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O Banco Central americano quer realmente acabar com o dólar


Vídeo de Ben Bernanke ainda criança
Com o anúncio, na semana passada, de que o Federal Reserve irá "aumentar sua política de acomodação monetária comprando títulos hipotecários a um ritmo de US$40 bilhões por mês", o presidente da instituição, Ben Bernanke finalmente — e decisivamente — jogou suas cartas na mesa.  E confirmando aquilo que eu venho dizendo há anos, tudo o que ele tinha para apresentar no final era mais do mesmo: retórica e vácuo. 

Indo mais longe do que jamais fora até então, ele deixou claro que irá, de maneira permanente, amarrar a economia americana a uma estratégia perdedora.  Como resultado, o dia 13 de setembro de 2012 pode ser considerado o dia em que os EUA finalmente jogaram a toalha.

Eis um esboço do plano do Fed: comprar centenas de bilhões de hipotecas anualmente com o intuito de reduzir os juros das hipotecas e, com isso, estimular os preços dos imóveis, desta forma encorajando as pessoas a construir e a comprar imóveis.  A ideia por trás de tudo é repetir exatamente o mesmo erro consumista que causou a crise: sempre que seus imóveis se apreciarem, o indivíduo deverá ir ao banco e, utilizando como colateral a valorização do seu imóvel, conseguir uma linha de crédito para gastar com bens de consumo.

Adicionalmente, o Fed espera que esse dinheiro extremamente barato irá estimular os preços das ações de modo que Wall Street e demais compradores de ações se sintam mais ricos e saiam gastando desvairadamente.  É claro que ninguém do Fed irá admitir que essa é a intenção, mas, em vez de construir uma economia baseada na produtividade, na produção e na acumulação de riqueza, Bernanke está tentando construir uma nova economia baseada na alavancagem, na confiança e em preços crescentes de ativos.  Em outras palavras, o Fed prefere a ilusão do crescimento à reestruturação necessária para permitir o crescimento genuíno.

O problema que passou despercebido pelos jornalistas é que tal estratégia não tem nada de nova: ela já foi tentada antes e terminou em desastre.  Foi uma política monetária frouxa o que criou a bolha imobiliária e a bolha do mercado de ações da última década, cujos estouros quase destruíram a economia americana.  Aparentemente, para Bernanke e sua corte, "quase" ainda não é o bastante.  É preciso mais.  Por isso, eles estão de volta com tudo, ávidos para finalizar o serviço que ainda não conseguiram realizar.  Mas, desta vez, eles estão portando armas de calibre muito maior.  Não somente eles querem derrubar os juros das hipotecas para níveis históricos, como também irão comprar todas as hipotecas!

Ano passado, o Fed lançou a chamada "Operation Twist", a qual havia sido criada para reduzir as taxas de juros de longo prazo e, com isso, tornar mais plana a curva de rendimento dos juros [tecnicamente chamada de yield curve ou até mesmo de 'estrutura a termo das taxas de juros'].  Sem criar qualquer benefício real para a economia, a medida expôs os pagadores de impostos americanos, bem como todos os detentores de ativos denominados em dólares, aos riscos de se reduzir a data de vencimento de US$16 trilhões da dívida do governo americano.  Tal reposicionamento serviu apenas para deixar o Tesouro ainda mais exposto às inevitáveis consequências dolorosas que ocorrerão quando houver um aumento nas taxas de juros. 

No entanto, as políticas anunciadas na semana passada causarão ainda mais estragos do que a "Operation Twist".  Não tenha dúvidas: qualquer um que esteja em posse de dólares, de títulos do Tesouro americano, ou que esteja vivendo de renda fixa terá seu poder de compra roubado por estas ações.

Como previsto pela teoria, as rodadas anteriores de "afrouxamento quantitativo" (quantitative easing — QE), mero eufemismo para injeção de dinheiro na economia, nada fizeram para restaurar a economia americana ou para sequer colocá-la no caminho da recuperação real.  O país está hoje mais endividado, com mais pessoas sem emprego, e com problemas fiscais muito mais sérios e profundos do que aqueles que existiam antes de o Fed embarcar neste caminho ruinoso.  Tudo o que os defensores do ativismo monetário do Fed têm a dizer é que as coisas teriam sido piores sem os estímulos.  Embora argumentos contrafatuais sejam difíceis de serem provados, não tenho dúvidas de que as coisas teriam de fato sido mais dolorosas no curto prazo caso as autoridades tivessem permitido que os desequilíbrios da economia se corrigissem sozinhos.  No entanto, em troca desta dor de curto prazo, a economia americana já estaria hoje no caminho da recuperação real.  Em vez disso, no entanto, preferiu-se sustentar um modelo artificial de endividamento e gastança que jogou o país para ainda mais longe dos fundamentos sólidos necessários para uma recuperação.

Em decorrência do fato de as iniciais de quantitative easing — QE — terem trazido à mente os famosos navios de cruzeiro Queen Elizabeth, várias pessoas compararam as medidas do Fed a embarcações gigantes que são carregadas e então lançadas ao mar.  Porém, levando-se em conta os planos recém-anunciados, a analogia não mais se aplica.  Dado que os novos compromissos assumidos pelo Fed são de duração declaradamente ilimitada, a nova rodada (a terceira) de quantitative easing pode ser mais corretamente comparada a uma esteira rolante que despeja dinheiro farto e barato na economia.  A única variável que se altera é a velocidade em que a esteira irá se movimentar.

Felizmente, as toscas limitações desta única ferramenta que o Fed pode utilizar — imprimir dinheiro — estão se tornando mais explícitas para os mercados.  Se formos nos ater às metáforas náuticas, o QE3 afundou antes mesmo de ter deixado o porto.  A medida havia sido explicitamente planejada para reduzir as taxas de juros de longo prazo, mas estas aumentaram de maneira significativa imediatamente após o anúncio.  Os investidores finalmente se deram conta de que um compromisso ilimitado de comprar títulos significa que a inflação e o enfraquecimento do dólar irão destruir quaisquer ganhos nominais porventura fornecidos pelos títulos.  Como que para ressaltar este ponto, o anúncio do Fed também provocou uma acentuada venda de títulos do governo americano e de dólares, além de uma forte corrida para as commodities, especialmente para metais preciosos.

Considerando-se que as taxas de juros fixas das hipotecas de 30 anos já estão em seus mínimos históricos, há muito pouca confiança de que o novo plano será bem-sucedido em derrubá-las ainda mais, especialmente quando se leva em conta a disparada que ocorreu imediatamente após o anúncio.  Em vez disso, é provável que Bernanke esteja tentando encorajar os proprietários de imóveis a trocar suas hipotecas de taxas de juros fixas por empréstimos de juros menores porém reajustáveis — o que liberaria mais dinheiro para o consumismo.  Bernanke quer que os proprietários de imóveis façam eles mesmos um twist na curva de juros.  Se ele obtiver êxito em sua tentativa, mais proprietários de imóveis ficarão vulneráveis a qualquer aumento futuro que porventura ocorra nas taxas de juros.  E tal possibilidade, por si só, irá limitar ainda mais a capacidade e a vontade do Fed de aumentar os juros para combater a inflação de preços.

O objetivo do plano de Bernanke, como dito, é estimular o consumo por meio de um aumento nos valores dos imóveis e dos preços das ações.  Mas ninguém parece estar levando em conta a possibilidade de que um QE infinito, em vez de elevar os preços dos imóveis, das ações e dos títulos, acabe elevando os preços dos alimentos, da energia e de outros bens de consumo.  Se isso ocorrer, os consumidores americanos terão menos poder de compra em decorrência dos esforços de Bernanke, e não mais.

A decisão do Fed veio ao mesmo tempo em que a situação na Europa parece estar finalmente saindo do modo 'crise urgente'.  Embora eu não creia que a decisão anunciada pelo Banco Central Europeu — de comprar mais títulos da dívida soberana de países problemáticos da União Europeia — irá funcionar no longo prazo, pelo menos estas medidas vieram com várias restrições impostas pelos alemães (para importantes detalhes sobre isso, veja o artigo de nosso analista econômico sênior, John Browne).  Como consequência, imagino que a atenção dos investidores e compradores de moedas irá agora se voltar para os débeis fundamentos do dólar americano, e não mais para um potencial colapso do euro.

Enquanto isso, as implicações para aqueles que investem nos EUA já deveriam estar claras.  O Fed irá tentar suscitar uma recuperação por meio da desvalorização do dólar.  Ele não irá interromper ou alterar seu curso de ação.  Se a economia americana não reagir às drogas, Bernanke irá simplesmente aumentar a dosagem.  Com efeito, ele está tão convencido de que os americanos permanecerão dependentes do afrouxamento quantitativo, que ele explicitamente afirmou que não fechará as torneiras mesmo que as coisas visivelmente não melhorem.  Em outras palavras, o dólar está condenado.



autor

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.



  • Ubiratan Iorio  20/09/2012 05:24
    Sensacional o filmezinho do Bernanke quando criança!
  • Julio dos Santos  20/09/2012 06:04
    Impressionante, o Bernanke sempre foi uma criança levada!
  • Eduardo  20/09/2012 16:44
    Notem que a janela que o jovem Bernanke está não tem vidros.
    Ela foi quebrada por uma pedra, e ele está jogando dinheiro pro vidraceiro vir consertar, estimulando a economia!
  • Pedro Lima  20/09/2012 06:16
    Esses homens do Fed são caras-de-pau ou o quê? O que diabos os motiva a fazer isso?
  • Neto  20/09/2012 07:52
    A luta contra as 'desigualdades'
  • Mohamed Attacka Todomundo  22/09/2012 18:43
    o vontade de Papai Smurf (ou será de Papai Noel).
  • Tullio  20/09/2012 06:49
    Mais um kilo de OZD1, por favor!
  • Ivan Eugenio da Cunha  20/09/2012 06:58
    Um dos dirigentes do FED admite que ninguém sabe o que está fazendo: economia.publico.pt/Noticia/o-banco-central-dos-eua-nao-sabe-o-que-fazer-para-resolver-a-crise-1563802
  • Rene  20/09/2012 07:14
    Impossível que o Bernanke não saiba o que está fazendo. A questão é que o Obama precisa que a economia funcione pelo menos até dia 6 de novembro deste ano, data da eleição. O povão não se importa mesmo se o dinheiro veio de acumulação de poupança ou se foi criado a partir do nada, desde que tenham dinheiro para gastar. E um QE realmente dá um UP na economia no curto prazo, ainda que seja desastroso no longo prazo. E é só o curto prazo que importa agora para os democratas.
  • bernardo  20/09/2012 14:28
    Incrivel são os comentários do pessoal, só tem ignorante, por isso não tenho esperança nenhuma de melhora, as pessoas pedem cada vez mais por governo, protecionismo, impostos, e a culpa da crise sempre cai sobre o capitalismo.
  • Joao Ribeiro  20/09/2012 09:51
    E o real quer continuar andar atrelado ao $.

    O Japão vai no mesmo caminho.

    Só a Alemanha segue o caminho da verdade económica.
  • Felipe  20/09/2012 10:35
    No fim ainda irão dar um jeito de acusar a Alemanha de faltar em comprometer-se com a "recuperação econômica global" e outros argumentos similares...
  • Pedro Valadares  20/09/2012 20:55
    Rela atrelado ao dólar, governo tolerante com a inflação, juros artificialmente baixos e preços de imóveis hipervalorizados... Parece uma boa combinação pra vocês?
  • Pedro Valadares  21/09/2012 03:48
    Ops...Rela não *real.
  • Pedro Valadares  21/09/2012 03:52
    O texto me fez lembrar do vídeo do reunião dos banqueiros centrais: "print money!"

    www.youtube.com/watch?v=bmejZ5FAgAw
  • Pedro  20/09/2012 12:30
    Ri alto com o Bernanke junior.
  • Frans  20/09/2012 14:15
    Não se preocupem canalhas neoliberias, meu mestre Paul Krugman vai assumir o FED e vai mostrar como se faz as coisa!
  • Gustavo  20/09/2012 14:51
    Enquanto o lastro em ouro for ilegal, quem sabe a solução será a bitcoin...
  • Neto  21/09/2012 09:10
    Já tem um artigo aqui com uma discussão sobre isso
  • thalita  20/09/2012 18:38
    So uma dúvida, então quer dizer que esse dinheiro todo que o Fed(orento) esa jogando na economia é sem lastro ? Eles estao apenas imprimindo e repassando para os bancos ? Isso nao causa inflação descontrolada ?
  • Ricardo  20/09/2012 19:16
    Sim, é dinheiro criado do nada. Mas ainda não está gerando inflação de preços porque quase todo esse dinheiro está sendo voluntariamente mantido pelos bancos depositados junto ao próprio Fed, que está pagando juros de 0,25% sobre estas "reservas em excesso". O fato de essas reservas não terem vazado para a economia explica a não ocorrência de uma hiperinflação.

    Detalhes completos neste artigo. (Leia também o quarto comentário da seção de comentários).

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1182
  • Arthur M M  21/09/2012 06:46
    Uma dúvida. Nesse caso de extrema expansão monetária por parte do EUA, quais ações deveriam ser tomadas por um país liberal ?
  • Andre Cavalcante  21/09/2012 08:21
    Nenhuma.

    Um país, se liberal, estaria perfeitamente protegido com a sua moeda lastreada em ouro e outras commodities.

    Para o Brasil, que não é liberal, trema de medo!
  • Leandro  21/09/2012 08:33
    No atual arranjo monetário, tal país seria inundado de dólares, sua taxa de câmbio se apreciaria e, com isso, ele passaria a poder comprar produtos baratos de todo o resto do mundo, bem como bens de capital, o que aumentaria enormemente sua produtividade e seu padrão de vida. Tudo isso seria subsidiado pelos trouxas dos americanos, por meio da desvalorização de sua moeda.

    No mundo real, no entanto, fique tranquilo: o senhor Tombini e o senhor Mantega não deixarão que esse privilégio nos acometa, e irão nos premiar com taxas de inflação monetária e de preços cada vez maiores.
  • Neto  21/09/2012 09:04
    Leandro
    Não entendi como o tal país ia comprar produtos baratos do mundo todo; quando o resto do mundo notasse que tem dolar caindo do céu, o preço dos produtos em dolar também não subiria?
  • Leandro  21/09/2012 09:10
    A premissa foi a de que apenas um país era liberal. Logo, este país irá permitir que seu câmbio se valorize. Os outros países, intervencionistas, não deixarão que isso aconteça, e desvalorizarão suas moedas no mesmo ritmo do dólar.

    Ou seja, apenas o país liberal terá seu câmbio apreciado. Apenas ele comprará barato.
  • Neto  21/09/2012 09:23
    Ok, obrigado
    Mas eu ainda tenho uma dúvida
    Suponha que o brasil seja esse único liberal.
    Aí por ex, antes de inflacionar um produto X fabricado nos EUA custa 100 dolares ou 200 reais.Aí o tio sam inflaciona e o produto fica 500 dolares, mas o preço dele em reais não continua os mesmos 200 reais?
  • Leandro  21/09/2012 09:46
    No longo prazo, sim. No curto prazo, o câmbio sempre se mexe mais rápido do que os preços. Dentre todas as variáveis macroeconômicas, o câmbio é o mais sensível às expansões monetárias, e é a primeira variável a ser alterada. Logo, os consumidores do país menos expansionista se beneficiam em termos de preços.

    Ademais, você está pensando apenas em termos dos EUA. Mas como o dólar é a moeda de troca internacional, e como -- na prática -- todos os outros países sempre implantam subsídios ou cortes pontuais de impostos para conter a escalada dos preços, o país liberal também se beneficiará das políticas intervencionistas destes outros países.

    É assim que funciona no mundo real.
  • Fabiano Gomes  22/09/2012 10:51
    Olá Leandro,

    Entendi perfeitamente sua explicação. No entanto, os intervencionistas gostam de dizer que a apreciação da moeda local, apesar de facilitar a aquisição de produtos via importação, destroi a indústria nacional pois esta não consegue competir com o produto importado, o que gera desemprego e por fim, pobreza -- alguma semelhança com as palavras frequentemente ditas pelo nosso ilustre ministro da Fazenda e com as ações protecionistas do governo atual?

    A EA tem alguma sugestão para se aproveitar da apreciação da moeda local sem definhar a indústria nacional.
  • Leandro  22/09/2012 11:18
    Tem sim, Fabiano. Tenha a bondade de ver este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=419
  • Sérgio  22/09/2012 19:05
    Leandro, neste seu artigo tem a seguinte passagem:

    "Questão polêmica: é necessário um país ter várias indústrias, que produzam várias coisas, para ele ter um desenvolvimento sustentável?

    O que é certo é que ele precisa vender coisas ao exterior para poder importar. Nenhum país é autossuficiente em tudo. Ele estará sempre dependendo de alguma importação para sobreviver. E para importar, ele precisa produzir algo e exportar."

    Vou te faer uma pergunta que você vai interpretar como "moralista" (se ser moralista é ser contra o "modern lifestyle", eu sou), mas não tem nada a ver. É econômico. Tem como uma economia de um país soreviver baseado só em nightclubs, jogos de azar, boates sem uma indústria? O que um país baseado só nestas coisas tem para exportar? Pois não consigo como tem libertário que elogia uma economia como a de Macau: só tem cassinos, mas não tem indústria, importa TUDO... Aliás, ví liberais defendendo absurdo, como: uma economia de um país pode ser baseada só m setor de serviços: nightclubs, prostíbulos, casas de swing e cassinos. Mas porra, não falo do ponto de vista moral, mas este país vai viver só de importação? Aliás, que divisa vai ter para importar? Até os tijolos, até a cerveja que os baladeiros bebem é importada. Enfim, tudo é importado. Só o que tem é "serviços"...
  • Leandro  23/09/2012 11:01
    "Tem como uma economia de um país sobreviver baseado só em nightclubs, jogos de azar, boates sem uma indústria? O que um país baseado só nestas coisas tem para exportar? Pois não consigo como tem libertário que elogia uma economia como a de Macau: só tem cassinos, mas não tem indústria, importa TUDO..."

    Economias assim só sobrevivem se receberem grandes aportes de moeda estrangeira, independente de qual setor receba estes aportes. No caso de Macau, o investimento estrangeiro vai para hotéis, cassinos, restaurantes, todo o setor de turismo e outras coisas de luxo.

    Ademais, vale ressaltar que o Japão também tem de importar quase tudo em termos de recursos naturais, assim como Hong Kong, Cingapura e outros países daquela região. Mesmo assim, tais países conseguiram se transformar em exportadores de produtos tecnológicos de alto valor agregado.

    Um país não possuir um setor industrial não representa problema algum desde que ele garanta um fluxo contínuo de investimentos estrangeiros. No extremo, toda uma população estar trabalhando no setor de serviços não representa pobreza alguma, desde que não haja tarifas de importação. Sem tarifas de importação, a população conseguirá adquirir bens a preços baixos, o que aumentará sua qualidade de vida.

    No Brasil, por exemplo, se todo o setor industrial sumisse e a população fosse majoritariamente para o setor de serviços, os salários nominais até poderiam cair; porém, se a moeda fosse forte e as pessoas pudessem importar livremente, sem obstruções, os preços das coisas cairiam, o salário real subiria e a qualidade de vida aumentaria.

    Desnecessário dizer que não estou, de maneira alguma, advogando qualquer tipo de abolição das indústrias; estou apenas dizendo que tal cenário não seria nada catastrófico, desde que as medidas certas fossem tomadas. Ou alguém acha que o pessoal de Hong Kong compra panelas e alimentos (itens essenciais à sobrevivência) feitos in loco? Os brasileiros compram.
  • Sérgio  23/09/2012 13:11
    O Japão ainda tem uma indústria de produtos eletrônicos forte, então exporta produtos eletrônicos. E o Japão tem uma agricultura (de pouco peso no PIB, mas cultiva alguma coisa, pelo menos pra eles) A Singapura tem uma indústria de biotecnologia forte, então exporta produtos farmacêuticos e bioquímicos. Embora eles importem alimentos, eles geram produtos de alto valor agregado. Agora, o cenário que eu descrevo é um cenário onde não há agricultura e a indústria não representa 8% do PIB, é o caso de Macau. Afinal, um país que não exporta, gera poucas divisas, vai chegar o momento em que não terá divisas nem para importar. Macau importa tudo. Quanto tempo será que vai durar aquela "prosperidade"? Vai chegar o momento em que eles terão de parar com joguinhos e diversões para divertir turistas ricos e terão de trabalhar duro e poupar.
  • Andre Cavalcante  24/09/2012 07:01
    'Peraí,

    Quer dizer que Macau recebe dólares de estrangeiros e não exporta nada? Como isso é possível? Pelo que entendo, ao se "vender" boas prais, cassinos, hotéis e coisas de luxo, para gente de fora do país, isso também não é exportação?

    Abraços
  • Neto  24/09/2012 07:19
    É melhor ainda do que exportar: o cara vai deixar o dinheiro lá
  • Marconi  21/09/2012 09:46
    caraca... tá muito engraçado esse Ben Bernake junior! hauhauauah

    "dia 13 de setembro de 2012 pode ser considerado o dia em que os EUA finalmente jogaram a toalha."

    É pessoal, não sou estusiasta do ouro como o pessoal aqui..

    Acho que a única saída é abrir um mercadinho, mantendo o estoque bem escondido. Quando o dólar entrar em colapso, o estoque vai dar pra me manter vivo mais tempo.

    Alguém sabe como comprar armas aqui em Brasília ?
  • thalita  21/09/2012 10:10
    Não sei se você esta falando sério, mas eu sou muito pessimista, oque realmente acontecerá com a economia global ?, o dolar já era, investir onde agora, comprar imoveis no brasil com a crise imobiliaria ? tenho medo que aconteça uma hiper inflação no brasil e no mundo, e nossos ''digitos'' nos bancos/fundos deixe de ter valor e passam a ser apenas isso, digitos....

  • Neto  21/09/2012 11:13
    E vai ser isso mesmo.
    Aproveita pra comprar ouro enquanto o governo não proibe
  • Wilian Delatorre  13/10/2012 12:34
    Tem um monte de pessoas pensando assim. Assista o NatGeo "Preparados para o Fim".
  • Neto  13/10/2012 15:03
    Esse é o meu programa preferido!Pelo menos dos que passam atualmente

    Engraçado é que no fim a produção do programa bota: 'quanto às chances de acontecer, os economistas falam que é improvável um colapso econômico nos EUA'

    coitados...
  • Neto  13/10/2012 16:11
    BTW, até o Glen Beck é um prepper
  • Getulio Malveira  21/09/2012 09:50
    Impagável o videozinho!
  • Rodrigo Polo Pires  21/09/2012 10:34
    Vejam a opinião de Krugman a respeito do ato do fed, " A declaração do fed de que a posição altamente acomodativa da politica monetária permanecerá apropriada por um tempo considerável após o fortalecimento da recuperãção economica, diz então Krugman, " a idéia aqui é a de que ao indicar sua disposição de deixar a economia mais quieta por algum tempo, o FED pode encorajar imediatamente mais gastos do setor privado. Compradores potenciais de imóveis residenciais serão encorajados pela perspectiva de inflação moderadamente maior, que tornará a divida deles ligeiramente mais fácil de ser paga, as empresas serão encorajadas pela perspectiva de vendas futuras maiores, as ações subirão aumentando a riqueza, e o dólar cairá tornando as exportações mais competitivas".
  • anônimo  21/09/2012 10:41
    Ou seja, tudo que o Schiff falou que iria acontecer em tom jocosamente crítico e irônico, o Krugman disse em tom pomposo e aprovador. E é prêmio Nobel...
  • Thyago  21/09/2012 12:12
    Krugman é um lixo!
  • Marc...  26/09/2012 15:59
    É só 1 dos 3 false flags necessários para a mudança de paradigma.

  • empreendedores  14/10/2012 12:17
    Tem legendado?
  • Wilian Delatorre  15/10/2012 04:15
    No Youtube não, só aquela transcrição automática, mas como os participantes geralmente tem sotaque acaba não funcionando.

    O jeito é assistir na Tv paga mesmo.

    Assisti a vários deles e em relação a situação econômica dos EUA o mais lógico que vi foi uma senhora que está trocando as moedas de prata de dólar acima do valor de face e estocando grãos e comida desidratada que estão valorizando muito mais frente ao dólar.

    Ela só levou nota 7 no final por não levar em conta que tudo que ela "preparou" pode ser roubado e saqueado pelos vizinhos desesperados.
  • Rafael Isaacs  03/05/2016 21:55
    E hoje. qual a situação? O dolar está condenado?
  • Leandro  04/05/2016 00:01
    Não. Várias coisas aconteceram de lá pra cá.

    Em primeiro lugar, saiu o pavoroso Bernanke, um dos piores chaiman do Fed da história. Isso, e apenas isso, já bastou para fortalecer o dólar.

    Mas houve muito mais.

    O primeiro mandato de Obama foi pavoroso. Foi tão ruim quanto o segundo mandato de Bush. Em agosto de 2011, o dólar chegou ao seu menor valor no mercado mundial. Tão ruim era o governo Obama, que até mesmo o real sob Dilma conseguiu a façanha de se fortalecer perante o dólar.

    Não é à toa que, mesmo sendo venerado pela mídia americana e pela mídia mundial, e mesmo tendo disputado a reeleição com um republicano que não contava com nenhuma simpatia da sua base, Obama passou aperto para se reeleger, tão ruim estava a economia.

    Mas aí aconteceu algo maravilhoso: o governo federal americano, a partir de 2013, ficou totalmente paralisado. Obama perdeu toda a sua base de apoio na Câmara e no Senado. O governo federal entrou em gridlock.

    Com o Congresso travado, sem novos gastos serem aprovados, o orçamento do governo apresentou uma fantástica melhora, saindo de um déficit de 12% do PIB para um de meros 2,5%.

    Desde 2012, o que Obama fez? Nada. Absolutamente nada. Ele nunca mais conseguiu aprovar nenhuma lei. Sua almejada reforma do sistema de saúde paralisou-se por completo, e nenhuma outra medida intervencionista foi aprovada. O máximo que Obama hoje consegue fazer é mudar nome de montanha, conceder entrevistas a talk shows de comediantes para falar sobre sua rotina na Casa Branca (se ele faz sanduíche ou anda de cuecas), e dizer se sentir frustrado por não conseguir impor leis mais rigorosas sobre a venda de armas.

    Só.

    Em suma: desde que o governo americano ficou travado, começando em 2013, a economia automaticamente começou a melhorar. Sem o governo para atrapalhar, o dólar se fortaleceu e a bolsa de valores americana (que sempre se dá bem quando o dólar está forte) se valorizou.

    O próprio Fed hoje possui em seu alto escalão pessoas mais sensatas que na época de Bernanke, como é o caso de Stanley Fischer, vice-presidente do Fed, que abertamente faz declarações em prol de um dólar forte. O atual secretário do Tesouro, Jack Lew, também fala abertamente sobre as vantagens de se ter uma moeda forte.

    E, como este site nunca se cansa de repetir, moeda forte e governo em retração é o segredo para qualquer recuperação econômica. A economia americana é apenas mais um exemplo prático disso.

    Sendo assim, posso dizer apenas -- jocosamente, é claro -- que Obama nos leu. Faz 6 anos (desde nossa criação) que insistimos aqui que uma moeda forte é o segredo. Sem moeda forte não há economia forte. A moeda forte pode não ser tudo, mas sem moeda forte, tudo vira um nada.

    E o que aconteceu com os EUA? Bastou o governo ficar travado, sem nenhuma chance de inventar novas intervenções, que o dólar ficar forte. Consequentemente, a economia americana se recuperou. Praticamente como mágica.

    (Ah, sim: o fato de o mercado de trabalho nos EUA ser bem mais flexível, também ajuda bastante, principalmente nos índices de desemprego.)


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