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A livre iniciativa e a liberdade econômica são imperativos morais

Todas as considerações sobre justiça social e distribuição justa de riqueza que os intelectuais, a mídia e os políticos gostam de pontificar a respeito, e que constituem o "fundamento ético" de importantes movimentos sociais (de natureza "socialista" ou "social-democrata"), têm sua origem ou fundamento em uma errônea concepção estática em relação à economia.

Com efeito, o paradigma da teoria econômica que por muito tempo foi predominante se baseava, em maior ou menor escala, em considerar que a informação econômica é algo objetivo e se encontra "dada", ou seja, é conhecida por todos (tanto em termos exatos quanto probabilísticos).  Consequentemente, seria possível realizar análises de custo-benefício sobre estas informações.

Sendo assim, parecia lógico crer que quaisquer considerações sobre 'maximização de utilidade' fossem totalmente independentes dos aspectos morais, de modo que moralidade e maximização de utilidade fossem coisas que pudessem ser combinadas livremente, nas mais variadas proporções.

Ademais, esta concepção estática inexoravelmente levava à suposição de que, em certo sentido, os recursos escassos da economia também já estavam dados e eram conhecidos por todos.  A consequência inevitável deste raciocínio era a de que o problema econômico da distribuição dos recursos era considerado distinto e totalmente independente do problema de sua produção.  Com efeito, se os recursos já estão dados, torna-se de excepcional importância definir como serão distribuídos entre os diferentes seres humanos tanto os meios de produção quanto os bens por eles produzidos.

Todo este arcabouço foi demolido pela nova concepção dinâmica dos processos de mercado e pela nova teoria econômica da função empresarial.  Esta teoria demonstrou e enfatizou que todo ser humano possui uma inata capacidade criativa que lhe permite avaliar, estimar e descobrir as oportunidades de lucro que surgem ao seu redor, e agir em conformidade para aproveitá-las.  O empreendedorismo, portanto, consiste na capacidade tipicamente humana de continuamente criar e descobrir novos fins e novos meios para se alcançar tais fins.

Por esta concepção, além de os recursos não estarem dados e nunca serem conhecidos por todos, tanto os fins quanto os meios para se alcançar estes fins são continuamente descobertos e criados por empreendedores desejosos de alcançar novas realizações que eles julgam ter um maior valor. 

E se os meios, os fins e os recursos nunca são dados e conhecidos por todos, mas são continuamente criados em consequência da ação empreendedorial de seres humanos, então resta claro que o fundamental problema ético não mais é o de como distribuir equitativamente tudo aquilo "que já existe", mas sim o de como promover a criatividade e a coordenação empreendedorial.

Por isso, no campo da ética social, chega-se à conclusão de que, se o ser humano é um agente criativo, então é axiomático reconhecer o princípio ético de que "todo ser humano tem o direito natural de manter para si os frutos da sua própria criatividade empresarial".  Ou seja, a apropriação privada dos frutos da descoberta e da criação empreendedorial é um princípio autoevidente das leis naturais.  E é assim porque, se um indivíduo empreendedor não pudesse reivindicar para si aquilo que ele criou ou descobriu, ele simplesmente não teria incentivos para colocar em ação sua perspicácia empresarial e criativa inerente à sua condição de ser humano.  A sua capacidade de detectar oportunidades de lucro estaria completamente bloqueada, e seu incentivo para agir desapareceria.  Adicionalmente, este princípio é universal no sentido de que ele pode ser aplicado a todos os seres humanos em todas as circunstâncias concebíveis.

Considerando-se, portanto, a economia como um processo dinâmico do tipo empreendedorial, o princípio ético que deve regular as interações sociais deve se basear na consideração de que a sociedade mais justa será aquela que, de maneira mais enérgica, promova a liberdade e a criatividade empresarial de todos os seres humanos que a componham, sendo que para isso é imprescindível que cada um deles possa ter de antemão a segurança de que poderá usufruir os resultados de sua criatividade empresarial (os quais, antes de serem descobertos ou criados por cada agente, simplesmente não existiam na sociedade) e de que não será expropriado total ou parcialmente por ninguém, muito menos pelo governo.

Finalmente, esta análise torna evidente o caráter imoral do intervencionismo, o qual deve ser entendido como todo sistema de agressão institucional levado a cabo pelo estado contra o exercício da ação humana ou da função empresarial em qualquer área ou camada social.  Com efeito, a coerção ao indivíduo impede que ele desenvolva aquilo que lhe é intrínseco por natureza: sua inata capacidade de almejar novos fins e conceber novos meios para alcançar estes fins, sempre agindo em conformidade para lograr este objetivo.  Na medida em que a coerção do estado impede a ação humana do tipo empresarial, sua capacidade criativa estará limitada e ele não descobrirá e nem surgirão as informações ou conhecimentos necessários para coordenar a sociedade.

Exatamente por isso o socialismo é um erro intelectual, pois ele impossibilita que os seres humanos gerem as informações de que o órgão planejador necessita para coordenar a sociedade por meio de suas ordens coercivas.  Adicionalmente, essa análise tem a virtude de deixar claro que o sistema socialista e intervencionista é imoral, pois ele se resume a impedir pelo uso da força que os vários seres humanos se apropriem dos resultados de sua própria criatividade empresarial.  Desta forma, o socialismo pode ser visto como sendo não apenas um sistema teoricamente errôneo e economicamente impossível (o que significa ineficiente), como também, e ao mesmo tempo, um sistema essencialmente imoral, pois vai contra a mais íntima natureza do ser humano, impedindo que este se realize e usufrua livremente os resultados de sua própria criatividade empresarial.

Por fim, é válido ressaltar que o ímpeto humano à criatividade empresarial também se manifesta no âmbito da ajuda aos mais desvalidos e na busca sistemática por situações em que terceiros estão necessitados, com o intuito de ajudá-los.  Com efeito, a coerciva intervenção estatal, por meio dos mecanismos típicos do chamado "estado de bem-estar social", neutraliza e, em grande medida, obstrui o esforço empreendedorial de se ajudar um semelhante que está passando por dificuldades.  Os incentivos para o auxílio ao próximo são tolhidos e a tarefa acaba sendo transferida para o aparato estatal, o qual, justamente por funcionar fora de um ambiente de eficiência dinâmica, simplesmente não tem como agir de maneira correta.

A consequência é que a solidariedade e a colaboração voluntária, que são ímpetos naturais do ser humano e que tanta importância possuem para a maioria dos seres humanos, acabam sendo reprimidas e absorvidas pela burocracia estatal, que nada tem de humana e solidária.


autor

Jesús Huerta de Soto
, professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.


  • anônimo  22/10/2012 21:39
    Prq países protecionistas como EUA encabeçam as listas de liberdade econômica?
  • Marcelo Henrique  23/10/2012 07:15
    Os EUA ocupam o 10° lugar no ranking das economias mais livres do mundo e a tendência é cair ainda mais devido a essas medidas protecionistas. Queria aproveitar e agradecer ao pessoal responsável pelo site, estou aprendendo muito com ele.
  • anônimo  24/10/2012 01:16
    Segundo Mitt Romney, mais de 45% do povo americano vive as custas do Estado, isso é liberdade economica? Prq o Brasil que nao tem tantas medidas protencionistas e da bolsa familia àpenas 0,03% do povo esta pior que EUA no ranking de liberdade economica?
  • Leandro  24/10/2012 03:04
    Prezado anônimo, como assim o Brasil "não tem tantas medidas protecionistas" quanto os EUA? Não somos nenhum fã da política comercial americana e seus subsídios agrícolas, mas dizer que eles são mais protecionistas que nós é piada. Você certamente não tem acompanhado a enxurrada de medidas protecionistas que o governo brasileiro vem promulgando recentemente. No mais, a tarifa média de importação nos EUA é de 1,8%. No Brasil, dados defasados indicavam tarifa média de 7,6%. Mas para alguns setores, como o automotivo, tais tarifas chegam a 35%, sem mencionar o terrorismo praticado pela Receita Federal nos aeroportos brasileiros, coisa sem igual no mundo desenvolvido.

    Quanto a viver à custa do estado, por que você considera apenas o bolsa-família? Para começar, o bolsa-família contempla 11 milhões de famílias; e considerando que uma família pobre é formada em média por 4 pessoas, o programa chega a 44 milhões de pessoas -- ou 23% da população, muito acima destes seus fictícios 0,03%. Muito mais correto seria você considerar todas as pessoas que trabalham para o estado em nível federal, estadual e municipal, e todas as pessoas que dependem direta e indiretamente da renda destes funcionários públicos. Garanto que, agindo assim, você chegará a cifras iguais ou superiores a 50% da população.

    Dica: deixe a ideologia e o nacionalismo tosco de lado e procure se informar melhor sobre a realidade do país.
  • anônimo  24/10/2012 12:14
    La nao tem bolsa familia tb, o food stamp?
  • Rodolfo  23/10/2012 04:44
    Prezados curadores deste site,

    gosto muito dos textos publicados aqui, muito bem escritos. Porém tenho muita dificuldade em imaginar os serviços básicos como a legislação, saúde básica, educação básica, segurança e justiça sem um aparato denominado "estado".

    O que acham de fazer um texto abordando este tópico?

    Sds
  • Pedro Ivo  23/10/2012 06:46
    Caro Rodolfo:

    a resposta a estas suas dúvidas esta na seção anarcocapitalismo aqui deste sítio
  • Patrick de Lima Lopes  24/10/2012 05:42
    Se o estado fizesse sapatos, com certeza você teria dificuldade para imaginar como eles seriam feitos em um mundo de liberdade econômica.
  • Rodolfo  24/10/2012 08:19
    Patrick,

    Improvável, porém possível. Mas em que esta sua hipótese ajuda na compreensão da concepção de um sistema sem estado?

    O que a confecção de um produto tem a ver com a elaboração de leis que deverão ser seguidas por toda a população? Ou a criação de uma força de polícia? Ou ainda um sistema judicial?

  • Andre Cavalcante  24/10/2012 09:29
    Rodolfo,

    Não sou o Patrik mas acho que posso te responder:

    "Mas em que esta sua hipótese ajuda na compreensão da concepção de um sistema sem estado?"

    Simples, se a iniciativa privada pode fornecer vários tipos de produtos e serviços, porque não poderia também fornecer segurança, saúde etc.?

    "O que a confecção de um produto tem a ver com a elaboração de leis que deverão ser seguidas por toda a população? Ou a criação de uma força de polícia? Ou ainda um sistema judicial?"

    Mais uma vez, você tem uma visão centrada num estado coercivo fornecendo-lhe todos os tipos de serviço. O que impede um sistema judicial privado? O que impede uma polícia privada? Simples, o governo não deixa, porque quer ter o monopólio da força e da jurisdição em um determinado território.
    Sobre as leis, claro sempre haverá de serem construídas mais leis que as naturais, mas se uma lei qualquer estiver em desacordo com uma natural, nada mais lógico que esta lei criada não dure muito. Na verdade quanto mais nos aproximarmos de um sistema de leis mais próximo ao natural mais serão verdadeiramente seguidas por todos. Já observou que todas as outras leis (que não as naturais) servem exatamente para diferenciar uma pessoa da outra?

    Abraços
  • Rodolfo  24/10/2012 15:06
    Obrigado pela resposta Andre,

    Acredito que você tenha entendido que não estou aqui para refutar e/ou criticar, mas sim entender.

    Sobre a policia, por exemplo: não acha que surgiria um problema do "free rider", isto é, daquele que não contribui mas que é beneficiado pelo serviço, tornando-o mais caro?

    No caso da justiça, poderia ocorrer o inverso, para evitar o free rider somente aquele que pagasse teria direito a acessar o serviço. Mas aí todos teriam que pagar e não tornaria o problema da coerção?

    Percebe porque tenho dificuldade de imaginar esses pontos?

    Abraços
  • Andre Cavalcante  24/10/2012 16:51
    Por favor, há uma série de artigos no site sobre o "problema do carona": Divirta-se.
  • maria  23/10/2012 05:33
    Quanto ao direito de desfrutar livremente dos resultados da criatividade intelectual, o socialismo já lançou o antídoto da imprescindível ajuda que o Estado concede ao empreendedor.
    Aqui no Brasil já está consumado,ou é BNDES ou Fundo de Pensão; e futuramente PPP. Escuto o comentário de que o modelo é muito bom, o Estado entra com a solvência e o empresário entra com o restante do capital e com a capacidade de administrar, reconhecida como melhor que a do Estado.
    Há um técnico do BNDES, que prega a incapacidade do setor privado planejar no longo prazo. (Folha 20/09/2012 - A volta dos bancos de fomento)
    Neste mesmo artigo, há o comentário de que os bancos de fomento na Europa foram fechados porque o clientelismo obrigava que se fizessem recapitalizações.
    Por que aqui no Brasil é, ou será, diferente?
  • Tory  23/10/2012 08:57
    Pois eu "escuto o comentário" que isso vai acabar ressucitando a conta-movimento e sua filha não tão bastarda, a hiperinflação.
  • Andre Cavalcante  23/10/2012 09:31
    Não é e não será? Bancos de fomento servem para aumentar a receita de uns em detrimento de outros, porque justamente são os outros que, via impostos, são os que capitalizam tanto os bancos como os investimentos destes bancos. Lembrar que esses bancos, assim como o estado, não cria nada, ele apenas transfere de uns para outros.
  • Arthur  23/10/2012 10:18
    Simples: não é, nem será. Bancos como o BNDES servem apenas para ajudar os "amigos do rei" (Eike Batista sendo um grande exemplo da atualidade). Resultado, governo e seus amigos mantêm os lucros, e socializam os prejuízos: se bancos ou grande empresas quebram, somos nós que vamos pagar a conta.
  • Estudante de ciências sociais  23/10/2012 08:08
    "todo ser humano tem o direito natural de manter para si os frutos da sua própria criatividade empresarial".

    Direito natural? Na natureza não há direito. Há a lei do instinto e do mais forte. Direito é uma noção exclusivamente humana, que serve para regular e normatizar o tecido social. Ele é produto de outra invenção humana, a ética.
  • Fernando Chiocca  23/10/2012 08:29
    Hehehe, tem que estudar muito ainda...
    Ainda desconhece toda a tradição milenar de direito natural e nem sabe o que quer dizer isso.
    Você já pensou que "natureza" também é uma noção exclusivamente humana?.... ou então que a capacidade de assimlar noções faz parte da natureza humana?...
  • Neto  23/10/2012 08:56
    Mises também não gostava dessa história de direito 'natural'.
    Pelo que sei, ninguém precisa acreditar nisso pra ser libertário.

  • Fernando Chiocca  23/10/2012 10:45
    É verdade Neto. Mises era um utilitarista. Para ele, se a maioria da população quisesse matar uma minoria, ele não tinha nada a dizer sobre isso. Ele apenas esperava que a maioria não escolhesse esse tipo de coisa... mas.. sabemos que esse não é o caso na realidade do mundo. E vc?
    Economia de livre mercado utilitarista
  • Neto  24/10/2012 03:07
    Pelo que entendi desse artigo o que ele Mises falava era que você como ECONOMISTA não tem juizo de valor, mas como ser humano pode ter sim
    Ele pode até nem ter escolhido um juizo de valor bom o suficiente( talvez porque a maioria na época dele não era tão estúpida como a maioria de hoje) mas nada impede que seus seguidores o façam

  • Neto  23/10/2012 09:14
    Só pra deixar claro, eu não to falando que não existir 'direito natural' é uma desculpa pra não ter que seguir o PNA
    O que eu to falando é que seguir o PNA é uma questão de razão, de lógica, e não de 'natural'.
    Na verdade eu acho que de natural mesmo só o instinto de sobrevivência.O resto inteiro, inclusive as coisas que o homem cria que melhoram a vida de todo mundo, são bem artificiais(essa palavra é meio pejorativa mas a intenção não é essa, digo artificial no sentido de derivado, evoluído etc)
  • Estudante de ciências sociais  24/10/2012 06:40
    Ainda desconhece toda a tradição milenar de direito natural e nem sabe o que quer dizer isso.

    Eu entendo o que significa direito natural. Mas o direito não é fruto do capricho da natureza. Ele é criado pelo homem. Não um homem sozinho, isolado, abstrato. Mas real, existente num meio social e histórico. A dinâmica desse meio leva a discursos (sobre os bens, produção, família, etc.) dos quais nascem os direitos. Então a propriedade privada, por exemplo, pode ou não ser um direito. Vai depender do discurso que a sociedade adota sobre a posse dos bens. Nas sociedades primitivas não existe direito à propriedade privada, porque na cultura desses povos o discurso é outro.

    Cabe falar também que pode se travar um embate pela hegemonia do discurso, o que não acontece em sociedades primitivas, pois nestas o consenso é total, não há disputa de discurso, o que não significa que sejam sociedades a-históricas. A propósito, quanto menor a unidade da sociedade, mais surgem disputas de discurso. Aqui no Brasil, por exemplo, cuja sociedade está longe da unidade das sociedades primitivas, existe vários discursos, um deles é o dos direitos das minorias, que vem ganhando terreno há algumas décadas. A medida que ele foi adquirindo legitimidade, foi modificando as leis e criando direitos para as minorias. As mudanças foram e são possíveis porque o direito não é natural.

    Você já pensou que "natureza" também é uma noção exclusivamente humana?.... ou então que a capacidade de assimlar noções faz parte da natureza humana?

    Sim, e daí?
  • Fernando Chiocca  24/10/2012 07:04
    Eu entendo o que significa direito natural. Mas o direito não é fruto do capricho da natureza. Ele é criado pelo homem.

    Errado.
    Não é criado pelo homem. É descoberto; pela razão humana.
    Do mesmo modo que leis da natureza são descobertas, e não criadas pelos homens.

    Então a propriedade privada, por exemplo, pode ou não ser um direito. Vai depender do discurso que a sociedade adota sobre a posse dos bens. Nas sociedades primitivas não existe direito à propriedade privada, porque na cultura desses povos o discurso é outro.

    Não, a propriedade privadanão pode não ser um direito. É um direito.
    E não depende de discursos. A ética é objetiva e não subjetiva.
    Simplesmente não existem alternativas para a ética da propriedade privada.

    O pior foi você dizer tudo isso logo abaixo de um texto que explica exatamente isso.
    Isso é contraditório com o nome que vc escolheu para assinar; "Estudante de ciências sociais"... Sua atitude é de quem veio aqui ensinar (SIC!). Parece que nem leu o texto. Se leu, leia de novo, mas dessa vez com atenção. Bons estudos.

  • Estudante de ciências sociais  25/10/2012 07:20
    Errado.
    Não é criado pelo homem. É descoberto; pela razão humana.
    Do mesmo modo que leis da natureza são descobertas, e não criadas pelos homens.


    Mas não é a razão sozinha que descobre as leis da natureza. Ela isolada não serve a produção do conhecimento cientifico moderno. Para gerar este, a razão precisa estar articulada com a análise experimental.

    Assim funciona a ciência moderna. Diferentemente da ciência antiga, na qual a razão podia operar sozinha. O dado experimental podia até ser usado, mas sem qualquer rigor. Ele era secundário. Esse método levou os cientistas antigos a pensarem várias coisas que foram refutadas pela ciência atual, como que corpos de massas diferentes tinham tempos diferentes de queda, desprezando-se a resistência do ar.

    Não, a propriedade privadanão pode não ser um direito. É um direito.
    E não depende de discursos. A ética é objetiva e não subjetiva.


    Vc está tomando a ética, no sentido de código moral, como se ela fosse um objeto da ciência moderna. Como se um principio moral fosse tal qual uma verdade cientifica. São coisas diferentes. Mas isso não significa que não há certo e errado.
  • Andre Cavalcante  25/10/2012 08:03
    Caro Estudante de ciências sociais.

    Permita-me um aparte.

    Sugiro você ficar somente com as ciências sociais e não entrar muito no campo das "naturais".

    Você não percebe que é a razão humana a descobridora dos princípios e das leis naturais.

    A explicação de que os corpos caem por que existe uma força da gravidade (Newton) ou porque as velocidades relativas dos corpos geram acelerações em uma diração ou outra (Einstein) são explicações tão boas quanto à explicação dos gregos (Aristóteles) de que cada corpo tinha um lugar natural, assim o ar ia para cima, e a água para baixo. Da mesma forma se alguém apanhava uma doença e ficava curado, o ritual do pajé na tribo ser o responsável pela cura é uma explicação tão boa quanto o médico lhe dizer que é uma virose e que em 2 dias o teu sistema imunológico dará conta do vírus e ficarás bom.

    O que faz tu aceitares melhor o médico do que o pajé é apenas como tu usas a tua razão, mas a lei natural, existe! Em outras palavras, tu podes até mudar a forma como vês os fenômenos naturais, mas ele tá lá. Não necessita de nada, a não ser a razão para percebê-lo.

    Dizemos que a ética da liberdade é uma lei natural e é difícil percebê-la, porque tu a usas todos os instantes da tua vida e, por isso mesmo, não percebes. A quebra de tal direito é sempre forçado e perceptível.

    Sugiro fortemente que releias o texto do de Soto.

  • Angelo Noel  23/10/2012 09:03
    Pô, estudante, se moral não existe no mundo físico, holocausto tá liberado?!
    E também tá liberado usar sistemas cognitivos (virtuais) como o raciocínio lógico e fala pra explicar o que é uma pedra?!

  • Jeferson  23/10/2012 11:23
    "No mundo físico", sim. Tanto que em toda a história da humanidade ocorreram diversos massacres, guerras e toda sorte de atrocidades, e nenhuma "força física" ou "natural", nem mesmo "divina", impediu seu acontecimento. No mundo moral é que não "tá liberado", mas como bem colocado, toda ética e moral são artificiais. Eu também não gosto do nome "direito natural", acho que ele traz implícito um apelo que não reflete a realidade.
  • Angelo Noel  24/10/2012 07:24
    Jeferson,

    o que você me explicou é obvio, mas recursos naturais escassos e moralidade são noções desconhecidas pra animais irracionais e seres humanos mentalmente incapazes e eu te garanto que os caras no estado responsáveis de impostos e guerras tem capacidade suficiente pra saber o que é certo e o que é errado.
  • Gustavo BNG  23/10/2012 15:01
    A confusão sobre Direito Natural ocorre por causa da falta de conhecimento, principalmente sobre o mais básico: a definição de "natural". A expressão Direito Natural surgiu há muitos séculos, quando a definição de "natural" ainda não era de sem interferência [de alguém] e sim de adequado ao objetivo existencial da criatura.
    Tal confusão tem originado não poucas divergências no mundo moderno, até mesmo entre pessoas nada inclinadas a divergirem entre si.

    Fiquem com Deus!
  • anônimo  25/10/2012 10:17
    Merecia um artigo inteiro sobre isso
  • Gilmar Rodrigues  24/10/2012 13:03
    Um ponto muito importante levantado pelo texto e que não deve ser ignorado é que o Estado retira incentivos para a cooperação e a ajuda entre pessoas, não só na forma de caridade, mas também no sentido de desestimular a verdadeira produção coletiva que é criada de livre acordo entre partes.

    Ao retirar recursos através de impostos e criar programas assistencialistas o Estado passa a fornecer uma assitência impessoal e distante, burocrática, mas isso não beneficia ninguém, uma ajuda pessoas sim é capaz de verdadeiramente ajudar e transformar pessoas em desvantagem, quanto ao empreendedorismo coletivo é só ver como áreas ainda pouco regulamentadas como as indústrias de software e criativa são diversas vezes criadas por grupos coletivos, o Estado quando incentiva micro-empresas por exemplo faz apenas para um único indivíduo ou família, limitando suas possibilidades.
  • Ari  25/10/2012 09:26
    Eu fico muito satisfeito de poder adentrar nesse tipo de conhecimento - Nunca foi, nemde longe a minha área, no entanto, eu me identifico e começo a pensar sobre o tema e surge utilidade para a maior parte das coisas da vida. Fosse eu mais jovem, me dedicaria ao estudo da economia deste ponto de vista.
    Assim que ouvi falar em direito natural entendi um monte de coisa imediatamente, que começou a fazer sentido, é um conceito, realmente, que já temos, que faz parte da vida e quando estamos livres de doutrinações faz logo sentido.
    A propriedade privada, tal qual aprendemos na escola, com professores marxistas, pesa sobre o nosso juizo, principalmente para quem tem origem cristã, deletando a verdadeira noção de caridade e substituindo pela filantropia do estado babá. Não é atoa que os coletivismo têm grande sucesso em sociedades cristãs, como Russia, Mexico, Brasil e até mesmo na China, pela ética budista, penso eu. O apelo coletivista tanto nos jovens, neófitos ou nos leigos, em geral é como uma bomba que demora a discipar o efeito.
    Este texto é super pertinente, como dizem os progressistas, (risos)E, deveria ser lido nas escolas para curar os pobres jovens do efeito das lavagens cerebrais montadas em quase todas as escolas de Banânia.
    Parabéns. E vai um pedido. Do ponto de vista dessa escola, tem algum texto que você me indique sobre a questão do indio brasileiro, já que esse assunto convida-nos a debates constantes e imediatos?
    Eu encontro mesmo entre libertários, pensamentos confusos e indignados, ora em favor da preservação do indiozinho roussoniano, ora mandando-os Às favas.
    Bem, Deus vos ilumine!


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