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Alguns efeitos inesperados da redução artificial dos juros

Onde estamos hoje

Em julho, entramos no sexto ano desta crise, embora vários setores da mídia continuem determinados a chamar a atual situação de "recuperação".  Mero auto-engano.  O mundo está em uma crise contínua há meia década.  Enormes doses de Valium e Prozac — as quais os bancos centrais tecnicamente rotulam de "afrouxamento quantitativo" (quantitative easing, ou simplesmente QE) — foram ministradas para acalmar os nervos e dar a falsa impressão de cura.

Um QE, obviamente, nada mais é do que a simples criação de novas quantias de unidades monetárias digitais.  Tais dígitos eletrônicos inicialmente inundam os bancos com reservas extras que podem ser utilizadas livremente, as quais são majoritariamente injetadas nos mercados financeiros.  O propósito dos bancos centrais ao criar dinheiro é manipular os preços dos ativos e as taxas de juros.  O QE é uma droga extremamente perigosa.  É um alucinógeno.  Pode fazer o paciente se sentir melhor por algum tempo, mas é incapaz de curar a doença.  Com efeito, deixa o paciente ainda mais doente.  A economia global sofre de graves distorções que são o resultado de vários anos de crédito artificialmente barato: bancos excessivamente alavancados, endividamento excessivo, preços dos ativos inflacionados, capital direcionado para investimentos insustentáveis.  E baratear ainda mais o crédito — e manipular com ainda mais intensidade os preços dos ativos — é justamente o objetivo do QE.  O QE serve apenas para estimular mais endividamentos e aumentar a oferta monetária.

O QE e taxas de juros forçosamente baixas são uma política equivalente ao crack.  Ela vicia.  Não há fim a ela.

Sempre que os bancos centrais mundiais anunciam novas rodadas de afrouxamento quantitativo — seja na forma de mais redução de juros ou de monetização direta dos títulos da dívida pública —, a motivação é a mesma.  Tais medidas possuem um perceptível toque de desespero, algo que não passa despercebido do público.  Toda política monetária expansionista sempre será, em última instância, ineficaz.  Ou, para ser mais exato, ela será eficaz apenas em postergar um pouco mais a necessária correção e liquidação dos enormes desequilíbrios gerados pelas políticas monetárias expansionistas anteriores, o que significa que ela estará contribuindo apenas para que o inevitável ajuste final seja ainda mais doloroso.  Trata-se de uma medida contraproducente e destrutiva.  E certamente não está ajudando a restaurar a confiança.

Ainda assim, vários acadêmicos e vários comentaristas econômicos não desistem.  Segundo eles, se o Banco Central Europeu houvesse cortado 0,5 pontos percentuais em vez de 0,25, o mercado poderia ter reagido de maneira mais otimista.  Talvez isso teria restaurado a confiança.  É mesmo?  Os principais bancos centrais mundiais — BCE, Fed e Banco da Inglaterra — já estão hoje submetendo suas economias a taxas de juros abaixo de 1%.  Quão realista é pressupor que a chave para a recuperação está em mais um corte de mais 0,25 pontos percentuais?

Aos entusiastas das infindáveis políticas de 'estímulo' monetário restou apenas se agarrar com crescente vigor à sua própria retórica.  O que mais eles podem fazer?  Sua purpurinada visão de mundo — segundo a qual em um sistema de ilimitado poder de criação de dinheiro fiduciário o banco central sempre poderá gerar mais "demanda agregada" ao simplesmente fornecer mais dinheiro ao sistema bancário — está na lona.

O dinheiro nunca é neutro

Que a política monetária dos principais bancos centrais mundiais fosse acabar neste beco sem saída não é nenhuma surpresa para quem conhece a teoria econômica.  Foi surpresa apenas para aqueles que possuem a simplista e limitada visão convencional sobre estímulos monetários.  Frases do tipo "o BCE está tentando desobstruir o fluxo de crédito na zona do euro" servem apenas para mascarar a complexidade dos reais efeitos da criação de dinheiro e da manipulação dos juros, e fazem com que as recorrentes políticas de estímulo monetário pareçam não apenas inócuas como também francamente positivas.  Afinal, quem poderia ser contra o nobre propósito de desobstruir o crédito, fornecer liquidez aos mercados e estimular a atividade econômica?

Uma das principais contribuições de Ludwig von Mises à teoria monetária foi a sua demonstração categórica da não-neutralidade da moeda.  Ele demonstrou que alterações no poder de compra do dinheiro fazem com que os preços de diferentes bens e serviços se alterem de uma maneira que não é simultânea e nem uniforme, e que é incorreto afirmar que alterações na quantidade de dinheiro geram mudanças proporcionais e simultâneas no 'nível' de preços.

Sendo assim, um estímulo monetário nunca afetará o PIB e a inflação — dois agregados estatísticos aos quais a mídia e os economistas atribuem avassaladora importância — de maneira direta e exclusiva.  Todo e qualquer estímulo monetário irá afetar e alterar várias outras variáveis também, e esses outros efeitos possuem consequências bem mais profundas: a política monetária sempre irá alteras os preços relativos, sempre irá alterar o direcionamento dos investimentos, sempre irá alterar a maneira como recursos escassos são alocados na economia, e sempre irá alterar a distribuição de renda e riqueza.  Todo estímulo monetário sempre irá criar ganhadores e perdedores.  Inevitavelmente.

Os defensores das políticas de expansão monetária alegam que todos se beneficiam do "estímulo econômico" que elas geram.  No entanto, o dinheiro que é criado não chega a todas as pessoas da economia ao mesmo tempo; sendo assim, ele não afeta os preços de maneira uniforme e simultânea.  Como regra geral, aqueles que primeiro recebem este dinheiro recém-criado se beneficiam à custa daqueles que o recebem por último.  Aqueles que, na cadeia da distribuição deste dinheiro, estão localizados mais próximos do produtor de dinheiro (o banco central) serão sempre os ganhadores.  Estes normalmente são os bancos e todos os participantes do mercado financeiro.  Eles podem gastar o dinheiro recém-criado antes que este se disperse por toda a economia e eleve os preços.  Sendo assim, eles podem gastar um dinheiro cujo poder de compra ainda não foi afetado.  Aqueles que recebem este dinheiro por último veem seu poder de compra ser erodido, pois, quando sua renda nominal aumenta, os preços já subiram há mais tempo.

No presente estágio do mega-ciclo de crédito, mais acomodação monetária irá apenas ajudar os bancos a conceder mais empréstimos insustentáveis e a financiar ativos que já estão com preços artificialmente altos.  Várias 'bolhas' — que são resultado de expansões monetárias passadas — continuarão sendo formadas, sustentadas e infladas ainda mais.  As forças de mercado — que, caso contrário, iriam ajustar os preços, realocar os ativos e trazer a economia de volta ao equilíbrio — são desta forma completamente debilitadas.

Uma das consequências inesperadas da manipulação dos juros

A expansão monetária feita pelo banco central em conjunto com o sistema bancário é uma forma de intervenção de mercado.  E, como toda forma de intervenção, cria uma série de consequências inesperadas, muitas das quais são difíceis de serem identificadas claramente, e são ainda mais difíceis de serem quantificadas.  Mas são extremamente reais.  A seguir, um exemplo real e bastante perceptível.

Tanto nos EUA quanto na Europa está havendo uma tendência de se substituir atendentes nos caixas de supermercados por máquinas de autoatendimento que permitem aos fregueses escanear o código de barra de seus produtos e fazer o pagamento por conta própria.  Trata-se de mais um caso de trabalho humano sendo substituído por máquinas.  Uma análise superficial diria que isso é um mero sinal dos tempos, uma consequência inevitável do progresso tecnológico.  No entanto, tal fenômeno não é apenas uma consequência da tecnologia.  A substituição de trabalho humano por máquinas que, no fundo, geram mais trabalho do que comodidade para os consumidores é resultado de um cálculo econômico feito pelo empreendedor — neste caso, pelos gerentes e administradores dos supermercados.

O gasto com a aquisição das máquinas, o capital que o administrador do supermercado deixa de investir em outras áreas para poder adquirir as máquinas, os juros que ele tem de pagar sobre os empréstimos contraídos para adquirir as máquinas, e todos os potenciais prejuízos futuros decorrentes do manuseio inapropriado das máquinas pelos clientes do supermercado — ou até mesmo o possível aumento do roubo de itens do supermercado em decorrência da menor quantidade de empregados para vigiar os clientes — terão de ser comparados à redução de custo permitida pela redução do emprego de pessoas nos caixas do supermercado.

No atual cenário de juros forçosamente baixos, este cálculo econômico parece estar a favor das máquinas.  Afinal, quanto menores os juros, maior o incentivo para se contrair empréstimos para financiar a aquisição de máquinas para substituir o trabalho humano.  Este desemprego diretamente causado pela manipulação dos juros é certamente uma consequência inesperada de uma política monetária expansionista.

Seria assim em um genuíno livre mercado?  A resposta mais curta é: impossível saber.  Mas o que podemos saber com certeza é que, no atual arranjo artificialmente criado pelos bancos centrais, não é economicamente racional manter pessoas trabalhando como caixas de supermercado, pois é muito mais barato substituí-las por máquinas de autoatendimento. 

Acrescente a isso as crescentes regulamentações exigidas pelo estado de bem-estar social, os encargos sociais e trabalhistas, as leis de salário mínimo, as licenças de maternidade e de paternidade, e todas as outras leis que visam à "proteção do trabalhador", e vemos claramente como os governos estão elevando o custo de empregar pessoas e encarecendo a mão-de-obra humana ao mesmo tempo em que a política monetária dos bancos centrais em favor de taxas de juros cada vez menores e de empréstimos cada vez mais fartos e baratos estão facilitando cada vez mais a aquisição de máquinas.  Sob qualquer ângulo que se veja, os trabalhadores estão sendo expulsos do mercado pelos governos.  A legislação para protegê-los serve apenas para encarecer sua mão-de-obra ao passo que esforços para baratear o crédito tornam o investimento em máquinas uma alternativa bem mais barata.

Não me entenda mal: o padrão de vida de uma sociedade é sobejamente elevado quando se aumenta o uso de capital produtivo (máquinas) por trabalhador.  E para continuarmos elevando nosso padrão de vida, temos de continuar aumentando essa proporção de capital por trabalhador.  E máquinas de autoatendimento em supermercado sem dúvida representam um aumento da quantidade de capital na economia.  Aumentar a quantidade de capital é a única maneira de se expandir a produtividade humana.  Mas há uma maneira certa e uma maneira errada de se fazer isso.  A maneira correta é por meio da poupança, da abstenção do consumo, o que libera recursos reais de determinados setores da economia (aqueles mais próximos do consumo final) e os direciona para ser utilizados como capital em investimentos voltados para o longo prazo. [Veja mais detalhes deste processo aqui].  O quanto deve ser investido em capital não é algo que deve ser dependente das decisões de burocratas de bancos centrais e suas manipulações monetárias; deve ser o resultado de decisões voluntárias de poupança.

Estas decisões de livre mercado podem perfeitamente reduzir a velocidade de investimentos em capital, mas esta menor velocidade seria totalmente apropriada.  A estrutura produtiva resultante deste arranjo voluntário seria muito mais estável e sustentável.  Por outro lado, investimentos estimulados pela criação de dinheiro — e não pela poupança — levam a uma alocação insustentável de capital, justamente a causa primária dos ciclos econômicos.  O simples fato de grandes setores de uma economia dependerem de contínuas doses de estímulo monetário para serem sustentados em sua dimensão atual já é uma clara indicação das graves distorções geradas pelas políticas monetárias.  Quanto mais disso o sistema pode aguentar?

Conclusão

É uma enorme ingenuidade — ou um sinal de incrível arrogância — acreditar que bancos centrais podem antecipar todas as consequências de suas intervenções monetárias.  Dizer que elas são benéficas para todos é algo totalmente incorreto. 

Uma política monetária expansionista pode lograr apenas um efeito: estimular mais pessoas a tomarem mais empréstimos e a se endividarem ainda mais.  A possível elevação do PIB que tal medida gera tem como efeito colateral o aumento da alavancagem dos bancos e o aumento da concessão de empréstimos de risco.  O atual martírio vivenciado pelo mundo foi gerado justamente por este tipo de estímulo monetário, o qual ocorreu por vários anos seguidos.  Foi isso que gerou a crise financeira, bancária e de endividamento.  No momento, as autoridades estão combatendo uma crise bancária estimulando os bancos a incorrerem em ainda mais riscos.  É impossível você reduzir juros e expandir a oferta monetária e esperar que isso leve a uma desalavancagem e a uma melhoria da situação do sistema bancário.

É particularmente bizarro ver economistas afirmando que novas intervenções dos bancos centrais — tanto na forma de mais redução de juros quanto na forma da compra direta de títulos dos governos — irá restaurar a confiança no sistema.  Será que esses especialistas realmente acreditam que o público irá se sentir mais confiante caso bancos já excessivamente alavancados cresçam ainda mais rapidamente com a ajuda das impressoras dos bancos centrais?  Será que a incerteza acerca do excessivo endividamento dos governos será abolida caso os bancos centrais prometam sustentar estes governos por meio de uma política que se resume a nada mais do que imprimir dinheiro e comprar títulos do governo — algo que simplesmente estimula o aumento dos déficits?  Seria isso uma solução ou apenas um adiamento politicamente conveniente do inevitável acerto de contas?

Isso não pode terminar bem.



autor

Detlev Schlichter
é formado em administração e economia.  Trabalhou 19 anos no mercado financeiro, como corretor de derivativos e, mais tarde, como gerente de portfolio.  Nesse meio tempo, conheceu a Escola Austríaca de Economia e, desde então, dedicou seus últimos 20 anos ao estudo autônomo da mesma.  Foi apenas após conhecer a Escola Austríaca que ele percebeu o quão mais profundas e satisfatórias eram as teorias austríacas para explicar os fenômenos econômicos que ele observava diariamente em seu trabalho.  Visite seu website.

Tradução de Leandro Roque



  • israel  05/09/2012 08:42
    Leandro,eu não tenho dúvida que essas medidas paliativas expandir créditos são intencionais,não à toa os gregos rechaçam as intervenções em sua economia temendo o fim de sua soberania.
    Esses banqueiro são tiranos,isso também tem aspirações políticas.
  • Carlos  15/09/2012 04:45
    É mais do que óbvio que eles sabem o que estão fazendo.É proposital!\r
    Por todos os lados estão bombardeando Ben Bernanke,como se ele não soubesse o que está fazendo.Ele sabe muito bem o que está fazendo.\r
    A maioria aqui sabe muito bem o que "os do topo da pirâmide" estão planejando.\r
    Estamos ferrados e o maior "pepino" nesta novela é a total falta de conhecimento e,pior,a absoluta falta de interesse do cidadão em procurar informação,educar-se,afiar a percepção para tal realidade.\r
    \r
    Pão e circo para as massas!\r
    As mesmas massas culpam políticos e com razão,entretanto,o que o cidadão faz para mudar tal situação?Nada!\r
    Ao invés disso,num ato de covardia o cidadão distrai a mente comprando um monte de quinquilharias inúteis através de cartões,comprando carros ( ou adquirindo um carnet em forma de BÍBLIA,é o termo mais correto ) a juros "amigáveis" esquecendo-se dos juros compostos.Adquirem até peitos de silicone financiados!\r
    Então bolhas de todas as ordens.Carros,imóveis e pasmém tem bolha até de peitos de silicone.\r
    Analfabetismo financeiro absurdo.Principalmente na classe média,essa do meu ponto de vista,incosequente e vaidosa.\r
    É uma farra!\r
    \r
    Chutemos todos a lata abaixo da estrada e o problema é de quem vem depois.Dane-se.\r
    \r
    Essas mesmas massas são tão corruptas quanto nossos políticos.E isso vale mundo afora,não é só no Brasil.\r
    Uma enxurrada das mais diversas denúncias na mídia e nenhuma delas levadas a cabo.A mídia finge que denuncia e informa e a população finge que algo está sendo feito para um amanhã mais "digno".\r
    Viés de normalidade está na ordem.Isso vai doer.Vai ser feio.\r
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    Crise de percepção e crise moral com extrema violência sobre nós.\r
    \r
    \r
  • Gustavo Sauer  05/09/2012 08:49
    Mas não se preocupem porque Guido Mantega resolveu dificultar a importação de produtos e isso vai "estimular a economia": www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2548746/Governo-anuncia-elevacao-imposto-importacao-100-produtos

    Podemos ficar tranquilos que Guido Mantega está de olho na ganância dos empresários para que os mesmos não fiquem muito gananciosos e cobrem mais pelos seus produtos, causando inflação!

    Batman, me ajuda!
  • Pedro  05/09/2012 21:26
    Pois é. E o que mais impressiona são os itens que eles aumentaram as aliquotas como bens de capital (quem depender de importações para expandir sua empresa pode dizer adeus) e medicamentos (nada mais justo do que fazer pessoas doentes pagarem mais pelos seus remédios, tudo em prol da industria nacional não?).

    O ritmo com que a intervenção estatal na economia brasileira vem crescendo e as liberdades individuais diminuindo é assustador. E olha que não estamos em um país com um bom histórico de liberdade economica...
  • Sergio Quintela  05/09/2012 20:21
    Delirando: o pobre tem acesso fácil ao crédito, caso ele fosse excluido do sistema, será que ele ia buscar esse crédito de outro forma, tipo... roubando? Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui no banco pedindo um empréstimo pra não pagar depois... :P
  • Leandro  06/09/2012 05:53
    Caso não houvesse essa expansão farta e barata do crédito, os preços de todos os bens e serviços seriam acentuadamente menores.

    De um lado, é verdade que, para uma pessoa comprar com financiamento, outra pessoa teria de poupar para permitir tal financiamento. Por outro lado, tal medida sensata faria com que os preços de tudo fossem sensivelmente menores, o que inclusive facilitaria as aquisições dos mais pobres, os quais hoje estão excluídos do mercado de consumo justamente por causa dos preços altos gerados pelo crédito farto.
  • Carlos Marx  06/09/2012 20:00
    Caro Leandro a experiencia tem demonstrando que a livre concorrência no Brasil nao tem gerado preços e serviços melhores. Um exemplo sao os bancos. Por anos o Brasil teve o credito com juros mais altos do globo. Os bancos sempre lucraram muuuito com os pobres brasileiros. O pior é que os lucros nao ficavam no pais, nao investiam ou "empreendiam" no país, mas enviavam (e ainda enviam) para seus paises de origem. Os juros e o spread (lucros) so abaixaram após o governo, por meio dos bancos publicos, terem os obrigado. Lembremos que a grande mídia, ao se deparar com o anuncio do governo de baixar os juros e o spread, profetizaram que os bancos privados iriam quebrar. O tempo passou, e a profecia falhou, os bancos permanecem lucrando muuuuito e enviando tudo para seus paises de origens, os quais, muitos, estao quebrados. A historia dos bancos nos Brasil nos demonstram como que o livre mercado tem seus problemas. Abraços....
  • Leandro  06/09/2012 20:35
    "Caro Leandro a experiencia tem demonstrando que a livre concorrência no Brasil nao tem gerado preços e serviços melhores. Um exemplo sao os bancos."

    Na excessivamente regulamentada economia brasileira, se há um setor que nunca operou sob um regime que sequer se assemelhe a algo remotamente parecido a livre concorrência, este é o setor bancário.

    Temos vários artigos explicando como o setor bancário é um cartel completamente protegido pelo Banco Central, que impede a entrada de bancos concorrentes, restringe o mercado para alguns poucos poderosos e, por meio de sua política monetária, orquestra a expansão do crédito de maneira coordenada, de modo a garantir o máximo possível de lucros para seus bancos favoritos.

    Se você optou por atacar o setor bancário, tenha isto em mente: você está atacando o mais regulado e protegido dos setores.

    Artigos recomendados que explicam em detalhes como funciona este mercado protegido e regulado pelo estado:

    Fazenda ou Banco Central - quem é o responsável pela atual disparada de preços no Brasil?

    O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados

    Por que o Banco Central é a raiz de todos os males


    Esta sua premissa inicial, por ser errada, por si só invalida todas as suas conclusões seguintes.

    De resto, quanto a dizer que bancos enviam seus lucros para o exterior, isso não faz sentido: os principais bancos estrangeiros que operam no Brasil são o Santander e o HSBC. A participação deles no mercado brasileiro não chega a 15%. Os lucros que eles enviam para suas matrizes no exterior são ínfimos e em nada afetam o sistema bancário brasileiro. Você chutou feio.

    Sobre a imprensa dizer que os bancos iriam quebrar, eu não sou nenhum entusiasta da imprensa, mas eu não vi nenhum grande jornal falando isso. Você tem alguma fonte ou este foi apenas outro chute seu? Não tente sacar pra cima do cara errado. Volte apenas quando tiver substância, e não propaganda ideológica.

    Grande abraço!
  • amauri  06/09/2012 03:54
    "Admirável nova Polônia" é o título da coluna da Fiabci Brasil publicada (4 de setembro de 2012) pelo jornal O Estado de São Paulo sobre a Missão Empresarial da Fiabci/Brasil pelo leste europeu. Ele finaliza dizendo que A nova locomotiva da Europa tem, assim como o Brasil, uma grande população jovem que tem estimulado o crescimento imobiliário – fomentado, cada vez mais, pela formação de novas famílias e pelo aumento da renda da população. Apesar das particularidades de cada mercado, o Brasil deve se inspirar na trajetória de reconstrução polonesa. Focado em se tornar um modelo para o restante do mundo, o país investe fortemente em projetos imobiliários criativos e na capacitação de seus players. Sem dúvidas, esse é o caminho para a continuidade do desenvolvimento do setor brasileiro.
    Eu gostaria de saber se o desenvolvimento na Polonia, pelo menos no setor imobiliario, usou o farto financiamento publico como no Brasil, e se realmente é o que o autor afirma.
    abraco
  • Thyago  06/09/2012 06:43
    Texto muito claro! Parabéns ao autor e ao IMB...
  • Victor  06/09/2012 08:28
    Tenho dúvida sobre a parte:

    "As forças de mercado — que, caso contrário, iriam ajustar os preços, realocar os ativos e trazer a economia de volta ao equilíbrio — são desta forma completamente debilitadas."

    Dizer que as forças do mercado são completamente debilitadas, mesmo com a recorrência dos afrouxamentos monetários, me soa estranho. Parece-me que não há um processo de aprendizado pelos indivíduos ou que a coação do governo em impor a moeda dele é total.

    Tenho a impressão que, apesar da força em impor a moeda, parte não desprezível da legitimidade da moeda vem da crença na moeda estatal, aliás Mises enfatiza a importância da opinião pública para manutenção do aparato estatal.

    Minhas dúvidas são:

    se a aceitação da moeda estatal depende da aceitação dos indivíduos, não seria possível uma resposta mais eficiente e suave do mercado para diminuir a importância dos Estados na geração de ciclos econômicos?
    Ou as alternativas são a expulsão drástica da moeda estatal (hiperinflação) ou a aceitação pelos indivíduos dessa moeda estatal perturbadora?

  • Leandro  06/09/2012 13:07
    Prezado Victor, mesmo que você seja um empreendedor totalmente ciente da teoria dos ciclos econômicos, você não poderá se dar ao luxo de ficar de fora da farra permitida pela expansão do crédito. Você sabe que a coisa vai dar errado, mas mesmo assim terá de participar, pois, caso fique de fora, você será demolido pelos seus concorrentes, perderá fatia de mercado, perderá receitas e poderá quebrar antes deles. Ou seja, o governo praticamente obriga que os sensatos tenham de se juntar aos desatinados.

    Fora isso, você também nada pode fazer contra a subida dos preços, pois existe apenas uma moeda, ela é monopólio do estado e sua aceitação é obrigatória. Simplesmente não há para onde correr. Empreendedores prudentes serão punidos por sua frugalidade e contenção.
  • Victor  07/09/2012 05:52
    Leandro, obrigado pela resposta.

    Entendo que haja muito incentivo para entrar na festa propiciada pelo crédito. Mas me parece que os empreendedores "normais" (os não conhecedores da teoria dos ciclos austríaca), na avaliação de seus investimentos, principalmente os de longo prazo (projetos de longa maturação), realmente acreditam na rentabilidade e viabilidade.

    No caso do empreendedor "austríaco", a avaliação do investimento de longo prazo não seria diferente?

    Dito de outra forma, ainda que ele seja obrigado a participar da farra para sobreviver, o empreendedor austríaco não poderia 'beber menos' uma vez que ele, ao contrário dos empreendedores 'normais', sabe que a bebida é de péssima qualidade e que a ressaca será terrível. Assim quando todos estiverem de ressaca, nosso empreendedor "austríaco" teria a chance de demolir os desatinados?

    Estou com dificuldades de me desvencilhar da ideia de há espaço, pelo menos teórica, para arbitragem nesses ciclos de farra e ressaca para um empreendedor mais consciente.
  • Marcos Campos  06/09/2012 11:37
    Estou me sentindo muito estranho.

    Desde que me engajei a buscar pensamentos diferentes dos que vemos hoje e que é ensinado nas escolas e faculdades, por minha vontade propria, tenho tido convulções cerebrais constantes, com efeitos colaterais terriveis do tipo; deixar a faculdade.

    Não estou mais me sentindo bem na faculdade, onde professores despejam os conteúdos ditados pelo MEC, e para piorar agora as provas são com questões de concurso público, numa clara intenção de estatismo em massa.

    Assistir aulas de matemática financeira, economia keynesiana, sociologia e direito tem se tornado verdadeira tortura mental, uma angustiante rotina que me torna um alienígena dentro da sala de aula, toda vez que abro a boca para por a luz da lógica e racionalidade austríaca, professores e alunos me olham pálidos e me chamam de estranho.

    O nível em que a massa se encontra doutrinada e alienada é de um tamanho nacional, até mesmo os mestres. Vou postar aqui um argumento que um amigo de faculdade usou contra o capitalismo. Não convem expo-lo então renomearei seu nome. Ele estuda diereito e eu administração. Ele defende o partido PSol e eu o Libertários.

    Segue:

    Ele - "Eu não sei o que voce considera liberdade, liberdade é um conceito muito vago e inalcançável - a sociedade sempre vai ter regras, agora pra quem sao essas regras, quando elas se aplicam? Liberdade vem do direito de escolha e até onde a libe
    rdade de um nao afete a liberdade de outro. Voce acha que o capitalismo é democrático, ou que ele se interesse pela democracia? Voce descreve o socialismo como um ladrão e como ditador e eu te digo o seguinte o socialismo é altamente democratico e divide o poder horizontalmente. Bom eu respeito a individualismo, racionalidade e logica e jamais acharia que somos formigas... atualmente trabalhamos como formigas pra satisfazer a ganancia de uma minoria que controla o Estado atraves do poder economico. O Estado é coletivo e pertence a coletividade - cabe a ela decidir o seu rumo e não essa enganação de ter pessoas eleitas pelo poder econômico, fazendo promessas de melhorias sociais mas, que na realidade, uma vez eleitas se colocam como instrumento do capital, não representando os anseios da grande maioria de trabalhadores pois não estão preocupadas com o desenvolvimento social e sim manipulando a sociedade pouco conhecedora de seus direitos que os elegeu. Nenhuma ditadura é socialista e o socialismo não prega "tirar dos ricos para dar aos pobres" conforme se apregoou no passado, na época da guerra fria. Ao contrário o socialismo prega uma sociedade de respeito a todos e de direito ao acesso aos serviços necessários ao pleno exercício da cidadania e do desenvolvimento humano o que é totalmente diferente de uma sociedade onde o capital define o acesso aesses bens e diretos; não fosse assim e amaioria dos presos desse país não sereiam negros e pobres."

    Não é á toa que canço de ouvir de varias pessoas como essa na faculdade que Marx é o maior filósofo de todos os tempos...
  • Fernando  06/09/2012 12:39
    Deixar a faculdade é um efeito colateral terrível?\r
    \r
    Por aqui, você não precisa pensar como "é comum pensar". Acho que faculdade é uma OPÇÃO, dentre outras formas de se educar, e deve ser escolhida com um objetivo claro e metas de aprendizado PESSOAIS. Escolha uma faculdade se for a melhor opção (na sua visão) para atingir um objetivo ESPECÍFICO que você deseja.\r
    \r
    Você não precisa se educar numa faculdade porque TODOS devemos fazer uma faculdade para ser alguém na vida. Nem porque é cobrado pela sociedade. Existem outras formar de buscar educação.\r
    \r
    Lembre-se que o setor produtivo busca pessoas capazes, e não pessoas com diplomas na mão. Agora se a melhor forma de se tornar capaz em sua area de desejo é cursar uma faculdade, bom, então faça uma.
  • Marcos Campos  06/09/2012 13:16
    Caro Fernando

    Entendi toda sua colocação e as acolhi, porém o que quiz dizer com "Deixar a faculdade é um efeito colateral terrível" foi de que o conteúdo doutrinista e antiquado ensinado, e a desilusão que lá seria um mundo de construções de ideias entre mestres e alunos em busca da constante inovação, é falsa. Aprendo mais lendo este site e seus livros do que na instituição.
    Mas eu vou continuar e aproveitar a oportunidade de estar em um ambiente propício para debates em massa. Quem sabe não consigo plantar algumas sementes de liberdade.

    Grato
  • Augusto  15/09/2012 10:21
    "Lembre-se que o setor produtivo busca pessoas capazes, e não pessoas com diplomas na mão."\r
    \r
    Fernando, essa sua afirmacao nao eh exatamente correta, nao se esqueca que muitas (talvez a maioria?) das profissoes sao regulamentadas e so podem ser exercidas por pessoas com o diploma "reconhecido pela autoridade competente".
  • Carlos Eduardo  06/09/2012 12:46
    Da mesma maneira que seu colega acredita que "liberdade" é um termo "vago e inalcançável" (esperar que um marxista entenda o que significa liberdade realmente é pedir demais), acredito eu que o conceito que ele traz de "coletividade" e de "cidadania" são mais "vagos e inalcançáveis" ainda. O que ele chama de coletividade nada mais é do que um conjunto de indivíduos. O que é mais coerente de se fazer: dar a cada um dos indivíduos (que nós sabemos e podemos visualizar, ao contrário desses coletivos arbitrários e abstratos, virtuais e inexistentes) a oportunidade de fazer aquilo que é melhor pra si e aceitar as consequencias de seus atos individuais, ou apelar a uma entidade suprema, quase uma divindade, chamada Estado, pra que julgue e imponha regras tão arbitrárias quanto a noção de "coletividade" que usa para aplicar tais regras? O socialismo não prega o respeito geral, e sim a pobreza generalizada. "Melhoria social", "desenvolvimento social"... Não existe nenhuma das duas coisas. A melhoria e o desenvolvimento só podem ser alcançados se cada um lutar por isso para si mesmo, e não se um estado-babá der "melhorias" e "desenvolvimento" a todos, e usurpando os produtos das ações das pessoas, por meio de impostos, para fazer isso.
  • Marcos Campos  06/09/2012 13:08
    Carlos Eduardo

    Minha resposta a ele foi bem parecida com a sua, esperando a réplica.
    Meu debate com ele não tem como objetivo força-lo acreditar no que eu acredito, mas deixar-lhe com uma pulga atras do cérebro.
  • Carlos Eduardo  06/09/2012 13:29
    E é uma boa iniciativa. O meio acadêmico precisa cada vez mais de uma inserção de idéias libertárias, diferentes do que geralmente se diz no mainstream universitário. Quanto mais discussão, melhor. Somente idéias podem vencer idéias. Abraços!
  • Renato  07/09/2012 06:14
    Marcos

    Suponho que, se você iniciou a faculdade, foi porque avaliou que esta uma estratégia seria útil para o seu desenvolvimento profissional. Talvez você avalie que outras estratégia sejam melhores, mas vejo um porém nesse raciocínio: Qualquer coisa que você faça demandará um período longo. Conheço pessoas bastante inteligente que mudaram seguidamente de estratégia a longo prazo, e acabaram se prejudicando bastante, porque tentam dois ou três caminho diferentes um em seguida do outro, e nunca terminados, gastam um tempo enorme. Então, pessoalmente, sou a favor de terminar cada tarefa a que me proponha (a não ser que se revele um caminho realmente desastroso, o que não creio que é o seu caso).

    Quanto à irritação pelo desatino geral, acostume-se a isso, porque a maioria das pessoas vai ter idéias erradas sobre assuntos que exigem um pensamento mais profundo. Tanto mais que existe uma máquina de enganar chamada militância. Será muito mais fácil se você absorver o fato de que não conseguirá convencer muita gente, e deixar de considerar esse objetivo impossível como algo a ser buscado.

    Vou terminar citando um fato importante a respeito da faculdade. Além de ser uma porta útil para o mercado de trabalho, é uma oportunidade de ouro para você conhecer a fundo todos os argumentos dos adversários. Isso fara com que em toda a sua interação social, você conheça de antemão as bases "filosóficas", "históricas" e "científicas" do que as outras pessoas dizem, e saiba de antemão o porque dessas bases serem equivocadas. Há diversas situações em que isso pode ser um handcap para você, inclusive na sua futura vida como profissional ou empreendedor, se você souber usar iaao com sabedora. Até mais, isso poderá fazer com que no futuro, quando tiver uma bagame maior, você se torne alguém capaz de influenciar muita gente.
  • Marcos Campos  07/09/2012 10:40
    Renato

    Muitíssimo obrigado pela visão. Vou sim terminar essa jornada com êxito e espero ajudar muitas pessoas a pensar por si mesmas, assim como aprendi aqui.

    Estou tentando com o libertários implementar uma unidade EPL aqui na faculdade, mas ainda sem resposta. É muito importante estar presente como opção para aqueles que não acreditam na MATRIX e deixar uma pulga atras do cérebro dos enganados.

    Em uma coisa você pode ter certeza, a turma me elegeu como líder, mas tenho receio de alguns professores visivelmente marxistas me prejudicarem, ou fazerem com que perca minha bolsa. Enfim quem disse que seria fácil? Mas sou forte e vou vencer.

    Mais uma vez, grato pelas palavras de encorajamento.

    E vamos comemorar esse dia da Independência parcial, pois a verdadeira e completa está por vir.
  • Tiago Irineu  07/09/2012 15:46
    Eu curso primeiro período de Economia, e vou dizer que depois que conheci o IMB, por volta de alguns dois meses atrás, tornou-se mais difícil estudar...
    Alguns professores, são mais que tendenciosos,e até os livros que usamos também são. Vou fazer uso da visão do Renato. As postagens desse site são fora de série, mas os comentários muitas vezes, são muito mais importantes pra mim. Enfim, todo esse ambiente aqui é algo digno de nota. Se mais pessoas tivessem contato, acredito que poderiam mudar a forma de entender o mundo.
  • anônimo  07/09/2012 20:13
    Pelo menos você faz Economia. Eu comecei Direito, que pensei que fosse gostar, e não aguento mais. Vou trocar de curso.
  • Politécnico  15/09/2012 08:21
    É por isso que estou cursando Engenharia. Os cursos de humanas estão perdidos...Estou tentando buscar os conhecimentos economicos que preciso por conta própia, e este site ja se tornou uma leitura diária pra mim.
  • Glaucio  07/09/2012 22:11
    O que te faria perder a bolsa? Nota ruim? estude e tire boas notas, o que eles poderão fazer?
  • Neto  08/09/2012 02:41
    Você quer então deixe ora
    Até porque, administração e direito são duas coisas que o brasil já tem demais
  • Marcelo Lima  06/09/2012 20:51
    Corte na taxa de juros... Isso não lhe soa familiar, Dilma??
  • Rafael  07/09/2012 22:31
    Muito bom o artigo
    Se alguem mais esclarecido puder tirar minha duvida ficaria agradecido.
    Então eu queria saber se o fato de como mencionou o Gustavo no seu comentário, sobre o aumento de impostos em produtos importados, a facilidade de crédito, e outras intervençoes do governo, seria um sinal de que as coisas por aqui vão ficar complicadas ?
    Quero dizer assim, o governo esta prevendo que uma crise está por vir, e para tentar evitar ou diminuir seus efeitos acaba fazendo esses atos intervecionistas, ou ainda é cedo para dizer que algo ruim esta por vir.
    obrigado.
  • Caio  14/09/2012 04:48
    É interessante observar que em alguns momentos dizem que vão restaurar a confiança do mercado facilitando crédito e injetando mais dinheiro sem lastro, mas em outros momentos enviam "missões especiais" para fiscalizar se as medidas de austeridade estão sendo cumpridas, meio paradoxal.


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