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Quando a sensatez não tem vez

Na Suíça de hoje, parece que os relógios são os únicos que se portam previsivelmente.  Ao longo dos últimos quatro anos, políticos suíços e seu Banco Central passaram a comprar reservas internacionais a um ritmo sem precedentes.  Em 2012, as reservas internacionais do país, formadas por várias moedas, já totalizavam US$420 bilhões.  A moeda mais volumosa em suas reservas é o euro.  Este montante é sete vezes maior do que o de 2008, e equivale a 70% do PIB anual do país.  Tal soma equivale a US$200.000 para cada família suíça de quatro pessoas.

As autoridades suíças alegarão que o dinheiro foi "investido" visando ao futuro, mas o que elas de fato fizeram foi empobrecer todo o país no presente.  Embora tal decisão pareça perversa, ela faz perfeito sentido quando vista através da lente daquilo que hoje passou a ser o pensamento econômico dominante.

Durantes suas últimas gerações, a Suíça desfrutou um dos mais robustos fundamentos econômicos do mundo.  O país ostenta uma alta taxa de poupança, baixos impostos, um vibrante setor exportador, uma baixa razão dívida/PIB, e um orçamento governamental equilibrado.  E, antes dos últimos dois anos, uma das mais responsáveis políticas monetárias do mundo.  Estes atributos tornaram o franco suíço um dos poucos "portos seguros" do mundo.  Porém, na economia global atual, os sensatos não têm vez.

Os principais bancos centrais do mundo, particularmente aqueles localizados em Washington, Frankfurt, Londres e Tóquio, se entregaram gostosamente a uma maciça e coordenada campanha de desvalorização de suas moedas para combater a recessão.  No entanto, por alguns anos os suíços se recusaram a se juntar a essa marcha da insensatez.  Como consequência, os investidores ao redor do mundo sabiamente decidiram proteger sua poupança comprando o confiável franco suíço.  De dezembro de 2008 a agosto de 2011, o franco suíço se apreciou assombrosos 59% em relação ao dólar americano e aproximadamente 30% em relação ao iene japonês.  Ainda mais importante, o franco ganhou 42% em relação ao euro.  Dado que a zona do euro literalmente cerca toda a Suíça, seu comércio com estes países representa a esmagadora maioria de suas transações internacionais.

Durante este acentuado processo de apreciação de sua moeda, a economia suíça continuou prosperando.  Os salários e o poder de compra dos suíços aumentaram, e o PIB do país cresceu consistentemente mais do que o de outros países da Europa ocidental.  Adicionalmente, a apreciação de sua moeda ajudou a conter a inflação de preços, dando à Suíça uma taxa de inflação consistentemente baixa, com ocorrências ocasionais de deflação de preços.

No entanto, não obstante as majoritariamente positivas estatísticas do setor exportador, alguns exportadores suíços começaram a reclamar que, em determinados momentos, um franco suíço robusto os colocava em desvantagem em relação aos concorrentes internacionais.  E, como em qualquer outro país do mundo, o setor exportador possui um lobby poderoso.  E o Banco Central suíço, assim como os principais bancos centrais do mundo, possui seu ranço mercantilista.  Logo, embora a Suíça fosse uma ilha de saúde em meio a um mar de problemas, a nova ortodoxia econômica dominante convenceu as autoridades suíças de que sua moeda forte era não uma benção mas sim um fardo.  Mais especificamente, a apreciação do franco era vista como um repúdio às políticas monetárias expansionistas que estavam ocorrendo em todos os outros países.  E então, repentinamente, o governo suíço decidiu se juntar à farra da destruição da moeda.

No início de agosto de 2011, o Banco Central suíço adotou uma série de medidas para reverter a apreciação do franco.  Em termos simples, ele começou a imprimir francos para comprar moedas estrangeiras, mais notavelmente o euro.  O anúncio incluía a promessa de comprar quantias ilimitadas de moeda estrangeira com o intuito de manter um piso de 1,20 francos por euro.  Em outras palavras, o Banco Central suíço estava dizendo que faria a política monetária que fosse necessária para impedir que sua moeda continuasse se valorizando.  Ao fazer isso, os suíços essencialmente terceirizaram sua política monetária para a zona do euro.  Qualquer medida expansionista feita pelo Banco Central Europeu teria de ser imitada pelo Banco Central suíço.  Ironicamente, era justamente o medo desta perda de soberania monetária que fez com que os suíços se recusassem a adotar o euro.  Não obstante a milenar tradição de independência e neutralidade do país, os suíços acabaram, em vias indiretas, adotando o euro. 

Desde aquela data, o franco suíço já se desvalorizou 16% em relação ao dólar, as reservas suíças explodiram, e os investidores estrangeiros que compraram francos como meio de fugir da desvalorização de suas moedas foram traídos.

Nações de economia robusta e mão-de-obra produtiva geram bens e serviços em excesso em relação ao volume que é demandado pela população nacional, o que permite que este excedente seja exportado sem prejudicar a qualidade de vida da população.  Esta robustez e estabilidade econômica atrai investimentos estrangeiros.  Tais fundamentos econômicos tendem a aumentar a demanda pela moeda deste país, o que significa uma apreciação de sua taxa de câmbio.  Uma moeda forte mantém baixos os custos dos insumos e dos bens de capital, o que permite que os trabalhadores produtivos ganhem salários reais cada vez maiores.

Entretanto, de acordo com a maioria dos economistas, ter uma moeda forte é algo trágico para uma economia porque irá destruir a competitividade internacional deste país e poderá — pavor dos pavores — gerar uma deflação de preços, algo que eles veem como uma areia movediça.  Foram estes temores que deram início à "guerra cambial global", em que os países estão destruindo suas poupanças para garantir que suas moedas se mantenham baratas, para deleite dos exportadores.  Na lógica econômica atual, temos de fracassar para sermos bem-sucedidos.

Mas é muito fácil ter uma moeda fraca.  Basta uma ilimitada disposição para imprimir dinheiro.  Já uma moeda forte requer uma grande disciplina fiscal e uma genuína capacidade produtiva.  No entanto, como naqueles programas de TV em que as pessoas têm de perder peso, economistas acreditam que o vencedor de uma guerra cambial é o maior perdedor.  Você vence não por ter eliminado seus concorrentes, mas por ter se suicidado!  É como um estudante convencendo seus pais de que tirar 3 é melhor do que tirar 10.  E se um boletim escolar repleto de notas baixas começa a gerar elogios paternos em vez de reprimendas, os estudantes perderão qualquer incentivo para melhorar seus desempenhos.  Similarmente, se nações aplicadas como a Suíça começam a se esforçar para reduzir suas próprias notas, as outras nações mais relaxadas terão ainda menos incentivos para alterar seus hábitos de estudo.  Se as nações mais disciplinadas não entrassem nessa guerra cambial e não depreciassem suas moedas, aquelas nações que estão destruindo suas moedas veriam uma enorme escalada nos preços de seus bens de consumo.  A resultante queda no padrão de vida obrigaria várias reformas estruturais e produtivas.

Estou naquela posição minoritária que acredita que, assim como é melhor ser rico a ser pobre, uma moeda forte é preferível a uma moeda fraca.  Embora vários economistas renomados estejam se empenhando para criar confusão nesta discussão, o fato é que a falácia de um argumento pode ser vista quando sua lógica é levada a extremos.  Se uma moeda mais fraca é preferível a uma mais forte, então a lógica nos levaria a concluir que uma moeda sem valor nenhum será preferível a uma moeda de valor infinito.  Seria preferível, por exemplo, ter uma cédula de $1.000.000 que não compra absolutamente nada a ter uma moedinha de $0,01 que compra um automóvel.

E como funcionariam economias com moedas tão drasticamente diferentes assim?

É verdade que o país com a moeda de valor zero tenderia a apresentar pleno emprego e robustas exportações.  Óbvio.  Com o custo da mão-de-obra relativamente baixo, a população poderia ser facilmente empregada até mesmo nas mais inúteis atividades.  E pelo fato de a população não possuir poder de compra nenhum, todo e qualquer produto seria exportado para aqueles países cuja população possui uma moeda com maior poder de compra.  Adicionalmente, as importações seriam nulas, pois a população local seria incapaz de adquirir qualquer coisa produzida em outros países de moeda mais forte.  Como consequência, o nível de consumo neste país seria extremamente baixo e o padrão de vida desta população seria lamentável.  Essencialmente, essa economia seria parecida com aquelas economias pobres que funcionam em nível de subsistência, como as da Bolívia, do Zimbábue e do Haiti.

Por outro lado, um país com uma moeda de valor infinito vivenciaria o melhor dos mundos possíveis.  Mesmo a mais ínfima quantidade de dinheiro permitiria a seus cidadãos comprarem volumosas quantias de bens estrangeiros.  O dinheiro ganhado em um bico qualquer, como trabalhar de babá por apenas uma tarde, daria mais poder de compra do que meses de trabalho duro em países mais pobres.  A moeda forte permitiria que o consumo aumentasse ao mesmo tempo em que as horas de trabalho diminuíssem.  A poupança aumentaria continuamente de valor, as pessoas poderiam viajar com cada vez mais frequência e dedicar muito mais tempo ao lazer.  Essencialmente, é assim que funciona uma economia rica.

Quando vista sob esta perspectiva, é fácil entender por que os defensores da ortodoxia dominante fogem ao debate.  Aqueles que acreditam nos benefícios de uma moeda fraca nunca especificam quando uma moeda em depreciação se torna algo ruim.  É óbvio que tem de haver um ponto de virada, um ponto em que a perda do poder de compra passa a sobrepujar os supostos ganhos em crescimento econômico e emprego.  No entanto, há apenas silêncio em relação a isso.  já a minha posição é que uma moeda em contínua apreciação sempre será algo bom.  Neste quesito, nenhum ponto de virada precisa ser identificado.

O problema é que os economistas politicamente corretos de hoje acreditam que o objetivo de uma economia é fornecer emprego a todos, e não produzir bens e serviços de qualidade e em abundância.  Eles veem um emprego como o objetivo final de tudo, e não como um meio que possibilita às pessoas produzir coisas genuinamente demandadas, e cuja remuneração por este serviço genuíno permitirá que elas possam obter o que querem.  Ademais, se podemos conseguir tudo o que queremos sem ter de trabalhar muito, por que se importar com empregos?  Uma moeda forte nos leva para o mais próximo possível deste ideal.  O fato de este objetivo ter sido amplamente esquecido mostra com perfeição a miséria intelectual da atual "ciência" econômica.

E é justamente esse tipo de ciência tosca que está aniquilando o crescimento real do mundo.  Enquanto essa ideologia do "preto é branco" continuar prosperando, os maiores depreciadores continuarão a ser os maiores perdedores reais.


Leia também: Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?



autor

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.



  • maurício barbosa  20/02/2013 13:18
    Os mercantilistas não querem saber de dividir a prosperidade com o resto da população, infelizmente o estado é omisso neste ponto ao favorecer essa corja de parasitas ineficientes,até quando meu Deus oh! saudade do real valorizado.
  • Pedro Ivo  20/02/2013 14:11
    Desculpe te corrigir Mauricio, mas não é verdade que "o estado é omisso neste ponto ao favorecer essa corja de parasitas ineficientes": o estado existe para favorecer os apaniguados de sua quadrilha, logo, seria omisso se permitisse um laissez faire. Até 2011, o estado suíço por ex., era omisso. Mas aí ele descobriu que era um estado, e o resto você já sabe.
  • mauricio barbosa  20/02/2013 14:30
    Pedro Ivo obrigado e realmente o estado é participe desse processo,bem lembrado.
  • Andre Canine  20/02/2013 13:34
    Para variar, mais um grande artigo do Peter Schiff.

    Recentemente passei a acompanhar a Schiff radio e os vídeos dele no youtube.
    Impressionante ver que em programas de economia ele sempre está sozinho debatendo contra 3 ou 4 keynesianos estúpidos, inclusive as apresentadoras, que geralmente são mulheres lindas.

  • Mohamed Attcka Todomundo  01/03/2013 13:25
    deviam se restringir a serem lindas e arranjar um marido rico (e q entenda de economia)
  • evandro  20/02/2013 14:36
    Acho que já li em algum lugar, mas me esqueci, por isso perguntarei: se nossas empresas não fossem competitivas devido a cargas tributarias e legislação trabalhista, elas provavelmente não seriam competitivas internacionalmente e pouco exportariam, correto? Assim sendo, de onde viriam os dólares necessários para ocorrerem as importações dos produtos que nos interessam? Grato.
  • Leandro  20/02/2013 14:51
    1) Para começar, há, neste exato momento, mais de US$ 376 bilhões de dólares em reservas internacionais, dólares estes que o Banco Central adquiriu via inflação ao longo de décadas. Tal valor é maior que o M1 e a conta-poupança dos brasileiros.

    Ou seja, se trocássemos absolutamente todos os nossos reais (em cédulas e moedas metálicas, na conta-corrente e na conta-poupança) por dólares, ainda sobrariam dólares.

    Portanto, sua preocupação já pode acabar aí (dado que o BC gerou inflação para adquirir estes dólares, nada mais justo do que podermos utilizá-los para adquirir bens importados de maior qualidade).

    2) Quem falou que dólares entram no Brasil exclusivamente via exportações? Já ouviu falar em investimentos estrangeiros, os quais tendem a ser maiores quanto mais estável e confiável for a moeda?

    Caso o Brasil adotasse uma política monetária não inflacionista, seu câmbio, no longo prazo, se apreciaria continuamente. Esse ambiente de moeda estável, com crescente apreciação cambial, é extremamente atrativo para investimentos estrangeiros. Imagine, por exemplo, que US$ 100 sejam investidos no Brasil quando o câmbio está a R$1,50. Ao chegar aqui, 100 dólares viram R$ 150. A uma taxa de lucro de, suponhamos, 10%, R$ 150 viram R$ 165. Como durante esse período o real foi se apreciando continuamente em relação ao dólar -- por causa da política monetária não inflacionista --, suponha que, na hora de repatriar os lucros, o dólar esteja custando R$ 1,30. Sendo assim, R$ 165 viram US$ 127. Portanto, 100 dólares viraram 127 dólares, o que dá uma taxa de lucro real de 27%, muito maior do que os 10% iniciais.

    Ou seja, o investidor ganha duplamente. Essa contínua apreciação cambial, em conjunto com a garantia de respeito à propriedade privada e aos contratos, tornaria o país excepcionalmente atraente para investidores internacionais e asseguraria o fluxo de investimentos estrangeiros, o que consequentemente garantiria as importações necessárias para o país. O país teria divisas estrangeiras sem a necessidade de ter de ficar acumulando reservas.


    Há um artigo falando exclusivamente sobre tudo isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1087
  • evandro  20/02/2013 15:12
    Desculpe minha ignorancia, mas se puder me dar uma rapida explicação do que é m1 eu agradeço.
  • Leandro  20/02/2013 15:23
    Cédulas e moedas metálicas em posse do público mais todo o dinheiro na conta-corrente.
  • Arthur Mattos  20/02/2013 14:46
    Se formos além, a causa é a Democracia. Governantes desvalorizam moeda por que não estão preocupados com o bem estar da sociedade(não é novidade pra ninguém). Estão preocupados em se manter mais tempo no poder, já que o sistema faz rodízios sistemáticos de "trono". Pra isso,precisam de voto e aceitação popular. Como conseguem isso? Aceitando Lobby de exportadores(dinheiro compra voto) e com emprego para miseráveis que um livre mercado não contrataria. Não importa se é subemprego,miséria,inflação na estratosfera.A falácia do pleno emprego sustenta o monstro. Se um país está nadando de braçada economicamente, mas 40% de desemprego(hipoteticamente),é passeata toda semana,polícia nas ruas e o governo não reelege! E ele sabe que daqui a 4 anos será julgado se mama por mais tempo,ou deixa outro mamar.O Regime Democrático estimula esse tipo de prática,já que as consequências da impressão de dinheiro não são imediatas e demoram para acontecer.Quando acontece,estoura no colo do próximo. Assim ficamos vendo de camarote, exportadores incompetentes "amigos do rei" e quem está na gangue ganharem muito sem fazer nada, e o resto da sociedade produtiva perde poder de compra, enfrenta uma inflação poderosa e é obrigado a comprar com o pouco dinheiro que lhe resta produtos de qualidade duvidosa feita por industriais brasileiros que são muito incompetentes para competir com os de fora. Essa miséria intelectual de "ciência" econômica citada no texto é esperada, já que o Estado se apossou das rédeas da economia da sociedade para uso próprio.
  • Fausto Araújo Santos  20/02/2013 16:34
    Como economista ( bacharel) concordo com tua ideologia. Mas fico pensando: Como pessoas sem emprego sobreviveriam nesta lógica? Teriam que migrar?
  • anônimo  20/02/2013 17:07
    Não haveria empregos?! Por quê? A lei da escassez foi abolida? Não é mais necessário trabalhar para se produzir as coisas?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1131
  • Rodrigo  20/02/2013 18:51
    Acabar absolutamente com o trabalho/emprego. Está ai uma façanha que eu gostaria de ver.

    A ideia é que com a produtividade em alta, com a moeda forte e com a produção superando a demandam o trabalho acaba sendo menor, em tempo dedicado, e o ganho maior.

    Só isso. com capital intensivamente aplicado, se trabalha menos tempo, mas se produz muito mais. Esse é o objetivo.
  • Vinicius Costa  20/02/2013 16:39
    Quando leio textos como esse tenho certeza que um monopólio que nosso governo ainda não tem é o da estupidez.
    A guerra cambial que está sendo feita entre os banco centrais do mundo todo é uma consequência natural daquilo em que eles acreditam. Não imagino nenhum país sendo contrário a isso.
    Infelizmente, o que hoje não é possível enxergar será sentido pela maioria nos próximos anos.
  • BRUNO CORIOLANO  21/02/2013 03:45
    Por exemplo?
  • Alex  20/02/2013 17:04
    "Nações de economia robusta e mão-de-obra produtiva geram bens e serviços em excesso em relação ao volume que é demandado pela população nacional, o que permite que este excedente seja exportado sem prejudicar a qualidade de vida da população. Esta robustez e estabilidade econômica atrai investimentos estrangeiros. Tais fundamentos econômicos tendem a aumentar a demanda pela moeda deste país, o que significa uma apreciação de sua taxa de câmbio. Uma moeda forte mantém baixos os custos dos insumos e dos bens de capital, o que permite que os trabalhadores produtivos ganhem salários reais cada vez maiores."

    Para mim parece sensato que nações de economia robusta e mão-de-obra produtiva beneficiam-se da valorização de sua moeda. Porém, tratando-se de países com economia ainda emergente e fortemente baseada em exportações, como, creio eu, seja o caso do Brasil, será que adquirir tal política de valorização da moeda seja algo benéfico no momento? Favor corrigir-me se falei alguma besteira, não tenho economia como formação.
  • Ricardo  20/02/2013 17:14
    Sim, falou. Se o país é pobre ou está em desenvolvimento, aí é ainda mais imperativo ter uma moeda forte, que estimule e preserve a poupança da sofrida população. Clique no link do final do artigo.
  • Tiago Moraes  21/02/2013 20:16
    Um país emergente e exportador de commodities, possui parte considerável de sua matriz de produção formada por insumos e bens de capital estrangeiros. Então, ao depreciar o câmbio você estará diminuindo o poder de compra da economia doméstica e elevando os custos de produção em só golpe. No final, o próprio exportador será atingindo no médio e longo prazo, então ele irá pressionar o Estado a uma nova rodada de desvalorizações monetárias, para que ele venda mais e consiga cobrir os crescentes custos de produção que estão crescendo justamente por conta dessa depreciação monetária. Isso inclusive já aconteceu no Brasil. A república Velha implodiu a nossa primeira moeda tentando financiar ad infinitum as exportações de café, levando toda a economia nacional ao colapso e jogando o país no caos de uma guerra civil iminente. Você deve se lembrar destes acontecimentos, eles culminaram com o Estado Novo e a ascensão política de Vargas.
  • Henrique  20/02/2013 17:27
    Claro que o emprego é o objetivo final, assim as pessoas ficam ocupadas demais pra pensar e o governo pode continuar roubando impunemente.
  • Arthur Mattos  20/02/2013 19:19
    Fausto, concordo que se houver uma diminuição da oferta monetária inicialmente haverá uma recessão, com aumento de desemprego-por excesso de recursos mau alocados e quebras de empresas insolventes- e consequentemente troca da gangue no poder(o que eles evitam). Mas acho que seria um resultado natural de readaptação da economia para um crescimento saudável(gerando riqueza real)sem ajuda de "esteróides". A médio-longo prazo, a tendência é melhorar já que teríamos: uma moeda forte e competitiva,atraindo investimentos estrangeiros no país (emprego),aumento de consumo(emprego), aumento de poupança real incentivando novos investimentos e empreendedorismo (emprego). Os desempregados logo estariam empregados novamente.
  • Mercado de Milhas  20/02/2013 20:10
    O negócio é o seguinte.. a maioria do povo trabalha hoje pra comer e chegar no dia seguinte. Enfim, torra tudo.

    Se houvesse uma renda mínima, daria pra fazer o que o Peter Schiff está dizendo, mas, como não há, não dá.

    É preciso manter empregos pois senão os trabalhadores vão viver de que ? Eles não tem reservas!

    Se tivessem, daria para avisar ao mercado "não vamos inflacionar mais!", aí todo mundo compraria essa moeda, valorizando-a, e tudo ficaria bem nesse país num mundo doido.
  • Leandro  20/02/2013 20:31
    "O negócio é o seguinte.. a maioria do povo trabalha hoje pra comer e chegar no dia seguinte. Enfim, torra tudo."

    Correto. E é assim porque o salário é baixo e a inflação é alta. E o salário é baixo porque a carga tributária sobre as empresas é alta e porque o câmbio é desvalorizado. Ambos estes itens dificultam os investimentos e a aquisição de bens de capital importados, o que tornaria a mão-de-obra mais produtiva, possibilitando aumentos salariais.

    Adiante.

    "Se houvesse uma renda mínima, daria pra fazer o que o Peter Schiff está dizendo, mas, como não há, não dá."

    Renda mínima há sim. Há seguro-desemprego e há Bolsa-Família. Quer mais?

    "É preciso manter empregos pois senão os trabalhadores vão viver de que ? Eles não tem reservas!"

    O que significa "manter empregos"? Colocar as pessoas para cavar buracos e tapá-los em seguida, com dinheiro de impostos? Isso, além de não produzir riqueza alguma, está na verdade reduzindo a riqueza, pois o capital utilizado neste trabalho poderia estar sendo empregado mais produtivamente em outros setores.

    Empregos, como explicado neste artigo, sempre existirão. Não é porque alguns empregos no setor industrial sumiriam, que haveria a total falta de empregos no país.

    De resto, nunca é demais ressaltar que o padrão de vida de um país é determinado pela abundância de bens e serviços. Quanto maior a quantidade de bens e serviços ofertados, e quanto maior a diversidade dessa oferta, maior será o padrão de vida da população. Porém, a quantidade e a diversidade não bastam. A facilidade de acesso a estes bens e serviços -- no caso, quão caros eles são -- também é essencial. Por isso, é de suprema importância ter uma moeda forte, que facilite seu acesso aos bens e serviços vendidos em todos os cantos do globo. Se você quer ajudar os pobres, nada melhor do que defender esta causa.

    Agora, se você está preocupado com os empregos industriais, sim, em qualquer situação, a abertura da economia e o fortalecimento da moeda irá acabar com aqueles empregos nas indústrias menos competitivas. E isso é positivo. Ao contrário do que o senso comum apregoa, a função de uma economia capitalista não é gerar empregos. A função de uma economia capitalista é aumentar o padrão de vida as pessoas. Empregos em indústrias ineficientes nada mais são do que um desperdício de recursos escassos. Essa mão-de-obra poderia estar sendo mais bem aproveitada no setor de serviços, e o maquinário imobilizado nessa indústria ineficiente seria mais bem aproveitado em outras linhas de produção. David Ricardo e sua teoria das vantagens comparativas já havia explicado isso ainda no século XVIII.

    Ademais, mesmo que o sujeito seja demitido do setor industrial e vá para o setor de serviços em troca de um salário nominal menor, no longo prazo, por causa da contínua valorização cambial, seu padrão de vida estará maior. Ele terá acesso a bens importados e de qualidade a preços cada vez menores. É essa facilidade de acesso a uma grande oferta de bens e serviços de qualidade que define um padrão de vida.

    Ao passo que ocorreria a perda de emprego nos setores exportadores, todo o resto da população pagaria menos por produtos de maior qualidade. Esta economia possibilitaria a criação de poupança que acaba gerando investimentos. Estes investimentos criariam empregos que não necessitam de dinheiro roubado pelo governo para funcionar.

    Não entendi nada da sua lógica.
  • Patrick de Lima Lopes  20/02/2013 21:01
    Impressiona-me o quão complicado é compreender o básico fundamento de que a poupança é a abstenção do gasto. Sendo a poupança necessária para a geração de empreendimentos voltados a satisfazer a demanda real dos consumidores(Além da compra de bens de capital) e sendo esses investimentos responsáveis pela criação de postos de trabalho, é imprescindível o apoio à medidas que tornem mais baratos o custo de vida(Facilitando a poupança) e o capital. Tais medidas seriam uma valorização REAL da moeda, a abertura da economia para bens de consumo e insumos produtivos importados, uma diminuição radical na legislação estatal e na carga tributária(Que elevam preços artificialmente, além de reduzir a volatilidade do mercado), entre outras ações visando a liberdade econômica.

    Fala-se muito em explicar a pobreza. Mais tempo deveria ser dedicado a debater o que gera a riqueza. Assim como o isolamento jamais transformou uma tribo perdida no meio da Amazônia em um paraíso, o protecionismo não nos fará milagres. Advogar por uma desvalorização constante da moeda, por uma diminuição artificial dos juros pelo banco central e por um alfabeto de regulamentação e tributos é apenas pedir mais "centralização da geração de riqueza", corrupção e dependência do estado.

    Bem, excelente resposta, Leandro.
  • Rosana  20/02/2013 23:13
    Não entendo economia. Mas esse cenário da criação de empregos apenas para suplantar as necessidades básicas da população, sem produção de riquezas, está me lembrando o livro Revolta de Atlas, da Ayn Rand. Medo!

    abraço a todos
  • anônimo  21/02/2013 00:24
    Alguém me explica por favor essa lógica de "endividar os não-nascidos", porque realmente não entendo isso. Estou falando de dívida soberana dos países... Grato.
  • anônimo  21/02/2013 10:59
    Obrigado, realmente tem artigo sobre tudo aqui! rs
  • Arthur Dias  21/02/2013 01:29
    Alguém aqui leu esse absurdo?
    www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/1232787-contra-a-democracia.shtml

    Como um imbecil desses (e outros da corja dele) tem a cara de pau de chamar esse regime corporativista e mercantilista mundial de livre mercado? Alguém poderia avisar pra ele que quem é a favor do liver mercado é contra bancos centrais e bancos sendo salvos pelo governo?

    Tamo tudo n'água com "intelectuais" desse calibre!
  • Vítor Höher Nunes  21/02/2013 11:18
    Vem cá, esse sujeito não é aquele que ficou só olhando com cara de bundão o Molyneux falar em algo que deveria ser um debate sobre a função do estado?

    Confesso que até fiquei animado antes de ver o debate, achando que teria graça, que seria um debate acalorado, mas esse Safatle mal soube colocar os seus chavões socialistas em inglês e o negócio virou "conversa de cumadres". Ler algo dele é só pra se irritar mesmo...
  • anônimo  21/02/2013 11:41
    O que mostra bem como tentar argumentar com esse pessoal é como falar com uma parede.
  • anônimo  21/02/2013 04:42
    "já a minha posição é que uma moeda em contínua apreciação sempre será algo bom"

    Isso não é verdade, é fácil construir um contra-exemplo em que a apreciação da moeda gera ,num primeiro, momento mais consumo com menos trabalho, mas, num segundo momento, isso resulta em menos consumo e poder de compra..


    Suponha que um pais B desvalorize sua moeda em relação a um país A e por conta disso ganhe grande parcela do mercado do país A. Inicialmente, como o Schiff diz, parece burrice do país B, afinal, eles estão vendendo o produto de seu trabalho por menos. Entretanto, com o passar do tempo a industria do pais B consolida sua posição no mercado e passa a ser mais produtiva, enquanto a industria do pais A perde sua competitividade e know-how. A renda do país B aumenta enquanto a renda do pais A diminui e apesar do cambio permanecer o mesmo p consumo do pais B aumenta e o do pais A diminui.

    Enfim, é a mesma coisa de uma empresa fazer dumping ou praticar preços agressivos. Nao quer dizer que vai dar certo, mas pode sim dar certo e a empresa sacrifica um lucro de curto prazo para aumentar o lucro no longo prazo. Evidentemente que as chances de dar merda quando o governo faz isso são muito mais altas, mas isso nao invalida a estupidez de dizer que apreciação cambial é sempre algo bom.

    Para aqueles que ficaram putinhos com argumento acima e estão tentando refutar para mostrar que o Schiff esta certo, isto é, apreciação é sempre bom, guardei o o argumento ancap xeque mate para o final.

    Se o que o Shciff é verdade, então basta o governo valorizar artificialmente sua moeda para que o pais goze no Nirvana? Claro que nao,.
  • Leandro  21/02/2013 05:03
    "Entretanto, com o passar do tempo a industria do pais B consolida sua posição no mercado e passa a ser mais produtiva"

    Por que isso aconteceria? Como isso aconteceria? Por que a indústria deste país magicamente ficaria mais produtiva em decorrência de uma desvalorização cambial? Como a desvalorização cambial faz essa mágica de deixar a indústria mais produtiva?
    A única coisa que vai acontecer é que vai ficar mais caro importar bens de capital para as indústrias menores.

    Já começou triunfante....

    "enquanto a industria do pais A perde sua competitividade e know-how."

    Por que ela perde competitividade e know-how? O que a impede de reduzir seus preços? Dado que a moeda está se apreciando, uma redução de preços para as exportações tende a não afetar seus ganhos reais. E por que a apreciação da moeda tira know-how da mão-de-obra? A inteligência e a capacidade dos trabalhadores varia de acordo com o câmbio? Que bruxaria é essa?

    Tá cada vez mais promissor...

    "A renda do país B aumenta enquanto a renda do pais A diminui"

    Como é que a renda do país B vai aumentar se sua moeda foi depreciada (e, como consequência, os preços subiram)? A renda real vai é diminuir. Isso não é nem teoria, não; é prática mesmo. Aconteceu no Brasil de 2002 a 2006, quando o câmbio foi R$2 para quase R$4 em 2003, ficou ali em 2004, começou a cair em 2005, e foi caindo continuamente até 2008. Tá aqui a planilha do IBGE.

    "e apesar do cambio permanecer o mesmo p consumo do pais B aumenta e o do pais A diminui."

    Como assim o câmbio permaneceu o mesmo, criatura?! Você criou toda a premissa baseando-se na desvalorização da moeda do país B!

    "Para aqueles que ficaram putinhos com argumento acima e estão tentando refutar para mostrar que o Schiff esta certo [...]",

    Não sei quanto aos outros, mas eu apenas gargalhei. E pus-me a imaginar quem esqueceu a tampa do esgoto aberta.

    "Se o que o Shciff é verdade, então basta o governo valorizar artificialmente sua moeda para que o pais goze no Nirvana? Claro que nao."

    Ué, se você souber a fórmula mágica de como valorizar do nada uma moeda depreciada sem que isso cause uma forte recessão no curto prazo (algo inaceitável em uma democracia), estamos ouvindo. Certamente será engraçado.
  • Felipe  21/02/2013 16:13
    Caro anônimo. Com sua lógica infalível, logo você supera Guido Mantega.
  • Jackson Piva  21/02/2013 17:07
    É nisso que dá essa gente da "Academia" que lê bobagens demais, só sabem repetir as mesmas lorotas "by the book" de sempre, alguns ainda conseguem colocar uma espécie de tempero pessoal que deixa toda a asneira um tanto mais engraçada.

    "Para aqueles que ficaram putinhos com argumento acima e estão tentando refutar para mostrar que o Schiff esta certo, isto é, apreciação é sempre bom, guardei o o argumento ancap xeque mate para o final."

    Não, aqui ninguém fica "putinho", como ficam os socialistas, keynesianos e paspalhões afins quando tomam sapatadas em debates sérios.
  • Marcos Campos  21/02/2013 20:09
    Na faculdade preciso fazer grande esforço mental para participar das aulas e fazer as provas, Keynes domina os livros, e a liberdade de expressão é ditada pelo mestre e seu conteúdo programático segundo MAC.
    Já pensei em desistir, mas vou terminar de teimoso, e tentar não ser corrompido.

  • Augusto  22/02/2013 16:35
    Todo mundo bateu no cara, mas ninguém explicou porque SEMPRE uma valorização é boa, como afirma o Schiff. Eu concordo com o anônimo, isso é uma afirmação absurda.

    Quanto ao Leandro, ele perguntou como o BC pode valorizar a moeda do nada. Basta começar a jogar as reservas de dolar no mercado. Isso seria "necessariamente" algo "bom", como afirma Schiff? N
  • Leandro  22/02/2013 18:07
    "Ninguém explicou porque SEMPRE uma valorização é boa, como afirma o Schiff."

    O artigo chega a ser repetitivo de tanto explicar isso. Valorização da moeda significa aumento do poder de compra. Se você acha que ganhar poder de compra é ruim, então seja coerente e peça uma redução salarial. Ou, no mínimo, recuse qualquer aumento salarial.

    "Eu concordo com o anônimo, isso é uma afirmação absurda."

    Repito: se você acha que é absurdo afirmar que ganhar poder de compra é bom, então proceda de acordo com essa sua crença e mantenha-se até o fim da sua vida no seu salário atual. Ou você acha que ganhar poder de compra é ruim para todo mundo mas bom só para você?

    "Quanto ao Leandro, ele perguntou como o BC pode valorizar a moeda do nada. Basta começar a jogar as reservas de dolar no mercado. Isso seria "necessariamente" algo "bom"?

    Se o BC vender maciçamente suas reservas, isso irá provocar uma forte deflação monetária. A expansão do crédito seria abruptamente interrompida. E eu fui claro em minha resposta: "se você souber a fórmula mágica de como valorizar do nada uma moeda depreciada em que isso cause uma forte recessão no curto prazo (algo inaceitável em uma democracia), estamos ouvindo."

    Se não entende de economia, seria mais aconselhável fazer perguntas em vez de afirmações.
  • Hugo  23/02/2013 17:09
    Leandro, você nao respondeu a pergunta você disse que a valorização é boa se nao tiver consequências ruins, isso é um truísmo.
  • Leandro  23/02/2013 18:40
    Prezado Hugo, minhas palavras foram claríssimas: apreciação da moeda significa ganho de poder de compra. E ganhar poder de compra é algo bom em toda e qualquer situação. Não há exceções a esta regra.

    Falar que ganhar poder de compra é algo bom não é um truísmo. Ou você não sabe interpretar um texto básico ou não entende o básico de economia. Eu

    Por outro lado, o leitor Augusto disse que fazer uma moeda ganhar poder de compra era algo facílimo, coisa do dia para a noite: bastaria o Banco Central sair vendendo dólares a rodo. E então eu respondi que, embora isso pudesse ser feito, tal medida geraria uma forte deflação monetária e uma contração do crédito. E falei que isso, por vivermos em uma democracia, sistema em que políticos visam a um prazo curtíssimo, era algo politicamente inviável. No entanto, em momento algum eu disse que tal medida seria ruim. Não fiz nenhum juízo de valor -- e, se o fizesse, seria a favor de tal medida, por motivos já explicados à exaustão neste site: ela interromperia a expansão do crédito, e expansão do crédito é algo que gera desequilíbrios em toda a economia.

    Ademais, se você quiser entender em detalhes, com exemplos práticos, por que é difícil tentar valorizar uma moeda, ao contrário do que sugeriu o leitor Augusto, que disse que era facílimo, recomendo a leitura deste artigo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1441

    Gentileza conhecer minimamente a teoria econômica antes de tecer comentários. Faça perguntas em vez de afirmações.

    Abraço!
  • Felipe  23/02/2013 19:05
    Como a Alemanha foi o maior exportador mundial do século XX tendo uma das moedas mais fortes do mundo, o Marco Alemão?

    Tudo que um dumping cambial faz é sucatear as indústrias nacionais, privando-a de importar bens estrangeiros que possam ser usados para melhorar a produção. Além disso, uma indústria com moeda forte pode compensar o preço do trabalhador com métodos de produção modernos, já que sua moeda permite a aquisição desses bens. Fora isso, você terá corporativismo, com o governo constantemente subsidiando essas empresas ineficientes e sucateadas com o dinheiro da população. Vide a indústria de defesa russa. É pura falácia dizer que uma indústria que vive com moeda desvalorizada tem mais produtividade que uma indústria que possui moeda valorizada. Isso é argumento mercantilista do século XVIII, não coisa para ficar se repetindo em pleno século XXI.
  • Rudson  06/03/2013 23:26
    Leandro, preciso fazer mais um pergunta, se não for incomodo demais

    Vejo aqui no site vários artigos que falam que os EUA, no seu maior período de crescimento (entre a guerra civil e a criação do FED) era uma das economias mais livres do mundo. Justamente em razão dessa liberdade, dessa pouca intervenção do Estado nas relações econômicas, é que o país teria crescido tanto não?

    Ocorre que, durante toda a minha vida, professores de história no colégio, professores universitários e alguns autores (todos estatistas ao máximo) sempre me falaram que nesse período o governo dos EUA adotou medidas fortes de proteção a indústria, como altas barreiras tarifárias e estímulo de crédito. É o que diz, por exemplo, o livro "Formação Econômica do Brasil" de Celso Furtado e alguns livros de história mundial.

    Desde que eu conheci este site, percebi que praticamente tudo que me foi ensinado pelos "nobres" professores e autores ou estava equivocado ou era mentira pura e simples.

    Por isso a pergunta: essa afirmação dos meus professores, de que o governo dos EUA na metade final do século XIX protegia a indústria da competição externa através de barreiras tarifárias e outras medidas - e por isso que ela cresceu tanto - é verdadeira ou pura falácia? Onde posso encontrar material sobre este ponto específico?
  • Leandro  06/03/2013 23:54
    O governo americano do século XIX "estimular o crédito" seria uma mágica boa, dado que não havia Banco Central e o país estava sob o padrão-ouro. O máximo que poderia ocorrer seria algum político de Washington implorar a um banqueiro de Wall Street que ele emprestasse dinheiro para algum magnata doador de campanha...

    Sobre tarifas de importação, durante todo o século XIX, o governo federal americano tinha apenas duas fontes de receita: impostos cobrados sobre a venda de alguns bens específicos (que geravam uma receita muito baixa) e tarifas de importação. Qualquer outro tipo de imposto era expressamente proibido pela Constituição. Apenas esses dois tipos de impostos federais eram permitidos.

    Veja na tabela qual o percentual da receita do governo era oriundo das tarifas de importação (terceira coluna).

    en.wikipedia.org/wiki/Tariffs_in_United_States_history#Tariff_revenues

    Tais tarifas sem dúvida nenhuma ajudaram os industriais do norte (assim como as tarifas de importação brasileira são ótimas para os barões da FIESP), mas prejudicaram sobremaneira a região sul americana, que queria importar maquinário europeu e exportar tecidos (assim como as tarifas de importação brasileira são péssimas para os mais pobres, principalmente do Nordeste). A consequência dessa "política industrial" protecionista? A Guerra de Secessão.

    Mas isso seu professor certamente não explicou.

    Abraço!
  • Rudson  07/03/2013 00:28
    Pois é, essa parte das tarifas como fonte de renda do governo federal eu aprendi aqui no site mesmo, porque nenhum professor jamais sequer tocou no assunto.

    Quanto ao estímulo, talvez tenha me expressado mal. Eu me refiro a essa passagem do livro do Celso Furtado (que, olhando agora, vejo que se refere a primeira metade do século XIX):

    "À semelhança do que ocorreu no Brasil ao se abrirem os portos, a balança comercial dos EUA com a Inglaterra era via de regra deficitária nos primeiros decêncios do século XIX. Contudo, esse déficit, em vez de pesar sobre o câmbio - como foi o caso no Brasil - e provocar um reajustamento em níveis mais baixos de intercâmbio, tendia a transformar-se em dívidas de médio e longo prazos, invertendo-se em bônus dos governos central e estaduais. Formou-se assim quase automaticamente, uma corrente de capitais que seria de importância fundamental para o desenvolvimento do país (EUA). Isso foi possível graças a política financeira do Estado, concebida por Hamilton, e à ação dos governos central primeiro e estaduais depois na construção de uma infra-estrutura econômica e no fomento direto de atividades básicas".

    Confesso que eu li esse livro antes de conhecer a Escola Austríaca, talvez por isso tenha dado crédito demais pra obra que é a bíblia dos "desenvolvimentistas" brasileiros. Olhando agora, me parece que essa diferença entre o Brasil e os EUA se deu justamente pq os EUA operavam com o padrão ouro enquanto o Brasil não (e por isso expandia o meio circulante com bastante vontade). É isso mesmo?

    No mais, a nota de roda-pé dessa parte do livro hoje em dia me faz rir:

    "Na primeira metade do século XIX a ação do Estado é fundamental no desenvolvimento norte-americano. É somente na segunda metade do século - quando cresce amplamente a influência dos grandes negócios - que alcança prevalecer a ideologia da não-intromissão do Estado na esfera econômica."
  • Angelo Viacava  16/03/2013 23:59
    Já que entrar na casa de um suíço, segundo dizem, é inviável como tentativa para tomar seu patrimônio, a solução é operar através da lei. Afinal, suíços são bons cumpridores da lei.
    Não vejam aqui uma ironia contra os suíços, mas as formas de dominação no mundo, hoje, são diversas daquelas de antigamente.
    Era mais difícil para a Alemanha nazista invadir a Suíça no passado do que, hoje, o próprio sistema financeiro suíço beneficiar-se burocraticamente de leis espúrias desvalorizando o franco suíço.
    Não dá de um jeito, eles inventam outro.


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