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Ensaio sobre a desindustrialização brasileira

1. Análise crítica sobre o foco da discussão

A desindustrialização brasileira é o tema do momento. Diversos economistas e membros do governo têm falado sobre o tema nos jornais e, não incrivelmente, parece que há uma unanimidade sobre o assunto. Mas não é difícil explicá-la: sempre que quer explicações fáceis, a mídia adora recorrer aos economistas do mainstream.

Seus apontamentos sobre as causas da desindustrialização falam, sobretudo, em câmbio: que é o câmbio que tem causado a desindustrialização brasileira; que o câmbio brasileiro está sobrevalorizado e isso afeta a "nossa" competitividade ("nossa" como se o Brasil fosse uma única entidade empresarial); que a culpa é do Custo Brasil por ele representar um fator importante da falta de competitividade; que a culpa é da elevada taxa de juros.  Alguns até se dão conta (às vezes sem conseguir entender direito, parece, e sem se aprofundar muito no assunto) de que é a enxurrada de dólares proporcionada pelo Federal Reserve (inflação monetária à moda Keynes) o que está causando toda esta farra na taxa de câmbio.

E lá vão eles, criticando a inflação monetária americana (e européia também) e assegurando que isso nos afeta porque aprecia nossa moeda em relação ao dólar e reduz a "nossa" competitividade. Criticam o que os outros países fazem, mas adoram utilizar a mesma receita para "nos proteger". Já foi dada a largada para a corrida ao protecionismo, sendo que o mais importante foi esquecido: as vantagens comparativas. 

Se produzimos commodities de uma maneira incrivelmente eficiente, mas produzimos chips de computador de forma cara e obsoleta, por que forçar a produção adicional e a qualquer custo de chips, desperdiçando nosso capital e trabalho escassos?  Façamos fazer valer das vantagens comparativas, importemos de quem sabe fabricá-los de maneira mais eficiente, e paguemos mais barato pelos chips.  

Porém, antes que haja uma crítica de que seremos eternos exportadores de commodities, é necessário saber que isso não vai durar para sempre.  Não porque um dia a matéria prima vai acabar e toda aquela ladainha; mas sim porque a ditadura dos consumidores, a livre atividade empresarial e toda a sinalização de lucros que ocorre num sistema de preços, poderão nos levar, no futuro, a sermos produtores de chips e outros bens com competitividade mundial. Por que não?

Outro ponto que impressiona é a justificação para intervenções no câmbio.  Dizem os burocratas e seus economistas alinhados que tais intervenções são para a proteção dos "nossos" empregos, explicitando uma visão estática de que um trabalhador despedido jamais iria conseguir emprego em outro lugar.  Pura miopia dos ignorantes e demagogia dos que sabem que, se algumas empresas fecham por conta da inviabilidade econômica fruto de apreciação cambial, outras irão abrir suas portas e empregar trabalhadores, obedecendo às vantagens comparativas.  Não devemos nos esquecer de que vivemos em um mundo de escassez, que o trabalho, o capital e a oferte de bens são escassos, e que temos que fazer sua melhor alocação possível.  Ou por acaso todo mundo já mora em uma mansão, com uma mesa farta de comes e bebes, com uma variedade de jatinhos particulares? Pelo contrário: diariamente, 25.000 pessoas no mundo morrem de fome. Veja quanto há para se fazer apenas para amenizar a escassez.

Além disso, se o hedge cambial é amplamente acessível às empresas por meio do mercado financeiro, qual a necessidade de o governo intervir no câmbio, recaindo esse custo de intervenção sobre os pagadores de impostos e sobre aqueles que serão usurpados pela inflação monetária resultante?  Apenas uma palavra vem à cabeça uma hora dessas: mercantilismo.

Mas todo este relato inicial foi apenas para analisar e criticar o foco da discussão.  Na realidade, está ocorrendo um fato ainda mais grave na economia brasileira, cujo efeito é oculto aos olhos de muitos. Vejamos que fato é esse.

2. A efetiva desindustrialização brasileira

Nos últimos anos, foram relatadas pelas entidades governamentais uma taxa de crescimento do PIB próxima a 5% ao ano, da qual é válido suspeitar. Afinal, o estado brasileiro arrecada em tributação 38% do PIB, apresenta um déficit nominal de 1,5% a 2% do PIB, e investe menos de 2% do PIB[1].  Além disso, o governo, por meio do Banco Central do Brasil, tem aumentado o meio circulante M1 próximo aos 16% ao ano desde 1994, num claro mecanismo de indução econômica insustentável.  A taxa básica de juros da economia sempre manifestou esse sintoma inflacionário, estando entre as taxas reais mais altas do mundo.

Mas o que significa essa síntese de dados?  Em verdade temos um claro sacrifício do investimento privado em função de consumo do governo.  E conforme meus dois artigos anteriores publicados pelo IMB (que apresentam a síntese das idéias apresentadas pelo Prof. Huerta de Soto em seu livro "Dinheiro, crédito bancário e ciclos econômicos"), sabemos que o crescimento sustentável se dá pelo aumento do grau de intensidade do capital da economia — isto é, quando a estrutura produtiva se torna mais intensiva em capital —, pois isso é o que proporciona uma maior produtividade de forma sustentável; e que a expansão creditícia artificial não sustentada pela poupança causa os ciclos econômicos, o consumo de capital e a concentração forçada da renda, traduzindo-se em uma estrutura produtiva menos intensiva em capital e menor produtividade.

Vejamos, então, a série histórica[2] de contas agregada nacionais dos últimos 15 anos[3], ou seja, desde a implementação do plano real até a atualidade, que podemos considerar como uma era contemporânea da economia brasileira.

Tabela 1 — Participação percentual do consumo intermediário e do Produto Interno Bruto em relação à produção total (produção total = 100)

 

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

Consumo intermediário

46,7

45,9

45,7

45,9

47,0

49,0

49,5

49,9

50,9

51,5

51,3

50,6

50,6

51,4

49,0

Produto Interno Bruto

61,1

61,5

61,4

61,2

60,9

58,9

58,8

58,2

56,8

56,6

56,7

57,5

57,5

57,1

59,1

Uma análise primária dos dados nos mostra claramente que, ao longo dos últimos 15 anos, a economia brasileira apresenta uma tendência de aumento relativo de consumo intermediário (consumo de bens e serviços para produzir outros bens e serviços) e uma tendência de redução relativa do produto interno bruto em relação à produção total.  Isto significa, em síntese, uma queda de produtividade, uma efetiva desindustrialização, pois estamos consumindo mais recursos para produzir uma quantidade relativa menor de produto.

Isto não quer dizer que não haja investimentos em capital, mas sim que o nível de investimentos é insuficiente sequer para repor o capital desgastado no processo produtivo da economia.  Ou, em termos técnicos, um investimento líquido negativo, ou ainda a diminuição da capacidade produtiva.

Quando expandimos a análise incorporando a drenagem de recursos do setor privado pelo governo, percebemos o quanto efetivamente sobra de recursos na economia. Vejamos os dados:

Tabela 2 — Participação percentual das contas que resultarão no produto privado remanescente em relação à produção total (produção total = 100)

 

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

Consumo intermediário

46,7

45,9

45,7

45,9

47,0

49,0

49,5

49,9

50,9

51,5

51,3

50,6

50,6

51,4

49,0

Produto Privado Bruto

53,3

54,1

54,3

54,1

53,0

51,0

50,5

50,1

49,1

48,5

48,7

49,4

49,4

48,6

51,0

Recursos drenados do setor privado

21,4

20,9

21,0

22,5

24,4

20,3

21,5

24,4

20,3

20,0

21,0

21,6

21,4

21,0

21,8

Produto Privado Remanescente

31,9

33,2

33,2

31,6

28,6

30,7

29,0

25,7

28,9

28,5

27,7

27,8

28,0

27,6

29,2

Aqui cabe um pequeno esclarecimento.  Como explicado neste artigo,

Quando o governo gasta, ele está consumindo bens que, de outra forma, seriam utilizados pela população ou mesmo por empreendedores para fins mais úteis e mais produtivos.  Por isso, todo o gasto do governo gera um exaurimento de recursos.  Bens que foram poupados para serem consumidos no futuro acabam sendo apropriados pelo governo, que os utilizará sempre de forma mais irracional que o mercado, que sempre se preocupa com o sistema de lucros e prejuízos.  Portanto, os gastos do governo exaurem a poupança (por ''poupança'', entenda-se ''bens que não foram consumidos no presente para serem utilizados em atividades futuras'').

[...]

Foi pensando nisso que os economistas da Escola Austríaca, capitaneados por Murray Rothbard, criaram uma maneira mais acurada de se medir o real valor da riqueza de uma economia.  A esse resultado eles deram o nome de PPR: Produto Privado Remanescente.

A maneira de se calcular o PPR é simples: dado que os gastos do governo equivalem na verdade a depredações econômicas, eles devem ser subtraídos do cálculo do PIB.  Ou seja: do valor anual do PIB divulgado, subtrai-se os gastos governamentais duas vezes.  A primeira, apenas para tirar essa variável da equação, obtendo-se assim o Produto Privado Bruto — PPB; a segunda, para levar em conta todos os recursos que o estado tungou do setor privado, obtendo-se assim o Produto Privado Remanescente, que representa a real criação de riqueza de uma economia.

Portanto, o produto privado bruto nada mais é do que o produto interno bruto menos os gastos governamentais contidos nele.  Do produto privado bruto, deduzimos novamente estes recursos drenados pelo governo — que perfizeram uma carga de 20% a 22% da produção nestes últimos 15 anos analisados — para compor o produto privado remanescente, a efetiva parcela da produção (aqui no Brasil, menos de 1/3 da produção total) que sustentará uma parte do consumo das famílias e praticamente todo o crescimento econômico.  É esta parcela que está sendo utilizada para a reposição do capital consumido na produção, bem como para a formação da poupança necessária para se investir em capital e para a expansão da capacidade produtiva e a modernização (aqui considero que o governo investe uma ínfima parte de todo o recurso drenado do setor privado).

E quando se acrescenta o consumo das famílias, as coisas ficam piores:

Tabela 3 — Participação percentual do consumo das famílias e da poupança privada em relação à produção total (produção total = 100)

 

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

Consumo das famílias

38,1

39,8

39,8

39,4

39,4

37,9

37,3

35,9

35,2

33,8

34,2

34,7

34,4

33,7

36,1

Poupança Privada

-6,3

-6,6

-6,6

-7,7

-10,8

-7,2

-8,3

-10,2

-6,3

-5,3

-6,5

-6,9

-6,5

-6,1

-6,9

O consumo das famílias ultrapassa o produto privado remanescente, evidenciando a poupança negativa.  Em outras palavras, o setor privado está consumindo capital para atender à demanda das famílias. Os empresários assim o fazem porque não há viabilidade econômica para a reposição de capital ou para investimentos para aumentar de capacidade de produção.  O custo de investir em reposição ou aumento de capacidade supera a expectativa de retorno.

3. Conclusões

O câmbio não é a causa da desindustrialização brasileira, já que, como foi mencionado anteriormente, câmbio apreciado fecha algumas portas, mas abre outras. O câmbio depreciado causa o mesmo efeito, só que as reclamações virão de outros setores da economia.  Além disso, na medida em que a taxa de câmbio aprecia, as importações se tornam mais baratas, aumentando a demanda por moeda estrangeira para o pagamento dos compromissos, exercendo um "efeito rebote" sobre a taxa de câmbio (a qual volta a se depreciar).  O revés também é verdadeiro.

Cantillon já explicou este fenômeno lá em remotos 1735, mas os burocratas sempre o ignoraram, preferindo a teoria mercantilista e todos os privilégios governamentais concedidos às empresas com boas conexões políticas à custa dos pagadores de impostos e dos usurpados pela inflação. Além disso, as operações de hedge cambial no mercado financeiro moderno possibilitam tranquilamente a efetiva proteção às empresas, tornando desnecessária qualquer intervenção cambial por parte do governo.

No que tange a estes últimos 15 anos, estamos num claro movimento de despoupança, ou seja, de consumo de capital.  Não é por acaso que os setores de consumo (etapas finais da estrutura produtiva e mais intensivos em mão-de-obra) apresentam melhores viabilidades econômicas em virtude das medidas de estímulo decorrentes da expansão artificial do crédito, e contribuem para o aquecimento do mercado de trabalho — o outro contribuinte é a inflação de preços que faz reduzir o salário real de uma maneira geral — fazendo parecer que estamos em uma bonança econômica.

Em termos de variação de PIB, apresentamos crescimento econômico, produzimos mais em termos absolutos em relação ao ano anterior.  Mas a que custo?  Ao custo do consumo de capital, ao custo da desindustrialização.  E quando a economia se der conta, a capacidade de produção já terá sofrido enorme perda, dificultando a sua retomada de crescimento sustentável.

É preciso, então, que haja viabilidade econômica na reposição de capital e um aumento da capacidade produtiva, o que irá reverter o quadro de despoupança, propiciando uma estrutura produtiva mais intensiva em capital.  Sabemos que os empresários estão sempre alertas para oportunidades e reduções de custo, mas a alta carga tributária, custo sobre folha de pagamento e burocracia, entre outros itens do "Custo Brasil", são custos que não podem ser diretamente controlados por eles.  Reduzir os gastos do governo (e, consequentemente, os impostos) proporcionaria um aumento no produto privado remanescente, uma tendência à reversão do quadro de despoupança e, por conseguinte, a reversão do processo de desindustrialização.

Deixem o câmbio em paz.



[1] Economista Eduardo Gianetti, em entrevista ao jornal brasileiro "O Estado de São Paulo" em 18/09/2008.

[2] No que diz respeito aos dados, sua fonte são as tabelas de recursos e usos (TRU) e contas econômicas integradas (CEI) fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os valores originais são em moeda corrente, mas a análise aqui apresentada se dá em termos percentuais em relação à produção total para evidenciar a efetiva importância de cada conta.

[3] Os dados apresentados vão de 1995 até o ano de 2009 devido ao IBGE não apresentar a consolidação dos dados de 2010 e 2011.

 


autor

Domingos Crosseti Branda
é mestre em Economia da Escola Austríaca pela Universidade Rey Juan Carlos, Madri.

  • Paulo Sergio  26/03/2012 06:51
    'porque a ditadura dos consumidores, a livre atividade empresarial e toda a sinalização de lucros que ocorre num sistema de preços, poderão nos levar, no futuro, a sermos produtores de chips e outros bens com competitividade mundial. Por que não?'

    Porque o brasil não tem engenheiros pra isso, pq a educação aqui é porca e pq a maioria do povo brasileiro n é capaz de encarar uma matemática básica e ainda prefere ser funcionário público do que trabalhar na iniciativa privada.
  • anônimo  26/03/2012 07:17
    Infelizmente, aqui no Brasil, a maioria dos jovens prefere se perder no narcotráfico do que estudar (se preferissem estudar para um concurso público do que se tornar traficantes, estaríamos bem melhor). Se continuar assim, o futuro do Brasil será o mesmo da Colômbia antes do Uribe: dominado por cartéis do narcotráfico. Já temos alguns, como o PCC em SP. Se não tivermos um Uribe que tome medidas duras contra o narcotráfico...
  • Daniel  26/03/2012 13:57
    Discordo. O traficante é um empreendedor/comerciante cujo produto foi proibido pelo governo mesmo sendo desejado por boa parcela da população (que continua consumindo apesar da proibição, mas com preços muito mais altos e qualidade duvidosa). Já o funcionário público é um consumidor de riqueza, pura e simplesmente. Estaríamos em uma posição MUITO melhor se todos os funcionários públicos fossem na verdade comerciantes informais - de itens legais, ilegais ou "cinzas" como o contrabando.
  • anônimo  26/03/2012 16:08
    Comerciantes? Comerciantes que matam, roubam e oprimem os moradores das favelas.

    Eu espero que sua opinião isolada, aqui, pois preferir ver o cara vendendo crack e ver seu país sendo transformado numa mega-cracolândia, do que ver médicos, enfermeiros e assistentes sociais concursados atendendo aos interesses coletivos e ajudando a tirar o Brasil da miséria.... Você só pode estar de piada.

    Precisamos urgentemente de um presidente como o Uribe que acabe com esta baderna.
  • Paulo Sergio  27/03/2012 02:09
    Não existe esse negócio de interesse coletivo.
  • Deilton  27/03/2012 05:37
    1°) O que pode tirar o brasil da miséria é aumento de produtividade. A produção de bens e serviços é que gera riqueza.
    2°) O traficante é uma criação do estado, que ao proibir o uso de certas substâncias, cria um mercado altamente lucrativo. Se não fossem proibidas, as drogas seriam comercializadas por empresas legalmente constituídas. Não haveria guerra por pontos de vendas, a violência urbana seria menor.
    3°) O morador da favela muitas vezes confia mais no traficante do que nos agentes do estado.
  • Daniel  27/03/2012 14:49
    Leia a seção "Os custos e benefícios marginais da violência nos mercados proibidos".
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=836
  • GUIMA  26/03/2012 16:29
    Olha só a idiotisse.

    Daniel disse "Discordo. O traficante é um empreendedor/comerciante cujo produto foi proibido pelo governo mesmo sendo desejado por boa parcela da população (que continua consumindo apesar da proibição, mas com preços muito mais altos e qualidade duvidosa)."

    Traficante é um empreendedor/comerciante? Ele é um destruirdor de lares!!! Isso sim. Comparar um traficante com um funcionário público?! Me poupe, um comentário desse so pode ter vindo daquela parcela da população que consome "mercadoria de qualidade duvidosa" do "empreendedor/comerciante" que ele defende.
  • Rubao Ombudsman  26/03/2012 08:34
    A educacao HJ eh porca... concordo.\r
    A populacao nao encara nem uma matematica financeira pessoal da mais tupiniquim existente...mas qdo aplica a matematica comparativa em relacao a trabalhar na iniciativa privadaXpublica optam mesmo pela segunda porque as vantagens sao matematicamente tangiveis...pesquisas soh cabem a engenheiros cuja formacao nao atenda a padroes brasileiros de conduta.
  • Cândido Leonel Teixeira Rezende  27/03/2012 09:15
    Já viu o entusiasmo de um professor de escola pública?
    Na escola pública e demais derivados do MEC, o aluno finge que aprende e o professor finge que ensina. Aqueles cursos que os professores vivem fazendo, pura balela. Ademais, quem assina essas "pastas de ministros" são de pura negociata política, nada mais, nada menos. Quando é que tais pessoas que vivem envolvidas em negociatas teriam uma agenda relacionada a própria "pasta"?
    Não é o brasileiro que é burro, são as condições que são impostas que causam essa putrefação mental. O que falta no brasil é agir, todos nós sabemos em que ninho vivemos.
  • Carlos Prado  19/01/2014 15:40
    O Brasil mais do que tem engenheiros para isto. Dificuldades em matemática há em qualquer parte do mundo. O problema com certeza é outro. Para a produção de chips precisa-se de muito investimento e pesquisa. Investimentos de grande prazo que serão difíceis de manter numa economia como a brasileira. Precisa-se de um know-how do funcionamento das placas que poderiam começar a ser adquirindo fabricando placas com os chips importados a preços baixos. Não se consegue montar uma empresa que fabrique complexos CISCs de uso geral como um intel i5. Mas pode-se começar com pequenos microcontroladores RISC que mais do que temos gente capaz de projetá-los, mas falta-nos a técnica de produzi-los e que há muita demanda desde pequenos brinquedos a projetos de automação mais complexos.

    Nós sobrevalorizamos a faculdade, já temos muitos mais graduados per capita que muito país desenvolvido. Mas não precisamos de engenheiros e doutores aleatórios, precisamos desses profissionais onde o mercado exigir.
  • JOSUELITO BRITTO  26/03/2012 07:04
    Aprendi muito com a leitura deste artigo. Seria bom se pudesse ser lido por boa parte dos nossos políticos e jornalistas (geralmente ignorantes, em alto grau, em economia) ou, pelo menos, dos parlamentares federais. Mas, em geral, preocupam-lhes a próxima eleição e não o futuro do país.Parabéns professor DOMINGOS BRANDA pelo execelente texto.
  • Domingos  26/03/2012 10:06
    Muito obrigado, Josuelito.\r
    \r
    Fico contente em poder contribuir no esclarecimento sobre o assunto.\r
    \r
    Um abraço.
  • anônimo  26/03/2012 07:19
    Professor Branda, os economistas mainstrean tem noção destes dados e estudos e por que são tão omissos em suas propostas e sugestões na imprensa e artigos acadêmicos?
    Ideologia ou venalidade?
  • Rubao Ombudsman  26/03/2012 08:38
    Talvez nem ideologia nem venalidade...soh tendencias a anonimato...
  • anônimo  26/03/2012 10:55
    Professor Branda se eles fazem isso por ideologia creio então que são uns insensatos,pois como diz o ditado contra os fatos não há argumentos e se insitem em argumentos vazios devem então ser ignorados...
    Quanto aos venais deveriam ser processados por injuria,calunia e difamação da verdade dos fatos,afinal chamar de liberdade de expressão essas opiniões é demais, pois estão enganando a coitada da opinião publica e isso é revoltante e da mesma forma que JESUS CRISTO chamou os fariseus falsos e venais de sepulcro caiado, eu chamo esses economistas mainstream e venais de sepulcro caiados.
    Quando o sujeito analisa um assunto com lógica,imparcialidade e objetividade descobre-se a verdade dos fatos, como é o caso da análise da escola austriaca que com simplicidade nos apresenta a economia como ela é.
  • Domingos  26/03/2012 10:02
    Anônimo, está certo na sua suposição. Creio que seja por causa de ambos.
  • Julio  26/03/2012 07:31
    Qual a diferença entre produto interno bruto e produção total?
  • Rhyan  26/03/2012 07:34
    Excelente artigo!

    Mas não comprendi o que é Produção Total.
  • Julio  26/03/2012 07:45
    Ele fala que a causa da desindustrialização é o consumo de capital devido ao consumo excessivo. Os EUA passaram por desindustrialização e são muito consumistas, eles consumiram muito capital?
  • Leandro  26/03/2012 08:03
    Os EUA depredaram seu capital durante esta sua última farra creditícia, que gerou a bolha imobiliária. A destruição de capital foi da ordem de quase US$ 1 trilhão de dólares.

    Como Mises ensinou, a expansão do crédito não cria novos bens de capital; expandir artificialmente o crédito não faz com que os bens de capital necessários para os processos de produção surjam do nada. Tudo o que uma expansão monetária e creditícia pode fazer é alterar o emprego do capital, redirecionando-o para linhas de produção nas quais seu emprego vai gerar prejuízos. Isto, consequentemente, irá reduzir o valor do capital das empresas que fizeram tais investimentos insustentáveis. Os EUA fizeram isso -- investimentos insustentáveis que geraram prejuízos e consumismo excessivo gerado por juros artificialmente baixos, o que endividou a população -- e agora estão colhendo as consequências.

    A sorte deles é que, por já serem ricos, ainda há um vasto estoque de capital que ainda não foi queimado. Fossemos nós que houvéssemos feito o que eles fizeram, estaríamos na miséria.

    Quanto às outras perguntas feitas ao autor, esperem ele aparecer na área.
  • Daniel Klug  26/03/2012 07:56
    A produção total é a soma simples de tudo o que é produzido, sem a dedução dos bens que se consomem intermediariamente, na produção de novos bens. Por ex., bem simplificado, vamos supor a fabricação de pão. Temos no processo a plantação e colheita do trigo (atividade 1), a transformação do trigo em farinha (atividade 2), a produção do pão (atividade 3).
    O plantador de trigo vende sua produção ao moinho por $ 20. O moinho vende a farinha ao padeiro por $ 50. O padeiros vende seus pãezinhos aos seus clientes por $ 100. A prdução total da economia é de (20 + 50 + 100) = $ 170.
    Entretanto, o que efetivamente se produziu (valor indicado no PIB) foram os $ 100 do pão. Isso porque os $ 20 do trigo estão incluídos nos $ 50 da farinha; o valor da farinha é a soma dos $ 20 do trigo mais $ 30 (valor agregado pelo moinho). Da mesma forma, os $ 100 do pão são a soma dos $ 50 da farinha (já embutidos aí os $ 20 do trigo) mais $ 50 (valor agregado pela ativida de do padeiro). Podemos definir o PIB, então, como a soma dos valores agregados por cada atividade. Em outras palavras:
    Atividade_______Produção Total_______Valor agregado
    Plantação_______ 20 _________________ 20
    Moinho__________ 50 _________________ 30
    Pão_____________ 100 ________________ 50
    TOTAL___________ 170 ______________ 100

    Excelente artigo, por sinal. Abraços!
  • Rene  26/03/2012 09:08
    Acredito que, caso o Brasil adotasse medidas de livre mercado, como redução do tamanho do Estado, redução da carga tributária, desregulamentação e eliminação de barreiras alfandegárias, o resultado imediato seria recessão. Não por culpa do livre mercado, mas porque as empresas tornaram-se dependentes dos incentivos governamentais, e não conseguiriam competir de imediato com os concorrentes extrangeiros mais eficientes. Também teríamos uma pressão absurda vinda de sindicatos, das empresas que hoje lucram com as conexões com o governo, da imprensa, e da própria população que é absurdamente vulnerável à propaganda lançada pelos que perderam o poder neste processo, e que acreditariam que a recessão foi causada pelo livre mercado, e não pelos verdadeiros culpados, que posariam de santos. A pressão sobre o governante seria absurda. Acho pouco provável que este conseguisse se manter durante o período em que a economia começasse a se encaminhar para um patamar de crescimento sustentável, com as poupanças destruídas voltando a ser formadas, os investimentos insustentáveis sendo abadonados e substituídos por outros mais rentáveis, e principalmente com o Brasil retomar a corrida estando várias voltas retardatário em relação a outros países. Não conheço absolutamente ninguém que tenha coragem de colocar o Brasil novamente nos trilhos, sob o custo de sua carreira política.
  • Jose Roberto  26/03/2012 09:26
    Brasil nunca esteve nos trilhos, para voltar.

    É pensando nessa situação toda que eu torço por um crise muito forte. Porque grande mudanças só acontecem em momentos de crise. No Brasil tivemos esse exemplo em 1990.
    O Brasil precisa urgentemente de mais uma crise para fazer mais reformas necessárias, e espero que nesse momento, o Liber esteja lá.
  • Jeferson  26/03/2012 13:33
    Verdade... se você estudar a história econômica do Brasil, vai ver que estamos onde estamos hoje devido a décadas de cagadas feitas por nossos políticos ao longo do tempo. Nós nunca estivemos nos trilhos. Quem mais se aproximou de colocar foi FHC, mas o que ele fez está longe de ser suficiente.\r
    \r
    Devido a esse histórico, com certeza tentar corrigir agora vai trazer um choque grande demais que vai acabar de vez com a vida política de quem tentar, e corroborar, na mente do povo, a ideologia dos animais que hoje estão no poder.
  • EUDES  03/04/2012 17:21
    FHC colocou o Brasil nos trilhos ... da desgraça! A tragédia começou quando se quis implantar uma moeda forte sem as reformas necessárias. Desde então, o brasileiro vem quase somente pagando impostos sem receber algo em troca. Os serviços públicos ruins ficaram piores! Como ministro da fazenda, e depois como presidente da república, FHC trocou um problema relativamente fácil de resolver (inflação) por outro incomparavelmente pior (dívida pública assombrosa). Além disso, a carga tributária foi elevada enormemente.

    Esse sujeito provavelmente será lembrado como o presidente mais irresponsável da história da república brasileira. Depois que deixou o poder, seus coleguinhas de ideologia ocuparam o Palácio do Planalto e vêm piorando as coisas. E o que é pior: não há nenhuma luz no fim do túnel! Portanto, não é de estranhar quando vemos pessoas tendo saudades do governo Figueiredo!
  • Deilton  26/03/2012 13:38
    Não acredito que com uma crise as coisa mudem não. Se mudar será para pior, o culpado é sempre o "livre mercado" e as "desreulamentações". Vão é inchar mais o estado, aumentar os gastos públicos, estatizar mais a economia e abrir a torneira do banco central. Entro aqui no Mises para aprender e tentar me preparar para a piora da situação, está consciente quando as coisas piorarem e saber me posicionar, de forma a sofrer o menor impacto. Não acredito num Brasil melhor, mais livre. Ao contrário, acredito que caminhamos rumo a socialização da miséria. E com os EUA seguindo o mesmo caminho, minha esperança vão ficando cada vez menor.
  • Domingos  26/03/2012 09:51
    Prezados leitores,\r
    \r
    Agradeço os comentários e peço desculpas pela demora nas respostas, pois estava ausente.\r
    Creio que o Daniel Klug já respondeu ao Rhyan e o Leandro ao Júlio. As demais respostas e comentários, farei a partir de agora\r
    \r
    Um abraço.
  • Daniel  26/03/2012 14:02
    Uma pena não ter os dados de 2010 e 2011. Existe alguma previsão do IBGE liberar isso?
  • anônimo  26/03/2012 16:40
    Daniel,
    Existem alguns dados, mas a serie consolidada ainda não saiu. Tambem nao encontrei nenhuma previsão de quando vai sair.

    Um abraço.
  • Vitor Vidal  19/01/2014 05:18
    A cada divulgação de quarto trimestre das contas nacionais, há a consolidação do dados de 2 anos passados.
  • Deilton  27/03/2012 10:32
    O que dizer:

    Para Hillary Clinton, carga tributária contribui para progresso do Brasil

    economia.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2010/05/12/para-hillary-clinton-carga-tributaria-contribui-para-progresso-do-brasil.jhtm

  • Prentice Franco  27/03/2012 19:04
    Em relação ao Hedge, como mencionado no texto, dizendo que está a disposição da indústria, contra as variações do câmbio, é de se salientar que para fazer o hedge como proteção do capital investido gera um custo que é refletido na produção, hedge sem custo já é especulação, pois para sobrepor os custos do hedge o Trader tem que utilizar um capital maior daquele que era preciso para proteger sua posição expondo o ao risco.
    Não concordo em deixa o câmbio em paz, mas também não concordo com os mecanismos utilizados pelo governo como interferência onde não surte efeito, cambio valorizado com os países asiáticos produzindo á preço baixo pode levar a mais protecionismo, os produtos asiáticos são os grandes causadores da desindustrialização, o fator cambial está inserido neste contexto, no meu ponto de vista tem um peso significante nas variantes que compõe as causas, que entre elas é evidente a falta de investimento em pesquisas, a política Monetária entreguista com gasto do governo mal gerido sendo desviado para corrupção, o custo para manter as reservas internacionais para lastrear a divida interna são de longe os maiores fatores do fenômeno da desindustrialização no Brasil mas a injeção de capital na economia internacional para socorrer as economias dos grandes mercados com viés de resseção, já afetando a china, faz do câmbio um peso maior nesta composição.
  • Domingos  28/03/2012 16:11
    Prezado Prentice,

    Primeiro, quero dizer que o custo do hedge é ínfimo perto do valor que ele protege. E a quantidade de capital necessária como margem (caução) fica de 15 a 20% do valor do(s) contrato(s) (exigencias da BMF e corretoras de valores, se feito aqui no Brasil). O repasse de custos seria algo extremamente baixo, talvez até absorvidos pela própria margem de lucro assegurada em função do próprio hedge.

    Segundo, se a variação monetária internacional e doméstica é o principal fator da nossa apreciação cambial, então o hedge se torna a melhor ferramenta para combater a oscilação, principalmente no curto prazo. Que cada empresa faça o seu ao invés do governo, às custas dos pagadores de impostos, fazer o hedge para seus grupos de pressão e interesse.

    Sobre os produtos asiáticos serem os principais causadores de desindustrialização, recomendo a releitura do sexto parágrafo.

    E que bom que os empresários asiáticos estão produzindo mais bens a preços mais baixos. Num mundo de escassez isso é ótimo. Tomara que continuem e que cada vez mais observemos as vantagens comparativas e realizemos cada vez mais comércio.

    Creio que no restante das causas, os integrantes do custo Brasil, estamos de acordo.

    Agradeço os comentários.

    PS: Você afirma que é contrário em deixar o câmbio em paz, mas ao mesmo tempo não concorda com o mecanismo (de intervenção) utilizado pelo governo. Confesso que não entendi. Poderia me explicar e dar uma alternativa que eu não conheça?
  • Prentice Franco  29/03/2012 02:46
    Relacionando ao primeiro item definido em sua resposta Sr Domigos; Falar em custo de hedge é um tanto quanto subjetivo torna o valor ligado a diversas variantes que dimensionado, conforme a percepção da equipe financeira que o realizará, apresentará a escala de risco e benefício para que faça a configuração do que pretende que nem sempre confere uma abordagem positiva, por mais que a probabilidade dos eventos esteja a favor, a de menor também acontece, dentro da realidade do mercado, já foi visto anos de bonança com fim trágico. Quando você coloca 20% do capital como caução, garantia para se vender um derivativo essa afirmativa confirma até quanto você está desposto a perder na posição lançada de um contrato de derivativo, caso você não role a posição e limite sua margem, é claro que a composição do hedge se dará com exposição nas duas pontas, comprada e vendida, sendo determinado qual será o lado com maior exposição e quanto se expor de acordo com a equipe financeira acordar dentro do quadro econômico e financeiro que estiverem.

    No segundo item Em; "se a variação monetária internacional e doméstica é o principal fator da nossa apreciação cambial, então o hedge se torna a melhor ferramenta para combater a oscilação, principalmente no curto prazo. Que cada empresa faça o seu ao invés do governo, à custa dos pagadores de impostos, fazer o hedge para seus grupos de pressão e interesse".

    O hedge só não é a melhor ferramenta para as variações monetária, mas também para outras variações como das matérias primas, dos subprodutos empregados nos processo de fabricação ou utilização, quando feito com responsabilidade.

    No caso de "o governo fazer hedge pela indústria ou por nós" é um mecanismo usado pelo Banco Central muito duvidoso no que diz respeito a suas pretensões, como se trata de Brasil com todas as instituições contaminadas pela corrupção não é de ser admirar que o lançamento de Swap Cambial seja, em alguns momentos, sustentado por esses interesses. O prejuízo em cerca de R$ 18 bilhões em pouco mais de dois anos entre janeiro de 2006 e maio de 2008 sendo corrigido com a inflação, no dia de hoje, o valor de 23,43 Bilhões foi repassado ao Tesouro Nacional como gasto do governo, é imperdoável, digamos que pessoas infiltrada no Banco Central esteve jogando à favor dos interesses que não eram dos brasileiros.

    "E que bom que os empresários asiáticos estão produzindo mais bens a preços mais baixos. Num mundo de escassez isso é ótimo. Tomara que continuem e que cada vez mais observemos as vantagens comparativas e realizemos cada vez mais comércio".

    Com certeza o fenômeno econômico Chinês foi e é responsável pelo bom desempenho da economia dos países emergentes, desencadeando um ciclo econômico que fez emergir uma nova classe média e deu acesso aos bens de consumo as classes mais pobres, porém deixar de fazer o dever de casa no tocante a fomentar pesquisa em tecnologia, desenvolver indústria de bens de valor agregado, sendo limitado as atividades a produtos agrícolas, não beneficiados, extração de matéria prima, impede que o país tenha um melhor proveito nas transações comerciais, com esse fator, e o brasil reconhecendo a China como economia de Mercado torna o câmbio um agente causador da desindustrialização, agravado pela injeção de capital para socorrer a economia dos grandes mercados.

    "PS: Você afirma que é contrário em deixar o câmbio em paz, mas ao mesmo tempo não concorda com o mecanismo (de intervenção) utilizado pelo governo. Confesso que não entendi. Poderia me explicar e dar uma alternativa que eu não conheça"?

    Difícil é lhe dar uma alternativa que não conheça, que não foi ainda praticada, mais difícil ainda é, saber utilizar as que conhece e o que vem acontecer depois de sua utilização.
    O governo no ano passado interferiu no cambio com aumento do IOF para entrada de capital estrangeiro no mercado de ações, aumentou a margens, garantias, para venda de derivativos cambias, não parece que tenha surgido efeito, pois o dólar chegou a 1,529 em 25 de julho de 2011, pelo contrário só aumentou a arrecadação e criou inibidores de investimento no mercado de Capitais distorcendo o preço dos ativos Brasileiro, a bolsa brasileira foi umas das que mais desvalorizaram no ano de 2011 entres os principais mercados, e é evidente que se tenha outros fatores mas a ingerência no cambio causada pelo governo teve um peso significativo na performance do mercado acionário brasileiro no ano de 2011.

    Dentro de minhas ideias limitadas no conhecimento de política Monetária, fazendo que eu tenha uma visão mais simplista e resumida, vejo que o modelo monetário mundial imposto pelas economias dominante não seja o melhor para manter uma economia auto sustentável por longos anos, um verdadeiro castelo de cartas se arma, esquema ponzi, roda da fortuna, sistema econômico alavancado onde uma reserva "MONETÁRIA" sustenta uma divida até dez VEZES maior que o seu valor, sendo pago juros altíssimo, para mim é uma grande loucura, quando se trata do dinheiro dos outros.
    Um caminho que a meu ver possa fazer alguma mudança é direcionar e limitar esse poder de alocação de capital a um custo alto, ser usado só em ocasiões estratégicas que no mínimo se auto sustente em prazos curtos, a criação do dinheiro emitido pelo estado via banco estatal, timbrado livre de divida lastreado na produção, sem alavancagem, para o pagamento de impostos, como o sistema monetário inglês Tally Sticks (Madeira de registro de contas) que durou 726 anos, até 1826, como já foi feito com o dólar, sendo usando como um ferramenta de escassez de liquidez, na combate a inflação, aos sintomas de superaquecimento econômico, creio que cause o mesmo efeito do aumento da taxa de juros Selic havendo uma prerrogativa; de o empréstimo emitido ser com juros mínimos lastreado na produção futura refletida no pagamento de impostos e tendo como este a referência do crédito a ser dado.
    Na verdade são suposições de quais os sintomas que a economia vai apresentar conforme se configura. a política monetária vista em um perfil estritamente ortodoxo para a outra ponta, aquela que sempre sai ganhando. Sei que soa como utopia a minhas colocações e quebrar dogmas e paradigmas não acontece da noite para o dia, porém modelo atual "que foi adotado" será o mesmo que vai fazer a transferência de nossas riquezas, e o Brasil é o país que caminha mais rápido nesta direção entre os emergentes.

  • Domingos  29/03/2012 06:41
    Prezado,

    O valor de hedge não é subjetivo, pois é um contrato de preços estabelecido. E o valor da caução não é um valor perdido, pois ele é a garantia da contraparte. Como exemplo, se fico vendido em dólar e o dórar sobe, tenho que cobrir a diferença com a margem. Vou perder margem, mas vou ganhar com a subida do valor da moeda. Por isso se chama de operação de hedge (proteção).

    Sobre o governo fazer o hedge (via BACEN)às custas dos pagadores de impostos, obrigado por acrescentar dados à minha opinião.

    Sobre as alternativas, você me pareceu confuso na sua utopia. Meu entendimento é de que sua receita são medidas de intervenção no cambio pontuais e responsáveis. Isso cai na lógica do intervencionismo, de Mises e não resolve nada. Intervenção, no máximo, privilegia uns às custas de outros.

    Aproveito para retificar aquilo que chama de modelo monetário mundial imposto pelas economias dominantes. Como a moeda é monopolio do governo, é uma imposição dos GOVERNOS e não das economias dominantes.

    Noto um despertar seu para os males da moeda estatal fiduciária e de curso forçado, uma agressão sistemática à instituição do dinheiro. Creio que apenas poucas leituras sobre o tema, aqui mesmo pelo IMB já lhe trarão grande luz.

    Um abraço e obrigado pelos comentarios.






  • Vinci  28/03/2012 13:50
    Meu caros,


    Esse tema é interessantíssimo. Tanto que penso fazer minha monografia com esse tema. Penso que estudantes de economia - graduação, mestrado e doutorado - que comungam com as ideias da EA deveriam parar de reproduzir os conteudos do Mainstream econômico ou da heterodoxia tranviada e produzir o que acreditam e defendem.
    Sei que é tarefa difícil. Dificílima. Poís a academia tem um fator ideológico extremanente falacioso e agressivo, rejeitando o debate sem nem ao menos tentar entender outro ponto de vista.

    Eu mesmo estou num dilema, pois queria fazer uma monografia como revisão de literatura sobre algum tema da EA, mas não tenho orientador a altura e tenho certeza da dificuldade de aceitação da tese.
  • Domingos  28/03/2012 16:22
    Avante, Vinci! Faça a monografia na E.A!

    Trace objetivos e uma metodologia clara e referencie teoricamente o estudo. Sugiro montar os pontos necessários do referencial a partir de Mises e depois reforçar os conceitos e dar corpo ao referencial com outros autores.

    Se necessitar de uma conversação com o mainstream, utilize o livro do Prof.Garrison (base para a apresentação sobre estrutura de capital, elaborada pelo Leandro Roque).

    Um abraço.
  • Felipe Rosa  28/03/2012 14:55
    Vinci

    Realmente fazer monografias com viés austríaco exige muita dedicação. Eu e mais dos colegas da UFSM (incluindo o autor desse artigo) fomos por esse caminho e posso lhe assegurar que ele é tortuoso mas ao mesmo tempo gratificante.

    Na UFSM também não tinhamos nenhum professor que possuia ao menos um conhecimento digno sobre os preceitos da EA, isso não significou uma orientação ruim pois especificamente os dois orientadores eram pos si só muito bons em teoria econômica e bem versados em metodologia.

    Logo, o que eu quero lhe dizer é que não desista. Faça a monografia com marco teórico austríaco (se assim desejar) que você verá que vale a pena. Além da autonomia sobre um trabalho que no fim das contas é seu, você ajuda de alguma forma a espalhar os fundamentos da EA (o que ao meu ver é sempre importante).

    Quanto a banca, nós também tinhamos esse medo. Mas se você amarrar bem as pontas e se a sua banca tiver o mínimo de bom senso eles terão que dar o devido valor ao seu trabalho monográfico. Foi o que aconteceu no caso da Mariana Piaia Abreu que obteve uma nota dez (algo bem raro na UFSM para monografias tipicamente teóricas. A monografia está disponivel na seção trabalhos acadêmicos aqui do IMB (recomendo a leitura). E no meu caso a banca foi bastante tranquila sem grandes problemas. O principal ponto de conflito em meu trabalho foi estrutural e não teórico, logo, o viés austríaco no fim das contas não nos atrapalhou, pelo contrário!!!

    Enfim, fazer monografica austríaca é isso Vinci, exige essencialmente muito esforço pessoal, afinal, você faz a monografia praticamente sozinho. Mas quem disse que a vida dos austríacos nesse país é fácil???

    Abraços

  • Vinci  29/03/2012 12:00
    Caro Felife,


    Suas palavras foram motivadoras! Gostaria de ter acesso - em PDF - a essas monografias a que você se referiu, para ter uma ideia dos caminhos trilhados por vocês. Gostaria também de ter o seu email, para solicitar auxílios e tirar dúvidas (se possível).


    Se mais alguem puder me ajudar nas recomendações, agradeço.


    Valeu!
  • Felipe Rosa   29/03/2012 12:23
    Prezado Vinci, que bom que de alguma forma ajudou. As monografias, como eu disse, estão na seção trabalhos acadêmicos do IMB.

    Vai o link:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=38

    o meu e-mail é: felipersdt@yahoo.com.br

    Estou a disposição para ajudar no que for necessário. Grande abraço!!!
  • Vinci  29/03/2012 13:37
    Domingos,


    Onde eu acho esse livro do Pr. Garrison?


    Valeu pelo auxílio!
  • Domingos  29/03/2012 13:54
    Prezado,

    O livro é mostrado no final das apresentações dos slides elaborados pelo Leandro Roque.

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=27

    Eu tenho a versão em espanhol "Tiempo y dinero", da editora "Union Editorial". A versão em inglês está disponível para venda no mises EUA (mises.org). Talvez tenha que encomendar via livraria ou comprar pela internet.

    Maiores informações sobre os trabalhos do Prof. Garrison estão em

    mises.org/Literature/Author/390/Roger-W-Garrison

    Um abraço e qualquer dúvida, entre em contato.
  • Otávio Machado   08/04/2012 20:46
    Dos 41 comentários, na minha opinião, só se aproveita algo do Leandro e do Daniel King.
    Sou leigo, mas sou um pequeno empresário e vejo todas estas discussões ocorrendo entre os que NÃO sentem na pele a realidade brasileira. Concordo com a análise do Câmbio, que estenderia às importações sem nenhum receio.
    Tecnicamente, é possível fazer uso EFICAZ desta estupidamente imensa massa de produtos importados, refazendo-os, inclusive visando EXPORTAÇÃO.
    Recriando CICLOS, após agregar VALOR, com diferenciais que temos condições de CRIAR.

    MAS isto exigiria um esforço REAL de inovação - saindo deste FAZ-DE-CONTAS de governantes e empresários. Isto só é possível - e infelizmente nada vai acontecer de fato - SE os governantes reduzissem os impostos dando prioridade para incentivar profissionais de inovação - e não apenas em tecnologias - mas em todos os processos, comerciais inclusive.

    E dessem apoio efetivo buscando otimizar as inchadas repartições públicas, que primam pela ineficîência acima de tudo, nas estruturas de Pessoal, inadequadamente treinados - quando são - nunca cobrados, equipamentos inadequados, manutenção idem - quando existe, infraestruturas incorretas, processos lennnnntos quando não lenientes, vazamento de informações críticas de forma irresponsável (ninguém, é o nome de quem é responsabilizado por algo) ausência de lógica, inexistência de bom senso, ignorância de métodos que começariam tendo configurações compatíveis - substituindo a BURROCRACIA visceral em todas as categorias e poderes: falta de fluxos e previsibilidade no judiciário, legislativo e executivo em todas as instâncias, federal, estaduais, municipais, autarquias e empresas mixtas.

    A tônica é - a pior - O PROCESSO de Franz KAfka.

    Assumir e CUMPRIR COMPROMISSOS claros que possam ser acompanhados TRANSPARENTEMENTE - que nós cidadão possamos cobrar econômicamente pelo não-cumprimeito, pela mentira, usual, redundante.

    JUROS cobrados pelos bancos protegidos, um capitalismo covarde porque SEM riscos - gerando uma falsa impressão de estabilidade (sempre socorridos, nunca fecham apenas são repassados e absorvidos os prejuízos pagos por nós, contribuintes) por serem a ESPINHA DORSAL da cobrança dos IMPOSTOS de nós, os contribuintes - que pagamos poe toda esta gastança - onde os juros escorchantes alimentam a farra dos pagamentos ditos como devidos e muitas vezes já pagos...

    Melhor parar por aqui.

    Otávio Machado
  • Mr.Garone  14/04/2012 09:41
    A ironia dos comentários aqui feitos, poucos se salvam e percebemos como a educação está realmente porca, e muita pobreza, ignorância de idéias. E observei como são acomodados na filosofia de Keynes e Marx.

    Eles tentam defender o lixo do socialismo. Vão estudar, parem de frequentar cursos preparatórios para concursos públicos, pois 80% de qualquer curso voltado para o concurso público, joguem no lixo pois esse tipo de conhecimento só serve para concurso público.

    Para entender o artigo basta você ser 100% racional e naturalista, assim você irá interpretar.

    São poucos comentários que tem consistência, baseado em filosofia de mercado ou seja: Hayek, Mises, Marcelo Mazzilli.

    Uma dica não leia com a técnica de leitura dinâmica, leiam devagar e entendam assim não vão fazer comentários "vazios"

  • amauri  09/05/2012 13:28
    Boa tarde!
    Li o comentario abaixo do Alexandre Schwartsman:
    Entre 2007 e 2011 a parcela dos produtos primários na pauta de exportações brasileiras deu um salto de 16 pontos percentuais (de 32% para 48% do total). Tal ganho se deu à custa da participação das manufaturas, que caiu os mesmos 16 pontos percentuais (de 52% para 36% do total). Esta evolução levou aos gritos de desespero acerca da "desindustrialização" do país e nossa inexorável reversão à categoria de "meros" produtores de matérias-primas, augúrio da decadência irreversível da economia nacional.

    Ou não. Como de hábito, a aversão de grande parte (senão a totalidade) dos nossos keynesianos de quermesse aos dados os faz perder de vista um desenvolvimento óbvio, mas que explica muito do que ocorreu nos últimos anos.

    Refiro-me, é claro, à elevação extraordinária dos preços de produtos primários, cujo efeito sobre as exportações destes produtos não pode ser ignorada, como tem sido, sob pena de perda significativa de entendimento do processo. Entre 2007 e 2011 os preços de produtos primários praticamente dobraram, enquanto os preços de manufaturas aumentaram muito menos, apenas 35%. Este desenvolvimento não foi exclusivo do Brasil, já que globalmente os preços de matérias-primas (exceto energia) cresceram 39% contra 14% no que diz respeito às manufaturas, segundo as estimativas do CPB.

    Contra este pano de fundo, não é necessário grande salto de imaginação para concluir que, mesmo se as quantidades exportadas não se alterassem, a participação dos primários deveria crescer consideravelmente. Com um pouco mais de esforço é possível construir uma metodologia que decomponha a evolução da parcela de manufaturados no total exportado entre os efeitos derivados de quantidades e os efeitos oriundos dos preços (assim como da interação entre ambos, que, de qualquer forma, é pouco relevante), essencialmente medindo seu desempenho com relação a preços e quantidades médios.


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