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O valor do voto e a democracia do mercado

Uma lei proíbe a distribuição de santinhos em dias de eleição, o que, quando ocorre, causa indignação geral. Mas ao invés de partilhar dessa indignação — justa, na minha opinião —, pensemos um pouco sobre o que essa lei significa: se se proíbe santinhos no dia da eleição, é porque julga-se que eles podem influenciar o resultado das urnas. E se esse raciocínio está correto, então existe um tipo de eleitor mais ou menos assim: alguém que sai de casa com um voto em mente, anda até sua seção eleitoral e, no caminho, pelo mero fato de ver um papelzinho pisado no chão com foto e número de outro candidato, muda de escolha; um número e uma foto num papel foram o bastante para mudar suas convicções (e voto não deveria refletir convicções?).

Esse tipo de eleitor é, segundo os próprios políticos que fizeram e aprovaram a lei, numeroso o bastante para alterar o resultado das eleições, justificando a proibição. Sendo assim, dá para levar a sério o resultado das urnas?

A crença na suscetibilidade do eleitorado não é infundada. Basta que nos lembremos da propaganda eleitoral vista na TV (ou ouvida no rádio, experiência que só pode levar ou ao riso, ou ao suicídio). O principal jingle de um dos candidatos destas eleições (prefeitura, 2012) em São Paulo foi uma paródia de "Eu quero tchu/ Eu quero tchá"; e as outras campanhas não deixaram por menos. É esse o nível que os próprios candidatos e suas equipes de marketing atribuem ao eleitorado, e a julgar pela recorrência da estratégia, eles devem estar certos.

Então, temos, de um lado, essa realidade dos eleitores tratados — talvez justificadamente — como retardados mentais. De outro, campanhas incessantes pelo "voto consciente"; sobre como é importantíssimo conhecer o passado e as propostas de cada candidato, compará-las, escolher o mais preparado, acompanhar de perto seu desempenho; e sobre como falhar nisso é falta de cidadania. A realidade, entretanto, permanece a mesma: poucos se lembram em quem votaram (eu mesmo me esqueço facilmente), e ninguém está nem aí para programa de governo e nem se interessa, além das manchetes escolhidas pelos jornais, pela atuação de seu candidato eleito. Por que será?

Uma escolha peculiar

Deixemos os pudores de lado e tratemos o voto como um ato humano, sujeito a pressões e incentivos como todas as ações. Como todo ato humano, ele visa a certos fins, se utiliza de certos meios, e tem embutido em si algum cálculo informal de custos e benefícios por parte do agente. Vamos comparar o ato de votar aos demais atos que compõem nossa vida.

Na imensa maioria de nossos atos, a consequência mais importante é sentida ou pelo agente que o pratica ou por outras pessoas facilmente identificáveis e, em geral, envolvidas na ação. Escolher o que comer, beber, ler um livro, comprar um disco, iniciar uma conversa; o efeito primário desses atos envolve o agente e outras pessoas próximas, e delas se segue uma série de consequências que acabam impactando, em graus cada vez mais difíceis de medir, outros indivíduos. No mercado, o sistema de preços permite que as consequências de nossas escolhas sejam quantificadas em uma variável comum (o preço), o que permite que outros agentes, que nem me conhecem e nem sabem meu gosto literário, se adaptem da melhor forma possível à minha escolha de livro na livraria ou a meu pedido no restaurante. Se mais gente, digamos, escolhe a opção vegetariana no menu, menos carne é vendida, o preço dela no mercado cai, os restaurantes compram menos dos distribuidores e assim por diante até a consequência de que algumas terras nas quais antes se criava gado agora são usadas para o plantio de hortaliças.

Em ações como essa da compra, o agente tem um incentivo muito claro para se informar em alguma medida das alternativas à sua disposição, pois paga um preço pela escolha. Ocorre ali um investimento de dinheiro e tempo, que são limitados. Ao escolher uma marca de papel-toalha, decisão com poucas consequências e facilmente corrigível no futuro, qualquer uma vai; não é preciso pesquisar ou se informar longamente; nossos hábitos e experiências passadas bastam. Ao comprar um carro, pergunta-se a opinião de conhecidos, lê-se alguma revista especializada, compara-se alguns modelos, faz-se um test drive, etc. Para comprar ou alugar uma casa, vale o mesmo: intensa pesquisa, diversas visitas, negociações. Isso porque o custo dessa escolha é alto, e teremos que viver com suas consequências, em geral, por anos.

Agora pensemos no voto. Seu custo é baixíssimo: uma vez na zona eleitoral, escolher entre o candidato A e o B não traz consigo custo adicional nenhum. É um ato sem efeitos diretos para o eleitor: se escolhi A, ou se escolhi B, nada muda. Seu efeito marginal (ou seja, o efeito de um voto a mais para algum candidato) é zero. Os efeitos acumulados de vários votos no longo prazo, contudo, são potencialmente enormes e afetam toda a sociedade indiscriminadamente (e não só quem votou no candidato eleito). Dadas essas características, o voto é, para o eleitor individual, um ato praticamente sem custo e sem benefícios; e por isso mesmo ele pode se dar ao luxo de votar em qualquer um, sem medir as consequências. Foi com a cara? Gostou da música? Uma proposta te agradou à primeira vista? Então vote nele! Para quê gastar tempo e neurônios investigando a vida de pessoas absolutamente banais, e ainda por cima ter que ficar acompanhando seu trabalho uma vez eleitos? Para quê investir tanto em uma escolha de retorno zero?

Como já foi dito, no entanto, o efeito de vários votos acumulados pode ser enorme. Um candidato diferente, ideias diferentes no poder, podem causar profundos impactos na sociedade. E daí se justifica a campanha pelo voto consciente: devemos escolher o candidato com melhores propostas para a sociedade, e que tenha mais probabilidade de, uma vez eleito, cumprir o que prometeu. Mas vejam o tamanho do problema criado: devemos ser impelidos por um desejo de longo prazo e genérico (pois não estamos escolhendo efetivamente nada em concreto, e sim apenas uma pessoa que terá poder de implementar certas medidas) a investir tempo em uma escolha que, por si só, não terá efeito nenhum, nem para nós e nem para os outros.

Há, assim, algo de quixotesco na campanha do voto consciente, que exige que cidadãos comuns dediquem parte relevante de seu tempo escasso para pesquisar e pensar sobre os políticos, sendo que nada ganharão com isso. Tanto o voto plenamente consciente quanto o voto determinado pelo "quero tchu" têm o mesmo peso, e ambos os eleitores sofrerão as mesmas exatas consequências.

A informação impossível

Mas sejamos quixotescos. Vamos aderir à campanha do voto consciente e mergulhar com tudo nas demandas da cidadania para saber o que elas de fato requerem de nossa parte. Qual o tipo de conhecimento que um eleitor precisaria ter para tomar uma decisão informada nas eleições?

A primeira coisa que se deve conhecer na hora de votar são suas próprias preferências, o que não é trivial. Não é nada incomum que a opinião que a pessoa tenha sobre seus desejos e valores não reflita, de forma alguma, seus desejos e valores reais. "Você gostaria que o governo investisse muito mais em cultura, esporte e proteção das florestas?" "Mas é claro! Aqui vai meu voto!". Na vida real, a mesma pessoa não abriria mão de um cafezinho da tarde para financiar um músico, artista plástico ou araucária.

Na verdade, dado o mundo de escassez em que vivemos, talvez ela preferisse menos artistas e esportistas. Aliás, o eleitor concorda com a lógica de se impor a todos a preferência dele expressa no voto? Pois é isso que o sistema político estabelece, embora não goste de dizê-lo às claras. É claro que em uma compra, na escolha feita no mercado, também vigora muita autoilusão ("quando eu comprar aquele laptop da moda, aí sim serei feliz!"), mas é o próprio comprador que paga o preço dela, e não a impõe ao resto da sociedade, o que a torna muito menos problemática e já fornece, por sua própria natureza, os mecanismos para superar a ilusão ("puxa, estourei o cartão de crédito e esse computador não é nada demais... hora de maneirar!").

Suponhamos, contudo, que os eleitores estejam satisfatoriamente cônscios de suas preferências reais e dos custos que elas imporiam à sociedade. Resta a principal parte de seu trabalho: analisar as propostas dos candidatos. Essas propostas versam sobre segurança pública, transportes, educação, saúde, política fiscal, energia, relações internacionais, etc. E em cada uma delas estão em jogo diferentes teorias sobre qual o melhor caminho a seguir; teorias que podem ser verdadeiras ou falsas. Uma proposta atraente em uma primeira leitura pode ser desastrosa na prática, porque a teoria que a embasa é falsa, e isso não depende da opinião popular. Muitos eleitores julgaram uma boa ideia, por exemplo, o congelamento de preços do governo Sarney para controlar a inflação. Mal sabiam o quão desastrosa essa política é (e efetivamente foi) para qualquer sociedade que tente implantá-la. Não é só porque o povo votou em uma ideia (e quem dera votasse em ideias!) que essa ideia é verdadeira ou benéfica à sociedade.

Imagine se, na construção de uma ponte ou túnel, utilizássemos o voto popular para decidir acerca do projeto ou mesmo da "teoria física" que o embasaria. A ciência econômica, ainda que seja palco de enormes divergências entre seus praticantes, pretende chegar a conhecimentos verdadeiros acerca do funcionamento do mercado. Keynes ou Mises, Paul Krugman ou Ron Paul, Sidnei Santana ou Nabil Bonduki; seja quem for que esteja certo, o fato é que ambos os lados têm teorias incompatíveis sobre a realidade. E dado que pelo menos um dos dois está profundamente errado, fazer política com base em suas teorias é uma loucura comparável — provavelmente maior — do que construir uma ponte ou um prédio com engenharia falsa. Qual o sentido, portanto, de fazer esse tipo de decisão com base no voto?

Para entender por que o congelamento de preços não funciona e gera toda uma série de efeitos danosos, é preciso ter algum conhecimento de economia, coisa que a maioria da população não tem, jamais terá. E é até bom que não tenha, pois as pessoas têm interesses e tarefas diferentes, e aprender algo sobre um assunto exige tempo e recursos que não serão, por isso, investidos em outras coisas que poderiam ser mais úteis para elas e para a sociedade. E estamos falando apenas de economia. O governo, hoje em dia, interfere em basicamente todas as esferas da existência humana. A avaliação consciente das propostas de um candidato, portanto, envolverá necessariamente conhecimentos de economia, administração, segurança pública, saúde pública, pedagogia, física, logística, relações internacionais, urbanismo, Direito, etc. Está bem claro que ninguém, a começar pelo próprio candidato, detém o conhecimento teórico necessário para tomar uma decisão consciente em todos esses campos.

A informação inexistente

Por fim, há o problema — esse não apenas de difícil solução mas verdadeiramente insolúvel —  da escolha das prioridades. Como saber se a cidade ou o país precisa mais urgentemente de saúde, educação ou lazer? Mais auxiliares na sala de aula ou mais fiscais para detectar focos de dengue? Não há recursos para fazer tudo, então escolhas dolorosas terão de ser feitas. E não apenas entre setores genéricos, mas mesmo para casos específicos: supondo que o governo decida fazer mais investimentos em saúde, esses investimentos devem ir para que direção: diagnóstico geral? Novos tratamentos de doenças graves? Medicina preventiva para a população? Construir novos postos de atendimento? Novamente, por mais recursos que se destinem a uma área, como a saúde, eles nunca serão o suficiente para suprir todas as demandas nela existentes. E qual é, então, a base para esse tipo de escolha?

No mercado, são os lucros e prejuízos que sinalizam as preferências dos indivíduos e permitem que investimentos sejam feitos naqueles setores nos quais a demanda é mais urgente. Investimentos ruins são deficitários e recebem menos investimentos futuros; investimentos bons sinalizam boas oportunidades de negócios, atraindo mais recursos para aquele fim. O estado trabalha sem lucros e prejuízos (sua renda vem de outras fontes...), e portanto os gestores políticos não podem nem sequer saber se o investimento deles está de fato atendendo às demandas mais prementes da população (o que é diferente de saber se eles atendem a alguma demanda; afinal, mesmo investimentos notoriamente ruins como as obras para os jogos panamericanos, e agora olímpicos, no Rio acabam tendo alguma serventia) ou se apenas destroem valor. Essa ignorância não advém da falta de conhecimento científico ou teórico; ela advém do fato de que, fora do mercado, a informação simplesmente não é gerada.

Não temos acesso às preferências dos eleitores sobre as diversas necessidades da vida. E mesmo se tivéssemos, esse dado seria uma lista de preferências ordinais impossíveis de comparar e de transformar em alguma proposta prática; sem a intermediação dos preços em dinheiro, a comparação se torna impossível. Então, mesmo que o voto revelasse preferências reais (e não sonhos ilusórios ou ainda o gosto por um jingle), ele não nos daria meio algum para priorizar umas sobre as outras.

A campanha pelo voto consciente não é apenas quixotesca, mas cruel. Ela exige, para ser cumprida a contento, que os eleitores abram mão de parte de suas vidas — de seu trabalho, dos estudos, do tempo livre que se dedicam a outras atividades — para aprender e pensar longamente em uma série de questões que não lhes interessam e as quais pouco ou nada conhecem e sobre as quais terão, individualmente, poder de decisão próximo de zero. Pior ainda é ter que ficar lendo biografia e acompanhando a carreira de políticos, pessoas absolutamente banais e cujos caprichos importam apenas porque escolhemos dar a eles poderes quase ilimitados sobre nossas vidas.

A campanha pelo voto consciente exige de nós um investimento pessoal enorme para um retorno individual minúsculo, que em geral se resume a ajudar infinitesimalmente a um candidato visto como menos pior. E mesmo cumpridas todas as exigências de estudo, o critério para se escolher uma prioridade sobre outra, e assim poder comparar planos de governo diferentes, continua faltando. Esse problema afeta não só o eleitor mas o próprio político: ele não tem como saber que investimentos fazer, e isso praticamente garante que os investimentos públicos serão sempre ineficientes. No lugar do lucro, que não existe, resta à política guiar-se por diretrizes burocráticas e procedurais, que demandam, por si só, investimentos à parte.

Privilégio ou fardo?

É comum que consideremos o voto uma honra, um direito valiosíssimo e, tendo em vista o que vigorou na maior parte da história e ainda hoje em diversas partes do globo, um privilégio. Não nego que exista uma verdade nessa percepção: há um grande valor em que uma população possa, sem recurso às armas, mudar seus governantes. Mas sob outro ponto de vista, igualmente válido, o voto é um fardo e um estorvo: uma responsabilidade que não temos a capacidade de atender.

Você se sente feliz por votar os rumos de sua cidade, estado e país? Eu não. Imagino como seria se um dia eu acordasse de manhã e me dissessem: "Joel, agora a produção e a distribuição de comida no Brasil ficarão a seu cargo. Qual desses planos de investimento e operação você considera melhor para o país pelos próximos quatro anos? Lembre-se que se você escolher mal e pessoas morrerem de fome, a culpa será sua". A única pergunta que caberia aqui é quem foi o idiota que deixou essa responsabilidade em minhas mãos. Que essa responsabilidade não seja só minha, mas dividida igualmente entre todos os outros brasileiros, apenas ameniza a culpa individual (permitindo que sigamos em frente com a vida sem paralisar frente aos dilemas que se nos colocam), mas não a burrada de delegá-la a todas as pessoas que, como eu, não se interessam, não têm e nem deveriam ter nada a ver com a produção de comida. Ainda bem que, por enquanto, esse setor ainda não foi estatizado, embora nele vigorem diversas regulamentações que o tornam muito menos eficiente. Por que com saúde, eletricidade, transportes, segurança e educação deveria ser diferente?

Menos voto, mais mercado

Engana-se quem acha que a solução deveria ser menos democracia, substituindo o voto popular por critérios técnicos ou pelo mando de um déspota, pois não há critério técnico viável para se tomar a decisão que cabe aos governantes. Assim, não vejo o problema como excesso de democracia em oposição a outras formas de governo; o problema é excesso de estado em oposição à sua alternativa, o mercado. Um estado poderoso como o nosso, mas que se comportasse de forma antidemocrática, poderia ser ainda pior, ao não dar à população nenhuma possibilidade de interferir em seus rumos; um ditador tomaria o lugar dos milhões de eleitores. O melhor seria, contudo, que a população não precisasse interferir via voto no rumo da sociedade, não porque ela não tivesse voto e voz, mas porque o estado não definisse esses rumos. Já imaginou um mundo em que os políticos não ocupassem, todos os dias, as principais manchetes dos jornais?

Quando você vota, você dá um chute no escuro; toma uma pretensa decisão sem as informações necessárias para tomá-la (informações que nem existem fora do processo de mercado que gera preços, lucros e prejuízos) e sem ao menos saber ao certo — e nem ter qualquer incentivo para descobrir — se aquilo representa suas reais preferências ou apenas um desejo ilusório de criar benefícios cujos custos não percebemos. Opiniões erradas, falta de informações, preferências ilusórias; será esse um bom modo de se tomar escolhas importantes para a sociedade? Compare com a compra e com o sistema de preços, que resolvem esses problemas sem necessidade de extensas pesquisas sobre a vida e carreira dos empresários.

Simbolicamente, há algo belo no voto. Ele simboliza, e em alguma medida garante algum tipo de poder de decisão das pessoas, em conjunto, sobre o futuro de sua sociedade. É a livre transação no mercado, no entanto, que realmente concretiza esse ideal. O voto é uma imitação canhestra do processo de mercado. Comparemo-los: o voto é uma escolha sem custos para o indivíduo e que impacta a todos indiscriminadamente; a compra é uma escolha em que o principal impactado é o próprio comprador e na qual ele arca com o custo de sua decisão. O voto premia apenas a opção vencedora, a escolha da maioria; a compra abre a possibilidade de diversas opções diferentes encontrarem sua demanda. O voto depende de que o eleitor acumule uma quantidade desumana de informações para tomar uma "decisão consciente"; a compra se baseia na avaliação do produto e no preço de mercado, que, por si só, já revela a escassez relativa daquele bem e premia ou pune os responsáveis por sua produção, desobrigando o consumidor de conhecer o processo produtivo que o criou (o que, em um mundo de tempo escasso como o nosso, é uma grande vantagem). O voto é um feedback tardio, que demora quatro anos para se fazer sentir; a compra é uma resposta imediata e constante, premiando os empreendedores que acertam e punindo os que erram ininterruptamente.

Com o voto, na melhor das hipóteses, elege-se o que uma maioria considera ser um bom plano, sem garantia alguma de que ele de fato se paute na realidade das coisas; com a compra no mercado, descobre-se realmente quais planos eram realistas e quais baseavam-se em crenças falsas — e o melhor de tudo, quem arca com o custo dos erros é apenas quem apostou na ideia, enquanto os ganhos, além de premiarem quem acertou, beneficiam também todos os consumidores. Com o voto, escolhe-se entre políticos profissionais definidos por suas relações políticas e habilidade de manipular os outros; no sistema de compras e vendas, todo mundo pode se arriscar, dar o seu melhor e ofertar aos outros as soluções que ele pensou para alguma área da vida humana.

É compreensível que, em algumas situações, o voto seja a única opção disponível. Sempre que possível, no entanto, o mercado deveria ser preferido, pois trata-se de um sistema muito superior à democracia em permitir que as pessoas se relacionem e vivam melhor. Talvez por ser algo corriqueiro, diário, enquanto o voto é um evento raro, especial, que ocorre apenas a cada dois anos, o segundo inspire muito mais que o primeiro. Saibam, contudo, que ao sair com a família para algum restaurante depois da votação neste domingo último (para as cidades que tiveram segundo turno), ou mesmo ao parar em uma padaria e pedir um cafezinho, vocês contribuíram mais para o bem social do que ao digitar os números na urna eletrônica.



autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com.

  • Jose Roberto Baschiera Junior  30/10/2012 05:11
    Excelente artigo. Muito bem desenvolvido. Já até encaminhei para fervorosos defensores do voto e seus poderes místicos.
  • Marcus Lins  30/10/2012 05:26
    Um dos grandes "dilemas" sobre a atuação do estado costuma ser "quem faria as grandes obras públicas". Minha resposta: crowdfunding.

    Se o governo acha que é bom fazer o tal Trem de Alta Velocidade, que arrecade os fundos necessários de quem acha que vale a pena. Se obtiver os fundos necessários, faça-o, compartilhando os lucros ou prejuízos com quem acreditou na ideia.

    Se isso fosse adotado para todas as intervenções financeiras dos diversos níveis de governo (acompanhada de uma baixa brutal nos impostos), já estaríamos num grande lucro.

    Só faltaria reduzir ao máximo o poder legislatório (em área de alcance), para deixá-lo mais sobre o controle das pessoas (subsidiaridade). Tornar as câmaras em "grandes assembleias de coisas um tanto maiores que condomínios".

  • Gustavo  30/10/2012 07:08
    Mas e quanto as obras que não visam o lucro, como construção de escolas e hospitais públicos? E quanto as obras capazes de levar desenvolvimento para uma região, mas que o mercado não tem interesse?
  • Leandro  30/10/2012 07:29
    Como assim uma obra "leva desenvolvimento" mas o mercado "não tem interesse"? Você está dizendo que capitalistas não querem lucro? O que traz desenvolvimento traz lucros.

    Ademais, quem é que determina o que é bom e o que é ruim para uma região? Você? Isso é julgamento subjetivo seu. O que é bom para você pode ser péssimo para mim.

    Como as obras públicas subtraem riqueza da população

    O problema dos subsídios aos investimentos públicos
  • Eduardo  30/10/2012 15:40
    "Mas e quanto as obras que não visam o lucro, como construção de escolas e hospitais públicos?"

    Um hospitalzinho público caindo aos pedaços é coisa do governo. O setor privado pode fazer uma mini-cidade repleta de hospitais!
    Conhece o Texas Medical Center? www.newgeography.com/content/003186-deep-heart-texas-private-donors-build-a-medical-complex-size-a-small-city
    É o maior centro médico do mundo, com mais de 1000 acres.

    Contém 50 instituições da área da saúde, que incluem cirurgias, farmácias, educação, e todas sem fins lucrativos, e mantidas por doações de filantropos e de lucros do petróleo e gás.
    As instituições atendem 7 milhões de pacientes por ano, os campus têm 34,0000 estudantes, etc etc

    E não é só o tamanho. O Centro é conhecido pela sua extraordinária qualidade. Suas instituições são das melhores do país, incluindo o Texas Children's Hospital que há anos é considerado o melhor hospital de câncer.

    Claro, as pessoas doam voluntariamente, então os serviços têm que ser bons. Diferentemente de serviços estatais que podem ser de qualquer jeito, e basta apontar armas pra 'convencer' as pessoas a financiarem essas coisas.
    Sequer faz sentido falar de comuns problemas do setor público de corrupção ou de sobrefaturamento com esse arranjo privado.

    Basta deixar as pessoas livres pra enriquecerem, e tirar os impostos e o setor público pra que dêem lugar à caridade voluntária e ao setor privado.


    De qualquer forma, visar o lucro também não é necessariamente cobrar caro dos consumidores, é meramente visar a auto-sustentabilidade. Ou seja, não ter que tomar dinheiro a força dos outros pra cobrir os prejuízos.

    Prova disso são as Dime Schools, as escolas privadas em países pobres como Índia e Gana que cobram alguns centavos, e superam as escolas do governo em qualidade.
    Essas escolas se sustentam com seus lucros, e não é por isso que deixam de atender uma população muito pobre.

    Então tanto o que vive do lucro e cobra por serviços pode ajudar os pobres, quanto a caridade voluntária que não visa o lucro e vive de doações também pode.
  • Digo  30/10/2012 15:43
    Quer dizer então que sou obrigado a pagar para os filhos dos outros estudarem? Não que eu já soubesse, mas não acho isso nem um pouco certo (a parte de me obrigar).

    Escolas e hospitais públicos não deveriam sequer existir. Se há gente ofertando esse tipo de bem no mercado, não se deve aplicar coerção para fazê-lo "universal". Quem achar importante estudar ou que seu filho estude, que pague por isso. Quem achar importante que outros recebam de graça, que convençam outras pessoas a doar dinheiro. Cobrar impostos para custear isso é uma excrescência que teria que ser revista. Ofertar esse serviço de graça só prejudica o mercado. Quem poderia fazê-lo barato não irá fazê-lo, restando opções pagas somente para uma elite. E destroi qualquer ganho em eficiência. Não é à toa que os currículos se incharam a ponto do nível médio ser uma inutilidade praticamente total.

    Não só isso, esse tipo de serviço ofertado pelo estado é uma porcaria em todo lugar do mundo. E não me venham falar que no Canadá, apesar do verdadeiro assalto que são os impostos naquele país, isso funciona bem que, não, não funciona. Canadense quando tem problema de saúde sério vai é se tratar nos EUA, como fez Danny Williams recentemente. Escola pública é outra desgraça. Basta ver quem ocupa os últimos lugares e quem ocupa os primeiros nas avaliações internacionais.



    Agora, quanto ao desenvolvimento de uma região... aquele buraco que é o estado de Nevada, seco e poeirento, tem uma das cidades mais bem desenvolvidas do mundo: Las Vegas. Ao norte dali, no montanhoso e seco Colorado, só progresso. Denver é uma belíssima cidade, Aspen é um destino turístico dos mais famosos.

    Enquanto isso, nas magníficas montanhas bolivianas, só se vê pobreza e miséria, assim como nas férteis planícies mais perto do Brasil. No maravilhoso Nordeste brasileiro, com uma costa de dar inveja a muito país caribenho e sem nenhuma tragédia natural maior, a não ser uma previsível e branda seca de tempos em tempos, o órgão do governo para promover o desenvolvimento da região, a Sudene, não consegue fazer muito mais que uns açudes e dar isenções fiscais para hoteis que operam muito abaixo de sua capacidade.
  • Ricardo Spredemann  30/10/2012 06:04
    Artigo fabuloso, muito bem escrito e delicoso para ler. Parabêns Joel Pinheiro da Fonseca!
  • Davi  30/10/2012 06:54
    Gostei muito do artigo.
  • Gustavo  30/10/2012 07:00
    Quero discordar um pouco do texto. Há várias situações em que o mercado não pode atender as demandas da sociedade e o poder público se faz necessário. E aí que entra o papel do voto e da mobilização da sociedade civil como um todo para, senão resolver os problemas da sociedade, pelo menos mitiga-los. Exemplos de desafios que o mercado se mostra inapto: produzir um sistema de saúde e educação universal e de boa qualidade, assegurar aposentadoria para os idosos, enfrentar desequilíbrios ambientais, defesa do consumidor, relações menos assimétricas entre contratante e contratado, inclusão das minorias, etc.
  • Leandro  30/10/2012 07:25
    "produzir um sistema de saúde e educação universal e de boa qualidade"

    Você está se referindo a um sistema de saúde estatal, de qualidade e duradouro? Impossível. Eis uma análise puramente econômica, sem juízo de valor, sobre este assunto.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=923


    "assegurar aposentadoria para os idosos"

    É justamente o estado quem impede a aposentadoria dos idosos, e duas formas: primeiro ele destrói o valor da moeda por meio da inflação, impedindo que as pessoas possam simplesmente guardar dinheiro (o qual, sem a inflação, manteria seu poder de compra ao longo de décadas) para utilizá-lo quando aposentar. A destruição do poder de compra da moeda, operação totalmente sob controle do estado, obriga as pessoas a recorrer ao mercado financeiro e a se tornar reféns dos bancos, os únicos que oferecem programas de proteção ao poder de compra da moeda.

    Segundo, o estado confisca o dinheiro do trabalhador (além do imposto de renda, há também o FGTS e o INSS), impedindo que ele, o trabalhador, invista este dinheiro da maneira que mais lhe aprouver.

    Qual a sua solução para corrigir problemas criados unicamente pelo estado? Mais estado. Muito sensato.

    A Previdência Social brasileira - um esquema fraudulento de pirâmide


    "enfrentar desequilíbrios ambientais"

    Quem defende a destruição ambiental é justamente o estado, que protege os grandes e anula os direitos de propriedade dos afetados por poluições. Os brasileiros prejudicados pela poluição não podem hoje processar os poluidores, pois estes são protegidos pelo governo federal. As indústrias com boas influências políticas utilizam regulamentações ambientalistas para impor custos proibitivos a potenciais concorrentes, impedindo que estes entrem no mercado.

    E você defende isso.


    "defesa do consumidor"

    A melhor defesa ao consumidor é a livre concorrência. Quanto mais opções de compra, menores os incentivos para haver fraudes. E quem protege os fraudadores e os incompetentes é justamente o estado e suas agências reguladores, que fecham o mercado para a livre concorrência e o carteliza apenas para suas empresas favoritas.

    Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas


    "relações menos assimétricas entre contratante e contratado"

    "Falhas de mercado" e informações assimétricas


    "inclusão das minorias"

    Qual a menor minoria além do indivíduo?

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=39


    Bem-vindo ao site. Há farto material para você aprender aqui e abandonar os chavões de Diretório Acadêmico.

    Abraços!
  • Marcus Benites  30/10/2012 10:17
    Enfim caiu um perdido aqui que, apesar de TODOS os clichês comuns a quem vem de fora, fruto de doutrinação escolar e midiática, manifestou-se com educação e com bom domínio da norma culta. É exceção. De repente, por não ter chegado aqui tendo lido na vida toda, apenas, meio livro e alguns panfletos, como a maioria dos esquerdistas, consiga seguir a absurdamente clara lógica do site, frente à qual fica difícil opor argumentação minimamente honesta.
  • Matheus Polli  30/10/2012 08:50
    Sobre o absurdo tema "relações menos assimétricas entre contratante e contratado" eu sugiro o brilhante texto do André Luiz Santa Cruz Ramos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1306

  • Gustavo  30/10/2012 10:47
    Lerei os artigos. Grato.
  • Renato  30/10/2012 14:15
    Gustavo\r
    \r
    Eu também creio que não é viável não existir governo. Mas pense nas seguintes considerções:\r
    \r
    1. O autor focou no tema da expansão desmesurada da atuação do estado. Os exemplos de estados superexpandidos não foram simplesmente ditaduras, mas sistemas totalitários, isto é, governos aos quais poder nenhum era negado. Isso gerou genocídios terriveis e extrema opressão. Então, mesmo que você acredite que o estado pode realmente ajudar intervindo em tudo isso o que você falou, pense: Se não há limite para a expansão da intervenção estatal, rumaremos inevitavelmente para um regime desumano e extremamente opressivo. Qualquer item da ação humana que esteja a cargo da sociedade, e não do estado, tornará mais difícil o totalitarismo. Seguindo esse raciocínio, sempre será útil cada pessoa incentivar as outras pessoas a contribuirem com medidas não governamentais para resolver os problemas, evitando o máximo possivel a intervenção do governo. Digo, não governamentais MESMO. ONGs do G são um problema, não uma solução.\r
    \r
    2. Você aparentemente crê que toda a ação humana consiste ou de ação governamental, ou ação particular comercial buscando lucro econômico. Entretanto, isto está muito longe de ser verdade. As pessoas se dedicam a toda espécie de ação individual ou em grupos, buscando objetivos diferentes do lucro. Esse associativismo social seria muito maior se o estado não fosse tão interventor. Tocqueville espantou-se com o imenso pendor para o associativismo que ele via na sociedade americana, muito maior que na Europa, o qual só era possivel por serem as instituições americanas menos interventoras que as européias.\r
    \r
    3. Você se espantará em descobrir como a educação básica, nos EUA, prosperou muito em relação aos outros países, numa época em que o grau do intervenção do governo nessa área era mínimo. Na verdade, quem tratava desse assunto, quando tratava, eram os governos municipais, mas geralmente mesmo esses governos locais pouco interferiam. Desde o início do século XX a intervenção dos governos (principalmente o federal) aumentou enormemente (a um custo exorbitante), e o decréscimo no nível da educação básica foi espantoso.\r
    \r
    4. Programas governamentais de apoio a minorias quase sempre buscam caminhos que interferem fortemente nos direitos de opinião e até associação. Ações sociais não governamentais não teriam o poder de serem coercitivas, e justamente por isso poderiam produzir mudanças reais nas pessoas, em vez de produzir hipocrisia, medo e ódio entre grupos. Mas o ódio entre grupos é justamente um dos caminhos para o totalitarismo, então podemos apostar que o governo continuará nessa toada...
  • Eduardo  30/10/2012 16:13
    "Exemplos de desafios que o mercado se mostra inapto: produzir um sistema de saúde e educação universal e de boa qualidade, assegurar aposentadoria para os idosos, enfrentar desequilíbrios ambientais, defesa do consumidor, relações menos assimétricas entre contratante e contratado, inclusão das minorias, etc."

    ++Como disse num comentário ali em cima, o setor privado está muito à frente na relação do sistema de saúde.

    ++Já educação, é preciso ter em mente que mesmo os sistemas escandinavos adorados pelo mundo são uma bela porcaria na prática.
    Montes de analfabetos funcionais (apesar das estatísticas convenientes de 100% alfabetizados sabe-se lá por que critérios), e quase todas as escolas caindo aos pedaços.

    Sabe como era nos EUA antes do governo se meter em educação? Apenas 0,6 entre 1000 habitantes eram analfabetos, e crianças de 12 anos já liam Aristóteles e Platão. O pai de John Stuart Mill também contava que na inglaterra praticamente todo vilarejo tinha uma escola privada e praticamente todos estavam envolvidos com educação.
    Recomendo o livro "Is Public Education Necessary?"


    ++Sobre desequilíbrios ambientais, o economista Walter Block tem bastante o que falar sobre como o mercado cuidaria disso.
    Curiosamente, sabia que nos EUA e Canadá a poluição era tratada por direitos de propriedade privada? Se uma fábrica sujasse as roupas no varal de uma dona de casa, a fábrica podia (e era) processada pela violação.

    Então as indústrias cansadas de pagar os custos da poluição fizeram lobby e conseguiram que o governo parasse de processar esses casos, com a desculpa de que o progresso industrial de um país não poderia ser parado por interesses egoístas de alguns.

    Esse site ainda contém um artigo excelente do Huerta de Soto explicando como os ciclos econômicos criados pelo governo prejudicam o meio ambiente, dentre outros textos que tomam essas questões mais a fundo.


    ++Sobre assegurar aposentadoria, não é com um golpe de pirâmide que o governo assegura. As aposentadorias do mundo inteiro já estão VAZIAS faz tempo, sobrevivendo apenas temporariamente com dinheiro de novos investidores.

    A desvalorização da moeda também é um fator importantíssimo.

    Em 1913 um Ford T custava 550$, ou 2/3 do salário médio de um americano (ou 27 moedas de 1oz de ouro). Hoje, um Ford Fusion custa 25,000$, ou 2/3 do salário médio de um americano.

    No entanto, imagine que um camarada em 1913 pegue o dinheiro pra esse Ford T, e guarde as 27 moedas de ouro pra sua aposentadoria em 2012.
    Esse senhor hoje vai poder comprar um Ford Fusion por apenas 17 moedas de ouro! E sobram 10 moedas de ouro no valor de 14,000 dólares.

    Se o coitado em 1913 tivesse guardado 550 dólares do Ford T em notas de dólares do Banco Central, ele dificilmente compraria um Ford Fusion... talvez uma miniatura de luxo.
    Se ele tivesse investido, com muita sorte ele conseguiria os 25,000 pra um Ford Fusion, mas ter poupado em ouro ainda foi uma alternativa muito melhor.

    Esse cenário sugere que um governo que desvaloriza tanto uma moeda não é exatamente quem chamar pra cuidar da poupança dos cidadãos, sobretudo em esquemas fraudulentos como a previdência.

    ++ Sobre inclusão das minorias, o livre mercado é um sistema que cria altos custos pra exclusão irracional das minorias, e incentiva a cooperação entre as pessoas.
    Também existem vários artigos sobre isso, mas, basicamente, mesmo quando o governo ENFORÇAVA a segregação racial, o mercado incluía essas vítimas.

    Veja o Apartheid na África do Sul. Mesmo com leis mandando empresas não contratarem negros, as empresas que visavam o lucro desses trabalhadores produtivos os contratavam mesmo asism, e era comum o governo ir fiscalizar e punir essas práticas.
    O salário mínimo lá foi criado por um sindicato de brancos racistas abertamente com o objetivo de tirar os negros do mercado de trabalho. O economista Walter Williams elabora melhor sobre isso.

    Nas leis de segregação racial dos EUA a mesma coisa. As empresas privadas eram quem servia os negros quando o governo implementava leis detestáveis.
    Não faz sentido pro mercado perder clientes ou mão de obra por conta de idéias racistas chulas. Só um governo que não visa o lucro, não teme prejuízo, e tem o poder de usar violência dentro da lei é que é capaz de marginalizar essas minorias.
  • Matheus  30/10/2012 10:34
    Olha, gostei em parte do artigo. Gostei da análise inicial sobre a 'boca de urna' e, quanto às considerações sobre a eficácia de um voto e sobre voto consciente, as considerei relevantes.

    No entanto, discordo diametralmente sobre a consequência de uma compra ser somente do comprador e fundamento o porquê.

    Se uma pessoa compra um produto dito "errado", como, por exemplo, um herbicida ou um agrotóxico qualquer que foi proibido e o aplicou em sua lavoura (causando infecção em sua produção).

    Quando essa infecção foi detectada, seu produto já havia sido vendido e causado mal à inúmeras famílias. E aí, sua escolha errada (ou levada em erro, ou por ignorância, ou por qualquer coisa) afetou a si somente?

    Não teria afetado uma gama inteira de consumidores também?

    Outra situação: se uma população de uma determinada cidade resolve comçar a comprar uma água que está sendo vendida na cidade. Acontece que a água é retirada de um rio. A água é limpa, tratada e tudo o mais, tem licença, porém, de tanto retirar a água, começa a secar o rio.

    Nesse caso a afetação é indireta! Pois o produto é bom e está correto e a população está contente com sua compra. No entanto, a sua utilização afetou-a sem igual, fazendo secar sua fonte.

    OU então um produto cuja confecção afete o meio ambiente....

    E aí?

    Bem, coloco essas situações como hipóteses, nas quais se verifica claramente que as compras não são tão individuais assim e que podem, sim, afetar a sociedade como um todo.

    Essa a minha opinião. Caso o autor tenha algo a dizer, gostaria muito de "ouvir".
    Att.
    Matheus
  • Luis Almeida  30/10/2012 11:00
    Seu primeiro exemplo está relacionado a um caso de "produto ruim", o qual não dura em um mercado livre. Se você é um empreendedor e seu produto ganha a reputação de ser ruim, perigoso e inconfiável, você vai à falência em dias -- a menos que o estado lhe socorra, o que configura intervencionismo.

    Já os outros dois exemplos (rio e poluição) estão claramente relacionados ao problema da falta de propriedade privada. Quem é o dono do rio? Quem protege os poluidores? Para ambos, a resposta é a mesma: o estado. E o estado está disponível para aqueles que lhe derem mais propinas. Se você quer poluir e é poderoso, o estado irá lhe defender. Se você quer usar um rio e prejudicar terceiros (e tem grana), o estado irá lhe defender. É assim desde que o estado existe, e em todos os países do mundo. O que varia é apenas o grau de corrupção e, principalmente, o grau de civilização das pessoas. Mas não há exemplos de civilização corrupta que foi corrigida por um estado forte (afinal, quem irá para o estado, estatisticamente, também será corrupto).

    Em suma: em todos os seus três exemplos, você identificou distorções que só podem ser prolongadas e continuadas caso haja envolvimento e intervenção do estado.
  • Joel Pinheiro  30/10/2012 11:20
    Caro, obrigado pela crítica!

    Todos os nossos atos têm consequências sobre pessoas não diretamente envolvidas neles.

    Felizmente, na maioria dos casos, quando as consequências são sérias, elas são também identificáveis e, portanto, privatizáveis. Isto é: é possível fazer o causador do dano pagar pelo dano que ele causou.

    Tomemos os seus exemplos: se um agricultor usa um veneno altamente nocivo e causa danos à saúde de muitas pessoas (e supondo que as pessoas que compraram não sabiam - e contextualmente não era previsível - do uso desse agrotóxico nocivo), isso pode ser levado à Justiça, e o agricultor imprudente terá que responder por sua escolha, e provavelmente arcar com os custos que ela causou a inocentes. (Toda essa questão, como mencionei no outro parêntese, depende muito da informação: se o consumidor sabia do uso do agrotóxico e mesmo assim resolveu correr o risco porque, digamos, a fruta era muito mais barata, então é ele próprio o responsável pelas consequências à sua saúde). Sabendo disso, um agricultor pensaria duas vezes antes de usar um agrotóxico perigoso, ou ao menos faria questão de informar bem seus consumidores ao fazê-lo.

    No caso da água do rio, ela só apresenta um problema porque o rio não é de ninguém. Se ele tivesse dono ou donos (e vários modelos poderiam ser utilizados aqui: um dono do rio inteiro, cada trecho com um dono, ou ainda uma propriedade societária sobre o rio por parte dos moradores da cidade, cada um podendo vender sua participação nele), a empresa teria que pagar para tirar a água dele. E como os donos do rio não quereriam secar sua propriedade, poderiam chegar a preços e taxas que permitissem que alguma água fosse vendida, mas não tanto que secasse o rio.

    O mesmo vale para a maioria dos danos ambientais: suas consequências podem ser privatizadas. Poluição local do ar ou da água, fumantes que impactam não-fumantes dentro de um estabelecimento, produção e desova de lixo, etc.

    Há, contudo, alguns casos em que, de fato, parece ser muito difícil identificar a fonte específica de certas consequências negativas. Não conheço uma solução fácil para eles. Consigo pensar em dois exemplos: poluição da atmosfera que gera efeitos globais, e uso de antibióticos que promovem o fortalecimento de bactérias. Não tenho conhecimento o suficiente para afirmar que esses dois exemplos são de fato relevantes e demandam algum tipo de solução (se o dano for muito pequeno, irrelevante, não cabe falar de restituição ou compensação); mas, supondo que sejam, não conheço uma solução satisfatória para eles dentro da estrita lei de mercado. É um tema a se pesquisar!
  • Andre Cavalcante  01/11/2012 18:29
    Olá Joel, pessoal,

    "Há, contudo, alguns casos em que, de fato, parece ser muito difícil identificar a fonte específica de certas consequências negativas. Não conheço uma solução fácil para eles. Consigo pensar em dois exemplos: poluição da atmosfera que gera efeitos globais, e uso de antibióticos que promovem o fortalecimento de bactérias. Não tenho conhecimento o suficiente para afirmar que esses dois exemplos são de fato relevantes e demandam algum tipo de solução (se o dano for muito pequeno, irrelevante, não cabe falar de restituição ou compensação); mas, supondo que sejam, não conheço uma solução satisfatória para eles dentro da estrita lei de mercado. É um tema a se pesquisar!"

    Interessantes os pontos, em particular poluição atmosférica com efeitos globais. Há uma grande discussão sobre isso, sobre o quanto o ser humano pode afetar globalmente o seu ambiente a partir de ações locais.

    Vamos por em perspectiva:

    Área da Terra (assumindo uma esfera de 12.700 km de diâmetro) = 506 milhões de km².
    Desses, 2/3 são mares e oceanos, logo: 337 milhões de quilômetros.

    O fluxo solar médio é de 1360W/m², o que dá 1.360.000 KW/Km². Logo, a irradiação média do Sol na superfície da Terra é de, aproximadamente, 689.000 TW (1T = 10^12).

    A parte que aquece os oceanos é, portanto, de 459.000 TW. Em uma hora de exposição: 459.000 TWh. Toda essa energia é a que esquenta os mares, oceanos e a atmosfera fazendo com que a temperatura média da Terra alcance estáveis 15º de dia e de noite (contra os 107º de dia e -153º noite na Lua, nossa vizinha cósmica sem atmosfera e que serve como comparação) e movimente a vida na Terra.

    Toda a energia estimada a ser produzida pelo ser humano em 2030 é de 30.000TWh, o que dá apenas 7% daquela dos oceanos e menos de 4,5% do total.

    Todos esses valores não tem discussão, são dados astronômicos e os achei na Wikipedia, no site da Nasa e de algumas universidades, como a do ES, SC e do RS. Aqui coloquei dados BEM conservativos e usei uma estimativa do consumo total de energia humana em 2030 (um trabalho acadêmico extremamente otimista).

    Conclusão: você acha que meros 4,5% de atuação (considerando que seja de toda a humanidade conjuntamente) vai modificar qualquer coisa no balanço ambiental da Terra? Imagine então a ação de uma empresa ou mesmo algumas? No meu entender, orgulho desmedido de alguns que se acham deuses encarnados neste pálido bólido azul.

    Sobre o segundo tópico, sugiro a seguinte leitura: Bactérias vivem sem oxigênio e sem luz do Sol, que mostra o quão pouco nós sabemos sobre os meandros da vida no próprio planeta, o que já é uma boa medida do quão longe estamos da "verdade" sobre este item. Entretanto, também não estou inteiramente a par da questão do uso indiscriminado de antibióticos. Vale a pena estudar.

    Abraços
  • Joel Pinheiro  02/11/2012 10:58
    Você falou de produção de energia. Mas o argumento do aquecimento global não é via produção de energia, e sim pela emissão de gases como CO2 e metano. Enfim, não tenho dados para discutir e aqui não é o lugar.

    Mas é algo que, SE for verdadeiro, levantaria a questão de como esse problema poderia ser resolvido no livre mercado.
  • Andre Cavalcante  03/11/2012 11:26
    Então Joel, como coloquei, fui bem comedido.

    Usei a produção TOTAL de energia, em comparação com o total de energia solar na Terra, porque É ISTO, enfim, o que controla o sistema climático global. O impacto do ser humano nesse sistema, será de, no máximo, 4,5% do total em 2030. O Michiu Kaku (o mesmo da teoria das cordas e dos especiais do Discovery Channel) calculou que o consumo de energia pelos humanos somente será uma fração respeitável do total de energia que o Sol manda pra Terra, lá pelos anos 2100 (>50%). Talvez neste tempo tenhamos, de fato, alguma influência no clima global (e isso se agirmos todos juntos para obter o mesmo efeito, caso contrário, as ações locais contrárias se anulariam e facilmente o efeito se diluiria).

    Se for considerar somente as emissões de CO2 então não vale nem a pena pensar, porque o total de CO2 na atmosfera é de meros 0,04% (400 partes por milhão), sendo que a parte humana é responsável por 10GT de CO2, o que (e suei para conseguir esse relacionamento porque nunca os pró-aquecimento "lembram" dessa relação) é apenas 10% do que as plantas (por si sós) colocam e retiram, por dia, da atmosfera. Logo as plantas, por si sós, são responsáveis por 100GT. E isso sem contar os oceanos e as atividades vulcânicas - que são a parte que realmente importa para a determinação do CO2 na atmosfera.

    Então, no quesito CO2 é que a gente não apita mesmo. O problema é que os melancias repetiram tanto que o vilão da vez é o CO2, apesar de ser risível (lembrar que o aumento de CO2 significa um aumento direto na produção agrícola), que as pessoas passaram a acreditar nisso, apesar dos números mostrarem que a verdade está longe deles.

    E acredito que haja uma solução para esses problemas através do livre mercado, mas essa solução não será encontrada até os verdadeiros efeitos de um excesso ou falta de alguma substância na atmosfera seja realmente sentida (com vários prejudicados). Se quiser algo rápido e rasteiro (e com certeza doloroso para a maioria), baixe um decreto governamental - se isso é imoral? Bom, é só raciocinar um pouco para perceber que sim.

    Abraço
  • Francisco Alfaro  30/10/2012 12:04
    Belíssimo artigo. Vale lembrar que, além dos austríacos, a teoria da escolha pública também se debruçou sobre os problemas da escolha humana nos mercados e nas urnas (Ballot Box). Apesar de ambas as escolas partirem de metodologias e pontos de vista diferentes, ambas chegaram as mesmas conclusões.
    Apesar de não ser o foco do artigo, vale também mencionar a dificuldade em se transformar preferências individuais em uma escolha de grupo ou social. Segundo Kenneth Arrow (neoclássico, eu sei, fazer o que?), se certas condições forem estabelecidas, é praticamente impossível agregar as preferências individuais numa vontade única.
  • Jon  30/10/2012 14:45
    Pensando nessa sentença abaixo citada, gostaria de conhecer a opinião do autor, Joel e do Leandro Roque, sobre onde então, o estado é necessário, se o é. Em qual esfera, é impossível uma organização sem que haja impostos, leis, etc...

    "É compreensível que, em algumas situações, o voto seja a única opção disponível."

    Abraços
    e Obrigado!

    E parabéns pelo belíssimo texto, um dos melhores artigos que já li aqui!
  • Joel Pinheiro  30/10/2012 15:17
    Caro, respondendo apenas por mim, parece-me necessário que haja uma instância suprema que defina certas leis de proteção aos direitos individuais básicos; direitos invioláveis e que não podem ser violados impunemente em hipótese alguma.

    Quanto ao voto especificamente, ele não necessariamente está associado ao Estado. Em um condomínio, por exemplo, diversas medidas têm que ser aprovadas mediante voto. "Qual forma de aquecimento usaremos em nossa piscina?" . Nessas situações até se reproduz, em pequena escala e num meio privado, as eleições e campanhas políticas, em que os eleitores não são nem de longe os mais preparados para tomar a decisão. Fica bem claro o quão imperfeito é voto; parece-me, contudo, ser a única solução possível.
  • Leandro  30/10/2012 15:22
    "Em qual esfera, é impossível uma organização sem que haja impostos, leis, etc..."

    Leis são absolutamente necessárias e é impossível haver qualquer civilização duradoura sem leis. Eu sou um ardoroso defensor da existência de leis. Por isso defendo as leis naturais, perfeitamente capazes de unir ateus e religiosos, pois são leis irrefutáveis (todo indivíduo tem o direito a não tirarem sua vida, sua liberdade, e sua propriedade honestamente adquirida, desde que ele não transgrida esses mesmos direitos de terceiros).

    Justamente por defender o direito natural, desconfio de todas as leis criadas por políticos e por outros indivíduos em busca de poder. Tais leis visam, quase sempre, aos seus interesses ou aos interesses de algum grupo de pressão. (Um ótimo exemplo é a Lei Seca brasileira, uma lei claramente voltada aos interesses dos taxistas -- confissão própria de um taxista para mim).

    Quanto a impostos, a própria definição do direito natural já mostra que eles são criminosos. Não foi à toa que os escolásticos defenderam o regicídio: eles consideravam justo matar o rei que tomasse a propriedade de seus súditos.

    A sociedade pode funcionar sem impostos e temos inúmeros artigos sobre isso.

    mises.org.br/Subject.aspx?id=16
  • Eduardo  30/10/2012 16:21
    Quanto ao artigo, gostei muito!
    Nessa eleição eu já estava mais esclarecido que nas anteriores, e estava mesmo pensando nessas coisas.

    O artigo colocou tudo de uma forma muito bem estruturada e completa.

    A conclusão é mesmo essa: quanto mais mercado, e menos voto, melhor!
    As melhores coisas da nossa vida são as que escolhemos e recebemos em um livre mercado, não as que votamos pra impôr pra todo mundo.

    Já a frase "vote consciente" sempre me soou tão esquisito quanto "cague cheiroso".

    Não tem nada de consciente em trocar a escolha individual e os direitos de propriedade privada no mercado por um voto insignificante no meio de milhões que irão decidir uma plataforma pra milhões de pessoas diferentes... aonde cada uma delas não concorda nem com 1% de tal plataforma.


    O que é realmente importante no mundo é ter fortes direitos de propriedade privada, ter liberdade de escolha, poder fazer seus próprios investimentos, e ter o maior número de aspectos da sua vida imunes ao voto popular.
  • Angelo  30/10/2012 17:07
    Brilhante artigo do Joel, como sempre. E brilhantes também alguns dos comentários, notadamente os do Leandro e do próprio Joel.

    A solução para esse dilema sobre o tamanho do estado, a meu ver, está em torná-lo tão pequeno e destituído de poderes que poucos estariam dispostos a viver dele. A analogia que me ocorre é com um condomínio, onde o síndico tem poderes limitadíssimos e obrigações não tão pequenas, o que faz com que poucos se disponham a investir seu tempo nessa tarefa.

  • Fabio Bastos  31/10/2012 03:57
    Amigos

    Creio que um dos problemas do nosso sistema eleitoral esta no Voto Obrigatório.

    Os políticos sabem que fazendo proselitismo, através de obras públicas, legalização de invasão de propriedade, criação de "benefícios" sociais demagógicos etc, terão como retorno o voto dos eleitores menos esclarecidos nas urnas.

    Ocorre que se o voto NÃO for obrigatório boa parte desses eleitores comprados e iludidos não aparecerão para votar e os políticos demagogos e oportunistas perderão boa parte dos votos.

    Com o voto NÃO OBRIGATÓRIO aparecerão para votar na sua grande maioria os eleitores conscientes e mais politizados sejam de esquerda ou de direita.
  • LUCAS  01/11/2012 12:07
    Eu iria mais adiante. Acho que só poderia ser permitido o voto daquela pessoa que nos últimos 2 anos não recebeu nenhum benefício direto do governo (funcionários públicos, aposentados e pensionistas do INSS, trabalhadores em seguro-desemprego e auxílio-doença, bolsistas de toda sorte - bolsa-família, bolsa-gás, bolsa-escola, estudantes de qq instituição pública e aqueles que recebem desconto para estudar em instituições privadas - bem como qualquer receptáculo de financiamento do BNDES direto e indireto).
    Já seria um bom passo ao rumo certo, pois nessa democracia o voto seria de quem efetivamente PAGA A CONTA.
  • Rhyan  31/10/2012 16:15
    Os santinhos não são proibidos por uma questão de poluição?
  • Joel Pinheiro  31/10/2012 16:35
    Não, pois a lei proíbe toda propaganda no dia, inclusive santinhos (mas também autofalantes, cartazes, etc.). O que fica mais em evidência é o santinho pois é a violação mais frequente.

    E se fosse por poluição, proibiriam santinho sempre, e não só no dia. E pelo que eu saiba ele continua permitido ao longo das campanhas.
  • MarcioAB  06/04/2016 00:29
    Imagine o seguinte contexto:
    1. Um agrupamento de individuos SUPER liberais (e bem individualistas).
    2. Mesmo assim esse grupo concorda que existem alguns projetos que podem se beneficiar de um esforço coletivo
    3. Concordam em fazer um PEQUENO pool de recursos para a execucao de alguns deles.
    4. Surge entao, feito por "especialistas", uma serie de propostas de projetos.
    5. Cada proposta, alem de ter um custo financeiro estimado, tem seus pros e contras, estudos de viabilidade, etc.

    Ai vem a pergunta: Como escolher ?

    1. Escolha democratica ou representativa ?
    Obs:
    Na escolha democratica, 1 pessoa = 1 voto.
    Na escolha representativa, pessoas escolhem seus representantes e entao 1 representante = 1 voto.

    Digamos que a escolha seja democratica. Cada pessoa da uma olhada, POR CIMA, nas propostas e vota.
    As propostas mais votadas "sobem" na priorizacao e os recursos alocados vao sendo consumidos. As pessoas podem ir mudando seus votos ate uma data limite. As propostas mais votadas serao realizadas e repete-se o ciclo.

    Digamos que a escolha seja representativa ... ai tudo é uma questao de confiança, muita confiança ... que eu nao tenho.

    Faz sentido ?
  • Matheus  07/04/2016 12:35
    Gostei do comentário. Penso apenas que são prós e contras de cada tipo de escolha, no caso a democrática e a representativa. Quer ver? Você colocou um pró na democrática e um contra na representativa, digamos, mas se avaliássemos pelo ponto de vista da liderança/condução, teríamos que a opção representativa, em tese, é melhor, já que na democrática o que ocorre é a grande maioria das pessoas não terem nem tempo nem capacitações técnicas para decidir o que é melhor. Muitas, na verdade, querem nem saber, estão mais voltadas - o que é normal - para suas próprias vidas e de sua família, já que o sistema político-econômico que vivemos não nos dá muito mais tempo para fazer outras coisas que não "correr atrás da máquina". Daí o sistema representativo (até mesmo porque na época em que foi concebido era inviável em pensar em democracia direta por falta de tecnologia, como a internet).

    Mas aí você pergunta: ok, mas as representações são escolhidas de maneira democrática direta. Não ocorreria o mesmo problema, isto é, as pessoas não saberem em quem votar?

    Aí vem três coisas em minha cabeça: nº1. o voto livre; nº2. cultura; nº3. moral.

    (a cultura que digo não é aquela coisa do frevo, futebol, cavaco e tamborim, etc, digo aquela cultura da responsabilidade, do sentido do indivíduo perante a sociedade)

    Essas coisas ou não existem ou estão escassas no Brasil, que faz com que tenhamos indivíduos despreparados concorrendo como candidatos, ou para melhorar suas próprias vidas, ou sendo usadas para aumentar os votos da legenda; vemos coisas como gente votando por dinheiro, por favores ridículos muitas vezes, como "agradecimento" pelo político ter ajeitado postes na rua, trocado lâmpadas, conseguindo leito em hospital, etc (aquelas coisas que vereadores fazem pra ganhar voto, que não deveriam nem ser de sua alçada mas que acaba sendo por falta de federalismo no brasil, isto é, vereador vira garoto de recados e reclamatórias perante órgãos e empresas que atuam em funções públicas).

    Afora o voto no Brasil ser um direito cujo exercício é obrigatório e ai daquele que não o exercer. Problemas com a JE fazem tu perder direitos políticos e de cidadania, tu acreditas? É verdade, aqui é o único lugar do mundo que um direito causa mais problemas do que soluções!

    Para concluir sr. presidente (cacoete de tanta comissão no congresso): ainda acho que o sistema representativo seja bom, mas num ambiente social diferente. Para o Brasil não funciona muito direito, e não é - como se ouve por aí - que somos uma "democracia jovem", etc... aquele papo de que como se o Brasil tivesse passado a existir realmente a partir de 88. Papo furado! Esse é o argumento mais falso e podre que se pode ouvir, e muito se ouve por aí. Não estava há pouco Letícia Sabatella falando no púlpito presidencial sobre isso? Fala sério.....

    É isso, valeu o comentário. Quem quiser me responder, por favor, com educação. Chega de intolerância em nossas vidas.
  • MarcioAB  09/04/2016 22:19
    Permita-me pegar algumas de suas frases, mesmo que vindas de contextos diferentes, apenas para enfatizar meu questionamento:

    1. "... a opção representativa, em tese, é melhor ..." (pelo ponto de vista da liderança/condução)
    2. "... para o Brasil não funciona muito direito ..."
    3. "... acho que o sistema representativo seja bom, mas num ambiente social diferente ..."

    Afinal qual seria a conclusao ?
    Considerando um ambiente diferente, ok, tudo pode funcionar.
    Eu acho que (considerando a realidade, a nossa realidade) o sistema representativo, nao serve.
    Alternativas ao sistema representativo poderia ser um debate a parte.

    Outro ponto que chama a atencao é: "... a grande maioria das pessoas não tem nem tempo nem capacitações técnicas para decidir o que é melhor ..."

    Faz sentido, mas:

    1. O "coitadismo" abre espaço para o autoritarismo.

    2. O conceito de "melhor" é muito relativo. Mesmo os "autoritarios-capazes" nao tem capacidade para saber o que é melhor para UMA determinada pessoa. E dizer que um desses "autoritarios-capazes" é capaz de tirar uma media democratica do que é melhor para milhares de pessoas ... é complicado. Eu nao acredito. Nem com muito esforço positivo.

    3. Se as pessoas nao tem capacidade (nem tempo) para escolher, paciencia: Segue escolhendo errado ate que um dia aprende (ou desaparece).

    Insistindo: Considerando a tecnologia atual, eu acredito que ja passamos do ponto de poder fazer escolhas (democraticas) diretas. Assim como acho que ja passamos do ponto de dar um fim no sistema representativo.

    No caso de sobrevida do sistema representativo por mais alguns anos, eu acho fundamental a introducao da alternativa NDA (nenhum desses).


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