mark  25/02/2013 13:48
    Colega, leia outros autores. Da mesma forma que o filme colocou uma visão sobre Lincoln, esse artigo colocou outra. E outros historiadores terão outras. Qual é a mais correta? Realmente não sei dizer.
  • anônimo  28/11/2013 10:37
    Bom li muitos artigos tantos que não consigo mencionar mas como de costume as pessoas aprenderam ao longo do tempo lembrar-se somente de coisas ruim ou erradas dos antigos presidentes mas não se dão conta que nem metade da metade dos presidentes de quais quer seja o pais desse nosso mundo gigantesco fez metade do que Lincoln fez pelo seu povo o que é raro , não a como ser perfeito ele e lembrado por ser um dos melhores presidentes não por ser perfeito e a tantas versões o que e comum com pessoas históricas pois não a como provar 100%.
  • Leonardo Faccioni  25/02/2013 13:17
    É consolador ter a companhia do Instituto na árdua tarefa de desmistificar Lincoln ao público brasileiro, sempre tão permeável à propaganda audiovisual.

    Há que considerar o momento do lançamento do filme, convertido este em uma fábula sobre um "homem forte" à frente do Poder Executivo destinado a forçar, sobre um parlamento dividido e reticente, uma reforma legislativa radical. O Lincoln imaginário de Spielberg, está claro, é um Obama de casaca.

    Uma pena o texto, embora as mencionando, não se aprofundar nas exposições de Thomas DiLorenzo e Tom Woods a respeito do que, segundo eles, foi a verdadeira causa motriz de Lincoln em sua guerra total: aniquilação da autonomia federativa e concentração do poder (leia-se receitas) na capital federal. Nesse aspecto, com efeito, o presidente obteve sucessos épicos que se fazem sentir ainda em nossos dias.

    Ressalta-se que a premiação dos Academy Awards deu-se na noite passada e, caracterizando a submissão de Hollywood à agenda corrente de Washington, o envelope com a premiação de Melhor Filme do ano foi revelado diretamente da Casa Branca, por uma Michelle Obama em costumes e circunstâncias dignas de Cleópatra. Que momento glorioso para o regime seria, então, ter Lincoln como o grande vencedor da noite!

    O premiado, contudo, foi "Argo". Nem por isso a vitória do grupo governante foi menor. A produção é recheada de distorções anti-ocidentais para mitigar o papelão do então governo esquerdista de Carter, justificando o extremismo islâmico da Revolução Iraniana pela tese do orientalismo ("o Oriente seria uma invenção ocidental"). Um evento historicamente relacionado à incompetência de um governo democrata foi, num passe de mágica, jogado na conta de uma suposta política externa neoconservadora. O inaceitável em tal tese (para não falar na acurácia histórica) é posicionar os povos do oriente como moralmente irresponsáveis, o que, ipso facto, faz com que sejam realmente merecedores de tutela estrangeira.

    A indústria cultural americana está entusiasmadíssima para fazer-se dependente do Estado. A hagiologia sobre Lincoln e a revisão pró-democrata da história recente são, assim, marcas indeléveis dos tempos em que vivemos.
  • Artur Fernando  26/02/2013 16:37
    Belo panorama... em momentos de crise, todos querem uma teta ao sol!!! Aguardando nossos talentosos cineastas bradando... "viram, até hollywood reconhece a importância do financiamento público no cinema".
  • Leonardo Faccioni  27/02/2013 18:43
    Grato, Artur. No fim das contas, o artigo de Williams traduzido pelo Instituto permitiu-me desenvolver o comentário para uma abordagem mais ampla do recentíssimo uso político do cinema pela esquerda americana. Se me permitem, pois, um rápido merchandising, eis o resultado final: www.faccioni.blogspot.com/2013/02/o-oscar-2013-e-politica.html
  • Fernando Chiocca  25/02/2013 15:47
    Aprendi que Lincoln não foi tão ruim. Eu tb concordo com a Emanda Corwin.

  • Eduardo R., Rio  23/12/2014 21:09
    Acho curioso como as pessoas leem uma afirmação dessa e ninguém discorda ou ao menos pede maiores explicações, como se se tratasse de uma opinião óbvia. Será que é medo de levar "patada" do opinante? Enfim, Fernando Chiocca, poderia explicar por que você é a favor da Emenda Corwin, a qual, segundo o artigo acima, "proibia o governo federal de interferir, sob qualquer circunstância, na escravidão do sul dos EUA"?
  • rodrigo  25/02/2013 16:21
    nunca tinha lido nada sobre Abraham Lincoln, a unica referencia que eu tinha era sobre como ele aparecia nos desenhos animados. Estava com vontade de ir assistir ao filme pois parecia que iria contar a história de um herói, pelo menos agora não gastarei nada para ir ver essa mentira.
  • anônimo  26/02/2013 01:35
    Eu entendo o que motivou a terra, mas não entendeu de onde surgiu o papo de libertar os escravos. Alguém me explica?
  • Bright  26/02/2013 11:41
    Bom texto. Mas eu gosto mais daqueles que falam sobre a realidade (e personalidades) brasileira.
  • Elaine Matsuda  26/02/2013 12:49
    Acho que nem sempre os governantes fazem o que está escrito ao pé da letra, o que importou foi o resultado, e saiu em seu governo! Será que ele queria mesmo ou não?!!!
  • Murilo Bragança  28/02/2013 17:48
    Lincoln estava longe de ser um santo. Muito longe... Mas percebe-se uma mudança no seu discurso ao deixar de apoiar a ideia da transferência de negros para um novo país e ao apoiar - por motivos pragmáticos ou não - a Emancipação. O próprio e grande Frederick Douglass elogiaria a decisão de Lincoln no funeral deste.

    Sobre as 750.000 "vítimas": A luta pela União foi algo nobre. Enquanto os Pais da Independência lutaram inicialmente por representividade e depois por autodeterminação, os Pais Confederados lutaram pura e simplesmente pelo direito de ter escravos. Se alguém deve ser acusado da morte de 750.000 seres humanos, são os coronéis arrogantes que - ao perceberem que não poderiam usar mais o federalismo para empurrar sua vontade goela abaixo da maioria americana anti-escravagista - buscaram construir sua República Oligárquica fundada na exploração de seres humanos. O autor do texto também parece ignorar que a Guerra Civil Americana foi iniciado pelos Confederados, ao atacarem o Forte Sumter. Até então buscava-se uma solução pacífica para a disputa. O grande legado de Lincoln - o mais honesto ao menos - foi a preservação da União.
  • Luis  28/02/2013 18:02
    Entendi. Quer dizer então que se um estado brasileiro quiser se separar do jugo de Brasília, você defende que o governo federal mande tropas para massacrar estes secessionistas. Afinal, a culpa toda é dos "arrogantes" que querem se separar. É um sentimento bonito. A União (leia-se: poderes máximos para o governo federal) acima de tudo!

    Quanto à falácia de Forte Sumter, seria bom você checar seus fatos antes de vir aqui defendendo genocídio.

    Lista de mortos no ataque ao Forte Sumter, na Carolina do Sul: 1 cavalo, nenhum humano.

    Lista de mortos à honorável resposta de Lincoln a este ataque: 750.000 humanos (inclusive 100.000 civis do sul); milhares de cavalos.

    Realmente, foi uma resposta moderada, prudente e ponderada, típica de um grande estadista....

    Outra coisa: o Forte Sumter foi atacado por uma milícia de cidadãos da Carolina do Sul, os quais consideravam, muito corretamente, o forte como sendo sua propriedade, pois foi pago com seus impostos e construídos para a proteção deles, cidadãos da Carolina do Sul. Um presidente responder a este ataque inócuo, que não gerou nenhuma morte, com uma invasão de escala maciça e, principalmente, de todos os estados do sul, matando 750 mil pessoas, realmente foi uma resposta ponderada, né?

    Se um catarinense invade o Congresso Nacional e dá um tiro em Renan Calheiros, o governo federal, segundo você, está mais do que justificado em sair mandando bomba em todos os estados do sul.
  • Murilo Braganca  01/03/2013 00:24
    Obviamente que não houve mortes por ação direita dos Confederados na Batalha do Forte Sumter. Menos de 100 contra mais de 400 não é um cálculo muito benigno aos primeiros. Ainda assim, Beauregeard - que liderou o ataque - estava bem consciente de que suas ações iniciariam uma guerra.
    E sim: Se um ou mais Estados tentassem se separar, sem nenhuma justificação válida, é um imperativo moral que tal ato seja parado. Como deixei bem claro acima: A Guerra de Independência Americana teve uma justificativa nobre. A Guerra de Secessão não.
    E, mesmo se fosse a favor de uma secessão baseada em qualquer vontade, como poderia ser a favor de um Estado hipócrita que previa na sua Constituição a proibição da mesma?

    Bellani: Não defendo genocídios, pois, como poderia defender perseguição a contrários a um determinado regime - como a que a Home Guard confederada fez contra seus cidadãos - ou sequer massacres - como o de Fort Pillow -?

    E sim, Luciano, a Escravidão acabaria mais cedo ou mais tarde. Mas considerando que os Confederados ganhassem e que não haveria represálias por parte de Washington, quanto mais duraria essa escravidão? 10? 20? 30 anos? Seria aceitável levar mais esta mancha na história humana? De que pró-escravagistas tentaram formar um Estado baseado em tal vil instituição e que os EUA não fizeram nada enquanto a Europa deu tapinhas nas costas do primeiro?

    O que me arrepia é o fato de que alguns gostariam de ver um governo baseado no escravagismo, com uma liderança que faria Lincoln parecer um bom samaritano - Davis com um micromanejamento fraco; Stephens, que buscava mais a presidência do que ser útil de alguma forma; Rhett que sugeriu escravizar os pobres brancos; ou Lee e seu amor incomum por ataques frontais suicidas -. Basta uma leitura da Constituição Confederada para dar graças aos céus por este projeto de Estado ter falhado. Era uma afronta aos próprios princípios que acredito que todos vocês defendem.
  • Eduardo Bellani  01/03/2013 13:09
    Não disse genocídios, e sim genocidas. Você defende Lincoln, um
    famigerado genocida.

    E sim: Se um ou mais Estados tentassem se separar, sem nenhuma
    justificação válida, é um imperativo moral que tal ato seja
    parado. Como deixei bem claro acima: A Guerra de Independência
    Americana teve uma justificativa nobre. A Guerra de Secessão não.


    Bom saber que a liberdade de se separar de uma sociedade só é válida
    quando você acha a causa nobre. Se a causa que não é nobre, bomba
    neles.
  • anônimo  09/03/2013 09:36
    'Seria aceitável levar mais esta mancha na história humana? De que pró-escravagistas tentaram formar um Estado baseado em tal vil instituição '

    Mas eles não tentaram.Essa desculpa foi inventada depois.
    E lincolsn também era pró escravidão, contanto que o senhor fosse o governo.
  • Rafael  17/08/2014 15:21
    Nossa, Luis, você distorceu completamente o comentário do Murilo... Ele disse que achava justo atacar os confederados porque eles queriam criar um Estado baseado na escravidão humana. Ele não disse que apoiava o ataque só porque eles estavam tentando se separar da União.... Infelizmente é um hábito comum por aqui as pessoas distorcerem o que as outras falam....
  • Eduardo Bellani  28/02/2013 18:18
    www.lewrockwell.com/dilorenzo/dilorenzo17.html

    Sua defesa de genocidas me faria rir, se não me enojasse primeiro.
  • Luciano A.  28/02/2013 19:20
    Acredito que mesmo se os Confederados tivessem conseguido se separar da União a escravidão não duraria muito tempo. Seria abolida da mesma forma que ocorreu nos outros países.
  • Fernando  01/03/2013 14:47
    Texto muito bom, bem encadeado lógica e ideologicamente. Nunca acreditei em ídolos e Lincoln não seria diferente dos outros. Todos tem pés de barro, cometeram erros graves de em algum ponto foram movidos por interesses egoístas. Quem verdadeiramente lutou pelos negros nos EUA foram Martin Luther King e Malcolm X, não Lincoln.
  • Eduardo Bellani  01/03/2013 23:16
    Contribuindo pelo valor cômico.

    www.estadao.com.br/noticias/nacional,na-cut-lula-se-compara-a-lincoln-e-critica-adversarios,1002227,0.htm

    Como já li em algum lugar, "Sempre que um político cita Lincoln, a situação vai piorar."
  • Helio Ti Nés  05/03/2013 20:57

    Sinto cheiro de pensamentos comunistas rondando o Instituto Von Mises...

    Este negócio de " é só rastrear o dinheiro para saber as motivações " sei não...

    Afrocoitadistas radicais parecem que se fazem presentes também...
  • anônimo  15/03/2015 16:03
    Até parece que vc não sabe que alguns dos maiores apoiadores de tudo quanto é tralha comunista é gente muito rica. E/ou que ficaram ricos por causa do estado.
  • Vinicius  08/03/2013 17:56
    Engraçado como a história é alterada. Os nortistas (liberais) acusam os sulistas (conservadores) de serem os únicos à favor da escravidão, mas depois disso, é óbvio que isso é mentira. Os EUA estão numa fase de contar mentiras e mais mentiras sobre o povo do sul que são os únicos pariotas e conservadores. É só ver como os sulistas são retratados como idiotas que transam com a irmã, são extremamente fanáticos por Deus, caipiras burros... Chega a ser triste o tanto que mentem quando falam do sul dos EUA.
  • Anônimo  08/03/2013 23:31
    O Sul perdeu porque parou de recrutar Soldados.

    Salvo melhor juízo, uma lei regulando o alistamento de Donos de escravos.


    Encerraram o alistamento , porque rico não se alistava mais.

    A Guerra Acabou...

  • mario marcio soares junior  12/07/2013 15:33
    No tocante à idéia de que Lincoln, de fato, não possuia toda a áurea que lhe era atribuída, mais especificamente no tocante aos escravos, por que, então, foi alvo de um escravagista convicto, John Wilkes Booth?
    Talvez a idéia que se deva aplicar é a de que, e isso vale para qualquer personalidade, não existam grandes homens, mas homens capazes de grandes atos!!!
  • Malthus  12/07/2013 15:44
    Ué, o sujeito arregaçou o sul dos EUA, sua guerra matou mais de 600 mil americanos, dizimou famílias. devastou a economia local e ainda submeteu os confederados ao jugo de Washington. É realmente de se estranhar que ao menos um sujeito tivesse ficado puto com tudo isso?
  • thiago mota  08/11/2013 14:12
    tapa na cara dos criadores de ídolos
  • atorres1985  15/03/2015 12:44


    A intenção deveria ser óbvia: se um negro quisesse ser livre, teria que fugir para o Norte e daí se alistar no Exército.
  • joão bosco  01/11/2017 00:01
    É um fato histórico tão distante dos tempos atuais que fica difícil saber, o que O Sr Lincoln disse ou não disse de fato.
    O que parece certo é que a emancipação dos afrodescendentes da época poder ter criado um enorme problema social pois os mesmos eram "propriedades".
  • Rodrigo G Wettstein  30/01/2018 11:52
    Ao julgar ato de uma figura central do Poder de uma Nação, devemos observar o poder alcançado e exercido por ela, assim como sua época. Assim, tornemos Lincoln réu, vasculhemos os fatos e deixemos ele falar livremente, não nos limitando por ângulos de um prisma a refletir uma certa luz. Caso contrário, talvez, cheguemos a conclusões esdrúxulas, tais quais a de certos pesquisadores históricos, de que Lincoln era bissexual (e, sim, estes pesquisadores existem!).
    Lincoln era inteligente, acima da média? Todos os historiadores, eu disse todos, o consideram formidável. Que ele tinha uma alta capacidade de se adaptar, de análise e confrontação de argumentos sem violência argumentativa (ad hominem, etc), como se pode observar em sua carreira como advogado. Era autodidata! Seu poder de oratória, retorica e conciliação de visões antagônicas foi admirado por muitos contemporâneos seus. Mas apenas isto não mostra o que ele era, ao contrário de muitos políticos na atualidade acharem que sim, como FHC, Lula, Temer, etc e etc.
    Aqui, ele se torna um estranho para muitos, mas a quem os sábios passam a temer.

    A informalidade, evidenciada em suas roupas desalinhadas, seu andar, seu rosto e sua mimica facial, foi unanimemente descrita naquele tempo pela elite política como sendo "desprezível" e "feia". Mas uma citação comovente, de Frederick Douglass, nos permite antever seu traço político "Em sua companhia, eu nunca fui lembrado de minha origem humilde ou de minha cor impopular" (Douglass, Frederick (2008 reeditado) - The Life and Times of Frederick Douglass, págs. 259–260). Ele encantava multidões em vilas para sua candidatura estadual, não só encantando corações, como se diz atualmente, mas se projetando nas multidões, como se ligasse um interruptor ocioso, qual seja, o motivo de estarem ali, naquela nova Terra, e de existirem, o ideal dos "Pais fundadores", como ele dizia, junto a todo o processo de transferência do velho mundo ao novo mundo. Quando todos se digladiavam sobre a Constituição e suas Leis que deveriam ser seguidas fanaticamente, ele reergueu a Declaração da Independência, de igualdade e liberdade para todos, em contraste com a tolerância constitucional a escravidão. Desta forma, ele se apoiava nos "Pais Fundadores", e não nos radicais abolicionistas que não chegavam a "lugar nenhum".

    Lincoln era ostensivamente, em sua carreira inicial, a favor do "Free Soil" (Solo Livre), que era oposto tanto à escravidão quanto ao abolicionismo. Nas palavras dele: "A instituição da escravidão está fundada na injustiça e na má política, mas a promulgação das doutrinas abolicionistas tende mais propriamente a aumentar do que diminuir tais males" (Donald, David - Lincoln, 1996, pág. 134). Depois, em colaboração com o abolicionista Joshua R. Giddings, Lincoln elaborou um projeto de lei para abolir a escravidão no Distrito de Columbia com a indenização para com os proprietários, captura dos escravos fugitivos e um plebiscito sobre a questão. No entanto, ele não conseguiu continuar com a proposta pois não teve apoio de seus partidários Whigs. (Foner, Eric (2010). The Fiery Trial: Abraham Lincoln and American Slavery, p. 57).

    Quanto à polêmica das declarações de Lincoln, caso leiam TODOS os discursos e cartas vocês verão alguém profundamente republicano em seu sentido mais benéfico e primitivo. E é um alívio lê-lo, diante de tantas mutações de governos republicanos atuais. Quando o lemos por completo e o incluímos dentro da história, vemos várias declarações firmes contra a escravidão, ao contrário do que faz parecer o autor do artigo, a quem inclui citações apenas de sua época de candidatura e posse, pré-guerra. Exceção a isto é a citação de não apoio ao projeto dos abolicionistas, que ocorreu cerca de 2 anos antes, quando um primeiro projeto, proposto pelos abolicionistas, era muito radical e ele viu que seria desgastante politicamente (suicídio político) e impossível de ser aprovado numa confrontação direta (imagine que por exemplo que a desapropriação de terras seja a coisa mais nobre e correta do mundo e que nós sejamos preconceituosos ao extremo quanto a isso e não aceitemos de jeito nenhum e alguém leva um projeto desses e é aprovado no congresso e o presidente assine. Imaginaram? Pois é, os militares e famílias brasileiras de 64 também. Então, eu, uma vez político, por que diabos apoiaria um projeto radical desses? Perceberam? A gente incrimina e revisa Lincoln de uma forma desonesta. Lembrando que Tiradentes tinha 5 escravos e Lincoln nunca teve.

    Outra, William parece ter entortado uma declaração de Lincoln. Onde ele cita: "Em um discurso proferido em Springfield, Illinois, ele explicou: "Minhas declarações sobre este assunto da escravidão negra podem até ser deturpadas, mas não podem ser mal interpretados. Já disse que não vejo a Declaração (de Independência) como sendo uma afirmação de que todos os homens foram criados iguais sob todos os aspectos. "". Na verdade Lincoln arguiu que "os autores da Declaração da Independência nunca tiveram a intenção de dizer que todos eram iguais em cor, tamanho, intelecto, desenvolvimento moral ou capacidade social, mas eles consideraram que todos os homens são iguais em certos direitos inalienáveis, quais sejam a vida, a liberdade e a busca da felicidade. "

    Outra citação, grande e por isso não a incluo aqui, sobre o mais famoso debate político da história ocidental, na candidatura para a presidência dos EUA, entre Stephen Douglas e Abraham Lincoln, em que Douglas o acusava de desafiar a Suprema Corte na questão da escravidão (decisão aprovada por esta anos antes, de que negros não são cidadãos e de que nenhum direito lhes é dado a partir da Constituição e da qual a reação de Lincoln foi tremenda e causou rebuliço nacionalmente). Ora, era candidatura política! Se os candidatos políticos no mundo todo falassem a verdade do que fariam, para o bem ou para o mal, nenhum seria eleito. E o próprio STF americano já era a favor da escravidão! Tinha que se alinhar para não morrer politicamente. E se ele seguisse esta sua declaração, ele vetaria a 13ª Emenda da Constituição.

    Sobre a citação da Emenda Corwin: " Mas ele, no entanto, se empenhou bastante em tentar aprovar, em 1861, uma versão de uma outra décima terceira emenda, conhecida como a Emenda Corwin (en.wikipedia.org/wiki/Corwin_Amendment), a qual visava a consagrar explicitamente a escravidão na Constituição americana. Essa emenda chegou a ser aprovada pelo Congresso. "
    Sim, chegou a ser aprovada. O que o autor do artigo omite desonestamente é que: 1) foi aprovada pouco antes de sua posse turbulenta, em 1861; 2) que ela apenas impedia o Congresso de alterar a questão escravista sem o consentimento do Sul; e por último, mas não menos importante, 3): Por que então ele alguns meses depois, já na guerra, torna os escravos do Sul livres aos olhos do Norte? Porque era guerra e valia tudo ou porque com a guerra ele poderia justificar tudo, até fazer o que ele mais queria sem ser culpado por isto, de tornar escravos livres? São pensamentos que só os melhores enganadores e ilusionistas políticos conseguem responder. O resultado fora escravos livres, sem ajuda de abolicionistas radicais. Se Lincoln odiasse esta idéia de ter escravos livres do Sul no Norte, ele teria revertido a proclamação facilmente logo depois. Afinal, era guerra.

    Lincoln talvez, eu disse talvez, intentava não confrontar os que se atinham a Constituição, mas sim conciliar os opostos e manter a União dos Estados. Penso assim pois os fatos levam a isso. Uma tentativa de assassinato a duas semanas antes de sua posse e a secessão dos Estados do Sul logo antes de sua posse (ele foi eleito em 6/11/1860, a Carolina do Sul oficializou a secessão em 2/12/1860, seguida de outros em 1/2/1861, depois Jefferson Davis se tornou o presidente dos estados confederados em 9/2/1861. E Lincoln toma posse em 4/3/1861). Então, o que um recém empossado Presidente falaria diante de um quadro tão perturbador, de fragmentação nacional contundente? Daí o discurso de posse (cortado, devido ao tamanho): "Apreensão parece existir entre a população dos Estados sulistas que, com a ascensão de uma administração Republicana, suas propriedades e sua paz e segurança pessoal estarão em perigo. Nunca existiu qualquer motivo razoável para tal apreensão. Na verdade, a mais ampla evidencia ao contrário tem sido o tempo todo aberto às suas verificações. Isso é encontrado em quase todos os discursos publicados aos quais me dirijo a vocês. Eu, no entanto, cito um desses discursos, de quando eu declaro que "Eu não tenho propósito, direta ou indiretamente, de interferir na instituição da escravidão nos Estados onde ela existe. Acredito não ter direito legal para fazê-lo e eu não tenho inclinação para fazê-lo"". Lincoln precisava acalmar facções, Estados INTEIROS, colegas de partido com pensamentos diferentes. De que ele não RADICALIZARIA.

    Olhem uma declaração de Lincoln, onde ele fala oficialmente a favor da escravidão, mas deixa uma dúvida no final, que revoltou os escravocratas: "Meu objetivo primordial nesta luta é salvar a União e não entre resguardar ou destruir a escravidão. Se eu pudesse salvar a União sem libertar qualquer escravo, eu o faria, e se eu pudesse salvá-la libertando a todos, eu o faria; e se eu pudesse salvá-la libertando alguns e deixando outros, eu também o faria. O que eu faço referente à escravidão, e à raça de cor, faço porque acredito que ajuda a salvar a União; e ao que se dá minha resistência é porque acredito que não ajudará. Tenho aqui o meu propósito de acordo com a minha visão da missão o?cial; e não tenho a intenção de modi?car o meu desejo pessoal expresso de que todos os homens em todos os lugares podem ser livres" (Roy P . Basler, ed. (1953). The collected works of Abraham Lincoln, p.388). Ele era dúbio, não se comprometia com nenhum dos lados. Coincidência ou não, foi no seu governo que a condição de escravidão foi alterada pela primeira vez e, finalmente, inteiramente abolida AINDA DENTRO DO SEU GOVERNO.

    Embora tudo seja dito a favor ou contra Lincoln, devemos saber que ele era político e dos mais serpentinosos. Exceto em sua carreira inicial, ainda jovem, onde vemos ele batendo de frente com opositores. No entanto, o vemos na maturidade política tentando contornar opositores ferozes (a primeira tentativa de assassinato mostra a ferocidade de muitos opositores) e radicais de seu próprio partido, além dos radicais abolicionistas. Ele aprendeu talvez em alguns livros que leu: "É o tolo que corre sempre para escolher lados. Não se comprometa com nenhum lado ou causa, mas apenas com você mesmo. Mantendo sua independência você se torna mestre dos outros – jogando pessoas umas contra as outras; fazendo-as segui-lo" e "Qualquer triunfo momentâneo que ganhar pelo argumento é uma vitória tênue: o ressentimento e o mal que serão incitados sobre você serão mais fortes e durarão mais tempo que qualquer mudança momentânea de opinião" (pequenas citações encontradas no excelente livro (que não é de autoajuda) "The 48 Laws of Power", onde são relatados muitos trechos da história da humanidade como exemplo. Recomendo).

    Me perdoem por escrever tanto, mas é apaixonante a biografia de Lincoln. Não no sentido fanático ou de procura de um herói, mas de simplesmente descobrir uma vida tão cheia de elementos incríveis.
  • Rodrigo G Wettstein  31/01/2018 17:27
    Lendo mais e mais o artigo, passei a ver mais nuances estranhas. É incrível ser tão fácil destruir e tão difícil construir ou, pior, reconstruir com honestidade intelectual. Tanto que, após lê-lo tantas vezes, passei a temer ser o agente perpetrador de futuras críticas.
    O ponto em questão é o debate Douglas Lincoln citado. Primeiro de tudo, e do qual já perdemos uma confiança plena, é a referência bibliográfica: (traduzido) "Abraham Lincoln, Primeiro debate Lincoln-Douglas, Ottawa, Illinois, 18 de Setembro, 1858, no "The Collected Works of Abraham Lincoln"". Os eventos, na verdade, vêm na seguinte sequência: 16 de Junho 1858, discurso da "Casa Dividida", em Springfield; 21 de Agosto 1858, 1º Debate com Stephen Douglas em Ottawa, Illinois; 27 de Agosto 1858, 2º Debate, em Freeport, Illinois; 15 de Setembro 1858, 3º Debate, em Jonesboro, Illinois; 18 de Setembro 1858, o 4º Debate, em Charleston, Illinois, depois o 5º, 6º e etc. Desta forma, o primeiro debate em Ottawa foi dia 21 de Agosto e não 18 de Setembro. Pode parecer pouco, mas isto acaba confundindo muito quem procura verificar a veracidade do texto citado.
    Bom, o primeiro debate, em Ottawa traduzi ao "pé da letra" o máximo que pude um trecho do seu texto de abertura que mais se aproxima do texto citado no artigo do Sr. Walter William, mas mantendo o parágrafo inalterado, mantido por inteiro. Me perdoem antecipadamente qualquer tradução errônea que, garanto, terá sido por ignorância minha (que não é pouca) e não por má intenção. Leiam a seguir o texto e depois comparem com o texto citado no artigo. Verão como difere bastante e omite partes importantes. Claro que no meio disso tudo, vemos um Lincoln que nega o potencial dos afrodescendentes. Mas estamos falando de um homem público que estava diante de uma Nação altamente polarizada e com alto potencial de violência e intransigência. Do seu íntimo talvez não saibamos nunca mais sobre isso.
    O texto foi retirado do livro "Noted Speeches of Abraham Lincoln" última edição de 2015, por Richard Hulse, edição de Lilian Marie Briggs (Online: www.gutenberg.org e www.pgdp.net a partir dos arquivos na Biblioteca americana ( archive.org/details/americana )
    " Agora, cavalheiros, não quero discursar por nenhuma grande extensão; mas esta é a verdadeira aparência de tudo o que eu tenho sempre dito a respeito da instituição da escravidão e da raça negra. Isto o é por completo; e qualquer coisa que me implique dentro de sua ideia de igualdade social e política perfeita com os negros é tão somente um arranjo falacioso e fantástico de palavras, pelo qual um homem pode provar que uma castanha-da-Índia (horse-chestnut) é um cavalo castanho (chestnut horse). Eu direi aqui, a respeito deste tema, que eu não tenho o propósito, direta ou indiretamente, de interferir na instituição da escravidão nos Estados onde ela existe. Eu acredito que eu não tenho direito legal de fazê-lo, e eu não tenho inclinação para fazê-lo. Eu não tenho propósito de introduzir uma igualdade social e política entre as raças branca e negra. Há uma diferença física entre as duas as quais, em meu julgamento, irá provavelmente afastar para sempre suas convivências em pé de perfeita igualdade; e, já que se torna uma necessidade de ter de haver uma diferença, Eu, assim como o Juiz Douglas, sou a favor da raça à qual eu pertenço como tendo a posição superior. Eu nunca tenho dito qualquer coisa em contrário, mas eu mantenho que, não me opondo a tudo isto, não há razão no mundo pela qual o negro não seja designado a todos os direitos naturais enumerados na Declaração de Independência, - o direito à vida, liberdade, e a busca da sua felicidade. Eu mantenho que ele é tão designado a estes quanto o homem branco. Eu concordo com o Juiz Douglas de que ele não é meu igual em muitos aspectos.- certamente que não em cor, talvez não em dote moral ou intelectual. Mas no direito de comer o pão, sem que seja o resto em qualquer outro, do qual suas próprias mãos conseguirem, ele é meu igual e o igual do Juiz Douglas e o igual qualquer homem vivente. " (1)

    O trecho final, de que Lincoln gostaria de ver uma separação das raças, não foi encontrado. No entanto, há duas passagens em que ele descreve algo parecido, mas não tem nada a ver com o sentido completo da frase: onde ele questiona qual seria a melhor forma de libertar os escravos:

    " Quando o povo sulista nos diz que eles não são mais responsáveis pela origem da escravidão do que nós, eu admito o fato. Quando é dito que a instituição existe, e que é muito difícil dela se livrar sob qualquer caminho satisfatório, eu posso entender e valorizar o que foi dito. Eu certamente não irei culpa-los por não fazer o que eu mesmo não possa saber fazer. Se todo o poder terreno fosse dado a mim, eu não saberia o que fazer com a instituição existente. Meu primeiro impulso poderia ser de libertar todos os escravos, e mandá-los para a Liberia – para a terra natal deles. Mas mesmo que uma reflexão momentânea possa me convencer disto, mesmo sendo de alta expectativa (como eu penso que é) deverá ocorrer em um tempo longo, sua execução de súbito é impossível. Se eles lá se estabelecerem num dia, eles irão todos perecer nos próximos dez dias; e não há suprimento de navios e suprimento de dinheiro suficiente neste mundo para carrega-los para lá por mais tempo que dez dias. Então o que fazer? Libertá-los todos, e deixá-los entre nós como uns subordinados nossos? É tão certo assim de que isto melhorará a condição deles? Eu penso que não posso manter alguém na escravidão, em nenhum grau; o ponto ainda não é claro o suficiente para mim a ponto de condenar violentamente alguém sobre isso. O que fazer? Libertá-los, e torná-los politicamente e socialmente nossos iguais? Minha intuição não admitirá isso; e se a minha pudesse, nós bem sabemos que aquelas da grande massa do povo branco não o admitirá. " (2)
    e
    " (...) Se assim for, então tenho o direito de dizer que, a respeito desta questão, a União é uma casa dividida contra ela mesma; e quando o Juiz me lembra de que eu tenho sempre dito a ele que a instituição da escravidão tem existido por oitenta anos em alguns Estados, e ainda que ela não existe em algumas outras, eu concordo com o fato, e eu adiciona a isso vendo o posicionamento do qual nossos pais originalmente a colocou - restringindo-a dos novos territórios onde não chegou, e legislando contra sua proliferação. O pensamento do público repousa na crença de que isto estava no curso da extinção final. Mas ultimamente, penso eu, - e nisso não mudo nada dos motivos do Juiz, - ultimamente, penso que ele, e aqueles agindo com ele, alteraram aquela instituição para uma nova fundação, da qual vislumbra a perpetualidade e a nacionalização da escravidão. E enquanto é posta em uma nova fundação, digo e tenho dito acreditar que nós não devemos ter paz sobre a questão até que os oponentes da escravidão impeçam a última proliferação disto, e coloquem ela onde o julgamento público deverá descansar na crença de que está no curso da extinção final; ou, de outro lado, de que seus encorajadores irão empurrar adiante até que possa se tornar próximo da legalidade em todos os Estados, o velho como o novo, o Norte tal qual o Sul. (...) A crise será passado, e a instituição (da escravidão) possa ficar por uma centena de anos – se puder viver tanto tempo – nos Estados onde ela exista, ainda assim ela deixará de existir de modo que seja melhor para ambas as raças branca e negra. "

    Lincoln podia ser preconceituoso (na época não era nada anormal e hoje ainda existem muitos) mas ele caminhou e lutou contra a escravidão desde o princípio entre os radicais de cada lado, com duas tentativas de assassinato pelo menos e, direta ou indiretamente, aboliu a escravidão. Não podemos torna-lo herói porque ninguém resiste ao tempo, mas notem a diferença de discursos (ainda no 1º debate) e verão que ele era no mínimo alguém para ser muito admirado:

    Do Juiz Stephen A. Douglas (ele era da elite jurídica à época): " (...) Em primeiro lugar, eu me oponho à cidadania do negro em toda e qualquer forma. Acredito que este governo foi feito em uma fundação branca. Acredito que foi feita pelos homens brancos, para o benefício dos homens brancos e para a sua posteridade para sempre; e eu sou a favor em restringir a cidadania aos homens brancos, os homens de nascimento Europeu e seus descendentes, ao invés de conferi-la aos negros, índios, e outras raças inferiores. (...) ". (4)
    De Lincoln: " Esta declarada indiferença, mas que por mais que eu pense encobre o real zelo para a proliferação da escravidão, não posso senão odiar. Eu odeio isso por causa da monstruosa injustiça da escravidão por si mesma. Eu odeio isso porque ela priva nosso exemplo republicano de sua correta influência no mundo; permite que inimigos das instituições liberais, com plausibilidade, nos zombem como hipócritas; causa aos amigos da liberdade a duvidarem de nossa sinceridade, e especialmente porque força muitos bons homens contra nós mesmos em uma guerra aberta nos princípios fundamentais da liberdade civil (...) " (5)

    Novamente, peço antecipadamente desculpas por qualquer má tradução.
    Abraços e boa sorte a nós brasileiros, sejamos quem formos, todos com potencial enorme, no que virá a ocorrer nos próximos anos.

    1 - " Now, gentlemen, I don't want to read at any great length; but this is the true complexion of all I have ever said in regard to the institution of slavery and the black race. This is the whole of it; and anything that argues me into his idea of perfect social and political equality with the negro is but a specious and fantastic arrangement of words, by which a man can prove a horse-chestnut to be a chestnut horse. I will say here, while upon this subject, that I have no purpose, either directly or indirectly, to interfere with the institution of slavery in the States where it exists. I believe I have no lawful right to do so, and I have no inclination to do so. I have no purpose to introduce political and social equality between the white and the black races. There is a physical difference between the two which, in my judgment, will probably forever forbid their living together upon the footing of perfect equality; and, inasmuch as it becomes a necessity that there must be a difference, I as well as Judge Douglas am in favor of the race to which I belong having the superior position. I have never said anything to the contrary, but I hold that, notwithstanding all this, there is no reason in the world why the negro is not entitled to all the natural rights enumerated in the Declaration of Independence,—the right to life, liberty, and the pursuit of happiness. I hold that he is as much entitled to these as the white man. I agree with Judge Douglas he is not my equal in many respects,—certainly not in color, perhaps not in moral or intellectual endowment. But in the right to eat the bread, without the leave of anybody else, which his own hand earns, he is my equal and the equal of Judge Douglas, and the equal of every living man. "

    2 - "When Southern people tell us they are no more responsible for the origin of slavery than we, I acknowledge the fact. When it is said that the institution exists, and that it is very difficult to get rid of it in any satisfactory way, I can understand and appreciate the saying. I surely will not blame them for not doing what I should not know how to do myself. If all earthly power were given me, I should not know what to do as to the existing institution. My first impulse would be to free all the slaves, and send them to Liberia,—to their own native land. But a moment's reflection would convince me that, whatever of high hope (as I think there is) there may be in this in the long run, its sudden execution is impossible. If they were all landed there in a day, they would all perish in the next ten days; and there are not surplus shipping and surplus money enough in the world to carry them there in many times ten days. What then? Free them all, and keep them among us as underlings? Is it quite certain that this betters their condition? I think I would not hold one in slavery, at any rate; yet the point is not clear enough to me to denounce people upon. What next? Free them, and make them politically and socially our equals? My own feelings will not admit of this; and if mine would, we well know that those of the great mass of white people will not.

    3 - " If so, then I have a right to say that, in regard to this question, the Union is a house divided against itself; and when the Judge reminds me that I have often said to him that the institution of slavery has existed for eighty years in some States, and yet it does not exist in some others, I agree to the fact, and I account for it by looking at the position in which our fathers originally placed it,—restricting it from the new Territories where it had not gone, and legislating to cut off its source by the abrogation of the slave trade, thus putting the seal of legislation against its spread. The public mind did rest in the belief that it was in the course of ultimate extinction. But lately, I think,—and in this I charge nothing on the Judge's motives,—lately, I think that he, and those acting with him, have placed that institution on a new basis, which looks to the perpetuity and nationalization of slavery. And while it is placed upon this new basis, I say and I have said that I believe we shall not have peace upon the question until the opponents of slavery arrest the further spread of it, and place it where the public mind shall rest in the belief that it is in the course of ultimate extinction; or, on the other hand, that its advocates will push it forward until it shall become alike lawful in all the States, old as well as new, North as well as South. Now I believe, if we could arrest the spread and place it where Washington and Jefferson and Madison placed it, it would be in the course of ultimate extinction, and the public mind would, as for eighty years past, believe that it was in the course of ultimate extinction. The crisis would be past, and the institution might be let alone for a hundred years—if it should live so long—in the States where it exists, yet it would be going out of existence in the way best for both the black and the white races. "

    4 - (...) For one, I am opposed to negro citizenship in any and every form. I believe this government was made on the white basis. I believe it was made by white men, for the benefit of white men and their posterity forever; and I am in favor of confining citizenship to white men, men of European birth and descent, instead of conferring it upon negroes, Indians, and other inferior races.(...) "

  • Ricardo  07/02/2018 00:22
    Oi, é muito oportuno o profícuo debate de ideias e argumentos aqui expostos. Nesse site exibem pontos de vistas e lados da história que não conhecia, o que me encanta muito. Mas estive procurando o texto sobre a crítica à Independência dos EUA e não encontrei, por um acaso, os editores do site retiraram? Obrigado pela qualidade do conteúdo exposto.
  • Narciso  07/02/2018 02:45
  • Ricardo  07/02/2018 17:07
    Obrigado


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