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O extermínio das empregadas domésticas

Perdoem o sensacionalismo do título, mas é um fato: as empregadas domésticas entrarão em extinção, e por um motivo ruim. O motivo bom para a extinção das domésticas seria se pessoas que trabalharam ou consideram trabalhar como domésticas tivessem ofertas de trabalho melhores e mais bem remuneradas. Nesse caso, elas demandariam salários muito altos para trabalhar como domésticas; salários além das possibilidades da maioria dos domicílios. E assim o serviço doméstico seria gradualmente extinto, restringindo-se aos muito ricos. É algo que vem, aos poucos, acontecendo.

O motivo ruim para a extinção das domésticas se dá quando, embora muitas pessoas queiram trabalhar como domésticas e não tenham alternativas de emprego melhores, existe algo que as proíbe de fazê-lo. E é isso que quero discutir aqui. Os responsáveis por criar esse impedimento a um trabalho honesto são, como não poderia deixar de ser, nossos políticos, bem como sindicalistas e todos aqueles que defendem a ideia para lá de perniciosa dos direitos trabalhistas.

Muitos estão celebrando a recente conquista trabalhista brasileira: a extensão de FGTS e hora extra para empregadas domésticas (a qual aguarda aprovação do Senado). Foi uma grande vitória para as leis trabalhistas nacionais, e uma grande derrota para os brasileiros; empregadas inclusive. Vou analisar aqui os efeitos dessas duas mudanças legais. Mas enuncio já o problema de fundo: o estado é capaz de aumentar o preço de um serviço; mas não é capaz de aumentar de seu valor.

FGTS

O FGTS funciona quase como um fundo de investimento; isto é, um fundo com rendimentos baixíssimos, não raro inferiores à inflação, e que obriga seus depositantes a manter o dinheiro lá. Sua justificativa é que ele funciona como uma proteção ao trabalhador em caso de desemprego. Implícita aí está a premissa de que o trabalhador é burro demais para poupar por conta própria.

Claro que, quando deseja poupar parte de seu salário para se proteger de eventualidades futuras, qualquer trabalhador pode abrir uma conta bancária (como aliás várias empregadas já fazem; a minha está entre essas) e aplicar seu dinheiro a um retorno superior ao do FGTS. Quem ganha nessa história? Para o empregador, dá na mesma: o que ele paga de FGTS ele deixa de pagar em remuneração. A única diferença é que a vaga de emprego é ofertada a um salário básico menor. O valor que o empregador estaria disposto a desembolsar, que antes virava integralmente salário (dividido desigualmente por conta da obrigação de décimo terceiro e férias), agora divide-se entre salário e FGTS. Parte do que poderia ir para o bolso da empregada ficará nas contas do governo.

O trabalhador perde: parte de seu salário lhe é alienada e sub-remunerada. Já o governo... esse ganha! E aí está a explicação do FGTS. A Caixa Econômica Federal brinca de fazer investimento com o dinheiro do fundo, levando adiante as ambições do governo para o país e ajudando megaempresas público-privadas, segundo critérios políticos, e sem gerar retorno. Outra parte é usada para alimentar a bolha imobiliária criada e insuflada pelo governo. Um fundo de baixíssimo retorno e baixíssima liquidez; e um banco salvo do risco de corrida bancária, sem obrigação de dar retorno a seus "clientes". Tudo o que a Caixa ganha nessa conta (a diferença entre a remuneração que ela dá e a remuneração que o mercado daria por esse dinheiro) ela tira dos salários dos trabalhadores. As empregadas só têm a lamentar: serão agora obrigadas a ceder dinheiro para esse golpe financeiro do estado.

O FGTS supostamente se justifica porque os trabalhadores não poupariam por conta própria. Por que não? Os trabalhadores são perfeitamente capazes de poupar por conta própria. E para os psicologicamente incapazes de tomar essa decisão, que melhor escola de prudência do que aprender na prática? A existência do FGTS infantiliza o trabalhador, sem em nada ajudar a melhorar as supostas falhas de caráter generalizadas que visa compensar. Ao tirar de suas mãos a decisão de poupar, o FGTS garante que o bom hábito nunca será criado.

Sem falar que, em muitos casos, gastar todo o salário agora pode realmente ser a melhor decisão para um trabalhador; se ele quer um móvel ou um eletrodoméstico agora, ou se quer ir ao bar com o dinheiro que ganhou honestamente, quem negará a ele esse direito? Para gerações acostumadas a inflação alta, confisco, instabilidade institucional e irresponsabilidade fiscal, o mais razoável é mesmo gastar o máximo possível agora e não poupar; sabe lá quanto o dinheiro valerá no ano seguinte. É esse o efeito moral da intervenção do estado.

Hora Extra

O caso da hora extra é ainda mais complicado. Primeiro porque o impacto dela no custo de se contratar uma empregada é muito pesado. Segundo estimativas conservadoras, seria um aumento de pelo menos 45%. A princípio, isso não traria grandes problemas; bastaria o patrão reduzir o salário base.  Claro que essa mudança não viria sem custos; dada a baixa educação do setor, pode demorar um tempo para se difundir a informação de que, com as horas extras contabilizadas, um salário muito menor resultaria na mesma remuneração final. Muitas se negariam a trabalhar pelos novos salários antes de se dar conta disso. A difusão de informação também tem custos.

O problema maior dessa redução do salário é que em muitos casos, para manter a mesma remuneração final, empregadores teriam de reduzi-lo a um valor inferior ao salário mínimo, o que é proibido. Assim, o resultado é que o custo de se contratar uma empregada doméstica efetivamente aumentará; resultado especialmente válido para as faixas inferiores de remuneração — ou seja, para os domicílios de classe C que recentemente vêm contratando empregadas. Na margem, a demanda pelo serviço doméstico cairá. Casas ficarão mais sujas, mulheres e homens (mas especialmente mulheres) trabalharão menos fora de casa e/ou terão menos tempo de lazer; e mulheres pobres desejosas de uma oportunidade de trabalho que demande baixíssima qualificação terão mais dificuldade em encontrar um patrão. Sua pobreza será mais duradoura. Todos saem perdendo.

Esse não é o único efeito nocivo de se instituir a hora extra. A novidade modifica profundamente a relação de trabalho em si. Pois neste setor é comum que os horários sejam flexíveis, e que a remuneração não se dê precisamente pelo número de horas. Isso não quer dizer que não existam remunerações diferentes para uma empregada que fique 6 horas diárias no serviço e outra que more na casa do patrão. É bem sabido por qualquer um que queira contratar uma empregada que é preciso pagar mais por uma que se disponha a dormir na casa. É a pergunta mais básica na hora de conseguir alguém: é pra dormir? Se sim, sai mais caro (ou é mais difícil encontrar quem tope, o que redunda na mesma coisa; pois aquelas que "não podem" aceitaria dormir na casa dos patrões por um certo preço). O mercado já encontrou, portanto, soluções para remunerar o valor adicional gerado por aquelas que ficam mais tempo no serviço; e essas soluções levam em conta a flexibilidade e a fluidez inerentes à função. Em que outro trabalho há tal flexibilidade com horário de chegada e de saída, ou com saídas e ausências para resolver problemas pessoais? Com férias longas e possibilidade de se escolhê-las livremente?

Impor a hora extra é um golpe particularmente nefasto porque quebra a relação de confiança na qual o trabalho de empregada doméstica se dá: ele deixa de ser um trabalho no qual favores podem ser dados de parte a parte e se transforma numa relação calculista, num cabo de guerra em que uma parte busca tirar mais da outra dando o mínimo possível. Patrão e empregado tornam-se inimigos. A realidade das piores relações virará, aos poucos, a regra para todas. Como sempre, é via legislação trabalhista que a luta de classes — pesadelo alimentado por esquerdossauros de gabinete — vira realidade.

Lei trabalhista como criadora da luta de classes

O mecanismo que instaura essa luta é simples. Ao aumentar a remuneração obrigatória de uma função, o estado cria uma disjunção falsa na mente da maioria dos empregados: "se eu não estou recebendo tudo o que a lei demanda, ainda que eu tenha concordado plenamente com os termos do contrato, estou sendo explorado". Como o estado é dotado de uma aura mágica e onisciente na cabeça de muita gente, seus ditames são vistos como expressão de um ideal possível, de uma realidade objetiva que deveria vigorar, e que se não vigora é porque alguém está sendo canalha. O que ele não percebe é que a lei, ao alterar a remuneração legal de um determinado trabalho, não altera o valor que aquele trabalho gera.

A pergunta que fica obscurecida, mas que deveria ser feita, é: será que meu trabalho vale o quanto quero ganhar? Será que alguém estaria disposto a pagar, voluntariamente, o salário que quero receber? Se não, pode ter certeza que nenhum governo do mundo conseguirá obrigar um patrão a lhe contratar pelo que você quer ganhar; tudo que o estado consegue fazer é impedir que esse patrão lhe contrate por um valor inferior a esse, mantendo-lhe no desemprego ou na informalidade. A medida estatal destrói possibilidades de contratação sem criar nada em seu lugar.

Não se sabe ao certo se os custos ficarão, de fato, proibitivos, pois ainda não se definiu como a hora extra será calculada e remunerada no caso das empregadas. Talvez a solução encontrada para não arruinar o setor seja torná-las algo muito leve. Nesse caso, assim como em todos os outros, vale a mesma regra: a lei trabalhista, na exata medida em que deixa de ser perversa, torna-se inócua. Ela é incapaz de aumentar salários; ela pode, no melhor dos casos, proibir remunerações abaixo do que o mercado já pratica, e assim não causar grandes danos.

O valor do salário

Há um dado da economia que é muito difícil para a maioria aceitar pois temos enraizada a noção de que todo mundo merece, por desempenhar uma função qualquer, uma remuneração que o permita se sustentar com dignidade. Infelizmente, tal concepção, embora fruto de um desejo nobre, seria catastrófica se levada a sério. Pois um trabalho ajuda a sociedade a viver melhor se ele produz valor; o mero tempo ou esforço gastos, em si mesmo, não trazem benefício algum. A remuneração ao trabalhador no mercado corresponde ao valor que seu trabalho cria, e apenas isso. O valor de um determinado trabalho é determinado pela capacidade desse trabalho de ser usado, direta ou indiretamente, para satisfazer a desejos e necessidades dos demais participantes do mercado.

Quem cria valor, recebe valor. O mercado — isto é, as pessoas que transacionam umas com as outras — não remunera horas de trabalho, não remunera os ATPs gastos com atividade física, não remunera o esforço mental, e não remunera nem mesmo o mérito e a dedicação; remunera a criação de valor. Todas essas outras coisas são remuneradas apenas na medida em que ajudam na criação de valor.

Desse princípio, segue-se que, quanto mais unidades de um bem ou serviço estão disponíveis, menor é o valor de cada uma dessas unidades. Se houvesse apenas uma pessoa na cidade capaz de limpar o chão, a remuneração dela seria altíssima, pois todos disputariam seus serviços com unhas e dentes. Se houver muitas — e há, posto que essa tarefa não exige habilidades ou conhecimentos incomuns — a remuneração de cada uma será baixa, pois é uma função cuja oferta está sobrando e que, a bem da verdade, eu mesmo poderia fazer se gastasse um pouco do meu tempo de lazer.

Como os salários das domésticas têm subido

É bem sabido que vivemos em uma época de crescente escassez relativa de empregadas, e que os salários vêm, por causa disso, subindo bastante. Sobem da única maneira que salários podem subir: pelo aumento do valor gerado pela mão-de-obra. Para as condições atuais, o salário que se pagava nos anos 90 não dá mais para contratar uma empregada. A mão-de-obra brasileira é mais produtiva do que era naquela época. O comércio e os serviços em geral demandam muitas mulheres que poderiam trabalhar como domésticas. Ao mesmo tempo, muitas pessoas em ascensão econômica agora querem, elas também, contratar empregadas. "É uma questão de oferta e demanda. Se há menos trabalhadores disponíveis, o custo desse serviço cresce." Se um pesquisador do IBGE é capaz de dizer isso, o Brasil ainda tem jeito! A lei trabalhista não tem nada a ver com o aumento dos salários.

É verdade que alguns trabalhadores se privilegiam dessas leis no curto prazo: aqueles cuja remuneração estava abaixo de seu potencial, que ainda não se deram conta de que há pessoas dispostas a contratá-los por preços mais altos. Esses continuarão contratados e terão um aumento salarial. Mas pensem: a alta rotatividade do setor de domésticas, em que muitas largam um emprego pouco tempo depois por encontrar uma alternativa melhor, indica que esse problema de sub-remuneração não deve ser muito duradouro. A tendência de alta dos salários prova o meu ponto. Se os salários estão subindo, é porque os trabalhadores estão conseguindo elevar sua remuneração; ou seja, ou estão mudando de empregador ou negociando termos melhores com o mesmo empregador. Seja como for, sua remuneração não está encontrando obstáculos para subir e chegar a seu valor potencial.

Já os malefícios são de longo prazo, quiçá permanentes. Todos cuja produtividade é inferior à remuneração mínima exigida pela lei (que leva em conta salário mínimo e todas as demais exigências) serão, com o tempo, demitidos e/ou não encontrarão emprego. As menos instruídas, com menos experiência e com menos habilidades terão muito mais dificuldade em encontrar quem as empregue. A governanta de décadas, que cozinha maravilhosamente e basicamente gere a casa, continuará encontrando demanda: sua remuneração atual já é maior do que o mínimo legal a ser estabelecido neste ano. Já a iniciante, analfabeta, que não sabe fritar um bife e mistura roupas brancas e coloridas na máquina, essa encontrará um mercado muito mais hostil; pois quem pagará mais de R$1.200,00/mês por seus serviços?

Sua alternativa é manter-se no setor informal, recebendo algo mais próximo de seu valor de mercado. Quem sabe, no futuro, ela consiga usar isso em sua vantagem em um processo trabalhista contra a patroa? O estado desempenha nesse caso o papel de agente corrosivo das relações de confiança das quais o mercado defende. Novamente, somos confrontados com o caráter imoralizante de sua influência.

O fim do serviço doméstico não é algo bom?

O serviço doméstico é alvo de muito preconceito nos meios esclarecidos. Não sei por quê. Ele sempre foi, e continua sendo, uma oportunidade de ascensão social para mulheres pouquíssimo qualificadas, e que não tiveram oportunidade de educação. É, inclusive, um caso muito interessante de discriminação pró-mulher; pelo menos por enquanto. Os empregadores preferem empregadas mulheres, e provavelmente só aceitariam um homem no serviço se fosse por um salário consideravelmente mais baixo. Por uma série de motivos (que podem ser reais ou fruto do preconceito, cabe a cada um decidir por si), a maioria das pessoas se sente mais à vontade deixando uma mulher cuidar de sua casa, o que envolve deixar alguém que (inicialmente) não é íntimo lidar com diversos âmbitos da intimidade dos patrões. Sendo assim, ele funciona como meio de ascensão social específico para as mulheres das classes mais pobres.

Muitos lamentam os salários baixos e o baixo grau de instrução de muitas empregadas. Mas o emprego doméstico não é a causa de nada disso; ele é parte da solução! Garanto que o leitor conhece casos de empregadas que vieram de contextos paupérrimos e cujos filhos hoje gozam de uma qualidade de vida superior à da mãe quando criança. Há até muitas empregadas que contratam empregadas e/ou diaristas para suas casas.

O valor do serviço doméstico advém da própria natureza da sociedade humana e do sistema de mercado. O valor que um membro de um domicílio de classe média gera trabalhando fora de casa é maior do que o custo de se pagar uma empregada para fazer o serviço doméstico. Ele valoriza mais o tempo de lazer do que o salário que a empregada demanda. A empregada, por outro lado, valoriza mais o salário que ganha ali do que o tempo livre que teria se não tivesse essa função; sua qualidade de vida cairia muito sem essa fonte de renda. Via de regra, tudo o mais considerado, ela ganha mais ali e tem um trabalho mais seguro e menos demandante do que em qualquer outra ocupação a que ela poderia ter acesso; a prova é que ela está lá. Quando melhores oportunidades surgirem, ela se vai.

"Mas no Primeiro Mundo esse negócio de empregada não existe!" É verdade. E essa verdade se deve a dois motivos, conforme enunciei no início do artigo: um bom e outro mau. Vejam: em países mais ricos, onde o valor criado por cada trabalhador é, em média, alto, é muito caro contratar uma empregada. Para aceitar trabalhar em uma casa, então, os trabalhadores exigirão um valor maior do que a maioria dos patrões está disposta a pagar. Esse é um desenvolvimento natural e que está, inclusive, em curso no Brasil.

Mas essa história tem também um lado mais sombrio. Afinal, bem se sabe que há uma classe baixa, tanto de imigrantes como de nativos, com baixa produtividade e com desemprego crônico morando nas periferias europeias. Ora, será que muitos profissionais de classe média alta europeus e americanos não adorariam ter empregadas domésticas como as que temos no Brasil? Arrisco que sim. Então por que todo esse desemprego? Será que os desempregados pobres se negam a desempenhar esse tipo de função "inferior"? Provavelmente. Mas eles não precisam engolir o próprio orgulho e trabalhar para sobreviver? Não.

O estado de bem-estar de países ricos garante a todos, mesmo a quem não trabalha, um padrão de vida relativamente alto, de modo que trabalhar não é mais uma necessidade. Há todo um filão do jornalismo de tabloide britânico que se dedica a expor os casos escandalosos — e também hilários — de famílias de gerações de desempregados, totalmente irresponsáveis e perdulários, cuja irresponsabilidade, ao invés de ser desestimulada, é premiada.

O Brasil, supostamente, também tem uma malha de proteção de social, só que nossos serviços e garantias estatais são ruins, o que não é uma surpresa. O estado não gera riqueza; ele apenas suga parte da riqueza produzida na sociedade. Assim, se a sociedade da qual o estado suga seus recursos for rica — isto é, se ela tiver alta concentração de capital físico e humano — então o estado poderá prover serviços generosos e de alta qualidade. Se a sociedade for pobre, o estado terá serviços precários e os benefícios por ele concedidos serão poucos. Quase todos os países pobres do mundo são welfare states, e isso não os faz menos pobres. A consequência disso para nós é que, enquanto o pobre europeu pode basicamente se recostar, o pobre brasileiro tem que se virar; quase nada está garantido para ele. E é por isso que a jovem pobre no Brasil aceita trabalhar de empregada e a jovem inglesa prefere ficar em casa e comprar um tablet. Assim, dada nossa realidade social, faz todo o sentido que mulheres com pouca formação procurem, entre outras atividades, a de empregada.

A solução do mercado

Felizmente, o mercado sempre encontra meios de burlar as ineficiências e pesos mortos criados pela intervenção estatal. Assim como, no meio empresarial, a legislação trabalhista praticamente obriga as empresas a pagar por serviços de PJ ao invés de contratar formalmente um funcionário, também no setor das domésticas vem ganhando peso a função da diarista para trabalhos específicos. Esse processo é em parte independente das leis trabalhistas: com o encarecimento da mão-de-obra, serviços especializados com tempos estritamente determinados tornam-se mais vantajosos. Não dá para pagar uma mulher para ficar o dia todo em casa, grande parte do tempo apenas de stand-by caso alguém precise de algo. Mas dá para pagar para essa mesma mulher passar uma hora produtiva dentro da casa toda semana. As leis trabalhistas, contudo, aceleram esse processo de mudança, tornando-o mais rápido do que deveria ser. Graças a elas, esse processo se dará um pouco antes de muitas mulheres terem conseguido encontrar alternativa melhor no mercado de trabalho.

Esse é provavelmente o novo paradigma ao qual os brasileiros se habituarão. Uma realidade com um pouco menos de lazer e um pouco menos de possibilidades para trabalhadoras pobres e pouco qualificadas, mas na qual, ainda assim, ambos os lados conseguem se beneficiar mutuamente.

A outra parte da solução é nossa velha e conhecida informalidade, que deve continuar a vigorar em muitos casos. É uma opção de risco para o empregador, mas que, num mercado como o das domésticas, em que a confiança pesa muito, continua fazendo sentido para muitos. Ao contrário do que se diz, não há problema absolutamente nenhum na existência do trabalho informal. O problema, como tentei mostrar, são as leis que criam a necessidade da informalidade.



autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com.

  • José Ricardo das Chagas Monteiro  10/01/2013 12:01
    Saudações, tenho fé que o paroxismo levará à redenção.
  • Neto  10/01/2013 12:09
  • pagador de impostos  10/01/2013 12:55
    Esse aparelhinho é uma ameaça à classe trabalhadora, temos que barrar a importação urgente!! hehehehe :))
  • Leonardo Couto  10/01/2013 13:18
    Seu texto foi claro, bem escrito e com ideias fluidas. Suas colocações de verdades econômicas foram ótimas. Bom trabalho!
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 13:39
    Um amigo me contou outra manobra que os patrões podem fazer e que potencialmente tornará a lei da hora extra inócua: no caso de empregadas que dormem na casa - o que, dependendo da interpretação, poderia elevar o salário a dezenas de milhares de Reais -, o patrão começará a cobrar pela hospedagem e pela alimentação. Lamentável; mas, em muitos casos, é o que terá que ser feito.
  • Spinola  12/01/2013 02:31
    Joel,

    Concordo com você que a discussão do último ponto poderia ser infindável e, portanto, deixarei de dar continuidade.

    No entanto, gostaria de lhe dizer que esta compensação defendida pelo seu amigo é completamente desarrazoada. Eu duvido que haverá uma única decisão judicial trabalhista neste sentido, em que a compensação deferida de moradia e alimentação seja suficiente para quitar o valor de todas as horas extras (e olha que existe jurisprudência pra tudo!).
    E não é só. Com esta mudança legislativa, nada impede que o ministério público do trabalho interprete como trabalho escravo este tipo de jornada proposto para as empregadas domésticas:

    Orientação 03. "Jornada de trabalho exaustiva é a que, por circunstâncias de intensidade, freqüência, desgaste ou outras, cause prejuízos à
    saúde física ou mental do trabalhador, agredindo sua dignidade, e decorra de situação de sujeição que, por qualquer razão, torne irrelevante a
    sua vontade".

    Extraído do site do Ministério Publico do Trabalho em: portal.mpt.gov.br/wps/wcm/connect/9a0cf38047af3bb1bd98bfd0854ab81a/Cartilha+Alterada_3-1.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=9a0cf38047af3bb1bd98bfd0854ab81a
  • Spinola  12/01/2013 18:51
    Pesquisando melhor o assunto, vi que este desconto de moradia e alimentação nem mesmo pode ser feito:

    SUM-367 UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA.
    VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs24, 131 e 246 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005
    I - A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza
    salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também
    em atividades particulares. (ex-Ojs da SBDI-1 nº
    s131 - inserida em 20.04.1998 e
    ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 - e 246 - inserida em 20.06.2001)
  • maria augusta  21/03/2013 17:32
    Descontar casa e alimentação já é uma prática aceita na justiça do trabalho.
  • Andre Canine  10/01/2013 13:47
    Texto excelente. Há dois dias atrás contratei uma empregada doméstica. Combinei de pagar 80 reais a diária (Ribeirao preto... preços altos). Ofereci contratá-la por três dias da semana e ela concordou, porém veio com a ressalva de que teria de ser registrada. Obviamente recuei e acabei combinando dois dias por semana. Ela ficou nitidamente decepcionada e eu idem.

    Ambos saímos prejudicados.

    Agora sei que existe um projeto de lei em andamento para obrigar a registrar as diaristas com dois dias por semana. Se isso acontecer, infelizmente dispensarei mais um dia da empregada e contratarei outra diarista para um trabalhar apenas dia por semana.
  • Pobre paulista  10/01/2013 15:27
    Olha, aqui em SP/Capital, R$80/dia é barato, a média é R$100 (e não é dificil achar quem pague R$120). E a prática mais comum é ter 2 diaristas vindo 2x por semana para não ter que registrar.

    Tudo se encaixa perfeitamente nesse texto. É Impressionante.
  • barbosa  25/03/2013 09:29
    Eu tenho 3 empregados e todos eles devidamente registrados e há tempos que já lhe ofereço todos os beneficios não precisei que o governo me obrigasse a reconhecer esta classe trabalhadora a qua eu respeito muito,ter pessoas para te auxiliar em casa é para quem pode quem tem dinheiro para pagar se vc não tem condições mete a viola no saco.
  • Christiano Almeida  27/03/2013 22:47
    Barbosa, até agora estou rindo da hipocrisia de muitos que aqui escreveram. E a pá de cal veio com seu comentário. Curto, grosso, infalível. Sem meias palavras. Sem nhém, nhém, nhém. A verdade é esta que tu põe à mesa: Quem pode, pode. Quem não pode, se sacode! Ah, ia esquecendo: À aqueles que aqui abriram o berreiro sobre os novos (?) direitos de trabalhador(as)es doméstico(as)s pergunto: QUEM DE VOCÊS GOSTARIA DE SER, ESTAR - EM TESE - DESEMPENHANDO SUAS TAREFAS COM O SALÁRIO QUE RECEBEM?
  • denise  26/07/2013 13:22
    concordo COM VC .OUTRO DETALHE TEM EMPREGADA DOMESTICA QUEM PODE QUEM NÃO PODE VAI PRO FOGÃO.O INTERESSANTE DISSO TUDO SÃO AS MUDANÇAS QUE OCORRERAM DENTRO DAS FAMÍLIAS .AGORA AS TAREFAS TEM Q SER DIVIDIDAS DESDE CEDO OS PAIS ENSINARÃO OS FILHOS QUE NÃO TEM QUE FIQUEM CONSERTANDO SEUS ERROS E SUJEIRAS EM CASA .TODOS DEVEM FAZER SUA PARTE .PQ A MÃE HJ TRABALHA E NÃO DÁ PRA GERENCIAR TUDO .SÃO FATORES QUE COM O TEMPO NOTAREMOS MUITOS ELEMENTOS SUBJETIVOS .E ACONSELHO A DAR UMA LIDA NESTE ARTIGO.
    www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/19974-de-mucama-a-domestica-um-breve-relato-da-mulher-negra-contemporanea
    VALE A PENA REFLETIR SOBRE O TEMA .
  • nneves  15/04/2013 13:51
    Barbosa, sem comentários.

    SE acaso a tua conversa for verdadeira(o que duvido...deve tratar-se de um comentário 'fake'), você, ou não entendeu nada do texto em si ou está sendo muito hipócrita, ou os dois.

    Esquece-se você que dentro da categoria de domésticos existe cuidadores de idosos etc, e que não somente 'ricos' utilizam os serviços e sim aqueles que não tem a mínima condição de, por exemplo, ficar o dia todo em casa cuidando de um idoso.

  • tania  12/03/2015 01:34
    Se a diarista tambem tiver que ser registrada por trabalhar dois dias e tiver que reduzir dai vao contratar diaristas diferentes pra cada dia da semana
  • Ayala  12/03/2015 15:02
    Claro! Todo mundo é milionário e tem dinheiro sobrando!

    E por que parar em dois dias? Muito módico isso. Deveria haver uma lei obrigando o registro a cada duas horas. Aí todo mundo vai contratar pelos menos umas 4 diaristas por dia. Pronto, problema resolvido.

    Aliás, por que não estender isso para a jornada de trabalho? Vamos estabelecer que ninguém pode trabalhar mais de uma hora por dia. Aí os empresários iriam contratar 10 8 funcionários para fazer o serviço de um só. Afinal, todo mundo sabe que empresário é sovina, e só contrata gente sob chibatada. Aí o desemprego seria zero e a riqueza seria máxima!

    É cada gênio que existe nesse país...
  • Salomão  13/03/2015 04:33
    Está enganado. A riqueza só será máxima quando, depois dessas medidas por você propostas, o governo passar a imprimir bastante dinheiro, fazendo assim que todos tenham trabalho e renda garantidos.
  • celso  08/05/2015 10:20
    rapaz... é só imprimir dinheiro? por que ninguém nunca pensou nisto antes?
  • cellps  02/10/2015 14:47
    Esse salomão é um gênio, parabéns.
  • anônimo  02/10/2015 17:58
    Então a Venezuela deve ser uma das nações mais prosperá do mundo.
  • Laszlo  10/01/2013 14:17
    Ainda por cima tem isso aqui:

    www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=EHhLr-wYicw

    Não sou fa do cara, em economia deve ser mais do mesmo, mas ele tem razão nessa historia das domésticas.
  • Roger  16/01/2013 17:11
    Excelente o vídeo, ainda não tinha visto. Eu já havia visto vários vídeos do Deputado Bolsonaro antes de sua desastrosa aparição na mídia. Confesso que tinha uma visão diferente do mesmo, e acabei me decepcionando, não exatamente por suas posições, mas pelo modo como as defende. No entanto, não concordo com você que ele seja mais do mesmo, muito pelo contrário, ele é um dos únicos que não tem medo de dizer a que o PT realmente veio, sem ter medo de represálias, sejam físicas ou políticas. Ele é um dos únicos Deputados que realmente diz o pensa, mesmo desagradando o povão, o que é uma heresia para qualquer político. Se ele concorresse a presidente contra os nomes que estão hoje em nossa política, sem dúvida daria meu voto a ele, e sairia da cabine de votação, pela primeira vez, com sensação de dever cumprido, pois, apesar de saber que ele não é o melhor que existe, é o melhor que está lá.
  • Gabriel Miranda  10/01/2013 14:51
    Moro numa cidade universitária. Aqui, todos os dias, dezenas de empregadas domésticas prestam serviços como diaristas nas várias repúblicas da cidade.

    Na prática, felizmente, essa estupidez estatal será inócua por essas bandas. Caso as empregadas domésticas comecem levar os "patrões" -- os estudantes -- à Justiça, o que vai acontecer é o desemprego geral. Universitários têm baixa renda porque dependem do dinheiro dos pais para viverem, e não estarão dispostos a arcar com o custo adicional para assegurar mais uma "conquista da classe trabalhadora". As domésticas que recorrem ao Ministério do Trabalho vão encerrar premturamente a carreira de diarista, pois nenhuma outra república vai correr o risco de contratar alguém que tem o histórico de levar os "patrões" à Justiça.

    É só mais um exemplo do proverbial "para inglês ver".
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 15:15
    Pois é, essas situações de conflito nas quais ambos têm muito a perder acabam chegando a um equilíbrio satisfatório. É uma pena, contudo, que esse conflito exista. Ao contrário do que muitos pensam, não é algo natural da relação patrão e empregado, que é, afinal, mutuamente benéfica. É um conflito criado pela legislação.
  • anônimo  16/01/2013 14:16
    Bem observado e o mesmo já acontece nas empresas no Brasil. Como ir pra justiça trabalhista é perda na certa para o patrâo (mesmo que ele esteja certo - teria que desembolsar uma grana com advogados para recorrer) os patrões acabam contratando menos gente para trabalhar. Uma empresa que poderia ter, 8, 15 empregados, tem apenas 2.

    Contratar é um risco no Brasil. É algo percebido como custoso e dúbio. O TRT simplesmente destruiu o potencial economico nas microempresas ao caçar pequenos patrões com indenizações na justiça trabalhista.

    Eu como contador, estou vendo o número de empresas familiares crescerem. Em vez de contratar empregados, o patrão prepara filho, esposa, sobrinho para entrar nos negócios e fazer sociedade. Já observo esse fenômeno em Contratos Sociais há algum tempo. Eles não pagam FGTS e só recolhem INSS dos sócios.
  • André Luiz S. C. Ramos  10/01/2013 15:29
    Joel,
    parabéns por mais esse excelente texto: claro, muito bem escrito e extremamente didático.
    Acrescento mais um triste detalhe, que talvez vc desconheça por não ser da área jurídica: a (in)justiça do trabalho tem reconhecido vínculo empregatício de diaristas que trabalham pelo menos 3 dias na mesma casa. A diarista entra com reclamação trabalhista, e o patrão é condenado a assinar carteira e pagar todas as verbas trabalhistas e encargos sociais retroativamente. Isso é ruim tanto para o patrão quanto para a diarista.
    Para o patrão: se precisar de serviços domésticos 3 ou mais vezes por semana, terá que contratar duas pessoas diferentes, o que não é bom, pq como vc bem disse, é um serviço que exige confiança, já que a empregada passa a conhecer toda a intimidade da família.
    Para a diarista: deixará de ser contratada por alguém que precisa de serviços domésticos 3 vezes ou mais por semana. No máximo, será contratada apenas dois dias por uma família, e terá que encontrar outros lugares para trabalhar nos outros dias.
    Abs.
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 15:51
    Valeu, André!

    Bem apontado. Sim, conheço essa exigência ridícula. Um comentarista acima diz que querem registrar as que trabalham dois dias também. Aí será a festa!
  • Edna Rodrigues  03/02/2013 23:05
    Há uma orientação para não caracterizar vínculo empregatício: máximo 2 dias na semana e em dias alternados, quero dizer: numa semana segunda e sexta, na outra terça e quinta. A justiça tem considerado três dias vínculo empregatício, principalmente se forem habituais, tipo segunda, quarta e sexta sempre. Quando há alternância caracteriza que o trabalhador ficou livre para escolher onde ir conforme agenda e nesse caso, não há caracterização do vínculo de emprego. Habitualidade é uma das caracteristicas do vinculo de emprego.
  • Rodrigo Makarios  10/01/2013 15:58

    Joel,

    Ótimo artigo.
    Não sei em que cidade você mora, mas aqui no Recife uma grande parte das domésticas dorme nas casas dos patrões. Elas vêm geralmente de cidades pequenas e pobres, a 50 ou 100 km de distância daqui, onde a quase única alternativa de trabalho para pessoas sem qualificação é cortando cana debaixo do sol forte. Dada a grande oferta, o nível de salário é baixo (mínimo ou pouco acima). Por conta disso, não é nada incomum as famílias terem duas pessoas (doméstica e babá, por exemplo) trabalhando em casa. Venho de Curitiba, onde empregada para dormir já é bastante raro, e onde muitas famílias já nem têm mais doméstica alguma.

    Tenho discutido essas alterações de legislação com a minha doméstica, que não dorme em casa e com quem eu sempre testo minha capacidade de explicar a economia austríaca. Ela entendeu como essas medidas vão certamente resultar em desemprego e em mais informalidade. Patrões vão passar a cobrar casa e comida, dispensar a segunda empregada, deixar de registrar e, no limite, rearranjar suas vidas para excluir a doméstica, exatamente como você disse.

    O caso dessas mulheres que vêm de outras cidades será o mais dramático, na minha opinião. Aqui na cidade grande elas moram bem, têm comida boa, banho quente (ou mesmo um banheiro), e acesso a lazer, internet, etc. Muitas acompanham as famílias ao shopping, ao cinema, a festas de aniversário, à praia. Vai sobrar para elas uma foice e uma lavoura de cana nos morros da zona da mata pernambucana. Triste.

    Abraço.
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 17:03
    Excelente exemplo! É com experiências desse tipo que a teoria econômica ganha vida.

    A diferença entre emprego doméstico e escravidão está escancarada: os escravos buscavam meios de fugir de seus senhores. As mulheres pobres fogem do sertão de sua infância para conseguir uma vaga de empregadas.
  • Alexandre M. R. Filho  10/01/2013 18:02
    O que fazer com as que perderão o emprego?

    Lá vem mais assistencialismo.
  • Juliano Camargo  27/03/2013 22:09
    Esse governo propagandista vai exibir como outra 'conquista': Erradicamos o trabalho doméstico no Brasil.
  • Heisenberg  10/01/2013 16:22
    Sendo bom ou ruim, justo ou injusto, a verdade é que essa estrutura trabalhista (que o artigo argumenta ser bom para ambas as partes) só é vigente até hoje no Brasil por tradições ruins, paternalistas, escravistas etc.........Ora, mesmo sendo favoráveis ao livre mercado e à ausência de regulamentações, é logicamente um contra-senso que essa imunidade tão generosa tenha sido dada por tanto tempo justamente à classe trabalhadora mais fraca, menos influente e que mais sofre preconceitos no país.

    Tudo bem, pode-se dizer que é difícil combater a informalidade nesse setor, que esse não é um filão tão rentável para o Estado explorar etc, mas para uma sociedade que em sua maioria acredita que esses direitos trabalhistas são benéficos, essa informalidade consensual para as domésticas é fruto de uma mentalidade muito atrasada que impera em nosso país. Por mais que acordos voluntários entre patrão e empregada sejam benéficos, essa tradição de ter uma empregada que dorme em casa e de comprar casas com edículas é algo muito atrasado e de herança escravista. Querer ter uma empregada disponível 24/7 morando em sua casa e ainda argumentar que isso é melhor para ela pois lá ela tem tudo disponível é a mesma mentalidade do Estado paternalista que quer cuidar de todos aspectos da vida de um cidadão incapaz e indefeso, que não pode melhorar sua produtividade e tbm cuidar de sua própria casa e família.

    Outra questão importante é que se a informalidade realmente é melhor para ambas as partes, então devemos lutar para que esse benefício da informalidade seja estendido a todas as classes e não somente à doméstica, afinal, o peão de obra, o jardineiro, o motorista, o médico, o advogado e todos os demais merecem esse benefício que será positivo para toda a sociedade.
  • Gabriel Miranda  10/01/2013 16:43
    "Outra questão importante é que se a informalidade realmente é melhor para ambas as partes, então devemos lutar para que esse benefício da informalidade seja estendido a todas as classes e não somente à doméstica, afinal, o peão de obra, o jardineiro, o motorista, o médico, o advogado e todos os demais merecem esse benefício que será positivo para toda a sociedade."

    Bingo!!! Parabéns, campeão, você brilhou! Seja muito bem-vindo ao IMB!
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 16:45
    Seu último parágrafo está corretíssimo, Heisenberg: seria melhor se TODAS as leis trabalhistas fossem abolidas, para todas as classes. Nada as justifica e os efeitos delas são apenas nocivos (exceção feita àqueles possíveis beneficiados no curto prazo mencionados no artigo).

    Discordo de você que seja ruim ou vergonhosa essa situação da empregada. Veja o que o Rodrigo Makarios disse acima: essas mulheres, se não tivessem a oportunidade de trabalhar numa casa, estariam fazendo o quê? Cortando cana? Desempregadas?

    O processo natural é que, conforme aumente a produtividade média da mão-de-obra, torne-se caro demais manter empregados morando na casa. E daí a função naturalmente desaparecerá ou ficará restrita às casas muito ricas. Se não estou enganado, na Inglaterra foi assim. Não tenho dados a respeito, mas lembro de ler no romance David Copperfield de Charles Dickens que mesmo famílias de classe média tinham empregados trabalhando para si no século 19.

    Na situação atual, ser empregada pode ser EXTREMAMENTE benéfico.

    Conheço o caso de uma empregada que veio do interior da Bahia pra São Paulo. Lá, "na roça" como ela diz, a alimentação era muito precária e não tinha NADA. Hoje em dia, com seus 40 e tantos anos, tendo trabalhado desde os 14 anos numa casa em que a patroa verdadeiramente formou a menina e é uma das grandes referências de sua vida, ela está muito melhor de vida. Trabalha na casa de uma neta dessa patroa original (que morreu), e sua filha tem computador, aula de inglês.

    Conheço outro caso de uma empregada/governanta que saiu do emprego para fazer faculdade (ajudada pelos ex-patrões), mas as más condições do mercado de trabalho a fizeram voltar ao trabalho original.

    De uma terceira, vinda também do interior da Bahia, as filhas já cogitam fazer faculdade.

    Enfim, as histórias são muitas; cada um conhecerá vários casos diferentes. Claro que nem todos serão histórias com finais felizes ou com boas relações de trabalho. Mas o fato é inegável: o emprego doméstico é uma via importante de ascensão social - e uma via capaz de absorver gente vinda de contextos muito pobres e de baixíssima qualificação, que serve não só de fonte de renda como também meio de aprendizado e formação em diversas habilidades necessárias para se gerir uma casa.

    Tire essa possibilidade, e elas fariam o quê? Iriam pra faculdade virar advogadas? Mas nem ler sabiam direito!
  • Heisenberg  10/01/2013 17:37
    Joel, entendo seu argumento de que é claro que se a empregada concorda em morar na casa dos patrões é porque a alternativa a ela é ainda pior. No entanto, nesse caso voltaremos a uma argumentação muito usada pelos esquerdistas/socialistas: "de que os capitalistas se beneficiam de forma inescrupulosa da miséria alheia". Veja, para uma pessoa concordar em viver a vida do patrão e não ter casa nem família, é pq a produtividade potencial de algumas pessoas no país chegou a níveis ridículos, o que acaba favorecendo argumentos em prol de bolsas de renda mínima, no melhor estilo do nosso amigo Suplicy.
    Veja bem, sou totalmente a favor de que o trabalho doméstico onde ainda há muitas pessoas pobres é benéfico e sei de muitos casos em que a empregada consegue comprar computadores, estudar, pagar faculdade do filho etc.....mas isso em casos no qual a doméstica tem família, tem casa e vai e volta ao trabalho. Agora, me diga como uma doméstica vai melhorar sua vida e produtividade morando na casa do patrão, sem família, sem saber ler, apenas vivendo a vida dos outros? Você é a favor da escravidão espontânea? Muitos argumentam que a escravidão no Brasil foi baseada nessa tradição cultural, pacífica, em que o escravo era bem acolhido pelo Senhor, em sua casa.
    Há casos e casos. Muitos saberão de patrões que ajudaram a empregada que sempre morou em sua casa, que deram educação, aposentadoria etc....mas tbm há os casos de abusos, crianças mimadas que não diferenciam uma pessoa de um animal, patroas que fazem de tudo para que a empregada não tenha outras oportunidades, etc...

    Gabriel Miranda, obrigado pelas boas vindas, já acompanho os artigos do IMB há algum tempo. Só acho estranho, por exemplo, um advogado filiado à OAB lutar pelo livre mercado de domésticas enquanto ele se beneficia do fechamento de mercado relativo aos advogados.
  • Malthus  10/01/2013 17:50
    "mas tbm há os casos de abusos, crianças mimadas que não diferenciam uma pessoa de um animal, patroas que fazem de tudo para que a empregada não tenha outras oportunidades, etc..."

    E como exatamente este comportamento humano será corrigido por meio do encarecimento das contratações? Você até agora se limitou a apenas fazer discursos sentimentais. Se a economia funcionasse a base de uma profusão de palavras aparentemente humanitárias, Venezuela e Cuba seriam potências.
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 17:59
    Vou escrever um artigo sobre essa "exploração da miséria", mas já te adianto o ponto central: o rico não se beneficia da miséria do pobre. Ele se beneficia ao AJUDAR A SANAR a miséria do pobre. Ou seja, ele se beneficia beneficiando o outro.

    Se os pobres não fossem miseráveis, isto é, se tivessem maior produtividade, os ricos não os estariam contratando como empregados domésticos. Mas estariam contratando os serviços deles de outra forma, e ganhando AINDA MAIS com isso (prova: a remuneração desses pobres "mais produtivos" no mercado é maior do que a dos pobres "menos produtivos" - ou seja, geram mais valor aos outros).
  • anônimo  10/01/2013 18:18
    Escravidão espontãnea???

    Você não leu meu comentário anterior, aparentemente. Talvez nem tenha lido o texto.
    Tomando por base o meu condomínio, essas empregadas que moram nas casas dos patrões estão condição infinitamente melhor do que suas amigas e parentes que ficaram no interior. Como não têm praticamente gasto nenhum, podem (e maioria faz isso) poupar quase todo o salário recebido ou ajudar a sustentar a família que ficou para trás, ou as duas coisas. NENHUMA delas quer voltar pra lá. Ao contrário do seu "insight", elas vivem as próprias vidas, algumas são casadas (o marido trabalha no canavial), outras saem à noite pra balada, vão à praia, etc, etc. As que ficam na mesma casa por certo tempo acabam quase incorporadas à família, e isso não é ruim de modo algum, como bem disse o Joel.
    E o mais importante, podem ir embora quando quiserem, não tem escravidão nenhuma nisso. Ao contrário, o arranjo é satisfatório para as duas partes. Como disse o Malthus, seu comentário é puro sentimentalismo, nenhuma realidade.
  • Gabriel Miranda  10/01/2013 18:41
    "um advogado filiado à OAB lutar pelo livre mercado de domésticas enquanto ele se beneficia do fechamento de mercado relativo aos advogados"

    Existe a opção de algum bacharel em Direito atuar na advocacia sem ser filiado à OAB? Alguém pode advogar no tribunal sem ter a carteirinha da Ordem? Última pergunta: será que você não percebe que tanto a filiação à OAB quanto os novos "direitos" trabalhistas das empregadas domésticas são imposições feitas mediante a coerção estatal?

    Como o cumprimento de toda obrigação estatal não é opcional, os cidadãos -- concordem ou não -- estão intimados a obedecer aos desmandos do estado sob o risco de serem enquadrados como criminosos. E, por favor, Heisenberg, já que você tem certa familiaridade com os textos do IMB, evite argumentos do tipo 'ad hominem'. Não tendo mais o que contra-argumentar, você vai partir para desqualificar o autor do texto? Evite insinuar que ele é um hipócrita, para o bem da discussão.
  • Heisenberg  10/01/2013 19:09
    Gabriel Miranda, o autor do texto é identificado como mestrando em filosofia e editor em um site. Não vejo em qual momento parti para o argumento ad hominem quando me referi a um exemplo hipotético de um advogado. Vejo que você começou a adotar um tom agressivo em relação à minha participação.
    Reitero minha observação: Se as pessoas cuidam melhor do seu próprio bem-estar e ninguém é melhor credenciado do que o próprio profissional a cuidar de seus interesses, por que um advogado (exemplo hipotético) filiado à OAB prefere protestar em relação ao livre contrato das empregadas em vez de protestar por sua própria liberdade? Sempre há opção, certo? Uma coisa é defender o livre mercado generalizado, outra coisa é adotar o discurso quando melhor convém.
  • Spinola  10/01/2013 21:54
    Heisenberg, concordo com as suas argumentações. Também acompanho o IMB e, embora concorde com boa parte dos posicionamentos aqui descritos (inclusive em relação ao FGTS para os trabalhadores e agora para as empregadas),acho um despautério alguém dizer que um ser humano tem que ficar integralmente à disposição dos outros.
    Precisa de alguém para faxina? Contrate uma diarista, a legislação trabalhista lhe dá a opção de contar com alguém até dois dias na semana.
    Não é suficiente? Arque com os custos de uma doméstica.
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 22:18
    Spinola, os patrões JÁ arcam com os custos de uma doméstica; ou por acaso elas estão trabalhando de graça hoje em dia??

    O que a lei fará é tornar esses custos proibitivos. Muitas mulheres que gostariam de ter uma vaga de doméstica não conseguirão mais tê-la.

    Essa indignação que você sente ao pensar que empregadas passam o dia todo numa casa e ganham salário baixo (baixo para SEUS padrões; para os padrões de um cidadão do Zimbábue ou da Angola, seria alto!) é perigosíssimo, pois ele não está calcado na realidade. Seria como alguém que ficasse indignado com a lei da gravidade. "Onde já se viu?? Negar aos homens o nobre sonho de voar; no mínimo, as pessoas que passam o ano inteiro batendo os braços têm que ter o direito de levitar a alguns metros do chão!". E daí passasse a legislar com base nessa indignação mal direcionada.
  • Spinola  11/01/2013 00:37
    Joel, engraçado o senhor criticar o MEU padrão quando coloca como SEU padrão alguns dos países mais miseráveis, como o Zimbabwe. Pela sua lógica, desde que eu dê um prato de comida a quem não tem o que comer (afinal, estou "melhorando" a condição que se encontrava) eu poderia exigir qualquer tipo de trabalho desta pessoa.

    Aproveitando o ensejo, gostaria de comentar mais alguns pontos do texto:

    1 - "A pergunta que fica obscurecida, mas que deveria ser feita, é: será que meu trabalho vale o quanto quero ganhar?"
    No caso específico, experimente fazer todos os afazeres domésticos. Veja quantas horas ele toma do seu dia e imagine como elas poderiam ser empregadas em seu próprio trabalho, no seu lazer ou em qualquer outra coisa que você preza. Será que todo o tempo que você terá livre é digno de uma remuneração do Zimbabwe? É esse o valor do seu tempo livre, a sua remuneração de Zimbabwe?

    2 - "Será que alguém estaria disposto a pagar, voluntariamente, o salário que quero receber? Se não, pode ter certeza que nenhum governo do mundo conseguirá obrigar um patrão a lhe contratar pelo que você quer ganhar; tudo que o estado consegue fazer é impedir que esse patrão lhe contrate por um valor inferior a esse, mantendo-lhe no desemprego ou na informalidade. A medida estatal destrói possibilidades de contratação sem criar nada em seu lugar".
    Permita-me corrigí-lo: "tudo que o estado consegue fazer é impedir que esse patrão lhe contrate por um valor inferior a esse, mantendo-lhe no desemprego ou na informalidade E IMPEDINDO O PATRÃO DE USUFRUIR DAQUELE TRABALHO".
    Realmente, aposto que com isso o Eike Batista vai dispensar suas empregadas e perder o seu tempo lavando cuecas agora.

    3 - "O valor do salário

    Há um dado da economia que é muito difícil para a maioria aceitar pois temos enraizada a noção de que todo mundo merece, por desempenhar uma função qualquer, uma remuneração que o permita se sustentar com dignidade. Infelizmente, tal concepção, embora fruto de um desejo nobre, seria catastrófica se levada a sério. Pois um trabalho ajuda a sociedade a viver melhor se ele produz valor; o mero tempo ou esforço gastos, em si mesmo, não trazem benefício algum. A remuneração ao trabalhador no mercado corresponde ao valor que seu trabalho cria, e apenas isso. O valor de um determinado trabalho é determinado pela capacidade desse trabalho de ser usado, direta ou indiretamente, para satisfazer a desejos e necessidades dos demais participantes do mercado".
    Olha, aqui ficou realmente interessante. Jura que o mercado de trabalho remunera na exata proporção do valor criado? Quer dizer que a mão invisível estabelece naturalmente um percentual a todos os trabalhadores pelo valor criado? Desculpe a ignorância, mas este percentual seria de mais ou menos quanto para eu ter uma ideia? 1, 5, 10%?

    4 - "A governanta de décadas, que cozinha maravilhosamente e basicamente gere a casa, continuará encontrando demanda: sua remuneração atual já é maior do que o mínimo legal a ser estabelecido neste ano".
    Rapaz, vou abrir a primeira igreja do livre mercado! Quer dizer que a governanta com experiência de décadas, que cozinha os pratos preferidos do patrão e que faz tudo pra eles merece receber mais que R$678,00?! Puxa, mas o livre mercado é brilhante!

    5 - "A outra parte da solução é nossa velha e conhecida informalidade, que deve continuar a vigorar em muitos casos. É uma opção de risco para o empregador, mas que, num mercado como o das domésticas, em que a confiança pesa muito, continua fazendo sentido para muitos. Ao contrário do que se diz, não há problema absolutamente nenhum na existência do trabalho informal. O problema, como tentei mostrar, são as leis que criam a necessidade da informalidade".
    Aqui eu terei a audácia de tentar captar o sentido que eu depreendi do seu texto sobre valor de trabalho, custos e o SEU padrão: "Não há problema absolutamente nenhum na existência do trabalho informal e de se pagar uma remuneração igual a do Zimbabue ou mesmo um prato de comida em troca de todo o tempo (e existência). O problema, são as disgramadas das leis que permitem o ingrato me levar na Justiça do Trabalho".


    Como eu disse no meu comentário, há ideias defendidas pelo Mises muito boas. No genial artigo "Desarmamento e Genocídios" há uma foto com os dizeres "IGUALDADE - Não existe quando apenas um dos lados está armado". Eu gostei muito mesmo do conceito de igualdade defendido naquele artigo pelo IMB. Sugiro ao nobre mestre exercite a imaginação substituindo a palavra "armado" por "possui capital".
  • Joel Pinheiro   11/01/2013 03:57
    "Joel, engraçado o senhor criticar o MEU padrão quando coloca como SEU padrão alguns dos países mais miseráveis, como o Zimbabwe."

    Spinola, não fiz nada disso. Meramente apontei como os padrões são variáveis. Ás vezes as pessoas falam como se a empregada brasileira fosse o padrão de vida mais baixo possível. Não é.
    E por que isso é relevante? Pois mostra que a remuneração dela não decorre do bel-prazer dos patrões. Se os patrões pudessem, eles gostariam de pagar 100 Reais por mês? Adorariam. Mas não é isso que pagam. É por que eles são bonzinhos? Não. (Claro, há muitos patrões que são bons e generosos. Mas mesmo os que não são têm que pagar mais que 100/mês para contratar uma empregada em São Paulo). É a escassez relativa do bem/serviço, e não o desejo ou o poder de negociação de compradores e vendedores que determina o preço de mercado.

    "Pela sua lógica, desde que eu dê um prato de comida a quem não tem o que comer (afinal, estou "melhorando" a condição que se encontrava) eu poderia exigir qualquer tipo de trabalho desta pessoa."

    Cuidado com suas palavras! Se você der um prato de comida pra uma pessoa, sem exigir nada, e depois vier querendo que ela trabalhe um dia pra você; isso é completamente ilegítimo.

    Agora, se você oferece a alguém essa troca: "Se você limpar a calçada da minha casa eu te dou um prato de comida. Está interessado?" – não há nada de errado nisso. Aposto que o homem, se for um faminto, até te agradecerá pela oportunidade de comer e desempenhar um trabalho honesto.

    Em São Paulo, é improvável que alguém aceite isso. Pois se consegue, com facilidade, comida de graça. Comida é muito abundante por aqui. Não o é em todos os lugares do mundo. Há lugares de fome crônica em que essa troca faria todo o sentido. E não vejo problema nenhum em propô-la. Aliás, é assim que populações pobres saem da pobreza definitivamente: trabalhando pro remunerações que, inicialmente, são baixas. Se ficarem dependendo de doação de pratos de comida pra sempre, daí é que não melhorarão.

    Agora vamos aos seus 5 pontos (vou respondê-los no melhor de minha capacidade. Infelizmente, não posso investir mais tempo em longas discussões como esta, então esta será minha última resposta a você).

    1 – "No caso específico, experimente fazer todos os afazeres domésticos. Veja quantas horas ele toma do seu dia e imagine como elas poderiam ser empregadas em seu próprio trabalho, no seu lazer ou em qualquer outra coisa que você preza. Será que todo o tempo que você terá livre é digno de uma remuneração do Zimbabwe? É esse o valor do seu tempo livre, a sua remuneração de Zimbabwe?"

    Não fui claro na minha referência ao Zimbabwe. Queria apenas mostrar como, em contextos diferentes, vigoram diferentes conceitos do que é ser pobre ou rico, de remuneração alta ou baixa. Em São Paulo, a produtividade do trabalhador é muito maior do que no Zimbabwe; aqui, ninguém aceitaria a remuneração do Zimbabwe pelo mesmo tipo de trabalho.

    Eu não venderia meu tempo por uma remuneração do Zimbabwe. Ao menos não na minha condição atual. Agora, se minha situação mudar radicalmente, e eu cair na miséria mais profunda, posso acabar mudando minha decisão. Se eu estiver passando fome sem nenhuma perspectiva de ser empregado em nada, e alguém me oferecer um trabalho, ainda que a remuneração seja baixa, darei graças a Deus; pois é essa oferta de trabalho que evita a minha morte de fome.

    2 – "Permita-me corrigí-lo: "tudo que o estado consegue fazer é impedir que esse patrão lhe contrate por um valor inferior a esse, mantendo-lhe no desemprego ou na informalidade E IMPEDINDO O PATRÃO DE USUFRUIR DAQUELE TRABALHO".
    Realmente, aposto que com isso o Eike Batista vai dispensar suas empregadas e perder o seu tempo lavando cuecas agora."


    O Eike Batista tem tanto dinheiro que o valor de cada Real comparado com seu tempo de lazer é, pra ele, muito baixo.

    Já o João Batista da Silva, que ganha R$ 5000/mês, tem outras prioridades. Se a empregada custar R$ 750, ele contrata. Se custa R$ 1300, ele não paga. Simples assim. Na margem, há pessoas que deixariam de ter empregada se o preço delas aumentasse. E sim, as pessoas cortam empregada de sua vida. Se eu me mudar pros EUA ano que vem, serei obrigado a cortar empregada, pois lá o custo de uma seria muito mais alto do que eu posso/quero pagar. Que venham as cuecas para eu lavar!

    3 – "Olha, aqui ficou realmente interessante. Jura que o mercado de trabalho remunera na exata proporção do valor criado? Quer dizer que a mão invisível estabelece naturalmente um percentual a todos os trabalhadores pelo valor criado? Desculpe a ignorância, mas este percentual seria de mais ou menos quanto para eu ter uma ideia? 1, 5, 10%?"

    Quanto mais ironia você tenta colocar nas suas críticas, piores elas ficam.

    Sim, a "mão invisível" (vou explicar o que ela é abaixo) faz as remunerações dos diversos fatores de produção (entre eles, os diversos trabalhadores) sempre tenderem à contribuição que eles têm na satisfação das demandas e necessidades de todos os participantes do mercado.

    O que é a mão invisível? É a concorrência pelo uso de fatores escassos sob o sistema de preços. Se muita gente quer empregadas, o valor do trabalho delas sobe, e os empregadores então entram em uma competição de preços para manter as empregadas em suas casas. É o que tem acontecido. Leia a matéria que eu linkei no artigo, sobre o aumento dos salários de empregadas nos últimos anos. Não se deveu a nenhuma lei trabalhista nova (não houve nenhuma relevante no setor); e sim à oferta e demanda. As empregadas têm mais ofertas de emprego, tanto nas casas como nos serviços. E portanto, pra convencer ela a ficar na sua casa, você terá que oferecer mais.

    Quando eu era criança, era facílimo encontrar empregada para dormir em casa. Hoje, já não é tão fácil. É a "mão invisível" em operação.

    4 - "Rapaz, vou abrir a primeira igreja do livre mercado! Quer dizer que a governanta com experiência de décadas, que cozinha os pratos preferidos do patrão e que faz tudo pra eles merece receber mais que R$678,00?! Puxa, mas o livre mercado é brilhante!"

    Como assim, "merece"? Ela produz mais do que 678. Tem outras que produzem menos. É um fato da vida; eu apenas o descrevi. Essas governantes e cozinheiras de alto padrão recebem salários de 2 mil Reais pra cima. Outras, que não sabem passar uma roupa ou ler um recado (mas que podem aprender, e conforme melhorem, poderão demandar salários maiores e recebê-los!), ganham bem menos. Agora, garanto para você que a mesma mulher, em São Paulo, ganhará mais pelo mesmo trabalho do que no Zimbabwe. Aqui a mão-de-obra humana é mais escassa; produz mais valor.

    Sim, para nós, acostumados a certo padrão de vida, é triste constatar que tem gente com produtividade baixa. O que fazer para aumentá-la? Leia mais artigos aqui no site e você verá como.

    De fato, o livre mercado é "brilhante"; isto é, é o melhor meio de alocação e geração de valor que existe. E melhor: nós não o criamos – ele decorre de nossas ações e transações pacíficas mesmo que nós nunca tenhamos pensado nele.

    5 - "Aqui eu terei a audácia de tentar captar o sentido que eu depreendi do seu texto sobre valor de trabalho, custos e o SEU padrão: "Não há problema absolutamente nenhum na existência do trabalho informal e de se pagar uma remuneração igual a do Zimbabue ou mesmo um prato de comida em troca de todo o tempo (e existência). O problema, são as disgramadas das leis que permitem o ingrato me levar na Justiça do Trabalho".

    Abra os olhos: ninguém no mercado informal em São Paulo recebe remuneração do Zimbabwe. Na casa dos meus pais uma empregada passou anos informal e recebendo mais de R$1.000 de salário.

    Não são as leis trabalhistas que determinam os salários. Elas não têm nada a ver com isso. Se fosse assim, todo trabalhador informal receberia o mínimo possível para sobreviver e todo trabalhador formal receberia estritamente o salário mínimo. Não é o caso. Então há alguma outra coisa determinando os salários no mercado: as leis de oferta e demanda. Quando você entender isso, desaparecerá o medo de que, na ausências dessas leis, vigorarão remunerações zimbabweanas. É só olhar. Você deve conhecer trabalhadores informais; eles ganham mais do que um trabalhador do Zimbabwe. E não é por causa das leis trabalhistas (afinal, elas não são seguidas no mercado informal)....

    "Como eu disse no meu comentário, há ideias defendidas pelo Mises muito boas. No genial artigo "Desarmamento e Genocídios" há uma foto com os dizeres "IGUALDADE - Não existe quando apenas um dos lados está armado". Eu gostei muito mesmo do conceito de igualdade defendido naquele artigo pelo IMB. Sugiro ao nobre mestre exercite a imaginação substituindo a palavra "armado" por "possui capital"."

    A oposição ao desarmamento é a oposição a uma possível PROIBIÇÃO das armas. Se alguém quisesse proibir os cidadãos, ou parte deles, de juntar capital, eu seria igualmente contra. Agora, isso é muito diferente de decretar que todos devam ter a mesma quantidade de capital. O efeito disso seria desastroso para a sociedade, mesmo, no longo prazo, para a maioria daqueles cuja renda iria aumentar no curto prazo.
  • Eduardo Pimenta  10/01/2013 17:38
    Bons pontos. Concordo com a abolição das leis trabalhistas, mas faço uma adenda. Faz-se necessário antes desregulamentar vários setores para permitir a livre competição entre as empresas. Nas atuais circunstâncias há tantas barreiras para o ingresso de novos concorrentes no mercado que a abolição de leis trabalhistas por si só, provavelmente seria um caos para os empregados e uma maravilha para os empregadores já estabelecidos.

    Mudando de assunto: Olha só, o salário das domésticas subiu muito esse ano.
    g1.globo.com/economia/noticia/2013/01/mao-de-obra-escassa-domesticas-puxaram-inflacao-em-2012-diz-ibge.html

    :)
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 16:52
    É uma relação "paternalista"? Eu chamaria de uma relação personalista. E não vejo problema algum nisso. Pelo contrário, gosto muito de viver em um país onde as relações de trabalho não raro envolvem forte componente pessoal. Claro que não seria desejável que tudo fosse assim; imagina partilhar dos dramas pessoais de cada atendente de loja em que você pisar! Mas que isso exista entre patrões e empregados domésticos (há casas em que comem juntos, em que os filhos brincam juntos, etc), qual o problema? Por que se envergonhar disso?

    Sim, é algo que também acontecia com senhores e escravos domésticos. Mas naquele caso, o escravo não era livre pra sair da casa (embora houvesse analogias com os casos atuais: senhores que ajudavam seus escravos a comprar a alforria), e isso faz toda a diferença! O que há de mau na escravidão é isso: a perda da dignidade e do direito a determinar o rumo da própria vida; e não a relação que porventura se criava entre um senhor e um escravo. Essa tinha até muitos traços positivos e redentores; haja visto a literatura do século XIX brasileiro e americano que trata desse tema.
  • anônimo  10/01/2013 18:05
    'Só acho estranho, por exemplo, um advogado filiado à OAB lutar pelo livre mercado de domésticas enquanto ele se beneficia do fechamento de mercado relativo aos advogados.'

    E ele tem opção?
  • Neto  11/01/2013 07:25
    '"IGUALDADE - Não existe quando apenas um dos lados está armado". Eu gostei muito mesmo do conceito de igualdade defendido naquele artigo pelo IMB. Sugiro ao nobre mestre exercite a imaginação substituindo a palavra "armado" por "possui capital".'

    Esse coitado acha que é a primeira vez que essa besteira aparece por aqui
  • Spinola  12/01/2013 01:44
    Neto,

    Eu o desafio a provar que ao menos você entendeu o que chama de besteira, uma vez que, seguindo as recomendações do moderador, você, de forma inteligente e educada, referiu-se a mim como "coitado". Espero que a sua capacidade intelectual não se limite a colar da resposta do Joel, dado que não é a resposta correta.

    Boa noite e boa sorte.
  • Renato Souza  31/03/2013 15:23
    Spinola

    Leia mais textos dos liberais, entenda-os, e depois volte para comentar. Fica melhor.

    Particularmente leia sobre a Alemanha e a substituição do sistema econômico extremamente estatista do nazismo por outro muito mais liberal. Entenda porque a Alemanha, que durante décadas teve a economia extremanete controlada pelo estado, passou a não ter nem salário mínimo fixado pelo estado. E veja qual foi o efeito maravilhoso que teve esse repentino surto de liberalismo econômico. Possivelmente, uma nova dose de liberalismo econômico livraria os europeus da crise terrível que se avizinha, mas não creio que eles terão percepção suficiente para entender isso.
  • Fabio  10/01/2013 18:25
    "Outra questão importante é que se a informalidade realmente é melhor para ambas as partes, então devemos lutar para que esse benefício da informalidade seja estendido a todas as classes e não somente à doméstica, afinal, o peão de obra, o jardineiro, o motorista, o médico, o advogado e todos os demais merecem esse benefício que será positivo para toda a sociedade."


    Resumindo a conversa.
    Se o medico,dentista,vendedor e etc tem que se ferrar tendo registro e vários direitos trabalhistas,porque o mesmo não pode acontecer com as empregadas???????

    Nessa parte concordo com muita coisa,pois se não existisse direitos trabalhistas e etc,todos poderiam ter empregos que remunerem melhor e as coisas iriam funcionar conforme o mercado,sem estado atrapalhando.
    Aqui em Curitiba ja esta aumentando o cerco contra os motoboys,a prefeitura esta em cima dos motoboys que não tem registro na urbs,e para o cara trabalhar,a prefeitura exige um monte de coisas,uma particularidade desses pedidos,é a ficha criminal do motoqueiro aspirante ao cargo,se o mesmo ja foi a cadeia e hoje quer se regenerar trabalhando,ele já perde mais uma oportunidade por causa do estado.Lamntavel..
  • Marcos  10/01/2013 19:04
    Considero que no caso do Brasil o crescimento das políticas paternalistas respondem mais pela escassez de domésticas do que a melhoria nas oportunidades. Já ouvi muitas histórias de gente que resolve sair do emprego para "pegar o bolsa-família".

    Por outro lado, não vejo nenhum desenvolvimento imenso no Brasil dos últimos anos, apesar de toda jogação de confete que investidores e mídia fazem. Existem mais vagas sim, mas o que está em falta é principalmente o profissional qualificado. Claro que pode ter melhorado um pouco, mas nem tanto assim.



    "Gabriel Miranda, obrigado pelas boas vindas, já acompanho os artigos do IMB há algum tempo. Só acho estranho, por exemplo, um advogado filiado à OAB lutar pelo livre mercado de domésticas enquanto ele se beneficia do fechamento de mercado relativo aos advogados."

    Sou advogado e posso dizer que nunca me beneficiei de nada. O mercado contornou a questão da carteira da OAB. Os bacharéis sem carteira trabalham normalmente nos escritórios, mas não assinam petições. É isso que acontece na prática. Fora que dificilmente há trabalho formal de advogado. Os escritórios usam vários expedientes para não assinar a carteira de trabalho dos profissionais. E nem poderia ser diferente, já que há um excesso de advogados sendo atirados no mercado. O primeiro que assinar carteira vai aumentar o custo de seu serviço e não vai poder oferecer condições vantajosas para os clientes. O mercado está saturado. É necessário um bom planejamento e criatividade para conseguir algum sucesso. Não há essa formalidade que você faz parecer
  • Heisenberg  11/01/2013 00:41
    Marcos, usei o advogado como exemplo hipotético. Não pretendo desqualificar ou atacar a sua categoria. O exemplo poderia ser usada para diversas outras categorias.

    Vou mudar a minha retórica. Digamos que eu sou contra as empregadas domésticas e não me simpatizo com essas trabalhadores e nem com seus patrões. Eu quero saber por que na minha categoria profissional não há tantas pessoas e associações defendendo a desregulamentação? Digamos que sou um advogado pessimamente formado e com produtividade próxima a de uma doméstica recém chegada da "roça", eu simplesmente gostaria de trabalhar em um escritório de advocacia 24 horas 7 dias por semana. Seria de bom grado se o escritório deixasse eu dormir lá, provisionasse um pouco de alimento e que os advogados seniors me doassem algumas roupas, logo meu salário não precisaria ser maior do que uns R$ 200,00. Por que minha categoria não pode desfrutar desse benefício concedido às domésticas?
  • Marcos  11/01/2013 18:51
    Heisenberg, não se preocupe, não levei a mal o seu texto.

    Bom, pessoalmente eu sou contra a própria existência da OAB, pelo menos nos moldes que ela tem hoje em dia. Mas não posso dizer ao certo quantas pessoas pensam assim.


    Não posso dar respostas completamente certas, mas tenho alguns bons palpites sobre essa diferença entre domésticas e advogados.

    1 Domésticas trabalham para famílias e não para empresas. Pessoas físicas, além de terem ganhos menores do que empresas, possuem um regime diferente para imposto de renda. Empresas deduzem os custos com empregados e pagam sobre o lucro. Pessoas físicas pagam sobre seus ganhos, não podendo deduzir completamente seus custos, inclusive com empregadas. Então, qualquer modificação imposta pelo governo afeta com muito mais força esse segmento, pois há margem muito limitado para aumento de custos. Então, a pressão por menor regulamentação é maior, já que o risco de demissões em massa é grande.

    2 Advogados sabem os "atalhos" da lei. Para eles é muito fácil encontrar um jeito de não assinar a carteira dos seus empregados no escritório. De fato, nunca soube de um escritório que realmente assina carteira de seus profissionais. Eles não precisam se levantar contra a regulação porque conseguem ignorá-la.

    3 Há um lobby muito grande da OAB a favor da regulação. Afinal, sem isso eles nem mesmo teriam razão para existir. No caso das empregadas, não existe uma instituição com tanta força que lute com unhas e dentes pelo "direito sagrado" de restringir a livre negociação entre as partes interessadas.
  • Pedro Borges Griese  10/01/2013 19:15
    Quando um dos principias sindicatos da "categoria" manifesta detalhadamente e de forma didática porque é contra esse "conquista" eu descanso o meu caso!

    www.sedesp.com.br/component/content/article/34-news/69--carta-aberta-ao-congresso-nacional.html
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 20:00
    É o sindicato dos empregadores, Jaison. O time dos malvados! É óbvio que eles vão inventar mentiras, eles querem explorar mais os trabalhadores. Pra começo de conversa, eles usam aritmética, uma construção ideológica burguesa criada para gerar mais capital.
  • Jaison  10/01/2013 19:21


    Pessoal, vocês não entenderam

    O Governo viu este vídeo www.youtube.com/watch?v=J3IxaEonCGY
    que fala da falácia da janela quebrada.

    Como isto não poderia passar em branco, o Estado sempre visando o bem da sociedade resolver acabar com esta falácia, só que ao invés de impedir que janelas sejam quebradas ele quer limitar a contratação de vidraceiros.

    Além do FGTS não podemos esquecer do vale alimentação e do vale refeição, duas outras ideias do GÊNEO estatal.


    Abraço
  • Henrique  10/01/2013 19:46
    Pessoal, aos que ainda não leram, fica o link de um artigo da Economist dizendo que as ideias de Hayek estão em alta no governo chinês em detrimento das ideias de Keynes!

    www.economist.com/node/21562903

    O artigo cita, ainda, que a China está sofrendo com a má alocação de recursos devido ao estímulo governamental de 2008, ano da crise.

    Abraços.
  • Pedro  10/01/2013 21:05
    Por que vcs não puseram uma foto mais representativa das domésticas? Com essa foto, fica parecendo que quiseram branquear a classe.
  • Ricardo  10/01/2013 21:17
    Gozado, eu conheço várias domésticas brancas (uma delas chega a ser até transparente). Pelo visto, no seu mundo pequeno, domésticas só podem ser negras, o que mostra bem o seu preconceito e sua desconexão com a realidade.

    E o mais engraçado é que posso até prever qual seria sua reação caso a foto realmente fosse de uma negra: "Por que colocaram uma foto de uma doméstica negra? Com essa foto, fica parecendo que vocês acham que as brancas estão muito acima desta nobre profissão."

    Vá arrumar algo de útil para preencher a sua cabeça.
  • Pedro  10/01/2013 23:17
    É verdade que não é correto associar a doméstica com a cor negra. Porém, concordo com o que o colega disse sem dizer: a moça da foto não tem cara de doméstica, mesmo! Caso seja, é um exemplar raríssimo; sorte de seu patrão...
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 21:25
    Não sei se é uma empregada ou uma ex-patroa infeliz por estar tendo que limpar o fogão, agora que a empregada teve que ser demitida.
  • Leandro  10/01/2013 23:22
    É óbvio (pelo menos julgo ser) que não se trata de uma doméstica, mas sim de uma ex-patroa que agora está tendo de lidar com a situação (empregada demitida). Uma mulher com esses atributos físicos não estaria ganhando a vida como empregada doméstica, né? Haveria várias outras profissões muito mais rentáveis para ela. Por favor.
  • Pedro  11/01/2013 00:32
    Caso seja, é um exemplar raríssimo; sorte de seu patrão...

    Achei racista esse seu comentário.
  • Macho alfa  11/01/2013 04:49
    Puxa, que pena. O que você quer que o Joel faça para remediar esse seu desconforto que certamente está afligindo toda a humanidade neste momento? Quem sabe eu possa fazer algo por você? Estou muito compadecido por sua delicadeza (e muito impressionado pela perspicácia desse seu achismo). O mundo todo parou para contemplar sua inquietação.

    P.S.: hoje, tudo é racista e ofensivo. E todos são delicados. Não há mais fibra no mundo. Vira homem, rapaz!
  • Neto  11/01/2013 07:11
    Ela podia ser azul, verde, nesse tipo de conversa qualquer coisa que você fale vai servir pra alguém te chamar de racista
  • Pedro  11/01/2013 09:49
    Ué. Não é boa sorte poder apreciar a beleza? Racismo? Isso está virando loucura coletiva.

    Mas realmente faz mais sentido que seja a ex-patroa.
  • Pedro  11/01/2013 10:12
    Além das inúmeras outras possibilidades da moça, tem o outro lado. Uma criatura dessa, definitivamente, não teria mercado como doméstica covencional. Afinal, que patroa iria querer colocar um "problema" desses dentro de casa?
  • Andre Luis  11/01/2013 11:12
    Macho alfa, assino embaixo. Vivemos a era das suscetibilidades exacerbadas. E aja engov para aguentar isso.

    Pedro, eu sou racista: entre uma loira e uma negra, mucho me gusta a segunda opção. Vai ver porque sou um afro-teuto-polaco-italo-ibérico-brasileiro, sei lá...
  • Raquel  27/05/2018 00:22
    Que comentário machista hein.Então toda mulher bonita,tem que colocar como opções de profissão a prostituição?
  • Vinicius Costa  10/01/2013 21:37
    Minha avó e minha mãe são empregadas domesticas, e posso dizer que ambas ficaram felizes com toda esse 'reconhecimento da classe'. Conheço ambas famílias que elas trabalham e sei que nenhuma delas vão ter condições de pagar os salários que serão necessários daqui pra frente.

    Avisei as duas que a melhor coisa que elas podiam fazer era esquecer isso e continuar trabalhando como sempre trabalharam. Mas tenho certeza que muitos patrões vão ter medo de empregar essas pessoas de maneira informal porque futuramente eles podem ser processados por isso.
  • Joel Pinheiro  10/01/2013 22:14
    Exatamente Vinicius!

    É perfeitamente natural que essa medida faça muitas empregadas ficarem felizes. Pois dá a impressão de que os salários delas agora vão subir. Mas não é verdade. Salários não são algo que os políticos ou sindicalistas possam escolher livremente. Se fosse fácil assim, bastava decretar salário mínimo de 1 milhão de Reais e todos os brasileiros ficariam ricos.
  • Pedro  10/01/2013 21:40
    Até existe doméstica branca no Brasil, mas a imensa maioria é de pretas e pardas. Então é estranho por uma foto de uma branca e ainda loira para representar a classe. Fica parecendo o programa Altas Horas, cuja platéia e convidados são quase todos brancos, embora seja um programa brasileiro, país no qual os brancos são minoria.
  • Marcelo   11/01/2013 01:38
    Brancos minoria? Segundo o wikipédia/ IBGE
    Brancos ?47,3% Pardos 43,1% Pretos 7,6% Amarelos 2,1% Indígenas ?0,3%
    Só se você considerar os pardos como pretos, como tentam os movimentos negros.

  • Negão cheio de paixão  11/01/2013 04:51
    Quando perguntado a Neymar se ele ja havia sofrido discriminação, Neymar respondeu: "Não, nunca, não mesmo, mesmo por que, eu nem sou negro né?"

    Os dados sobre cor do IBGE é feito a partir das respostas da propria população. Sabemos que o preconceito de cor é alto no país. Muitos negros sentem vergonha de se assumirem negros, por isso mentem ou omitem sua cor nos questionários do IBGE.

    Basta ir à praça da Sé no centro de São Paulo e verá como que a proporção de negros (e morenos) é muito superior ao de brancos.
  • anônimo  11/01/2013 07:08
    Aqui também todo mundo se acha branco. Branco tipo pros padrões americanos é só uma minoria mesmo
  • Marcelo  11/01/2013 18:09
    "Basta ir à praça da Sé no centro de São Paulo e verá como que a proporção de negros (e morenos) é muito superior ao de brancos."

    Na mesma São Paulo, basta ir ao bairro do Itaim bibi e verá como a proporção de brancos é superior ao de negros.

    Usar uma praça como exemplo de composição etnográfica de um país de 8.547.403 km2 é sacanagem.
  • Negão  12/01/2013 23:44
    Usei a praça da Sé por que ali encontra-se pessoas vindas de todos os bairros e de varias regioes do Brasil. Acredito ser um dos pontos da cidade mais "ecléticos". Higienopolis é bairro de magnatas, quem anda por lá pensa que no Brasil só tem judeus e loiros do olho azul.


    Não seria má ideia Dilma criar cotas raciais pros bairros como Higienopolis.
  • Djalma  10/01/2013 22:44
    As empregadas domésticas serão prejudicadas os salários vão diminuir devido aos elevados custos e o receio de contratar uma empregada diminuirá o número de vagas. Incrível, como essa gente gosta de diminuir o padrão de vidas das pessoas e ainda por cima posando de bonzinhos. Ótimo artigo. Outra profissão que merece um artigo do tipo é a profissão de motoboy.
  • Edson Borges de Carvalho  10/01/2013 23:00
    Tem que ser igual ao Japao. La se você contratar uma empregada domestica, no final do mês o pagamento dela e feito com o salario do patrão, que e o que ela ganha.Ou no mínimo 3/4.
    Ou seja la não existe empregada domestica. A nao ser que você seja um empresário ou coisa e tal que possa bancar.
    Empregadas domesticas so existem em países que tem muito pobres, tipo Estados Unidos e Brasil. Alem do mais japoneses consideram uma intromissão, uma pessoa estranha em casa.Por isso tudo la e feito para não se ter muito trabalho em casa e a regra e comer fora.
  • Joel Pinheiro  11/01/2013 00:47
    Quem não quer estranhos em casa que não contrate uma empregada. Por que proibir os outros de fazê-lo inventando uma lei ridícula como essa que o salário da empregada tem que ser 3/4 da renda do patrão? De onde tiraram essa maluquice??
  • Andre Luis  11/01/2013 11:17
    Edson, mandei esse seu comentário para um colega dekassegui e ele respondeu dizendo que isso simplesmente "não eksiste".

    E disse que existem domésticos sim no Japão, mas que trabalham em empresas especializadas; você contrata a empresa e ela manda um diarista fazer a faxina. Mas disse que é caro.

    Onde você obteve essa informação dos 3/4?


  • Edson Carvalho  11/01/2013 15:54
    Prezados..
    ( Eu ainda não encontrei no texto que escrevi, onde que eu falei que 3/4 se tratava de uma lei, como cita o leitor Joel e que você entendeu também ).
    Sem estender muito no assunto, esse seu colega deveria informar o salario da diarista, ainda supondo que se ela é caixa-in ( EFETIVA ) ou se trabalha de arubaito ( BICO ).
    Em qualquer dos casos ela é funcionaria da empreiteira, ou seja, a empreiteira ganha mais ainda em cima dela, que deve ser o caso desse seu amigo, que provavelmente também não deve ser Caixa-in e muito menos o salario dele deve superar o que recebe a empreiteira. ( Se quiser e interessar dou meu endereço e telefone no Japão para você checar pessoalmente o que escrevi e escrevo agora aqui, já que segundo o que entendi, eu estaria propagando mentiras. Trata-se de julgamento de duas opiniões: Minha que tenho visto permanente, construí casa e moro também lá, trabalhei 10 anos como caixa-in em uma empresa, e mais 12 como temporário ( Arubaito em 4 empresas ) Falo e escrevo japonês e não sou descendente. ( Não fui ao Japão para trabalhar pelo mesmo motivo dos brasileiros, e agora aqui continuo trabalhando na mesma profissão, apesar de estar com 63 anos, prestando consultoria de engenharia na área de Óleo e Gás para a Petrobras. ) Sem ironia....Esse seu amigo você deve saber das qualificações dele. Eu não sei e nem me interessa. Você não me conhece, naturalmente devera acreditar nesse seu amigo. Mas continuo reafirmando: Se for contratar uma diarista ( Existem casais que sozinhos trabalham e administram esse tipo de serviço ) ai é que o salario dela passa dos 3/4. Por favor entenda que o valor de 3/4 não foi baseado em nenhuma lei, eu não escrevi em nenhum momento isso, mas no salario que eu ganhava lá, e atualmente no salario dos meus 2 filhos que trabalham como Job lider na SONY. Um com 26 e outro com 28 anos, que foram com 4 e 6 anos para o Japão.
    Quanto a estrangeiro e japonês contratar uma empregada domestica reafirmo que existe sim, muito raro, e vai depender do cacife de quem contrata. Tenho amigos japoneses que têm empregadas domestica, assim quando você for passear por lá, terei prazer em recebe-lo e te apresentar a eles.
    Resolva isso, estou a disposição no Rio de Janeiro.
    No mais não tiro o valor do artigo que é magnifico, meus parabéns, como tudo que vem do IMB.
    Saudações.
  • Andre Luis  11/01/2013 17:34
    Pedro, tá aqui: "Ou no mínimo 3/4."

    Aliás, segundo você, o empregado doméstico embolsaria todo o salário do patrão. São suas estas palavras: "La se você contratar uma empregada domestica, no final do mês o pagamento dela e feito com o salario do patrão, que e o que ela ganha."

    Desenhando, cenário 1:
    Patrão recebe 100 dinheiros japoneses do seu empregador
    Patrão paga 100 dinheiros japoneses para a empregada
    Saldo: Zero. Patrão pedirá bolsa-miojo.

    O cenário 2 é ruim também:

    Patrão recebe 100 dinheiros japoneses do seu empregador
    Patrão paga 75 dinheiros japoneses para a empregada (= 3/4 do salário dele)
    Saldo: 25 dinheiros. Patrão continuará pedindo bolsa-miojo.

    Isso ofende à qualquer lógica, dai eu ter solicitado fontes.

    Até meu colega ficou curioso com essa "regra", disse que largaria imediatamente de seu atual emprego de gerente de vendas (pelo que entendi da sua explicação "caixa-in") para cuidar de jardins ou limpar privadas e, sem ter de atingir metas e mais metas todo mês, colocar 3/4 (= 75%) dos rendimentos/salário do patrão dele no bolso.

    Quanto ao resto, não disse que o Sr. estava mentindo, longe disso; mas apenas solicitei a fonte legal, a origem dessa regra que você disse existir.

    Não entendi a história de não ter migrado pelos motivos de outros dekasseguis.

    Se foi expatriado pela Sony, Petrosaurro, se foi porque o Collor quebrou suas economias, ou porque gosta de comer sushi original, ou o que for, pouco importa para qualificar sua experiência de vida no Japão ou endossar suas opiniões como melhores ou piores.

    Sua "experiência japonesa" é igual a do meu colega, que não é um trabalhador braçal (aliás, bem longe disso), como você quis presumir nas entrelinhas para desqualificar-lhe a opinião.

    Fato é que sua resposta é escapista e, quando chamado a demonstrar a fonte da regra dos 3/4 que afirmou existir, correu, encheu o peito e começou a disparar acusações fora do contexto.

    Saudações.


  • Allan  10/01/2013 23:26
    Brilhante Joel. Precisa aparecer mais vezes por aqui!
  • Dalton C. Rocha  11/01/2013 00:45
    Mais de 80% da legislação trabalhista brasileira, inclusive aquilo escrito na constituição, não passa de cópia da "Carta del Lavoro" de Benito Mussolini.
  • Roberto  05/04/2013 15:18
    Aliás, a nossa "Constituição Cidadã" é a constituição mais socialista que tivemos até hoje!
  • Ricardo  11/01/2013 11:50
    Prezados Srs,

    Gostaria de saber quais os meios de comunicação da imprensa que noticia os estudos econômicos nos moldes do livre mercado.

    Cordialmente,

    Ricardo.
  • Antonio Galdiano  11/01/2013 12:54
    Eu não li todos os comentários acima e, portanto, não sei se alguém já falou sobre isso.
    O texto é irreparável, mas poderia ter um acréscimo que o enriqueceria ainda mais. Trata-se do efeito de concentração de mercado que a ação estatal traz: afim de esquivar-se de pendengas judiciais relativas aos casos trabalhistas, empresas que precisam do serviço de limpeza e poderiam negociar diretamente com o trabalhador agora procurarão empresas que terceirizam o serviço. O trabalhador poderia perfeitamente negociar livremente suas condições de trabalho e remunerações, mas como o estado impõe "direitos" e a empresa não mais pode viabilizar uma contratação em condições específicas (horários flexíveis, jornada reduzida), ela para ter o serviço terá de contratar uma empresa de terceirização.

    Não tenho nada contra empresas de terceirização. Porém é notório que houve uma concentração de mercado em decorrência da ação governamental.

    Analogamente, o youtube, para desviar-se da legislação governamental de direitos autorais, propôs aos músicos, artistas, etc, parte da renda da propaganda do site. Nada contra o youtube, mas o governo favoreceu esta empresa sim. Afinal de contas, que empresa inicial conseguiria concorrer com o youtube? Todos os concorrentes do youtube foram prejudicados.
  • Fred Henrique  11/01/2013 14:14
    Só para ilustrar a visão dessa galera que acha que mais impostos são bons...

    www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=j9lsc5P9Nkw
  • Cauê  11/01/2013 16:32
    Eu creio que o Heisenberg está sendo mal interpretado,

    Acho que suas no cerne da questão ele está correto, e isso é o que mais me preocupa a respeito da mensagem que o IMB passa(E normalmente não por causa de seus autores, e sim por causa do que os leitores captam dela).
    Talvez seja uma luta infrutífera, mais vamos lá:
    O que o Heisenberg fala é correto no que diz respeito a desigualdade entre as leis dada a categoria, ou seja, por que não todos seguem a mesma regra ? (Inclusive, a menção da OAB na constituição é algo que nem precisa ser comentado né?)

    Ele também concorda que seria mais vantajoso para as empregadas permanecerem como estão. Ninguém está dizendo o contrário, o problema é que isso é injusto e imoral, no que diz respeito a instituição de Justiça na crença das pessoas(tanto quanto regulamentações de classes, tanto o quanto a defesa por menos impostos aos ricos).

    É só perguntar a algum inglês a respeito da Tatcher. (e já li o artigo sobre ela,não me encham). O que estou dizendo é que a mensagem é ruim. Ela enfrentou os sindicalistas e leis tortas, sim, e o resultado ?
    Tem que ser na base do ou vai ou racha.

    Não que não seja bom para todos os trabalhadores, mais simplesmente adia as reformas morais e políticas necessárias a esse mundo torto.
    E acho que a mensagem deixa para a esquerda uma chance de argumentar (com base em sentimentalismo ou qualquer que seja) as ideias corretas defendidas aqui.
    Acho que ou é pra todos ou pra ninguém, além do que eu sinceramente torço pra que venha logo o desmoronamento de todo esse estado desgraçado. Quanto mais cedo isso aqui virar a URSS, mais rápido vai ser a queda. Por que não tem remédio, isso é fato.

    Acho que deveriam ser publicado mais artigos como esse:
    www.financialsense.com/contributors/jr-nyquist/finance-decadence

    ou do Walter Willians.

    Eu sinceramente acredito que sem o medo da punição divina em larga escala, a escola austríaca não irá a lugar algum, pelo menos não permanentemente.
    Os socialistas sabem disso, quando vocês vão aprender? .
  • Heisenberg  11/01/2013 18:40
    Exatamente Cauê,

    Estou criticando um ponto específico, não estou dizendo que a lógica do artigo está errada. Algumas pessoas como vc entenderam e conseguem explicar melhor do que eu.
    Basicamente, acho perigoso pegar a lógica austríaca e aplicar a um campo restrito, pois o discurso acaba não ficando coerente com o geral.
    Não é estranho que no Brasil, onde a maioria das pessoas com um nível maior de renda está associada a algum órgão ou proteção estatal, e essa mesma classe que reserva seu próprio mercado de trabalho, quando opinam sobre a situação das domésticas transformem-se rapidamente no economista austríaco mais liberal?
    Analisando as economias mais liberais e desenvolvidas, é comum haver tantas domésticas? Nem vou falar da criadas que dormem na casa do patrão, pois isso é uma anomalia brasileira. Segundo uma pesquisa recente, os países com o maior nº de domésticas são Brasil, India e Indonésia, respectivamente. Realmente acham isso um benefício devido ao alto grau de liberdade econômica desses países?
    Será que há tantas domésticas porque esse mercado é livre no Brasil ou há tantas domésticas porque os outros mercados possuem o acesso quase que totalmente fechado aos trabalhadores menos qualificados e menos influentes?
  • Vinicius P.  12/01/2013 01:55
    "Será que há tantas domésticas porque esse mercado é livre no Brasil ou há tantas domésticas porque os outros mercados possuem o acesso quase que totalmente fechado aos trabalhadores menos qualificados e menos influentes?"

    Pergunta muito interessante. Acho que a resposta seria que ambas as afirmações estão corretas. Há mais domésticas por esse mercado ser mais livre e pelos outros serem mais restritos. Até porque se os outros fossem menos restritos, haveria maior desenvolvimento econômico, logo menos domésticas.

    Resta saber se restringir o mercado das domésticas, provocando uma diminuição no número de domésticas nos tornaria num país mais avançado (por ter menos domésticas). Ou seja:

    "Um país é mais avançado porque tem menos domésticas ou um país tem menos domésticas porque é mais avançado?"

  • Caue  11/01/2013 16:47
    Alias gostaria de perguntar aos caros comentaristas:
    Existe alguma proposta para o desenvolvimento de uma constituição por parte da escola austríaca e seus defensores?
    Se não acredito que esse seria um grande exercício e muito frutífero.

    E não para um mundo anarco-capitalista, mais um estado como o conhecido.

    Por exemplo, o artigo do Leandro sobre o que fazer com o Brasil ele fala em direito natural e tudo mais...

    Acho que poderia ser uma grande oportunidade de integração entre os institutos, e uma grande forma de promoção da escola.
  • andrade  11/01/2013 18:21
    Caros internautas,

    Aqui na Europa, mais especificamente na Suiça, uma domestica trabalha 99,9% das vezes de maneira informal (ao negro) e ganha na faixa de 25 a 45 CHF por hora, logo "ninguem" tem, e diria que "ninguem" quer, tudo é organisado e feito sem domesticas, desde as crianças que cedo aprendem a se virar, arrumar e limpar, pois ter domestica nem sequer se cogita. Esse aspirador robot tem quase uma década que vem entrando nos lares, para nao falar de muitos outros robots.
    Abs
  • Renato Baptista  11/01/2013 19:25
    Coloquei o mises.org.br como favoritos e tenho lido seus artigos e até baixei alguns livros prá me aprofundar mais, já que acho economia mais prá mandinga do que ciência, pois cada economista tem diversas poções mágicas prá mesma doença.

    Como não estou aqui prá ser professor e nem ofender e ser melhor do que ninguém, e considerando que tanto o autor como a grande maioria dos comentaristas concordam com ele, quero propor, humildemente, que passem a exercer a nobre função de empregada/os domésticas/as, sem os benefícios mínimos e ridículos que se está propondo pelo governo socialista, pois o mercado vai ajustar tudo e todos poderão confiar em suas patroas/patrões que os alavancarão para conseguirem ter sua própria casa e até contratarem domésticas para si.

    Quem é o mercado? O que é o mercado? Não são pessoas quem fazem o mercado existir? Não são as pessoas o pior das espécies criadas por Deus, a ponto Dele mesmo admitir que tinha arrependimento de haver criado o Homem? Não são os Homens que provocam todo o tipo de guerras e explorações do próprio Homem? Não é ele um vírus que mata a própria espécie? Não é ele quem exerce e dá vida ao mercado?

    O mercado vai tirar essa empregada da sua condição, ou o mercado sempre vai mantê-la nesse "destino" de casta de empregada?, tal qual a Funai mantém os índios no seu eterno "destino" de índio que nasce índio, tem que morrer índio, sem nunca poder querer ser médico, engenheiro, advogado?

    O mundo e os fatos que eu vejo e testemunho, mostram que o "mercado das donas de casa" quer tirar o máximo de proveito da sua doméstica e que, invariavelmente essa doméstica vai morrer doméstica.

    Então, o mercado, nesse exemplo, mostra claramente, que não tem resposta prá tudo e me parece que deve sim existir um estado mínimo, com uma constituição que garanta que o interesse público jamais deve colidir com a supremacia das trocas e voluntarismos individuais.

    De grão em grão a galinha enche o papo, mas continua galinha. Isso é mercado?

    Vejo que a maioria não tem um plano que honre e dignifique essa empregada/o para tirá-la dessa condição, fazer a sua parte prá mudar a vida dessa casta de trabalhadores, fazendo-os progredir e subirem na escala profissional.Isso é mercado, mas não é amor. O mercado não tem resposta prá todas as situações, isso é fato! E a vida vale mais. O Amor sempre vence. O mercado não ama, mas nós podemos amar e parar de ser tão hipócritas.




  • Mauro Etrusco  11/01/2013 19:40
    Peraí, de onde você tirou que um emprego como doméstica deve ser capaz de prover a pessoa com salários que a torne capaz de comprar uma casa? E ainda por cima com uma empregada? Em que planeta você vive? Troque a profissão "doméstica" por "carteiro", "lixeiro", "trocador de ônibus", "repentista" e o efeito será o mesmo. Se você quer que todas as profissões paguem salários capazes de prover a pessoa com uma casa própria (e com uma doméstica ainda por cima!), só posso concluir que você chegou ao mundo ontem, no máximo.

    Seu argumento é o mesmo daqueles ignaros que dizem que o salário mínimo deveria ser capaz de sustentar uma família. Ora, empregos que pagam salário mínimo não foram feitos para sustentar uma família. O certo seria que as pessoas optassem por não iniciar uma família até que estivessem ganhando o suficiente para sustentá-las. Empregos de baixos salários servem para capacitar os trabalhadores a, com o tempo, adquirirem as habilidades necessárias que os permitirão ganhar salários altos o suficiente para sustentar uma família. Será que alguém realmente acha que um adolescente que trabalha como entregador de jornal deveria ganhar um salário capaz de sustentar uma família?

    No caso da empregada, ele pode ganhar experiência até ascender para camareira de hotel chique, ou até mesmo cozinheira desse hotel. É assim que o mercado funciona para aqueles que têm fibra e força de vontade. Já para o encostados e sem iniciativa, aqueles que arranjam um emprego que pagam salário mínimo aos 18 anos e se contentam em ficar nele até os 65 anos, é claro que não há o que ser feito. Foi opção dessa pessoa. Nasceu para aquilo, e não vai passar daquilo.

    Em vez de ficar soltando chavões emotivos e dizer quanto os outros devem pagar (sendo que você mesmo não paga nada), vá se educar sobre economia e entender que se trata de uma ciência que funciona não de acordo com a emotividade das pessoas, mas sim de acordo com ideias racionais.
  • Andre Luis  11/01/2013 19:51
    Um poeta! O amor resolve... o mesmo blablabla de sempre. O que você ama, sim, é o seu "direito" de vier à custa do trabalho alheio.

  • Joel Pinheiro  11/01/2013 20:14
    "...quero propor, humildemente, que passem a exercer a nobre função de empregada/os domésticas/as, sem os benefícios mínimos e ridículos que se está propondo pelo governo..."

    Você mostra não ter entendido o artigo. Meu argumento não é que as novas leis vão beneficiar as empregadas às custas dos patrões. Meu argumento que as novas leis PREJUDICARÃO as pessoas que querem trabalhar como empregadas, além de seus patrões em potencial.

    Tem gente que, hoje em dia, consegue arrumar emprego; e que, depois da lei, ficará desempregada.
  • Blah  11/01/2013 20:57
    Quem é o mercado? O que é o mercado? Não são pessoas quem fazem o mercado existir? Não são as pessoas o pior das espécies criadas por Deus, a ponto Dele mesmo admitir que tinha arrependimento de haver criado o Homem? Não são os Homens que provocam todo o tipo de guerras e explorações do próprio Homem? Não é ele um vírus que mata a própria espécie? Não é ele quem exerce e dá vida ao mercado?

    Ué, e você acha que o estado é composto por elfos? São os mesmos seres humanos que você tanto despreza. A diferença é que os seres humanos do estado têm em mãos um aparato que pode forçar os outros a fazerem o que eles acham melhor. Como é que esse arranjo é melhor do que o mercado, que, por definição, envolve trocas voluntárias e não forçadas?

    O mercado vai tirar essa empregada da sua condição, ou o mercado sempre vai mantê-la nesse "destino" de casta de empregada?, tal qual a Funai mantém os índios no seu eterno "destino" de índio que nasce índio, tem que morrer índio, sem nunca poder querer ser médico, engenheiro, advogado?

    Antes do capitalismo, o destino de uma pessoa era traçado já no nascimento. Se você fosse de uma família nobre, seria nobre. Se nascesse em uma família de aristocratas sustentados por benefícios concedidos pela coroa, já nasceria com a vida ganha. O restante da população não tinha mais nenhuma chance na vida. Só no capitalismo um índio passou a ter alguma chance de ser médico, advogado.

    Então, o mercado, nesse exemplo, mostra claramente, que não tem resposta prá tudo e me parece que deve sim existir um estado mínimo, com uma constituição que garanta que o interesse público jamais deve colidir com a supremacia das trocas e voluntarismos individuais.

    Resumindo: você abomina o ser humano, acha que ele é alguma coisa horrível, que deve ser controlado por grupos de... seres humanos. Pare para pensar sobre isso de novo.

    De grão em grão a galinha enche o papo, mas continua galinha. Isso é mercado?

    Isso é realidade. Seu discurso bonitinho não tem o poder mágico de transformar uma galinha em um falcão.

    Vejo que a maioria não tem um plano que honre e dignifique essa empregada/o para tirá-la dessa condição, fazer a sua parte prá mudar a vida dessa casta de trabalhadores, fazendo-os progredir e subirem na escala profissional.

    Sabe, isso resume bem o problema com a mentalidade do brasileiro. Em outros países, há uma intensa valorização do esforço individual. No Brasil, há essa cultura da vitimização. É por isso que os coreanos estão aí, melhorando, enquanto os brasileiros ficam chorando e babando de raiva do mercado, querendo leis e regulamentos para tudo.

    Isso é mercado, mas não é amor. O mercado não tem resposta prá todas as situações, isso é fato!

    O mercado não "tem soluções para todas as situações" porque não há soluções para todas as situações. Qualquer um que afirme isso é um charlatão, um enganador desprezível.

    E a vida vale mais. O Amor sempre vence. O mercado não ama, mas nós podemos amar e parar de ser tão hipócritas.

    Há uma contradição aqui: como é que o amor sempre vence se os seres humanos são tão horríveis? Ou então há um grupo especial de seres humanos, com muito amor no coração? Não, obrigado. Não quero essas pessoas "de bom coração" mandando em mim. As maiores atrocidades na história da humanidade foram cometidas justamente por causa dessa noção de que um grupo de pessoas "de bom coração" pode decidir o que é melhor para "o bem comum".
  • Rodrigo Makarios  11/01/2013 21:01

    Socialista sentimentalóide detected.
  • anônimo  12/01/2013 12:07
    Um poeta! O amor resolve... o mesmo blablabla de sempre. O que você ama, sim, é o seu "direito" de vier à custa do trabalho alheio.

    [2]
  • Gustavo  12/01/2013 03:18
    Edgar, the Exploiter... =)
  • Gustavo BNG  12/01/2013 06:36
  • Luciano  12/01/2013 19:23
    Estava me perguntando uma coisa: será que haveria a possibilidade desses direitos trabalhistas serem viáveis em uma sociedade de livre mercado?

    Uma das coisas que mais me perguntam quando falo que apoio a EA é exatamente as baboseiras de sempre: "como os pobres irão ter saúde, poupança, direitos.." e por aí vai. Mas seria perfeitamente possível, ao meu ver, que esses direitos continuassem a existir em um livre mercado, não da forma compulsória e sem saída que é hoje, mas sim através do contrato entre trabalhador e empregado, acertado livremente entre ambos.

    Meu raciocínio está correto? Ainda haveriam empregadores que aceitariam livremente pagar essas coisas?

    Abraços à todos.
  • Ricardo S.  12/01/2013 20:34
    Porque não? Mesmo nos dias de hoje diversas empresas oferecem plano de saúde, ajuda para pagar mensalidade do colégio das crianças.
    .
    Próxima vez que ter perguntarem "como os pobres irão ter saúde, educação...etc", pergunte ao interlocutor o que ele tem feito para ajudar os pobres. A resposta vai ser: "ah, veja bem...humm...pago meus impostos".
  • Luciano  13/01/2013 23:57
    É exatamente essa resposta que obtenho, Ricardo. Infelizmente o brasileiro ainda vê o pagamento de impostos como sendo um "dever", e esquece que, sem os impostos, existiria caridade privada, que seria muitíssimo mais eficiente do que essa zona de hoje.
  • anônimo  16/01/2013 14:09
    Uma das primeiras lições que aprendi para me tornar independente. Aprenda a limpar o proprio lugar onde vive. É o que todo europeu sabe, eles tem hora marcada para ir a lavanderia (eles nao tem maquinas de lavar em casa), eles mesmos compram produtos de limpeza e limpam o banheiro. Por isso muitos europeus de grandes metropoles preferem viver num apartamento pequeno, mesmo tendo filhos.
  • Tiago RC  17/01/2013 08:53
    É o que todo europeu sabe, eles tem hora marcada para ir a lavanderia (eles nao tem maquinas de lavar em casa)

    Em que parte da Europa isso? Certeza que sua amostragem não é composta majoritariamente de estudantes universitários não?

    Praticamente todo mundo que conheço tem máquina de lavar. E mesmo as residências estudantis às vezes têm lavanderia no prédio.
  • jayme  16/01/2013 22:59
    A domestica que contratamos há cerca de 5 anos mora muito longe e optou por dormir no serviço, deixando um filho menor a cuidados de terceiros. Pagamos 2 salarios e sempre foi dado o reajuste do salario minimo. O cinto está agora nos apertando. Com estes possiveis novos encargos, já pensamos em reduzir os custos, demitindo e recontratando ela ou outra. No final o que deve acontecer, é o mercado se ajustar e não haverá ganho algum para os empregados domesticos. Pelo contrario pois o FGTS vai para o governo.
  • Edimes  24/01/2013 14:21
    Que celeuma pessoal! E olha que estamos apenas neste sítio.
    Argumentos não faltam para defender qualquer ponto de vista. Logo, suponho que seja idiotice de minha parte tentar convencer alguém a mudar de opinião. Todos já defendem a sua fórmula, o seu pensamento, por diversas razões que não me arrisco a entrar. Uns bem elaborados e eloquentes, como o autor, outros menos, outros menos ainda etc( a meu juizo, é claro) . De qualquer forma, também a meu juizo, é o melhor dos mundos. Trata-se de uma das infinitas possibilidades de manifestação da "ação humana". Logo, só posso comemorar. Viva a internet!

    Espero que esta "ferramenta" possibilite a nossa próxima e efetiva, democracia. A pureza aristotélica, sem representante que não representam nada, a não ser seu próprio interesse ( como diria o Bobbio).

    De alguma forma, formaremos o mais verdadeiro poder originário para , de novo, mudar a nossa certidão de nascimento.
    Daí, mais uma pureza, que parte de uma abstrata norma fundamental. Para não sair dos pensamentos austríacos.

    Talvez, sem o Estado ou com um Estado essencial, garantindo o que precisa ser garantido para a livre iniciativa: direito à vida, à liberdade, à propriedade e ao livre mercado. O resto fica por conta da praxis, do subjetivismo, da incerteza.

    Todavia, estamos numa seara social. ( economia, certo ou não,? Direito, sociologia etc)
    Nesse sentido, apenas para contribuir com o debate, insiro aqui mais alguns pontos para a devida reflexão.Vejamos.

    O direito não é ciência natural, ( pelo menos até hoje) É social. Portanto, se não há problemas para o homem ( gregário) viver em paz numa sociedade então não há necessidade do direito, pois perderia o seu objeto. E se não há direito, suponho não ser necessária a transferência de parte de nossa liberdade para a ficção, Estado soberano moderno. As "normas" serão, de fato, naturais à medida do mercado, baseando-se na praxis, na ação humana.

    In casu, a sugestão seria acabar com uma parte do Estado, possibilitando a natureza destas, mas, garantindo a positivação de outras.

    Logo, a tributação a ela vinculada deixaria de existir, assim como os termos empregador( aqui tratado como "patrão") e empregado além da péssima prestação de serviço estatal. Restaria uma relação coordenada de âmbito civil que , na minha opinião, seria o melhor dos mundos ( sem ironias). Num eventual conflito, árbitros seriam indicados para solucioná-los mantendo assim, a pacta sunt servanda, garantindo, de alguma forma, a paz social. (único objetivo do direito)

    Minha dúvida se prende ao "material" humano. O povo brasileiro.( ser decidirmos nos manter assim, é claro)
    Nesta possível democracia, com dezenas ou talvez, centenas de argumentos cientificos, cabais, estatísticos ou não, como formaremos a direta, para defender interesses muitas vezes antagônicos, ainda que absurdamente irracionais, como demonstra o nobre autor?

    Fica então esta minha dúvida. Como poderíamos resolver, efetivamente, este possível problema, para garantir a Paz social? ( aqui para não me delongar é possível extrair vários exemplos infelizes do passado, sobre a suposta Paz social)

    Numa expressão: Liberdade vs ou "e" democracia e paz social/ natural. Como?

    Abraços










  • anônimo  22/03/2013 05:55
    Sou a favor que as pessoas tenham dignidade com seus trabalhos; só que as pessoas inventam as leis e esquecem que pra se dar benefícios, não pode ser só de um lado, pq se der beneficio pra uma doméstica, tb tem que dar pro patrão ou empregador e deram algumas vantagens pra classe de domésticas e esqueceram de citar na lei que deveriam ter qualificação; pq só de ser domestica não dá o direito de não saber fazer com mestria o seu trabalho e de um tempo pra cá , as pessoas trabalhadoras domesticas ficaram ligadas nos meios de comunicação, onde fala-se a toda hora dos direitos de uma classe esquecendo-se que todo direito é aliado a um dever; isso gerou no país UMA FROTA DE EMPREGADAS "desqualificadas" pra exercerem a profissão. Outra coisa que ninguém observou ao criar essas leis , é o quanto uma doméstica sai em despesa mensal para seu empregador além do salário pago por mês que sai do bolso do empregador bruto e cai de forma líquida no bolso da domestica, pq não tem despesas com alimentação, água, luz, telefone e se morar no emprego tb não tem essas despesas nem em fins de semana, salvo quando saem pras folgas pra se divertirem. Ainda mais agora que ouvi falar que estão com projetos onde elas serão beneficiadas com duas horas de descanso pro almoço, rs almoço dado de graça pelo empregador e que em troca vai " receber" a obrigação de dar duas horas de descanso pra doméstica rs.. esse país é uma piada; querem imitar as leis e costumes dos eurpeus ,mas esquecem-se que lá fora é diferente, pq existe leis pros dois lados e funcinário desqualificado passa fome, pq não arranja emprego. Não podemos nos espelhar em países de primeiro mundo e esquecer que aqui as coisas não funcionam como deveriam.
  • anônimo  22/03/2013 10:28
    'Fica então esta minha dúvida. Como poderíamos resolver, efetivamente, este possível problema, para garantir a Paz social?'

    Fazer concessões pela paz é o mesmo que fazer pela democracia. É colaborar com a chantagem da maioria dos idiotas úteis, manipulados por qualquer um que prometa tudo caindo do céu.
  • Ali Baba  22/03/2013 11:09
    Exato e não poderia ser melhor dito.

    Paz social é um objetivo dúbio e assimétrico. Só atingimos a paz social no caso dos novos benefícios para os empregados domésticos por que um dos lados não briga mais. Para os patrões é mais simples demitir o empregado do que "brigar por melhores serviços".

    Concessões em nome da paz social levam tiranos ao poder em cada canto da história. Da mesma forma concessões em nome da democracia, em nome da defesa contra o terrorismo, etc. Temos de ter cuidado com o que defendemos. Se tem uma coisa que é verdadeira em economia de qualquer linha é que toda intervenção gera efeitos imprevistos... estou só esperando para ver o desemprego de empregados domésicos subir.
  • Kleber Rebouças  14/02/2013 11:47
    Excelente texto!

    Esclarece o que muitos não conseguem ver: efeitos adversos do excesso de intervenção estatal na nossa economia e na nossa vida.

    Parabéns!
  • André Luiz S. C. Ramos  01/03/2013 16:13
    O ex-conselheiro do CADE Carlos Ragazzo, atual superintendente da autarquia, opina sobre o aumento de direitos das empregadas imposto pelo governo:

    exame.abril.com.br/rede-de-blogs/direito-e-desenvolvimento/2013/03/01/o-fim-das-empregadas-domesticas/
  • Lu Moreira  22/03/2013 02:59
    Acredito que empregada aqui em casa seja uma exceção: ela gosta do serviço doméstico, faz bem feito e não se vê fazendo outra coisa. Nós enxergamos muito valor nisso, pois já fizemos por alguns anos o serviço de casa, é estressante. Para ela é muito natural.

    Considero um nível de confiança alto entre as partes, mesmo assim não abrimos mão de cumprir as exigências legais. Assinamos carteira desde 2007 no piso regional PR (hoje R$ 811,80), pagamos integralmente vale transporte em dinheiro (é um bônus, ela não usa pois mora próximo de casa), já pagávamos INSS integral e FGTS antes da lei ( e até hora-extra e adicional noturno quando ela fazia função de babá). Liberamos o sábado dela para fazer faxina na casa da minha mãe e das minhas irmãs e ainda ganhar mais por fora. Pode parecer exagero, mas é nosso modo de compensar um serviço de qualidade. Esse benefício espontâneo melhora a relação de trabalho (e pesssoal).

    Enfim, eu e meu marido preferimos nos desdobrar trabalhando mais para ter este "luxo". Nossa empregada é uma grande parceira, merecia muito mais que o governo levar os R$ 232,58 (INSS Integral + FGTS), pois ela sabe poupar e está aprendendo conosco a fazer investimentos. Sua competência e dedicação ditam o quanto ela pode ganhar. Se não pudéssemos pagar, decerto alguém poderia.

  • Rogerio  22/03/2013 16:07
    "Trabalhadores do mundo, uni-vos!"

    Com esta célebre frase do Manifesto Comunista (1848), Karl Marx e Friedrich Engels chamavam a atenção dos trabalhadores para a necessidade premente deles se organizarem a fim de lutarem por seus direitos contra a exploração de sua força de trabalho por uma burguesia cada vez mais ávida por acumular riqueza.


    Nos 164 anos que nos separam da publicação deste manifesto, tanta coisa já se passou: revoluções (sociais e tecnológicas), o comunismo, guerras mundiais, o nazismo, a guerra fria e, até mesmo, o "Fim da História". Tudo isso já aconteceu e, ainda assim, mesmo depois de todo este tempo com todas as mudanças que ele trouxe consigo, as ideias de Marx e o seu clamor por união entre os proletários de todo o mundo continuam ainda mais atuais hoje do que talvez jamais estiveram. Afinal de contas, os trabalhadores continuam sendo a base sobre a qual toda a riqueza do mundo é produzida e aumentada ano após ano tal como prevê as regras do capitalismo. Neste sentido, os proletários continuam tendo sua força de trabalho explorada e, pior de tudo, passaram a acreditar, como diria Paul Lafargue, na "Religião do Trabalho". Passaram a ter tanta fé nesta religião, que aceitam livremente ser explorados e, mais do que isso, como se estivessem movidos por uma estranha loucura, lutam pelo direito de trabalhar, chegando até mesmo a abrir mão de conquistas históricas para manter este estranho direito de servir voluntariamente aos interesses burgueses que os mantém cada vez mais pobres.

    Basta folhear qualquer jornal para colhermos exemplos frescos do que estou falando, ainda mais nesses tempos de profunda crise econômica na Europa e nos EUA. No caderno Mundo da Folha de S. Paulo de hoje, por exemplo, vemos a manchete "Credor exige corte de 15% de custos trabalhistas gregos". Já no caderno Mercado, de 27/03, via-se esta outra: "Sindicalistas discutem setor automotivo com governo". Nesta última, surpreende o fato de que os representantes de centrais sindicais e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC pretendem, dentre outras coisas, negociar com o governo medidas para aumentar o consumo de veículos automotores (???) e, também, um programa para "modernizar" o seguro-desemprego para que se transforme em um sistema de manutenção de emprego e renda.

    Além de manchetes como estas, também é comum acompanharmos, através dos jornais, a movimentação de políticos com propostas de reduções no valor da aposentadoria ou aumento no número de anos de contribuição, propostas de cortes de programas sociais ou, ainda, propostas de isenção de impostos para empresas privadas sob a ameaça destas saírem das cidades onde estão estabelecidas. Enfim, notícias que demonstram cada vez mais o aprofundamento da pobreza dos trabalhadores ao redor do mundo e o enraizamento da crença de que só o trabalho, mesmo que em condições cada vez piores, é capaz de retirá-los desta condição de miséria em que se encontram.

    Como explicar esse paradoxo de uma classe que reconhece ser explorada (e que esta é a razão de sua miséria), mas que, apesar disso, ainda exige e luta pelo direito de trabalhar? Nas palavras de Paul Lafargue: "Como explicar que os trabalhadores reivindiquem o trabalho como um direito? Como explicar que aquilo mesmo que os destrói lhes apareça como conquista revolucionária de um bem?"

    Texto completo em: umhistoriador.wordpress.com/2012/03/29/refleo-trabalho-de-maldicao-divina-a-uma-louca-paixao-parte-i/
  • Rogerio  22/03/2013 16:21
    Caro Joel,

    Conte-me mais sobre como sua crítica atroz a atuação do Estado pode ser compatível com seu pedido de bolsa a FAPESP. Coerência, a gente não vê por aqui!!!

    www.bv.fapesp.br/pt/pesquisador/83004/joel-pinheiro-da-fonseca/
  • Joel Pinheiro  27/03/2013 00:41
    Deu uma de malandrinho, hein, Rogério?

    Mas não há incoerência nenhuma. Eu seria incoerente se defendesse o sistema de financiamento estatal de bolsas. Não há incoerência em utilizá-lo, assim como não há incoerência em se utilizar ruas estatais, escolas e universidades estatais, o sistema de saúde estatal. Aliás, dado que o Estado já as está provendo, que a população faça bom uso. No caso de bolsas, que os melhores as consigam! E como passei no processo seletivo e meu projeto foi julgado melhor que os demais, consegui a bolsa (que já acabou, por sinal).

    Se você me vir defendendo a instituição do ensino estatal ou das bolsas estatais, ou da saúde estatal, ou das ruas estatais, daí talvez possa me acusar de incoerência (embora, estritamente falando, meus argumentos contra as leis trabalhistas contidas neste artigo não sejam incompatíveis com a defesa desses outros campos da ação estatal). Agora, se você me vir usando qualquer um destes, não. Já que o governo provê, que as pessoas façam bom uso! Mas seria melhor que ele não provesse.
  • anônimo  27/03/2013 01:30
    Mas ainda é estranho.'Eu sou contra você roubar dos outros pra me dar.Mas já que já roubou, passe pra cá'.
  • Joel Pinheiro  27/03/2013 11:21
    Bom, eu não adiro à tese de que o imposto - ou todo imposto - é moralmente equivalente a um roubo. Minha oposição se dá por outros motivos.
  • Juliano  27/03/2013 13:14
    "Mas ainda é estranho.'Eu sou contra você roubar dos outros pra me dar.Mas já que já roubou, passe pra cá'."

    E dá pra se afastar? Se deixa teu dinheiro em renda fixa, está recebendo o pagamento de juros vindo do governo. Então eu deveria deixar meu dinheiro parado perdendo valor? E estradas? Deveria me recusar a usar qualquer estrada pública? Se eu quisesse ser um policial (do tipo que vai atrás de bandido, não de pessoas pacíficas), teria que abandonar a idéia para não trabalhar para o Estado?

    A gente vive em uma sociedade que é totalmente controlada pelo governo... não dá pra ficar longe. O que a gente pode, como disse o Joel, é jogar na cara de todo mundo como o esquema funciona e como é imoral. Mas, infelizmente, não conseguimos ficar sem fazer parte do esquema.

    É como se fosse um preso que, mesmo querendo ser livre, precisa aceitar a comida e o teto que lhe oferecem.
  • daniel  26/08/2014 03:48
    O estado quebra as suas pernas e te dá um muleta no lugar. E se você reclama aparecem gênios como o Rogerio pra dizer que você é hipócrita... é dose...
  • Pablo Bassani  23/03/2013 17:01
    Alguém já calculou o tempo livre que temos? Somando as 44 horas de trabalho, as 8 de sono as 5 de esporte e lá me esqueço. Se seimplesmente não trabalhassemos tanto teríamos tempo de limpar a própria casa.

    Agora fica engraçado trabalhar por 1000 reais por mes e pagar quase a mesma coisa para uma empregada simplesmente por não ter tempo de varrer o chão.
  • jose roberto amorim  24/03/2013 21:48
    Valor do salario minimo.em poucas palavras.
    O salario minimo quando foi criado em 1945/47 era cobrir as mecessidades basicas com produtos basicos na epoca. então o que era basico em 1947? R= Sabão de pedra (soda) sal, gordura de porco, querozene, Um vidro de tiro seguro ( vermifugo) por ano e nada mais simplesmente porque não existia mais nada nem para nem para rico. Existia, algumas coisinhas masi mas eram para milionarios.
    E o trabalhador era capacitado dentro das tecnologias da epoca , exemp. Um predreiro ou carpinteiro sabia executar sua função corretamente.

    Acontece que o mundo nodernizou e foram criados produtos que se tornaram basicos de primeira necessidade tais como sabanete pasta dental telefone , esgoto ,luz eletrica, gaz de cozinha etc.
    Mas o trabalhador se por culpa dele ou do governo não sei explicar , mas é fato que ele não acompanhou a evolução com sua capacidade prosissional.
    O pedreiro de hoje não faz o que fazia um pedreiro de 1947.NâO Sabe fazer simplismente.
    Ele necessita de valor X mas não produz nem meio X<
  • anônimo  27/03/2013 12:19
    Pode ser que seja o pedreiro que vc conhece, pois e conheço vários excelentes se quiser até te passo o contato deles.
  • jose roberto amorim  27/03/2013 13:34
    Falei de modo geral e eu tambem conheço boms profissionais.
    Mas a grande maioria não sabem o fazer o serviço.
    mas fica a dica : A capacidade de uma pessoa depende do conhecimeto de quem o avalia.
  • Felipe  31/03/2013 22:57
    Concordo. A grande maioria não sabe fazer um bom serviço. E o governo ao querer registrar todo mundo, simplesmente destruirá a meritocracia no serviço informal e prejudicará quem ganha bem e faz um serviço bem feito e beneficiará a horda de incompetentes e preguiçosos que ganham pouco. Mas essa é uma decisão fácil de tomar, pois como você mesmo disse, são poucos os competentes e muitos os incompetentes.
  • Ali Baba  27/03/2013 20:00
    Essa imbecilidade acaba de passar no Senado e é questão de tempo para ser implementada.

    O mais engraçado que vi na TV hoje é que o suposto representante desses profissionais (alguém de uma ONG chamada Doméstica Legal) estava defendendo a nova legislação dizendo que esses profissionais tem de ser valorizados e cerca de 3 minutos depois apareceu diversas emnpregadas domésticas dizendo que vão perder o emprego (entrevistaram uma que de fato já perdeu).

    É complicado viver em um país com políticos populistas. Espero que pelo menos dessa vez o tiro saia pela culatra e que nenhuma empregada doméstica demitida como resultado da nova legislação vote nesses imbecis que adoram cagar leis de tras de suas mesas de mogno no centro do país. (Embora tenha a sensação que esperar isso da nossa democracia é demais).
  • andre  28/03/2013 18:14
    Se fosse a uns 130 atrás, debatendo sobre a abolição da escravidão no Brasil, poderíamos ouvir argumentos do tipo: "os negros serão discriminados", "os negros ficarão desempregados e serão obrigados a morar em favelas", ou ainda: "o que será de nossa economia?". A história nos mostrou que alguns desses "temores" chegaram a se confirmar, mas mesmo assim ninguém hoje duvida que a abolição da escravidão foi o caminho correto (aliás, a demora de sua assinatura 13-05-1888 é uma das grandes vergonhas da História de nosso país). O que temos hoje é uma categoria de trabalhadores que não têm os mesmos direitos que as demais, é um sub-trabalhador. Se temos críticas ao FGTS ou ao pagamento de horas extras, então que se retirem para todas categorias. Engraçado mesmo é esta pseudo-solidariedade da classe mais "esclarecida", que na verdade morre de medo de ter que lavar seu próprio banheiro.
  • Mauro  28/03/2013 19:02
    "Se temos críticas ao FGTS ou ao pagamento de horas extras, então que se retirem para todas categorias."

    Opa! Apoio incondicionalmente essa ideia. Onde assino? Você já fez a petição no Avaaz? Bota aqui o link.
  • anônimo  31/03/2013 10:58
    Esse avazz é um site esquerdista até a alma, não confiem nele.
  • JoaoB  31/03/2013 20:18
    Apoiio tb a ideia...pelo fim de qualquer direito trabalhista..e eu sempre fui empregado..come o apelo ao AVAAZ que eu assino
    Abs
  • Juliano  28/03/2013 19:55
    Quando o governo aboliu a escravidão, ele deu MAIS liberdade para as pessoas. Quando o governo aumenta os "direitos" das empregadas domésticas, ele dá MENOS liberdade. Ele tira a possibilidade da pessoa aceitar menos para fazer o trabalho, mesmo que ela precise. Aumenta a quantidade de situações onde uma pessoa precisa trabalhar mas não pode porque ninguém quer contratá-la por aquele preço.

    Isso só vai fazer com que MENOS pessoas queiram ter empregadas registradas, já que o goveno proíbe uma relação onde as duas partes concordariam. E, mesmo para as que passem a ser registradas, o seu salário será MENOR, já que o empregador será obrigado a gastar com um monte de coisas que a burocracia exige.
  • Renato Souza  31/03/2013 15:03
    Sem FGTS e com salário maior? Com certeza, acho que todos concordam. O dinheiro rende muito mais na mão das pessoas que na mão do governo.
  • nneves  31/03/2013 03:01
    Uma 'resposta' ad hominem ao vosso artigo:

    umhistoriador.wordpress.com/2013/03/22/a-hipocrisia-humana-de-cada-dia/
  • Leandro  31/03/2013 03:34
    Além dos inevitáveis ataques pessoas, a ignorância econômica é tanta que o sujeito cita a mais-valia como sendo o determinante da relação do patrão com a empregada doméstica.

    Ora, mesmo que a mais-valia existisse e fizesse sentido (não existe e tampouco faz sentido; ver aqui e aqui), seu conceito não seria de modo algum aplicável a uma empregada doméstica. E por um motivo muito simples: ao contrário de empregados de empresas privadas, uma empregada doméstica não gera lucros para seu patrão. Tampouco ela gera receitas.

    Para que o conceito de mais-valia seja válido, o patrão tem de se apropriar dos lucros gerados por seu empregado. Quais são os lucros gerados por uma doméstica?

    Observe o tiro no pé que o cidadão deu. Ao recorrer à mais-valia, o cidadão inadvertidamente está oferecendo um argumento contra essa legislação. Se for para recorrer à mais-valia, a simples definição deste conceito já refuta toda a ideia de ser "necessário" igualar uma doméstica a todos os outros trabalhadores do setor privado. São dois trabalhos de natureza distinta, pois o objetivo final de ambos é diferente. Um empregado de uma empresa privada, instituição que visa ao lucro, está ali justamente para gerar receitas para a empresa. Já uma doméstica está ali apenas para auxiliar em tarefas.

    Portanto, eis a situação: há duas classes de empregados, uma cuja função é gerar lucros e outra cuja função é apenas fazer serviços em uma residência (e, até onde eu sei, uma residência não é um empreendimento que visa ao lucro). Se o governo determinar que ambas as classes devem ter os mesmos custos trabalhistas, não é necessário ser nenhum gênio econômico para entender as consequências.

    Mantemos o desafio: aponte-nos um esquerdista que faça análises econômicas sensatas, com base na razão, e que não caia em afetações sentimentais e efusões lacrimosas. Fechamos o site na hora.
  • Juliano   31/03/2013 12:51
    Não custa lembrar que Marx chegou a ter duas empregadas domésticas domésticas servindo a família dele enquanto eles estiveram em Londres.
  • Um Filósofo  31/03/2013 13:29
    O "Um Historiador" é um bom baluarte das ciências sociais. Mas é um mau marxista.
    O estudo das ciências históricas atualmente não mais foca no conhecimento do controle científico dos meios de produção, mas no puro relativismo da realidade histórica em relação à classe. (Caso ocorra, por exemplo, um assassinato, não se investiga a arma do crime, o local e as câmeras de segurança; mas à que classe pertence a vítima, os suspeitos e a testemunha. Pois os fatos mudam de acordo com o grau social de quem os comunica)

    Perdoe-o, Leandro. Reconheço que utilizar de forma errônea um fator marxista é equivalente a um físico dizer que a terra é plana. Já é comprovada a existência e o funcionamento da mais-valia na estrutura de serviços.

    O que ocorre entre patrão e emprega é a pura exploração análoga ao período colonial que já adentrou o espírito de ambas as classes e criou uma relação de domínio irracional entre ambas. Ou seja, as domésticas atuais se enxergam como submissas, inferiores e incapazes de ascender socialmente. Por tal motivo, é essencial que o estado, brilhantemente, intervenha em tal relação em defesa das empregadas.

    Não negarei seu conhecimento econômico, Leandro. Haverá diminuição DE FATO no nível de empregadas, porém é para bem: O brilhantíssimo projeto de lei visa meramente acabar com a submissão cultural e humana da classe das domésticas à classe média burguesa.

    Acima de tudo, o mortal pensamento de submissão classista precisa ser combatido.
  • Felipe  31/03/2013 22:41
    Por quê perde seu precioso tempo tentando rebater essas acusações logicamente, Leandro? O esquerdista fanático é assim. Certo dia estava conversando com um colega socialista sobre o agigantamento do estado e do estrago que as "leis trabalhistas" causam, citando inclusive exemplos pessoais (meu pai foi marceneiro informal desde jovem e nos proporcionou um bom padrão de vida devido a sua competência na profissão, muitas vezes ganhando mais do que "profissionais qualificados" - obviamente, não antes de ter sido achincalhado pelo estado - aka Collor, tendo sua poupança confiscada e atrasando consideravelmente a construção de sua própria oficina). O sujeito começou a concordar comigo e até cheguei a pensar que ela estava raciocinando(claro, não antes de ficar horrizado quando disse que meu pai chegou a trabalhar até 9 da noite no sábado para poupar dinheiro para a oficina. Provavelmente é daqueles que acreditam que todos devem ganhar I-Phone grátis e coisas do gênero), mas então no outro dia, parecendo alguém que nunca havia tido aquela conversa, simplesmente balbuciava delírios socialistas novamente. Esse pessoal é assim, para eles, até trabalhar mais para ganhar mais dinheiro chega a ser "mesquinharia". Não tem conversa com esse tipo.
  • Marcio  31/03/2013 12:02
    No Brasil é assim: quanto menos você sabe sobre o assunto, mas você pode cagar regra sobre ele.

    OBS: Perdoem-me o uso da palavra feia.
  • Renato Souza  31/03/2013 15:25
    Não Márcio, ele é um humorista, e é genial.
  • nneves  15/04/2013 14:15
    Não querendo colocar 'mais lenha na fogueira', creio que há um pequeno detalhe, nessa história social-macabra que não fora até o momento, smj, citada:

    Vejam este artigo:

    "Bens da residência do empregador doméstico podem ser penhorados"

    os termos da Lei 8.009/90, não podem ser penhorados o imóvel onde a família reside e os móveis e utensílios que o guarnecem. São os assim chamados bens de família, protegidos pelo legislador com a intenção de resguardar a dignidade da família. Mas a própria lei abriu uma exceção: quando se tratar de créditos trabalhistas de empregados da residência, esses bens de família podem ser penhorados. Neste caso, não poderá ser invocada a regra da impenhorabilidade. A ressalva encontra-se prevista no artigo 3º, inciso I, da Lei 8.009/90. Baseando-se neste dispositivo, a 9ª Turma do TRT-MG negou provimento ao recurso de uma reclamada, que tentava convencer os julgadores de que os bens penhorados em sua residência eram de família e impenhoráveis."
    (...)

    fonte:bit.ly/116WwsO
  • Eduardo R., Rio  31/03/2013 17:14
    Empregadas desempregadas, por Ubiratan Iorio.
  • Anônima  31/03/2013 19:32
    Por que você não simplesmente coloca o mundo inteiro numa garrafa, legislativo?

    Não lhes falta justificativa. Afinal, as emendas saídas de vossas casas portam poderes filosofais. Pena que quando houverem mais pessoas trabalhando no lixo, os filósofos e pensadores estarão culpando o capitalismo e qualquer pessoa que vive honestamente pela tragédia.

    Minha mãe foi empregada por 20 anos. Ela era muito jovem quando começou e ganhava pouco pelo que fazia. E se ela não a ela não tivesse sido concedido o direito por tais de divinos a trabalhar por um salário baixo? Talvez hoje eu nem estivesse viva ou tivesse condições de escrever isto. Ela nunca completou o ensino médio, mas hoje tem uma pequena empresa de limpeza e é uma das pessoas mais conscientes que conheço.

    Ah, ela é contra o PEC. Não é por ela ser uma traidora de sua classe ou algo assim, mas é porque se isso fosse em seu tempo, pessoas como ela não teriam uma chance de ter suas próprias vidas tão cedo e teriam de trabalhar em postos ainda piores para sobreviver.

    Triste.
  • jose roberto amorim  31/03/2013 20:20
    Para o empregador continua na mesma ,para o governo aumenta a arrecadação e a empregada perde no salario.

    1) O empregador tem X para gastar com a empregada domestica e milhões de empregadas Ja ganham acima do Salario minimo. O empregador simplesmente vai descontratar e contratar outra com Salario mais baixo e recolher FGTS para o governo
    2)Perde as empregadas que teram seus Salarios rebaixados = mais engargos menos dinhero na mão do trabalhador.
    3) ganha o governo que tem mais caixa para se fazer de bozinho
  • anônimo  31/03/2013 21:18
    Eu não descontava os encargos que poderia por lei. Vou sentar para conversar com ela, pois passarei a descontar. Tenho que guardar dinheiro para pagar a multa de 40% do fgts. E pelo que pago de salário e encargos, mais o meio período de escola, posso colocá-la numa escola integral e economizar. Estou conversando com minha mulher sobre esta possibilidade.
  • Luck  05/04/2013 02:47
    AO autor: que tal contratarmos empregadas bolivianas, equatorianas ou paraguaias em troca de cama e comida? Assim ficamos livres de qualquer encargos com empregados domésticos e poderemos utilizar o que economizarmos em compras em Miami...sqn.

    Meu sábio avó já dizia: "se você acha algo muito caro é porque com certeza você não pode pagar por ele."
  • Thales  05/04/2013 10:48
    Exato, Luck. Várias pessoas não poderão pagar por isso. Consequentemente, várias empregadas serão demitidas. O que você acha que é melhor para elas: manter o emprego sob as condições atuais ou não ter emprego nenhum e viver de bolsa-família?

    Que gênio humanista você é!
  • anônimo  05/04/2013 11:08
    Mas é claro que é melhor viver de bolsa esmola. Quem não quer ganhar dinheiro sem fazer nada?
  • Leonardo Faccioni  05/04/2013 12:27
    Nada temeis, ó reles mortais! Papai Estado sabe o que é melhor para todos nós! Vinde e vede todos: economia.ig.com.br/2013-04-02/a-domestica-que-faz-cafe-almoco-jantar-e-cuida-de-alguem-deve-acabar.html

    Fascinante, não? Há quem esteja a tratar a nova legislação como "lei áurea do século XXI", comparando o serviço doméstico à escravidão. Ora, pois, pois. Como se vê, o Grande Senhor de Engenho brasiliense não admite concorrência. Seus capitães do mato estão eufóricos por assegurar o monopólio da servidão a um e um só mestre, do qual tudo e todos hão de depender.
  • Roberval  05/04/2013 13:49
    Calma que o estado nem começou ainda,esperem para ver eles começarem a perceber que a oferta de diaristas aumentou por causa dessa suposta lei das empregadas domesticas,eles logo logo darão um jeito de exigir que a diarista de 1x ao mes seja registrada pelo patrão.
    Ai não contente,e com o intuito de empregar mais funças vagabundussss,irão exigir que o cara faça concurso publico para começar a trabalhar de auxiliar do auxiliar do auxiliar de serviços gerais.
  • Renata  10/04/2013 15:15
    Sem hipocrisia, gente! Com certeza ser diarista ganhando 100 por dia é muuuuuito mais negócio do que ganhar 800 reais (quem sobrevive com essa miséria???) com carteira assinada. É mais que o dobro!! Eu acho ótimo estarmos seguindo os passos de países europeus. Europa não é feita só pra se fazer compras e comer! Vamos aprender alguma coisa com a cultura destes países que a gente frequenta.
  • Anônimo  10/04/2013 15:36
    Se fosse mais negócio, não haveriam empregadas e apenas diaristas. Dizer o contrário é partir de uma premissa falsa que você irá gastar 9 horas do seu dia inteiro para trabalhar em algo que ofereça menos satisfação pessoal.

    É cada um que aparece. Sou um pobre vendedor de produtos químicos e gasto 10 horas por dia preocupado com isso. É a melhor opção viável atualmente para mim e não precisarei que o estado me proíba de realizar minha atual profissão para que eu busque algo que prefira, farei isso por contra própria, não sou masoquista e conheço minhas prioridades(Tempo livre, conforto no trabalho, salário, etc) melhor que qualquer burocrata em Brasília.

    Não entendi o motivo do uso do termo "hipócrita".

    Estou muito preocupado com as domésticas por minha mãe ter se sustentado assim em sua juventude e, perdoe-me, detestei seu comentário.
  • Juliano  10/04/2013 16:10
    Se é ou não melhor negócio ser diarista, que a decisão fique à cargo da emprega. Se ela prefere trabalhar ganhando menos em troca da estabilidade, quem somos nós para proibí-la?

    Sobre seguir os passos de alguns países europeus, adoraria que seguíssemos o lado da liberdade econômica de alguns deles, não o lado populista e irresponsável de outros tantos que conseguiu gerar recorde de desemprego e um caos econômico.
  • Renata  10/04/2013 18:38
    Mas o estado está proibindo alguma coisa? Pelo que li, está apenas estendendo à profissão "empregada doméstica" os mesmos direitos que os empregados de outros setores já têm... Ou estou enganada? Ser doméstica é menos digno e por isso não merece esses direitos, é essa a filosofia? Quanto à crise nos países europeus, a diarista portuguesa que trabalhava na casa onde morei na França conseguia dar uma condição decente para os filhos. Isso é populismo?
  • Neto  10/04/2013 19:39
    'Mas o estado está proibindo alguma coisa? '
    Está sim, está proibindo que se contrate uma empregada pagando e tendo as mesmas condições de antes

    'está apenas estendendo à profissão "empregada doméstica" os mesmos direitos que os empregados de outros setores já têm'
    Essa é uma forma de falar a mesma coisa, com outras palavras.

    Ser doméstica é menos digno e por isso não merece esses direitos, é essa a filosofia?
    Aí você misturou tudo, não tem nada a ver com dignidade nenhuma.Então se profissão X é 'digna' vamos criar mil e uma dificuldades pras pessoas que fazem aquilo conseguirem emprego?

    Quanto à crise nos países europeus, a diarista portuguesa que trabalhava na casa onde morei na França conseguia dar uma condição decente para os filhos. Isso é populismo?
    Do mesmo jeito que as empregadas da casa do Eike Batista provavelmente não vão perder o emprego, e daí? Esse nunca foi o ponto do artigo, mesmo com uma demissão em massa algumas ainda vão manter o emprego, ninguém questionou isso nem isso serve pra concluir que no geral, essa lei aí acaba sim criando demissão em massa e prejudicando elas no fim.
    Basta entender a diferença entre uma média e um caso particular...
  • Juliano  10/04/2013 19:44
    "Mas o estado está proibindo alguma coisa? Pelo que li, está apenas estendendo à profissão "empregada doméstica" os mesmos direitos que os empregados de outros setores já têm... "

    Sim. O governo está proibindo que uma pessoa trabalhe por menos, mesmo que ela queira.

    Se a emprega achar melhor trabalhar em uma casa fixa, mesmo que não receba FGTS, ela não tem esse direito. Ela perdeu essa possibilidade.

    Algumas empregadas vão ter um aumento na sua renda, que é a situações onde seus empregadores podem suportar o aumento de custos. Mas para as outras, justamente as menos qualificadas, a opção de emprego fixo deixará de existir. Elas serão obrigadas a procurar emprego como diaristas.


    Ser doméstica é menos digno e por isso não merece esses direitos, é essa a filosofia?
    Ser doméstica não é menos digno que ninguém. O aumento nos custos gerados por essas regras governamentais interefere em todas as profissões. Da mesma forma que quando o tomate custa muito caro, menos tomates são vendidos, quando empregar fica muito caro, menos empregos são gerados.


    a diarista portuguesa que trabalhava na casa onde morei na França conseguia dar uma condição decente para os filhos. Isso é populismo?

    O desemprego entre jovens na França é de quase 25%. Você não acha curioso que um país onde um em cada quatro jovens não tem trabalho ser o mesmo lugar onde é tão caro contratar um empregado?

    Novamente, quando o governo encaresse uma área, as pessoas que continuarem com seus empregos vão sim ganhar mais. Isso é bom pra elas. O problema é que muitas pessoas não mais vão conseguir um emprego, mesmo que elas queiram ganhar menos. Pessoas com menos instrução e com menos qualificação não ganham menos porque querem, ganham porque precisam, porque é com esse "desconto" que elas conseguem um emprego. Quando o governo força todo mundo a pagar mais caro, os mais vulneráveis perdem seu lugar.

    Como analogia, se o governo passar amanhã uma lei que obriga todos os restaurantes a cobrarem acima R$ 50,00 na refeição, isso vai fechar todos os restaurantes menores. As pessoas simplesmente irão aos melhores, que justificam o preço, ou passarão a fazer a própria comida. O preço menor é o atrativo que atrai público para os menores, por mais que eles também quisessem cobrar mais.

    Adoraria que ninguém mais fosse empregada doméstica se essas pessoas tivessem opções bem melhores de trabalho, mas não é o caso. A opção para as demitidas será o trabalho de diarista ou mudar para outra função. Elas perderam a opção de ganhar um pouco menos para ter mais estabilidade.
  • Renato Souza  11/04/2013 10:41
    Renata

    Quem paga R$800,00 por mês, geralmente possivelmente contratará diaristas para 4 a 8 vezes por mês, e vai se virar para fazer o restante do serviço. Logo, haverá demanda por menos horas trabalhadas em serviços domésticos. Logo, ou o valor das diárias diminuirá (pela maior oferta de diaristas) aumentando a disposição dos empregadores de contratarem mais dias, ou a maior parte das atuais empregadas de carteira assinada não conseguirá serviço na área.

    Agora pense: Uma mulher sem muito estudo, que tem trabalhado durante décadas como empregada doméstica, conseguirá emprego em que área?

    Esta é a forma errada de tentar "melhorar" o mercado de trabalho. A forma certa é o governo não atrapalhar a produção de riquezes, o que tornará a sociedade mais rica, e portanto os trabalhadores melhor remunerados.
  • thays  10/04/2013 16:35
    Pergunta-se: explicite os argumentos do autor. Que fatos podem sustentar a análise realizada por ele. O grupo concorda com o autor do texto? Explicite os argumentos contrários e os favoráveis a regulação no mercado de trabalho doméstico, em particular, e no mercado de trabalho em geral.
  • anônimo  10/04/2013 20:00
    Sim, o grupo concorda com o autor do texto.
  • Leonardo Faccioni  12/04/2013 12:36
    Caros, alguém aí estaria dotado de tempo e disposição para uma ação benemérita em nome da educação econômica mínima dos agentes jurídicos do país? Em uma das principais páginas dedicadas ao direito brasileiro, um dos igualmente principais doutrinadores nacionais publicou um artigo sobre a emenda constitucional aqui debatida que valeria por um tratado em estupidez fetichista, mas eu confesso que simplesmente não estou com humor, hoje, para a empreitada inglória de responder ao maremoto de egressos do ensino estatizante do direito nos comentários.

    Se alguém encarar a batalha, talvez haja lá alguma mente em busca de racionalidade que compense a tarefa: www.conjur.com.br/2013-abr-11/senso-incomum-pec-domesticas-saudade-bons-tempos
  • Eduardo  12/04/2013 13:48
    Leonardo, faltam-me palavras para descrever o nojo de ler esse artigo...alguns comentários são ainda piores.

    Transcrevo abaixo comentário que mais me espantou. O cara reconhece que a medida é ruim e tudo mais. Porém, a seguir diz que, em nome de princípios escritos em algum papel, o direiro deve desconsiderar a realidade!! Ainda afirma, baseado naquela palhaçada de "direitos fundamentais não podem ser alterados", que seria inconstitucional qualquer diminuição dos mesmos.


    Prezado Observador, sigo neste salutar dabate.
    Vou insistir nesta questão: o mercado tem uma lógica, que é formal, matemática, aparente. Nessa lógica, se o empregado doméstico adquire mais direitos, o seu empregador passa a ter mais dificuldades financeiras para continuar respeitando os direitos desse empregado, e daí vem (ou viria) a informalidade e o desemprego. Muito bem, raciocínio formalmente correto.

    Mas, se o Direito seguisse essa lógica seria a ruína da ordem jurídica. Imagine o seguinte exemplo: hoje o problema essencial das pequenas empresas são os altos encargos trabalhistas. Vamos supor então que uma alteração na Constituição retirasse dos empregados das pequenas empresas alguns dos direitos previstos no art. 7º da CF (seria inconstitucional, claro, mas sigamos no exemplo). Ora, isso não seria uma verdadeira "maravilha" para o mercado de emprego? Imagine quantos postos de trabalho seriam criados?

    Porém, para o Direito, felizmente, esses direitos do trabalhador não são negociáveis, justamente porque esses direitos são fundamentais (é impossível não voltar a este ponto), esses direitos não podem ser sonegados ao trabalhador, sob qualquer pretexto, muito menos sob o pretexto de isso seria bom pra ele, de que haveria mais empregos.

    Pois bem, aqui devemos então lembrar que esses direitos que agora estão sendo reconhecidos aos empregados domésticos já deveriam ter sido previstos desde a promulgação da Constituição, em 1988. A exclusão dos empregados domésticos feita no antigo texto do parágrafo único do art. 7º era incoerente com os próprios fundamentos da Constituição, pois aquele texto significava a discriminação dessa categoria. A PEC representa uma devolução desses direitos que lhes foram sonegados pelo constituinte originário.
  • Juliano  12/04/2013 14:01
    A esquerda precisa desses argumentos emotivos justamente porque sua lógica não resiste aos números. Eles precisam passar uma imagem de bondade, de generosidade, para evitar o debate. Qualquer argumento que você coloque já será ignorado pela plateia, que verá no esquerdista a imagem do pensador preocupado com o bem comum e em vc um egoísta que só pensa em números.

    A lógica da esquerda é evitar o debate, é reivindicar para si o monopólio da bondade. Qualquer esforço no sentido de contra argumentar é completamente inútil. O jogo já começa na escolha das palavras: o esquerdista não defende mais custos, ele defende direitos aos trabalhadores. Qualquer ataque que vc fizer às suas ideias estará, inevitavelmente, indo contra os "direitos" do trabalhador. É um debate perdido já na escolha dos termos.
  • nneves  15/04/2013 13:54
    Perfeito, Juliano!
  • Leonardo Faccioni  12/04/2013 14:55
    Com efeito, nojo é a reação mais precisa. Eu me pronunciei aqui em favor de uma educação econômica mínima, mas, conforme os comentários lá vão se avolumando, percebo que a empreitada é maior. O que se ignora não é meramente a ciência econômica, mas a realidade enquanto valor.

    Permito-me um desabafo. Quando constato quão disseminada e impregnada é essa ignorância proposital, determinada e arrogante em certos meios, sinto certo ímpeto de jogar minha biblioteca para o alto, sentar em meditação e assistir passivamente à destruição da civilização pela farra dos bárbaros intra muros. As argumentações que eles levantam são de um barbarismo tal que desafia nossa vã filosofia.
  • Roberval  15/04/2013 17:01
    Eduardo.

    Sabe porque uma lei dessas nasceu e a tendencia é piorar?
    Simples,culpa do povo brasileiro,em especial a classe mais baixa.
    Uma boa parte das empregadas domesticas e diaristas aplaudiram a lei e a ministra,elas mesmo acreditam que o estado tem que regular a economia,e assim nasce mais uma lei para prejudicar elas mesmo e sua categoria.
    Elas não se dão conta que,se continuasse como esta,a categoria delas poderia aumentar o salario naturalmente,o que ja estava acontecendo por causa da escasses da mão de obra,para você ter uma ideia da situação,uma boa parte das empregadas e diaristas sustentam a sua familia e muitas inclusive paga cursos para seus filhos.Com isso,naturalmente,sem o dedo podre estatal,os proprios filhos delas conseguem trabalhar em empregos mais qualificados e com isso,naturalmente diminui a oferta de empregadas domestica,naturalmente aumentando seu preço e sua qualidade de vida. Porem como agora o estado esta interferindo diretamente nessa area,o que acontecera?
    O salario medio de uma empregada ira estabilizar e diminuir,e consequente a qualidade do serviço ira cair demais,afinal de contas,para que ser a melhor empregada se a outra que é ruim ira ganhar igual a mim? Para a empregada ruim,a lei é maravilhosa,pois ela não precisa de merito para cobrar mais ou menos,para a boa empregada a lei é péssima.
    E para ajudar nessa toada toda,o povo do Brasil ama um orgão publico e uma grande maioria alem de acreditar que o estado tem que ser incentivado e aumentado,são fanaticos por concurso publico;hoje,a maioria sonha em trabalhar para algum orgão estatal para ganhar muito bem sem trabalhar muito,o que mais vemos é gente idolatrando e acreditando ser o cara por trabalhar em alguma estatal por ai.
    Por isso digo.
    Nosso pais não tem jeito,o povo quer mais e mais governo,mais e mais estado.
    Um dia,para o cara ser catador de papel na rua,arrumar um emprego de auxiliar do auxiliar de serviços gerais ou até para ser empregada,o sujeito tera que ir ao estado fazer concurso publico e sera o estado atraves de suas regulamentações que ira definir se o cara pode ou não trabalhar e o que ele ira fazer..
  • Joaob  14/04/2013 20:25
    Caros defensores dos "direitos" dos trablhadores....vamos ser logicos...o que sao esses direittos? Quem disse? Alguma divindade? Eatva nas tabuas da lei obtidas por Moises? Vamos deixar de lado a religiao, apesar do respeito que tenho por todas elas, mas se os direitos estiverem amparados por razoes religiosas, que cada um siga suas conviccoes e tanto no tema dos direitps do trabalhadores quanto no tema do aborto, que siga suas conviccoes, mas nao tente impor aos outrso que nao tem a mesma crença...

    O que um direito do ser humano? Eu gosto do preambulo da cosntiuicao jeffersoniana americana.....temos o direito a vida, a liberdade e a procura da felicidade..onde acabam os direitos?? Sera que eu temho o direito de tomar Romanee Conti e andar de Ferrari? Onde comecam esses direitos? Onde terminam?
    Eu acredito que meu direito termina onde comeca o seu e que vc, mimha empregada, vai combinar livremente comigo qto vc vai ganhar e fazendo o que
    Vale o mesmo para todos ..se vc nao gosta do seu emprego saia dele e procure outro, como eu sempre fiz...e nunca fui patrao

    Questao dificil e como toda questao dificil deve ser respondida livremnete pelo cidadao sem inteferencia do Estado

    Ja parei de fumar..mas penso que o estado, se tiver dinheiro para isso, pode fazer uma publicidade sobre os males do tabagsimo mas o Estado nao pode me obrigar a parar de fumar por coersao..se eu quero estragar meu pulmao e meu problema
  • Leonardo Faccioni  15/04/2013 13:34
    Joaob, não pretendo dar início a um debate que se afaste do tema do artigo, mas creio que uma breve passagem de seu comentário enfraqueceu sua argumentação. Não fosse por isso, você trilhava um excelente caminho.

    Não se pode reduzir temas como o aborto a um simples mandamento de consciência. Isso porque, se a vida intrauterina for vida humana - o que é matéria para a ciência e, em última instância, para a filosofia enquanto metaciência; não meramente para a moral - o aborto é um homicídio.

    Face a um homicídio ("matar outrem" - outrem, outro indivíduo, uma outra e indefesa persona), não é lícito ao agente levantar uma "objeção de consciência" contra a realidade do outro. Não pode o homicida descaracterizar sua conduta vinculando-se a uma pretensa escola filosófica que negasse a existência da consciência alheia, afirmando a si próprio, ou a uma elite dos "seus", como a única consciência valida ou o único parâmetro do real.

    Se o outro existe ou não e se minha conduta atinge seus direitos fundamentais (aqui entendidos como os reconhecidos pelo jusnaturalismo clássico) não é matéria de crença ou de normativa moral, mas de descrição e constatação fática. Eu não posso, pois, entabular como norma social um "deixai matar" conforme a convicção individual, posto que a convicção individual alheia pode ser pelo dever de matar a quem tem o direito inalienável de viver (o que fatalmente inclui a mim mesmo).

    Já a contratação de trabalho é, esta sim, um acordo bilateral que, no mais das vezes, estende seus efeitos exclusivamente sobre os contratantes.
  • Ali Baba  05/11/2013 09:59
    Olá,

    Até o IBGE, uma agência notoriamente pró-governo, demonstrou em sua Pesquisa Mensal de Emprego o que todos já sabiam:

    Novembro 03, 2013 - De acordo com Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada pelo IBGE, houve redução de 164 mil postos de trabalho em um ano. A ampliação dos direitos trabalhistas de empregados domésticos, desde a promulgação da emenda à Constituição que concedeu à categoria garantias iguais aos demais trabalhadores, reforça a tendência de fechamento de postos no setor, na avaliação de especialistas.

    Se desapareceram 164 mil postos de trabalho pela avaliação do IBGE, pode multiplicar isso por 2 ou 3 para saber o quanto desapareceu de verdade.

    Triste mesmo é saber que esses 164 mil trabalhadores vão votar no status quo. Em sua mentalidade fortemente determinada pela ideologia corrente, foram os "mesquinhos empregadores" que fecharam esses postos... democracia é triste.
  • Pobre Paulista  05/11/2013 10:40
    "Eu já sabia" é tipo um mantra por aqui.
  • tania  12/03/2015 01:45
    Este homem escreve muito bem e seu texto nos leva a reflexão de assuntos como o FGTS porem ele esta omitindo varios outros beneficios a que agora os empregados domesticos estao assegurados como adicional noturno, normas de saúde, higiene e segurança do trabalho e seguro de acidentes do trabalho uma conquista para estes que antes estavam a merce dos possiveis riscos que o trabalho domestico poderia lhes incorrer. para depois esperar a nossa lenta justiça fazer com os responsaveis os ressarcissem e pior a um preço que talvez nunca pudesse ser pago com um acidente que lhes causasse invalidez
  • João Paulo  02/08/2017 11:29
    O benefício que a minha empregada ganhou foi o olho da rua.
  • Igor Soares  08/05/2015 16:10
    A minha já voltou a ser diarista. Vai ganhar mais e não paga nada para o governo. Tenha 3 diaristas diferentes se preciso e seja feliz.
  • Vagner  02/10/2015 19:19
    jus.com.br/artigos/30856/uma-garantia-chamada-ilusao
  • Susana  20/01/2016 21:06
    Onde o governo põe a mão ele estraga... isso é inevitável. Mas nesse caso das domesticas, é possível que o estrago que o governo fez para a classe das domesticas, que saiu prejudicada, gere um retorno positivo para a classe média.
    Tenho visto muitas amigas que nunca tinham usado uma vassoura e nem sabiam pra que servia colher de pau, finalmente começarem a cuidar das suas vidas particulares.
    Estão educando melhor seus filhos e filhas, que chegarão à idade adulta sabendo se cuidar e não sendo dependentes de empregadas.
    Crescer num ambiente que você nunca sabe o que é ter privacidade não é saudável. Ter sempre aquela pessoa que não é da família ali, não é uma coisa natural. Se tornar adulto e não ser responsável pela própria comida, pela própria roupa, pelo próprio espaço, é estender a infância por um período inaceitável.
    Se você nunca teve uma casa livre de empregada, experimente por seis meses. Sabe aquele objeto que você colocou ali na mesa há uma semana? Ainda está lá. Não quebrou, não foi trocado de lugar. Sabe aquele eletrodoméstico fantástico que você adoraria comprar mas não compra porque com certeza a empregada não ia saber usar? Pode comprar à vontade. Sabe quanto tempo leva para limpar e arrumar uma casa de 160 m2? Quase nada. 20 minutos aqui, 15 acolá... porque você vai fazendo aos poucos e aquilo que é feito é bem feito de primeira. Sabe quanto tempo duram suas roupas se você mesma cuidar? Décadas. Sabe quanto você economiza em produtos de limpeza? Pelo menos uns três salários mínimos por ano.
    Eu sei que hoje em dia uma mulher que trabalha fora admitir que adora fazer serviço doméstico e cozinhar é politicamente incorreto, mas eu garanto que a maioria, se tentasse ia adorar.
    Eu adoro e não tenho a menor vergonha de dizer. Já tentei ter empregada, mas não sei como é que as pessoas suportam. Entre amigos sempre tinha gozação que eu era a única entre elas que não tinha empregada... porque gostava de ser amélia. Agora tenho várias amigas que tiveram que ficar sem empregadas. Pelo menos duas delas já me confessaram que estão bem mais felizes. A casa e os objetos pessoais estão bem mais bem cuidados e elas estão adorando a privacidade. As outras ainda estão na fase da negação ou da barganha. Tentando se resolver com diaristas. Essa mudança nas leis foi horrível pras empregadas que ganharam direitos e perderam empregos, mas pras donas de casa foi um ganho enorme... elas ganharam de volta a sua casa.
  • Bison  13/05/2018 17:06
    Comprovando que a liberdade não é um desejo das "elites" brasileiras, temos também o caso das empregadas domésticas. Por décadas, a profissão foi mal remunerada por conta dos problemas econômicos do Brasil: em uma economia bagunçada, na qual não havia alternativas de trabalho à maior parte das mulheres pobres, a única saída a essas pessoas era oferecer seus serviços como empregada doméstica.

    Com uma maior estabilidade econômica construída nos últimos 20 anos — até o desmantelamento promovido pelo governo Dilma —, novas opções de emprego surgiram naturalmente e absorveram boa parte desta mão-de-obra, diminuindo a oferta de empregadas domésticas. E, consequentemente, aumentando os salários das remanescentes no ramo.

    Assim como arquitetos, designers e artistas, cada empregada doméstica moldou sua profissão em função do mercado, ciente dos momentos de escassez e de fartura de trabalho. De empregadas domésticas passaram a ser diaristas. Com maior liberdade para negociar seus valores, para escolher seus clientes e para ditar suas condições de trabalho, passaram a cobrar mais caro. As melhores tornaram-se profissionais disputadas. Muitas melhoraram o padrão de vida de suas famílias sem qualquer estabilidade empregatícia.

    Já o extermínio do que restou das empregadas domésticas foi sacramentado pelo governo: cheio de "boas intenções" e "sabedoria", os políticos impuseram um código de normas a serem seguidas. O resultado foi uma grande queda na procura por empregadas domésticas (segundo o próprio IBGE), já que seus clientes temem serem enquadrados na lei que transforma a negociação voluntária em crime. Com isso, fechou-se uma porta que antes estava aberta para os mais inexperientes e menos qualificados. Uma liberdade que antes existia e que permitia a sobrevivência das mulheres menos estudadas foi extinta.
    www.jornalcruzeiro.com.br/materia/513237/garantias-a-empregados-domesticos-fecham-164-mil-postos-de-trabalho

    Por outro lado, ocorreu uma explosão no número das diaristas, cuja relação de trabalho é bem mais livre. E cujo mercado é dominado quase que exclusivamente por ex-domésticas experientes, que só chegaram a este nível de experiência exatamente porque tiveram a liberdade de poder trabalhar como domésticas.
    oglobo.globo.com/economia/domesticas-em-dez-anos-numero-de-diaristas-aumenta-enquanto-de-mensalistas-encolhe-9034073
  • João  09/06/2019 18:17
    Lembrei do capítulo "Todo mundo Odeia Salário Mínimo" do seridado do SBT, "Todo ·Mundo Odeia o Chris"

    Doc se recusa a dar um aumento de salário para Chris, que sai à procura de um novo emprego no restaurante chinês da vizinhança. Quando recebe o seu salário, Chris tem a surpresa: O valor é menor do que o seu salário antigo e o seu novo chefe diz: "Taxas" ao voltar para o antigo emprego, Doc fala que se fosse pagar a ele um salário conforme a lei pede ele teria de pagar tantos impostos que teria que fechar o mercado.


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