clube   |   doar   |   idiomas
Escolásticos, previdência, educação, religião, Keynes - uma entrevista com Jesús Huerta de Soto

A entrevista a seguir foi concedida ao períodico Austrian Economics Newsletter, do Mises Institute.

 

AEN: O senhor faz uma espécie de revisionismo histórico ao descrever a Espanha como sendo o local de nascimento da Escola Austríaca de Economia

de Soto: Sim, mas é acurado.  Concentrar-se somente em Viena é uma postura muito tacanha.  Há essa tendência de crer, como todos os modernistas, que somente o novo tem valor e que estudar o velho seria mera arqueologia.  Porém, na economia e na filosofia, é exatamente o contrário.  A maioria das grandes e boas ideias já havia sido concebida por alguma grande mente no passado, inclusive as mais fundamentais ideias austríacas.

Uma das principais contribuições de Murray Rothbard foi mostrar que a pré-história da Escola Austríaca pode ser encontrada nas obras dos escolásticos espanhóis durante o "Siglo de Oro Español", que foi desde o reinado de Carlos V no século XVI até o barroco do século XVII.

Nos anos 1950, Friedrich Hayek conheceu o grande intelectual italiano Bruno Leoni, autor de Liberdade e Legislação, e Leoni convenceu Hayek de que as origens intelectuais do liberalismo clássico deveriam ser buscadas na Europa Mediterrânea e não na Escócia.  No livro de Leoni, há uma citação de Cícero na qual Cato diz que o direito romano é o conjunto de regras jurídicas mais perfeito de todos porque ele não foi criado por uma só mente.  Ele não foi construído do nada.  Ele é resultado de um processo para o qual várias mentes contribuíram com sua sabedoria.  Advogados e juízes não fazem as leis; eles as descobrem e podem apenas aperfeiçoá-las muito lentamente.

Tenho uma carta de Hayek, datada de 7 de janeiro de 1979, na qual ele diz que os princípios básicos da teoria da concorrência de mercado já haviam sido delineados pelos escolásticos espanhóis do século XVI, e que o liberalismo econômico não havia sido criado pelos calvinistas, mas sim pelos jesuítas espanhóis.

AEN: Quem eram estes predecessores espanhóis da Escola Austríaca?

de Soto: A maioria deles lecionava teologia e ética na Universidade de Salamanca, uma cidade medieval localizada a 240 quilômetros a noroeste de Madri, perto da fronteira com Portugal.  Eles eram majoritariamente dominicanos ou jesuítas, e sua visão econômica é extremamente semelhante àquela que viria a ser enfatizada por Carl Menger mais de 300 anos depois.

Diego_de_Covarrubias_ca_1600.jpgUm de meus favoritos é Diego de Covarrubias y Leyva, que apresentou a teoria do valor subjetivo.  Ele escreveu que "o valor de um bem não depende de sua natureza essencial, mas sim da estimação subjetiva dos homens, mesmo que tal estimação seja insensata."  Ele nasceu em 1512, foi bispo de Segovia e foi ministro do rei Filipe II de Espanha.  Hoje, no museu do pintor espanhol El Greco, na cidade de Toledo, há uma impressionante imagem pintada dele (foto à esquerda).  Carl Menger menciona o tratado sobre depreciação monetária escrito por Covarrubias em 1650.

Outro importante salamanquense foi Luis Saravia de la Calle, o primeiro pensador a demonstrar que são os preços que determinam os custos de produção, e não o contrário.  Ele escreveu que "aqueles que mensuram o preço justo pelo trabalho, pelos custos e pelos riscos incorridos pela pessoa que lidam com o mercado estão cometendo um grande erro.  O preço justo não é encontrado pela contagem dos custos, mas sim pela estimação comum de todos".  Ele foi também um ardoroso crítico do sistema bancário de reservas fracionárias, argumentando que receber juros era incompatível com a natureza de um depósito à vista (em conta-corrente), e que o correto seria o pagamento de taxas para que o ouro permanecesse armazenado nos bancos.

Os salamanquenses se dispuseram a estudar o sistema bancário porque perceberam a relação corrupta e promíscua entre os bancos e o governo, relação essa que dependia fundamentalmente de uma proteção legal concedida à prática das reservas fracionárias.  Os salamanquenses se opunham a todas as formas de inflação.  Por exemplo, havia Martín Azpilcueta Navarro.  Ele nasceu em 1493, viveu 94 anos, e é especialmente famoso por ter explicado a teoria quantitativa da moeda em seu livro de 1556, Comentario resolutorio de cambios (eu tenho a primeira edição!), escrevendo que "a moeda vale mais onde e quando ela está em falta do que onde e quando ela está em abundância."

Navarro era contrário à prática de reservas fracionárias e fez uma clara distinção entre a atividade bancária voltada para empréstimos e a atividade bancária voltada para depósitos.  O banqueiro, disse ele, deveria ser o "guardião, administrador, fiador" do dinheiro em sua posse.  Ele disse que não pode haver um contrato válido entre um depositante e um banqueiro que permita a prática de reservas fracionárias.  Se tal contrato fosse feito, ambos os lados seriam culpados de fraude.

Mais favorável à prática de reservas fracionárias era Luis de Molina, que foi o primeiro a argumentar que depósitos bancários deveriam ser considerados como parte da oferta monetária.  Porém, ele confundiu depósitos com empréstimos, e não entendeu como as reservas fracionárias são inerentemente desestabilizadoras.  Portanto, Navarro e de la Calle foram os antecessores da Escola Monetária Britânica, extremamente receosos de qualquer atividade bancária que mantivesse menos de 100% de reservas para depósitos à vista, ao passo que Molina e Juan de Lugo foram os precursores da Escola Bancária Britânica, mais tolerantes às reservas fracionárias.

AEN: Além das questões bancárias, a posição política dos salamanquenses eram pró-mercado?

de Soto: Eles tendiam a defender posições libertárias de maneira geral.  Por exemplo, Francisco de Victoria é amplamente visto como o fundador do direito internacional.  Ele reviveu a ideia de que o direito natural é moralmente superior ao poder do estado.  Depois, Juan de Mariana condenou toda e qualquer desvalorização da moeda como sendo uma completa e absoluta usurpação, e sugeriu que qualquer cidadão poderia assassinar um governante que impusesse tributos sem o consentimento das pessoas.  O único quesito em que Mariana errou foi em sua condenação das touradas, mas como sou neto de um famoso toureiro, não sou imparcial.

AEN: O elo espanhol-austríaco vai além de um mero acidente histórico?

de Soto: Lembre-se de que, no século XVI, o Imperador Carlos V, Rei da Espanha— também conhecido como Carlos de Habsburgo — enviou seu irmão Fernando I para ser o Rei da "Áustria", palavra que etimologicamente significa "Parte Oriental do Império", ou Österreich.  Esse reino abrangia a maior parte do continente europeu.  A única exceção era a França, então uma ilha isolada e cercada por forças espanholas.

As relações econômicas, políticas e culturais entre a Áustria e a Espanha continuaram por vários séculos.  Carl Menger redescobriu e abraçou essa tradição continental católica do pensamento escolástico espanhol, que na época já estava quase que completamente esquecida.

AEN: Bem, então o que aconteceu com essa tradição, dado que ela teve de ser redescoberta?

de Soto: Adam Smith e seus seguidores vieram a dominar o pensamento econômico espanhol, pondo fim ao desenvolvimento da escola subjetivista, a qual não apenas defendia o livre mercado de forma consistente, como também dominava toda a sua teoria.  A tradição foi mantida viva na França com os escritos de Richard Cantillon, A.J. Turgot e Jean-Baptiste Say, e algum conhecimento conseguiu penetrar a Inglaterra por meio dos escritos de teóricos protestantes do direito natural, como Samuel Pufendorf e Hugo Grócio.  Porém, na Espanha, vivenciamos os anos de decadência dos séculos XVIII e XIX, com o fim dos Habsburgos e início dos Bourbons da França. 

O estatismo de Filipe IV de Espanha o levou a tentar organizar um vasto império centralizado em Madri, um projeto inerentemente inviável.  Os escolásticos foram contra esse estatismo, é claro, mas foram sumariamente desconsiderados e sua tradição foi perdida.  Havia também o problema de que eles escreviam em latim, o que gerou uma barreira linguística.  Adicionalmente, os britânicos criaram e difundiram a Lenda Negra, que durante os dois séculos seguintes denegriu tudo o que era católico e espanhol.  Ironicamente, a Reforma Protestante na realidade atrasou a causa da economia de livre mercado.  A Igreja há muito tempo vinha desempenhando o papel vital de contrabalançar o poder do estado.  Com o declínio da Igreja em decorrência da Reforma, a sabedoria de seus mais brilhantes teóricos econômicos foi perdida, e o poder do estado e a influência de seus apologistas cresceram.

AEN: Por que foi necessário um austríaco para redescobrir a tradição econômica espanhola?

de Soto: Os livros dos escolásticos foram publicados em Bruxelas e na Itália, e foram enviados à Espanha e a Viena.  Foi assim, portanto, que chegaram à Áustria.  Havia também uma tradição de pensamento escolástico na Áustria, a qual, afinal, é 90% católica.

No entanto, foi um escritor católico espanhol quem solucionou o "paradoxo do valor", 27 anos antes de Carl Menger.  Seu nome era Jaime Balmes.  Ele nasceu na Catalunha em 1810 e morreu em 1848.  Durante sua curta vida, ele se tornou o mais importante filósofo tomista da Espanha.  Em 1844, ele publicou um artigo chamado "A Verdadeira Ideia do Valor; ou Pensamentos Sobre a Origem, a Natureza e a Variedade dos Preços".

Balmes perguntava por que uma pedra preciosa valia mais que um pedaço de pão?  E ele próprio respondeu que o valor de um bem está em sua utilidade, de modo que "há uma necessária relação entre a escassez ou abundância de um bem e o aumento ou a redução de seu valor."

AEN: Falemos sobre questões um pouco mais atuais.  O senhor produziu um plano para reformar o sistema previdenciário espanhol.

de Soto: Essa questão de pensões garantidas para todos os idosos é um problema premente em todos os países ocidentais, mas que só será sentido daqui a algumas décadas, quando então não haverá mais solução.  Em todos os países, as obrigações assumidas pela Previdência são enormes, mas a demografia se encarregou de fazer com que elas se tornassem essencialmente impagáveis, a menos que os impostos sejam elevados a níveis intoleráveis.  Antes de saber o que deve ser feito com estes sistemas, é necessário entender suas inerentes contradições.

Primeiro, os sistemas previdenciários alegam ser esquemas de poupança de dinheiro, mas a realidade é que eles desestimulam a poupança.  Além de as "contribuições compulsórias" incidirem justamente sobre o que seria a poupança dos indivíduos, a previdência leva as pessoas a crerem que elas não precisam ser precavidas quanto ao futuro, pois o estado cuidará delas.  Consequentemente, as pessoas passam a crer que é desnecessário poupar.  É empiricamente comprovável que a expansão da seguridade social coincidiu com um enorme declínio na poupança das pessoas.  Claro.  Poupança é sacrifício.  Por que poupar se meu futuro "está garantido pelo estado"?  Esta queda na poupança tende a elevar os juros e a consequentemente reduzir os níveis de investimento de várias maneiras impossíveis de ser mensuradas.

Segundo, não importa o que a lei diz sobre como empregados e empregadores compartilham o fardo da contribuição previdenciária.  Do ponto de vista econômico, o trabalhador paga todo o imposto.  Mises foi o primeiro a desenvolver esta constatação em seu livro Socialism, no qual ele disse que contribuições para a seguridade social sempre se dão em detrimento dos salários.

Terceiro, o sistema é baseado em uma generalizada e indiscriminada agressão institucional contra os cidadãos.  Logo, trata-se de um ataque direto à liberdade.  E isso, por sua vez, inibe o desenvolvimento criativo da descoberta empreendedorial.  Novas modalidades financeiras de poupança e o uso eficiente da propriedade são tolhidos.  A resultante malversação de capital e mão-de-obra é incalculavelmente alta.

Quarto, o sistema não pode funcionar como seguro e assistencialismo ao mesmo tempo, porque ambos os conceitos são incompatíveis.  Um seguro é baseado no princípio de que os benefícios se dão de acordo com as contribuições.  Já o assistencialismo é baseado na necessidade.  Se os retornos passam a ser declinantes, que é o que ocorrerá, o elemento "seguridade" do sistema passa a abortar o elemento "assistencialista".  E vice-versa.

E por que nós temos esses sistemas?  Porque burocratas acreditam que algumas pessoas supostamente não são capazes de cuidar de si próprias.  Mas isso é o mesmo que dizer que, dado que um pequeno número de pessoas não consegue se alimentar, todos os indivíduos de uma população devem ser forçados a comer em cantinas estatais.

O segredo para qualquer reforma previdenciária é que cada indivíduo deve ser o responsável por sua poupança.  O indivíduo não pode ser forçado a participar de um programa compulsório.  Aqueles que querem sair do sistema previdenciário devem ter a liberdade para fazê-lo.  Não pagarão contribuições e também não ganharão nenhum benefício estatal.  Esse deve ser o objetivo de longo prazo, e é de se esperar que a maioria das pessoas faria essa opção.  No meu plano, nosso período de transição permite uma redução de 50% na taxa de contribuição atual em troca de se abrir mão de todas as reivindicações futuras.  Adicionalmente, nenhum imposto jamais deve ser aumentado para pagar por esse período de transição.  O sistema previdenciário já está falido e é urgente tratar desse assunto; adiar a solução irá apenas intensificar a tragédia quando esta inevitavelmente chegar.

AEN: A educação estatal pode ser benéfica?  Há vantagens em se ter um sistema de ensino comandado pelo estado?

de Soto: O estado opera à margem do mercado, sem jamais ser guiado pelo sistema de lucros e prejuízos.  E quando você não leva em conta o sistema de lucros e prejuízos, é absolutamente impossível saber se o seu trabalho está sendo bem feito. 

Quando a educação é financiada e controlada pelo estado, você tende a criar — para utilizar um linguajar econômico — um 'investimento errôneo' ou um 'investimento intelectual mal feito'.  A teoria do "capital humano", do economista Gary Becker, insinua que quanto mais se investe em educação e quanto mais a criança aprende na escola, mais valorosa ela se torna para a sociedade.  A conclusão óbvia é que o governo deveria pagar pela escolarização e educação de todos para tornar a sociedade mais rica.

Discordo totalmente de Becker.  Como o dinheiro envolvido é o dinheiro de impostos, não há como calcular em termos econômicos se a educação feita desta forma é um bom investimento ou não.  Muito provavelmente não é.  As pessoas gastam anos estudando coisas que não terão utilidade nenhuma para elas.  Isso é um inacreditável desperdício de talento e de recursos.  Mas é exatamente isso o que ocorre quando se dá ao governo o controle das coisas, principalmente do currículo escolar.

A teoria neoclássica costuma tratar o capital em termos generalistas.  Nela, não há um investimento bom e um investimento ruim de capital; é tudo apenas capital e tudo é homogêneo.  Ocorre que, em vários casos, um investimento errôneo em capital intelectual pode acabar trazendo consequências muito mais nefastas para a sociedade do que uma simples malversação de recursos escassos que foram investidos erroneamente em um projeto que se revelou insustentável.

AEN: O senhor vê alguma contradição no meio liberal entre ideias teóricas radicais e propostas modestas de reforma?

de Soto: O maior perigo para a estratégia libertária é cair na armadilha do pragmatismo político.  É fácil se esquecer dos objetivos supremos em decorrência da suposta impossibilidade política de se alcançá-los no curto prazo.  Consequentemente, nossos programas e objetivos se tornam obscuros e nossos intelectuais são cooptados pelo governo.

A maneira correta de impedir que isso aconteça é adotando uma estratégia dupla.  Por um lado, temos de ser abertos e honestos a respeito dos nossos objetivos, e temos de nos esforçar para educar o público, explicando por que nosso objetivo final é o melhor para a sociedade.  Por outro, devemos apoiar toda e qualquer política de curto prazo que nos leve para mais perto dos nossos objetivos.  Desta forma, quando nossos objetivos de curto prazo forem alcançados, não haverá como retroceder.  Poderemos seguir adiante com a total convicção de que as pessoas compreenderão que é necessário continuar fazendo sempre mais.

AEN: O senhor conheceu a Escola Austríaca aos 16 anos descobrindo acidentalmente em uma biblioteca o livro Ação Humana, de Ludwig von Mises.  Parece surpreendente que a ciência econômica já fosse tão intensamente atraente para o senhor em uma idade tão prematura.

de Soto: Minha família é do ramo do seguro de vida, que aliás é o único traço em comum que tenho com John Maynard Keynes, que, na década de 1930, foi o presidente da National Mutual Life Assurance Society de Londres.  O ramo do seguro de vida é um negócio bastante tradicional, tendo evoluído ao longo de 200 anos sem praticamente nenhuma intervenção estatal.  Trabalhando com meu pai, tornei-me naturalmente interessado em teoria monetária, finanças e instituições econômicas.  Queria ser um atuário.  Eu era muito bom em matemática.

Porém, ainda jovem comecei a me dar conta de que aquilo que funciona para as ciências atuariais, que lida com probabilidades de vida e morte, não pode funcionar na ciência econômica, porque não há constantes na ação humana.  Há criatividade, mudanças, escolhas e descobertas, mas não há parâmetros fixos que permitam a criação de funções matemáticas.

Curvas de oferta e demanda não podem refletir a realidade porque as informações necessárias para construí-las só podem ser obtidas ao longo do tempo por meio do processo empreendedorial.  Essas informações jamais aparecem ao mesmo tempo, como a matemática requer que pressuponhamos.

AEN: Keynes aparentemente não chegou a essas mesmas lições a respeito da ação humana ao trabalhar no ramo de seguros.

de Soto: O problema é que Keynes não corrompeu apenas a ciência econômica.  Ele corrompeu também as práticas do ramo atuarial.  Ele rompeu com as políticas tradicionais de sua empresa e começou a valorar seus ativos ao seu valor atual de mercado em vez de utilizar o conservador método do valor histórico.  Quando você avalia ativos de acordo com seu valor atual de mercado, o valor deles fica ao sabor dos ciclos econômicos.  Se a economia estiver vivenciando uma fase de crescimento em decorrência da expansão artificial do crédito, seus ativos passam a valer mais.  Consequentemente, você passa a fazer investimentos mais ousados e errôneos.  Quando vem a recessão, o valor de seus ativos volta a cair, mas seus passivos permanecem inalterados ou podem até mesmo subir.  Resultado: você reduziu o capital de sua empresa, podendo até mesmo tê-la levado à falência.

Quando Keynes começou a fazer isso, ele imediatamente ganhou uma enorme vantagem competitiva sobre seus concorrentes.  Ele passou a poder distribuir dividendos para seus clientes sem que houvesse obtido nenhum ganho de capital.  Enquanto a bolsa de valores estava subindo, tudo era uma maravilha.  Porém, quando a Grande Depressão chegou, sua empresa quase foi à falência por causa desta sua inovação. 

A atual crise imobiliária e financeira decorre diretamente dessa corrupção nos métodos de contabilidade das empresas e dos bancos.

AEN: O senhor deu ao Mises Institute uma foto do Rei Juan Carlos segurando um livro de Mises.  Ele é um misesiano?

de Soto: Não diria isso, mas ele gosta do livre mercado e entende que temos opiniões radicais a respeito.  Todos os anos, nós o convidamos para uma feira que comemora o lançamento de novos livros liberais, e ele é gentil o bastante para comparecer.  Dado que ele não estudou na Universidade de Chicago, ele é mais pró-austríaco do que seria de se esperar.  Nunca se sabe quais indivíduos ou grupos serão atraídos pela Escola Austríaca.

AEN: Por exemplo, a influência dos austríacos por meio dos salamanquenses sobre a moderna Igreja Católica.

de Soto: A Igreja Católica é como um enorme transatlântico.  Se você vira o timão para a direita, a embarcação começa a se mover muito lentamente, mas chega uma hora em que ela finalmente começa a mudar de direção.

Há um poderoso grupo católico na Espanha chamado Opus Dei.  Eles são muito próximos do Papa e são extremamente pró-mercado.  Alguém dentro da ordem leu as obras de Hayek, viu que ele era extremamente pró-mercado e enviou a mensagem para toda a organização: o Opus Dei tem de apoiar os austríacos.

Repentinamente, todos os meus livros estavam sendo lidos por todos os membros da ordem, e eu comecei a ministrar palestras para seus prelados e numerários. Recentemente, li uma tese de Ph.D sobre Mises e Hayek escrita por um membro proeminente do Opus Dei.

As opiniões da Igreja sobre questões econômicas devem ser ouvidas, mas não impactam em questões relativas à fé.  A propósito, na parede do meu escritório, tenho uma bela foto de Hayek com João Paulo II.

AEN: O senhor acha que economistas deveriam levar a religião mais a sério do que costumam levar?

de Soto: Sem dúvida.  A religião tem um papel importante na vida de uma economia.  A religião transmite de geração para geração certos padrões de comportamento e de tradições morais que são essenciais para que haja respeito às normas, separação dos poderes e respeito aos direitos naturais de cada indivíduo.  Sem isso, uma sólida economia de mercado é impossível.  Se os contratos deixam de ser respeitados, a sociedade se desintegra.  A religião, e não o estado, é o meio essencial de se transmitir às pessoas um senso de obrigações morais, como a de que devemos manter nossas promessas e respeitar a propriedade de terceiros.

AEN: Algum economista já foi declarado santo?

de Soto: Dois escolásticos.  São Bernardino de Siena e seu grande pupilo, Santo Antonino de Florença.  Rezemos para que não sejam os últimos.

AEN: Quais são os seus hobbies?

de Soto: Golfe e iatismo.

AEN: Quais são seus filmes e peças teatrais favoritos?

LOSA-roja2.jpg

de Soto: Jornada nas Estrelas e todos de Shakespeare.

AEN: Qual a sua obra literária favorita?

de Soto: Don Quixote de La Mancha de Miguel de Cervantes.

AEN: Quais músicas o senhor mais aprecia?

de Soto: Franz Peter Schubert e Johannes Brahms.

AEN: O senhor consegue pensar em uma obra de arte que simbolize ou retrate a ação humana?

de Soto: A losa roja (imagem ao lado)



Não deixe de ler os espetaculares artigos de Jesús Huerta de Soto aqui.



autor

Jesús Huerta de Soto
, professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.


  • Douglas Ribeiro  21/11/2012 05:31
    Excelente entrevista, pela erudição, fluencia das idéias e clareza de pensamento.\r
    Pena que não temos acesso a esse brilhante pensador através da grande mídia.\r
    Parabéns também pelo excelente trabalho do Mises Brasil.\r
  • Pedro Ivo  21/11/2012 12:13
    é só ir ao Youtube, digitar o nome dele, e assistir às entrevistas e preleções que ele dá. Grande mídia é guardacostas intelectual do estatismo. O melhor a fazer é destruí-la não assintindo
  • André Caniné  21/11/2012 06:06
    Entrevista excelente!
    Mais uma contribuição importantíssima da Santa Igreja Católica para humanidade.
  • Davi  21/11/2012 06:12
    Como católico fico muito feliz pela entrevista de um grande mestre. Interessante que hoje para pensar no futuro temos que voltar ao passado.
  • Catarinense  21/11/2012 06:13
    Ótima entrevista, particularmente interessante os comentários sobre os escolásticos e sobre a posição de certos grupos de influência na Igreja Católica em relação ao livre mercado atualmente. A posição de "contra-peso" da Igreja em relação ao Estado também é um assunto que rende uma bela discussão.
  • Matheus Polli  21/11/2012 07:17
    Martín Azpilcueta Navarro sugere que em um contrato entre um depositante e um banqueiro que permita a prática de reservas fracionárias ambos os lados seriam culpados de fraude.

    Esta afirmação valeria mesmo para um sistema 100% lastreado em ouro? Não valeria o mesmo que o depositante fazer um empréstimo a um terceido, se no contrato só permitisse o repasse de uma vez o valor e o depositante determinasse o não saque do valor num determinado período?
  • Leandro  21/11/2012 07:24
    Esses cenários que você delineou -- sistema 100% lastreado em ouro e empréstimos nos quais há uma especificação de que o emprestador não irá sacar o valor emprestado antes de uma determinada data -- não configuram reservas fracionárias.
  • Matheus Polli  21/11/2012 07:35
    Obrigado, Leandro. Até a parte do emprestador garantir não sacar o valor num período não configurar reserva fracionária eu entendi.

    Mas no período que Martín Azpilcueta Navarro afirmou a configuração de fraude o sistema não era baseado em ouro?
  • Leandro  21/11/2012 07:50
    Sim. Mas o ouro não impede a prática de reservas fracionárias. Eu deposito $10.000 em moedas de ouro no banco, o banco me dá vários tickets (recibos ou cédulas de dinheiro) totalizando um valor nominal de $10.000. O ouro está guardado num cofre de banco e eu estou com cédulas no bolso. Até aqui a oferta monetária não se alterou.

    Aí você chega a este mesmo banco e pede um empréstimo. O banqueiro, vendo aquele meu ouro ali parado, imprime cédulas para você no valor de, por exemplo, $5.000. Pronto, a oferta monetária aumentou. Há $10.000 em ouro lastreando $15.000 em cédulas. Ao banqueiro resta apenas torcer para que eu não gaste mais do que $5.000. Se eu gastar $5.000, o comerciante que receber minhas cédulas irá exigir do banco a restituição em ouro. O mesmo ocorrerá quando o tomador de empréstimo gastar o os $5.000 dele.

    Pronto, o banqueiro faliu. E faliu por que cometeu fraude. Isso já ocorria na época dos escolásticos.
  • Johnny Jonathan  21/11/2012 07:48
    Pessoal, nesses tempos de guerra entre israel e palestina, não seria interessante traduzir algum texto que fale sobre a postura libertária em relação a guerras? Eu particularmente gosto deste texto:
    mises.org/daily/2310
  • Sérgio  21/11/2012 08:17
    Muito boa essa entrevista. Isso para aquele imbecis que ficam falando merda sobre a religião e a família tradicional. Aqueles que compactuam com o marxismo cultural para destruir as tradições, aqueles que acreditam nas calúnias do gramscismo sobre a Igreja. Aliás, para mais informações vejam:















    Ninguém é obrigado a gostar da Igreja Católica, tampouco ninguém é obrigado a acreditar em Deus, mas por favor, não colaborem com a mentira. Queiram ou não, a Igreja teve um papel muito importante na construção desta civilização. Aliás, colaborem com a verdade. Divulguem estes videos do Thomas Woods!
  • Breno Almeida  21/11/2012 08:44
    Jornada nas Estrelas! Ae sim!
  • anônimo  21/11/2012 15:15
    O mundo da jornada nas estrelas é um mundo onde o dinheiro foi abolido.
    Queria que alguém tivesse perguntado pra ele o que ele acha disso
  • Andre Cavalcante  22/11/2012 06:18
    Gene Roddenberry, o criador da série era meio comunista (pra não dizer inteiro), por isso, na parte econômica da futura Terra, há toda uma série de incongruências: não há dinheiro, mas há outros meios de troca, como o ouro (isso não é dinheiro?), a humanidade lida com outros seres que tem dinheiro e efetivamente comercializam com eles (em ouro, di-litium e outras commodities). Ao menos ele pintou uma sociedade mais preocupada com o individual do que com o coletivo (de fato, um dos antagonistas da série é justamente um grupo humanoide/androide chamados de Borgs).

    Abaços
  • anônimo  22/11/2012 06:48
    Star Trek é uma palhaçada enfeitada, infantil e socialista.
    Duna bota Star Trek no chinelo. Mas nunca teve uma adaptação decente nem nunca vai ter porque as massas estúpidas só gostam de lixo.

    "The bottom line of the Dune trilogy is: beware of heroes. Much better rely on your own judgment, and your own mistakes."
    Frank Herbert
  • Andre Cavalcante  22/11/2012 10:18
    Agora, sim, alguém que sabe o que é bom sci-fi!

    A propósito, Duna trata exatamente do problema da escassez de uma commoditie (qualquer semelhança com a crise do petróleo na década de 70 NÃO é mera coincidência).

    Abraços
  • Hueber  22/11/2012 13:19
    Inclusive os Harkonnen eram uma metáfora para a União Soiética. Duna écheio de metáforas.
  • Andre Cavalcante  22/11/2012 15:52
    E a jihad promovida pelo Mua'Dib e a jihad islâmica?
  • marrkvz  22/09/2013 03:47
    Duna teve uma "adaptação". O grande Alejandro Jodorowsky que estava encarregado de fazer o maior filme de todos os tempos (teria trilha sonora de Peter Gabriel, Pink Floyd e Magma; os artistas H. R. Giger -designer de Alien- e Jean Giraud -de Blueberry e Arzach- para os ambientes econceitos de personagens, Dan O'Bannon - Star Wars special computer effects e roteirista de Alien- nos efeitos especiais, e Salvador Dalí como o imperador louco, Orson Welles (sim o do Cidadão Kane) como Harkonnen, Gloria Swanson, e muitos outros gigantes). O projeto 'megalomaníaco' nunca foi terminado por falta de financiamento. Alejandro Jodorowsky e Jean "Moebius" Giraud impossibilitados de levar seu filme adiante, transubstaciaram-no em forma de quadrinhos em O Incal uma das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos e que é muito superior ao filme de David Lynch.
    O Incal está disponível em português pela editora Devir e também pode ser encontrado de graça na internet é só procurar em sites de scan.
  • Marcelo  21/11/2012 12:30
    Mais uma contribuição importantíssima da Santa Igreja Católica para humanidade. [2]
  • Ricardo Sulyak  21/11/2012 12:56
    Grande Mestre! o/
  • anônimo  21/11/2012 13:25
    É aqui o plano de reforma da previdência de Huerta de Soto?
  • Leandro  21/11/2012 13:35
    Correto. Obrigado pelo link. Vou acrescentar ao artigo.

    Abraço!
  • Luciano  21/11/2012 15:46
    Leandro,

    Eis aí uma excelente opção para um futuro artigo.

    Abraço!
  • Ricardo Sulyak  21/11/2012 13:49
    " A religião, e não o estado, é o meio essencial de se transmitir às pessoas um senso de obrigações morais, como a de que devemos manter nossas promessas e respeitar a propriedade de terceiros."

    Lembremos que a Igreja Católica na Europa é diferente da instituição existente na América Latina. Lá cumpriu um papel centralizador por séculos através de meios um tanto suspeitos, e aqui na América Latina igualmente pela força da espada, porém com menos concentração política do que na Europa.

    A Igreja Católica não é o meio essencial para a transmissão do senso de obrigação moral, mas sim indivíduos.

    A moral surge, no indivíduo, das excelências de seu sentir interno. Ao cultivar essas excelências e ser consciente que elas constituem uma força imponderável, reitora da conduta;(e esse cultivo prescinde da Igreja Católica). Assim poderá ser capaz de ser coerente a ponto de ensinar não só com palavras, mas também com o exemplo por ser consciente de seus pensamentos e atos. O mesmo vale para um pequeno conjunto destes, a família e amigos, que unidos por laços de afeto e fraternidade voluntariamente cultivados são os leais meios para tal fim, por serem nesses ambientes de confiança onde é possível que se ensine e transmita o caminho de aperfeiçoamentos individuais, em diversos campos da vida.

    Ao tratar de temas como ética, moral e associar automaticamente à religião vejo ser um grave erro, a julgar pelo estado de inquietude, insatisfação, dúvida e desolação manifestado por muitos que estão imersos na "tradição", que há séculos não supera seus conceitos, truncando grandes possibilidades humanas de evolução.

  • Luis Almeida  21/11/2012 14:02
    Você adulterou a frase. Ele disse "religião" e não "Igreja Católica".

    Ou seja, ele disse que a religião (a qual é exercida voluntariamente por indivíduos) é o meio essencial para a transmissão do senso de obrigação moral. Você, portanto, concorda com ele, mas apenas está se deixando levar por um bobo preconceito antirreligião.
  • Gabriel  21/11/2012 17:13
    Eu tenho um amigo que é ateu. E ele é tão moral e ético quanto qualquer outra pessoa que acredita em alguma religião.

    Não é correto dizer que a religião (qualquer uma) é o meio essencial para o moralismo.

    Uma religião pode até pregar o moralismo, mas não podemos afirmar que ela essencial.

  • André Caniné  22/11/2012 05:04
    "A moral surge, no indivíduo, das excelências de seu sentir interno."
    "Ao tratar de temas como ética, moral e associar automaticamente à religião vejo ser um grave erro, a julgar pelo estado de inquietude, insatisfação, dúvida e desolação manifestado por muitos que estão imersos na "tradição", que há séculos não supera seus conceitos, truncando grandes possibilidades humanas de evolução".



    Tendo em vista o que postou acima, vc pode afirmar que existem valores morais objetivos no ateísmo? Quais são?
  • Rafael  22/11/2012 09:35
    Universally Preferable Behaviour (UPB)- A Rational Proof of Secular Ethics

    www.freedomainradio.com/free/books/FDR_2_PDF_UPB.pdf


    "In many fairy tales, there lives a terrible beast of stupendous power, a dragon or a basilisk, which tyrannizes the surrounding lands. The local villagers tremble before this monster; they sacrifice their animals, pay money and blood in the hopes of appeasing its murderous impulses.

    Most people cower under the shadow of this beast, calling their fear "prudence," but a few – drunk perhaps on courage or foolhardiness – decide to fight. Year after year, decade after decade, wave after wave of hopeful champions try to match their strength, virtue and cunning against this terrible tyrant.

    Try – and fail.

    The beast is always immortal, so the villagers cannot hope for time to rid them of their despot. The beast is never rational, and has no desire to trade, and so no negotiations are possible.

    The desperate villagers' only hope is for a man to appear who can defeat the beast.

    Inevitably, a man steps forward who strikes everyone as utterly incongruous. He is a stable boy, a shoemaker's son, a baker's apprentice – or sometimes, just a vagabond.

    This book is the story of my personal assault on just such a beast.

    This "beast" is the belief that it is impossible to define an objective, rational, secular and scientific ethical system. This "beast" is the illusion that morality must forever be lost in the irrational swamps of gods and governments, enforced for merely pragmatic reasons, but forever lacking logical justification and clear definition. This "beast" is the fantasy that virtue, our greatest joy, our deepest happiness, must be cast aside by secular grown-ups, and left in the dust to be pawed at, paraded and exploited by politicians and priests – and parents. This "beast" is the superstition that, without the tirades of parents, the bullying of gods or the guns of governments, we cannot be both rational and good.

    This beast has brought down many great heroes, from Socrates to Plato to Augustine to Hume to Kant to Rand.

    The cost to mankind has been enormous.

    Since we have remained unable to define a rational system of universal morality, we have been forced to inflict religious horror stories on our children, or give guns, prisons and armies to a small monopoly of soulless controllers who call themselves "the state."

    Since what we call "ethics" remains subjective and merely cultural, we inevitably end up relying on bullying, fear and violence to enforce social rules. Since ethics lack the rational basis of the scientific method, "morality" remains mired in a tribal war of bloody mythologies, each gang fighting tooth and nail for control over people's allegiance to "virtue."

    We cannot live without morality, but we cannot define morality objectively – thus we remain eternally condemned to empty lives of pompous hypocrisy, cynical dominance or pious slavery."
  • Andre Canine  23/11/2012 05:45
    Review do David Gordon sobe esse livro:

    mises.org/misesreview_detail.aspx?control=383
  • anônimo  23/11/2012 07:34
    A Response to David Gordon's Review "The Molyneux Problem"

    board.freedomainradio.com/forums/t/35935.aspx
  • kondde1  13/01/2013 20:56
    Falou grandes besteiras no último parágrafo dando a entender que a igreja católica seria como um grande atraso cultural humano pois a mesma ~faz com que as pessoas vivam uma "tradição" que no seus ver devem ser grilhoes que não fazem com que haja a evolução..

    Ora parece então que voce mesmo não leu o artigo quando o sr. De Soto relacionou o conhecimento que temos da escola autriaca com os escoláticos CATÓLICOS medievais que trouxeram a luz da humanidade esse profundo conhecimento libertador e não opressor da humanidade por meio de "tradições" que o srs tanto se referiu,

    Por que falar e se amarrar tanto em evolução ? Evolução de que? Como se fosse um grande ato mágico capaz de transformar o sofrimento em alívio é isso? Primeiro que a evolução não passa de uma teoria que ainda não foi provada, podemos ter uma adaptação as solicitações constantes da natureza e pelo que eu li e entendi no artigo os escoláticos deram uma contribuição muito boa para nos em como ser adaptável.

    Muitos aqui no Mises ficam torcendo o nariz quando aparece algum artigo ou comentário sobre religião, é uma contradição, os maoires autores da escola austriaca assim como pensadores que defendiam o livre mercado e eram terminantemente contra totalitarismos e estatismos tinham muito apreço pela religião. Vocês querem que os seus mestres desenhem? É isso?

    Falar em religião é motivo de ser ridicularizado? Afinal somente as teorias efizcamente postas em prática serão nossa redenção salvadora? Agindo assim vcs estão criando no mínimo um dogma.
  • saoPaulo  13/01/2013 23:25
    "Primeiro que a evolução não passa de uma teoria que ainda não foi provada..."

    Putz... #facepalm

    É por essas e outras que "muitos aqui no Mises ficam torcendo o nariz quando aparece algum artigo ou comentário sobre religião".

    Mas enfim, isso nada tem a ver com o texto.
  • Andre Cavalcante  14/01/2013 21:03
    Olá,

    Tecnicamente a "Teoria da Evolução" é exatamente isso, uma teoria. Há indícios suficientemente fortes para aceitá-la e, por isso, foi declarada um Teoria. Agora, a questão da prova é outra que requer maiores cuidados. Por exemplo, a cada nova descoberta de fósseis pré-humanos, ficamos mais próximos do "link" que a teoria prediz, mas aí as coisas complicam quando alguém diz "esse é o 'link'".

    Eu só não entendo é porque a religião (instituição) tenta desesperadamente desconsiderar certas descobertas científicas, como se fosse diminuir algo de Deus ou da própria religião (religare). Antes, vejo que até glorifica mais o Criador, pois a Natureza é muito mais complexa do que se pensa e, portanto, o Criador muito mais inteligente do que parecia a primeira análise...
  • Miqueias  14/01/2013 22:00
    Na verdade depende de que religião você está falando. Aquelas que tem como referência a Bíblia tem mais resistência em aceitar a possibilidade da teoria da evolução. Principalmente os mais conservadores, pois se a teoria da evolução está certa então existirão sérios problemas com os primeiros capítulos do Gêneses. Também existe o problema da idade da terra, entre outras coisas.
    Além disso, se o homem nada mais é que a consequência de uma série de evoluções que começou com um microscópico ser unicelular, não existe nenhuma relação especial entre ele e o criador, assim não existiria diferença relevante na relação criatura x criador se a criatura fosse uma árvore ou um ser humano. Ou melhor, qual o seria o papel de Deus (Criador) nesse contexto?

  • Catarinense  14/01/2013 23:11
    (...)Principalmente os mais conservadores, pois se a teoria da evolução está certa então existirão sérios problemas com os primeiros capítulos do Gêneses. Também existe o problema da idade da terra, entre outras coisas.(...)

    É mesmo?

    godandscience.org/apologetics/day-age.html

    Aproveite e se divirta:

    godandscience.org/apologetics/answers.html
  • Miqueias  15/01/2013 15:56
    A idéia de que dias são eras resolveria a questão da idade da terra, porém todos os outros problemas continuariam existindo.
    Além disso, é complicado você ficar sempre tentando adaptar os relatos bíblicos as teorias científicas. A teoria da evolução, por exemplo, é imcompatível com a Bíblia pois mesmo que você continue adimitindo a existência de Deus, o homem teria para Ele a mesma importância que qualquer outro ser vivo. E como o prof. Adauto Lourenço falou no vídeo que eu citei, para existir evolução é necessário a morte. Porém, segundo a Bíblia, essa só passou a existir depois do pecado de Adãom e Eva.
  • Catarinense  15/01/2013 18:39
    Miqueias,

    (...)segundo a Bíblia, essa só passou a existir depois do pecado de Adão e Eva.(...)

    A bíblia diz que, após o pecado incial, Adão iria retornar ao pó de onde foi criado, não que a morte ( fazendo uma diferenciação entre morte do corpo e morte do espírito, a morte a que me refiro é a primeira ) não existia antes para nenhuma criatura, como foi mencionado no vídeo. Salvo citação em outro trecho, tal conclusão não é possível levando em consideração o texto de Gênesis 2.

    (...)o homem teria para Ele a mesma importância que qualquer outro ser vivo(...)

    Tal afirmação não se sustenta ao levarmos em conta que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus, e dado a ele domínio sobre a criação. Logo, o homem está num patamar acima das demais criaturas.

    Reflita a seguinte ordem cronológica:

    Gen 1:24, a natureza é criada ( ao longo de um indeterminado período de tempo )
    Gen 1:27, a humanidade entra em cena.
    Gen 2:2, a humanidade ainda não dominava a agricultura
    Gen 2:7, Adão é criado
    Gen 2:8, O jardim do Éden é plantado.
    Gen 2:22, Eva é criada.

    Perceba que enquanto os acontecimentos no Jardim do Éden se desenvolvem, o mundo ao redor já existe e segue seu curso. Vale apontar que, enquanto Adão é um nome próprio no cap. 2, em hebraico a palavra adão pode significar a humanidade como um todo. Ainda temos a palavra adama, que significa terra. Como Adão foi criado do pó, seu nome pode ter vindo daí. A confusão na tradução é grande, ainda mais depois de tanto tempo. Por isto que uma análise superficial é quase sempre falha.

    Ps. Claro que esta análise não é nenhuma palavra final sobre o assunto. Seria pretensão demais de minha parte.
  • Miqueias  14/01/2013 23:19
    Algumas consequências, para o cristianismo, de se aceitar a teoria da evolução, a partir dos 9min: www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=DO8w7mxld88#!
  • Andre Oliva  15/01/2013 16:49
    Coloco a favor do ateísmo as palavras de Ludwig Von Mises, Ação Humana, Cap 2, item 1.1:
    "Os filósofos e teólogos escolásticos, e também os teístas e deístas do Iluminismo, conceberam um ser absoluto e perfeito, eterno, onisciente e onipotente e que, apesar disso, planejava e agia, objetivava atingir fins e empregava meios para atingir esses fins. Ora, só age quem se considera em uma situação insatisfatória, e só reitera a ação quem não é capaz de suprimir o seu desconforto de uma vez por todas. Quem age está descontente com sua situação e, portanto, não é onipotente. Se estivesse satisfeito, não agiria e se fosse onipotente, já teria, há muito tempo, suprimido completamente a sua insatisfação."
  • Catarinense  15/01/2013 20:43
    Este ser onipotente pode resolver que sua insatisfação será suprimida através de um determinado curso de ações ( criar a humanidade ), e pode decidir que não influenciar alguma área específica ( no caso, o livre-arbítrio das pessoas, o que pode vir a criar novas situações de insatisfação ) é uma maneira de suprimir esta ( ou qualquer outra ) insatisfação. O fato da ação inicial ter potencial para gerar novas insatisfações não altera o caráter onipotente do perpetuador da ação inicial, se tais situações já estivessem previstas e fossem esperadas.

    Parece que o que Mises quis dizer foi que ao reiterar uma ação, Deus não estaria sendo onipotente. Falta saber a qual ação Mises estava se referindo. Imagino que a crítica estava apontada para aqueles que usavam uma suposta vontade divina para justificar alguma atitude ( sua ou dos outros ).
  • anônimo  17/01/2013 16:03
    Andre, achar que ele estava defendendo o ateísmo aí é uma conclusão forçada
    Ele podia estar apenas falando que Deus não teria que reconstruir sua obra todo dia...
  • Pedro Franca  21/11/2012 14:01
    Apesar de ser ateu e discordar da Igreja em vários aspectos, reconheço a importância dela para a construção da sociedade ocidental.

    Antes de conhecer Mises e Cia(Graças a um vídeo do Peter Schiff que surgiu aleatoriamente nas recomendações do Youtube), eu participava constantemente das comunidades ateias nas redes sociais, e por causa disso cada vez mais eu tendia pra esquerda(Principlamente por causa do blog cotista-socialista-gayzista Bule Voador). Depois de tomar a pílula vermelha e cair na real, consegui notar algo: muitos lá não são esquerdistas não por conhecer as ideias socialistas e compactuar com elas, mas por simples birra à Igreja, só pra fazer oposição. Tanto que na hora de "argumentar" contra o capitalismo, muitos utilizam a religião para fazer os ataques.

    É uma pena este comportamento, muitas vezes eu prefiro esconder o fato de ser ateu por causa desses meus "companheiros".
  • Camarada Friedman  21/11/2012 16:45
    Ha! Bem vindo ao clube...
    Eu chamei o líder do blog pra discutir economia(quando ele chamou o Mises Brasil de seita e disse que todos os liberais são uns "egoístas filhos da puta") - não recebi nenhuma resposta, e o rapaz ainda adulterou o artigo original para tentar esconder o xingamento.

    Eu também sou ateu e era leitor assíduo daquele blog, mas aquilo la (quando o blog começou) era totalmente diferente do que é hoje.

    Só pra corrigir vc, muitos la são socialistas sim, não pq são ateus mas pq são funças... hahaha parasitas que vivem do suor dos pobres e ainda batem no peito pra atacar o setor produtivo da sociedade. Todos meus camaradas ateus estão de saco cheio daquele blog, eu não conheço NENHUM que não tenha nojo do teor "cotista-socialista-gayzista", nem os esquerdistas curtem aquilo... e eu estudo em um dos setores mais esquerdopatas da USP. Esse blog é piada por la.

    Fica sussa... bem vindo ao clube hahahah :)


    ---Sobre o post: sou fã do Jesús, aguardo uma tradução do Money, Bank Credit, and Economic Cycles do Jesus Huerta de Soto !

  • Ronei  22/11/2012 06:42
    Já tem a tradução

    www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29412241&sid=189584378141122421148265346
  • Leandro  22/11/2012 06:55
    Embora haja essa tradução, ela contém erros que estão sendo corrigidos. Sugiro o aguardo das correções para possam adquirir a nova edição (por isso nem colocamos o link dessa versão aqui no site).
  • anônimo  22/11/2012 07:30
    Eu já fui ateu, justamente por causa do mesmo pessoal que vocês devem ter andado lendo: Carl Sagan, Richard Dawkins, etc
    Mas já fui além dessa fase e hoje acho esse ateísmo uma coisa infantil.Não porque eu ache que Deus é um velho de barba branca mas sim porque a filosofia do ateísmo é um troço infantil
    Primeiro porque nem tudo que é real é provável, o próprio Carl Sagan deve ter entendido isso +-intuitivamente porque naquele filme 'contato', tem uma cena que a mulher fala que não acredita em Deus porque não tem provas...aí o cara pergunta:
    -E o seu pai que morreu, você amava ele?
    -Sim...
    -Prove!

    E depois porque,como o Olavo de Carvalho falou, toda filosofia começa com axiomas aceitos intuitivamente.Os ateus que falam que só acreditam no que tem evidências são uns ignorantes.Eles acreditam em toneladas de coisas sem prova nenhuma.

  • Pedro Franca  22/11/2012 07:56
    Interessante ver mais pessoas como eu por aqui. Não estou afirmando que seja o caso de vocês, mas vi que há um bom número de ateus libertários "convertidos" pelo Dâniel Fraga. Apesar dos vídeos dele serem mais superficiais e às vezes conter coisas desnecessárias, ele aproveitou a boa audiência que conseguiu no período de "ateuzinho revoltado" para espalhar a nossa palavra, mesmo sendo bombardeado de críticas.
  • Hueber  22/11/2012 14:08
    O Carl Sagan era agnóstico. E para ser ateu não precisa aceitar nenhuma filosofia.
  • Andre Cavalcante  22/11/2012 15:34
    Agora me respondam aí (para um cara que mal se iniciou em filosofia) qual a diferença em agnóstico e ateus, gnósticos e religiosos?

    Abraços
  • Cedric  22/11/2012 16:05
    André, aqui nesse vídeo tem uma ótima explicação da diferença verdadeira entre agnóstico e ateu, e não a definição confusa que tem pelos mais leigos.

    www.youtube.com/watch?v=cGZlN3ahf6E
  • Camarada Friedman  22/11/2012 13:25
    Wow! Valeu, amigo!
  • BSJ  21/11/2012 15:12
    "Sem isso [a religião], uma sólida economia de mercado é impossível."

    Isso soa contraditório quando justaposto ao que disse o anarcocapitalista Leandro em um comentário no artigo 'A Vidraça Quebrada': "...é a liberdade econômica o que dá sustento e longevidade às tradições culturais e religiosas, principalmente a ética judaico-cristã. Estatize a economia, e a tradição e as liberdades individuais vão embora.

    Então como foi que o cristianismo pôde surgir e se desenvolver no gigantesco Estado do império romano, uma era obviamente sem várias liberdades, incluindo a econômica?
  • Leandro  22/11/2012 02:34
    Contradição nenhuma; são posições totalmente complementares. Sem moralidade e ética, não há economia de mercado. Sem economia de mercado, a ética e a moralidade não se sustentam.

    Endosso cada vírgula do que disse o professor, por mais que você se esforce para criar alguma distorção.

    "Então como foi que o cristianismo pôde surgir e se desenvolver no gigantesco Estado do império romano, uma era obviamente sem várias liberdades, incluindo a econômica?"

    O estado perseguia e matava ativamente os cristãos. Mas estes eram homens de fibra, pessoas genuinamente viris e que não conheciam o significado da palavra covardia, pois Jesus Cristo os havia ensinado que aquele que fosse covarde e submisso não teria lugar em Seu reino. Exatamente por isso, mesmo com todas as adversidades, os cristãos perseveraram e conseguiram difundir suas ideias. Mas eram outras épocas e outros homens. As chances de um mesmo cenário se repetir hoje? Menores que zero. A atual religião oficial de todos, principalmente dos brasileiros, é o estatismo. Se você retirar a bota estatal do pescoço do brasileiro médio, é capaz de aí sim ele se sentir sufocado e implorar por novas submissões. Não é à toa que a ética e a moralidade das pessoas estão em queda livre. Justamente como prevê a teoria.
  • Renato Souza  21/11/2012 19:35
    Não sou católico, mas fiquei muito feliz em aprender aqui sobre a importância dos escolásticos para o desenvolvimento da economia.

    É uma pena que os governantes espanhóis não tenham aproveitado muito desse conhecimento. uma espanha mais liberal teria sido maravilhosa. Talvez um dia isso ainda ocorra.
  • Fabio  21/11/2012 20:14
    Ainda sou da opinião que a igreja nada mais é que uma forma de estado primitiva,invenção do homem.
    Por que?
    Para a igreja chegar a influir no governo e na vida das pessoas,a mesma teve que usar a força,violação e violência.
    Como a igreja caiu,consequentemente o estado cresceu.
    Para acabar com o estado,é só com a educação do povo e uma nova visão de mundo,que só acontece através de evolução natural segundo Darwin,a partir do momento que o estado sair de cena,dar uma grande guerra,ai sim as pessoas irão evoluir e consequentemente o estado ira cair.
  • Gustavo BNG  21/11/2012 20:16
    Quem quiser saber os atos que devem ser evitados por um católico de verdade (que busca a santidade) deve ler o seguinte trecho do Catecismo referente ao exame de consciência, obrigatório antes do sacramento da Confissão: www.slideshare.net/OnOSJunior/10-mandamentos-e-pecados-relacionados.
    É de se concluir necessariamente que, numa sociedade católica de verdade, o estado (esfera do município/condado/cidade/distrito, esfera do estado/província/cantão e esfera da união) seja menos perceptível (com percepção decrescente na ordem município/condado/cidade/distrito > estado/província/cantão > união), por várias razões: subsidiariedade e descentralização extremas (cada indivíduo tenta resolver o seu problema e, caso não consiga, recorre ao mais próximo), ausência de crimes e fraudes (pelo amor à propriedade de outrem), menores gastos estatais (pois o estado perde boa parte de suas funções atuais), maior produtividade no trabalho e polidez no atendimento aos consumidores (por amor à hierarquia, neste caso profissional, e por rejeição à preguiça), poupança (pelo desapego aos bens terrenos), empreendedorismo (pela preferência aos atos voluntários e pensamento de longo prazo), atos materiais de caridade (pelo amor ao próximo), menor transmissão de doenças (pela higiene e castidade) etc.
    Isto é o que os teólogos chamam de Reinado Social de Jesus Cristo. É o oposto das mentiras propagadas pelos adeptos da marxista "teologia da libertação". (Tal pseudoteologia é a Doutrina Católica invertida!!!)
    Infelizmente, uma minoria ínfima dos católicos busca a santidade, e a consequência é sentida pela sociedade.

    Que Cristo nos ajude a sermos santos, por intercessão da Mãe Santíssima dEle!
  • Alvaro  24/11/2012 07:52
    Muitos que se interessarem por ler livros de santos sobre a vida devota (recomendo a Filotéia de São Francisco de Sales, por exemplo) irão perceber o quanto os princípios que vivemos na vida interior vão em prol do responsável uso da nossa liberdade. Além disso, para quem quiser um resumo da doutrina social da Igreja pode ler a encíclica Centesimus Annus de João Paulo II, que teve até influência de Hayek para escrevê-la.

    Tem muita pessoa que tem raiva da Igreja Católica motivada sem ter o mínimo de conhecimento histórico. Alguém já viu algum professor de história do ensino médio falar da inquisição explicando o que era o catarismo, donatismo e as demais heresias?

    É bom conhecer e estudar um assunto antes de opinar sobre ele.
    Quantos aí conhecem o dia a dia de um sacerdote para falar sobre o uso ou não da batina ou sobre o celibato e demais questões?

    Abraços!

    ps. grande entrevista!
  • Sérgio  21/11/2012 20:21
    Sei que este nao é um site religioso. Mas é revoltante. Viram a última tentativa esquerdopata de abolir a tradição católica do celibato?

    Leiam:

    news.harvard.edu/gazette/story/2012/09/suggestion-of-a-married-jesus/

    Vejam a eles não escondem que o objetivo desta fraude científica é romper com a tradição cristã do celibato clerical:

    "King observou que os debates contemporâneos sobre celibato clerical, o papel das mulheres, sexualidade e casamento demonstra que estas questões estavam longe de ser resolvidas.

    "A descoberta deste novo evangelho," diz King, "oferece uma ocasião para repensar o que pensávamos que sabíamos, perguntando qual o papel que afirma sobre o estado civil de Jesus desempenhou historicamente no início de controvérsias cristãs sobre o casamento, o celibato e a família. Tradição cristã preservada apenas aquelas vozes que diziam que Jesus nunca se casou. O Evangelho da Esposa de Jesus mostra agora que muitas cristãos pensavam o contrário."

    Aí eu pergunto: e daí que muitos pseudo-cristãos pensavam o contrário? Cristo já previa a existência de falsos cristãos e falsos profetas. Haviam muitas heresias na época. E chamar um papiro do século IV de "Evangelho" é o cúmulo das distorções. Nem merece comentários.

    Mesmo com todas as distorções, Karen King (a professora que divulgou a fraude), confessa:

    "This new gospel doesn't prove that Jesus was married".
  • Andre Cavalcante  22/11/2012 06:33
    Olá Sérgio,

    Celibato, assim como qualquer outra ação humana, é de foro íntimo e assim deve ser. O erro da tradição católica para o celibato, por mais justificativas que se queira dar ao fato, está na obrigação do celibato - só isso, mas isso é essencial para todo o resto.

    Nada do que seja de foro íntimo deve ser obrigado porque, ou não será cumprido integralmente (vide o caso dos padres pedófilos e filhos de padres espalhados mundo afora), ou simplesmente será ignorado.

    O objetivo primário do celibato dentro da Igreja não era o de crescimento interior, mas o de precaver o clérigo de, em tendo filhos, deixar heranças (e por isso mesmo a não aceitação de "filhos bastardos", que afinal são tão filhos quanto os legítimos), em geral bens que iriam naturalmente da igreja para as pessoas. O objetivo era claro, o indivíduo se tornava padre e seus bens eram apropriados pela Igreja pois o padre/clérigo/bisbo não tinha filhos, portanto, não tinha herança.

    Isso não tem nada a ver com o fato de que uma vida celibatária (por opção) a fim de cuidar das outras pessoas seja tão meritória quanto uma vida não celibatária (também por opção).

    Abraços
  • Sérgio  22/11/2012 11:10
    Andre, veja este video do Padre Paulo Ricardo sobre o Celibato:



    Os autores do estudo não escondem que o objetivo é "rediscutir o celibato". Por que este desespero de "provar" que Cristo era casado? Cristo nunca foi casado. Os próprios autores disseram que tal papiro. A grande verdade é que há uma cruzada gramsciana para corromper e abolir todas as tradições, e faz tempo que eles querem abolir o celibato na Igreja Catolica. De qualquer forma, você tem que concorda que este papiro é falso. Historiadores sérios questionam a autenticidade deste papiro, pela forma como está redigido que não é como os documentos autênticos, parece que foi forjado. Ademais, a própria autora do estudo diz que tal papiro não prova se Jesus era casado ou não.
  • Renato Souza  22/11/2012 13:28
    Sergio\r
    \r
    Vejo como uma ataque ao Cristianismo e à verdade, não ao celibato. Em tempos antigos (antes de Constantino), os ministros cristãos, via de regra, eram casados, o celibato não era obrigatório, e o entendimento comum sempre foi que Jesus não era casado. Logo, essa "pesquisadora" está dizendo bobagens, pois o celibato católico não se baseia no celibato de Jesus, e na verade, nem é uma doutrina cristã original. As igrejas orientais, que deixaram cada vez mais de ter contato com a igreja ocidental, com a decadência do império romano, guardam essa situação original de celibato não obrigatório. Os próprios estudiosos católicos admitem isso, que o celibato é mais uma conveniência da ICAR do que uma questão doutrinária. Basta apenas ler os textos antigos do cristianismo, e isso ficará claro.\r
    \r
    Mas é um ataque ao Cristianismo e à lógica o que essa mulher diz. Mesmo que fosse verdade que um texto gnóstico egípcio, supostamente do século IV, apresentasse Jesus como casado, isso seria irrelevante, do ponto de vista do estudo da vida de Jesus. Seria útil apenas para o estudo do gnósticismo do século IV. Agora se diz que o texto na verdade é uma falsificação, mas se fosse real, nada informaria de real a respeito do Messias.\r
    \r
    Imagine que aparecesse um pedaço de texto do século XIX dizendo que Colombo não esteve no Caribe, América do Sul e Central, e sim na Groenlândia. Que fariam os historiadores? Desprezariam inúmeros texto mais antigos, de vários autores, da própria época de Colombo ou pouco posteriores, que se comprovam uns aos outros das mais diversas maneiras, que nos informam sobre suas viagens, em favor de um fragmento de texto muito posterior que diz algo totalmente diferente? Isso seria uma afronta à inteligência. A mesma coisa querem fazer muitos revisionistas da Bíblia, que querem, por força da manipulação e da mídia, transformar as provas fortíssimas em fraquíssimas e as fraquíssimas em fortíssimas. Como diz a própria Bíblia, ai dos que fazem da luz escuridão, e da escuridão, luz.
  • Ricardo Sulyak  21/11/2012 21:30
    Luis Almeida, eu não adulterei frase alguma, a frase dele está lá, tanto que a reproduzi de modo idêntico no corpo do texto do meu comentário entre aspas, porém me referi à IC em meu argumento por ser facilmente perceptível a correlação direta entre o tema religião e a Igreja Católica na entrevista do Huerta de Soto. Eu não sei a qual preconceito anti-religião você se refere; no mínimo me refiro a um pós-conceito, pois chamo a atenção a uma inadequada identidade que muitos fazem quando o assunto é ética e moral com religião e em seguida com a própria Igreja Católica; A Igreja Católica e religiões em geral difundem uma proposta que não têm conseguido alcançar, que é a de orientar os homens a serem melhores (o que é diferente quando a pessoa se sente bem por fazer parte de um grupo - me refiro aqui ao aperfeiçoamento de modalidades e caráter mesmo e assim mudar para melhor, fruto de um ato consciente da própria vontade), não há um meio de aperfeiçoamento conscientemente realizável a ser feito, para tal inculcam temores de diversos tipos bem como punições quiméricas, sem contar com o temor à Deus para assim fazer valer seus preceitos tradicionais. Por mais que alguns se adaptem ao "modelo" vejo isto como algo um tanto opressor, e psiquicamente falando, como uma ameaça de sofrimento "a futuro" quando não cumprida determinada diretriz ou norma do código. O que aparentemente parece ser como voluntário observo ser mais um resultado de um processo (desde tenra idade) de fixação inconsciente de certas imagens rígidas - e, portanto, estáticas - ,relacionadas com a educação espiritual, sendo assim, quando um grande contingente de indivíduos não identificam outra opção de orientação, a aparência que dá é que se trata de um ato voluntário de suas vontades. Isso vale para as religiões em geral; e o que estou procurando colocar é que há prescindência de religiões ( incluindo Igreja Católica, lógico) para desenvolvimento de senso moral e sua consequente transmissão, tal como coloquei no comentário anterior.

    Pedro Franca, eu não sou ateu, e ao mesmo tempo não tenho uma religião, não frequento cultos e não faço orações verbais em busca de redenção, pelo fato destes hábitos não fazerem parte de meu universo para construir convicções a respeito do que chamei a atenção: cultivo de senso moral e portanto sua transmissão a outra pessoa, para que este realize por si mesmo ao seu próprio modo também. E nem por isso cheguei a ter afinidade alguma com ideias de esquerda, nem na época de escola, tampouco em minha vida universitária apesar de parte dela ter em sido numa universidade federal no Rio de Janeiro (Uma mescla de comunismo-marxista, social-democracia e keynesianismo - Horrível!). Não há implicação alguma em não ser religioso e por isso ter de ser de esquerda. Mas há ateus que outrora foram comunistas de esquerda e ao conhecerem um pouco a filosofia libertária, amadurecem em muitos aspectos e tendem a se identificarem pelo viés anti-estado/governo da coisa. O elemento anárquico já estava presentes em suas mentes, mas o capitalista ausente de um órgão diretor observado antes como o governo, para estes, veio com o tempo.

    Valeu!
  • Adao  22/11/2012 03:48
    Quando fazia o ensino básico sempre tive a idéia que quando atacavam a idade média era para criticar a Igreja Católica. Isso quando eu tinha 14 anos; o sentimento católica sempre falava alto. Hoje tenho mais certeza disso. Excelente entrevista, ainda existe pessoas que pensam fora do conceito já estabelecido, "o estado provedor".
    E essa entrevista mostra a grande contribuição da Igreja Católica, acaba com o conceito dos protestantes e calvinistas como os construtores do capitalismo moderno.

  • Daniel  22/11/2012 05:51
    "Quando você avalia ativos de acordo com seu valor atual de mercado, o valor deles fica ao sabor dos ciclos econômicos. "

    Gostaria de saber qual a recomendação das escola austriaca a respeito de como avaliar os ativos e como investir. Escola fundamentalista? Tem algum livro ou artigo?
    Eu acho que atualmente o valor do ativo esta sendo mais seguro que a analise fundamentalista. Ex: Vale que vai pagar dividendos e a ação cai. Ou tem lucros expressivos e o valor da cota continua caindo.
  • gilvan2021@hotmail.com  22/11/2012 06:03
    "são posições totalmente complementares[ religião e libertarianimo]."

    Não é o que parece quando se lê artigos deste site. O Mises Institute, majoriatariamente constituído por anarcocapitalistas (e muitos deles são ateus)parece reescrever o Evangelho: "Buscai em primeiro lugar o anarcocapitalismo e todas as outras cousas vos serão acrescentadas."

    De fato, a "religião" da atual sociedade é o estatismo. Isso qualquer um, quando sai do pensamento esquerdista vigente, percebe de cara. Todavia, não será lutando exclusivamente no front econômico que iremos reverter tal situação. A revolução gramsciana está aí à nossa porta, e o que se faz para rebatê-la? Ensinar aos cristãos e demais cidadãos que o mercado é a chave única do problema? O livre mercado é importante, mas não é tudo. Isso qualquer líder socialista sabe que, sem um mínimo de mercado, nenhum governo subsiste. A tirana China é o maior exemplo disso.

    Essa parece uma guerra perdida, pelo andar da carruagem. É perda de tempo caçar baleia com alfinete.
  • Leandro  22/11/2012 06:30
    "Não é o que parece quando se lê artigos deste site."

    Não?!

    Liberalismo e cristianismo

    Religião e libertarianismo

    O papel crucial da religião no desenvolvimento da ciência econômica

    Mitos e verdades sobre o libertarianismo

    Catolicismo, protestantismo e capitalismo


    "O Mises Institute, majoritariamente constituído por anarcocapitalistas (e muitos deles são ateus)"

    Uma mentira calhorda de sua parte (sim, eu perco minhas famosas educação e paciência quando gente vem aqui para caluniar).

    Lew Rockwell, Tom Woods, Guido Hülsmann e Jeffrey Tucker são católicos tridentinos. Joseph Salerno e Mark Thornton são católicos normais. Gary North, Robert Murphy, Ron Paul, Hans Sennholz (falecido) Willaim Anderson, Art Carden, Jeff Herbener são protestantes devotos.

    O único scholar ligado ao Mises Institute que é ateu é o Walter Block (ou seja, um), e eu sugiro que você leia o artigo dele linkado ali em cima (Religião e libertarianismo) para ver a real opinião dele.

    E, caso saiba inglês, leia ao menos o primeiro parágrafo desse relato do Bob Murphy

    Gentileza não vir com calúnias e mentiras. Dessa vez passou, mas não haverá próxima. Tenha a hombridade de expressar suas opiniões sem inventar mentiras, pois isso é uma postura que lhe deixa totalmente a descoberto.
  • gilvan2021@@hotmail.com  22/11/2012 13:37
    Ok, Murray era "meio ateu" (agnóstico).

    Murray was an agnostic, not an atheist, and a very pro-Catholic one, ascribing to the church almost everything good in our civilization, including the belief in the ultimate worth of the individual and the very idea of liberty, neither of which existed BC. He loved Catholic culture as well, and was a real expert, for example, on the Baroque churches of southern Germany, which he considered the most glorious architecture in the history of man.

    Mas vamos ao restante do meu último comentário, por favor.
  • anônimo  22/11/2012 15:42
    Qual restante? Gramscianismo?

    Progressistas, reacionários, histeria e a longa marcha gramsciana

    Gentileza pesquisar minimamente o site antes de sair fazendo afirmações categóricas ou mesmo antes de jurar que encontrou uma lacuna, um assunto importante não coberto.
  • BSJ  23/11/2012 07:42
    Ainda estou esperando ser postado um comentário meu em que peço desculpas ao Leandro. Só foi publicado o segundo, que era apenas um apêndice do primeiro.
    Desse modo, fica a impressão, para todo o mundo, que sou mentiroso, calhorda e mal educado.

    Esse é o senso de "liberdade e igualdade", que aqui tanto cantam em verso e prosa?
  • Leandro  23/11/2012 07:49
    Prezado BSJ, qual comentário? Todos os seus que chegaram foram postados. Eles foram enviados corretamente?

    Mas não esquente. Eu também me excedi e peço desculpas. As suas também estão devidamente registradas.

    Abraços!
  • Miqueias  22/11/2012 16:56
    Leandro,

    Infelizmente é justamente essa impressão que os libertários tem passado. A principal crítica dos conservadores aos libertários é que estes tem como única bandeira o mercado e acreditam que ele, o mercado, sozinho pode resolver todos os problemas. Eu também tive essa impressão a princípio, até que eu li o texto "Progressistas, reacionários, histeria e a longa marcha gramsciana".
    Se for possível mudar essa ideia que se tem dos libertários, os ideais de liberdade podem se tornar bem mais aceitos entre os conservadores.
  • Oziel Jose  22/11/2012 08:42
    O protestantismo veio para contrapor o catolicismo, não me admiraria como protestante que sou que dentre as coisas que a reforma negou, no meio delas também estivesse idéias positivas, até porque toda a sociedade era católica e aparecer uma pessoa ou grupo de pessoas com conhecimento e estudo que não fosse desse meio era algo raro na época.

    Acho que sempre que falam bem da igreja católica, referente a isso, forçam a barra um pouco, já disse isso aqui antes, toda sociedade era católica, negar que coisas boas saiam dessa sociedade é um desrespeito ao intelecto humano, em suma todo o conhecimento ocidental bom ou mal saia ou da igreja católica ou de uma sociedade influenciada por ela seja positivamente ou negativamente.

    Não estou negando o que ele disse, mas estou apenas colocando no contexto histórico, pois dizer que a Alemanha foi boa para o mundo na segunda guerra porque Eistein era alemão é um grande exagero(Entendam meu paralelo, não coloquei a igreja católica no mesmo nível, apenas exemplifiquei uma hipérbole exagerada de um tópico similar)

    Pergunta quantos estudiosos e escolásticos católicos existiam nesse período? Qual a influência desses espanhóis no meio católico? Pela entrevista ele parece dizer que a culpa do pensamento ter desaparecido foi do protestantismo, aquele mesmo protestantismo que foi perseguido logo em seguida e só encontrou casa de fato na Inglaterra...

  • Ricardo S.  22/11/2012 08:51
    Leandro,

    Eu também tinha a impressão que os Misesianos eram, em geral, ancap´s/minarquistas e ateus (não militantes). Foi uma grande surpresa pra mim ver, no seu comentário, que a maioria é cristã. Não sei o que exatamente leva a ter essa impressão, talvez o fato de eu ser ateu.

    Digo isso apenas para mostrar que, talvez, o comentário do gilvan2021@hotmail.com não tenha sido desonesto, apenas se deixou levar pelas impressões.
  • Daniel  22/11/2012 10:39
    Bom. o estado não é base moral para ninguém, muito pelo contrario.

    Mas deveriamos mesmo escolher uma instituição religiosa/religião/crença/mitologia como base moral para algo?
    O que dizer sobre a arte, a filosofia, a ciência...?

    O Brasil está quase deixando de ser um estado laico de tantos 'religiosos/pastores' no poder . Não seria essa outra forma de governo/estado surgindo?

  • Gustavo BNG  22/11/2012 13:50
    Mas deveríamos mesmo escolher uma instituição religiosa/religião/crença/mitologia como base moral para algo?

    Essa decisão é individual. Eu, p.ex., escolhi a Doutrina Católica, professada pela Igreja Católica. (Obs.: há uma grande diferença entre Igreja e Doutrina)

    O que dizer sobre a arte, a filosofia, a ciência...?

    Todas elas têm amplo espaço de crescimento numa sociedade católica. Afinal de contas, elas refletem a inteligência do próprio Criador!

    O Brasil está quase deixando de ser um estado laico de tantos 'religiosos/pastores' no poder.

    É o mesmo estado que pensa em abolir a frase "Deus seja louvado" das notas de real, que permite o aborto em determinadas circunstâncias, que permite paradas gays, que faz distinção de pessoas por cor da pele e classe social etc. Como se vê, é um estado fortemente laico.
  • Vinicius Costa  22/11/2012 10:46
    Infelizmente vou comentar sobre religião, que não é o ponto mais forte da entrevista, mas é o mais polêmico de todos.
    Quando disse que "A religião tem um papel importante na vida de uma economia. A religião transmite de geração para geração certos padrões de comportamento e de tradições morais que são essenciais para que haja respeito às normas, separação dos poderes e respeito aos direitos naturais de cada indivíduo.", ele está afirmando que os padrões de comportamento são essenciais para o respeito de normas, e que a religião é um meio de propagar essa conduta. Mas também não é a única. Uma pessoa não religiosa também é capaz de 'respeitar o próximo', como diz o lema, a diferença é que seus valores serão retirados de outra fonte, como a filosofia ou até mesmo a astrologia,por que não?
    Me interessei bastante pela sua ideia em relação a aposentadoria. Alguém sabe como esse projeto é visto na Espanha e se é possível que ele se torne realidade?
  • Marcelo  22/11/2012 12:14
    O Olavo de Carvalho argumenta que o surgimento de uma sociedade livre, a começar pela liberdade de consciência, é fruto da crença no livre arbítrio e só poderia ter se desenvolvido a partir disso, - como de fato aconteceu no Ocidente.
  • Oziel Jose  22/11/2012 13:02
    Com todo respeito a Olavo de Carvalho por quem tenho muito respeito e sou admirador, digo que o livre arbítrio é a base do cristianismo, mas qualquer cristão protestante sabe disso desde criança(só sei protestante, não posso falar por católico), isso é base da nossa crença.

    Ainda hoje vemos que as sociedades mais livres tiveram bases protestantes. A própria igreja católica possou por muitas mudanças provocadas pelo protestantismo, então em muito me incomoda a exaltação exagerada da igreja católica.

    A bíblia é a verdadeira base do moralismo e procurar na filosofia uma base para tal exige um grande passo de fé. A filosofia não é amiga dos ateus e afins. Quero deixar claro a diferença entre bíblia/cristianismo como base moral e imputação moral oriunda do estado, existe de fato um abismo estre ambos e sempre que ele tentou ser superado por meio de imposição de culto e religião, o resultado foi sempre ruim.
  • Andre Canine  23/11/2012 04:17
    Exaltação exagerada da Igreja Católica? Onde isso acontece?
  • Rhyan  23/11/2012 08:23
    Sou outro ateu que adora esse site. Mas acho um grave erro colocar a religião como monopolista da ética e moral. O próprio Rothbard num capítulo do Ética da Liberdade coloca os direitos naturais como algo racional e 'científico'.

    Enfim, posso até concordar que a igreja católica fez coisas boas, úteis, que professores marxistas e protestantes distorcem um pouco os fatos, mas não vou ver a igreja como uma maravilha na terra. Cometeu muitos erros também. E de forma alguma eu aceitaria as partes sobrenaturais sem bases empíricas, apenas baseadas na fé. Claro que crença é algo pessoal.

    Gostei de ler no Ação Humana Mises dizendo como é impossível uma ação divina, no sentido praxeológico. Ele faz um argumento que se assemelha ao argumento da pedra pesada e depois diz que onipotência e onisciência não podem existir juntas.
  • anônimo  23/11/2012 17:28
    Sou mais um ateu fã do site, e acho que é importante frisar: a ICAR não é uma instituição política - ao menos fora do Vaticano, que cá entre nós não passa de uma "pequena propriedade" -, mas sim religiosa, e que por isso não tem como reservar pra si o papel de monopolista da moral e da ética - papel este que os estados pretensiosamente guardam para si, respaldados por seus "intelectuais". Dito isso existe outro ponto para se lembrar: a ICAR é uma organização. Não teve, e nem tem, vontade própria. Portanto, indivíduos devem ser responsabilizados pelas determinações políticas e ações praticadas em seu nome no passado, de outra forma seria o mesmo que culpar os alemães hoje pelo nazismo, os russos pelo comunismo soviético, ou os americanos pelas invasões do Iraque - ainda que se possa culpar o estado, devido a sua natureza política e não voluntariosa. Política é o problema, não religião ou falta dela.
  • Gustavo BNG  23/11/2012 19:57
    Onipotência de Deus não é poder fazer tudo e, então, difere da onipotência habitualmente entendida pelo povão (e que está subentendida em seu comentário). Deus não peca, pois pecar é agir contra a vontade de Deus.
  • Rhyan  25/11/2012 04:35
    Gustavo, então isso não seria onipotência, você está distorcendo a palavra. Nesse seu caso Deus seria algo como um robô.
  • Gustavo BNG  25/11/2012 19:01
    Em Filosofia e Teologia, geralmente os significados das palavras diferem daquele que nos é apresentado no Ensino Básico ou Superior. Não se trata necessariamente de antirreligiosidade (negar isto é fanatismo religioso verídico!), mas de adequação de uso, e é perfeitamente possível que uma pessoa religiosa fervorosa admita tais diferenças semânticas.
  • Rhyan  26/11/2012 08:50
    Isso serve para "onisciência" e "onibenevolência" também? Acho muito complicado dar essas características ao deus bíblico, principalemte o do AT.
  • Gustavo BNG  26/11/2012 10:10
    Para se entender a Bíblia (Revelação Escrita), em seu gigantesco contexto, deve-se contar com a Tradição Oral e com conhecimentos sobre a literatura judaica.
    Se quiser saber a resposta católica (como diz o padre Paulo Ricardo), procure o The Great Biblical Commentary (www.catholicapologetics.info/scripture/newtestament/Lapide.htm), do padre e exegeta holandês Cornélio a Lápide. Este livro possui comentários sobre todos os capítulos bíblicos, com exceção dos livros de Jó e dos Salmos.
  • PESCADOR  23/11/2012 10:46
    Sou ateu e não gosto de religião nenhuma. A Igreja Católica fez mais coisas ruins do que boas ao longo de sua história. Fico feliz que os escolásticos tenham iniciado estudos importantes para o desenvolvimento do que hoje conhecemos como Escola Austríca. Pelo menos não estavam queimando pessoas na fogueira pelo simples motivo de discordarem da suposta santidade do Papa, de Jesus, da Igreja, de Deus ou qualquer outra coisa que os cristãos acreditem ser importante.
  • anônimo  23/11/2012 11:23
    Melhor fizeram os ateus comunistas, que trucidaram 200 milhões pelo "crime" de não aceitarem a ideia da deidade Marx.
  • Gustavo Sauer  25/11/2012 20:59
    Seu comentário é tão ridículo que não merecia nem ser postado aqui. O que matou 100 milhões de pessoas no sécuolo 20 não foi o ateísmo, mas o socialismo. Ateísmo é apenas uma posição negativa a pergunta "existe algum deus?". Ateísmo não da nenhum passo além disso. Não há livros sagrados ou mandamentos ateístas. Hitler era socialista cristão e matou tão tanquilamente quanto Stalin. Você pode ser um libertário ateu ou um comuna ateu.
  • anônimo  26/11/2012 03:34
    'Seu comentário é tão ridículo que não merecia nem ser postado aqui. O que matou 100 milhões de pessoas no século 20 não foi o ateísmo, mas o socialismo.'

    É mesmo gênio? Ridículo foi você não ter notado que isso era outro exemplo da mesma jumentice lógica que o pescador falou antes: pegar as hagadas de uns indivíduos e jogar a culpa no X que eles seguem.
    Não tem nada no cristianismo original que defenda a inquisição.
  • PESCADOR  26/11/2012 06:23
    Os comunistas matavam em nome da religião comunista, não em nome do ateísmo. O comunismo é uma religião. E é sempre errado matar pessoas unicamente porque elas não comungam do mesmo arcabouço mitológico que você, seja isso o Comunismo ou o Cristianismo.
  • anônimo  26/11/2012 06:48
    Comunismo não é uma religião, é uma filosofia, uma ideologia
    Pra Lenin e cia tanto o comunismo quanto o ateísmo eram importantes pra transformar a URSS no paraíso na terra, então eles matavam pelo ateísmo sim
  • Sérgio  23/11/2012 14:21
    A Igreja Católica impediu que o Ocidente se transformasse numa colcha de retalho, já que os ataques dos bárbaros retalharam a civilização da época.
  • Marcus Benites  23/11/2012 21:57
    Pelo seu raciocínio, também foram "importantes" as vitórias do norte sobre o sul na guerra americana, bem como a da federação sobre o RS aqui no Brasil... Isso aí. Impedir que as pessoas se libertem e se reorganizem da forma que entenderem é exatamente o que se prega por aqui. Está pegando o espírito da coisa...
  • Gustavo BNG  25/11/2012 22:52
    Se alguém comete um crime, a culpa não é da doutrina religiosa dessa pessoa.
  • Camarada Friedman  23/11/2012 15:10
    Fosse a Igreja Católica do nosso país, uma Igreja que respeitasse suas tradições eu mesmo como ateu teria muito mais respeito pela instituição. Infelizmente, desde os meus tempos de crisma eu já vinha percebendo que o "lugar" foi infestado por comunistas.
  • Julio  24/11/2012 08:29
    Mas a igreja católica não era contra o lucro e considerava a usura (cobrança de juros) pecado?
  • Sérgio  24/11/2012 16:10
    Julio, o lucro nunca foi condenado pela doutrina oficial da Igreja, embora tenha demorado algum tempo até que ele fosse moralmente justificado. Por exemplo, a Carta Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII, contém princípios e entendimentos bastante favoráveis ao livre mercado e é anticomunista.

    Já a usura (cobrança de juros), esta sim, foi proibida oficialmente. E foi graças em larga medida ao trabalho dos teólogos e escolásticos católicos que pouco a pouco a doutrina foi mudando até que, finalmente, a proibição caiu por completo. De fato, o entendimento econômico que se tinha na Idade Média (até os Escolásticos da Escola de Salamanca) era muito precário, e isso levava a posições morais que, com o que conhecemos hoje, não se sustentam. Mas imagine que se não tivesse o entendimento de porque existem os juros; num contexto intelectual assim, os juros pareceriam realmente apenas como uma cobrança a mais, imposta e injusta, pois um dos lados fica com menos e outro com mais. Isso não justifica o erro da proibição, mas torna-o compreensível. Entendeu?

  • Marcus Benites  24/11/2012 11:00
    Não vejo, sinceramente, pertinência maior em se discutir religião, aqui, que discutir futebol... Cada um pense o que quiser da igreja católica. Seguir ou não seus valores (e o pior: quais são, de fato?) não tem a ver com ser libertário ou ancap. Vá à missa aos domingos e creia nas coisas ditas lá, pregue-as no seu cotidiano... É direito seu. Mas não tem relação com este contexto, por mais que queiram forçar isso. Depois nos confundem com "direitistas" ou "conservadores" e não sabem por quê.
  • Sérgio  24/11/2012 16:37
    Como sempre o Sr. Marcus Benites falando merda.

    Não sei qual o problema de ser visto como um "direitista" ou "conservador". É melhor do que ser visto como um "esquerdista" e "relativista".

    E por que não se orepcupar com a religião. Huerta de Soto disse o que eu sempre digo:

    "A religião tem um papel importante na vida de uma economia. A religião transmite de geração para geração certos padrões de comportamento e de tradições morais que são essenciais para que haja respeito às normas, separação dos poderes e respeito aos direitos naturais de cada indivíduo. Sem isso, uma sólida economia de mercado é impossível. Se os contratos deixam de ser respeitados, a sociedade se desintegra. A religião, e não o estado, é o meio essencial de se transmitir às pessoas um senso de obrigações morais, como a de que devemos manter nossas promessas e respeitar a propriedade de terceiros."

    O que eu sempre digo: sem estes valores, a sociedade se desintegra.
  • pensador barato  25/11/2012 09:03
    Observação,ancaps podem ter a religião que quiser,mas querer impor para outros como faz Jesus Huerta De Soto sutilmente,ai não dá.Sou ancap e respeito a opção religiosa de cada um,cada um siga o que quiser,liberdade para todos em tudo,inclusive liberdade de culto.
  • Fernando Chiocca  25/11/2012 20:08
    Pensador bem barato mesmo... Onde De Soto tenta impor suas religião a alguém? Alias, isso seria algo contrário a propria religião dele.

    Reconhecer os valores de um religião não tem nada a ver com impor tal religião. Rothbard também não era religioso mas como não era um pensador barato, reconhecia o valor da mesma.

  • Angelo T.  26/11/2012 05:37
    Uma trecho do texto pode estar causando confusão:

    "A religião, e não o estado, é o meio essencial de se transmitir às pessoas um senso de obrigações morais, como a de que devemos manter nossas promessas e respeitar a propriedade de terceiros."

    A palavra essencial é sinônima de necessário, obrigatório e indispensável. Então pode-se entender o trecho como se apenas a religião pudesse passar adiante obrigações morais como manter promessas e respeitar propriedade. É de certa forma dar o monopólio de coisas boas para a religião. Coisa que obviamente os ateus discordam, e de minha parte, também discordo veementemente.

    Só que lendo todo o parágrafo que contém esse trecho, não parece ser essa a idéia do professor De Soto, e sim de que a igreja foi e é uma forma importante de se passar de geração para geração certas obrigações morais, porém não é a única. Talvez no texto original a idéia esteja mais clara.
  • anônimo  26/11/2012 06:42
    Não. O que causa confusão, como sempre, é que cada um só lê e interpreta o que lhe interessa. Na frase acima, de Soto faz um claro antagonismo entre religião e governo. Mas as pessoas se afobam ao ler 'religião' e ignoram completamente a expressão 'e não o estado'.

    Agindo assim, de maneira estouvada, de fato fica difícil evitar mal entendidos e discussões desnecessárias.
  • Andre Cavalcante  26/11/2012 10:47
    Caro Angelo,

    Você disse: "A palavra essencial é sinônima de necessário, obrigatório e indispensável"

    Pesquisei e encontrei isso: essencial. Aqui aparece como sinônimo de preciso e indispensável, mas no contexto percebe que não há obrigatoriedade. Outros sinônimos que aparecem: característico, especial, importante.

    Você corrigiu bem a tempo no último parágrafo.

    Agora, sobre o ateísmo: essa é uma coisa que os ateus, por mais que falem, não se resolvem: a maneira que o ser humano encontrou de passar de geração à geração certos valores morais foi e é através da religião (qualquer uma). De fato, a religião se mostrou especial neste sentido, isto é, mais apta a realizar tal tarefa. Mesmo aqueles que dizem que somente se baseiam por evidências científicas, apenas trocaram o deus de abraão pelo deus acaso, mas ninguém nessa vida consegue viver sem um mínimo de crenças e valores morais, bem como mitos e místicas, valores esses que, se passados às gerações seguintes tem todo o contexto das "religiões" tradicionais, exceto o nome que dão às coisas... Mas esse é outro papo.

    Abraços
  • Angelo T.  26/11/2012 11:22
    André,

    De acordo quanto à parte sobre meu post anterior.
    A palavra essencial tem vários significados. Meu ponto é que alguns deles podem dar a entender alguma coisa diferente do que o professor De Soto quis dizer quando lido no contexto mais amplo, como, por exemplo, o parágrafo todo (lembrando que a palavra essencial se refere à palavra meio, e não à palavra religião).

    Quanto ao ateísmo, deixo a discussão para outros sites ou outra oportunidade.

    Abraço.
  • Gustavo BNG  26/11/2012 11:47
    André, complementando o que você escreveu, as tendências psicológicas humanas não se baseiam apenas em mentiras, mas também em verdades. Assim, não é porque alguém acredita, naturalmente, em X que esse X é falso. Para mostrar que X é falso, deve-se recorrer à Lógica, à Filosofia, à História, à Biologia, à Física etc.
  • Andre Cavalcante  26/11/2012 12:14
    Não, não. Acho que não me expressei bem. Quiz dizer justamente que tanto faz ser verdade ou não. O conjunto de crenças é pessoal, no momento em que passado a outros (e.g. filhos) torna-se exatamente o que é a religião: um conjunto de crenças dogmáticas, pois os outros a aceitam sem contestação ou verificação. Se é verdade ou não é outro papo, até porque definir o que a verdade não é fácil. E os ateus, mesmo não querendo, participam desse processo, exatamente igual a um pai ensinando o Pai Nosso pro seu filho (somente muda o conteúdo).

    Exemplo: tenho a crença que a Terra gira em torno do Sol (verdade testável?) - no momento que meu filho recebe essa "verdade" de mim passa a fazer parte do seu conjunto de crenças sem verificação - e isso não é diferente da religião.

    Muitos podem pular e dizer: mas qualé, a Terra gira em torno do Sol, qualquer satelitizinho consegue mostrar isso ao vivo e a cores... (de fato, Keppler mostrou isso matematicamente, sem nenhum satélite há 500 anos) - mas essa é somente uma visão da "verdade" - de fato, como o Sol está em movimento em relação a outras estrelas (em especial em relação ao centro da galáxia), o movimento da Terra não é bem ao redor do Sol, mas em busca do Sol. Levando-se o pensamento adiante, percebe-se que essa reposta também não é verdade, pois tudo depende do referencial adotado: para um satélite no ponto L2 do sistema Sol-Terra, tanto a Terra quanto o Sol estão parados e um não gira em relação ao outro. Levando-se o pensamento mais a frente, percebe-se que as "várias verdades" dependem, primeiro, do conjunto de valores e crenças de quem analisa e, depois, do que seja mais ou menos provável à sua razão.

    Já dei esse exemplo em outro tópico, mas é interessante repeti-lo aqui: você fica doente e procura um médico: ele diz que seu problema é uma virose e que, em 2 dias, ficarás curado, e te orienta a tomar um anti-inflamatório para te sentires melhor nestes dias de recuperação. Essa explicação é tão boa quanto aquela que um pajé, em uma tribo, de dá quando diz que estás com um espírito maligno que precisa ser removido e para isso te dá uma beberagem e faz umas danças rituais, depois te manda pra casa e pedes para descansares por um tempo (pro espírito sair) e daí há dois dias ficas igualmente bom. Qual das duas verdades são melhores? Tudo depende do teu conjunto de valores e crenças e do que é mais ou menos provável para a tua razão.

    Resumo: não é a questão do ateísmo em si, se Deus existe ou não, se é mais lógico assim ou assado, mas qual o papel da religião, consoante o texto, na propagação desse conjunto de valores e crenças (qualquer valor ou crença). Concordo com o autor: é tarefa da religião, sendo ela qual for (incluindo aí o pseudo-cientificismo de alguns), e não do governo, fazer essa tarefa - ou seja: educação se adquire em casa!

    Espero ter sido mais claro agora.
  • Patrick de Lima Lopes  26/11/2012 12:46
    André, há um ponto que eu humildemente tenho de discordar de sua última postagem. Em seu penúltimo parágrafo, disse: "...essa é uma coisa que os ateus, por mais que falem, não se resolvem: a maneira que o ser humano encontrou de passar de geração à geração certos valores morais foi e é através da religião (qualquer uma)."

    Não creio que a religião seja de fato o mecanismo da passagem de valores morais; na verdade, ela apenas os legitima. Tomando nossa sociedade como exemplo, diversos valores morais antigos e previstos no texto bíblico(Vide a preservação do sábado) não são hoje ainda preservados pela grande maioria dos cristãos. A religião não impediu que tal moralidade fosse desfeita, na realidade, ela ainda legitima o ato de trabalhar aos sábados como uma infração. O mesmo vale, por exemplo, ao ato de usar roupas de dois materiais diferentes. No antigo testamento, tal ato é considerado uma infração.

    A forma mais comum com que qualquer valor cultural(Incluindo a moralidade) é difundido é pela mera convivência familiar e há aí um forte componente animal, onde filhos tendem a simular os comportamentos dos pais. Entretanto, como somos seres inteligentes, alteramos tais valores conforme amadurecemos e convivemos com outras culturas. As religiões não são de fato as causadoras da moralidade de uma sociedade, elas, no máximo, legitimam alguns comportamentos que já são difundidos por ordem espontânea como importantes. Creio que serei inconveniente ao mencionar isso, mas a intolerância aos homossexuais é outro exemplo. Quem disseminou tal pensamento não foi a crença religiosa, essa apenas adicionou legitimidade ao mesmo.

    Espero ter sido claro.

    Abraço.
    -------------------------------------------------------------------------------------
    Admito que sou o menor fã de qualquer discussão que envolve a palavra "Religião" e seus derivados no IMB.
  • André Caniné  27/11/2012 10:16
    Acho que vc está confundindo as coisas. No caso do catolicismo, por exemplo, os valores morais são objetivos e vem de Deus e da autoridade da Igreja (que é guiada pelo Espírto Santo). Se as pessoas não cumprem esses valores isso é outra história.
  • Gustavo BNG  27/11/2012 11:47
    Patrick, quanto à Doutrina Católica, você está certo: ela legitima (e, assim, reforça) a benevolência da moral para a sociedade.
    Santo Tomás argumentava que a vontade de Deus na Revelação não poderia contradizer a vontade dEle que é acessível a todas as pessoas por meio da Filosofia, a qual é a base da Teologia (que contém a Revelação) e todas as demais formas de análise da realidade (Biologia, Astronomia, Matemática, Geologia, Química, Física, Economia etc.).
    Logo, quando ateus (ou quaisquer outras pessoas) dizem que a moral é universalmente acessível, eles estão certos!
  • pensador barato  26/11/2012 18:17
    Fernando chiocca sou um pensador barato e dai,sou tão qualificado quanto você para discutir qualquer assunto religioso,econômico,político,social,dentre outros,até história da carochinha,gosto dos seus comentários,mas prefiro a paciência do Leandro Roque.






Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.