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Só descobriremos se o estado é bom ou não se a iniciativa privada puder competir com ele

Entrevista concedida ao repórter Abdo Jose Bertollo Chequer do jornal A Gazeta, do Espírito Santo.  Algumas palavras estão em colchetes para ressaltar algumas ideias mais relevantes que foram omitidas da edição final da reportagem.

 

Filho do ministro da Desburocratização no governo de João Baptista Figueiredo (1979 a 1985), o economista Helio Beltrão é um liberal convicto que continua carregando a bandeira um dia empunhada pelo pai, de quem herdou também o nome. Membro do conselho de administração do Grupo Ultra (controlador de Ipiranga, Texaco e Ultragaz) e presidente do Instituto Mises Brasil (em homenagem ao grande defensor da liberdade econômica Ludwig von Mises), Beltrão é um feroz defensor da liberdade de empreender e um crítico contumaz do peso do Estado brasileiro. "Pagamos impostos absurdos, temos uma burocracia absurda e uma regulamentação absurda". Seus argumentos são apresentados na entrevista que segue. 


O que é ser um liberal? 

O liberal é uma pessoa que, por conta dos conhecimentos adquiridos, chegou à conclusão de que a livre iniciativa e a liberdade de cada indivíduo de buscar seus ideais de realização são as formas mais eficientes de se alcançar a prosperidade e a felicidade. 

Como se dá a regulação nesse modelo?

Nenhum liberal concorda com a anarquia [no sentido de falta de regras ou desordem].  Alguns liberais, como eu, acreditam que o mercado é a melhor forma de criar regras e regulamentações, essenciais para a sua operação.  Hoje, existe uma crença muito profunda de que só o governo pode prover regulamentação e regras para o funcionamento do mercado, mas isso não é verdade.  Por exemplo, todos os aparelhos elétricos e eletrônicos têm um selo ou mais de um.  A maioria das empresas que fornecem esses selos, que certificam se esses aparelhos são seguros o não, são privadas.  Os varejistas contratam essas empresas e só topam vender os produtos se estes passarem por essa regulamentação.

Veja a questão dos tratados internacionais entre países.  Aí envolve governo, mas a resolução de conflitos é feita por tribunais privados, como se fossem as arbitragens.  Quem determina as penas e os culpados são tribunais privados.  Eles fornecem a segurança jurídica que todos nós liberais queremos.  São exemplos de regulamentação privada que, sem dúvida, são mais eficazes que a governamental típica. 

Por quê? 

A teoria econômica diz que toda vez que só há um [órgão] supervisionando e fazendo as regras, este tende a ser capturado pelos regulados.  Ou seja, é de se esperar que, por exemplo, no caso da Anatel (Agência Nacional das Telecomunicações), as empresas que são supervisionadas por ela passem a se infiltrar ou a fazer algum tipo de conchavo com integrantes da Anatel para que elas não sofram as consequências de uma regulamentação que as atinja.  Se os consumidores pudessem escolher quem iria defender seus interesses, seria menor o risco de captura.  Se você percebesse que a agência regulatória por você escolhida é corrupta, passaria a utilizar outra. 

Os críticos do liberalismo afirmam que a livre concorrência não traz o equilíbrio social e econômico prometido. 

Em parte é verdade, ninguém está dizendo que o mercado é perfeito.  Mas repare bem, hoje, um indiano médio vive muito melhor que um inglês há 200 anos.  O habitante de um dos países mais pobres de hoje vive melhor que o cidadão do melhor país do início do século XIX.  Isso atesta a favor do mercado.  Nós nascemos na natureza, temos de construir formas de viver melhor e de conseguir sobreviver.  Não é direito adquirido que todos nascerão com direito a tudo.  Existem pessoas desassistidas no mundo inteiro e temos que lidar diretamente com esses desassistidos, pode ser ajudando diretamente, via governo ou não.  Mas sempre temos de ter a confiança, pelo menos como liberais, que quanto mais liberdade para empreender e agir você tiver, maior a prosperidade.  Isso tem lógica, funcionou no passado e melhorou o padrão de vida do indiano, por exemplo, que hoje vive muito melhor que um cidadão há 200 anos na Inglaterra.

Qual deve ser o papel do Estado? 

Em tese, nenhum.  Se o estado é bom no que se propõe, qual o motivo de não permitir que isso seja feito de forma voluntária e não obrigatória?  Se ele (estado) é um bom provedor de um determinado serviço, seja ele qual for, então não precisa colocar na cadeia quem compita com ele.  Eu acho que o estado pode fazer tudo e também pode não fazer nada, mas só descobriremos se o estado é bom ou não se permitirmos que a iniciativa privada possa fazer o mesmo bem ou serviço em igualdade de condições.  É preciso também que o estado não use o dinheiro tomado à força da população [impostos] para fazer tal bem ou serviço, o que configura um privilégio gigantesco em relação à iniciativa privada e é, claramente, pouco produtivo. 

E como ficam funções tipicamente de Estado, como Forças Armadas, polícia e Justiça? Como funcionaria uma sociedade ou comunidade com várias justiças, exércitos e polícias? 

Já existem várias justiças e polícias.  No Brasil, temos a Justiça estatal e a Justiça arbitral, que é totalmente privada.  As duas convivem.  Em um enorme número de casos você pode escolher com qual Justiça trabalhar — e não aconteceu nenhum caos, pelo contrário.  Já falamos anteriormente dos tribunais privados que tratam de questões envolvendo dois países de maneira muito mais eficiente e barata que os tribunais estatais.  Quanto à polícia, é mais ou menos parecido.  Há várias empresas de segurança operando no Brasil.  Todos os grandes shoppings contratam segurança privada que tem jurisdição para operarem lá dentro e nada disso implica no caos.

Se o indivíduo pudesse escolher a empresa de segurança com a qual ele gostaria de trabalhar, isso traria um incentivo gigantesco para que houvesse melhora do serviço.  Hoje, somos obrigados a usar um serviço pago, muito caro aliás, que é péssimo.  É péssimo porque não podemos trocar.  Por isso, achamos que a rua é terra de ninguém e o sentimento é outro dentro de um shopping, por exemplo. 

Qual é o modelo que vigora hoje no Brasil? 

O Brasil é hoje uma economia mista, com alguma liberdade para operar no mercado e uma quantidade bastante grande de intervenção estatal.  Intervenção que não agrega valor, que atrapalha, gera burocracia, desesperança, corrupção, favorecimento a grupos de interesse.  Essa mistura é o que a gente tem no Brasil hoje.  Acho que o mundo em geral adotou esse modelo, em maior ou menor grau, porque viu que o socialismo puro, abolindo o mercado, não funciona de forma alguma.  Mas ao mesmo tempo não queriam adotar o livre mercado.  Dessa forma, adotaram uma solução mista, e você continua tendo algum nível de propriedade privada desde que pague impostos absurdos, com uma burocracia absurda e uma regulamentação absurda.

Como o senhor enxerga as intervenções feitas em 2012 pelo governo federal em setores como energético e bancário? Luz e juros mais em conta não são bons para o consumidor e, consequentemente, para a economia? 

Pois é, aparentemente, para quem não entende muito de economia, é bom.  As pessoas vão dizer: "é muito bom conseguir baixar por decreto o preço de algum produto essencial".  Isso, obviamente, tem um potencial eleitoreiro muito grande.  Analisando o caso dos juros, seria fantástico que os bancos cobrassem menos juros.  O problema é que os juros bancários embutem uma série de custos que as instituições precisam cobrir antes que tenham lucro.  Qualquer empresa tem custo operacional, no caso dos bancos há a inadimplência e uma série de impostos.

Grosso modo, dos 8% ou 9% ao mês cobrados por um banco, você tem como lucro do banco, não lembro todos os números exatamente, uma margem que beira os 2 pontos percentuais, para usar um número qualquer.  Se o governo determina, por decreto, que os juros caiam de 8% para 4% [na verdade, obrigaram Caixa e Banco do Brasil a emprestarem a 3%], isso significa que a [receita com os juros] não cobre o custo do banco.  Isso significa que em algum momento as instituições terão um rombo que terá de ser coberto com dinheiro público, ou seja, nosso.  É uma medida populista, uma lástima que isso ocorra e que as pessoas não se deem conta das consequências dessa medida. 

O liberalismo sai avariado dessa crise econômica?  

Sem dúvida.  O (Barack) Obama (presidente dos EUA), desde a sua campanha, já clamava por um estado maior. Ele vem fazendo cada vez mais intervenções e aumentando o tamanho do estado.  O abismo fiscal é fruto da última negociação entre republicanos e democratas (meados de 2011), quando ficou claro que Obama não era capaz de gerenciar adequadamente as contas públicas e estava tendo déficits muito maiores e perigosíssimos. Foi feito um acordo (agosto do ano passado) que dizia que, se Obama não conseguisse controlar as despesas, automaticamente entrariam em vigor aumento de impostos e corte nas despesas.

Todos condenam o abismo fiscal como se fosse a pior coisa do mundo, e eu entendo que aumento de impostos é ruim mesmo, mas a parte de corte de custos é muito adequada. A crise foi usada por Obama como desculpa para aumentar o tamanho do estado e segue sendo usada até hoje.  Não vejo nenhuma perspectiva para que isso retroceda e que eles voltem a ter um cenário mais organizado para conseguir crescimento. 

Há previsões de que, caso os EUA entrem de fato nesse abismo, a recessão poderia alcançar 4% já em 2013.  O FMI fala em queda de 2%.  Isso não assusta o senhor? 

Essa premissa está completamente equivocada.  Para que o governo gaste, é preciso que alguém deixe de gastar. O dinheiro não nasce em Washington.  Ou seja, se o governo deixou de gastar, as pessoas agora podem gastar, investir no crescimento americano, podem fazer a economia girar.  Toda vez que o dinheiro é gasto por Washington, ele é gasto de maneira menos eficiente, com coisas que atendem menos as necessidades da economia naquele momento.  Quem fez essa assertiva está falando uma grande bobagem econômica.

Seu pai, Hélio Beltrão, foi ministro da Desburocratização (entre 1979 e 1983, governo de João Baptista Figueiredo). Nesse período, ele acabou com, entre outros entraves burocráticos, o reconhecimento de firma que, na prática, ainda existe. O senhor acha que a jornada dele foi inglória? 

Foi muito gloriosa.  O que ele conseguiu fazer foi um milagre dada a mentalidade do Brasil da época.  Ele ter conseguido brigar com a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para constituir os juizados de pequenas causas, e com a Receita Federal para criar o estatuto da micro e pequena empresa, que hoje é o Simples, foram conquistas incríveis.  Mas você tem razão que inúmeras outras conquistas não perduraram, caso da eliminação da lei que exigia firma reconhecida. Foi muito glorioso, mas é decepcionante que sigamos com toda essa burocracia e que parte do trabalho dele tenha sido engolida pela fome estatal.  Mal comparando, é como se ele tivesse se infiltrado numa máfia para tornar a máfia boa.  Não estou dizendo que o estado é uma máfia, mas é como se fosse um grupo que defende seus próprios interesses independentemente do resto.  É muito triste, mas sou um filho muito orgulhoso do trabalho do meu pai.



autor

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.

  • Gabriel Miranda  22/01/2013 12:01
    Opa! Faltaram os créditos para o "fotógrafo" Gabriel Miranda, hehehe.

    O IMB precisa começar a desenvolver um trabalho forte de assessoria para tentar pautar os principais veículos de comunicação do país. As ideias propaladas pela Escola Austríaca, se bem divulgadas (como já é o caso aqui), têm bom potencial para atingir e persuadir o público.

    Abraços a todos!
  • Mauad  22/01/2013 12:47
    Grande garoto! Good job!

    Abraços
  • Helio  23/01/2013 16:38
    Obrigado, Mauad!
  • Fabio  22/01/2013 13:10
    Muito boa a entrevista,parabens.
  • Helio  23/01/2013 16:39
    Obrigado, Fabio.
  • Aline  22/01/2013 14:20
    Para que o governo gaste, é preciso que alguém deixe de gastar. O dinheiro não nasce em Washington. Ou seja, se o governo deixou de gastar, as pessoas agora podem gastar, investir no crescimento americano, podem fazer a economia girar.

    O gasto do governo não implica necessariamente em um não gasto do setor privado. Em situações em que os bancos restringem o crédito, as indústrias tem muita ociosidade e as famílias e empresas reduzem os gastos ou elevam-no pouco, ou seja, situações de economia fraca, o gasto público não compete com o gasto privado. Não só não compete como o apóia, porque o governo nessas circunstâncias, ao elevar seus gastos, puxa o do setor privado.
  • Artur Fernando  22/01/2013 15:13
    Mesmo? Como o Governo obtém o seu dinheiro para gastar "publicamente"?
  • Andre Cavalcante  22/01/2013 15:15
    Aline,

    Pense um pouco mais no que escreveu. Veja bem, de onde vem o dinheiro que o governo gasta? Das pessoas e empresas. Em momentos de crise, há ociosidade justamente porque o governo se meteu e gerou a crise e é natural que as pessoas se guardem. O governo sair gastando significa só que ele vai tirar a última gota justamente dessa poupança pessoal. Não vai dar certo, economicamente falando. É como se eu lhe pedisse emprestado uma grana, vem a crise e eu lhe peço novamente, mas aí você diz, peraí, tens que pagar o primeiro empréstimo antes. Aí vem o governo lhe rouba este dinheiro e me dá somente uma parte. Quem saiu ganhando e quem saiu perdendo? Quem sustentou quem nessa história?
    Pense um pouco mais no que escreveu, pois não tem sentido econômico isso.

    Abraços
  • Aline  22/01/2013 16:34
    Nessas situações há excesso de capitais. O governo tomando poupança emprestada para gastar mais, não prejudica as condições de financiamento do setor privado.
  • Márcio  22/01/2013 16:58
    Que mágica é essa? Se você toma meu dinheiro para gastar com sua burocracia e com suas empresas favoritas, como é que isso não irá atrapalhar aqueles que vierem a mim pedir dinheiro emprestado para financiar seus empreendimentos realmente sólidos? Você aparentemente se esqueceu de que vive no mundo da escassez, e que cada recurso escasso desviado para um representa um recurso escasso indisponível para outro.
  • Tory  22/01/2013 17:04
    Parabéns, Aline. Pode contar pro seu professor keynesiano que você decorou a lição direitinho. Vai ganhar um picolé.
  • Típico Filósofo  22/01/2013 17:29
    O investimento estatal é necessário. Ele surge para a realização de projetos que o mercado é incapaz de fazer ou fará. Sim, o fato de o estado utilizar poupança realmente aumenta os juros devido ao aumento de sua escassez, mas vejam em função dos propósitos:
    O estado, com tais fundos, gerará justiça social e igualdade!

    Justiça social enriquece a população com educação pública de qualidade e assegura sua saúde, permitindo um aumento da produtividade à longo prazo. Igualdade também é essencial: O estado utiliza fundos para a construção da infraestrutura de locais carentes, que trazem benefícios até à burguesia! (Quem construiria as estradas se não fosse o estado?)

    A análise de que a tomada da poupança pelo estado de fato torna o crédito mais caro está corretíssima, mas lembrem-se: A Aline, no fim, está certa; pois o Estado é a instituição que DEVE controlar o crédito pois ele é o único capaz de utilizar os fundos para a realização do bem comum(Nem sempre, infelizmente, graças à influência do neoliberalismo globalista conservador moderno, que insiste no livre mercado).

    É uma brutalidade que o papel da instituição estatal não seja a promoção da igualdade e da justiça social. A coerção do estado é necessária para a sobrevivência da nossa civilização à longo prazo e cabe a ele o fardo da alocação de recursos, e não ao mercado.
  • Andre Cavalcante  23/01/2013 01:00
    "O estado, com tais fundos, gerará justiça social e igualdade!"

    Sutil, mas de lógica... Olha a lógica: você cria uma agência G que separa os os cidadãos em tipo A e B, um rico e outro pobre, um somente com direitos e o outro com deveres e ainda por cima a própria agência G trata a si mesma diferente tanto de A como de B. Como conseguir igualdade usando um instrumento que torna os seres humanos dessiguais?

    "Justiça social enriquece a população com educação pública de qualidade e assegura sua saúde"

    Com essa eu me espoco de rir! o) o) o). Educação pública de qualidade? Saúde assegurada? Acho que cê nunca entrou numa fila do SUS...

    PS.: O pior é que tem gente que acredita piamente nisso!

    Abraços
  • Leonardo Couto  22/01/2013 18:59

    Aline, a presença de capitais inutilizados durante períodos de recessão ocorre porque eles seguem o fluxo evasivo de investimentos ruins, mostrados assim no período de descoberta que é imediatamente anterior à recessão. Não é fruto de uma paralisação perpétua das pessoas.

    Tais capitais seriam, então, realocados a investimentos saudáveis. Infelizmente, este processo pode ser atrapalhado ou impedido pelo Estado, postergando este inevitável choque de realidade, com "juros altos" ( ele virá pior ).

    Vale lembrar também que os investimentos estatais não serão equivalentes aos privados; a adoção de "estímulos" à economia apenas replicará a situação que deu origem à recessão: Investimentos ruins. Haverá demissões em alguns setores, e haverá contratações em outros; quebra de alguns e operação de outros. Um fluxo, que ao invés de ser temido, deve, para o bem de todos, ser aceito. É a colheita do erro, por justiça; e a aceitação da correção, por redenção.

    Se você estiver interessada em saber mais sobre isso, aqui:

    A "armadilha da liquidez" e seus problemas fictícios

    Por que é impossível o governo fazer a economia crescer

    Poupança, entesouramento e os erros keynesianos

    Estimulando a economia até o colapso

    O problema do crédito: o que fazer para recuperar os mercados?

    O que está por trás da crise do mercado financeiro?

    A Grande Depressão - uma análise das causas e consequências

    E há muitos outros além destes.

    E rapazes: sejam mais corteses com uma mulher.
  • Neto  22/01/2013 20:52
    'Nessas situações há excesso de capitais. O governo tomando poupança emprestada para gastar mais, não prejudica as condições de financiamento do setor privado.'

    Ah a velha redistribuição de renda dos esquerdistas. Vamos tomar de quem tem muito que não vai fazer falta, eles não precisam.
  • Renato Souza  22/01/2013 22:33
    Aline

    Onde está esse excesso de capitais? As pessoas e empresas que poupam, deixam a grana nos bancos. Os bancos emprestam mais do que o depositado. Então que excesso é esse?
  • Engenheiro  22/01/2013 15:21
    Aline, DE ONDE DIABOS o governo tirou tal $ para gastar? É claro que compete. Todo e qualquer real gasto pelo governo foi tirado ou dos cidadãos atuais (impostos), das nossas crianças (dívida) ou do nosso poder de compra (dinheiro novo, impresso, inflação). Não tem mágica. Você é Aline e não Poliana, acorde.
  • Victor Val  22/01/2013 17:30
    O que os outros users disseram está correto, porém de certa forma você também está correta Aline. Existem casos em que o governo gasta mais do que o setor privado faria caso esse dinheiro gasto não fosse retirado dos pagadores de imposto. Mas a questão é: o quanto isso vai aquecer a economia? Ou melhor, pra que diabos é importante ter uma economia artificialmente aquecida? Nós percebemos que nesse caso onde o governo gasta mais do que a iniciativa privada gastaria, esse dinheiro "extra" jogado na economia não surge do nada, mas é exatamente retirado da POUPANÇA das pessoas. E é ai que nós temos que entender a importância da poupança na economia. Ao contrário do keynesianismo, a Escola Austríaca explica muito bem a função da poupança na economia e como ela foi o principal responsável pela melhora do nosso padrão de vida nos últimos 200 anos.
    Recomendo seguinte artigo: www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=526
    A parte mais interessante para leitura é o sub-capítulo "Poupança e Investimento"
    Outro artigo: www.mises.org.br/Article.aspx?id=401

    Abraços!
  • Fernando  22/01/2013 18:38
    As faculdades de Economia estão no ralo. A disseminação que é feita em manuais macroeconômicos da teoria keynesiana é absurda. Não entendo como os alunos não constestam e teoria ensinada, será que tais absurdos continuarão a ser defendidos pelos futuros economistas. Não precisa ser austríaco para notar que as políticas keynesianas não se adequam ao moemento atual que a economia vive. Eu como estudante de Economia, cada aula que tenho, busco informações aqui no Mises para por a teoria dos "Dr's" acadêmicos em xeque. Vida longa ao mises.
  • Helio  23/01/2013 16:48
    A única forma de o governo gastar é retirando recursos do setor privado (ou criando dinheiro do nada, que não é aqui o que estamos discutindo).

    O dinheiro retirado do setor privado e gasto pelo governo teria tido dois possíveis fins alternativos caso permanecessem no bolso dos agentes privados: seria: a) gasto pelo agente, b) poupado pelo agente (incluindo entesouramento).

    No caso a) fica claro que o governo tomou e gastou o que o consumidor gastaria. O caso b) é ainda pior em termos de perdas sociais, pois o dinheiro seria canalizado para investimentos e crescimento da economia. O governo toma, faz um gasto de um produto final, e impede o crescimento da economia advindo do que teria sido um investimento.
  • maria  22/01/2013 14:37
    Acho complicado competir com o Estado porque este pode se endividar de uma maneira que não é possível ao particular. Pode ser que no limite do endividamento o Estado tenha que ceder ao setor privado. Algo parecido aconteceu na Índia.
  • Andre Cavalcante  22/01/2013 15:22
    Às vezes acho que as pessoas não leem adequadamente os textos do IMB.

    Maria, veja no próprio texto:

    "Eu acho que o estado pode fazer tudo e também pode não fazer nada, mas só descobriremos se o estado é bom ou não se permitirmos que a iniciativa privada possa fazer o mesmo bem ou serviço em igualdade de condições. É preciso também que o estado não use o dinheiro tomado à força da população [impostos] para fazer tal bem ou serviço, o que configura um privilégio gigantesco em relação à iniciativa privada e é, claramente, pouco produtivo."

    Logo, a situação que você coloca é que o governo tem um privilégio que os outros não tem. Então, para acontecer da iniciativa privada verdadeiramente competir com o governo na prestação de serviços, o governo não pode aumentar os impostos quando quiser, nem gerar inflação (um imposto escondido) quando quiser...

    Agora, cê está certa: mesmo com todo esse poder nas mãos, no limite o estado se ferra, como na segurança, por exemplo, que é uma coisa horrenda no Brasil, a iniciativa privada já atua melhor que o serviço público (no limite a gente vê como a coisa anda)

    Abraços
  • Guilherme  22/01/2013 15:43
    "O liberalismo sai avariado dessa crise econômica?"

    Acho que o que ele quis dizer não era isso... Me parece que ele se referia não no sentido de aplicação, mas no plano ideal, partindo do pressuposto de que a crise foi causada e gerada em um sistema já liberal ("graças às desregulamentações neoliberais, o governo não estava lá para conter a ganância dos capitalistas"). Mais ou menos como os que acham que a crise de 1929 foi o fim do capitalismo liberal.

    De qualquer forma, a saída do Helio foi brilhante... Sai avariado porque usaram como desculpa para não aplicá-lo.
  • Victor Cezar  22/01/2013 20:37
    Exato. A maioria dos jornalistas e acadêmicos possuem como um dogma que a crise é uma "prova irrefutável" da falha do "modelo neoliberal". Provavelmente era a isso que se referiam.
  • bernardo  22/01/2013 16:17
    É de hoje essa noticia? Eu sou do ES, e queria comprar o jornal.
  • Gabriel Miranda  22/01/2013 19:38
    Bernardo,

    É a ediçao do dia 30/12 (domingo).

    Abraços!
  • Gustavo Miquelin Fernandes  22/01/2013 16:33

    Gostei muito.
    Concordo com Gabriel Miranda; ss ideias da Escola Austríaca precisam logo ganhar espaço na grande imprensa.
  • Breno Almeida  22/01/2013 16:43
    Muito bom, mesmo sem os colchetes a entrevista fica boa.
  • Helio  23/01/2013 16:49
    Obrigado, Breno.
  • anônimo  22/01/2013 18:12
    Se vc pudesse tracar um período da História do Brasil se aproximou mais do libertarianismo, qual seria? Será que a Era Colonial, antes do Império, foi mais libertárias? Antes do getulismo?
  • anônimo  22/01/2013 20:46
    Eu diria o segundo reinado.
    Depois foi a república café com leite, e depois a moda de ajudar os amigos do rei só aumentou
  • Fellipe  22/01/2013 20:33
    Muito bom o aproach do Helio, sem palavras que assustam como anarcocapitismo, libertarianismo, etc, e bem educado, sem ser agressivo nas respostas. Menciono isso porque eu mesmo me comporto da maneira acima citada para explicar porque o estado é um mal (normalmente me irrito com as pessoas pois parece tão obvio pra mim o que estou falando...), e preciso mudar pois isso cria resistência em quem ouve as teorias da EA e do libertarianismo na primeira vez.

    Acho que todos que queremos divulgar as idéias contidas no IMB precisamos aprender mais com o Helio.

    Abs,
  • anônimo  22/01/2013 21:11
    'sem palavras que assustam como anarcocapitismo, libertarianismo'

    libertarianismo não assusta, anarcocapitalismo sim
  • Fellipe  23/01/2013 09:38
    Anonimo,

    Depende. Mas concordo que anarcocapitalismo é de longe muito mais chocante, hehehe.

    Normalmente acontece o seguinte, sem dizer rótulo, começo a questionar algumas noções arraigadas no inconciente coletivo, como as agencias reguladoras e monopólios/cartéis, banco central, etc... até que chego no estado em si e sua imoralidade, aí a primeira constatação: "- Mas você é Anarquista!" como se eu fosse a fazor do caos, aí vou seguindo e explicando que ser contra o estado não é ser contra leis e regulações, até chegar na noção do direito natural, explicando que os únicos direitos que existem são a não agressão à vida, liberdade e propriedade, a próxima constatação é: "- Mas a liberdade não pode ser absoluta! Isso é muito perigoso! O estado tem que restringir algumas para que a sociedade seja melhor e bla, bla, bla...".

    E nesse processo vou ficando impaciente e começo a ser mais incisivo e agressivo, o que não ajuda em nada o meu lado, é claro. O pior é que não posso reclamar muito, pois já fui assim e sei como é doloroso e longo o processo dessa descoberta.

    Esse roteiro é padrão, mas ao menos algumas pessoas que tem a mente mais aberta escuta e alguma coisa é absorvida.

    Abs
  • anônimo  23/01/2013 12:40
    Geralmente essa parte de 'o estado tem que restringir liberdades' vem de gente que não entende o conceito de liberdade.
    Por ex, gente que acha que na liberdade vc ia ter que viver junto de um bando de maconheiros ou cheiradores de crack quando é justamente o contrário: a casa/rua/bairro tem dono e só entra quem o dono quiser

    O sentido popular de liberdade como 'querer fazer tudo' é que atrapalha...que acaba gerando gente como um cara por aqui que de cinco em cinco minutos falava: liberdade é um conceito auto contraditório
  • Fellipe  23/01/2013 16:11
    Anônimo,

    Exato, é isso mesmo que eu percebo, as pessoas não tem a mínima idéia da noção correta do que é liberdade. E isso se aplica também a tantos outros conceitos, inflação por exemplo. Resultado de anos de doutrinação pelo MEC.

    Abs
  • Helio  23/01/2013 16:51
    Obrigado, Fellipe.
  • Fabio  22/01/2013 21:27
    Aline 22/01/2013 14:20:58

    Para que o governo gaste, é preciso que alguém deixe de gastar. O dinheiro não nasce em Washington. Ou seja, se o governo deixou de gastar, as pessoas agora podem gastar, investir no crescimento americano, podem fazer a economia girar.

    O gasto do governo não implica necessariamente em um não gasto do setor privado. Em situações em que os bancos restringem o crédito, as indústrias tem muita ociosidade e as famílias e empresas reduzem os gastos ou elevam-no pouco, ou seja, situações de economia fraca, o gasto público não compete com o gasto privado. Não só não compete como o apóia, porque o governo nessas circunstâncias, ao elevar seus gastos, puxa o do setor privado.


    Depois que eu respondo baboseiras dessas como o merecido vão falar que sou ruim.
    Complicado.
  • Carlos Marcelo  22/01/2013 23:57
    Só uma questão, alguém poderia perguntar: se o melhor é privatizar, por que o setor privado não constrói por conta própria as rodovias, ferrovias e aeroportos? Por que eles não tomam a iniciativa? Se privatizar, será que haveria mesmo concorrência? E como seria nas cidades? Haveria pedágio entre as ruas? Como seria uma cidade privada? E se alguém foi roubado e não tiver dinheiro para pagar uma polícia que capture o ladrão, ficaria por isso mesmo? Agradeço se vocês souberem responder a essas questões.
  • Ricardo  23/01/2013 00:15
    "Só uma questão, alguém poderia perguntar: se o melhor é privatizar, por que o setor privado não constrói por conta própria as rodovias, ferrovias e aeroportos? Por que eles não tomam a iniciativa?"

    Simplesmente porque tais atividades são monopólios estatais. Se você fizer um consórcio com conhecidos e sair construindo estradas por conta própria, você vai em cana. Além desta proibição à livre iniciativa, mesmo que o estado fizesse concessões para a construção de estradas (algo que ele até hoje nunca fez), há também a questão das licenças ambientais, das burocracias, da carga tributária e das inúmeras regulamentações estatais que existem no Brasil, o que tornaria inviável o empreendimento. O estado cria inúmeras barreiras e aí vem pessoas como você colocando a culpa de tudo na "falta de interesse" de empreendedores. Exatamente como o estado quer.

    "Se privatizar, será que haveria mesmo concorrência? E como seria nas cidades? Haveria pedágio entre as ruas? Como seria uma cidade privada? E se alguém foi roubado e não tiver dinheiro para pagar uma polícia que capture o ladrão, ficaria por isso mesmo? Agradeço se vocês souberem responder a essas questões."

    O setor público: desestatizando a segurança, as ruas e as estradas

    O fundamento lógico para a privatização total

    Sobre as privatizações (Parte 1)

    Sobre as privatizações (final)

    Estado, violência e leis privadas

    Leis e justiça numa sociedade libertária

    A possibilidade de uma justiça privada

    Desfrute as leituras.
  • David  23/01/2013 11:05
    "E se alguém foi roubado e não tiver dinheiro para pagar uma polícia que capture o ladrão, ficaria por isso mesmo?"

    Nesta sua pergunta, fica implícito o pressuposto de que a polícia estatal COM CERTEZA prenderia o ladrão.

    Mas olhe ao seu redor. Hoje, todos pagam pela segurança (inclusive pessoas que não tem dinheiro suficiente para isso) através de impostos. Ainda assim, pessoas cometem assassinatos, e, em 92% dos casos, "fica por isso mesmo".

    pps.jusbrasil.com.br/politica/6947296/apenas-8-dos-homicidios-sao-solucionados-no-brasil

    Mas atenha-se ao texto. Ele não pede para acabar com os serviços estatais, pede apenas que não se proíbam serviços privados.

    Portanto, só saberíamos se "ficaria por isso mesmo", se permitíssemos a existência de uma polícia privada. Hoje, não se permite:

    www.conjur.com.br/2012-jul-29/pm-minas-gerais-proibe-vigia-particular-atividade-ilegal


  • anônimo  23/01/2013 11:46
    Essa situação é muito improvável, o mercado geraria uma polícia/justiça privada bem barata, e também haveria empregos e riqueza demais pra todo mundo, qualquer porteiro, motorista de ônibus poderia pagar tranquilamente
  • Eduardo  23/01/2013 15:30
    David, excelente ponto sobre como a polícia atualmente é bastante falha e muita coisa "fica por isso mesmo".

    Levanta uma consideração que deveria ser feita sobre todo serviço estatal.

    No que me parece, desde que o slogan de uma política pública seja "segurança/alimentação/educação pra todos", então está tudo certo, mesmo que os resultados sejam 92% de assassinatos não solucionados, milhares morrendo de fome, e milhões de analfabetos e analfabetos funcionais... o que parece importar é o que o slogan propõe.

    Assim, suponha que uma idéia (A) de um sistema educacional de livre-mercado irá educar as pessoas a um custo baixíssimo. Seu slogan não diz nada sobre os que não podem pagar esse custo baixíssimo.
    "Mas quem irá educar os pobres, aquela pequena porcentagem de pessoas que mesmo com um serviço barato devido à competição não poderá pagar?" é tomada como uma objeção ao livre-mercado apenas porque não está enunciado que todos serão contemplados.

    Agora, suponha que uma idéia (B) de um sistema educacional estatal irá educar todos com dinheiro de impostos ao invés de pagamento direto. Seu slogan diz que todos receberão educação.
    "Pronto, agora está enunciado que todos receberão educação".

    --
    Mesmo que na prática a idéia (B) falhe em educar adequadamente por gerações milhões de pessoas, apenas o fato de que ela se propõe ser para todos a faz ser tida pra algumas pessoas como uma idéia superior. Bastam "mais investimentos" e "mais reformas" e um dia dará certo.

    Mesmo que na prática a idéia (A) tenha largo sucesso e eduque razoavelmente a maioria (ou quiçá a totalidade), mas uma pequena parcela da população não tenha acesso garantido por lei (e ainda podem ter acesso garantido por outras vias), então a idéia (A) é descartada.


    De fato, quando as pessoas são mais economicamente livres e têm seus direitos de propriedade privada mais respeitados, qualquer serviço que se queira prestar acaba sendo mais acessível a mais e mais pessoas, e com uma qualidade maior, mesmo que "popularizar" tal serviço não seja a intenção de uma economia livre, esse acaba sendo o resultado.
    E quanto mais se tenta arbitrariamente alocar recursos à força pra "consertar" problemas na sociedade, em consequência a sociedade acaba ficando mais pobre do que seria sem esse intervencionismo, e os próprios objetivos que se quer alcançar, os serviços que se quer prestar, acabam falhando e exacerbando os problemas tais que se queria solucionar inicialmente.
  • Joao Paulo  23/01/2013 06:40
    O Hélio manda muito bem!
  • Helio  23/01/2013 16:53
    Obrigado, João Paulo.
  • Juno  23/01/2013 13:42
    Ótimo texto. Só uma pergunta: há algum artigo do site que desenvolva melhor a ideia da teoria da captura, à qual Helio Beltrão se referiu no começo da entrevista?
  • Leandro  23/01/2013 13:50
  • Rômulo  23/01/2013 15:55
    Sim, o Estado é uma mafia. Quanto maior o tamanho e o peso deste, maior é a máfia.
  • Ronaldo Quinto  23/01/2013 18:30
    Muito bom, Helio!
  • Helio  25/01/2013 13:14
    Obrigado, Ronaldo! Abraço para a turma!
  • J. Rodrigues  24/01/2013 01:35
    O que me impressiona é que tem muita gente que se refere a estado como se este fosse uma máquina perfeitamente programada onde as pessoas colocam uma moedinha e escolhem o serviço a ser fornecido que sai na hora e ao gosto do cliente. Esquecem, ou fingem, que no tal estado quem faz as coisas acontecerem (ou deveriam fazer) são pessoas tão iguais às existentes na inicitiva empresarial privada e com uma desvantagem para o cliente: não pode ser trocada e nem repreendida pelo cliente. Tome-se como exemplo os serviços de saúde, tão decantados como direito do cidadão e obrigação do estado (profissionais, laboratórios, hospitais,etc.).Coteje-se os públicos X os privados. É so parar e pensar.
  • Gustavo Sauer  24/01/2013 02:55
    Vocês sabiam que o Jeffrey Tucker disse que uma das entrevistas que ele mais gostou de fazer foi com o Hélio? www.youtube.com/watch?v=QK-KP8e-UcM (37m44s)
  • Helio  25/01/2013 13:15
    Gustavo, o mais curioso é que essa minha entrevista não foi ao ar. Foi gravada na ASC 2010 no MI. Nem sei se o registro ainda existe.
  • Francisco Seixas  19/02/2013 23:13
    Bela entrevista Hélio, parabéns. Tenho insistentemente divulgado muito do que aqui é publicado.

    Essa competição fica difícil de acontecer com um estado gigante e monopolista, como no caso do Brasil. Seu domínio seduz até mesmo os liberais. E aí fica valendo o velho provérbio - casa de ferreiro, espeto de pau.

    Por que no Brasil Lemann precisa do BNDES?
    =====================================================================================
    Agora, se me permite, uma mera curiosidade.

    Minha opção pela doutrina libertária tem sua semente no período da ditadura militar, mais especificamente a partir do governo Costa e Silva, mas principalmente no governo Médici.

    No governo Costa e Silva, meu tio, Luis Antonio da Gama e Silva (irmão de minha mãe), era o Ministro da Justiça e seu pai era Ministro do Planejamento. Como você sabe, esse meu tio foi o redator do AI 5. A reunião que radicalizou a ditadura

    A série de acontecimentos que se sucederam a partir principalmente do governo Médici, fizeram aquela semente brotar.


    Abraço.
  • Charles  14/05/2013 04:53
    Parabéns pela entrevista! você fala de forma clara e simples de entender! nenhum socialista ou burocrata seria capaz de vence-lo em um debate racional e indo direto ao ponto!


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