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Lei do mercado vs. lei da selva


Wifredo Lam (1902-1982), "A Selva"
Museu de Arte Moderna, Nova York

Por mais que se argumente e se mostre as ineficiências da intervenção estatal e a superioridade econômica do capitalismo, ainda assim as doutrinas do intervencionismo e do socialismo levam vantagem ao apelar ao senso ético que existe em cada um. Não porque sejam de fato moralmente superiores, mas porque são vistas dessa forma. E enquanto o forem, não há índice de pobreza ou cifra de mortos que mudará a opinião pública.

A oposição ao capitalismo foi muito bem sucedida em pintá-lo como um sistema baseado no egoísmo, no qual indivíduos antissociais são induzidos a competir e agir de forma predatória, numa verdadeira luta de todos contra todos em que os poderosos ditam as regras e os fracos não têm vez. Homem primata, capitalismo selvagem. No sistema de mercado, imperaria a "lei da selva" ou "lei do mais forte". Suas alternativas, por outro lado, projetam a ideia de um mundo mais solidário, fraterno e menos competitivo, no qual cada um tem sua chance e, mesmo se falhar, encontra algum amparo.

Para piorar as coisas, certos defensores do capitalismo não só aceitam tal descrição como se orgulham dela. O homem, dizem, é egoísta por natureza e tem mais é que competir; só os fortes sobrevivem — e o resto, bem... azar deles. Quero, neste artigo, mostrar como essa visão está completamente equivocada. A lei do mercado é oposta à lei da selva.

Princípios opostos

Comecemos com uma descrição da vida sob a lei da selva. Na selva, os recursos são escassos, e nada é de ninguém. Se quero algo, pego. Se alguém mais quiser a mesma coisa, brigamos; só um será bem-sucedido. Tudo o que um consegue para si ou foi tirado de alguém ou privou alguém mais de tê-lo. Desavenças resolvem-se pela violência; os vencedores ficam com tudo e os perdedores perecem. Uma árvore deu frutos; quero-os para mim, você também. Lutamos, eu venço, fico com a árvore e ainda faço churrasco do seu cadáver; game over.  Quem é menos capaz — menos forte ou menos astuto — dança.

Nesse ambiente, o foco de todos os indivíduos é no consumo. O ambiente é muito incerto para que alguém se dedique a projetos de longo prazo. Todas as associações são frágeis. Os indivíduos veem uns aos outros como inimigos, competidores potenciais. Fora da tribo ou do clã sanguíneo, vive-se em guerra.

Agora pensemos no mercado. No mercado, os recursos também são escassos, mas cada coisa tem um dono. A árvore e seus frutos são, por direito, de alguém. Disso decorre que, se eu quiser um dos frutos, tenho que oferecer algo em troca ao dono atual. E essa minha oferta tem que ser considerada vantajosa ao dono dos frutos.  Em outras palavras: cada um, para alcançar seus próprios objetivos, tem que ajudar os demais a alcançar os seus. Parece injusto com os que não têm propriedade? Mas existem duas propriedades que todo mundo tem, e que são as mais valiosas de todas: sua mente e seu corpo, com os quais se trabalha. "Dê-me alguns dos seus abacates que eu te ajudo a tirar uma pedra da sua caverna". Civilizações nascem assim.

O foco na selva, como foi dito, é no consumo: comer para viver um dia a mais. No mercado, embora o objetivo final ainda seja o consumo, o foco é na produção: trocando uns com os outros, produzimos mais e ficamos todos melhores. Cada um tem maior quantidade de bens à sua disposição do que teria se não trocasse com os demais. Se na selva o próximo é um rival no consumo, no mercado ele é um potencial parceiro na produção. Na selva, o encontro com um desconhecido traz consigo um impasse ameaçador: "O que posso tirar dele e o que ele pode tirar de mim?" — duas alternativas excludentes. No mercado, o mesmo encontro levanta uma outra pergunta: "O que posso fazer por ele e o que ele pode fazer por mim?" — possibilidades que se concretizam simultaneamente.

Uma famosa tirinha narra a história aparentemente real das renas na ilha St. Matthew. As renas, animais irracionais, viviam sob a lei da selva. Para elas, o campo de líquen era um vasto campo de consumo; e quem não consumisse, ficaria com menos. Por isso comeram e se reproduziram desenfreadamente até extinguir sua própria fonte de sustento. Para os homens, supondo que tivéssemos a mesma dieta das renas, o campo de líquen, dividido em lotes, representaria oportunidades de produção e de cultivo. Posso arrasar meu campo em uma semana, consumindo-o completamente, ou posso restringir um pouco meu consumo presente, trabalhar no campo, e garantir o sustento duradouro. E quem não tem um campo de líquen, morre de fome? Não, pois nem só de líquen vive o homem! Todo homem é dono de sua força de trabalho, e pode prestar serviços a qualquer outro: ajudando a cultivar um campo, a construir uma casa, transportando mercadorias, fazendo freelas de design gráfico etc. Essa divisão das tarefas gera um ganho para a sociedade como um todo, pois a produtividade de cada trabalhador especializado é muito maior do que seria se cada um tivesse que fazer um pouco de tudo para si mesmo.

A lei do mercado é a lei do benefício mútuo. Para um subir, precisa ajudar outro a subir. É o exato oposto da lei da selva, em que o ganho de um vem em detrimento do outro. Como os desejos de todos são harmonizados, torna-se possível pensar no longo prazo. Na selva, só existe o presente; amanhã alguém pode roubar a caça que você tanto se esforçou para capturar. No mercado, curto e longo prazo se equilibram, cada um adiantando ou postergando o consumo de acordo com seu melhor julgamento.

Analogias insustentáveis

Com o que foi exposto, vemos como uma das principais relações da selva, a entre presa e caçador, simplesmente não existe no mercado. A vida do consumidor melhora ao comprar os bens do produtor; e é por isso mesmo que ele compra. A vida do empregado está melhor graças à vaga oferecida pelo empregador; e é por isso que ele aceita o emprego. A vida do empregador, por sua vez, também está melhor graças aos serviços do empregado. Ninguém é caçador e ninguém é presa nesse processo; todos cooperam.

Mas espere um pouco: sempre ouvimos dizer que o traço principal do mercado é a concorrência. E numa concorrência, um ganha e outro perde, exatamente como ocorre na concorrência selvagem. Quando uma onça caça uma anta, a onça mais fraquinha passa fome, morre antes e se reproduz menos. Quando uma empresa lança um produto de sucesso, outras perdem vendas, demitem funcionários, fecham as portas etc. É a lei da selva, ou não é?

Todo mundo sabe que no mercado existe competição acirrada. Ela é uma consequência, e não um princípio, de sua estrutura organizacional, isto é, do respeito à propriedade privada que resulta na necessidade de se ajudar os outros para se ser ajudado (daí o equívoco de se definir o mercado primariamente pela concorrência, fenômeno que ocorre em todo tipo de ordenamento social e institucional).

A concorrência de mercado tem a mesma origem da concorrência da selva: a escassez. A diferença entre elas, contudo, é significativa: na selva, compete-se pelo consumo dos recursos disponíveis. No mercado, compete-se para oferecer o melhor ao resto da sociedade. O que é produzido não é o bastante para satisfazer plenamente a demanda de todos os consumidores (em outras palavras, as pessoas têm renda e tempo limitados para gastar). Por esse motivo, os consumidores têm que exercitar certa seletividade em seu consumo: seu dinheiro e seu tempo vão para aquilo que melhor satisfizer seus desejos. Além disso, os produtores (e lembrem-se: produtores e consumidores são as mesmas pessoas) não são oniscientes, e não sabem perfeitamente o que os consumidores querem; suas escolhas e decisões sempre envolvem uma aposta que pode dar errado.

Os que melhor se adequarem à demanda dos consumidores receberão destes os recursos necessários para sustentar sua atividade. Os menos eficientes receberão recursos insuficientes e precisarão encontrar outro meio de se sustentar; isto é, procurar outra maneira de servir aos demais.

Nesse processo de perdas e ganhos, ocorre que uma pessoa, que estava empenhada em servir às demandas dos demais de um modo específico pode perder os consumidores que julgava "possuir". É só pensar no ocaso da maioria dos técnicos de vitrola na virada dos anos 1980 para os 1990, ou dos funcionários de uma fábrica nacional cuja competição com empresas chinesas tornou obsoleta. Por mais sofrida que essa transição possa ser, o próprio envolvido, se tiver uma correta leitura do que se passa, concordará que seu desemprego temporário é benéfico: "Minha atividade não usa os recursos disponíveis para melhor servir às demais pessoas. Quero ser remunerado por efetivamente servir e ajudar os outros ou quero tirar deles meu sustento sem lhes oferecer algo equivalente em troca?". Esse é o dilema: o dilema entre pautar-se pela lei da cooperação mútua (o que eventualmente requer sacrifícios) e a tentação de impor a lei da selva, ou seja, de impor que os outros te sirvam sem lhes oferecer uma contrapartida.

Não fosse por esse aspecto difícil do processo de mercado (os prejuízos de quem não se adequa à demanda e portanto obriga mudanças dolorosas de percurso), estaríamos todos muito mais pobres. Imaginem um mundo em que a remuneração de cada um não tivesse nada a ver com o quanto essa pessoa contribui para a vida alheia. O aparente ganho de alguns (que teriam seus empregos garantidos independentemente da demanda) resultaria na perda de todos, já que a sociedade estaria globalmente mais pobre: as necessidades humanas não dariam mais a finalidade à atividade produtiva.

Inclusão natural

A seleção natural elimina os indivíduos menos aptos. A seleção do mercado, igualmente não planejada (embora, diferentemente da seleção natural, fruto de ações humanas), elimina apenas ideias erradas sobre como servir às demandas dos demais. Embora isso possa trazer algum sofrimento para os indivíduos que apostaram nessas ideias, ela é, no longo prazo, boa inclusive para eles: uma sociedade mais rica e com mais oportunidades de criação de valor é boa para todos e é a única capaz de sustentar mesmo os que têm menos a contribuir. Do ponto de vista dos indivíduos no mercado, faz mais sentido falar de inclusão natural. Um indivíduo bem-sucedido beneficia os demais, ou melhor: seu sucesso só ocorre porque ele os beneficia. E embora possa ser difícil competir com ele na exata atividade que ele desempenha, enquanto houver demandas humanas não atendidas haverá campo aberto para que mais pessoas trabalhem e ajudem a satisfazê-las (e quando não houver mais demandas humanas não atendidas também não haverá mais motivo para trabalhar ou procurar emprego).

São apenas a afluência e a produtividade que a lei do mercado proporciona que tornam viável que um indivíduo sustente a si mesmo durante um período de desemprego, ou que seus parentes e amigos possam sustentá-lo se necessário. Nesse sentido ,aliás, cumpre notar que, na sociedade de mercado, mesmo aqueles realmente incapazes de produzir e trocar com os demais (os muito doentes, muito idosos, seriamente deficientes etc.) podem ser sustentados. Na lei da selva seriam os primeiros na fila do descarte, sacrificados ao imperativo de sobrevivência do clã. Hitler estava coberto de razão ao apontar que a sociedade liberal que ele tanto odiava permitira a sobrevivência de inválidos, deficientes e "não aptos" em geral; não aptos — é preciso frisar o ponto — à lei da selva; no mundo capitalista liberal, sua sobrevivência não apresentava problema algum.

O mercado, assim, é a antisselva. Se na selva impera a inimizade e a seleção natural, no mercado vigora a cooperação universal e a criação de oportunidades até mesmo para os menos favorecidos. Na selva uma pessoa a mais é mais uma boca para alimentar; no mercado, é mais uma potencial criadora de valor. A selva é o consumo autônomo e voraz dos recursos escassos; o mercado é o uso dos mesmos recursos para a produção conjunta, e na qual o recurso mais valioso de todos se faz valer: a inteligência humana. Não há nada de "selvagem" no capitalismo; e é justamente sua destruição gradual que pode nos levar de volta à guerra de todos contra todos da lei da selva.



autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com.

  • Artur  19/09/2012 04:40
    Muito bacana o texto. Às vezes costumo pensar num paralelo entre a seleção natural e a mão invisível em um mercado livre, sendo que a segunda seleciona positivamente o empreendedor mais apto a servir.
    Duas elegantes teorias que explicam a realidade.
  • Pedro Lima  19/09/2012 05:29
    Duas considerações:
    1. Numa sociedade onde as empresas estão livres de estatismo, trabalhadores que sofrem acidente de trabalho e só têm como fonte de renda este trabalho, teriam que aceitar o perecimento, uma vez que não haveriam "direitos trabalhistas"?

    2. Supondo que um trabalhador produz R$ 2,60 por hora, ele mereceria rebeber o salário de R$ 2,60 por hora, mas que tipo de "princípio" impediria a empresa de pagar menos que isso, ou seja, um valor objetivamente inferior ao adequado?
  • Luis Almeida  19/09/2012 05:50
    Pra começar, os "direitos trabalhistas" de hoje não são pagos exclusivamente pela empresa do acidentado; são pagos coletivamente por todas as empresas (e pessoas) que dão dinheiro ao INSS. Isso, por si só, já estimula enormemente o risco moral. Fosse eu um empresário inescrupuloso, pensaria assim: "Pra que vou me preocupar em dar segurança para meus empregados? Se eles se acidentarem, a sociedade paga."

    Pelo visto, você defende esse arranjo perverso, e não consegue visualizar outro.

    Mas não. Em uma sociedade livre, não só a segurança do trabalho seria mais intensa, como também haveria empresas de seguro loucas para processar empresas descuidadas com seus trabalhadores -- atividade essa que hoje é monopólio do estado.

    Veja mais aqui:

    O livre mercado e a segurança no trabalho

    Sobre a segunda pergunta, a qual semanalmente é feita aqui:

    A irrelevância da necessidade do trabalhador e da ganância do empregador na determinação do salário
  • Joel Pinheiro  19/09/2012 06:00
    1 - Pedro: em primeiro lugar, ele pode ter um seguro que o proteja em caso de acidente. Em segundo lugar, o contrato de trabalho com a empresa pode prever esse tipo de situação e não deixá-lo desamparado. Muitas empresas dão benefícios a seus funcionários acima do que a lei prescreve (bônus, opções de lazer, flexibilização de horários, etc.); isso faz sentido econômico para elas pois esses benefícios custam menos a ela e dão mais satisfação ao funcionário (obviamente, como nenhum contratante pode, no longo prazo, pagar mais do que o trabalhador vale, esses benefícios virão sempre com uma contrapartida de salário menor). Em terceiro lugar, a maioria das pessoas tem uma família, amigos ou outras pessoas (membros de uma mesma igreja, p. ex.?) para lhe dar apoio e auxílio, caso precise. Num mundo não estatizado, essas instituições e relações pessoais seriam até reforçadas, pois não haveria um Estado ali pronto para te sustentar (ou forçar um terceiro a te sustentar) sempre que algum imprevisto acontecer: cada um teria que criar e manter os laços que garantem tal sustento. Estou sendo irreal? Veja só, na minha igreja mesmo, ano passado, um homem que precisava de uma cirurgia conseguiu pagar por ela só com contribuições da paróquia. E já há vários serviços de caridade online em que as pessoas escolhem a causa ou mesmo a pessoa que receberá seu auxílio. Por fim, o indivíduo sempre pode, por conta própria, poupar dinheiro para poder se sustentar em tempos de desemprego.

    2 - O que aumenta os salários é a competição das empresas pelo recurso da mão-de-obra, que é dos mais escassos. Veja: para utilizar qualquer outro recurso, é necessário mão-de-obra. Portanto, enquanto ainda houver oportunidades de uso de outros recursos, haverá demanda por mão-de-obra. É por isso que em países sem salário mínimo os salários não caem a zero, e mesmo em países com salário mínimo a maioria dos salários fica acima do mínimo. Qual o interesse da empresa em pagar acima do salário mínimo? Ela sabe que, se não oferecer um salário bom o suficiente, ninguém se interessará. Veja o mercado informal brasileiro, que emprega grande parcela da população: nele não vigoram leis trabalhistas, e mesmo assim os empregadores não pagam 1 centavo ao ano pelo trabalhador. Muito ao contrário, o comum é até que vigorem salários próximos ao do mercado, ou em alguns casos até mais altos, dado que não se joga dinheiro no lixo com encargos e outros custos que não beneficiam o trabalhador.
  • Antonio Galdiano  19/09/2012 05:54
    A sociedade está passando por um processo de "parasitização" das relações sociais. Não sou mais otimista: só vejo o crescimento do estado e, como o diagnóstico é majoritariamente errado e a força política dos intervencionistas é crescente, esse pessoal consegue mudar mentalidades disseminando o analfabetismo econômico e moral em detrimento da lógica.\r
    \r
    O pior é que parte de intenções nobres: a caridade, quando é feita de forma espontânea e de forma a cobrar resultados, é altamente benéfica para todos. Estimula a solidariedade e a coesão social. É uma opção legítima de ação.\r
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    Quando a caridade vota e gera sua demanda via política as coisas mudam drasticamente. O objetivo da caridade muda de ajuda ao próximo para um "direito inalienável" que, pelo formato da política, jamais conseguirá cobrar resultados efetivamente sobre a eficácia do gasto. Caso alguém faça isso, será uma espécie de suicídio político. Assim, as "demandas sociais" se tornam cada vez mais crescentes e os povos vão pagando pelos seus erros sem identificá-los. Os parasitados se percebem indefesos e, em certo momento, passam também a demandar para sí esses "direitos inalienáveis" e não sem razão, pois eles também deveriam receber por algo que pagam segundo a lógica de mercado. Assim, conflagra-se uma grande cooptação social que ignora a moral e traz o germe da destruição da prosperidade.\r
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    A sociedade, agora menos produtiva pois os integrantes estarão pensando em uma forma de sobreviver pelo esforço alheio, gera cada vez menos riqueza e a economia nesse contexto realmente se aproxima de um jogo de soma zero, em que para um ganhar o outro realmente precisa perder. O fim da prosperidade traz consigo o fim da paz. Regredimos enquanto sociedade partindo de uma boa intenção. Para quem acredita em diabo, eu não vejo um plano mais bem elaborado.\r
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    É claro que esse é um processo gradual, mas não se pode negar que ele é crescente. Se pegarmos o discurso do Nobel de Hayek veremos, entre muitas outras coisas, que o comportamento humano é propositado e que esse fato nos impede de diagnosticar corretamente, via procedimentos quantitativos, as consequências da ação humana. Ou seja, esse tipo de contexto não pode ser apreendido correta e completamente pela matemática. Por essa restrição da realidade, só poderemos utilizar a lógica através da linguagem usual. Como todos, pelo menos uma vez na vida, já foi tapeado com métodos de retórica, passamos a desconfiar de tudo o que é dito, principalmente a tudo aquilo que nos conduz a um maior esforço pessoal. Assim, por uma dificuldade da própria realidade, deixamos de usar uma linguagem que é significativamente mais dificil de abusar da lógica (apesar de nada impedir de chegarmos a resultados errados partindo-se de premissas erradas na contituição de modelos econômicos) e esse fato sempre nos colocará sob suspeita de estarmos representando os "malvados egoístas".\r
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    Não mantenho mais dentro de mim qualquer esperança de reversão desse quadro letárgico. Procurarei fazer minha parte da melhor forma possível e jamais usarei a força para obter um resultado agregado próspero. Mas não acredito que a humanidade, de forma agregada, poderá captar pela lógica o funcionamento da economia, até porque o formato da especialização das funções age inclusive sobre os saberes. Quando a lógica de mercado age sobre a moral nesse sentido específico (especialização que aumenta a produção), esquecemos que todos produzem ações condizentes com alguma moral. Não há concorrência envolvida, ou seja, a ação de um não impede a ação de outro pelo mecanismo da concorrência. Assim, os indivíduos com maior conteúdo moral (que é um conhecimento) são minoria e extremamente especializados, mas não mudam a opinião pública.\r
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    Esse texto é uma espécie de desabafo e reconheço que é extremamente pessimista. Espero que eu esteja errado, que a engenhosidade humana supere essa questão, que outros produzam conhecimento que mude a moral e a deixe mais adequada a prosperidade e consequentemente a paz, e que a dissemine pelo mundo. Espero que revertamos esse quadro geral.
  • Gabriel Miranda  19/09/2012 10:45
    Compartilho de suas ideias.

    Não vejo outra solução senão os liberais de todas as matizes começarem a ter posições mais atuantes. Disseminar conhecimento por meio de livros, artigos, sites, seminários, palestras, vídeos, etc, é importante e necessário, porém insuficiente. Acredito que devemos perder menos tempo com discursos e entrar de vez na política, no serviço público, na imprensa e no mercado editorial.

    Para ser sincero, é preciso partir para a tática adotada pelo gramscismo: dividir para conquistar. O Brasil vive sob a ditadura do política e estupidamente correto, em que os mais esclarecidos se calam e, apáticos, veem a imbecilidade grassar por meio do populismo. Ou adotamos uma postura mais combativa para reacender os grandes embates de que a sociedade brasileira carece, ou continuamos assistindo à espoliação contínua da população. A propósito: ter conhecimento de quão maléfico é o intervencionismo estatal não nos torna imune a ele.
  • Erlen José  19/09/2012 14:21
    Realmente não dá para ficar só no campo teórico, é necessário tomar atitudes mais ativas para tentar mudar essa situação. É nadar contra um corrente fortíssima, mas o caminho é esse mesmo, plantar esses esclarecimentos na cabeça das pessoas. E também concordo que para poder lutar contra esse sistema é só fazendo parte dele primeiro. Por isso apoio atitudes ativas como a criação do Partido Libertários. www.pliber.org.br
  • Pedro Lima  19/09/2012 07:45
    Grato pelos esclarecimentos.
  • Joel Pinheiro  19/09/2012 08:33
    É sempre bom ter a oportunidade de responder a essas perguntas.

    Voltando à sua pergunta 1, sobre os direitos trabalhistas, lembre-se também do outro lado da moeda: ao criar esses custos extras de se ter um trabalhador, o Estado faz com que fique mais caro contratar. E com maior preço, a demanda cai. Ou seja, menos gente será contratada. E portanto teremos mais desempregados, ou seja, gente sem renda nenhuma, e que dependeria das outras da mesma maneira que o seu trabalhador acidentado dependeria.
  • Navarro  19/09/2012 17:17
    Taí uma coisa q eu questionei ao Leandro, outro dia. Isso só ocorre se o sala?io mínimo estiver ACIMA do nível de produtividade marginal do tabalho, o que NÃO É O CASO DO BRASIL pois aqui o salário mínimo já é baixo! E dificilmente é o caso de qualquer economia que não esteja muito próxima ao pleno emprego.

    Sem salário mínimo o Brasil viraria um México da vida, com suas maquiladoras em toda a parte e o povo comprando tudo made in USA e ganhando um salário miserável.
  • Leandro  19/09/2012 17:48
    De novo esta falácia? Não há uma só semana em que alguém não venha aqui regurgitar esta besteira. "Sem salário mínimo todos estariam famintos!"

    Deve ser por isso que as pessoas na Suíça, Alemanha, Áustria, Itália, Liechtenstein, Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia e Cingapura estão morrendo de fome: tais países não possuem salário mínimo. (Hong Kong também ficou toda a sua história sem salário mínimo, e foi assim que enriqueceram; agora, no entanto, eles resolveram implantar um).

    pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_sal%C3%A1rios_m%C3%ADnimos_por_pa%C3%ADs

    Lembro-me de ter lido há algum tempo, creio que na The Economist, uma matéria que dizia que os países que não têm salário mínimo remuneravam melhor as mesmas profissões que outros países igualmente ricos, mas com salário mínimo. Ou seja: imagine uma profissão sujeita a um salário mínimo na França. Essa mesma profissão será mais bem remunerada na Alemanha e na Escandinávia.

    O salário mínimo -- que é simplesmente uma política de controle de preços -- distorce a realidade do mercado daquelas profissões que exigem menor capacitação, prejudicando seus profissionais no longo prazo.

    Ademais, por uma questão de lógica, não poderia existir nenhum salário maior que o mínimo. Afinal, por que alguém pagaria um valor maior do que aquele mínimo estipulado pelo governo? No entanto, curiosamente, existem salários maiores que o mínimo...
  • Navarro  19/09/2012 21:08
    Como eu já falei aqui outro dia, os paises ricos (Alemanha, Suíça, Liechtenstein, Áustria, Dinamarca, Suécia, Noruega) não precisam dele. São ricos. É interessante para as grandes corporações a ausência de regulação em países pobres, assim pode-se abrir fábricas em países miseráveis onde até crianças trabalham por $0,05 p/ hora, e exportar aos países ricos.

    Sabe porque a China está quebrando? (vide outro post publicado aqui no Instituto Mises)? Porque devido à crise global, os países ricos (onde o salário é alto) não estão mais comprando produtos chineses. Como está no texto publicado aqui, a China produz "excesso de tudo, desde aço e utensílios domésticos até carros e apartamentos". Ou seja, os produtos estão entulhados, e o mercado interno chinês, embora possua mais de 1 bilhão de pessoas, é muito fraco pois os chineses que trabalham para produzir tais produtos recebem uma miséria que os impossibilita comprá-los. Milhões de chineses serão demitidos e passarão a viver na miséria (pior do que já vivem).
  • Thales  20/09/2012 13:41
    "Sabe porque a China está quebrando? [...] Porque devido à crise global, os países ricos (onde o salário é alto) não estão mais comprando produtos chineses."

    Hein?! Como assim?! A China não está conseguindo exportar porque os países que são seus tradicionais compradores são ricos?! Que lógica é essa, meu cidadão?

    E esse negócio do salário mínimo que você falou? O que tem a ver a China não estar conseguindo exportar tudo o que produz com o fato de os países ricos serem justamente os que não têm salário mínimo?! É cada coitado que surge aqui...

    E sim, eu me lembro bem de seus comentários sobre este assunto. Estão aqui. O Leandro já te respondeu tudo ali. Várias vezes. Com aquela invejável paciência de sempre.
  • Tiago RC  20/09/2012 09:25
    E detalhe que o cara usa o México como "mau exemplo", mas eles têm uma renda per capita maior que a brasileira: en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_(PPP)_per_capita
  • André Luiz S. C. Ramos  19/09/2012 07:45
    Joel,\r
    parabéns por mais esse texto.\r
    Seu talento para enfrentar consensos errados de forma clara e sucinta é invejável.\r
    Forte abraço.
  • Sérgio  19/09/2012 11:06
    O mundo atual é uma selva, sim. Quem quiser te sobrepujar, te sacaneia, e pronto. Ninuém se importa com ninguém. Enquanto não resgatarmos os valores morais tradicionais necessários para manter a sociedade civilizada, o mundo será assim... Vamos botar os CONSERVADORES e o Libertários no poder (51% da CÂmara da CÂmara ser conservadora, 49% ser libertária, o q acham?).
  • Gustavo BNG  19/09/2012 11:34
    Essa provocação será estopim de, no mínimo, 100 comentários até meia-noite! Rs...
  • Blah  19/09/2012 11:39
    Você ao menos se deu ao trabalho de ler o texto?
  • Catarinense  19/09/2012 13:24
    Blah, temos capitalismo genuíno no mundo atual? O estatismo costuma trazer o que há de pior no ser humano, e tornar cenários de selva como os descritos pelo texto corriqueiros.
  • Matheus Polli  19/09/2012 12:00
    O que você acha de ler os textos do IMB e melhorar seus argumentos?
  • anônimo  19/09/2012 12:29
    Nenhuma provocação aqui. O mundo atual está uma selva, mesmo, e cada vez pior.
    E todos os bons valores morais tradicionais estão necessariamente implícitos nas idéias Libertárias. Tanto faz se a mundo será de conservadores libertários ou de libertários conservadores. Só não concordo com haver câmara. hehe
  • Artur  19/09/2012 13:56
    "O mundo atual é uma selva, sim. Quem quiser te sobrepujar, te sacaneia, e pronto. Ninuém se importa com ninguém."

    Capitalismo de Estado é uma merda mesmo. Premia os desonestos e alivia os incompetentes às custas dos outros.
  • Marcus Benites  19/09/2012 17:38
    Chegou a Dona Doroteia...
  • Thyago  19/09/2012 12:27
    Ótimo artigo... Gostei das partes que ressaltam a incoerência que é falar em mercado e só os fortes sobrevivem.

    Mercado = jogo de soma > 0 hehe
  • Pedro  19/09/2012 13:03
    Existe uma coisa, ignorada por vcs austríacos, chamada rigidez de preços e salários que torna o mercado livre uma grande dor de cabeça. No modelo austríaco preços e salários são dotados de grande flexibilidade. Porém a realidade prática comprova que isso não é verdade. Eis um dos calcanhares de aquiles de vossa teoria.
  • Leandro  19/09/2012 15:29
    "No modelo austríaco preços e salários são dotados de grande flexibilidade. Porém a realidade prática comprova que isso não é verdade. Eis um dos calcanhares de aquiles de vossa teoria."

    Prezado Pedro, no modelo austríaco, é justamente a rigidez de preços e salários o que prolonga recessões. Como isso não está incluído em "nossa" teoria? Sugiro entender o básico de uma teoria antes de tentar criticá-la.
    Abraços!
  • Pedro  19/09/2012 19:47
    Preços e salários rígidos não significa inflexibilidade total dessas variáveis, mas ajuste demorado, só exequivel no longo prazo. Por exemplo, no curto prazo frente a uma queda de demanda, é mais facil haver uma queda de produto e elevação do desemprego do que redução de preços (o que ocorreria se não houvesse a rigidez) ou se houver ela não será adequada de modo a equilibrar o mercado e evitar queda de produto e aumento de desemprego. Nesse caso a intervenção do estado, por meio duma política monetária expansionista para estimular a demanda, é o melhor remédio para lidar com o fenômeno da rigidez e tornar a economia mais estável. Se deixar por conta do livre mercado o ajuste será doloroso.
  • Leandro  20/09/2012 00:43
    E você realmente pensa que tal política é neutra? Tipo, é só expandir a oferta monetária e tudo sem resolve, sem efeitos colaterais?

    Não. Expandir a oferta monetária prolonga todas as distorções e desequilíbrios que causaram a recessão. Qualquer recuperação econômica que se dê sob estas condições será artificial e acabará em uma recessão ainda maior mais à frente. Foi exatamente isso que os EUA fizeram para combater a recessão de 2001-2003, gerando a crise de 2008. Você realmente acha que isso foi o "melhor remédio para lidar com o fenômeno da rigidez e tornar a economia mais estável"? Acha que foi realmente menos doloroso?

    Por outro lado, o governo brasileiro, por mais incrível que pareça, permitiu que os preços e salários caíssem durante a recessão de 2009, por isso ela ter sido curta. Foi doloroso?

    Abraços!
  • Pedro  20/09/2012 08:38
    O BC foi lerdo frente ao cenário ruim de 2008, gerando uma perda de produto em 2009. Se ele tivesse agido rápido em 2008 não teriamos amargado recessão no ano seguinte.
  • Ricardo  20/09/2012 09:27
    "Agido rápido"? Ora, o Fed agiu rapidíssimo. E bem intensamente. E aí, gostou do resultado?

    E me explica melhor essa magica aí: como é que imprimir dinheiro -- que é a única coisa que um Banco Central faz -- pode ajudar uma economia a produzir mais? Desde quando criar dinheiro torna uma economia mais produtiva? Desde quando criar dinheiro faz com que haja uma maior criação de bens? Que alquimia é essa?

    Impressionante como essas falácias de fácil apelo perduram e conseguem enganar facilmente os mais ignorantes no assunto...
  • Blah  20/09/2012 03:13
    Preços e salários rígidos não significa inflexibilidade total dessas variáveis, mas ajuste demorado, só exequivel no longo prazo.

    Vou dar alguns simples contra-exemplos que mostram que essa ideia é uma canoa furada. O preço dos processadores (tanto de PCs como de outros aparelhos) está sempre caindo e a tecnologia está sempre melhorando. O preço de discos SSD está caindo bastante. O preço de um pen drive, então, nem se fala. Antigamente, pagava-se uma fortuna por uma geladeira. O preço das geladeiras começou a cair e hoje em dia paga-se relativamente pouco por uma geladeira. Um rádio era um item de luxo. Em não muito tempo, um rádio passou a ser algo que até mesmo alguém muito pobre podia pagar.
  • Pedro  20/09/2012 08:31
    Um exemplo da rigidez de preços: a queda da demanda por carros no Brasil há alguns meses atrás. Os preços não cairam, e os estoques começaram a subir, sem falar no risco de desemprego no setor e no perigo de espalhar um pessimismo na economia dado a importância desse setor. Ao invés de deixar por conta do mercado, o estado interviu, liberando compulsório, reduzindo juro, reduzindo ipi e fazendo acordo com o setor. O resultado está começando a vir agora.
  • Luis Almeida  20/09/2012 08:38
    Muito bom, Pedro. Se empresários se recusam a baixar seus preços -- e reduzir suas margens de lucro --, você defende que o estado deve imprimir dinheiro, estimular o endividamento da população e punir os poupadores com a inflação. Tudo para manter o conforto de seus empresários favoritos.

    Ou seja, aos empresários mercantilistas e acomodados, a vida fácil; à população poupadora, a punição.

    Você é um genuíno defensor do capitalismo de estado, e um vigoroso opositor do livre mercado e de sua punição para empresários acomodados.

    Parabéns por sua franqueza.

    P.S.: só de curiosidade: em qual situação você defenderia uma vida mais realista para os grandes empresários dependentes do estado?
  • Juliano  20/09/2012 10:46
    O engraçado é que a esquerda é sempre a primeira a criticar o consumismo, mas, com o mercado tenta punir a produção excessiva, ela é a primeira por gritar por medidas que mantenham o consumo alto.\r
    \r
    Para a esquerda, governo bom é aquele que proíbe a compra de produtos externos, aumentando a necessidade de recursos para produzir a mesma coisa. Por mais incoerente que seja, o mesmo governo é o salvador dos recursos naturais que vai lutar contra os desperdícios do capitalismo.
  • Blah  20/09/2012 10:28
    Um exemplo da rigidez de preços: a queda da demanda por carros no Brasil há alguns meses atrás.

    Veja bem, eu dei exemplos claros e cristalinos de que esse papo de rigidez de preços é conversa para boi dormir, e você me dá um exemplo da indústria automobilística, uma das que mais tem interferência do governo em quase tudo. É claro que os preços não caem. O governo trata a indústria automobilística como se fosse a única que existe no Brasil. Parece até que só existem carros a serem fabricados. Quando aparece alguém importando carros muito mais baratos, o que acontece? Ora, as montadoras instaladas no Brasil dizem que isso é perigosíssimo, pois os empregos de milhares de brasileiros estão em risco! Há uma relação dúbia entre os empresários do setor e o governo. Reclama-se da carga tributária, reclama-se dos encargos trabalhistas, mas se o governo decidir abrir o caminho para que o cidadão compre carros importados mais baratos, aí o governo serve para protegê-los dos estrangeiros.
  • Joel Pinheiro  20/09/2012 15:07
    Antes não tivesse feito essa intervenção. As montadoras superestimaram a demanda pelo produto delas. Seria bom sim que os carros baixassem de preço; e em um sistema em que o governo não interfere, os empreendedores acabam descobrindo que é melhor vender barato do que ficar com produto na mão (já visitou algum fim de feira? E loja em tempos de liquidação?). Se isso demora mais ou menos, é irrelevante: sempre há um período de tempo.

    Agora, com a ajuda do governo, manteve-se a situação de lucratividade artificialmente alta das montadoras e concessionárias. O erro de previsão foi premiado. E como é impossível consumir mais de um lado sem que se consuma menos de outro (ou sem que se poupe menos no total) - ou seja, não se cria riqueza do nada, ainda que se possa criar dinheiro -, esse prêmio teve como contrapartida a punição de algum outro setor.
  • Juliano  20/09/2012 15:25
    Nosso governo não deixa nem ingresso de jogo de futebol sofrer pressão. Se o público não quer, o governo ajuda. Tudo para manter o lucro dos amigos do rei.

    www.redebomdia.com.br/noticia/detalhe/33031/Ingressos+para+amistoso+serao+subsidiados
  • Joel Pinheiro  19/09/2012 17:25
    Pedro, salários serem rígidos em nada refuta a teoria econômica austríaca. Pelo contrário, é um dado cujas consequências uma análise austríaca pode mostrar perfeitamente.
  • Luiz Renato  19/09/2012 13:53
    Em tese, corretísssimo; o problema é que esse livre mercado não existe em lugar nenhum. Todo Estado regula mercado, favorece uns e desfavorece outros, prioriza determinadas mercadorias e carreiras em detrimento de outra, mais ou menos propositadamente - aqui no Brasil, mais. No nosso caso, parece-me que a as leis trabalhistas, CDC e tutti quanti são distorções que corrigem distorções - ou pelo menos, equilibram distorções. Ou, resumindo: não há mercado livre e eu também quero o meu.
  • Andre Cavalcante  19/09/2012 19:49
    Muito bem Luiz Renato. Você detectou muito bem o problema: o estado não deixa o mercado, e o capitalismo, funcionar. Então, a conclusão óbvia que se chega é: o que devemos acabar, com o capitalismo ou com o estado?
  • Gustavo BNG  19/09/2012 21:09
    (...) no Brasil (...) parece-me que a as leis trabalhistas (...) equilibram distorções

    Errado, elas só pioram as coisas. São a pá de cal.
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  19/09/2012 13:59
    Parabéns Joel pelo seu consistente e esclarecedor artigo.

    Estava lendo o Valor online hoje e me deparei com um artigo do Prof. Yoshiaki Nakano. Ali o ilustre prof. escreve pérolas como:

    "Com a ascensão do neoliberalismo, a partir dos anos 1980, o mercado transformou-se no princípio dominante de organização da economia capitalista, com retração da função Estado. Entretanto, com a crise, se não fosse a massiva intervenção e socorro prestado pelo Estado todo o sistema financeiro americano e europeu teria praticamente desaparecido. Para a sobrevivência do próprio capitalismo, o Estado-nação está retomando a sua função reguladora e controladora dos mercados, num processo adaptativo, diante da ameaça maior da crise"


    "O paradigma liberalizante que vigorava desde 1980 entrou em crise e passou a ser questionado pelos fatos, pela necessidade de respostas pragmáticas e rápidas do governo para salvar o sistema."

    "Entretanto, quanto maior for a resistência e o período de dominância das velhas ideias e do mercado livre como princípio de organização da economia, maior será a crise necessária para que o princípio adaptativo funcione e reestabeleça a nova ordem."




    Leia mais em:
    www.valor.com.br/brasil/2834998/oportunidade-para-o-brasil-tornar-se-protagonista#ixzz26x0G15Pe


    É impressionante como o keynesianismo e quejandos tem a capacidade de distorcer a realidade dos fatos. A partir de afirmações como estas acima, dentre outras, o Prof. Nakano coloca a culpa da crise econômica atual sobre o mercado, e aponta o aumento da intervenção estatal como a solução da crise que o próprio intervencionismo criou.
    Segundo o prof., estamos vivendo a presente crise porque, pasmem, as elites políticas e econômicas insistem em defender o mercado. Isso a despeito, em praticamente todos os países, do brutal aumento dos gastos estatais nos últimos anos, elevação contínua da carga tributária como proporção do PIB, excesso de emissão de moeda, baixa artificial da taxa de juros, lançamento contínuo de pacotes fiscais, aumentos das tarifas protecionistas e de todo tipo de intervencionismo. Se isso reprenta a manutenção dos princípios de mercado e o exercício de politicas econômicas liberais, então eu sou Napoleão Bonaparte em pessoa.

    Em outras palavras, o dr. Nakano informa, com seus argumentos keynesianos, que a volta à selva é a solução para todos os problemas econômicos da atualidade.

    E se forem ler os comentários ao artigo, verão que há pessoas parabenizando o prof pela sua lucidez.

    Com diagnósticos como o do dr. Nakano para debelar a crise, não é de se espantar que não veja saída à vista para o descalabro econômico atual.

  • Paulo Kogos  19/09/2012 18:19
    muito bom texto, Joel...

    podemos resumir na seguinte frase
    capitalismo selvagem é uma contradição em termos

    e a natureza humana realmente é diferente, há um componente divino na alma humana
  • Bruno Rodrigues  01/10/2012 16:16
    Honestamente, isso é Economics 101. Agora põe o atrito e vê se o foguete voa.

    Bens publicos sendo explorados privadamente, assimetria de informação, perigo moral. Sem falar que o atributo da cooperação que é, por você, atribuído ao mercado na verdade não é inerente ao mercado. Ele é resultado de leis e do arcabouço institucional que pautam o mercado.

    Tanto os neo liberais como os austríacos deveriam ver como a teoria econômica é como a física teórica, enquanto que política pública é como a engenharia.

    A grande sacada do John Nash foi mostrar como um abiente competitivo de mercado pode levar à um resultado pior do que um planejado.
  • Ricardo  01/10/2012 16:23
    Falou, falou, falou e ficou só na espuma. Qual a sua teoria?

    "A grande sacada do John Nash foi mostrar como um abiente competitivo de mercado pode levar à um resultado pior do que um planejado."

    A grande sacada minha foi mostrar que é possível pular e ir à lua. Duvida? Pois é, essa é minha "grande sacada". Cadê a comprovação dessa "grande sacada" do Nash? Nem estou pedindo empiria, não; estou pedindo a lógica por trás desta "sacada". Qual é? É a teoria dos jogos? Envolve um comportamento humano matematizado?
  • Ali Baba  31/07/2013 15:28
    @Ricardo, @Bruno Rodrigues,

    O Bruno está certo: em uma situação em que todos os participantes estão cientes da estratégia de todos os demais e tomam a melhor decisão para si, essa decisão pode levar a um estado menos satisfatório do que o "ideal".

    O que não está considerado no equilíbrio de Nash é que a realidade impõe que a informação não está sempre disponível e que os participantes não precisam informar as suas estratégias (e se o fazem, podem mentir). O que o equilíbrio de Nash mostra é que a competição pode levar a resultados piores individualmente caso todos os participantes conheçam as estratégias uns dos outros e essas estratégias não forem fictícias.

    Como podemos ver, uma situação como essa não reflete muito bem o que sabemos da vida real. É uma teoria interessante. Uma anedota muito boa de se escrever artigos científicos e garanto que muito pesquisador sério ganhou grande reputação e prestígio investigando o equilíbrio de Nash. Mas não passa de um caso particular.

    Por ter trazido o equilíbrio de Nash a discussão, posso inferir que Bruno Rodrigues é estudante de economia. Poderia até arriscar que é dos primeiros semestres, mas não farei isso uma vez que pessoas mais adiantadas no curso e até mesmo professores tem um deslumbramento irracional com o equilíbrio de Nash. Não desanime Bruno! A vida real não é como estudamos na faculdade, mas não é motivo para desânimo viu? Força!


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