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Mises e Hayek sobre o socialismo, os graves erros de Keynes e o problema com as universidades

Trecho de uma entrevista informal concedida ao Instituto Juan de Mariana

 

IJM: A respeito do debate sobre o cálculo econômico no socialismo, houve uma divisão entre algumas correntes austríacas. 

O argumento original de Mises é o de que a ausência de propriedade privada sobre os meios de produção impossibilita a existência de trocas de mercado.  Sem as trocas de mercado, não há formação de preços.  E sem preços, é impossível haver qualquer cálculo econômico racional.

Já Hayek se concentrou no argumento da dispersão de informação.  Segundo ele, é impossível um comitê central apreender e utilizar corretamente toda a informação que está dispersa pela economia.  Consequentemente, é impossível esse comitê central gerenciar a economia e fazê-la produzir de forma otimizada.  Hans-Hermann Hoppe criticou abertamente essa lógica hayekiana.  Qual a sua postura em relação a esse debate?

de Soto: Você explicou bem.  Eu sempre quis fazer uma síntese entre esses dois raciocínios porque ambos são corretos.  Logo, um debate entre eles não é necessário.  O ponto de vista de Mises (e de Rothbard e Hoppe) e o de Hayek são complementares. 

Mises entendeu perfeitamente bem que, se não houver propriedade privada sobre os fatores de produção e um livre mercado no qual eles possam ser comercializados, será impossível determinar preços de mercado para esses fatores.  Consequentemente, o cálculo econômico, que é o que possibilita a produção e toda a racionalidade da economia, deixa de existir.

Porém, o próprio Mises também deixou claro que essa ausência de preços impossibilitaria aquilo que ele chamou de "divisão intelectual do trabalho".  Os preços estabelecidos pelo mercado permitem que os empreendedores descubram novas informações sobre o atual estado do mercado e utilizem esses conhecimentos recém-adquiridos para aproveitar novas oportunidades de lucro.  É essa busca pelo lucro que os leva a atuar de forma empreendedora, comprando fatores de produção a preços baixos, utilizando-os para transformar matéria-prima em bens de consumo, e vendendo o produto final a preços mais altos.  Como o próprio Mises disse:

O que possibilita o surgimento do lucro é a ação empreendedorial em um ambiente de incerteza.  Um empreendedor, por natureza, tem de estar sempre estimando quais serão os preços futuros dos bens e serviços por ele produzidos.  Ao estimar os preços futuros, ele irá analisar os preços atuais dos fatores de produção necessários para produzir estes bens e serviços futuros.  Caso ele avalie que os preços dos fatores de produção estão baixos em relação aos possíveis preços futuros de seus bens e serviços produzidos, ele irá adquirir estes fatores de produção.  Caso sua estimação se revele correta, ele auferirá lucros.

Portanto, o que permite o surgimento do lucro é o fato de que aquele empreendedor que estima quais serão os preços futuros de alguns bens e serviços de maneira mais acurada que seus concorrentes irá comprar fatores de produção a preços que, do ponto de vista do estado futuro do mercado, estão hoje muito baixos.  Consequentemente, os custos totais de produção — incluindo os juros pagos sobre o capital investido — serão menores que a receita total que o empreendedor irá receber pelo seu produto final.  Esta diferença é o lucro empreendedorial.

Portanto, segundo Mises, é a existência de preços de mercado o que permite a divisão intelectual do trabalho, a apreensão de informações e todo o subsequente processo racional de produção.  Sem preços de mercado não há cálculo econômico porque a criação e a transmissão de conhecimento empreendedorial necessário para coordenar a sociedade ficam bloqueadas.  Esse argumento de Mises complementa o de Hayek.

Hayek se concentrou no segundo argumento, o da dispersão de informação, muito provavelmente porque queria se defender dos ataques de Oskar Lange e dos neoclássicos, que diziam que, se o cálculo econômico era impossível em termos estritamente computacionais por causa da ausência de preços, então bastava que os planejadores centrais criassem equações matemáticas que simulassem corretamente as condições vigentes de mercado, o que possibilitaria determinar oferta, demanda e preços, fazendo com que todo o processo produtivo magicamente se tornasse racional.

Portanto, a posição de Mises e a de Hayek são complementares.  Mises, ao se concentrar na inexistência de preços de mercado, deixou claro que a consequência do socialismo é o bloqueio da divisão intelectual do trabalho, que é justamente o argumento de Hayek.

IJM: De maneira resumida, quais são os erros da teoria keynesiana ao analisar os ciclos econômicos?

de Soto: O principal erro da teoria keynesiana advém do fato de que Keynes não possuía nenhuma teoria sobre a estrutura do capital da economia, que são todos os estágios da cadeia de produção de uma economia, todas as etapas sucessivas para a produção de um bem.  Ele jamais explicou como a expansão monetária altera todo esse arranjo estrutural, como ela altera os preços de determinados setores em relação aos preços de outros setores, fazendo com que haja mais investimentos naqueles setores onde o dinheiro recém-criado está entrando primeiro.  Logo, Keynes não possui uma teoria economicamente lógica para explicar o fenômeno dos ciclos econômicos.

Keynes também não aceitava que, durante uma recessão, os empreendedores podem continuar obtendo lucros mesmo que suas vendas diminuam ou fiquem estagnadas: eles têm de reduzir seus custos.  Para Keynes, a única maneira de corrigir esse desarranjo durante uma recessão era estimulando a demanda agregada, algo que apenas perpetua o desequilíbrio e atrasa a recuperação.

Keynes também não entendeu o funcionamento do processo secular de acumulação de capital e investimento, o qual sempre dependeu da poupança — isto é, a abstenção do consumo.  Esse processo sempre funcionou da seguinte forma: a poupança diminui o consumo imediato e com isso faz com que fatores de produção (mão-de-obra e bens de capital) que até então estavam sendo utilizados por aquelas empresas mais voltadas para bens de consumo final sejam liberados para ser utilizados por aqueles setores mais intensivos em capital, que estão mais afastados dos bens de consumo final.  Esse movimento ocorre porque a redução do consumo faz com que os preços dos bens de consumo final caiam, o que torna a mão-de-obra desse setor relativamente onerosa.  Logo, fatores de produção são desviados para os setores mais intensivos em capital justamente para produzir os bens de capital que irão substituir essa mão-de-obra relativamente onerosa dos setores de bens de consumo final.  Essa maior produção de bens de capital leva a uma maior produtividade e a um aumento na oferta de bens de consumo no futuro, elevando o padrão de vida das pessoas.  Foi assim que a humanidade se desenvolveu durante toda a história capitalista.

Por não entender esse processo, Keynes imaginou ser fácil abreviar essas etapas e acelerar magicamente o crescimento econômico: bastava estimular a demanda agregada, com o governo gastando, incorrendo em déficits e mantendo os juros em níveis baixos.

Keynes — e isso pode surpreender muito gente — tinha um conhecimento econômico extremamente limitado.  Ele estudou economia durante apenas um semestre com Alfred Marshall.  É penoso que uma pessoa tão ignorante tenha tido uma influência tão grande na evolução do pensamento econômico.  Pelo menos até agora.

IJM: Aproveitando o gancho, por que o pensamento keynesiano é tão preponderante nas universidades de todo o mundo?  Ou, colocando de outra forma, por que o pensamento austríaco não tem grande presença na academia?

de Soto: A maioria dos professores universitários se mantém aferrada aos velhos vícios do cientificismo.  E a razão essencial é que, apesar das aparências, é muito mais fácil construir modelos econômicos utilizando uma abordagem estática.  Como costumava dizer Mises, dado que as mentes realmente férteis e criativas são muito escassas, a tendência é que a maioria dos acadêmicos lamentavelmente busque refúgio naquilo que é fácil: a manipulação de dados e a construção de modelos estáticos e reducionistas, que são expressos em termos matemáticos.  Ignora-se completamente o fato de que a ciência econômica possui uma dimensão criativa, especulativa e dinâmica, a qual não pode ser reduzida a termos matemáticos, e muito menos expressada acuradamente por meio deles.  Não há constantes na ação humana.  Há criatividade, mudanças, escolhas e descobertas, mas não há parâmetros fixos que permitam a criação de funções matemáticas.

Vai aí, aliás, um complexo de inferioridade perante o mundo da física: os êxitos dessa ciência natural fizeram com que os economistas se pusessem a copiar seus métodos na crença de que poderiam conseguir resultados semelhantes.

Por fim, as universidades estão apenas respondendo às demandas por engenharia social.  O maior pecado de nosso tempo é a estatolatria.  Todos os cidadãos recorrem ao estado para que este resolva todos os problemas.  Logo, surge uma demanda por um exército de engenheiros sociais cuja função é justamente manipular de forma caprichosa todas as variáveis das equações matemáticas estáticas com o alegado intuito de alcançar objetivos ótimos.  As universidades atuais, fartamente financiadas com dinheiro público, apenas se dedicam a formar esses tipos de especialistas em intervenções, os quais fornecem justificativas científicas para o aumento do poder do estado.

 

Leia também:

Empreendedorismo, eficiência dinâmica e ética

O que é realmente o socialismo e qual o seu maior problema

Dez lições de economia para iniciantes - Sétima lição: capital, juros e estrutura de produção

Os triângulos hayekianos e a estrutura do capital

 

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autor

Jesús Huerta de Soto
, professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.


  • Henrique  10/12/2012 05:11
    "Hayek se concentrou no segundo argumento, o da dispersão de informação, muito provavelmente porque queria se defender dos ataques de Oskar Lange e dos neoclássicos, que diziam que, se o cálculo econômico era impossível em termos estritamente computacionais por causa da ausência de preços, então bastava que os planejadores centrais criassem equações matemáticas que simulassem corretamente as condições vigentes de mercado, o que possibilitaria determinar oferta, demanda e preços, fazendo com que todo o processo produtivo magicamente se tornasse racional."

    Foi exatamente isso que eu entendi de Hayek em seus escritos sobre conhecimento, uma refutação a Lange complementando o que Mises expôs. Hoppe foi bem infeliz nesse texto do Mises vs. Hayek.
  • Thiago G  10/12/2012 06:34
    Por que vocês identificam o libertarismo com o "pensamento austríaco"? Não existem outras correntes de pensamento na Áustria? E por que usar esse adjetivo "austríaco"? Eu acho que isso enfraquece a penetração de suas ideias em outras localidades, como o Brasil. Segundo, a formação de preços é vital para o funcionamento do mercado, ela leve em consideração diversas variáveis, por exemplo, os custos de transporte. Por que não ver a interferência do governo com mais naturalidade, como algo necessário, algo a ser incorporado nos cálculos dos agentes econômicos? O estado não é necessário, inclusive, para corrigir falhas de mercado? Ou eu estou errado? Quanto à idolatria crescente ao Estado dentro da academia, acredito que seu pensamento faz todo sentido.
  • Tory  10/12/2012 07:54
    Thiago, quando o estado tenta corrigir algo que um burocrata percebe como desequilíbrio tudo o que ele faz é criar novos desequilíbrios. É só ver a batalha do Bozo Mantega contra a cotação do dólar, e seus efeitos na economia do país, para ter noção disso. É o popular "atirou no que viu e acertou no que não viu".

    E certamente a interferência estatal entra no cálculo dos preços, já que estamos num continuum entre o socialismo, que seria o 0, e o livre mercado, que seria o 1. O problema é que quanto mais nos aproximamos do 0 mais artificial fica o mercado e os preços passam a sofrer influências mais bizarras.

    Em tempo, libertarianismo e a escola austríaca de economia são conjuntos com interseções, mas não são idênticos.
  • Leandro  10/12/2012 08:56
    "Falhas de mercado" é um conceito totalmente subjetivo e, na medida em que existirem, só podem ser corrigidas com mais mercado e menos intervenção. É o cúmulo da arrogância -- ou da ingenuidade -- achar que burocratas operando fora do sistema de preços e do mecanismo de lucros e prejuízos podem "corrigir" defeitos de mercado. A única coisa que essa gente pode fazer com suas intervenções é privilegiar um grupo e prejudicar vários.

    Como corretamente explicou o leitor Tory, o intervencionismo não apenas nunca resolve um problema, como acaba gerando vários outros que não haviam sido previstos. O governo cria intervenções que geram consequências inesperadas (inesperadas apenas para os iluminados que habitam aquela organização), e decide então recorrer a intervenções ainda mais violentas para "sanar" as consequências não previstas das intervenções anteriores. No final, tudo está pior e uma pessoa sensata constata que seria melhor não ter feito nada.

    Na economia, não há meio termo. No final, ou você tem uma economia genuinamente livre ou você tem uma economia totalmente controlada. Políticas intervencionistas, por mais pontuais que comecem, inevitavelmente levam a uma economia sob total controle do governo. Leva-se tempo, é claro, mas o destino final é um só.

    Artigos recomendados:

    "Falhas de mercado" e informações assimétricas

    A teoria austríaca da eficiência e do papel do governo

    Políticas conciliatórias levam ao socialismo
  • Thiago G  10/12/2012 10:28
    Muito obrigado Tory e Leandro pelas respostas. Compreendo as distorções que qualquer intervenção desse tipo cria. Mas eu considero que questões como a transição para uma economia verde e o combate a monopólios dificilmente são resolvidas sem a presença do Estado.
  • Leandro  10/12/2012 10:49
    Sobre a transição para uma economia verde, veja aqui:

    Propostas para uma economia mais verde

    Sobre monopólios e carteis, quem os cria é o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Pedir que o estado atue para acabar com cartéis é o mesmo que pedir para o gato tomar conta do pires de leite.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    E quando não era assim, o que ocorria? Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=366

    Recomendo também este outro artigo: Monopólio bom e monopólio ruim - como são gerados e como são mantidos
  • Thiago G  10/12/2012 11:46
    O artigo sobre a economia verde aborda um aspecto do ambientalismo: a criação de empregos destinados a anular os danos ao meio-ambiente provocados por outras atividades. Compreendo que a visão de vocês seja negativa em relação a esse movimento, uma vez que ele enfoca a preservação e não a geração de riqueza. No entanto, o artigo não responde às maiores preocupações dos ambientalistas: o esgotamento dos recursos naturais, mudanças climáticas, poluição que causa problemas à saúde pública entre outros. Com relação aos cartéis, acredito que seja difícil saber se os setores mais controlados são aqueles em que há tendência à cartelização ou se é o governo que os cria. Provavelmente as duas coisas acontecem ao mesmo tempo. A regulação restringe a entrada de novos competidores, mas também, em alguns casos, protege os consumidores os quais não possuem as informações sobre se um banco está prestes a quebrar ou se um hospital segue práticas de higiene e segurança. No artigo de Woods, apontou-se que as empresas que se tornam monopólios abaixam fortemente os preços. No entanto, ele não tratou da questão das barreiras à entrada de competidores que a existência de um monopólio propicia. E sem esses competidores a empresa monopolista pode aumentar os preços à vontade, abaixando somente quando surgir um competidor até que ele desista de entrar no mercado.
  • Leandro  10/12/2012 12:09
    Absolutamente todos os seus questionamentos já foram respondidos aqui.

    "Esgotamento dos recursos naturais"

    Uma cartilha sobre recursos naturais e o meio ambiente

    "mudanças climáticas" (não era "aquecimento global" até uns dois anos atrás?)

    O aquecimento global é uma fraude

    "Não existe aquecimento global", diz representante da OMM na América do Sul

    O que aconteceu com o 'aquecimento global'?

    Prepare-se para o resfriamento global

    O aquecimento global é uma religião

    "poluição que causa problemas à saúde pública"

    Justiça, poluição do ar e direitos de propriedade

    "A regulação restringe a entrada de novos competidores, mas também, em alguns casos, protege os consumidores"

    Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas

    "No entanto, ele não tratou da questão das barreiras à entrada de competidores que a existência de um monopólio propicia."

    O monopólio é criado pelo estado. Reclame com ele.

    "E sem esses competidores a empresa monopolista pode aumentar os preços à vontade, abaixando somente quando surgir um competidor até que ele desista de entrar no mercado."

    Isso nunca aconteceu na história. E tem explicação do porquê.

    Por que a concorrência é louvada nos esportes e condenada no mercado?

    Boas leituras.
  • Thiago G  10/12/2012 13:09
    Vou dividir por tópicos também:

    "Esgotamento dos recursos naturais" - O artigo escolhido defende que a Terra tem recursos naturais quase ilimitados, isso pode ser até verdade para areia de praia ou outros minerais, mas não é verdade para derivados do petróleo e água potável. Quanto à água potável, existe bastante de fato, mas há riscos relativos à poluição e dificuldade de acesso (quase intransponíveis atualmente, como buscar gelo na Antártida).

    Em relação as mudanças climáticas, eu não li os textos, mas pelos títulos percebi que elas são negadas, tudo bem, então vou sugerir outro problema ambiental: a destruição da camada de ozônio (sabe-se que a camada de ozônio da suporte à vida na Terra, e que o CFC a destruía) como solucionar esse problema sem a figura do Estado, e, mais ainda, sem a colaboração entre estados?

    Poluição - eu fui direto até a parte que fala sobre a poluição. Notei que o autor tenta apresentar uma solução "micro" para um problema "macro". Como estabelecer um vínculo causal entre a emissão de gases de A e a contaminação de B. Isso não é possível. Não podemos partir dessa perspectiva para resolver problemas coletivos. Como vocês lidam com os bens públicos? Ou vocês não os reconhecem? A meu ver não é possível que tudo seja propriedade privada. Por exemplo, cada um tem um quilômetro cúbico de ar e tem que cuidar dele...

    No artigo sobre a regulamentação, um trecho me chamou a atenção: "Quem descobriu a fraude foi uma empresa privada, em busca do lucro. E quem ajudou esta empresa a constatar a fraude, dando apoio técnico, metodológico e metrológico foi outra empresa privada, também em busca do lucro." Eu não acredito que a motivação para desvendar esse esquema seja somente o lucro, empresas são compostas por pessoas e pessoas têm outras motivações que não o lucro. Além disso, eu vi que existem malefícios decorrentes da regulamentação, mas isso não nega que ela tenha uma razão de existir.

    Para terminar, o monopólio não é criado apenas pelo Estado, haja vista que é racional comprar concorrentes com o intuito de adquirir tecnologia, ganhar sinergias etc. Além disso, existem vários exemplos de monopólios que surgiram porque uma empresa se destacou em determinado momento e depois aplicou medidas monopolísticas, exemplo: a Microsoft. Por fim, abaixar os preços para quebrar a concorrência é prática comum no mercado e funciona especialmente quando pequenos competidores tentam competir com um grande.

  • Luis Almeida  10/12/2012 13:36
    Sim, o petróleo o está acabando desde a década de 1910. A cada ano, "especialistas" juram que o petróleo "vai acabar dentre de 15 anos". Quanto mais essas sumidades preveem o fim do petróleo, mais jazidas são descobertas e mais os especuladores do mercado futuro enchem o bolso de dinheiro.

    Camada de ozônio?! Putz...

    A intimidação do ozônio: uma retrospectiva

    Bens públicos:
    As parcerias público-privadas - a porta de entrada para o socialismo
    A teoria austríaca da eficiência e do papel do governo (Esse já foi passado e você ignorou)
    Resolvendo o "problema" do carona
    Reflexões sobre a origem e a estabilidade do estado

    "existem vários exemplos de monopólios que surgiram porque uma empresa se destacou em determinado momento e depois aplicou medidas monopolísticas, exemplo: a Microsoft."

    Pra começar, a Microsoft cresceu porque era boa e o público consumidor voluntariamente escolheu seus serviços, garantindo enormes receitas. Isso não tem nada de monopólio, pois não havia nenhuma barreira à entrada de concorrentes. Mais tarde, no entanto, a empresa recorreu ao estado para aplicar leis de patentes. Entendeu? O estado garantiu um monopólio intelectual à Microsoft. E você aí pedindo mais estado.

    Agora chega, né, meu filho? Todas as suas perguntas estão respondidas, e é notável que você ignorou vários artigos, como o do monopólio bom e o monopólio ruim, linkado lá em cima.
  • Thiago G  10/12/2012 14:04
    Tudo bem. Gostei muito da disposição com que vocês responderam aos questionamentos. O site é bastante informativo e os textos bem elaborados. Mas acho que vocês poderiam dialogar um pouco mais com outras correntes de pensamento. Abs
  • Cedric  17/12/2012 15:35
    Boa parte dos artigos aqui no site são justamente refutação de pensamentos concorrentes, como assim não há diálogo? oO
  • Paulo de Andrade  10/12/2012 08:10
    Por favor, alguém poderia me informar em qual obra Hayek se concentra no argumento da dispersão de informação?
    Sou acadêmico das ciências sociais e desconheço em boa medida o debate da escola austríaca, então, se alguém poder me informar, ficarei grato.
  • Tiago  10/12/2012 08:47
    O Uso do Conhecimento na Sociedade.
  • Mercado de Milhas  10/12/2012 08:53
    Massa a piadinha da primeira página! hehehe
  • Arthur M M  10/12/2012 09:14
    Quem foi que fez esse meme ???? É Gênial !!! (PS. Não li o texto ainda)
  • Guilherme Ruffini  10/12/2012 10:47
    Quanto ao último parágrafo.

    " O maior pecado de nosso tempo é a estatolatria. Todos os cidadãos recorrem ao estado para que este resolva todos os problemas. Logo, surge uma demanda por um exército de engenheiros sociais cuja função é justamente manipular de forma caprichosa todas as variáveis das equações matemáticas estáticas com o alegado intuito de alcançar objetivos ótimos.

    Não esqueça que esta é, ou foi, uma decisão do povo. Uma escolha democrática. Por mais que eu, economia, não concorde com esta opção, eu devo usar os recursos atuais, pra otimizar a escolha pública!

    Não confunda política, tecnocracia, com economia. Você pode fazer um bom trabalho, no sentido de otimizar recursos escassos, em uma linha contrária a sua ideologia econômica.

    Só pra lembrar, o Bernanke é um dos maiores especialistas no "tão ignorante", Keynes, da atualidade. Não é uma mera coincidência ele estar por lá.

    E só pra lembrar, Einstein era péssimo em matemática, mas era um gênio pela visão além de seu tempo. Keynes também foi um gênio à sua época. Tanto é que vocês dirigem críticas a ele, até hoje, em prova da sua genialidade.



  • Luis Almeida  10/12/2012 10:54
    Decisão do povo? Foi uma decisão de alguns intelectuais da alta corte, isso sim. Saia às ruas e pergunte ao tal "povo" se ele optou voluntariamente para dar seu suado dinheiro para vagabundos fazerem engenharia social nas universidades. Não houve decisão popular nenhuma. Na nossa "democracia", quem decide o que será feito é quem controla o dinheiro dos impostos. Não há plebiscito nenhum a respeito do que deve ser feito com esse dinheiro ou quem deve ganhá-lo em troca de quê.

    Saia do seu conto de fadas sobre a democracia e venha para a realidade negra.
  • Guilherme Ruffini  10/12/2012 11:07
    Meu Deus.

    Pega a tua bandeira e vai pra praça, rápido... Mas leva um livro, pra passar o tempo.

  • anônimo  10/12/2012 12:34
    Começando o comentário utilizando-se de falácia (argumentum ad populum) em um parágrafo que termina sem pé nem cabeça e fechando o texto com o mito de que Einstem era péssimo em matemática.

    "...tanto é que vocês dirigem críticas a ele, até hoje, em prova da sua genialidade."
    Sou o segundo a te criticar, breve vc poderá se autodenominar um gênio. Aguarde!
  • Guilherme Ruffini  10/12/2012 12:52
    Se o fizer daqui a 70-80 anos, depois de debater a minha obra por 60 horas.

    Sim, serei um gênio se conseguir tal façanha.


    Pelo visto você não entendeu a passagem do Einstein (e sim, a matemática dele era sofrível). Se bem que não entendera o conceito de genialidade também.

    Deixa pra próxima.
  • Cedric  17/12/2012 15:38
    Esse negócio de Einstein ser ruim em matemática é mito, ele conhecia muito bem sim, e muito mais que isso, ele conhecia muito bem A FÍSICA dos seus antecessores. Além disso, não se pode confundir ciências exatas com ciências sociais.
  • anônimo  17/12/2012 16:26
    Mito nada, ele mesmo disse isso
    Aliais, o que ele disse foi:'Qualquer que TENHA SIDO sua dificuldade com matemática na escola, pode ter certeza que a minha foi maior'
    Como ele era dislexo isso era muito provável. Não que os dislexos sejam burros mas eles tem o jeito deles de entender as coisas, e poucos professores se tocam disso
  • Thiago  10/12/2012 11:44
    Boa tarde, vocês poderiam comentar a seguinte passagem:

    "(...)Além disso, a relação entre a burocratização e desenvolvimento é bilateral: tal como o atraso estimula a burocratização, também esta prejudica o desenvolvimento – segundo os trotskistas, a única alternativa eficiente ao mercado é a "democracia operária".P.ex, se for um patrão privado a organizar o trabalho dentro de uma empresa, tenderá a adotar os processos de trabalho mais eficientes (para maximizar o lucro); se for uma Comissão de Trabalhadores a fazer isso, também tenderá a adoptar os processos de trabalho mais eficientes (para os trabalhadores fazerem mais facilmente o seu trabalho); se for gerida por um burocrata não-proprietário, não há nenhum incentivo para escolher os melhores métodos de trabalho. Outro exemplo: a questão "O que produzir?" – como assegurar a ligação entre os que as empresas produzem e as necessidades dos consumidores? No capitalismo, tal ligação faz-se pelo mercado; na "democracia operária", através da participação das organizações de trabalhadores e consumidores na elaboração do plano económico (Trótski chegou a dar o exemplo de um sistema em que os cidadãos pudessem escolher entre o "partido do carvão" e o "partido do fuelóleo"); já no sistema burocrático, em que a planificação é feita, não pelas organizações populares, mas por comités de "especialistas", não há maneira de assegurar que o plano corresponde às necessidades efectivas da sociedade (a respeito disso, Trótski escreveu que "a democracia, mais que uma necessidade política, é uma necessidade económica"). Desta forma, quanto mais poderosos forem os burocratas, mais atrasada será a sociedade (o que, aliás, acabará por tornar os burocratas ainda mais poderosos)"


    Esse ponto de vista me parece, a princípio, convergente com o dos artigos que li aqui.
  • Leandro  10/12/2012 11:56
    Parece só a princípio. O diabo está aqui: "na "democracia operária", através da participação das organizações de trabalhadores e consumidores na elaboração do plano económico"

    Como assim "elaboração do plano econômico"? Quem decide o que deve ser produzido, como deve ser produzido e em qual quantidade são os consumidores por meio de suas decisões de comprar e se abster de comprar. Esse é o "voto" dos consumidores. Ele é espontâneo e voluntário. Em decorrência desse "voto", os empreendedores e capitalistas irão direcionar seus meios de produção de modo a fazê-los produzir exatamente aquilo que os consumidores -- através de sua participação voluntária no processo de mercado -- estão demandando.

    Não há nenhuma elaboração de plano de econômico. Há apenas a participação dos consumidores, que "votam" com o seu dinheiro.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=187
  • Guilherme Ruffini  10/12/2012 12:35
    Leandro

    Existem 4 equilíbrios possíveis, o que você cita é o pareto.

    Em uma sociedade onde o equilíbrio não se dá de forma pareto eficiente, por escolha, isto é um erro ao ponto que devem ser impostas condições contrárias as escolhas da nação?

    Eu concordo em boa parte do que tu escreveu. Apenas uma ressalva que o papel do economista não é dizer o que é certo/errado. A velha confusão entre economia e política.

    Em uma entrevista recente:

    "VEJA – Como então deveriam funcionar os poderes do Estado?
    HAYEK – Nenhuma assembléia única ou autoridade deveria ter o poder de derrubar leis gerais e impor medidas governamentais. Na democracia que imagino, é preciso dividir o poder entre duas assembléias eleitas. Uma, a governamental, renovada em eleições freqüentes, de acordo com as linhas de partidos organizados. A outra, o verdadeiro Legislativo, formada por membros eleitos para mandatos de largos períodos, não reelegíveis, e naturalmente não submetidos à disciplina partidária."

    Repito o trecho: "A outra, o verdadeiro Legislativo, formada por membros eleitos para mandatos de "largos períodos", não reelegíveis, e naturalmente não submetidos à disciplina partidária"

    "largos períodos"...

    Se fosse um discurso da esquerda, isso geraria polêmicas, não?


  • Leandro  10/12/2012 13:02
    Uma das frustrações de se escrever diariamente é que você sempre repete a mesma coisa todos os dias, ao ponto de se tornar enfadonhamente repetitivo. Aí, no único dia em que você não escreve aquilo de sempre, surge alguém (normalmente novo no site) e diz que você deveria escrever justamente aquilo que sempre escreveu, mas que por infortúnio não escreveu justamente neste dia.

    Não há um dia em que eu não diga aqui na seção de comentários que a economia é uma ciência livre de juízo de valor e que nada tem a ver com filosofia. A função da economia é descrever causas e explicar consequências. Só. Dizer se tais políticas são desejáveis ou não, se são éticas ou não, se são nocivas ou não já é algo do campo da filosofia. A ciência econômica é positiva ao passo que a filosofia é normativa.

    Por isso, não cabe a mim essa sua admoestação de que "o papel do economista não é dizer o que é certo/errado. A velha confusão entre economia e política." Eu mesmo estou sempre falando isso aqui nos comentários.

    De resto, nós aqui nunca trabalhamos com o conceito de equilíbrio. E não trabalhamos simplesmente porque ele é uma ficção. A economia é um processo dinâmico, criativo, especulativo, em que há ação humana e empreendedorismo. Há criatividade, mudanças, escolhas e descobertas. Nunca haverá, portanto, um equilíbrio na economia. A economia pode, no máximo, estar tendendo ao equilíbrio. Ela nunca chega a um.

    Portanto, eu não apenas não citei equilíbrio nenhum (seria uma contradição se eu o fizesse), como a sua afirmação de que há incríveis quatro tipos de equilíbrio é totalmente fictícia (muito embora certamente faça muito sucesso no meio acadêmico, gerando a produção de incontáveis e perniciosas monografias).
  • Giancarlo  10/12/2012 16:20
    Congratulações Leandro,

    Eu estava lendo teus retornos ao 'Thiago G' lá acima e me perguntando como tu consegue se manter motivado e disposto a responder os mesmos questionamentos, quase sempre acompanhados de uma mesma empáfia moral, todo santo dia. É muita motivação meu caro.

    O trabalho que o site vem realizando é sensacional, vocês têm conseguido acender uma luz nesse Saara intelectual que é o nosso ambiente acadêmico. Com certeza muitos dos jovens nos primeiros semestres de economia que vem até aqui cheios de certezas acabarão revendo seus conceitos e aprenderão a considerar aspectos morais e uma lógica diferente na sua compreensão de mundo.

    Sou professor e utilizo com frequência os textos do site nas aulas (algumas das visitas de Porto alegre no texto dos 'calçados chineses e os pobres descalços' possivelmente são dos meus alunos, o link é uma atividade de fórum no curso EAD) e com satisfação que percebo que muitos, tantos os jovens quanto o pessoal mais velho, enxergam a escola austríaca como uma descoberta de que economia é algo lógico, ético e fundamental nas nossas vidas.

    "Ne cede malis". Responder as mesmas coisas todos os dias só mostra que todo dia temos mais pessoas alcançadas pelas nossas ideias.

    Parabéns pelo trabalho.
  • Leandro  10/12/2012 16:48
    Muito obrigado pelas palavras e pela valorização, prezado Giancarlo. É sempre um grande regozijo ouvir reconhecimentos desse tipo. É o nosso combustível.

    Grande abraço!
  • Thiago  12/12/2012 11:56
    Eu havia entendido do seguinte modo:
    a decisão sobre a produção caberia não ao "proprietário" de uma fábrica, por exemplo, mas, quando a sua gestão fosse feita por seus trabalhadores, que seriam de certo modo "proprietários", estes teriam o mesmo empenho que o empresário/proprietário. Do mesmo modo buscariam garantir o lucro para a empresa. A diferença seria que esse lucro pertenceria a todos. Ao invés de venderem seu trabalho, trabalhariam para eles mesmos....

    Uma empresa multinacional, como a ford, que tem que lidar com questões de cálculo de logística e planejamento em uma escala enorme... e em boa parte esse planejamento é feito por técnicos "burocratas"... então, pq esse planejamento não poeria ser feito sem um "proprietário" único?
    E bem, não se trata, me parece, de uma organização "estatal" da economia, mas da livre associação do trabalhadores para a produção, com a diferença de que os próprios trabalhadores não estariam vendendo sua força de trabalho, mas trabalhado para si próprios...

    não sei se consegui explicar direito meu ponto de vista....
  • Leandro  12/12/2012 12:55
    Thiago, esse arranjo já existe: chama-se cooperativas.

    Por que os trabalhadores que não querem ser "explorados" por patrões e que querem assumir o controle dos meios de produção não criam cooperativas? Absolutamente nada os impede de fazer isso.

    Se uma enorme quantidade de trabalhadores se juntasse, eles sequer precisariam de financiamento. Poderiam utilizar a própria poupança. O que houve com o "trabalhadores do mundo, uni-vos!"? Qualquer grupo de 100 operários do ABC poderia se juntar e criar suas próprias cooperativas. Eles não são pobres. O que os impede?
  • anônimo  12/12/2012 13:12
    E se muitos funcionários resolvessem vender sua parte por achar que vale mais a pena, logo existiria um pequeno grupo de proprietários novamente, certo? Ou todos seriam obrigados a ficar com a sua parte da empresa?

    Ou por outra, se uma dessas empresas fosse a falência, o que aconteceria com seus milhares de donos? Seriam contratados por outras empresas. Então os donos-funcionários desta seriam os patrões daqueles.

    Não adianta, completa igualdade e liberdade não podem coexistir.
  • Vinci  10/12/2012 13:30
    O tema de minha monografia será exatamente o debate interno a EA, entre Mises e Hayek, acerca da impossibilidade do cálculo econômico no socialismo. Sem dúvida terei muito a estudar e aprender com essa pesquisa.

    Huerta de Soto é, sem sombra de dúvidas, um poço de simplicidade e clareza quando o asssunto é apresentar ideias da EA e seus teóricos. Entrevista breve e de grande contribuição!
  • anônimo  11/12/2012 02:51
    Qual é a definição dessa tal 'divisão intelectual do trabalho'?
    Vendo o Jesús citar Mises e depois falar disso, parece que é só a diferença entre o empreendedor burro e o inteligente
  • Ricardo  11/12/2012 03:05
    Não, meu filho. Divisão intelectual do trabalho é cada um direcionar sua mente para aquilo em que ela é melhor. Assim como a divisão do trabalho é cada um se dedicando àquela mão-de-obra em que possui mais habilidade, a DIT é cada utilizando sua mente para aquelas descobertas empreendedoriais que mais lhe aprouverem.
  • anônimo  11/12/2012 04:14
    Obrigado mamae
  • amauri  11/12/2012 10:45
    Boa tarde Leandro!
    A saúde pública não é eliminada pela direita, inclusive austríaca. Citando Mises, "Governments and their servants restrict their activities to the protection of life, health, and property against fraudulent or violent aggression", ou seja, é um dos poucos papéis do Estado na visão austríaca. Este comentario é correto?
    abs
  • Gustavo BNG  11/12/2012 11:46
    Proteção da vida e da saúde ("protection of life, health"), neste caso, significa proteção ao corpo, o qual é uma propriedade privada. Não significa saúde estatal.
  • amauri  11/12/2012 11:59
    valeu!
  • Leandro  11/12/2012 12:13
    Este "health" diz respeito à integridade física da pessoa. Para Mises, se era para existir um governo, sua única função era a de proteger a integridade do indivíduo.

    Ademais, vale ressaltar que, na época de Mises, não havia essa abundância de saúde estatal que há hoje pelo mundo. A estatização da saúde é uma invenção relativamente recente.
  • Carlos Marcelo  12/12/2012 16:26
    Já que a economia trata das relações humanas, gostaria de saber qual o papel da Matemática na teoria austríaca. Seria a Econometria uma matéria inútil? Se não existe a tal da igualdade, o mundo está em constantes transformações, a Álgebra Linear seria desnecessária? E quanto às grandes empresas, que fazem oligopólios e se cartelizam, como elas conseguem as informações corretas para fornecer seus produtos? Isso seria através do estudo da função demanda, correto? Então, por que o governo não pode fazer isso também? Se ele for guiado pelo lucro, como se fosse uma grande empresa, não poderia dar certo? Pergunto tudo isso para não deixar brechas.
  • Ricardo  12/12/2012 17:35
    "Seria a Econometria uma matéria inútil?"

    Para a economia, sim.  Já para acadêmicos doidos para galgar posições, prestígio e influência governamental -- um econometrista existe para dizer ao governo exatamente o que ele quer ouvir --, tenha a certeza de que ela é extremamente útil.

    "Se não existe a tal da igualdade, o mundo está em constantes transformações, a Álgebra Linear seria desnecessária?"

    Para relações humanas, sim.  Mas a matemática tem muita função para a contabilidade, para determinar lucros e prejuízos, que são a alma de uma economia de mercado.  Logo, por esse prisma, a matemática é o pilar da administração, que por sua vez é o que possibilita a vida de empresas, as quais, por fim, são o que geram empreendimentos e riqueza econômica.

    "E quanto às grandes empresas, que fazem oligopólios e se cartelizam, como elas conseguem as informações corretas para fornecer seus produtos?"

    O governo fechou o mercado para elas (só existem cartéis e oligopólios em setores regulados pelo governo).  Logo, elas não precisam se preocupar com "informações corretas".  Elas têm mercado cativo.  Com preços artificialmente altos e sem risco de concorrência, podem se dar ao luxo de serem ineficientes e de operarem com custos mais altos.  Toda estatal, por exemplo, funciona assim.

    "Isso seria através do estudo da função demanda, correto?"

    Não existe estudo de função demanda.  Curva de demanda, com fórmula matemática e tudo, é invenção de microeconomistas acadêmicos.  Nenhum empreendedor real fica calculando função de demanda.  É preciso ser um genuíno economista para acreditar que tal coisa existe no mundo real.

    "Então, por que o governo não pode fazer isso também?"

    Ele não pode, como explicado acima.

    "Se ele for guiado pelo lucro, como se fosse uma grande empresa, não poderia dar certo?"

    Não. Vou copiar o que o Leandro sempre escreve aqui:

    Uma empresa ser gerida pelo governo significa apenas que ela opera sem precisar se sujeitar ao mecanismo de lucros e prejuízos. Todos os déficits operacionais serão cobertos pelo Tesouro, que vai utilizar o dinheiro confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Uma estatal não precisa de incentivos, pois não sofre concorrência financeira -- seus fundos, oriundos do Tesouro, não infinitos.

    Uma empresa que não é gerida privadamente, que não está sujeita a uma concorrência direta, nunca terá de enfrentar riscos genuínos e nunca terá de lidar com a possibilidade de prejuízos reais. Logo, é como se ela operasse fora do mercado, em uma dimensão paralela.

    E há também a questão política. A gerência governamental está sempre subordinada a ineficiências criadas por conchavos políticos, a esquemas de propina em licitações, a loteamentos de cargos para apadrinhados políticos e a monumentais desvios de verba -- afinal, como dito, uma estatal não busca o lucro, não precisa se submeter ao mecanismo de lucros e prejuízos do mercado, não tem concorrência e não deve transparência a ninguém.

    Portanto, é impossível.

    "Pergunto tudo isso para não deixar brechas."

    As respostas também não deixaram brechas.
  • Acacio  23/12/2012 00:11
    Esses engenheiros sociais podem ser chamados também de Assistentes Sociais?
  • Patrick de Lima Lopes  23/12/2012 00:34
    Diria que não.
    A função do assistente social é um tanto diferente. Ele não elabora as mudanças que indivíduos devem fazer, ele busca "adaptá-los" às mudanças que seus "superiores iluminados" inventam.
    A engenharia social ocorreria pelo intermédio de qualquer medida de planejamento central tomada pelo estado em detrimento do direito de propriedade. Vide: Estatização dos meios de produção, controle de preços, impostos, alocação de mão-de-obra, etc.
    Sobre o problema do texto, recomendo o excelente artigo do Iorio:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1351
  • Acacio  24/12/2012 10:01
    Mas, ele continua agindo como uma ferramenta do estado, certo?
  • Sidnei  07/02/2013 01:46
    Galera, não to entendendo bem uma coisa, peço auxílio! Nesse trecho me surgiu uma dúvida:
    " Esse processo sempre funcionou da seguinte forma: a poupança diminui o consumo imediato e com isso faz com que fatores de produção (mão-de-obra e bens de capital) que até então estavam sendo utilizados por aquelas empresas mais voltadas para bens de consumo final sejam liberados para ser utilizados por aqueles setores mais intensivos em capital, que estão mais afastados dos bens de consumo final. Esse movimento ocorre porque a redução do consumo faz com que os preços dos bens de consumo final caiam, o que torna a mão-de-obra desse setor relativamente onerosa. Logo, fatores de produção são desviados para os setores mais intensivos em capital justamente para produzir os bens de capital que irão substituir essa mão-de-obra relativamente onerosa dos setores de bens de consumo final. Essa maior produção de bens de capital leva a uma maior produtividade e a um aumento na oferta de bens de consumo no futuro, elevando o padrão de vida das pessoas. Foi assim que a humanidade se desenvolveu durante toda a história capitalista."
    Eu não entendi por que, num momento de crise, os trabalhadores liberados da indústria de bens de consumo serão contratados pelas indústrias de bens de capital? Se as indústrias de bens de consumo final só compram bens de capital quando querem produzir mais, pq elas comprariam bens de capital num momento de crise? Digo, por que o empresário que produz os bens de capital apostaria que existiria demanda para eles num momento de recessão ?
    Desde já agradeço a ajuda! Parabéns pelo site, os artigos aqui costumam ter uma lógica impecável e acessível a todos. Abraço

  • Leandro  07/02/2013 07:17
    Mas não houve crise. Não há nenhuma recessão. Houve apenas a redução do consumo em um setor da economia. As pessoas reduziram suas compras de roupas de grife, de cachorro-quente, de celulares e de perfumes para pouparem mais para poderem consumir mais bens no futuro. Isso não é crise. Há uma abundância de poupança, justamente o oposto do que ocorre em momentos de recessão. É apenas rearranjo de preferências.

    E justamente pelo fato de que consumirão mais no futuro, que haverá estes investimentos em bens de capital.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=552

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=487
  • zanforlin  13/12/2013 11:30
    Quanto à pergunta:

    IJM: Aproveitando o gancho, por que o pensamento keynesiano é tão preponderante nas universidades de todo o mundo? Ou, colocando de outra forma, por que o pensamento austríaco não tem grande presença na academia?

    Agrego, à excelente resposta do Prof. J. H. de Soto, a circunstância de que a Escola Austríaca não condiz com a prática bancária de reservas fracionárias e negação do padrão-ouro. Como os donos dos capitais, e, dos grandes (poucos) bancos são também os que financiam "scholars" do incentivo ao crédito e ao consumo, (sem ser anti-isso ou anti-aquilo, falo daquele "pessoal" que também controla a imprensa...), é claro que por essa singela razão Keynes, apesar e a despeito de seus 6 meses de curso de economia, continua na crista da onda. Por enquanto...
  • Pablo  06/01/2014 11:11
    Olá Leandro, sou leitor assíduo do IMB e me sinto iluminado toda vez que leio os artigos. Entendo pouco de economia, mas a leitura constante do site tem melhorado as minhas percepções e visão econômica. Lendo esse artigo na parte que se refere em como diminuir o consumo enfatizando a poupança, pude perceber que a solução para uma sociedade mais produtiva e com um melhor padrão de vida seria incentivar o cidadão a poupar e não consumir tanto. Voltar a economia para os fatores de produção (bens de consumo). Agora uma pergunta, se a solução esta ai pra todo mundo ver, por que insistem em continuar com o modelo keynesiano, que faz justamente o contrário ao estimular a demanda? Seria pura burrice ou é conveniente para os políticos continuarem a controlar o sistema monetário e o mercado? Ou seriam as duas coisas rsrs?

    Abraço! E desculpe o meu simplismo teórico
  • Leandro  06/01/2014 11:24
    Prezado Pablo, você, sozinho, foi capaz de entender o grande problema que aflige toda a triste situação do debate econômico.

    O problema sempre foi a oferta (criar produtos) e não a demanda (consumir produtos).

    No atual estado do debate econômico, no entanto, os economistas estão preocupados em estimular a demanda (pois acham que é isso que gera enriquecimento), e não em melhorar as condições para a oferta (produção).

    Daí os recorrentes pacotes de estímulo ao consumismo ao mesmo tempo em que se tributa pesadamente toda a cadeia produtiva. Uma coisa totalmente ignara.

    Grande abraço e parabéns pela capacidade perceptiva.
  • Lopes  06/01/2014 12:12
    Caro Pablo,

    O sistema atual é simplesmente politicamente conveniente. Desde que Keynes publicou sua "Teoria Geral" apressadamente como uma espécie de apologia elaborada ao gasto governamental (que já era um conceito trabalhado por pensadores de menor renome como Gesell e Gottfried Feder - o segundo com um teor nacionalista e profundamente estatista) que estava ocorrendo no New Deal, o gasto governamental passou a ser não só uma ferramente eleitoreira e imediatista pelos políticos como também algo considerado imprescindível para o funcionamento da economia. E com o fim do padrão ouro, a situação apenas tendeu a piorar: Não havia mais nem mesmo a preocupação de que o endividamento estatal levaria a juros mais altos aos produtores privados, já que bastava o Banco Central comprar os títulos de dívidas em posse do setor bancário que o "multiplicador" ganhou ainda mais popularidade, já que incentivava o gasto estatal e o endividamento privado ao mesmo tempo dado que haveriam taxas de juros artificialmente mais baixas.

    E é claro, aí entra seu questionamento e uma pertinente intervenção de Hayek: Quanto mais ocorrerem gastos para a produção de bens, menos poderão haver gastos para a compra de bens de capital que tornem o produto naturalmente mais competitivo.


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