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Uma defesa do preço abusivo

A imbecilidade da semana passada (de 5 a 11 de março) em São Paulo deveria entrar para a história.  Foi uma ilustração perfeita de um dos famosos princípios de Rothbard: o governo, ao tentar infrutiferamente resolver problemas antigos, cria problemas novos.  

Assim, para aliviar o trânsito paulistano, a Prefeitura decidiu restringir a circulação de caminhões por vias muito importantes da cidade, como a Marginal Tietê, em horários de pico. Os caminhoneiros, indignados com a restrição que lhes custará tempo e dinheiro, entraram em greve.  Em um ou dois dias de greve, esgotaram boa parte dos estoques de combustível dos postos de gasolina, o que levou muitos deles a aumentarem seus preços.  E aí o governo voltou à cena, punindo os donos desses postos por praticarem "preços abusivos".

José Alberto Gouveia, líder sindical do setor, considera os donos dos postos envolvidos uns "empresários safados que devem ser presos".  Em entrevista a diversas rádios, Paulo Arthur Góes, diretor executivo do Procon-SP, explicou que o que o Procon proíbe nesses casos é a "elevação de preços sem justa causa".  Quem ouviu rádio, viu TV ou leu jornal acompanhou por dias a indignação pública contra esses malfeitores que, se aproveitando da escassez momentânea, ousaram aumentar seus preços.  Esqueceram-se de um pequeno detalhe: se há, neste universo, uma causa justa para a elevação abrupta de preços, é a escassez abrupta do bem em questão.

Pois o valor de um bem é determinado exatamente por sua escassez relativa.  Aqui em São Paulo, uma garrafa d'água vale pouco, pois a água é abundante.  No meio de um deserto, a garrafa d'água é valiosíssima, pois é muito mais escassa.  A necessidade que deixamos de satisfazer ao abrirmos mão de uma garrafa d'água em São Paulo é muito menos importante do que aquela que deixamos de satisfazer ao abrirmos mão de uma garrafa d'água idêntica no meio do Saara.  Aqui, na capital, um diamante compra quantidades enormes de água.  Lá, viajantes perdidos trocariam todas as joias do mundo por um mísero gole.  

Por três dias, faltou combustível em São Paulo. Muitos postos ficaram sem álcool e gasolina.  O valor do combustível, portanto, subiu.  Nada mais justo que os postos subissem o preço cobrado. Não é à toa que o fenômeno não foi caso isolado: pelo menos 18 postos aumentaram seus preços, e estão agora sob investigação.

Qual o efeito deste aumento de preço? Ao preço mais alto, menos gente vai querer comprar gasolina; alguns que planejavam encher o tanque nesses dias simplesmente não o encherão; outros encherão o mínimo possível, e tentarão reduzir o uso do carro se ele estiver com tanque baixo (como todo mundo sabe que em poucos dias a oferta de combustível se normalizaria — graças ao capitalismo — a maioria das pessoas com tanque cheio não deixaria de usar seu carro). 

O resultado é uma demanda menor por combustível, o que faz com que o estoque, que escasseou, dure mais e seja destinado aos casos mais urgentes, àqueles que realmente precisam do combustível agora e estão, portanto, dispostos a pagar mais caro.  O posto, ao aumentar o preço para lucrar com a escassez, promove a economia do combustível, que é exatamente a atitude necessária em tempos de carestia.

Se, pelo contrário, os postos se comportarem como exige o Procon, os sindicalistas e os locutores de rádio, o preço dos combustíveis continuaria constante, os consumidores continuariam a consumir como se não estivéssemos atravessando um período de escassez acentuada, e o combustível disponível acabaria muito mais rapidamente, levando a mais filas nos postos e a mais gente que precisa de combustível sem tê-lo.  

O estudante que levou seu carro ao posto por mera conveniência (pois podia, digamos, usar o metrô) consumirá a gasolina do taxista que precisava dela, ainda que cara, para garantir o dia de trabalho.

Fica claro, portanto, que mesmo em um período curto de escassez abrupta é não apenas justificado, mas socialmente bom que os ofertantes aumentem o preço (se assim o quiserem; se alguns quiserem vender barato ou mesmo dar de graça seu produto ao primeiro que aparecer, que sejam livres para tanto). É graças a esse "aumento abusivo" que o produto fica um pouco menos escasso, pois as pessoas adaptam o uso que fazem dele às novas condições de preço. 

Se a falta de combustível durasse mais alguns dias, é muito provável que até mesmo a oferta de álcool e gasolina aumentasse, vinda de canais pouco ortodoxos: pessoas com tanque cheio no início da semana, mas cujo uso do carro não lhe era essencial, ofereceriam, a certo preço, o conteúdo de seus tanques para outros que valorizassem o combustível mais do que eles próprios. 

O mecanismo de preços livres ajuda não só a conter a demanda como também a estimular a oferta.  Mas ele só funciona se o Procon e os sindicatos não se intrometerem.  O único resultado do controle de preços, tenha ele as boas intenções que tiver, é tornar o consumo e a oferta irracionais, promovendo a falta e o excesso indiscriminadamente e sempre no lado errado; levar as pessoas que vivem no meio do Saara a esbanjar água como se vivessem no Brasil.

Algum leitor pode ainda não estar convencido. Pois não parece justo que um posto lucre a mais com base na necessidade do consumidor. Perceba, contudo, que ao dizer isso, se está aceitando o exato ponto que estou defendendo: o consumidor está passando por maior necessidade daquele bem que está em falta; em outras palavras, aquele bem está mais valioso (como água no deserto). E é perfeitamente justo que quem oferta um bem valioso seja remunerado de acordo.

Não é verdade que o posto esteja explorando o consumidor, e é possível provar que o próprio consumidor não pensa assim. Afinal, o que aconteceria se um posto resolvesse dobrar o preço da gasolina do nada, sem que qualquer crise de abastecimento estivesse em curso?  Ele meramente perderia clientes.  Ninguém precisaria denunciá-lo nem nada; todos apenas iriam a outro posto; não por boicote ou outro movimento organizado, mas simplesmente por saber que há preços melhores na praça.  

O vendedor que pratica um preço fora da realidade cava sua própria cova: fica com produto não vendido na mão, consumindo-lhe o capital investido.  A crise atual de abastecimento tinha período esperado para acabar: uns poucos dias.  Assim, um posto que cobrasse R$100,00 o litro da gasolina não encontraria clientes (ao contrário de uma situação hipotética mais grave em que o petróleo de fato acabasse, e daí R$100,00 o litro da gasolina seria uma pechincha inacreditável).

É claro que dá raiva em qualquer consumidor saber que um bem que ele comprava a R$2,90 por litro agora custa R$5,00.  E nossa cultura anticapitalista ensinou os consumidores a direcionar essa raiva (que nada mais é do que frustração frente a circunstâncias mais desfavoráveis do que ele imaginara) aos produtores, que são vistos como inimigos naturais.  São ridículas essa revolta e essa denúncia contra o posto que aumentou os preços.  O posto está ali voluntariamente, oferecendo-lhe um serviço que ele, consumidor, não precisa aceitar.  Se aceita, é porque julga que ele é vantajoso nas condições atuais; ou seja, que o produto vale o que o vendedor cobra.  Se não pensasse assim, não compraria.  

Abster-se de comprar é a punição justa que o consumidor inflige em quem não atende a suas necessidades por um preço que ele considere vantajoso; é assim que funciona a competição no mercado, e é por isso que as necessidades da vida (combustível, água, comida), mesmo sem controle de preços, custam muito menos do que custariam se tivéssemos que nos virar, cada um de nós, para produzi-los individualmente.

Seria ótimo se a gasolina fosse distribuída gratuitamente e mesmo assim sobrasse para todo mundo, como o ar que respiramos. Vivemos, contudo, no mundo real; a gasolina disponível não dá para todo mundo; é escassa. Por isso ela tem preço; e por isso algumas pessoas dedicam seu esforço e inteligência para torná-la disponível aos demais.  Em dias como os da semana que correu em São Paulo, ela ficou mais escassa; seu valor aumentou. Quem protesta contra os preços "abusivos" dos postos protesta contra a própria realidade; o verdadeiro autor de abuso é o Procon, que quer impedir, por um suposto "direito do consumidor de comprar um bem a um preço constante", os membros da sociedade de se adaptarem a novas condições. Quem concorda com ele, vive em um mundo de faz-de-conta no qual o mero desejo humano é o bastante para tornar abundante um bem escasso.  

O grande problema é que carros não funcionam à boa vontade...



autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com.

  • Jose Roberto Baschiera Junior  12/03/2012 05:10
    Fiquei tão revoltado semana passada quando fiquei sabendo dessas prisões... Muitos outros donos de postos não aumentaram os preços por medo de também serem presos, o que piorou ainda mais a situação.

    Não adianta esbravejar, preço justo é o ditado pela oferta e demanda.
  • Pipe  12/03/2012 05:29
    Uma das justificativas possíveis para as críticas ao aumento de preços de combustíveis é o fato de que você não pode simplesmente abrir um posto e vender combustível mais barato. Você precisa passar por um rosário de burocracias e alvarás, e provavelmente terá seu pedido recusado se já houver um posto ao lado do seu ponto. Logo, um dono de posto de combustível que decide aumentar demais o preço está se aproveitando de uma situação de crise e de restrição à concorrência.
  • Joel Pinheiro  12/03/2012 05:39
    Não se corrige um abuso com outro. Mesmo sob essas condições restritas, é bom que os postos possam escolher livremente seus preços. Essas restrições permitem aos postos ter uma margem maior do que teria sob livre concorrência, mas estão ainda assim sujeitos ao sistema de preços: preços fora da realidade (que é "realidade + bônus das restrições") são punidos pelo mercado.

    Fora que, se a restrição imposta pelo governo fosse argumento para o governo poder controlar os preços, então o governo poderia livremente decidir todos os preços da economia, dado que inexiste setor sobre o qual ele não exerça algum controle ou intervenha de alguma maneira.
  • Marcus Lins  14/03/2012 06:39
    Mais do que isso, a margem de lucro de um Posto de Gasolina é dada por uma venda de X litros/mês. Com falta de combustível, o dono do posto fica com menos gasolina para vender, o que reduz a margem que ele vai ter para cobrir os custos fixos.

    Como pagar salários e aluguéis (inúteis, já que não tem combustível para vender) sem 3 dias de gasolina? São 10% do volume de vendas a menos (especialmente por ser meio de semana). Não tem jeito, tem que aumentar os preços mesmo!

  • Arabatzoglou  12/03/2012 06:30
    Eu gostaria de lembrar o fato de que alguns postos estavam melhor preparados que outros. Certamente, alguns postos investiram mais, adquirindo reservatórios de combustível maiores e portanto estavam menos susceptíveis à variações no abastecimento. Não somente isso, reservatórios maiores permitem que o administrador do posto realize uma eficiência maior em termos de logística de forma a não comprometer a satisfação de seus clientes e garantindo mais qualidade com relação aos seus concorrentes. Claro, este posto vai cobrar mais por também ter arriscado mais. Trata-se do seu prêmio com relação aos outros.
  • Thiago Conti  12/03/2012 06:55
    Concordo com seus comentários a respeito do aumento do preço diante desse cenário especial, ou seja, em uma crise de abastecimento. Mas discordo quando afirma "Afinal, o que aconteceria se um posto resolvesse dobrar o preço da gasolina do nada, sem que qualquer crise de abastecimento estivesse em curso? Ele meramente perderia clientes. Ninguém precisaria denunciá-lo nem nada; todos apenas iriam a outro posto;"
    Pois aí você está trabalhando com um cenário ideal, onde não há cartel. E sabemos que a realidade é outra.
  • Isaias Barbosa  12/03/2012 09:29
    E qual problema em formar cartéis ?
  • Hamilton  12/03/2012 13:33
    Se o mito do cartel fosse verdadeiro não deveríamos estar pagando a gasolina mais cara do mundo, no cartel americano a gasolina custa em reais R$1,35 e a nossa gasolina tutelada pelo governo que prende os corvos aumentadores de preços custa R$2,49, que bela comparação.
  • Tory  13/03/2012 07:11
    Sem contar que, de acordo com algumas reportagens, os donos de postos ainda tiveram que arcar com escoltas para os caminhões-tanque que operaram durante a greve. Custo extra, na certa. Engraçado é que em nenhum desses noticiários o repórter conseguiu juntar A (os preços "abusivos") com B (custos fixos, impostos, custos extra) para justificar o preço mais alto, sem entrar no mérito da escassez que certamente não é tema ensinado em faculdades de jornalismo Neste País (TM).
  • Veronica  12/03/2012 06:57
    Interessante o artigo, uma leitura bem razoável finalmente surge diante da histeria da mídia. Não sou economista, mas não preciso ser para saber que um produto essencial em escassez ganha valor, fica mais caro mesmo. Mas há algumas situações extremas que não sei se as regras do livre mercado darão conta. Por exemplo, no início do século XX, pouco depois da I Guerra Mundial, uma pandemia de gripe espanhola atingiu o globo. No Brasil a cidade mais atingida foi o Rio de Janeiro. Além da gripe e das mortes que ocorriam cada vez mais todos os dias, os donos de armazém não liberaram os produtos do estoque e aumentaram o preço de produtos básicos, como alimentos. O governo à época interferiu. Acho que naquelas circunstâncias a interferência foi sensata.
  • Joel Pinheiro  12/03/2012 08:20
    Cara Veronica,

    Obrigado pelo comentário. Esse é um tipo de troca que deveria ser mais frequente na internet: pessoas educadas e isentas, que leram, concordando ou não com o conteúdo, e dão sua resposta. Fico feliz pelo meu texto ter sido convincente para você, que ao que tudo indica não é uma liberal de carteirinha.

    Não tenho nenhum conhecimento específico sobre essa crise do abastecimento de comida na época da gripe espanhola; não tenho como te dar uma opinião acerca dos fatos que ocorreram. Contudo, como os mecanismos econômicos que operavam lá são os mesmos que operam hoje em dia (e em qualquer lugar ou época), imagino que minha posição não será diferente. Acho que, quanto mais necessário o bem ou serviço, mais cuidadoso deve ser o tratamento dado à questão, no sentido de se ser sensível à necessidade humana (é muito mais fácil mostrar que o governo não deve controlar o preço dos rubis do que da farinha); contudo, o que a análise em geral mostra é que, do ponto de vista das necessidades e do sofrimento humanos, a liberdade de preços é melhor do que o controle ou a intervenção estatal.
  • Marc...  12/03/2012 11:58
    E a história se repete da imbecilidade humana.\r
    \r
    5. Nenhum contrabando será permitido\r
    \r
    Controle de preços sempre será algo estúpido, independente da época, mas é necessário um enorme grau de imbecilidade para se praticá-lo quando sua região está sitiada. Em 1584, as forças controladas por Alessandro Farnese, Duque de Parma e Piacenza, estavam cercando a maior cidade da Holanda, Antuérpia, durante a Revolta Holandesa (Guerra dos oitenta anos). De início, o cerco foi em vão, pois as formações em linha do exército do duque eram porosas, e a Antuérpia conseguia receber suprimentos por via marítima. Mas o duque era sortudo, pois a cidade decidiu voluntariamente se bloquear a si própria. Os magistrados da cidade decretaram um limite de preços para os cereais. Como consequência, os contrabandistas, que até então vinham furando o bloqueio, se tornaram consideravelmente menos entusiasmados para fazer entregas de alimentos. Em meio à fome geral que se seguiu, a cidade teve de se render no ano seguinte.\r
    \r
    Onze trapalhadas econômicas históricas
  • Matheus Polli  12/03/2012 19:53
    No meu trabalho cheguei a me indispor frente a defesa do estago feita por alguns de meus colegas. Sem conhecimento algum sobre a liberdade, afirmavam que a gasolina era um bem vital para as pessoas e o governo estava certo em prender quem abusasse da situação, ao que retruquei: "uau, como meus bisavós sobreviveram com seus cavalos?!", mas aí eu já tinha sido taxado de anarquista nervosinho...

    Ótimo artigo, como sempre aqui no IMB.
  • Gustavo Sauer  13/03/2012 07:29
    É contraditório esse argumento do "bem vital".

    Se o bem é considerado "vital", mais importante ainda a defesa do livre mercado!

    Afinal de contas, antes ter um bem a disposição por um preço mais caro que não ter bem nenhum por um preço baixo.

    Como o desabastecimento pode ser uma opção melhor? É preciso seguir um duplipensamento orweliano pra achar que a falta é preferível a oferta.
  • Renato Neufeld  12/03/2012 07:05
    Faltou dizer ainda, que caso a falta de combustíveis permanecesse por mais tempo, os postos não ficariam isentos de pagar salários, impostos(aqueles que não são proporcionais a vendas), entre outros custos. Abusivo é politico aumentar os próprios salários e benefícios, mas esses nunca vão presos(e isso que a oferta dessa corja é muito maior que a demanda)!!!
  • Otávio Ziglia  12/03/2012 13:36
    Eu iria comentar do possível prejuízo dos postos no futuro, o que serve para defender a ideia diante dos comunistas/fascistas que acham que o Estado é que deve controlar tudo, mas diante dos últimos comentários acho que minha opinião é inválida! Abraço a todos!
  • Jackson Kestring  12/03/2012 08:27
    Ótimo texto Joel.
    Só acho que poderias ter explorado mais explicitamente a questão de que se os postos não aumentassem os preços dos combustíveis, eles mesmos teriam prejuízos. Pois a quantidade (agora menor do que sem a regulamentação proibindo a livre circulação de caminhões) de combustível disponível tornou-se menor, o que à um preço constante levaria à uma falta do mesmo mais rapidamente, tornando postos inoperantes. Ou seja, postos de combustíveis tendo que pagar todos os seus custos (salários, contas, etc) de operação sem vender sequer um litro do seu produto.
  • Ronaldo Quinto  12/03/2012 09:14
    Perfeito!
    Parabéns pelo texto...vou compartilhar.
    Att,
  • pretor  12/03/2012 12:33
    A matéria, em seu bojo diz: "Qual o efeito deste aumento de preço? Ao preço mais alto, menos gente vai querer comprar gasolina; alguns que planejavam encher o tanque nesses dias simplesmente não o encherão; outros encherão o mínimo possível, e tentarão reduzir o uso do carro se ele estiver com tanque baixo" Que bastialidade. Então, porque não proibir logo a venda de combustíveis no país, heim?
  • Leandro  12/03/2012 13:07
    Ora, pretor, mas banir completamente a venda de combustíveis é o objetivo implícito por trás da ideia do controle de preços. É a sua consequência inevitável. Controle de preços é apenas um caminho mais indireto para a total abolição da venda (legal) de um bem.

    No mais, não entendi exatamente o seu ponto. Não sei nem se foi ironia. O senhor é ambientalista?
  • Alexandre M. R. Filho  12/03/2012 14:03
    Leandro, deve ser economista.
  • Daniel  12/03/2012 16:51
    Vai ver ele acha que bens escassos se multiplicam por desejo ou canetaço.
  • Joel Pinheiro  12/03/2012 18:45
    Heheh, muito me elogia dizer que meu texto diz uma "BASTIALIDADE"; é uma honra ser visto como alguém na mesma linha de Bastiat. Insight preciso, raciocínio econômico e expressão clara; é isso que define a bastialidade.
  • Absolut  12/03/2012 20:29
    Um cara "bastial" não precisa de Hoppe - ops, hope. Afinal, esperança pra que se já se é um gênio?
    [Hehe, forcei a barra pra pegar o bonde...]
  • Thyago  12/03/2012 18:00
    EHUAHE... Economista heterodoxo - na concepção brasileira do termo.
  • Carlos U. Pozzobon  12/03/2012 20:24
    Faltou assinalar que o preço abusivo de hoje vai gerar um lucro extra para pagar as despesas fixas com a falta de combustível amanhã no mesmo posto. Por isso os preços sobem na medida da escassez. Se não houvesse escassez, os preços seriam menores e OS LUCROS MAIORES. O aumento de preço na escassez não significa maiores lucros no cômputo final do mês ou período. Apenas naquelas vendas. É claro que o consumidor foi sacrificado, porque ele é afinal quem paga, mas o posto, repito, não está necessariamente ganhando mais em um período maior do que aquele dia.
  • Cezar Paulino  12/03/2012 20:29
    Das teorias mais idiotas que já tive o desprazer de ler... Em qualquer caso de calamidade ou catástrofe natural teremos produtos que sofrerão com o problema da ecasses, pela sua logica torta seria correto aumentar o preço desses, mas isso é bom pra quem alem do comerciante que lucra a partir de uma situação emergencial?

    Por favor né...Um cara que defende um ABSURDO desses deveria estar internado!
  • Leandro  13/03/2012 01:07
    Funciona assim, Cezar. Você é o prefeito de uma cidade que acabou de sofrer um desastre natural. A cidade ficou ilhada e todo o suprimento de bens essenciais foi interrompido. Logo, todo o estoque de alimentos tornou-se repentinamente escasso, pois agora há apenas uma quantia fixa. E não há data para reabastecimento.

    Aí você, como prefeito, demonstrando toda a sua sapiência e todo o seu amor pela humanidade, decreta congelamento de preços (na verdade, tenho a certeza de que você aboliria os preços e decretaria que tudo teria de ser dado de graça, mas vou aqui dar uma canja e sobrestimar a sua inteligência).

    Ato contínuo, as pessoas de bom poder aquisitivo e munidas de bons meios de transporte correm para os supermercados e mercearias, e compram absolutamente tudo o que podem, enchendo seus porta-malas, pois sabem que não há nenhuma previsão de normalização do abastecimento. Outras comprarão também tudo o que podem, mas mais por capricho. Afinal, pra que perder uma ida ao supermercado? Por que não comprar o máximo de água e leite possível, já que tudo está uma pechincha mesmo? Diabo, por que não comprar todos os tipos de carne e fazer um churrasco em um local sossegado para descarregar suas tensões? Estas pessoas irão entupir seus carros de gasolina, enchendo inclusive vários galões, e viajarão para seus retiros e casas de campo. Sem gasolina nos postos, ambulâncias e outros serviços de pronto atendimento não mais podem operar, e as pessoas morrem em suas casas, sem nenhum socorro.

    Os mais pobres, que só andam a pé e que estavam dispostos a comprar apenas o mínimo necessário, descobrem que os supermercados e mercearias já fecharam, pois todo o estoque já foi vendido para os mais ricos munidos de bons meios de transporte. As crianças começam a morrer de inanição e por falta de atendimento médico (afinal, médicos não podem ir voando para as casas destas pessoas).

    Aí quando uma mãe vai reclamar com você do desabastecimento, da falta de serviços médicos e da consequente morte de seus filhos, você apenas põe a mão no ombro dela e fala: "Mulher, pare de reclamar de barriga cheia! E daí que seus filhos morreram de fome? Você é realmente incapaz de perceber que algo muito mais sublime ocorreu? EU (batendo no peito) consegui fazer com que os malditos empresários não tivessem lucros maiores! EU fiz isso! Por que você é tão ingrata assim? Por que não dá valor ao meu visionário ato de justiça social? Comparada a esta minha façanha igualitária, a morte de seus filhos é algo completamente secundário e desimportante! Aprume-se, minha senhora, pare de chorar e vá fazer algo de útil! Vá roubar alguém, pois eu não posso fazer toda a justiça social sozinho! Que povo mais encostado..."

    Você de fato está qualificadíssimo para ser político, Cezar. Sem dúvidas reelegeria Sarney. E, por isso, deveria ser imediatamente retirado de circulação e entregue aos cuidados de algum manicômio antes que faça essa besteira perigosa, pois você está comprovadamente incapacitado para o exercício da cidadania adulta.

    Abraços!
  • Gustavo Sauer  13/03/2012 07:34
    bravo! humor, inteligência e economia.
  • Frederico  13/03/2012 10:30
    "Os mais pobres, que só andam a pé e que estavam dispostos a comprar apenas o mínimo necessário, descobrem que os supermercados e mercearias já fecharam, pois todo o estoque já foi vendido para os mais ricos munidos de bons meios de transporte."
    Mas e no caso defendido pelo autor do texto? Como ficam os mais pobres, tendo em vista a alta dos preços decorrente da escassez? Ignore que o produto seja gasolina.
  • Alexandre M. R. Filho  13/03/2012 10:51
    Os mais pobres deverão buscar formas alternativas de satisfazer suas necessidades. Aliás, como todo mundo. Os mais eficazes terão feito poupança. Os menos prudentes, ficarão como a cigarra no inverno.\r
    \r
    Além disso, eles poderão contar com ajuda voluntária.\r
    \r
    Eu acho que é bastante claro que em situações de penúria, não falta gente para ajudar.\r
    \r
    Acredito até que se não fosse o estado, haveria muito mais recursos disponíveis para ajuda desse tipo.\r
    \r
  • Leandro  13/03/2012 11:10
    Os mais pobres, justamente por terem de satisfazer estas suas necessidades mais prementes, terão de abrir mão de todos os outros gastos, supérfluos ou não. Por exemplo, nada mais de cervejinha no bar com os amigos. Nada de show de forró. Nada de comprar novos desodorantes. Nada de churrasco na laje. Nada de gastar com qualquer coisa que não seja o essencial.

    Isto é agradável? Nem um pouco. Mas entre ter de fazer sacrifícios para comprar bens necessários ou simplesmente não ter o que comprar (e morrer), garanto que a primeira opção é preferível.

    Ademais, tenho certeza de que eles sempre poderão contar com sua caridade e com seus donativos.

    Abraço!
  • Marc...  13/03/2012 12:47
    O livre mercado se auto-corrige, caso os pobres não possam comprar os bens necessários com seu salário, irão exigir maiores salários (se qualificando etc) e aqueles que lucraram mais, e possuem necessidades que possam ser supridas pelo trabalho dos pobres, poderão pagar a quantia solicitada.
    Toda intervenção no livre mercado é burra.
  • Nando  13/03/2012 13:50
    Boa Cezar!!!
    Só pense na seguinte situação:

    Moramos próximos e sempre abastecemos no mesmo posto. Tenho em casa 2 carros, um V8 e um 1.0.

    1) Com os preços fixos: Ao saber da falta de combustível corro pro posto e acabo com a gasolina de uma das bombas enchendo o tanque do meu V8 e vejo diversas pessoas fazendo o mesmo, afinal e eu quero continuar usando meu carrão pra ir ao trabalho que fica a 2 quadras de casa.

    2) Com a gasolina a R$ 5,00 o litro: Eu provavelmente colocaria somente o necessário no meu 1.0 para o caso de alguma emergência e passaria a ir pro trabalho a pé.



    Imagine agora que você tenha algo realmente importante pra fazer neste mesmo dia mas seu carro está com o tanque vazio... Vc corre para o posto e, dependendo do preço da gasolina pode encontrar os cenários abaixo:

    1) Eu e outros acabamos com o combustível do posto por puro luxo de continuar rodando com nossos carrões e quem pagará será vc que perderá seu compromisso.

    2) Eu e outros utilizamos apenas o necessário e portanto ainda há combustível para que você atenda ao seu compromisso.


    Realmente o cara que pensa num absurdo desses deve ser internado. EU é que não vou deixar meu V8 em casa....
  • Logan  13/03/2012 22:24
    Bom, se numa situação de escassez (e falta iminente) você continua usando seu V8 em vez de usar o 1.0, não há economia de mercado que dê jeito na sua burrice.

    Querer justificar esse exemplo irreal pelo preço controlado/liberado só pode ser explicado por dissonância cognitiva. Mas acho que lá no fundo você mesmo sabe que o que falou não faz o menor sentido.
  • Nando  19/03/2012 07:49
    Primeiro, dei apenas um exemplo que não necessariamente a forma pela qual eu agiria.

    No exemplo citado a falta eminente era óbviamente por tempo limitado, uma vez que governo algum deixaria a situação se prolongar por muito tempo. E a realidade é que quase ninguém deixou de usar seus veículos em São Paulo ou passou a consumir menos combustível até o momento em que ele se esgotou.
  • Eduardo  13/03/2012 05:37
    Boa Leandro! Se me permite complementar...\r
    \r
    Além disso, passado algum tempo, o preço mais alto atrairia outras formas de abastecimento para suprir a demanda. Um exemplo recente, foi no desastre do furacão Katrina, onde pessoas de áreas nao afetadas pegaram seus carros e encheram de água, combustível etc para vender a preços "abusivos" no local devastado.\r
    \r
    Claro, os sábios de plantão denunciaram o "abuso" à polícia, que apreendeu tudo e, assim, o abastecimento ficou ainda pior. Nunca falha, controle de preços é igual a escassez.\r
    \r
    Não é óbvio que as pessoas estavam melhor sob o regime de preços livres?
  • Hamilton  13/03/2012 05:42
    O problema é que Cezar não está querendo entender como a economia funciona, vamos ser mais didático, vamos supor que você é dono de um posto e você tem custos fixos como energia, salários, água, telefones, taxas com cartão, impostos e ETC, vamos supor que esses gastos sejam R$20.000,00 e você vende normalmente 20.000 litros de gasolina que você compra a R$1,50 da distribuidora, logo temos:\r
    20.000 x R$1,50 = R$30.000,00 (custo da gasolina)\r
    R$20.000,00 + R$30.000 = R50.000,00 (custo total), então, chegamos a um preço por litro de R$50.000,00 / 20.000 = R$2,50 (preço por litro em condição normal), mas devido o desabastecimento você só recebe 5.000 litros, logo temos:\r
    5.000 x R$1,50 = R$7.500,00 e tem um custo total de:\r
    R$20.000,00 + R$7.500,00 = R$27.500,00 e o preço final de R$27.500 / 5.000 = R$5,50\r
    \r
    Agora se você fazer populismo por sua conta como o governo quer, teremos:\r
    5.000 x R$2,50 = R$12.500,00 logo você terá um prejuízo de: \r
    R$27.500 - 12.500,00 = R$15.000,00\r
    \r
    \r
    \r
  • Andre Cavalcante  13/03/2012 16:19
    Hamilton,

    Entendi o que cê colocou, mas deixe-me considerar:

    1. O desabastecimento, em questão, durou apenas 3 dias. Foi uma forma de protesto. Todas as pessoas sabiam que o abastecimento iria retornar em pouco tempo.
    2. O custo fixo no período não foi de $20.000, o qual é referente ao custo do mês.
    3. O desabastecimento foi total, isto é, o posto não recebeu nada. Ele sobreviveu com o que tinha em estoque.

    Então acredito que a melhor justificativa para deixar o mercado livre é justamente o que o artigo defendeu: o "aumento abusivo", devido à escassez artificialmente provocada, regula a quantidade restante durante o período de desabastecimento, fazendo com que àqueles indivíduos que realmente necessitam do produto e podem pagar por ele o usem enquanto os demais retraem o seu consumo.

    Abraços
  • mauricio barbosa  29/08/2016 01:44

    Só complementando o comentário do Hamilton

    Preço abusivo? Onde?!!!
    Até onde eu sei isso se chama retorno do investimento,ou seja o comerciante oferta o bem a um preço razoável que remunera todos os fatores de produção usados, inclusive seu capital acumulado com muito,sangue,suor e lágrimas ou conseguiu levantar emprestado de algum capitalista que acumulou com sangue,suor e lágrimas.e o consumidor aceita ou não o preço ofertado do contrário procura o concorrente,só lembrando que este setor de distribuição de combustível é regulamentado pela ANP agência nacional do Petróleo estrovenga tucana(Agências reguladoras)
    Um posto de gasolina operando com os seguintes números a título de exemplo para reflexão.
    Custo fixo =18.000,00(Aluguel,Depreciação,Salários,etc)
    Custo variável =30.000,00(20.000 litros x 1,50)Preço da Distribuidora
    Lucro Bruto = 12.000,00
    Total = 60.000,00
    Ponto de equilíbrio = 18.000,00 \30.000,00 =60% de 60.000,00=36.000,00
    Ponto de equilíbrio =36.000,00(12.000 litrosx3,00)
    Preço de venda =60.000,00\20.000 litros=3,00
    Portanto se o posto de combustíveis sofrer um corte no fornecimento de 50% e vender 10.000 litros,abaixo do ponto de equilíbrio,seus custos e lucro previsto serão:
    Custo fixo = 18.000,00(Aluguel,Depreciação,Salários,etc)
    Custo variável =15.000,00(10.000 litrosx1,50)Preço da Distribuidora
    Lucro previsto =12.000,00
    Total =45.000,00
    Preço de venda = 45.000,00\10.000 litros=4,50

    Aumento de 50% para cobrir os custos e auferir o lucro previsto,afinal ninguém trabalha de graça e nem sindicalista parasita e promotor de greve trabalha de graça,comerciante também é gente de carne e osso e tem conta para pagar.

    Ai vem os órgãos de defesa do consumidor e falam em preço abusivo,mas é como diz o ditado "Pimenta nos olhos dos outros é refresco.Cambada de vermelhos que acham que o capital surge do nada e que basta o monstruoso burocrático canetar ,multar e tabelar meio mundo e a escassez desaparecerá como num passe de mágica,são uns ridículos autoritários esses pseudos defensores dos consumidores são hipócritas,ignorantes ou mau-caráter.Tirem suas conclusões,pois eu já cheguei as minhas,viva a Liberdade e a Livre-iniciativa.


  • Pensador Capitalista Prático  06/06/2018 17:07
    De acordo com o exemplo do Maurício Barbosa:

    O preço do litro na distribuidora é:R$ 1,50

    O Custo Fixo é: R$ 18.000,00
    O Custo Variável: R$ 30.000,00(20.000 litros x R$1,50)
    O Lucro Previsto: R$ 12.000,00

    Em 3 dias de escassez ele terá vendido 2.000 litros a R$4,50 portanto ele irá faturar em 3 dias R$9.000,00 e nos dias normais 18.000 litros a R$3,00 ele irá faturar R$54.000,00 e somando os dois faturamentos a receita será de R$63.000,00

    Portanto baseando-me neste exemplo hipotético o lucro extra será de R$3.000,00(No total R$63.000,00 - R$48.000,00=R$15.000,00 - R$12.000,00 de lucro normal =R$3.000,00 de lucro extra)e todo empreendedor quer maximizar lucro e minimizar perdas,então ele lucrou com méritos pois quem está no mercado batalhando no dia-a-dia está atrás de oportunidades para lucrar e como diz o artigo,produto escasso se torna valioso e quem o possui pratica o preço que quer e o consumidor aceita se quiser e prevalecendo o bom senso e a necessidade de ambas as partes em fechar o negócio e assim encontra-se o preço de equilíbrio,que relembrando não é fixo,mas sim negociável,todo mundo deveria saber disto preço não é fixo,preço é uma variável e resultado de uma negociação que satisfaça a necessidade de ambas as partes,sempre será assim com Comunismo ou Capitalismo de livre-mercado,sendo que no Comunismo prevalece a escassez e a corrupção da elite dirigente e no Livre-Mercado prevalece a abundância e especificidades de cada participante,enfim prefiro o racionamento via preço onde todos saem ganhando do que o racionamento via cotas e filas onde a minoria ganha e a maioria pasta.

    Um abraço a todos e estatólatras aprendam a fazer conta e parem de pedir paternalismo que não resolvem nada e só engana incautos,Paternalismo herança maldita de Getúlio Vargas.
  • Leninmarquisson da Silva  13/03/2012 06:01
    Pretor deve ter assistido Peter Pan antes de comentar. Lembro daquela cena onde tinha um porre de crianças famintas sentadas à uma mesa vazia. Então, todos eles se deram as mãos, e com força de pensamento e vontade a mesa ficou cheia de comida.
    Mas é compreensível, afinal, assim como o Peter Pan, também vivemos na "Terra do Nunca".
    "Nunca nefte paíf...". Nunca nesse país a população foi tão imbecil e palpitera. Valeu Pretor, mas um record obtido pelo PT!

    Porra, mais um motivo pra eu não me arrepender de ter escolhido Engenharia à Economia (mainstream claro, que é a única que tem aqui na Facamp); raciocínio lógico:

    1- Há escassez de um produto (gasolina, no caso);
    2- Você quer otimizar sua utilização e minimizar os efeitos dessa escassez;
    3- Joel "bastialiamente" defende o direito de se aumentar o preço, o que desincentiva o consumo e faz as pessoas repensarem suas prioridades e se adaptarem à nova realidade de escassez.

    1- Há escassez de um produto (gasolina, no caso)
    2- Você quer otimizar sua utilização, minimizar as consequências dessa escassez
    3- Pretor defende proibir o uso como maneira de otimizar a utilização (WTF?!?!)
    4- Epic Logic FAIL

    Já o Cezar Paulino deveria fazer uma visita à Nova Friburgo. Graças à ação estatal, não foram praticados preços abusivos e as vítimas da enchente continuaram consumindo normalmente...até que dias depois se deram conta que os recursos acabaram. De barriga vazia e mortos de sede, agradeceram ao Estado por proibir que eles comprassem, voluntariamente produtos à preços "abusivos" (claro, se eu acho abusivo, eu compro, né?) E é claro, por destinar os recursos de ajuda às vitimas para as escolas de samba que pegaram fogo e não poderiam defilar no carnaval...
  • JOSUELITO BRITTO  13/03/2012 06:52
    Excelente a análise feito por Joel Fonseca, desmitificando a situação. Entretanto, ele não abordou o assunto sob o ponto de vista do empresário. Bastou-lhe o princípio da escassez. Permito-me considerar o seguinte: o posto de gasolina, que devia movimentar certa quantidade de combustível pelo período de uma semana ou mês, passou a não ter o produto, o que comprometeu sua margem de ganho, já bastante apertada. Assim, como ele vai enfrentar os custos fixos do posto (salários, aluguéis, juros etc), se ele vender toda gasolina ao preço anterior, que não corresponde à nova realidade de escassez e crise no fornecimento? Assim, Joel Fonseca poderia ter feito sua análise também à luz da situação do empresário. De qualquer modo, excelente seu artigo. Aprendemos muito.
  • Luciano  13/03/2012 07:03
    Excelente texto.
    A escassez da combustíveis é algo inaceitável, mas fica um porém: uma cidade com menos carros é uma cidade mais feliz.
    Pelo menos na teoria...
    Quanto à opinião de um dos internautas a comparação ao desastre natural foi bem infeliz, já que nesses casos não pensamento econômico que funcione e sim sensibilidade humana.
  • Luis Almeida  13/03/2012 07:51
    Exatamente, Luciano. Após um desastre natural, as leis econômicas se alteram irrevogavelmente. A escassez é anulada, a riqueza e a abundância são criadas por decreto, e toda a produção e distribuição de bens passam a funcionar na base do amor...

    Não é exatamente isso o que defendem aqueles lunáticos, também conhecidos como socialistas? E por que o amor funcionaria num caso e não no outro? Por que não abolimos o sistema de preços já hoje e ficamos apenas na base da "sensibilidade", que funciona muito melhor, segundo você próprio?

    É cada gênio querendo reinventar o mundo...
  • Luciano  14/03/2012 05:19
    Fim dos sistema de preços ? Socialistas lunáticos ? De onde tirou isso ? Qualquer desastre natural sabemos que o Estado. Se não for o Estado, a própria população se ajudará mutuamente de alguma forma. Óbvio que o comércio nessas regiões, se ainda existirem, equiibrarão seus preços, mas assim como aconteceu no tsunami do Japão, nas enchentes no Rio de Janeiro e Santa Catarina ou no furacão Katrina nos EUA, o Estado se fez mais presente do que o 'sistema de preços'. Se é uma boa opção ou se teve credibilidade (em Santa Catarina houve venda de donativos doados) neste caso é outro assunto.
    Mas reitero que comparar falta de combustíveis com desastre natural é um erro gigante.
  • Luis Almeida  14/03/2012 05:28
    Exato! Em Santa Catarina, o estado entrou para "ajudar" e todos os donativos foram vendidos... E o povo pede mais!

    Quanto a "o Estado se fez mais presente do que o 'sistema de preços'" ser algo bom, então por que não defender isto em nossas rotinas diárias? Por que algo só é bom em uma situação e é ruim em outra? Por que o estado é perfeito para controlar preços em situação de emergência, mas fracassa miseravelmente ao tentar fazê-lo em épocas de calmaria? Não deveria ser mais fácil fazer o contrário, isto é, estipular preços em épocas de calmaria? Por que quando a coisa é fácil ele fracassa, mas quando a coisa é difícil ele é perfeito?

    Não faz sentido nenhum esse seu raciocínio e seria interessante se você o explicasse melhor.
  • Luciano  14/03/2012 10:58
    Luis Almeida
    Se quiser criar questões quanto à presença do Estado no sistema de preços, vincule com seu nome, porque em nenhum momento disse que isso seria bom ou ruim dependendo de situação de emergência ou não.
    Só disse que não importa o sistema de preços quando ocorrer um desastre natural. O Estado se fará presente, os donativos aparecerão de uma forma ou de outra e serão saqueados ou não.
    O que mais me intriga é que tenho entendido que numa situação de desastre natural você sugere que não se faça nada. O 'laissez-faire' fará tudo.
  • mcmoraes  13/03/2012 09:04
    @Luciano: "...uma cidade com menos carros é uma cidade mais feliz..."

    Essa me fez lembrar do carinha que discursa no final do seguinte vídeo: www.youtube.com/watch?v=_lBNZY0WYoY.

    ps: o início é um pouco monótono, mas começa a ficar bem divertido aos 6:40, sendo que o final é impagável :)
  • Andre Cavalcante  13/03/2012 16:27
    Luciano,

    O pensamento econômico se impõe mesmo em situação de crise. A sensibilidade (ou a falta dela) humana, neste caso, vai minorar (ou piorar) o impacto da escassez, apenas isso. O ideal é que a tal sensibilidade compense completamente este impacto. Por exemplo, a prefeitura podia sair do meio de campo, reduzindo para quase zero os impostos, de tal forma a minimizar o impacto da crise, o que estimularia as pessoas a, por causa dos ganhos maiores devido à diminuição dos impostos, procurar novas formas de abastecer a região atingida pela catástrofe. Note que ganhos maiores já compensariam o aluguel de embarcações que levariam, sobre as águas, mantimentos para áreas alagadas, por exemplo. Por outro lado, sem os impostos, os produtos não tenderiam a subir tanto.

    Abraços.
  • Luciano  14/03/2012 05:32
    Andre
    Se eu entendi o que quis me repassar tenho que discordar de você.
    De fato foi o que quis dizer quando citou que a sensibilidade humana iria minorar a situação de escassez, mas isenção de impostos para baratear valores de aluguéis de embarcações ?
    A isenção de impostos ajudaria se REALMENTE existisse impostos pagos, o que no máximo vai encontrar na fonte de produção industrial ou agrícola, ou nem isso. O que dirá então do dono do tal bote aí que nem deve saber o que é imposto.
    Em uma cena de desastre natural, esperar que o mercado local se coloque em equilíbrio até a região se reerguer é insanidade. A opinião pública (via imprensa, prostestos ou sei lá como mais) vai se manisfestar e as prefeituras e governos irão agir, de forma incorreta ou não, ou com pessoas de opiniões contrárias a isso.
  • Laszlo  13/03/2012 08:31
    É sempre o mesmo problema com a maioria do povo brasileiro, poucos tiveram a coragem (ou insanidade, já não sei mais) de tentar abrir uma empresa no Brasil pra ver como é que funciona. O pessoal acha que é so abrir o posto, sentar na cadeira e o real a mais que ele cobra no litro de combustível vai tudo pro bolso assim limpinho.\r
    \r
    Não me admiro da quantidade de gente que se forma em algum curso tipo Direito ou Administração só pra fazer concurso público depois.\r
    \r
    O futuro me dá medo...
  • Eduardo Maal  13/03/2012 08:36
    Uma cidade com menos carros é uma cidade mais feliz? De onde voce tirou isso?

    Por favor não me diga que é um dado empírico, onde se comparam níveis de felicidade, com números de carros.

    Naturalmente, uma cidade com mais carros, provavelmente será uma cidade mais urbanizada, sendo portanto uma cidade com maiores fatores de stress. Mas então, você me perguntaria, por que alguém iria viver lá? Bom, as pessoas que decidem morar em cidades maiores, o fazem por um motivo; maior ambição na carreira, por exemplo. E isto compensa pelo incremento de stress.

    Realmente, seria uma análise um pouco complexa.
  • Luciano  14/03/2012 04:59
    Foi apenas uma opinião irônica Eduardo.
    Moro no Centro, não tenho carro e demoro no máximo 10 minutos para chegar ao trabalho. Sinto que sou menos estressados, por exemplo, do que meu pai, que demora, na média, uma hora e meia dentro de seu carro.
    Mas não sou um ciclista radical que quer o fim dos carros, só acho que depender 99% em nossas vidas demais. Isso em uma análise mais profunda é provocado pela especulação imobiliária, assunto totalmente fora do contexto aqui.
  • Alexandre [SEP]  16/03/2012 05:40
    Pessoal do Mises,

    trabalho na área contábil, e tem um empresário do setor de softwares (que de certo lucra com a burocracia) com uma carta aberta de reinvidicações contra a mesma burocracia.

    Assim, gostaria que alguém a lê-se, e se possível elaborasse uma breve resposta às mesmas.

    Desejo enviá-la juntamente com a tal carta para ele.

    Texto da carta:

    "CARTA ABERTA DE REIVINDICAÇÕES POR UMA BUROCRACIA TRIBUTÁRIA SUSTENTÁVEL SINTONIZADA COM O CONTRIBUINTE
    1- Que a Receita Federal armazene os Arquivos XMLs das NFe, dispensando o contribuinte da responsabilidade de guardá-los, como era feito na era do papel, isto é, por um período de cinco anos.
    2- Que a Receita Federal autorize o contribuinte por intermédio do contabilista, a baixar esses arquivos XMLS através de download, de forma simples, com recursos de opções facilitadores, como baixa em lotes, por datas, emitente, etc.
    3- Que a Receita Federal autorize formalmente e oficialmente a exportação dos dados para declaração do PGDAS-D, fornecendo documentação da estrutura e layout dos campos. Pois hoje isso é feito, mas de forma informal.
    4- Planejamento, agendamento e escalonamento entre os setores da própria Receita, para não implantar mudanças, alterações e novidades simultaneamente, em datas de períodos coincidentes, criando picos de trabalho desnecessários, e conseqüentemente, causando horas extras devido à sazonalidade extemporânea provocada.
    5- Que a Receita Federal aprimore seus canais de comunicação para estar melhor sintonizado com demandas e necessidades dos contribuintes, contabilistas e todos responsáveis pela elaboração e entrega das obrigações acessórias ao Fisco.
    6 - Redução do valor da multa de R$ 5.000,00 por atraso na entrega."
  • Augusto  19/03/2012 15:12
    "melhor sintonizado com demandas e necessidades dos contribuintes"\r
    \r
    Eu, honestamente, nao tenho necessidade de nada da Receita. Minha unica demanda eh que a Receita desapareca...
  • Gunnar  03/04/2014 19:49
    O único argumento necessário contra o controle de preços é que ele é imoral. O produtor oferece o produto porque é DELE e porque QUER. Ele não é obrigado a vender e ninguém é obrigado a comprar. O resto é bônus.
  • Viking  24/05/2018 16:56
    mediante os últimos fatos, esse texto merecia ser repostado!
  • Libertariozinho  25/05/2018 18:28
    Mais do que merecia, é simplesmente o retrato exato do que está acontecendo
  • Raphael Kieling  27/05/2018 03:15
    Exatamente, me impressione como encaixou tão perfeitamente a situação vivida por nós hoje?

    Manter o valor igual é pedir pra escassez fazer seu serviço, todo mundo sabe que o valor de um produto regula o mercado, uma água no deserto não custa a mesma coisa que em São Paulo por exemplo.

    Pessoal paga de bom samaritano, manter o valor e ficar sem gasolina nenhuma, o valor filtra pessoas que realmente precisam das que não precisam tanto assim Se formos populistas e querer ajudar a todos por pena, não há modelo econômico que salve. Melhor ter a possibilidade de economizar e comprar do que não ter.
  • Jarbas Profeta  28/05/2018 13:13
    Exatamente, de que serve um posto de combustíveis, sem combustível?

    Os preços também regulam os estoques.

    Não é novidade pra mim, nem pra ninguém acredito, mas não consigo não ficar atônito, quando vivemos uma crise causada pelo estado, o brasileiro médio pede mais estado. O Brasil já é um país socialista, com uma cultura socialista e leis muito mais socialistas.
  • Caê  29/05/2018 12:25
    Se o Combustível estava dentro do Tanque quando começou a greve, nada justifica o Aumento dos preços, se for novo pedido depois de finalizado e o custo para receber for maior, quanto seja isso justificaria o aumento do valor, até que o mesmo se esgote e novo pedido seja feito dentro da normalidade e com preços dentro do padrão...


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