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O protecionismo pode elevar os salários?

Investiguemos se ocorre ou não uma injustiça para com você quando o governo legislativamente decide determinar de quem você pode comprar os bens dos quais necessita — pão, carne, roupas ou artigos de cama e mesa —, bem como a escala artificial dos preços que você deve adotar em suas transações.

Seria verdade que o protecionismo, o qual admitidamente encarece os produtos que você compra e, nesse sentido, lhe impõe uma perda, aumenta proporcionalmente os seus salários? 

O que determina os salários?

Falando simplificadamente, porém ainda assim realisticamente, quando dois trabalhadores correm atrás de um empregador, os salários caem; quando dois empregadores vão atrás de um trabalhador, os salários sobem.

Em prol da brevidade, permita-me fazer uso desta fórmula um tanto científica, embora, talvez, não muito clara: os salários dependem da proporção entre a oferta de mão-de-obra e a demanda por ela.

Agora, o que determina a oferta de mão-de-obra?

O número de indivíduos em busca de emprego.  Apenas isso.  E, em relação a este fator, o protecionismo não possui efeito algum.  Aumentar ou diminuir tarifas não altera a quantidade de pessoas economicamente ativas em uma economia.

E o que determina o nível dos salários?

Todo o capital disponível em uma nação — isto é, a quantidade e a qualidade de ferramentas que auxiliam o trabalhador a efetuar seu trabalho, tornando-o mais produtivo.  Quanto maior a quantidade de capital disponível, maior tende a ser o salário do trabalhador.

Mas será que uma lei que diz que "Não mais adquiriremos determinado produto do exterior; vamos fabricá-lo nacionalmente" pode aumentar o capital?  Nem sequer infimamente.  Tal lei pode, no máximo, alterar o emprego do capital, retirando-o de um setor e direcionando-o para outro setor; mas ela não pode efetuar a mágica de aumentar a quantidade de capital disponível.  Consequentemente, se tudo o que houve foi um rearranjo de capital, esta lei não pode elevar a demanda geral por mão-de-obra.

Escolha o leitor um setor manufatureiro que lhe dá orgulho.  O capital que ele utiliza e que o mantém caiu da lua?  Não.  Este capital foi retirado da agricultura, do setor marítimo, da produção de bebidas.  E é por essa razão que, sob o sistema de tarifas protecionistas, existem mais trabalhadores em nossas minas e em nossas cidades industriais, e menos marinheiros em nossos portos e menos agricultores em nossos campos e vinícolas.  Eu poderia discorrer detalhada e longamente sobre este assunto, mas prefiro explicar meu ponto com um exemplo.

Um homem do campo possuía 20 acres de terra, no quais ele trabalhava com um capital de $400.  Ele dividiu sua terra em quatro partes e estabeleceu o seguinte esquema de rotação de culturas: 1º, milho; 2º, trigo; 3º, erva; 4º, centeio.  Ele destinava à sua própria família apenas uma porção moderada dos grãos, da carne e do leite que sua fazenda produzia, e vendia todo o excedente para comprar azeite, linho, vinho etc.  Todo o seu capital era gasto anualmente em salários, contratações e pequenos pagamentos para os trabalhadores que ofertavam serviços em sua vizinhança.  Mas todo este capital era recuperado com a receita das vendas de sua produção.  Mais ainda: ele crescia ano após ano. 

Este homem do campo, sabendo perfeitamente que o capital nada produz caso não esteja sendo devidamente utilizado, beneficiava a classe trabalhadora de sua vizinhança ao contratá-la, com seus excedentes anuais, para fazer serviços de manutenção em suas terras, bem como para aperfeiçoar seus instrumentos agrícolas e suas instalações.  Ele também possuía uma poupança depositada no banco da cidade mais próxima, cuja gerente, obviamente, utilizava esta poupança para conceder empréstimos para outros empreendedores, de modo que esta poupança se transformava em investimento e renda.

Após um longo tempo, este homem do campo morreu, e seu filho, que o sucedeu, disse para si próprio: "Meu pai foi um tolo durante toda a sua vida.  Ele gastava dinheiro comprando azeite sendo que nossa própria terra, com algum esforço, pode passar a produzir azeitonas.  Ele gastava dinheiro comprando tecidos, vinho e laranjas sendo que podemos cultivar cânhamo, parreiras e laranjeiras com relativo sucesso.  Ele gastava dinheiro com moleiros e tecelões sendo que nós mesmos podemos tecer nossos linhos e moer nosso trigo.  Desta forma ele desnecessariamente gastou com estranhos todo o dinheiro que ele poderia ter gasto em nossa própria fazenda."

Iludido por tal raciocínio, o obstinado jovem alterou todo o sistema de rotação de cultura.  A terra foi agora dividida em 20 porções.  Em uma ele plantou azeitonas, em outra ele plantou amoreiras, em uma terceira ele plantou linheira, em uma quarta ele plantou parreiras, em uma quinta ele plantou trigo, e assim por diante.  Ao fazer isso, ele conseguiu suprir sua família com tudo aquilo de que ela necessitava, e por isso passou a se sentir muito independente.  Ele não mais adquiria nada de fora da fazenda, o que significa que ele não retirava nada de circulação.  Da mesma maneira, ele não mais acrescentava nada à economia.

Ele ficou mais rico por causa disso?  Não.  O solo não estava adaptado para o cultivo da parreira, e o clima não era adequado ao cultivo satisfatório das azeitonas.  Não demorou muito para ele perceber que sua família estava agora menos provida do que na época de seu pai, que, ao comercializar o excedente de tudo o que produzia, conseguia prover fartamente a família com tudo aquilo que ela queria.

E no que diz respeito à classe trabalhadora da sua vizinhança, tais pessoas não tinham agora mais emprego do que antes.  Havia de fato cinco vezes mais campos cultivados, mas cada um deles era cinco vezes menor; eles produziam azeite, mas produziam menos trigo; o fazendeiro não mais tinha de comprar linhos, mas também não mais vendia centeio.  Adicionalmente, este fazendeiro podia gastar com salários apenas a quantia de seu capital, e seu capital havia diminuído consideravelmente.  Uma substancial fatia dele havia sido direcionada para a construção de novas instalações e para a obtenção dos vários instrumentos necessários para os cultivos mais diversificados em que ele agora estava incorrendo.  Em suma, a oferta de mão-de-obra permaneceu a mesma, mas dado que os meios de remuneração da mão-de-obra diminuíram, o resultado final foi uma forçosa redução dos salários.

Em uma escala mais ampla, isso é exatamente o que ocorre no caso de uma nação que se isola do mundo ao adotar tarifas protecionistas.  É verdade que tal medida pode gerar uma multiplicação de alguns setores específicos da indústria nacional, mas estes passam a apresentar uma escala menor.  Esta nação passa a adotar um sistema, por assim dizer, mais complicado de 'rotação de indústrias'.  Mas isso não será produtivo porque seu capital e sua mão-de-obra têm agora de lutar contra dificuldades naturais.  Uma maior fatia de seu capital circulante, o qual é utilizado para o pagamento de salários, terá de ser convertido em capital fixo (máquinas, equipamentos e instalações).  O que sobrar deste capital poderá ser empregado em funções variadas, mas a questão é que a massa total não foi aumentada.  É como distribuir a água de um grande reservatório entre vários pequenos reservatórios — uma maior área do solo será coberta e uma maior superfície estará exposta aos raios do sol, e a consequência inevitável é que toda essa água será absorvida, evaporada e perdida mais rapidamente.

A quantidade de capital e de mão-de-obra sendo constante, ambos criarão proporcionalmente uma menor quantidade de mercadorias sempre que tiverem de lidar com mais obstáculos.  Não há dúvidas de que, sempre que obstruções internacionais forçarem capital e mão-de-obra a serem canalizados para setores em que haja mais dificuldades com o solo e com o clima, o resultado geral será, inevitavelmente, a criação de menos produtos — o que significa um menor padrão de vida para todos.

O que nos leva à pergunta final.  Se o padrão de vida como um todo diminuiu, a fatia dos trabalhadores neste todo aumentou?  Ora, se o padrão de vida dos trabalhadores de fato aumentou, como alegam os protecionistas, então isso significa, por definição, que o padrão de vida dos ricos — aqueles que criaram as leis — não apenas diminuiu, como ainda teve de diminuir em uma intensidade maior do que o aumento ocorrido na fatia dos trabalhadores.  Isso é possível?  Isso é crível?  Por isso, fica aqui meu alerta para vocês, trabalhadores: rejeitem essa duvidosa "generosidade". 

O protecionismo serve apenas para encarecer produtos, proteger poderosos contra a concorrência estrangeira, reduzir a acumulação de capital e solapar a divisão do trabalho.  E o que é mais importante: os salários gerais, como demonstrado, não terão como ser elevados.



autor

Frédéric Bastiat
foi o grande proto-austrolibertário cujas análises polêmicas ridicularizavam todos os clichês estatistas.  Seu desejo primordial como escritor era passar às pessoas, da maneira mais prática possível, a urgência moral e material da liberdade.

  • Gabriel Miranda  04/10/2012 05:20
    Alguém sabe onde encontrar mais material de Bastiat traduzido, além do que já se encontra no IMB e no Ordem Livre, para divulgação?

    Considero Bastiat o melhor autor para, inicialmente, apresentar as ideiais liberais aos leigos. Escrita fluente e de agradável leitura.
  • Roberto Chiocca  04/10/2012 13:47
    Gabriel, acho que temos publicado aqui no IMB tudo de Bastiat que já foi traduzido para o português, espero estar errado, mas acredito estar correto.
  • Gabriel Miranda  05/10/2012 05:38
    Pois é, Roberto. Eu já desconfiava disso. É uma pena não termos mais da obra de Bastiat traduzido. Na net, é possível encontrar outros ensaios de Bastiat em francês e inglês. Bem que alguém poderia animar e fazer a tradução.
  • Cedric  04/10/2012 10:58
    Bastiat, surpreendentemente claro como sempre.
  • Fabio  04/10/2012 16:48
    Muito bom o texto.
  • Pedro  04/10/2012 18:26
    Tenho uma sugestão de artigo. Eu até escreveria se tivesse talento e conhecimento suficientes, mas não tenho.

    O tema é "sistema bancário brasileiro: porque é tão ruim?".

    Causas não são poucas: depósitos compulsórios, regulações do governo, barreiras de entrada a novos bancos, etc.
  • Valmir  25/07/2013 15:19
    Talvez consiga encontrar algumas informações que precisa no livro de Andre Lara Rezende (Os limiteis do Possível). Ele aponta algumas jabuticabas do sistema financeiro. Só não te explico algo aqui porque o livro é bem complexo e eu não tenho conhecimento tão profundo de economia para resumir o cara.
  • Quid  04/10/2012 21:24
    Veja se o link abaixo atende suas expectativas.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

    Abraços
  • Diogo  05/10/2012 12:53
    Bastiat realmente foi um grande pensador. Sou um grande fã.

    Protecionismo é uma grande falácia onde muitos são iludidos.
  • Breno L.  06/10/2012 23:10
    O exemplo descrito é um raciocínio simples e genial. No entanto, ele é pouco intuitivo para a maioria das pessoas, que tendem a acreditar que em uma transação, quem oferece os produtos é o grande beneficiário, quando, na verdade, ela gera riqueza para todas as partes.

    Assim, infelizmente, há muito espaço para qualquer Governo hastear a bandeira do Protecionismo...
  • anônimo  07/10/2012 01:05
    Excelente!

    Toda vez que alguém perguntar o que é o custo Brasil, este texto deve ser mostrado. Muito além do salário, o próprio valor das coisas é maior não só pelo excesso de tributação, como também porque ele pode cobrar mais caro, visto que as tarifas sobre as importações praticamente dobra o valor das coisas!

    O pior disso é que nosso acesso a TECNOLOGIA é caro e, por isso, restrito! Junte também o modelo fechado do setor de telecomunicações, que apesar de não ser estatal, não permite a livre concorrência (e não vou entrar no mérito da necessidade das licitações) e temos um estado que impede a evolução de sua população.

    Lamentável que existam pessoas que louvam o protecionismo, pior ainda que uma parte deles nos governe. Mas estes ultimos tiram o deles por fora, o que os outros ganham?
  • Marcos Campos  08/10/2012 08:25
    Eu só não entendo como um produto fabricado aqui no Brasil como Automóveis e Refrigerante de guaraná, podem ser vendidos mais baratos no exterior do que no seu país de origem. A conta não fecha na minha cabeça, onde esta a fraude nisso, deve haver uma investigação para avaliar esta situação incomoda.

    Porque um Fiat Palio fabricado em MG é vendido a R$40mil aqui no Brasil e o mesmo é exportado e vendido no CHILE por R$20mil? Alguns diriam que é nossa tributação, mas então?! Para ser produzido e exportado também não foi tributado? De onde vem o restante do valor? Que lucro é esse, que é facilitado pelo sobrenatural?

    Ainda não vi nenhum artigo desse assunto aqui no IMB.

    Eu sei que mesmo caro já vivemos um apagão urbano, mas que se dane isso, eu quero comprar um Palio por R$10mil no máximo, que é o que eu acho que vale. É meu direito ficar engarrafado com um produto que tem um valor verdadeiro.
  • Luis Almeida  08/10/2012 09:17
    Como assim nunca viu artigo sobre isso? É quase uma ofensa isso.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1027
  • anônimo  26/07/2013 00:29
    "Alguns diriam que é nossa tributação, mas então?! Para ser produzido e exportado também não foi tributado?"

    A carga tributaria que incide sobre produtos destinados ao exterior eh menor que a carga tributaria que incide sobre os produtos que ficam no pais para consumo interno.

    Nao so a carga tributaria eh menor, o governo ainda oferece "incentivos" a exportacao. Essencialmente, nos brasileiros subsidiamos cada produto destinado ao exterior. Voce sabe, eh porque somos um pais rico e temos uma obrigacao moral de ajudar os outros.

    Pesquisa rapida no google: www.exporta.sp.gov.br/2004/pages/popPasso.asp?id=6

  • Martius  26/07/2013 15:25
    Olá Marcus!

    Não sei se recorda que, quando o Jac J3 chegou, com a proposta de carro completo a preços menores, conseguiu boas vendas, puxando o preço dos concorrentes para baixo, especialmente o Fiesta Rocan; como este fato estava ocorrendo em vários segmentos, onde os importados I30, QQ, Cerato, etc. obtinham boas vendas, a indústria nacional, ao invés de melhorar seus produtos, ou abaixar seus preços, simplesmente apelou ao governo; este, por sua vez, criou um infame imposto adicional de importação de 30%, solapando completamente a livre concorrência, e condenando todo o povo a pagar mais caro pelos produtos, em benefício de umas poucas pessoas.

    Sobre engarrafamentos, infelizmente às vezes tenho de ouvir pessoas dizendo que é pelo fato de hoje o pobre ter acesso ao automóvel; ou seja, se é pobre, tá na merda, então tem de continuar lá, não pode melhorar! Todo mundo indo ao mesmo local ao mesmo tempo, com seu carro, realmente é o caos, todavia, se tivéssemos acesso a um bom transporte coletivo, como um metrô, eu facilmente deixaria meu carro na garagem para fazer uso daquele outro, assim como muitas outras pessoas.
  • Guilherme P M  21/10/2012 13:22
    Excelente critica ao protecionismo. É pavoroso as atitudes de países emergentes que acreditam que a independência econômica é a solução para seus problemas internos. O exemplo utilizado por Bastiat mostra perfeitamente como isso não funciona na prática.

    Iludidos pelas políticas de esquerda, os BRICs agora estão percebendo que um governo forte com altas cargas tributárias não funciona por muito tempo. Com a baixa nos preços das commodities Brasil e China são forçados a tomar atitudes que são características de um governo liberal para continuar a crescer.

    No caminho certo, é o termo que eu uso para caracterizar as atitudes do governo brasileiro (mas ainda há muito a ser superado). O PAC das concessões e a redução nas tarifas de energia irão proporcionar mais alívio aos empreendimentos no país.
  • Felipe de Lima  25/07/2013 16:15
    Saudações caros amigos do IMB,

    Não querendo fugir do cerne dos comentários em questão, mas, eu gostaria de obter um esclarecimento com respeito à carga de tributos.Eu geralmente ouço falar que os ricos pagam menos impostos do que os pobres, porém não entendo o que levam as pessoas a dizerem isso.Eu sempre imaginei que, primeiramente, tanto o rico como o pobre, são pessoas, que consomem produtos em comum, como alimentos moradia etc... que possuem a mesma carga de impostos.Além disso, o rico ainda tem acesso a demais bens, que também possuem uma carga tributária, sem falar que eles ainda tem de pagar imposto de renda, e por ae vai.E estes índices até me fazem crer que na verdade quem mais possui capital, e quem mais consome, é o que paga mais impostos, falando tanto em termos absolutos, como em termos relativos.Gostaria de uma luz neste assunto, para saber se estou errado, ou não.

    Abraços!
  • Desiludido  25/07/2013 17:44
    Felipe,

    Não sou especialista em tributos, mas creio que a afirmação que os Ricos pagam mais imposto vem de 2 fatos:

    1 - A maior parte da carga tributaria brasileira vem de impostos sobre valor adicionado aplicados no ato do consumo (IPI e principalmente o ICMS, o grande vilão);

    2 - Cidadãos com menor renda tendem a gastar maior percentual de sua renda com o consumo - quem possui renda maior faz aplicações, poupança, investe e empreende.

    Combinando as duas coisas, afirma-se que o sistema tributario é "regressivo" porque ao gastar quase toda sua renda com consumo próprio, o pobre se expõe mais aos impostos sobre consumo - justamente os mais pesados. Talvez para se contrapor a essa "tendência", nossa constituição prevê o Imposto sobre Grandes Fortunas - o qual espero que nunca seja regulamentado .

    Tem vários artigos no IMB sobre impostos (não li todos, infelizmente), talvez algum deles faça uma análise do sistema brasileiro. Certamente alguém com mais conhecimentos do que eu deve te dar uma resposta mais completa.

  • Felipe de Lima  25/07/2013 18:17
    Prezado Desiludido,

    Obrigado por responder ao meu comentário.Tendo lido o que escreveu, eu ainda estou incrédulo desta questão, pois só por que o pobre não tem o mesmo poder aquisitivo, isso por si só não altera o fato de que os poucos produtos que ele consegue consumir possui a mesma carga tributária que uma pessoa que possui, por exemplo, um poder aquisitivo 4 vezes maior pode consumir.E é isso que também me serve como argumento para contrapor à regulamentação de sobretaxar grandes fortunas (grandes capitais), pois só aumentar a taxa de quem tem mais não vai fazer com que o poder aquisitivo do pobre aumente, ou que os tributos dos produtos diminua, apenas vai aumentar a captação de recursos pelo Estado.Enfim, eu espero que alguém me mostre onde eu ainda não consegui enxergar.

    Abraços!
  • Leandro  25/07/2013 18:18
    "Eu geralmente ouço falar que os ricos pagam menos impostos do que os pobres, porém não entendo o que levam as pessoas a dizerem isso."

    O raciocínio por trás desta afirmação parte do pressuposto de que, em termos de porcentagem de sua renda total, o rico paga menos imposto do que o pobre.

    Por exemplo, suponha que uma cesta básica custe R$500. Destes R$500, suponha que R$175 são impostos.

    Para um pobre cujo salário seja de R$1.000, a carga tributária de R$175 equivale a 17,5% da sua renda. Para um "rico" cujo salário seja de R$5.000, a carga tributária de R$175 equivale a 3,5% da sua renda.

    Porém, como você próprio disse, dado que o rico tende a consumir mais em termos absolutos, a quantidade de impostos que ele irá pagar será maior, também em termos absolutos.

    Esse assunto foi abordado em mais detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=769
  • Felipe de Lima  25/07/2013 19:08
    Olá Leandro,

    Como sempre com explicações diretas e simples de entender!=)
    Agora, pode ser que eu esteja errado mas, sinceramente, na minha humilde opinião, essa "constatação" não passa de uma maldita redundância com fins bem tendenciosos!É quase o mesmo que dizer que o rico consome mais que o pobre, por que ganha/tem mais que o pobre!=S

    Em termos de carga tributária, ambos são igualitariamente tributados.Agora, se após o consumo das "necessidades básicas", o pobre não tem mais dinheiro pra consumir ou poupar, não significa necessariamente que ele "pagou mais impostos".Dessa forma, teríamos então várias "tarifas de taxação", de acordo com a renda de cada um...=S
    Ou seja, para mim parece mais um malabarismo com números/indicadores, para tentar justificar a tributação proporcional à riqueza dos indivíduos.
  • Leandro  25/07/2013 19:18
    Prezado Felipe, concordo com você. Agora, falta explicar isso pras vacas...

    Abração.
  • saoPaulo  26/07/2013 12:01
    Aí que comecam as contradicoes de quem defende que uma das finalidades do estado é a distribuicao de renda...

    Ora, se supormos que uma das razoes de existir do estado é tornar a renda dos seus habitantes mais igualitária, que sentido há em taxar os pobres para, depois, lhes devolver o mesmo dinheiro? Isso sem levar em consideracao os custos e desperdícios de enviar o dinheiro a Brasília (notem o eufemismo para roubo...).

    O mínimo que os defensores da distribuicao de renda deveriam exigir é a eliminacao total de impostos sobre todos os artigos utilizados pelos mais pobres, como alimentacao, vestiário, moradia, transporte, etc. Nao tornaria o imposto, progressivo ou nao, mais moral. Mas seriam mais coerentes ao buscar uma maior eficiência em um ponto que afirmam ser tao crucial. Além disso, seu ódio contra os mais ricos ficaria explícito.

    Mas claro, isso se realmente estivessem preocupados com uma "renda igualitária". Na verdade, tudo o que almejam é mais dinheiro e poder correndo pelas suas maos. Hipócritas.
  • Carlos Marcelo  20/12/2013 01:44
    Vocês poderiam escrever um artigo comentando sobre o livro pró-protecionismo "Chutando a escada"?
  • Leandro  20/12/2013 06:20
    Esse livro é apenas propaganda protecionista em prol dos grandes conglomerados coreanos. O autor, Ha-Joon Chang, é especialista nisso. E o pior é que ele faz isso com credenciais acadêmicas, o que traz mais respeitabilidade ao mercantilismo. Os políticos e os grandes empresários que têm pavor da concorrência adoram.

    Não há nenhuma dúvida de que protecionismo é bom para as grandes indústrias e seus empregados, mas resta ainda alguém explicar como é que restringir as opções de consumo, diminuir a oferta e encarecer os produtos disponíveis pode ser algo bom para o enriquecimento da população.

    O grande problema do livro é que ele confunde abertamente correlação com causalidade, algo imperdoável em economista. O argumento é que, "dado que a Coréia do Sul implementou tarifas protecionistas e suas empresas cresceram, então obviamente todos os países deveriam se fechar para enriquecer". Não há um só debate no livro sobre a possibilidade de a Coréia ter se desenvolvido ainda mais caso não houvesse implementado tais tarifas (daí a confusão entre correlação e causalidade).

    Aliás, esse é exatamente o histórico de Hong Kong e Singapura (que o autor do livro parece ignorar). Ambos os países eram grandes favelas a céu aberto na década de 1970 e hoje têm as maiores rendas per capita do mundo. E jamais aplicaram políticas protecionistas. Ambos são mais ricos que a Coréia do Sul em termos per capita. E olha que ambos são asiáticos -- logo, possuem relativamente a mesma cultura.

    Outro erro grave do livro é dizer que "o livre comércio funciona bem somente na fantasia do mundo teórico da concorrência perfeita". Ora, quem primeiro fez o argumento em prol do livre comércio foi David Ricardo, ainda no século XIX, e seu argumento jamais se baseou em tal teoria, que nem sequer havia sido inventada à época.

    Aliás, com dados pra lá dúbios. Por exemplo, Chang se limita a analisar apenas os países que se desenvolveram no século XIX, e afirma que eles se desenvolveram porque adotaram políticas protecionistas em determinados setores; mas ele não analisa todas as políticas adotadas. E em momento algum ele analisa os países que não se desenvolveram, pois isso mostraria que tais países adotaram com ainda mais intensidade exatamente as políticas que ele defende.

    A teoria indica que tais países protecionistas teriam se desenvolvido ainda mais (com empresas mais competitivas e população mais educada) caso o comércio fosse mais livre. O livro não faz essa contraposição de ideias, pois trabalha exclusivamente com dados empíricos.

    Mais especificamente sobre a Coréia do Sul, não é verdade dizer que ela "era pobre e aí foram adotadas políticas intervencionistas e aí ela enriqueceu". Mesmo porque isso é econômica e logicamente impossível. O que o general Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

    Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

    Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

    Caso domine o inglês:

    mises.org/daily/2001

    mises.org/daily/2960


    Por fim, vale ainda lembrar que o Chang se gaba de ter influenciado acadêmica e economicamente o Rafael Corrêa. Um orgulho só.

    en.wikipedia.org/wiki/Ha-Joon_Chang


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