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A terceira revolução industrial

Economistas de vários países ocidentais, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento, estão preocupados com a "ameaça" de perda de vários empregos no setor industrial em decorrência da avassaladora capacidade produtiva da China, da Índia e de outros países asiáticos, que exportam seus produtos a preços baixos, retirando assim competitividade da indústria nacional destes países ocidentais.  Muitos temem uma maciça transferência de empregos industriais para o Oriente, fazendo com que os ocidentais encontrem trabalho apenas no setor de serviços.  Já se fala em uma nova Revolução Industrial, a terceira desde o século XVIII, que irá transformar o comércio e a indústria, exigindo dolorosos ajustes internos.

A primeira revolução trouxe drásticas mudanças para a Inglaterra e durou de meados do século XVIII até meados do século XIX.  Durante esta época, algumas invenções e inovações tecnológicas originaram o sistema industrial, e a população economicamente ativa, que até então trabalhava na agricultura, encontrou empregos mais bem remunerados na produção industrial.  A revolução se espalhou para a Europa Ocidental e para os Estados Unidos uma ou duas gerações depois.  Desde então, ele se espalhou para a maioria dos países do globo.

Em suas vívidas descrições sobre os primórdios da industrialização, a maioria dos historiadores raramente faz alguma referência às mudanças políticas e ideológicas que de fato pavimentaram o caminho para a revolução.  Eles mostram alguma admiração pelas primeiras transformações ocorridas na indústria do algodão e aplaudem a indústria de ferro e aço, que se esforçou para atender à crescente demanda por todos os tipos de projeto de construção civil.  Porém, eles raramente mencionam os escritos dos economistas clássicos, de Adam Smith e de seus numerosos mestres e precursores, como Frances Hutcheson, David Hume, Josiah Tucker e vários outros.  Estes economistas clássicos escreveram numerosos ensaios sobre o comércio e a tributação, e apresentaram novas observações sobre os princípios básicos de uma ordem de mercado.  Eles foram bem sucedidos em persuadir seus governos a removerem restrições milenares e a permitirem que as pessoas buscassem livremente seus interesses econômicos.

Os historiadores econômicos também falam de uma segunda Revolução Industrial que deixou sua marca no século XX e que agora está se difundindo com muita intensidade para as outras partes do mundo industrial, inclusive países em desenvolvimento.  Mais especificamente, eles estão se referindo à poderosa mudança ocorrida na base econômica destes países, que estão abandonando a indústria e indo em direção ao setor de serviços.  Por todo o velho mundo industrial, o número de empregos nas indústrias vem declinando lentamente ao passo que o número de empregos no setor de serviços vem aumentando continuamente.  Nos EUA, por exemplo, onde este fenômeno é mais evidente, apenas um sexto dos empregos não agrícolas está nas indústrias produtoras de bens, ao passo que cinco sextos estão no setor de serviços. [No Brasil, em 2011, a participação da indústria no PIB caiu para 14,6%, nível igual ao da década de 1950].

Muitos historiadores raramente, para não dizer nunca, mencionam a ordem de mercado que impeliu e facilitou esta mudança.  A proteção à propriedade privada dos meios de produção, o que estimulou o empreendedorismo e facilitou amplos investimentos em capital, elevaram a produtividade da mão-de-obra.  Menos trabalhadores se tornaram necessários para a produção de um mesmo volume de bens.  A oferta aumentou e os preços reais diminuíram.  Os salários reais subiram e o padrão de vida disparou, o que permitiu aos trabalhadores direcionar fatias cada vez maiores de sua renda para serviços como saúde, entretenimento e educação.

Simultaneamente, legislações trabalhistas, encargos sociais onerosos e carga tributária crescente, tudo obra dos governos, aceleraram a expansão do setor de serviços.  Tais medidas possibilitaram e encorajaram os sindicatos do setor industrial a elevar os custos trabalhistas para acima de sua produtividade, o que gerou um fenômeno econômico até então atípico para este setor, que sempre demandou mão-de-obra em massa: o desemprego e a consequente debandada desta mão-de-obra desempregada para o setor de serviços, fenômeno este que vem se intensificando desde então.  O setor de serviços passou a funcionar como uma grande rede, legal e ilegal, que absorve a mão-de-obra dos outros setores e as direciona para usos produtivos.

E agora uma terceira Revolução Industrial vem surgindo nos países mais ricos e industrializados.  E, assim como as duas primeiras, esta também está destinada a introduzir várias mudanças e forçar milhões de pessoas a fazerem ajustes dolorosos.  Trata-se de uma "revolução da informação", a qual expande enormemente o alcance dos serviços comercializáveis internacionalmente e tende a transferir mais empregos do setor de serviços para a Índia, a China e outros países em desenvolvimento recém-chegados aderidos à globalização, onde a mão-de-obra é muito mais barata. 

Este movimento é implacável.  Se antes eram os empregos industriais que estavam saindo dos países onde os custos trabalhistas eram mais altos e indo para os países onde estes custos eram menores, agora, com a terceira revolução, a tendência é que um número cada vez maior de empregos no setor de serviços também seja exportado para países de custo de produção menor.  É claro que empregos que prestam serviços pessoais não podem ser exportados; meu barbeiro não pode ir para a China, nem o meu lava-jato, minha oficina e meu restaurante.  Porém, novas tecnologias tornaram vários empregos comercializáveis, os quais podem agora ir para qualquer lugar onde os custos trabalhistas sejam menores.  Os serviços de contadores e de programadores de computadores são apropriados para entrega eletrônica, o que significa que eles podem ser exportados.  Qualquer país cujo setor de serviços possua uma fatia significativa destes empregos e os custos da mão-de-obra sejam elevados certamente passará por dolorosas transformações num futuro próximo.  Só nos EUA, um recente estudo da McKinsey constatou que 11% dos empregos correm o risco de serem exportados para outros países, algo que certamente será uma grande preocupação política no futuro.

Um mercado genuinamente livre, desobstruído de regulamentações, leis salariais e encargos sociais e trabalhistas, iria prontamente facilitar os reajustes necessários.  Sob a pressão da concorrência externa, com seus baixos custos, os salários tanto das indústrias quanto destes serviços comercializáveis internacionalmente iriam indubitavelmente ficar estagnados ou até mesmo cairiam, o que faria com que alguns trabalhadores destes setores se movessem para o mercado de serviços pessoais, o que iria pressionar para baixo os salários deste setor.  O programador de computadores pode ter de se tornar um técnico de computadores ou um reparador.  O ex-empregado da indústria pode ter de se tornar um mecânico ou um eletricista.  Ou até mesmo um barbeiro.  No entanto, sua renda real não necessariamente irá declinar, pois a maior oferta de bens e serviços importados, cujos custos agora são menores, tenderá a reduzir os preços.  Adicionalmente, enquanto a quantidade de capital investida no país continuar a subir em termos per capita, não haverá fatores concorrendo para uma queda em sua renda.  O setor de serviços pessoais pode se expandir tão rápido quanto, ou até mesmo mais rápido que, a contração do setor dos serviços impessoais e da indústria.

Os políticos irão interferir no processo de reajustamento econômico?  Sem dúvida.  Todas as forças protecionistas, das mais arcaicas imagináveis, não apenas irão encontrar meios de limitar as importações, como também se esforçarão para obstruir o capital nacional investido no exterior.

As forças da intervenção política, com o intuito de proteger e beneficiar a mão de obra nacional, irão apenas fazer com que haja uma elevação dos custos trabalhistas, o que invariavelmente gera ou desemprego ou estagnação salarial.  Afinal, cada centavo de custos trabalhistas que excede a produtividade da mão-de-obra está fadado a gerar desemprego ou estagnação salarial.  Os países com as mais fervorosas leis de proteção trabalhista, como os europeus, são aqueles que sempre apresentaram taxas de desemprego acima dos 10%.  Nos anos vindouros, a terceira revolução industrial irá exigir vários e dolorosos ajustes.  As taxas de desemprego e de estagnação econômica tenderão a ser proporcionais aos poderes políticos que exercerão a resistência e o controle da economia.

O processo de mudança industrial e de ajuste da mão-de-obra se torna ainda mais complexo e doloroso em decorrência de um outro fator político: a propensão dos atuais governos a apresentarem seguidos e altos déficits orçamentários, os quais, para serem financiados, consomem a maior parte da poupança das pessoas.  Todos os principais governos da atualidade, com seus gastos e déficits crescentes, estão consumindo recursos do setor privado que de outra forma poderiam estar sendo investidos e, com isso, criando empregos e pagando salários maiores.  Caso realmente quisessem evitar a perda de empregos em determinados setores para os concorrentes estrangeiros, a redução de gastos, déficits e impostos já permitiria um sensível aumento na acumulação de capital, o que traria maior competitividade a empresas e setores da economia.

Déficits e endividamentos sempre representam o pior tipo de pobreza.  Quanto mais altos, maiores serão os gastos dos governos apenas para financiá-los.  A terceira Revolução Industrial poderá confirmar este fato nos anos e décadas vindouros.


Leia também: A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro



autor

Hans F. Sennholz
(1922-2007) foi o primeiro aluno Ph.D de Mises nos Estados Unidos.  Ele lecionou economia no Grove City College, de 1956 a 1992, tendo sido contratado assim que chegou.  Após ter se aposentado, tornou-se presidente da Foundation for Economic Education, 1992-1997.  Foi um scholar adjunto do Mises Institute e, em outubro de 2004, ganhou prêmio Gary G. Schlarbaum por sua defesa vitalícia da liberdade.


  • Atylla  24/03/2012 07:03
    As leis trabalhistas Européias não devem ser tomadas como exemplo, da mesma forma a exploração das fábricas chinesas(ex:Montadoras da Apple). Um livre mercado deve ter como seu objetivo defender o lema do instituto: liberdade - propriedade - paz.
  • Absolut  24/03/2012 17:13
    Nas fábricas chinesas o trabalho é escravo?
    Prove.
  • Renê  24/03/2012 18:36
    Isso mesmo Atylla prove que os empresários chineses, aliás boa parte pertencente ao partido, faria a barbaridade de explorar trabalhadores. Onde já se viu desconfiar de empresários que ao mesmo tempo que tem empresas, fazem parte do estado, essa instituição sagrada.
  • JC  24/03/2012 21:32
    Salário em uma fábrica na China : 250$
    Salário em uma fábrica no Brasil ( SC ) : 800 R$ ( ~450$ )

    Quem vocês acham que tem mais poder de compra?
  • vanderlei  25/03/2012 06:03
    Poder Aquisitivo no Brasil , o Jeito brasileiro.

    Não sei se o salário brasileiro interfere na competitividade ou pressão inflacionista...

    Ao lado de uma estrada encontramos uma porção de latifúndios para fins especulativos: "A Rio-Bahia, por exemplo, que custou setenta bilhões de dinheiro do povo, não deve beneficiar aos latifundiários, pela multiplicação do valor de suas propriedades, mas, sim, ao povo."

    Um segundo exemplo: um mesmo carro é fabricado no Brasil e nos Estados Unidos, o valor do carro brasileiro é duas ou três vezes mais caro que o americano, não fica só nisso, o trabalhador americano ganha duas ou três vezes mais que o brasileiro.

  • Diego  24/03/2012 15:38
    Lí em alguns sites que a China desvaloriza sua moeda e assim consegue vender produtos mais baratos no exterior. Como se compete com isso?
  • Guilherme Shibata  24/03/2012 19:09
    Boa pergunta, também queria saber isso.

    É claro que a mão-de-obra é barata e eles reduzem custos cortando boa parte da qualidade, mas e a questão da moeda que todos dizem ser manipulada ?
  • Leandro  26/03/2012 03:13
    Tal acusação não faz o mais mínimo sentido. O Banco Central chinês vem há muito tempo operando, na prática, como um currency board, isto é, uma mera agência de conversão que troca dólares por iuanes a uma taxa fixa. Isso significa que, quanto mais o país exporta, mais dólares fluem para lá, e mais iuanes são criados tendo estes dólares como lastro. É exatamente assim que funcionaria a economia de um país sob um padrão-ouro, por exemplo. E é exatamente isso o que ocorre quando, por exemplo, Minas Gerais exporta mais para a Bahia: aumenta a quantidade de reais em MG.

    Existe uma grande diferença entre um país que deliberadamente compra moeda estrangeira para desvalorizar sua moeda (como faz o Brasil), e um país que permite que o fluxo de dinheiro estrangeiro para dentro de suas fronteiras (como faz a China ou países que adotam Currency Boards) expanda a moeda local.

    Neste sistema, a oferta monetária de um país varia da mesma maneira que a oferta monetária de Minas Gerais varia quando seus habitantes transacionam com os habitantes de Goiás. O país que adota um Currency Board passa a funcionar como se fosse um estado do país emissor da moeda utilizada como âncora pelo Currency Board -- por exemplo, Hong Kong, que adota um Currency Board genuíno funciona como se fosse mais um estado americano; Estônia, Bulgária e Lituânia, que também possuem Currency Board, funcionam como se fizessem parte da zona do euro.

    Se hoje estivéssemos em um regime de padrão-ouro, as reservas em ouro da China estariam crescendo talvez até mais rápido que no sistema atual. Como a China produz cada vez mais, e na média há um consumo menor do que sua produção, o ouro fluiria para a China. E a quantidade de dinheiro na China cresceria em consequência disso, não por "manipulação", mas sim por fatos do mundo real.

    Logo, dizer que a China está causando distúrbios na economia global por causa do iuan "artificialmente desvalorizado" não faz nenhum sentido. Causando distúrbios como? A capacidade exportadora e de poupança dos chineses tem como consequência um fluxo de moeda para a China vindo dos outros países, inclusive EUA. Afinal, se coletivamente os chineses poupam mais do que consomem, alguém no resto do mundo está comprando seus produtos, e é inevitável que a moeda flua para a China. Os americanos, por outro lado, escolheram (coletivamente) consumir mais do que produzir. E há, por enquanto, financiadores deste comportamento. Isso não é um distúrbio. E se for, ele é originado nos EUA, e não na China. Quem consome mais que produz terá que pagar a conta no futuro. Quem produz mais do que consome coleta juros e dividendos sobre esta sua poupança, e portanto não possui problema.

    O regime monetário chinês, portanto, tem se comportado como um virtual Currency Board, e nos momentos em que não se comportou assim, foi porque valorizou o iuan, como mostrado no gráfico deste artigo. O que acontece na China é exatamente o que acontece entre estados brasileiros que fazem transações comerciais entre si, e é o que ocorreria a um país exportador caso o mundo estivesse sob um padrão-ouro.

    Não há distorção nenhuma neste comportamento. Isso é choradeira de países cujas indústrias são ou ineficientes ou oprimidas por pesados fardos tributários, burocráticos e regulatórios.
  • Andre Cavalcante  26/03/2012 06:46
    Leandro,

    Por favor, me tira uma dúvida:

    Qual é a real inflação na China? Uma vez que o governo chinês tem que ficar emitindo yuen para cobrir os dólares que entram (em abundancia), não era de se esperar uma inflação alta por lá?

    Fiz uma pesquisa na Internet, mas não sei se são dados bons: www.indexmundi.com/g/g.aspx?c=ch&v=71&l=pt

  • Leandro  26/03/2012 07:00
    É um verdadeiro mistério, pois nenhum dado é confiável. Mas eis umas notícias interessantes:


    In February, the consumer price index (CPI) went up by 3.2 percent year-on-year. The food prices went up by 6.2 percent while the non-food prices increased by 1.7 percent. The prices of consumer goods went up by 3.9 percent and the prices of services grew by 1.5 percent.

    In February, food prices went up by 6.2 percent year-on-year, contributing nearly 1.99 percentage points to the overall growth. Of which, the prices of grain rose by 5.4 percent, meaning 0.15 percentage points growth in the overall price level; meat, poultry and related products, surged 12.9 percent, contributing 0.90 percentage points (price of pork was up by 15.9 percent, contributing 0.50 percentage points); fresh vegetables, up 6.5 percent, contributing 0.21 percentage points; aquatic products, up 7.5 percent, meaning 0.18 percentage points growth in the overall price level; grease, increased 5.6 percent, contributing 0.07 percentage points; fresh fruits, down by 6.1 percent, contributing 0.14 percentage points declined of the overall price; and fresh eggs, decrease 10.6 percent, contributing 0.09 percentage points decrease of the overall price.

    Prices for tobacco and liquor went up by 3.7 percent year-on-year, of which, that of liquor was up by 8.7 percent and tobacco was up by 0.4 percent.Prices for clothing rose by 3.8 percent year-on-year.Prices for health care and personal articles grew by 2.7 percent year-on-year. Prices for transportation and communication rose by 0.1 percent year-on-year. Prices for recreation, education, culture articles and services down by 0.4 percent year-on-year.

    Prices for residence went up by 2.1 percent year-on-year. Of which, prices for house renting, up 2.5 percent, building and building decoration materials, up 2.3 percent, and water, electricity and fuel rose by 1.7 percent.

    In February, the month-on-month change of consumer prices was down by 0.1 percent. Of which, prices in cities and rural went down by 0.1 percent simultaneously. The food prices decreased 0.3 percent, the non-food prices remained at the same level. The prices of consumer goods declined 0.1 percent, and the prices of services went down by 0.2 percent.

    www.tradingeconomics.com/china/inflation-cpi
  • Joao Ribeiro  28/03/2012 05:36
    Nem mais caro Leandro! Acrescento apenas o seguinte, a mudança de reservas da China, que está agora a ser convertida de dólares para o ouro, como este gráfico o comprova.

    vivendi-pt.blogspot.com.br/2012/03/quadro-investimento-da-china-ouro-vs.html




    Cumprimentos.
  • JC  24/03/2012 21:30
    Se um concorrente seu começasse a oferecer produtos de graça ou quase de graça, o que você faria?

    Isso é coisa bastante comum no setor de tecnologia, onde, entretanto, ninguém fica chocado.

    E também é comum com quem produz bens que tem versões oferecidas 'de graça' patrocinadas por governos, ou seja, com governos usando impostos para contratar uma empresa competidora sua. O que você faria no dia seguinte?

    Ou seja, isso acontece frequentemente de forma até mais brusca com quem está em um setor não protegido da economia, e não é só pela desvalorização da moeda da China.

    Por um lado você sabe que ou a qualidade desses produtos não é muito boa ou em um determinado momento o dinheiro ou subsídio do seu competidor vai acabar e eles vão precisar aumentar os preços.

    Por outro lado, você não sabe até quando eles conseguem manter o estado de 'liquidação', especialmente tendo toda uma política nacional por trás. Como reagir a isso é uma decisão empresarial estratégica.

    Uma estratégia seria orientar sua empresa para aproveitar as mesmas distorções. Muitos destes subsídios pretendem exatamente isso. Já em outros casos não é possível.

    Outra estratégia é diversificar para o lado oposto que foi o seu concorrente. Eles tem bens extremamente baratos? Então você vai pra bens mais caros de alta qualidade.

    Eles produzem os mesmos bens de consumo? Você investe em buscar novos nichos e necessidades. Até que o Brasil faz isso extremamente bem. Não estou me referindo aos senhores grisalhos das FIESP da vida, que se consideram os únicos representantes da classe empresarial.

    Outra estratégia é usar o produto subsidiado como insumo na SUA cadeia: produção na China e design do produto no Brasil. Como você sabe empresas americanas entenderam isso extremamente rápido.

    Acredito que em algum momento as empresas americanas vão ter que fazer o percurso de volta, retornando a manufatura para os EUA. Porém isso necessita de um ambiente de negócios favorável.

    Aqui no Brasil os salários são baixos, e o fato da indústria ser ameaçada pela China é bastante preocupante, não porque eles façam manipulações do lado de lá, mas sim por causa da quantidade de besteiras que fizeram ao longo dos anos no lado de cá.

    A nossa mão-de-obra se tornou pior que a chinesa, o empregador gasta bem mais, mas eles ganham menos que um chinês em poder de compra.

    A qualidade do produto brasileiro, medíocre, do mesmo nível que a chinesa, salvo algumas excessões dos dois lados. O custo, nem se fala. Nossa infra, um lixo perto da chinesa. Nossas universidades, tanto 'copy and paste' e pesquisas inúteis quanto na China. E por aí vai a comparação. Então a pergunta é, como é que um país como a China começando bem mais abaixo consegue 'alcançar' a gente? Porque nós é que não saímos do lugar.
  • vanderlei  24/03/2012 16:24
    O Modelo Alemão de banco central Europeu estabelece que o deficit publico não deve ultrapassar 3% dp PIB. A dívida pública, de 60% do PIB, uma inflação que não ultrapasse em 1,5% a taxa média dos três países em melhores condições. (Le Monde Diplomatique.)

    Fim da negociação coletiva. Economistas ligados aos Bancos particulares Contestam os partidos políticos destinados ao desenvolvimento social dos países devedores no não reconhecimento da dívida.

    Consideram o salário como a causa do desequilíbrio competitivo de suas industrias.

    A tecnologia ocidental está sendo revista com a entrada da China e países asiáticos na competição.

    O Brasil seguirá tal tendência?
  • Carlos  24/03/2012 17:25
    O autor usou uma terminologia diferente da que estamos acostumados para falar de revoluções industriais. A primeira revolução citada no texto juntou duas revoluções, tanto a baseada no ferro e vapor quanto a posterior baseada no aço, petróleo, motor a combustão interna, quimíca pesada e eletricidade. Já o que ele chama de segunda revolução é a chamada terceira revolução, a baseada na tecnologia da informação, microprocessadores, biotecnologia, química fina, etc. E o que ele chama de nova revolução não pode ser posto como a revolução seguinte a última que pois o mundo na era digital, não pode ser incluida como uma nova revolução na mesma linha histórica, pois não se trata de uma revolução nos meios de produção, mas de um deslocamento da geração de empregos para outros países fruto da globalização. Quando se fala de primeira, segunda e terceira revoluções está se falando de revoluções no modo de produção, não em mudanças geográficas do capital.
  • Catarinense  25/03/2012 12:52
    (...)da que estamos acostumados(...)

    Estamos quem? O autor foi bem claro em definir as 3 revoluções industriais de que falaria, e foi fiel ao significado da palavra revolução. Não vejo absolutamente nenhum problema com isto.
  • Renan do Carmo Marques Ramos  25/03/2012 14:23
    Segundo a engenharia de produção, o Carlos está absolutamente certo. Trata-se de uma revolução econômica, não industrial. A terceira revolução industrial começou por volta da década de 70, com a revolução dos sistemas computacionais(microprocessadores e principalmente os microcontroladores, que são uma classe dos microprocessadores), o que permitiu a contínua evolução da automação industrial.
  • Carlos  25/03/2012 19:36
    Vc não entendeu o que eu disse. O que ele chama de terceira revolução industrial não pode ser comparada as outras revoluções porque não se trata de uma transformação nos meios de produção. Esse é o denominador comum das chamadas revoluções industriais. Ele fala é de transferência de empregos para a Ásia onde a mão de obra é mais barata, não de novos meios de produção. Quando, por exemplo, ocorreu a segunda revolução industrial apareceram novos meios de produção como o aço, eletricidade, petróleo, o avião, o navio movido a derivado de petróleo, etc. Na terceira revolução ou tecno-científica apareceu o microprocessador, o uso da genética, o silicio, o software, a fibra ótica, o satélite artificial, etc. que revolucionaram principalmente a produção de serviços. Agora com essa revolução que ele fala não houve uma revolução dos meios de produção.
  • Leandro  25/03/2012 21:12
    Carlos e Renan, utilizar a tecnologia para aumentar a produção, reduzir seus custos e "revolucionar a produção de serviço", como disse o Carlos, não seria uma revolução nos métodos de produção?

    Por exemplo, na área de Tecnologia da Informação, fazendo uso de modernos equipamentos de telecomunicação, um indiano poderá trabalhar desde a Índia tão eficazmente quanto se estivesse fisicamente presente no Brasil ou nos EUA. Nos EUA, inclusive, há um fenômeno que vem assombrando o establishment médico daquele país (e que rapidamente pode aportar aqui no Brasil): o número de radiologistas, segundo a imprensa, vem declinando significativamente. Isso ocorre simplesmente porque as imagens por ressonância magnética podem perfeitamente ser enviadas pela internet para radiologistas da Ásia plenamente capazes de diagnosticar o problema, e que cobram por isso apenas uma fração do que cobra o altamente cartelizado setor médico americano.

    Utilizar a internet para o envio e a análise de dados médicos, em vez de ter de ir pessoalmente a uma instalação física, não seria uma transformação nos meios de produção? Não seria algo que, como disse o próprio Carlos, revolucionou principalmente a produção de serviço?

    Argumento que sim, pois houve redução de custos e aumento da produção, que é o objetivo precípuo de toda alteração nos métodos de produção.
  • Carlos  25/03/2012 23:58
    Leandro, eu diria que não. Isso que vc fala não é uma nova revolução na linha histórica que começa com a primeira revolução industrial na Inglaterra da segunda metade do século XVIII, mas um desdobramento da revolução tecno-científica, a conhecida terceira revolução industrial, pois a produção desse serviço médico usa o que foi criado nela, microprocessador, internet, software e fibra ótica.
  • Leandro  26/03/2012 03:08
    Pois é, Carlos. Como você próprio disse, trata-se de "um desdobramento da revolução tecno-científica", pois agora se está utilizando a tecnologia como meio de produção para a oferta não de bens, mas de serviços. Ou seja, está havendo um aumento da produção (primeiro requisito para uma Revolução Industrial) e houve uma alteração na maneira como os meios de produção são utilizados (segundo requisito). Ambos estes requisitos configuram uma Revolução Industrial.

    Não há erro algum em se escolher esta nomenclatura.

    Abraços!
  • Fernando Chiocca  25/03/2012 07:01
    Análise perfeita e muito perpicaz do Sennholz que anteviu exatamente o que ocorre.
    Um amigo meu que trabalha nesta área já tinha me contato sobre a concorrência com indianos, que cobram preços irrisórios pelos serviços de tecnologia. Meu amigo trabalha da casa dele.
  • André Poffo  25/03/2012 08:50
    De quando que é este artigo Fernando?
  • anônimo  25/03/2012 08:54
    Meados de 2006. Sennholz morreu em junho de 2007.
  • Fernando Chiocca  26/03/2012 09:08
    Poizé.. meu amigo me falou que na área de sistemas este fenômeno vem ocorrendo há 10 anos ou mais.
  • JC  19/04/2012 15:03
    www.economist.com/node/21553017

    Assistam também o vídeo na página principal.
  • Malthus  21/02/2013 17:16
    O raciocínio é idêntico ao apresentado nestes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1131

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1261


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