clube   |   doar   |   idiomas
O que é o dinheiro, como ele surge e como deve ser gerenciado

Nos tempos atuais, fomos doutrinados a crer que pequenos pedaços retangulares de papel são a exata definição de dinheiro, e que o governo — mais especificamente seu banco central — é sua única fonte possível.  Para se discutir honestamente como é possível obter uma moeda forte, é necessário antes entender como surgiu o dinheiro e como se estabeleceu nosso atual costume monetário.

No início, era cada um por si.  Cada indivíduo comia ou vestia apenas aquilo que ele fosse capaz de coletar ou caçar.

E então surgiu o escambo, que foi o primeiro avanço.  Se você estivesse em posse de alguns quilos extras de carne, e o seu vizinho possuísse uma quantidade excedente de pele de animal, vocês dois poderiam incorrer em uma troca direta.  Se alimentos, água, roupas e ferramentas simples são os únicos bens disponíveis no mercado, o escambo acaba sendo um meio relativamente eficiente de troca — você sempre poderá encontrar alguém que possui aquilo que você quer e que quer aquilo que você possui.

Porém, tão logo surgiu um esquema básico de produção e manufatura, e a prosperidade começou a aumentar, o escambo se tornou uma prática inadequada.  Imagine que você é um caçador e quer adquirir uma cama, mas o único produtor de camas da cidade é um vegetariano.  O que você pode fazer neste caso?  Você primeiro teria de descobrir o que o produtor de camas aceitaria em troca da cama (talvez tofu), e então teria de encontrar alguém que possuísse tofu e estivesse disposto a trocar por carne.  Se você não conseguisse encontrar tal pessoa (o produtor de tofu quer um chapéu em troca), você teria de procurar por uma quarta pessoa (alguém que quisesse carne e que possuísse o chapéu que o produtor de tofu quisesse), ou tentar convencer o produtor de camas vegetariano a aceitar sua carne para, algum tempo depois, tentar trocá-la por algum outro bem.

A carne, no entanto, estraga com o tempo, de modo que o produtor de camas teria de se livrar dela rapidamente.  Consequentemente, sendo você incapaz de conseguir arrumar algum bem que o produtor de camas queira consumir, você decide trocar sua carne por um pouco de sal.  Ato contínuo, você se aproxima do produtor de camas e diz: "Olha só, eu sei que você não quer sal, mas pense em todas as outras pessoas que querem.  Elas utilizam sal para preservar suas carnes e para dar mais sabor às suas sopas.  E o sal é imperecível, de modo que você pode armazená-lo pelo tempo que quiser.  E se, quando o vendedor de tofu vier à cidade, e ele não quiser sal, você poderá explicar a ele exatamente isso que acabei de explicar para você — que ele poderá utilizar o sal para comprar algo que ele queira futuramente."

Se você e o produtor de camas chegarem a um acordo, você acabou de inventar o dinheiro.  Organicamente, mais pessoas na sua comunidade começarão a utilizar o sal como meio de pagamento, mesmo que elas não tenham a intenção de consumi-lo, pois sabem que outras pessoas irão aceitá-lo como meio de troca.

Porém — e isso é muito importante —, o valor do sal-dinheiro não depende exclusivamente de as outras pessoas aceitarem-no como meio de pagamento.  Se, por algum motivo, as pessoas pararem de aceitar sal como meio de pagamento, você ainda assim poderá utilizar o sal como... sal.  O sal não perdeu suas funções originais.

O sal já foi utilizado como dinheiro e mostrou ser uma ótima moeda, especialmente antes da invenção da refrigeração, pois era amplamente demandado, divisível até o nível granular, muito portátil e transportável, fácil de ser pesado, e podia ser facilmente testado contra falsificações: bastava prová-lo com seu paladar.  Os romanos utilizaram o sal como dinheiro.

No entanto, o fato de o sal ter passado a servir como dinheiro não significava que não poderiam surgir outras formas de dinheiro em circulação.  Folhas de tabaco também poderiam ser amplamente aceitas como meios de pagamento, assim como o ouro ou a prata.

A maior invenção da história?

A questão é que o dinheiro surgiu naturalmente na sociedade, e surgiu como uma maneira de auxiliar as transações econômicas voluntárias.  Foi uma das maiores invenções da humanidade.  O dinheiro não apenas facilitou às pessoas adquirirem o que queriam, como também tornou o ato de poupar muito mais possível — você podia agora acumular o dinheiro excedente para gastá-lo em um momento posterior.

Embora poupar seja hoje um ato vilipendiado pelas elites políticas, trata-se de um elemento essencial para o progresso econômico.  Ao facilitar às pessoas o ato de poupar, o dinheiro efetuou duas medidas cruciais.  Primeiro, ele inspirou mais diligência e empreendedorismo: havia agora um incentivo para se trabalhar mais duro para se auferir em um dia mais do que você poderia gastar em um dia.  Segundo, a poupança possibilitou a empreendedores ambiciosos fazer grandes investimentos em capital: máquinas que economizavam trabalho humano, armazéns e transportes.

Se o poupador não tivesse grandes planos em mente para o seu dinheiro, ele ainda assim poderia fazer com que ele fosse produtivo: bastaria emprestá-lo para terceiros.  Financiamento era algo praticamente impossível sem dinheiro.  É claro que você poderia dar um porco para o seu vizinho este ano em troca de um porco e de uma galinha no ano seguinte, mas haveria muito mais espaço para contendas. "Este porco não é tão saudável quanto o porco que dei a você ano passado."

Já um dinheiro-commodity utiliza medidas universais e objetivas, como peso, para mensurar sua qualidade.  Logo, não havendo espaço para variações de qualidade, você pode emprestar seu dinheiro tendo a confiança de que, o que você receberá em troca no futuro, terá a mesma qualidade que você emprestou.

O dinheiro também tornou a especialização algo mais fácil.  Se você fosse realmente bom em algo — por exemplo, fabricar pregos (utilizando o famoso exemplo de Adam Smith) —, você poderia agora ganhar a vida apenas fabricando pregos.  Sem o dinheiro, alguém que passou o dia inteiro fabricando pregos teria de encontrar (a) alguém com comida em excesso que quisesse pregos, (b) alguém com abrigo sobrando que quisesse pregos, (c) alguém com excesso de roupas que também quisesse pregos naquele momento, e por aí vai.

Porém, quando o dinheiro é introduzido, o vendedor de pregos necessita encontrar apenas (a) pessoas com dinheiro que queiram pregos, e (b) diferentes pessoas que possuam os bens que o vendedor de pregos queira comprar e que queiram dinheiro em troca.  Facilitar a especialização cria eficiências.  A especialização permite a divisão do trabalho, de modo que as pessoas passam a agir de acordo com suas habilidades e seus interesses.  A produtividade aumenta.  De incontáveis maneiras, o dinheiro aperfeiçoa a sociedade.

Moedas concorrenciais

No passado, diferentes tipos de dinheiro-commodity concorriam entre si.  O sal possuía suas vantagens, mas também apresentava desvantagens — além de você ter de mantê-lo seco, era fácil perder alguma porção.  Em Roma, a elevação do nível dos oceanos foi tornando muito mais difícil a obtenção de sal ao longo dos anos.

Enquanto isso, o ouro ia continuamente apresentando várias vantagens.  Era fácil de ser armazenado.  Não deteriorava.  Assim como o sal, era de fácil divisibilidade, e também fácil de ser modelado em formatos diferente: você podia criar blocos ou moedas de diferentes pesos ou denominações, os quais podiam ser padronizados.  Ele não enferrujava, não sujava e não sofria outras reações indesejadas ao entrar em contato com produtos químicos.

Como qualquer dinheiro verdadeiro, surgido no mercado, o ouro possui utilidade própria, o que sempre irá lhe garantir algum valor.  Majoritariamente, pensamos em seu valor decorativo — em praticamente qualquer cultura, o ouro é considerado algo bonito.  As mulheres adoram ouro, e satisfazer as fantasias femininas é universalmente considerado algo bom.  O ouro possui uso industrial devido à sua resistência à corrosão e à facilidade com que pode ser reduzido a placas extremamente finas.

O ouro também é raro o suficiente para ser valioso, mas ao mesmo tempo abundante o suficiente para ser de ampla circulação.  Sua oferta cresce, mas nunca a taxas altas.

Nenhuma autoridade teve de declarar que o ouro era dinheiro.  Ele surgiu espontaneamente como meio de troca, e em vários casos venceu a concorrência contra outras moedas.  Ele nem sempre venceu à custa da exclusão de todos os outros tipos de dinheiro, mas foi provavelmente o mais bem-sucedido dinheiro que já existiu, graças não a algum decreto superior, mas sim aos seus próprios atributos.

E isso é extremamente importante: o dinheiro não vem do governo; ele surge na própria sociedade.

 


autor

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.



  • Paulo Sergio  15/06/2012 06:44
    Me lembrou aquele vídeo, money as debt
  • Henrique  15/06/2012 07:13
    Muito bom o texto, bem simples e elucidativo (aliás, como tudo que o Schiff escreve). Só fiquei com a impressão que parou no meio da história, o texto é um trecho ou existe uma continuação?

    Abraço.
  • Leandro  15/06/2012 07:18
    É um artigo, e apenas um artigo. Do tipo que é escrito semanalmente. E foi curto porque é assim que o povo demanda, infelizmente.
  •   15/06/2012 07:35
    Realmente, Henrique. E me parece que ficaria completo se ele incluísse a transição do ouro para o papel moeda.
  • Julio dos Santos  15/06/2012 07:50
    Simples e direto!
    Se for de outra forma os não conhecedores da EA jamais lerão! Foi por um artigo assim que eu conheci a EA e vejo como sendo os mais efetivos!
  • Gustavo  15/06/2012 10:47
    E o dinheiro papel, vou queimar ele? E o dinheiro virtual que, se lançar mais no mercado, os outros que se explodam com a inflação, pois a moeda que usei ainda tem valor? Se a moeda inflacionar, corremos para outra virtual? Para moedas mais estáveis? Quem lança o dinheiro no mercado está sempre bem, desde que não lance o suficiente para assustar as pessoas com a inflação do mesmo. Quem deve produzir dinheiro virtual e por quê?
  • Leandro  15/06/2012 11:42
    Gustavo, recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=710
  • Eduardo  15/06/2012 11:22
    Leandro, aproveitando que o artigo foi sobre dinheiro e como o ouro passou a se tornar moeda tenho algumas duvidas.

    Constantemente nas minhas aulas professores dizem que o padrão-ouro causava grandes déficits no balanço de pagamentos em economias baseada em exportações de produtos agrícolas (por exemplo o brasil na época do café). Dizem constantemente que pelo fato dos países europeus terem "roubado" todo nosso ouro, eles tinham muito mais ouro do que nos e alem disso o preço dos produtos que nos exportávamos eram muito menores do que os produtos que nos importávamos.
    O que há de verdade nisso? Acho bom esclarecer isso pois em diversos cursos sobre formação econômica do brasil este argumento contra o padrão-ouro é amplamente difundido, já que a maioria das faculdades usam para essa matéria autores desenvolvimentistas(Celso Furtado é um por exemplo).
  • Leandro  15/06/2012 11:39
    Este é o argumento mercantilista, e a situação descrita jamais ocorreria caso a economia fosse genuinamente livre e se realmente estivéssemos sob um padrão-ouro genuíno.

    Se houvesse um excesso de importações em relação às exportações, sairia ouro do país. Essa saída de ouro geraria duas consequências: os preços dos produtos nacionais teriam de cair e haveria menos ouro para importações. Consequentemente, por causa da redução dos preços nacionais, as exportações se tornariam atraentes e se dariam em maior volume do que as importações, o que faria com que o ouro voltasse para o país.

    Tal mecanismo foi descrito ainda por David Ricardo e mostra que, com o tempo, a situação se equilibraria e não haveria contínuas fugas ou influxos de ouro no país.

    O Brasil, obviamente, nunca esteve sob um padrão-ouro puro, de modo que tais crises no balanço de pagamento advinham justamente do intervencionismo monetário. A saída de ouro do país era compensada com emissão de papel de moeda, o que obviamente neutralizava por completo o mecanismo acima descrito -- os preços internos não caíam e a população continuava demandando importações. Caso este ciclo se mantivesse, é óbvio que chegaria um momento em que as reservas de ouro se esgotariam

    Abraços!
  • Eduardo  15/06/2012 14:22
    Muito esclarecedor, obrigado. Muitas coisas que sao ditas em aula sao constantemente colocadas em xeque com os artigos daqui. Muito ae fala da grande "agressao" que os paises chamados de "centrais" causaram a "periferia", mas aqui vejo que muitas coisas que sao ditas nao passam se balela. Gostaria de conhecer a histori de nosso pais de um ponto de vista mais liberal, mostrando realmente quem contribuiu positivamente para a formaçao de nosso pais e quem contribuiu negativamente
  • historiador  30/06/2012 16:16
    "O Brasil, obviamente, nunca esteve sob um padrão-ouro puro, de modo que tais crises no balanço de pagamento advinham justamente do intervencionismo monetário. A saída de ouro do país era compensada com emissão de papel de moeda, o que obviamente neutralizava por completo o mecanismo acima descrito -- os preços internos não caíam e a população continuava demandando importações. Caso este ciclo se mantivesse, é óbvio que chegaria um momento em que as reservas de ouro se esgotariam."
    - Mas o Brasil já teve uma política de sound money durante a República Velha, no governo Campos Sales (1898-1902), com o Ministro da Fazenda Joaquim Murtinho. Acho q foi bem sucedida, pois pelo menos serviu para parar a inflação...
  • Marc...  15/06/2012 12:25
    De Peter Schiff's Gold Report, cadastrem-se aqui:
    www.europacmetals.com/newsletter/peter-schiff-gold-report-signup.html
  • Pedro Valadares  15/06/2012 12:32
    Leandro, admiro a EA. Desde que a conheci, estou fascinado. Contudo, esses dias me surgiu uma dúvida. Se os preços dos meus produtos começam a cair, eu tenho o direito de tentar evitar essa queda e manter meus lucros, desde que não incorra em nenhum crime.

    Uma dessas maneiras, legítimas sob regime democrático, é convencer o governo a me apoiar. Contudo, se o governo me apoia, ele piora a situação da concorrência.

    Seria então inviável um livre mercado num regime democrático ou em um regime com a presença de qualquer forma de estado, tendo em vista que os governantes são pessoas e pessoas são influenciáveis?
  • Leandro  15/06/2012 12:50
    Pedro, você pode fazer várias coisas legítimas para tentar evitar esta queda de preços. Você pode, por exemplo, restringir a sua produção. Você pode também combinar com outros produtores esta restrição da produção (algo inviável em um livre mercado, pois preços artificialmente altos atraem concorrência; mas, em teoria, não há nada de errado em fazer isso, e você não está agredindo ninguém).

    Quanto a recorrer ao governo, as medidas que não envolvem agressão a terceiros são: pedir uma redução de seus impostos, pedir desburocratização para o seu setor, pedir a redução de tarifas de importação para seus insumos etc. Em suma, pedir que o governo retire barreiras que ele próprio criou e que nem sequer deveriam existir.

    No entanto, a realidade é essa mesma que você percebeu: havendo um regime democrático, políticos não se refrearão; eles irão sempre agredir terceiros para conseguir os votos dos protegidos. No seu caso, o governo certamente vai lhe conceder subsídios, seja dando-lhe dinheiro diretamente, ou concedendo crédito subsidiado via BNDES, ou impondo programas de preços mínimos, nos quais o governo, utilizando dinheiro de impostos, compra sua oferta excedente de moda a evitar que os preços caiam.

    Governo, na democracia, é pura agressão e privilégios.

    Grande abraço!
  • Pedro Valadares  16/06/2012 08:12
    Obrigado, Leandro. Pelo que você relatou parece que temos um limite bem claro para minarquia, né?
  • Thiago Carvalho  21/06/2012 13:18
    E o governo, fora da democracia, seria como?
  • Fellipe  15/06/2012 12:38
    Poxa, esperava uma história completa da moeda, o texto estava tão bom. Valeu pela tradução!
  • André  15/06/2012 12:44
    Leandro, aqui vai mais uma notícia das novas peripécias de Guido mantega e Dona Dilma.\r
    Acho que merece um texto seu comentando as abobrinhas da dupla.\r
    \r
    \r
    noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=251100854
  • Leonardo  15/06/2012 15:32
    Mas como fazer esta transição para um sistema de sound-money?
  • Leandro  15/06/2012 15:56
    Eu ofereci a minha solução -- bastante moderada, diga-se passagem --, a qual só irá funcionar a contento se, obviamente, eu (ou alguém de minha plena confiança) estiver no comando do processo:

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=168
  • Leonardo  18/06/2012 13:10
    Vc diz no Podcast:

    "...a primeira coisa que eu faria seria abolir as reservas fracionárias"

    - Como vc faria isso se nem o padrão ouro conseguiu? A única maneira seria deixar o mercado se autodeputar, ou seja, aqueles bancos insolventes quebrar, assim eles seriam mais temerosos...
  • Leandro  18/06/2012 18:00
    Nada tenho contra deixar isso ocorrer e os mercados quebrarem. Seria o correto, aliás. Porém, dado que vivemos em uma democracia e dado que, numa democracia, as pessoas não toleram esforços de curto prazo, a transição moderadíssima que apresentei seria a mais efetiva. Mesmo porque, estando eu no controle do Banco Central -- pré-requisito básico para a eficácia do plano, dado que não posso me responsabilizar pelo sucesso do plano caso ele seja implementado por terceiros --, posso estipular os compulsórios que eu quiser.

    Mas o ideal mesmo seria deixar o mercado (isto é, os consumidores) decidirem em que tipo de banco eles querem depositar seu dinheiro.
  • Leonardo  18/06/2012 18:44
    Concordo com o q vc disse.

    Mas como abolir as reservas fracionárias (já q vc disse q seria a sua primeira medida)? Até no padrão ouro clássico havia reservas fracionárias.
  • montana  15/06/2012 16:24
    "O ouro também é raro o suficiente para ser valioso, mas ao mesmo tempo abundante o suficiente para ser de ampla circulação. Sua oferta cresce, mas nunca a taxas altas".

    Desculpe a minha ignorância, mas, alguém, por gentileza, me explica essa passagem do referido artigo?.



  • Leandro  15/06/2012 16:46
    Significa que a quantidade de ouro no mundo não é tão excessiva quanto, por exemplo, a quantidade de bananas -- que por isso são baratas --, e também não é tão escassa quanto a quantidade de diamantes, de modo que a quantidade de ouro no mundo serve perfeitamente para ser utilizada como dinheiro.

    Adicionalmente, a oferta de ouro mundial cresce a taxas históricas de 2% ao ano, e não é fácil elevar esta taxa, de modo que, se o ouro fosse dinheiro, não seria fácil provocar alterações vigorosas no crescimento da oferta monetária, como faz um Banco Central.

    Para entender didaticamente como as alterações na oferta monetária afetam a economia, recomendo este artigo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=552
  • Eduardo  16/06/2012 08:21
    Só para complementar o comentário do Leandro: A quantidade de ouro extraída no mundo é algo entre 150 a 130 mil toneladas. Sendo que existe uma quantidade estimada de algo próximo de 70~90 mil toneladas de baixo da terra no mundo, que dizer que a oferta mundial do ouro só poderá aumentar aproximadamente de 50~60% da existente hoje. Considerando que para extrair tudo isso consome uso tremendo de capital, o Ouro é o melhor candidato à servir de dinheiro hoje no mundo.
  • Fernando  17/06/2012 12:35
    Realmente adotar o padrão ouro seria um passo gigante para qualquer país. Mas vale pensar em quais seriam algumas das concequencias dessa adoção em um país nem perto de ser liberal.

    E se minha compreensão da EA está no caminho certo, acredito que o ideal mesmo não seria a "adoção do padrão ouro" mas sim a liberalização monetária. Qualquer agente é livre para aceitar ou recusar quaquer forma/tipo de dinheiro para realizar as suas trocas voluntárias. Provavelmente o ouro seria o franco preferido, mas não poderia ser o "padrão adotado".
  • Tiago RC  18/06/2012 00:55
    Cuidado com esses números, Eduardo.

    Esse montante que você diz provavelmente é o que se conhece hoje de ouro disponível na crosta terrestre. Veja esse excelente vídeo, que entre outras coisas comenta sobre o petróleo, e você verá que esses números podem mudar:
    https://www.youtube.com/watch?v=AcWkN4ngR2Y

    Além do que, existe grandes quantidades ouro em lugares hoje inacessíveis, como oceanos, o centro da Terra, asteroides etc. E o ouro também pode ser sintetizado: https://en.wikipedia.org/wiki/Synthesis_of_precious_metals#Gold

    Claro que tudo isso demanda muito capital e mesmo tecnologias que sequer existem. Mas há mais potencial de inflação do que 50%-60%.
  • Alexandre Machado da Silva  15/06/2012 18:39
    Fui apresentado ao site do Mises por um amigo e não consigo mais deixar de ler os artigos publicados. Realmente estou aprendendo muitas coisas e desmistificando outras sobre economia. Tenho vontade de fazer um curso superior de Economia, porém entendo pelo que tenho lido que os cursos de graduação não incluem nas suas grades curriculares absolutamente nada sobre a EA. Será que vale a pena investir em um curso que se mantem atrelado a linhas de pensamentos que são ultrapassadas e ineficientes?
  • Camarada Friedman  15/06/2012 21:06
    Amigo, acho que artigo pode te ajudar: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1097
  • Camarada Friedman  15/06/2012 21:16
    Off Topic total

    Entrei no alexa pra ver o rank do Mises Brasil:
    4,902 Rank in BR

    Comparei com outros sites que costumo e visitar e me assustei ao perceber que o MisesBR ganha de todos, haha.

    vejam só: www.alexa.com/siteinfo/mises.org.br

    O Mises ta bem colocado ? Queria ver esse site crescer.

    ------------------
    Sobre o artigo: perfeito... recomendo essa aula do Joseph Salerno pra quem quiser aprofundar(em inglês): "What is Money?" with Joseph T. Salerno -- Ron Paul Money Lecture Series

  • Paulo Sergio  16/06/2012 04:46
    www.alexa.com/siteinfo/mises.org.br

    Agora no compare to, coloque vermelho.org.br ou cartamaior.com.br
    E no tempo, max...
  • Camarada Friedman  17/06/2012 09:16
    caramba cara... falta basante pro Mises BR chegar la, mas chega.
    Acho que só falta colocar mais conteúdo aqui.
  • Miguel  15/06/2012 20:13
    Não, não vale. Estude por conta própria - sim, é mais difícil e exige mais comprometimento - que você aprende mais.
  • LAUDELINO  17/06/2012 06:13
    Deixo para os amigos, as sábias palavras do Francisco D'Anconia sobre o que é o dinheiro em resposta a um triste socialista que afirmava ser ele, o mal do mundo.

    xupacabra.blogspot.com.br/2011/12/voce-acredita-realmente-que-o-dinheiro.html

    Logo abaixo dos vídeos.

  • Eliel  19/06/2012 05:16
    Artigo didatico e esclarecedor. Gostei muito do exemplo do sal. O conhecimento é realmente disperso, o que nos leva a termos uma atitude mais humilde, principalmente se possuimos "alto grau escolar".
    A idéia de que o dinheiro é uma ordem expontanea e não criação de governos fica ressaltada aqui neste artigo de maneira coerente.
    Existe algo mais flexível e permanente do que o ouro?
    Algo que possa substituí-lo num futuro como consequencia de uma ordem expontanea de livre mercado ?
    Impossível prever dada a sequencia ação humana, tempo e incerteza.
    Mas há algo no universo, pelo menos em teoria bem fundamentada em observações, que nem os poderosos buracos negros destroem: a informação.
    Será que já temos informações necessárias e suficientes proporcionadas pela EA para vencermos o "estado buraco negro"?
  • Tiago RC  19/06/2012 06:33
    Eliel, caso ainda não conheça: www.dailypaul.com/226936/if-the-government-hates-it-dont-you-think-you-should-at-least-consider-learning-about-it (recomendo fortemente esse artigo do "Free Stater" Erik Voorhees a qualquer libertário que ainda esteja cético quanto ao conceito)
  • Igor  26/06/2012 13:27
    Prezado Leandro,

    Tenho uma dúvida, se puder me ajudar...

    Alguns economistas afirmam que quando as despesas do governo aumentam isso cria uma pressão inflacionária sobre os preços. Se isso é verdade, qual a explicação, já que o dinheiro gasto nessas despesas é proveniente da emissão de títulos no open Market? Ora, se títulos são comprados, a única coisa que aconteceu foi uma transferência de recursos do setor privado para o setor público, onde serão gastos em obras públicas, por exemplo, e nenhuma alteração na base monetária aconteceu.
  • Leandro  26/06/2012 14:28
    Prezado Igor, sim, em tese não haverá aumento da oferta monetária caso o governo financie seus gastos mediante exclusivamente impostos ou emissão de títulos.

    Porém, há dois fenômenos que não podem ser negligenciados:

    1) Quando o governo gasta, ele consome bens que, caso contrário, estariam disponíveis tanto para o público quanto para investidores. O governo, ao gastar, está consumindo bens que, de outra forma, seriam utilizados pela população ou mesmo por empreendedores para fins mais úteis e mais produtivos. Por isso, todo o gasto do governo gera um exaurimento de recursos. Bens que foram poupados para serem consumidos no futuro acabam sendo apropriados pelo governo, que os utilizará sempre de forma mais irracional que o mercado, que sempre se preocupa com o sistema de lucros e prejuízos

    E isso, por definição, gera uma pressão nos preços dos bens remanescentes. O governo, ao gastar, diminui a oferta de bens na economia. Sugiro este artigo para complementar esta ideia.

    2) Quando o governo emite títulos e os bancos compram esses títulos, há uma diminuição das reservas bancárias. Consequentemente, há uma diminuição da quantidade de dinheiro disponível para os bancos emprestarem. Caso o Banco Central nada faça, isso gerará um aumento dos juros (a Selic, que é justamente a taxa de juros deste mercado interbancário). Sendo assim, para evitar esta elevação da Selic, o Banco Central imprime dinheiro e compra títulos dos bancos, aumentando as reservas dos bancos. Logo, neste processo, que é exatamente o que ocorre na economia, há aumento da oferta monetária. Sugiro este artigo, que explica este processo em detalhes.

    Grande abraço!
  • Arion Dias  29/06/2012 06:37
    Algum comentário do IMB sobre a decisão da suprema corte dos EUA?
  • Leandro  29/06/2012 06:43
    Na área de comentários deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1344
  • João  10/07/2012 02:29
    Olá alguém poderia me informar se o pessoal do site ( www.ouroedinheiro.com ) continuam atualizando o site? Ou ele se encontra morto?

    Outra pergunta andei fazendo uma pesquisa a respeito de fundos de investimento nacionais atrelados ao valor do ouro, só encontrei um criado no final do ano passado pelo Itau e um do banco HSBC fechado a novos cotistas. Vocês sabem se há previsão de novos fundos serem criados no estilo fornecido pelo Itau?

    Grato desde já!
    Ótimo artigo!!!
  • Catarinense  10/07/2012 12:40
    Alguém conhece algum site que disponibilize gráficos do histórico do preço dos contratos de ouro negociados na BM&F?
  • Neto  03/09/2012 14:37
    Eu tenho uma dúvida, se um governo sabe que dinheiro de papel é só isso: papel, então pra que um governo quer o papel que outro governo imprimiu?
  • Leandro  03/09/2012 15:19
    Em primeiro lugar, não é verdade que todos os governos querem o dinheiro dos outros governos. O que eles querem é dólar para comprar títulos do governo americano, os quais rendem juros. Nenhum governo quer o dinheiro de outro governo por si só. Eles querem dinheiro para trocar por títulos que rendem juros.

    Ademais, exatamente este mesmo raciocínio se aplica à relação entre pessoas: você aceita pedaços de papel porque sabe que poderá trocar estes pedaços de papel por uma boa comida em um restaurante. Você sabe que o dono do restaurante será bobo o suficiente para aceitar seus pedaços de papel em troca de comida para você. Sendo assim, enquanto houver bobos no mundo dispostos a trocar bens e serviços por meros pedaços de papel, haverá gente querendo adquirir pedaços de papel.

    Antigamente, as pessoas trocavam ouro. Hoje, elas trocam pedaços de papel. E ainda dizem que avançamos.
  • Neto  07/09/2012 02:46
    Lenadro, obrigado pelas respostas
    Não consigo mais imaginar minha vida sem o conhecimento que eu aprendo por aqui
  • davi  13/01/2014 05:54
    ta, sobre a criação de dinheiro eu já entendi, mas como se faz para, depois de produzir o dinheiro, inseri-lo no mercado (ou seja, fazer o dinheiro ter um valor real)???
  • Pedro  08/12/2015 23:09
    pedroboeno@gmail.com
  • Ailton  09/12/2015 17:13
    naoresponda@yahoo.com.br
  • Valdir Nascimento   24/10/2017 23:38
    Olá boa noite adorei o instituto.sou da cidade de embu das artes sou do concelho comunitário já tenho visitado várias ONG para trocas de experiências.adoraria conhecer esse instituto que achei de grande valia Assim. Valdir Nascimento obrigado
  • Eduardo R., Rio  08/02/2018 01:52
    O que é moeda?, por Monica de Bolle.
  • Daniel  21/08/2018 23:31
    Boa noite companheiros.

    Sou um leigo, um ignorante econômico e estou começando a buscar entender a economia agora. Li o artigo e na minha compreensão o que consegui aprender no momento (no texto), formulei a seguinte conclusão.

    "o dinheiro (moeda) e uma convenção social" pois ele e o acordo entre varios individuos que escolheram "algo comum" e aceito entre todos para ser um meio de troca para se chegar a um fim (objetivo)."

    Procurando na wikipedia e no dicionario encontrei a seguinte deficiência =
    Uma convenção (do latim conventione) é um conjunto de acordos, padrões estipulados ou geralmente aceitos, normas, ou critérios, que nos países anglo-americanos freqüentemente assume a forma de um costume.

    Troca direta = Escambo
    Troca indireta = meio de troca

    Alguma falha, ou algo mais a acrescentar pessoal?

    Obrigado!
  • Daniel  21/08/2018 23:47
    dinheiro-commodity seria a mesma coisa que moeda mercadoria?


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.