clube   |   doar   |   idiomas
Política, economia e os conflitos de classe

A ciência econômica é uma ciência teórica cujo objetivo é analisar as consequências econômicas de todas as modalidades da ação humana.  Ela examina os preços dos bens, os salários e as taxas de juros, e faz indagações sobre os fundamentos da produção, da distribuição e do consumo.  Ela busca os meios mais diretos de se alcançar os fins desejados.  Ela não justifica nem condena as motivações de qualquer ação econômica; ela é uma ciência livre de juízo de valor. 

A política é a arte da governança estatal, incluindo-se aí as políticas do governo, seus objetivos e suas relações, seus métodos e suas táticas, além das ambições e ações dos partidos envolvidos.  Ela apela a várias causas e intenções, e é guiada por preferências individuais que nada mais são do que escolhas morais feitas por indivíduos em suas relações com terceiros.  A política também já foi definida como sendo "quem consegue o quê, quando e como".  Nas palavras de John F. Kennedy, "a ação política é a mais alta responsabilidade de um cidadão".

A conexão entre ciência econômica e política é claramente visível.  A produção econômica sustenta a vida humana, função esta que, para a maioria das pessoas, é a tarefa mais importante de nossas vidas.  O prestígio de governos democráticos, sua ascensão e queda, normalmente depende de seu desempenho econômico.  Políticas econômicas devem agradar ao maior número de pessoas possível, pois são elas que decidem o resultado de eleições e reeleições democráticas.  Porém, os eleitores, bem como os representantes que eles escolhem, podem também ser guiados por noções e doutrinas econômicas que são populares mas que não são necessariamente corretas e apropriadas.  A opinião pública pode ser influenciada por populismos e apelos emotivos em vez de pela razão e bom senso.  Comentaristas políticos podem preferir concentrar-se em controvérsias e conflitos em vez de em teorias sólidas e corretas; jornais, revistas, programas de televisão e de rádio ou quaisquer outras formas de comunicação podem igualmente cometer o mesmo erro.  Políticos bem articulados normalmente colaboram para a confusão acrescentando suas próprias explicações e interpretações.  Eles podem preferir ser populares a estarem corretos.

Como vivemos em um mundo de escassez, no qual não há abundância de nenhum bem econômico, a oferta destes é algo por natureza limitado, e isto obviamente tende a criar um conflito de interesses.  Porém, a cooperação humana e divisão do trabalho aumentam enormemente a produtividade e a oferta de bens, o que remove este conflito natural.  A produção em larga escala efetuada por um grande número de trabalhadores diminui os custos unitários de produção e reduz os preços reais dos bens de consumo.  Ela cria uma harmonia de interesses entre todos os membros da sociedade.  Similarmente, a utilização de bens de capital na produção aumenta a produtividade.  A simples utilização de mão-de-obra humana irá produzir muito pouco; a produtividade só aumenta se ela for auxiliada pelo emprego de máquinas e ferramentas.  Estas, por sua vez, são fornecidas por poupadores, investidores e empreendedores que são tão indispensáveis quanto os trabalhadores que estão utilizando as ferramentas e operando as máquinas.  Embora seja muito mais popular atribuir toda a produtividade aos trabalhadores, é totalmente incorreto ignorar as contribuições feitas pelos fornecedores das ferramentas e pelos gerenciadores de todo o processo produtivo.

Sem nenhuma dúvida, o mais influente escritor político do século XIX foi Karl Marx, cujos textos popularizaram doutrinas sobre conflitos sociais e confrontos de classe.  Suas obras O Manifesto Comunista [1848] e O Capital [1867] se transformaram em bases para o socialismo internacional.  Ele não criou a ideologia do conflito, mas ela deve sua fama principalmente aos escritos de Marx e aos de seus sucessores.  Tal ideologia permeia o pensamento das massas e as políticas econômicas até hoje, 150 anos depois de ele tê-la explicitado pela primeira vez.  Embora Marx não fosse favorável a legislações trabalhistas, inúmeras leis e regulamentações hoje têm a clara intenção de proteger os empregados da avareza de seus empregadores.  Todos os governos democráticos, independentemente de suas supostas ideologias, procuram aumentar esta rede de proteção, criando novos benefícios trabalhistas e previdenciários.  A maioria dos debates políticos sobre questões econômicas concentra-se em noções de conflitos de classe; apenas ouça qualquer político fazendo um discurso e você constatará o quão surpreendente é que, apesar de todas estas incitações ao conflito de classe, ainda consigamos viver relativamente em paz.

O valor de um bem econômico, de acordo com Marx, é determinado pela quantidade de trabalho requerida para sua manufatura.  Qualquer preço maior do que o custo da mão-de-obra — isto é, qualquer excedente ou "mais valia" — representa um lucro para os capitalistas; representa uma grotesca exploração do trabalhador.  Para colocar um fim a esta injustiça, acreditava Marx, todos os instrumentos de produção deveriam ser concentrados nas mãos do estado.  O governo deveria ou ser o dono exclusivo dos meios de produção ou, no mínimo, controlá-los rigidamente, delegando a gerência a algum grupo exclusivo.  Atualmente, governos socialistas ao redor do globo controlam diretamente os meios de produção de vários setores de suas economias, ao passo que governos social-democratas tendem a se contentar "apenas" em regular o uso dos meios de produção.

Economistas sucintamente negam que o trabalho represente o padrão de medida do valor de todos os bens econômicos, e negam também que a "mais valia" represente uma grotesca exploração do trabalhador.  O determinante final do valor de um bem é o juízo de valor que os consumidores fazem deste bem; é a valoração atribuída a ele pelos consumidores.  Sua decisão de comprar ou de se abster de comprar determina a formação dos preços de mercado de todos os bens econômicos, inclusive o preço da mão-de-obra, que nada mais é do que um bem econômico.  Os próprios salários são o resultado das valorações feitas pelos compradores da mão-de-obra.  Não importa se os empregadores e capitalistas são piedosos e compassivos ou se são cruéis e inclementes: todos estão sujeitos às ordens dos consumidores, cuja maioria é também formada por assalariados.  Empregadores, portanto, têm de pagar o salário que o mercado determina.  Se eles se arriscarem a oferecer salários menores, eles irão perder sua mão-de-obra.  Se eles forem forçados a pagar salários maiores, seus consumidores irão obrigá-los a dispensar parte de sua mão-de-obra.  Tanto empregadores quanto empregados são guiados por salários de mercado, os quais oferecem emprego a todos os trabalhadores que estão dispostos a trabalhar pelo valor oferecido.

A doutrina marxista do conflito de classes encontrou pronta aceitação em vários países europeus.  Quando Marx morreu (1883), seus ensinamentos já haviam se espalhado por toda a Europa e criado todo um maciço movimento político.  Na Alemanha, a doutrina marxista fez com que o governo criasse o Sistema de Seguridade Social (1884), começando com o seguro compulsório para acidentes de trabalho, seguido por seguro- doença e depois pela pensão para idosos.  Os pagadores de impostos deveriam subsidiar todos estes programas.  Tudo isso levou os trabalhadores a acreditar que Marx estava certo e que era função do governo atenuar a "exploração".

Nos EUA, Karl Marx indubitavelmente pavimentou o caminho para o surgimento de várias escolas de pensamento econômico baseadas na ideia do conflito de classes, as quais fizeram interpretações peculiares das condições americanas.  A Economia Institucional foi essencialmente um movimento acadêmico americano que, durante algum tempo (1933-1937), teve grande influência sobre as políticas do governo americano.  Sua figura central era Thorstein Veblen, cujos livros The Theory of the Leisure Class [1899], The Theory of Business Enterprise [1904], The Engineers and the Price System [1921], and Absentee Ownership and Business Enterprise in Recent Times [1923] centravam-se no conflito entre aqueles que produziam os bens econômicos — isto é, os operários, os capatazes e os gerentes de produção — e aqueles que eram os proprietários das empresas.  Segundo esta teoria, os capitalistas buscavam ganhos pecuniários que podiam não ser benéficos para a sociedade.  Eles apenas se ocupavam de um "consumismo conspícuo", de um "lazer conspícuo" e de um "desperdício conspícuo".  Eles usufruíam poderes monopolísticos — a concorrência não os restringia.

Outros críticos do sistema empreendedorial fizeram da concorrência monopolística e imperfeita o foco de suas teorias.  Houve o economista inglês Alfred Marshall, que exerceu grande influência no pensamento econômico de todos os países anglófonos.  Seu livro Princípios de Economia [1890] foi, durante muitos anos, o livro-texto utilizado nas faculdades e universidades americanas.  Outros economistas ingleses seguiram o mesmo caminho.  Em seu The Economics of Imperfect Competition, Joan Violet Robinson foi especialmente franca e direta em suas críticas às injustiças econômicas e sociais nas nações em desenvolvimento.  No mesmo ano, Edward Chamberlain publicou The Theory of Monopolistic Competition, que sugeria que a maioria das situações econômicas é composta tanto por monopólios quanto por concorrência.  A ênfase dada às tendências monopolísticas e às imperfeições da concorrência, bem como às acusações de desperdício e exploração, obviamente geraram demandas por mais controle e regulamentações governamentais.

Desde Veblen, o mais ruidoso crítico do mercado tem sido John Kenneth Galbraith.  Baseando-se na análise de Veblen sobre o consumismo conspícuo, Galbraith em seu livro A Sociedade Afluente [1958] argumentou que existiam desequilíbrios econômicos e sociais.  A concorrência havia se tornado obsoleta e havia sido substituída por poderes contrapostos.  O crescimento das grandes corporações havia levado ao crescimento de grandes e poderosos sindicatos.  Adicionalmente, a sociedade agora produzia e consumia enormes quantidades de bens de consumo de alta qualidade, mas as pessoas se contentavam com uma baixa quantidade de bens públicos, todos de qualidade inferior.  A sociedade, portanto, usufruía um conspícuo consumismo privado, mas silenciosamente sofria com declinantes e decadentes serviços públicos.

Durante a Grande Depressão, a doutrina do conflito de classes foi reforçada e escorada pelo pensamento keynesiano, o qual afirma que uma ordem de livre mercado tende a gerar desemprego em massa e que, logo, a manutenção do pleno emprego é o objetivo apropriado e factível do governo.  Os dolorosos defeitos do capitalismo, de acordo com John Maynard Keynes, "são sua incapacidade de fornecer pleno emprego, riqueza e renda" [A Teoria Geral, 1936, p. 372.]  Keynes aparentemente acreditava na economia capitalista; ele queria que o governo a estimulasse, e não que a eliminasse.  Políticos e burocratas indubitavelmente adotam esta linha de raciocínio e jubilosamente se entregam ao contínuo aumento dos gastos governamentais e, consequentemente, dos déficits orçamentários.  Com efeito, a economia keynesiana foi a formulação econômica mais influente do século XX, tendo grande apelo tanto junto aos políticos quanto aos acadêmicos.  Ela gerou uma era inflacionista cujo fim ainda está longe de ser vislumbrado.

A popularidade política de hoje se baseia exclusivamente no pensamento e nas políticas keynesianas.  As ideias keynesianas permitem que os governos manipulem suas políticas de tal maneira que as condições econômicas estejam especialmente favoráveis às vésperas de uma eleição.  Assim como os ciclos econômicos, políticos e burocratas podem, por meio de manipulações monetárias e fiscais, criar também um "ciclo político" acelerando seus gastos, déficits e expansões creditícias bem antes da data de uma eleição.  A expansão econômica artificial, porém febril, que tal medida irá gerar pode ser suficiente para garantir a reeleição.  Após tal feito, eles terão de lidar com as consequências indesejáveis desta tática, como a elevação acentuada dos preços dos bens de consumo e quedas nos salários reais.  Eles podem até optar por reduzir os déficits e restringir novas expansões do crédito — até que uma nova eleição se aproxime.

A doutrina do conflito social estimulou a formação de "grupos de interesse" que, por meio de lobbies, tentam garantir privilégios e proteção aos seus membros.  Ansiosos para promover seus interesses econômicos, estes grupos podem influenciar os partidos políticos e até mesmo a opinião pública geral.  Seu principal alvo, a área em que concentram os seus esforços, é o Congresso.  Ao prometerem generosas doações para congressistas simpáticos às suas causas ou ao garantirem os votos de toda a sua classe nas próximas eleições, estes grupos de interesse conseguem persuadir legisladores, deputados e senadores a criarem projetos de lei que nada mais são do que agressões à propriedade privada e a defenderem sua aprovação.  Muita pressão também é feita sobre burocratas que comandam agências reguladoras, como as do setor de telefonia, do setor aéreo, do setor farmacêutico/sanitário, do setor de transportes terrestres, do setor energético etc.  Seus diretores são extremamente vulneráveis às influências das pessoas que eles regulam.

Existem inúmeras categorias de grupos de interesse que tentam moldar e comandar a opinião pública: algumas são nacionalistas, outras são raciais, ocupacionais e profissionais.  Algumas utilizam com maestria a mídia; outras tentam ocultar do público todo o seu real poder de influência.  Grupos de interesse bem conhecidos — como as associações nacionais de indústrias, de agricultores, de comerciantes, de montadoras, de sindicatos, de produtores calçadistas, têxteis etc. — utilizam ambas as abordagens.

Sempre existiu um objetivo básico que mantém um grupo de interesse coeso.  Tal objetivo é a promoção de seus interesses especiais, a manutenção de privilégios adquiridos no passado, a obtenção de novos favores, e a proteção contra outros grupos concorrentes empenhados em privá-los dos favores adquiridos e em conquistar sua fatia de mercado, sua receita e sua riqueza.  Os políticos procuram liderar todos estes grupos de interesses por meio do apaziguamento e fazendo lisonjas a seus membros, prometendo a eles benefícios futuros cada vez mais generosos.

A política é a atividade dos homens comuns.  Quando eles são bem sucedidos, eles se tornam importantes líderes aos olhos de seus seguidores.  Mas a maioria deles meramente faz eco à opinião pública que já foi formada e moldada por eminentes teóricos, como aqueles mencionados acima.  Políticos podem, no máximo, narrar os ensinamentos de seus professores de ciência política e de economia, ou relatar as lições e as histórias contadas por famosos escritores e comentaristas.  No final, a opinião pública e as políticas públicas são moldadas por escritores e intelectuais.  Foram eles que criaram e disseminaram a doutrina dos conflitos sociais e de classe que norteia as decisões de nossos políticos e burocratas.  Eles são os responsáveis supremos por esta guerra econômica na qual os triunfos de alguns grupos específicos representam a derrota de outros.

Dado que o conflito econômico se origina na mente dos homens, é na mente dos homens que a paz deve ser restaurada.  É obrigação daqueles intelectuais e professores interessados na liberdade analisar com profundidade as consequências econômicas da ação humana e iluminar o público a respeito da inevitável harmonia de interesses que existe em uma economia livre.  Infelizmente, são poucos aqueles que estão propensos a explicar o funcionamento desta harmonia e a mostrar o caminho da paz.  E eles mal podem ser ouvidos em meio a todo este ruído e algazarra gerados pela doutrina do conflito de classes.

 

2 votos

autor

Hans F. Sennholz
(1922-2007) foi o primeiro aluno Ph.D de Mises nos Estados Unidos.  Ele lecionou economia no Grove City College, de 1956 a 1992, tendo sido contratado assim que chegou.  Após ter se aposentado, tornou-se presidente da Foundation for Economic Education, 1992-1997.  Foi um scholar adjunto do Mises Institute e, em outubro de 2004, ganhou prêmio Gary G. Schlarbaum por sua defesa vitalícia da liberdade.


  • ADEMIR  02/04/2012 08:51
    PERFEITO!
    GOSTARIA DE SABER SE IRÃO DISPONIBILIZAR ALGUM LIVRO DO HANZ SENHOLZ PARA DOWNLOAD NO SITE DO INSTITUTO.ABRAÇOS.
  • Fernando Chiocca  02/04/2012 09:02
  • Artur Reis  02/04/2012 09:10
    Me desculpem o termo e a mudança de assunto mais FUDEU...
    www.whitehouse.gov/the-press-office/2012/03/16/executive-order-national-defense-resources-preparedness
    Ditadura vigora nos EUA
  • Alexandre M. R. Filho  02/04/2012 14:49
    Executive orders é igual MP. Aqui, rola solto há anos.
  • Fabio MS  02/04/2012 17:05
    Complementando, executive orders são piores que as nossas MPs.
    As executive orders valem por tempo indeterminado, até que o Congresso decida por derrubá-las.
    As MPs, por outro lado, tem lá seu prazo de validade, ainda que o Congresso nada faça para derrubá-las.
  • Artur Reis  03/04/2012 06:36
    Você por acaso viu oque esta ordem executiva fala ? E oque ja esta vigorando nos EUA ? Eles durmirão em uma democracia e acordaram em uma ditadura, mais pra ficar ainda pior, tem um mega acobertamento jornalistico a nivel mundial.
    Vocês aqui do Mises deveriam investigar e criar um artigo para isto.
  • Leonel  02/04/2012 09:59
    Há muito tenho certeza que liberais/libertários precisam de uma estratégia "gramsciana".
  • Absolut  02/04/2012 10:38
    Fato. Mas já está no forno.
  • Fabio MS  02/04/2012 11:43
    Libertarianismo fabiano
  • Alan Denadary  02/04/2012 13:02
    Eu compartilho da opinião do Juliano Mion de que os libertários deveriam utilizar o próprio mercado a seu favor, por meio da criação de produtos e projetos que impulsionem o libertarianismo. Institutos como o Mises são essenciais, mas acho que falta coragem por parte dos libertarios de se enganjarem no mercado com boas esttratégias.
  • Deilton  03/04/2012 10:47
    O problema é quem compraria esses produtos, provavelmente só quem é simpatizante as idéias do instituto. Seria mais louvável um trabalho junto as universidades, promovendo palestras oficinas e workshop, se atendo aos benefícios do livre mercado e da redução da carga tributária e consequente redução do estado, sem falar, inicialmente, em acabar com o assistencialismo. O brasileiro é muito dependente emocionalmente do estado, falar em acabar com a "proteção" social não é algo que vai trazer amigos para o nosso lado. Isso deve ser um trabalho de longo prazo, não dormiremos hoje e acordaremos amanhã num país capitalista.
  • Rene  03/04/2012 11:01
    É começar agora, esperando colher frutos só daqui a 40 anos. Igual os vermelhos fazem.
  • Alan Denadary  04/04/2012 12:41
    A revolução cultural é uma bela prova de que a esquerda é extremamente inteligente, diferente do que muitos pensam aqui.
  • Catarinense  04/04/2012 13:03
    O problema é: qual a sociedade que teremos em 40 anos? A URSS durou mais do que isto, Cuba também... Também vale lembrar que é grande a possibilidade de sermos os responsáveis pela reconstrução da sociedade e do país, pois as sociedades socialistas sempre destruíram o capital e o parque industrial ( e agrícola ) existentes em seus países. Taí uma boa dica de investimento a longo prazo, não? Claro, isto se você sobreviver toda a destruição socialista...
  • Alan Denadary  04/04/2012 13:33
    Já eu acho que esse ambiente estatista sufocante ironicamente poderia provocar ótimas estratégias empreendedoras de cunho libertário.

    Digo isso por que a maioria da população preza pela liberdade, porém no momento se encontra refém de uma minoria tirânica. Muitos ainda não se dizem libertários, pois desconhecem a literatura vastíssima que temos, sobretudo o valor que nelas contém.

    Veja, por exemplo, como o programa CQC foi aceito pela população ao criticar políticos e ao expô-los de uma maneira criativa e bem humorada, à maneira do mercado. Será que se, por exemplo, um empreendedor libertário decidir criar uma revista e convidar uma ótima equipe de articulistas (como temos aqui), denunciando o esquema corrupto, promovendo mercado com belos insights e bom humor - se ele fizer tudo isso, com ótimas estratégias de marketing, ele falirá? Bem, eu acho que não.

    Eu lembro que alguns artigos do IMB não passavam de dez comentários por dia e, em pouco tempo, o volume de comentários decuplicou. Só que institutos não auferem lucro monetário, não podem se expandir como empresas. O mercado atualmente está dominado pela mão do governo e corporativistas e é função dos libertários modificar esse estado. É preciso um pouco de ação, vontade e garra.

    Não recrimino a ação cultural. Muito pelo contrário, a endosso o máximo possível. Perdemos essa "guerra" pela omissão e colhemos o fruto atualmente. Levará muito tempo até mudarmos esse curso. Mas um dos pontos positivos do mercado é a maneira como ele torna possível um arranjo voluntário próspero, de uma forma rápida e dinâmica. Se temos essa ferramenta, por que não utilizar?





  • Catarinense  04/04/2012 14:30
    Alan, concordo com você, mas vendo uma notícia destas, é difícil não ficar desanimado:\r
    \r
    www.24horasnews.com.br/index.php?mat=408494\r
  • Alan Denadary  04/04/2012 18:15
    Eu me recuso a acreditar nessas pesquisas.

    Eu nunca fui entrevistado por essas instituições, não conheço ninguém que tenha sido entrevistada e as pessoas que eu conheço também não conhecem ninguém que tenha sido entrevistada. Com tanto conluio e corrupção, fica difícil confiar na idoneidade dessas instituições.

    Eu até concordo que exista um certo apreço pelo atual governo devido a temporada de crescimento artificial. Mas agora, no ínicio do longo prazo, com preços em alta e demissões, você há de concordar comigo que será um pouquinho mais complicado sustentar essa suposta popularidade.

    Ah sim, como pude me esquecer, é simples! Basta pôr a culpa no livre mercado! E nessa hora, onde estarão nossos empreendedores libertários para confrontá-los?
  • Catarinense  06/04/2012 05:30
    Bom dia, eu também nunca fui entrevistado, nem conheço alguém que foi. O problema é que as pessoas acreditam que os números são verdadeiros, e vão junto com a manada, ao invés de questionar. No fim, a realidade se aproxima dos números, da mesma maneira que os eleitores acabam influenciados por pesquisas eleitorais.

    Abraços.
  • Marconi  02/04/2012 12:04
    Ótimo texto!
  • ANDRE LUIS  02/04/2012 14:38
    Como bem ressaltou o autor, vivemos hoje sob o jugo de uma geração doutrinada por ideais coletivistas. A opinião dominante de hoje é aquela forjada há pelo menos 30 anos atrás, imposta através do sistema educacional.

    A pergunta a ser feita é a seguinte: Qual doutrina está sendo ensinada hoje, que vai dar seus frutos daqui há 30 anos?

    Quem tem filho na escola já deve ter percebido uma abordagem ecologista radical crescente adaptada a diversos temas, principalmente econômicos. Coisas bizarras como expor crianças de 6 anos a cenas de maus tratos a animais e depois questionar: "Você acha que os animais devem ter os mesmos direitos de um ser humano?", ou mesmo perguntar se uma empresa teria o direito de poluir o meio ambiente, depois de mostrar um rio com peixes mortos e pneus velhos boiando.

    Que tipo de mundo seria pior do que o que vivemos hoje? Eu respondo: Um mundo igual ao de hoje, mas sem indústria, energia e comida.
  • Mario Cunha  02/04/2012 16:07
    "Que tipo de mundo seria pior do que o que vivemos hoje? Eu respondo: Um mundo igual ao de hoje, mas sem indústria, energia e comida." --- Você descreveu Cuba!
  • Matheus  02/04/2012 19:20
    Texto muito bom, o ultimo paragrafo 'e excelente. A unica ressalva que eu faco 'e que os politicos, em sua maioria, sao pessoas muito ignorantes, com pouco conhecimento do que quer se seja (principalmente os do Legislativo, com seus currais de votos espalhados pelo Brasil). Essa grande maioria nao tem a minima nocao de qualquer teorica economica que seja. Quem adota essas politicas keynesianas/social democratas sao os "homens por tras dos politicos", os verdadeiros manipuladores dos fantoches.
  • Thyago  03/04/2012 21:58
    Eu já li um ótimo artigo da revista Digesto Econômico sobre Gramsci...

    Esse cara é o pilantra comunista mais inteligente que existiu... O que ele produziu faz sentido e está sendo aplicado, e pior de tudo, funcionando...

    Os 'intelectuais orgânicos' estão solidificando a mentalidade socialista na sociedade.
  • Alex_  07/04/2012 17:56
    Ou sou otimista quanto ou futuro da sociedade livre, mas em longo prazo. Se analisarmos a história ao longo do tempo, perceberemos que a humanidade vem se tornando cada vez mais livre, todos e qualquer sistema criado de forma a controlar as pessoas e/ou o mercado falharam. Posso falar sem medo de errar que hoje somos mais livres que ontem, porém isso se deve muito as premissas econômicas que a maioria dos pensadores liberais já perceberam há muito tempo. Qualquer política de controle econômico ou social esta fadado ao fracasso mesmo que a longo prazo. Infelizmente não estaremos vivos para ver, mas eu seria capaz de apostar que o futuro nos guiará para uma sociedade livre ou pelo menos mais livre do que vivemos hoje, mesmo que durante algum tempo a sociedade retroceda neste processo em busca de uma liberdade. Portanto meu pensamento vai de encontro ao de Friedman e até mesmo o de Hayek, não que eles estejam errados, mas sempre que uma sociedade se aproximar da impossibilidade de um cálculo econômico ela forçosamente terá que retornar a uma condição de maior liberdade e esse processo será continuo.
  • Ivan Martins  16/04/2012 07:50
    "O valor de um bem econômico, de acordo com Marx, é determinado pela quantidade de trabalho requerida para sua manufatura. Qualquer preço maior do que o custo da mão-de-obra — isto é, qualquer excedente ou "mais valia" — representa um lucro para os capitalistas; representa uma grotesca exploração do trabalhador."

    O cara que escreveu isso não se deu ao trabalho de ler, ou entender o mínimo, a teoria do valor de Marx. Primeiro, o valor de um bem não é determinado simplesmente pela quantidade de trabalho requerida, mas sim pela quantificação social do trabalho necessário à produção de cada mercadoria. Portanto, o mercado é um momento essencial da definição de quanto trabalho cada bem requer. Segundo, a mais valia não é de maneira alguma qualquer valor que exceda o custo da mão de obra. A mais valia é a quantidade de valor de excede a soma do capital constante (matéria-prima, materiais auxiliares, maquinaria) com o capital variável (salários) investidos. É somente a taxa de mais valia que se mede pelo contraste entre a massa de mais valia e a massa de capital variável (mas a massa de mais valia de maneira alguma inclui o valor do capital constante). E, de qualquer maneira, "valor" é diferente de "preço" para Marx, o valor é média social presumida sobre a qual os preços variam.

    Não seria melhor ler um pouco aquilo que se propõem a criticar?
  • Luis Almeida  16/04/2012 08:01
    o valor de um bem não é determinado simplesmente pela quantidade de trabalho requerida, mas sim pela quantificação social do trabalho necessário à produção de cada mercadoria.

    Ah, agora sim ficou claro. É, de fato, uma diferença exorbitante de conceitos.

    a mais valia não é de maneira alguma qualquer valor que exceda o custo da mão de obra. A mais valia é a quantidade de valor de excede a soma do capital constante (matéria-prima, materiais auxiliares, maquinaria) com o capital variável (salários) investidos.

    Ah, ok. Agora sim ficou ainda mais cristalino.

    Não seria melhor primeiro entender as definições corretas das palavras para, só então, se propor a criticar aquilo que se acha estar errado (mas que não está)? Mas marxismo é isso mesmo: palavras vápidas afetando alguma complexidade para tentar disfarçar a total falta de profundidade da teoria.
  • Alexandre M. R. Filho  16/04/2012 10:20
    Hahahahahaha!\r
    \r
    Na minha aula com o professor marxista, eu fiz uma pergunta boba, como quem não quer nada, colocando em dúvida a mais valia.\r
    \r
    Perguntei como é que ficaria a mais valia num momento em que o capitalista tivesse prejuízos ou fosse à falência. Afinal, o trabalho do proletário oprimido teria sido o mesmo tanto nesse caso, como no caso de ter havido lucro.\r
    \r
    A minha idéia era saber se a exploração dependia do lucro. Ou seja, caso não houvesse lucro, o trabalhador não teria sido explorado, apesar de ter realizado o mesmíssimo trabalho sob as ordens do capitalista.\r
    \r
    Enfim, o professor rodou, rodou, rodou e terminou dizendo que eu precisava primeiro entender a diferença entre TRABALHO e FORÇA DE TRABALHO.\r
    \r
    Obviamente, eu não entendi muito bem a diferença e, por isso, o professor acabou não gostando da intervenção.
  • Ivan Martins  16/04/2012 20:48
    "Ah, agora sim ficou claro. É, de fato, uma diferença exorbitante de conceitos."

    E é, mesmo. Significa que o valor de um produto não é determinado pela quantidade de trabalho gasto em cada peça individual, mas pela quantidade que é socialmente necessária a esta produção. Isto é, pela menor quantidade de trabalho dispendida em um produto que pode ser praticada por um número significativo de fabricantes. Se você não consegue notar a dimensão desta diferença conceitual o problema é seu.

    "Ah, ok. Agora sim ficou ainda mais cristalino."

    Deveria ter ficado. O texto diz que qualquer preço que exceda o custa de mão de obra é mais valia. Isso é um erro grosseiro justamente porque inclui na mais valia o valor da matéria-prima, depreciação das máquinas, etc. Mais valia é somente o valor produzido que excede o valor gasto na produção.

    "Mas marxismo é isso mesmo: palavras vápidas afetando alguma complexidade para tentar disfarçar a total falta de profundidade da teoria."

    Alguém que faz essa acusação deveria tentar utilizar algum argumento, só para fins de coerência.

    "Perguntei como é que ficaria a mais valia num momento em que o capitalista tivesse prejuízos ou fosse à falência. Afinal, o trabalho do proletário oprimido teria sido o mesmo tanto nesse caso, como no caso de ter havido lucro.

    A minha idéia era saber se a exploração dependia do lucro. Ou seja, caso não houvesse lucro, o trabalhador não teria sido explorado, apesar de ter realizado o mesmíssimo trabalho sob as ordens do capitalista."

    A exploração do trabalho, a extração de mais valia, ocorre no momento da produção, muito antes da venda da mercadoria e da conversão dessa mais valia da forma mercadoria para a forma dinheiro. Portanto, mesmo quando o capitalista sofre prejuízo a exploração ocorre.
  • Luis Almeida  17/04/2012 09:03
    "Portanto, mesmo quando o capitalista sofre prejuízo a exploração ocorre"

    Este duplipensar marxista é absurdamente hilário. Ora, quando uma empresa tem prejuízo, seus empregados recebem seus salários normalmente, sendo o capitalista quem arca integralmente com a perda de capital. Logo, pela própria definição marxista, o capitalista foi explorado pelos empregados, os quais ganharam dinheiro à sua custa. É hilário ver marxista rebolando e desafiando a semântica para tentar contornar esta situação.

    Ainda mais hilário é ver esta verdadeira regurgitação de palavras, este total esguicho de pato, esta rematada profusão logorreica do senhor Ivan Martins tentando se passar por raciocínio profundo. Marxismo é isso: nonsense total, espuma, vapor, fumaça e espelho. Mas consegue enganar muito otário.
  • Ivan Martins  17/04/2012 09:21
    "Este duplipensar marxista é absurdamente hilário. Ora, quando uma empresa tem prejuízo, seus empregados recebem seus salários normalmente, sendo o capitalista quem arca integralmente com a perda de capital. Logo, pela própria definição marxista, o capitalista foi explorado pelos empregados, os quais ganharam dinheiro à sua custa. É hilário ver marxista rebolando e desafiando a semântica para tentar contornar esta situação."

    Como já disse, a exploração ocorre na produção, não na venda. Os trabalhadores não deixam magicamente de ter trabalhado uma vez que seu produto não tenha vendido. É uma questão de lógica.

    Agora, o que eu acho hilário mesmo é a simples (nada "dupla", com certeza) incapacidade de pensar. Mas também, o que esperar de um espaço como esse? É só um lugar onde olavetes posam de austríacos.
  • Luis Almeida  17/04/2012 09:27
    "a exploração ocorre na produção, não na venda. Os trabalhadores não deixam magicamente de ter trabalhado uma vez que seu produto não tenha vendido"

    Ah, agora sim ficou explícita a verdadeira ideia por trás de tudo: a total aversão marxista ao trabalho. Por isso que marxismo é ideologia de vagabundo, ideologia de gente que quer viver bem sem ter de trabalhar, ideologia de gente que quer ser sustentado parasitariamente por terceiros.

    Para o marxista, o trabalho não é algo honroso, não é uma maneira honesta de subir na vida, mas sim algo degradante e humilhante, um rebaixamento do indivíduo, algo que deve ser evitado por qualquer pessoa de bom senso.

    É por isso que não se encontra nenhum pobre honesto e trabalhador que seja marxista, teoria que supostamente foi feita para ajudá-lo.

    Obrigado, senhor Martins, por tão cabal comprovação de minha tese.
  • Alexandre M. R. Filho  17/04/2012 09:58
    Então quer dizer que mais valia não tem nada a ver com o lucro?\r
    \r
    Eu andei folheando o Livro I do capital e vi que marx escreve exatamente isso. Vou procurar a citação literal.\r
    \r
    Ele diz que o lucro é a parte do trabalho que o capitalista deixa de remunerar ao trabalhador.\r
    \r
    Portanto, não havendo lucro, então não teria havido o que deixou de ser remunerado, certo?\r
    \r
    Assim, sem lucro, mesmo tendo feito o mesmo trabalho, não teria havido exploração.\r
    \r
    Lógico que eu não entendo porque eu estou mergulhado na lógica burguesa e não consigo pensar sob a lógica proletária.
  • Paulo Sergio  17/04/2012 11:35
    'Como já disse, a exploração ocorre na produção, não na venda. Os trabalhadores não deixam magicamente de ter trabalhado uma vez que seu produto não tenha vendido.'

    Sim mas foi o empreendedor que se ferrou do mesmo jeito, ele pagou pelo trabalho que nao valia nada.Então como é que o cara foi explorado se ele fez um trabalho que n valia nada e ainda ganhou dinheiro pra isso?

    E olavetes nada, vc nem imagina como o Olavo é malhado por aqui
  • Miguel  17/04/2012 13:07
    E sem falar na inconsistência lógica do argumento. Primeiro a mais-valia é "a quantidade de valor que excede a soma do capital constante com o capital variável". Depois, a extração da mais-valia passa a ocorrer "no momento da produção, muito antes da venda da mercadoria". Ora, decida-se, a mais-valia não pode ser duas coisas ao mesmo tempo, não dá pra mudar o conceito da forma que for mais conveniente. Se ela ocorre muito antes da venda da mercadoria, como é que eu vou determinar a quantidade de valor que excedeu a tal soma do capital constante com o capital variável?
  • Paulo Sergio  16/04/2012 08:29
    'Mas marxismo é isso mesmo: palavras vápidas afetando alguma complexidade para tentar disfarçar a total falta de profundidade da teoria.'

    Como 90% de todas as 'ciências' humanas.
  • Ivan Martins  17/04/2012 15:25
    Luis Almeida, é isso mesmo, você descobriu o grande segredo. Agora vou ter que contar aos meus superiores em Moscou/Cuba/Caracas/Brasília/San Francisco/Vaticano sobre você.

    Alexandre Filho, o lucro é a mais valia efetivada ou realizada. O produto do trabalho assalariado empregado pelo capitalista é uma mercadoria. Cada mercadoria porta um valor, medido pela quantidade de trabalho socialmente necessário contido nela, que, para adquirir forma útil para o seu proprietário, precisa ser trocada ou vendida. Desta quantidade de trabalho (socialmente necessário, lembrando) em cada mercadoria, parte é trabalho pago, parte é trabalho não-pago. Ao se realizar a venda ou troca, aquela quantidade de trabalho é trocada por uma quantidade a princípio equivalente de valor, na forma de dinheiro ou de outra mercadoria. É só aí que a mais valia se torna possível de ser usufruída, pelo consumo ou pelo reinvestimento, pelo capitalista. Mas a mais valia não é de forma alguma produzida pela troca. Portanto, mesmo que no momento da venda o capitalista não consiga trocar suas mercadorias, a mais valia está pressuposta nelas. Sem que estivesse nelas pressupostas, não poderia haver lucro (somente ganhos acidentais, em que um vendedor ganharia o que outro perderia). Marx representa isso através de um esquema D-M-M'(M+m)-D'(D+d), no qual D é o dinheiro investido, M são as mercadorias compradas por este dinheiro usadas no processo de produção (incluindo a força de trabalho), M' é o mesmo valor em mercadorias novas produzidas acrescido de m como o montante novo de valor surgido na produção, e D' é D acrescido de d, o novo valor em dinheiro convertido na venda. D corresponde a M, da mesma maneira que d corresponde m.

    Paulo Sergio, quando o capitalista emprega alguém, está comprando a força de trabalho desta pessoa. Esta mercadoria se consome no processo de trabalho. Durante esse mesmo processo o trabalhador acrescenta trabalho à mercadoria, que se incorpora a ela na medida socialmente necessária. Quando a mercadoria vai ser posta à venda, ela já contém o seu valor, do qual parte já foi extraído do trabalhador. O capitalista já se apropriou do valor na forma de mercadoria, e agora vai tentar vendê-la. Se não conseguir, este valor vai ser perdido, mas só vai ser perdido porque já era de propriedade do capitalista. Na verdade, o fato da mais valia já existir na forma de mercadoria diminui consideravelmente o risco do capitalista, uma vez que fornece uma margem que ele pode perder sem comprometer seu capital original.

    De qualquer maneira, o empregado não está livre do mesmo risco. Se o empregador necessita esperar pela conversão em dinheiro de sua mercadoria para pagar ao trabalhador e falha nisso, o trabalhador fica sem salário da mesma forma. É preciso ser muito cego para negar que isso acontece com bastante frequência. Eu posso confirmar por experiência própria: já fiquei MESES sem receber.

    Miguel, não há inconsistência alguma. A chave dessa dificuldade aparente está em que o trabalho só é incorporado à mercadoria na medida em que é socialmente necessário. Como eu disse antes, esta medida socialmente necessária é o mínimo de trabalho requerido para a produção de uma mercadoria, desde que as condições para se produzir tal produto neste mínimo não sejam exclusividade de algum grupo. Quando são postas à venda, as mercadorias já portam seu valor.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.