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Os quatro tipos de austeridade - por que o governo cortar gastos é positivo para a economia

Quem acompanha a situação europeia exclusivamente pela mídia fica com a certeza de que o termo 'austeridade' é uma manifestação explícita do anticristo, e que se trata de uma medida que deve ser evitada de todas as formas.  

A ideia é que reduções nos gastos do governo tiram a sustentação da economia e a empurram para uma interminável espiral depressiva.  Curiosamente, quando a imprensa fala em austeridade, ela menciona em tom crítico apenas uma parte dela, que é o corte de gasto, e nada fala sobre a outra parte, que é o aumento de impostos e seus efeitos genuinamente recessivos.

Quando o governo corta gastos, de fato há quem saia prejudicado.  O exemplo mais claro seria o de funcionários públicos que tivessem seus salários reduzidos.  Isso é muito raro, mas pode ocorrer.  As empresas que possuem como clientes principais um grande número de funcionários públicos seriam atingidas.  Pense em um restaurante chique de Brasília que tem como clientela o pessoal das agências reguladoras.  Se as agências fossem abolidas (sonhemos um pouquinho), as receitas desse restaurante cairiam.  Da mesma forma, se o número de deputados e senadores diminuísse, o Piantella iria à falência.

Esse foi um exemplo visualmente fácil de ser entendido.  Há outros menos claros.  Por exemplo, cortes de gastos do governo irão afetar as várias empresas que só sobrevivem porque possuem contratos de prestação de serviços junto ao governo.  Empresas terceirizadas por estatais e empreiteiras que fazem obras para o governo são os exemplos mais claros.  Há também as várias atividades econômicas que recebem subsídios e que, sem estes subsídios, teriam de se virar, cortar gastos e demitir pessoas. 

O que todas estas atividades têm em comum é que elas só sobrevivem e só são lucrativas com a muleta do governo.  Isso faz com que elas sejam classificadas como atividades econômicas insustentáveis.  São atividades que não dependem da demanda voluntária do consumo privado para sobreviver.  Uma vez cortado o fluxo de dinheiro governamental, elas perdem sustentação e definham.  Elas não necessariamente irão quebrar, pois podem se reestruturar e mudar seu enfoque de mercado.  Mas estão indiscutivelmente sobredimensionadas, e a prova disso é que só mantêm seus atuais lucros com dinheiro repassado pelo governo.  Elas são, portanto, atividades que absorvem recursos e capital da sociedade.  Elas não produzem; elas consomem.

Uma redução nos gastos do governo, portanto, possui este efeito salutar sobre a economia.  Faz com que empresas que consomem recursos e que produzem apenas de acordo com demandas políticas tenham de ser enxugadas.  Empresas que só sobrevivem devido aos gastos do governo não produzem para consumidores privados; elas utilizam o dinheiro dos cidadãos mas produzem para o estado.  Elas não utilizam capital de maneira produtiva, de forma a atender os genuínos anseios dos consumidores privados: ao contrário, elas utilizam capital fornecido pelos pagadores de impostos mas produzem apenas para servir a anseios políticos.  Em suma, não agregam à sociedade.  Por definição, subtraem dela.  

Este tipo de atividade econômica privada que só sobrevive por causa dos gastos do governo é idêntico àquelas outras atividades privadas que só são lucrativas quando está havendo uma forte expansão do crédito.  Quando o crédito é farto e barato, e a demanda por imóveis é crescente, várias construtoras e várias imobiliadoras apresentam lucros estratosféricos.  Porém, quando o crédito encarece — ou quando os consumidores já estão muito endividados — e a demanda cai, os lucros viram prejuízos.  Um corte de gastos do governo gera idêntico efeito sobre empresas que possuem o governo ou funcionários do governo como principal cliente.

E por que isso seria bom?  Porque, ao falirem, essas empresas liberam mão-de-obra e recursos escassos que poderão ser utilizados mais eficientemente por empresas mais produtivas, empresas que estão no mercado para realmente atender às demandas dos consumidores.  Por isso, é essencial que, ao cortar gastos, o governo também reduza impostos.  Isso não apenas irá dar mais poder de compra às pessoas, como também irá permitir que as empresas produtivas tenham mais capital e, consequentemente, possam contratar mais pessoas. 

Tendo estes conceitos em mente, há quatro maneiras de se fazer austeridade:

1) Aumentar impostos e cortar gastos;

2) Aumentar impostos e manter gastos inalterados e;

3) Manter impostos inalterados e cortar gastos;

4) Reduzir impostos, e cortar gastos em uma intensidade maior do que o corte de impostos;

A primeira é a que gera uma recessão mais intensa.  De um lado, o corte de gastos debilita aquelas empresas que dependem do governo, o que é bom; mas, de outro, o aumento de impostos confisca ainda mais capital da sociedade, mais especificamente do setor produtivo, que é justamente quem absorveria a mão-de-obra demitida das empresas que faliram em decorrência dos cortes de gastos do governo.  Você tem, portanto, o pior dos dois mundos.  Aumento do desemprego, população com menor poder de compra, e setor privado sem capital para contratar.  É isso que a Europa está fazendo.

A segunda maneira, ao contrário do que se supõe, é a pior.  O governo aumenta o confisco do capital do setor privado, mas continua dando sustentação às empresas ineficientes, que também consomem capital do setor produtivo.  A recessão neste caso é menos intensa, mas os desequilíbrios de longo prazo não são corrigidos.  A economia fica com menos capital, mas as empresas ineficientes seguem firmes, pois seu cliente é o governo, que continua gastando.  No final, tal medida serviu apenas para aumentar o consumo de capital de toda a sociedade.

A terceira maneira é melhor que a primeira e a segunda.  O governo continua confiscando capital, é verdade, mas ao menos liberou outros recursos por meio da falência de empresas que só sobreviviam em decorrência de seus gastos.  Em termos de recessão, é mais branda que a primeira e semelhante à segunda.

A quarta maneira é a maneira correta de se fazer austeridade.  A redução de gastos do governo faz com que empresas ineficientes que dependem do governo sejam enxugadas (ou quebrem) e liberam mão-de-obra e recursos escassos para empreendimentos produtivos e genuinamente demandados pelos cidadãos.  E as empresas responsáveis por esses empreendimentos produtivos terão mais facilidade para contratar essa mão-de-obra demitida porque, em decorrência da redução nos impostos, elas agora têm mais capital e seus consumidores, mais poder de compra. 

Além de não provocar uma recessão profunda — haverá recessão apenas se o governo impuser medidas que retardem a realocação de mão-de-obra de um setor para o outro (por exemplo, aumentando o seguro-desemprego ou o salário mínimo, ou impondo altos encargos sociais que encareçam o processo de demissão e contratação) —, esta maneira é a única que reduz duplamente o desperdício de capital e, com isso, permite uma maior acumulação de capital.  Maior acumulação de capital significa maior abundância de bens produzidos no futuro.  E maior abundância de bens significa maior qualidade de vida.

Portanto, há austeridade e "austeridades".  A melhor maneira é também a menos indolor e a mais propícia ao enriquecimento futuro de uma sociedade.  É injustificável não adotá-la.



autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Edigar Torres  23/11/2012 01:25
    Excelente. Simples e direto. Porque a Economia não parecia tão óbvia antes de se conhecer o Mises.Br???
  • Tiago RC  23/11/2012 01:58
    Leandro, a "austeridade 4" não implica em aumento do déficit?

    Sempre julguei déficit pior que imposto, uma vez que vai virar imposto de qualquer forma no futuro, e enquanto isso ainda consome poupança que poderia ser investida em coisas produtivas.

    Você não trocou, por engano? Não seria "Cortar gastos e cortar impostos em menor intensidade do que o corte de gastos", ao menos até zerar o déficit, momento a partir do qual o corte de gastos pode seguir proporcional ao corte de impostos...

    Abraços,
    Tiago.
  • Leandro  23/11/2012 03:25
    Corretíssimo seu ponto, Tiago. A frase estava invertida. Obrigado pelo beliscão. Abraços!
  • Luciano   24/11/2012 21:13
    Existe diferença entre "Cortar impostos e cortar gastos em maior intensidade do que o corte de impostos" como foi dito no texto e "Cortar gastos e cortar impostos em menor intensidade do que o corte de gastos" como foi comentado pelo Tiago RC?

    abs,
  • Leandro  25/11/2012 04:43
    Não. Apenas semântica. Uma frase utiliza o termo "maior" e a outra utiliza o termo "menor". Em ambas, o corte de gastos é maior que o corte de impostos. Caso contrário, haveria aumento do déficit.
  • Rhyan  25/11/2012 06:13
    Psicologicamnete é melhor falar que haverá um maior corte nos gastos do que um menor corte nos impostos. hehehe...
  • Leocir Luiz Rosa  23/11/2012 03:14
    Que ótima lição de economia....Parabéns Leandro.
  • Juliano  23/11/2012 05:07
    Olá,\r
    \r
    O artigo é excelente! Leandro, acho impressionante a didática e clareza dos teus textos.\r
    \r
    Só tenho uma observação/dúvida quanto à afirmação "Elas são, portanto, atividades que absorvem recursos e capital da sociedade. Elas não produzem; elas consomem.".\r
    \r
    Será que não está um pouco radical demais? A gente pode argumentar que os recursos não estão sendo alocados da melhor maneira possível, mas acho um pouco demais assumir que essas atividades não produzem nada. Se todas as escolas fossem estatizadas, assumiríamos que a partir daquele momento elas não produziriam mais nada? O transporte público, também, é totalmente estatizado (altamente regulado). Dá pra assumir que ele não servem pra nada?\r
    \r
    Minha percepção é que essas atividades seriam melhor geridas, consumiriam recursos de uma forma mais condizente com a demanda dos consumidores, se estivessem nas mãos privadas, mas isso não é a mesma coisa que dizer que não produzem nada.\r
    \r
    Abraços\r
    Juliano\r
    \r
  • Leandro  23/11/2012 05:37
    Obrigado pelas palavras, prezado Juliano.

    Bom, em termos absolutos, é possível dizer que qualquer atividade é uma produção. Um agente da Receita Federal produz um serviço. Um carcereiro de um campo de concentração produz um serviço. Uma empresa de limpeza criada especificamente para limpar o chão do Ministério da Fazenda está produzindo um serviço.

    A questão é, portanto, determinar se este serviço agrega valor à sociedade ou não. Se ele é produtivo ou não. Como fazer isso? Analisando se ele é demandado voluntariamente por pessoas que pagam por esse serviço com a renda própria, se ele opera com preços de livre mercado, e se todo o arranjo (governo e empresa contratada) opera dentro do sistema de lucros e prejuízos.

    Que a empresa de limpeza produz um serviço é algo visível. A questão é se este serviço está agregando benefícios para os indivíduos da sociedade ou subtraindo dela.

    Por exemplo: se eu monto uma empresa privada cujo maior filão é a prestação de serviços para o governo, e se eu participo de licitações superfaturadas para conseguir essa prestação de serviços, estaria eu produzindo algo de valor, isto é, voluntariamente demandado pelos cidadãos privados da sociedade? Dado que o governo vai me pagar com dinheiro que extraiu de terceiros, e dado que o governo não opera de acordo com o sistema de lucros e prejuízos, a minha resposta a essa pergunta é um sonoro 'não'.

    Mas sempre posso ser convencido do contrário...

    Grande abraço!
  • Juliano  23/11/2012 05:46
    Oi Leandro,\r
    \r
    Existem várias atividades estatais, e algumas delas caem perfeitamente na categoria que você descreveu. Da mesma forma, existem médicos, engenheiros, professores e uma multidão de profissionais que também são pagos pelo governo mas desempenham atividades produtivas à sociedade.\r
    \r
    Pegando o exemplo de economias totalmente socialistas, não dá pra dizer que não existe nenhum valor sendo gerado para a "sociedade". Novamente, podemos argumentar que esse arranjo não é o ideal, mas também não é exclusivamente parasitário.\r
    \r
    Não estou de forma alguma defendendo a participação do governo na economia. Estou apenas tentando separar o joio do trigo. \r
    \r
    Abraços,\r
    Juliano
  • Leandro  23/11/2012 05:59
    Por exemplo, se uma empresa produz um serviço que vale $100, mas o governo paga para ela (com dinheiro extraído de impostos) $120, então ela consumiu capital da sociedade. Ela produziu algo, sim, mas devolveu menos do que tirou.

    Pegando um exemplo exagerado, suponha que o trem bala custe R$2 trilhões de reais. Ao ficar pronto, ele vai produzir um serviço, mas o que ele consumiu de capital da sociedade foi muito maior do que o serviço prestado.
  • Juliano  23/11/2012 06:18
    Eu entendo seu ponto e concordo com ele. Acho que é uma questão de nomenclatura. Eu chamaria isso de um problema de alocação de recursos, não diria que elas não produzem nada. \r
    \r
    Você só sabe que algo custa $100 e não $110 quando existe mercado e o governo não opera nessa realidade, a estrutura de custos fica toda distorcida (não vou querer ensinar padre a rezar missa). Meu ponto principal era só diferenciar atividades puramente parasitárias das que são úteis mas poderiam custar menos. Um fiscal da receita não é a mesma coisa que um professor. O primeiro se encaxaria perfeitamente na tua descrição, o segundo só poderia ser mais útil em um arranjo sem o Estado.
  • Mercado de Milhas  23/11/2012 09:44
    Exatamente Juliano.

    Na verdade, creio que há as seguintes situações possíveis.

    Considerando que o governo é financiado com impostos, ele pode:
    1) Simplesmente roubar mesmo o dinheiro, não devolver nada.
    2) Devolver menos do que foi pago. (Roubar uma parte)
    3) Devolver em serviços (e produtos) o mesmo valor que vc já pagaria. Nesse caso, vc não estaria sendo "roubado", apenas ele estaria comprando pra vc.
    4) Ou te devolver mais serviços do que o que vc conseguiria comprar no livre mercado.

    A hipótese 4 é claramente inviável, já que o nível de dedicação do serviço público é terrível e ninguém pode definir exatamente o que o outro quer comprar. Mesmo a hipótese 3, que seria um "tanto faz ser público ou privado", é difícilima (talvez impossível) de ser conseguida.

    Portanto, como estamos carecas de saber, ocorre em todo mundo a situação 2.
    Em alguns países mais próxima de 3 e em outros mais próxima de 1, como no nosso Brasilzão.

    Bom texto!




  • Arthur  23/11/2012 09:57
    "3) Devolver em serviços (e produtos) o mesmo valor que vc já pagaria. Nesse caso, vc não estaria sendo "roubado", apenas ele estaria comprando pra vc."\r
    \r
    Não estaria sendo roubado? Então imagine o seguinte cenário: você está a meses economizando pra comprar uma TV nova. Um ladrão chega, te rouba, e no dia seguinte, ele entrega na sua casa uma geladeira no mesmo valor da TV, só com uma diferença: você não precisa de uma geladeira nova, tampouco quer uma. Isso não é roubo?\r
    \r
    Ou ainda esse mesmo ladrão te rouba e no dia seguinte vem lhe informar que com o dinheiro do roubo ele pagou a mensalidade da escola do vizinho. Não é roubo?\r
    \r
    Pela sua lógica, nenhum desses casos é roubo. Afinal, ele apenas fez o que o governo faz: tomou o seu dinheiro e decidiu no seu lugar no que seria gasto, sem se importar se era o que você queria, se era da qualidade que você queria e por aí vai.
  • Mercado de Milhas  23/11/2012 10:45
    Eu disse se o governo comprar pra você o que você já pagaria (compraria). É uma hipótese praticamente impossível de acontecer, mas é possível.

    No caso, por exemplo, de um seguro saúde de urgência, não vejo mal nenhum em ser obrigatório.

    Se você estiver morrendo e precisar de atendimento, não dá pra pessoa ver se você tá pagando, se quer pagar, etc. Você precisa ser atendido e tem que pagar. Logo, um imposto para custar um seguro emergência, creio que é válido.
  • Leandro  23/11/2012 11:24
    "No caso, por exemplo, de um seguro saúde de urgência, não vejo mal nenhum em ser obrigatório."

    Mais um exemplo do perigo que é analisar a economia apenas pelo lado da demanda e ignorar totalmente o lado da oferta. E também o perigo de utilizar a emoção e não a razão, como se a emoção pudesse revogar leis econômicas.

    Ora, imagine se essa prática fosse sistematizada? Eu pararia de pagar plano de saúde. Aí, quando uma doença fosse diagnosticada em mim e eu tivesse de operar de emergência (por exemplo, uma apendicite), eu simplesmente correria para o hospital e, alegando urgência (e apendicite é urgência), a seguradora teria de cobrir minha operação.

    Pergunto: o que ocorreria com os planos de saúde nesse cenário? Suas apólices ficariam mais caras ou mais baratas? Isso facilitaria ou dificultaria o acesso dos mais pobres a esse mercado?

    Quem pagasse plano de saúde e fosse honesto seria o otário da história, e eu, que não gastei nada com plano de saúde mas que fui assistido (compulsoriamente) quando necessitei, fui o esperto. Quem pagava religiosamente seu plano de saúde me sustentou sem que eu nada tivesse de desembolsar. Isso, além de imoral, acabaria rapidamente com o mercado. Apenas os muito ricos continuariam tendo plano de saúde -- e seriam idiotas caso fizessem isso, pois a lei "garantiria" seu atendimento em caso de urgência. No final, não mais haveria seguradoras. E nem sistema de saúde decente.
  • Mercado de Milhas  23/11/2012 12:30
    Mas qual seria a sua sugestão Leandro ?
    Um caboco está tendo um "treco" no meio da rua. Faremos o que ? Procura na carteira dele pra ver se possui um plano de saúde e, se não tiver, deixa morrer ?

    Outra situação:
    Você compra uma ferrari e vem um cara e detona o seu carro com o fusquinha dele. O cara ganha um salário mínimo e foi o culpado do acidente. A justiça deve mandar o cara deixar de comer pra te pagar ?

    Tem determinadas situações que infelizmente pedem um governo mínimo. Não porque é bom, mas por falta de opção melhor.

    Por isso, e outras coisas, sou a favor de:
    - Estado mínimo.
    - Renda mínima.
    - Seguro saúde de urgência obrigatório.
    - Seguro de veículos contra terceiros obrigatório.

  • Leandro  23/11/2012 13:01
    "Um caboco está tendo um "treco" no meio da rua. Faremos o que ?"

    Você vai ajudá-lo. Outras pessoas que quiserem também irão ajudá-lo. Várias pessoas caridosas irão ajudá-lo. Quem não quiser ajudar, não será obrigado a isso. Qual a sua dúvida?

    O que você não pode fazer é apontar uma arma para a cabeça de terceiros e dizer que elas têm a obrigação de ajudar alguém. Você como ser humano tem a obrigação moral de ajudar outro ser humano. Mas você não tem o direito de interferir no direito de outra pessoa, roubando dela para dar a quem você julga estar necessitado. Se isso se generalizasse, ninguém nesta sociedade estaria seguro. Bastaria eu apontar uma arma para você e dizer "Fulano está precisando de ajuda. Passa a grana!", e isso seria aceito.
    "Você compra uma ferrari e vem um cara e detona o seu carro com o fusquinha dele. O cara ganha um salário mínimo e foi o culpado do acidente. A justiça deve mandar o cara deixar de comer pra te pagar?"

    Duh, é exatamente para isso que existe seguro. Para situações imprevistas cuja probabilidade de ocorrência é calculável. É cada um...
  • Fernando Chiocca  23/11/2012 13:15
    Hahaha, e o cara conclui desse exemplo da Ferrari e do fusquinha que todos devem ser obrigados a fazer "- Seguro de veículos contra terceiros"

    Vamos a outra situação.
    Você compra um vaso da dinastia Ming e vem um cara e detona o seu vaso com a bola de futebol dele. O cara ganha um salário mínimo e foi o culpado do acidente. A justiça deve mandar o cara deixar de comer pra te pagar?

    Logo, todos devem ser obrigados a fazer "- Seguro de danos contra terceiros"


    É de um sadismo a mentalidade desses estatistas...
  • Mercado de Milhas  23/11/2012 13:59
    Ótima situação. Se o cara foi culpado, então ele jogou a bola de propósito no vaso. Pois, se não foi de propósito, então a culpa é do outro que deixou sua raridade num local perigoso. Fecha a janela pelo menos.. hehehe

    Então, se foi de propósito, ele tem de pagar. Ou você é a favor de que as pessoas saiam por aí danificando a propriedade dos outros a vontade e não precisem pagar ?

    O exemplo do carro é porque a pessoa que não tem como arcar com acidentes, não pode ter um carro. Para ter carro, deveria ser obrigatório o seguro contra terceiros, pois é o custo real. Quem compra um carro e não tem como pagar um seguro, está jogando o custo de dirigir para outra pessoa.

    O custo existe e deveria ser dele, não jogado para outros.





  • Mercado de Milhas  23/11/2012 13:46
    O que estou dizendo é que, nessa situação do fusquinha, o cara é responsável pelo prejuízo mas não tem como pagar. Sem o seguro, o cara está fazendo algo que ele não tem como pagar e vai jogar a conta pra outro. Exatamente o que vc estava criticando.

    E, em relação ao "obrigação moral", se você não cobra de todos, quem for mais solidário mais se ferra. Quanto mais solidariedade você tiver, menos vai conseguir competir com quem não tem nenhuma.

    O custo do solidário será maior que do egoísta. Imagina quanto custaria a internação de um cara que está morrendo? Uma fortuna! Você e eu que estamos distantes, fica fácil não pagar nada e dane-se. E pro médico que está atendendo? Ele vai ter que ser solidário, solidário, solidário.. até o momento em que ele vai chutar o balde e deixar o cara morrer, pois vai cansar de usar o próprio dinheiro pra manter os pobres enquanto os demais estão se lixando, já que estão distantes da realidade.

    Seguro saúde tem que ser obrigatório.

    Portanto, venci a discussão. kkkk :-D




  • Marcos Campos  23/11/2012 13:24
    Excelente esboço Mercado de Milhas, justo o que eu precisava para trocar idéia com um amigo estatista.

    Leandro parabéns por mais um artigo de ótimo entendimento, até mendigo entenderia o que é economia.
  • Julio dos Santos  23/11/2012 06:46
    Leandro, me permita acrescentar à tua resposta e me corrija se eu estiver errado.\r
    No teu primeiro exemplo, mesmo que o governo pague para esta empresa exatamente o preço praticado no mercado, no caso $100, ele estará consumindo capital, pois ele está utilizando montante vindo de impostos (dinheiro obtido de mim através de coerção) para fazer uma escolha que eu poderia fazer no lugar dele. Talvez eu considere o preço deste serviço diferente deste montante (maior ou menor), talvez a qualidade dele não esteja de acordo com a qualidade que eu quero (maior ou menor), pouco importa o preço que ele pratique, pois a destruição do capital não vem só dos preços praticados pelo estado, mas principalmente da imposição dele fazer uma escolha de alocação de recursos no meu lugar e com a minha riqueza.\r
    Eu me preocupo com esta abordagem, pois os estatistas defendem que para corrigir esta falha o estado deve ter melhor mecanismos de compra e não enxergam que a solução é o estado deixar de fazer escolhas no meu lugar.\r
    Parabéns pelos seus textos e obrigado por nos premiar com eles.
  • Leandro  23/11/2012 06:56
    Perfeito e irretocável, Julio. Obrigado pelas palavras. Grande abraço!
  • Randalf  23/11/2012 08:36
    Leandro, eu concordo com o que disse no artigo, mas penso que a atitude do governo português foi genial. Eles aumentaram os impostos e continuam a reduzir despesa aos poucos. E fizeram isto, porque ao tentarem reduzir despesa, todo o tipo de cidadão estava contra, não queriam reduzir salários, reduzir despesa na educação, despesa na saúde, nas pensões, nos lobbies também havia muita pressão e nas instituições públicas. Então, o governo aumentou bastante os impostos, numa forma de dizer ao povo 'ou cortamos despesa, ou inundámo-vos de impostos. O resultado: até blogs criam agora a recolher informação de despesa mal gasta no sector público, e até falam de uma revisão da constituição e do estado social. Neste momento, a população está mais consciencializada, e parece que o governo encontra mais abertura para redução de despesa, e até já falam de uma redução de impostos ao nível das empresas (já se fala numa proposta em particular de uma redução de 25% para 10% para novos investimentos das empresas). É compreensível que se tem de reduzir despesa, mas é bastante difícil fazê-lo em democracia (em especial para pessoas que não entendem o que se tem de fazer).

    PS: Ainda há muitas coisas que o governo português peca, mas não tenho dúvidas que é o governo mais responsável desde há bastante tempo.

    Cumprimentos,
    Randalf
  • Andre Cavalcante  23/11/2012 09:39
    Estive o ano de 2011 todo em Portugal e te digo que o corte de gastos do governo Português foi forte, mas foi basicamente aonde não precisava. Bastaria privatizar as infinitas estatais portuguesas e diminuir (não tô falando nem em acabar, veja bem) os gastos supérfluos do governo como viagens, diárias em hotéis caros, auxílio combustível para conselheiros etc., etc., etc., que já colocava a economia portuguesa mais ou menos nos eixos.

    A outra coisa a fazer é a UE liberar as cotas para produtos primários vindos de Portugal, da Madeira e dos Açores. Ou seja, Portugal voltar a fazer aquilo que, na escola em minha infância, aprendi que os portugueses eram fortes: vinhos, azeites e pesca!

    Abraços
  • Randalf  23/11/2012 13:27
    Estamos de acordo. Há uma enormidade de gastos excessivos aos 'representantes' do povo. E além disso, também deve saber que as privatizações em Portugal é bastante difícil, pois os socialistas e comunas alegam que é de 'interesse público'. A velha história.

    Randalf
  • Fernando Chiocca  23/11/2012 10:13
    A única maneira de saber se uma atividade agrega valor é observando se ela é voluntária ou coercitiva.

    A escala de valores de cada um é subjetiva, e só através da preferência demonstrada através de ações voluntárias é que podemos saber se uma pessoa valoriza ou não uma atividade. Se não valoriza, se ela só age de certa maneira pois é coagida para tal, então tal atividade reduz e não aumenta a utilidade.

    Como cientistas, só podemos obsrvar as escolhas feitas pelas pessoas que são demonstradas através de ações. Qualquer outra maneira de avaliar é subjetiva e sem valor científico. O Leandro não está dentro da cabeça de todo mundo para saber o que elas pensam, e está certo ao afirmar que atividades que só são levadas a cabo através da coerção, absorvem recursos e capital da sociedade.


    Se a pessoa coagida a agir de certa maneira iria agir da mesma maneira com ou sem a coerção, é mera especulação, e não é uma maneira cientifíca de se analisar os fenômenos sociais. Por exemplo, eu sou coagido a pagar pela limpeza da minha rua, mas eu pagaria por ela de qualquer maneira, pois não quero viver num lugar sujo. Nesse caso temos valor, mesmo com a coerção. Mas como saber se as pessoas pagariam por algo se não fossem coagidas? Não temos como saber. E se pagariam, a coerção seria dispensável.

    Demonstrated Preference
  • Lucas S  13/04/2013 22:59
    Devido ao intenso Marxismo cultural, fica difícil de colocar na cabeça de um brasileiro que a única coisa que de fato gera riqueza é o investimento do capital privado. Apenas agentes econômicos realizando trocas voluntárias podem melhorar a situação. Artigo excelente! A raiz do mal é o estado.
  • Rhyan  23/11/2012 05:44
    Pelo que eu vejo essa "austeridade" da Europa só está servindo para o déficit não crescer no mesmo rítmo que estava crescendo. Mesma coisa nos EUA.
  • Pedro  23/11/2012 08:33
    Inclusive nos EUA é considerado corte de gastos, aqueles "cortes" que são feitos em cima de previsões de crescimento de gastos. Por exemplo: estava previsto um aumento nos gastos de 10% até 2020, porém agora, com as medidas de "austeridade", o crescimento será de apenas 8%. Ou seja, para eles, foram "cortadas" 2% das despesas.

    È isso mesmo, eles chamam isso de austeridade.

    Alguma pessoa em sã consciencia diria que um indivíduo quebrado que vai aumentar seus gastos em apenas 8% ao invés de 10% está sendo austero?

    Pois é, ninguém falaria isso, mas quando se trata de governo, parece que a palavra ganha outro sentido. E no final como nada disso vai resolver problema nenhum, afinal a austeridade de verdade passou bem longe, a mídia e os politicos culpam a "austeridade" deles. Ridículo.

    Da mesma forma que o significado da palavra inflação foi distorcido com o tempo, estão querendo distorcer o significado da palavra austeridade.
  • Leandro  23/11/2012 08:52
    Pedro, não só nos EUA. Esse truque também é rotineiro aqui no Brasil. Obviamente, a mídia apenas relata o que o governo manda.

    O corte de gastos, ou: a maravilhosa retórica do nosso governo
  • zeca  23/11/2012 05:49
    Excelente texto. Concordo 110% com o seu conteúdo. Mas o problema é justamente esse: Quando os políticos anunciam austeridade, geralmente só fazem aumentar impostos e deixam o resto como está: Estado inchado e bancos gerando bolhas de crédito.
  • Carlos  23/11/2012 07:07
    Eu que estou tendo aulas de Direito do Trabalho na Faculdade, vocês não imaginam as asneiras que o professor fala em todas as aulas(ele é Auditor do Trabalho), sem dúvidas esse site foi a minha salvação, aqui encontro muitas verdades.

    Inclusive na aula de ontem o professor estava falando sobre acidente do trabalho e dentre outras coisas ele criticou a revolução industrial dizendo que ela aumentou a pobreza e a insegurança do trabalho e defendeu uma maior intervenção do Estado nas empresas.

    Vocês tem algum artigo falando sobre segurança do trabalho?
  • Leandro  23/11/2012 07:15
  • DCaesar  24/11/2012 14:33
    Carlos
    Podemos sugerir a este professor que se mude para algum ponto da floresta amazônica onde a revolução industrial ainda não chegou e viver com todo o conforto.
  • Gomes  23/11/2012 08:32
    O artigo sustenta que impostos consomem capital. Assumindo que isso seja verdade, como explicar o fato de que economias com impostos elevadíssimos, como Suécia, carga fiscal de cerca de 50% do PIB, não só não se tornaram paupérrimas como Mali ou Gâmbia, que tem impostos baixíssimos, mas continuaram e continuam enriquecendo, ou seja, continuam aumentando seu estoque de capital? A propósito, a Suécia cresceu 5,5% em 2010 e 4% em 2011.


  • Leandro  23/11/2012 09:00
    De novo essa pergunta? Não se passa uma semana sem que alguém venha aqui jurando ter descoberto essa "falha" em nossa percepção. Assim como a pergunta do "O que uma sociedade anarcocapitalista faria perante a iminência de uma invasão alienígena", essa pergunta sobre os países escandinavos também é hors concours.

    Prezado Gomes, os países escandinavos primeiro enriqueceram (o fato de não terem participado de nenhuma guerra ajudou bastante) e só depois adotaram um estado assistencialista. E com um detalhe inevitável: após essa adoção, a criação de riqueza estagnou (como foi relatado aqui e aqui).

    Outra coisa pouco mencionada é o alto nível de desregulamentação das economias escandinavas. Você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil); as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (7,9% no Brasil); o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (34% no Brasil); o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições); os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho); e, horror dos horrores, o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Estrovengas como a CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nunca seriam levadas a sério por ali.

    Isso tudo fomenta a acumulação de capital, a qual tem de ser muito alta para alimentar todo o consumo de capital feito pelo governo. É sim possível uma sociedade ter uma alta carga tributária e continuar enriquecendo, mas sua população tem de ser altamente poupadora e incrivelmente produtiva, e a economia tem de ser altamente desregulamentada. Ele precisa acumular capital a uma taxa maior do que o consumo feito pelo governo. Caso a acumulação de capital consiga ser maior do que o consumo de capital feito pelo governo, a sociedade pode enriquecer.

    Não é necessário ter um QI elevado para constatar o que aconteceria caso o Brasil adotasse uma carga tributária escandinava (muito embora já estejamos muito perto).

    Impostos, por definição, não fomentam a acumulação de capital. Eles destroem. Deixe sua ideologia de lado e passe a estudar as coisas com mais cientificismo.
  • Gomes  23/11/2012 09:29
    Prezado Gomes, os países escandinavos primeiro enriqueceram (o fato de não terem participado de nenhuma guerra ajudou bastante) e só depois adotaram um estado assistencialista. E com um detalhe inevitável: após essa adoção, a criação de riqueza estagnou

    Não estagnou, tanto que o pib per capita da Suécia subiu de 20 mil dólares para 40 mil dólares entre 1999 e 2011.
  • Leandro  23/11/2012 09:52
    Muito embora não damos aqui a mínima para o PIB, pois seu cálculo não tem sentido, o gráfico abaixo mostra: PIB per capita parado na década de 1973 a 1984 (de 17.000 para 20.000), justamente quando adotaram o estado de bem-estar. De 1984 a 1994, continuou estagnado (de 20.000 para 22.000).

    Ou seja, de 1973 a 1994, 21 anos, o PIB per capita foi de 17.000 para 22.000.

    Em 1994, o governo implementou vaias reformas liberais (estude a respeito).

    "In 1994 the government budget deficit exceeded 15% of GDP. The response of the government was to cut spending and institute a multitude of reforms to improve Sweden's competitiveness. When the international economic outlook improved combined with a rapid growth in the IT sector, which Sweden was well positioned to capitalize on, the country was able to emerge from the crisis."

    Aí a coisa finalmente deu uma andada: PIB per capita foi de 23.000 para 33.000.

    Veja a evolução aqui:

    www.tradingeconomics.com/charts/sweden-gdp-per-capita.png?s=swenygdppcapkd&d1=19740101&d2=20121231

    Repito o conselho: deixe de ideologia e panfletagem e dedique-se ao estudo científico.
  • Gomes  23/11/2012 11:05
    Meu dado é do index mundi: www.indexmundi.com/g/g.aspx?c=sw&v=67&l=pt
  • Leandro  23/11/2012 11:12
    Não tem problema. Você pegou de 1999 pra cá. As reformas liberais ocorreram em 1994. Ou seja, seus números apenas comprovam (e de maneira até mais estridente) o que foi dito acima.
  • Miqueias  23/11/2012 13:42
    O PIB não é uma boa referência, especialmente em economias com alta carga tributária. Pois os gastos do governo destrói a riqueza, porém são contabilizados no PIB gerando um falso aumento.

    Por que o PIB é uma ficção
  • anônimo  23/11/2012 18:43
    É impressionante como que o Leandro responde a questionamentos que eu responderia com um "VAI PRA .... SEU FILHO DA....MENTIROSO DO ......".
  • Mercado de Milhas  23/11/2012 09:49
  • Mercado de Milhas  27/11/2012 08:39
    Leandro, qual seria a resposta dessa pergunta?
    "O que uma sociedade anarcocapitalista faria perante a iminência de uma invasão alienígena" ?
  • anônimo  23/11/2012 08:46
    Esse site coloca artigos de Deus e o mundo, mas não tem links, digo, uma seção só de links
    Por que?
  • Leandro  23/11/2012 08:51
    Você se refere a isso aqui? É só procurar. E também pode clicar no nome do autor do artigo. Ou também, na página principal, lá em baixo, há vários links por assunto. De novo, é só procurar. Muito fácil e direto.
  • Leandro Torricelli  23/11/2012 09:26
    Como o tema é propício, eu gostaria de (ab)usar da boa vontade de algum membro com mais conhecimento e sanar uma dúvida que tenho.

    Quando um país incorre em déficit fiscal, gastando mais do que arrecada, compensa essa diferença através de emissão de títulos e o consequente aumento da dívida pública, correto?
    Segundo esse site de estatísticas que periodicamente consulto, o Brasil aparece como superavitário fiscal: www.indexmundi.com/brazil/budget.html

    Assim sendo, se o governo arrecada mais do que gasta, por que nossa dívida pública não pára de subir? Não era para a dívida estar diminuindo?
  • Leandro  23/11/2012 09:31
    Esses números excluem o pagamento de juros. Quando isso ocorre, tem-se aquilo que se chama "superávit primário", uma estrovenga inventada pelo FMI e na qual vários jornais acreditam. Quando você inclui o pagamento de juros, o governo passa a incorrer em déficit nominal. Nenhum país sério divulga apenas seus resultados primários, mas sim os nominais.

    E o Brasil sempre incorre em déficits nominais. Não temos superávit nominal.

    Veja o que diz a mais recente nota do Banco Central a respeito:

    "O resultado nominal, que inclui o superávit primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$12,3 bilhões em setembro. No ano, o déficit nominal atingiu R$85,6 bilhões (2,63% do PIB), elevando-se 0,24 p.p. do PIB em relação ao mesmo período de 2011. No acumulado em doze meses, o déficit nominal alcançou R$120,7 bilhões (2,78% do PIB), comparativamente a R$117,7 bilhões (2,72% do PIB) até agosto."

    Por isso, como você corretamente notou, nossa dívida bruta não pára de subir. Se tivéssemos todo esse superávit que a imprensa alardeia, já estaríamos com a dívida zerada.

    Sugiro este artigo, que explica detalhadamente tudo isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1094

    Abraços!
  • Andre Cavalcante  23/11/2012 09:58
    Leandro,

    O pior é ver que o Brasil ainda tá melhor que a maioria dos europeus. Só a Alemanha consegue fechar o défice público/PIB abaixo dos 3% e olha que essa seria condição de entrada/permanência na UE e eurozona.
  • Marcos  23/11/2012 17:16
    Andre, não se preocupe. O governo brasileiro tá fazendo tudo certinho para não ficar atrás da Europa:

    g1.globo.com/economia/noticia/2012/11/tesouro-emite-r-20-bilhoes-para-bndes-e-divida-publica-avanca.html
  • Pedro  24/11/2012 11:21
    Pode até ser que tenhamos um déficit nominal menor, mas também inflacionamos bem mais do que os europeus.
  • Jeferson  24/11/2012 11:35
    oi Leandro. me tira uma dúvida: qual a diferença entre juro real e juro nominal? com isso consigo ler com maior clareza seu comentário. abraço!
  • DCaesar  24/11/2012 14:56
    Jeferson
    Exemplificando, juro nominal é o percentual que o banco cobra.
    Se eu pegar 100.000,00 emprestado a uma taxa 10% ao ano, no final do período terei que devolver os 100.000,00 mais os juros de 10.000,00 totalizando 110.000,00.
    Se a inflação neste período de um ano foi de 5%, posso considerar que os preços aumentaram e bens que valiam 100.000,00, agora valem 105.000,00.
    Então os juros reais que eu estou pagando são a diferença de 110.000,00 para 105.000,00, ou seja 5.000,00.
    A taxa de juros real é 5.000,00 dividido pelos 105.000,00. Juros real igual a 4,76% ao ano. Costuma-se escrever 4,76%aa.
    Espero ter ajudado.
  • anônimo  26/11/2012 05:59
    oi Dcaesar. obrigado pela explicação da diferença entre juro real e juro nominal. de fato juro nominal não deveria existir uma vez que leva em consideração a inflação do momento. seria o mesmo que declarar o PIB considerando a arrecadação do governo no cálculo o que já estamos carecas de saber que é uma conta errada. na conta de padaria não deveria existir juro nominal. agora te pergunto: de que forma é possível alterar o cenário de juro nominal para juro real de forma sustentável? quero dizer sem revoluções e quebra de pratos na sala do Tombini. algo que poderia ser aplicado dentro do sistema atuante. é possível?
  • DCaesar  06/12/2012 16:12
    Anônimo;
    Juro nominal só existe por causa da inflação.
    O sistema atual 'fabrica' dinheiro sem lastro. É só 'papel pintado'.
    Se migrarmos para um padrão ouro, por exemplo, a migração para o juro real será automática. É o que pregam alguns libertários com Ron Paul.
  • Juliano  23/11/2012 11:05
    "O problema não é o SUS, e sim o mercado", diz pesquisador\r
    \r
    E olhe que o cara é economista.\r
    \r
    Algumas pérolas....\r
    "De sorte que o problema não é o SUS e sim o mercado – que acumula capital, radicaliza a seleção de riscos e retira recursos financeiros crescentes do SUS, em detrimento da qualidade da atenção médica e da saúde pública da população. Veja, de um lado, a expulsão dos doentes crônicos e idosos dos planos de saúde, e de outro, a baixa remuneração dos prestadores médico-hospitalares. Até onde vai esse mercado?\r
    \r
    "E não foram as eventuais fragilidades do SUS que proporcionaram o crescimento dos planos de saúde! Ao contrário, esse crescimento foi gritante, porque contou com incentivos governamentais no contexto do desfinanciamento do SUS, da crise fiscal do Estado e da ofensiva neoliberal."\r
    \r
    "esconde o fato histórico de que esse mercado foi uma criação do Estado, favorecendo o modelo de proteção social de matriz liberal em contraposição ao modelo definido na Constituição de 1988".\r
    \r
    E, concluindo com chave de ouro...\r
    "tem o mérito de incorporar na agenda da saúde pública a contribuição de Keynes, Schumpeter e do próprio Marx"\r
    \r
    \r
    \r
    \r
  • josé carlos zanrforlin  23/11/2012 12:17
    Prezado Leandro:

    Voltei. O tema é atual, tratado com clareza. Não entendi a diferença, posta na intervenção do Tiago RC (a segunda de cima para baixo)e a enunciação da sua 4ª maneira conceitual de austeridade. Diz você,atribuindo sinal - a I(impostos) e -- a G (gastos) porque se reduzem em intensidade maior que a redução de impostos: -I e --G. Dis o Tiago RG (adotando-se a mesma simbologia): --G e -I. Logo, ambos (você e ele) disseram a mesma coisa, a menos que a ordem (-I e --G) e (--G e -I)altere a proposição que ambos formularam. Se altera, não entendi a razão. Se não altera, não havia por que vc concordar com a observação.
    De qualquer forma, grato.
    jcz
  • Leandro  23/11/2012 12:54
    Prezado Zanforlin, eu havia escrito a frase de maneira desatenciosamente invertida. Havia escrito "Cortar gastos e cortar impostos em maior intensidade do que o corte de gastos" quando na verdade queria escrever "Cortar impostos e cortar gastos em maior intensidade do que o corte de impostos".

    Tal proposta (a primeira frase), obviamente, levaria a um aumento do déficit e não configuraria austeridade. O Tiago me atentou para esse erro e eu corrigi.

    Abraços!
  • Daniel  23/11/2012 17:08
    Tenho uma dúvida em relação à dívidas contraídas pelo estado que vem me incomodando há um bom tempo.

    Muito se fala da relação dívida/PIB para se medir quão má está a situação financeira de um governo, mas para mim isso não faz muito sentido. Não vejo motivo para ser um problema ter uma dívida que, por exemplo, ultrapasse 100% do PIB caso seja possível administrá-la dentro do orçamento.

    O aumento da porcentagem da arrecadação do governo que vai para o pagamento de dívidas me parece bem mais importante. Se não me engano em 2008 o governo reservava por volta de 30% do orçamento para o pagamento de juros e amortizações. Agora em 2012 esse número aumentou para perto de 40%.

    Me parece ser meio óbvio que se essa tendência continuar, um dia faltará dinheiro para pagar a dívida e as outras despesas, assim, o governo inevitavelmente entrará em crise. Contudo, tenho a impressão que esse aumento não é visto como algo importante, mas não consigo entender a razão.

    Por que a porcentagem do orçamento gasto com a dívida pública não é usado como indicador da situação financeira do governo?
  • Leandro  24/11/2012 02:29
    Correto. Levando-se em conta tudo que o governo gasta apenas com a dívida -- gastos com juros, encargos, amortizações e mais refinanciamentos --, o percentual em relação à receita é pavoroso.

    Consequentemente, o governo tem de endividar ainda mais apenas para pagar os juros e amortizar a dívida anterior. É um buraco negro.

    Por que não utilizam a porcentagem do orçamento gasto com a dívida pública como indicador da situação financeira do governo? Porque aí qualquer ser pensante chegaria à conclusão de que é necessário parar de se endividar. E a única maneira de parar de se endividar é cortando gastos. E isso ninguém quer.
  • Brasilândia  23/11/2012 18:31
    Me tira uma dúvida amigão porque nao se faz uma austeridade financeira em vez da fiscal, pois nosso maior gasto orçamentário se deve aos juros e amortizações da dívida???
    É fácil cortar o gasto fiscal e o financeiro que é bom poucos tem a coragem de indagar, gostaria de sua opinião.
  • Leandro  24/11/2012 02:40
    Então eu certamente não estou entre estes poucos, "amigão". Pode conferir este artigo. (Ele contém links para o site do Tesouro e do Ministério da Fazenda, só que os idiotas de lá -- os maiores idiotas do Brasil estão fazendo ponto no Ministério da Fazenda -- recentemente reformularam o site de tal maneira que todos os links anteriores foram perdidos).

    Quanto à maior fatia dos gastos do governo ser com juros e amortização (algo que o artigo linkado acima fala em detalhes), ora, isso é consequência direta do keynesianismo que nos domina. Nunca entendi essa reclamação. O pessoal quer que o governo gaste em tudo, mas não quer aguentar as consequências dessa gastança: maior endividamento, maiores juros, maiores gastos com juros, amortização e refinanciamento.

    Não entendo como é possível alguém de cara limpa criticar gastos com juros e amortização e ao mesmo tempo afirmar que o governo deveria gastar mais em vez de menos. Afinal, foi para gastar mais, e não menos, que se fez a dívida interna.

    Vocês parecem achar que é possível viver em uma dimensão paralela, na qual gastos do governo não têm consequência nenhuma sobre a situação das finanças do governo.
  • Brasilandia  25/11/2012 13:21
    Amigão por exemplo a dru desvia bilhões da seguridade social para o superávit primário, a lrf limita gastos fiscais, mas não financeiro e pra completa nosso maravilhoso governo esconde informacoes financeiras como os valo res a rolagem da dívida . Resumindo o ajuste fiscal aqui está bem ativo, por isso da famosa falta de recursos e de minhas luta contra esse governo e contra essa financa. como disse no ncomeço cortar o gasto fiscal é fácil, por isso voltei-me contra a financa e contra o estado que são 2 colossais problemas, sou a favor do desenvolvimento do país acima de tudo, abraços .
  • Rodrigo Polo Pires  24/11/2012 03:00
    Pois é Leandro, mas quem acredita que o governo irá reduzir gastos. Os governos nunca fazem isso. Reduzir a carga tributária então, nem falar. Qual político irá querer que as pessoas consigam viver livremente, livrando-se dos "favores" governamentais> Posso exemplificar isso com a petrobrás. Pensem em uma situação em que o monopólio da distribuição de combustíveis seja eliminado e empresas produtoras de pequenas usinas de biocombustiveis desoneradas. Em pouco tempo milhares de miniusinas entrariam em operação, fabricando etanol e outros óleos, vendendo regionalemente à preços bem inferiores aos praticados hoje, pois muita matéria prima poderia ser aproveitada na produção. Em um espaço curto de tempo a petrobrás teria milhares de concorrentes e sem dúvida estaria em sérias dificuldades e o governo perderia, não teria mais a "arma" apontada para a cabeça do consumidor. Uma regulementação, uma proibição, um simples decreto pode literalmente decretar a escravidão e o aniquilamento dos capazes de viver às suas próprias custas, sem depender de bnds, vendas ao governo e outros truques ardilosos. Os políticos são os fariseus hipócritas atuais. Os políticos gostam de falar sobre ações estratégicas, modelos, projetos, programas, mas não querem nem ouvir falar em retirar as algemas, cadeados, correntes, com que amarram os brasileiros. Cantam loas à imensa capacidade do brasileiro, à sua competência, mas não desamarram suas pernas, nem dizem vai, corre, és livre.
  • Bright  24/11/2012 03:26
    À medida que a carga tributária cresce, o setor informal cresce junto e, junto com ele, a sonegação fiscal. Para compensar isso, o governo, simplesmente, aumenta a carga sobre bens essenciais (cesta básica, combustível, etc), obrigando todos a pagar a conta indiretamente.
  • Desafinado  24/11/2012 07:40
    Pois é, Rodrigo Pires. O futuro se mostra negro e frustante. Será o Liber (partido libertário em formação) uma esperança real de possíveis mudanças?
  • Rafael  24/11/2012 08:20
    I don't think so...

  • anônimo  24/11/2012 11:10
    A política é uma ferramenta PRA EDUCAR.
    Molineux ta errado de novo, pra variar.
  • Andre Cavalcante  25/11/2012 08:10
    Pelo jeito...
    cê não viu o vídeo? Se viu, entendeu? Se entendeu, porque o comentário?
  • Igor  24/11/2012 12:07
    Quer dizer que os gastos do Governo são pra financiar empresas ineficientes e que não produzem nada pra população? E ainda tem idiotas que concordam kkkkkkkK
    Por que você negligencia na sua analise o gasto governamental em Saúde, Educação, Transporte e etc ...
    Utilizando o exemplo da Europa, corte de gastos e aumentos de impostos retirando a população uma coisa institucional que já é intrínseco na sociedade que é o Welfare State só por causa de vaidades Alemãs.
    Por que você critica as reportagens que utilizam uma ótica do problema e você usa o pensamento único ortodoxo e não estuda mais as teorias Heterodoxas e suas implicações empíricas?
  • Leandro  25/11/2012 04:39
    "Quer dizer que os gastos do Governo são pra financiar empresas ineficientes e que não produzem nada pra população? E ainda tem idiotas que concordam kkkkkkkK. Por que você negligencia na sua analise o gasto governamental em Saúde, Educação, Transporte e etc"

    Gastos do governo são para tudo. Custear 40 ministérios e toda a sua pletora de burocratas, assistentes, apaniguados e afins; custear agências reguladoras e sua cornucópia de regulamentações, lobistas e afins. Dar subsídios a várias empresas favoritas e afins. Sustentar deputados, senadores, auxiliares e afins. Pagar os salários de todos os milhões de burocratas na folha de pagamento do governo e várias empresas terceirizadas e afins. Mas a maior fatia do orçamento vai para o pagamento de juros. Gastos com saúde (cujos serviços são uma porcaria), com educação (porcaria ainda maior) e transportes (porcaria tão grande que sequer chega a se qualificar como piada) formam apenas uma fatia do orçamento e ainda assim também servem para fazer a farra de empresas terceirizadas..

    Isso é tão economicamente óbvio, que a única pré-condição para se entender é ser humano. O problema é que os artigos desse site muitas vezes vão parar nas patas de asininos, que necessitam de explicações mais detalhadas e mastigadas. Quando não conseguem entender o básico, relincham e disfarçam com gargalhadas.

    "Utilizando o exemplo da Europa, corte de gastos e aumentos de impostos retirando a população uma coisa institucional que já é intrínseco na sociedade que é o Welfare State só por causa de vaidades Alemãs."

    Puxa, mas como são poderosos esses alemães! Não apenas determinam o que cada país deve fazer, como ainda são capaz de revogar as mais básicas leis econômicas. O estado assistencialista vai durar enquanto os alemães permitirem. O estado assistencialista independe de carga tributária, independe da produtividade de um sociedade, independe de uma contínua acumulação de capital, independe de mais gente disposta a trabalhar apenas para sustentar a boa vida de inúteis, independe de tudo. Depende apenas das "vaidades alemãs". Os alemães são tão donos do universo que podem abolir até a lei da escassez. "Faça-se o assistencialismo!", brada um burocrata alemão, e toda a Europa estará a salva.

    Para escrever em uma linguagem que você entende, "KKKKKKKKKK".

    Consegui imitar seu relincho?
  • pensador barato  25/11/2012 08:55
    Igor vai defender seus privilégios na lua,"kkkkkkkk",idiotice aqui não vale,seu idiota.
  • Dam Herzog  25/11/2012 09:53
    Bem, Leandro você com este artigo nos dá vigor para enfrentar as politicas erradas que mentes lavadas com propaganda do socialismo-modernizadas com o keynesianismo-estatismo-totalitarismo que nos atingem no dia a dia. Sou um novato do libertarianismo,e após ser introduzido ao Mises pelo blogueiro Daniel Fraga frequento estas paginas todos os dias. Então, pelo que pude entender e para soltar as amarras com que o estatismo nos paraliza deveriamos: "Cortar gastos e cortar impostos em menor intensidade do que o corte de gastos", ao menos até zerar o déficit, momento a partir do qual o corte de gastos pode seguir proporcional ao corte de impostos, fazer uma intensa privatização,vender os bancos estatais, extinguir o banco central (provoca inflação,altera juros, altera ativos da população), abrir as fronteiras do pais, para igualar à competividade internacional, tornar o direito de propriedade sagrados,invasão de propriedade seria crime mesmo para os ditos grupos sociais , desregulamentar a economia, vender todas as as terras publicas, privatizar saude, educação, proibir todos os monopolios públicos, assegurar inteira liberdade e segurança juridica de qualquer cidadão do mundo que queira investir aqui, desde que não peça privilegios do governo, liberdade de associação ou liberdade de não se associar (roubo do coercitivo imposto sindical, acabar com a as regulamentações que só geram custos desnecessarios, suprimir portarias absurdas, retirar a propriedade do solo da dita "união", recriar a federação ou ate a supressão dos "Estados" e cada cidade seria uma unidade de estado federativo, Liberdade total de imprensa. Você, acha que com as iniciativa acima ja seria um bom começo ou haveria uma palavra magica que substituisse tudo acima? grato.
  • Leandro  25/11/2012 23:43
    Já seria definitivamente um ótimo começo. Palavra mágica? Há uma atitude mágica: abolir o Banco Central, que é o grande capacitador de tudo isso. Sem um BC imprimindo dinheiro e financiando o governo, este teria de se virar apenas com a receita de impostos (ele não poderia se endividar continuamente como faz hoje porque os juros disparariam). Seria inevitável uma redução generalizada no aparato estatal.

    Por que o Banco Central é a raiz de todos os males
  • Lucas S  02/06/2013 02:18
    Leandro, estou terminando de ler "O Espetáculo do Crescimento(tradução grotesca de elusive quest for growth)" e, no capítulo 4, o autor William Easterly escancara uma trágica realidade brasileira sobre educação: "Nos países em que o governo interfere muito na economia, as pessoas instruídas optam por trabalhos que distribuem a riqueza. criar riqueza fica para um segundo plano. Economias com muitos advogados crescem mais devagar que economias com muitos engenheiros". É um livro super interessante...mesmo escrito em 2001, continua totalmente válido.
  • jaziel  25/11/2012 12:05
    vocês tem de ver as pérolas que um os professores andam proferindo nas aulas de economia. Como exemplo o professor da instituição na qual estudo mostrou para o governo que quanto mais gasto o governo efetua, mais irá movimentar a economia e trazer desenvolvimento. Crédito Fácil e barato e gastança é o que interessa. Agora poupar e aplicar em atividades produtivas, isso ninguém quer. É só ver como tem carros novos em cidades em que falta tudo. O povo agora está arrogante e se acham ricos. Sorte das montadoras que conseguem espalhar os seus produto.
  • jaziel  25/11/2012 12:11
    Leandro, quero agradecer agradecer aos artigos e explicações do site. Fui ao seu site recomendado pelo Olavo de carvalho sobre publicações do Mises. Quais são as diferenças entre os conservadores e liberais. Não é um luxo estarem divididos, quando a esquerdalha está mais unida do que nunca. E quanto ao artigos e as suas repostas são fenomenais. É uma pena que eu não tenha mais tempo para esgotar todo o material do site. Já estou fazendo propaganda das ídéias do site lá onde estudo e não quero nem saber. Se eles pregam o tempo inteiro marxismo, por que não posso defender idéias como o liberalismo. A cada dia mais percebo o quanto esse país está se tornando um inferno para aqueles que querem viver do seu suor.
  • Fred  29/11/2012 20:35
    Gostaria de entender como vcs me explicam um fato curioso.

    Até pouco tempo atrás esse site era inundado por publicações de um certo senhor que se dizia capaz de prever os fenomenos economicos, uma vez que ele "acertou" que a crise imobiliaria ira explodir (mesmo que ele nao tenha acertado o timing), pois, segundo ele, o tal senhor se valia da "mais pura" das teorias economicas.

    Pois bem, esse mesmo senhor fez outras previsões. Uma delas era de que o Euro iria derrubar o dólar e se tornar a moeda hegemonica desse mundo. Novamente o esperto senhor se absteve de propor sequer um prazo ou um intervalo de tempo, quanto mais "cravar" a data correta de tal evento.
    Porém, pouco vejo agora artigos sobre o assunto, alias, o que se vê é o Euro correndo sérios de ser exterminado. Aí eu vos pergunto: cadê esse senhor? Suas previsões onde estão agora?

    Seria melhor colocá-lo no horário do Zorra Total! Seria mais engraçado
  • Leandro  30/11/2012 02:49

    "um certo senhor que se dizia capaz de prever os fenomenos economicos,"

    Como assim "prever fenômenos econômicos"? Alguns fenômenos são facilmente previsíveis; outros, impossíveis. Se este cidadão a quem você se refere -- e quem eu não tenho a mínima ideia de quem seja -- se dizia capaz de prever alguns destes fenômenos, sem problema. Se ele se dizia capaz de prever todos, certamente não temos nenhuma publicação deste cidadão neste site.

    "uma vez que ele "acertou" que a crise imobiliaria ira explodir (mesmo que ele nao tenha acertado o timing), pois, segundo ele, o tal senhor se valia da "mais pura" das teorias economicas."

    Várias pessoas previram a crise imobiliária. E não era nem questão de ser mago ou ser seguidor da "mais pura" teoria econômica. Uma simples análise e acompanhamento das estatísticas, em conjunto com um mínimo conhecimento de economia, já garantiam tal conclusão. Sobre timing, ver mais abaixo.

    "Pois bem, esse mesmo senhor fez outras previsões. Uma delas era de que o Euro iria derrubar o dólar e se tornar a moeda hegemonica desse mundo."

    Ao menos aqui em nosso site não temos absolutamente nenhum artigo que sequer chegue perto de tal afirmação. Você tem certeza de que veio ao lugar certo? Você está mentalmente são?

    "Novamente o esperto senhor se absteve de propor sequer um prazo ou um intervalo de tempo, quanto mais "cravar" a data correta de tal evento."

    Você por acaso tem a mais mínima noção do que acabou de falar? Não tenho a mínima ideia de a quem você se refere, mas seja lá quem for -- mesmo que seja o Krugman --, tenha isso em mente: absolutamente nenhum ser humano pode prever "data correta" para eventos econômicos. A economia é formada pela interação diária e espontânea de nada menos que 7 bilhões de indivíduos. Querer que alguém "crave" uma data correta para a ocorrência de um determinado fenômeno econômico de grandes proporções causado pela interação de 7 bilhões de pessoas é algo totalmente insano. Eu, de minha parte, não sei nem qual o próximo dia em que terei de ir ao banco. E 99,9% dos economistas sequer são capazes de prever qual será a cotação exata do barril de petróleo para a próxima sexta-feira. Ou do índice Dow Jones.

    E o simples fato de você "exigir" isso mostra bem que você não tem a mais mínima ideia do que seja economia. Tampouco de história econômica. Desconheço qualquer pessoa que se diga capaz de prever datas específicas para a ocorrência de fenômenos complexos decorrente da interação de 7 bilhões de pessoas. E se um cidadão se apresentasse com tais credenciais, certamente ele não teria espaço neste site. Não lidamos com loucos. E se houver algum cidadão que eventualmente cravou uma data certa para um determinado fenômeno econômico, pode ter certeza de que foi chute.

    "Porém, pouco vejo agora artigos sobre o assunto"

    Pelo menos aqui em nosso site o senhor certamente nunca viu nenhum artigo com essas características.

    "o que se vê é o Euro correndo sérios de ser exterminado."

    Por quê? Qual a sua base para essa afirmação? Você tem alguma ideia de como funciona teoria monetária? Se sim, gostaria que me explicasse como um país sai de uma moeda fiduciária sem lastro e adota outra moeda fiduciária sem lastro. De minha parte, não vejo como isso possa ser feito. Qualquer país europeu -- com a possível exceção da Alemanha, e unicamente por causa da tradição de seu Banco Central -- que queira sair do euro e criar moeda fiduciária própria irá se desintegrar por completo. Ele não conseguirá fazer isso.

    "Aí eu vos pergunto: cadê esse senhor? Suas previsões onde estão agora?"

    Aí eu lhe pergunto: quem é esse senhor? Também fiquei extremamente curioso pela sua descrição. Tinha muita vontade de conhecê-lo. Certamente, aqui em nosso site não temos nenhum artigo de uma pessoa com essa descrição que você passou.

    "Seria melhor colocá-lo no horário do Zorra Total! Seria mais engraçado."

    Quem quer que seja, duvido muito que ele seria concorrência para você. Já tenho até um esquete imbatível para você estrelar no referido programa: a câmera fecha em sua cara à la Agildo Ribeiro, e você diz: "Quero uma pessoa capaz de cravar datas específicas para a ocorrência de determinados fenômenos produzidos pela interação voluntária de 7 bilhões de pessoas. E quero agora!" Aí você vira para o lado, encara uma outra câmera e diz: "Para qual data marcarei minha próxima viagem?"

    Seria uma piada meio nerd, daquela que só iniciados entenderiam. Mas o efeito cômico para eles seriam absoluto. Acho que você tem futuro no ramo.
  • Angelo T.  30/11/2012 03:59
    Desconfio que ele esteja falando do Peter Schiff.
  • Alexandre  30/11/2012 08:00
    Sobre o artigo presente, vejam o que o PT (nas palavras do corrupto José Dirceu) pensa sobre o assunto:

    oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=477162&ch=n

    Estamos caminhando para a falência total! - Por um lado é bom, pois só assim verão as besteiras que praticam na economia, e quem sabe, após a quebradeira, vejam com "outros olhos" os ensinamentos da escola austríaca.
  • Randalf  02/12/2012 04:11
    Caro Leandro, eu já fiz esta questão, mas não consegui que me respondesse ao que eu perguntava (peço desculpa pela insistência). A minha pergunta vai ser simples e directa: O que acontecerá se a economia parar de pedir dinheiro emprestado ao Banco Central? O que acontece se o Banco Central parar de investir o dinheiro que recebe (dos empréstimos e juros) em título do tesouro e apenas guardar o dinheiro?

    (Eu estou a tentar obter resposta para a minha dúvida há algum tempo, mas não estou a conseguir que me respondam, não sei se não percebem a minha questão ou se não me exprimo da melhor forma)

    Randalf
  • Ricardo  02/12/2012 05:57
    Randalf, você já fez essa pergunta (e todas as variantes possíveis dela) na seção de comentários desse artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1450

    O Leandro não apenas teve uma paciência enorme para responder tudo detalhadamente, como ainda teve a gentileza de se esforçar para entender o que você dizia (eu mesmo nunca consegui entender qual era o seu ponto). Essa pergunta que você está fazendo aqui é idêntica a uma das 15 outras que você já fez lá.

    Logo, eu vou resumir: o que acontece se o BC parar repentinente de jogar dinheiro na economia (consequência direta de ele guardar o dinheiro que recebe dos juros)? Recessão e quebradeira, pois a oferta monetária estaria se contraindo.

    Parodiando o Leandro, não sei se dá pra ser mais claro do que isso.
  • Randalf  02/12/2012 08:04
    Era exactamente essa resposta que eu queria. Foi bastante claro. Obrigado pela resposta e desculpe o incomodo. Agora acho que percebo os keynesianos (apesar de eles estarem errados fundamentalmente, se o sistema bancário existir como existe hoje, eles têm a sua razão).

    Cumprimentos.
  • Lays  02/12/2012 14:39
    Leandro, porque nos Estados Unidos a Saúde é privada, mas insuficiente e cara, onde muitas pessoas morrem por falta de cobertura? O Estado oferecer Educação, Saúde e Segurança (pelo menos esses 3 itens) seria tão ruim assim? Caberia aos contribuintes reivindicar por bons serviços nesses setores.
  • Leandro  02/12/2012 20:59
    Prezada Lays, a medicina americana é de gestão privada, mas o seu controle é totalmente estatal. Tenha a bondade de ler o início deste artigo para entender como realmente funcionam as coisas por lá (isso é importante para quem quer fazer análises racionais, e não ideológicas) e entender por que ele não funciona a contento -- o que, obviamente, não me impede de chamar atenção para o seu descabido sensacionalismo de dizer que lá "pessoas morrem por falta de cobertura". Ora, aqui no Brasil há um sistema genuinamente estatal e universal de saúde (exatamente o que você defende). Aqui por acaso não morre ninguém sem atendimento? Todo mundo é feliz e bem atendido (como você dá a impressão de ocorrer em sistemas estatais)? Deixe de ideologia boba e seja mais realista.

    Quanto ao estado cuidar da saúde, uma coisa é você desejar que ele faça isso; outra, bem diferente, é ele ser capaz de fazer isso. Em termos puramente econômicos -- ou seja, sem ideologias --, é absolutamente impossível o estado prover de maneira duradoura serviços de saúde de qualidade. A explicação desta impossibilidade, com aplicações para o Brasil, você pode ler aqui.

    No Canadá -- e eu já tive contato com canadenses --, país onde a medicina privada é proibida, você só será bem tratada se miar ou latir. (Os hospitais veterinários, privados, são os únicos que funcionam bem por lá). Já no Reino Unido, a medicina estatal chegou ao seu ápice inevitável: a eutanásia compulsória de bebês. O sistema de saúde estatal é muito humanista...

    Dica: deixe a ideologia e as emoções de lado e ponha-se a analisar questões pelo seu lado econômico. Só assim é possível entrar em um debate sem fazer o papel bobo bem-intencionado, mas ignorante.

    Abraços!
  • Rhyan  03/12/2012 12:45
    Esse parte do artigo sobre a medicina americana, é antes ou depois do obamacare?

    Valeu, abraço!
  • Leandro  03/12/2012 12:54
    Antes. Tem sido assim desde a década de 1960, com a invenção da Great Society de Lyndon Johnson. O Obamacare apenas intensifica esse arranjo. Ele quer tornar obrigatório a todos os cidadãos americanos comprarem planos de saúde (quem não comprar terá de pagar uma multa anual) e quer que as seguradoras sejam obrigadas a aceitar pacientes com pré-disposição e também já doentes e prestes a serem internados.

    Ou seja: se eu fosse americano, não compraria nada e pagaria a multa anual. Aí, caso eu descobrisse ter alguma doença mais grave (ou simplesmente tivesse de fazer alguma cirurgia), simplesmente chegaria para a seguradora e diria: tenho de operar o fígado, custa US$80.000. Aqui está o dinheiro para a apólice (uns US$800). Pronto! Operem-me agora!"

    E a seguradora terá de me providenciar uma cirurgia, sem que eu jamais tenha pagado um único centavo para ela. Imagine qual será a qualidade da medicina americana daqui pra frente? Se você fosse presidente de um plano de saúde, o que faria?
  • Lays  04/12/2012 04:43
    Leandro, você é um gênio, mas precisa me dar um desconto, já que sou novata no assunto. Não sabia que havia tanta interferência estatal nos EUA. Li todos os textos que são muito didáticos esclarecedores.

    Permita-me fazer três perguntas:

    1- É possível o Governo fazer um recuo nessa intervenção? Já ocorreu alguma vez na história, ou seria preciso um colapso para posteriormente ocorrer alguma mudança?

    2 - Todo esse raciocínio sobre a saúde poderia ser estendido para a educação? Na educação, parece ser diferente da saúde, pois os professores do ensino público, de uma forma geral, são melhores do que do ensino particular. Pelo menos aqui no Rio de Janeiro. E ganham mais também, salvo algumas exceções. Qual leitura poderia ser feita sobre a educação?

    3 - Poderia, ao responder as perguntas, me indicar links como na sua postagem anterior?

    PS: Desculpe-me pelos questionamentos tolos, mas preciso fazê-los para aprender. Tudo bem? :-)

    Abraços!!!
  • Leandro  04/12/2012 06:59
    Calma, Lays. Sou muito suscetível à lisonja.

    1) Possível, sempre é. Mas totalmente improvável. Principalmente em um uma democracia, sistema em que só se ganha votos sendo populista, redistribuindo a propriedade alheia e fazendo promessas que desconsideram por completo a realidade econômica. A regra sempre foi essa que você disse: apenas um colapso pode gerar mudanças.

    Como explica esse artigo, "na recente história do Ocidente, houve apenas dois exemplos claros onde os poderes do governo central foram de fato reduzidos, mesmo que apenas temporariamente, como resultado de uma catástrofe: na Alemanha Ocidental pós-Segunda Guerra Mundial sob o comando do Chanceler Ludwig Erhard, e no Chile sob o General Pinochet."


    2) Sim, mas a situação da educação é um pouco diferente (e mais fácil).

    "Dar ensino", ao contrário de "dar saúde", é algo perfeitamente possível de ser feito no âmbito estatal -- afinal, basta colocar um sujeito pra falar, escrever no quadro e indicar livros. Não é uma atividade intensiva em capital. Já a saúde, por outro lado, é um setor que consome capital -- e, logo, precisa receber maciços investimentos em capital para constantemente repor o estoque que foi consumido.

    Tal necessidade de reposição constante de capital não ocorre na educação -- a menos que consideremos a necessidade de repor quadro-negro e giz, coisas de custo ínfimo. Para o governo prover "educação de qualidade", ele precisa apenas do fator humano; ele não precisa de investimentos contínuos em equipamentos e afins, como ocorre na saúde. Basta colocar um sujeito inteligente e preparado para falar e ficar indicando livros e tópico de estudo.

    Logo, dizer que é possível o estado ofertar educação de qualidade não é nenhuma afronta à lógica econômica; basta o estado contratar um sujeito inteligente e com boa didática para sair falando para seus alunos.

    Porém, é claro que financiar a educação implica destruição de capital, pois o estado está se apossando de dinheiro que seria mais bem gasto voluntariamente pelo mercado e está direcionando-o para um determinado setor favorito. No entanto, em relação à saúde, a destruição de capital seria muito menor. (É claro que isso que estou dizendo aqui não é, nem de longe, um endosso ao sistema estatal. Estou apenas explicando por que ninguém deve se surpreender ao encontrar mundo afora instituições de ensino estatais que sejam boas).

    Quanto ao que você disse sobre professores do ensino público serem melhores do que do privado, embora isso seja possível (pois ser "bom professor" é algo que depende apenas do esforço individual de cada professor), é algo um tanto duvidoso porque quase todos os professores que dão aula na rede pública também dão aula na rede privada -- a não ser que aí no Rio de Janeiro o salário da rede pública seja tão bom que dispense um complemento da rede privada.

    Recomendo todos os nossos artigos sobre educação, em especial este.


    3) Feito.

    Abraços!
  • Lays  05/12/2012 11:29
    Leandro, já li boa parte do material que me indicou e são fantásticos. Quando crescer quero ser igual a você! :-) 

    São Bento, uma das melhores escolas aqui no Rio (talvez a melhor) cobra uma mensalidade de 2900 reais e paga 60 reais a hora/aula do professor. Colégios bons (mas não tops - como São Bento) pagam em média 30 reais a hora/aula. Os demais, que representam a maioria, pagam valores inferiores.

    Um professor da rede estadual recebe 25 reais a hora/aula. Um professor da rede municipal do Rio de Janeiro recebe aproximadamente 30 reais a hora/aula. Esse é o valor inicial, já que o salário aumenta em função do tempo de serviço.

    Somente os colégios tops de linha seriam relativamente atrativos aos professores públicos, mesmo assim apenas aos que estão iniciando a carreira. E tais colégios são raros e concentrados em poucas regiões.

    É notável, aqui no Rio, a falta de atratividade das escolas particulares, quer seja por pagar pouco, pela pressão exercida sobre o professor ou por haver pouca estabilidade.

    Será que há demasiados encargos dificultando a ascensão das escolas particulares? A queda de qualidade está muito visível! Enquanto isso, muitos profissionais qualificados estão emburrecendo no serviço público.

    É quase uma unanimidade, dentre os professores, que se não fosse por uma política paternalista, onde o professor já não possui autoridade nem autonomia pedagógica, o desempenho dos alunos no setor público seria muito melhor.

    Abraços!!!



  • Rivaldo  06/12/2012 04:16
    Muito bom artigo Leandro,

    Tenho uma dúvida.

    Não poderia haver uma 5 opção onde o governo reduz os impostos e aumenta os gastos?

    (penso que é exatamente isto que o governo federal faz hoje com alguns setores da economia como a construção civíl)
  • Leandro  06/12/2012 05:29
    Prezado Rivaldo, reduzir impostos e aumentar gastos não seria austeridade, mas sim o seu oposto. Austeridade é uma medida a que se recorre quando o governo quer reduzir seu déficit orçamentário. Se você elevar os gastos e diminuir as receitas, você estará simplesmente elevando ainda mais o déficit.

    Nenhuma medida de austeridade pode incluir aumento de gastos. Não faz sentido. Seria o mesmo que você dizer: "Amanhã começo a levar uma vida frugal. Pedirei demissão do meu emprego e em seguida comprarei um pacote turístico para passar 6 meses na Europa".
  • Lucas Amaro  08/12/2012 13:31
    Leandro, segundo dados da Trading Economics, a zona do euro mais gastou do que arrecadou desde 2001, porém houve períodos em que a dívida em relação ao PIB diminuiu mesmo com os déficits. Para facilitar, os gráficos:


    Dívida:

    www.tradingeconomics.com/charts/euro-area-government-debt-to-gdp.png?s=emudebt2gdp&d1=19990101&d2=20121231



    Déficit:

    www.tradingeconomics.com/charts/euro-area-government-budget.png?s=wdebeuro&d1=19990101&d2=20121231


    Entre 2006 e 2008 há uma redução na dívida em relação ao PIB de quase 4%, enquanto isso ocorre um déficit. Como isso é possível? Meu palpite seria um setor privado crescente, que acaba elevando o PIB e, mesmo com governos deficitários, graças ao crescimento do PIB (agora, uma base maior para o cálculo) a relação dívida/PIB melhora; um PIB que cresce mais que a dívida governamental. É por aí mesmo?
  • Leandro  09/12/2012 14:56
    Lucas, além disso que você disse (e que está correto), vale lembrar que as dívidas dos países não são compostas apenas pelas dívidas do governo. Há também a dívida do setor privado.

    Se o governo incorre em déficits, mas o setor privado apresenta um superávit maior, então a dívida cai. Aliás, o setor privado nem precisa apresentar superávit. Se houver uma variação cambial que aprecie o valor das reservas internacionais em termos da moeda nacional, a dívida também cai. Da mesma forma, se a exposição do setor privado em títulos internacionais ou em operações de hedge apreciar, a dívida também cai.

    Em suma, existem várias maneiras de a dívida cair sem que o governo esteja apresentando um superávit no seu orçamento.
  • José Borges  01/08/2013 19:57
    Excelente artigo. Seria aplicável no Brasil, certamente, após a eliminação das despesas causadas pela corrupção, que atualmente é a maior consumidora das verbas públicas do país.
  • Eduardo R., Rio  07/09/2013 04:53
    Artigo de Frank Hollenbeck que descreve três formas de austeridade.
  • H. Romeu Pinto  29/05/2015 16:47
    ''Por exemplo, cortes de gastos do governo irão afetar as várias empresas que só sobrevivem porque possuem contratos de prestação de serviços junto ao governo. Empresas terceirizadas por estatais e empreiteiras que fazem obras para o governo são os exemplos mais claros.''

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/05/1632501-governo-confirma-corte-orcamentario-de-r-699-bilhoes-pac-sofre-bloqueio-de-r-257-bilhoes.shtml?cmpid=%22facefolha%22

    Quanta inocência! Achar que se o governo cortar gastos quem vai ser prejudicada vão ser as empreiteiras....ai ai...o governo cortou 70 bilhões, e quem foi o prejudicado? Hospitais e universidades! Nossa, que maravilhoso corte do governo! E as empreiteiras? Estão firmes e fortes. E ainda há quem diga que o governo Dilma e o PT são ''esquerda''...

  • Mainardi  29/05/2015 17:02
    E esses cortes afetam todas as empresas terceirizadas que fornecem materiais e suprimentos para universidades e hospitais -- desde as grandes fornecedoras de equipamentos médicos caros aos mais simples vendedores de luvas de borracha.

    O raciocínio se mantém intacto.

    P.S.: no entanto, vale enfatizar que esse tão propalado corte de gastos é, na realidade, uma redução no ritmo de crescimento dos gastos. Não houve corte de gastos nenhum, mas sim uma redução no aumento.

    O orçamento da União para 2015 será de 2,84 trilhões de reais. Desse total, o ministro da Fazenda quer cortar 80 bilhões.

    Muito bem, em 2014, o Orçamento da União foi de 2,48 trilhões de reais. Façamos umas continhas:

    2,84 trilhões - 2,48 trilhões = 360 bihões de reais.

    360 bilhões - 80 bilhões de cortes = 280 bilhões.

    Ou seja, o governo terá para gastar, em termos absolutos, na comparação com 2014, 280 bilhões de reais a mais em 2015. Um aumento de cerca de 11%.

    Considerando-se que a inflação no ano passado foi de 6,4%, as despesas do governo tiveram um aumento real de 4,6%.

    Que raio de enxugamento nos custos da máquina estatal é esse?
  • mauricio barbosa  27/04/2016 22:10
    O estado é um monopólio na prestação de serviços públicos que são demandados pela população,e o governo e a classe política são os intermediários entre essa estrutura fictícia e a população, estes mesmos cavalheiros ao invés de se contentarem com os subsídios que a população aceita voluntariamente ou não paga-los,eles sobretaxam esses serviços com a corrupção e a corrupção seria teoricamente uma taxa de lucro as avessas(Visto não ser uma empresa privada ou entidade com finalidades lucrativas)sobrecarregando os contribuintes extorquidos no território chefiado por estes intermediários,eleitos ou não,enfim é um custo\benefício baixo,ou seja o retorno é baixo e só privatizando essa estrutura e abrindo a concorrência esses mesmos serviços para termos retornos altos e custos mais baixos,onde prevalecerá o prestador de serviço mais eficiente,de baixo custo e custo\benefício alto,isso não é quimera,é fato,agora esse monopólio é que luta com unhas e dentes para esse processo não ser viabilizado via doutrinação escolar,forte presença na mídia,cooptação de intelectuais,investimento militar para prevenção de invasão de estados inimigos e lavagem cerebral dos incautos...Ou seja eles(Intermediários) não querem concorrência e os impostos são a forma de nos extorquir e controlar,portanto austeridade já.


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