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Como espoliar os ricos

É cada vez maior o número pessoas que diz que a solução para o fim definitivo da pobreza está na tributação pesada dos mais ricos.  O fato de haver vários indivíduos com milhões, algumas vezes bilhões, em suas contas bancárias é algo que enlouquece muita gente, especialmente políticos.  Populistas imaginam que estes ricos não fazem absolutamente nada na vida a não ser amontoar dinheiro, contá-lo gostosamente e gargalhar sadicamente ao pensarem nas vantagens que possuem sobre o resto da humanidade.

Sendo assim, munidos de tais imagens mentais, os ativistas da redistribuição de renda propõem vários esquemas para separar, à força, os ricos de seu dinheiro, sempre utilizando o poder da violência governamental.  Trata-se de uma abordagem brutal que envolve um pesado uso da coerção estatal contra pessoas.  Se você acredita na paz, como vários ativistas de esquerda alegam, então tal postura não pode ser defendida.  Violência produz apenas mais violência, e nunca é uma solução.

O outro problema com a tributação — e este, por si só, deveria bastar para fazer com que a esquerda abandonasse em definitivo a defesa deste método — é que o dinheiro confiscado é transferido para o próprio estado — a mesma instituição que suprime a liberdade de expressão, joga as pessoas na cadeia pelo uso de drogas e intimida vários tipos de associação voluntária e consensual entre dois indivíduos.  Não é algo muito esperto tomar dinheiro daqueles que usam sapatos lustrados e transferir para aqueles que usam botas militares.

Certamente tem de haver uma maneira melhor, mais inteligente e mais pacífica de se retirar dinheiro das mãos dos ricos e transferi-lo para as mãos da classe média e dos pobres.  E eu tenho a solução perfeita.

Ela me veio recentemente, quando eu estava caminhando por uma rua da cidade e vi um Rolls-Royce Phantom, estacionado onde qualquer carro normal estacionaria.  Carros absurdamente ostentosos e pomposos podem ser incríveis em termos de luxo e desempenho, mas custam mais de US$320.000.

Inacreditável!  Por que alguém iria querer comprar isso?  O proprietário deste carro poderia ter gasto uma minúscula fração deste valor em um carro bem mais simples (como o meu), suficiente para levá-lo do ponto A ao ponto B; mas, em vez disso, e por razões que ninguém pode realmente explicar, esta pessoa decidiu se desfazer de uma quantia equivalente a vários anos da renda de um trabalhador médio — tudo por um carro.

O ponto a ser enfatizado aqui é que esta pessoa abriu mão de seu dinheiro.  E onde este dinheiro foi parar?  Ele foi para as pessoas que venderam o carro, para as pessoas que construíram o carro, para as que transportaram o carro e para as que forneceram equipamentos para o carro.  Mas não pára por aí.  O dinheiro foi também para os trabalhadores da indústria de borracha que fizeram os pneus e para os trabalhadores nas siderúrgicas que fizeram o material da luxuosa carroceria.

Ou seja, o dinheiro foi do rico para todo o resto, e ninguém teve de ameaçá-lo de morte, de cadeia ou de espancamento para que isso acontecesse.  Aqueles que receberam o dinheiro não tiveram de fazer lobby por ele, não tiveram de tributar e nem coagir ninguém.  O cara rico abriu mão do dinheiro voluntariamente!  Logo, parece que estamos chegando a alguma conclusão aqui.

Os ricos são um grupo interessante.  Eles gostam de se destacar por meio de atos e posses que o resto de nós considera como apenas absurdas ostentações.  Se não houver coisas com as quais os ricos possam gastar seu dinheiro esbanjadoramente, eles irão apenas entesourar este dinheiro, enviá-lo a um paraíso fiscal ou depositá-lo em obscuros fundos mútuos de outros países.

Thorstein Veblen entendeu tudo às avessas.  As pessoas que se ressentem da riqueza das elites não deveriam de modo algum condenar seu consumo excessivo.  Elas deveriam, ao contrário, encorajar cada vez mais seu consumismo.  A solução é ter uma sociedade que apresente uma vasta proliferação de luxos excepcionalmente caros nos quais os ricos possam gastar seu dinheiro.  Este é o caminho para a expropriação voluntária e para uma eficaz redistribuição de renda — deles para o resto de nós, do 1% para os 99%.

Considere, por exemplo, uma passagem de primeira classe de um avião.  Para alguns vôos, o preço desta passagem é de quebrar a banca.  Para compras de última hora em alguns vôos internacionais, uma passagem desta pode custar até US$15.000.  E o que este passageiro ganha em troca?  Ele será servido por uma comissária de bordo que acha que ele é o máximo, terá vários drinques à sua disposição e um espaço extra para as pernas.  Mas chegará ao mesmo destino dos passageiros que estão na classe econômica.  Em troca desse pouco, este passageiro rico transferiu milhares de dólares de sua conta bancária para as contas bancárias dos pilotos, dos comissários de bordo, dos operadores de bagagens, dos funcionários que comandam a burocracia da empresa aérea, dos mecânicos da empresa aérea, dos responsáveis pelo abastecimento nos aeroportos, e de todos os demais envolvidos na operação do voo.  Outro detalhe adicional, do qual poucos parecem se dar conta, é que são justamente os altos valores pagos pelos passageiros da primeira classe e da classe executiva que permitem preços mais baratos para a passagem da classe econômica.

O mesmo raciocínio se aplica a hotéis de luxo.  Para mim, um hotel é apenas um local para se dormir quando se está em outra cidade.  Porém, há toda uma classe de hotéis de luxo voltados para fornecer a seus hóspedes momentos inesquecíveis pelo período de tempo em que ficarem ali.  Há hotéis com spas, saunas, piscinas, salas de ginástica, vários tipos de restaurante, bares em todos os cantos, bibliotecas, campos de golfe, espaços para caminhadas, salões de dança e mais luxos do que você seria capaz de usar durante todo o ano.  Estes hotéis chegam a cobrar milhares de dólares por apenas uma noite.

Eu não entendo muito bem a lógica de se fornecer tudo isso, mas vários indivíduos pertencentes ao 1% dos mais ricos mantêm estes lugares sempre cheios.  E isso é ótimo!  O dinheiro deles sai de seus bolsos diretamente para as mãos de recepcionistas, garçons, limpadores de piscina, porteiros, arrumadeiras, cozinheiros, limpadores de chão, pedreiros, operários que fazem reparos em instalações, e todos os outros tipos de profissões puramente manuais que você for capaz de imaginar.

Precisamos de muito mais de tudo isso.  Veja o campeonato mundial de iatismo.  Trata-se de algo absurdamente caro apenas para participar.  Os iates podem custar mais de US$5 milhões.  Apenas a manutenção eleva este valor alguns milhões a mais.  Tal coisa seria absolutamente impensável para a esmagadora maioria dos mortais.  No entanto, os ricos fazem tudo isso, e voluntariamente transferem sua riqueza diretamente para os menos abonados de todas as posições sociais e profissionais.  Principalmente se você considerar toda a atenção dada pela mídia e toda a badalação que ocorre nas redondezas, há centenas de milhares de pessoas que se beneficiam desta extravagância dos ricos.

O que é especialmente louvável neste comportamento dos ricos é que, todos os produtos que eles inicialmente adquirem antes do resto da humanidade, um dia se tornam amplamente disponíveis para todo o mundo, desde que, é claro, a economia de mercado esteja funcionando livremente.  Na década de 1980, um celular era o supra-sumo do luxo.  Hoje, celulares estão disponíveis para todos os pobres do mundo.  O mesmo é válido para computadores.  Eu carrego em meu bolso mais memória RAM e HD do que havia disponível, em conjunto, para os mais ricos e poderosos do mundo duas décadas atrás.

Os ricos são aquilo que chamamos de 'adotantes primários'.  Eles são os primeiros a adotar toda e qualquer tecnologia que surge.  Com o tempo, aquilo que era luxo se torna algo corriqueiro para o resto de nós.  Produtos que antes estavam disponíveis apenas em lojas exclusivas e chiques, daquelas que você tem de marcar hora para poder entrar, acabam nas prateleiras de shoppings populares alguns anos depois.  Os ricos desbravam as novidades, fazendo todo o serviço antes de nós.  Desta forma, eles são os benfeitores da sociedade.

Se quisermos espoliar os ricos de seu dinheiro, temos apenas de criar cada vez mais oportunidades para que eles possam esbanjar milhões, até bilhões, em objetos e serviços que você e eu jamais sonharíamos adquirir.  Precisamos de mais luxo, de mais fausto, de mais magnificência, de mais consumo conspícuo dos ricos, de mais bens e serviços tentadores, exagerados e exorbitantes que incitem os ricos a abrir mão do seu dinheiro.

Porém, é claro que, se quisermos tudo isso, teremos também de ter produtores capazes de fabricar estas coisas e vendê-las para os ricos.  Isto significa uma sociedade trabalhadora, poupadora, acumuladora de capital e investidora.  E isto, por sua vez, significa que não se deve punir o investimento e a acumulação de capital, nem tampouco criar impostos punitivos sobre as receitas geradas por aqueles investimentos voltados para os ricos.  Impostos sobre a renda têm de ser zerados, assim como sobre bens de luxo.  Quaisquer medidas que desestimulem a produção e a venda de bens de luxo têm de ser repelidas caso realmente se queira esvaziar os bolsos dos milionários.

Igualmente, é também preciso acabar com esta crescente ideia de que os ricos devem dar todo o seu dinheiro para amplas e dispersas instituições de caridade.  A quem isto realmente beneficia?  É difícil saber, mas certamente há organizações sem fins lucrativos que não fazem aquilo que alegam estar fazendo.  Um caminho muito melhor seria estimular os ricos a enriquecerem o máximo possível e, depois, saírem gastando desmesuradamente por coisas que, no final, irão beneficiar a todos nós.

Os ricos não levarão seu dinheiro para a cova.  O mercado é a melhor, mais eficiente e mais pacífica maneira de fazer com que toda a riqueza seja distribuída para o resto do mundo.

 


autor

Jeffrey Tucker
é Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Ele também gerencia a Vellum Capital, é Pesquisador Sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria.  Associado benemérito do Instituto Mises Brasil, fundador e Diretor de Liberdade do Liberty.me, consultor de companhias blockchain, ex-editor editorial da Foundation for Economic Education e Laissez Faire books, fundador do CryptoCurrency Conference e autor de diversos artigos e oito livros, publicados em 5 idiomas. Palestrante renomado sobre economia, tecnologia, filosofia social e cultura.  

  • Alfeu Rabelo Neto  30/05/2012 08:05
    Consumir é importante, mas depositar esse dinheiro na poupança pra virar crédito genuíno ou investi-lo em outra coisa produtiva também é parte essencial.
  • Julio dos Santos  30/05/2012 08:27
    Ok Alfeu, mas desde que seja feito de forma voluntária. Já que existem ricos com muito dinheiro nesse mundo e tem gente que acha isso um disparate, então a melhor forma de espolia-los é fazendo-os consumir. Num contexto geral seria interessante eles pouparem essa fortuna, mas essa é uma decisão somente deles, que são os proprietários.\r
    Tucker é sensacional, mas um ótimo argumento para debates com keyninhos. Obrigado Equipe Mises.
  • Alfeu Rabelo Neto  30/05/2012 10:05
    Sim sim, eu só tava achando estranho defenderem consumismo. Depois percebi que ele tava só mostrando uma forma menos nociva de espoliar os ricos pras pessoas que acham que isso é algo bom.
  • anônimo  30/05/2012 09:26
    O raciocínio do Tucker é que se os ricos poupassem todo seu dinheiro, e o resto da população não o fizessem, o nível de poupança não seria o suficiente e todos perderíamos com a não-distribuição da grana dos mais ricos. Ou seja, a poupança da maior parte da população é mais importante que a dos mais ricos, que devem se preocupar com gastar suas fortunas e, assim, redistribuir a riqueza.

  • Leandro  30/05/2012 10:16
    Peraí, não é bem assim. Este plano do Tucker é apenas para a maneira de redistribuir renda. Se quiserem redistribuir renda, que seja desta forma.

    Porém, isso de maneira alguma significa dizer que a poupança dos ricos seja menos importante. Ela é tão ou mais importante que a do resto da sociedade. Por isso é essencial que os ricos não sejam tributados. É o capital deles que permite investimentos.

    Recomendo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=208
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1139
  • Renato Prado  17/08/2017 17:42
    Muito interessante este ponto de vista, a única coisa que acrescento são mais participações nos resultados das empresas em favor de seus colaboradores, pois principalmente no Brasil em muitas áreas de atuação o resultado gerado pelos colaboradores não condizem com sua remuneração ao final de cada exercício, gerando muito valor para os controladores destas empresas e pouca perspectiva de crescimento para os demais.
    A participação na distribuição de lucros e resultados gera além de motivação, fidelidade por parte dos colaboradores, consequentemente maior qualidade e maiores resultados para todos envolvidos.
  • Yuri  17/08/2017 17:57
    Sem problemas quanto à sua sugestão, desde que ela seja apenas isso: uma sugestão, e não um clamor por uma regulação estatal impondo isso.
  • Bruno  30/05/2012 08:21
    À exceção do penúlimo parágrafo -- já que a caridade também é uma forma distribuir riqueza, desde que seja para entidades sérias --, o texto está impecável!
  • Tory  31/05/2012 11:54
    Só para complementar, a caridade serve também para auxiliar pessoas, não apenas instituições. É uma espécie de redistribuição de renda na "cauda longa". 8)
  • Nairon Taquita  30/05/2012 08:23
    Gerar capital é importante, ter dinheiro na poupança também é de suma importância e no final sempre haverá uma porcentagem disso sendo gasta com produtos, serviços, bens, etc. Então esse capital irá beneficiar muitos indivíduos numa estrutura complexa de produção.
  • Stefan Bernard  30/05/2012 08:39
    Normalmente este ativistas de esquerda que lutam pela redistribuição de renda por meio da coerção estatal são pessoas que se passam por intelectuais apenas em centros acadêmicos e são financiados por alguém, seja esta uma pessoa, instituição privada ou estatal.

    Aqui no Brasil, a maioria destes ativistas de esquerda são financiados pelo próprio governo através de centros acadêmicos. E acabam entrando, em muitas vezes, em contradições com suas teorias, onde é extremamente correto o estado realizar coerção tributária e em algumas vezes militar contra os maiores detentores de capital financeiro com a justificativa de redistribuição de renda. Mas por outro lado, quando o governo realiza algum tipo de intervenção, bloqueando e anulando os interesses destes ativistas de esquerda, ai o estado é Fascista.

    Se estes "intelectuais acadêmicos" fossem a mercado e começassem a contribuir com a economia local e consequentemente nacional e parassem de criar teorias infundadas no âmbito de seu interesse próprio, talvez estas iriam parar de cuspir cretinices e ignorâncias.

    "A ideia é como um vírus. Resistente. Altamente contagiosa. E a menor semente de uma ideia pode crescer. Pode crescer para definir sua vida ou destruir você. Portanto, seja cuidadoso em filtrar o que os outros dizem a você."

    Obs.: Gostei muito deste artigo. E apoio totalmente a real essência do livre mercado.
  • Eduardo W  30/05/2012 13:40
    Jeffrey Tucker com mais um excelente texto, como sempre!

    Vou divulgar por aí pra esclarecer aquele pessoal que quer tirar dinheiro dos ricos da pior forma.
    Só receio que ainda não será o suficiente pra convencer aqueles marxistas que acreditam na exploração da mais-valia, que vão continuar dizendo que o os luxos que os ricos compra vão pro bolso dos ricos patrões dos hotéis e montadoras de carro, e não para seus funcionários "explorados". Ai, ai...
  • Thiago Guterres  30/05/2012 15:38
    Mais um sensacional artigo do Tucker. Excelente abordagem!
  • Mickey Knox  30/05/2012 15:51
    Sua lógica têm um erro: No atual rumo da economia, esse dinheiro irá principalmente para o DONO da fábrica de carros, para o DONO da fábrica de pneus, enfim, para outras pessoas tão ou mais ricas quanto o cliente do hipotético phantom. Eles podem até contratar mais mão de obra, mas no atual rumo das coisas, esses funcionários serão cada vez mais mal pagos, cada vez mais mal assistidos pelo estado e terão cada vez menos direitos, em troca de um salário cada vez menor.
  • Leandro  30/05/2012 16:11
    "mas no atual rumo das coisas, esses funcionários serão cada vez mais mal pagos",

    Graças aos encargos sociais e trabalhistas que incidem sobre a folha de pagamento, bem como à carga tributária que incide sobre a receita e sobre o lucro.

    Encargos sociais: INSS, FGTS normal, FGTS/Rescisão, PIS/PASEP, salário-educação, Sistema S

    Encargos trabalhistas: 13º salário, adicional de remuneração, adicional de férias, ausência remunerada, férias, licenças, repouso remunerado e feriado, rescisão contratual, vale transporte, indenização por tempo de serviço e outros benefícios.

    Carga tributária: IRPJ de 15%, mais uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa um determinado valor, mais CSLL de 9%, mais PIS de 1,65%, e mais COFINS de 7,6%. Além disso, ICMS (que varia de estado para estado, mas cuja média é de 20%) e ISS.

    Desse jeito, realmente, não há como trabalhadores serem beneficiados.


    "cada vez mais mal assistidos pelo estado"

    Exato. O estado existe apenas para espoliar a riqueza alheia, como comprovado acima.


    "e terão cada vez menos direitos, em troca de um salário cada vez menor."

    Direitos, como mostrei acima (encargos sociais e trabalhistas pagos pelos patrões), eles têm inúmeros. Só que, para terem esses direitos, seus salários ficam cada vez mais achatados. Não há, afinal, almoço grátis.

    Querer que haja aumento salarial no Brasil com todo este peso do estado é querer milagres dignos de canonização.


    Obrigado por sua participação e grande abraço!
  • Thiago  01/06/2012 12:12
    Leandro, se me permite, tenho algumas dúvidas com relação ao que escreve o autor e à resposta que você deu ao Mickey:

    1)Recentemente vi dados sobre a evolução do desemprego versus a taxa paga por milionários nos EUA nos últimos tempos. De 95 para 2009, a taxa média de impostos caiu de 30.4% para 22.4%. Já o desemprego no país subiu de 5.6 para 9.3%. Isso vai contra o que diz o texto. Ou há algum outro fator na conjuntura economica americana que justifique isso?

    2) O dinheiro da compra dos carros de luxo não vai diretamente para as pessoas que os produzem e distribuem. Vai para os donos das empresas que fazem isso. Concordo plenamente que essas empresas são ultra-taxadas por um governo corrupto e ineficiente que não repassa isso de forma adequada ao trabalhador. Mas, supondo que esta carga fosse aliviada, esperar que os grandes empresários distribuam esse "alívio" de forma justa aos seus trabalhadores me parece um pouco utópico. O comunismo não funciona porque é inerente ao ser humano não aceitar que sejamos todos iguais. Será então que os donos de empresa aceitariam dividir mais lucros de forma justa com quem trabalha para eles? Ou eles comprariam mais carros de luxo para eles mesmos? Não seria trocar um mal pelo outro?

    3) Terceira e última para não te encher mais o saco :)
    Será que o aumento de uma fatia tão pequena da população comprando mais e mais seria suficiente pra compensar uma fatia enorme que não pode, na verdade comprar? Porque eu não sei até que ponto o brasileiro está mesmo com mais poder de compra ou se este aumento no consumo se deve ao crédito fácil que vem sendo oferecido cada vez mais ao brasileiro. E que, mais cedo ou mais tarde, vai acabar dando m...

    Obrigado pela atenção e um abraço.


  • Leandro  01/06/2012 13:02
    1) Que estatística é essa? Arrecadação sobre PIB? Arrecadação sobre a renda dos milionários? Alíquota média cobrada sobre a renda? O que é "taxa de impostos"? Não posso comentar algo sobre o qual não sei do que se trata.

    Ademais, não conheço ninguém sério que diga que -- e certamente isso nunca foi dito neste site -- basta reduzir alguns impostos e boom!, a economia fica uma maravilha. Impostos não funcionam isoladamente. Além de todas as regulamentações, há também a crucial questão dos gastos do governo. Se o governo corta impostos mas aumenta seus gastos -- exatamente o que fez o governo americano -- o déficit explode. Déficit significa que o governo está retirando dinheiro do setor privado (dinheiro este que poderia ir para investimentos) para cobrir suas despesas. Óbvio que isto traz um impacto negativo sobre a economia.

    E, além de tomar o emprestado, o governo também recorre à simples inflação monetária para cobrir seus déficits, o que gera todos os efeitos nocivos que este site já cansou de explicar.

    Portanto, de nada adianta reduzir impostos, mas aumentar os gastos. Foi exatamente isso o que fez o governo americano, e a população está pagando por isso. Taí a explicação.

    Por último, jamais, em hipótese alguma, utilize apenas uma estatística (como você acabou de fazer) e queira que ela explique tudo. Por exemplo, fosse eu desonesto, eu poderia dizer que o desemprego no Brasil ainda é baixo comparado a alguns países europeus simplesmente porque temos menos imposto sobre a renda e mais imposto sobre o consumo. Ato contínuo, eu poderia dizer que o "ideal" seria colocar 100% de imposto sobre o consumo, pois isso faria o desemprego chegar a 0%.

    Faz algum sentido? Bom, pela "lógica estatística" -- essa coisa tão amada por vários economistas -- parece que sim.

    2) A lógica aqui não faz o mínimo sentido. Para onde afinal vai o dinheiro da compra dos carros? Você acha que os patrões embolsam tudo? Logo, sendo assim, não faria nenhuma diferença a quantidade de vendas e nem a arrecadação total, certo? Dado que vai tudo para os patrões -- o que significa que os empregados trabalham de graça --, pouco importa a quantidade arrecadada. No final, tudo se traduz na velocidade com que suas contas bancárias variam. Lucros e prejuízos são coisas inexistentes nesse modo de pensar.

    O que você parece não entender é que menos impostos se traduzem em mais dinheiro retido pelas empresas. E o que as empresas fazem com esse dinheiro extra? Acendem charutos? Não, reinvestem. Se não fizerem isso, a concorrência os comerá vivos. Logo, mais dinheiro no bolso de ricos significa mais investimentos -- desde que a economia seja livre, é claro --, mais empregos, mais desenvolvimento.

    O que você na verdade quis dizer é que não faz a mínima diferença qual foi o lucro -- afinal, todo o dinheiro vai exclusivamente para a conta dos patrões. Isso é um raciocínio típico de quem nunca empreendeu nada, e acha que ganhar dinheiro é fácil. Consequentemente, você afirma que, dado que o lucro não vale nada, o ideal é ter o governo tributando ao máximo, pois o governo é a entidade que consegue o milagre de tomar dinheiro de uns, dar para outros e, com isso, fazer com que haja mais bens disponíveis na economia. É como se você retirasse, com um balde, água do lado fundo da piscina, jogasse no lado raso e, com isso, fizesse com que o nível total da água da piscina subisse. Ou seja, por essa lógica, o governo faz mais milagres que Jesus.

    3) Aqui você dá a entender que defendemos o consumismo como método de fazer a economia crescer -- justamente o oposto do que este site defende. Consumismo é ruim e serve apenas para privar a economia recursos escasso que poderiam ser utilizados para investimentos. Uma teoria econômica sólida defende a poupança, a acumulação de capital e a divisão do trabalho como motores do crescimento econômico. Quem defende consumismo como motor do crescimento é gente ignara, como Guido Mantega e Obama.

    Grande abraço!
  • Absolut  30/05/2012 18:31
    Mickey, é impressão minha ou você é mais um paraquedista ecomarxista? Pelo que vejo do seu sitezinho...
  • Eliel  30/05/2012 16:16
    Pra mim não existe rico e/ou pobre. Existe mais rico e menos rico. A demarcação é difícil. O rico é um fiel depositário dos recursos naturais a seu alcance. Tambem promove o progresso social empreendendo novas divisões do trabalho em seus relacionamentos com os demais seres humanos menos ricos mas nem por isso menos ativos.
    Desde que a riqueza seja obtida por mérito próprio como legítima propriedade, e não pelo roubo ou velhacaria, deve ser usufruida plenamente com liberdade e responsabilidade.

    A gastança do mais rico frente ao menos rico é necessária ou supérflua? Ás vezes, movidos pela inveja, julgamos subjetivamente supérflua enquanto o mais rico julga-a necessária. Se a civilização cria novas necessidades, estas parecem ser usufruidas primeiramente pelos mais ricos."Os ricos são aquilo que chamamos de 'adotantes primários".

    Quanto ao que Tucker diz em: "Ou seja, o dinheiro foi do rico para todo o resto,..." .
    Isso me lembra o efeito multiplicador keynesiano. Mas não importa. O importante é entender austriacamente que riqueza, o contrário de privação, o mínimo relativo de bem estar, não pode ser espoliada pois isso é um atentado à propriedade privada.
    Abraços.
  • Lucas  30/05/2012 18:40
    Este raciocínio vem de longe. Sem o desejo de ostentação das classes abastadas, teríamos um mundo sem Dante, Michelangelo, Mozart, Da Vinci, Shakespeare, Bach, Goethe etc... Em suma, um mundo em que eu não gostaria de viver! Mesmo que alguns destes citados tenham sido sustentados por grupos estatais dominantes, suas subsistências individuais fizeram maior bem para a humanidade do que as "benesses coletivas" que o estado geralmente nos fornece: guerra, regulações e atualmente os ditos serviços sociais.
  • Deilton  30/05/2012 19:03
    Essa semana tava conversando com uns colegas de trabalho, um deles é economista. Eu tentei explicar pq era contra o bolsa família, que além de não resolver o problema da pobreza, somos nós que pagamos de forma coercitiva. Justamente esse colega economista disse que não. "O Bolsa família é destacado do orçamento do governo, não é cobrado nenhum imposto a mais, o governo retira de outras áreas para financiar o bolsa família". rs E esses recursos vieram de onde?
    Pior que isso só o argumento dele defendendo a política do governo para proteger as montadoras nacionais, segundo ele "são 100 mil empregos, nenhum país pode se dar ao luxo de perder tanto emprego".
    E eu pensando que como economista ele saberia que no longo prazo esse tipo de política não gera desenvolvimento.
  • Josuel  31/05/2012 06:06
    Deilton, é por argumentos como este (do economista) que precisamos lançar urgente a campanha: "Encontre um esquerdista com cérebro".
  • Gabriel Miranda  31/05/2012 07:14
    Pessoal,
    .
    A matéria que segue no link abaixo não é uma boa para ilustrar a tese defendida no artigo e suscitar, quem sabe, um novo?
    .
    ela.oglobo.globo.com/blogs/urbanidades/posts/2012/05/30/a-mansao-de-nita-ambani-448082.asp
    .
    Abraços!
  • Vagner  31/05/2012 07:31
    Vi uma reportagem na TV outro dia, sobre Dubai. O luxo é simbolo da cidade. Shakes gastam milhões com coisas banais. Porém, uma taxista, que só leva passageiros do sexo feminino retira em média de US$5.000.
  • Xavier  31/05/2012 08:20
    O autor se esquece que o salário do trabalhador é de subsistência. Todo o excedente desses altos preços vai para as mãos de outros capitalistas, também ricos.
  • Luis Almeida  31/05/2012 08:42
    Prezado Xavier, artigos para você se curar desta metástase cerebral que é a crença na mais-valia:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=714
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=979
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=909
  • Julio dos Santos  31/05/2012 08:58
    Concordo contigo Xavier! Num ambiente onde exista 100% de tributação sobre a remuneração do trabalhador, onde o trabalhador possui total segurança do governo de que se ele fizer ou não poupança terá auxílio do governo quando for pra rua, onde o trabalhador não possui nenhum incentivo pra pedir demissão e criar uma empresa melhor que a de seu patrão, em suma, onde o trabalhador não possui nenhum incentivo para tratar esse cliente de forma diferenciada de um cliente classe C. Concordo contigo, nesse ambiente todo o excedente desse alto preço ficará com o patrão. Um abraço e vamos pras ruas companheiro!!
  • Xavier  31/05/2012 09:24
    Não disse que concordo com a alta tributação que todos sofremos. Tenho muita simpatia pelo liberalismo. O que disse é que a solução apresentada pelo texto é uma falácia.
  • Celi  01/06/2012 08:03
    Se fosse assim, hoje em dia nenhum trabalhador teria celular, TV LCD ou de plasma ou de LED, TV a cabo em casa, máquina de lavar, carro, casa, viajaria de avião, etc. \r
    A renda ia ser só pra comprar comida e pagar com sofrimento um aluguel de um mísero casebre, mas olhe ao seu redor e veja que não é isso o q acontece!! \r
    Quando será q essa cegueira coletiva vai acabar??!!\r
    Outro dia, uma colega minha contou espantada q a diarista que trabalha na casa dela disse q não poderia mais fazer faxina num certo dia da semana, pois vai praticar natação. Vai dizer q diarista agora é proprietária de bens de capital e faz faxina por excentricidade?? \r
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  • Xavier  04/06/2012 09:30
    Então você acredita seriamente que os gastos dos ricos com luxo vão parar nas mãos dos trabalhadores? Se esse fosse um mercado em concorrência perfeita aí sim teríamos apenas a taxa natural de lucros indo para as mãos do capitalista e não poderíamos falar em excedente. O mercado de luxo, entretanto, é oligopolizado e no oligopólio o lucro é maior que a taxa natural. É o capitalista quem fica com esse excedente.
  • Hay  04/06/2012 10:09
    Se esse fosse um mercado em concorrência perfeita aí sim teríamos apenas a taxa natural de lucros indo para as mãos do capitalista e não poderíamos falar em excedente.

    Sinceramente, esse papo de concorrência perfeita é ridículo. Em um mundo mágico onde unicórnios vomitam arcos-íris e corre leite e mel silvestre em campos verdes eternos, tudo é lindo, todos têm as mesmas informações o tempo todo, uma entidade mágica guiada por uma entidade suprema garante que o lucro tenha um ótimo social. O que é ótimo social? Ah, é uma parada aí que a gente inventa para fazer de conta que nossa teoria faz algum sentido e não é só um delírio igualitário. Se o ótimo social não for atingido, os outros membros dessa sociedade onde todas as mentes são interligadas e não há indivíduos saberão exatamente o que fazer, como fazer, onde fazer e por quanto tempo fazer. Ao invés do empreendorismo, temos uma ilha da fantasia. Isso tudo vai acontecer, é claro, quando "elegermos as pessoas certas".
  • Xavier  05/06/2012 19:22
    Que bom que você concorda que não há concorrência perfeita.
  • Leandro  05/06/2012 19:30
    A teoria da concorrência perfeita está à esquerda do marxismo. Marx criticava o capitalismo apenas por causa da existência dos lucros. Já a teoria da concorrência perfeita o faz porque os empreendedores se recusam a sofrer prejuízos. Os seguidores dessa teoria -- normalmente, professores de microeconomia -- não centram suas reclamações no fato de que os empreendedores estão auferindo lucros excessivos por meio de algum tipo de monopólio; sua reclamação está no fato de que eles "monopolisticamente" se recusam a vender a preços que lhe tragam prejuízos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=757
  • Julio dos Santos  05/06/2012 15:44
    Barbaridade Xavier, mais uma vez vou ter que concordar contigo, realmente o oligopólio é extremamente lucrativo!! Mas entenda, somente existirá oligopólio se houver o governo se intrometendo nos negócios, gerando privilégios para os poderosos e empecilhos para os novos empreendedores.
  • Eduardo S  31/05/2012 10:33
    É justamente isso, quanto mais dinheiro nas poupanças dos ricos mais financiamento diponivel para aquecer o mercado atraves de emprestimos bancarios, ou seja, esse dinheiro volta para a sociedade com um juros mais baixo, respeitando a lei da oferta x demanda.
  • Pedro Ledoux  31/05/2012 12:50
    A França recentemente caiu nessa tentação socialista de aumentar a tributação dos ricos e das grandes fortunas achando que isso vai resolver os problemas.

    Como consequencia os banqueiros franceses pegaram a grana que tinham e se mandaram pra Londres.

    Rico não gasta a maior parte da grana com consumo. Ele a investe. Por isso tributar grandes fortunas é um tiro no pé. Pois o rico simplesmente vai pegar a grana e investir ela em alguma outra coisa em algum outro lugar.

  • Andre Cavalcante  31/05/2012 14:46
    Sugestão de como espoliar os ricos com luxo:

    "Fim de semana em órbita, com direito a sexo em gravidade zero!"

    Aproximadamente USD 20 milhões a passagem (+ 10 milhões o/a acompanhante - um descontinho) e, de quebra, ajuda o desenvolvimento científico e tecnológico.

    Que tal? Alguma outra ideia? :D :D

    Abraços
  • Eduardo W  01/06/2012 13:49
    Considerando que pra experimentar gravidade zero com uma empresa americana custa menos que 5,000 dólares por pessoa, acho que esse 20 milhões estão bem acima do que se pode esperar do capitalismo, hehe
  • Samuel  02/06/2012 20:53
    Sexo em gravidade zero deve ser uma delícia!!! Pena que estou momentaneamente "descapitalizado", tecnicamente quebrado (porque se auto-intitular "pobre" é coisa de esquerdista).
    Mas... tomara que no futuro esteja ascessível, desde que eu não esteja velho antes... Mas pelo andar da carruagem da tributação estatal, acho que não vai dar tempo... Vamos torcer para que a Anvisa do ano de 2083 não proíba o "azulzinho" kkkkkkkkk!!!...
  • Marcelo  31/05/2012 17:08
    Temos que deixar os ricos serem felizes em paz. E oferecer coisas boas pra eles, claro.
  • Fernanda  31/05/2012 21:34
    Idiota são as pessoas contra os ricos. Não há nenhum problema em ser rico. O artigo tem toda a razão, para a economia andar, tem que se criar meios das pessoas gastarem dinheiro, principalmente os ricos. É lógico, que a maior soma dos gastos deles, vão para a poupança de outros ricos, enquanto os trabalhadores recebem o salário mínimo, porém, se não existissem esses gastos, esses trabalhadores estariam aonde? E esse dinheiro que foi para esses outros riscos, serão gastos da mesma maneira.

    Claro que a maior parte, será investida, e esta, também terá o seu destino positivo para a economia. Se o rico investir em empresas, estas terão mais dinheiro, para produzir mais e empregar mais, fazendo mais pessoas ricas. Se o rico investir em títulos publicos, o governo terá mais dinheiro para reinvestir para a população (no caso do Brasil roubar, ou como falam, desviar). Se o rico investir em depósitos bancários, estes terão mais dinheiro para emprestar. Se o rico investir em crédito imobiliário, mais casas serão construidas, aumentando a oferta e diminuindo os preços. E por ai vai. A única coisa que não vejo de boa, é o rico investir em ouro. Ouro é apenas um metal, e irá ficar lá parado, sem ir para lugar nenhum, apenas aumentando o seu valor através da cobiça.

    Idiota será a nação que tributar a mais os ricos, pois estes, irão tirar o seu dinheiro da economia, para enriquecer outro país ou sob a forma de metal precioso.
  • Catarinense  01/06/2012 07:33
    Mas o ouro exige toda uma cadeia de produção para ser extraído. Quando a demanda por ouro aumenta, seu preço sobe, o que incentiva a abertura de novas minas e a pesquisa de novos métodos de extração. Mais empregos são gerados, novas tecnologias são desenvolvidas, métodos são aprimorados. Essas novas tecnologias e novos métodos sempre acabam sendo úteis em outras partes da cadeia de produção, como na extração de minério de ferro, por exemplo. Isto acaba abaixando mais alguns custos, gerando mais alguns empregos, faz o preço da matéria prima cair, e o preço do produto final também diminui. No final, todo mundo sai ganhando, de novo.
  • Paulo Sergio  01/06/2012 08:49
    Cobiça nada, o ouro tem muitas utilidades, muitas características dele como metal que nenhum outro tem
  • Fernanda  03/06/2012 15:10
    É, realmente não tinha pensado por esse lado. Logo, mesmo comprando ouro, estará insentivado este lado da economia e sua extração.

    Agora, quanto a questão da cobiça, ainda acho que é um material que tem apenas valor pela história e pela sua raridade. É como os diamantes, tem utilidade, mas a maior delas é o acumulo de riquesa de quem o detém.

    Um dia pode-se que muito bem que ele deixe de se tornar valioso, e apenas tenha valor pelo que possa ser utilizado na industria. Não creio que isso irá acontecer, justamente por toda história que tem em cima dele e o poder na economia como moeda de troca, mas se parar para pensar, é apenas ouro/metal.

    Se te largarem em uma ilha deserta, você vai preferir 100 kilos de ouro ou água potável e comida?
  • Tiago RC  04/06/2012 01:27
    Fernanda, "acumular riqueza" ou "guardar valor" é uma utilidade por si só.
    Coisas fáceis de se acumular e cuja oferta é difícil de aumentar são boas para esse propósito.
    É uma maneira de proteger sua poupança. E acumular poupança por si só é benéfico para a economia, mesmo que ela não seja reinvestida em nada. O simples fato de produzir mais do que você consome por um período de tempo permite que outros setores da economia utilizem essa produção em excesso enquanto você não a "reclamar" para si (gastar a poupança).
  • anônimo  01/06/2012 03:07
    Tributar os mais ricos só vai fazer com que eles busquem tirar o dinheiro daqui. A sociedade toda sai perdendo. Mas a esquerda tem um fetiche de pobreza, venera a miséria que parece desejar isso para todos (menos para eles mesmos).
  • Nilton  01/06/2012 10:11
    O Governo pensa em expoliar os ricos para depois usar o dinheiro nas piores coisas possiveis.
    Vocês sabião o governo tira dinheiro dos ricos(e pobres também ) para fazer coisas como : PROMOVER O HOMOSSEXUALÌSMO . Já ouvirão falar do Programa Brasil Sem Homofobia, dos 2 milhões de reais gastos com o "kit gay", dos gastos com Paradas Gays,etc,etc. Já ouvirão falar da Secretaria da Diversidade Sexual,para que serve uma coisa desta ?
    Todo esse dinheiro é investido só para fazer os filhose filhas dos ricos (pobres também) virarem gays e lésbicas.

    E a tal Secretaria de Igualdade Racial (coisa estranha) só serve para espalhar ódio entre as raças . E para promover racismo seletivo dos esquerdistas contra os brancos.
    O dinheiro gasta com a Reforma Agrária e o MST. Serve para financiar grupos deliquentes que invadem as fazendas pelo país inteiro.

    O gasto mais nocivo e perverso, o gasto que o Governo faz para promover o ABORTO. Dinheiro para que as mães matem os filhos ainda no ventre . TERRÌVEL !!!!!

    O dinheiro gasto pelo Governo que paga muitos milhares de funcionários de confiança !!!!(gente de partidos politicos que conseguem uma "boquinha" no funcionalísmo) muito bem pagos,verdadeiros marajás.

    A lista é muito longa do mau uso,perverso e imoral do dinheiro de impostos pagos por ricos e pobres. Alías ! Este nosso Governo (caso do Brasil) que pretensamente se intitu-la um "Governo que protege os pobres". E em nome dos pobres quer cobrar cada vez mais impostos dos ricos para dar as estes ( os pobres).

    Se os ricos abrissem os olhos e vessem que com quanta porcaria o Governo gasta seu dinheiro. Os ricos se revoltariam tremendamente.

    Pois é muitissímo melhor gastar o dinheiro com carrões,hoteis de luxo,vinhos caros,iates,aviões,todo tipo de luxo do que dar(ser expoliado) o seu dinheiro por um Governo apoido por "pobres sem-vergonha".

    " Pobres sem-vergonha" explico,porque ! As classes pobres(infelizmente) tedem a apoiar "governos populistas " apesar de seus terríveis pecados.
  • Paulo Sergio  04/06/2012 09:56
    Engraçado que se vc olhar a lista dos 100+ da forbes, um monte de gente lá não mudou tanto assim o padrão de vida, nem gostam de luxo
    Aliais, é o que faz sentido, não consigo imaginar alguém ficando rico gastando dinheiro com besteira.E um hábito forte é difícil mudar
  • Nilton  04/06/2012 11:08
    Paulo Sergio disse : "Aliais, é o que faz sentido, não consigo imaginar alguém ficando rico gastando dinheiro com besteira.E um hábito forte é difícil mudar"

    Muito bem " Paulo Sergio ! Vamos pesquisar mais. Como gasta o seu dinheiro milionárias maluquinhas como a cantora Britney Spears,a modelo Paris Hilton ( e outras "doidas" do mundo artistico que alguém conheça). O excêntrico Miguel Jackson,estrelas do mundo do futebol e outros esportes,bilionários da internet,etc. Até traficantes e outros bandidos que ficarão milionários no mundo do crime.

    Gostaria de saber a opinião do Leandro Roque sobre como essas pessoas administrão o seu dinheiro, tem algum artigo sobre esse assunto ?


    Mas ! Deste já aposto que nenhum superá os Governos (principalmente O Governo Brasileiro ) em matéria de gastar dinheiro em besteiras e porcarias. ESTOU CERTO OU ERRADO ?

    Quem puder contribuir comigo e dar sua opinião,agradeço muito.

    Aguardo uma resposta do Leandro Roque e do Paulo Sergio.

  • Leandro  04/06/2012 11:34
    Embora deva me confessar lisonjeado pela lembrança, não entendi por que eu deveria ser um especialista em saber como Paris Hilton, Britney Spears e Michael Jackson gerenciam/gerenciavam suas fortunas. Acho que uma leitura da Ti-Ti-Ti ou da Caras trariam melhores informações a esse respeito do que eu. Lamento o desapontamento.
  • Paulo Sergio  04/06/2012 11:43
    Bom, na verdade como esses caras aí gastam dinheiro não me interessa muito não, nem acho que eles são referência pra nada.Sabe o que eu acho? Que ator/cantor/aXtixta é um bando de porraloca desequilibrado, um povo que só ficou rico porque tem sorte da maioria do mundo ser feito de gente burra, que dá dinheiro pra ver a madona ao vivo só pq ela rebola a bunda na televisão
  • Ex-microempresario  17/08/2017 22:41
    Esses que vc citou vivem desse modo porque essa é exatamente sua fonte de renda: ser uma "celebridade". Quem vive uma vida normal não vai aparecer na Caras e nos programas sensacionalistas de TV. Fazer porralouquices é uma atividade mito bem planejada pelos seus assessores e pela mídia especializada.

    Ganham as celebridades, ganham os personal isso e personal aquilo que gravitam em torno deles, ganham os jornalistas que tem público garantido. O povo que paga, não sei se "ganha" alguma coisa, mas fica satisfeito. Afinal, é isso que eles querem consumir.
  • Ex-microempresario  17/08/2017 23:20
    Para quem não entendeu o texto, experimente dar uma volta pela cidade e pensar quantas empresas tem apenas clientes ricos. Aí imagine que não existem ricos. O que acontece com as empresas ?

    Loja da BMW ? Não existe mais.
    Loja da H.Stern ? Não existe mais.
    Loja da Prada ? Não existe mais.
    Restaurante caro especializado em comida francesa ? Não existe mais.
    Hotel chique com diárias de quatro dígitos ? Não existe mais.
    Motel com suíte de 300 m2 ? Não existe mais.
    Academia super-chique com personal trainer exclusivo ? Não existe mais.
    Pet Shop de luxo que vende ração orgânica importada mais cara que filé mignon ? Não existe mais.
    Agência de viagens especializada em cruzeiros de luxo, estações de esqui e ilhas particulares ? Não existe mais.
    Aluguel de helicópteros e jatinhos ? Não existe mais.
    Galeria de arte ? Não existe mais.

    O artigo não diz que um milionário, ao gastar, torna todos os outros milionários também. Diz que ele distribui riqueza. Quantas empresas e quantos empregos desapareceriam se a situação acima se tornasse realidade ?
  • Grilo  05/06/2012 07:16
    Sinceramente, concordo com o autor no que tange à distribuição de renda pela tributação, pois, uma vez que não possuimos um governo honesto e competente, a repassagem dessa verba muito raramente iria se converter em benefícios para a saúde e educação pública, por exemplo. Sem falar que é um absurdo querer dizimar as diferenças sociais com base em uma política de tributação proporcional entre mais ricos e mais pobres. Porém, será mesmo que um cidadão rico, ao viajar de primeira classe em um avião, estaria mesmo repassando sua verba para a aeromoça ou o piloto? Ou será que independente disso tais funcionários continuariam a possuir seus vencimentos em um valor fixado que em nada se alteraria e o verdadeiro personagem da história a lucrar ada vez mais não seria o dono da companhia aérea (detentor do meio de produção, como diria o velho "Marx")? Bom, coloco aqui esta reflexão. Muito embora, de fato, quanto mais os ricos esbanjarem seu poderio aquisitivo mais empregos poderão ser criados, com isso eu concordo. Mas o fato de tanto "esbanjamento" ocorrer, em hipótese alguma, diminuirá a tamanha disparidade existente entre as classes sociais no nosso Brasil.
  • Ricardo  05/06/2012 07:25
    Prezado Grilo, essa lógica nonsense já foi levantada pelo leitor Thiago e devidamente respondida pelo Leandro (ver em especial o item 2). A pergunta que resta é: se o dinheiro dos passageiros não vai para a tripulação, então, pela lógica, não faz diferença nenhuma o avião voar com lotação máxima ou totalmente vazio, né? No final, o salário será o mesmo -- exceto que, no segundo caso, a empresa não durará nem uma semana.
  • Xavier  05/06/2012 19:27
    Júlio,
    Concordo com vc, com a Fernanda, com o Grilo.
    Como já expus meu ponto de vista e como estamos todos concordando, fico por aqui. Vamos conversar em outro artigo.
  • TERESA C. H . C.  06/06/2012 20:36
    ACHEI ÓTIMA A POSIÇAO DO ESCRITOR, ISSO DEVERIA SER LIDO NAS ESCOLAS E FACULDADES!!!
    MAS ACHO QUE HA AINDA ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS E SERIAS SIM!!!
  • J. Rodrigues  07/06/2012 14:46
    Nunca vi ninguém preocupado, enraivecido, angustiado com a própria riqueza, sempre com a riqueza dos outros. Agora mudando de pato pra ganso, o Chavez é mais genuíno que o Lula, pois aquele vive dizendo que "ser rico es malo" e por isso mesmo foi tratar do cancer em Cuba. Quer mais pobreza que aquilo? Já o Lula que "insulta" as elites procura o que há de melhor nas elites para si e só vai a Cuba para rir dos presos políticos e volta rapidinho pro ninho que ele não é bobo.
  • Camarada Friedman  07/06/2012 15:21
    Seu comentário me lembrou esse vídeo:

  • Arthur W. Monteiro  27/06/2013 19:21
    Entendi a linha de raciocínio, que resumidamente, baixa imposto => O rico tem + $$ => + $$ => consome mais => consumindo mais => distribui o $$ de uma forma mais nociva para o resto da população desafortunada (gerador de serviço/bens e afins). Ok, a lógica faz todo o sentido.

    Mas tenho algumas observações que não vi levantarem no texto, que acredito serem importantes para isso ocorrer na prática (digo isso porque conheço alguns empresários que fazem parte desses "1%", casa dos bilhões). Pensem comigo, se eu falar alguma besteira, me desculpem desde já.

    1- Como fazer essa classe favorecida passar o $$ para a classe menos favorecida?

    Generalizando, essa classe com maior poder aquisitivo, elas são donas de seus negócios (Claro que existe aqueles que caíram de paraquedas nesse meio dos afortunados, exemplo, cantores, artistas e derivados, mas não podemos levar essas pessoas como exemplo, já que são minoria em relação ao todo, Brasil => 200 milhões de pessoas). Elas sendo donas do seu próprio negócio o lucro cai sobre suas mãos (claro que os colaboradores ganham com isso tbm, ainda mais se tiverem Porcentagem sobre o LUCRO obtido, que é "pouco"), ou seja, o $$ vai de um rico para outro, a grosso modo. Esse $$ não vai cair nas mãos dos trabalhadores menos favorecidos, já que eles possuem um contrato estipulando um salário fixo de acordo com o mercado (relativamente baixo). Tudo bem, geram mais empregos, EXCELENTE! Mas ainda assim não muda o fato de os ricos continuarem ricos. Entenderam o ponto de vista?

    O exemplo do carro:

    O dono da marca que vendeu o carro ganha um "x" de lucro, se ele for esperto, os seus colaboradores irão ter uma participação nessa porcentagem. Só que ainda assim, o grosso fica com o dono, que pode ser investido em melhorias e gerar outros serviços, ou para o seu "bel prazer" e atender a um outro nicho de mercado (Lembrem dessa parte, importante para a conclusão). Ok, como diz o texto, um afortunado se desfez de seu $$ para consumir um produto de luxo. Só que, o vendedor do artigo de luxo também é uma pessoa com dinheiro. Ou seja, o $$ passou de um rico para outro rico.

    O coitado do colaborador se fode porque? INFLAÇÃO, falta de conhecimento e derivados. Todo o dinheiro que ele consegue acumular (sendo empregado) é utilizado para alimentação, contas a pagar(agua, luz, telefone, internet), lazer(viagens, bares, baladas, festas e afins), transporte e outras variáveis... E se tiver filho, fudeu. Mais de um? Haaa abraça o capeta e beija (mais comida, educação, atenção, saúde e etc).
    O próprio sistema atual não permite que o trabalhador consiga acumular fortunas... A não ser que seja no mínimo médio - longo prazo, isso se não acontecer alguma tragédia na vida do indivíduo, como por exemplo, for roubado, morrer e essas coisas.

    2- Falamos de fator humano, não existe matemática exata para isso:

    Grande parte desses afortunados (empresários) constroem suas fortunas através de trabalho duro ou porque contratam pessoas competentes que ajudam eles a construir ou manter. Muito difícil você ver por ai um bilionário desses gastar todo o seu dinheiro com o próprio prazer. Nem todos partilham do mesmo pensamento sobre o "Luxo" - "quero pagar para ter" (nem todos são assim), geralmente os que caíram de paraquedas pensam no Luxo, ostentação e futilidades que ficam em torno dos poucos milhões.

    Quando esses empresários gastam seu $$ com o seu próprio prazer, acreditem, é insignificante comparado ao que eles possuem no banco/patrimônio. E esses caras estudam e contratam gente para a seguinte função : Não perder o patrimônio ou montante que eles possuem, e se possível, ganhar mais e mais.
    A questão não vira mais dinheiro, o assunto agora é eles brincarem de conseguirem ficar mais PODEROSOS, chega um determinado momento que dinheiro é brincadeira só. O hobby de muitos desses caras é investir e fechar negócios, comprar e vender empresas, visando o lucro, CLARO (ELES SÃO DONOS DAS EMPRESAS DE SERVIÇOS/BENS E AFINS). Logo você percebe que no tópico 1 o ciclo se fecha. $$ vai de um rico para outro. O fator variável que o texto sugere, são daqueles afortunados na casa dos milhões e ainda que só gastam o $$ pensando no luxo, não possuem uma fonte de renda fixa (seu próprio negócio). Que essas pessoas comparadas a esses 1%, são "lixos.


    A linha de raciocínio do texto faz todo o sentido, porém tem algumas observações que fazem toda a diferença, na atualidade. Quem sabe no futuro seja diferente... Mas isso só Deus sabe.

    Se eu falei alguma besteira, me desculpem.

    Grato pela atenção,
  • Eduardo  05/11/2013 18:13
    Note que os esquerdistas que caíram em cima do tal do rei do camarote e seus gastos que eram uma afronta aos pobres, que ele gastava o sangue dos pobres, etc, não abriram a boca para reclamarem dos gastos insanos de seus políticos e burocratas amados com luxos às custas de dinheiro público (este sim tomado diretamente da população... ainda que empresários estejam muitas vezes associados à violência do estado, eles ao menos dão a opção de não pagarmos o salário deles, ao recusarmos seus serviços).

    Outro raciocínio comum é o de inventar um número de bilhões de dólares de acabaria com a miséria extrema, da onde esse pessoal propõe que seja arrancado dos bilionários.
    Novamente, eles se esquecem que esses 'poucos' bilhões são muito menos do que seus governos amados já arrecadam e a miséria continua.

    Em resumo, trata-se de uma cretinice de quem quer ver rico (desde que do setor privado; eles não têm nada contra políticos e burocratas milionários e bilionários) ser espoliado, e não de quem genuinamente está meramente interessado em acabar com a miséria distribuindo renda.
    Talvez esse seja o objetivo secundário, atrás de espoliar ricos que eles não gostam.
  • Juliano  05/11/2013 18:45
    E o interessante é que deveriam comemorar. Se realmente se importam com concentração de renda, nada melhor do que ter pessoas que ganham muito praticamente jogando dinheiro fora, gastando muito. Em cada ida à balada, o ricasso está 50 mil mais pobre e os funcionários da balada e seus fornecedores 50 mil mais ricos. A concentração de renda diminui cada vez que o cara vai para uma dessas noitadas.

    A questão principal é o ódio a quem tem mais, inveja pura e simples. É a repetição das falácias batidas, do jogo de soma zero, dos slogans marxistas que já estão desbotados. E como a hipocrisia sempre foi a marca registrada da esquerda, não há nenhuma palavra sobre 10 mil dólares por noite de hotel para a dona Dilma ficar hospedada em NY.
  • Ricardo  05/11/2013 19:14
    Não adianta. Esse pessoal tem tara é em ver dinheiro indo para o bolso de políticos, burocratas e funcionários públicos. Eles não têm a mais mínima ideia de que um rico torrando dinheiro na balada está gerando empregos para vários tipos de pessoas, desde motoristas de caminhão que distribuem as bebidas a leões de chácara e porteiros. Trata-se de uma redistribuição explícita de renda. Eu já desisti desse país. A mentalidade das pessoas aqui é de um atraso e de uma ignorância econômica abissal.
  • Malthus  05/11/2013 21:45
    O curioso é que contra este genuíno "rei do camarote", que usa o nosso dinheiro, ninguém protesta:

    Lanches de ministro da Fazenda em voos da Força Aérea têm até caviar
  • anônimo  07/11/2013 12:15
    Pefeito! Jeffrey Tucker mais uma vez traduziu o sentimento anticapitalista imposto por nossa sociedade estatista. Eu concordo totalmente com o raciocínio dele e sei exatamente o que ele quis dizer. Obvio que ele está falando a respeito única e exclusivamente da redistribuição espontânea. Adoro JT! E como condenar um ser humano que prefere gastar o seu dinheiro consigo mesmo do que doando para os pobres? Seria super nobre ele decidir doar esse dinheiro para a caridade, mas ele não é automaticamente um crápula por preferir gastá-lo consigo mesmo e seus amigos e conhecidos. Se fosse assim, nenhum de nós teria direito a nenhum luxo. Nenhum prazer poderia ser proporcionado pelo dinheiro. Toda e qualquer viagem de lazer, por exemplo, ainda que frugal, seria considerada supérflua e desnecessária. Esse raciocínio é absurdo e imoral! Doar é um plus, não é uma obrigação. É algo VOLUNTARIO.
  • Yonatan Mozzini  22/04/2014 16:22
    Pessoal, não é meu desejo querer discordar completamente ou refutar esse artigo, mas apesar de concordar com as motivações da distribuição de renda através da não violência e pró-capitalistas de Tucker, pude perceber que este artigo é pouco técnico em fundamentação da teoria econômica, encontrando pontos de fraqueza da argumentação do autor e notando alguns comentários tendenciosos e superficiais dos que o apoiaram. Gostaria de esclarecer alguns pontos:
    a) Propensão a consumir: Na verdade, a parcela da renda destinada ao consumo da população mais rica sempre é menor que a parcela para consumo dos menos ricos, isto é, os mais ricos são mais propensos a poupar (reinvestir) do que consumir. Ele se comporta desse jeito pela sua racionalidade: ele já possui todo (ou muito do) conforto disponível da sociedade com apenas uma parte de sua renda, então a outra grande parte que sobra ele investe.
    b) Capital intenso: Mesmo que os mais ricos gastassem uma imensa parte de sua renda em bens e serviços de luxo, tais gastos não são comuns, ou seja, apenas uma pequena parcela da população com capital suficiente poderá atendê-los – ficando com a maior parte da renda gerada por tais gastos –, parcela essa de população que é mais rica também (donos e sócios de hotéis e cassinos de luxo, de montadoras de veículos luxuosos, etc). Em outras palavras, a grande parte do dinheiro do rico fluiria para outro rico.
    c) Racionalidade de consumo: Mesmo que a parcela de consumo dos mais ricos fosse tão grande quanto o do restante da população, é quase que irracional estes gastarem além do que suas rendas (presentes ou futuras) poderão permitir. Assim, mesmo que eles sejam extremamente pródigos, isso não acarretará corrosão em seu capital e nem vantagens significativas para o resto da população, não se obtendo 'espoliação';
    d) Investimento: 'Espoliar' os ricos através da utilização de seus saldos bancários a fim de utilizá-los em investimentos pelo restante da população também é algo totalmente improvável, visto que os ricos tem maior acesso a melhores consultorias e quase sempre investem seus recursos em negócios que sejam mais bem-sucedidos do que outros disponíveis ao restante da população. Um exemplo claro disso são os fundos de investimento (ou CDB, letra bancária, renda fixa), podendo-se observar que a maior taxa de retorno está para quem efetua depósitos mais altos. Mesmo que o restante da população mais pobre utilize esses saldos para fins de investimento produtivo (como ocorre com programas de microcrédito), haverá a devolução desses empréstimos somados ao pagamento de juros para essa população mais rica, sem contar da ampliação do produto da economia, favorecendo a todos, inclusive aos mais ricos.
    O consumismo, mesmo das pessoas mais ricas, de modo algum pode ser mais útil à sociedade do que o investimento. (Isso me fez lembrar o comportamento desvirtuado e inútil de Keynes: sempre deixava propositalmente bem desarrumado o quarto de hotel em que se hospedava, deixando a toalha jogada no chão, apenas para criar motivos para o hotel manter mais empregados – a velha história de querer expandir a demanda agregada).
    Para amenizar essa questão da desigualdade econômica – que de fato algum eu considero um problema, mas sim um incentivador de progresso econômico – nem mesmo a mudança em estrutura de mercados desses ricos, que seria o surgimento de novas empresas fazendo concorrência com as deles (que acarretaria enfraquecimento dos oligopólios e um redirecionamento à concorrência mais acirrada) seria tão eficiente, pois os mais ricos iriam migrar seus capitais agora pouco rentáveis para novas aplicações mais rentáveis. Talvez essa mudança de estrutura de mercado ainda pudesse ocorrer num longo prazo, mas devido ao fator que eu coloco a seguir.
    Amigos do IMB, falo com propriedade, amparado pela teoria econômica e pelos fatos, que o meio mais eficiente a fim de obter maior distribuição de renda sem coerção do Estado (ou com menor coerção), apesar de pouco eficiente num curto prazo, ainda é a educação da população mais pobre, seja através de incentivos governamentais ou pela própria consciência social, fazendo com que os pais priorizem isso em seus filhos. (Na cultura judaica, como bom exemplo, pode-se observar o grande empenho dos pais para a educação dos filhos, não importando o nível econômico em que estejam.) Não me refiro, é claro, a encher um ser humano de conhecimento inútil ou não aplicável – como saber costumes dos povos indígenas da Amazônia, ou falar idiomas antigos – mas de um conhecimento que forneça utilidade à sociedade e, portanto, possa trazer benefícios econômicos reais. É aquele tipo de instrução que gera a divisão do trabalho desde há muito explanada por Adam Smith, que traz junto consigo a especificação e a maestria, podendo observar-se em quaisquer profissionais: médicos, advogados, engenheiros, técnicos em geral (pedreiros, metalúrgicos, etc). Quanto mais esses profissionais forem instruídos em seus ofícios (e em alguns conhecimentos gerais, quanto a como preservar e investir seu dinheiro, por exemplo), mais agregarão à economia, sendo mais demandados, obtendo maiores rendas através do próprio mecanismo de mercado, sem intervenção estatal direta. No entanto, isso não iria 'espoliar' os mais ricos, antes iria enriquecer toda a sociedade, mas com maior proporção do aumento do poder aquisitivo desses profissionais. No Japão se tem observado mais ou menos nesses moldes a boa distribuição de renda, impulsionado pelo seu clássico modo de produção toyotista. No Reino Unido, de modo semelhante, o poder econômico da família Real não cresceu na mesma proporção que o restante da população em duzentos anos de industrialização; se assim fosse, talvez atualmente a Rainha Elisabeth fosse mais rica que Bill Gates.
    Obviamente, o que tenho dito se refere ao aspecto econômico para a distribuição de renda, pois se deve ter em conta que a questão institucional por trás é enorme. Será que é normal para uma sociedade formada por castas sociais, como a indiana, aceitar uma distribuição de renda que vai contra a própria cultura e religião? Com certeza, não. Mas creiam-me que, de modo geral, guardadas as devidas proporções e exceções, esse é o melhor método e quaisquer outros não coercitivos serão falaciosos ou pouco eficientes.
  • Leigh Dada  01/08/2017 02:56
    "(...)os ativistas da redistribuição de renda propõem vários esquemas para separar, à força, os ricos de seu dinheiro, sempre utilizando o poder da violência governamental. Trata-se de uma abordagem brutal que envolve um pesado uso da coerção estatal contra pessoas. "

    A coerção estatal com abordagem brutal só serve para separar à força as pessoas da terra. Os ativistas da concentração de renda só são contra utilizar o poder da violência governamental quando é contra eles, para separá-los do """seu""" dinheiro, que jamais existiria se o estado não forçasse as pessoas a obedecerem a tomada de território por alguns indivíduos como "legítima".


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