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Sandy: um furacão seguido de controle de preços - um desastre criado pelo homem

O furacão Sandy, que atingiu uma parte do nordeste dos EUA há pouco mais de uma semana, provocou o fechamento de inúmeros postos de gasolina na cidade de Nova York e no seu entorno, causou enormes estragos em estações petrolíferas, e afetou severamente a capacidade de barcaças carregando suprimentos de combustível chegarem às docas.  

Todos estes fenômenos representaram uma substancial redução na oferta de gasolina e de outros produtos à base de petróleo na região metropolitana de Nova York.  Mas nenhum destes fenômenos foi a causa da atual escassez de gasolina, escassez esta que o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, decidiu aliviar recorrendo à "brilhante" ideia de impor um sistema de racionamento de gasolina. (Ver aqui, aqui, aqui e aqui).

Em um livre mercado, quando um determinado bem se torna mais escasso, o efeito que isso gera não é um racionamento do mesmo, mas sim um aumento em seu preço.  O aumento no preço serve para reduzir a quantidade que os compradores intencionam comprar deste bem até um nível que esteja dentro do limite da reduzida oferta disponível.  

Por maior que tenha sido a redução na oferta de petróleo e de seus derivados causada pelo furacão, certamente tal redução não chegou nem remotamente perto do grau normal de escassez da oferta de coisas como ouro ou diamantes.  E, no entanto, não há nenhuma falta de ouro ou de diamantes no mercado.  Qualquer indivíduo que estiver disposto a pagar o preço de mercado destes bens não terá dificuldade alguma em obtê-los.  

Porém, se burocratas estatais — inspirados talvez pela crença igualitária de que todo mundo deveria poder adquirir ouro e diamantes a um preço acessível — decretassem que o preço do ouro e do diamante deveria ser reduzido em, digamos, 50%, então de fato haveria falta de ouro e diamante no mercado, assim como está havendo desabastecimento de gasolina em Nova York e em Nova Jersey.

Até mesmo bens dos quais existe apenas um único exemplar, como uma pintura de Rembrandt, não estão em estado de escassez.  Quando um bem desse tipo é colocado a leilão, seu preço aumenta a um nível tão alto quanto o necessário para reduzir o número de arrematadores a apenas um.  Em face deste alto preço, todos os outros licitantes desistem e saem do leilão.  Eles não permanecem na sala de leilão por horas a fio após o leilão, esperando para poder comprar a pintura; eles sabem que o preço final é muito alto para eles.  

Agora, imagine um leilão no qual o leiloeiro fosse proibido de elevar progressivamente o preço até fazer com que houvesse apenas um comprador.  Imagine que ele fosse obrigado a parar no primeiro ou no segundo lance.  Neste caso, a sala de leilão permaneceria lotada indefinidamente.

O que tudo isso sugere é que todo o desabastecimento de gasolina que está ocorrendo agora na região metropolitana de Nova York e em todos os outros locais que estavam no rastro da destruição deixada pelo Furacão Sandy era totalmente evitável.  Com efeito, o desabastecimento pode desaparecer rapidamente, em questão de horas.  Bastaria apenas o governo revogar a ameaça de processo criminal contra os proprietários de postos de gasolina — bem contra todos os outros empreendedores que trabalham na cadeia de suprimento de gasolina — que aumentarem seus preços até um nível que reduza a quantidade de gasolina demandada, de modo que a demanda se ajuste à reduzida oferta disponível.

Tendo de lidar com preços maiores — possivelmente tão altos quanto US$10 ou US$20 por galão [atualmente está em torno de US$4], ou até mesmo maiores do que isso, dada a aparente amplitude da redução na oferta de gasolina —, muitos dos motoristas que hoje passam horas nas filas dos postos de gasolina iriam simplesmente desistir de utilizar seus carros e passariam a buscar arranjos alternativos de transporte, seja o compartilhamento de carros, a utilização de bicicletas ou qualquer outro arranjo.  Praticamente todos iriam restringir suas viagens automotivas em proporção ao maior custo do uso do automóvel.  Só iriam a um posto de gasolinas aqueles que estivessem genuinamente dispostos a pagar preços muito altos pelo combustível.  (Atualmente, há relatos de pessoas aposentadas enchendo seus tanques com o único propósito de "mantê-lo cheio para emergências" enquanto médicos e ambulâncias não conseguem gasolina para se locomover e salvar vidas.)

As pessoas que precisassem de gasolina para propósitos urgentes, como ir trabalhar, mas que não pudessem pagar preços severamente altos, não estariam tão ruins quanto aquelas que precisam de gasolina para ir trabalhar mas que simplesmente não conseguem adquiri-la, ou só a adquirem após esperarem na fila por três horas.  Tais pessoas poderiam compartilhar o mesmo carro e dividir entre si o alto preço da gasolina.  Quanto maior o número de pessoas no mesmo carro, menor o preço individual.  Os ambientalistas, que adorariam que tal arranjo se tornasse rotina, deveriam abraçar essa chance de ver seu sonho finalmente se tornando realidade, mesmo que apenas temporariamente.

O que causou o desabastecimento e o que impede que o desabastecimento seja contornado da maneira sugerida acima é o fato de que o necessário aumento nos preços é ilegal.  É contra a lei.  De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg no dia 9 de novembro de 2012, "A legislação de Nova Jersey define extorsão como sendo um 'aumento excessivo de preço', de 10% ou mais, durante um declarado estado de emergência."  O mesmo artigo também relata que "a legislação de Nova York proíbe a venda de bens ou serviços por um 'preço inescrupulosamente excessivo' durante um 'distúrbio anormal do mercado.'"

Portanto, foram as legislações estaduais que impossibilitaram o mercado de imediatamente pôr um fim ao desabastecimento.  Foram estas leis estaduais que permitiram o surgimento da escassez ao proibirem o imediato aumento de preços, aumento esse que teria evitado o desabastecimento.  E são estas leis estaduais que estão fazendo com que a escassez persista e seja prolongada.

Essas mesmas leis estaduais estão impossibilitando que o mercado rapidamente restaure os suprimentos de volta ao seu nível normal, algo que faria com que os preços, após terem subido muito, rapidamente voltassem aos seus níveis normais.

Se os preços pudessem de fato subir para níveis "inescrupulosamente excessivos", isso permitiria que suprimentos vitais, cujo transporte é muito custoso, pudessem ser trazidos para as regiões afetadas — por exemplo, gasolina poderia agora ser trazida de refinarias mais distantes.  A preços de US$10 a US$20 por galão, seria lucrativo para que caminhões-tanque trouxessem gasolina de locais que estão a centenas de quilômetros de distância das regiões afetadas.  Isso faria com que as perdas de suprimento causadas pelo furacão deixassem de ser localizadas em uma única região e se tornassem dispersas por uma área mais vasta, levando a uma correspondente redução na severidade das perdas sofridas na área por onde passou o furacão. 

O preço da gasolina aumentaria nas áreas de onde os suprimentos adicionais de gasolina estivessem saindo.  E este aumento nos preços, por sua vez, tornaria lucrativo o envio de suprimentos oriundos de regiões ainda mais distantes destas áreas.  Assim, por exemplo, enquanto as refinarias em Pittsburgh e Cleveland estivessem enviando suprimentos para Nova York e Nova Jersey, outras refinarias em Chicago e Detroit estariam enviando suprimentos para reabastecer Cleveland e Pittsburgh.  O efeito seria o de que as perdas de suprimento de gasolina na região metropolitana de Nova York e no litoral de Nova Jersey seriam agora dispersas por grande parte dos EUA, o que resultaria em uma substancial redução no percentual de perdas nas áreas de Nova York e Nova Jersey.  Em vez de estas áreas sofrerem os efeitos de uma redução de 50 ou 75% em sua oferta, uma área muito mais extensa dos EUA sofreria os efeitos de uma redução de talvez 5 ou 10% em seus suprimentos.  O aumento ocorrido no preço da gasolina iria rapidamente ser revertido em consequência desta grande redução na porcentagem de perdas de suprimento.

O aumento "inescrupuloso" no preço da gasolina no varejo tornaria possível para os postos de gasolina pagar preços maiores para que seus distribuidores e atacadistas trouxessem gasolina de refinarias em locais mais distantes.  Tal aumento iria também cobrir os altos custos das obras de reparações e consertos rápidos, obras essas feitas por empresas que utilizam equipes que trabalham 24 horas, as quais cobram preços maiores para executar seu trabalho em um espaço de tempo menor.  Assim, na ausência de controles de preços, em muito pouco tempo, as refinarias, as estações petrolíferas e as docas das regiões de Nova York e Nova Jersey seriam consertadas, e os postos de gasolina que hoje estão fechados seriam reabertos.  Isso restauraria por completo toda a cadeia de suprimentos, fazendo com que o sistema de distribuição de gasolina voltasse ao normal.  Tudo isso faria com que os preços da gasolina rapidamente voltassem aos seus níveis pré-furacão.

Nada disso pode ocorrer hoje simplesmente porque os burocratas do governo são completamente ignorantes a respeito das leis da economia.  Eles creem que preços não têm conexão alguma com a realidade do mercado, e podem ser controlados por eles sem gerar absolutamente nenhum efeito colateral.  Eles acreditam piamente que o único efeito do controle de preços é o de tornar a oferta menos cara.  Sim, a oferta será menos cara — mas não haverá oferta.  Pessoas passarão infindáveis horas nas filas dos postos de gasolina, dia após dia, tentando obter algo que não existe.  Sob qual aspecto tal arranjo é mais sensato do que o de permitir que os preços sejam "inescrupulosamente" altos, durante um período de tempo muito curto, de modo a fazer com que o problema seja rapidamente resolvido?

A imprensa é tão culpada quanto os burocratas estatais.  Com raras exceções, os repórteres são tão ignorantes das leis econômicas quanto os políticos.  Ambos são completamente desqualificados para suas funções.  Eles simplesmente não têm a mínima ideia do que estão fazendo.

Mas a responsabilidade suprema, é claro, é do público em geral e dos educadores que fracassaram em fornecer às pessoas até mesmo o mais rudimentar conhecimento das leis econômicas.

Em uma sociedade na qual as leis econômicas fossem amplamente entendidas, legisladores e juízes que tentassem impedir aumentos de preços em situações de emergência seriam considerados inimigos públicos e afastados imediatamente de seus cargos.  E eles seriam afastados não por uma mera falta de apoio popular, mas sim por uma falta de apoio manifestada no mais completo desprezo e escárnio do público por sua ignorância econômica e desejo de destruição e miséria.

Nova York e Nova Jersey estão em situação de emergência.  É intolerável que sua população tenha de sofrer os efeitos de uma legislação desastrosa que intensifica um desastre natural e desnecessariamente prolonga e amplia os efeitos desse desastre natural.

 

Leia também:

Uma defesa do preço abusivo 

Dez lições de economia para iniciantes - Quinta lição: os efeitos dos controles de preços 

Políticas conciliatórias levam ao socialismo



autor

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.

  • anônimo  16/11/2012 04:10
    Gostei do artigo, mas sinceramente não entendi a metáfora do leilão
  • Bright  16/11/2012 12:55
    Simples: se os preços puderem crescer ao infinito, se necessário, o número de compradores irá diminuir gradativamente até que sobre apenas um.

    Da mesma forma, se os preços da gasolina crescerem, o número de pessoas dispostas a abastecer o carro irá cair vertiginosamente.
  • Rhyan  16/11/2012 17:21
    Eu também não entendi. Se foi decidido em apenas 2 lances, ganha o leilão quem der o 2º lance. Por que ficariam na sala?
  • Filipe  16/11/2012 19:58
    Pois todos querem ser o 2º. E todos vão dar o mesmo preço. E só um desses todos vai pra casa com o Rembrandt, mesmo que todos tenham esperado o mesmo tempo (no caso da gasolina, é ainda pior, pois há uma fila.).
  • Miqueias  16/11/2012 06:13
    Ótimo artigo!
    Isso é algo bem básico, não precisa ser nenhum economista de escola austríaca pra entender.
    Adam Smith pode ter os seus defeitos, mas ele escreveu sobre isso de forma muito clara.
  • Mercado de Milhas  16/11/2012 08:44
    A. Smith é o maior economista de todos os tempos.
  • Matheus Polli  16/11/2012 09:42
    Hehehe

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=434
  • André Caniné  16/11/2012 10:13
    Ótimo artigo do George Reisman, para variar...o ponto central do artigo é:\r
    \r
    "Mas a responsabilidade suprema, é claro, é do público em geral e dos educadores que fracassaram em fornecer às pessoas até mesmo o mais rudimentar conhecimento das leis econômicas."\r
    \r
    Nada mais a acrescentar.\r
    \r
  • Renato Souza  19/11/2012 06:56
    Noto que o grau de ignorância do público é estarrecedor. Conversando com pessoas de bom nível acadêmico, percebo que a imensa maioria ignora fatos básicos, como o fato dos bancos criarem dinheiro quando fazem empréstimos. A maioria das pessoas nem sabe o que é inflação. A terrivel história dos controles de preços então, é quase totalmente ignorada. Atingir um grande número de pessoas com algumas verdades básicas certamente fará com que muitas pessoas adotem uma atitude mais liberal em relação à economia.
  • Renato Souza  19/11/2012 07:17
    É interessante notar que certos conceitos básicos de economia e certos fatos importantes da história econômica, seriam facilmente compreensíveis por adolescentes de 16 ou 17 anos. São assuntos importantes, altamente relevantes para qualquer pessoa, com implicações na vida diária e nas decisões pessoais, e de interesse extremamente geral. Portanto, teriam de ser ensinados nas escolas. Entretanto, nem os professores sabem dessas coisas...
  • Atylla  16/11/2012 08:21
    Aumentar os preços da gasolina em desastres como o Sandy é lícito mas não convém.Parte dos clientes vão acusar o dono do posto de frio e ganancioso,e os políticos como o Kassabinho fez em São Paulo vão adorar achar quem culpar.
  • Pedro  16/11/2012 19:49
    Isso acontece porque, como bem apontou o autor do artigo, a população não sabe nada de economia. Não fosse assim, as coisas seriam diferentes.
  • Tory  17/11/2012 05:43
    Não tem nada a ver com ilicitude, mas com evitar o racionamento (e a falta do bem) . Ou "convém" perder horas numa fila, ou ver ambulâncias paradas?
  • Rafael Franca  16/11/2012 08:50
    é um tema de digestão difícil, pois está martelado na nossa cabeça que isso é errado. Eu lembro de um caminhoneiro que após a tragédia de teresópolis e nova friburgo em 2010 (se não me engano) que estava vendendo garrafão de 20 L de água e quase foi linchado pela multidão. Ninguém levou em conta o risco que se submeteu por encarar estradas em situações perigosas, o trataram como explorador. EU pessoalmente não veria necessidade de cobrar tanto, eu colocaria um preço de 10-15 reais e venderia tudo muito rápido...
  • Pedro  16/11/2012 19:56
    E por causa disso não há incentivo nenhum para quem é de fora ir até a região problemática ofertar seus produtos, já que vale mais a pena continuar vendendo onde quer que esteja. Ou não há incentivo, para quem já é dessa região, a vender seus produtos no final. Se eu sou dono de uma padaria e tenho bastante água em estoque em uma região problemática e não posso subir meus preços, compensa mais estocar essa água para uso pessoal, porque pelo menos eu me garanto, melhor do que vender essa água por um preço bem abaixo do que ela tá valendo e correr o risco de ficar sem depois.

    As pessoas acabam prejudicando a elas mesmas com essa idéia de que é errado subir os preços quando há falta de algum produto em alguma situação de emergencia, pois é justamente nela que a alta nos preços se faz mais necessária.
  • anônimo  16/11/2012 09:00
    Eu fico impressionado com os economistas brasileiros (das escolas keynesianas e marxistas) que não informam ao povo, à mídia e aos políticos os fundamentos básicos de economia. Para mim a grande culpa é desses economistas, já que a imensa maioria do nosso povo (como qualquer povo, vide EUA, que reelegeu um populista) não tem condição de buscar a informação necessária e não lhe é oferecida a informação correta. Eu cursei administração e paguei um cadeira de economia, que abordava microeconomia. Meu professor não falou nada dos mecanismos de mercado como oferta e procura. Ou como o salário-mínimo causava desemprego. Eu aprendi um pouquinho de economia foi lendo livros de economia na biblioteca da universidade, pois se eu fosse esperar aprender algo com professores de economia na sala de aula, eu teria saido da universidade mais ignorante do que quando entrei.
  • Mercado de Milhas  16/11/2012 09:34
    Anatel proíbe TIM de vender mais barato.

    www1.folha.uol.com.br/mercado/1186535-decisao-da-anatel-acaba-com-mercado-livre-reage-tim.shtml
  • Adão  16/11/2012 10:02
    Leandro,
    Temos um exemplo no Brasil. A seca no nordeste está fazendo o preço dos insumos para alimentar o gado subirem bastante. Na reportagem da TV a repórter já criticou os atravessadores que estão ganhando dinheiro com o transporte de cana. Se não fosse eles para trazer a cana de lugares distantes quem faria este serviço. Daqui a pouco alguém vai ter a bela idéia de tabelar o preço da cana para ser usada na alimentação dos animais.
    Falta de conhecimento econômico e populismo isso junto é um perigo! É muita gente querendo melhorar o mundo.
  • Leandro  16/11/2012 10:13
    E nesse caso há um complicador adicional criado pelo governo: a taxa de câmbio. Boa parte dos insumos (como milho e soja para porcos) é importada, e o câmbio desvalorizado encarece sobremaneira essas importações. Quem mandou não ter lobby junto ao governo? O setor industrial tem e consegue o que quer. Agricultores nordestinos não têm e vão continuar se estrepando. O governo desvaloriza o câmbio para proteger os magnatas da indústria e, como consequência, ferra toda a população trabalhadora, que fica sem poder de compra nenhum.
  • Juliano  16/11/2012 13:03
    Pode até ser muito cruél, mas quando vejo a miséria que o nordestino vive a primeira coisa que passa pela minha cabeça é o porque desse povo continuar lá. O melhor seria simplesmente tirá-los de lá e mandá-los para um centro urbano. \r
    \r
    Plantar em regiões desérticas, quando viável, exige muito investimento. Simplesmente não é para pequenos produtores. \r
  • João Paulo  16/11/2012 17:41
    O setor agropecuário recebe milhões em ajuda governamental, no Nordeste não deixa de ser diferente.

    globotv.globo.com/rede-globo/globo-rural/v/criadores-batalham-para-nao-deixar-o-gado-morrer-de-fome-no-sertao-baiano/2222243/
    O cidadão cria rebanhos ou trabalha com culturas inadequadas para uma região onde o índice pluviométrico é baixo ou instável, e no final o governo o subsidia.
  • Gustavo BNG  16/11/2012 18:51
    Concordo, emigração é a saída mais eficiente.
  • Renato Souza  19/11/2012 06:48
    Se não hovesse um controle tão grande das importações, os preços dos produtos industrializados (e dos implementos agrícolas) ficariam menores em relação aos preços do alimento produzido naquelas terras. Muitos dos produtores que só conseguem manter-se a custas de ajuda governamental, passariam a ter uma melhor remuneração pelo seu trabalho, e poderiam manter-se mesmo sem ajuda governamental. Uma quebra de safra seria menos sofrida, porque o pouco colhido valeria mais em relação a outros produtos. As pessoas teriam condições de ter poupança, e aprenderiam a se prevenir dessa forma, e suportariam um ano ruim sem terem de abandonar a terra. Altos impostos de importação afetam mais os produtores rurais do que o restante da sociedade, e aliviam a barra dos produtores industriais, e portanto podem ser considerados uma transferência de renda dos produtores rurais para os produtores industriais.\r
    \r
    Seria interessante tentar quantificar o valor dessa transferência de renda. Isso seria um argumento importante para pressionar congressistas (principalmente do nordeste e centro-oeste) a se oporem a altos impostos de importação. O conhecimento médio sobre economia na atual sociedade brasileira é tão baixo, que possivelmente muitos produtores rurais e políticos do nordeste e do centro-oeste nem sabem o quanto esses impostos são nefastos para as suas regiões (e portanto, o quanto diminuem a sua arrecadação). Se eles compreendessem isso, seriam um grupo a mais a somar-se na luta contra altos impostos de importação. Se o liberalismo econômico não puder contar nem com apoio dos que mais fortemente seriam ajudados por ele, então não terá chance nenhuma.\r
    \r
    Sou baiano (de pai baiano e mão catarinense) mas vivo em SP desde pequeno. Quando eu viaja para minha terra natal, sempre ouvia a lenga-lenga de que o governo federal tomava impostos do nordeste e mandava para o sudeste, o que é uma evidente inversão da realidade, apenas uma mentira espalhada pelos coronéis para enganar o povo. Mas agora, compreendendo um pouco da EA, percebo que, sem o saber, essas pessoas estavam dizendo algo de verdadeiro. Os altos impostos de importação acabam se tornando uma forma indireta de transferir renda dos estados mais agrários para os mais industrializados. Quem vai avisar os nordestinos disso? Qual o tamanho do rombo que os nordestinos tem tomado ao longo de décadas dessa política de fronteiras (quase) fechadas para o comércio? Suponho que centenas de bilhões de dólares. Se os nordestinos soubessem disso, seriam dezenas de milhões de pessoas apoiando maior abertura comercial.
  • Leandro  19/11/2012 07:42
    Excelente ponto, Renato. Taí uma ótima plataforma liberal para um futuro partido político libertário utilizar no Nordeste. Eles são uns dos mais afetados pelas tarifas de importação e pela moeda desvalorizada.
  • Dam Herzog  16/11/2012 16:34
    Gostei muito deste artigo, esse cara manja. O mercado deveria ser uma coisa intocavel. A maravilha do funcionamento do mercado é que ele é auto regulavel.Se algum produto fica escasso os agentes economicos (capitalistas) entram em ação para que o reabastecimento volte ao normal, é que as trocas no mercado são voluntárias, nínguem é obrigado, ou seja são boas para ambas as partes, tudo pacificamente. Quando um preço aumenta, esse aumento é um incentivo para o produtor, para que ele aumente a produção do produto em falta. Os preços transmitem informações que produtores mesmo localizados em diferentes locais captam e tomam medidas para o reabastecimento do produto. Existe um livro na biblioteca do Mises EUA cujo titulo é: 40 seculos de controle de preços: um fracasso. O que D. Dilma deveria se fosse um governo do povo e não dos companheiros, em vez de fazer opção preferencial pela pobreza e usar a pobreza para fazer politica, fazer a opção preferencial pela riqueza: Escrever uma nova Constituição que seria uma constituição de liberdade com poucos artigos e totalmente federativa e nesses artigos, a atual é socialista e engessa a economia do pais, não deixa crescer: 1-respeito total ao mercado que deveria ser livre e desobstruido; diminuir a carga tributaria: desincentiva porduzir mais, o que nos precisamos é de muitos ricos ou a maioria da população rica: 2-incentivar a liberdade economica; a iniciativa individual dos cidadãos é que fazem a riqueza do pais (S Jobs), isto é desregulamentação da ecomomia, privatizar a petrobras(é ineficiente, com lucros mediocres), banco do brasil, caixa economica federal,toda a saude, educação, portos, aeroportos,abrir as fronteiras (só a concorrencia abaixa os preços, melhora a qualidade dos produtos: e num primeiro momento, só manter a defesa do país e a justiça para serem privatizadas em um segundo tempo; vender todas as terras públicas,extinguir o Banco Central(desvaloriza os ativos do individuo e causam inflação. Extinguir os estados: o pais seria composto somente de municipios. Numa 2ªetapa privatizaria também a justiça e a segurança. Tenho certeza de que: pobres só existiriam os que não quisessem trabalhar mesmo, pois atualmente os pobres pagam muito impostos e não podem ter um seguro saude e nem dinheiro para a educação. A corrupção diminuiria radicalmente. Esta é apenas minha opinião muito pessoal pois acho que não preciso de intermediarios para tomar ações para a minha sobrevivencia. Eu posicionado dentro de um mercado livre me "viro". E tambem ja ouvi dizer que estava escrito na "Constituição" russa que: quem não trabalha, não come (enfrentar a realidade da vida). Creio tambem que: O governo jamais poderá imitar a variedade e diversidade das ações humanas. Como mudar? Precisamos ajudar o Liber a colher assinaturas para fundar o Partido da Liberdade que lutara para mudar esta situação. Vou começar a colher assinaturas para ajudar o Liber nas horas de lazer. Não podemos ficar nas dependencia destes socialistas de todos estes partidos ou caminharemos das trocas voluntarias para a obediencia a policia dos companheiros ou melhor camaradas do partido. Podemos já estar a caminho da servidão. Regimes tipo antiga União Sovietica, Cuba (salario de 20dolares por mes) Coreia do Norte (onde sua vida depende dos humores dos camaradas) Nunca Mais!!! Peço que individualmente ajudem e propaguem o Liber, ação multiplicadora a nosso favor.
  • J. Rodrigues  16/11/2012 17:41
    "...porque os burocratas do governo são completamente ignorantes a respeito das leis da economia. Eles creem que preços não têm conexão alguma com a realidade do mercado, e podem ser controlados por eles sem gerar absolutamente nenhum efeito colateral. Eles acreditam piamente que o único efeito do controle de preços é o de tornar a oferta menos cara."
    Será que é isso mesmo? Será que esses intervencionistas ignoram essas coisas tão claras ou será a vaidade, a arrogancia e o prazer de mandar nos outros que os faz fechar os olhos?
  • Oahu  16/11/2012 19:04
    Bom, como um novato aqui, talves minhas ideias sejam um pouco influenciada pelo pensamento comum. O artigo, sem duvida alguma ,muito bom! Mas nao creio que seja algo que funcionaria se fosse implantado em tal ocassiao. haveria sim, um aumento no caos. Uma populacao totalmente fragilizada,carente sem entender muito bem o acontecido ,se depara com um aumento de gasolina deste porte, seria a gota d'agua.
    O ser humano ainda tem que evoluir muito para aceitar um mundo com mercado liberal, decadas ainda estao por vir, para que isto torne-se uma realidade.
    Mas, meus parabens a todos voces que estao sendo os pioneiros na divulgacao destas ideias, que um dia, com certeza, fara o nosso mundo mais justo.




  • André Poffo  17/11/2012 08:28
    Questão pró ambientalismo:

    "Tendo de lidar com preços maiores — possivelmente tão altos quanto US$10 ou US$20 por galão [atualmente está em torno de US$4], ou até mesmo maiores do que isso, dada a aparente amplitude da redução na oferta de gasolina —, muitos dos motoristas que hoje passam horas nas filas dos postos de gasolina iriam simplesmente desistir de utilizar seus carros e passariam a buscar arranjos alternativos de transporte, seja o compartilhamento de carros, a utilização de bicicletas ou qualquer outro arranjo. Praticamente todos iriam restringir suas viagens automotivas em proporção ao maior custo do uso do automóvel."
  • brincadeira,hahhaha  17/11/2012 11:55
    Interessante.Então,o que deveria ter ocorrido seria a exclusão daqueles individuos que nao possuem dinheiro suficiente para poderem comprar o combustível.Esses individuos,portanto,além de terem perdido seus bens e familiares durante a tragédia,ficariam desprovidos da capacidade de se transportar para locais mais seguros.
    Se seguirmos essa lógica,achariamos normal que milhões de pessoas despossuídas morressem de fome,já que nao teriam renda ou bens capazes de trocar por comida: "eles teriam que sair da sala do leilão" ou haveria violência,o que ocorre em todo o canto do mundo capitalista.
    Por outro lado,os vendedores dos produtos excassos ficariam ricos com a desgraça alheia,o que,atualmente, é moralmente aceitável.Ademais,os cidadãos endinheirados conseguiriam viver.
    E os ricos?Ninguem falou deles,afinal.Ah,os ricos nao sentiram os efeitos do furacão sandy!Provavelemnte,tiraram "férias extraordinárias" para o Havai ou à Europa.

    Pois,bem,é essa a "lógica" do mercado capitalista :

    Os pobres se fodem;os ricos tiram férias.
  • Leandro  17/11/2012 15:09
    "Então,o que deveria ter ocorrido seria a exclusão daqueles individuos que nao possuem dinheiro suficiente para poderem comprar o combustível."

    Isso é exatamente o que ocorre quando há controle de preços. Os bon-vivants desocupados, que têm muito tempo em suas mãos, correm para as filas e enchem seus tanques. Já os trabalhadores, sem tempo pra nada, quando finalmente conseguem chegar aos postos, ficam só com o vapor da gasolina. (Você certamente não viveu no Brasil na década de 1980, quando os controles de preços faziam com que apenas os ricos pudessem comprar carne, leite e ovos).

    E você defende isso, embora tente mascarar este favoritismo e redistribuição às avessas utilizando uma falsa (e ridícula) retórica humanista.

    O resto da sua postagem mostra apenas que seu grau de analfabetismo e ignorância está à altura de sua ideologia.
  • Renato Souza  19/11/2012 06:18
    Entretanto, não foi isso que se observou na prática, comparando sistemas quase socialistas com sistemas aproximadamente liberais. Quando a Alemanha era dividida em dois paises, um próximo do socialismo, outro próximo do livre-mercado, os trabalhadores mais próximos da Alemanha Ocidental tinham um nível de vida muito (mais muito mesmo) superior à média dos trabalhadores da Alemanha Oriental. E olhe que nem salário mínimo existia na Alemanha Ocidental.\r
    \r
    Resumo da ópera: liberação de preços e salários produz tal riqueza que mesmo os pobres tem meios de comprar.\r
    \r
    Já vivi o suficiente para ver os efeitos nefastos dos controles de preços aqui no Brasil. A história conta as mesmas coisas, em todo lugar onde essa desgraça do controle de preços existiu. Quanto maior o controle, pior o desenvolvimento da atividade econômica, pior a pobreza, pior o desabastecimento, pior o mercado negro.\r
    \r
    Quanto ao texto, você nem se deu ao trabalho de tentar entender o argumento. Se houvesse liberdade de preços, haveria um rápido aumento da oferta, pois os preços aumentados cobririam os custos do transporte por grandes distâncias, abastecendo rápidamente os postos. Logo MENOS pessoas ficariam sem combustível. Em particular, muitas pessoas que podem adiar o abastecimento, julgariam que valeria mais a pena ficar com pouca gasolina para o uso essencial, e esperar por dois, três ou quatro dias para então abastecer a um preço menor. O preço maior faria as pessoas tentarem se ressacir, rechando a conta com os vizinhos, e portanto menos carros andariam pelas ruas (freqüentemente com mais pessoas), aliviando um pouco o transito (o que é importante, pois muitas ruas estão danificadas e atulhadas de escombros) tornando mais fácil o trabalho de médicos e bombeiros. É evidente que essa situação seria menos ruim do que o que está acontecendo.
  • Anon  17/11/2012 15:47
    O Estado não é ignorante. Ele simplesmente conta com a ignorância da maioria e através do intervencionismo a qualquer preço, se veste de super-herói ou de salvador da pátria; faz uso de todos os poderes e de toda força para se perpetuar incondicionalmente no comando. O próprio Estado sabe da sua imensurável superfluidade; e quando todos souberem disso, ele se ruirá, simples assim.
  • Patrick de Lima Lopes  19/11/2012 07:38
    Prefiro afirmar que o estado é, de fato, ignorante.

    Tão ignorante quanto qualquer um de nós.

    A economia é o somatório das ações dos bilhões de indivíduos que vivem no planeta buscando aumentar sua satisfação em função daquilo que eles - apenas eles, determinam como valioso.

    Tal ignorância estatal deriva-se simplesmente do fato de que é impossível para qualquer um de nós calibrar, determinar, pontuar e limitar as trilhões de ações e decisões que são feitas na sociedade frente à escassez. Independente de quem está acima do poder, seja Mao, Gandhi ou um super computador; o estado sempre irá confrontar-se com o problema do cálculo econômico sob o socialismo.

    Recomendo o capítulo 10 do "Caminho da Servidão", do Hayek:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1443
  • Anon  19/11/2012 12:50
    O Estado conhece Mises, o Estado conhece Hayek; porém ele preferiu a falaciosa economia da escola keynesiana produtora de crises, com seus gráficos mirabolantes. Pois o estado sabe (não é ignorante) que numa economia de livre mercado o seu poder seria completamente restrito e, conseqüentemente, ele (o Estado em si), desnecessário.
  • Renato Souza  19/11/2012 18:06
    Patrick

    O estado é ignorante sobre como gerir a economia. Só Deus poderia (se quisesse) determinar todos os preços corretamente. Mas o que o Anon está falando não é sobre isso. Os donos do poder sabem que o socialismo é uma desgraça, mas escolhem apoiar o socialismo mesmo assim.
  • Ricardo  19/11/2012 15:17
    Artigo interessante, mas fiquei com a pulga atrás da orelha quanto a uma questão:

    Pensando mais no caso do furacão Katrina, imagine a situação: e se ou invés de gasolina o caso em questão fosse água?

    1-A região esta toda alagada, kilometros e mais kilometros. não há agua potável a não ser aquela que chega de barco por atravessadores.

    2-Você perdeu boa parte do que tinha. tem pouco dinheiro e nada mais de muitoe valor pra trocar e, embora possa ter dinheiro no banco e seguros a receber, o sistema financeiro está além do seu alcance.

    3-Pense que poucos dias sem água potável podem ser mortal para muitos.


    E ae?Cobra-se o que quiser pela água mesmo que muuuitos não tenham condições de pagar? Pense que mesmo alguns dias sem água pode criar quadros de desidratação e contaminação que pode matar a muitos. e ae?
  • Leandro  19/11/2012 16:23
    Mas foi exatamente isso que ocorreu em Nova Orleans. Você pensou exatamente igual aos burocratas do governo americano. O governo proibiu empreendedores de outras cidades de irem para lá e vender água (um homem que fez isso -- para para lá vender gelo -- foi preso), e obrigou toda a população a ser confinada no Superdome, onde os mantimentos seriam ofertados centralizadamente. As mulheres foram estupradas e a escassez foi generalizada.

    Quanto ao preço que cobrariam pela água, a lógica é a mesma para os dias comuns. Quem cobrar um preço muito alto, pelo qual ninguém poderia pagar, simplesmente não conseguirá vender. E quem cobrar um preço muito baixo, venderá rapidamente seus estoques para apenas os mais espertos, ficará sem nada e, consequentemente, perderá potenciais receitas futuras. A população necessitada não estará em melhor situação.

    Não adianta. Sentimentos benfazejos e humanistas não podem superar algo chato chamado 'realidade econômica'. Se pudessem, por que não decretar que todo ser humano neste planeta tem o "direito" de comer fartamente três vezes ao dia? Ato contínuo, bastaria colocar o governo no controle da oferta de alimentos e tudo seria resolvido. Os pobres comeriam como reis...
  • Tiago Bezerra  19/11/2012 18:45
    Nesses momentos entra muita a solidariedade humana. Por incrível que se pareça se recolhem muito em doações voluntárias. Eu me lembro que foi recolhido muita coisa como doações lá nos EUA, até Romney pediu doações voluntárias para as vitimas do furacão. Nesses momentos muitas pessoas que tem condições fazem doações. O que acontece naturalmente sem a intervenção do Estado. A igreja que eu ia recolheu doações para enviar para uma enchente que ocorreu em Pernambuco e Alagoas há alguns anos. Naturalmente podia se recolher água para doar às vitimas do furacão sandy. Quando o Estado intervem, acaba por transformar as pessoas menos solidárias, pois tudo elas esperam do Estado. Milton Friedman mesmo disse que no século XIX as pessoas doavam mais do que hoje. Parece até um contrasenso, mas é a verdade, no Estado socialista leva as pessoas a serem menos solidárias e acomodadas.
  • Jaison  03/12/2012 14:35
    Senhores

    Acabei de ver uma materia que cai como uma luva, veja como este GÊNIO, o Sr Júlio Cesar resolve a questão do cambismo.

    colunas.radioglobo.globoradio.globo.com/platb/marcelobechler/2012/12/01/sou-um-visionario-como-funciona-o-trabalho-de-um-cambista-profissional



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