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Explicando o básico do padrão-ouro para Ben Bernanke

Em uma palestra proferida na Universidade George Washington no dia 20 de março, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse que, sob um padrão-ouro, a capacidade das autoridades monetárias de abordar e resolver efetivamente quaisquer condições econômicas se torna significativamente restringida.  O presidente do Fed afirma que o padrão-ouro impede um banco central de incorrer em políticas voltadas para a estabilização da economia após choques inesperados e repentinos.  Isto, por conseguinte — sustenta Bernanke —, pode levar a severas turbulências econômicas. 

De acordo com Bernanke,

Dado que o padrão-ouro determina a oferta monetária, não há muito espaço para o banco central utilizar políticas monetárias para estabilizar a economia.... Se há um padrão-ouro amarrando a oferta monetária ao ouro, não há flexibilidade para o banco central reduzir as taxas de juros em uma recessão ou aumentá-las em uma inflação.

É exatamente por isso que o padrão-ouro é tão bom: ele impede as autoridades de incorrerem em uma temerária inflação monetária, exatamente como Bernanke vem fazendo desde o final de 2007, jogando mais de US$ 2 trilhões de dinheiro novo no sistema bancário.

A base monetária americana, que era de US$ 889 bilhões em dezembro de 2007, pulou para US$ 1,7 trilhão em dezembro de 2008.  A taxa de crescimento anual da base monetária, que estava em 2,6% em dezembro de 2007, pulou para 152,8% em dezembro de 2008.  Adicionalmente, o Fed agressivamente reduziu a taxa básica de juros da economia de 5,25% em agosto de 2007 para quase zero já em dezembro de 2008.

Contrariamente ao que imaginam Bernanke e a maioria dos economistas convencionais, tamanha injeção monetária gerou severos danos ao processo de criação de riqueza real.  Tal medida empobreceu severamente os geradores de riqueza e criou as bases para novos e sérios problemas econômicos mais à frente.

Por outro lado, permitir que a oferta monetária seja determinada pela produção de ouro gera estabilidade, e não o caos que Bernanke sugere.  Em um ambiente onde o dinheiro é o ouro e ninguém tem a capacidade de sair imprimindo dinheiro de papel sem nenhum lastro, não há como haver oscilações econômicas — isto é, períodos de crescimento econômico seguidos de recessão.  (Vale notar que o ato de imprimir dinheiro desencadeia uma troca de nada — papel pintado criado por uma impressora — por alguma coisa, o que nada mais é do que um ato de fraude ou peculato).  Ao contrário do que diz Bernanke, são exatamente as políticas voltadas para a estabilização da economia que resultam em instabilidade e caos econômico.

Bernanke afirma que outro grande aspecto negativo de um padrão-ouro é que ele cria um sistema de taxas de câmbio fixas entre as moedas dos países que estiverem em um padrão-ouro.  Não há a variabilidade e a versatilidade que temos hoje, ele argumenta:

Se houver choques ou variações na oferta monetária em um país, e talvez até mesmo a adoção de políticas ruins, os outros países que estiverem presos à moeda daquele país irão também vivenciar alguns destes efeitos.

Aqui parece que o presidente do Fed está argumentando em favor de um sistema monetário de câmbio flutuante.  Mas Bernanke ignora o fato de que, em um livre mercado, o dinheiro é uma mercadoria, de modo que a moeda — seja ela o dólar ou qualquer outra — não é uma entidade independente.

Antes de 1933, por exemplo, o nome dólar era utilizado para se referir a unidade de ouro cujo peso era de 1,505 gramas.  Dado que há 31,103 gramas em uma onça, isto significa que o nome dólar era sinônimo de 0,0483876 onças de ouro.  Isto, por sua vez, significa que uma onça de ouro equivalia a US$ 20,67. 

Observe que $20,67 não era o preço de uma onça de ouro em termos de dólar, como Bernanke e outros "especialistas" dizem.  O termo "dólar" era apenas um nome para designar 0,0483876 onças de ouro, assim como o termo "metro" é um nome para designar 100 cm.  É algo imutável.

Como disse Rothbard,

Ninguém imprime dólares (ou qualquer outra moeda) em um mercado puramente livre, pois não há, com efeito, algo manipulável chamado "dólar".  Há apenas mercadorias, como carros, trigo e ouro.

Da mesma forma, os nomes de todas as outras moedas eram simplesmente uma designação para um determinado peso de ouro.  A libra esterlina, por exemplo, era uma referência a 0,25 (mais exatamente a 0,2435) onça de ouro.  O atual hábito de se considerar estes nomes como sendo entidades totalmente separadas do ouro surgiu apenas com a imposição do padrão-papel.  Ao longo do tempo, à medida que o dinheiro de papel adquiriu vida própria, tornou-se aceitável determinar o preço do ouro em termos de dólares, libras, francos etc., uma total falta de lógica.  É como se, repentinamente, um metro passasse a ter centímetros variáveis — por isso, dizemos que a absurdidade atingiu novos ápices com a introdução do sistema de câmbio flutuante.

Ao contrário do que diz Bernanke, em um livre mercado, moedas não flutuam uma em relação às outras.  Elas são cambiáveis de acordo com uma definição fixa.  Se a libra esterlina se refere a 0,25 onças de ouro e o dólar se refere a 0,05 onças de ouro, então uma libra esterlina tem de valer 5 dólares.  (Esta taxa de câmbio resulta do fato que 0,25 onça é cinco vezes maior que 0,05 onça).  E assim tem de ser imutavelmente.

Um sistema de moedas flutuantes é tão absurdo quando a ideia de um dólar ter seu preço flutuante em termos de centavos.  Quantos centavos equivalem a um dólar é algo que não está sujeito a flutuações.  É algo que está fixo para sempre.

Uma vez que se compreende que, em um livre mercado, o dinheiro é uma mercadoria, torna-se óbvio que, similarmente a outros bens e serviços, seu valor de troca não pode ser imóvel, mas sim irá variar de acordo com a oferta e a demanda.

Agora, Bernanke argumenta que a variabilidade na oferta de ouro pode gerar instabilidades.  Mas por que seria assim?  Por acaso uma alteração nas condições de oferta e demanda de vários bens e serviços produz instabilidade?  Tudo o que teremos será uma alteração nos preços.  Obviamente, se a oferta de ouro aumentasse vigorosamente, isto levaria a um aumento nos preços em termos de ouro.  Este aumento nos preços, no entanto, nada tem a ver com inflação.  (Inflação, um aumento na quantidade de dinheiro "criado do nada", leva a uma troca de nada por alguma coisa — um ato de fraude ou peculato).  Se o aumento na oferta de ouro persistisse, as pessoas provavelmente abandonariam o ouro como meio de troca e adotariam outra mercadoria como dinheiro.

De acordo com o presidente do Fed, um outro problema com o padrão-ouro é que ele pode desencadear ataques especulativos:

Normalmente, um banco central administrando um padrão-ouro mantém em seus cofres apenas uma fração do ouro necessária para lastrear toda a oferta monetária.... O Banco Central britânico mantinha somente uma pequena quantidade de ouro, e para manter o sistema funcionando eles se apoiavam na credibilidade que tinham junto aos mercados, credibilidade esta que julgavam ser robusta o bastante para dar a entender que permaneceriam no padrão-ouro sob todas as circunstâncias — de modo que ninguém jamais os desafiou quanto a isso.  Porém, se, por qualquer razão, os mercados perderem a confiança em sua disposição e em seu comprometimento a manter uma relação com o padrão-ouro, você pode se tornar alvo de um ataque especulativo.

Um possível ataque especulativo não é resultado de um padrão-ouro, mas sim de um banco central que desrespeitou os princípios básicos do padrão-ouro e emitiu dinheiro de papel não lastreado por uma equivalente quantia de ouro.  Este aumento da quantidade de dinheiro não lastreado por ouro fará com que os investidores, temerosos de não conseguirem no futuro trocar seu dinheiro de papel ouro, corram para fazer esta restituição imediatamente.  Esta corrida ao ouro, na qual se troca uma quantidade de papel maior do que a quantidade de ouro existente, pode exaurir completamente as reservas de ouro de um país, dependendo de quão grande foi a inflação do dinheiro de papel. 

Em suma, o que destrói um padrão-ouro e gera ataques especulativos é exatamente a intervenção da autoridade monetária, que emite papel-moeda sem que haja uma equivalente quantia de ouro lastreando estes papeis.

Também em sua palestra, Bernanke afirma, de forma queixosa, que uma escassez de ouro — isto é, uma baixa taxa de crescimento na oferta de ouro — pode levar a redução generalizada nos preços, o que poderia prejudicar seriamente a economia.  Para o presidente do Fed, o fato de a oferta de dinheiro não crescer a uma taxa que ele julga ser apropriada é um desastre.

Mas o que importa não é a quantidade de dinheiro, mas sim seu poder de compra.  Logo, havendo expansão na riqueza real, havendo um aumento na produção e um consequente aumento na oferta de bens e serviços — algo que depende exclusivamente da divisão do trabalho e da acumulação de capital, e que nada tem a ver com a quantidade de dinheiro na economia —, o poder de compra da unidade monetária irá aumentar e todos os indivíduos terão acesso a mais riqueza.  Uma redução generalizada nos preços, algo que é erroneamente chamado de deflação ("deflação", por definição, é uma redução na quantidade de dinheiro na economia), faz com que mais indivíduos tenham acesso a um crescente conjunto de riqueza.

Resumo e conclusão

Contrariamente ao que afirma Bernanke, um padrão-ouro cujos princípios básicos não sejam violados por um banco central não tem como produzir instabilidades.  Ao contrário, a estabilidade é contínua. 

Ciclos econômicos e ataques especulativos são resultados de políticas monetárias que, paradoxalmente, têm o suposto objetivo de estabilizar a economia.  A suposta instabilidade das economias durante o período em que elas adotaram uma forma adulterada de padrão-ouro adveio justamente do fato de as autoridades monetárias terem emitido papel-moeda não lastreado por uma equivalente quantidade de ouro, o que fez com que o princípio básico do padrão-ouro fosse violado e, consequentemente, todo o sistema fosse solapado.

 

Leia também: As crises monetárias mundiais



autor

Frank Shostak
é um scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do Mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais.


  • Rene  19/04/2012 08:34
    Este artigo só confirma o que eu aprendi com o Silvio Santos: Barras de ouro valem mais do que dinheiro.
  • Henrique Paiva  19/04/2012 09:35
    Ri litros do seu comentário. Engraçado que quando era mais novo e não entendia das coisas eu ficava indignado dele falar isso.
  • Marcos Campos  19/04/2012 10:02
    Porém no Brasil já sem ouro, a unidade usada como lastro seria o Nióbio? Vendido secretamente a preço de banana ou o petróleo que segundo informações vazadas da Petrobrás é vendido abaixo do preço de mercado em contratos obscuros. O Brasil colônia nunca morrerá senão adotarmos a economia da EA.\r
    Sou estudante de Administração mas tenho grande interesse em economia para melhor entender e empregar as analises de gestão.
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  19/04/2012 08:47
    Saudações, como sói acontecer, mandaram bem, impossível ser mais clara a explicação, aliás, 2(duas) explicações, lastreabilidade e câmbio.
    Leandro, você acha verossímil um(a) comentarista econômica, ou até uma âncora,ter certas dúvidas sobre como funciona o mercado econômico, explicando: decorou o economês sem saber ou conhecer os elementos fundantes, ou seja, como acontece a inflação,deflação, etc.?
    Parabéns!
  • Max  20/04/2012 13:57
    Se é possível que jornalistas econômicos não saibam como funciona a economia?
    Acontece direto hahahaha, pode ter certeza.

    Dá uma olhada nesse artigo
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1267
  • anônimo  19/04/2012 09:54
    por que que "pode haver um aumento de oferta monetária sem gerar inflação", o que impede que a inflação ocorra quando se imprime dinheiro?

    como se daria a questão dos juros sobre um padrão-ouro? Se eu empresto dinheiro lastreado em outro, o que ocorre com os rendimentos dos juros?

    Houve uma época em que a economia funcionava sobre um padrao-ouro (estado unidos, se não me engano), o que deu errado? por quê não funcinou?

    Abraços!
  • Leandro  19/04/2012 10:53
    A primeira pergunta eu não entendi.

    Quanto à segunda e à terceira, elas em nada diferem de qualquer outro sistema monetário. No padrão-papel, os juros são altos porque embutem uma alta expectativa inflacionária. No Brasil, por exemplo, ao se levar em conta o deflator do PIB do IBGE, que é um indicador bem mais acurado que o IPCA, a taxa de juros nominal não pode estar abaixo dos 8%. E isso só para se manter em dia com a inflação de preços. Acrescentando-se aí o risco de calote e a preferência temporal, os juros sempre estarão nos dois dígitos.

    Já em um padrão-ouro, justamente pelo fato de a oferta monetária ser muito pouco elástica, os juros nominais seriam baixos. Algo que muita gente confunde -- especialmente economistas -- é que, no longo prazo, quanto menor o crescimento da quantidade de dinheiro, menores serão as taxas de juros. Pense nos juros como a diferença entre a quantidade de dinheiro que você pega emprestado e a quantidade de dinheiro com o qual você paga o empréstimo. Quanto menor estiver sendo a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro, menores terão de ser os juros. Afinal, em uma economia com quantidade de dinheiro (quase) fixa, seria irrealista você exigir, por exemplo, juros de 50% ao ano. Sem que tenha havido crescimento na quantidade de dinheiro, o devedor simplesmente não terá como pagar essa quantia. Por outro lado, se a quantidade de dinheiro crescer, por exemplo, 200% em um ano, pagar uma taxa de juros de 50% acaba sendo moleza.


    Um ótimo exemplo prático disso é o Japão, que tem crescimento nulo da base monetária desde 2003, e sua "taxa SELIC" é de zero. Outro exemplo eram os juros nominais astronômicos da década de 1980 e primeira metade da década 1990 no Brasil, quando a inflação anual frequentemente ultrapassava os 1.000%.

    Nada deu errado no padrão-ouro, mesmo o modelo adotado sendo totalmente corrompido. Aliás, pelo contrário: por mais corrompido que ele fosse, ele funcionava bem até demais. E era justamente isso que irritava os políticos: a impossibilidade de manusearem livremente a oferta monetária, imprimindo dinheiro sempre que possível. Por isso, em agosto de 1971, Nixon aboliu unilateralmente o padrão-ouro.

    Recomendo o artigo linkado ao final do texto, que explica detalhadamente todo o processo. Depois de lê-lo, leia este.

    Abraços!
  • Patrick  28/11/2018 17:41
    É possível reimplantar o padrão ouro?
  • Pedro Bolson  19/04/2012 11:06
    Respondendo a primeira pergunta (acho que entendi)...

    O que impede que a inflação ocorra mesmo em cenário que se imprime dinheiro é o aumento da produtividade.

    Produtividade implica em redução de custos e consequente redução de preço (em ambiente concorrencial). Ou seja, o preço real irá cair, mas a inflação, se for de mesmo grau, manterá os preços nominais constantes.

    Ou seja, a oferta monetária aumenta, mas é compensada pelo aumento da produtividade. Por fim os preços nominais não aumentam. Algumas escolas advogam dessa idéia. Se não me engando, a escola de chigago (me corrigam se estiver errado).
  • anônimo  19/04/2012 11:40
    Completando o que o Pedro falou,

    Aumentando a produtividade, faz com que os preços estabilizem mesmo aumentando a oferta monetária. Porém, existe um efeito que é o que o Anônimo procura (eu acho), que é quando a produtividade não aumenta tanto mas os índices inflácionarios ficam estáveis mesmo aumentando a quantidade de moeda.

    Isso pode acontecer se o Governo ao criar moeda canalizar para uma direção como bolsa de valores, imóveis, etc que não alteram o índice de inflação a curto prazo. Isso aconteceu em 1929 quando o dinheiro inventado ia direto para aqueles programas de compra de ações facilitadas e em 2008 quando foi para compra de casas de forma facilitada.

    As pessoas que estudam conspiração, acreditam que essa é uma forma de criar crises de forma silenciosa.
  • Max  20/04/2012 14:03
    @Pedro, correta sua explicação. Esse argumento da produtividade foi precisamente o argumento de Greenspan pra expandir a oferta monetária.

    @Leandro, como funciona o banco central japonês e a que se deve a esse auto-controle na base monetária? É impressionante que lá, desde 2003, não tenham cedidos as tentações que um banco central propicia.
  • Leandro  20/04/2012 14:06
  • Max  20/04/2012 14:17
    Obrigado, Leandro!
    Vou ler agora os artigos.
  • Rhyan  19/04/2012 14:39
    Pode haver um aumento da quantidade de ouro sem ter inflação porque o ouro é uma mercadoria.

    "(Inflação, um aumento na quantidade de dinheiro "criado do nada", leva a uma troca de nada por alguma coisa — um ato de fraude ou peculato)"
  • Marcos Campos  19/04/2012 10:08
    Leandro,\r
    Parabéns por mais um artigo exclarecedor e fácil para qualquer brasileiro ler e entender como funciona o mundo e como poderia funcionar melhor.\r
    Gostaria de sanar uma dúvida que não sai de minha cabeça. Como ficariam as Forças Armadas de um País ( Ex.:Brasil ) se adotasse uma economia baseada na EA sem BC e BNDES. De onde viriam os recursos para defendermos nossa soberania, já que a farra de impostos acabariam. Não levar em conta que nossas FAR's estão sucateadas. GRATO.
  • Leandro  19/04/2012 10:58
    Os recursos viriam de impostos (ou de tarifas ou de qualquer outra coisa). Certamente, o atual estado paquidérmico não poderia ser mantido. O governo, já que o povo gosta, teria de se concentrar exclusivamente na segurança. Aliás, nem sei por que esta tara com exército. A Suíça nunca teve e, justamente por isso, os nazistas nem se atreveram a fazer gracinhas com ela.

    Abraços!
  • Marcos Campos  19/04/2012 12:13
    Obrigado Lenadro e a propósito a Suíça realemnte não tem grandes materiais bélicos, a melhor arma de sua soberania é o povo, lá todos são reservistas de prontidão e todos possuem um fuzil dentro do guarda roupa, prontos para salvaguardarem sua soberania. POVO EDUCADO.
  • william  19/04/2012 10:44
    Vejam também esse artigo escrito por Ron Paul, esclarecendo os mitos em relação ao padrão ouro, que eu encontrei no Mises Portugal:

    mises.org.pt/posts/artigos/cinco-mitos-sobre-o-padrao-ouro-ron-paul-1981/

  • Atylla  19/04/2012 10:48
    Leandro, Em uma economia com padrão-ouro onde a população prefere guardar o seu dinheiro em casa ao invés de depositar no banco, como ficaria o crescimento do investimento na produção já que a poupança não estaria disponível para empréstimo?
  • Leandro  19/04/2012 11:12
    Prezado Atylla, nada se alteraria.
    Se as pessoas retirem dinheiro dos bancos para colocá-lo debaixo do colchão, isso não provocaria um descasamento entre poupança e crédito.

    E pelo seguinte motivo: esse aumento da demanda por dinheiro não altera a estrutura da produção. Por quê?

    Se a taxa de juros representa a taxa intertemporal de troca entre bens presentes (bens de consumo) e bens futuros, é correto dizer que a demanda por dinheiro de maneira alguma afeta essa troca. Afinal, a quantia de dinheiro que passa a ser entesourada estará sendo retirada tanto daquela quantia que seria gasta em consumo, quanto daquela quantia que seria gasta em investimentos. Logo, não há nenhum impacto a priori na proporção entre consumo e investimento -- ou seja, na taxa de juros.

    Isso é algo logicamente óbvio. Se um indivíduo passa a querer guardar mais dinheiro embaixo de seu colchão, não há razão alguma para supor que esse aumento na demanda por dinheiro irá afetar a proporção da quantidade de dinheiro que ele direciona para investimentos e a quantidade de dinheiro que ele direciona para o consumo. Tanto seu consumo quanto seu investimento irão cair, porém não há motivos para imaginar que a proporção entre ambos será alterada. O que esse aumento na demanda por moeda irá provocar é uma redução tanto nos preços nominais quanto na renda. Porém, a estrutura do capital, a renda real e a taxa de juros permanecerão inalteradas.

    Agora, caso realmente essa proporção entre investimento e consumo fosse alterada, então aí sim o indivíduo estaria alterando sua preferência temporal-- nesse caso, haveria alteração dos juros, do consumo e do investimento, e tal alteração estaria perfeitamente de acordo com a vontade voluntariamente expressada pelos indivíduos. Eles assim quiseram.

    Abraços!
  • Pedro Bolson  19/04/2012 10:54
    Gosto de pensar na estabilidade que o padrão ouro gera, mas o meu raciocínio acerca dessa questão não fecha apenas por um detalhe. Talvez por limitação técnica.

    Vamos supor uma economia com apenas dois agentes (A e B), oferta monetária constante e 100% lastreada em ouro.
    O Agente A é detendor integral dos recursos e o agente B decide tomar estes mesmos recursos para empreender um novo projeto. Obviamente o agente A irá cobrar juros para emprestar estes recursos, caso contrário não haveria estímulo para emprestar.
    De que maneira o agente B poderá honrar sua dívida no futuro (t+1)?

    Talvez o exemplo seja demasiadamente simples. Numa economia com inúmeros agentes e oferta monetária não concentrada, aqueles que tomarem recursos e obtiverem sucesso em seus empreendimentos consiguirão reunir recursos para honrar a dívida e obter lucro, ao passo em que os mal sucedidos serão liquidados e liberarão os recursos mal utilizados. Mas enfim...se alguem puder clarificar minhas idéias, desde já agradeço.

    Ao fim, acredito que a instuição do juros (que é uma prática plausível, não discordo de sua aplicação), em uma oferta monetária constante, implicará sempre em um perdedor que será a instituição que emprestou mal seus recursos (hoje em dia, com a impressão de dinheiro o resgate vem em forma de monetização).
  • Leandro  19/04/2012 11:03
    Pedro, veja a minha resposta dada ao leitor anônimo lá em cima. É a mesma para a sua pergunta.

    Abraços.
  • Pedro Bolson  19/04/2012 11:08
    Ok. Quando estava redigindo meu comentário a sua resposta não estava disponível.

    Mas então você concorda com a idéia a seguir?
    "Ao fim, acredito que a instuição do juros (que é uma prática plausível, não discordo de sua aplicação), em uma oferta monetária constante, implicará sempre em um perdedor que será a instituição que emprestou mal seus recursos (hoje em dia, com a impressão de dinheiro o resgate vem em forma de monetização)."

    Abraço
  • Leandro  19/04/2012 11:18
    De maneira alguma. Por que seria assim? Se eu empresto $1.000 para você pelo período de um ano e cobro 0%, e se durante este período houver uma deflação de preços (que é a norma em um padrão-ouro) de, por exemplo, 2%, quando você me devolver os mesmos $1.000, eu ainda assim irei obter um ganho real de 2%. E este é o pior dos cenários. Qualquer juro adicional que eu cobrar -- por exemplo, 0,5% ou 1% -- irá aumentar ainda mais meu rendimento.

    Observe que qualquer inflação de preços que ocorrer irá me forçar a, da próxima vez, aumentar os juros cobrados apenas para manter meu poder de compra, exatamente como ocorre em um padrão-papel.

    Portanto, não. O padrão-papel beneficia o devedor e o padrão-ouro beneficia o poupador.

    Abraços!
  • Pedro Bolson  19/04/2012 11:39
    Você tocou no ponto em que eu queria chegar.

    Porque emprestar $1.000 a juro 0%? É muito mais factível eu entensourar esses recursos e quando a deflação de preços chegar, eu tenho 2% a mais de recursos e sem os riscos inerentes de emprestar dinheiro. Ou seja, não há incentivo algum em emprestar a juro de 0%.

    Caso eu cobre juros em um cenário de oferta monetária constante (fixa mesmo!), o tomador de empréstimos só consiguirá angariar recursos se for eficiente com o dinheiro que tomou emprestado. Como é um jogo de soma zero, o ganho de um agente é o não-ganho de outro. Neste caso, quem perderia é a instituição que emprestou para o agente ineficiente, que não honrará sua dívida. Até aí nenhum problema, os eficientes prosperam e o ineficientes sucubem. É assim mesmo que tem que ser.

    Esta não minha posição definitiva. Apenas estou lançando luzes ao tema para clarificar meu pensamento acerca desse assunto.
  • Leandro  19/04/2012 12:12
    É exatamente por isso eu enfatizei dizendo que este seria o pior cenário.

    Sim, é muito mais cômodo deixar o dinheiro parado e esperar a deflação de preços a simplesmente se arriscar e emprestar para alguém.

    Só que há um porém. Se todo mundo fizer isso, não haverá produção; logo, não haverá deflação. E isso, essa escassez de crédito, por si só já fará elevar os juros, tornando-se convidativo voltar fazer empréstimos. Nota-se que este cenário de juros zero não se sustenta. O mercado tende ao equilíbrio.

    Ademais, o que interessa é o juro real. Em um cenário de inflação de preços de 5%, uma taxa de juros de 6% traz um retorno muito menor do que um cenário com inflação de preços 0% e juros a 2%. E com um agravante: no primeiro caso, justamente pelo fato de os preços estarem aumentando, é mais difícil para um empreendedor obter o lucro esperado. Pois além de seus custos de produção estarem aumentando, o fato de ele próprio estar aumentando o preço de venda de seus produtos pode fazer com que sua receita seja menor do que a prevista (preço maior tende a gerar menor demanda).

    Já no segundo caso, com inflação de preços nula, sua receita é mais previsível.

    O ideal (tanto na teoria, como também já comprovado na prática) é, como discorri em meu podcast, ter uma oferta monetária aumentando constantemente a uma taxa de 2%. Com uma economia crescendo a 3 ou 4%, e uma oferta monetária crescendo 2%, não apenas os preços caem, como as receitas e os lucros aumentam (em decorrência da combinação preços menores-mais dinheiro-demanda maior).
  • Pedro Bolson  19/04/2012 13:03
    Concordo com a argumentação exposta. O mercado encontrará a taxa de juros em que o emprestadores estarão dispotos a emprestar e o tomadores a tomar recursos. Sem dúvida.

    Mas a questão de haver recursos necessários para honrar todas as dívidas realizadas e passíveis de juro em uma oferta monetária constante ainda permanece obscura.

    Me parece ser como uma grande dança das cadeiras, quando a música para algum fica sem lugar. Porém no exemplo econômico, o reflexo e agilidade seriam substituídos por perspicácia econômica. Como dito anteriormente, nada de errado com isso.
  • Leandro  19/04/2012 13:28
    Mas Pedro, quanto a isso não se preocupe: hoje já é assim. A dívida total da economia, juntando setor público e privado, é de R$2,035 trilhões.

    Mas a quantidade de dinheiro físico na economia, isto é, cédulas e moedas metálicas, é de R$ 142,85 bilhões (dados de ontem).

    Ou seja... Paulo Francis dá a resposta.
  • bernardo  20/04/2012 18:19
    Mas um aumento brando e constante na oferta monetária não é uma idéia chicaguista? Eu achava que os austríacos defendiam um aumento zero da oferta monetária, ou existe divergencias quanto a isso dentro da escola?
  • Leandro  20/04/2012 19:14
    Não há e nem nunca houve esta regra do aumento zero. Aliás, seria incoerência se houvesse, pois, em um padrão-ouro, a oferta monetária aumentaria em torno de 2%.

    Chicago defendia um aumento anual em torno de 5 a 8%, só que mantendo exatamente a atual estrutura -- isto é, injetando o dinheiro diretamente no setor bancário por meio da compra de títulos de dívida em posse dos bancos. Ou seja, Chicago defende a manutenção da moeda lastreada em dívida, o que, por si só, já é um incentivo para o perpétuo endividamento do governo.

    Nenhum austríaco defende isso.

    Abraços!
  • Lúcio  19/04/2012 12:36
    Leandro,

    o IMB possui algum tipo de curso sobre investimentos baseado nos pensamentos da escola austríaca?

    Algo para quem opera no mercado de ações e para quem gostaria de aprender os momentos certos para comprar e vender ouro por exemplo.

    Existe tal curso?

    Gostaria muito de saber como os austríacos operam na bolsa.

    Grato.
  • Leandro  19/04/2012 12:59
    Este não é exatamente o nosso objetivo, Lúcio. Mas há alguns leitores nossos que fazem isso. Vejamos se eles vão entrar em contato com você.

    Grande abraço!
  • Angelo T.  20/04/2012 04:51
    Tem um texto aqui no site que pode ajudar.

    Como a bolsa de valores e a economia realmente funcionam
  • Diego  21/04/2012 13:52
    Não exatamente o que você procura, mas na Espanha existe um curso de investimentos baseado na Escola Austríaca:
    ommayau.com/index.php/P%C3%A1gina_principal
  • Maciel  19/04/2012 13:03
    Leandro

    O padrão ouro só é benéfico se os países com maior relevância econômica adotarem?
    Caso o Brasil adotasse o padrão ouro,como se protegeria da expansão monetária mundial?

    Parabéns pelos artigos.
  • Leandro  19/04/2012 13:39
    Como assim "se proteger da expansão monetária mundial"? Quem está no padrão-ouro, ou mesmo em um regime monetário de papel-moeda com baixa expansão, como é o caso da Suíça, do Japão, e da Alemanha do marco alemão, não se preocupa com a política monetária alheia. Ao contrário, ganha em cima dela.

    O que iria acontecer -- como demonstram os exemplos práticos tanto da própria Alemanha sob o marco quanto da Suíça e do Japão dos últimos 30 anos -- é que o padrão de vida da população deste país iria aumentar (moeda forte, preços estáveis, viagens baratas, fartas importações de eletrônicos) e, principalmente, suas exportações, ao contrário do que imaginam desenvolvimentistas também iriam aumentar.

    Isto é fácil de entender: moeda forte gera preços domésticos baixos, o que torna os produtos nacionais extremamente atraentes no mercado internacional. Se, por um lado, a moeda está valorizada no mercado de câmbio, por outro, os preços dos produtos deste país estão bastante atraentes no mercado internacional. E a taxa de câmbio representa apenas uma parcela do custo total de importação que um estrangeiro deve pagar; ainda mais importante é o custo genuíno deste bem em sua moeda original.

    Estes três países citados possuem as moedas mais fortes do mundo (no caso da Alemanha, ainda o marco alemão) e são nações amplamente exportadoras.

    Adicionalmente, os investimentos estrangeiros no país também tenderiam a explodir, justamente por causa da garantia de retorno em moeda forte.

    Logo, não há absolutamente nenhum ponto negativo em se ter uma moeda forte. Ao contrário: toda a população se beneficia de um maior padrão de vida.

    Abraços!
  • Maciel  19/04/2012 14:28
    Muito obrigado pela sua prontidão em sanar minha dúvida.
  • Lucio  19/04/2012 13:14
    Obrigado Leandro, fico no aguardo dessa turma!

    Acredito que deva haver value investors(meu caso) e especuladores que utilizam-se da EA para operar na bolsa.

    Grande abraço.
  • Daniel Romeiro  19/04/2012 15:33
    Leandro,

    Parabéns pelos seus artigos. Junta forma e conteúdo duma forma admirável.
    Escrevo para chamar a atenção (não a sua, mas a de alguns leitores) para os dois sentidos da palavra inflação:
    - inflação como aumento da quantidade de dinheiro (que é, tanto quanto sei, a definição da Escola Austríaca e o sentido original);
    - inflação como aumento de preços (que é a definição popular).
    Normalmente, a 1ª acaba sempre por provocar a 2ª, mas pode haver um desfasamento temporal. Penso que é este desfasamento que os governos usam para lucrar com a criação de dinheiro, fugindo às consequências políticas e económicas: eles tentam sempre imprimir mais dinheiro sem que isso provoque aumento de preços. Como isso a longo prazo nunca pode resultar, surgem depois os controles de preços, de capitais, etc.
    Concluindo, entendêmo-nos melhor se diferenciarmos "inflação monetária" e "inflação de preços".

    Bem hajam!
  • economista  19/04/2012 16:08
    O problema sistêmico que Capitalismo tem enfrentado não vem exatamente do uso ou não do padrão-ouro e sim do excesso especulativo, feito por sistemas bancários desregulados e obscuros; e da cobrança de juros. Uma solução baseada no padrão-ouro seria impraticável nos dias de hoje pelo tamanho das economias mundiais em relação as reservas de ouro.

    "Em uma palestra proferida na Universidade George Washington no dia 20 de março, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse que, sob um padrão-ouro, a capacidade das autoridades monetárias de abordar e resolver efetivamente quaisquer condições econômicas se torna significativamente restringida. O presidente do Fed afirma que o padrão-ouro impede um banco central de incorrer em políticas voltadas para a estabilização da economia após choques inesperados e repentinos. Isto, por conseguinte — sustenta Bernanke —, pode levar a severas turbulências econômicas."
    - Claro um padrão-ouro não permitiria fazer o Fed fez, inundar o sistema americano e mundial de dólar impresso dia e noite. Papeis pintados de verde que não valem quase nada. Só se sustentam baseados na tradição do Governo Americano honrar seus pagamentos...até quando o mundo vai acreditar nessa lorota, eu não sei. Mas assim que acordarem, e vai ser da noite pro dia; o mundo vai mudar. Ou melhor, já está mudando, pois mesmo com seu maior poder militar os EUA já estão perdendo o respeito dos países do mundo. Devido a sua enorme dívida e buraco sem fundo econômico.
    " Países não tem amigos, tem interesses"

    Tenho uma má vontade enorme em relação e esse senhor Ben Bernanke pois ele não passa de um pau mandado do UNICO BANDO CENTRAL PRIVADO DO MUNDO, - o FED ( Federal Reserve) que imprime o dólar e revende ao Governo Americano ganhando um lucro em cima. Essa anomalia econômica vem de uma jogada; um golpe dado no congresso dos EUA em uma votação a meia noite, na véspera do Natal..heheh. :pirata: No ano de 1913. Nesse dia o povo americano perdeu o controle de sua moeda e impressão do Dólar.

    outroladodanoticia.wordpress.com/2009/01/17/os-bastidores-da-criacao-do-fed-o-banco-central-dos-eua/

    dissidentex.wordpress.com/2008/12/30/crise-financeira-americana-a-impressao-de-moeda/

    Apesar de ser um segredo relativamente bem guardado é comum afirmar-se sem grande margem de erro, que pelo menos estes 10 abaixo designados são acionistas (donos) do FED:

    1. Rothschild Bank of London
    2. Warburg Bank of Hamburg
    3. Rothschild Bank of Berlin
    4. Lehman Brothers of New York
    5. Lazard Brothers of Paris
    6. Kuhn Loeb Bank of New York
    7. Israel Moses Seif Banks of Italy
    8. Goldman, Sachs of New York
    9. Warburg Bank of Amsterdam
    10. Chase Manhattan Bank of New York.
    ( Esses são a espinha dorsal da NOM :rocket: )


    Diante disso afirmo: Esperem e assistam a queda dos EUA, não tem mais salvação. A dívida é impagável sem calote!!!!

    Em uns 20 ou 30 anos serão apenas um país rico e com armas nucleares, nada mais( como Inglaterra ou França). Isso se caso não se separem em várias repúblicas independentes devido a sua Confederação, queda do padrão de vida e da dívida enorme. Os Estados seguirão seus próprios caminhos, de forma independente mantendo a língua e a cultura.

    "Contrariamente ao que afirma Bernanke, um padrão-ouro cujos princípios básicos não sejam violados por um banco central não tem como produzir instabilidades. Ao contrário, a estabilidade é contínua."
    - O problema é justamente esse. Mesmo que arrumássemos ouro suficiente no mundo para isso, quem garante que esses princípios não serão violados??? Quem vai fiscalizar nações soberanas??
  • Prentice Franco  19/04/2012 16:12
    Levando em consideração os pontos positivo de se ter as reservas de dinheiro limitada sendo atrelada ao ouro, estancaria a volatilidade, limitando o endividamento público evitando variações bruscas em seu valor, mas o perigo de se ter a moeda atrelado ao ouro onde sua demanda fez os preços se valorizar em 114,2% de Abril 2009 a 11 set de 2011 , sem falar no poder de ESPECULAÇÃO que o ouro pode apresentar em relação a Prata e ou outros metais mais abundantes, evitando o poder de especulação dos preços, não sei quais os efeitos que poderiam causar com essa valorização na moeda ao amplo mercado nos tempos atuais, porem o poder de concentração e manipulação do ouro eu ficaria com a Prata como referencia.

    Já tivemos disputas da classe dominante financeira em querer implantar o ouro em vez da Prata, pois na época o ouro era mais fácil de concentrar por consequência manipular seu preço, devido a sua escassez, porém os tempos mudaram e uma comandite surgiu que pode ser usado, relacionar à produção e os serviços à moeda com a arrecadação governamental dando o tom da valorização e sua emissão. O problema da emissão de dinheiro em reserva fracionada é sua regulação que difere geralmente com as configurações de mercado imposta, ou seja, a falta de fiscalização da relação em demanda de dinheiro seguro para o mercado.

    Limitar um potencial desenvolvimento de uma economia, é um erro, ao se atrelar a Moeda ao ouro ou Prata, porém utilizar uma reserva fracionada e atrela a demanda de produção e serviço como um meio paliativo, misto, com outro regime monetário que não impeça o crescimento sustentável será a grande questão, por um lado, a supervalorização da moeda por está atrelada a uma comodities manipulada por sua demanda, por outro, uma moeda atrelada a produção e serviços onde sua demanda é regulada pelo aumento ou potencial aumento de sua demanda a media que a economia vem se desenvolvendo.

  • mauricio barbosa  19/04/2012 18:50
    Leandro perdoe-me o lapso temporal de ignorância mas como assim, com uma moeda forte nossas exportações aumentariam,pois até onde sei nossa industria está sendo esmagada com o câmbio flutuante(declinante) e nossos industriais tem clamado por protecionismo haja vista serem ineficientes e peço-te que mim esclareça esse ponto,por favor e continue assim combativo e esclarecedor como sempre,não deixando de responder ninguém e tapando a boca desses críticos raivosos e sem argumentos plausíveis,afinal a liberdade é fundamental,um abraço, aguardo ansioso e humildemente a resposta visando esclarecer a mim e todos os leitores internautas incluindo os críticos de plantão.
  • Leandro  19/04/2012 19:29
    Prezado Mauricio, a choradeira cambial não faz nenhum sentido, pois, como demonstrado neste artigo, desde setembro o câmbio tem estado extremamente favorável, estando inclusive mais desvalorizado do que no segundo semestre de 2010, auge da indústria.

    O que ocorre é que, também como explicado em vários artigos deste site, a economia brasileira entrou na fase de recessão do ciclo econômico em setembro do ano passado, e, quando isso acontece, são os setores de ordem mais alta os primeiros a sofrer e os que sofrem com mais intensidade.

    No mais, moeda forte, como eu disse, faz bem a um país. E para quem não quer saber apenas de teoria, que fique então com os exemplos práticos da Alemanha sob o marco, o Japão e a Suíça.

    Abraços!
  • Tiago Moraes  21/04/2012 19:21
    O problema é que o Brasil sofre forte pressão nos preços domésticos, por conta da baixa produtividade da nossa mão-de-obra (oriunda da baixa qualificação) dos nossos gargalos em infra-estrutura e da nossa terrível burocracia e legislação tributária. Neste cenário, a única forma de um país conseguir aumentar as exportações, fechar a balança comercial com saldo positivo e aumentar as reservas, é através da produção de bens que são por natureza mais baratos, recorrendo à setores cuja produção não sofre tanta pressão nos custos. Este é o caso do Brasil, cuja base das exportações são os produtos primários.

    A outra alternativa já foi mencionada pelo Leandro, se o país adotar uma política de austeridade fiscal, inibir o inflacionismo, aumentar a produtividade e desburocratizar a produção, o resultado é estabilização dos preços domésticos, com intensidade suficientemente grande para suprimir o efeito da apreciação cambial, que neste caso se torna um lucro adicional para os exportadores. O exemplo é perfeitamente factível, vide o caso da Alemanha, que desde o fim da Segunda Guerra mundial, teve no marco alemão, uma das moedas mais fortes do mundo, no mesmo período em que se tornou o maior exportador do mundo, e detalhe; a Alemanha não exporta quinquilharias e produtos primários, mas bens de alto valor agregado, como automóveis, máquinas e equipamentos industriais.
  • mauricio barbosa  19/04/2012 19:55
    Prezado Leandro entendi a sua resposta ou seja enquanto nossa industria fica chorando pedindo proteção, a industria alemã inova e ganha mercados externos mostrando com isso que moeda forte em si não é o problema nem a solução, mas ao contrário os empreendedores de lá é que são ágeis e audaciosos e as medidas econômicas não são problema ou empecilho,muito pelo contrário são oportunidades para vencer e lucrar com elas.Nossa cultura é que precisa mudar,precisamos de empreendedores inovadores e não por necessidades(desempregados,vaidosos,lavadores de dinheiro e etc...)ai sim teremos exportadores dignos do nome e não esses chorões atuais e de sempre(Fiesp,Fiemg e outros)que mais atrapalham do que ajuda este país de bananas manipuladas por este politiqueiros asquerosos.
  • Glaucio  19/04/2012 20:12
    Gostaria de saber tb como investir baseado nas EA. Alguem poderia dar um curso? Lucio se souber poste ai. Abraços
  • Lucio  20/04/2012 07:39
    Glaucio, desconheço a existência de tal curso.\r
    Também estou interessado!
  • Economista  20/04/2012 12:31
    Só tem uma dúvida, citaram a Suíça. O Franco suíço foi a última moeda a abandonar o padrão-ouro em 1988, antes disso eles mantinham 40% do valor da moeda em ouro nos cofres da Confederação. Por que a Suíça abandonou esse seguro padrão de cotação de sua moeda? Porque seus produtos pararam de ficar competitivos, visto que seu dinheiro era mais caro que o "dinheiro de papel" dos outros países. Acho q o caso suíço é um claro exemplo de q o padrão ouro é impraticável nos dias de hj.
  • Leandro  20/04/2012 13:21
    O Banco Central da Suíça não utilizava o ouro como "padrão de cotação de sua moeda" em 1988. Desde Bretton Woods, seu Banco Central agia como todos os outros bancos centrais até 1971: fixavam seu preço em relação ao dólar. Utilizar o ouro como "padrão de cotação de sua moeda" não era sua política em 1988. Você está desinformado.

    Ademais, o franco suíço se valorizou em relação às outras moedas simplesmente porque seu banco central era um dos menos expansionistas do mundo. Só isso. Não havia uma cotação fixa em relação ao ouro.

    No entanto, infelizmente, o país vem cedendo ao lobby exportador, que, em qualquer lugar do mundo, prefere obviamente ganhar dinheiro da maneira mais fácil, que é por meio de favores políticos.

    Para quem está genuinamente interessado no assunto, recomendo este texto sobre o BC da Suíça:

    O novo paradigma do Banco Central da Suíça
  • Economista  20/04/2012 14:30
    Perfeito, Leandro. Vc foi esclarecedor. Só pra matar esta dúvida. É q numa discussão, um professor de economia me disse, para provar a inviabilidade do padrão ouro, q Suíça adotava até 1988 e desde então abandonou esta política. Eu sabia q os EUA tinham abandonado completamente o padrão ouro desde Bretton Woods (na verdade, desde 1933, mas deixemos isso pra lá). Aí ele veio com este papo de q a Suíça mantinha 40% do valor de sua moeda em ouro até 1988 (daonde provém este dado), e q abandonou esta política por causa da "competitividade", "exportação" e outras baboseiras. Então, o desinformado é o meu professor da economia. Mas vc foi esclarecedor...mas pra vc vê como as faculdades de economia estão uma m...
  • bernardo  20/04/2012 17:09
    Tenho algumas dúvidas.

    No padrão ouro, um país rico em jazidas, se tornaria instantaneamente rico? E um pais sem qualquer jazida, como ele faria para expandir sua oferta monetaria, mesmo que só um pouco? Por exportação, mas e se no fim das contas a balança comercial dele fosse negativa?

    E sobre a vantagem de se exportar tendo uma moeda forte, eu não entendi bem. Comparando 2 países exportadores, digamos Alemanha e China que estão vendendo produtos para o Brasil.
    Considerando as aproximações 1 euro = 2 reais e 1 yuen = 0.5 reais.
    Os custos de produção da alemanha com mão de obra seriam 1 euro, aproximando, 2 reais, já o custo chines, seria 1 yuan que daria aproximadamente 0.5 reais, quando o produto chegasse no Brasil, o chines teria 1,5 reais a menos de custo, podendo cobrar este valor mais barato do que o alemão. Porque então um país de moeda forte teria vantagem na exportação?
  • Leandro  20/04/2012 19:13
    Prezado Bernardo, um país rico em jazidas teria muito poder de compra para importar produtos. Ele não seria rico. Ele teria apenas abundância de moeda, da mesma forma que o Brasil não era rico na década de 1980, quando nadava em dinheiro (um mero papel pintado). Ter ouro, por si só, não deixa ninguém rico. A riqueza de um país é determinada por inúmeros fatores, dentre eles a capacidade empreendedora de seu povo, seu grau de instrução, sua divisão do trabalho, sua poupança e sua acumulação de capital.

    Já um país sem jazidas não precisa adotar o ouro como sua moeda. Ele que adote o que quiser. Pode até utilizar bananas, se o mercado local assim quiser. Atualmente, exceto os EUA, nenhum país produz dólares. Mas todos eles precisam de dólares para importar. Logo, este seu cenário (inclusive a questão da balança comercial) já existe hoje para absolutamente todos os países. Não mudaria nada.

    Sobre a questão das exportações com moeda forte, o produto chinês de fato seria mais barato, mas e a qualidade? Quem quiser produtos mais simples, que compre os chineses. Quem quiser mais sofisticação, refino e robustez, que fique com os alemães. Quem disse que eles são mutuamente excludentes? Ademais, vale lembrar que a Alemanha atual, agora sob o euro, não entrou no meu exemplo, pois o euro está longe de ser uma moeda sólida. Uma moeda genuinamente sólida faria com que os preços locais diminuíssem com o tempo, tornando produto continuamente atraente no mercado internacional -- sendo esta uma vantagem inquestionável para os tarados por exportações. Este é o ponto.


    Abraços!
  • Paulo Sergio  21/04/2012 04:12
    'Ele não seria rico. Ele teria apenas abundância de moeda, da mesma forma que o Brasil não era rico na década de 1980, quando nadava em dinheiro (um mero papel pintado).'

    Não entendi essa comparação, como é que papel pintado pode ter o mesmo valor que ouro?
  • Leandro  21/04/2012 13:29
    Não foi um comparação entre um e outro. O objetivo foi o de dizer que possuir meio de troca em abundância -- seja este meio de troca o ouro ou o papel pintado -- não configura riqueza.

    É preciso saber a distinção básica entre dinheiro e riqueza.  Dinheiro é apenas um meio de troca.  Riqueza é aquilo que é recebido nessa troca.

    Um país ter muito ouro não o deixa automaticamente rico. O mesmo vale para um país farto em petróleo. Riqueza é resultado da divisão do trabalho, da acumulação de capital, e da poupança. Riqueza não depende da quantidade de meio de troca que uma economia possui.
  • Paulo Sergio  21/04/2012 13:45
    Leandro, ainda é meio difícil de entender isso.Pode até não ser riqueza, dependendo de como se define riqueza, mas vc concorda que é alguma forma de vantagem? Porque se um país descobre uma mina de ouro no seu chão, pelo menos ele tem mais POTENCIAL pra gerar riqueza que outro que não tem
    Se hoje eu quiser abrir uma franquia da pizza hut eu não posso, mas se amanha descobrir um poço de petroleo debaixo da minha casa aí fica mais fácil
  • Leandro  21/04/2012 14:22
    Paulo Sérgio, você sem dúvidas estaria em vantagem em relação aos seus compatriotas. Porém, se você vivesse em uma economia atrasada, sem um mercado bem desenvolvido, com uma divisão do trabalho primitiva, sem livre comércio e sem capital acumulado, você simplesmente não teria como fazer esse empreendimento.

    Escolhi este cenário extremo para ilustrar que não importa a abundância do meio de troca; se não houver recursos na economia, você está impotente.

    Ou apenas imagine você e mais alguns náufragos na ilha de Lost. Você pode ter uma valise cheia de ouro; de nada adiantará. Se você não souber como utilizar os recursos do lugar para melhorar seu padrão de vida, sua "riqueza" em ouro não terá valia alguma.
  • Paulo Sergio  21/04/2012 16:21
    'E um pais sem qualquer jazida, como ele faria para expandir sua oferta monetaria, mesmo que só um pouco? Por exportação, mas e se no fim das contas a balança comercial dele fosse negativa?'

    Essa pergunta é meio confusa, que eu saiba, balança comercial negativa é quando ele compra mais do que vende, certo? Agora como é que ele vai comprar mais se ele já começa sem ouro?
  • Augusto  21/04/2012 02:45
    Alguem precisa escrever um artigo "Explicando o basico de acao humana para Jeffrey Sachs".\r
    \r
    Vejam algumas perolas da entrevista dele ao O Globo:\r
    \r
    "Todo mundo vê sua situação econômica, olha para o grupo que está logo acima e pensa: por que não posso ser assim? Isso leva a uma cadeia de desejo e pressão global, e é o impulso mais profundo à política em todos os lugares, que é aumentar as condições materiais. E, incrivelmente, até as pessoas mais ricas estão desesperadas para ficarem mais ricas."\r
    \r
    "Estou tentando começar com o topo da cadeia, os mais ricos. Porque se você começa pelos pobres, dizendo "ah, não queira tanto", é injusto e indesculpável. Mas se milionários e bilionários agem de forma usurpadora (de recursos), não há desculpa. Estudos mostram que diretores-executivos de grandes companhias costumam não ter os valores sociais que se esperaria deles, como responsabilidade e honestidade. Há muito narcisismo e ganância, e isso polui os valores da sociedade como um todo."\r
    \r
    "A legislação internacional é um instrumento muito fraco, mas é o único que temos. Não temos um regime de sanções. Tratados são obrigações que os Estados Unidos, por exemplo, simplesmente ignoram quase completamente. Desde a Rio 92, que aconteceu há duas décadas, (os tratados) estiveram nas mãos de advogados, que argumentam sobre o significado de cada palavra. Não estiveram nas mãos de engenheiros, que realmente fazem algo sobre essas questões."\r
    \r
    \r
    \r
    MINHA TRADUCAO PARA ISSO TUDO: "Os pobres olham para os ricos e gostariam de viver como os ricos. Isso eh ruim para o meio ambiente. Minha luta eh para acabar com os ricos, nao para melhorar a vida dos pobres."
  • Andre  28/04/2012 10:18
    Um cara tentando usar ouro como dinheiro em nova iorque
    exame.abril.com.br/mercados/noticias/ouro-continua-a-subir-mas-e-possivel-comprar-uma-cerveja-com-ele
  • Bruno  12/05/2012 22:45
    É meio óbvio para qualquer pessoa com um mínimo de inteligência que poucas empresas estão preparadas/disposta a aceitar pagamentos em ouro quando a economia não segue o padrão-ouro.

    Além do mais, seria muita burrice sair por aí carregando barras de ouro para trocar, ao invés de utilizar um sistema de troca de certificados de depósito.
  • Alinson  28/08/2012 04:47
    O último artigo de Paul Krugman no estadão, "Instabilidade de ouro", demonstra o quão louca é esta pessoa, que me causou uma enorme indignação.
  • Josélton  16/10/2016 12:29
    Como a escola austriaca explica essas altas variações na inflação dos Estados Unidos no padrão ouro?

    www.multpl.com/inflation/

    i.imgur.com/7j8ThOQ.png
  • Tulio  16/10/2016 13:40
    "Alta variação" significa um ano de inflação de preços alta (por causa de choques de oferta) seguido por dois a três anos de deflação (quando o choque de oferta é seguido por uma superabundância de oferta).

    De modo que, no agregado, a deflação predominava.

    E isso não é questão de opinião, não. É estatística. De 1865 (ano do fim da guerra de secessão) a 1913 (ano da criação do Fed), a inflação média anual foi de -1,03% (deflação de 1,03% ao ano).

    Isso significa que a moeda ganhou de poder de compra neste período. Aquilo que custava US$ 100 em 1865 passou a custar US$ 60,80 em 1913.

    Isso foi "alta inflação"? Se sim, então eu quero uma dessa pra mim. Muito melhor que juros.


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