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Como o mundo irá mudar

O mundo não irá se tornar livre pela criação de novas leis ou por causa da renovação de leis antigas.  Também não será por causa de novos líderes políticos e nem por causa do resultado de eleições.  Tampouco será por causa de uma mudança no governo.  O mundo irá se tornar mais livre somente em decorrência de uma mudança na atitude das pessoas em relação ao governo.  Não será por causa de legislações, mas sim em decorrência de um desprezo por legislações.

A mudança genuína ocorrerá não quando o estado for reformado, mas quando ele for ignorado.  Não quando os políticos forem melhores, mas quando eles forem irrelevantes.

Quando as leis criadas pelo estado não mais forem consideradas necessárias ou importantes, o estado deixará de ser respeitado.  E quando ele deixar de ser respeitado, ele não mais conseguirá se impor sobre ninguém, pois sua existência deixará de ser exequível.

É assim que o mundo irá mudar.

Evidências frente à descrença

O mundo pode sim se livrar desta relíquia bárbara conhecida como 'estado'.  O estado é uma poderosa ficção cujo poder depende totalmente da crença das pessoas em sua necessidade, ou inevitabilidade.  Mas a crença no estado não é insuperável.  Não é intransponível.  Não é algo que está contido em um microchip indestrutível inserido na mente das pessoas.  Pressupor que um estado tem de existir ou que ele sempre existirá não é um fato indiscutível.  O estado, assim como várias outras superstições hoje tidas como ultrajantes, deploráveis, desumanas ou ineficientes, pode perfeitamente um dia ser jogado na lata de lixo da história.

No passado, foram inúmeras as pessoas que riram da noção de que uma instituição tão velha quanto a própria humanidade, a instituição da escravidão, um dia seria ou poderia ser abolida.  O senso comum que prevaleceu durante séculos, mesmo entre aquelas pessoas que já haviam percebido a repugnância moral da escravidão, era o de que a escravidão era apenas um aspecto inerente à natureza humana.  Reformistas argumentavam que a melhor coisa que podia ser feita era tentar criar uma versão mais humana para a escravidão.

A escravidão era uma instituição que, por mais diabólica que fosse e por mais utópicos que parecessem aqueles que defendiam que o mundo seria melhor sem ela, estava aqui para ficar.  Alguns dedicaram sucessivos esforços para tentar aprimorar a instituição da escravidão, para ensinar os senhores de engenho a serem "bons" e "mais humanos" para com seus escravos.  Alguns criaram regras e costumes com o intuito de limitar os efeitos mais sórdidos da instituição.  Mas a instituição em si era considerada tão inevitável quanto a escassez e a morte.

O erro fatal deste raciocínio é que a escravidão e o governo, ao contrário da escassez e da morte, são instituições criadas por humanos.  Escravidão e governo são, acima de tudo, construções mentais.  Suas manifestações físicas não são realidades que os humanos simplesmente encontram na natureza, mas realidades que nós mesmos criamos.  E humanos só criam aquilo que antes imaginam.  Uma ideia só irá se tornar uma ação caso o indivíduo atuante acredite que vale a pena levar adiante tal ideia.  Para subjugar outro ser humano, ou para tolerar e permitir a subjugação de um ser humano por outro, é necessário antes que o indivíduo tenha em mente a ideia da subjugação, e que ele creia que implementá-la é preferível a ignorá-la ou condená-la.  Já a escassez e a morte natural não necessitam de nenhum consentimento humano.  O velho ditado sobre a morte e os impostos serem inevitáveis é somente metade verdadeiro.

Se o estado, assim como a escravidão, é o resultado das ideias de indivíduos, então ele não é inevitável.  Algum dia a humanidade ainda irá olhar para trás e vislumbrar a instituição chamada estado com a mesma sensação de vergonha e estupefação que sente hoje em relação à escravidão.  Como foi possível que tantas pessoas — várias delas boas pessoas — vivessem suas vidas diariamente cercadas por uma instituição tão corrupta, tão desumana, tão ignóbil, tão coerciva, tão violenta e tão aviltante?  Elas realmente consideravam tal instituição necessária?  Elas realmente não percebiam o quão degradante tal instituição era?  Será difícil entender como tantos humanos consideravam o estado inevitável, tolerável e até mesmo bom.  Assim como a escravidão se tornou uma relíquia odiada, o mesmo pode ocorrer ao estado.

Como tudo acontece

A escravidão não foi abolida por mudanças nas regras, nas leis ou nas lideranças políticas.  Tais mudanças normalmente são meras consequências de mudanças na mentalidade e na crença das pessoas.  Embora mudanças nas regras, nas leis ou nas lideranças políticas erroneamente recebam os créditos, elas jamais são a causa.  A escravidão acabou assim que as ideias das pessoas a respeito dela foram alteradas.  As pessoas passaram a acreditar que a escravidão não apenas era um mal, como também era um mal desnecessário.  As pessoas começaram a ver a escravidão como algo tão maléfico, que elas se tornaram dispostas a tolerar os inevitáveis sacrifícios de curto prazo trazidos pela abolição da escravidão com o intuito de colher os frutos do aperfeiçoamento de longo prazo da condição humana.

O cálculo de custo e benefício foi alterado tão logo a noção de moralidade das pessoas sobrepujou o temor da 'instabilidade institucional'.  As desconhecidas consequências da abolição da escravidão se tornaram um risco aceitável quando comparadas aos conhecidos males da instituição, os quais haviam se tornado uma realidade inaceitável.

Reforma política

Reformas políticas jamais podem produzir liberdade.  Elas podem, em raras ocasiões, ampliar um pouco de liberdade para apenas algumas pessoas; porém, enquanto tal ampliação ocorrer via métodos políticos, o que realmente estará ocorrendo é uma barganha que está retirando a liberdade em algumas outras áreas.  Quase sempre, haverá um fomento de longo prazo da confiança no estado.  Todo o jogo político se resume a rearranjar e a reforçar a necessidade do estado.

O jogo político atrai grande atenção e, sendo assim, vários sugerem utilizá-lo como uma maneira de educar as pessoas sobre o poder da liberdade.  Mas utilizar a política como ferramenta educacional somente será de alguma valia no longo prazo se tal medida também ensinar às pessoas que, no fundo, a política é um mal, e que o governo jamais pode ser uma instituição benéfica.  Se a política meramente inspirar as pessoas a defender a ideia de que o estado pode melhorar as coisas, então ela não irá, no final, tornar a sociedade mais livre.  É a descrença na política e no estado o que leva à liberdade.

Sempre haverá pessoas com desejo de poder, com desejo de controlar os outros.  Somente quando o resto não mais acreditar que tal poder é necessário, e consequentemente não mais obedecer às ordens dos senhores de engenho, poderá a liberdade triunfar.

Mudança de foco

Humanos querem resolver problemas da maneira mais imediata e direta possível.  Queremos saber onde começa o problema da restrição da liberdade.  Descobrimos a fonte de maneira gradual e progressiva.  Primeiro, o foco está nas pessoas — na liderança política considerada incapaz e corrupta.  Isso rapidamente se generaliza para partidos políticos ou grupos, depois para políticas e leis, depois para agências e instituições, até finalmente chegar ao próprio estado.

Neste ponto parece que chegamos ao âmago do problema: o estado em si, e não as personalidades, partidos, agências ou leis sob seus auspícios.  Porém, uma mudança de foco ainda mais profunda é necessária.  O estado não é a raiz do problema.  O real problema não é uma instituição, mas uma ideia.  A ideia de que o governo é necessário.  É esta ideia a culpada de todas as coisas ruins que o estado já fez.

Uma pequena mudança de foco já está ocorrendo.  Algumas pessoas já percebem que não há diferenças entre partidos políticos.  Outras não acreditam que políticos são seres superiores capazes de solucionar problemas criados pelo próprio estado.  E já é mais comum ver instituições estatais e os incentivos distorcidos criados pelo governo sendo criticados.  Isso é um progresso, mas é muito pouco.  Ainda é muito raro ver a existência do próprio estado sendo criticada, e ainda mais raro é ver uma crítica à ideia de que o estado é necessário.

A crença em sua necessidade é que o concede todo poder ao estado, o qual, por definição, é repleto de maus incentivos que atraem e estimulam pessoas ruins.  Dizer que pessoas, partidos ou políticas são o probo_anel.jpglema é como culpar a calçada por ter quebrado a sua perna após você ter ignorado que o prédio possuía escadas e elevadores e ter decidido pular da janela.  Xingar a calçada é inútil e ignorante.  A reação adequada seria questionar a necessidade de pular da janela; talvez, ao fazer isso, você descobriria outros métodos menos dolorosos para alcançar o seu objetivo de chegar à rua.

Não existe uma forma ou arranjo de estado que seja garantidor da liberdade.  A solução sempre será paz, livre mercado e voluntarismo.  O anel  do poder não pode ser utilizado para o bem; ele deve ser jogado no fogo antes que o bem seja utilizado como desculpa para o mal.

Mudando vidas e mudando a vida

Não quero aqui subestimar as possíveis consequências de algumas tentativas de se reformar o estado.  Por meio de tais esforços, vidas podem ser mudadas.  Uma decisão judicial pode salvar um indivíduo ou toda uma vizinhança de ser demolida e desapropriada pelo estado.  A revogação de uma regulamentação pode mudar para melhor a vida de um empreendedor, permitindo que ele finalmente possa correr atrás de seu sonho.  Tais medidas são análogas a donativos enviados para regiões que sofreram desastres naturais; elas podem genuinamente mudar vidas e oferecer um grande alívio.  Elas podem mudar vidas, mas não podem mudar a vida.

Desastres sempre ocorrerão.  Assim como as condições que geraram fome não são melhoradas com o alívio instantâneo da pessoa que recebe donativos, as ações estatais que destroem a liberdade não são abolidas quando determinadas ações estatais momentaneamente deixam de estorvar uma vizinhança ou de regular um determinado setor da economia.  O estado sempre continuará — pois depende disso — buscando sua própria expansão, e crescerá em cima de todos os pontos fracos que encontrar, garantindo que um incontável número de vidas continue dependentes de sua existência, mas sem que as condições gerais de vida sejam fundamentalmente alteradas.  Tratar a doença é uma medida nobre, mas não é o mesmo que erradicar a doença.

Mudar vidas é um trabalho nobre e gratificante.  Mas para aqueles corajosos o bastante para sonhar, mudar a vida é uma bem-aventurança, e é algo que só pode ser feito por meio do enfraquecimento — e não do aperfeiçoamento — do estado.

O que fazer?

A única tática que merece ser perseguida é a do esclarecimento.  O esclarecimento próprio e o dos outros, sempre de maneira contínua.  Isso não significa dizer às pessoas em que acreditar ou o que fazer.  Trata-se muito mais de descoberta do que de educação.  Um professor, por meio do fornecimento de informações, pode ajudar um aluno a descobrir a verdade, mas o aluno tem de ter a curiosidade e a ânsia da descoberta.  É o próprio descobridor quem decide se quer ou não descobrir.

Torne-se uma pessoa livre e a sua liberdade será um estímulo e um farol para outras que também querem ser mais livres.  Comporte-se como uma pessoa livre e todos irão querer imitá-lo.  Crie liberdade na sua própria vida, troque ideias, seja aberto e receptivo ao poder da criatividade humana.  Liberte sua mente e você começará a libertar a mente dos outros — não ao dizer a eles em que acreditar, mas ao demonstrar e discutir a superioridade das ideias de liberdade.

O mercado não produz inovações e tecnologias porque pessoas espertas dão ordens a terceiros; o mercado produz inovações e tecnologias porque se trata de um arranjo em que há uma contínua troca de idéias, um contínuo fluxo de criação e imitação, de tentativa e erro — o maior jogo ininterrupto de trocas econômicas.

A construção de uma sociedade livre não tem de esperar que o estado se torne limitado ou ausente; com efeito, o estado só irá desaparecer após uma sociedade livre ter sido construída para substituí-lo.  O fantástico poder das ideias irá destruir as bases que sustentam o estado tão logo pessoas livres começarem a viver e a respirar ideias que demonstrem a vida, a energia, o prazer, o progresso e a satisfação da liberdade.

Isso não significa que todos aqueles que querem liberdade devem fazer a mesma coisa.  Demonstrar e discutir as ideias de uma sociedade livre é uma tarefa tão ampla e evolucionária que abre inúmeras portas.  As diferenças intrínsecas aos seres humanos no que diz respeito às suas habilidades e interesses levam a inúmeros esforços, e o esclarecimento e o preparo permitem um amplo espaço para diferenciações.

Nossas diferenças irão se manifestar nas outras pessoas com quem trocarmos ideias, bem como nos métodos e meios que utilizarmos.  A construção da sociedade livre tem de se basear na troca de ideias.  Só assim a mudança poderá ser duradoura.  Não se deve enganar, adular, forçar, atiçar, empurrar, subornar ou ditar ordens.  Tais medidas irão, no final, levar a menos liberdade, e não a mais.

A liberdade não é inevitável, mas é possível.  Um estado que não esmague a liberdade não é uma realidade possível.  Enquanto o estado for considerado algo necessário, ele irá existir; e ele sempre crescerá para muito além de seus limites originalmente imaginados e desejados.  Todos os estados tendem a saquear e a depredar a sociedade que o sustenta até destruí-la e destruir a si próprio; o que varia é apenas a velocidade com que isso ocorre.  Mas se a crença na necessidade do estado permanecer, o estado deposto será rapidamente substituído por um estado novo, e todo o processo será reiniciado.

A única fundação sobre a qual uma sociedade pode ser construída sem entrar em colapso é a crença na possibilidade de uma vida sem políticos e burocratas nos apontando armas e ditando ordens.

Esta é uma crença que tem de se tornar popular.  Argumentos consequencialistas (práticos) e deontológicos (morais) contra o estado são válidos, mas insuficientes.  As pessoas sempre irão aceitar um sistema imoral e ineficiente caso acreditem que ele seja necessário.  Tão logo elas descobrirem que tal sistema é desnecessário, elas irão abandoná-lo e fornecer razões práticas e morais para fazê-lo.  Mas, para que isso aconteça, a crença na necessidade do estado tem de ser derrubada.

Realista e radical

Se abrirmos nossa imaginação, há ampla e abundante evidência de ordem sem o estado.  Normas e instituições não-estatais produzem a maior parte do mundo que vemos ao nosso redor.  Historicamente, a sociedade precede o estado, e há ampla evidência de soluções não-estatais para aqueles problemas os quais fomos ensinados que somente o estado pode resolver.

Sempre que as pessoas se tornam capazes de imaginar soluções melhores, elas imediatamente deixam de apoiar soluções inferiores (mesmo diante do desconhecido, caso elas acreditem na premissa) e deixam de proibir novas experimentações.  Pessoas com uma imaginação pequena demais para visualizar um automóvel podem perfeitamente aceitar restrições à construção de estradas.  No entanto, pessoas que embora sejam incapazes de visualizar a manifestação específica de um automóvel, sejam capazes de imaginar o progresso humano e as invenções capazes de surpreendê-las, serão muito mais reticentes em restringir a construção de algo que seja uma promessa desconhecida.

etica.jpgÉ exatamente por isso que não é necessário que todos nós compartilhemos a mesma visão — ou sequer um mesmo ideal específico — em relação a um mundo sem políticos e burocratas.  Temos, no entanto, de ser corajosos, audazes e tolerantes o bastante para vermos nas relações humanas o potencial para a ordem sem o estado.

Aqueles que conseguem imaginar tal mundo têm a tarefa de abrir a mente de terceiros para esta mesma possibilidade.  Mostrem a elas, inspirem-nas e deixem-nas intrigadas.  Onde a imaginação é deficiente, também o é a liberdade.

A dissolução do estado não depende de as pessoas se tornarem melhores ou que a moralidade mude, ou que haja um próximo passo na evolução.  É uma falácia crer que o governo é necessário e inevitável.  Ele pode desaparecer a qualquer momento.  É tudo uma questão de mudarmos nossas crenças, paradigmas e teorias a respeito do mundo.  É necessário apenas que percebamos que o estado não é necessário.  Eu digo "apenas" estando perfeitamente ciente de que o poder de imaginação necessário para entender a desnecessidade do estado não é pequeno.  Abrir nossas mentes a esta possibilidade é o maior e mais promissor desafio intelectual e prático de nossa era.


Leia tudo sobre o assunto Anarcocapitalismo


autor

Isaac Morehouse
é membro do Instituto de Estudos Humanos da George Mason University, fundador e CEO do Praxis, e membro da rede de professores da Foundation For Economic Education


  • Diego Cardoso  06/09/2012 07:42
    Brilhante!
    Um dos textos libertários mais inspiradores que já li.
    Obrigado por disponibilizá-lo.
  • VAN ALEXANDER  13/09/2013 14:39
    "Sempre haverá pessoas com desejo de poder, com desejo de controlar os outros. Somente quando o resto não mais acreditar que tal poder é necessário, e consequentemente não mais obedecer às ordens dos senhores de engenho, poderá a liberdade triunfar."

    NÃO EXISTE UMA ÚNICA PESSOA NO MUNDO QUE ACREDITE QUE UM DIA DESAPARECERÃO PESSOAS COM SEDE DE DOMINAÇÃO. É DISCUTÍVEL SE ESSA SEDE É NECESSÁRIA, COMO DIZ O TEXTO QUE DESTAQUEI, NÃO VEM AO CASO. MAS QUEM ACREDITA QUE ELA UM DIA DEIXARÁ DE EXISTIR DENTRO DO SER HUMANO É SONHAR MAIS QUE OS COMUNISTAS SONHAM COM O FIM DO CAPITALISMO.
  • Tullio  06/09/2012 10:37
    Fantástico! Pra começar bem o feriado! abçs
  • Fellipe  06/09/2012 12:48
    Muito bom, excelente texto.
  • Marcos Campos  06/09/2012 13:02
    Gostei da parte que fala sobre não impor nada a ninguem, mas a importancia de externalizarmos nossas ideias, para que haja debate e internalização do ouvinte consequentemente uma externalização renovada em seus próximos debates.

    Uma semente pode mudar um pequeno grupo. Um pequeno grupo pode mudar uma nação.
    Ajudar uma pessoa a aprender a pensar lhe mostrando outras formas de um mesmo objeto é o caminho.

    Excelente artigo, me renovou!
  • Fernando Chiocca  06/09/2012 13:12
    Troféu de artigo do ano.
  • Peterson Mota  06/09/2012 15:41
    Troféu de artigo do ano. [2]
  • Gianelli  06/09/2012 19:30
    Compartilhar com os meus alunos! Imediatamente!!! Obrigada pelo brilhante texto!
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  07/09/2012 04:09
    Saudações, colírio para os olhos, pois o leio-o, se caso fosse um som, seria música para meus ouvidos.
    Excelente texto, aceito o desafio,irei informar aos incautos, aproveitarei a oportunidade da atenção do colega e convidarei ao experimento.Vejo também que encontrarei muitos que gostam da tutela, foram nascidos,amamentados no estado-babá e educados no estado-provedor/onipotente.
    É isso, retirar a venda esperando que o Sol não incomode.
  • Renato  07/09/2012 05:04
    Eu estou entre aqueles que acreditam que isso é uma utopia.
  • Bernardo Fachini  07/09/2012 07:50
    As pessoas só acreditam que o estado é necessário porque duvidam da capacidade psíquica de controle das suas próprias pulsões - ou não conseguem um autocontrole.
  • anônimo  07/09/2012 13:02
    Vejam isso... É gente do MIT. O que acham?

    g1.globo.com/globo-news/milenio/platb/2012/08/24/a-importancia-da-politica-para-a-economia
  • Neto  07/09/2012 14:21
    'Países que favorecem a iniciativa privada e a liberdade individual diante do estado são os que mais prosperam'
    O cara do MIT diz que essa é a teoria dele? Não tem nada de novo nisso
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  07/09/2012 14:04
    Os textos do IMB sobre a filosofia libertária estão entre as leituras mais belas que já vi na internet.

    Parabéns!

    Abraços
  • Patricia Bastos  07/09/2012 14:30
    Troféu de artigo do ano.[3]

    O artigo me fez lembrar de um professor da faculdade, por meio do qual conheci o site.
    Brilhante texto!!!
  • eduardo antonio  07/09/2012 15:03
    Chega de políticos profissionais, não votem mais em alguém, uma hora eles desistem e quem precisa deles?
  • anônimo  07/09/2012 17:33
    Prezado Neto

    Veja o vídeo até o final e escute o que foi dito sobre as iniciativas brasileiras (nos dois últimos mandatos presidenciais).

    Veja o que o teórico comenta a respeito da liberdade de mercado e da NECESSIDADE DE ESTADO. Para o douto economista, tal necessidade é imperativa para se acabar com os monopólios e gerar iguais chances para todos.

    Sugiro que veja o vídeo todo antes de postar suas impressões. Tal atitude é perigosa. Muito provavelmente, foi por causa de pessoas que fazem leituras superficiais das obras, que muitos teóricos, incluindo Mises, foram incompreendidos e esquecidos, ao passo que outros, pelo mesmo processo foram elevados a deuses.

    Coloquei o vídeo como uma provocação (saudável) ao texto apresentado pelo IMB. Quero poder contribuir para a causa libertária, só que seria interessante observarmos as ideias que estão a nossa volta para que não fiquemos insulados em nossos pensamentos. Devemos ler e discutir o que foi apresentado e não ficar dizendo amém para tudo. Afinal, sou LIVRE para pensar o que quiser, ou você é um funcionário da ANVISA? Ou da ANCINE, talvez?

    (www.ancine.gov.br/nova-lei-da-tv-paga www.dci.com.br/servicos/todos-canais-brasileiros-de-tv-a-cabo-terao-producao-nacional-ate-2013,-diz-ancine-id305065.html)

    Muitos comunistas que conheço são peritos em repetir, de forma sistemática, o comportamento descrito na última linha do parágrafo anterior.

    Muito cuidado.
  • Sérgio  08/09/2012 13:15
    Não gosto de anarquistas, eles defendem o fim do Estado usando a corrupção e as piores leis como argumento. O Estado é a solução pra manter o país funcionando, o problema é que ele está cheio de socialistas e comunistas infiltrados (vide todos os partidos serem de esquerda). O problema não é o Estado em si, o problema são os políticos e certas leis que podem ser alteradas.
  • Bruno  11/09/2012 12:57
    Sérgio, gostaria de saber o norte para a criação destas leis. Ocorre que quais seriam os sábios a conduzir o mundo da melhor forma possível?

    Resposta: eles não existem.

    Que melhor condução que não a nossa?!
  • Andre Cavalcante  11/09/2012 13:40
    Esse é o pensamento do estatista: "o problema não é o estado, são os políticos que o formam".

    Ora, se você for esperar que os políticos se tornem santos para o estado funcionar, então nunca irá funcionar, certo?

    Se nunca irá funcionar, então porque existe? Não tem função, ou melhor, sua função é guardar para si mesmo exatamente a parte da sociedade que vive da espoliação alheia: corruptos, corruptores e toda a bandidagem que existe.

    Ou então você admite que há algum país no mundo no qual todos os cidadãos são santos, dentre os quais podemos escolher alguns para conduzir a maioria.

    Sergio, você detectou o problema bem, só não quer admitir a solução lógica!
  • Renato  12/09/2012 17:01
    André

    Fale para mim sobre exemplos de sociedades sem governo. Se o objetivo é esse, abolir o governo, seria bom ver exemplos históricos...

    A primeira coisa que se nota é que governos são um fenomeno universal, no tempo e no espaço. Em todo lugar, governos são monopolísticos. Só existiu uma exceção, que acabou por opção dos seus próprios habitantes.
  • Andre Cavalcante  12/09/2012 18:15
    Renato,

    Só uso de lógica. Aqui há um sistema que reconhecidamente não funciona, ou para funcionar necessita que todos sejam "santos", logo é impraticável, justamente porque "ser santo" é um traço absolutamente particular do ser humano. Ora, se a exigência que algo funcione é a existência de um novo homem é inviável, impraticável e irreal. Se é assim, porque utilizamos tal arranjo? Não podemos inventar algo melhor? Creio que se deixássemos as pessoas livres para criar novos sistemas, algum se apresentaria melhor que o que temos hoje.

    Estudos recentes que pude fazer sobre sistemas auto-organizados, mostrou-me que a auto-organização é inerente à natureza. A ciência costuma imitar a natureza para prover soluções para seus problemas, que tal um sistema social humano que se desenvolvesse com essa característica ([i]self-x[/x])? O que ele seria? Só Deus o sabe. Se é viável? Com certeza. Se é factível hoje? Improvável, dado exatamente essa teia estatista que nos amarra a todos. A verdadeira democracia seria aquela que abrisse espaço para todos, que todos fossem efetivamente representados, o que, é claro, somente seria possível se todos pudessem escolher e agir com suas próprias cabeças, no fundo, abolindo o próprio governo e deixando as pessoas, em se relacionando, criar a sua sociedade (ou sociedades).

    Historicamente somente uma construção humana é assim: a própria Internet.

    Mais sobre o porque o estado é o mau: Estado? Não, obrigado!
  • Renato  15/09/2012 18:42
    André

    O erro mais fundamental no seu discurso é que você supõe que a existência de governos nos grupos humanos é um "sistema" proposto por alguém no passado e mantido até hoje por tradição. Isso certamente não é verdade. Existência de governo não é um sistema, é um fenômeno das sociedades humanas. Durante os últimos séculos, as sociedades ocidentais entratam em contato com milhares de povos primitivos, nos mais diversos estágios econômicos, desde o mais simples, que são os de caçadores e coletores. Nunca um desbravadOR, ou pesquisador, ou sertanista, ou missionário, ou viajante encontrou alguma tribo onde a chefia não fosse monopolística. Nunca aconteceu de alguém, encontrando um membro de alguma tribo, e perguntando qual era o chefe da tribo, receber como resposta: "Depende, meu chefe o fulano, sicrano tem outro chefe, e alguns não recenhecem chefe nenhum". Há casos de chefias colegiadas, há casos de chefias rotativas, mas não há casos de chefias alternativas (a não ser quando havia conflitos internos). Pessoas ou familias que viviam isoladas não reconheciam chefes. Mas todos os grupos tinham governos monopolísticos. Ora, o que são as diferentes formas de governos atuais, desde o mais liberal (no sentido verdadeiro) até o mais totalitário? Apenas diferentes evoluções desse mesmo comportamento primitivo. Uma vez que se entende que a formação de lideranças monopolísticas é uma característica dos grupos humanos, a proposta do anarco-capitalismo adquire outra feição. Porque se fosse a simples proposta de mudança de uma tradição particular, poderia ser facilmente alcançável. Mas sendo o ser humando como é, muito provavelmente não é algo factível.
  • anônimo  16/09/2012 20:34
    Renato, governo não é um sistema? Então é o que? Governos são criações mentais colocadas na prática por uma pessoa ou grupo exatamente com o propósito de dominação.
  • Neto  17/09/2012 02:49
    Renato
    Pode ter sido assim mesmo nas sociedades primitivas, mas isso não significa necessariamente que seja impossível numa sociedade mais civilizada, onde tudo é mais fácil(justamente por causa do capitalismo) e as ações se baseiam mais no pensamento frio e racional do que nos instintos de sobrevivência.
  • Renato  17/09/2012 08:50
    Anônimo\r
    \r
    Então lhe pergunto: O fato de todos os grupos humano terem uma chefia monopolistica advém da tradição ou é comportamento inato dos seres humanos? É difícil acreditar que seja por tradição, visto que afeta até mesmo grupos isolados (milhares deles), que não tinham contato entre sí há muito tempo. Logo, a explicação mais plausível é que seja um comportamento inato humano.
  • Andre Cavalcante  17/09/2012 12:16
    Renato, o anônimo acima sou eu mesmo. Respondi do meu telefone. Não sei porque não apareceu meu nome. Também o site tá desorganizando a ordem dos comentários. Já está bem fora de ordem. Daqui a pouco nada fará mais sentido...

    Primeiro gostaria de diferenciar ceder poder a alguém do governo, relativamente ao estado. Eu cedo poder para outras pessoas praticamente todos os dias. Se não estou seguro qual remédio devo tomar (ou como tomar) porque não sou médico, vou a um e ele me diz como devo proceder. Neste momento estou transferindo à ele poder de decisão sobre minha vida. O mesmo acontece com um advogado, que vai me representar durante um litígio qualquer, ou o síndico do condomínio, etc.

    Por que isso acontece? Porque confio que a habilidade destas outras pessoas são maiores que as minhas para realizar aquele ponto específico. Se uma comunidade qualquer entra em conflito armado com outra, nada mais natural que cedamos algum poder para um militar tomar ações de proteção.

    Todas essas situações ocorrem, como disse, dia-a-dia. E todas elas ocorrem de forma completamente espontânea. Não há coação. E tais cessões de poder ocorrem sob pontos específicos, por tempo específico, para fins específicos e ocorrem paralelamente.

    Já o governo é de outra natureza. Um, ou normalmente alguns, inventam um arranjo, um sistema, no qual justificam a sua coação contra os demais. O último arranjo que inventaram, a democracia, faz com que você tenha a ideia errônea que aquela pessoa que está no poder lá está por escolha sua, voluntariamente. Isso é uma falácia, porque posso ter votado em quem perdeu a eleição, entretanto, ele vai mandar na minha vida do mesmo jeito. E mesmo que tenha votado, não há nenhuma garantia (contrato) que a dita pessoa vai realizar as coisas que quero em meu nome.

    Historicamente, portanto, sempre houve essas duas formas de transferência de poder: uma voluntariamente, outra por coação. A primeira, parte de um indivíduo para o o outro, de forma livre. A segunda parte de outros indivíduos à mim, de forma coercitiva.

    Já tive essa discussão anteriormente aqui, não confunda liderança, conquistada por mérito, com coação. A luta humana sempre foi entre "duas classes", dos exploradores e dos explorados. Os exploradores são os que se adonaram, ou criaram, o estado e sobrevivem da coação dos demais: uma minoria que controla e explora a maioria. Os explorados são os demais. Como a maioria rapidamente sufocaria a minoria (vide o exemplo dos indianos contra o domínio inglês), a única forma de manter o status quo é fazer a maioria explorada achar que a exploração é legal.

    As diferentes formas de governo somente modificam o jeito como a minoria exploradora sobrepuja a maioria explorada: no passado era o medo dos deuses, depois a justificativa que o líder era divino, depois a ação pelas armas, depois a ideia de que o cara lá foi escolhido por todos... Todas essas formas já foram usadas um dia para justificar o espoliador como algo bom!

    Creio que este site serve para colocar um pouco de luz neste problema e fazer com que percebamos que há outros arranjos, naturais, auto-organização com emergência, na qual a cessão de poder ocorra efetivamente de maneira voluntária, e que os eventuais líderes somente exerçam tal poder sobre aqueles que efetivamente o cederam a estes.
  • Renato  18/09/2012 15:33
    André\r
    \r
    Grato pela sua resposta. Noto que você apenas detalhou um pouco mais sua forma de pensar, que é a argumentação padrão do anarco-capitalismo. Mas não vi resposto à questão que coloquei.
  • Renato  17/09/2012 09:01
    Neto\r
    \r
    Sim é possivel os seres humanos concordarem entre si racionalemente, que certo comportamento, embora inato, não é totalmente adequado numa sociedade desenvolvida. Em alguns casos isso pode até funcionar. Ora, mas a primeira condição para a racionalidade é a verdade. Em cima de mentiras não se constroem soluções racionais, mas pelo contrário, se constroem as "soluções" mais loucas e destrutivas. Logo, se alguém quiser construir uma sociedade onde não hajam chefias (ou ´"lideranças",no eufemismo de alguns) monopolísticas, e que funcione razoavelmente bem, a primeira medida é reconhecer o comportamento inato humano de constituir chefias monopolísticas para seus grupos.\r
    \r
    O ser humano tem, por exemplo, a instinto inato de vingança. Mas numa sociedade razoavelmente organizada, nem sempre isso é adequado. Que fazem os homens racionais? ADMITEM, primeiramente que tem esse instinto, e depois demonstram, por raciocinios e exemplos, como a livre expressão desse instinto pode não ser adequada. Assim convencem outros seres humanos a tentarem resolver seus problemas preferencialmente de outra forma mais razoável. Da mesma forma, se os anarco-capitalistas quiserem constuir uma sociedade funcional, a primeira coisa que devem fazer é abandanor o MITO da inexistência de governos (chefias monopolísticas) entre os povos primitivos.
  • Neto  17/09/2012 09:48
    Renato
    Onde você viu os anarquistas falando isso? Que as sociedades primitivas não tinham governo?
  • Renato  17/09/2012 14:43
    Neto\r
    \r
    Aqui mesmo no IMB, em outro artigo, já debati com outro comentarista que dizia que tribos selvagens tem "lideranças" mas não governos.\r
    \r
    Note também que o artigo não toca nesse ponto, mas parece partir do princípio de que a existência de governo foi uma idéia que alguém teve, e que se mantém pela tradição ou engano. \r
    \r
    Veja esse trecho particularmente elucidativo "Neste ponto parece que chegamos ao âmago do problema: o estado em si, e não as personalidades, partidos, agências ou leis sob seus auspícios. Porém, uma mudança de foco ainda mais profunda é necessária. O estado não é a raiz do problema. O real problema não é uma instituição, mas uma ideia. A ideia de que o governo é necessário. É esta ideia a culpada de todas as coisas ruins que o estado já fez".\r
    \r
    Note que o autor considera que a existência de um governo é uma simples idéia errada que alguém teve, e que as pessoas estão iludidas por esse erro. Mas o autor não provou essa assertiva. Segundo tudo o que a história e a antropologia mostram, o estabelecimento de governos (chefias monopolísticas) para os grupos humanos parece ser um comportamento extremamente difundido, diria até universal (foi encontrada uma única exceção na história). Se é universal, tudo indica que, contrariamente ao que o autor pensa, é um comportamento inato. Isso muda toda a abordagem do assunto.
  • Andre Cavalcante  18/09/2012 18:28
    Renato,

    Comportamento inato? Essa discussão vai gerar mais polêmica ainda. :) Quais seriam os comportamentos inatos dos seres humanos? Há alguns biólogos que tentam desvendar isso estudando nossos parentes mais próximos: chipanzés e gorilas...

    Mas entendi o seu ponto. Espero poder contribuir de alguma forma para a discussão.

    Há um comportamento, não diria inato, pois creio que é aprendido, mas bem na infância: você deve dominar: a natureza, o outro ser humano... Uma variante disso: "sempre haverá aqueles que querem passar 'por cima'/'tirar vantagens' dos outros".

    Creio que tal coisa é o resultado de um processo de egoísmo e orgulho, que são desenvolvidos desde cedo também: "Meu filho, você tem sangue nobre..." Creio, também, que é este comportamento e este processo de egoísmo e orgulho que engendra os governos.

    Quando, em uma certa comunidade, um grupo resolve que os demais lhe são inferiores, então surge o governo. Veja bem, as pessoas acham que governo é uma boa, se não, não haveria governo, certo? Assim, o faraó é o deus encarnado e o responsável direto pela chegada do sol no dia seguinte - justificativa (aceita pelo povo) para a dominação.

    ----

    A internet (o meu solitário exemplo) é também uma construção humana, mas mais ou menos anárquica, com tudo o que o ser humano tem de feio e belo. Contudo, porque não há UM chefe? Porque todos se reconhecem "iguais" na internet, isto é, todos tem as mesmas possibilidades. Todo o resto que nos diferencia, e que torna a própria internet brilhante, é exatamente o que agrega a todos (quase um paradoxo, não?).

    ----

    Não sei de onde você tirou essa de governo em tribos primitivas, não sou antropólogo, então não vou discutir isso. Só te passo algumas observações minhas e alguns POUCOS estudos que fiz sobre tribos amazônicas (eu sou de Manaus): em geral, tribos indígenas tinham dois tipos de chefias: um para tempo de paz e um para tempo de guerra, e dois tipos de líderes: um religioso (pajé/xamã) e um político (cacique/ancião/guerreio), e não raro em colegiado (concelho de anciãos etc.). Em tempo de paz, o líder político faz muito pouco, pois não há efetivamente impostos a serem recolhidos: o governante trabalha tanto quanto os outros e na maioria das vezes é escolhido pela sabedoria, experiência etc. Em tempo de guerra, claro, o melhor guerreio, o mais forte tende a ser o escolhido. Hoje, no Amazonas, pelo menos as tribos que visitei (3), ou seja, muito poucas para se fazer uma generalização, vivem como comunidades parasíticas, braços do governo, que quase nada mantém da cultura original, inclusive o "cacique" é escolhido dentre aqueles que tem mais ideias comunistas e mais conhecidos na câmara de vereadores da cidade mais próxima (no meu caso, Manicoré).

    Quando falo de tribos primitivas, claro não coloco no mesmo balaio os Tupis e os Guaranis aqui no Brasil, os Incas nos Andes, os Maias e os Astecas, na América Central e o povo Clovis no Norte, que eram nações muito bem estruturadas, com impostos, sacrifícios, hereditariedade, pirâmides, exército permanente e tudo o que os Egípcios, Chineses, Gregos, etc. tinham, em termos de governo (inclusive cidades de pedra e, em alguns casos, escrita).

    ----

    Quanto a questão histórica da não existência de uma sociedade anárquica no passado, tenho duas visões a respeito: a primeira, otimista (torcedor mesmo), não teve no passado porque, se tivesse existido, por ser a melhor, já teria transformado a Terra inteira :); a segunda visão, mais realista, o histórico aqui não conta muito. O comunismo, até ser tentado na Rússia, também não havia tido nenhum contexto histórico (hoje tem).

    Sei que a visão do não governo, ou melhor, do governo do indivíduo, não é para agora. Mas vislumbro que, dentre as "utopias" políticas que já li, a mais factível, seja por ser, até agora, a que me foi mais coerente, e até mais utilitarista a favor do ser humano, é também a mais moral.

    Penso que, antes do verdadeiro anarco-capitalismo ainda vamos passar por algumas doses de minarquia e autoritarismo.

    Abraços
  • Renato  21/09/2012 09:28
    André\r
    \r
    Sua resposta é longa, e deu oportunidade para discutir as coisas de forma mais profunda.\r
    \r
    Em primeiro lugar, devemos separar a situação atual dos índios, reduzidos à condição de pedintes do governo federal, da sua condição independente original. Um chefe atual é pouco mais que um preposto da Funai dentro da aldeia.\r
    \r
    Agora, vejamos como seria a situação original. Decisões importantes eram tomadas, e chefes tinham um peso importante nessas decisões: \r
    \r
    1. Mudar para outro local, pois a maioria das tribos era nômade ou semi-nômade.\r
    2. Efetuar guerra com outras tribos.\r
    3. Decidir sobre casos graves como assassinatos dentro da tribo, e outras coisas que também se julgassem importantes\r
    \r
    Não é irrelevante o fato de haver líderes monopolísticos envolvidos nessas atividades.\r
    \r
    Você disse:\r
    \r
    "Não sei de onde você tirou essa de governo em tribos primitivas, não sou antropólogo, então não vou discutir isso. Só te passo algumas observações minhas e alguns POUCOS estudos que fiz sobre tribos amazônicas (eu sou de Manaus): em geral, tribos indígenas tinham dois tipos de chefias: um para tempo de paz e um para tempo de guerra, e dois tipos de líderes: um religioso (pajé/xamã) e um político (cacique/ancião/guerreio), e não raro em colegiado (concelho de anciãos etc.)."\r
    \r
    Note que ao falar de governo, não quero dizer, é evidente, uma estrutura burocratica, mas o simples fato das decisões que afetam a tribo serem monopolísticas. Ninguém pode ter um chefe particular para sí ou um conselho de anciãos alternativo. É claro que pela simplicidade da sua sociedade, essas instâncias eram também muito simples, mas eram monopolísticas. Digo mais, eram monopolísticas não porque alguém quis ser melhor que os outros, mas simplesmente porque não ocorreu a ninguém que elas pudessem ser não monopolísticas.\r
    \r
    "Em tempo de paz, o líder político faz muito pouco, pois não há efetivamente impostos a serem recolhidos: o governante trabalha tanto quanto os outros e na maioria das vezes é escolhido pela sabedoria, experiência etc".\r
    \r
    O fato de não haver impostos, o fato do chefe trabalhar para se sustentar como todo mundo, e a forma como ele é escolhido, e o fato de suas atribuições serem exíguas, nada disso muda o fato da sua chefia ser monopolística. Não há um chefe alternativo.\r
    \r
    Depois continuo.
  • Renato  22/09/2012 06:21
    André

    Continuando a minha argumentação.

    Falamos até aqui de tribos de caçadores e coletores de frutos, ou tribos que praticavam uma agricultura muito simples. Essas atividades econômicas resultam em uma produção muito pequena, o que permite uma pequena população. Qualquer aumento da população acima do que esses meios permitem, leva a conflitos e guerras.

    O passo seguinte na escalada da produção é a pecuária e a agricultura sedentária, que permitem maior produção de alimentos e bens, e que pela sua produtividade, permite que só parte da população trabalhe na terra (ou que trabalhe na terra apenas parte do tempo). Assim, muitas horas de trabalho são gastas na produção de outros bens e utilidades, que seus produtores trocam por bens da agro-pecuária. O número de aldeias se multiplicam, e formam-se as pequenas cidades, que vivem mais do comércio, manufaturas e serviços do que da agro-pecuária. O aumento das riquezas leva tribos nômades a atacarem essas cidades, para saque, o que leva ao aumento dos meios de defesa (muros). As cidades servem de lugar de refúgio para a população das aldeias vizinhas (relação de dependência militar).

    Bom, o que eu disse é bem conhecido, mas serve de introdução para o que vou dizer a seguir: As instituições das tribos nômades e semi-nômades, que já tinham lugar para cargos monopolísticos, ao se transmutarem em instituições mais complexas, pelo aumento da complexidade da sociedade, CONTINUAM MONOPOLÍSTICAS. Essa é a origem dos governos das cidades, ou pelo menos é isso que me parece. Provavelmente, nessa fase, eventuais distorções da fase anterior se acentuam. Tribos nômades que tem chefes menos sábios e mais arbitrários, tendem, suponho, s evoluir em cidades com chefes mais arbitrários e até ditatoriais. Há ampla divergência na qualidade das instituições das cidades-estado que se formam, mas todas mantém uma característica comum que herdaram dos estágios anteriores: governos monopolísticos.

    Se eu estiver certo, então a existência de governos monopolísticos nas cidades-estado não é uma aberração, mas o simples desenvolvimento natural da sociedade. É claro que a necessidade de SEGURANÇA acentua muito a tendência centralizadora e etá ditatorial do processo. Possivelmente, se não houvesse necessidade de proteger-se de inimigos externos, as cidades seriam muito mais livres, e talvez até tivesse sido tentadas muitas experiências de governos não monopolísticos. Também, se não houvesse necessidade de segurança, toda a população rural não veria necessidade nenhuma de subordinar-se a ninguém. Familias que vivem sós em suas terras, e encontram outras pessoas apenas para comércio e sociabilidade, e não necessitam de nenhuma proteção por parte das cidades, não veriam motivo nenhum para a existência de governos que abrangessem suas terras.
  • Sérgio  13/09/2012 09:49
    O problema é que há muito esquerdista e comunista infiltrado na política, mas se aumentar o número de conservadores e libertários no Parlamento para fazer frente ao esquerdismo, essa situação será revertida, o problema é que a maioria das pessoas de direita (tanto os conservadores como os libertários) não fazem porra nenhuma pra alterar essa condição.
  • Bruno  13/09/2012 16:17
    Sérgio, se decida. Começou a falar que essa história de anarquia é balela. Agora põe a culpa em comunista.

    Dessa mesma inversão de assuntos se utilizam os políticos, a fim de justificar qualquer assunto no qual sejam indagados a "pitaquear". A racionalidade é vital para o debate. Vc perguntou sobre um sistema sem Estado.

    O André deu o exemplo da internet. Eu te dou um que li uma vez nesse espaço, o "velho oeste".

    "Não gosto de anarquistas, eles defendem o fim do Estado usando a corrupção e as piores leis como argumento. "

    Te pergunto agora: nos utilizamos disto em algum momento? Se continuar desgostando-nos, o fará irracionalmente. Apresente novos argumentos que não aqueles subjetivos. "Papo reto".

    "O Estado é a solução pra manter o país funcionando" essa é a ilusão de que trata o texto acima. Escravidão já foi uma ilusão, a monarquia também, a Igreja também...Não digo a certeza, mas espero que tenhamos embutido a dúvida no seu raciocínio.

    Que vc expresse essas dúvidas a seus colegas e que vcs discutam bastante o assunto!
  • Sérgio  13/09/2012 17:09
    Vc q ñ entendeu. O problema ñ é o Estado são os esquerdistas e comunistas comandando o Estado. Eu deixei isso bem claro. Se quer um Estado liberal, é só colocar libertários e conservadores no Parlamento.
  • Bruno  14/09/2012 07:07
    Mas Sérgio, isso que vc escreveu é um paradoxo!

    Ou preto ou branco, não cinza.
  • Sérgio  14/09/2012 07:44
    Onde está o paradozo. O problema não é o Estado, são os esquerdistas que comandam o Estado. Coloque mais políticos Libertários e Conservadores e a situação muda. Onde está o paradoxo?
  • Andre Cavalcante  14/09/2012 14:07
    Sérgio,

    Já paraste pra pensar porque os grandes nomes da moral e ética deste planeta raramente aparecem no espectro político? Como uma exceção, o notável Gandhi conquistou a liberdade política para o seu povo, mas quase para manter a regra, foi morto por um fanático (talvez assim protegendo a imagem de pacifista que temos dele hoje).

    O problema que você não quer enxergar é que o sistema foi feito por pessoas de ética torta para pessoas de ética torta (se é que existe ética torta, talvez fosse melhor pessoas não éticas, mas deu pra entender).

    Então, o único resultado lógico é que devemos mudar este arranjo, para aí sim, permitir que pessoas realmente éticas possam guiar as outras (olhe só a palavra: guiar), apontar um norte, um rumo, não é impor o seu norte ou o seu rumo, como é o arranjo atualmente. Então precisamos mais de líderes e empreendedores e menos de políticos!

    A palavra-chave do livre mercado e da livre iniciativa é acordo - as pessoas fazem as coisas porque concordam e mutuamente se beneficiam e não porque são obrigadas.

    O dever moral é uma obrigação da criatura consigo mesma e não para com o outro. Se a pessoa faz ou não faz é de escolha própria. Obrigação moral para com outros já é caridade, quando o ser teve algum desenvolvimento moral - e isso independe de religião, pois ateus percebem que é melhor uma sociedade solidária do que uma que não seja - então passa a escolher certos valores (diríamos aqui Cristãos).

    Já imposição vem de fora. O estado representa exatamente essa imposição: antes era o rei absolutista, hoje é o conjunto de parlamentares, ou o presidente, ou o juiz. Você cumpre porque não há alternativa (a alternativa é a cadeia!).

    Logo, para mudar este estado de coisas, uma alteração primeiro no indivíduo, em suas ideias. Essa mudança é que irá proporcionar a mudança na sociedade, tão sonhada pelos comunistas e tão longe justamente porque eles tentam matar o elemento chave do problema: o indivíduo.

    Abraços
  • Renato  18/09/2012 16:02
    Eu diria que, muito antes de dominarem a política, os socialistas dominaram as universidades e a cultura.\r
    \r
    Se não forem enfrentados nesses campos mais básicos, eles sempre ganharão na política e nos meios de comunicação.
  • Catarinense  13/09/2012 16:59
    Sérgio, esta palestra ( em inglês ) é sensacional para elucidar a questão do porquê das "pessoas certas" não estarem no governo.\r
    \r
    mises.org/daily/3686
  • Neto  14/09/2012 08:01
    Se colocar libertários no governo, o governo some
  • Bruno  14/09/2012 12:19
    Replicando

    Sérgio, como seria a escolha dessas pessoas "certas", "sábias", "santas", enfim?

    Isso não é possível, infelizmente.
  • Paulo Kogos  08/09/2012 19:43
    inspirador esse artigo! um verdadeiro manual de liberdade
  • Bruno  14/09/2012 08:38
    Sérgio, como seria a escolha dessas pessoas "certas", "sábias", "santas", enfim?

    Isso não é possível, infelizmente.
  • Sérgio  08/10/2012 12:37
    Os libertários já começam mal pois se baseiam em um princípio auto-contraditório: a liberdade. Ora, não há liberdade total. Onde começa a liberdade de uns, acaba a de outros, e isto é FATO.

    Libertarios são relativistas, e o relativismo é uma porta aberta e com bandeira de boas vindas ao granscismo. O grande problema atual é justamente a dominação cultural esquerdista e contra esta, o libertarianismo, não só é inutil como foi/é um colaborador. A maioria dos libertários defendem todo o relativismo moral defendido pela esquerda: como a defesa da liberação do aborto, casamento gay, prostituição, a banalização do sexo, etc.

    O conservadorismo cristão restringe a liberdade dos indivíduos às leis de Deus. Portanto jamais permitiremos aborto, eutanásia e etc. Já os libertários eles querem afrouxar tudo. Se você não mata (exceto aborto e eutanásia) ou não rouba, tá valendo. Eles dizem que se o cara que usar drogas, pode usar, se quer abortar, pode abortar, se querem eutanásia, que tenha, se querem casamento gay, que façam e etc etc etc...

    Pergunto eu então: no fim das contas, eles estão mais do nosso lado, ou do lado dos revolucionários?
  • Erick V.  08/10/2012 20:18
    E quem não acredita em deus, ou não acredita nesse deus em particular, ou até mesmo acredita exatamente no mesmo deus mas acha que as leis dele não são aquelas defendidas pelo sr. Sérgio? Como é que fica?
  • Alan Denadary  09/10/2012 06:29
    "E quem não acredita em deus, ou não acredita nesse deus em particular, ou até mesmo acredita exatamente no mesmo deus mas acha que as leis dele não são aquelas defendidas pelo sr. Sérgio? Como é que fica?"

    Ficam com a razão oras. Vejamos bem essas bandeiras:

    Os libertários que defendem o aborto são no mínimo contraditórios. Princípio da não agressão passa longe da cabeça desses defensores do homicídio contra seres indefesos.

    Casamento gay é algo necessita de alguns esclarecimentos. A associação de duas pessoas não deve ser permitida nem negada pelo Estado, por que este não deve se intrometer em assuntos que cabe somente ao indivíduo. Agora, levantar essas bandeiras bizarras de crime de homofobia por opinião e casamento gay em igrejas cristãs é algo que deve ser negado até o último minuto por todo libertário que se preze. Afinal de contas, a Igreja é uma propriedade privada e ela aceita o casamento de quem ela quiser. O indivíduo, do mesmo modo, não pode ter o seu direito de pensar coagido.

    Agora, por mais cristão que eu seja não consigo ver o sentido de usar o Estado para proibir o uso de drogas. A função do cristão não é proibir e punir, e sim persuadir e aconselhar. O boicote social também é uma ferramenta muito mais eficaz do que essa guerra às drogas empreendida pelo Estado, que tanto torra o nosso dinheiro sem resultado algum.
  • Neto  09/10/2012 07:11
    Quanto a drogas, casamento gay, etc
    Um libertário vai falar que você tem todo o direito de usar o que quiser, mas recomendar isso são outros 500.Ele falaria o óbvio, que você usando aumentaria suas chances de virar viciado, ferrar com sua vida e da sua família, fazer alguma coisa estúpida pra sustentar o vício e ir preso,etc e esse é o motivo pra você pensar bem e VOLUNTARIAMENTE resolver não usar.
    O que é muito diferente de julgar um viciado antes dele fazer alguma coisa errada.

    Casamento gay é a mesma coisa, um libertário cristão falaria que casamento não é problema do governo, que na opinião dele não é um estilo de vida saudável e que por mais que a mídia minta e esconda, existem ex gays sim

    É a mesma coisa que comer merda, eu não vou proibir ninguém de comer merda, mas aconselho que você não vá, e se você resolver fazer isso mesmo assim o problema é seu, quem vai se ferrar é você

    Quanto ao aborto, é como um assassinato e os libertários condenam.Tem um artigo aqui do Ron Paul sobre isso.

    Já na eutanásia...nisso eu acho que a igreja está errada.O cara que quer se matar geralmente está desenganado, vai morrer de qualquer jeito, até lá vai ser só uma vida de sofrimento gratuito.Não ajudar ele a fazer o que ele quer da própria vida é que é crueldade
  • Juliana Emy  25/06/2013 05:06
    Prezados,

    Muitíssimo obrigada por este texto. Realmente me fez refletir,havia me esquecido o quanto o estado é desnecessário e como o poder das idéias faz-se necessário, não para tentar convencer os outros e mudá-los, mas sobretudo para mudar-se a si mesmo e fazer de si um exemplo para os outros....precioso esse texto....Obrigada novamente!!!!
  • anônimo  25/06/2013 21:27
    A princípio, a simples existência desse site divulgando suas idéias já contradiria esse artigo, que é profundamente bem escrito, riquíssimo, mas com uma carga exacerbada de utopia. Entretanto, embora utópico demais, acrescenta muito a quem o leu, e que jamais cogitou alijar de si mesmo não e presença do Estado, mas sim a simples idéia da necessidade da existência do Estado. Os indivíduos não são apenas idéias, mas sim engrenagens genéticas, com todos os comprometimentos fisiológicos, neurológicos e principalmente hormonais (muito oscilantes, por sinal), que os tornam completamente diferentes entre si, e por isso mesmo sujeitos a reagir diferentemente, ter anseios e inquietações diferentes a respeito do mundo, e até mesmo idéias e comportamentos imprevisíveis. Somados a isso há também a herança cultural, o meio em que vivem e interagem, e até a temperatura da cidade ou do país onde moram, bem como seu estado de saúde e tipo de alimentação. Essa pluralidade já torna o artigo completamente impossível de se tornar realidade numa sociedade. E vendo por esse prisma, o artigo extrapola a utopia e passa a ser devaneio, pois, repito, fisiológicamente falando, é completamente, absolutamente impossível de se tornar realidade, mesmo daqui a milênios. A idéia de a sociedade algum dia extinguir a idéia da mínima necessidade da presença do Estado é um devaneio, a menos que estejamos falando sobre outra raça que não seja a humana. Porém, a sociedade sem a intervenção do Estado em algumas áreas fundamentais, principalmente a da iniciativa privada, ou das decisões pessoais sobre aborto e eutanásia por exemplo, é menos fictícia e seria ideal. Utopias tem sido discutidas há décadas, e percorrem sempre um caminho circular, permanecendo mais no campo filosófico do que no sociológico ou antropológico, voltando à estaca zero e recomeçando dali. Utopias não influem diretamente na mudança social, mas tem um peso indireto, o emocional, que é imprescindível para manter o sonho e a eterna esperança de um mundo melhor ou de um mundo ideal, e isso é um importantíssimo mecanismo de defesa individual e coletiva, que impede a estagnação total da sociedade, pois esse mecanismo joga para longe a depressão. O libertarismo não combina com utopias como a desse artigo que a meu ver ultrapassou o exagero e o mínimo de racionalidade cognitiva, que auxilie ou acrescente algo prático (que fique claro que eu disse prático)agora ou num futuro distante que seja, a não ser que a natureza desse grupo mudasse para o campo unicamente de meditação e contemplação da natureza e do cosmo, sem alterar a engrenagem social, ou por outro lado, que ele adotasse a foice e o martelo como logomarca, o que definitivamente seria um contraponto total à escola austríaca. Bem, essa é a minha opinião, após ler o artigo , que, repito, é enriquecedor filosoficamente. Como sempre, valeu muito ter lido os debates entre os comentaristas, pois agregaram valor cultural e histórico ao artigo, além do nos levar à reflexão sobre idéias que nos parecem óbvias, por serem inerentes à sociedade desde sempre, mas que nem por isso são isentas de uma certa letalidade para com cada um de nós indivíduos. E essa reflexão reforça mais uma vez a noção de que mudanças sociais só são possíveis a partir do conhecimento, reflexão e da visão crítica, mas acima de tudo a partir do auto-conhecimento, desprendimento e auto-crítica individual e coletiva, que são os verdadeiros pontos de partida para mudanças efetivamente viáveis. Eu agradeço a todos vocês.
  • anônimo  20/07/2014 17:42
    O texto é muito bom. Leitura fácil para quem não imagina a vida sem estado. Talvez seja uma ponta para o leitor iniciante que tem curiosidade em puxá-la e ver o final ou começo da linha.
    Quem descobriu a filosofia libertária atualmente são pessoas moldadas numa arquitetura estatal. Interessante como esse fio foi puxado por cada um pela primeira vez.

    Mudando de assunto. Tenho uma opinião que o termo ''anarco'' causa repulsa no ouvinte desentendido da condição plena de liberdade. Os motivos não é o caso deste meu comentário. Observando a reação alheia, percebi que é uma palavra que soa excludente e em nada mostra a profundidade escondida por muitas camadas na sociedade estatista. É apenas uma palavra! Correto. Porém importante aprimorarmos técnicas para desviar o olhar para a superfície e depois nas profundezas do conceito. A meu ver está se fazendo o contrario disso.

    Quem é familiarizado com a expressão ''anarco'' obviamente conhece a densidade do significado. Muitos pensarão que é propaganda, marketing, e sei lá mais o quê. E estão corretos. Entretanto não vejo mal nenhum utilizar essa ferramenta. E não me refiro também a maquiar procedimento. Este site não deixa de ser um instrumento de divulgação. Se quisermos uma vida livre de qualquer tipo de coerção, são necessárias muitas maneiras para tal objetivo. A picada da vacina dói, mas ao sabermos que trará proteção suportarmos o efeito dolorido. Se fosse divulgada e massificada ''a dor'' ao invés do beneficio, a aceitação voluntária não alcançasse êxito. Foi uma metáfora para dizer que ''a dor'' nem sempre é física. Ela vem de muitos caminhos e jeitos. Inclusive com o espanto ao ouvir uma simples palavra.


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