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Conhecendo meu benfeitor e lhe agradecendo por tudo

Por pura sorte, na semana passada, em uma viagem aérea, calhei de sentar-me ao lado de um homem que havia sido meu benfeitor durante toda a minha vida e durante boa parte da vida dele; e, no entanto, jamais havíamos nos conhecido.  Com efeito, embora ele já venha me servindo cordial e lealmente há três décadas, cuidando do meu bem-estar e sempre tentando aprimorar meu padrão de vida, ele nem sequer sabia meu nome.  Na realidade, ele ainda não sabe, pois é um tanto quanto excêntrico tornar-se muito intimo de alguém que se senta ao seu lado em um avião.  Todos sabemos disso.  Ainda assim, fiz questão de deixá-lo saber de toda a minha gratidão por tudo o que ele já fez.

Este homem trabalha para uma das seis fábricas dos EUA que produzem polipropileno orientado para uso em embalagens, e sua função é vender o produto.  Esta substância, o polipropileno orientado, é chamada de PPO.  A função deste homem é ir atrás de empresas que fabricam coisas como bebidas, doces e outros produtos e explicar a elas as vantagens do PPO — sobre as quais falarei mais abaixo.

Este homem está sempre viajando e possui uma pilha de cartões de benefícios aéreos para comprovar isso.  Ele é como o personagem de George Clooney no filme Amor Sem Escalas — um viajante experiente casado com sua profissão.  Seu trabalho é ser os olhos e os ouvidos da empresa, pois é ele quem lida diretamente com os compradores de seus produtos.  Sua vida é vivida exclusivamente para lidar com as transações entre empresas, as quais são invisíveis para o público consumidor.

Seu vocabulário é específico para o setor industrial, repleto de neologismos que ninguém de fora do mundo das embalagens consegue entender.  Ele é capaz de dizer quais as propriedades químicas de qualquer embalagem que esteja a um metro e meio de distância.  Ele é capaz de explicar por que uma embalagem é fácil de abrir quando rasgada em uma direção mas extremamente difícil quando rasgada em outra direção.  Ele conhece a história, o processo, a concorrência e o nome de todas as empresas que compram embalagens em larga escala, e ele adora falar sobre isso.

Qual é sua função?  Ele é o sujeito que faz com que as invenções se tornem parte de nossas vidas.  Sem uma pessoa na linha de frente para vender o produto inventado, tudo o que fosse inventado e produzido seria inútil.  Ele é a interface entre a matéria-prima e o produto final, o homem que tem de ter todas as respostas capazes de unir a grande cadeia produtiva, fazendo com que o primeiro estágio de produção possa se conectar ao estágio final.

Quanto ao seu produto, você e eu conhecemos o PPO muito bem, embora provavelmente nem soubéssemos como ele era chamado.  O PPO é o produto utilizado para fazer aquelas embalagens de batatas "chips".  Ele é a razão por que o conteúdo destas embalagens permanece crocante não importa qual seja a temperatura externa.  Você pode mergulhar a embalagem na água e absolutamente nada será alterado.  O ar pode estar quente ou frio, e ainda assim o conteúdo dentro da embalagem permanecerá inalterado.  Este mesmo material é utilizado para embrulhar doces como o Snickers e o Kit Kat, e o efeito é o mesmo.

SistineChips.jpgO PPO é também o motivo de estas embalagens conseguirem ser tão bonitas e chamativas.  O PPO se dá muito bem tipografias e estampagens.  Ele é um molde perfeito para designers gráficos.  O resultado jamais se desmancha em seus dedos, jamais gera borrões.  Tampouco as imagens somem com a luz do sol.  Estas embalagens aceitam até mesmo as mais sutis gradações de cores.  Você pode estampar uma obra de Michelangelo em um PPO e exibi-la em um museu por milênios.

Acontece que batatas fritadas em óleo são extremamente vulneráveis e se tornam rançosas com muita facilidade.  Talvez você tenha pensado que eram os conservantes (glórias também a esta invenção!) que impediam isso.  Isso é parte da resposta, mas não é toda a resposta.  O real motivo é o PPO.  É ele quem impede o processo degenerativo.  Outros itens fritos, como torresmos, não sofrem deste problema, e é por isso que frequentemente os vemos serem vendidos em sacos plásticos transparentes.  Já o PPO não é transparente, e isso é bom.  O produto que está ali dentro não gosta de luz.  O PPO impede completamente a entrada de luz.

O PPO possui outras características interessantes.  Ele possui uma baixa capacidade de 'deformidade', e é por isso que, quando você dobra ou amassa uma destas embalagens, ela rapidamente retorna ao seu formato original.  Isso é para proteger o conteúdo que está lá dentro.  É por isso que, nos anos 1960, as batatas chips vinham totalmente amassadas e quebradas, ao passo que hoje elas vêm praticamente intactas e perfeitas.  Você pensava que era porque as embalagens vinham preenchidas com ar?  Então pergunte a si mesmo por que o ar não escapa.  A resposta, de novo: PPO.  Ele veda perfeitamente.  Essa coisa é impenetrável.

E veja só: este é um produto feito à base de petróleo.  É isso mesmo, é feito de um material derivado do petróleo.  Sendo assim, o preço deste bem flutua de acordo com o preço do petróleo.  Quando o preço do petróleo sobe, suas batatas chips se tornam mais caras em decorrência principalmente das embalagens.  É por isso também que a indústria de PPO defende firmemente a ideia de se liberalizar as regulamentações sobre a prospecção e o refino de petróleo.  Meu benfeitor é extremamente interessado neste assunto.

Agora, tudo isso é muito legal e interessante.  Mas vamos ao que interessa.  Por que estou fazendo todo esse estardalhaço?  Por que o PPO foi inventado, por que ele é comercializado e por que ele é utilizado abundantemente ao redor do mundo?  Por que este homem passa sua vida viajando e está sempre se informando a respeito de todas as notícias do mundo industrial?  Qual o objetivo de tudo isso?

Um só motivo: o meu bem-estar.  O seu também.  É para nos agradar e tornar nossas vidas muito mais aproveitáveis.  É para o consumidor que o produtor produz, e é para o consumidor que todos, em todos os estágios da produção, se esforçam para produzir produtos cada vez melhores.  Tudo se resume àquela embalagem utilizada para empacotar e conservar vários alimentos, desde batatas chips até sanduíches de presunto, tomate e vegetais.  É por isso que milhões de pessoas que trabalham na indústria de PPO ao redor do mundo têm de estar sempre seguindo as demandas do mercado.  É por isso que batatas são cultivadas, cortadas, fritadas, empacotadas e transportadas para milhões e milhões de destinos.

A grande injustiça de tudo isso é que estas pessoas não recebem nenhum crédito pelo que fazem.  Em nenhuma embalagem você verá escrito: esta embalagem foi feita pela fábrica de PPO do João.  Essas pessoas são benfeitoras anônimas da sociedade.  Dificilmente alguém já parou para pensar nelas.  No entanto, se você comprasse um pacote repleto de batatas esmigalhadas e rançosas, você certamente notaria a diferença.  Você se irritaria enormemente com a loja que lhe vendeu o produto, com a empresa que o produziu, e talvez até mesmo com o sistema econômico que permite que pessoas lucrem com a venda de coisas ruins.  São os produtores privados de PPO que impedem que isso aconteça, milhões e milhões de vezes por dia.

Você e eu estamos no controle deste mercado e nem sequer sabíamos disso.  Os produtores destas embalagens estão nos servindo diariamente, de maneira servil, e nem sequer sabemos disso ou nos importamos.  E, de alguma forma, tudo isso acontece sem nenhum planejador central, sem decretos governamentais, sem fábricas estatais e sem burocratas no topo da cadeia produtiva dirigindo o processo do início ao fim.  Para se criar este complexo e brilhante sistema é necessário apenas que tenhamos um só desejo: uma boa batata chips.  O resto acontece por conta própria — um sistema autogerenciável que responde aos mais ínfimos sinais.

Portanto, eu gostaria de enviar uma mensagem para meu benfeitor que dedicou toda a sua vida a explicar aos produtores de alimentos os méritos do PPO.  Minha mensagem é 'muito obrigado'.  Ouso crer que devo ter sido o primeiro consumidor a dizer isso, mas, em meu mundo ideal, bilhões de pessoas ao redor do mundo estariam dizendo obrigado a você e a todos como você.  Vocês são todos servos de uma nobre causa: tornar o mundo um lugar melhor para se viver.

 


autor

Jeffrey Tucker
é Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Ele também gerencia a Vellum Capital, é Pesquisador Sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria.  Associado benemérito do Instituto Mises Brasil, fundador e Diretor de Liberdade do Liberty.me, consultor de companhias blockchain, ex-editor editorial da Foundation for Economic Education e Laissez Faire books, fundador do CryptoCurrency Conference e autor de diversos artigos e oito livros, publicados em 5 idiomas. Palestrante renomado sobre economia, tecnologia, filosofia social e cultura.  

  • Marcelo  02/07/2012 05:31
    Mas e natureza, como fica?
  • Luis Almeida  02/07/2012 05:47
    Que natureza? O que tem a natureza? Como assim 'como ela fica'? Seja mais específico.
  • Ricardo  02/07/2012 05:50
    PQP, viu? Hoje é praticamente impossível fazer qualquer elogio ao mercado sem que surja um idiota completamente alienado, daqueles que acham que até a cama em que ele dorme surgiu magicamente no vácuo, perguntando o que acontecerá com as árvores...

    Paixão pelo atraso é isso
  • Marconi  02/07/2012 06:10
    hehe essa pergunta aí do Marcelo foi só de sacanagem.

    pt.wikipedia.org/wiki/Troll_%28internet%29
  • Felipe Barbosa  02/07/2012 07:11
    As pessoas vão comemorar a eleição de um estatista que vai dedicar todos os dias do seu mandato a cercear a liberdade individual, vão chorar suas mortes e sofrer com as heranças dos seus governos muito depois que seu mandato acabar, vão aplaudir militares cuja a unica contribuição é acabar com a vida humana da forma mais eficiente possível.

    mas nunca vão saber da mágica que envolve bombear agua, trata-la, distribui-la e aquece-la somente para que você possa tomar um banho quente, algo que a 200 anos atrás nem mesmo reis podiam ou iriam fazer todo dia.
    todos esses heróis desconhecidos voltam para casa apenas com a satisfação de um deve cumprido e os trocados pelos quais são compensados.
  • Roni  02/07/2012 07:37
    Não tem nada de "benfeitoria" nisso. É apenas uma necessidade do mercado, uma inovação tecnológica, fruto de trocas comerciais.
  • Luis Almeida  02/07/2012 07:41
    Claro, claro. Afinal, "todos nós sabemos" que coisas resultantes de "inovação tecnológica" e que são "frutos de trocas comerciais" não trazem benefício nenhum para terceiros, certo?
  • Cristiano  02/07/2012 11:16
    A troca comercial é uma benfeitoria.
  • Fernando  02/07/2012 08:48
    Ler um texto como este, tocante porque a todo momento ouvimos as pessoas agradecerem a seres inexistentes e inatuantes, onde realmente o crédito é dado a quem é de direito, ou seja à cooperação social através da ação indivídial. Porque avançamos a ponto de saber que a divisão do trabalho e a especialização aumentam a produtividade, logo nosso bem estar. E em seguida o primeiríssimo comentário é essa pérola. Confortante saber que existem pessoas engajadas em mudar o status quo, e decepcionante saber que ainda temos um longo caminho pela frente, muito longo.
  • Nugget  02/07/2012 11:04
    A embalagem é muito boa até a gente terminar de comer as batatinhas. Pra jogar fora, depois é um saco. Aquilo que era uma vantagem, o fato dela voltar a forma original depois de amassada, pra voce embolar e jogar fora virou um problema.
  • Marcus Benites  02/07/2012 18:51
    De fato. Pra jogar fora depois "é um saco"... O que você esperava de "um saco" de batatas na hora de jogar, uma cabaça de vidro? Viva "o saco". Dica: encha com outros pequenos lixos dentro, usando o saco como sacolinha de lixo em escala menor. Cotonetes, papel higiênico, restos de maçã, casca de ovo vão bem no "saco".
  • Patrick de Lima Lopes  02/07/2012 11:21
    Olá, irei trazer aqui o argumento do The Zeitgeist Movement(TZM) CONTRA o modelo de aplicação tecnológica capitalista:

    Assim como disse Tucker,no capitalismo a pesquisa científica gira ao redor da busca por qualidade aceitável e por preços mais acessíveis ao mercado consumidor. O problema é que devido ao custo do produto tecnológico, o mercado precisa constantemente aliviá-lo através de cortes de gastos no processo de produção, o que diminui consideravelmente a qualidade do produto final. A questão é que o item que vai ao mercado é dúzias de vezes inferior à real capacidade da ciência, já que este precisa vir a um preço suficiente para gerar lucros às empresas produtoras e a ser acessível ao consumidor.
    Tal corte de gastos gera um produto já obsoleto quando chega em nossas casas e o transforma em um semi-desperdício de recursos escassos comparado ao que este poderia ser.

    Ou seja, o TZM argumenta que no capitalismo, há um abismo entre a tecnologia que existe em nossas casas e a tecnologia que é possível. O grupo argumenta que caso o processo capitalista fosse rompido, os produtos tecnológicos seriam mais acessíveis e de maior qualidade, buscando não desperdiçar preciosos recursos escassos em sua produção.
    (A forma como este produto VAI ao mercado e é fabricado não vem a calhar neste questionamento já que o TZM possui um próprio sistema econômico para explicar)

    Outro questionamento do TZM é sobre o fato de a pesquisa científica no capitalismo apenas ocorrer com o intuito de tornar o produto final mais interessante ao consumidor. O grupo argumenta que o modelo capitalista de pesquisa é restrito a agradar ao consumidor, o que não estimula áreas da ciência como a biologia e a quântica, setores que não trazem nenhum benefício ou melhora na qualidade de vida humana.
    ---
    Minha pergunta é: Se um membro do TZM apresenta estes dois argumentos para comprovar uma tese de que o capitalismo retarda o avanço tecnológico e o aumento da presença da tecnologia em nossas vidas, qual seria a réplica austríaca?

    Obs: Sim, existe uma forte falha no questionamento do TZM principalmente em relação à pergunta: "Como a droga do produto tecnológico vai chegar ao consumidor?". Acontece que o movimento possui seu próprio sistema de manipulação de recursos escassos, modelo que responde a esta possível réplica. Por isso, se possível, gostaria que esta não fosse utilizada.
  • Leandro  02/07/2012 11:44
    Patrick, eles estão certos apenas em uma questão: de fato, o mercado está sempre em busca do corte de custos. O que poucos entendem é que é justamente essa capacidade de reduzir custos de produção que é a essência da concorrência de preços que há no mundo real. Um empreendedor só consegue reduzir seus preços -- algo que ele vai fazer talvez apenas uma vez por ano -- caso consiga reduzir seus custos de produção. E, no mundo real, em que há inflação constante da oferta monetária, a redução de preços se dá não no sentido nominal, mas sim no sentido real, em termos de horas de trabalho necessários para se conseguir a renda suficiente para se obter um determinado produto. Isso foi explicado em detalhes neste artigo.

    Quanto à baixa qualidade dos produtos, este fenômeno foi explicado detalhadamente neste artigo: sua causa é justamente a inflação monetária, o que faz com que empreendedores, em vez de optar pelo simples aumento de preços, optem pela redução da qualidade dos produtos.

    Abraços!
  • Chafundifórmio  02/07/2012 11:53
    Ao meu ver a resposta é muito simples...

    Quem você acha que iria gastar tempo, talvez o recurso mais escasso de todos, pesquisando idéias e inovações se não tiver perspectiva de algum ganho individual?
    O egoísmo é o que nos move, ainda bem...
    É a perspectiva de ganho individual que faz com que o produtor seja cada vez mais obrigado a atender os desejos do consumidor.
    Não há altruísmo que consiga tamanha inovação que testemunhamos nos últimos 100 anos.
    Só para ilustrar:

    Qual carro você compraria: Uma Mercedez ou um Lada?
    Acho que deu pra entender onde quero chegar...

    abraços
  • fabio barbieri  02/07/2012 15:27
    os proponentes desse movimento deveriam estudar um pouco de teria economica, em especial o debate do calculo economico socialista.
    Ludwig von Mises, que inspira este sitio, quase cem anos atras refutou esse tipo de crítica, reinventada de tempos em tempos. a idéia de que engenheiros e homens racionais substituiriam o "caos da producao capitalista" é ladainha que vem de Comte, Marx, Veblen, Neurath até os econofísicos modernos.

    Varios críticos do capitalismo achavam que poderiam substituir o calculo monetario por planejamento central. as propostas variam desde calculo em energia, em quantidade de trabalho, por planilhas de insumo-produto ou por soluções de sistemas de equações de equilíbrio geral.

    os austriacos reduziram a po todo esse tipo de proposta. mises e hayek mostraram que sem preços de mercado não é possivel alocar recursos de forma economica, a menos que vc tenha um planejador central onisciente. qualquer modelo de alocação teriam que saber em tempo real quem sao as pessoas, quais são seus objetivos e planos, , os recursos disponiveis, com detalhes de diferenças locais e temporais, as tecnicas de produção e os usos alternativos de cada recurso e como tudo isso se altera continuamente. o problema economico fundamental é infinitamente mais complexo do que qualquer modelo que pretenda resolver o problema alocativo como se fosse um problema de engenharia.

    para entender a natureza da critica, tem que estudar o problema alocativo e sua natureza, para comecar a entender a tarefa envolvida. um bom comeco é ler o texto de metodologia de lord robbins de 1932, que mostra a diferença entre um problema de escolha técnico e um problma de escolha economico. essa distinção é feita pensando nesse tipo de proposta.

    Veja minha tese de doutorado, disponivel em pdf neste sitio, em especial o debate em alemão da decada de vinte, que trata das propostas mais bizarras de tentar resovler o problema do planejamento central com a mentalidade de engenheiro. O debate na decada de trinta é mais sofisticado, na medida em que os autores pelo menos conhecem em parte a natureza do problema alocativo.
  • Lucas Amaro  02/07/2012 15:45
    Patrick, só mais um complemento, se "o problema é que devido ao custo do produto tecnológico, o mercado precisa constantemente aliviá-lo através de cortes de gastos no processo de produção, o que diminui consideravelmente a qualidade do produto final", não quer dizer que então corte nos custos diminuem a qualidade do produto final. Para exemplificar, uma história de uma situação recente real de mercado:

    A Sony lançou o Playstation 3 em novembro de 2006. Na época, o modelo de 20GB custava cerca de 805 dólares para ser produzido, enquanto o de 60GB custava cerca de 840. E sabe o que acontecia com a Sony nessa época? Ela sofria prejuízos com o Playstation 3, porque ela não podia vender uma unidade a preços acima de 800 dólares. Ela vendia esses modelos por 499 e 599 dólares, respectivamente. O Xbox 360, concorrente direto, era encontrado pelo consumidor por apenas 399 dólares (modelo de 20 GB) em novembro de 2005. Já pensou o estrago gigantesco em vendas do Playstation 3 caso a Sony vendesse ele acima de 800 dólares? Inclusive, o Nintendo Wii (outro concorrente lançado na época do Playstation 3) custava apenas 249 dólares.

    Então, como a Sony virou o jogo? Cortando custos de produção do console, ou seja, como você disse em seu comentário, "buscando não desperdiçar preciosos recursos escassos em sua produção". Primeiro, cortando custos no console. Porém, uma importante medida foi realizada: a Sony antecipou uma outra versão, a Slim. Essa nova versão conseguiu, de certa forma, ser ainda mais eficiente e custando menos. No final de 2009, um modelo de PS3 custava cerca de 240 dólares para ser produzido. A Sony parou de produzir os modelos maiores (e mais caros) conhecidos como FAT desde meados de 2009.

    Agora, imagine se não existissem preços e um mercado capitalista nesse exemplo. A Sony provavelmente iria manter o padrão de produção (sem cortar os gastos desnecessários, pois não teria como ver o que, e em que quantidade, deve ir sem gerar excessos ou escassez) e o Playstation 3 teria uma qualidade parecida porém sendo muito mais trabalhoso e custoso, desperdiçando recursos. Aliás, sem um mercado capitalista com preços, provavelmente hoje não teríamos aparelhos desse nível tecnológico.
  • Hay  02/07/2012 16:19
    O problema é que devido ao custo do produto tecnológico, o mercado precisa constantemente aliviá-lo através de cortes de gastos no processo de produção, o que diminui consideravelmente a qualidade do produto final.

    Meu Deus... é sério que isso é uma crítica do movimento Zeitgeist? O mercado precisa cortar gastos? Que tragédia! As pessoas pagarão mais barato por produtos! Meu Deus! Precisamos salvar o mundo disso! É imperativo que os burocratas e burocratófilos do Zeitgeist me salvem de pagar mais caro por um celular, afinal, "a ciência" não foi atingida em sua plenitude! Se os caras legais do Zeitgeist tomarem conta de tudo, o mundo melhorará! Não, obrigado, quero que esses intelectuais continuem no ambiente acadêmico, onde eles estão imunes à realidade.

    A questão é que o item que vai ao mercado é dúzias de vezes inferior à real capacidade da ciência, já que este precisa vir a um preço suficiente para gerar lucros às empresas produtoras e a ser acessível ao consumidor.

    O que é "capacidade da ciência"? Por acaso ela brota da terra? Basta grupos de burocratas sentarem e ordenarem a produção de ciência, deixando de lado o horroroso lucro, tudo em prol do bem da humanidade? E quem vai produzir o que? Como? Onde? Por quanto tempo? E por que? Qua

    Tal corte de gastos gera um produto já obsoleto quando chega em nossas casas e o transforma em um semi-desperdício de recursos escassos comparado ao que este poderia ser.

    "Poderia ser"? Em relação a que? Cara, eu fico pasmo com o que se passa por conhecimento hoje em dia. Assim fica fácil de argumentar. Assim até um cachorro consegue criar uma teoria. Não é preciso ter uma base, um fundamento, um objetivo que tenha um mínimo de clareza. Quer ver? Vou pedir para o meu cachorro formular a teoria. Ei, Totó, qual seria o melhor objetivo da produção e manipulação de recursos! Ah, sim! "Au Au Au! Grrrr!". Enquanto o mundo não atingir o nível "Au Au Au! Grrrr", não alcançaremos a prosperidade real!

    O grupo argumenta que caso o processo capitalista fosse rompido, os produtos tecnológicos seriam mais acessíveis e de maior qualidade, buscando não desperdiçar preciosos recursos escassos em sua produção.
    (A forma como este produto VAI ao mercado e é fabricado não vem a calhar neste questionamento já que o TZM possui um próprio sistema econômico para explicar)


    É claro que eles não explicam direito como a coisa funcionaria. Afinal, eles não fazem a mínima ideia de como a economia realmente funciona. Provavelmente há muitos economistas no meio. Só economistas conseguem dizer as maiores asneiras e ainda fazerem cara de inteligentes.

    Outro questionamento do TZM é sobre o fato de a pesquisa científica no capitalismo apenas ocorrer com o intuito de tornar o produto final mais interessante ao consumidor. O grupo argumenta que o modelo capitalista de pesquisa é restrito a agradar ao consumidor, o que não estimula áreas da ciência como a biologia e a quântica, setores que não trazem nenhum benefício ou melhora na qualidade de vida humana.

    Poxa, é mesmo, essa pesquisa científica quer agradar o consumidor. Isso é uma tragédia. Aqueles caras ruins que fazem pesquisas na área de processadores querem vender algo melhor para mim. Utraje! O mundo certamente prosperaria mais se burocratas e burocratófilos se juntassem para salvar o mundo do capitalismo. Quer dizer, isso nunca funcionou em nenhum lugar do mundo, mas quem se importa? O que importa é que, no ambiente acadêmico, isso parece funcionar. E certamente umas fórmulas bonitinhas de economistas que não produzem nada de útil corroboram suas próprias teorias!

    Acontece que o movimento possui seu próprio sistema de manipulação de recursos escassos, modelo que responde a esta possível réplica. Por isso, se possível, gostaria que esta não fosse utilizada.

    Sistema de manipulação de recursos escassos... Acho que eles precisam aplicar esse sistema à noção de realidade, porque esse é um recurso escasso para eles.
  • Heisenberg  02/07/2012 18:16
    Engraçado como virou moda pseudo-economistas e demais profissionais incompetentes em suas carreiras ficar dando palpite sobre a teoria economica. Engraçado é que geralmente são pessoas que muito se beneficiam do capitalismo e não possuem a menor esperança de realmente viverem no seus sistemas malucos, apenas querem cooptar seguidores.
    Essas pessoas querem criticar, mas não estudam o mínino sobre o porque o livre mercado trouxe tantos avanços à humanidade. Engenheiros ajudam muito no mercado financeiro e ganham muito dinheiro operando finanças, mas quando tentam palpitar em toda teoria economica geralmente são um fracasso. Médicos que administram um hospital com autoritarismo acreditam que podem fazer o mesmo com um país e sua economia. Só falta um economista querer operar pacientes.
    Por que esse pessoal do TZM não vai implantar suas teorias em um país africano totalmente carente e longe de livre mercado? Por que esses loucos não se unem em uma região isolada e começam a fazer suas pesquisas e produções ótimas de produtos? Seria parecido com a fazenda de Maison.
    Oras, se um produto não chega ao mercado em sua forma ótima é porque seus custos de produção excedem ao quanto o consumidor pode pagar. Mas, geralmente melhores versões sempre existem a custo maiores. Se eu ando de fusca, é porque estou disposto a pagar apenas seu preço em um carro. Logo, dadas minhas restrições, o fusca é o produto ótimo para mim. Mas, com livre concorrência e desenvolvimento, é uma questão de tempo para que uma ferrari possa ser fabricada ao custo de um fusca.
    Óbvio que o mundo atual não é ideal, mas por falta de livre mercado. Já poderíamos ter avançado muito mais. No entanto, há uma tendência de todos aqueles que se sentem em posição privilegiada em proteger seus mercados de concorrência e inovação competitiva. Como diz Fligstein, o objetivo do capitalista é de evitar a concorrencia e estabeler seu poder mercado. Esses capitalistas e toda sorte de conservadores buscam no poder do estado essa estabilidade, criando um monstro político e autoritário. Aquele que acredita na constante inovação, não necessita dessas instituições.
    Quanto a esses caras que aparecem com sistemas malucos que prometem acabar com o capitalismo eu só tenho uma teoria: querem conquistar adolescentes e jovens, fáceis vitimas dessas falácias revolucionárias.
  • Patrick de Lima Lopes  02/07/2012 18:56
    Nossa, não esperava ter recebido tanto entusiasmo. Apenas quero dizer que não sou membro do TZM e tenho uma certa aversão aos seus métodos apesar de que os filmes feitos por eles tenham inspirado meu interesse em economia.

    @Leandro Roque;
    Obrigado pelos tópicos, foram uma ótima e rápida leitura sobre os efeitos da inflação em nossa vida. Principalmente pelo fato de o argumento da escravidão moderna ser utilizado de forma equivocada pelos socialistas que decidem culpar o capitalismo como um todo pela constante inflação e pelo endividamento quase obrigatória da sociedade.

    @Chafundifórmio.
    O grupo, quando questionado quanto a isso, fez o seguinte questionamento: Einstein, Tesla, Newton, Argand-Gauss e muitos outros grandes jamais trabalharam pelo interesse econômico. Segundo eles, o trabalho que gera o desinteresse do trabalhador são os serviços monótonos como ser vendedor ou balconista, ações geralmente feitas por pura necessidade financeira.

    @Lucas Amaro.
    O Zeitgeist levanta que caso os processos mais primitivos da economia como a geração de alimentos, energia e a fabricação fossem robotizados, os seres humanos poderiam dedicar-se apenas às atividades criativas. Ou seja, segundo o TZM, produções como jogos, filmes, livros e pesquisas científicas são produto principalmente do prazer humano. O TZM possui uma economia chamada Resource Based Economy, mas não há espaço para explicar tudo aqui.

    @Hay.
    Obrigado pelo seu comentário. Bem que eu gostaria de responder tudo aqui, mas creio que eu mesmo não tenho conhecimento sobre a Resource Based Economy e o TZM para replicar seus questionamentos. Mas eu vou procurar debater mais seus pontos de vista.

    @Fábio Barbieri.
    Jacques Fresco, o chefe do Project Venus e um aliado do TZM, leu o Cálculo Econômico Sob o Socialismo e respondeu ao grande questionamento de Mises com o seguinte: Um super-computador faria a análise de todos os recursos mundiais e avaliaria qual a opção mais viável para a obtenção das matérias primas em relação à conservação das mesmas. Obrigado pelo comentário.

    @Heisenberg.
    A proposta principal do TZM é criar um sistema econômico baseado nos próprios recursos que tivesse seu cálculo administrado por um super-computador ao invés de burocratas. Na verdade, a grande alma do Resource Based Economy é a robotização em si, tanto dos trabalhos feitos pela classe média baixa atualmente quanto o do cálculo econômico. Segundo eles, já existe tecnologia o suficiente para mecanizar ambos os setores e criar uma economia mais baseada em racionalizar recursos.
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    Para os interessados em refutar o The Zeitgeist Movement e a Resource Based Economy, recomendo o filme mais recente:
    www.youtube.com/watch?v=4Z9WVZddH9w&feature=channel&list=UL

    Obrigado pelas respostas.
  • Henrique  02/07/2012 19:54
    "Jacques Fresco, o chefe do Project Venus e um aliado do TZM, leu o Cálculo Econômico Sob o Socialismo e respondeu ao grande questionamento de Mises com o seguinte: Um super-computador faria a análise de todos os recursos mundiais e avaliaria qual a opção mais viável para a obtenção das matérias primas em relação à conservação das mesmas. Obrigado pelo comentário."

    Leu e não entendeu então. Ou seria esse supercomputador um ser digital autônomo e onisciente?! Provavelmente ele disse também que depois de construído, perguntarão ao supercomputador a resposta para o cálculo econômico, o universo e tudo o mais que será respondida depois de anos de ponderação do supercomputador! E a resposta será 42! 42 milhões de mortos até descobrirem que essa merda não funciona!
  • Heisenberg  02/07/2012 20:49
    Ok, muito legal suas explicações.

    Espero que esses caras não estejam mal intencionados.

    Afinal, o que os impede de fazerem o que querem? O livre-mercado ou os governos e instituições pró status-quo? Em um mundo libertário, eles poderão livremente se unirem e inaugurarem esse tipo de sociedade, se forem realmente capazes, será muito bom.
    Ou isso só vai dar certo se todo mundo for obrigado a seguí-los? Aí é o fim do mundo né? Aí até eu invento um modelo onde primeiro eu escravizo todos, depois td fica ótimo, rsrs.
    Quanto ao super computador, está provado matematicamente que sistemas complexos não podem ser calculados previamente. Isso é tão óbvio, que não se consegue prever o clima com muita antecedência. Prever as demandas, seria ainda mais complexo, pois teriam que advinhar o que as pessoas pensariam no futuro.
    Quanto à produção a baixos custos, eles têm razão. Há pouco tempo atrás, o que a China faz hoje seria considerado como mágica, computadores a preço de banana. Quando for possível produzir a custo zero, alguém o fará, pode ter certeza.

    Abraços
  • Paulo Sergio  03/07/2012 03:16
    'Um computador central' não explica muita coisa, qual é o ALGORITMO que esse computador vai usar pra decidir onde cada recurso vai ser usado? E quem vai programar isso?

  • Blu  03/07/2012 04:11
    Jacques Fresco, o chefe do Project Venus e um aliado do TZM, leu o Cálculo Econômico Sob o Socialismo e respondeu ao grande questionamento de Mises com o seguinte: Um super-computador faria a análise de todos os recursos mundiais e avaliaria qual a opção mais viável para a obtenção das matérias primas em relação à conservação das mesmas. Obrigado pelo comentário.

    A coisa é muito pior do que eu pensei
    - Um supercomputador brota do chão e basta chacoalar um disco SSD em dia de lua cheia que os super sistemas que calcularão tudo aparecerão? Ora, alguém precisa produzir o sistema. E quem vai produzir? Como? Onde? Quando? Por que? E quem vai manter o sistema? Quem vai se responsabilizar por falhas no sistema?
    - Um supercomputador saberá o estado da matéria-prima, da estrutura da produção e das necessidades de todos os indivíduos da terra ao mesmo tempo? Ele substituirá os burocratas porque, como todos sabemos, os supercomputadores são mágicos e conseguem alimentar sozinhos os próprios dados? Ora, é claro que o tal supercomputador continuará precisando de burocratas para alimentar os dados nos sistemas.
    - Como será feito o cálculo? Quais serão os parâmetros? Se eles querem ser levados a sério, precisam mostrar esse supercomputador e esse sistema funcionando em pequena escala. E mesmo assim eu só os levarei a sério, mas continuarei achando que é algo impraticável, porque qualquer um que já desenvolveu um sistema na vida sabe que uma coisa é trabalhar em pequena escala, outra coisa é inserir todas as variáveis de todas as partes de todas as estruturas de produção do mundo ao mesmo tempo.

    Ah sim, e quem produzirá os robôs? Quantos serão produzidos? Como? Onde? Por quanto tempo? Quem cuidará da manutenção deles?
  • leandropc  03/07/2012 06:44
    "Jacques Fresco, o chefe do Project Venus e um aliado do TZM, leu o Cálculo Econômico Sob o Socialismo e respondeu ao grande questionamento de Mises com o seguinte: Um super-computador faria a análise de todos os recursos mundiais e avaliaria qual a opção mais viável para a obtenção das matérias primas em relação à conservação das mesmas. Obrigado pelo comentário."

    Que coisa mais delirante. O cara (o Fresco - bom, só podia ser) não sabe que computadores processam dados que são fornecidos por alguém de carne e osso, logo, por burocratas. Alguém no futuro deverá resolver em 100% o problema de tornar os computadores 100% sensíveis às demandas dos humanos (claro que isso só tem utilidade se as pessoas, volúveis que são, também resolverem em 100% suas demandas) para que a robótica não necessite de burocratas.

    Ou seja, é o mesmo problema da representatividade das "modernas democracias".
  • Pablo  04/07/2012 08:50
    É sério que a proposta do TZM seja criar Deus? (Ou que outra coisa seria esse super-computador?)
  • Patrick de Lima Lopes  03/07/2012 10:21
    @Henrique

    Haha, um comentário tristemente engraçado. Vamos supor que em um local exista uma demanda registrada por máquinas fotográficas. Para a fabricação desta, são necessários X recursos escassos. O supercomputador irá avaliar as reservas de recursos escassos mais próximas e mais abundantes e irá calcular qual será o mais econômico trajeto deste recurso desde à extração(robotizada) até a área industrial(também robotizada) que está localizada próxima das áreas de habitação. Qualquer trabalho que não possa ser feito por computadores, como conferir a qualidade do produto final e criar o design deste, será feito pelos artistas voluntários(Já que segundo o TZM, apenas os trabalhos tediosos e monótonos da classe média baixa e da classe D geram o desinteresse da mão-de-obra. Para apoiar sua tese, eles apontam aos grandes gênios da história que não trabalhavam por interesse financeiro).

    @Heisenberg

    Eu pessoalmente não sou muito fã dos conceitos técnicos do Venus Project e do TZM. Mas pelo que sei, eles em geral são jovens. O que significa duas coisas: Um movimento liderado por estes tende a agir de forma violenta se pressionado mas possui uma intenção utópica.

    @Paulo Sérgio

    A programação deste computador seria feita por seres humanos especializados e capazes. O que é um tanto duvidoso. Mas o TZM afirma que tal máquina é perfeitamente alcançável.

    @Blu

    A criação do sistema, a atualização deste, a manutenção e o design seriam todos responsabilidade de voluntários especializados em lidar com o problema. Segundo o TZM, haveriam voluntários já que, segundo eles, apenas trabalhos monótonos de classe C e D(Que seriam substituídos por robôs)geram o desinteresse dos trabalhadores, que os fazem apenas porque precisam do salário.
    Eles nunca mostraram o sistema e nunca disseram possuir. Mas afirmam que este sistema já é perfeitamente possível.
    A fonte dos dados do computador seria em parte geográfica, já que ele teria consciência das principais reservas de recursos e dos possíveis gastos para mover e desenvolver tais recursos. Agora em relação à demanda, não sei dizer. Creio que a demanda seria feita em relação direta entre o morador e o sistema. Principalmente porque bens como máquinas fotográficas, que apenas utilizamos uma vez por mês ou menos, seriam devolvidos às reservas urbanas(Grandes depósitos localizados no centro de cada conjunto urbano).

    @leandropc

    Não sei se consigo responder a todos os seus questionamentos porque não sou o maior conhecedor do Project Venus e do TZM. Desculpe. Mas provavelmente o computador iria verificar a demanda de forma direta entre o habitante e a máquina. Recomendo o filme porque este possui todo o conteúdo e afirma como esta sociedade pode ser feita.
    -------------------------
    Uma coisa, no sistema do Project Venus, bens tecnológicos seriam devolvidos à reserva de bens industriais localizada no centro de cada conjunto urbano. Isto seria feito para evitar um desperdício desnecessário de recursos escassos.
    Novamente, eu recomendo o filme ou para quem deseja refutar o TZM. O pouco conhecimento que tenho veio de algumas leituras do site:
    thevenusproject.com/ (Em inglês)
    Nele você encontrará respostas mais rapidamente.
    Mas sim, todos os questionamentos, principalmente aqueles em relação ao cálculo econômico, foram muito posicionados. Eu nem esperava receber tanta atenção assim, obrigado.
    Obs: O arquiteto deste "Resource Based Economy" é o arquiteto, engenheiro e auto-didata Jacque Fresco. A página dele está aqui:
    www.thevenusproject.com/en/jacque-fresco/resume
  • Blu  03/07/2012 11:22
    A criação do sistema, a atualização deste, a manutenção e o design seriam todos responsabilidade de voluntários especializados em lidar com o problema. Segundo o TZM, haveriam voluntários já que, segundo eles, apenas trabalhos monótonos de classe C e D(Que seriam substituídos por robôs)geram o desinteresse dos trabalhadores, que os fazem apenas porque precisam do salário.

    Ou seja, as pessoas fariam por pura paixão pelo trabalho. Bem, a coisa é realmente sem nexo.

    Eles nunca mostraram o sistema e nunca disseram possuir. Mas afirmam que este sistema já é perfeitamente possível.

    Curar o câncer é perfeitamente possível. Pronto, viram? Eu já curei o câncer, basta eu dizer que alguém vai curar!

    A fonte dos dados do computador seria em parte geográfica, já que ele teria consciência das principais reservas de recursos e dos possíveis gastos para mover e desenvolver tais recursos.

    Um sistema que consegue detectar automaticamente, sem nenhum tipo de entrada manual, todos os recursos em todas as partes do planeta. Hahahah

    Agora em relação à demanda, não sei dizer. Creio que a demanda seria feita em relação direta entre o morador e o sistema. Principalmente porque bens como máquinas fotográficas, que apenas utilizamos uma vez por mês ou menos, seriam devolvidos às reservas urbanas(Grandes depósitos localizados no centro de cada conjunto urbano).

    Hahahaha Realmente o negócio é uma viagem na maionese. Os bens seriam usados e devolvidos. O que os bens precisariam ter? Ah, isso não importa. Onde já se viu alguém se preocupar com as vontades do consumidor? O importante é que esse sistema funcionaria. É preciso só ter:
    1) Um supercomputador que eles não conhecem
    2) Um sistema de logística que eles não sabem como funcionaria
    3) Um sistema de detecção de recursos que eles não sabem como funcionaria
    4) Robôs que seriam produzidos, claro, pelos maravilhosos e lindinhos voluntários do movimento.
    5) Um sistema de produção que satisfaça as necessidades das pessoas

    Espero, sinceramente, que sejam realmente pessoas jovens. Fica mal para uma pessoa mais velha ter uma ideia tão idealista e juvenil.
  • anônimo  02/07/2012 11:24
    Sou um consumidor de PPO porque adoro Doritos. Mas em termos de batatas fico com a Pringles. O cilindro é de papelão certo?
  • Asdf  02/07/2012 14:46
    Ok, todos se beneficiam com isso tudo, isso é fato, não há o que discutir.

    Mas ele faz isso pelo meu dinheiro, não pelo meu bem estar! Se ele se preocupa com o meu bem estar é porque sem o meu bem estar ele iria à falência!

    Portanto, acho exagero agradecer tão efusivamente por algo que o cara faz por ele próprio. Não estou dizendo que o egoísmo é necessariamente ruim (nesse caso certamente não é), mas sentir necessidade de agradecer por isso me parece "overreacting".

    O fato é que ele já recebe o meu agradecimento na forma de dinheiro, nada mais justo. Não vejo por que essa ficar exaltando tanto o cara pelo que ele faz pra viver, não por caridade...
  • Luis Almeida  02/07/2012 14:57
    Duh! Mas é claro que é o egoísmo quem o guia. E este site nunca cansa de enfatizar isto. Sugiro estes dois artigos como exemplo:

    Altruísmo, egoísmo, saúde e desenvolvimento econômico

    Todo o seu conforto você deve ao capitalismo e aos ricos

    Ademais, nunca é demais ressaltar: este empreendedor me é benevolente sem ter a menor noção, antecipadamente, sobre se eu irei ou não consumir seus produtos e lhe dar meu dinheiro voluntariamente. Ele pode perfeitamente perder todo o seu dinheiro com a sua invenção. Compare isto ao estado e seus funças, que só fazem confiscar meu dinheiro e nunca me dar absolutamente nada de bom em troca. A diferença é abismal.
  • Rodrigo Polo Pires  02/07/2012 17:52
    Primeiro seria interessante definir o que é bem estar; Penso que a única coisa indíscutivel aí, é o fato da embalagem ser extremamente eficiente na conservação dos produtos. Na questão do mérito, pode-se achar que pertençe ao individuo que descobriu o material e suas propriedades, bem como ao que pensou na sua utilização comercial, pode-se também pensar na pessoa que organizou toda a cadeia de forma que prosperasse, e assim pode-se falar em inúmeras pessoas envolvidas no processo. Mas o que é o bem estar> A facilidade pode ser descrita como um bem> ( O sinal maior vai ser o sinal de interrogação ok. ), deve-se admitir que hoje em dia tudo está disponível à mão do homem com um mínimo de esforço e por custo baixo, não há dúvida, máquinas, motores, eletrecidade, comunicação, medicamentos, são inúmeraveis os progressos humanos e tudo isso tornou a vida mais fácil e em muitos casos melhor e os motivos de ter isso ocorrido são quase que infinitos e a politica está entre eles. No sistema de trocas voluntárias o que existe são individuos que se beneficiam através do comércio, concluida a transação não há devedores nem credores.
  • Marcus Benites  02/07/2012 18:48
    Só o indivíduo pode definir o que é bem estar pra ele. No meu caso, bem estar é comer uma boa batata Ruffles. Logo, sou imensamente grato ao homem citado no texto. Obrigado pelo bem estar proporcionado a mim! Ou alguém teria a petulância de dizer o que é bem estar ou não pra mim? Típico de estatistas...
  • Rodrigo Polo Pires  03/07/2012 01:56
    Prezado Marcus, considero o texto fraco por opor ao estado um produto que é derivado do petróleo, produzido e controlado totalmente pelo estado no Brasil. Mas o que quero na verdade é tentar explicar de maneira clara o que escrevi. Não penso de maneira alguma interferir ou sugerir que você se alimente dessa ou daquela maneira, o que digo é que naquilo que o estado for mau, em quase tudo, deve ser eliminado, só que dicute-se a eficiência em lugar do qué é bom, ficamos na discussão sobre o progresso, a liberdade, a educação, e hoje a maioria é favorável ao estado, e esquecemos de discutir o que é bom para o homem, ou de outra maneira, no Brasil ninguém mais discute se a interferência do estado é nociva ou não, pois o estado possui o poder de fornecer produtos sem cobrar por eles se quiser. È dificil convencer alguém beneficiado pelo prouni que o estado é nocivo, assim como é dificil convencer a mim que devo agradecer à um vendedor de um produto derivado de algo produzido pelo estado. Não precisamos substituir a idolatria ao estado pela idolatria aos homens, podemos e devemos sobreviver por nossos próprios meios sem ajoelhar no altar da eficiência das empresas, sejam estatais ou não.
  • Marcus Benites  03/07/2012 18:25
    A ironia do texto está justamente em sugerir certa idolatria a algo que causa estranhamento... Assim ridiculariza a idolatria mais comum.
  • anônimo  05/07/2012 04:23
    Acho que as pessoas sempre procuram um herói, não adianta.
  • Renato  05/07/2012 14:40
    Não por acaso, no Brasil temos uma empresa de economia mista (controlada pelo estado) fornecendo petroleo, e temos de pagar um preço absurdo pelos derivados do petroleo.\r
    \r
    Quanto ao artigo, é clara a ironia que vai embutida nesse agradecimento tão efusivo. O autor quis contrastar essa pessoa que, apenas fazendo o seu trabalho, beneficia a tantos, com os governantes, que fazem um péssimo trabalho, tomam a força grande parte do que é produzido pela sociedade, e exigem serem tratados como "benfeitores".
  • Renato  03/07/2012 14:45
    Excelente artigo.
  • Eliel  05/07/2012 03:19
    Trabalhei na fabrica da Pepsico em Itu - SP, mais conhecida como Elma Chips, nos idos de 1991. Sempre admirei o processo de fabricação de seus produtos, principalmente das embalagens de batatinhas Chips. Com este texto completei um conhecimento que não tinha a respeito das embalagens PPO.
    Obrigado pelo artigo.
    Abraços.


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