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Lições econômicas básicas, mas ainda difíceis de serem compreendidas

Uma das mais difíceis lições econômicas a ser ensinada aos neófitos desta área — e, surpreendentemente, também a vários economistas bem treinados — é a ideia de que a teoria econômica não pode dizer nada definitivo sobre declarações subjetivas. 

Ela não pode dizer se algo é ótimo, bom, ruim ou péssimo.  Permitam-me alguns exemplos para esclarecer melhor este ponto.

O vinho Cabernet Sauvignon é melhor do que o Fumé Blanc.  Peru é melhor do que porco.  Matéria no estado sólido é melhor do que no estado de plasma.  Cada uma destas afirmações utiliza suas próprias premissas como prova das próprias afirmações, o que nada mais é do que um raciocínio circular.  Por isso, fica a pergunta: onde está a prova de cada uma destas afirmações? 

Sendo declarações meramente subjetivas, discordâncias entre os debatedores podem se prolongar ad infinitum.  É tudo simplesmente uma questão de opinião pessoal.  A opinião de uma pessoa sobre o que é melhor ou pior é tão válida quanto a opinião de outra pessoa.

Agora, compare estas declarações a estas outras aqui: água é formada de moléculas compostas por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio.  Cientistas não podem dividir o átomo.  A distância em graus do equador ao Pólo Norte é de 90.  Com afirmações positivas como estas, se houver qualquer desacordo, existem fatos para os quais o proponente destas ideias pode recorrer para resolver a contenda.  Por exemplo, se um indivíduo diz que cientistas podem dividir o átomo, mas outro diz que não, uma viagem ao acelerador linear de Stanford para se observar átomos sendo divididos resolve a questão. 

No entanto, se você disser que Fumé Blanc é melhor do que Cabernet Sauvignon e eu disser que Cabernet Sauvignon é melhor, nossa discordância pode se prolongar eternamente, pois não há fatos ou números concretos para os quais podemos recorrer.

Uma maneira sempre útil de saber se uma afirmação é subjetiva é observar o uso de termos como 'deveria', 'tem de', 'melhor' e 'pior'.  Sempre digo aos meus alunos que, embora seja importante saber se uma afirmação é subjetiva ou não para se raciocinar corretamente, de modo algum estou sugerindo que eles expurguem de seu vocabulário afirmações subjetivas.  Afirmações subjetivas são muito úteis para confundir os outros e levá-los a fazer exatamente aquilo que você quer que eles façam para você. 

No entanto, no processo de enganar os outros, o indivíduo não precisa se enganar a si próprio. 

Por exemplo, um político diz que cursar universidade gratuitamente "é um imperativo econômico que deve ser acessível a todas as famílias da nação".  Não há absolutamente nenhuma evidência que confirme indiscutivelmente esta afirmação.  Com efeito, há vários exemplos de pessoas inteligentes e extremamente bem-sucedidas que sequer completaram o ensino médio.  Da mesma maneira, há vários exemplos de pessoas com doutorado que não têm a mínima ideia do que fazem no mundo.  Não obstante, tal afirmativa é uma ótima maneira de coagir os outros a pagar pela educação de alguém.

E quanto à afirmação de que as pessoas não deveriam praticar discriminação de raça ou sexo?  Qualquer que seja a validez emocional de tal afirmação, ela é, acima de tudo, um mero juízo de valor.  Ademais, se a interpretarmos literalmente, concluiremos que ela é uma tolice sem absolutamente nenhum sentido. 

Pense a respeito.  Discriminação nada mais é do que um simples ato de escolha.  Sempre que escolhemos algo — ato este que fazemos várias vezes ao dia —, estamos discriminando.  Quando escolhemos uma pessoa para ser nossa parceira para o resto da vida, estamos inevitavelmente discriminando ou por raça ou por sexo ou por ambos.  Você gostaria de viver em uma sociedade em que houvesse punições por tal discriminação?  Gostaria que o governo estipulasse com quem você deveria se casar?

Já tive alunos que argumentaram que a discriminação por raça e sexo no que diz respeito ao casamento é trivial e sem grandes consequências; mas, no que concerne ao mercado de trabalho, tem de haver leis impondo a igualdade de oportunidade.  Mas o que é igualdade de oportunidade, e como você pode afirmar que ela está sendo aplicada? 

Sempre pergunto aos alunos que defendem esta ideia se eles, ao se formarem, irão dar a cada empregador uma igualdade de oportunidade para contratá-los; se eles irão se oferecer igualmente para as grandes empresas que pagam bem e para o administrador do cemitério que precisa de mais coveiros.  E eles sempre me olham com uma expressão atônita e dizem, um tanto constrangidos, que não.  E então eu pergunto: "Se você não vai dar a cada empregador a igualdade de oportunidade de lhe contratar, por que então todos os empregadores deveriam ser forçados a lhe dar uma igualdade de oportunidade para ser contratado?"

Sempre que a discussão resvala para a lei da demanda, o termo "necessidade" sempre surge.  Um estudante pode dizer que um carro, um celular e água encanada são necessidades essenciais.  Minha resposta é que carros, celulares e água encanada não podem ser necessidades essenciais, pois as pessoas conseguiram viver sem estes itens por muito mais tempo do que vivem com eles.  Não há nada sem o qual as pessoas não possam viver; apenas as consequências é que podem não ser muito agradáveis.

E você pode dizer, "Williams, mas este seu pensamento não é nada misericordioso!".  Correto.  Creio que ser misericordioso para com um semelhante é algo que requer análise isenta e raciocínio desapaixonado.  Em outras palavras, temos de pensar com nosso cérebro e não com nosso coração.



autor

Walter Williams
é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros.  Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.


  • Thyago  11/07/2012 07:09
    O Walter é fantástico...

    Interessante é a entrevista dele na globonews...

  • Ismael Mateus  11/05/2014 07:32
    Toda ação, provoca uma reação! O racismos foi e é em muitos Países, uma forma de limitar o avanço de certos grupos as mesmas condições de desenvolvimento, como no Brasil, em que o negro foi proibido a saber ler e escrever, de ter terras, e outros bens por imposição do sistema. Creio que a relação entre emoção e rasão deveria ser a medida certa para as nossas vidas em todos os âmbitos. Pois todos os extremos são perigosos. E como citado um grupo pequeno lidera o comando da economia e da existência das pessoas, que nada mais são que coisas dentro do mercado, de maneira geral.A liberdade de escolha é algo sagrado, principalmente quando o direito do outro é respeitado. Sem limites morais, sem limites de direitos básicos, muitos veriam a plena possibilidade de estabelecerem a barbárie por força de suas condições privilegiadas. No livro de Andre Rebouças, engenheiro civil, do seculo 18, ele diz a Princesa Isabel, que ela fizesse reforma agraria, para evitar o caos no futuro do Brasil, sobrou-nos as Rocinhas da Vida, os Vidigais os movimentos de sem Terras e sem Tetos, e outras formas de exclusão raciais e econômicas, ditadas pelo Estado Brasileiro, e toda a parafernalha, do caos urbano e rural brasileiro. Costume dizer que o os políticos brasileiros são uma extensão dos velhos coronêis, do passado, outorgados, pelo Estado, uma eterna capitania hereditária, estão sempre protegidos, e acobertados, efetuando a manutenção de valores e direitos seus. Economia sem Moral, e sem Respeito é Formulação do Caos, e Manutenção da Desordem Humana. Até as tribos mais primitivas possuem limites, e regras.
  • Luiz Otavio Fontana Baldin  11/07/2012 07:26
    Bem sobre essa questão de subjetvismo que tive uma discussão com um professor meu. Será que existe algum outro texto no Mises ou livro que se concentra nessa tema?


  • Cristiano  11/07/2012 07:36
    Temo que muitos não entenderão a ligação desse artigo com a teoria economica.
  • Marcos Campos  11/07/2012 10:24
    Eu entendi mas...ainda não consigo passar pro papel meu entendimento...está somente na intuição e percepção...mas é lógica a idéia que nos embutem para o consumo desnecessário, temos coisas em casa que nem usamos, porque fomos induzidos a comprar por subjetividade...mas eu não faço mais isso e agora estou inventando um sisteminha de vento para colocar no meu telhado e economizar R$30 reais por mês.
  • Gustavo Sauer  11/07/2012 10:50
    Sensacional o texto do prof. Williams.
  • Jean  11/07/2012 11:32
    Quanto à questão da discriminição por raça e sexo, a argumentação do texto foi no caminho oposto, tratando todas as discriminações como escolhas inocentes. Todos sabemos que, infelizmente, existem escolhas que não são inocentes, sendo "inocente" um termo que embute um juízo moral.

    Desse modo, entendo que não é correto, ou mesmo honesto, ignorar a influência da moral ou da cultura nas escolhas das pessoas. Escolher alguém para casar também é algo fortemente influenciado pela moral, ou pela definição do que é belo e/ou aceitável. Ou alguém se oferece como noivo ou noiva para qualquer um? O que você escolhe, uma mulher belíssima e culta, mas pobre, ou outra feia, mas culta e rica? Os elementos da decisão tem, inegavelmente, essa influência.

    Portanto, a discriminação por raça e sexo é uma realidade moral (a meu ver estúpida) da vida em sociedade, e influencia as escolhas econômicas de empresas e pessoas. Ou seja, a moral influencia a economia e, importantíssimo ressaltar, vice-versa. Por conta dessa influência, é natural que exista a vontade de normatizar quando a moral ainda não consolidou um comportamento desejável - no caso, a eliminação do racismo. Dado que a tentação humana por normatizar é irrefreável, aqui a discussão deveria ser sobre o que é mais eficaz economicamente, se estabelecer regras para coibir comportamentos (leis anti-racismo) ou para estimular comportamentos (leis de ação afirmativa). Entendo que negar a normatização é desonesto, por mais que não gostemos de normas, por que essa é a realidade em que pessoas e empresas estão inseridas.
  • Luis Almeida  11/07/2012 11:46
    "a discussão deveria ser sobre o que é mais eficaz economicamente, se estabelecer regras para coibir comportamentos (leis anti-racismo) ou para estimular comportamentos (leis de ação afirmativa).."

    Gostei da amplitude do seu espectro de medidas aceitáveis, Jean. Ou se coage por bem ou se desce o porrete por mal, mesmo. O que importa é que no final as pessoas façam exatamente aquilo que você, Jean, o bastião da moralidade, julga ser o certo.

    E se eu não quiser me associar a uma pessoa por qualquer motivo que seja? Você vai me jogar na cadeia por isso? Se eu não quiser contratar um negro ou um gay simplesmente porque o acho ruim de serviço, você vai me impor sua ação afirmativa ou vai querer coibir meu comportamento (me dando uma palmada)?

    Você não tem a mínima idéia do que seja liberdade de associação. Dica de estudos:

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=39
  • Eduardo  11/07/2012 14:03
    "E se eu não quiser me associar a uma pessoa por qualquer motivo que seja? Você vai me jogar na cadeia por isso? Se eu não quiser contratar um negro ou um gay simplesmente porque o acho ruim de serviço, você vai me impor sua ação afirmativa ou vai querer coibir meu comportamento (me dando uma palmada)?"

    Não. Se a intenção é combater o racismo, estritamente o racismo, não seria útil punir alguém por causa dele sem dolo. Você está é usando casos hipotéticos de alguém julgado injustamente por esse comportamento (empregador que deixa de contratar um negro/gay/etc por sua ineficiência) como espantalho isca para fugir da argumentação. Acho que você mesmo devia ler os textos que linkou e ver que o racismo é apenas mais um coletivismo estúpido e que ações afirmativas são atacadas aqui por sua ineficiência mais do que por qualquer outro motivo.
  • Luis Almeida  11/07/2012 14:18
    De qual argumentação fugi, Eduardo? Se você puder me explicitar qual foi a minha "fuga", faço questão de deixar tudo ainda mais cristalino para você -- algo que imaginava ter logrado fazer em um só comentário.
  • Jean  12/07/2012 14:11
    Pelo visto, você tomou as eventuais dores do autor se sentiu ofendido com meu comentário, pois usou palavras bastante agressivas. Exatamente por que aprecio a liberdade de associação/expressão, tenho claro que as pessoas podem pensar como quiserem e não me ofendem quando expressam pontosa de vista diferentes do meu. Como você está fazendo. Por causa disso, pessoas se associam para defender os pontos de vista mais diversos, e independente de eu gostar ou não, alguns pontos de vista acabam prevalecendo nas leis ou nos costumes. O fato de eu achar algo absurdo não muda o fato de que esse algo existe e tem valor para um grupo. Negar ou ignorar isso, a meu ver, só atrapalha a busca de boas soluções para vários dos sérios prblemas de nossa sociedade.
  • Juliano  11/07/2012 14:03
    Jean, confesso que não entendi o teu ponto.\r
    \r
    A discriminação está presente em tudo que fazemos. Às vezes é bem explícita e consciente (como quando preferimos uma mulher a um homem para casar) e às vezes é implícita (pessoas altas têm mais changes de serem bem sucedidas). Toda discriminação também tem um custo: se só quero contratar mulheres, por exemplo, deixo de contratar bons profissionais do sexo masculino.\r
    \r
    Usar o governo pra tentar eliminar a discriminação cria um ambiente hipócrita. Só serve pra estimular coitadismos e garantir benefícios. Desde quanto a proporção de um grupo na chefia de empresas, no congresso, universidades ou qualquer outro grupo, precisa ser a mesma que na sociedade? Isso legitima a utilização de força? Se percebo que tem mais japoneses nas faculdades de exatas, temos que criar uma "cota" pra não japoneses? \r
    \r
    Discriminações podem ser moralmente repugnantes e temos todo o direito de não nos relacionarmos com pessoas que praticam atitudes que não consideramos corretas. Podemos também pedir que outras pessoas não se relacionem com elas. Mas querer usar capangas para forçar os outros a agir como queremos não me parece muito correto.
  • Renato  11/07/2012 14:53
    Ações afirmativas podem atentar gravemente contra a liberdade de associação.\r
    \r
    A tal ponto, que chega a ser evidente que muitas pessoas podem estar propondo leis nesse sentido para minar o princípio da liberdade de associação.\r
    \r
    Embora eu não seja totalmente adepto de Escola Austríaca, pelo que entendi até agora um dos princípios basilares dessa escola é que as trocas entre as pessoas devem ser voluntárias. É evidente que se o governo determinar que tal pessoa deve trabalhar em tal empresa, não está havendo uma troca voluntária entre patrão e empregado. Da mesma forma, se as leis tornarem a demissão de determinadas pessoas perigosa para o patrão, então não está havendo troca voluntária entre patrão e empregado. No entender de um austríaco, isso é gravíssimo, mas mesmo no entender de qualquer pessoa que saiba aonde essa carruagem pode levar, isso é bastante preocupante.\r
    \r
    Existe também outros princípios envolvidos, como o de livre associação. Numa grande empresa isso pode não ser perceptível, mas numa pequena empresa familiar, a obrigação de manter determinada pessoa empregada, por imposição legal, é uma agressão muito grande à liberdade das pessoas. Pode-se imaginar todo tipo de situação que levaria alguém a não querer alguém que é conhecido e mostrou-se inconveniente ou perigoso, e é fora de propósito que alguém tenha de pedir permissão so governo para afastar tal pessoa. Também é fora de propósito que para poder afastar de alguém (que poderá inclusive dentro de minha casa), eu tenha de poder provar em juizo que tenho motrivos para isso. Nesse caso, uma lei anti-discriminação poderia atentar inclusive contra o direito à privacidade e intimidade.\r
    \r
    Mas não é sem motivo que todo esquerdista propõe sempre soluções que atentam contra as liberdades básicas das pessoas. Quando a URSS foi criada, os comunistas não disseram "queremos criar um regime genocida que escravizará a população e manterá uma corja de psicopatas no poder". Penso que não há maior tolice do que comprar as declarações de intenções das pessoas pelo seu valor de face.
  • Jean  12/07/2012 13:54
    Quero deixar claro que não estou defendendo a normatização tipo leis anti racismo, apenas quis dizer que essas leis vão acontecer, queiramos ou não, pq é humano esse desejo de normatizar, de fazer prevalecer um comportamento quando ele não está suficientemente impregnado na cultura. O que defendo é que o pensamento econômico não pode ignorar isso, por que a teoria econômica também versa sobre instintos humanos.
  • Eduardo  11/07/2012 15:07
    Jean, como está entre os links que o Luís Almeida educadamente lhe apresentou, a argumentação utilizada neste site quanto a leis raciais no mercado é de que são ineficazes, pois o próprio mercado se encarregaria de atenuar o racismo. Se determinada pessoa se nega a contratar uma minoria, outro pode contratar pessoas dessa minoria pagando menos e vencer a concorrência.

    Nas relações pessoais, acho impossível haver alguma regulamentação por parte do governo. Por mais que nos enoje o fato de uma pessoa não querer ter como amigo um negro ou gay, simplesmente não há como criar uma lei que favoreça essa minoria, nem seria moral invadir a liberdade da pessoa desse modo. Minha repulsa pelo racismo advém justamente de meu apreço pela liberdade.
  • Jean  12/07/2012 14:32
    Educadamente? De onde eu venho a forma com que ele se expressou é considerada agressiva e arrogante, dizendo que eu não entendo nada e me indicando leituras. Depois vocês ficam acusando os comunistas de oprimir ou matar quem discordava deles. Vários dos articulistas deste site tem a mesma postura, de atacar qualquer posição que levante dúvidas sobre os temas tratados. Não matam com armas, mas intimidam com a mesma desenvoltura dos sindicalistas da CUT.

    É evidente que leis como ação afirmativa mais atrapalham do que ajudam, e concordo que ferramentas de mercado são mais eficientes. Eu trabalho com desenho de mercado e respiro liberdade de escolha versus imposição de caminhos o tempo todo, sempre preferindo a primeira mesmo quando a liberdade leve o agente a perder. Mas no Brasil a tradição legislativa é, infelizmente, na direção oposta.

    Frequento o site exatamente por que simpatizo com o pensamento da escola austríaca, mas não vi nos livros de Hayek nenhuma falta de respeito com quem pensava diferente dele, muito pelo contrário. Inclusive, minha afirmação de que a moral influencia a economia deriva exatamente da maestria com que ele descreveu essa influência em várias situações. Por isso, surpreende a virulência.
  • Henrique  13/07/2012 12:53
    A questão da "inocência", o qual seu comentário cita, não seria um subjetivismo como aqueles expostos no artigo? Quanto a influência do mesmo (quanto ao valores morais), não seria essa uma generalização que, de tão abrangente, poderia legitimar qualquer coisa, já que qualquer coisa, em maior ou menor grau, acaba por ter alguma influência na sociedade?
  • ANTÔNIO GALDIANO  07/08/2012 14:42
    Achei interessante a resposta, apesar de julgá-la errada, e não concordo com o seguinte:

    "Quanto à questão da discriminição por raça e sexo, a argumentação do texto foi no caminho oposto, tratando todas as discriminações como escolhas inocentes. Todos sabemos que, infelizmente, existem escolhas que não são inocentes, sendo "inocente" um termo que embute um juízo moral."

    Sinceramente eu não acredito que o autor do texto isente as pessoas dos consequências de seus atos. A escolha de discriminação gera consequências e o autor simplesmente não mencionou este fato. Isso, em absoluto, não quer dizer que ele concorde com discriminação ou que ele isente que fez essa escolha de seu julgamento pessoal. Se você entendeu isso necessariamanete você extrapolou as conclusões do autor.

    "Desse modo, entendo que não é correto, ou mesmo honesto, ignorar a influência da moral ou da cultura nas escolhas das pessoas. Escolher alguém para casar também é algo fortemente influenciado pela moral, ou pela definição do que é belo e/ou aceitável. Ou alguém se oferece como noivo ou noiva para qualquer um? O que você escolhe, uma mulher belíssima e culta, mas pobre, ou outra feia, mas culta e rica? Os elementos da decisão tem, inegavelmente, essa influência."

    Sem discordâncias aparentes...

    "Portanto, a discriminação por raça e sexo é uma realidade moral (a meu ver estúpida) da vida em sociedade"

    Partindo da definição do autor do texto "Discriminação nada mais é do que um simples ato de escolha", não vejo qualquer estupidez em autodeterminação das escolhas. Se um homem deseja se juntar a outro homem ou a outra mulher, de qualquer característica, ele obrigatoriamente escolheu este em detrimento de todas as outras opções, ou seja, discriminou todas as outras opções. O que não te impede de achá-lo imbecil e propagar isso aos 4 cantos do planeta.

    "Ou seja, a moral influencia a economia e, importantíssimo ressaltar, vice-versa."

    Não sei dizer se o raciocínio reverso (vice-versa) é verdadeiro.

    "Por conta dessa influência, é natural que exista a vontade de normatizar quando a moral ainda não consolidou um comportamento desejável - no caso, a eliminação do racismo."

    Aqui talvez está o centro de nossa divergência: a realidade moral não é natural, é humana. Assim, acredito que o "natural" estaria mais para fazer-se valer pela por suas vantagens naturais irrestritamente, o que incluiria o uso da força. A nossa moral é contra o uso da força (coerção física) aos que não atentam contra a propriedade privada (ex: vida) e/ou aos que não iniciam agressão. Nesse sentido, defendemos (realmente não sei se cabe o plural pois não sou proprietário das mentes dos outros, mas aqui correrei esse risco) sim uma abdicação da condição natural.

    "Dado que a tentação humana por normatizar é irrefreável, aqui a discussão deveria ser sobre o que é mais eficaz economicamente, se estabelecer regras para coibir comportamentos (leis anti-racismo) ou para estimular comportamentos (leis de ação afirmativa)."

    Eu não diria que a tentação humana por normatizar é irrefreável. Eu diria que o homem sem moral teria como insumo todos os instrumentos possíveis, inclusive a imoralidade de se fazer valer pela força de um estado. Nesse sentido, sou contra o homem sem moral, "natural". E graças a deus essa nem é a condição da maioria dos seres humanos.

    "Entendo que negar a normatização é desonesto, por mais que não gostemos de normas, por que essa é a realidade em que pessoas e empresas estão inseridas."

    Não sou nada contra qualquer normatização feita sob a égide de uma moral apropriada, de uma moral que considere a livre associação de pessoas. Sou contra a imposição pela força imoral do estado.
  • Alexandre  11/07/2012 12:33
    Alguém se lembra do Teorema da Incompletude de Kurt Gödel?


  • Getulio Malveira  11/07/2012 12:51
    Sim. Mas... qual a relação com o artigo?
  • Alexandre  11/07/2012 13:27
    A relação com o texto está, segundo o teorema, em não se poder provar nada, e que sempre há algo incompreensível antes de qualquer "esperada" prova final.
  • Getulio Malveira  12/07/2012 13:35
    Desculpa, Alexandre, mas nenhum dos teoremas de Gödel tem a ver com "provas" ou "incompreensível" ou qualquer coisa nesse sentido. Fosse para relacionar o trabalho de Gödel com a escola austríaca, seria preciso seguir mais ou menos o seguinte itinerário:

    1. Se as proposições econômicas são verdades que não depedem de prova (tautologias), então

    2. O conjunto de tais proposições poderia ser formalizado em uma teoria axiomática, entretanto,

    3. Seria razoável esperar (note que se trata de uma expectativa e não de uma certeza) que essa hipotética teoria axiomática que foi utilizada para expressar a verdade das proposições da EA, não poderá expressar a verdade de algumas de suas próprias proposições.

    Entenda que o teorema de Gödel ou qualquer desenvolvimento superior da lógica desde Frege está relacionado com nossa capacidade de demonstrar proposições de cuja verdade já estamos certos, e não de provar a verdade de proposições.

    Se você esperar sustentar a tese de que nada pode ser "provado", então a base deve ser a epistemologia de Popper, cujo argumento fundamental é que toda "prova" em ciências empíricas, e somente em ciência empíricas, segue mais ou menos a estrutura do modus tollens. Você pode consultar também popperianos mais atuais, como Mario Bunge, para conferir o aperfeiçoamento da argumentação de Popper.

    Espero sinceramente ter ajudado. abraço
  • Alexandre  11/07/2012 12:41
    Para reflexão de todos:

    "A escravidão, a servidão e todas as formas de sujeição humana devem desaparecer."

    "A menos que um povo livre esteja bem instruído – preparado para pensar inteligentemente e para planejar com sabedoria –, a liberdade, em geral, causa mais mal do que bem."

    "A liberdade pode ser desfrutada apenas quando as vontades e os caprichos dos governantes humanos são substituídos pelos atos do legislativo, de acordo com a lei fundamental aceita."

    "Um governo representativo é inconcebível sem liberdade para todas as formas de expressão, para as aspirações e as opiniões humanas."

    "Nenhum governo pode resistir muito, se deixar de proporcionar o direito ao desfrute da propriedade pessoal de alguma forma. O homem anseia pelo direito de usar, controlar, dar, vender, alugar e legar a sua propriedade pessoal."

    "O governo representativo assume o direito de serem ouvidos, que os cidadãos têm. O privilégio de petição é inerente à cidadania livre."

    "Não é suficiente ser ouvido; o poder de reivindicar deve progredir até à administração factual do governo."

    "O governo representativo pressupõe um eleitorado inteligente, eficiente e universal. O caráter desse governo será determinado sempre pelo caráter e pelo calibre daqueles que o compõem. À medida que a civilização progride, o sufrágio, ainda que permanecendo universal, para ambos os sexos, deverá ser efetivamente modificado, reagrupado e diferenciado de outros modos."

    "Nenhum governo civil será útil e eficiente, a menos que os cidadãos possuam e façam uso de técnicas sábias para conduzir e controlar os cargos e os funcionários."

    "A sobrevivência da democracia depende de um governo representativo que tenha êxito; e isso é condicionado à prática de eleger aos postos públicos apenas indivíduos tecnicamente treinados, que sejam intelectualmente competentes, socialmente leais e moralmente adequados. Apenas com essas precauções pode o governo do povo, pelo povo e para o povo ser preservado."






  • Fernando  11/07/2012 14:14
    Desculpa, parei de ler na segunda citação. Abraço.
  • Alex  11/07/2012 14:44
    Também parei na segunda.
  • Alexandre  11/07/2012 15:07
    "A menos que um povo livre esteja bem instruído? preparado para pensar inteligentemente e para planejar com sabedoria?, a liberdade, em geral, causa mais mal do que bem."

    --> Deem liberdade aos traficantes, às FARC, aos Talibãs, aos terroristas, etc... e verão o mal que causarão.


  • Luis Almeida  11/07/2012 15:24
    Prezado Alexandre, compartilhamos da mesma opinião. Eu lhe considero alguém pouco instruído, despreparado para pensar inteligentemente e para planejar com sabedoria. Eu lhe considero um ser totalmente incapacitado para o exercício da cidadania adulta, que deve ser imediatamente destituído de qualquer convívio social e entregue aos cuidados de algum manicômio (estatal, de preferência) antes que faça alguma besteira irreversível para o mundo. E eu não preciso provar que você é assim; basta eu sentir que você é assim.

    E como sei que você logicamente concorda com estas minhas medidas -- pois é justamente você quem as defende --, tenho certeza de que já está se encaminhando para um sanatório para lá se internar em definitivo. Caso não faça isso, estará incorrendo em autocontradição. Aquilo que você quer aplicar aos outros tem também de ser perfeitamente aplicável a você.

    Ou não?

    Quanto às FARC, não era a função do estado colombiano proteger o cidadão contra elas? Por que ele fracassou por décadas? E quanto ao Talibã, a maior potência imperial ainda não conseguiu domesticá-lo? Tenho certeza de que você conseguirá. Basta, afinal, "tolher a liberdade deles". Aí sim eles ficam mansinhos...
  • Alexandre  12/07/2012 09:39
    Quanta rebeldia em um só comentário, fora a agrecividade gratuita do entendido.
  • Renato  15/07/2012 12:34
    alexandre

    Creio que as pessoas ficaram chocadas com a segunda citação porque ela sugere que é ruim a liberdade do povo (ignorante e mal instruído). Quanto aos terroristas e criminosos, acho que todas as pessoas amantes da vida e da liberdade concordam que tais pessoas não deveriam ter liberdade para continuarem perpetrando seus crimes.

    De qualquer forma, comentando a segunda citação, realmente é verdade que pessoas mal-preparadas usam mal a liberdade. Mas isso não é motivo para tolher essa liberdade (e quem teria esse direito?). Pense bem, se uma pessoa fosse sequestrada, e ficasse londo tempo presa num cubículo onde não pudesse se levantar, ao ser resgatada teria dificuldades em se movimentar, caíria ao tentar andar. Qual a solução? Fisioterapia, na qual ela se esforçaria para exercitar seu corpo. A solução não seria tranca-la novamente no cubículo dizendo "essa pessoa não tem capacidade para movimentar-se". Foi a falta de liberdade de movimentos que a deixou assim, e é o exercício da liberdade de movimentos que a curará.
  • davizão  11/05/2014 23:45
    Pra quê tanta "agrecividade"?!
  • Mises  20/07/2012 12:18
    HEIAHUIEUAHIEUHAIEHUAIUHEA Luis Almeida MTO BOA ESSA! BEM NA CARA MSM =D
  • Renato  11/07/2012 14:29
    Jean\r
    \r
    É evidente que Willians sabe que há decisões pessoais tomadas por motivos que não são bons. Ou você não sabe que ele é negro?\r
    \r
    A questão é outra, e ele deixou isso evidente ao citar os casamentos: As propostas de "leis de combate à discriminação" tem sido sistemáticamente escritas de forma a minar o direito de livre associação, que é um direito constitucional básico (e lembre que a Constituição americana não é um calharmaço que abriga qualquer reinvindicação grupal, mas contém apenas aquilo que é mais básico). A citação dele sobre o casamento não é aleatória. Ele quis demonstrar o quão longe pode chegar o nível de intromissão do governo na vida pessoal dos cidadãos, se estes forem descuidados.\r
    \r
    A questão portanto, se formos olhar da ótica da liberdade, não é se as decisões pessoais são boas, mas que não se deve destruir a liberdade das pessoas para obriga-las a tomar decisões que o partido no poder considera boas.\r
    \r
    Não há limite para o desejo de poder de muitas pessoas, e são justamente essas pessoas que mais detem poder em todos os países atualmente. Se você deixar, sua vida será tão controlada como a de um habitante da Coréira do Norte ou dos antigos regimes comunistas. Pense nisso.\r
    \r
    A Constituição americana foi pensada como um documento para proteger a sociedade (as pessoas) do governo. Se as soluçãos propostas para todos os problemas forem sempre de forma a minar os mecanismos de proteção contra a intromissão do governo, certamente nada impedirá que os EUA se torne um pais totalitário. E já tem caminhado nesse sentido.
  • Renato  11/07/2012 14:57
    Desculpem-me, por favor, os erros de português. Digitei direto na caixa de comentários, e só agora percebi os erros.
  • anônimo  11/07/2012 16:06
    "Acho que você mesmo devia ler os textos que linkou e ver que o racismo é apenas mais um coletivismo estúpido e que ações afirmativas são atacadas aqui por sua ineficiência mais do que por qualquer outro motivo."

    E porque eu deveria atacar o coletivismo com MAIS coletivismo?
  • Rodrigo Polo Pires  12/07/2012 03:13
    Em relação à igualdade de oportunidades, há uma situação, provavelmente existam mais, que me ocorre e que é relacionada aos indefesos, em relação ao aborto oportunidade para nascer, aos órfãos e abandonados oportunidade de alimento e vestimenta até tornarem-se capazes, e aí penso se essa é somente uma questão de misericórdia>
  • Yochanan Ben Efraym  12/07/2012 08:03
    Shalom U'Bracha / Paz e Benção!!\r
    \r
    \r
    Creio que o ultimo comentário do Sr. Renato, conseguiu de forma clara e objetiva, dar nome aos bois.\r
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  • Arion Dias  12/07/2012 09:12
    Deem liberdade aos traficantes e uma nova AMBEV surgirá (assim como existirão produtos caseiros, orgânicos e de pequenas empresas).
  • Jean  12/07/2012 14:50
    Endosso o Sr. Efraym: o sr. Renato foi muito preciso. E concordo plenamente quanto à liberdade ser um valor sagrado, e imune aos governos.

    Meu ponto é, na verdade, além desse: é que embora não queiramos a intromissão dos governos, ela acontece. Negar ou combater/criticar essa intromissão é legítimo, certamente, mas é realmente eficaz? O que a teoria econômica pode fazer para convencer os governantes a parar com a intromissão? Só bater?

    Não, a teoria econômica - ou os teóricos - podem muito mais. Podem demonstrar, sem ofender, sem diminuir ninguém, que a intromissão prejudica não só a liberdade, mas o próprio governo e a classe política. Como esse prejuízo acontece é tarefa dos estudiosos, dos quais evidentemente não faço parte.

    É uma questão de estratégia: parar de ficar discutindo esterilmente no meio de uma pretensa elite intelectual e articular um plano de "ocupação" conceitual, sem atacar ninguém, desenvolvendo argumentos simples, divulgando-os e ampliando a presença na sociedade até que vire mentalidade. Assim fez Gandhi, assim fizeram os primeiros cristãos. Assim fizeram os iluministas. Leva tempo, mas funciona.
  • Luis Almeida  12/07/2012 16:18
    Errado, Jean. Intervenções na economia não prejudicam o governo e nem a classe política. Muito pelo contrário: estado, políticos, burocratas e parasitas crescem e ficam mais poderosos em decorrência das intervenções. Essa gente sabe exatamente o que está fazendo e sabe perfeitamente o que é bom para o bolso delas.

    Por isso, considero nefasta esta idéia de buscar concessões e tentar um impossível consenso.. Nunca se deve buscar consenso com um inimigo ardiloso e totalitário. As chances de pessoas honestas se darem bem neste arranjo são nulas. Não duvido de suas boas intenções, mas esta sua abordagem é francamente equivocada. Você está concedendo ainda mais poderes -- e, adicionalmente, prestando indevida subserviência -- a quem não deve.

    Daí a intolerância com pessoas que nada mais são do que ingênuas testas-de-ferro do inimigo.
  • Arion Dias  13/07/2012 07:31
    Luis, eu concordo com o Jean em uma parte: devemos ser um pouco mais pragmáticos. Todo o resto do "povo" acha o governo o máximo então o "povo" tem mais é que #$¨%$.\r
    \r
    Eu trabalhava na iniciativa privada e ingressei na carreira pública justamente por este motivo. O "povo" ajudava o governo a me roubar e achava certo então resolvi fazer o mesmo com o "povo". \r
    \r
    Não será agora na minha geração que o "povo" se insurgirá. Mas, talvez, quem sabe, se levarmos nossas idéias para um grupo grande de pessoas poderemos fazer uma revolução. Não acredito que se possa estabelecer um acordo constitucional como tentaram nos EUA (e falharam) sem uma revolta armada.
  • Jean  14/07/2012 13:00
    Luis,

    Se você considera o Estado um inimigo, e nele coloca adjetivos como ardiloso, então seu raciocínio é de um radical de extrema direita, quase igual aos bolcheviques que este site tanto ataca. Parece competição com eles.

    E se vocês chegassem ao poder? Iriam destruir o estado? Iriam destruir aqueles que querem fazer normas de cunho moral? Matar como os soviéticos? A única certeza que se deve ter é que haveria pessoas que não concordam com vocês. Ignorar isso e chamar os discordantes de inimigos é um discurso que assusta e não agrega, não atinge o objetivo. E faz lembrar experiências históricas terríveis.

    Se o Estado é totalitário, é por que a sociedade deixou. A velocidade da evolução política eh muito menor do que gostaríamos, mas tentar acelerar leva à violência. E a historia mostra que regimes que começam pela violência terminam pela violência.

    Eu acredito que se pode transformar, que isso leva algumas décadas, dá tempo de se colher o que plantou em vida. O resto é bobagem voluntarista.
  • Luis Almeida  14/07/2012 16:51
    Prezado Jean, obrigado por se revelar. Como explicitado em seu segundo parágrafo, para você, o estado é o ente de onde emana todas as "normas de cunho moral". Sem políticos e burocratas, é impossível haver um país decente, íntegro e honesto. Óbvio: é o governo que produz todas as coisas positivas de uma sociedade. De fato, sem a existência de Sarney e afins, o país estaria imerso na imoralidade.

    Quanto a tolher ou eliminar dissidentes, quem faz isso é justamente o estado ou os grupos de interesse quem têm fortes ligações com o estado. Qual a sua solução genial para remediar este problema? Mais estado. Você é de uma genialidade sem par.

    Para o homem medíocre, todos os problemas do mundo começaram com a Segunda Guerra Mundial; para os mais informados, com a Primeira Guerra; para o historiador genuíno, com a Revolução Francesa.

    -- Erik von Kuehnelt-Leddihn
  • Catarinense  15/07/2012 11:15
    "Se você considera o Estado um inimigo, e nele coloca adjetivos como ardiloso, então seu raciocínio é de um radical de extrema direita, quase igual aos bolcheviques que este site tanto ataca. Parece competição com eles."

    Jean, você se importaria em esclarecer como é que defender a liberdade individual e lutar contra a imoralidade do estado totalitário é "quase igual" a defender a imoralidade de um estado centralizador e defender o cerceamento das liberdades do cidadão?
  • Renato  14/07/2012 16:47
    Concordo em parte com o Jean\r
    \r
    Realmente, influenciar de maneira inteligente é muito mais útil do que xingar as pessoas que não compreendem muito bem o totalitarismo por trás das propostas "politicamente corretas".\r
    \r
    Quanto aos políticos e ativistas de esquerda, o que eles fazem é realmente vantajoso para eles, de uma forma geral. Mas muitas coisas são desvantajosas para parte deles. Se essas situações desvantajosas forem corretamente identificadas, pode-se, argumentar isso com aqueles que sofrerem essas desvantagens, e assim dividi-los.\r
    \r
    Mas o mais importante é mostrar às pessoas comuns o que há por trás de tudo. Uma boa coisa seria mostrar como Stalin e outros totalitaristas, no mesmo instante em que praticavam os maiores crimes, praticavam um discurso estremamente pacifista, que era bebido em grandes goles pelos intelectuais ocidentais.
  • Eduardo  15/07/2012 15:29
    "Se você considera o Estado um inimigo, e nele coloca adjetivos como ardiloso, então seu raciocínio é de um radical de extrema direita, quase igual aos bolcheviques que este site tanto ataca. Parece competição com eles."

    Ser inimigo de um estado coercivo é "radical"?
    E como ficam os radicais extremistas pró-estado que acham que ninguém pode se recusar a pagar tributos, que todos devem fazer parte em redistribuição de renda e engenharia social, todos devem usar moeda fiat, e quem discordar é preso ou assassinado?
    Ou esses pró-estado são os "moderados"?


    "E se vocês chegassem ao poder? Iriam destruir o estado? Iriam destruir aqueles que querem fazer normas de cunho moral? Matar como os soviéticos? A única certeza que se deve ter é que haveria pessoas que não concordam com vocês. Ignorar isso e chamar os discordantes de inimigos é um discurso que assusta e não agrega, não atinge o objetivo. E faz lembrar experiências históricas terríveis."

    Eu pessoalmente acredito que a via seja educar sobre a ilegitimidade do estado até o ponto que uma quantidade considerável de pessoas consiga se livrar dele, não em violência.

    Suponho que se algum libertário optasse pela violência do estado pra ir desmontando sua estrutura e eventualmente destruir o estado, imagino que isso seria feito passo a passo, não de uma vez só.

    E, sim, teriam os que discordariam. No meu ideal, o poder seria descentralizado cada vez mais, e o "voto com os pés" e o direito de secessão se tornariam mais poderosos. Algo como vários pequenos governos (umas provavelmente sem qualquer governo). Supondo essa maior habilidade de secessão, seria mais fácil pras pessoas que não gostam de algo se separarem e irem viver em uma sociedade que mais lhes agradar, sem obrigar outras pessoas a viverem igual. Em oposição a governos federais altamente centralizados que não permitem sequer a secessão pacífica de estados, como existem no mundo todo.

    Mas, esquecendo toda essa suposição... você diz sobre os que discordariam. Certo, esses existiriam.
    No entanto, quem discorda desse governo libertário hipotético está discordando do princípio da não-agressão.

    Pode acontecer do governo libertário propôr desestatizar a educação, e 70% da população ser contra.
    Ou seja, 70% da população defende que o estado use coerção pra roubar das outras 30% pra lhes dar educação. Essas pessoas estão propondo agressão, e um governo que agrida a elas está defendendo os direitos dos 30% de manterem sua propriedade.

    Diferentemente de um estado social democrata, por exemplo, em que 70% da população seja a favor de educação estatal e 30% seja contra.

    Os que discordam do governo social democrata receberão violência do governo social democrata por quererem o direito de manter sua propriedade.
    Os que discordam do governo libertário receberão violência do governo libertário por quererem pilhar seus semelhantes.
    Ainda que haja violência, será por razões bem distintas. Novamente, não apoio a imposição violenta por causa dessas situações. Enquanto a sociedade não estiver educada, não adianta mandá-las à força fazer o que é certo.

    A idéia é que se 70% quer algo, eles devem se unir e fazer esse algo. Não é moral querer que os outros 30% também paguem.
    Outra diferença é que num governo libertário essa união pra implantarem pluralidade de idéias é possível, e no social democrata não.
  • Alexandre Melchior  19/07/2012 13:53
    Como é bom ter acesso a textos que não nos fazem parecer estúpidos por não compreendê-los.\r
    \r
    Acabei de ler um livro do Celso Furtado e olha só que trecho mais maluco:\r
    \r
    "A segunda tendência diz respeito à perda de eficácia das políticas macroeconômicas, ou seja, o declínio dos efeitos de sinergia decorrentes das complementaridades inerentes ao funcionamento das economias como sistemas."\r
    \r
    Se alguém conseguir traduzir...
  • Felipe  19/07/2012 22:10
    Sinergia é algo que ocorre como consequência de alguma coisa. Se eu sou um bom jogador de futebol, por efeito de sinergia, eu também sou um bom chutador e um bom driblador. Nesse exemplo, o "sistema" seria o conjunto de habilidades que envolve um jogador de futebol. Por exemplo, se eu sou um bom chutador, passador e driblador e eu sou um péssimo jogador de futebol(macro figura), então, obviamente, "há um declínio dos efeitos de sinergia decorrentes das complementaridades inerentes ao funcionamento das habilidades como sistema."

    Em poucas palavras, provavelmente(não li o livro), ele deve estar falando sobre a ineficácia das políticas de estímulos(endividamento) ou qualquer coisa parecida.
  • Getulio Malveira  20/07/2012 06:56
    Alexandre, isso me lembrou a análise sarcástica que Millô Fernandes faz do livro de FHC em "A crítica da razão impura ou o primado da ignorância". É de morrer de rir...

    De fato, obscuridades desse tipo significam simplesmente que o texto é vazio de sentido: "o que pode ser dito, pode ser dito claramente" (Wittgenstein).
  • Pedro Lima  17/08/2012 07:25
    Acho que o Jean quer dizer é, ainda que o Estado seja Inimigo, não há como derrubá-lo apenas criticando e sendo "separatista" (não com o Estado diretamente, mas com as pessoas que o defendem). Uma "conscientização" (como o Iluminismo) seria mais eficaz. A longo prazo, sim, mas aos poucos as pessoas estariam cada vez mais esclarecidas quanto à ineficácia do Estado. Por isse é importante a associação e a busca desse "Mundo sem Estado", o que não deixa de ser um Sonho, sendo que mais palpável que a Utopia Socialista.

    No entanto, chegaria a um ponto em que algumas pessoas favoráveis a uma "institucionalização" do comportamento humano (pois sempre há divergências) provavelmente iriam querer CRIAR um Estado ou continuar mantendo-o. Nesse ponto, consegui entender como se daria um "consenso", pois há violência envolvida (a repressão inerente à Ideologia Estatal). Quem já sofreu uma repressão policial sabe que é muito difícil "ganhar no diálogo".

  • Patrick de Lima Lopes  17/10/2012 08:54
    Paulo Ghiraldelli ataca novamente:
    www.youtube.com/watch?v=R2mqjvYxbBc&feature=g-all-u
  • Gutemberg Feitosa  29/11/2015 13:45
    Eu tinha reparado, no facebook, o seguinte modus operandi:
    1) post ou texto liberal localizado;
    2) localiza-se qualquer menção às pautas socialistas (basta uma palavra: racismo);
    3) faz-se um comentário defendendo a pauta, desconsiderando-se todo o argumento do texto, preferencialmente, ofendendo o autor ou seus seguidores;
    4) assim, ganha-se grande destaque ao receber inúmeras respostas.
  • Paraninfo  29/11/2015 14:15
    O cavalo ainda é um meio de transporte mais barato do que o carro. Isso não fez o cavalo ser o meio de transporte mais desejado. A bicicleta também é mais barata do que o cavalo. Nem as ciclofaixas fizeram a bicicleta ser o meio de transporte mais desejado.

    Outro detalhe é que as pessoas desejam trabalhar em casa pela internet, para não gastar com transporte e alimentação em restaurantes.

    A economia não tem regras e não pode ter planejamento central. Apenas os interesses são importantes.


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