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Previsões econômicas e seus modelos infundados

Em suas análises econômicas, os economistas utilizam uma enorme variedade de métodos estatísticos, que vão desde modelos altamente complexos até simples amostras de dados históricos.  Geralmente se acredita que, por meio de correlações estatísticas, é possível organizar dados históricos de modo a transformá-los em um proveitoso acervo de informações — o que, por sua vez, serviria de base para uma avaliação sobre o atual estado da economia.  Em suma, acredita-se que, por meio da aplicação de métodos estatísticos sobre dados históricos, é possível extrair a realidade sobre o estado da economia.

Infelizmente, as coisas não são tão diretas quanto podem parecer.  Por exemplo, já foi observado que reduções na taxa de desemprego estão quase sempre associadas a um aumento generalizado nos preços dos bens e serviços.  Deveríamos, então, concluir que reduções no desemprego representam um poderoso gatilho para a inflação de preços?  Para aumentar ainda mais a confusão, também já foi observado que a inflação de preços está correlacionada com alterações na oferta monetária.  Igualmente, já foi estabelecido que alterações nos salários possuem uma alta correlação com inflação de preços.

Logo, como devemos interpretar tudo isto?  Estamos sendo confrontados não com uma mas sim com três "teorias" concorrentes sobre inflação.  Como decidir qual teoria é a correta?  De acordo com pensamento popular, o critério para a seleção de uma teoria deve ser seu poder preditivo.  Sobre isto, Milton Friedman escreveu,

O objetivo supremo de uma ciência positiva deve ser desenvolvimento de uma teoria ou hipótese que gere predições válidas e significativas (isto é, não triviais) sobre fenômenos ainda não observados.[1]

Enquanto o modelo (teoria) estiver "funcionando", ele é considerado uma abordagem válida sobre a avaliação de uma economia.  Por outro lado, tão logo o modelo (teoria) fracasse em suas previsões, torna-se necessário criar um novo modelo (teoria).  Por exemplo, um economista cria uma teoria que diz que os gastos dos consumidores com bens e serviços são determinados por sua renda disponível.  Tão logo esta teoria seja validada por meio de métodos estatísticos, ela passa a ser empregada como ferramenta para se fazer avaliações da direção futura dos gastos em consumo.  Mas se o modelo se revelar incapaz de produzir previsões corretas, ele será ou substituído ou modificado pelo acréscimo de outras variáveis explicativas.

A natureza experimental das teorias implica que nosso conhecimento acerca do mundo real é ilusório e ardiloso.  Por não ser possível estabelecer "como as coisas realmente funcionam", não importa realmente quais são as suposições fundamentais de um modelo.  Com efeito, vale tudo — desde que o modelo gere bons prognósticos.  De acordo com Friedman, 

A pergunta relevante a ser feita sobre as suposições de uma teoria não é se elas são descritivamente realistas, pois nunca serão, mas sim se elas representam uma aproximação suficientemente boa para o propósito em questão.  E esta pergunta pode ser respondida somente ao se observar se a teoria funciona, o que significa observar se ela gera previsões suficientemente acuradas.[2]

Esta visão popular — que permeia toda a ciência econômica — que determina a capacidade preditiva como critério para se aceitar um modelo é totalmente absurda.  Mesmo as ciências naturais, as quais a economia convencional tenta emular, não validam seus modelos desta maneira.  Por exemplo, uma teoria utilizada para construir um foguete estipula certas condições que devem existir para que o lançamento do foguete seja bem sucedido.  Uma das condições é que o tempo esteja bom.  Poderíamos então julgar a qualidade de uma teoria sobre a propulsão de um foguete tomando por base se ela pode corretamente prever a data do lançamento do foguete?

A previsão da data específica do lançamento somente será concretizada se todas as condições estipuladas forem satisfeitas.  Se isso ocorrerá ou não é algo que não pode ser sabido antecipadamente.  Por exemplo, pode ser que no dia planejado para o lançamento esteja chovendo.  Tudo o que a teoria sobre a propulsão do foguete pode nos dizer é que, se todas as condições necessárias forem satisfeitas, o lançamento do foguete será bem sucedido.  A qualidade da teoria, no entanto, não é corrompida pela incapacidade de se fazer uma previsão correta para a data do lançamento.

A mesma lógica se aplica à ciência econômica.  Podemos afirmar com segurança que, tudo o mais constante, um aumento na demanda por pão irá elevar seu preço.  Esta conclusão é verdadeira, e não é experimental.  O preço do pão subirá já amanhã?  Ou subirá somente em um futuro indefinido?  Isto não pode ser acuradamente estabelecido pela teoria sobre oferta e demanda.  Deveríamos então rejeitar esta teoria como inútil pelo fato de ela ser incapaz de prever o preço futuro do pão?  De acordo com Mises,

A ciência econômica pode prever os efeitos esperados de políticas econômicas específicas.  Ela pode responder à pergunta sobre se uma determinada política é capaz de alcançar os fins almejados.  E se a resposta for negativa, quais serão seus reais efeitos.  Porém, é claro, tal previsão será meramente "qualitativa".[3]

A ação humana é a questão central

No entanto, sem o entendimento de que a ação humana é e sempre será algo proposital, que os humanos sempre agem movidos por propósitos específicos, não é possível decifrar o sentido de dados históricos.  Sobre isto, Rothbard escreveu,

Um exemplo que Mises gostava de utilizar em suas aulas para ilustrar a diferença entre duas maneiras fundamentais de se analisar o comportamento humano era o do comportamento das pessoas em uma estação de metrô durante a hora do rush.  O cientista comportamental "objetivo" ou "genuinamente científico", dizia ele, iria observar apenas os eventos empíricos: por exemplo, pessoas caminhando apressadamente de um lado para o outro, de maneira vaga, durante certos e previsíveis momentos do dia.  E isto seria tudo o que ele teria capacidade de observar.  Porém, o verdadeiro estudioso da ação humana começaria sua análise pelo fato de que todo e qualquer comportamento humano é propositado.  Ato contínuo, ele compreenderia que o propósito daquelas pessoas é o de ir de suas casas para o metrô e dali para o trabalho, durante as manhãs, e fazer o trajeto oposto à noite.  Resta óbvio qual dos dois cientistas iria entender e saber mais sobre o comportamento humano — e, por conseguinte, qual seria o genuíno "cientista".[4]

O fato de que as pessoas conscientemente realizam ações propositadas nos propicia um entendimento preciso de uma situação, entendimento este que sempre será válido no que diz respeito a seres humanos.  Este entendimento determina os fundamentos para uma abordagem coerente que permita uma avaliação significativa do estado de uma economia.

Para fazer a correta análise dos dados, é necessário reduzi-los à sua força motriz suprema, que á a ação humana propositada.  Por exemplo, durante uma recessão econômica, observa-se uma queda generalizada na demanda por bens e serviços.  Devemos, então, concluir que a queda na demanda é a causa de uma recessão econômica?

Sabemos que as pessoas persistentemente se esforçam para melhoras suas vidas e bem-estar.  Suas demandas ou objetivos são, portanto, ilimitados.  Logo, a única maneira de haver uma queda generalizada na demanda é por meio de uma incapacidade das pessoas em sustentar suas demandas.  Logo, problemas no lado da produção — o que afeta a renda das pessoas — provavelmente são a causa de uma perceptível queda generalizada na demanda.

Alternativamente, considere uma situação na qual o banco central anuncia que aumentar a taxa de crescimento da oferta monetária enquanto a inflação de preços está baixa é uma medida que pode elevar o crescimento econômico real.  Para entender a lógica desta proposição, é necessário examinar a essência do dinheiro.  O dinheiro é o meio de troca de uma economia.  Sendo o meio de troca, o dinheiro pode apenas facilitar a transação da riqueza real existente.  Ele não pode criar mais riqueza.  O dinheiro não pode ser utilizado na produção de bens, pois ele não é um bem de capital.  O dinheiro também não pode ser utilizado no consumo, pois ele não é um bem de consumo.  Logo, podemos concluir que imprimir dinheiro não é a maneira correta de promover o crescimento econômico.  Em outras palavras, o objetivo — elevar o crescimento econômico real — não pode ser alcançado por meio de mera impressão de dinheiro.

O fato de que o homem realiza ações propositadas implica que a causalidade no mundo da ciência econômica emana dos seres humanos, e não de fatores externos.  Por exemplo, contrariamente ao ideário popular, gastos individuais com bens não são causados pela renda real.  Dentro de seu contexto único e específico, cada indivíduo decide quanto de sua renda será utilizada para consumo e quanto será utilizada para investimentos.  Embora seja verdade que as pessoas responderão a alterações em suas rendas, tal resposta não é automática.  Cada indivíduo avalia o aumento de sua renda tendo por base um conjunto específico de objetivos que ele quer alcançar.  Ele pode decidir que será mais benéfico para ele elevar seus investimentos em ativos financeiros a elevar seu consumo.

Em contrapartida, análises que se baseiam unicamente em correlações estatísticas são de serventia limitada, pois possuem uma natureza puramente mecânica.  Consequentemente, comentários feitos por vários e especialistas que se baseiam em tais abordagens são puramente arbitrários.  Tudo o que esses especialistas podem fazer é repetir dados já conhecidos — eles nada podem nos dizer sobre a essência da atividade econômica. 

Em suma, vários métodos estatísticos e matemáticos são apenas uma maneira específica de descrever eventos.  Eles não podem explicar estes eventos.  Eles não melhoram nosso conhecimento sobre o que causa as flutuações nos dados.

Resumo e conclusões

De acordo com o pensamento popular, o critério para a seleção de uma teoria deveria ser o seu poder preditivo.  Enquanto o modelo estiver "funcionando", ele é considerado uma maneira válida de avaliar o estado de uma economia.  Se o modelo se revelar incapaz de gerar previsões acuradas, ele é ou substituído ou modificado. 

Mas a natureza experimental das teorias implica que nosso conhecimento sobre o mundo real é ilusório e ardiloso.  Contrariamente à ideia popular, da simples porém fundamental afirmação de que as ações humanas são conscientes e propositadas é possível derivar todo o corpo da ciência econômica.  E como tal conhecimento assim derivado está baseado em uma afirmação fundamentalmente verdadeira, este conhecimento não é experimental e evasivo, mas sim absolutamente preciso e definitivo.  Consequentemente, não são necessários vários métodos estatísticos para se validar a teoria econômica, a qual é derivada do fato de que todas as ações humanas são conscientes e propositadas.  Analistas que recorrem a métodos estatísticos para determinar e apurar fatos reais estão correndo o risco de produzir análises incorretas.



[1] Milton Friedman, Essays in Positive Economics (Chicago: University of Chicago Press, 1953).

[2] Milton Friedman, ibid.

[3] Ludwig von Mises, The Ultimate Foundation of Economic Science, p. 67.

[4] Murray N. Rothbard, prefácio de Theory and History, de Ludwig von Mises.



autor

Frank Shostak
é um scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do Mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais.


  • Marconi  19/03/2012 10:39
    A impressão de dinheiro, se esse cair nas "mãos certas", ou seja, de pessoas que queiram comprar o que pode ser produzido, aumenta a produção.

    Explicando melhor.. se um morador de rua é agraciado com dinheiro impresso do nada, terá tantos desejos a serem realizados que exigirá a produção de diversos produtos.

    Se a capacidade da industria/serviços estiver no limite, então esse novo dinheiro será inflacionário (no sentido de aumento nominal de preços).

    Ao contrário, se a indústria estiver subutilizada, esse novo dinheiro irá manter a produção em velocidade máxima, mantendo a produção e, consequentemente, os empregos.

    Se esse novo dinheiro cair nas mãos do Eike Batista, que já tem tudo, o que ele irá fazer é comprar títulos, etc, ou seja, procurará viver de juros com esse novo dinheiro.

    Assim, se o novo dinheiro cair nas mãos do pobre (quase nunca cai direto), vai ajudar o consumo e, consequentemente, a produção. Se cair nas mãos do Eike, servirá para chegar as mãos dos mais "pobres" através de juros menores. De todo jeito, funciona. Imprimir dinheiro termina por aumentar a produção quando há ociosidade "geral".

  • Leandro  19/03/2012 11:15
    Descobriu a fórmula mágica, Marconi. Faltou apenas aquele detalhe chato, no qual ninguém gosta de pensar: a produção deve anteceder o consumo. Apenas sair imprimindo pedacinhos de papel não fará com que haja mais bens de capital na economia, os quais possibilitarão uma maior produção para atender a uma maior demanda.

    Não importa quantas cédulas de dinheiro haja na sua carteira, você não pode "demandar" um aparelho de TV a menos que a loja de fato tenha uma unidade na prateleira. Retrocedendo uma etapa, não importa quantos consumidores estejam fazendo fila na porta da loja, o gerente só poderá abastecer suas prateleiras com aparelhos de TV se o fabricante já as houver produzido anteriormente. E, é claro, o fabricante só poderá atingir esse objetivo se ele encontrar mão-de-obra suficiente, bem como os componentes necessários para se fabricar as TVs. E isso independe da quantidade de dinheiro que o gerente da loja lhe ofereça. Cédulas de dinheiro, por si só, não criam os insumos -- e nem a qualificação -- necessários para a fabricação de bens de capital.

    Logo, não importa a capacidade operacional de indústria: esse novo dinheiro será inevitavelmente inflacionário.

    Muitos estragos econômicos, bem como muito sofrimento, teriam sido evitados caso esta simples realidade econômica fosse bem compreendida. Mas parece que keynesiano está aí justamente para tumultuar e confundir (e pra ganhar muito em cima de tudo isso).
  • Marconi  19/03/2012 12:06
    Os "papeizinhos" irão esvaziar os estoques (já produzidos e que estão encalhados) e servirão de estímulo para que futuros bens e serviços sejam produzidos/ofertados (afinal, já que está vendendo, vamos fazer mais!).

    As pessoas produzem hoje pois acreditam que vão vender amanhã. Se essa expectativa (lucros) for frustrada, obviamente que os empresários podem pensar em pisar no freio (demitir, produzir menos, etc).

    Assim, de forma geral, o dinheiro consegue mexer nas expectativas, estimulando produção e investimentos. O dinheiro novo não será necessariamente inflacionário. Não em termos nominais (que é o que importa).

    A questão é conseguir acertar a velocidade de produção de produtos/serviços com a propensão a consumir das pessoas. Consumindo mais do que produz, então pisa no freio (aumenta os juros). Consumindo de menos, pisa no acelerador (reduz os juros).







  • Leandro  19/03/2012 12:21
    Continua incorrendo no mesmo erro: ignora a realidade. Como é que esses papeizinhos irão aumentar a produção dos bens de capital necessários para um aumento da produção de bens de consumo? Enquanto esta alquimia não for explicada, tal teoria continuará sem o mais mínimo sentido.

    No máximo, estes papeizinhos irão estimular o consumismo e desestimular a poupança, que é justamente o que permite a produção de bens de capital.

    Por último, que "o dinheiro consegue mexer nas expectativas" futuras é realmente algo inquestionável. Afinal, é exatamente isto o que desencadeia os ciclos econômicos, algo que destrói riqueza. Outra característica nociva das manipulações arbitrárias da quantidade de dinheiro na economia.
  • Carlos  19/03/2012 13:24
    O que o Marconi está querendo dizer é que num cenário como o atual da economia brasileira, onde ela está meio fraca, crescendo abaixo do seu potencial, apenas 2,7% em 2011, e se estima que ela tem potencial para crescer entre 3,5% e 4%, uma política de estimulo monetário é capaz de fazer a economia crescer mais sem criar problema de inflação. Agora vcs querem que o BC veja a economia em ritmo fraco e ainda suba os juros. O resultado é recessão e alta do desemprego. Me parece insano.
  • Celso  19/03/2012 13:26
    Leandro, você está querendo dizer que a impressão de dinheiro e a expansão do crédito ocorre sem haver o que consumir?
  • Leandro  19/03/2012 13:52
    Não, nada a ver, Celso. O que eu disse claramente -- ou ao menos julgava ter dito -- é que criação de dinheiro e expansão do crédito não são capazes de criar bens de capital adicionais, sem os quais é impossível aumentar a produção. Ao contrário: inflação e expansão do crédito estimulam o consumismo e desestimulam a poupança, arranjo este que é justamente o que mais dificulta um aumento da capacidade produtiva. Logo, inflação e expansão do crédito são medidas inerentemente inflacionárias, incapazes de gerar crescimento sustentável da economia.

    Aliás, o que está ocorrendo com a economia brasileira é um perfeito exemplo disso. A expansão do crédito "funcionou" em 2010, mas já cobrou seu preço em 2011, com crescimento econômico exaurido e inflação de preços em alta. E agora já estamos em recessão (embora ela só venha a ser oficialmente anunciada pelo IBGE lá pelo segundo semestre). Imaginava que, se apenas a teoria não convencesse, ao menos um exemplo prático servisse para fazer os keynesianos entender algumas coisas básicas de economia. Mas vejo que nem isso pode remover a fé cega em soluções alquímicas.

    E esta resposta serve também para o Carlos, que apenas repetiu a mesma conversa furada e sem nenhum sentido, sem sequer se dar conta de que a própria realidade já cuidou de refutar esta sua "teoria".

    Aumentos na quantidade de dinheiro não fazem a economia crescer; eles apenas alteram a estrutura da mesma. Variações na oferta monetária não produzam impacto no crescimento agregado da economia, mas elas certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos. Bens de capital não podem ser criados por meio de uma expansão monetária. Inundar uma economia de dinheiro não vai fazer com que os bens de capital necessários para os processos de produção surjam do nada. O que importa não é a quantidade de dinheiro em circulação, mas sim a quantidade de capital acumulado pela economia. E esse capital só pode crescer se houver poupança -- isto é, abstenção do consumo. Tudo o que uma expansão monetária pode fazer é alterar o emprego do capital, redirecionando-o para linhas de produção nas quais seu emprego vai gerar prejuízos. Essa é a essência da distorção gerada pela redução artificial dos juros, resultado de uma expansão monetária. Essa é a causa das recessões.

    Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção. Variações na oferta monetária sempre serão benéficas apenas para o governo e para suas empresas favoritas -- como o setor bancário e os grandes industriais amigos do rei --, que são os primeiros a receber o novo dinheiro criado.

    Não sei se consigo ser mais claro do que isso.
  • Carlos  19/03/2012 14:18
    Leandro, e o que o BC faz com os juro?
  • Leandro  19/03/2012 14:36
    A taxa de juros de curto prazo (1 dia) -- a Selic, que nada mais do que a taxa a que os bancos fazem empréstimos entre si no mercado interbancário para manter o compulsório em níveis estipulados pelo BC -- ele manipula via injeções monetárias no próprio mercado interbancário, comprando e vendendo títulos do Tesouro. Já sobre todas as outras taxas de juros da economia ele não possui nenhum controle direto.

    Era esta a dúvida?
  • Carlos  20/03/2012 01:11
    Não era essa a dúvida. Queria saber se vc acha que foi um erro ter começado a baixar a selic. Pra vc deveria ter começado a subir pra evitar os tais ciclos?
  • Leandro  20/03/2012 03:50
    O ciclo já foi iniciado, e reduções na SELIC agora não podem evitá-lo. Ainda bem. No mais, como repeti exaustivamente na seção de comentários deste artigo, a SELIC está caindo justamente porque a expansão monetária está contida. E isso é ótimo. E espero que o BC não reverta sua atual postura até então bastante contracionista.
  • Carlos  20/03/2012 13:37
    A selic está caindo pq a economia não vai bem e a inflação está em queda.
  • Leandro  20/03/2012 23:21
    A primeira metade da frase está correta. A SELIC está em queda porque a economia está débil. Sendo assim, há menos demanda por empréstimos bancários e, consequentemente, mais reservas disponíveis para empréstimos interbancários (cuja taxa de juros é a SELIC).

    Por outro lado, a inflação de preços está longe de estar domada. A inflação de preços de serviços está em 8,10%, a de bens semiduráveis (utensílios e enfeites, cama, mesa e banho, roupas, calçados e acessórios, tecidos e armarinho, óculos e lentes e outros) está em 6,86% e de bens não-duráveis (alimentação e bebidas, artigos de limpeza, produtos farmacêuticos, higiene pessoal, fumo, leitura e outros) está em 5,77%.

    Isso está longe de ser "inflação em queda". Tal aumento de preços, aliás, seria intolerável em países desenvolvidos.
  • Celso  19/03/2012 15:30
    A expansão de crédito é conseqüência e não a causa da crise econômica. Sem a expansão de créditos, as mercadorias ficariam encalhadas.
  • Leandro  19/03/2012 19:20
    Muito bem, Celso. Parabéns. Conseguiu confundir tudo. Você é do tipo que ao ver um sujeito desacordado com uma garrafa de vodka vazia ao seu lado dirá que a garrafa ficou vazia em consequência de seu desmaio, e não que ela foi a causa de seu desmaio.

    Temos vários artigos sobre ciclos econômicos e como eles são gerados pela expansão do crédito. Mãos à obra!
  • Leninmarquisson da Silva  29/03/2012 11:27
    Leandro, você é que confundiu tudo.

    Esse Celso, na verdade é "Paracelso", o famoso alquimista suíço. Por isso que você não consegue acompanhar seu raciocínio (alquímico). Enquanto continuar com seus estudozinhos no campo econômico, nunca conseguirá entender como conceguir a Panacéia Universal, o Elixir da Longa Vida e como transformar chumbo em ouro. Alias, pra que ouro? De acordo com nosso amigo alkeynista, dinheiro bom é dinheiro impresso.
    E principalmente, nunca entenderá o Magna Opus da economia Alkeynista: como transformar papéis impressos em produção e bens de consumo.

    Na boa Leandro, fecha esse site e vá estudar alquimia...

    Hhaehoahoeho

  • Angelo Viacava  20/03/2012 03:45
    Celso: se eu já tenho dinheiro guardado para comprar algo, pagarei mais barato, pois já poupei e até ganhei um jurinho pelo fato de poupar. Se tiver que pedir emprestado, que é a expansão monetária, pagarei juros sobre o empréstimo, o que torna o consumo mais caro. É assim, acredito, que chega em nossas mãos o dinheiro da expansão monetária. R$10.000,00 podem ser poupados em 12 x de R$ 833,33, ou um pouco menos, contando os juros remuneratórios. Se fizer um empréstimo de R$10.000,00, pagar-se-á bem mais do que as 12 x R$833,33. Talvez umas 24 x R$ 600,00, o que dá mais de R$14.000,00, e dependendo do perfil do cliente. Em grande escala o governo faz a mesma coisa, imagino. Os juros quem paga é a sociedade para tapar os furos do próprio governo em seus gastos descontrolados de populismo. E vai parar nas mãos dos bancos e das grandes empresas que prestam serviços ao governo. O rei e os amigos do rei, certo?
  • Tiago Moraes  19/03/2012 15:54
    "As pessoas produzem hoje pois acreditam que vão vender amanhã. Se essa expectativa (lucros) for frustrada, obviamente que os empresários podem pensar em pisar no freio (demitir, produzir menos, etc)."

    Nossa, argumento totalmente obtuso. Toda e qualquer produção convencional segue um roteiro de produção, previamente montado em função de um conjunto de ordens de produção expedidos pelo setor comercial, que agenda os pedidos solicitados pelos próprios clientes, enfim, o que eu quero dizer com toda essa ladainha, é que as empresas, hoje, operam em Just in time. O produto que entra na linha de produção, já está virtualmente vendido. Não existe isso de "produzir, por em um depósito e torcer para alguém comprar um dia" isso é coisa do século XIX. Administradores não são teólogos, eles não trabalham sobre crenças, trabalham com dados formais.

    Se um produto está morfando em estoque, isso não significa que a economia esteja ociosa e precisando de estímulos, significa apenas que o gestor de suprimentos é burro ou calculou mal por conta de alguma distorção na estrutura de incentivos...
  • Leninmarquisson da Silva  29/03/2012 11:43
    É, não é bem assim...A esmagadora maioria das empresas NÃO trabalham com Just-in-time, lean manufacturing, etc. Elas "dizem" que gostariam, mas anos e anos de protecionismo, concorrência amarrada, mentalidade obtusa, socorro Estatal e trocentos outros fatores fazem desses sistemas de gestão algo muito longe da realidade de quase todas as empresas aqui no Brasil.
    É por isso que o mercado está propício para gente que, como eu, fazem Engenharia de Produção, ou qualquer coisa semelhante. A produção dos caras é algo um tanto caótico, para ser gentil...

    Agora, na realidade, muitas empresas, incluindo principalmente médias, pequenas e micro (como a do meu pai) usam o "jeito Ford" de produzir e depois "ver o que faz". É por isso que a maioria delas quebra cedo.
    Mas todo seu raciocínio está corretíssimo, principalmente sobre a burrice dos gestores. E mais ainda, sobre a parte das distorções econômicas.

    No final, o cenário é otimizado para a destruição de riquezas: gestores burros tomando decisões insanas baseadas em informações errônias, provenientes de distorções econômicas, e que só não quebram por causa do socorro (desperdício) Estatal, seja através do protecionismo, seja no resgate direto mesmo.
  • JC  19/03/2012 15:05
    "Explicando melhor.. se um morador de rua é agraciado com dinheiro impresso do nada, terá tantos desejos a serem realizados que exigirá a produção de diversos produtos."

    Isto deve ser um modelo econômico mistura de Keynesianismo com 'Jeannie é um Gênio'. Basta desejar, e, puf, as coisas que você deseja aparecem!
  • Leandro Pereira  19/03/2012 11:39
    Faltou estudar um pouco mais.. típico argumento mainstream keynesiano-monetarista.
  • mcmoraes  20/03/2012 03:56
    É como se estivéssemos lendo alguns comentários dos para-quedistas aqui no IMB, com a diferença de que dá para olhar para o comentarista: AVTM gets an economics lesson at #OccupyDC.
  • Rhyan  19/03/2012 14:45
    A frase que dinheiro não é bem de capital nem bem de consumo é uma ótima síntese para explicar a falácia keynesiana.
  • Marconi  19/03/2012 15:05
    Sem dúvida a impressão de dinheiro favorece quem primeiro mete a mão na nova grana. Porém, se a demanda agregada está caindo, esse é o jeito de fazer a economia voltar a funcionar.

    Eu entendo as coisas da seguinte forma:
    Imagine que a demanda agregada está caindo, ou seja, existem bens e serviços disponíveis, porém as pessoas que podem comprar não querem comprar.

    Assim, é preciso analisar o seguinte:
    O que está sendo produzindo está se tornando obsoleto e ninguém quer comprar, de um modo geral, ou existem pessoas que querem comprar os produtos/serviços, mas não tem dinheiro?

    Normalmente a resposta é que pessoas querem comprar, mas não tem grana.
    Então, meio que a impressão de dinheiro faz o dinheiro ser mais fácil de ser obtido. Sim, é as custas dos poupadores.

    Assim, imagine uma pessoa que queira comprar um carro, mas não tenha dinheiro pra pagar 10 mil. Só pode pagar 9 mil. A fabrica parada, trabalhadores parados porque aquele carro não foi vendido e não faz sentido fazer outro. Então, para a pessoa pagar os 10 mil, é preciso facilitar a chegada dessa grana na mão dele. O "jeito" é imprimindo dinheiro.

    Se os preços/salários variassem livremente, a impressão de dinheiro não seria necessária, pois os preços/salários das coisas "desnecessárias" cairia naturalmente para se ajustar a demanda. Mas o mundo não é assim. Salários são constitucionalmente irredutíveis, por exemplo.

    Além disso, reduzir os salários de forma nominal dá o maior pepino. Quebra-quebra, vandalismo, etc.. (veja Grécia) Reduzir de forma real, mantendo o nominal, as pessoas aceitam de boa hehehe

    Então, é assim que funciona... Ou muda tudo ou não adianta.
    Como disse o Carlos
    "a economia em ritmo fraco e ainda suba os juros. O resultado é recessão e alta do desemprego. Me parece insano."

    O que eu quero dizer é.. imprimir dinheiro, considerando o modelo atual, funciona.
  • Tiago Moraes  20/03/2012 09:37
    Primeiro: Não é possível determinar a demanda agregada, é um conceito subjetivo, então esse teu modelinho já escorrega na introdução, ou seja, você vai tentar modificar uma variável quantitativa (oferta de moeda) tendo por base a sua interpretação torta da realizade (demanda agregada).

    Segundo: A demanda agregada não cai, o que cai é a demanda efetiva, o objetivo das políticas de estímulo ao consumo, keynesianas, é igualar a demanda efetiva a demanda agregada. Assim fica difícil, você sequer sabe aplicar os próprios conceitos que defende...

    Terceiro: "Gênio" me explique como a sua mente iluminada é capaz de, objetivamente, distinguir a demanda agregada da demanda efetiva e assim determinar se essa hipotética ociosidade no consumo, está sendo condicionada pela obsolescência ou uma uma distorção entre a demanda e a oferta por moeda.

    Quarto: Legal, você realmente acredita que colocar dinheiro na mão de quem não produz e desestimular a renda obtida por quem produz "funciona"!! Substituir produção por consumo, seria interessante se os bens e serviços simplesmente surgissem por osmose, mas como para a tua infelicidade, a produção SEMPRE deve presceder o consumo, a tua teoriazinha falha desgraçadamente.

    Quinto: Meu filho, se a demanda cai a produção tem que cair junto, não tem que estimular nada, Robert Lucas comprovou, o Estado não tem condições de determinar como os Agentes Econômicos irão se comportar. Se você estimular um consumo que naturalmente está caíndo, você está forçando o mercado a injetar capital nos setores que estão perdendo demanda, em detrimento dos setores que a demanda está verdadeiramente crescendo, enfim, punindo os eficientes da vez, para beneficiar os ineficientes do momento.

    Sexto; Os salários não são "constitucionalmente" irredutíveis, eles são "sindicalmente" difíceis de serem reduzidos e os preços e salários só não flutuam livremente, justamente por causa da política monetária que você tanto defende. É a manipulação artificial do dinheiro, visando financiar deficits fiscais ad infinitum, que cria o efeito "catraca" sobre nível geral de preços e salários.

    Sétimo: A criação artificial de dinheiro e a consequente e persistente inflação gerada no processo, é o grande responsável pelas deteriorações nas relações entre empregadores e empregados, todo produtor de bens e serviços é também consumidor de mão-de-obra e matéria-prima, isto significa que esse efeito "catraca" nos salários e preços, forçará o produtor a cortar custos e isso quase sempre sobra para a mão-de-obra.

    Conclusão: Não, imprimir dinheiro, mesmo em nossa realidade, não funciona. Se funcionasse, o mundo não teria computado 123 crises financeiras desde a década de 70, quando o modelo de moeda de curso forçado se tornou padrão mundial, após o calote de Nixon.
  • EUDES  19/03/2012 16:39
    Leandro, se minha memória não está falhando, Mises previu a Grande Depressão. Parece-me, também, que Hayek ganhou um prêmio nobel de economia por ter defendido a teoria dos ciclos econômicos. Estou correto ? Afinal, quem é o autor da Teoria Austríaca dos Ciclos econômicos, Mises ou Hayek ?
  • Andre Poffo  19/03/2012 17:25
    Mises esboçou ela em 1912 já, a ideia saiu da cabeça dele principalmente. Na verdade é uma evolução da teoria do juro de Böhm Bawerk. Hayek se focou nos detalhes e aperfeiçoou bastante. Hoje em dia temos Roger Garrison que pegou os ensaios de Hayek (que já tinha pego de Mises) e melhorou ainda mais, utilizando gráficos mais elaborados e contrapondo as ideias de Keynes e Hicks.
  • EUDES  19/03/2012 18:02
    Obrigado por esse esclarecimento. Mas o que eu disse sobre Hayek é verdade, não é ?
  • Andre Poffo  20/03/2012 03:50
    Sim, em 1974 juntamente com Gunnar Myrdal.
  • EUDES  23/03/2012 05:26
    Obrigado novamente.
  • douglas correia  19/03/2012 21:36
    Leandro,qual livro de introdução a Economia vc recomenda?
  • Andre Poffo  20/03/2012 03:51
    Se me permite: mises.org.br/Ebook.aspx?id=25
  • Leandro  20/03/2012 03:54
    Douglas, recomendo começar com estes dois, nesta ordem:

    As seis lições

    Economia Numa Única Lição

    Depois leia este:

    Intervencionismo -- Uma análise econômica

    Isso já vai lhe dar uma boa base.

    Abraços!
  • MESSI  20/03/2012 04:04
    pra mim o dinheiro pode ser considerado um bem de consumo como exemplo tiramos se o BC resolve imprimir notas e supomos dobre a circulacao do mesmo no mercado, logicamente ha desvalorizacao da moeda e assim o aumento da inflacao, junto com desestimulo na industria e producao de bens de consumo em geral em outras palavras, plateleiras vazias no comercio ...nunca a demanda de ser maior q a procura infelizmente nesse quesito
  • Inacio Neto  20/03/2012 09:30
    Cara, o melhor livro de introdução é Princípios de Economia Política, de Carl Menger.
  • Fabio  20/03/2012 09:39
    Dinheiro é só meio de troca. Imprimir dinheiro apenas redistribui a capacidade de troca entre os agentes econômicos. E isso acarreta em modificação artificial da estrutura produtiva, levando a má alocação de recursos e destruição de riqueza. É como beber todas para curar uma ressaca, todo dia. Vai ter que beber cada vez mais...
  • Fabio  20/03/2012 10:08
    Ciências naturais validam modelos das mais variadas formas. Por exemplo, o modelo Ptolomaico só vigorou por uns 2 mil anos, previa com precisão adequada pra época, e contém pouquíssima (nenhuma?) realidade nele. E a maioria das pessoas estava cagando pra isso, conhecidos como instrumentalistas. O modelo copernicano, que contém um grau de realidade muito maior, era pior que o ptolomaico em termos preditivos. Somente com o modelo de Kepler é que ganhou-se em realidade e precisão, e apesar de ter sido usado por bastante tempo, já se sabia que também era furado por causa da lei da gravitação universal de Newton. Há outros modelos bizarros na Física, como o modelo de gota líquida para o núcleo de átomo.


    As técnicas matemáticas usadas para previsão de séries temporais realmente ignoram os mecanismos de causalidade, e elas são incapazes mesmo de descobrí-los. Elas são usadas exatamente porque não se tem muita certeza sobre os mecanismos causais, e podem ser uma ferramenta para auxiliar numa busca. Os exemplos bestas de relação causal propostos são apenas espantalhos tolos. Quem estabelece relação causal é alguém com inteligencia suficiente pra perceber que correlação estatística não significa relação causal. Se pessoas burras inferiram relações causais errôneas, a culpa não é da estatística.

    Não vou entrar no mérito de debater a praxeologia, porque é impossível refutar uma teoria tautológica.

    Para entender melhor o papel dos modelos, sugiro o filósofo Mario Bunge.
  • Daniel  27/03/2012 17:36
    Cara, até que enfim um comentário inteligente. Parabéns, Fábio.

    Este texto do Shostak é apenas uma ode ao obscurantismo.

  • Eduardo Maal  22/03/2012 08:44
    Lendo os primeiros comentarios, tenho uma analogia que talvez ajudem as pessoas a entederem o que Leandro esta explicando.

    Imagine um dono de um restaurante. Um dia, chega o circo à cidade, e o dono do restaurante percebe um aumento na quantidade de clientes. Ele não se da conta que esse aumento se deve ao circo, e acha que magicamente, seu negócio está crescendo. Ele então investe mais no restaurante; ele abre uma ala nova, contrara novos funcionários, aumenta o tamanho da cozinha.

    Passam-se algumas semanas de farra, e o circo então segue para a próxima cidade. De repente, o dono do restaurante passa à mesma clientela de antes, porém fez um grande investimento - possívelmente contraindo dívidas - e tem maiores custos.

    A pergunta é; os investimentos que ele fez, e as pessoas que ele contratou, representam um crescimento real? Claro que não. Na realidade, tudo que ele construiu de infra-estrutura, foi dinheiro perdido, que era desnecessário. E os novos empregados que ele contratou, ele tem que mandar embora. Talvez até mande embora o filho da vizinha e o irmão do primo, que ele tinha contratado como favor, pois agora ele tem que apertar o cinto, para poder pagar sua dívida com a mesma renda de antes.

    Manipulação economica é a mesma coisa. As pessoas precisam de moradia? Claro que precisam. Mas não serve de nada você subsidiar, porque voce está sinalizando para os empreendedores que há um novo boom de consumo, e eles vão então começar a investir em novos projetos. Só que então o governo tem que subsidiar para sempre, e sempre em quantidades crescentes, para conseguir sustentar o "crescimento" criado. Eventualmente, quando ele para de subsidiar, todas essas pessoas que compraram casas se dão conta que não conseguem pagar os empréstimos de 30 anos que eles contraíram, e você volta ao consumo original - ou menos. Porém, as construtoras investiram em milhares de novos projetos. O estoque vai pra cima, algumas quebram, e você acaba pior do que começou.

    Espero te ajudado a esclarecer algo.

    Abraços!
  • Eduardo Maal  22/03/2012 09:13
    Devo adicionar que a analogia, roubei do Peter Schiff. O mau portugues, é meu mesmo!
  • Leo  28/03/2012 04:10
    "Podemos afirmar com segurança que, tudo o mais constante, um aumento na demanda por pão irá elevar seu preço.  Esta conclusão é verdadeira, e não é experimental".

    Isso é falso. Essa conclusão não é derivada apenas de axiomas irrefutáveis, ela precisa de pressupostos sobre a real forma da oferta de pão.

  • Leandro  28/03/2012 05:03
    Prezado Leo, "tudo o mais constante" significa que a oferta de pão é fixa, inalterada -- ou, no mínimo, que ela não irá se alterar tão rapidamente quanto a alteração da demanda.

    A conclusão é verdadeira.
  • Daniel  28/03/2012 05:33
    O Leo está correto, Leandor, mesmo se a oferta for "fixa" a conclusão não é necessariamente verdadeira.

  • Leandro  28/03/2012 05:44
    Bom, então você descobriu uma mágica. Oferta fixa, demanda crescente, e preços inalterados. Como? Só se houver controle de preços, é claro.
  • Daniel  28/03/2012 05:55
    Não.

    Faça o seguinte, tente derivar logicamente a sua proposição apenas de axiomas irrefutáveis. Aí você vai ver que não vai conseguir e vai entender o que o Leo falou. Uma hora você vai ter que supor algo que não é irrefutável para chegar à conclusão de que um aumento na demanda leva necessariamente a um aumento nos preços.
  • Fernando Chiocca  28/03/2012 08:40
    Eu compro 4 pão por dia.
    Comprar um pão significa trocar o que o padeiro produz pelo que nós produzimos.
    Eu sou um ferreiro e troco minha espada por 4 pães.
    O preço de um pão é 1/4 de espada.
    Um belo dia minha demanda por pão aumenta e passo e quero comprar 8 pães por dia.
    Só que a demanda do padeiro por espadas continua a mesma,ou seja, ele não vai querer produzir 8 pães para trocar por 2 espadas.
    Então eu vou ter que oferecer mais para o padeiro, talvez 2,5 ou 3 espadas pelos 8 pães.

    Portanto, "podemos afirmar com segurança que, tudo o mais constante, um aumento na demanda por pão irá elevar seu preço. Esta conclusão é verdadeira, e não é experimental".

    E tudo isso sem "supor" nada, apenas utilizando a Lei da Utilidade Marginal Descrecente fazendo uma análise da economia de escambo, e tudo logicamente derivado do irrefutável axioma da açao humana, com o auxilio de poucos postulados empiricos.
    O exemplo da espada foi retirado da Praxgirl, que depois coloca moeda (manteiga) na equação, saindo da economia d Crusoé e indo para a economia monetária.
  • Daniel  28/03/2012 10:41
    Fernando, errado.

    Primeiro, "4 pães". Segundo, você supôs algo além do "irrefutável axioma da ação humana". Vocês se contradiz quando fala que precisou de "postulados" empíricos e diz que não supôs nada. E estes postulados empíricos não são incontestáveis, a conclusão não é verdadeira por si. Ela depende de verificação empírica para ver se o postulado auxiliar vale.

    Tente novamente: por favor, prove para nós (com lógica e dedutivamente), que a proposição do shostak é verdadeira independentemente de postulados empíricos auxiliares, frise-se, refutáveis.







  • Leandro  28/03/2012 10:56
    Quanta enrolação, Daniel. Pra começar, quem foi desafiado a provar que a afirmação estava errada é você. Logo, cabe a você explicar por que e como ela poderia estar errada. Isso já lhe foi pedido duas vezes, e você escorregou.

    Ademais, o Fernando não disse que precisou de "postulados empíricos". Se ele houvesse dito isso, de fato seria uma contradição. O que ele disse é que provou uma teoria utilizando "poucos postulados empíricos" para sustentá-la -- sendo que na realidade ele não precisava de ter utilizado nenhum para que seu exemplo fosse perfeitamente lógico e irrefutavelmente verdadeiro.

    Tente novamente: por favor, prove para nós (com lógica e dedutivamente) que a proposição do Shostak (na verdade, da Escola Austríaca) é falsa, utilizando postulados empíricos ou não. Fica a seu critério.
  • Daniel  28/03/2012 12:05
    Leandro.

    Hoje não comi em um self-service, comi em casa.

    Entretanto, há um self-service perto da minha casa que custa R$25,00 o quilo.

    Se eu tivesse ido lá hoje, a demanda pelo serviço do restaurante teria aumentado. Mas o preço com certeza não.

    Está aí.

    Quanta enrolação foram vocês dois. Quem tem que provar o que diz é quem afirma que derivou um postulado universal não refutável.
  • Leandro  28/03/2012 12:19
    Isso foi sério?! Pra começar, em momento algum a teoria diz que o reajuste é imediato. Neste seu exemplo -- que, aliás, relatou algo totalmente temporal, e não algo definitivo --, você queria que o preço subisse unicamente pelo fato de você ter decidido ir ao restaurante e ter colocado o prato na balança.

    Ademais, pelo bem do debate, vou aceitar este seu raciocínio estapafúrdio. Aí então fica a pergunta: assim como você decidiu ir a este restaurante, é perfeitamente possível que outra pessoa que almoça lá rotineiramente tenha decidido não ir justamente neste dia, o que faria com que a demanda fosse a mesma. Como você pode saber que isto não aconteceu?

    Pois é.

    Por favor, demonstre mais capacidade intelectual caso queira continuar comentando aqui.

    Abraços!
  • Fernando Chiocca  28/03/2012 12:35
    É realmente de dar sono.. e além de querer dar uma de sabichão desafiando a praxeologia (SIC), ainda quer dar uma de professor Pascoale....

    É sério que o plural de pão é pães!? Nossa, eu estou errado mesmo!!! Se você não me avisa a tia de Português ia me dar um errado de canetinha vermelha! (e eu pensei que eu tinha errado todas as outras vezes no mesmo texto que eu escrevi "pães")

    Só que pra um projeto de professor Pascoale você é um fracasso, pois não é "Leandor", é "Leandro".

    E é claro que eu supus algo além do axioma da ação, mas não supos nada além da suposição inicial, de que existia uma demanda por pães e a demanda aumentou ceteris paribus.

    Os postulados empiricos usados na praxeologia é que existe existe uma diversidade de recursos naturais e humanos (e isso já estava assumido na suposição inicial) e que "lazer" é um bem de consumo.


    Leandro, você bem que podia traduzir o In Defense of "Extreme Apriorism", hein? É curtinho e é ótimo pra linkar pra molecada que não entende o método lógico dedutivo praxeológico e sua validade incontestável.
  • Daniel  28/03/2012 12:50
    Fernando, você desviou do assunto.

    Eu não estou desafiando a "praxeologia". Estou desafiando você. Se você estabelecer corretamente axiomas irrefutáveis e deduzir corretamente, não há o que questionar.

    Mas a proposição de que um aumento de demanda possa implicar em aumento de preço não é deduzida de axiomas irrefutáveis. Dei um contra-exemplo. Posso dar mais quantos você quiser. A oferta pode estar fixa, a demanda aumentar, e o preço continuar o mesmo. Depende de N variáveis.

    Se você acha que não, então prove que sua afirmação decorre logicamente de axiomas irrefutáveis. Se ela for verdade, isso deveria ser fácil. Vou te dar um exemplo:

    Axioma (i): Fernando é o homem
    Axioma (ii): Todo homem é racional

    Logo, Fenrando é racional.

    Faça isso e nos prove que um aumento da demanda levará logicamente a um aumento de preço sem a necessidade de qualquer axioma auxiliar.

    Abs
  • Fernando Chiocca  28/03/2012 13:34
    Eu já fiz isso Daniel, e sua única resposta a minha demonstração foi desviar o assunto para um erro de português.

    As "N vaiáveis" permanecem invariáveis na suposição.. não entedeu ainda o ceteris paribus?
  • Daniel  28/03/2012 14:19
    Fernando, sim, ceteris paribus.

    Você não fez isso. Se você acha que fez tem que estudar lógica.

    Primeiro, uma coisa tem de ficar clara: oferta e demanda não são conceitos atemporais. A oferta é no tempo t, a demanda é no tempo t. Então você tem que definir o corte temporal de oferta e demanda. Não se fala "a demanda global de iPads é de 2.000 unidades". São 2000 unidades por dia, por ano, por mês? Com a oferta é a mesma coisa.

    Posto isto, posso te mostrar que um aumento na demanda não implica necessariamente em um aumento de preços. Isso pode valer no tempo t, no tempo t1, no tempo t2. Para implicar logicamente em aumento de preços tenho de recorrer a outros axiomas auxiliares que não são universais e não são "irrefutáveis".

    Exemplos são um iPad, o restaurante self-service, ou outros milhões, que só não enxerga quem não quer. E sim, as "variáveis" estarão fixas na análise ceteris paribus... esse jogo de semântica foi ridículo. É possível a oferta estar fixa, tudo o mais constante, e não necessariamente um aumento de demanda implicar em um aumento de preços.

    Então faça um favor, seja honesto intelectualmente e prove axiomaticamente que sempre que a demanda aumenta o preço aumenta(sem recorrer a axiomas refutáveis que tem de ser verificados empiricamente).

    E por favor, postem todos meus comentários, não ofendi ninguém aqui.

  • Fernando Chiocca  28/03/2012 14:35
    Hummm, entendi!

    Se o ferreiro tá sentado na casa dele e de repente a demanda dele por pão aumentar e ele passar a querer 8 pães ao invés de 4, e se antes dele levantar a bunda da poltrona o padeiro não subir o preço do pão, isso quer dizer que está refutada a vailidade da afirmação "tudo o mais constante, um aumento na demanda por pão irá elevar seu preço".

    Poxa, precisamos mesmo entender que a ação humana se dá no decorrer do tempo! Como é que nenhum mestre da Escola Austríaca jamais considerou este pequeno detalhe?

    Genial Daniel. Por favor, continue dando audiência ao site e com essa presteza de corrigir erros primários como este cometido pelo pobre Shostak...


    Você ofendeu algo sim: a inteligência alheia.



    E sim, eu no meu exemplo usei o critério ceteris paribus, pois assumi que a única mudança no cenário foi o aumento da demanda de pães do ferreiro.
  • Leo  28/03/2012 14:58
    Nossa, que bizarro... sua resposta não tem nada a ver com o que o Daniel falou.

    Como eu que comecei a discussão, peço o mesmo que o Daniel. Fernando, faça o dever de casa. Defina corretamente o que é demanda, o que é oferta, estabeleça os axiomas e deduza logicamente que é impossível o preço não aumentar.

    Se você não fizer isso, a enrolação, ofensa gratuita, retórica falciosa e ofensa à inteligência alheia são suas.

    Obrigado

    Leonardo.
  • Fernando Chiocca  28/03/2012 15:20
    Já fiz Leo, sobe ali pro exemplo do ferreiro e do padeiro.

    Demanda é eu querer algo. Oferta é alguém estar disposto a trocar esse algo por alguma outra coisa.

    Sugiro que assista a série inteira da praxgirl que eu linkei no exeplo pra terem noção do que é praxeologia e como os postulados economicos irrefutáveis são derivados de axiomas irrefutáveis, pois tá na cara que vocês não tem nem noção daquilo que se propuseram a criticar.
  • Leo  28/03/2012 15:34
    Desculpe, mas não fez.

    Eu não critiquei a prexeologia. O que eu falei foi que a afirmação não é decorrência lógica de apenas um axioma irrefutável.

    O seu exemplo é, como você disse, um exemplo, não é uma dedução lógica. Dentro da lógica, um exemplo pode contradizer uma proposição. Se alguém diz que A implica em B e uma pessoa traz um exemplo de que A não implica em B, então o exemplo prova por contradição que a afirmação era falsa. Eu acho que o Daniel fez isso bem... Mas você achou os exemplos dele ruins.

    Então, se você quer mostrar que sua proposição está correta, você tem que prová-la dedutivamente. Exemplos não provam dedutivamente.

    Abraços

    Leonardo
  • Fernando Chiocca  28/03/2012 16:37
    Desculpe, mas fiz.

    Eu vou deduzir logicamente de onde se não for de um exemplo, deduzir do vácuo?


    O axioma é "o homem age".
    Dele deduzimos logicamente que o homem emprega meios para chegar aos fins que escolheu, que isto acarreta em custos (a começar pelo tempo escasso do agente), que o agente possue uma escala de valores, etc.
    De fato, até aí nao recorri a nenhum exemplo concreto ou hipotético (embora algum homem concreto tenha que ter deduzido isso de um exemplo concreto, e esteja neste mimento fazend o a mesma coisa), mas o ferreiro e o padeiro do meu exemplo acima podem ser substitidos por "um agente que demanda X e oferta Y e outro que demanda Y e oferta X". Alguma ilustração deve ser usada para expor a dedução. Entendeu?


    Então, se você quer mostrar que sua proposição está correta, você tem que prová-la dedutivamente. Exemplos não provam dedutivamente.

    Se alguém diz que A implica em B e uma pessoa traz um exemplo de que A não implica em B, então o exemplo prova por contradição que a afirmação era falsa. Eu acho que o Daniel fez isso bem... Mas você achou os exemplos dele ruins.


    Humm.. exemplos não provam dedutivamente, mas podem desprovar dedutivamente, como você diz que o Daniel fez (SIC)!?

    Vocês sequer foram capazes de entender que estamos falando de fenômenos de mercado aqui (valor, custos, fins, escolhas) tudo isto implícito no axioma da ação humana, insirida num ambiente de divisão de trabalho.

    E caso não saiba, sim, isto é praxeologia. E a afirmação do Shostak é uma afirmação praxeológica.


  • Leo  28/03/2012 17:05
    Fernando, a lógica é apenas uma para todos os homens.

    Não é "desprovar" é contradizer. Isso é um argumento lógico válido. Se você fala que todos os cisnes são brancos e eu te mostro um cisne preto, isso prova que sua afirmação é falsa. Se você me dá vários exemplos de cisnes brancos, isto é uma evidência de que os cisnes são brancos, mas não é prova.

    O seu exemplo não é uma dedução lógica rigorosa de axiomas. É um exemplo. Colocar X e Y não modifica o exemplo. E como exemplo, ele serve apenas como ilustração.

    A Praxeologia não prescinde da lógica formal. A lógica formal é necessária (mas não suficiente) para a Praxeologia (vide Hans Hoppe, prxeologia e A ciência economica se quiser uma referência austríaca) se você não sabe logica formal, não é capaz de deduzir nada corretamente (e como você sequer entendeu como o exemplo serve para contradição mas não serve para provar, isso mostra que você não sabe muito de lógica formal).

    Se você não sabe provar dedutivamente (pois acha que tem que ser com exemplo) então o máximo que você pode dizer é que alguém provou e que você acredita. Então nos mostre onde provaram para podermos conferir.

    Abraços



  • Fernando Chiocca  28/03/2012 18:49
    É verdade Leo, acho que meu exemplo não foi correto. Ele não está inserido num mercado. Ele é um exemplo de uma economia de escambo primitiva, nos quais a cataláxia não se aplica, pois não há formação de preços num mercado competitivo e as ações não são baseadas num cálculo monetário.
    E a afirmação do Shostak foi cataláctica:

    "Podemos afirmar com segurança que, tudo o mais constante, um aumento na demanda por pão irá elevar seu preço. Esta conclusão é verdadeira, e não é experimental. O preço do pão subirá já amanhã? Ou subirá somente em um futuro indefinido? Isto não pode ser acuradamente estabelecido pela teoria sobre oferta e demanda. Deveríamos então rejeitar esta teoria como inútil pelo fato de ela ser incapaz de prever o preço futuro do pão? De acordo com Mises,

    A ciência econômica pode prever os efeitos esperados de políticas econômicas específicas. Ela pode responder à pergunta sobre se uma determinada política é capaz de alcançar os fins almejados. E se a resposta for negativa, quais serão seus reais efeitos. Porém, é claro, tal previsão será meramente "qualitativa".


    Então temos que num mercado onde haja formação de preços e possibilidade do cálculo econômico, um aumento na demanda por pão irá elevar seu preço, tudo o mais constante.

    Mas, como você questinou no exemplo do Alexandre, se o dono tiver como fim manter o preço de seu produto constante, independente da demanda, ele pode e irá fazê-lo, e este preço realmente não vai se alterar, com um aumento da demanda e tudo o mais constante.

    Se eu sou um artista e quero cobrar 1.000 por apresentação, e mantenho este preço até o final de minha carreira, mesmo que a demanda suba de 1 show por ano, para 2 por dia, o aumento da demanda não irá afetar o preço do meu show, porque eu não quero.

    Mas aí o preço do meu show foi formado independente do mercado e das suas forças.
    Para preços formados no mercado, ou seja, baseados na oferta e na demanda, a afirmação permanece verdadeira.
  • Leandro  29/03/2012 02:14
    Seguem fazendo uma confusão enorme com coisas extremamente básicas.

    Se um comerciante opta por não elevar seus preços frente a um aumento da demanda, então ele está violando a condição "ceteris paribus". Afinal, ceteris paribus, o objetivo de um empreendedor é maximizar seus lucros sempre que possível. E um aumento da demanda lhe possibilita tal objetivo.

    Sendo assim, se, frente a um aumento da demanda, o comerciante opta por não elevar seus preços, perdendo assim a oportunidade de auferir maiores lucros (e também fazendo com que seus estoques acabem mais rapidamente), então já não estamos mais em "ceteris paribus". O empreendedor virou um mero assistente social.

    Enquanto você não entenderem tudo o que engloba a expressão "ceteris paribus", o debate continuará este diálogo de surdos.
  • Daniel  29/03/2012 05:40
    @Leandro,

    Que é isso? Por acaso você está dizendo que o objetivo do empresário é sempre "maximizar lucro" e isso é um axioma irrefutável? Está dizendo que isso é está no "ceteris paribus" de toda análise?

    O axioma da ação humana apenas nos diz que o empresário vai agir propositadamente e vai buscar os melhores meios para tanto. Não nos diz que ele quererá sempre maximizar lucro. Ele pode querer qualquer coisa. Ou você sabe o que cada ser humano quer de sua vida?

    "O empreendedor virou um mero assistente social"

    E daí? Por acaso o assistente social que troca voluntariamente seus serviços está FORA do mercado? Está imune aos AXIOMAS IRREFUTÁVEIS? Não está. A exceção com o assistente social, com o artista que o Fernando colocou etc.. são exceções que mostram que a dedução apresentada não pode ser feita apenas de axiomas irrefutáveis. E não é irrefutável.

    O Fernando entendeu. A conclusão do Shostak não é irrefutável (é provável, é coerente, mas não é irrefutável), só que o Fernando quis defender a conclusção afirmando que se um artista que vende seus serviços NO MERCADO e não quer aumentar preços então ele está fora do mercado. Isso não tem sentido nenhum. A estratégia de preços que cada ofertante define para si não é o determinante se ele está no mercado ou não. O mercado é uma abstração, o que existem são trocas voluntárias, e o artista está no mercado sim, definindo a melhor estratégia para si mesmo, buscando por meio de trocas voluntárias o que acha melhor para si (as vezes o artista prefere ter a utilidade de ser visto como alguém que valoriza mais a arte do que o dinheiro). Falar que ele não está no mercado, que o preço não está sendo definido no mercado não tem sentido aqu.


    @Leo,

    Você expôs muito melhor que eu, obrigado.

  • Leandro  29/03/2012 05:59
    Realmente, Daniel. O empreendedor arrisca seu capital, se endivida, tenta se antecipar às tendências de mercado, tenta ganhar clientes, passa sufoco etc., e tudo isso para quê? Ah, apenas para fazer serviços sociais. Ele não tem absolutamente nenhum interesse em maximizar o retorno sobre o capital que ele investiu. Tudo foi apenas um passatempo.

    Ele "age propositadamente e vai buscar os melhores meios para tanto", mas nada disso é para maximizar o retorno sobre seu capital investido. Não, ele de fato não "quererá maximizar lucro". Afina, "ele pode querer qualquer coisa". Inclusive, pode estar simplesmente a fim de destruir tudo, gastar dinheiro à toa. E tal comportamento insano, claro, está também incluído neste seu elástico "ceteris paribus". Aliás, já notou que qualquer coisa que você inventa está automaticamente incluído no "ceteris paribus"?

    Com tanta elasticidade assim, realmente qualquer axioma do tipo "ceteris paribus" não tem validade nenhuma. Afinal, tudo vale neste seu ceteris paribus. Veja nosso diálogo:

    -- Prezado Daniel, ceteris paribus, eu posso pular da janela, ir até a lua e voltar para o almoço?
    -- Sim e não. Tudo depende de variáveis.
    -- Ué, mas e o ceteris paribus?
    -- Ah, ele comporta várias variáveis.
    -- Então não é ceteris paribus!
    -- É sim, claro que é. É porque eu defini que é.

    Portanto, de fato você tem razão. Concedo-lhe vitória. Seus argumentos -- os quais mudam a cada postagem e seguem apenas uma regra: "Somente os meus pontos são válidos" -- são realmente imbatíveis.

    Você venceu. (Vamos ver se agora você se aquieta).

    Abraços!
  • Andre Poffo  29/03/2012 08:55
    Na verdade o que é irrefutável e é axiomático é a Lei da utilidade marginal decrescente. Que é sistematicamente explicado aqui: mises.org.br/Article.aspx?id=903 e aqui: www.youtube.com/watch?v=AKQ03UxKsaM

    A lei da utilidade marginal diz que se aumentarmos a oferta de um bem em 1 o valor desse bem vai diminuir e se diminuirmos em 1 a oferta desse mesmo bem, haveria uma elevação no valor do bem.

    Portanto, se o padeiro não aumentar o preço do bem devido a uma maior demanda por pães ele terá que realizar mais trocas, mas se ele quiser manter a quantidade de trocas(ceteris paribus) ele terá que aumentar o preço.

    Se eu possuo 1 notebook e existe 1 pessoa apenas querendo aluga-lo, eu alugo por um preço X. Mas se há 2 pessoas querendo aluga-lo, eu alugo por um preço Y, sendo que Y > X.

    Há uma observação a se fazer. O valor desse bem será modificado, os preços podem não ser modificados. Se os preços não forem modificados haverá uma alteração nas quantidades e na alocação. Para que não haja modificação nas quantidades e na alocação os preços deverão ser modificados.
  • Luís Almeida  28/03/2012 15:27
    É engraçado isso. O pessoal surge falando que um axioma está errado, mas quando são gentilmente arguidos para explicar o porquê, eles enrolam, enrolam e no final falam que quem tem de explicar alguma coisa é justamente o acusado e não o acusador!

    Demanda = manifestação efetiva da compra (e não apenas "vontade de comprar", como alguns parecem ter entendido).

    Oferta = quantidade de bens à venda

    Ceteris paribus = oferta fixa e inalterável ao longo do tempo (imagine que a cidade ficou ilhada, sem nenhuma chance de repor seus estoques em um futuro próximo).

    Repentinamente, toda a população desta cidade corre para o supermercado para se abastecer. É possível que os preços não aumentem na primeira hora? Claro que sim. É possível que não aumentem em momento algum? Não, pois isso deixaria o supermercado sem estoques e, logo, sem mais nada para vender, ao passo que um aumento de preços arrefeceria esta demanda, reduzindo assim suas chances de ficar com as prateleiras vazias.

    Ainda tá difícil? Ninguém viu o que aconteceu em São Paulo recentemente naquele imbróglio da gasolina?

    Agora é com vocês dois. Mostrem que no exemplo acima não há nenhum motivo para se afirmar que os preços irão subir. Sem enrolar.
  • Leo  28/03/2012 15:40
    Luís, primeiro é preciso diferenciar axioma de teorema. Ninguém criticou um axioma.

    Como eu respondi ao Fernando, para provar que uma proposição é falsa, basta um contra-exemplo. Ele foi dado. Se você quer provar que sua proposição é verdadeira, é logicamente falacioso provar isso com exemplos. Você tem que fazer o seguinte, estabelecer os axiomas e somente e tão somente deduzir logicamente deles o que você quer provar.

    Abraços
  • mcmoraes  28/03/2012 19:46
    @Leo: "...para provar que uma proposição é falsa, basta um contra-exemplo. Ele foi dado..."

    Foi dado onde? Você se refere ao exemplo do self-service? Se sim, basta ler a explicação do Leandro para ver de que forma o exemplo está furado. Se foi outro, por favor me aponte, pois não encontrei nada.
  • Daniel  29/03/2012 06:19
    @Mc

    O exemplo do artista do Fernando...

    É fácil pensar em vários exemplos. Pense aí: você acha que NECESSARIAMENTE um ofertante é obrigado a aumentar preços caso a demanda por seu serviço aumente?

    Eu mesmo não faço isso. Prestamos serviços de TI.

    Estamos com a agenda praticamente cheia.

    Se aparecerem mais 2 ou 3 clientes eu não vou necessariamente aumentar o preço. Mesmo considerando tudo o mais constante (isto é, eu pensando como penso hoje, com a capacidade de oferta que tenho hoje, e tudo o mais igual a hoje, e do nada aparecessem mais 2 ou 3 clientes querendo contratar a empresa).
  • mcmoraes  29/03/2012 10:45
    Mas o Fernando já explicou isso antes, Daniel. Qual parte você não entendeu?
  • Fernando Chiocca  29/03/2012 11:12
    Depoiis dessa demonstração errada da dedução lógica da lei da oferta e demanda do exemplo que eu dei, eu fui procurar a resposta certa e acho que encontrei, em um artigo do próprio Shostak.

    Eu também havia definido erroneamente para os nossos propósitos aqui os conceitos de "demanda", "oferta" e preços", e o Shostak faz essas definições de maneira apropriada.
    Pelo que entendi, a lei da oferta e da demanda é uma construção imaginária dos economistas, mas de validade universal quando as condições conjecturais são preenchidas.

    Enfim, acho que o Shostak explica melhor:

    The Limits of Supply and Demand
  • mcmoraes  29/03/2012 11:36
    Certo. Obrigado por informar, Fernando.
  • Fernando Chiocca  29/03/2012 13:40
    Pô, esse nosso artigo do Polleit acho que já tinha todas as respostas:

    O que a lei da utilidade marginal decrescente pode nos ensinar?
  • Daniel  28/03/2012 13:29
    Deixe-me dar outro exemplo prático.


    A Apple acabou de lançar o novo iPad e definiu seus preços. Se a demanda pelo novo iPad aumentar é um fato logicamente incontestável que necessariamente a apple vai aumentar o preço do novo iPad?

    Posso dar mais exemplos, mas bastaria um para provar que o postulado é falso.

    Que venham as desculpas ad-hoc para justificar...

  • Leandro  28/03/2012 13:54
    "Se a demanda pelo novo iPad aumentar é um fato logicamente incontestável que necessariamente a apple vai aumentar o preço do novo iPad?"

    Não, pois a oferta dele também está aumentando. Ou você acha que a Apple produziu um número X de iPads e fechou a fábrica?

    Pelo visto, você não seguiu meu último conselho...
  • Alexandre M. R. Filho  28/03/2012 14:59
    Peraí, deixa eu fazer um comentário e, ao mesmo tempo, postar uma dúvida.\r
    \r
    Não há como prever o futuro, certo?\r
    \r
    Então, se a demanda por um bem qualquer aumentar, isso não necessariamenta vai aumentar o preço desse bem, tudo o mais constante.\r
    \r
    É muito provável que isso aconteça, mas não há como se ter certeza.\r
    \r
    Afinal, o dono do bem pode achar mais interessante manter o preço dele como está. \r
    \r
    Ele pode querer melhorar sua imagem, fidelizar clientes etc. Não interessa o motivo, mas ele pode fazer.\r
    \r
    Se ele vai se dar bem dessa forma, são outros quinhentos. Mas que ele pode, ele pode. Ora, o bem é dele e ele cobra o preço que quiser.\r
    \r
    No entanto, essa atitude do dono do bem não invalida o axioma da ação humana.\r
    \r
    Afinal, o cara manteve o preço justamente porque acha que isso lhe trará benefícios. Ou seja, ele acha que ele vai sair de uma situação pior pra uma situação melhor.\r
    \r
    Agora, se a gente considerar que essa nova decisão do dono (em manter o preço estável para conseguir um benefícios qualquer) é uma variável que também foi alterada, então é mais um motivo para entendermos que o aximoa está correto.\r
    \r
    Isso porque, se não houver essa nova finalidade pretendida pelo dono do bem, ele naturalmente irá aumentar o preço.\r
    \r
    Estou certo ou estou viajando?
  • Leo  28/03/2012 15:26
    O axioma é um axioma, ele vai sempre estar certo. A discussão levantada por mim e pelo Daniel é que o axioma não é suficiente para deduzir logicamente o aumento de preços como você está começando a entender. Tanto o Fernando quanto o Leandro argumentam que é possível argumentar que sim, dado o axioma da ação humana, segue logicamente que aumento de demanda se configura em aumento de preços. Isso é obviamente errado. Para se chegar a essa conclusão sã necessários outros pressupostos (refutáveis e empíricos) e assim a conclusão não é irrefutável, mas refutável e empírica. Abraços
  • Fernando Chiocca  28/03/2012 16:04
    Alexandre, ai você não mantece o "tudo mais constante". Você alterou os fins do dono.
  • Leo  28/03/2012 16:13
    Ok, Fernando, então suponha que os fins do do o fossem esses citados pelo alexandre desde o princípio. Dessa forma serão constantes. O que muda?

    Abraços
  • anônimo  28/03/2012 22:50
    Leo, não muda nada, ué! O axioma continua válido.

    Isso porque o dono acha que é melhor não aumentar o preço do que aumentar.

    Será que vc entendeu o axioma direito? (não estou perguntando de modo ofensivo, hein!)

    No caso do dono querer aumentar o preço - o que é provável e esperado - o postulado explica direitinho por que ele fez isso.

    Não sei se estou viajando, mas acho qeu não. Mesmo porque há exemplos reais de casos em que o fornecedor de um bem ou serviço manteve o preço apesar de conseguir uma posição mais privilegiada no mercado.

    De qualquer forma, isso não refuta o axioma e não fragiliza o método austríaco. Pelo contrário, reforça-o.
  • Daniel  29/03/2012 05:47
    @Leo, valeu de novo!

    @Anônimo...

    "O axioma continua válido(...) Será que vc entendeu o axioma direito?"

    Será que você leu o que o Leo escreveu? Ele escreve:

    "O axioma é um axioma, ele vai sempre estar certo. A discussão levantada por mim e pelo Daniel é que o axioma não é suficiente para deduzir logicamente o aumento de preços como você está começando a entender."


    Ou seja ele falou que o axioma está certo. Mas o que não está certo é derivar do axioma que aumento de demanda SEMPRE se configura em aumento de preço.

    "Isso porque o dono acha que é melhor não aumentar o preço do que aumentar".

    Então, você acabou de concluir o que estávamos falando.

    Leia acima também a questão com o Fernando.

    @Leandro ou Fernando

    Aqui, acho que tem um comentário que fiz ontem que não foi publicado, vocês poderiam disponibilizá-lo? Obrigado.




  • Daniel F.  29/03/2012 07:18
    Leo, se os fins do dono eram de "comprar" uma melhor imagem ou maior market share através de corte de preços isso alteraria o preço inicial em relação ao cenário genérico. E em caso de aumento da demanda com oferta constante o mercado apresentaria um preço maior, o que permite que o empreendedor citado continue executando sua estratégia com um preço acima do inicial. O fato dos preços inicial e final nesse cenário serem menoers que no cenário genérico é irrelevante, o que importa é o efeito da demanda no preço, que em ambos é de aumento.
  • anônimo  28/03/2012 22:41
    Entendi, Chiocca. Disse isso no fim do meu comentário.

    Enfim, não há como refutar o axioma. Obrigado!!
  • JC  29/03/2012 16:22
    A demanda pelo Ipad depende do preço que a Apple coloca. A quantidade que eles podem produzir e entregar nas lojas depende de toda a cadeia deles, que tem uma certa capacidade.

    Se eles lançam o produto e a demanda é maior que o esperado, eles podem manter os preços com o mero propósito de respeitar a promoção, ou porque não é culturalmente bem visto um processo de reajuste de preços que, entretanto, levaria a uma alocação mais eficiente.

    Eles podem tentar adequar a produção, e momentaneamente vão incorrer em custos maiores. Em alguns casos, simplesmente não seria possível manter o preço de lançamento, ou mesmo obter mais unidades do produto a qualquer custo.

    Nesse caso, a Apple poderia inclusive se desculpar e dizer que até novas entregas, o produto está indisponível.

    Nesta situação um grande número de consumidores ficou insatisfeito por não ter obtido o produto, mas ficariam ainda mais se a Apple aumentasse o preço combinado.

    Eles voltam às pranchetas, usam o fato de que havia uma demanda não satisfeita para o produto naquele preço para planejar uma produção ainda maior em breve, se beneficiando de ganhos de escala.

    Aumentar o preço também não é uma opção neste momento, porque seria mal-visto.

    Olhando para o passado, poderia-se dizer que eles cometeram um erro empresarial ao não estimar a demanda corretamente, porque realmente podiam ter entrado a um preço maior, e agora é tarde para mudar. Se eles marcassem um preço maior logo de início, não haveria resistência por parte do consumidor.

    Eles, propositadamente e dentro dos objetivos de longo-prazo da empresa, e dentro, na medida do possível, das expectativas dos consumidores, tomaram decisões para preservar a boa imagem da marca, e optaram por não lucrar sobre este desequilíbrio de oferta/demanda a um determinado preço no lançamento do produto, e lidar com um problema de racionamento.

    Note que com isso o mercado não funcionou plenamente, e que se o produto fosse mais simples, não involvesse imagem da marca, tivesse vários fornecedores, não involvesse fidelização do cliente, etc, eles simplesmente aumentariam o preço até equilibrar oferta e demanda.

    O que é exatamente o que faz um cara que conseguiu comprar este Ipad no lançamento, não tem considerações de fidelizar ou desagradar a ninguém e observa uma oportunidade de arbitragem nesta situação. Ele vende o seu Ipad por um prêmio no EBay.

    No outro dia você vai ver o Ipad sendo vendido por 3000$. Agora temos um segundo vendedor no mercado além da Apple.

    Qual é então o preço do Ipad? O preço oficial ou o preço do EBay? Na verdade é qualquer preço pelo qual houve uma transação.

    A Apple estava limpando a fila de clientes à um determinado preço, e deixou compradores sem um casamento de oferta. Alguns destes pagariam 3000$ para ter o produto imediatamente.

    Outra situação seria possível se a Apple, com custos extras, conseguisse realizar esta demanda acima do esperado.

    Neste caso o preço do produto ficou constante, porque a empresa arcou com o custo extra, e possivelmente tomou prejuízo maior que o esperado no lançamento.

    Mesmo assim vale a lógica, porque não seria racional a empresa tomar uma série de atitudes que contradizem a utilidade marginal decrescente, ou no caso, os prejuízos crescentes que eles tem para satisfazer a psicologia de cada cliente na fila a um determinado preço, dado que já cometeram um erro empresarial.

    Por exemplo não seria racional REDUZIR o preço ainda mais no lançamento, e assim aumentar ainda mais a demanda, incorrendo custos inesperados ainda maiores. Poderia acontecer? Sim, mas por erro, não beneficiaria a empresa de nenhuma forma.
  • Eduardo Maal  28/03/2012 15:16
    Alexandre, voce esta viajando.

    Por que voces ainda estao perdendo tempo com esta pessoa?

    Mais dinheiro nao significa mais producao, pronto. Se vc esta numa ilha deserta, sem o que comer, o Bernanke pode jogar 1 bilhao de dolares, que vc vai morrer de fome.

    Mais dinheiro, significa menos demanda por dinheiro. Se o cara decide que por escala, ele pode ter um menor custo, e manter o preco igual, ainda tem inflacao. Porque se ele tivesse aumentado a escala, sem a inflacao, o preco pelo mesmo motivo teria caido.

    Pronto. Acabou!

    Qualquer outro resultado, tem mil outros fatores, como monopolios, legislacao, etc. Lembre-se, nao vivemos num livre mercado.
  • Leo  28/03/2012 16:21
    Mais dinheiro significa menos demanda por dinheiro?

    Cara, desculpa, mas sua frase estã totalmente fora de contexto. Alegaram que é possível deduzir que um aumento de demanda implica necessariamente em aumento de preço. E que isso pode ser feito APENAS de axiomas irrefutáveis. Fora dados contra-exemplos o que provaria que a afirmação é falsa....

    Mas, para acabar qualquer dúvida, bastaria a quem fez a proposição prová-la. Para tanto basta enunciar claramente os axiomas irrefutáveis (como o axioma da ação humana) e deduzir apenas deles a consequência lógica de que aumento de demanda necessariamente aumenta preço. Pronto. É lógica, como disse Mises, lógica só existe uma, ela está aí há tempos. Exemplos não provam uma proposição lógica constrtuiva, eles podem apenas ilustrar. Exemplos servem para contradizer uma proposição lógica também.

    Abraços
  • Leninmarquisson da Silva  29/03/2012 13:32
    Porra, perdi a minha aula de cálculo para ler o debate dos axiomas, já estou exausto e só vi uma enrolação beeeem sacana por parte do Daniel.

    Seja "Demanda" uma função matemática decrescente "P" x "Q", (preço x quantidade demandada). Você NÃO PODE dizer que aumentando o "Q" para um mesmo "P" (que você sacanamente chamou de "t", e usou no exemplo do self-service) você prova alguma coisa. Se você altera Q para o mesmo P você está ALTERANDO A FUNÇÃO, jumento. Seu "ceteris paribus" foi pra "puta que paribus".
    A não ser que a função seja constante, e aí entra o que o Leandro disse, "controle de preços", "benevolência", etc.

    Bom, depois talvez volte pra continuar, senao vou perder minha carona. Mas a priori é isso, você alterou a função, o putaqueparibus e tudo mais, Daniel.

  • Estevam  04/03/2016 18:40
    Sempre fiz o mesmo questionamento a respeito de algumas abordagens da psicologia. O método duplo cego pode fazer bastante sentido na experimentação dos efeitos de um remédio em um grupo teste distinguindo-os do grupo controle, porém nos casos de experimentos feitos por cognitivistas isso é muito mais subjetivo. Tal como o uso de estatísticas para determinar preferências populares, sempre questionei esse uso como susceptível ao equivalente do problema do cálculo econômico, diversas preferências reduzidas a apenas poucas variáveis. Ainda que tenha lá sua utilidade.
    Me questiono se a praxeologia não é a lacuna que falta na psicologia, ou o contrário.
    Percebo na análise humana não somente agentes biológicos e culturais, mas também axiomáticos, determinantes apriorísticos de conduta baseados na lógica pura e simples se considerarmos estes eventos ceteris paribus.
    Por exemplo: a ainda não reconhecida psicologia evolutiva considera que um homem certifica-se da fidelidade da parceira baseado na garantia de que o filho será seu, já a mulher de que não será abandonada para criar o filho sozinha, portanto o ciúmes masculino é mais físico e o da mulher mais emocional. Para esta abordagem isto é instintivo, e seria necessário uma correlação com a genética. Mas para mim isso não seria necessariamente oriundo do instinto nem da cultura, mas de uma conclusão intuitiva lógica derivada de um axioma irrefutável.
    Considerar isso é tão válido quanto considerar que pessoas sempre buscam uma situação mais confortável, axioma que acredito pertencer à EA.
    Será que estou chegando lá?


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