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Sindicatos não podem beneficiar os trabalhadores em geral

Social-democratas, progressistas e toda a esquerda em geral acreditam firmemente, e erroneamente, que sindicatos são capazes de aprimorar o padrão de vida dos assalariados de todo o sistema econômico.  E acreditam que eles conseguem fazer isso por meio da imposição de aumentos salariais ou de reduções na jornada de trabalho sem concomitantes reduções salariais.  Ao pensarem assim, esses grupos ideológicos cometem a falácia de pressupor que, dado que ganhar mais dinheiro é obviamente um objetivo inteligente para um assalariado buscar, então se todos os assalariados conjuntamente reivindicarem o mesmo para si, tal imposição será igualmente benéfica para todos conjuntamente.

Os proponentes destas ideias se mostram totalmente ignorantes do fato de que aumentos salariais impostos por sindicatos reduzem a quantidade de mão-de-obra demandada e consequentemente geram desemprego tanto para os não-sindicalizados quanto para aqueles trabalhadores cuja habilidade e produtividade geram menos valor do que o novo piso salarial imposto.  Mais ainda: menor emprego significa menor produção, e menor produção significa menor oferta de bens e serviços, o que significa preços mais altos.  Para coroar tudo, haverá um aumento nos gastos sociais para se conceder benefícios aos desempregados, o que pode levar a um aumento futuro da carga tributária.

A única maneira de se aumentar os salários sem que isso gere um aumento no desemprego é aumentando a quantidade de dinheiro na economia, o que consequentemente tende a elevar o volume de gastos em todo o sistema econômico.  Porém, tal fenômeno, assim como o descrito no parágrafo anterior, também levará a um aumento nos preços, e consequentemente não irá aprimorar o padrão de vida dos assalariados.

Expressando estes pontos na tradicional terminologia de oferta e demanda, a única maneira de os salários nominais subirem é havendo uma menor oferta de mão-de-obra — o que significa menos pessoas empregadas — ou havendo mais demanda por mão-de-obra, o que também significa que está havendo uma maior demanda por bens de consumo e, consequentemente, que os preços dos bens de consumo estão mais altos.  Logo, por mais surpreendente que isso possa parecer, podemos concluir que salários maiores — sejam eles obtidos por meio de uma menor oferta de mão-de-obra ou por uma maior demanda por mão-de-obra decorrente de um aumento da quantidade de dinheiro na economia — simplesmente não podem aumentar o padrão de vida do assalariado médio. 

Temos de concluir, portanto, que se realmente desejam aumentar o padrão de vida do assalariado médio, os sindicatos estão completamente equivocados em ter como objetivo exigir aumentos salariais.  No entanto, este é exatamente o seu supremo objetivo, não havendo nenhum outro objetivo comparável à grandiosidade deste.

Sim, é possível haver um aumento na demanda por mão-de-obra que leve a aumentos salariais e que, ao mesmo tempo, não gere aumento na demanda por bens de consumo e nem aumento de preços.  Mas isso só poderia ocorrer caso fosse resultado de um aumento na poupança.  E o que permitiria isso seria uma grande redução nos gastos do governo feita em simultâneo a uma equivalente redução de impostos, dentre eles o imposto de renda de pessoa jurídica, o imposto de renda de pessoa física, o imposto sobre ganhos de capital e todos os outros impostos que incidem sobre a receita e o lucro das empresas.  Dado que impostos são pagos com fundos que poderiam ser poupados e utilizados em investimento, tal redução de impostos permitirá que tais fundos sejam agora efetivamente poupados e investidos.  Essa poupança adicional poderia, consequentemente, ser em grande parte utilizada para pagar os aumentos salariais.

Por conseguinte, os assalariados poderiam aumentar correspondentemente seus gastos em consumo.  E isso não representaria um aumento geral do gasto em consumo porque estaria sendo financiado por uma equivalente — aliás, mais do que equivalente — redução nos gastos do governo.  Ou seja, o governo reduziu seus gastos para que os trabalhadores pudessem aumentar os próprios.  Assim, embora os salários dos trabalhadores tenham aumentado, não houve nada que tornasse possível a elevação generalizada dos preços. 

No entanto, desnecessário dizer que tais reduções de impostos são um anátema absoluto para os sindicatos e seus defensores.

Nunca é demais ressaltar que o que de fato aumenta o padrão de vida dos assalariados é o aumento na produtividade da mão-de-obra — isto é, um aumento na quantidade de bens produzidos por unidade de mão-de-obra.  Este aumento de produtividade serve para aumentar a oferta de bens em relação à quantidade de mão-de-obra disponível.  E tal aumento na oferta de bens em relação à mão-de-obra leva a uma redução dos preços dos bens em relação aos salários pagos.  Caso a quantidade de dinheiro na economia fosse constante ou aumentasse muito pouco, os preços cairiam ao mesmo tempo em que os salários permaneceriam inalterados.  Havendo um aumento mais substancial da quantidade de dinheiro na economia, seria possível que os preços permanecessem inalterados ao mesmo tempo em que os salários subissem.  Seria possível também que tanto preços e salários aumentassem, mas com os preços subindo menos que os salários.  A questão é que, se estiver havendo um aumento contínuo da produtividade, de modo que a quantidade de bens esteja sempre aumentando em relação à quantidade de mão-de-obra disponível, estará havendo um aumento no padrão de vida dos assalariados.

É essencial entender que a base para um aumento da produtividade da mão-de-obra está na quantidade de investimento feito na produção de bens de capital.  E investimentos em bens de capital são estimulados por reduções nos gastos do governo acompanhadas por uma equivalente redução naqueles impostos que são pagos com fundos que, uma vez liberados deste encargo, poderão ser substancialmente poupados e investidos em bens de capital.

O problema é que os sindicatos e seus defensores ideológicos são totalmente alheios a estes fatos econômicos.  Acima de tudo, eles são ignorantes quanto ao fato de que o padrão de vida dos assalariados não advém necessariamente de um aumento salarial mas sim de uma queda de preços dos bens de consumo e dos serviços.  Como explicado acima, a queda nos preços não precisa ser em termos nominais ou absolutos.  Basta apenas que seja uma queda relativa, isto é, que os preços aumentem menos que os salários — ou, colocando de outra forma, que os preços ao menos sejam menores do que seriam caso o único fator atuante fosse um aumento na quantidade de dinheiro e do volume de gastos na economia.

Quando finalmente se entende que o real aumento do padrão de vida dos assalariados advém da redução relativa de preços e não do aumento nominal dos salários, não é difícil chegar à conclusão de que os sindicatos não apenas são totalmente ignorantes em relação a como elevar o padrão de vida dos assalariados em geral, mas também atuam diretamente contra os interesses dos assalariados em geral.  Em vez de agirem de modo a facilitar investimentos em bens de capital, o que aumentaria a produtividade (logo, os salários) e a oferta de bens de consumo, e consequentemente reduziria os preços relativos destes bens, os sindicatos defendem medidas que necessariamente obstruem esses investimentos, como impostos, encargos sociais e trabalhistas, e maiores gastos com salários.

Sindicatos podem aumentar o padrão de vida de pequenos grupos de trabalhadores, mas apenas ao adquirirem privilégios monopolísticos que limitam o número de trabalhadores que podem ser empregados em uma determinada linha de trabalho ou ao gerarem ou manterem uma necessidade artificial pelos serviços de trabalhadores de determinadas áreas.  Porém, nestes casos, os sindicatos estão reduzindo o padrão de vida de outros trabalhadores.  Os trabalhadores que forem impedidos de trabalhar em áreas dominadas por sindicatos terão de encontrar empregos em outros setores, nos quais o acréscimo de sua mão-de-obra servirá apenas para reduzir ainda mais os salários.  Se houver leis de salário mínimo que proíbam uma redução salarial, então estes trabalhadores desalojados acabarão simplesmente desempregados ou tomando os empregos de outros trabalhadores menos qualificados, os quais ficarão desempregados.

À luz de tudo isso, é possível entendermos como a produtividade da mão-de-obra ao longo dos últimos 225 anos aumentou em uma escala de vários múltiplos, e com um comparavelmente enorme efeito positivo sobre os salários reais (a quantidade de horas de trabalho necessária para se adquirir bens e serviços corriqueiros vem caindo continuamente) e sobre o padrão de vida geral, e sem nenhum efeito negativo sobre a taxa de desemprego.  Com efeito, o número total de assalariados empregados também aumentou enormemente, em linha com o aumento populacional possibilitado pelo aumento na produtividade da mão-de-obra e o consequente aumento no padrão de vida.

A única contribuição dos sindicatos a esse processo é impedi-lo ou retardá-lo.  A cada avanço ocorrido no mundo empreendedorial, os sindicatos tentam combater o aumento da produtividade sempre que isso ameaça reduzir o número de empregos disponíveis para seus membros.  Com efeito, eles abertamente se orgulham de "manter pessoas empregadas" quando deveriam era se orgulhar de criar bens e ser produtivos, aparentemente incapazes de compreender que manter empregos exigindo uma mão-de-obra maior do que a necessária para produzir um determinado bem serve apenas para impedir a produção de outros bens, os quais, conjuntamente a esse bem em particular com o qual eles estão preocupados, poderiam aumentar o padrão de vida dos trabalhadores.

Para continuarem existindo, sindicatos necessitam de um "sangue fresco" que possa ser continuamente sugado.  Sua mais abundante e fecunda fonte nas últimas décadas tem sido os funcionários públicos, que hoje formam a maioria de seus membros.  Ao fazerem vultosas contribuições para a campanha de políticos corruptos, e ao obrigarem seus membros a votarem em massa nestes políticos, os sindicatos dos funcionários públicos podem garantir salários e aposentadorias magnânimas (para não dizer bizarras) para seus membros, tudo financiado pelos pagadores de impostos do setor privado.  Em face das iminentes falências governamentais ao redor do mundo, este processo parasitário vem encontrando crescente oposição.  A esperança do setor produtivo é que ele esteja hoje próximo de seu fim.

 

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autor

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.

  • Típico Filósofo  16/01/2013 13:41
    "Essa poupança adicional PODERIA, consequentemente, ser em grande parte utilizada para pagar os aumentos salariais.

    Por conseguinte, os assalariados poderiam aumentar correspondentemente seus gastos em consumo. E isso não representaria um aumento geral do gasto em consumo porque estaria sendo financiado por uma equivalente — aliás, mais do que equivalente — redução nos gastos do governo. Ou seja, o governo reduziu seus gastos para que os trabalhadores pudessem aumentar os próprios. Assim, embora os salários dos trabalhadores tenham aumentado, não houve nada que tornasse possível a elevação generalizada dos preços.

    No entanto, desnecessário dizer que tais reduções de impostos são um anátema absoluto para os sindicatos e seus defensores."


    Absurdo. O movimento sindicalista é o único responsável pela melhora nas condições de vida dos trabalhadores. O próprio texto diz que tal redução de impostos não traria o aumento de impostos, mas PODERIA trazê-lo. Entretanto, no mundo real, onde a ganância do patrão é a única variável do calculo salarial, a burguesia não aumentaria salários pois não tem misericórdia pelo sofrimento dos mais pobres.

    O aumento do piso salarial não gera desemprego, pois os patrões já empurram os salários naturalmente para baixo. Apesar de tudo, agradeço ao senhor Reisman por utilizar o verbo "Poder" e ser honesto com sua passagem de informações: Em apenas uma frase, ele negou o próprio artigo.

    O que gera desemprego é a baixa qualificação da mão-de-obra ocorrida graças à falta de uma educação pública de qualidade(Que, de forma irônica, apenas pode ser obtida através de impostos; aqueles nomeados fervorosamente como o motivo da pobreza). A diminuição de juros também possui efeito positivo pois estimula a indústria nacional, entretanto, ela gera escravidão por dívida devido ao aumento da propaganda.

    15% do PIB à educação, já!
  • Leandro  16/01/2013 13:52
    Grande Típico Filósofo! Já estávamos sentindo sua falta aqui. Sempre muito arguto e rascante em seu sarcasmo (o qual vários ainda não perceberam). Grande trabalho!
  • Alto Comissariado do Partido  16/01/2013 15:08
    Mas só 15%? Porque pensamento tão pequeno? Por que não 95%? Por que não 200%, mediante empréstimos? Por que não colocamos em prática o plano que o Obama anunciou no discurso de posse do primeiro mandado de custear via estatal a verdadeira revolução industrial verde desse século mediante bilhões e bilhões em educação e em ciência e tecnologia?

    Que isso filósofo! Você é algum reacionário porco capitalista cara? Lembre-se que pobre não paga imposto, quem paga é só "burguês safado" (como se isso não fosse redundância), e que portanto todo o gasto social deve aumentar infinitamente pela consecução da estratégia gramsciana.

    Bom, tomara que você reveja seus pensamentos. Com essa mesquinhez você jamais chegará a ter algum cargo na Nomenklatura. Vejo que você tem a índole autruísta que buscamos, mas aparentemente é muito pouco ambicioso.

    Esses capitalistas pensam que as ordens espontâneas podem ter desempenho melhor que o planejamento central racional. A realidade de escassez é um fato só quando não se gerencia racionalmente a política, através da planificação total dos agentes e estruturas econômicas já não mais sujeitas ao fenômeno da alienação!!!

    Nosso lema é: "Tudo vale a pena se a alma não é pequena"

    É preciso ter ambição meu jovem!!!

  • Miqueias  16/01/2013 16:01
    Esses comentários se parecem muito com os textos do Vanguarda Popular. Os caras são muito bons, pena que o site está há tempos sem atualizações.
  • Marcelo Werlang de Assis  11/07/2013 20:24
    Miquéias, achei bastante hilário e criativo este escrito do site Vanguarda Popular:

    CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA BOLIVARIANA DO BRASIL

    PREÂMBULO


    Nós, representantes do PARTIDO, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte Soberana para instituir um Estado Totalitário Socialista, destinado a assegurar o exercício dos direitos estatais e a liberdade estatal como valores supremos de uma sociedade socialista, fundada na harmonia partidária, na ordem interna e internacional, com a solução arbitrária das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Karl Marx, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA BOLIVARIANA DO BRASIL.

    TÍTULO I
    Dos Princípios Fundamentais do Estado Socialista


    Art. 1º A República Bolivariana do Brasil constitui-se em Estado Totalitário Socialista e tem como fundamentos:

    I — o socialismo petralha;
    II — a dignidade do Estado;
    III — os valores sociais da servidão e da livre imposição compulsória;
    IV — a declaração universal dos direitos do Estado.

    Parágrafo único. Todo o poder emana do PARTIDO, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

    Art. 2º São Poderes da União o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

    Parágrafo único. O poder Executivo dominará e manipulará despoticamente os poderes Legislativo e Judiciário.

    Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Bolivariana do Brasil:

    I — construir uma ditadura socialista;
    II — erradicar todo e qualquer tipo de oposição;
    III — manter o PARTIDO indefinidamente no poder;
    IV — promover o bem de todos os membros do PARTIDO.

    Art. 4º A República Bolivariana do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

    I — independência nacional;
    II — prevalência dos direitos do Estado;
    III — os demais princípios serão definidos arbitrariamente na próxima reunião do Foro de São Paulo.

    Parágrafo único. A República Bolivariana do Brasil buscará o fortalecimento da UNASUL visando à integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina.

    TÍTULO II
    Dos Direitos e Garantias Fundamentais do Estado


    Art. 5º Todo poder será concentrado nas mãos do Estado.

    Art. 6º Ao Estado pertencem todos os membros da coletividade. Sem o Estado nenhum ser humano tem direito de existir e, existindo, pode ser livremente retirado da existência desde a sua concepção.

    Art. 7º Todos são iguais perante a lei.

    Parágrafo único. Os membros do PARTIDO são mais iguais que os outros.

    Art. 8º Nenhum membro da sociedade deverá portar armas. O porte de armas será proibido em todas as suas formas.

    Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos membros do PARTIDO.

    Art. 9º Todo membro da sociedade tem o direito de ser, em todos os lugares, vigiado, preso ou retirado da existência sem justificativa prévia.

    Art. 10. A República Bolivariana do Brasil tem poder para censurar, perseguir, torturar, massacrar, oprimir, prender e promover o desaparecimento da face da terra de qualquer membro da coletividade.

    Art. 11. Todo membro da coletividade acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido culpado até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei em julgamento sumário no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua ampla acusação.

    Art. 12. Todo membro da coletividade tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes uma sentença condenatória efetiva para os atos que violem os direitos fundamentais do Estado.

    Art. 13. Qualquer membro da coletividade poderá ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.

    Art. 14. A propriedade é um roubo.

    Parágrafo primeiro. Qualquer membro da coletividade será arbitrariamente privado de sua propriedade.

    Parágrafo segundo. O MST promoverá a coletivização compulsória das propriedades agrárias.

    Art. 15. Todo ser humano tem direito à liberdade de imprensa, opinião e expressão, desde que essas liberdades favoreçam o Estado.

    Art. 16. A religião é o Ópio do Povo.

    Parágrafo primeiro. O Estado é deus. O PARTIDO é o Estado. Segue-se, portanto, necessariamente que o PARTIDO é deus.

    Parágrafo segundo. Nenhum ser humano possuirá o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião.

    Art. 17. O Estado controla o passado, o presente e o futuro.

    Parágrafo primeiro. O Estado promoverá a reconstrução histórica para garantir que todos os fatos históricos favoreçam ao PARTIDO.

    Parágrafo segundo. A reconstrução histórica ficará sob responsabilidade da Comissão Nacional da Verdade.

    Art. 18. Somente o Estado pode garantir a universalidade do acesso a educação marxista universal, gratuita, compulsória e de qualidade para o povo.

    Art. 19. O Estado promoverá alocação racional e compulsória de qualquer trabalho, ofício ou profissão.

    Parágrafo primeiro. Os alunos que ingressarem nos cursos de medicina terão que atuar obrigatoriamente no Sistema Socialista de Saúde (SSS).

    Art. 20. Todo e qualquer artigo da presente Constituição poderá ser alterado, desde que para fortalecer os poderes do Estado, nunca, jamais, em hipótese alguma, para enfraquecê-los.

    Art. 21. Nenhuma disposição da presente Constituição pode ser interpretada como o reconhecimento, a qualquer suposto indivíduo, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição dos poderes do Estado e das liberdades estatais aqui estabelecidas.
  • Leandro Tideman  16/01/2013 15:27
    Lição de casa: Refutando um típico filósofo (levando o sarcasmo a sério).

    1 - "PODERIA": A poupança adicional poderia ser utilizada também para contratar mais funcionários, comprar mais bens de produição, comprar ou melhorar bens de produção afim de que se tornem mais produtivos, melhorando assim a vida do trabalhador.

    2 - "O movimento sindicalista é o único responsável pela melhora nas condições de vida dos trabalhadores": A evolução tecnológica é responsável pela melhoria no ambiente de trabalho, como computadores, ar condicionado etc. De nada adianta aumento de salário se o custo de vida também sobe.

    2 - "os patrões já empurram os salários naturalmente para baixo": Recebi uma proposta de emprego com um salário maior em uma empresa concorrente a que trabalho atualmente. Porém não fiz a troca pois a minha atual cobriu o valor de salário da outra.

    3 - "O que gera desemprego é a baixa qualificação da mão-de-obra": Sou formado em Relações Internacionais, porém não uso NADA do que aprendi na faculdade no meu dia-dia no trabalho. Um ensino médio ja daria conta disso. O mais importante aprendi aqui.

    4 - "ocorrida graças à falta de uma educação pública de qualidade": grande parte dos funcionários aqui nesta multinacional veio de escolas públicas.


    Que nota eu tiro?
  • Thiago  11/07/2013 18:50
    Artigo bem desenvolvido, mas não gosto da ideia de mercado, e muito menos sindicatos ( que por si só deveriam se unir como comunidade para um bem maior, mas só lutam pelos seus interesses salariais particulares, principalmente os líderes que criam um tipo doentio de lutas de classes)... a questão de preço é relativo a produção, mas o fator de automatização do processo me faz ver que não exite economia, não consigo ver tecnologia aliada à economia.
  • Mattias  11/07/2013 19:19
    Não entendi nada da sua lógica, Thiago. Se puder desenvolvê-la um pouco mais seria interessante.
  • anônimo  11/07/2013 20:04
    Eu não entendi nada, nem da lógica, nem da intenção, nem do comentário...
  • Thiago  11/07/2013 20:31
    O que quero dizer é que ideia de mercado por si só trás conflitos meu caro, e sempre vai ser assim, tecnologia é que influencia no preço hj, logo tecnologia não se alia a mercado muito menos ao seus mesmo economia, essa luta de classes é bobagem, que vcs digladiam nesse artigo é simples bobagem
  • Ricardo  11/07/2013 21:00
    "O que quero dizer é que ideia de mercado por si só trás conflitos meu caro"

    Nonsense. Mercado é exatamente o oposto de conflito. O mercado é uma matriz onde os indivíduos praticam trocas livres e voluntárias. Como pode uma matriz onde há essa liberdade de trocas "só trazer conflitos"?

    Recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=417

    "e sempre vai ser assim, tecnologia é que influencia no preço hj, logo tecnologia não se alia a mercado muito menos ao seus mesmo economia, essa luta de classes é bobagem, que vcs digladiam nesse artigo é simples bobagem"

    Seu raciocínio é incompreensível e sua dificuldade de expressá-lo de maneira minimamente inteligível mostra bem a névoa mental na qual você vive. Se a tecnologia influencia os preços (creio que para baixo), por que isso seria inimigo do mercado, uma vez que a livre concorrência tende justamente a reduzir preços?
  • B_Diniz  16/01/2013 13:58
    Estavam pedindo 10%..

    Agora querem 15%???
  • Arthur M M  16/01/2013 14:56
    Conheço algumas pessoas que trabalham no metro de São Paulo. Um dos pontos em aumentar o salário deles é porque eles estão sendo mais produtivos, a partir do momento em que a empresa adiciona tecnologia e maquinário às operações. Daí, explicar pro cara que o que tornou ele mais produtivo foi a máquina e não ele próprio é uma briga.
    Falandom em econômia, saiu uma comics legal sobre escasses: www.smbc-comics.com/index.php?db=comics&id=2834
  • mauricio barbosa  16/01/2013 16:02
    Estes críticos sarcásticos são irritantes e digno de pena ao mesmo tempo,pois o dia em que eles abrirem uma empresa e vivenciarem as dificuldades do dia a dia ai eu quero ver eles falarem bobagens de burguês safado e coisa tal...
    Pimenta nos olhos dos outros é refresco e fazer caridade com o chapéu alheio é fácil, mas numca se esquecer que,rapadura é doce mas não é mole.
  • Mark  16/01/2013 16:53
    Hoje li uma matéria no correio braziliense sobre o aumento de salários no setor de serviços, o que aumentará os preços. O dono de uma marcenaria relatou a dificuldade em manter bons funcionários, pois estes são disputados pelas empresas e então ele deve oferecer aumentos para mantê-los. O que me chamou a atenção é que o aumento e a melhora nas condições de trabalho não foram conquistadas por sindicatos, mas sim pelos próprios funcionários que ofertaram um serviço de qualidade e agora colhem os frutos. Como esse exemplo existem vários outros em nosso país.
  • Thiago  16/01/2013 16:59
    "No entanto, desnecessário dizer que tais reduções de impostos são um anátema absoluto para os sindicatos e seus defensores."


    Não entendi, pq os sindicatos seriam contrários a redução de impostos?




    Recentemente a CUT realizou um plebiscito pelo fim do imposto sindical.(diganaoaoimposto.cut.org.br/noticias/trabalhadores-as-parabenizam-a-cut-pelo-plebiscito-sobre-o-fim-imposto-sindical/)


    Não me lembro bem quando, mas em 2008 ou 2009 houve uma redução de alguns impostos - ao mesmo tempo houve uma companha pedindo ao governo um decreto proibindo as demissões, o que não foi feito. A justificativa era de que diversos empresários, beneficiados pela isenção de impostos, continuavam a demitir seus funcionários.
  • Márcio   16/01/2013 17:12
    Sindicatos são contra qualquer redução de encargos sociais e trabalhistas, bem como do IRPJ. Quanto ao IRPF eles defendem reduções apenas das alíquotas incidentes sobre a baixa renda, mas defendem alíquotas maiores para os "mais ricos". Jamais vi sindicatos fazendo manifestação pela redução de impostos que são de seu interesse.
  • Thiago  16/01/2013 18:37
    "Jamais vi sindicatos fazendo manifestação pela redução de impostos que são de seu interesse."



    Não é justamente o caso do fim do imposto sindical? Afinal é dai que vem o principal financiamento dos sindicatos.
  • Emanuel Moura  16/01/2013 18:46
    Normal. Eles só estão brigando contra a atual norma porque querem a grana toda só pra eles. Quando só existia a CUT era uma coisa; mas, com outras Centrais atuantes, o direcionamento da Contribuição Confederativa da CLT ficou dividido. Se eles conseguirem o "fim do imposto sindical" (a rigor, fim da contribuição confederativa obrigatória com distribuição direcionada de recursos na forma da lei), eles podem reestabelecer nas Convenções Coletivas/Acordos Coletivos essa cobrança - mas direcionando da forma que bem entenderem.

    Boa parte dos Sindicatos da CUT já tem fonte de renda compulsória nas CCTs. Eles podem prescindir da Confederativa, justamente para minguar os recursos para Centrais menores. Aprenda: na economia, tão ou mais importante quanto aquilo que se vê é aquilo que não se vê.
  • Juliano  16/01/2013 19:00
    veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/centrais-sindicais/
  • Marcos  11/07/2013 17:46
    O único motivo para essa aberração do imposto sindical continuar valendo é que estava previsto na Constituição desde o início. Não fosse isso, seria considerado inconstitucional.
  • Juno  16/01/2013 17:14
    A atuação de sindicatos é sempre prejudicial?
  • Mauro  16/01/2013 17:33
    Quando agem visando apenas às suas próprias demandas salariais e quando fazem greve coerciva -- por exemplo, quando impedem os empreendedores de utilizar seus próprios meios de produção e quando impedem outras pessoas de trabalhar --, sim.

    Quando se limitam a apenas dialogar racionalmente com patrões, sem ameaça nem nada, então são ok. Mas isso nunca acontece.
  • Bright  16/01/2013 19:32
    Se não fosse a estabilidade compulsória, ninguém se arriscaria a ser sindicalista.

    Por isso mesmo, quando alguém entra para o sindicato, não sai de lá nunca mais. Eles sabem que, se perderem a estabilidade, é rua!
  • anônimo  16/01/2013 20:52
    Mas é claro né, quem é que vai querer empregar um cara que vai contra os interesses da empresa
    E por falar nisso que tipos de empresas são obrigadas a aceitar sindicatos?
  • Adam  17/01/2013 15:59
    Sinceramente não sei como está a situação nos setores "tradicionais" da economia, mas na T.I., nós estamos muito bem movimentos sindicais ou qualquer atitude deles (até pelo número minúsculo de membros). Conheço estagiários ganhando salários na casa dos 1.000 reais ainda no segundo semestre, enquanto que profissionais nos quarto e quinto semestres já estão efetivados e com salários na casa dos 2.500 reais (antes da graduação!).
    No brasil existe um número muito baixo de formação de profissionais nessa área, justificando não só estes salários nacionais, como também a grande importação de mão de obra nos setores.
    E aí vem minha pergunta: Sindicatos realmente melhoram a vida dos trabalhadores? Aqui na T.I. ninguém sente falta de um sindicato que não usamos.

    obs: sei que existem sindicatos de T.I. no brasil, porém eles tem um número baixíssimo de membros.
  • MatheUs Polli  17/01/2013 23:57
    Com certeza, Adam. Estamos bem sem esses porcos.

    Porém, na minha empresa estamos enfrentando alguma dificuldade em nos livrar do SindPD, pois o RH insiste em tentar seguir a nossa "justíssima" CLT e às regras do sindicato.

    Numa área tão flexível como a nossa (e todas as outras), um sindicato só atrapalha.

    Abraços,
  • Vanderlei  20/01/2013 12:50

    A divisão do trabalho, para medir a capacidade de um funcionário a empresa deve proporcionar a mesma fonte do conhecimento para todos os funcionários, mesmo levando em conta a hierarquia nas comunicações.

    Existe no Governo Federal a corrupção da informação, os funcionários não têm as mesmas fontes da comunicação.

    Você não pode avaliar um funcionário, se não existir o mesmo critério de avaliação e a mesma fonte de conhecimento, é regra antiga e clara que o governo brasileiro não segue.

    Um país muito corrupto e todos fingem não saber de nada, muitos cargos comissionados, muitas promoções e muita incopetência devido a CORRUPÇÃO CORRUPÇÃO CORRUPÇÃO NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO
  • Matheus  18/02/2013 13:33
    "aumentos salariais impostos por sindicatos reduzem a quantidade de mão-de-obra demandada(...)"

    Deixa eu perguntar uma coisa. No caso da empresa que trabalho nao nos queixamos dos salarios, afinal por ser da area de oleo e gas ganhamos muito bem. Mas reclamamos dos longos periodos offshore. O que aconteceria se nos organizassemos para pedir nao reducao de salarios, mas sim mais dias de folga (e supondo que fossemos atendidos)? Uma coisa eu tenho como exemplo pratico: a demanda de mao-de-obra nao iria diminuir, visto que os trabalhos estariam ali, continuariam lucrativos e teriam que ser feitos por alguem. Ou seja, a empresa teria que contratar trabalhadores para suprir os (novos) dias de folga dos empregados anteriores.

    Como ficaria essa questao vista da otica austriaca?

    Valeu!

  • Leandro  18/02/2013 13:41
    Não altera nada. Você está partindo do mesmo pressuposto: que não há custos para a empresa.

    Se a empresa tiver de contratar mais trabalhadores para suprir as novas folgas dos atuais, isso implicará um forte aumento de custo para ela. Aumento de custo implica redução de lucro. E redução de lucro implica redução de investimentos futuros, o que implica redução de expansão e de atividades futuras. No extremo, o caixa pode ficar tão afetado que a empresa acabará tendo de demitir. E ela demitirá não apenas os novos contratados, como também os mais antigos.

    No entanto, como o seu caso envolve o setor petrolífero, e dado que este setor é oligopolizado pelo governo (não há livre concorrência e o governo garante contratos monopolísticos), o que provavelmente irá acontecer é que a redução nos lucros da empresa será repassada para os preços. E como não há concorrência, e dado que a demanda por petróleo tende a ser bem constante, o resultado final será preços maiores para os consumidores, menor oferta de petróleo no futuro, e vida boa para os trabalhadores dessa empresa.
  • Matheus  18/02/2013 14:00
    Valeu pela rapida resposta! Grande trabalho de ensino gratuito e de qualidade (ouvi isso na minha formatura em universidade publica rs).

    Na verdade, o segundo cenario nao aconteceria, ja que apesar de ser dessa area, nao 'e uma empresa produtora de oleo/gas, mas sim uma prestadora de servicos, com concorrentes de "livre mercado" (quem tem melhor relacao preco/qualidade leva o contrato).

    Ja em relacao ao primeiro, apesar de o raciocinio estar coerente (obviamente os custos da empresa aumentariam), nao acho que necessiariamente os investimentos diminuiram. A empresa poderia diminuir o pagamento de dividendos, por exemplo, mantendo o mesmo ritmo de investimentos.
  • Eduardo Pimenta  18/02/2013 14:55
    Se diminuir o pagamento de dividendos quem sai perdendo é o acionista e, possivelmente, a empresa no longo prazo, pois isso implica que o capital de empresa ficou menos atrativo. Assim, os donos perdem os incentivos de investir nessa empresa que não está gerando o volume de lucros almejados. Sempre tem alguém que sai perdendo, hehehe. =)
    Enfim, parte da nossa ciência é justamente ponderar esses benefícios e malefícios e decidir qual a melhor alocação.

    Abraços.
  • Marcelo Werlang de Assis  11/07/2013 14:47
    GEORGE REISMAN é, de fato, um extraordinário economista. Os escritos dele — assim como os do LEANDRO ROQUE — são extremamente esclarecedores e iluminadores.

    Abaixo, há dois links. O primeiro remete o internauta a mais artigos de GEORGE REISMAN publicados neste site do IMB; o segundo leva o internauta a uma cópia em PDF da obra-prima desse brilhante economista, Capitalism: A Treatise on Economics:

    mises.org.br/SearchByAuthor.aspx?id=359&type=articles;
    www.capitalism.net/Capitalism/CAPITALISM_Internet.pdf.

    Abraços!!!
  • Típico Filósofo  11/07/2013 14:50
    "Decisão p/ diretoria de sindicato em SP termina em tiroteio com 8 feridos"

    www.sidneyrezende.com/noticia/211912+sp+confusao+no+sindicato+de+motoristas+termina+em+tiroteio

    Pasmo fico com o fervor revolucionário dos trabalhadores. Mal posso esperar para que tal agitação seja levada à burguesia.
  • Rodrigo D.  11/07/2013 17:48
    Hahahahahahah.

    Estou rolando de rir aqui.
  • Marcio L  11/07/2013 16:38
    O que aconteceu com o Capital acumulado pelo trabalho dos negros escravizados, ou com o Capital advindo da acumulação a partir da doação de terras aos nobres pela coroa? Qual a posição de vocês sobre esse assunto controvérso.
  • Juliano  11/07/2013 18:30
    O Rothbard tem alguns textos sobre o assunto. Qualquer terra doada pela coroa era ilegítima, assim qualquer pessoa que morasse antes na área teria o direito de reinvindicá-la.
    Escravos, da mesma forma, teriam todo o direito de reparação contra seus "donos".

    O problema é que isso não pode ser colitiviZado. Não é algo: os negros foram vítimas dos brancos. Se for possível fazer uma identificação de quem são os descendentes diretos dos agressores e quem são os descendentes das vítimas, seria razoável exigir uma indenização. Nos casos onde isso foi completamente diluído, não dá pra sair punindo pessoas por cor de pele ou algo do gênero.
  • Luciano A.  11/07/2013 19:02
    Mesmo se fosse possível identificar os descendentes de escravistas, seria correto punir pessoas pelos erros de seus antepassados?
  • anônimo  11/07/2013 20:02
    Me corrijam se eu estiver errado, de acordo com a teoria libertária, por favor.

    Punir pessoas, não. Mas reaver bens que não são delas por direito - mesmo que recebidos pela herança, já que afinal eu não tenho direito de dar a alguém algo que não é meu - aos verdadeiros donos, acredito que seria legítimo. CONTANTO QUE fosse provada de forma direta o direito à propriedade do "querelante".



  • Luciano A.  12/07/2013 04:02
    Então é justo que pessoas que não foram escravizadas recebam indenização de pessoas que não foram donas de escravos?

    Como essa indenização seria calculada? Esse princípio também vale para outros crimes?

  • Ricardo  12/07/2013 04:45
    "Indenização" a negros por causa do passado escravagista significa obrigar A a dar dinheiro a B pelo que C fez a D.
  • Marcio L  11/07/2013 20:04
    Não seria punição, apenas ressarcimento justo, afinal receberam por herança capital acumulado através de ato violento contra outrem.
  • Luciano A.  12/07/2013 04:08
    Óbvio que seria uma punição, ressarcimento é apenas um eufemismo.
    Uma pessoa seria criminalizada por ações que ela não cometeu.
    Esse crime "herdado" teria prescrição? Quantas gerações seriam necessárias?

  • Rafael  12/07/2013 05:35
    ... Mas suponha agora que um título de propriedade é claramente identificável como sendo criminoso, será que isto necessariamente significa que o possuidor atual deve abrir mão dele? Não, não necessariamente. Pois isto depende de duas considerações: (a) se a vítima (o proprietário original agredido) ou seus herdeiros são claramente identificáveis e podem ser presentemente encontrados; ou (b) se o possuidor atual é ou não, ele mesmo, o criminoso que roubou a propriedade. Suponha, por exemplo, que João possui um relógio, e que nós podemos mostrar claramente que o título de João é de origem criminosa, ou porque (1) seu ancestral o roubou, ou (2) porque ele ou o seu ancestral compraram-no de um ladrão (se estavam ou não a par desta circunstância é irrelevante aqui). Então, se podemos identificar e encontrar a vítima ou o seu herdeiro, fica claro que o título do relógio de João é completamente inválido e que ele deve imediatamente voltar ao seu verdadeiro e legítimo proprietário. Assim, se João herdou ou comprou o relógio de um homem que o roubou de Paulo, e se Paulo, ou o herdeiro de sua condição, pode ser encontrado, então o título do relógio corretamente regressa a Paulo ou a seus descendentes imediatamente, sem compensação ao possuidor atual do "título" de origem criminosa.[7] Deste modo, se um título de propriedade atual é criminoso em sua origem, e a vítima, ou o seu herdeiro, pode ser encontrado, então o título deveria voltar imediatamente a ele.

    Suponha, entretanto, que a condição (a) não é satisfeita: resumindo, que nós sabemos que o título de João é criminoso, mas que presentemente não conseguimos encontrar a vítima nem o seu herdeiro atual. Quem é o possuidor legítimo e moral da propriedade neste caso? A resposta a esta questão depende agora do fato de João ser ou não, ele mesmo, o criminoso, de João ser ou não o homem que roubou o relógio. Se João for o ladrão, então está totalmente claro que não se pode deixar que ele retenha o relógio, pois ao criminoso não pode ser permitido reter a recompensa de seu crime; ele perde o relógio e provavelmente sofre outras punições além desta.[8] Neste caso, quem fica com o relógio? Aplicando nossa teoria libertária de propriedade, o relógio está agora — depois de João ter sido pego — em um estado de ausência de posse, e deve, portanto se tornar a legítima propriedade da primeira pessoa que pegá-lo e colocá-lo em uso, convertendo-o, assim, de um estado não usado e sem posse para um estado útil e possuído — "apropriação original". A primeira pessoa que fizer isso torna-se seu proprietário legítimo, moral e justo.

    Mas suponha que João não seja o criminoso, não seja o homem que roubou o relógio, mas que ele tenha herdado ou o tenha comprado inocentemente do ladrão. E suponha, claro, que nem a vítima nem seus herdeiros possam ser encontrados. Neste caso, o desaparecimento da vítima significa que a propriedade roubada passa devidamente a um estado de sem dono. Mas vimos que qualquer bem que se encontre em um estado de ausência de propriedade, sem nenhum proprietário legítimo de seu título, reverte-se à legítima propriedade do primeiro a vir usá-lo, a atribuir a este recurso, até então não usado, uma utilidade humana. Mas esta "primeira" pessoa claramente é João, que o tem usado durante todo esse tempo. Portanto, concluímos que, ainda que a propriedade tenha sido originalmente roubada, se a vítima ou seus herdeiros não podem ser encontrados, e se o possuidor atual não for o criminoso que efetivamente roubou a propriedade, então o título desta propriedade pertence devidamente, justamente e eticamente a seu possuidor atual.

    Recapitulando, para qualquer propriedade atualmente reivindicada e utilizada: (a) se nós sabemos claramente que não há nenhuma origem criminosa em seu título atual, então obviamente o título atual é legítimo, justo e válido; (b) se nós não sabemos se o título atual tem qualquer origem criminosa, nem tampouco temos como averiguar, então a propriedade hipoteticamente "sem dono" reverte-se instantânea e justamente a seu possuidor atual; (c) se nós sabemos que o título é criminoso em sua origem, mas não podemos encontrar a vítima ou seus herdeiros, então (c1) se o atual portador do título não for o agressor criminoso da propriedade, então esta se reverte justamente a ele como o primeiro proprietário de uma propriedade hipoteticamente sem dono. Mas (c2) se o atual portador do título é o próprio criminoso ou um dos criminosos que roubaram a propriedade, então não há dúvidas de que ele deve ser despojado dela, revertendo ela então ao primeiro homem que a remover de seu estado de não ter dono e que se apropriar dela por seu uso. E, finalmente, (d) se o título atual é resultado de um crime, e a vítima ou os seus herdeiros podem ser encontrados, então o título de propriedade se reverte imediatamente a eles, sem compensação ao criminoso ou aos outros portadores do título injusto.



    A ética da liberdade - Propriedade e criminalidade
  • Dw  12/07/2013 20:01
    Prezados, sou totalmente contra, no caso do escravismo, que pessoas na atualidade venham reivindicar qualquer coisa. 1°: Antes da lei áurea, não era crime escravisar ouras pessoas; 2°Não estávamos lá para sermos cobrados de qauisquer coisas.
    E ademais, por que os escravos não lutaram pela liberdade antes de embarcarem para cá?
    Esses mesmos tipos de argumentos são empregados para a questão de cotas raciais..
  • Marcio L  13/07/2013 03:55
    Apenas chamei a atenção para um fato histórico e o fato é que a injustiça foi cometida e, ao que parece, é irreparável, pois não é possível identificar os descendentes dos escravos que serviram a determinado senhor. Por ser irreparável, é injustiça histórica que permanecerá!

    Não me supreenderia em ver pessoas que herdaram capital acumulado através do acesso privilegiado de seus antepassados fazerem algo para tentar redimir em parte esta injustiça, se é que seria possível de alguma forma a remissão.

    Sei que um sistema verdadeiramente de livre mercado poderia diluir tal injustiça, uma vez que tais privilégios não seriam perpetuados, no entanto sinto que isso é uma utopia por diversos motivos. Um deles é que de modo geral ninguém gosta de concorrência, tanto pessoas físicas como jurídicas e quem é grande vai usar os recursos que tiver a disposição para evitá-la, sendo assim as empresas e mais precisamente as grandes, que teoricamente teriam disposição para assumir a bandeira do livre-mercado não o farão. O sonho deles é combinar o menor imposto possível com as maiores regulamentações necessárias a manutenção do seu nicho.
  • Pedro Neto  11/07/2013 16:45
    Admito que a pragmática sindical, ao menos no Brasil, é muito voltada para a questão salarial, e ainda por cima temos os sindicato estatizados, o que é incoerente - acaba gerando o que texto fala: privilégios apenas para os sindicalizados.

    No entanto, acredito que o sindicalismo é inevitável, e até natural. A pena é que ele está arraigado de esquerdismo estatizante e de um espírito "nós contra eles", onde o patrão é visto como mesquinho e mal.
  • Felipe de Lima  11/07/2013 19:45
    Olá Amigos do IMB,

    Novamente venho aqui a "explorar" vossos conhecimentos, ávido por informações os quais não havia reparado anteriormente.Espero que o Leandro e demais mantenedores do site não entrem em greve! =D

    Agora, sendo direto ao ponto, eu gostaria que alguém pudesse me auxiliar com uma questão:

    Existem no site tópicos que falam sobre a questão de como os países escandinavos prosperaram, e de como sua falta de regulamentação trabalhista trouxe progresso.
    Porém, eu gostaria de saber se existem documentos e/ou fontes oficiais destes países em questão, comprovando tais argumentos.Eu tentei pesquisar, mas infelizmente não encontrei nada falando sobre, com exceção deste pdf:

    www.globalutmaning.se/wp-content/uploads/2011/04/O-modo-n%C3%B3rdico_webb.pdf

    o qual eu ainda achei um tanto quanto superficial.

    Agradeço pela atençao!

  • Leandro  11/07/2013 20:16
    Prezado Felipe, não se preocupe. Não há nenhum indicativo de greve aqui no IMB...

    Sobre a sua pergunta, confesso que não entendi muito bem. O que seriam "documentos e/ou fontes oficiais" que comprovam que os países escandinavos prosperaram por causa de sua economia livre?

    Desconheço qualquer tipo de "documentos ou fontes oficiais" sobre isso até mesmo para países como EUA, Suíça e Austrália. Esse tipo de correlação entre prosperidade e economia livre você consegue fazer exclusivamente por meio do raciocínio e do domínio da teoria econômica. Não há (e nem deveria haver) papeis em que burocratas ratificam tal raciocínio dizendo "Eu, fulano de tal, venho por meio deste confirmar que tal país enriqueceu porque adotou tal e tal política. Os dados econométricos podem ser encontrados nas últimas páginas".

    Pode até ser que haja algum think tank na Suécia ou na Dinamarca que fale coisas assim, mas como o meu domínio destes idiomas não é dos melhores, tal procura é impossível, ao menos para mim.

    Grande abraço!

    P.S.: apenas uma pequena correção: os escandinavos prosperaram não foi apenas porque seu mercado de trabalho é livre, não. Eles têm baixa burocracia, baixas tarifas de importação, ambiente favorável ao empreendedorismo privado e à livre iniciativa, respeitam a propriedade privada, são intelectualmente bem preparados, não há salário mínimo e, muito importante, o imposto de renda de pessoa jurídica é baixo, bem menor que no Brasil. Ademais, o fato de não terem participado de nenhuma guerra mundial, o que poupou enormemente seu capital e sua infraestrutura, foi crucial. Enquanto a Europa se destruiu durante as guerras, os escandinavos continuaram prosperando, mantendo um enriquecimento contínuo, sem interrupções.
  • Felipe de Lima  11/07/2013 21:09
    Olá Leandro,

    Primeiramente obrigado novamente pela sua tenção, saiba que o considero enormemente! =D
    Segundo, me desculpe por não ter sido suficientemente claro, pois como você mesmo disse, não existem documentos que digam "somos ricos e ganhamos tal renda X por que fizemos (ou não fizemos) y w e z atitudes".Falha minha. =S
    Mas o que eu quis dizer é, se me permite a forma rude, direta e interrogativa, foi:

    Você tem como me provar que estes países (escandinavos) realmente Tem todas estas características?Pois, tentando visualizar um cenário, onde uma pessoa cética contra qualquer tipo de argumento, alienada ao pensamento democrático social, simplesmente diria:"É mentira o que você diz, pois estes países são muito bem regulamentados e possuem uma carga tributária ainda maior do que a nossa!" Com aquele ar de superioridade.... =P

    E como eu não quero pecar apelando para a inversão do ônus da prova, gostaria de saber se realmente existem dados oficiais destes governos demonstrando que não existem tamanha regulamentação trabalhista, além de comprovar os baixos tributos de renda à PJ e demais pontos que citou.

    Espero ter sido um pouco mais claro agora, apesar de que ainda não tenho certeza disto....rsrs
  • Leandro  11/07/2013 21:38
    Ah, sim, isso tem aos montes.

    Pode começar por este relatório da Doing Business (é só ir clicando nos países para obter informações mais detalhadas):

    doingbusiness.org/rankings

    Depois há este relatório anual do Fraser Institute, do Canadá. Este é o mais completo de todos:

    www.fraserinstitute.org/uploadedFiles/fraser-ca/Content/research-news/research/publications/economic-freedom-of-the-world-2010.pdf

    E há, por fim, este da Heritage, que é o mais conciso:

    www.heritage.org/index/pdf/2011/countries/denmark.pdf

    www.heritage.org/index/pdf/2011/countries/sweden.pdf

    Abraços!
  • Occam's Razor  11/07/2013 22:13
    Achei meio irônica uma parte do relatório do Heritage. Não estou contestando nenhuma das opiniões acima, apenas quero apontar uma pequena casca de banana sem tanta importância.

    Property rights:

    The judiciary is independent and fair. Contracts are respected, and Swedish law generally provides adequate protection for all property rights, including the right to intellectual property
    .

    Minha interpretação é que eles consideram, embora não tenha sido dito diretamente, que proteção à propriedade intelectual é um sinal de economia livre. Obviamente eu estaria querendo um pouco demais em esperar algo diferente, dada a realidade em que vivemos, mas não deixa de ser irônico
  • Ricardo  11/07/2013 23:16
    Leandro,

    Sei que o artigo é divergente da minha questão, porém gostaria de uma opinião sua. Uma das promessas do governo brasileiro é : destino de 75% dos royalties do pré-sal para a educação e 25% para a saúde. De acordo com a reportagem da BBC News Business de 14/05 a próxima revolução nas fontes de energia (shalegas, nos EUA) pode tornar a prospecção do pré-sal economicamente inviável por desnecessária. O Brasil com este processo utópico do pré-sal , tem total intervenção governista. Nos EUA , não vejo o governo se apropriando deste novo combustível.Gostaria de algumas observações sua, se este novo processo irá mudar algo no mercado internacional e consequentemente a abertura para uma liberdade econômica.

    Abraço,

    Ricardo.
  • Leandro  12/07/2013 00:22
    Por enquanto, tudo isso não passa de fantasia; um mero wishful thinking. Podem anunciar a porcentagem que quiser, ela não irá se concretizar.

    Há dois problemas com essa ideia do pré-sal:

    1) Boa parte do pré-sal anunciado simplesmente não existe. Anunciaram vento. Daí a fragorosa queda no valor das ações da OGX, de Eike Batista.

    2) A parte que talvez exista ainda não tem previsão de ser extraída, pois a tecnologia disponível não é viável. Para que a extração de petróleo do pré-sal seja viável, o preço do barril de petróleo no mercado internacional teria de disparar. Desnecessário dizer que qualquer descoberta de novas jazidas em qualquer parte do mundo ou até mesmo a confirmação de novas fontes de energia irá derrubar o preço do petróleo, tornando ainda mais inviável o pré-sal.
  • Típico Filósofo  12/07/2013 00:37
    Sempre pessimista, senhor Leandro. O Brasil RECEBERÁ 10% do PIB à educação de uma forma ou de outra. O endividamento da união ainda está distante de atingir níveis de primeiro mundo(Um governo receoso em fazer investimentos necessários é um dos motivos de nosso subdesenvolvimento) e está deveras clara a covardia das instituições financeiras frente ao dever patriótico de levar a nação ao progresso. Vide a armadilha de liquidez e insegurança na qual se encontram os bancos graças à esta política de liberdade na qual estão.

    O Brasil TERÁ os investimentos na área da educação ao menos quintuplicados de quaisquer formas possíveis. Caso não, o povo irá às ruas. A birra duma burguesia conservadora-liberal não mais impedirá que o país progrida. Vamos crescer; não importam os custos, juros e taxas de inflação.

    É melhor que a direita revele o mais rápido possível o golpe que planeja contra a república. Pois se tardar, o povo já terá tirado dela tudo que lhe é de legítimo direito.
  • Luciano A.  12/07/2013 04:30
    Sei que o Típico Filósofo é um fake, mas apenas para deixar claro:

    De acordo com essa tabela do Banco Mundial (data.worldbank.org/indicator/SE.XPD.TOTL.GD.ZS?order=wbapi_data_value_2009+wbapi_data_value&sort=desc), em 2010 apenas Cuba e Timor-Leste gastavam mais 10% do Pib com educação.

    Em 2009, a tabela está mais completa, o Brasil gastou mais (5,6%) do que a Alemanha (5,1%) e a Itália (4,7%).

    Nem os países escandinavos gastam 10% do pib com educação, fica em torno de 6% a 7%.
    Se olharmos os dados de países como Singapura, Japão e Coréia do Sul então...vemos que não há relação que prove que Brasil vai virar uma potência econômica com 10% de gastos.

    E ainda nem considerando qual é o tipo de educação que deveria ser oferecido. Afinal, o que significa "educação de qualidade"?


  • Rhyan  11/07/2013 23:54
    Não é nem um pouco difícil perceber que sindicatos defendem bobagens. É só ler que eles defendem redução da carga horária sem redução salarial. Vivem num mundo mágico.
  • Rafael  12/07/2013 03:55
    Gostaria de esclarecer que sou de Esquerda, sou libertário e apoio o libertarismo. A ideia de que toda a Esquerda apoia sindicatos é uma mentira, além de ser estereótipo promovido sem qualquer base para tal. Vocês têm toda razão em "militar" contra o socialismo e o comunismo, aliás, a própria Esquerda internamente já fez isso, embora não tenha recebido a atenção porque marxistas são barulhentos e manipuladores. Só peço que não militem cegamente nem produzam desinformação.
  • Michel Santos  12/07/2013 04:43
    Que haja esquerda anti-sindical é até possível. O problema é que ela nunca foi apresentada. Aqui no Brasil, então...
  • gabriel  12/07/2013 12:51
    'esquerda' e 'direita', seria legal uma definicao clara do q eh cada coisa dessas. no meu conceito esquerda significa apoio que o estado tente controlar o mercado, logo imcompativel com liberdade. Mas meus conceitos podem muito bem ser falhos, visto que existe como acima esquerdista libertario. Poderia alguem com mais conhecimento do tema, admito que sou um tanto ignorante ante tais conceitos, esclarecer melhor a mim o que seria 'esquerda' e 'direita' politica?

    fico muito agradecido se alguem puder me tirar da ignorancia, sempre quis entender o q significam realmente, para nao vir com preconceitos erroneos.
  • Renato Souza  13/07/2013 07:09
    Esquerda e direita são rótulos derivados da revolução francesa. Referiam-se aos grupos que estavam à esquerda e à direita no parlamento. Os grupos `a esquerda queriam, e acabaram promovendo, a revolução, enquanto os à direita se opunham à revolução (a maioria deles era de reformistas. Desde então, esquerda tem geralmente significada ser partidário de algum plano para tomada de poder, enganando o povo com falsas e auto-incoerentes promessas, atiçando a inveja acobertada de ideais nobres. Direita tem uma definição negativa desde então. Significa não participar, não ser massa de manobra, ou opor-se a tais planos, por quaisquer motivos. É uma definição tão negativa quanto ser um "não estuprador". As esquerdas tem o monopólio dos rótulos, e por isso grupos de esquerda usualmente acusam outros grupos de esquerda de "direitistas". Muitos grupos de esquerda depois chamados de "direitistas" eram formados em grande parte egressos dos partidos socialistas tradicionais. Bolcheviques e mencheviques acusavam cada um ao outro.

    Um dos motivos de confusão é o fato de muitos grupos de esquerda usarem métodos diferentes, inclusive com a permissão da existência de propriedades "privadas". Mas nesses caso, a propriedade não é uma expressão da liberdade individual, mas uma concessão do partido, para consecução dos seus objetivos. Alguns exemplos da estratégia socialista:

    1. Nazismo. A declaração de Hitler de que havia socializado os empresários, e por isso não precisava socializar as empresas, assim como as declarações de admiração de altos membros do partido as bolcheviques, não eram retórica. Sabe-se que os nazistas montaram um sistema de planejamento central de fazer inveja aos soviéticos. Preços, matérias primas, salários, juros, quantidades e tipos de produtos eram determinados centralmente. Só a corrupção e o mercado negro impediram o colapso total do sistema, que perdurou até alguns anos depois da guerra. Os empresários eram menos do que franqueados do partido, eram praticamente prepostos do estado. O nazismo antecipou diversos aspectos do marxismo posterior, inclusive o ambientalismo , a alimentação natural, o neo-paganismo. Aliados ocultos de Stalin durante muitos anos, o traíram por sede por poder. Não poderiam existir dois centros revolucionários sem que um planejasse destruir o outro e tomar todo poder. No mesmo espírito, os soviéticos chegaram a propor aos americanos um empreendimento comum de destruição nuclear da China maoísta.

    2. O fascismo foi fundado por um importante e influente membro do partido socialista italiano, que em nada mudou seu pensamento quanto à preeminência do estado em tudo. Como os nazistas, os fascistas, consideravam o internacionalismo marxista como um grave erro (critica depois absorvida pelos próprios marxistas, que passaram a usar o nacionalismo como arma tática quase universal). Como os nazistas, os fascistas julgavam que em vez de suprimir a religião e os empresários, deveriam submete-los aos interesses do partido, antecipando uma estratégia que depois se tornaria comum entre os marxistas. Assim, nazistas e fascistas se tornaram os marxistas do futuro.

    3. A ideologia de György Lukács, que propunha que o verdadeiro inimigo Do marxismo era a cultura judaico cristã. Propunha que antes da tomada de poder e estatização dos meios de produção, todo esforço deveria ser focado na destruição do cristianismo e do judaismo. Suas críticas foram absorvidas pelo marxismo convencional, gerando as seguintes extrtatégias: reforço da infiltração das religiões e "teologias" liberais (da libertação, negra, gay, feminista, terceiro-mundistas), tomada hostil do movimento feminista pelas neo-pagãs, multiculturalismo, aliança com mulçumanos, reforço da hostilidade dos ateus não marxistas ao cristianismo.

    4. Escola de Frankfurt de Horkheimer, Marcuse e Adorno. Sua principal contribuição estratégica foi a criação do "politicamente-correto", um enorme salto na estratégia leninista de patrulhamento ideológico com o objetivo de calar sistematicamente o adversário. Promove o gaysismo e o multiculturalismo. O multiculturalismo propõe que a cultura ocidental é a pior de todas, mas usa alternativamente o conceito de que todas as culturas são iguais em valor.

    5. Estratégia de Gramsci. Advoga que a socialização dos meios de produção deve ser precedida pela hegemonia do pensamento marxista. Propõe que todos os agentes de influência (intelectuais orgânicos, que não precisam ser intelectuais, basta que sejam influentes no pensamento popular, direta ou indiretamente) dominem todo cenário cultural, de forma a dominar o senso comum do povo.

    6. Socialismo Fabianio. Propõe que o objetivo final é o mesmo dos bolcheviques, mas que a revolução é desnecessária. Propõe enfrentamento constante dos opositores do socialismo, ganhando pequenas batalhas e cansando o adversário. Materializou-se historicamente na criação dos partidos sociais-democratas. Anterior a Lukács, Gramsci e Marcuse, em certa medida antecipou-os.

    7. Desconstrucionismo do filo-maoista Jacques Derrida. Propõe o esvaziamento do significado do discurso dos adversários e sua substituição por outros significados. Estratégia amplamente usada na construção das novas "teologias".

    8. Terceiro-mundismo. Promoveu amplamente estatizações, protecionismo, intervencionismo, crescimento do aparato estatal, vitimismo, e impediu que os países pobres prosperassem mais rapidamente. Cria o campo necessário para aplicação das outras estratégias.

    9. Irmandade mulçumana. Nascida pela absorção dentro do islão de duas ideologias coletivistas (marxismo e nazismo). Teve forte influência nos rumos, associações e estratégias do palestianismo. Os palestinos até hoje não se livraram dessa influência nefasta, mas tenho esperança que no futuro muitos deles abram os olhos.

    10. Influência no sionismo. A URSS ajudou a criação do estado de Israel, mas logo ficou evidente que sua estratégia era a criação de um foco de tensão, reforço de sua influência sobre os árabes, e eventual destruição da população israelense, tornando mais próximo o fim d judaísmo. A estratégia não só deu errado, como fez a maioria dos israelenses, que antes eram tendentes ao socialismo, se decepcionarem e se tornarem mais inclinados ao livre mercado.

    11. Guerras por procuração. Talvez uma das estratégias mais bem sucedidas. É um assunto amplo demais para ser resumido aqui.

    12. Promoção do banditismo e tráfico de drogas. Quando possível associado a restrições à posse e ao porte de armas, como no Brasil.

    13. Globalismo estatista. Não sei se é propriamente dominado pelo marxismo. Diria que mais provavelmente é o mestre e senhor do marxismo, pois é anterior a este. De qualquer maneira a aliança estratégica entes ambos é inegável.

    Haveria muito mais a dizer, mas é evidente que corpo central do marxismo criou ou absorveu e utiliza todas essas estratégias (ou outras). Há pessoas na esquerda que não são socialistas? Não sei o que significaria um esquerdista não socialista. Mas mesmo existindo, isso é irrelevante. Quase tudo o que está associado à esquerda veio à existência ou tem sido consistentemente usado como arma marxista. Pessoas que se consideram esquerdistas, quer sejam marxistas ou não, se inserem no programa geral de hegemonia do poder conhecido como socialismo. Não existe qualquer movimento organizado de esquerda que não faça parte, MESMO QUE INCONSCIENTEMENTE, desse programa.

    Um adendo. Associativismo precede o marxismo e não é socialismo (assim como sexo é diferente de estupro). Associativismo pressupõe a liberdade individual de desassociar-se. E diria que qualquer ideal libertário necessita do associativismo para prosperar.
  • Bruno  12/07/2013 13:07
    A produtividade da mão de obra cresceu muito mais do que os salários no século passado e também no início do atual.

    Por quê?
  • Leandro  12/07/2013 13:14
    Isso não é verdade. O que você tem de comparar é quantas horas de trabalho eram necessárias para se poder adquirir bens básicos no século passado e quantas são necessárias hoje.

    Quanto você tinha de trabalhar para comprar comida, roupas e bens mais supérfluos antigamente? Quanto você tem de trabalhar hoje para obter estes mesmos bens?

    O número de horas trabalhadas necessárias para se adquirir bens e serviços vem caindo ao longo dos anos, não obstante toda a inflação monetária e consequente aumento nominal dos preços gerados pelo governo.

    Essa é a maneira correta de se analisar.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1139
  • Bruno  12/07/2013 14:04
    Não sou economista. Meus conhecimentos são bem rasos, mas tento entender minimamente o que se passa no mundo. Eu não nego a prosperidade que tivemos com o capitalismo, longe disso. A minha pergunta também não foi desafiadora, mas em busca de um maior entendimento.

    O que me fez comentar foi que a premissa encontrada neste artigo de que os salários sobem com o aumento da produtividade esbarrou em outro texto que li recentemente no qual a produtividade teria aumentado muito mais do que os salários, principalmente nos últimos vinte ou trinta anos. O texto também mostrava um crescimento bastante forte da riqueza dos mais ricos no mesmo período. É claro que os salários médios subiram, mas subiram em todo o seu potencial ou o ódio esquerdista ao patrão mesquinho tem sustentação empírica?
  • Leandro  12/07/2013 14:48
    "O que me fez comentar foi que a premissa encontrada neste artigo de que os salários sobem com o aumento da produtividade"

    Uma ligeira correção: o aumento da produtividade permite que haja aumento salarial, mas isso não significa que o aumento da produtividade obrigatoriamente leva a um aumento salarial. Por outro lado, é impossível aumentar generalizadamente os salários sem que haja um aumento da produtividade.

    Essa distinção tem de ficar clara. Se você quiser que haja aumentos salariais generalizados, então é necessário que haja aumento da produtividade. Um aumento generalizado dos salários sem o concomitante aumento da produtividade irá apenas gerar desemprego.

    Agora, é sim possível haver um aumento da produtividade sem que haja um concomitante aumento salarial. Há vários fatores que podem levar a isso. Falarei deles logo abaixo.

    "esbarrou em outro texto que li recentemente no qual a produtividade teria aumentado muito mais do que os salários, principalmente nos últimos vinte ou trinta anos. O texto também mostrava um crescimento bastante forte da riqueza dos mais ricos no mesmo período. É claro que os salários médios subiram, mas subiram em todo o seu potencial ou o ódio esquerdista ao patrão mesquinho tem sustentação empírica?"

    Por partes:

    1) Como não sei que texto é esse, não posso comentar nada sobre sua metodologia. Mas posso dizer o seguinte: o aumento da carga tributária ocorrido nas últimas décadas foi substancial. E isso em todos os países.

    Especificamente no Brasil, país em que há vários impostos sobre o setor produtivo, a coisa está sendo sanguinolenta.

    Graças aos encargos sociais e trabalhistas que incidem sobre a folha de pagamento, bem como à carga tributária que incide sobre a receita e sobre o lucro, não sobra dinheiro nem para aumentos salariais nem para contratações a salários atraentes.

    Encargos sociais: INSS, FGTS normal, FGTS/Rescisão, PIS/PASEP, salário-educação, Sistema S.

    Encargos trabalhistas: 13º salário, adicional de remuneração, adicional de férias, ausência remunerada, férias, licenças, repouso remunerado e feriado, rescisão contratual, vale transporte, indenização por tempo de serviço e outros benefícios.

    Carga tributária sobre empresas: IRPJ de 15%, mais uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa um determinado valor, mais CSLL de 9%, mais PIS de 1,65%, e mais COFINS de 7,6%. Além disso, ICMS (que varia de estado para estado, mas cuja média é de 20%) e ISS.

    Desse jeito, realmente, não há como trabalhadores serem beneficiados. Os trabalhadores brasileiros são cheios de "direitos sociais" (encargos sociais e trabalhistas pagos pelos patrões); só que, para terem esses direitos, seus salários ficam cada vez mais achatados. Não há, afinal, almoço grátis.

    Querer que, com todo este peso do estado, haja aumento salarial no Brasil e bons empregos com bons salários é querer milagres dignos de canonização. Daí a estagnação dos salários. Odiar "patrões mesquinhos" é coisa de quem ignora por completo nossa realidade tributária.

    2) Sobre o crescimento da riqueza dos ricos, isso está diretamente ligado ao nosso sistema monetário, no qual o dinheiro criado pelo sistema bancário em conjunto com o Banco Central vai primeiramente para as mãos dos mais ricos, gerando todo o fenômeno da redistribuição de riqueza às avessas. Tenha a bondade de ver este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=313
  • Bruno  12/07/2013 15:29
    Excelente. É algo que eu supunha: os encargos trabalhistas como represa dos aumentos salariais. Também é ótimo o artigo que esclarece a inflação como causadora de desigualdade social por parte do estado.

    Agradeço o seu tempo, Leandro.
  • Alexandre M. R. Filho  12/07/2013 16:18
    Leandro,

    no sábado passado, no nosso grupo de estudos de escola austríaca, estávamos discutindo a quinta lição do livro "As Seis Lições" (www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=43).

    Lá pelas tantas, um colega que está começando seus estudos em EA, ficou na dúvida sobre esse trecho:

    Um empresário não pode pagar a um trabalhador mais que a soma adicionada pelo trabalho desse empregado ao valor do produto.

    Ele perguntou se isso não seria uma afirmação da teoria objetiva do valor-trabalho.

    Eu tentei explicar que não, mas acho que não fui muito feliz.

    Será que vc pode dar ajuda com alguma explicação simples ou com algum texto que mostre isso de maneira clara e também simples?

    Obrigado!!

  • Leandro  12/07/2013 16:58
    Caríssimo, essa nada mais é do que a teoria da produtividade marginal do trabalho. Se um empregado produz o equivalente a $10 por hora, ele não pode receber, também por hora, um valor maior do que esse como salário. Caso contrário, o patrão terá prejuízos.

    Troque "hora" por "mês" -- para nos adaptarmos à realidade brasileira -- e o raciocínio permanece idêntico. É apenas isso o que está sendo dito nesse trecho: o empregador que pagar ao empregado um valor maior do que ele produz, irá quebrar. Não é economicamente sensato.

    Grande abraço!
  • Alexandre M. R. Filho  12/07/2013 17:20
    Pois é, isso eu tentei explicar.

    Mas para quem sempre ouviu que o que gera valor é trabalho, esse trecho pode mesmo confundir.

    Obrigado!
  • Arthur C. K.  12/07/2013 13:35
    Quando eu vi a pauta de reivindicações desses sindicatos... meu amigo, em que mundo vivem e em qual época??? Conseguiram fazer pior que os estudantes de classe média que brigaram por 0,20 centavos na tarifa, que não iriam sair dos seus próprios bolsos, nem dos bolsos dos trabalhadores! Deem uma lida nesse texo também: www.bluebus.com.br/os-protestos-de-hoje-nao-tiveram-a-menor-importancia-luciano-martins-costa/

    Abs.
  • Dalton C. Rocha  13/07/2013 00:01
    A prostituição/constituição de 1988 copiou a Carta del Lavvoro de Mussolini e a CLT de Vargas, na questão do imposto e unicidade sindical. Como desde os anos 1930, o peleguismo sindical impera. Fora com esta picaretagem sindical institucionalizada!
  • Edson Jr  13/07/2013 17:36
    Os sindicatos já foram cooptados pelo Governo faz tempos.
  • Marcos  13/07/2013 23:09
    Caro Leandro, percebo honestidade intelectual em seus comentários e por isso te admiro. O que não me faz concordar com vários argumentos apresentados. Em prol do bom debate, faço algumas considerações:
    Quanto ao papel do sindicato entendo que sua função primeira é de ordem econômica. Conforme dito por você, quando há ganho de produtividade, este pode se converter em melhores salários ou não. Aí entra o sindicato. Já nos momentos de crise, os sindicatos lutarão apenas para manter o salário real dos seus representados. Na minha visão isso é tão legítimo e racional quanto um capitalista que luta para conquistar seu mercado, mesmo na crise. Agora se esse comportamento vai gerar desemprego, isso dependerá da aderência da nossa economia aos postulados da teoria clássica.
    Quanto a luta dos sindicatos pela jornada de 40 horas semanais, ela pode parecer tão irreal como foi para os industriais ingleses no século XVIII as lutas exigiam o fim das jornadas 12 horas por dia e do trabalho infantil. Esses direitos tiveram efeitos econômicos negativos, mas sociais imprescindíveis.
    Inclusive a sua crítica as bandeiras sindicais atuais em muito se assemelha a aquela sustentada pelos clássicos neste período. É bem fundamentada, mas carece de apego a materialidade histórica.
    Ainda sobre os sindicatos, reconhecer e defender o papel fundamental dos sindicatos no sistema capitalista não significa negar sua profunda contradição existencial. Ele luta contra aquele que o mantêm vivo, o sistema capitalista. Não há sindicalismo no comunismo. Gramsci era um profundo crítico do caráter anti-revolucionário dos sindicatos. Eles, ao contrário do que muitos disseram, são extremamente necessários a manutenção do capitalismo.
    Enfim, meu comentário reflete apenas a minha visão de mundo. Ressalto que apesar de algumas demandas parecerem a primeira vista irreais ou até surreais, elas denotam uma expectativa social de mudança. Algo que com o tempo ganha corpo e se torna em muitos casos um direito real, uma mudança ou até uma ruptura sistêmica. Lastimo a pouca atenção dispensada pela economia ao estudo da mudança de paradigma. A economia ficou "quadrada demais". Mais ou menos, o que muitos sentem em relação aos sindicatos...rs
  • Guilherme  14/07/2013 00:17
    Todas essas questões já foram abordadas extensivamente neste site. Alguns exemplos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1421

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1433
  • Renato Souza  14/07/2013 02:05
    Marcos

    Sobre a mão de obra infantil nas fábricas inglesas durante a revolução industrial, ela era fornecida BASICAMENTE POR ORFANATOS ESTATAIS. Isso dá o que pensar...

    A respeito da ação dos sindicatos, se o seu paradigma estivesse certo, quanto mais fortes os sindicatos, melhor para os trabalhadores. A história de Detroit parece indicar que sua hipótese "carece de apego à materialidade histórica".

    Finalmente, gostaria de salientar que na Alemanha, onde não existe salário mínimo, a renda dos trabalhadores é bastante boa. Existe neste site um artigo sobre o momento em que o salário mínimo deixou de existir na Alemanha. Muito instrutivo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1419

    Agora, imagine se no Brasil, França, EUA, etc, o governo resolvesse revogar o salário mínimo. Qual seria a reação dos sindicatos!?!?
  • Leonardo Couto  14/07/2013 19:44

    Olá Marcos, vejo que você não compreendeu a realidade dos fatos que o artigo tentou explicitar. Vou tentar lhe dar uma ajuda:

    "Conforme dito por você, quando há ganho de produtividade, este pode se converter em melhores salários ou não"

    Correto.

    "Aí entra o sindicato"

    Não.

    O aumento de produtividade possibilita duas coisas: A diminuição dos preços dos bens e o aumento dos salários dos empregados. Ambos não são interessantes ao empreendedor, e de fato acontecem contra o seu desejo natural de pagar o menor valor e receber o maior possível.

    Acontece que o empreendedor não é o único agente econômico envolvido na definição de tais preços. Do outro lado de cada transação existem outros agentes com o mesmo desejo do empreendedor, receber mais, pagar menos: os compradores de seus bens desejam pagar menos e seus empregados gostariam, claro, de receber mais.

    A definição do preço, portanto, sempre possui a natural expectativa contrária entre comprador e vendedor. A transição só é feita, o preço então só surge, se ambos os anseios forem equalizados em um ponto em que ambas as partes aceitarão transacionar.

    Esse ponto de equalização se encontra em uma faixa de valores onde seria possível realizar a transação. E o deslocamento do preço que se vai formar nesta faixa é influenciado, entre outros fatores como oferta e demanda, pela concorrência.

    A disponibilidade de outros agentes em auferir um ganho ( toda troca voluntária representa um ganho aos envolvidos ) mesmo que lhe custe ceder um espaço na faixa de transação existe naturalmente e é exigida sobremaneira em um ambiente concorrencial.

    Todos os empregadores são concorrentes uns dos outros em maior ou menor escala. Todos eles desejam empregar pessoas, pois esse ato representa um lucro. Do outro lado, todos os empregados desejam também essa transação, pois também representa um ganho - caso contrário não se engajariam para tal.

    A concorrência entre empregadores, Marcos, opera com outros fatores para fazer com que o agora possível aumento salarial seja realizado.

    Lembre-se também que o aumento de produtividade possibilita diminuição de preços, e a concorrência entre os empreendedores a realiza. É essa diminuição de preços a responsável pela aumento real dos salários de empregados mesmo com estagnação ou diminuição meramente nominal. Isto foi abordado no artigo.

    Os sindicatos, Marcos, não são os responsável pela possibilitação de um aumento real nos salários nem os responsáveis pela realização do aumento possível.

    Os sindicatos, na verdade, empenham-se no aumento de salários independentemente da produtividade. Se esse aumento acontecer, os recursos que cobrirão tal aumento deverão sair do corte de vagas ou de investimentos ou do lucro. Tal lucro, vale frisar, é o propósito da existência do empreendimento; uma queda neste valor em um ambiente livre, onde ele já estaria no mínimo possível, muito provavelmente acarretaria no abandono do empreendimento.

    Sindicatos, nesse ponto, beneficiam apenas parte dos empregados; e esse benefício é obtido às custas dos demais empregados, pelo fato de ele ser obtido através da coerção - se alguns sindicalizados tentassem cobrar um pagamento superior pacificamente, outros empregados apenas tomariam suas vagas; as ações dos sindicatos só logram através da coerção.

    "Já nos momentos de crise, os sindicatos lutarão apenas para manter o salário real dos seus representados"

    Sim. Lembre-se que eles não podem beneficiar todos os empregados, os "representados" que se beneficiam não são apenas uma fração dos empregados.

    "Na minha visão isso é tão legítimo e racional quanto um capitalista que luta para conquistar seu mercado, mesmo na crise"

    Tudo que não é agressivo é legítimo. Sindicatos são livres para existir e operar. O que não é legítimo é se utilizar da coerção para impedir os outros de frustarem seus planos e imputá-los através da violência o ônus de suas ações.

    "Agora se esse comportamento vai gerar desemprego, isso dependerá da aderência da nossa economia aos postulados da teoria clássica"

    Temos convicção nas teorias austríacas, para lhe esclarecer.

    Marcos, a realidade econômica não varia de acordo com a aderência a determinada teoria ou não. Se algo fica acima de seu valor real, ceteris paribus será demandado menos deste bem, seja ele um quilo de feijão, uma moeda ou mão-de-obra.

    É como se você dissesse que a queda de uma fruta madura depende da adesão às leis da gravidade.

    "Quanto a luta dos sindicatos pela jornada de 40 horas semanais, ela pode parecer tão irreal como foi para os industriais ingleses no século XVIII as lutas exigiam o fim das jornadas 12 horas por dia e do trabalho infantil. Esses direitos tiveram efeitos econômicos negativos, mas sociais imprescindíveis"

    Qualquer luta dessas feita através da coerção é prejudicial para os indivíduos.

    A jornada de trabalho pode ser reduzida até mais que isso através da liberdade econômica, assim como foi reduzida nos séculos passados. Também mérito da liberdade é o fim do trabalho infantil.

    Por favor, confira:

    A falácia do "sem uso de trabalho infantil"

    O mercado, e não os sindicatos, nos propiciou o lazer e o descanso

    "Enfim, meu comentário reflete apenas a minha visão de mundo"

    Lhe dou o conselho que você tente colocar na opinião um fundamento. Você está no lugar certo para embasar-se em um correto posicionamento. Leia artigos e se interesse por compreender as teorias econômicas da escola austríacas.

    "Ressalto que apesar de algumas demandas parecerem a primeira vista irreais ou até surreais, elas denotam uma expectativa social de mudança"

    Não existe "expectativa social de mudança". Existem expectivas individuais, racionais e irracionais.

    "Lastimo a pouca atenção dispensada pela economia ao estudo da mudança de paradigma"

    Como lhe disse, a realidade econômica não é uma questão de escolha do "paradigma".

    Bem, desculpe se fui exageradamente longo.
    Bem vindo ao site.
  • Marcos  14/07/2013 05:31
    Renato, na boa, se as crianças fossem fornecidas por famílias pobres faria diferença? Deixaria então de haver exploração? Claro que não. Não força... rs
    Quanto aos sindicatos, você não soube interpretar o que disse. Não falei nada sobre sindicatos fortes ou fracos, mas sobre escolhas racionais, algo que vc domina... rs
    Veja o seu exemplo: Se acabar o salário mínimo no Brasil, em tese ocorreria uma equalização do mercado de trabalho, em alguns locai até poderia haver pontuais reduções salariais, mas socialmente elas seriam compensadas por aumento no nível de emprego. Mas por outro lado, o empregador poderia se beneficiar da hipossuficiência na relação entre as partes e impor salários cada vez menores. Neste caso, se um trabalhador econômico racional optará pela negociação coletiva, ou seja, através do sindicato.
    Continuo achando que a totalidade vai sempre influenciar decisivamente em cada caso. Os aumentos no salário minimo dinamizaram várias cidades brasileiras muito pobres, mas tiveram efeito quase nulo em outras mais ricas. Na África Subsariana, assim como na Alemanha não existe salário mínimo. Nem por isso os efeitos são os mesmos. Volto a questão da totalidade. Mas respeito, seu ponto de vista.
  • Mattias  14/07/2013 06:29
    "Mas por outro lado, o empregador poderia se beneficiar da hipossuficiência na relação entre as partes e impor salários cada vez menores"

    Não procede.

    A irrelevância da necessidade do trabalhador e da ganância do empregador na determinação do salário
  • Renato Souza  14/07/2013 12:16
    Marcos

    "Renato, na boa, se as crianças fossem fornecidas por famílias pobres faria diferença? Deixaria então de haver exploração? Claro que não. Não força... rs"

    Do ponto de vista da análise do problema, faz bastante diferença. Se é um problema causado pelo estado, a solução é obrigar o estado a parar de causar aquele problema.

    continua...
  • Renato Souza  14/07/2013 14:32
    "Na África Subsariana, assim como na Alemanha não existe salário mínimo. Nem por isso os efeitos são os mesmos. Volto a questão da totalidade. Mas respeito, seu ponto de vista".

    Marcos

    Veja, o que se defende aqui não que apenas a liberalização dos salários, mas um ambiente geral de liberdade, confiança e respeito aos bens e vida das pessoas. A coerção sobre adultos só seria usada contra criminosos (no sentido real, isto é, pessoas que matam, roubam, estupram, fraudam, etc). Pessoas que vivem a sua vida pacificamente, sem prejudicar os outros, não deveriam ser atormentadas por ninguém, menos ainda por um governo. Esse ambiente ideal chama-se livre mercado, e quanto mais o ambiente social se aproximar disso, melhor. Um exemplo imperfeito seria a Coreia do Sul. No extremo oposto, está um estado que se mete em tudo, domina tudo, sufoca tudo. Um exemplo aproximado seria a Coreia do Norte.

    Bom, nesse estado de livre mercado (ainda que não perfeito), os processos naturais da interação humana levam tanto a um aumento da produção de riquezas quanto a um aumento global dos ganhos dos trabalhadores.

    Ora a simples ausência de salário mínimo na África subsaariana (não conheço as informações sobre cada país, mas vou confiar na sua informação) está longe de ser o suficiente para caracterizar uma situação de livre mercado.

    Vou citar três fatos que conheço sobre a África:

    1. Há alguns anos atrás eu conversava com um parente que trabalha com comércio exterior. Ele disse que o continente africano em geral tem uma característica peculiar: quem vende para lá costuma exigir pagamento integral antecipado, tal o ambiente institucional e social (suponho que isto não se aplique a todos os países, mas é uma característica geral). Não há previsibilidade suficiente (inclusive política e legal) para se agir de outra forma.
    2. Obtive informações de uma missionária cristã que esteve em determinado país da África. Contou sobre a carência de produtos nos supermercados, sua má qualidade e preços extremamente caros. Contou também da extrema corrupção que ocorria abertamente na alfândega do aeroporto, à vista de todos. Conhecendo um pouco de economia, logo liguei um fato com o outro.
    3. Tive um colega de empresa, engenheiro, que trabalhou anos atrás em determinado país da África. Contou-me também da extrema corrupção nos aeroportos, e dificuldades institucionais diversas.

    Há muitas notícias, das mais diversas fontes (basta procurar em qualquer site de notícias) sobre o ambiente institucional extremamente hostil à atividade econômica, em muitos países da África. Um empresário africano, que queira comprar máquinas, insumos, ou bens de consumo para vender, andará na corda bamba.

    Compare essa situação com o que aconteceu no extremo oriente. Diversos países passaram, em uma geração, da pobreza extrema para a prosperidade. O que os caracterizou essa mudança? Um ambiente institucional particularmente favorável ao comércio exterior e à iniciativa pessoal. Não estou dizendo que são países perfeitos, isentos de corrupção e de entraves. Estou dizendo qaue a característica geral é de um ambiente mais aberto à geração de riquezas.

    Se em qualquer país da África, os governantes resolverem manter um ambiente economicamente aberto, razoavelmente desentravado, em que haja pelo menos um grau passável de justiça, e mantiverem essa situação por uma geração, ali haverá um país próspero.
  • anônimo  15/07/2013 20:57
    Caro Renato, estamos mais próximos de um acordo...rs
    Continuo não achando que a existência do salário mínimo não seja o principal problema da nossa economia. Na verdade ele representa mais uma referência que propriamente um direito.
    A economia brasileira, tal qual a da Coréia do Sul, não é um mercado perfeito. O salário mínimo foi instituído em 1945, num outro contexto histórico.
    Acredito que ele seja mais uma referência do que qualquer outra coisa.
    Nas economias mais dinâmicas, como em São Paulo, o mercado de trabalho atua num ponto superior a ele.
    Já nas áreas socialmente mais vulneráveis, as contratações se dão em muitos casos a margem da lei trabalhista, no mercado informal, onde o salário mínimo não é respeitado.
    Ou seja, a sua interferência é muito limitada, talvez exista até hoje por uma questão puramente ideológica. Não acredito que as centrais sindicais tenham uma visão diferente desta.
    Porém ideologicamente, o rompimento com o salário mínimo poderia ser mal entendido pelos seus representados e como o sindicato é uma entidade política, dificilmente alguma central tomaria essa bandeira.
    Dessa forma, não vejo por que mirar neste alvo.
    Já quanto ao ambiente econômico, concordamos em grande parte.
    No Brasil o capitalismo se desenvolveu sob a tutela do estado. Algo que a escola austríaca certamente não aprova, mas é um fato a ser observado.
    Talvez aí esteja a raiz da existência dos vários tipos de mecanismos compensatórios aos trabalhadores, como o salário mínimo e seus penduricalhos. Eles servem para legitimar um estado que infelizmente que tutela determinados interesses econômicos de certos empreendedores que os financiam para manter-se no poder.
    Quanto a liberdade, entendo que a escola austríaca trabalha a questão como um tipo ideal weberiano, difícil de ser alcançado na prática.
    Para mim esta liberdade só existirá numa sociedade razoavelmente igualitária. Qualquer distorção social implicará numa meia liberdade, que para mim não é igual a liberdade no conceito lato. Desta forma, considero que precede a igualdade.
    Mas aí entraríamos numa outra discussão: O que é igualdade? rs
    Infelizmente tenho que dar continuidade a minha tese de mestrado e não posso detra mais tempo na discussão. Mas agradeço sua atenção e sua contribuição. Certamente me ajudaram a entender o seu ponto de vista.
  • Renato Souza  15/07/2013 23:09
    Anônimo

    Percebo que agora você estará sem tempo. Deixarei uma resposta curta, caso você a possa ler.

    Você disse: "Continuo não achando que a existência do salário mínimo não seja o principal problema da nossa economia".

    Ninguém disse que é. É uma intervenção a mais.

    Você disse: "A economia brasileira, tal qual a da Coréia do Sul, não é um mercado perfeito".
    "Quanto a liberdade, entendo que a escola austríaca trabalha a questão como um tipo ideal weberiano, difícil de ser alcançado na prática".

    A economia brasileira é muitíssimo mais fechada que a da Coreia do Sul. Apenas dê uma olhada na participação no comércio mundial, e nos impostos de importação, e na burocracia suportada pelas empresas. Se você levar isso em conta, perceberá que no mínimo poderíamos ser tão livres economicamente quanto a Coreia do Sul. O que ganhamos fazendo diferente deles? Da década de 70 para cá eles cresceram muito mais do que nós!

    No século XIX a imensa maioria dos países era muito mais aberta que hoje ao comércio exterior. E o crescimento econômico foi avassalador.

    Não me importa se o ideal máximo de liberdade, proposto pelos ancaps, é alcançável ou não (eu até acho que não). Eu sei que concretamente poderíamos ser muito mais livres do que somos hoje, e não somos por termos tomado decisões erradas. E sei também que a pobreza seria muito menor se fôssemos mais livres.
  • Anarco-Individualista  18/07/2013 01:27
    ESQUERDA = DIREITA = LIXOS MENTIROSOS E AUTORITÁRIOS!!!
  • anônimo  09/08/2013 22:01
    Como vocês sabem que o aumento da oferta gerado pelo aumento da poupança produzirá um salário real maior do que simplesmente o aumento salarial com a mesma oferta?
  • Leandro  09/08/2013 23:29
    Aumento da oferta significa mais bens sendo vendidos. E mais bens sendo vendidos, tudo o mais constante (isto é, com expansão monetária moderada e contínua), faz com que os preços subam menos do que o aumento da renda nominal. Logo, se a renda nominal aumenta mais que os preços, a renda real sobe.

    Já um aumento salarial gerado apenas pela expansão monetária, sem nenhum aumento da oferta, irá inevitavelmente levar a um aumento de preços. Na melhor das hipóteses, preços e salários aumentarão igualmente, fazendo com que a renda real fique na mesma. No entanto, o mais provável é que os preços subam mais do que a renda, levando a uma queda da renda real.
  • Rodrigo  10/08/2013 03:11
    não estou me referindo à expansão monetária, mas ao salário pago pelo empregado. Como saber em qual dessas duas situações as condições dos trabalhadores melhorarão mais:

    a) os patrões pagam menos salários mas poupam e investem na empresa, aumentando a produtividade

    b) os patrões pagam mais salários, mas investem menos, reduzindo a produtividade
  • Leandro  10/08/2013 03:18
    O primeiro cenário permite -- atenção para o termo: permite -- que haja aumentos salariais, pois houve aumento da produtividade. Não quer dizer que haverá aumentos salariais, mas sim que os aumentos salariais agora ao menos se tornaram economicamente possíveis.

    Já o segundo cenário, embora traga uma melhoria de curto prazo para o trabalhador, sem dúvida lhe será prejudicial no longo prazo. Não será possível haver aumentos salariais no futuro, pois a capacidade de investimento da empresa ficou comprometida, o que impede que ela possa adquirir máquinas e equipamentos que aumentem a produtividade de sua mão-de-obra. No extremo, essa política de aumentos salariais precipitados pode impedir que haja até mesmo reposição de estoques.
  • Eduardo Bellani  05/11/2013 10:40
    O engraçado é ver a coisa acontecendo ao vivo
  • bilada  28/01/2018 01:59
    Mas o sindicato pode existir, correto ? Não há justificativa plausível para impedir que pessoas se associem, desde que voluntariamente, e deem parte de seu salário para uma instituição privada que lhes dará convênios, auxílio jurídico e os representem frente aos empregadores (requisições salariais). Mesmo que isso influencie na lei da oferta e procura (o empregador só terá acesso à oferta se concordar com certo piso salarial), não há justificativa para um Estado liberal os proibir, pois isso seria uma afronta à liberdade humana. Não estou falando de sindicatos financiados por porções obrigatórias do salário do trabalhador, como a CUT. Mas um indivíduo só teria direito de dissolvê-los se aconselhasse seus líderes e filiados e estes aceitassem seu ponto de vista.
  • César  28/01/2018 02:09
    Correto. Haveria sindicatos em uma sociedade totalmente livre. Na medida em que um sindicato pode ser entendido como uma associação voluntária tanto de empregados quanto de patrões, e sem poderes coercitivos, não há nada de errado com o sindicalismo.

    O problema começa exatamente quando o sindicalismo não apenas adquire poderes coercitivos, como também passa a ser uma associação protegida pelo governo e com benefícios monopolistas.

    O sindicalismo voluntário é consistente com a liberdade quando ele serve para representar pacificamente as demandas de um determinado grupo de trabalhadores de uma determinada empresa. Este sindicato — representando trabalhadores específicos de uma empresa e lidando com questões estritamente localizadas — negociaria perante o empregador o cumprimento dos direitos acordados em contrato (jornada de trabalho, alimentação, calendário, turnos de descanso etc.).

    O sindicalismo se torna coercitivo quando as características acima desaparecem e os sindicatos se transformam em megacorporações de amplitude nacional, bancadas compulsoriamente por todos os trabalhadores, protegidas pelo governo, com o poder de proibir membros não-sindicalizados de trabalhar em determinadas áreas, e podendo recorrer à violência para alcançar suas demandas.

    Pegue, por exemplo, a questão das greves. O problema não é o direito de greve, mas o direito de — pela intimidação ou pela violência — forçar outras pessoas a fazer greve, e o direito adicional de impedir qualquer pessoa de trabalhar em um estabelecimento ou setor que esteja em greve.

    Para que uma paralisação seja bem-sucedida, ela tem de ter alta adesão. E para haver alta adesão, os sindicatos têm de fazer com que seja impossível a empresa ou o setor continuar operando. Para isso, os sindicatos não apenas têm de coagir e intimidar todos aqueles colegas que querem continuar trabalhando normalmente (chamados de "fura-greves"), como também devem proibir — por meio da intimidação — que os patrões continuem utilizando sua propriedade e/ou que contratem trabalhadores temporários substitutos.

    Em ambos os casos, o "sucesso" só é alcançado por meio da coerção e da violência.

    Para garantir o sucesso de sua empreitada, sindicalistas e grevistas sempre recorrem à violência — ou à ameaça de violência — contra os "fura-greves" e contra os trabalhadores não-sindicalizados que porventura venham a ser contratados temporariamente, ambos formados por pessoas que querem e estão dispostas a trabalhar (o tão reverenciado piquete nada mais é do que uma tentativa criminosa de intimidar outros trabalhadores ou mesmo clientes que queiram atravessar a multidão).

    Agindo assim, sindicalistas grevistas proíbem os empreendedores e capitalistas de empregar mão-de-obra em seus meios de produção.
  • Curioso  13/03/2018 01:31
    Se salário mínimo é tão bom para os trabalhadores e é o responsável por aumentar a renda da população, por que o governo não decreta um salário mínimo de 20 mil reais e cria uma lei que proíba demissões?
  • anônimo  27/03/2018 17:32
    Muito pior do que salário mínimo são pisos salariais. Salários mínimos, geralmente, não são altos porque os políticos sabem que precisam balancear a inflação, desemprego e o salário mínimo. Se elevar o salário mínimo, digamos 10%, a inflação e o desemprego irão disparar, e isso não é popular para eles.
    Mas pisos salariais, não irá afetar a economia tão visivelmente. Vão gerar uma reação em cadeia que só será sentida pelo cidadão comum bem no futuro. E pior, são feitos e apoiados por sindicatos que quase sempre são poderosos.

    Alguém realmente acha que um engenheiro irá ganhar R$6.000,00? O Brasil é um país subdesenvolvido que não possui demanda por engenheiros e não possui atrativo fiscal para empresas de tecnologia se instalarem aqui.
    www.seesp.org.br/site/index.php/juridico/piso-salarial

    Não é atoa que as empresas contratam a maioria dos engenheiros como pessoas jurídicas (aí não precisa pagar os salários exigidos pelo sindicado), ou contratam engenheiros não-sindicalizados, ou contratam engenheiros como analistas ou técnicos.
    Não há como burlar as leis do mercado. Não é com canetadas de sindicatos ou de políticos que os salários dos trabalhadores irão aumentar.


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