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Dez conclusões falaciosas da ideologia dominante

Em toda e qualquer situação, em qualquer época e em qualquer lugar do mundo, o que dominará o pensamento das pessoas, bem como a ação que elas exigirão de suas autoridades, é a ideologia dominante.  A ideologia dominante possui o indelével poder de moldar a maneira como as pessoas interpretam o que está ocorrendo no campo social, por que isso está ocorrendo, e o que deve ser feito a respeito.  A ideologia exerce seu poder em grande parte por meio daquilo que podemos chamar de poder da predisposição, isto é, o poder que ela possui de gerar conclusões padrões e predeterminadas, as quais, quando examinadas mais detidamente, nada mais são do que meros saltos de fé.

No presente, por uma conjunção sem precedentes de fatores, a ideologia dominante ao redor do mundo é a social democracia.  Embora haja pequenas nuanças aqui e ali, pequenas diferenças emocionais e intelectuais, o fato central é que a social democracia, em todos os lugares, mantém coeso um elemento central: sua inabalável fé no estado, em seu poder de correção e em sua capacidade de agir vigorosamente nas mais variadas frentes possíveis, sempre com o intuito de aprimorar a sociedade e melhorar o comportamento dos cidadãos.

Um economista observa em particular que a ideologia social-democrata hoje abraça de maneira inflexível as seguintes conclusões predeterminadas:

1. Se um problema econômico ou social parece existir, o estado deve impor regulações para corrigi-lo ou, no mínimo, remediá-lo;

2. Se as regulações já foram impostas e não funcionaram, elas devem se tornar mais severas e mais abrangentes;

3. Se houver uma recessão econômica ou uma simples desaceleração da economia, o estado deve adotar medidas de "estímulo", utilizando ativamente seus arsenais monetários e fiscais;

4. Se, não obstante todas as medidas estatais de "estímulo", a recessão ou estagnação persistir, o estado deve aumentar o tamanho, a duração e a abrangência destes programas;

5. Se o crescimento econômico parecer muito lento e não estiver satisfazendo o padrão de desempenho exigido por pessoas poderosas (como a mídia), o estado deve intervir para acelerar a taxa de crescimento fazendo "investimentos" em infraestrutura, em educação, em saúde e em tecnologia;

6. Se o estado já estiver fazendo tais "investimentos", então ele deve fazer ainda mais destes investimentos;

7. Durante uma recessão, para combater o aumento no déficit do orçamento do governo, os impostos sobre "os ricos" devem ser elevados;

8. Se a economia estiver crescendo, os impostos sobre "os ricos" também devem ser elevados, só para garantir que eles contribuam com uma "fatia justa" para a sociedade e ajudem o governo a equilibrar suas contas;

9. Se os social-democratas perceberem qualquer tipo de "falha de mercado", o estado deve intervir de maneira tal que prometa a criação de um Nirvana;

10. Se as intervenções passadas e presentes não gerarem o prometido Nirvana, então o estado deve aumentar sua intervenção até o Nirvana ser finalmente alcançado.

As predisposições social-democratas supracitadas, e várias outras numerosas demais para serem citadas aqui, fornecem as bases sobre as quais o estado justifica suas medidas correntes e suas propostas para agir ainda mais expansivamente.  Social-democratas e progressistas não conseguem ver nenhuma situação em que a melhor medida a ser tomada seja a redução do tamanho do estado ou a diminuição de sua intervenção.  Tampouco são eles capazes de admitir que o governo não pode fazer nada de construtivo em qualquer situação.  Eles veem o estado como uma instituição benevolente, bem intencionada, suficientemente capacitada e corretamente motivada para corrigir absolutamente qualquer problema econômico e social.  Para eles, todo o necessário para o estado funcionar bem é que os cidadãos concedam ao governo plena liberdade de ação, e aceitem de bom grado financiar seus custos, sem questionar.

Donde se conclui que os social-democratas desejam que o tamanho, o escopo e o poder do estado mudem sempre em apenas uma direção, independentemente de quais sejam as condições passadas e presentes, e independentemente do sucesso com que tais panacéias progressistas foram implantadas no passado — com efeito, se honestamente avaliadas, virtualmente todas elas se revelam um completo fracasso.  A fé social-democrata no estado, no entanto, segue eterna e inabalável.

É um grande infortúnio para os países do Ocidente que não haja desafios sérios a esta ideologia atualmente dominante.  Os partidos políticos de hoje competem entre si apenas por cargos, cada um deles se esforçando para pilhar o estado ao máximo e direcionar os espólios para seus correligionários e apoiadores.  Não há diferenças ideológicas substanciais entre eles.  Todos os partidos políticos acreditam em um estado poderoso, dominante, difuso e engajado.  Compreensível.  Quanto maior o estado, maior o espaço para a corrupção, mais poderosos são os políticos e maior é o enriquecimento ilícito desta gente.  O que é inconcebível é ver pessoas comuns defendendo sua própria espoliação.  Hoje, toda a discussão política se limita apenas a debater qual grupo de escroques deve ficar com o comando do Leviatã.

 


autor

Robert Higgs
um scholar adjunto do Mises Institute, é o diretor de pesquisa do Independent Institute.


  • Marcelo  17/10/2013 13:37
    Uma das coisas que faz com que as pessoas apoiem o estado grande é o medo, a insegurança da vida. Elas acham que o estado pode lhes trazer mais segurança, mais estabilidade, até econômica. Essa ilusão é profundamente arraigada na mente das pessoas. A vida é dura, instável, e as pessoas procuram segurança no estado. Aceitam até alienar grande parte de sua liberdade e de sua renda ao estado na ilusão de que este pode lhes dar segurança.
  • Andre Cavalcante  17/10/2013 15:09
    Marcelo, o buraco é ainda mais embaixo. Não é só o medo da vida rude fora do estado, é a certeza de que o estado fará tudo para te boicotar caso você esteja fora dele. Então, a direção é uma só, para dentro, e agigantando, o estado.

    Me lembra uma discussão a uns tempos atrás sobre o funcionalismo público, o porque há vários libertários trabalhando dentro de universidades públicas etc. Mas, pense bem, o que é melhor, ganhar R$10.000,00 numa universidade púbica dando aí 16h de aulas por semana (tudo bem, tem a pesquisa, a extensão e a administração universitárias que comem mais tempo que isso...) do que ganhar os mesmos R$10.000,00 ou menos, em uma universidade privada para trabalhar pelo menos 20h/semana dentro da sala de aula? E mais, no primeiro caso, você só será demitido se fizer realmente uma bobagem muito grande. No segundo caso, se o seu curso não tiver nas graças das pessoas (e.g. direito, para justamente preparar para ser funcionário público), você pode ser demitido a qualquer hora, por falta de verbas.

    E, para piorar as coisas, se você tiver que apresentar um trabalho fora do Brasil: vai ter que se haver com todo uma burocracia estatal e ainda vai ter que arcar com a conta. Se você for "do governo", muito provavelmente sua passagem será paga, você receberá diárias e o evento também será pago por uma entidade de fomento qualquer. A única obrigação sua será justamente defender a social-democracia e o estatismo.

    Então a filosofia não é só ruim porque gera motivos psicológicos falsos, mas por cria e desenvolve motivos bem reais.

  • Pedro.  18/10/2013 10:23
    Perfeito, Marcelo.

    Disse tudo e muito mais.
  • Mathias  17/10/2013 14:25
    Três dúvidas:
    1) O uso do vocábulo "estado" e não "Estado" é uma forma intencional de menosprezar as funções deste ?

    2) Sem um agente regulador, capaz de equilibrar o peso da mão invisível do mercado, resta-nos acreditar na benevolência e no espírito competitivo dos capitalistas. O que impediria a formação de toda sorte de acordos prejudiciais ao consumidor, como monopólios, cartéis, controle da oferta, etc. ?

    3) E quanto as atividades desinteressantes para o capital ? Quem seria responsável por oferecê-las à sociedade ? Lembrando que até mesmo o capital se vale da infraestrutura e dos demais recursos sociais e coletivos para promover a sua reprodução. Por exemplo: as empresas usam as mesmas rodovias públicas para escoar sua produção, usam os mesmos equipamentos urbanos, captam mão-de-obra formada em instituições de ensino públicas, etc.

    Ou seja, por pior que seja o Estado, não há uma alternativa que pragmaticamente seja capaz de oferecer e cumprir todas as funções que os Estados cumprem.
  • Leandro  17/10/2013 15:02
    1) Por que deveríamos grafar "Estado"? Ao se referir si próprio, você escreve "eu" ou "Eu"? Se você escreve "eu" e "Estado", então você está dando a uma entidade coletivista um respeito e uma veneração acima do respeito e da veneração que você dá a si próprio. Fique à vontade, mas nós aqui não pensamos assim.

    2) Pelo visto, você nunca realmente se pôs a pensar sobre os reais efeitos da regulação e a quem ela realmente interessa. É uma rematada sandice acreditar que regulações estatais protegem os consumidores. As agências reguladoras, por exemplo, existem para proteger as grandes empresas e ferrar os consumidores.

    Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Pedir que o estado atue para acabar com cartéis é o mesmo que pedir para o gato tomar conta do pires de leite.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    E quando não era assim, o que ocorria? Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    Outros artigos obrigatórios para você sair deste perigoso autoengano:

    Sobre as privatizações (Parte 1)

    Sobre as privatizações (final)

    Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui

    Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

    Tributação X Regulamentação - O que é pior?

    Aeroportos + governo = caos

    A bem-sucedida regulação privada

    Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas

    Legislações antitruste e agências reguladoras não podem existir em uma sociedade livre

    A Guatemala e seu exemplo de privatização

    As parcerias público-privadas - a porta de entrada para o socialismo

    Seria o liberalismo uma ideologia a serviço de empresários?

    3) Cite exemplos de atividades desinteressantes para o capital e explique por que elas seriam desinteressantes. Mostre que empresários odeiam dinheiro a ponto de se recusar a incorrer em atividades potencialmente rentáveis.


    "Ou seja, por pior que seja o Estado, não há uma alternativa que pragmaticamente seja capaz de oferecer e cumprir todas as funções que os Estados cumprem."

    Tal frase advém de sua baixa compreensão sobre economia (algo explicitado pelo seu item 2). Só porque você é incapaz de visualizar um arranjo que opere fora do controle de burocratas (talvez porque você se sinta inseguro de viver sem seguir as ordens de Sarney) não significa que o mundo só pode funcionar desta maneira controlada e tacanha.

    Grande abraço!
  • Anônimo  17/10/2013 21:46
    3) Cite exemplos de atividades desinteressantes para o capital e explique por que elas seriam desinteressantes. Mostre que empresários odeiam dinheiro a ponto de se recusar a incorrer em atividades potencialmente rentáveis.

    E a defesa nacional? Você vai revolucionar a economia e mostrar como que supera o problema do free-rider?
  • Guilherme  18/10/2013 00:22
    Não é do interesse do capital gerenciar a defesa nacional?!

    Pô, a acusação que eu mais ouço esquerdistas fazerem é a de que está havendo uma "perigosa privatização da segurança".

    Nem entro no mérito quanto à desejabilidade disso. Discuto apenas a veracidade da sua afirmação, que diz que a segurança nacional não seria uma atividade lucrativa e que, portanto, não seria do interesse do capital. Pra mim, isso é novidade.
  • anônimo  17/10/2013 23:52
    "Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Pedir que o estado atue para acabar com cartéis é o mesmo que pedir para o gato tomar conta do pires de leite.

    Algumas regulações tem que ter sim. Imagine, por exemplo: numa sociedade sem estado, anarcocapitalista, uma rádio pirata poderia interferir nas transmissões de outra rádio, ou no tráfego aéreo, na comunicação entre ambulâncias....
  • Bezerra  17/10/2013 15:31
    É muita igenuidade acreditar que as agências reuladoras estão lá para beneficiar os consumidores. Essa semana saiu um estatística afirmando que o custo da ligação no Brasil é o mais caro do mundo. Pela lógica intervencionista isso deveria ser o contrário: a ligação mais cara do mundo deveria ser algum país que adota o mínimo de regulação no setor. No entanto isso não acontece. O Brasil ostenta esse vergonhoso título graças ao seu mercado de telefonia fortemente regulado pela ANATEL.
  • anonimo  17/10/2013 16:38
    Boa tarde.

    Li o livro Liberdade e a lei (Bruno Leoni) e não vou fazer a resenha, mas há um trecho do livro (e livro não é sobre isso) em que o autor fala que na Europa, todos os canais de televisão são estatais e que as pessoas não conseguem imaginar que um canal de TV possa ser privado, pois não daria lucro e ninguém vai querer investir.

    Então de certa forma sua pergunta 3), se encaixa nessa situação, antes na Europa as pessoas achavam que seria impossível um canal de TV privado, seria "desinteressante para o capital"...

    Já pensou que se os sapatos forem produzidos pelo estado, estaria pensando a mesma coisa agora? Quem vai querer investir nisso? Quem vai querer comprar modelos diferentes? Cores diferentes? Materiais diferentes? Será desinteressante para o capital...

    Pense nisso.

    Obrigado.
  • Pedro.  18/10/2013 10:37
    Defensores da escravidão dos negros alegavam que sem eles produzindo faltaria comida.

    Eles induziam a se crer que sem os escravos haveria escassez e fome, já que a produtividade dos brancos não seria capaz de se fazer suficiente para o consumo.

    Ora, na verdade a miséria dos escravos permitia o consumo dos inúteis que nada produzem, sobretudo do governo que podia cobrar impostos e consumir aquilo que os escravos eram proibidos de consumir.

    É preciso surgir novos ABOLICIONISTAS, pois os escravagistas são extensa maioria e com meios de fazerem suas vozes ecoar com mais eficiência.

    Talvez uma proposta de um partido ABOLICIONISTA pusesse esta palavra nas mentes.

    Ivete Sangalo, que recebe 650 mil do governo cearence para uma apresentação, se presta para DETURPAR significados em sua propaganda bem paga. O povo crê em celebridades e uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Daí Ivete repete.

    Escravo é aquele que esta sujeito à vontade alheia, tendo opções de escolha limitadas artificialmente pelo seu senhor. Ou seja:

    Escravo é aquele a quem é negada opções naturais de escolha, ficando assim sujeito apenas às opções que lhe são oferecidas pelo senhor.

    Escravo é ESTAR SUJEITO À VONTADE ALHEIA. ...e só!

    ...mas a Ivete com certeza não diria que médicos cubanos são escravos ...bem que alguém lhe poderia perguntar, né?
  • Ricardo  17/10/2013 15:00
    compartilhei e inclui o excelente comentário acima do amigo Marcelo.
  • Bezerra  17/10/2013 15:24
    "Os partidos políticos de hoje competem entre si apenas por cargos, cada um deles se esforçando para pilhar o estado ao máximo e direcionar os espólios para seus correligionários e apoiadores. Não há diferenças ideológicas substanciais entre eles. Todos os partidos políticos acreditam em um estado poderoso, dominante, difuso e engajado."

    Quando li esta parte, lembrei na hora de nosso triste país.
  • PESCADOR  17/10/2013 16:47
    Essa parte não faz lembrar só do Brasil. Nos EUA, por exemplo, Partido Democrata e Partido Republicano são farinha do mesmo saco: ambos querem roubar a população para sustentar um estado grande, poderoso e gastador.
  • Davilson sabino  17/10/2013 15:57
    No velho testamento, mais precisamente no livro de Samuel - I, no capitulo 8 está registrada a tragica passagem em que os israelitas insistem que precisam de um rei para lutar por eles frente ás nações inimigas.Deus, onisciente e onipresente descreveu ao profeta Samuel o que representaria a figura de um rei.E disse:

    Este será o direito do rei que houver de reinar sobre vós:ele tomará os vossos filhos e os empregará no serviço dos seus carros e como cavaleiros, para que corram adiante deles;
    e os porá uns por capitães de mil e capitães de cinquenta;outros para lavrarem os seus campos e ceifafem as suas messes; e outros para fabricarem suas armas de guerra e o aparelhamento de seus carros;
    Tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras.
    Tomará o melhor das vossas lavouras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais e o dará aos seus servidores.
    As vossas sementeiras e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais e aos seus servidores.
    Também tomará os vossos servos e as vossas servas, e os vossos melhores jovens, e os vossos jumentos e os empregará no seu trabalho.
    Dizimará o vosso rebanho, e vós lhes sereis por servos.
    Então, naquele dia, clamareis por causa do vosso rei que houverdes escolhido; mas o SENHOR não vos ouvirá naquele dia.
    Que grande e horrivel semelhança entre aquele dia com os dias de hoje.
    As mesmas escrituras diz: passarão os céus e a terra mas a minha palavra jamais passará.Ficam estas palavras como reflexão para todos os que amam a liberdade.
  • Felix  17/10/2013 23:13
    Aê Sabino,
    Este texto é legal,
    mas já foi citado por aqui incontáveis vezes
  • João  17/10/2013 16:34
    "Social-democratas e progressistas não conseguem ver nenhuma situação em que a melhor medida a ser tomada seja a redução do tamanho do estado ou a diminuição de sua intervenção."

    Tenho dúvidas em relação a esta afirmação. Algumas pautas dos esquerdistas são:

    Descriminalização/despenalização do consumo de drogas.
    Desmilitarização das polícias.
    Desoneração do consumo.
    Orçamento participativo.
    Descriminalização do aborto.

    Alguém sabe me explicar por que elas implicam aumento do papel do estado?
  • Malthus  17/10/2013 17:09
    "Descriminalização/despenalização do consumo de drogas."

    Eles não defendem a "descriminalização", mas sim a "legalização". Eles querem que o estado regule estritamente o comércio de drogas e tribute pesadamente o consumo. Isso aumentaria a arrecadação do estado.

    "Desmilitarização das polícias."

    Mero fetiche anti-ditadura. Todos os policiais militares virariam policiais civis, cujos salários são maiores. Tal medida aumentaria os gastos do estado.

    "Desoneração do consumo."

    Eles dizem defender a desoneração de produtos básicos, como alimentos e remédios. Até aí, perfeito. O problema é que eles não param por aí. Para contrabalançar esta desoneração, eles defendem o aumento do imposto sobre a renda, sobre a propriedade, e sobre todos aqueles bens tidos como de luxo. No final, eles defendem um aumento da tributação direta, que é muito mais tirana e inescapável do que a tributação indireta (desta última, se você não consumir ou consumir menos, você paga menos imposto, o que é intolerável para esta gente).

    "Orçamento participativo."

    Determinadas comunidades decidem o que irão fazer com o dinheiro que foi confiscado de outras comunidades. Creio ser desnecessário explicar o parasitismo e o rentismo que isso gera.

    "Descriminalização do aborto."

    Querem que o SUS financie o aborto de irresponsáveis. Ou seja, querem que dinheiro de impostos seja utilizado para custear abortos. Isso aumentaria sobremaneira os gastos do estado e sua ingerência no sistema de saúde.

    "Alguém sabe me explicar por que elas implicam aumento do papel do estado?"

    Espero que agora você não tenha mais dúvidas.
  • Joao  17/10/2013 18:23
    Obrigado pela resposta, Malthus.

    Mas eu ainda tenho dúvidas, na verdade...

    1) "Eles não defendem a "descriminalização", mas sim a "legalização". Eles querem que o estado regule estritamente o comércio de drogas e tribute pesadamente o consumo. Isso aumentaria a arrecadação do estado."

    Bom, não é isso que eu tenho ouvido dos esquerdistas por aí. Alguns falam da legalização, mas eu percebo uma maioria mais preocupada com a descriminalização e despenalização mesmo, sob o argumento de que a criminalização contribui para a marginalização do negro e do pobre e bla bla bla. Então não sei se concordo com essa sua pasteurização do pensamento de esquerda. Parece meio binário e muito parecido com o que ela faz...

    2) "Mero fetiche anti-ditadura. Todos os policiais militares virariam policiais civis, cujos salários são maiores. Tal medida aumentaria os gastos do estado."

    De fato, fetiche anti-ditadura. O que eu não acho ruim, posto que a ditadura é a expressão máxima do poder do Estado (e nunca se verá uma ditadura com polícia fraca e sem rígida hierarquia militar). Cria-se uma contrapartida orçamentária, como você bem colocou, mas o trato do cidadão como inimigo do Estado desapareceria, ao menos em teoria.

    3) "Eles dizem defender a desoneração de produtos básicos, como alimentos e remédios. Até aí, perfeito. O problema é que eles não param por aí. Para contrabalançar esta desoneração, eles defendem o aumento do imposto sobre a renda, sobre a propriedade, e sobre todos aqueles bens tidos como de luxo. No final, eles defendem um aumento da tributação direta, que é muito mais tirana e inescapável do que a tributação indireta (desta última, se você não consumir ou consumir menos, você paga menos imposto, o que é intolerável para esta gente)."

    Não tenho dados quanto a isso, mas a maior parte da arrecadação do governo não vem exatamente do consumo de produtos básicos, como alimentos e remédios? Não são esses os produtos essenciais à cesta de consumo da maior parte dos brasileiros? Tirar a mão do estado dessa cesta não representa uma redução de sua presença na vida da maioria da população? Essa é a minha dúvida. O autor do texto menciona a "diminuição" do estado, não a "eliminação completa" do estado...

    4) "Determinadas comunidades decidem o que irão fazer com o dinheiro que foi confiscado de outras comunidades. Creio ser desnecessário explicar o parasitismo e o rentismo que isso gera."

    Novamente, menos estado não significa nenhum estado. Embora a espoliação continue, não há mais centralização da decisão de dispêndio dos recursos na mão do "benevolência" estatal.

    5) "Querem que o SUS financie o aborto de irresponsáveis. Ou seja, querem que dinheiro de impostos seja utilizado para custear abortos. Isso aumentaria sobremaneira os gastos do estado e sua ingerência no sistema de saúde."

    Aumentaria mesmo? Eu também acho que sim, mas a gente tem o exemplo do Uruguai aqui do lado, onde o aborto é legalizado e, ao mesmo tempo, tem a menor quantidade de abortos/habitante. E, novamente, embora haja algumas parcelas da população que pedem pelo aborto gratuito realizado pelo SUS, existe a parcela menos radical que defende simplesmente a descriminalização da prática, e eu não consigo ver isso como ruim.

    O que você acha, Malthus?
  • Malthus  17/10/2013 19:03
    Acho que você segue confuso, João.

    1) Não há nenhum social-democrata proeminente que defenda a retirada do estado da questão das drogas. Todos defendem a tributação e a regulamentação pesada do comércio legalizado de drogas. Sim, eu sei que você tem um vizinho descoladíssimo que quer que a polícia pare de encher o saco dele para ele fumar o orégano sossegado. Sei que você também conhece alguns noiados que querem a descriminalização das drogas apenas pela curtição e pelo barato Mas, lamento informar, esta não é o pensamento dominante entre os progressistas influentes.

    2) Não entendi por que o trato do cidadão como inimigo do Estado desapareceria, nem ao menos em teoria. A Civil assumiria todas as atuais tarefas da Militar. Quem você acha que faria as blitz com bafômetro? O próprio governador?

    3) Não. A maior fatia da arrecadação em nível federal, depois da Previdência, vem exatamente do Imposto de Renda (Físico e Jurídico). Depois vem a Cofins. Pode conferir aqui.

    Logo, "tirar a mão do estado dessa cesta" e enfiá-la ainda mais pesadamente no bolso de outras pessoas não tem com representar "uma redução de sua presença na vida da maioria da população"

    4) É claro que continua havendo centralização. Só que agora, comunidades recebedoras de impostos irão decidir o que fazer com o dinheiro das comunidades pagadoras de impostos. E tudo isso sob o comando de políticos e burocratas, que agora terão ainda mais votos.

    5) Não entendi o que tem a ver comparar abortos no Uruguai com os abortos no Brasil. A questão não é essa. A questão é a seguinte: hoje, os abortos no Brasil são 100% privados. Não há dinheiro estatal direcionado para o aborto. Mas os esquerdistas querem estatizar a prática. Sendo assim, não faz nenhum sentido dizer que a estatização do aborto reduzirá a presença do estado neste setor. É uma impossibilidade numérica. Mesmo que, com a estatização do aborto, venha a ocorrer apenas um aborto por ano, isso já será um valor maior do que o gasto atualmente.
  • Joao  17/10/2013 23:20
    Acho que agora você tornou as coisas mais claras.

    Sobre o item 3, especificamente, ainda me resta uma dúvida.

    Quando falei da maior porção da tributação vir do consumo de itens básicos, estava falando da representatividade desta cesta específica na tributação do consumo apenas, e não da porção que a tributação do consumo representa na tributação total do país. A desoneração dessa cesta de itens básicos não contribuiria para uma redução da tributação total dos bens de consumo, mesmo com o aumento dos impostos incorporados aos itens considerados de luxo?
  • Malthus  18/10/2013 00:14
    No final, este seu arranjo diminuiu ou aumentou a arrecadação do estado?

    Desconheço um esquerdistas que defendam a diminuição da arrecadação do estado. Isto é sagrado, pois eles querem ter sempre cada vez mais dinheiro para fazer suas políticas totalitárias, redistributivas e regulatórias.

    Se o sujeito defende a redução da arrecadação, ele não é esquerdista/progressista/social democrata.
  • Pedro.  19/10/2013 10:17
    Caro João, vc escreve:

    "a ditadura é a expressão máxima do poder do Estado"

    Tenho que discordar. Atualmente se diz que estamos numa democracia no brasil, contudo há muito menos liberdade e um Estado muitíssimo maior do que na época da tal dita dura.

    Na época da dita dura dos milicos.Br (com seus grandes e flácidos traseiros):

    - o cidadão podia possuir uma arma em casa e sendo um honesto trabalhador podia conseguir o porte sem grandes custos.

    - uma fabricante de cigarros podia fazer propaganda na TV (eu não fumo)

    - se um bandido invadisse sua casa vc podia reagir da forma que julgasse necessário, mesmo atirar nele com sua arma.

    - voce podia educar seu filho e aplicar-lhe umas palmadas se necessário, sem o risco de ser preso.

    - dançarinas de programas de TV podia usar maiôs ou biquinis (e os esquerdistas pregavam a liberação sexual e faziam filmes de escracho sexual e muita nudez invocando liberdade. Agora eles proíbem bundas e condenam a nudez ainda mais que os traseirudos milicos.

    - na época da dita dura o governo não obrigava os maços de cigarros a terem fotos medonhas, até fraudulentas.

    - na época da dita dura os colégios e faculdades particulares podiam cobrar dos alunos que não pagassem e não precisavam ter militantes políticos ideológicos em sua direção e corpo docente para não serem perseguidos.

    - na época da dita dura o MEC não era um orgão doutrinador mais preocupado em lavar os cerebros dos alunos do que com a difusão de conhecimentos.

    - no Chile de Pinochet vc podia criticar o governo e a propaganda politica podia fazer acusações a candidatos e partidos, só não podia mentir, praticar terrorismo, assaltos, roubos, assassinatos, arruaças e ataques a patrimônio publico ou privado. Aqui em plena dmocracia, se um candidato atacar outro ou um partido com verdades chocantes, eles entram no TSE e a propaganda é proibida. Além de o horario alheio ser ocupado para propaganda do denunciado.

    - na época dos traseirudos milicos voce não se prendia em casa com grades, os predios eram abertos (com menor custos de condominio) e andava-se pelas ruas sem medo de ser assaltado ou assassinado - e armas eram permitidas.

    - na época da dita dura vc podia chamar um afrodescendente de negão e podia brigar com um sem ser preso por racismo. Vc não precisava ter tanto medo de falar o que quisesse a outro cidadão. Vc podia dar até um esporro num fucionário público mais vagabundo sem ser preso e condenado (eles agora são cidadãos de primeira e vc de segunda).

    - na dita dura vc não corria o risco de ter sua propriedade invadida e expropriada pelo governon para da-la aos invasores. Na dita dura a reação a uma agressão era permitida.
  • Anonimo  17/10/2013 22:10
    Põe nessa pauta da esquerda aí o casamento homossexual. Não sei COMO aumentar a liberdade dos casais gays pode aumentar ao mesmo tempo o tamanho do Estado.
  • Malthus  18/10/2013 00:07
    Jura que não sabe? Quer dizer então que trazer o estado para dentro das relações homossexuais, colocar o estado para autorizar casamentos gays, fazer homossexuais agora terem de pedir autorização do estado para se unirem, se registrarem em cartório e, principalmente, usarem o estado para adjudicar casos de litígios e divórcios representa uma redução do estado? Legal.

    A posição correta é a de reduzir a incursão do estado em questões privadas.  O certo, portanto, é defender a desestatização do casamento hétero e não estatização do casamento homo.

    Qualquer libertário de princípios deve se opor à "legalização" do exato tipo de casamento que já ocorre na comunidade gay, embora não em uma forma que a maioria dos héteros considere familiar ou aceitável. Essa ânsia de querer politizar até mesmo as mais íntimas interações sociais é supremamente antilibertária.

  • Renato Borges  18/10/2013 13:53
    Anonimo 17/10/2013 22:10:01
    "Põe nessa pauta da esquerda aí o casamento homossexual. Não sei COMO aumentar a liberdade dos casais gays pode aumentar ao mesmo tempo o tamanho do Estado."


    Desculpe-me pela minha ignorância, mas até onde eu entendo, nenhum homossexual quer ter o seu ~direito ao casamento~ por questões religiosas. Querem o reconhecimento por questões financeiras. Estão de olho nas pensões gordas que o estado pagaria para as esposas, mas se recusava a pagar aos 'parceiros'. No final das contas é só uma medida para mamar nas tetas do Leviatã por mais tempo.
  • Danilo  17/10/2013 17:26
    Vejo que o texto " dez conclusões falaciosas da ideologia dominante" é o segundo, em pouquíssimo tempo, que trata ou desenvolve o tema de "ideologia" no presente site.O outro texto buscava responder a um eventual ataque dos adversários acadêmicos e políticos do liberalismo econômico, que era retratado por eles como uma "ideologia" da classe burguesa.Nesse texto ,assim como no presente texto,as dez conclusões falaciosas da ideologia dominante, há o desenvolvimento da categoria de ideologia, que ,todo mundo sabe, foi desenvolvida por Karl Marx e Engels.Na verdade, em ambos os textos são utilizados no sentido ,ainda que parcial , dado a tal categoria por tais pensadores.Entretanto, em ambos os textos, tal categoria é retratada de duas maneiras e, aparentemente, contraditórias entre si.

    No texto " Seria o liberalismo, uma ideologia a serviço do empresariado",ideologia é empregada como uma espécie de discurso mistificador da realidade.Algo, talvez, mais próximo com o que efetivamente Marx e Engels desenvolveram no livro A ideologia Alemã.No segundo texto, contudo, ideologia é empregada como se fosse uma forma de controle social psicológico que é exercido nos indivíduos,algo como um controle que os impedissem de pensar de maneira contrária ao conjunto de valores e forma de pensamento vigente.Dai, a ideologia apresenta-se como um fator de alienação e de submissão do individuo à forma de pensar dominante.

    Dentro desses conceitos, pode-se afirmar, de inicio, que exista, de fato, uma contradição.Enquanto em um texto ideologia é empregada no sentido de uma ideia enganosa que atinge um certo grupo de indivíduos, no outro é desenvolvida como uma forma de dominação consciente realizada pela classe dominante, que busca impor a sua vontade e suas ideias à classe dominada.Tal aparente antinomia faz muitas vezes alguns estudantes, e até intelectuais, se confundirem quanto à verdadeira "essência" do conceito de ideologia.Para termos em vista o que é ideologia de fato, temos que ter em mente o seguinte: a tese de ideologia desenvolvida por Karl Marx e Engels não é a mesma desenvolvida por parte da tradição exegética marxista.Tal fato vai levar ao desenvolvimento de dois conceitos diferentes e distintos de ideologia, o que causará uma eventual confusão dentro do campo conceitual marxista.

    Para Marx e Engels, ideologia não se trata de um conceito universal, nao-histórico e analítico de um fato. Na verdade, para tais autores, a ideologia se ampara em questões aparentemente racionais e universais e desprovidos de historicidade para ocultar exatamente a historicidade daquilo que ela pretende explicar.Trata-se ,portanto, a ideologia de uma falsa consciência da realidade.

    Se a teoria pretende explicar, idealmente, o movimento real e histórico da realidade, ao tornar um fato real como um produto racional e universal, acaba, ao invés de reproduzir a história, criando uma realidade distinta daquilo que busca explicar. Nesse sentido, a ideia, produto do desenvolvimento histórico e social, acaba, na ideologia, se apresentando como a força motriz e criadora da própria realidade. Ocorre,então, a inversão da realidade no plano da representação teórica : Na ideologia, o pensamento apresenta-se como o criador da realidade, e não como um produto( resultado) desta.Por meio da ideologia, portanto, a realidade aparece como sendo uma criação artificial do pensamento.Por isso, para transforma-la, basta aos homens pensa-la, e não ,mediante a ação transformadora e revolucionária do trabalho, modifica-la.Nesses termos, a ideologia trata-se de um autoengano que faz o individuo pensar em uma realidade ideal que não seja, propriamente, a realidade concreta da história.

    Para Marx e Engels, a ideologia, ao inverter o movimento real e histórico da realidade, pois busca reproduzi-la como se fosse um movimento puramente racional e, por isso, desprovido de historicidade e da ação subjetiva dos homens, acaba enganando os indivíduos.O movimento da ideologia, conforme assim desenvolvem Marx e Engels, não se trata de um mero acidente histórico, e tampouco num movimento desprovido de tal historicidade.É um movimento concreto e teve os seus condicionalismos históricos dentro da sociedade burguesa.

    A ideologia opera dentro da sociedade burguesa. Os indivíduos burgueses, ao tentarem explicar o movimento real e histórico de sua própria sociedade, acabam sendo induzidos ao erro. Isto não se dá conscientemente, mas, sem saberem, ao colocarem a sua sociedade como sendo um produto racional e desprovido de seu elemento histórico( logo, capaz de ser superado e transformado pela práxis), como se fosse a realização de princípios "universais" e "inerentes" à humanidade, acabam criando,além do autoengano, uma proposição teórica que acaba, ainda que apareça com elementos abstratos, escondendo interesses concretos de uma classe específica : a classe burguesa, que busca legitimar a sua sociedade às classes oprimidas, colocando a si mesmo, enquanto classe, como uma necessidade do espírito, e não como um elemento de desenvolvimento do modo de produção capitalista e , então, passível de ser destruída e superada, assim como ocorreu com as classes dos suseranos e senhores feudais, ou como a classe dos Paters Familiae e do modo de produção escravagista clássico romano.

    Nesses termos, dentro desse movimento, a ideologia acaba escondendo, ainda que de maneira inconsciente e abstrata, os interesses concretos da burguesia, ao tornar os seus interesses de classes como frutos do desenvolvimento racional e ideal, e não produto de condicionalismos históricos, capazes de ,inclusive, se tornarem desnecessários e a insustentáveis concreta e historicamente, o que vai,segundo Marx e Engels, inevitavelmente ocorrer dentro do movimento histórico do próprio capitalismo.

    Como é evidente, a categoria de ideologia, para Marx e Engels, não se trata de um mero conceito analítico,mas,sim, de um movimento complexo, real e histórico do desenvolvimento do pensamento e de sua justificação dentro da sociedade burguesa.Muitos dos estudantes e acadêmicos acabam não entendendo completamente tal categoria.Por isso, acabam tomando-a como um mero conceito analítico, assim como uma formula matemática, sendo assim uma expressão ideal universal e passível de ser utilizada para explicar todos os períodos históricos.Eventualmente, tais indivíduos ,ao tomarem a categoria marxiana Ideologia de tal forma, acabam sendo vítimas do autoengano e,portanto, acabam criando, ironicamente, uma ideologia.

    O erro em descrever e compreender a categoria de Marx e Engels de Ideologia não atinge apenas os meros estudantes e intelectuais" da direita", ou seja, liberais ou conservadores, que acabam tomando apenas parte do movimento que tal categoria busca explicar e a transformam num conceito analítico,mas também atinge pesquisadores "de esquerda" e inclusive da tradição marxista, o que acaba criando várias incongruências e confusões com relação a tal categoria.

    Parte da tradição marxista entende e desenvolve a ideia que ideologia seja um conjunto de valores fadados ao condicionalismo de classe.Por isso, segundo parte de tal tradição, a burguesia teria valores e formas de ver o mundo diversas da classe operaria.Por isso, haveria, de fato, um "polilogismo" na forma de apreensão da realidade, a qual ficaria sempre submissa aos interesses concretos e de classe.Nesses termos, cairíamos, de acordo com tal tese, num mundo de relativismo e classista, em que o objetivo e o real se tornariam impossíveis de serem apreendidos em suas "substancias".

    Ora, conforme já foi exposto acima, Jamais foi isso que Marx e Engels queriam desenvolver ou desenvolveram com a categoria de ideologia.Por isso, devemos ter clareza, ao estudarmos a categoria histórica e real de ideologia, a diferença conceitual que parte da tradição marxista exprime e o desenvolvimento teórico realizado de tal categoria pelo próprio Marx.Portanto, para não utilizarmos a categoria de ideologia de maneira vulgar, que acaba tornando-a desprovida de sentido, é necessário ter em mente tal observação.
  • Mauro  17/10/2013 17:51
    Nunca vi uma pessoa escrever tanto (e tão mal) para falar tanta coisa desconexa e sem sentido.

    Não. Os dois textos supracitados atacam a mesma ideologia. Um texto ataca a total predominância da ideologia dominante, já o outro ataca a maneira caluniosa como esta ideologia predominante ataca os seguidores de uma determinada filosofia política (o liberalismo).

    Sacou?
  • anônimo  17/10/2013 18:59
    Ih cara, claase burguesa e classe operária? Só existe essas duas? Sai desse mundo imaginário do Marx e vem pro mundo real! Pensamento de classe só existe na cabeça dos sindicalistas bancados pelo governo. No mundo real os indivíduos pensam e agem visando sair de um estado de menor satisfação para um de maior satisfação.

    Ah, se você tá tão disposto a "refutar" as idéias defendidas neste instituto, aproveite! Veja só todo o material preparado para você:

    Artigos sobre o assunto 'Marxismo'
    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=43
  • Danilo  17/10/2013 20:12
    Ih, concordo contigo,anônimo.

    Essa "coisa" de luta de classes é "coisa" de sindicalista, oportunista,nao há duvidas.Nao há lutas classes, tampouco existe a relação antagonica de empregador e empregado.Hoje, existe,na verdade, "colaboradores".
    Os empregados sao colaboradores dos seus mestres,capitalistas.Com o enriquecimento destes,há inevitávelmente o enriquecimento de toda a sociedade e , inclusive, de seus colaboradores, que , em sua própria definição, têm , no âmbito da geração de riquezas, uma atuação secundária.Por serem meros colaboradores, nao merecem uma fatia maior do bolo.
    Interessante a lógica que exprime a relação entre colaborador e colaborado, o verdadeiro ente atuante e protagonista na geração de riquezas, vide Eike Batista.O Problema do mundo atual é que os colaboradores sao egoistas e, embora serem personagens secundários,querem uma fatia maior do bolo.Por isso, se organizam em sindicatos e acabam com a fraterna relação existente entre ambos.

    Seria essa a descrição do mundo real, meu caro anônimo?


  • anônimo  18/10/2013 18:41
    Não Danilo, de fato a riqueza do mundo é algo imutável e é a mesma desde o tempo que vivíamos na caverna. O capitalista é o desgraçado que foi lá e pegou tudo para si enquanto que os outros ficavam dançando em volta da fogueira. E como a fatia do bolo é imutável desde estes tempos imemoriais, seres angelicais, como Marx, e Che, pensando no bem da civilização, estavam certos ao dizer que o roubo é justificável, mesmo a custa da vida de inocentes - se bem que não há inocentes, não é? Se o desgraçado se apropriou das máquinas que estavam lá à toa na natureza e empregou pessoas que voluntariamente decidiram trabalhar para este ele merece mesmo ser fuzilado. Mesmo se for o pipoqueiro ou o padeiro, ou sapateiro.

    É, o mundo é uma luta de classes mesmo. Dos pobres oprimidos contra os exploradores gananciosos. Manda um abraço pro Coelho da páscoa aí na terra de Oz.

  • Tory  17/10/2013 19:22
    O sujeito já está tão envenenado pelo marxismo que nem concebe que "ideologia" é um termo que precede Marx.
  • Danilo  17/10/2013 19:33
    Tory,

    Se Ideologia é um termo que precede Marx, é, sem duvida alguma, verdade.Mas, nos dois textos que citei do presente site,ambos partiram ,ainda que de maneira parcial e implícita, do conceito desenvolvido por Karl Marx e Engels, fato este que apontei nos primeiros parágrafos.
    Em nenhum momento,os textos ja citados e expostos no presente site partiram da definição de ideologia do periodo precedente de Marx, que seria a definição surgida durante o periodo de napoleão bonaparte.

    Obrigado pelo comentário.


  • Renato Borges  18/10/2013 13:56
    Calma, cara, pra, que, tanta, vírgula,?
  • Danilo  18/10/2013 16:52
    Renato Borges,

    Creio que a seguinte página vai retirar a sua dúvida:

    www.gramaticaonline.com.br/texto/951/V%C3%ADrgula



    Obrigado por comentar.
  • anônimo  18/10/2013 18:34
    Danilo, faz parte da boa prática gramatical usar espaço depois do ponto. Obrigado por comentar.
  • Tory  18/10/2013 16:18
    Quer dizer que Robert Higgs e Juan Ramón Rallo, que certamente não são marxistas, quando utilizam o conceito "ideologia", que já havia sido definido antes de Marx, o utilizam, "implicitamente", em termos marxistas? A noção de que marxismo não tem absolutamente nenhum papel nas ideias de quem escreve aqui é uma espécie de anátema para você, é isso?
  • Danilo  18/10/2013 17:21
    Tory,

    Certamente, os conceitos de ideologia desenvolvidos por tais autores são bastante semelhantes com os amplamente desenvolvidos por autores marxistas e com o conceito próprio de Karl Marx.A ideia de um ideologia decorrente de uma classe dominante certamente foi desenvolvida com mais propriedade por pensadores marxistas.

    Por isso, os textos desenvolvidos pelos autores citados por ti só fazem sentido se a gente analisar bem o conceito de ideologia desenvolvida por autores marxistas, e não por aquele conceito criado no período de napoleão Bonaparte.Logo, por uma questão de coesão, os autores Robert Higgs e Juan Ramón Rallo partiram do conceito de ideologia desenvolvida pela tradição marxista.Caso contrário, os textos deles não fariam sentido.

    Para mim, se um liberal ou conservador desenvolve, de maneira completa e correta, o movimento concreto que a categoria ideologia desenvolvida por Marx e Engels buscava explicar,nao haveria nenhum problema.Contudo, em ambos os textos dos autores Robert Higgs e Juan Ramon,existe uma elaboração parcial e fragmentada de tal categoria , o que causa confusão no leitor nao atento.

  • Tory  19/10/2013 13:26
    É, talvez se um marxista lesse os textos poderia ficar preocupado e até escrever longos comentários sobre a utilização indevida de um conceito se eles tivessem sido escritos para um leitor ideal marxista.

    Ocorre que não foram.

    Ficamos então iluminados com a noção de que se um sujeito que despreza Marx utiliza um termo apropriado por Marx (seria diferente se eu dissese que mais-valia é sinônimo de dividendo, por exemplo, quando eu concederia que, de fato, você está certo) de forma a não coincidir com a definição marxista o sujeito está automaticamente errado. Na opinião de um marxista.
  • Emerson Luis, um Psicologo  18/10/2013 19:40
    Deve haver uma "falha de mercado" (ou melhor, uma "falha de Estado") no cérebro de quem faz um comentário verborrágico maior do que o artigo comentado. E ainda por cima sem nexo.

    Danilo, já ouviu falar de "polissemia"?

    Polissemia: (sf. 1. Ling.) Multiplicidade de significados de uma palavra (p.ex.: bolo, referindo-se a 'doce' e a 'pancada de palmatória' etc.)
    aulete.uol.com.br/polissemia#ixzz2i6SiDKwH

    SE os dois artigos utilizam a palavra "ideologia" de formas diferentes, é porque um autor a utilizou com uma determinada nuance de significado e o segundo, com outra, mas ambos dentro do sentido geral do termo.

    É o tipo de compreensão de texto que bons alunos com bons professores adquirem na 5ª série.

    PS: Não confundam "polissemia" com "polilogismo".

    * * *
  • Danilo  17/10/2013 18:15
    Caro Mauro,

    Foi o Sr quem nao me entendeu.Talvez,o Sr se quer tenha lido o texto.Ademais, é facil dizer que certo individuo expôs de maneira confusa, sem se quer aponta-la.Na verdade, é facil falar qualquer coisa sem fundamentar ou desenvolver a sua afirmação.Trata-se de um ato desonesto e censurável.

    Nao preciso que o Sr concorde comigo.Na verdade, eu quero vozes dissonantes.Caso contrario, estaria publicando o presente texto no site vermelho.org, onde certamente eu seria aplaudido.
    Entretanto, eu quero vozes dissonantes com FUNDAMENTOS, e nao ataques pessoais.Obrigado.
  • Mauro  17/10/2013 19:00
    Prezado, se o que você quer é que eu pegue na sua mão e carinhosamente explique os erros contidos em cada linha de seus 267 parágrafos acima, não precisa prender a respiração. Isso não irá acontecer. Não quero abalar o seu ego, mas o seu pensamento e a sua pessoa não despertam em mim absolutamente nenhum interesse. Não vejo o que eu poderia ganhar em perder meu tempo fazendo uma análise meticulosa de seu emaranhado de palavras acima. Tampouco tenho qualquer interesse em tentar influenciar a sua opinião, e nem muito menos fazer você mudar de opinião. Pessoas como você, marxistas, não me interessam em absolutamente nada.

    Apenas fico puto quando vêm aqui apenas para poluir, sendo que existem aí vários sites e blogs (financiados por estatais) que estão implorando por leitores.

    Cordiais saudações.
  • Blah  17/10/2013 19:16
    Recomendo que leia "Karl Marx segundo Eric Voegelin", só para começar.
  • Danilo  17/10/2013 19:36
    Blah,

    recomendo que leia Karl Marx sem comentadores.E detalhe : nao leia apenas o Manifesto do Partido Comunista.
    Outra recomendaçao : Leia Hegel tbm.
    :)
  • Leonardo Couto  17/10/2013 20:10

    Danilo, confira este artigo: A falácia do polilogismo.

    Diga-me: Que linha de raciocínio lógico você utilizou para embasar a sua afirmação de algo como "o pensamento liberal é apenas um monte de falácias burguesas"?

    Você cobra um comportamento que não praticou. Não importa, mesmo sem cobrar, há o embasamento lógico no presente artigo, o qual você, também, sequer mencionou.

    É muito fácil desferir afirmações sésseis, mas achar que fez algo intelectualmente bom, é um profundo auto-engano que só pode ser falsamente amenizado com o pesamento "não gostaram porque são burgueses".

    No entanto, se você ainda não tiver um vislumbre de sensatez e ainda continuar com os terríveis antolhos do polilogismo, saiba que não temos nada contra você e seus amigos viverem no modo comunista com suas propriedades. Claro, devem nos deixar em paz para vivermos no modo livre.

    Só não é lícito trucidar quem não deseja aderir, não?

    De qualquer forma, ao menos confira o artigo que lhe indiquei. E continue por aqui.
  • Henrique Simões  17/10/2013 18:25
    Leandro,

    Perdão desviar do assunto do post, mas gostaria da sua opinião, se você tiver tempo: Você compartilha da opinião de economistas como Peter Schiff, por exemplo, que dizem que se as taxas de juros dos EUA saírem de zero para números (ainda baixos) como 3 ou 5%, o calote dos EUA será inevitável?

    Levando em consideração que a proporção dos títulos atualizados pela taxa de juros, no montante total dos títulos emitidos pelo governo americano, é bem grande, o programa de recompra dos títulos americano poderia ficar muito pesado para o orçamento deles, levando ao calote?

    Você tem opinião sobre o assunto?

    Obrigado, desde já, e parabéns pelo trabalho de vocês, mais uma vez.

    Um abraço,
  • Leandro  17/10/2013 19:02
    Concordo. Uma hora o calote será inevitável. Mas o calote será parcial; ele não será todo de uma vez e não será sobre os títulos públicos, que são sagrados para a continuidade do financiamento do governo.

    Eles vão começar caloteando daqueles grupos sem nenhum poder político e eleitoral, como alguns benefícios previdenciários. E daí vão começar a aprofundar, cortando vários benefícios do Medicare e do Medicaid. Haverá gritaria, mas será feito. E aqui no Brasil também. Quem acha que irá se aposentar pelo INSS terá uma nada agradável surpresa.
  • Henrique Figueiredo Simoes  18/10/2013 01:50
    Compartilho do seu ponto de vista, Leandro. Muito obrigado pela resposta. Vou estudar mais como o pagamento dos juros da dívida (e dos próprios títulos vencidos e resgatados) se dá, nos EUA e aqui, fazendo um paralelo com os orçamentos e fluxos de caixa dos governos, para melhor entender essa dinâmica e prever novos possíveis calotes.

    Algum artigo/livro/matéria para indicar nesse estudo?

    Mais uma vez obrigado e parabéns pelo incrível e dedicado trabalho de vocês.

    Um abraço!
  • Anônimo  17/10/2013 22:08
    (Fora do tópico)

    O Brasil está a receber o videogame mais caro do mundo tendo a Sony responsabilizado as tarifas de importação daqui, seria uma boa oportunidade para o site explicar o que é que está acontecendo e ensinar como ninguém como os preços podem ser diminuídos através da competição e da redução de impostos. Já há ótimos artigos sobre o assunto, inclusive.

    Basta ver o Chile, por exemplo, que está recebendo o mesmo produto mais de 2000 reais mais barato.
  • gabriel  19/10/2013 03:00
    Quanto a este assunto, pelo que parece sairá ainda consideravelmente mais barato (coisa de próximo a 2mil reais mais barato) comprar no exterior e importar 'legalmente' mesmo pagando todas as taxas de importações.
    Parece uma ótima ideia pra qualquer um que venha a comprar o vídeo-game traga o mesmo do exterior. Não seria essa a forma mais eficiente de 'protestar' contra o preço cobrado pela empresa brasileira? Pois se a noticia que li foi esta mesmo, a empresa não estaria dando um 'tiro no pé' colocando um preço tão caro para venda nacional?

    Me parece aquele típico caso que se culpa o 'capitalismo' e a 'grande empresa exploradora' por colocar preços muito altos, seria interessante para mim ter a opinião de vocês desse caso específico, se alguém se der ao trabalho de responder agradeço.
  • Carlos  17/10/2013 22:40
    Pragmatismo:
    Segundo essa doutrina metafísica, o sentido de uma ideia corresponde ao conjunto dos seus desdobramentos práticos.

    Ooops,então o estado é P-R-A-G-M-A-T-I-C-O !

  • Adriano  18/10/2013 15:32
    "O que é inconcebível é ver pessoas comuns defendendo sua própria espoliação."
    E os caras ainda vem aqui defender o estado e encher o nosso saco com esses argumentos decorados. Ou são burocratas ou militantes marxistas de 15 anos de idade.


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