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O dinheiro macula tudo?

Retiremos da frase a seguir toda a piedade cívica que lhe foi inseminada em nossa era politicamente correta e vejamos o que há de errado com ela:

"Todos nós devemos oferecer voluntariamente parte do nosso tempo a causas caritativas, devolvendo à sociedade nossas fortunas por meio de um trabalho amoroso".

Não podemos argumentar contra a instrução apresentada e nem contra o sentimento por trás dela.  Não há nada de errado com a entrega e com o sacrifício.  O problema está na escolha da linguagem.  Ela contém uma palavra e três frases cujo uso comum pode ser altamente enganoso, induzindo a vários tipos de erro.

Voluntário

A palavra "voluntário" é utilizada para descrever uma pessoa que faz coisas pelo bem de outras, e todos nós conhecemos o propósito do termo.  Falamos sobre voluntarismo o tempo todo.  Vários países possuem hoje aquilo que é chamado de setor voluntário, também chamado de Terceiro Setor, o qual supostamente se refere a organizações sem fins lucrativos e que possuem empregos não remunerados.  Porém, pensemos no significado literal de voluntário: trata-se do ato de se fazer uma escolha consciente e não coagida, e agir de acordo com a opção escolhida.  O oposto seria ser forçado a fazer algo.  Assim, prisioneiros são forçados a dormir sobre capachos e pessoas no exército são forçadas a marchar de um lado para outro.  Já você e eu podemos voluntariamente optar por dormir sobre um capacho ou marchar de um lado para outro.

É verdade que as pessoas que dedicam seu tempo a servir sopas aos pobres não são forçadas a estarem lá.  Porém, de que maneira a introdução de dinheiro, salários e lucros altera de modo geral a natureza da escolha?  Por acaso os supervisores assalariados de abrigos para os sem-teto são menos voluntários do que outras pessoas?  De modo algum.  Eles optaram por uma escolha consciente, que é a de servir aos pobres, assim como "voluntários" não pagos também fizeram a escolha consciente de estarem ali.  Todos eles são livres para ir fazer qualquer outra coisa.

Expandamos este raciocínio agora para o setor comercial, que busca o lucro.  Nenhuma pessoa que trabalha no varejo ou com softwares ou em qualquer outra indústria em uma economia livre está sendo forçada a fazer alguma coisa.  Todas elas estão ali por escolha voluntária, resultado de terem avaliado uma variedade de opções e de terem escolhido uma opção em detrimento de todas as outras opções possíveis (as oportunidades renunciadas representam aquilo que pode ser chamado de "custo" daquela escolha).

O médico que ministra remédios, o advogado que escreve um documento jurídico, o vendedor que vende um terno para você, o balconista que opera o caixa — todos estes são voluntários.  O bancário é um voluntário.  A introdução do dinheiro nas trocas (e todas as ações, caritativas ou lucrativas, são trocas) não altera nada a respeito da natureza da ação.  Ela não faz com que algo deixe de ser voluntário e passe a ser forçado.

E isto não é apenas uma disputa terminológica.  Há um significado ideológico em se atribuir o termo "voluntário" à descrição de atividades não remunerativas.  Tal atitude evidencia um preconceito contra a economia monetária, como se as trocas guiadas pelo dinheiro e pelo lucro representassem um objetivo corrompido e maculado, ao passo que a remoção do dinheiro torna uma ação pura e além de qualquer reprovação.  É claro que tal raciocínio está completamente equivocado.

Já passou da hora de desmistificarmos a função do dinheiro na sociedade.  Em uma economia de escambo, bens e serviços são trocados diretamente uns pelos outros.  Isto funcionava bem apenas para economias totalmente primitivas.  Tão logo surgiram arranjos um pouco mais complexos, o escambo chegou ao seu limite.  Você não pode trocar uma vaca por um ovo, ou uma fábrica de automóveis por um chapéu, pois estes bens não são divisíveis.  Você precisa da existência de algo chamado dinheiro para permitir estas trocas.  O dinheiro funciona como um substituto que permite com que trocas diretas sejam realizadas por meios indiretos.  Em vez de trocar sua vaca por um ovo, você pode agora apenas trocar parte do produto de sua vaca (leite) por dinheiro e, então, o dinheiro pela quantidade de ovos desejada.  O dinheiro é um mero substituto para bens e serviços que serão transacionados mais tarde.

O dinheiro também possui a vital função de permitir o cálculo econômico, de modo que você possa saber de antemão se as transações serão lucrativas (produtivas e não destrutivas) ou se gerarão prejuízos (não produtivas e destrutivas).  Logo, a instituição do dinheiro não é inerentemente corrupta ou maculada; ela é extremamente útil e necessária, e surge meramente em resposta ao desejo que as pessoas têm de cooperar entre si.

Devolver à sociedade

"Devolver à sociedade" é uma frase utilizada para implorar àquelas pessoas que obtiveram sucesso em seus empreendimentos legítimos para que doem seu tempo, talento e riqueza a algumas causas fora da sua área de atuação.  Não há problemas com o pedido de servir aos outros, mas há um enorme problema com o termo "devolver".  Ele sugere que as pessoas que têm dinheiro tomaram alguma coisa de outras pessoas.  Embora isso seja verdade para pessoas que trabalham no setor público, é curioso notar que não se vê pedidos lacrimosos para que estas devolvam à sociedade o que tomaram.  Tais pedidos aparentemente se aplicam apenas a empreendedores que trabalham no genuíno setor voluntário da economia, que é o setor privado.  E o fato de um empreendedor privado ter obtido sucesso em seu empreendimento indica precisamente que sua riqueza foi obtida não pelo confisco dos bens alheios, mas sim pelo fato de ele ter sabido cooperar com consumidores que voluntariamente adquiriram seus bens e serviços.

Vejamos como isto funciona: quando você precisa de leite e está com pressa, você corre para a padaria ou para a loja de conveniência mais próxima e pega uma embalagem longa-vida.  Você a leva até o caixa e o atendente diz quanto você deve pagar.  Neste momento, há um cálculo sendo feito.  O atendente determina que ele (mais especificamente, seu patrão) prefere seus $2,50 ao leite.  Você, por outro lado, determinou que prefere o leite aos $2,50 que estão sendo pedidos em troca.  Ato contínuo, vocês dois fazem a transação e voilà — ambos estão em melhor situação em consequência deste ato.

Você prestou um serviço àquele estabelecimento, e aquele estabelecimento prestou um serviço a você.  O estabelecimento ficou mais rico em termos de dinheiro e você ficou mais rico em termos de bens.  O que cada um dos lados deve ao outro após esta troca?  Absolutamente nada.  O que a justiça exige?  Que eles mantenham este acordo comercial, e nada mais.  O leite não pode estar azedo.  Caso você tenha pagado com cheque, ele tem de ter fundos.  Nada mais é requerido.  Agora, se o atendente estiver doente e precisando de ajuda, ou se o consumidor é pobre e precisa de abrigo, isto é outra questão.  Porém, o que está sendo pedido neste caso é algo completamente isolado e sem nenhuma conexão com os resultados da transação econômica.

Expandindo esta lógica um pouco mais, podemos ver que ela se aplica a todas as pessoas que ganham dinheiro, mesmo àquelas que ganham muito dinheiro (de forma honesta e voluntária, é claro).  Mesmo um indivíduo extremamente rico, e desde que sua riqueza tenha advindo de trocas mutuamente benéficas, não tem de "devolver" nada à sociedade, pois ele não retirou nada dela.  Com efeito, o inverso é que é totalmente verdadeiro: empreendimentos dão à sociedade.  Empreendedores correm enormes riscos e se aventuram em investimentos incertos precisamente por estarem com o objetivo de servir aos outros.  Sua riqueza é apenas um sinal de que eles alcançaram seus objetivos.

Trabalho amoroso

A frase "trabalho amoroso" é utilizada como um eufemismo para trabalhar sem receber.  É uma frase apropriada caso seu significado esteja restrito apenas àquelas pessoas que amam tanto o seu trabalho que estão dispostas a efetuá-lo mesmo sem nenhuma remuneração.  Mas a frase, erroneamente, também carrega a implicação de que, se você está sendo pago, então não é um trabalho feito por amor e com amor.

Certamente, empregados bem sucedidos são majoritariamente aqueles que adoram seu trabalho.  Que eles recebam salários em troca de seus serviços prestados é apenas um sinal do valor que o proprietário da empresa atribui ao seu trabalho.  Ambos estão cooperando para suas satisfações mútuas, algo que pode perfeitamente ser classificado como uma forma de demonstrar amor.  Sendo assim, todo trabalho em um livre mercado é um trabalho amoroso.  Ambos os lados estão dando e recebendo.

Outra maneira infeliz de se empregar esta frase é inferindo que, se você se recusar a trabalhar voluntariamente, sem salários, então você não está demonstrando amor.  É um fato inegável que o uso do tempo significa o uso do mais valioso recurso que possuímos.  Se um trabalhador abre mão de um dia de trabalho e seu salário é descontado por isso, ele pode estar abdicando de uma quantia considerável de sua renda.  Esta perda de renda é o seu custo; é o que ele paga para fazer um "trabalho amoroso".  Portanto, ele não está apenas abrindo mão de sua renda: de certa forma, ele está contribuindo com aquilo que de outra forma seria sua renda para a causa que ele está servindo.  E se este dinheiro fosse originalmente para comprar alimentos ou remédios para seus filhos?  Neste caso, fazer um "trabalho amoroso" acabou se revelando um ato de crueldade.

Tal raciocínio é válido até mesmo para o mais rico dos empreendedores.  E se ficar trabalhando — até mesmo ganhando dinheiro — for a melhor forma de servir à comunidade?  E se o indivíduo for um farmacêutico ou um médico ou um gerenciador de website que está ajudando a fornecer informações vitais sobre saúde ou qualquer outro assunto essencial?  Trabalhar em troca de salários representa uma contribuição tão grande para a sociedade quanto qualquer tipo de trabalho voluntário.  E se um indivíduo é o responsável pelo bem-estar de milhares de empregados?  Não seria um ato de amor ele permanecer neste trabalho assalariado?

Não há motivo algum para se afirmar que só há amor quando o indivíduo doa seu tempo sem nenhum pagamento em troca.  Você pode pagar ou ser pago e ainda assim demonstrar amor.

Novamente, isso tudo não é apenas uma questão semântica.  Trata-se de uma abordagem das suposições que muitas pessoas fazem sobre questões econômicas e que afetam a ética.  As pessoas frequentemente aceitam sem questionar a ideia de que o "vínculo ao dinheiro" é incompatível com uma vida ascética e limpa.  Porém, só é possível ter uma compreensão realmente clara a respeito deste assunto se entendermos que o dinheiro é meramente uma instituição instrumental que serve à causa da cooperação humana, gerando melhorias e benfeitorias.

Sim, devemos fazer trabalhos voluntários para causas caritativas, e fornecer à sociedade nosso trabalho amoroso.  Só que isso não necessariamente significa servir sopa em abrigos para sem-tetos.  Ao contrário, pode significar receber uma polpuda renda como corretor imobiliário ou como investidor em empreendimentos imobiliários.  Quando finalmente entendermos que a economia de mercado não apenas não é incompatível com a justiça social, como na realidade ela é uma genuína forma de se fazer a justiça social no mundo real, passaremos a ter mais cuidado com a linguagem que utilizamos.

 


autor

Jeffrey Tucker
é Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Ele também gerencia a Vellum Capital, é Pesquisador Sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria.  Associado benemérito do Instituto Mises Brasil, fundador e Diretor de Liberdade do Liberty.me, consultor de companhias blockchain, ex-editor editorial da Foundation for Economic Education e Laissez Faire books, fundador do CryptoCurrency Conference e autor de diversos artigos e oito livros, publicados em 5 idiomas. Palestrante renomado sobre economia, tecnologia, filosofia social e cultura.  

  • Andre Cavalcante  07/03/2012 10:00
    (...) A beneficência, meus amigos, dar-vos-á nesse mundo os mais puros e suaves deleites, as alegrias do coração, que nem o remorso, nem a indiferença perturbam. Oh! Pudésseis compreender tudo o que de grande e de agradável encerra a generosidade das almas belas, sentimento que faz olhe a criatura as outras como olha a si mesma, e se dispa, jubilosa, para vestir o seu irmão! Pudésseis, meus amigos, ter por única ocupação tornar felizes os outros! (...) (Adolfo, bispo de Argel. (Bordéus, 1861.) In: KADEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 11. Tradução: Guillon Ribeiro, 120ed, Rio de Janeiro, 2002).

    Muitos de nós ainda não entendemos o verdadeiro significado da palavra caridade.
  • Paulo Sergio  07/03/2012 10:30
    Ninguém tem nada contra a caridade.O problema é essa suposta 'dívida'.
  • Andre Cavalcante  07/03/2012 21:09

    Se é dívida, não é caridade, certo? Isso o texto fala bem.

    Abraços.
  • anônimo  07/03/2012 10:52
    Assim como outros tantos não entenderam que só o livre mercado e a criação de riqueza permite a existência de caridade. Sem riqueza, não há nada a ser doado meu caro Andre. Steve Jobs fez mais bem a humanidade que o autor do seu livro.

    Um abraço.
  • Andre Cavalcante  07/03/2012 21:11

    Engraçado, coloquei o texto exatamente porque achei que ele tá em sintonia com o texto do artigo. Até negritei a parte da ocupação única. Não dá pra ser beneficente com os outros em full time sem receber nada por isso, correto?

    Abraços
  • Pipe  07/03/2012 11:42
    Caridade é obrigação moral. A partir do momento em que alguém aponta uma arma para você e o obriga a entregar parte de seus bens e de sua liberdade, isso deixa de ser caridade.
  • Giancarlo  07/03/2012 10:48
    Parabéns ao Mises, parabéns pelos critérios de seleção dos artigos e um muito obrigado pelo serviço prestado.

    Não há nenhum ponto a se questionar no artigo. Simples e brilhante.
  • Gustavo Sauer.  07/03/2012 12:45
    Gosto muito de ler os textos e ver os videos do Jeffrey Tucker. Sempre achei sua empolgação ao falar sobre o capitalismo contagiante.
  • Fernando Chiocca  07/03/2012 13:10
    É o melhor!

    E em maio o Jeffrey Tucker vai estar conosco em São Paulo!

    III Conferência de Escola Austríaca
  • Angelo T.  07/03/2012 15:10
    Minhas preces (e meus comentários) foram atendidas! :-)\r
    \r
    Jeffrey Tucker comanda.\r
    \r
  • André Ramos  07/03/2012 15:28
    Fernando, o melhor é o Woods!\r
    Se isso aqui fosse o facebook, vc veria que meu comentário teria mais "curtir" que o seu, hehe...\r
    Brincadeiras à parte, os últimos textos do Tucker têm sido realmente brilhantes!\r
    E não sei se o Leandro está fazendo de propósito (se está, mandou bem!), mas é muito massa ver a maioria dos textos recentes serem do Tucker e do Bogus, pq a gnt já se prepara para a próxima Conferência da EA, na qual ambos vão palestrar.\r
    Quanto ao Schiff e ao Block, dizer o quê!? Nem estou acreditando...\r
    Quanto a este texto especificamente: PERFEITO!\r
    Abs.
  • Zeca  07/03/2012 16:39

    Bom artigo. Só não gostei da parte preconceituosa que insinua que o cara do setor privado é um trabalhador nobre e o do setor público um parasita. Ora, há muito profissionais, principalmente na área de saúde pública e de educação, que se esforçam para prestar um bom serviço à sociedade, mesmo trabalhando em condições precárias. Há também empresários do setor privado que, como bem explorado em artigos deste site, se esmeram em enamorar o poder e dele obter privilégios que definitivamente não os qualificam como empreendedores, como é o caso dos banqueiros.
  • Catarinense  07/03/2012 20:04
    Zeca, está na cara que você é novo por aqui. Dedique um pouco de tempo para ler os outros artigos do site. Você logo mudará sua opinião.
  • Paulo Sergio  08/03/2012 02:49
    Empregos públicos são produtivos?
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1144
  • Andre Cavalcante  08/03/2012 09:04
    Oi Zeca,

    Você está confundindo o trabalhador com trabalho público.

    Os serviços de educação, saúde, segurança, etc. também podem e são fornecidos privadamente e, na maioria das vezes, com mais qualidade que o "público". Dessa forma, se você é competente e estivéssemos em mundo verdadeira livre, provavelmente estaria melhor empregado em um outro lugar. Mesmo você sendo competente, o estado disvirtua essa competência, simplesmente porque não consegue ler o que é "melhor" para a sociedade (o indivíduo). Não é uma questão de competência ou gerenciamento estatais. Este é um problema estrutural do estado. Além de ser imoral roubar dos outros, mesmo com boas intenções. Essa regra vale para você e para mim como indivíduos, mas não vale para o estado.

    Só isso.

    Abraços
  • Marconi Soldate  07/03/2012 19:22
    mas nós não vivemos em um mundo keynesiano?
    então quem é ricaço pode muito bem ter sido favorecido pelo estado e tem que devolver sim.
  • Roberto Santiago  07/03/2012 22:00
    CATARINENSE, desculpe mas concordo com o Zeca: Toda generalização é burra. Sou funcionário público concursado, e desejo assim como meus colegas de setor realizar um bom trabalho - mas enfrentamos autarquias mal-equipadas, mal-estruturadas, sistemas informatizados que dão pane dioturnamente, salários defasados, corrupção nos cargos de confiança e de chefes de estado. Prefiro acreditar ainda que como nós há vários outros que desejam sim cumprir bem sua função sem que seja necessário receber propina por isso, apesar de tantas batatas podres. Por outro lado, creio q seja do conhecimento de todos a existência de empresas do setor privado que sonegam impostos, se aproveitam de mão-de-obra infantil ou semi-escrava, depredam e poluam o meio-ambiente, subornam fiscais e tentam se apoderar de recursos naturais em prejuízo das populações locais. Alguém já leu o livro "Coca-Cola: a história negra das águas negras", ou "O Livro Negro das Marcas"? Generalizar a respeito do funcionarismo público é tão absurdo quanto dizer q todo pastor é vigarista, q todo padre é pedófilo, q todo ateu é amoral, q todo policial é subornável, q todo judeu (ou turco, ou mineiro) é mão-de-vaca, q negro ou morador de periferia é bandido etc.
  • Luis Almeida  08/03/2012 04:33
    Gostei desse Roberto Santiago. Involuntariamente ele contou todos os podres do setor público e, ao tentar dizer que o setor voluntário da economia (setor privado) faz a mesma coisa, simplesmente acabou demonstrando a superioridade moral deste.

    Segundo ele, empresas que sonegam impostos e subornam fiscais cometem o mesmo crime de quem vive de dinheiro público roubado. Ou seja, você se recusar a dar dinheiro a um assaltante ou apenas negociar um valor menor para o esbulho é uma atitude criminosa segundo o Roberto. O certo é você entregar todas as suas posses para os bandidos. Aí sim você estará agindo honestamente. Mas é compreensível que o Roberto pense assim. Afinal, ele é o receptador deste dinheiro roubado. É normal ele ter raiva de quem não contribui para seu patrimônio.

    Outra acusação foi a surrada invocação da "mão-de-obra infantil ou semi-escrava". Resta apenas ele dizer qual empresa famosa sequestra crianças e adultos e os obriga, sob a mira de uma arma, a trabalhar em "condições de semi-escravidão", seja lá o que isso signifique. Se ele não provar que é isso que ocorre -- isto é, que tais pessoas não estão lá voluntariamente, mas foram forçadas sob a mira de uma arma a ir trabalhar nestas empresas -- ele estará se comprovando apenas mais um mentiroso. Ah, sim, e além desta prova, ele tem de citar as empresas e quais as reais condições de trabalho.

    Condições de semi-escravidão quem impõe é o estado, que, no Brasil, obriga as pessoas a trabalharem literalmente de graça durante 5 meses apenas para sustentar gente como o Roberto. Roberto, você é o senhor de engenho aqui.

    "Depredar e poluir o meio ambiente"? O que é depredar e poluir? Absolutamente qualquer ação pode se encaixar nestes termos. Você, Roberto, ao ir para a sua repartição está poluindo o ambiente. Por que não fica em casa? Ou você é um ser diferenciado e flutua?

    "Tentam se apoderar de recursos naturais em prejuízo das populações locais". Quem de fato faz isso é o estado, com suas desapropriações e seu domínio eminente, confiscando propriedade dos indivíduos sem lhe dar a mínima chance de defesa. Qual empresa faz algo semelhante? Nem jagunço faz isso, pois estes existem para defender terras, o que o torna infinitamente mais moral que qualquer burocrata.
  • Roberto Santiago  22/03/2012 17:25
    Luis Almeida: não disse nada involuntariamente, apenas não sou ignorante aos podres do governo. Reivindiquei apenas (e pelo jeito fui covardemente ridicularizado por isso) que não generalizassem o setor público, como se TODOS os servidores fossem corruptos. Quanto ao trabalho semi-escravo, vc não lê os jornais? Volte e meia vemos notícias da polícia libertando trabalhadores de fazendas que viviam em estado de semi-escravidão (ou vai dizer que a atividade agropecuária foge do setor privado?)\r
    Não acusei TODAS as empresas de conduta imoral e desonesta, apenas apontei que elas também existem, e em grande número.\r
    \r
    " "Tentam se apoderar de recursos naturais em prejuízo das populações locais". Quem de fato faz isso é o estado, com suas desapropriações e seu domínio eminente, confiscando propriedade dos indivíduos sem lhe dar a mínima chance de defesa. Qual empresa faz algo semelhante? Nem jagunço faz isso, pois estes existem para defender terras, o que o torna infinitamente mais moral que qualquer burocrata."\r
    \r
    - Leia os livros que eu sitei, e depois venha me falar disso, senhor sabichão. Ali mostra o Estado fazendo isso para BENEFICIAR MULTINACIONAIS. As empresas que se beneficiam das pilantragens do governo não são tão criminosas quanto ele?\r
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    Uma vez que muitos aqui parecem esquecer o conselho "Envie-nos seu comentário inteligente e educado", não vou perder mais tempo discutindo.\r
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    Adeus e passar bem.
  • Alan Denadary  23/03/2012 08:06
    Tem gente que se dói por qualquer coisa. Não se pode falar nada que já pensam que é pessoal.

    O Luiz Almeida foi super inteligente e educado. Você também oras. Não houveram ataques pessoais!

    Por favor gente, diminuam a taxa de açucar.
  • mcmoraes  08/03/2012 05:12
    @Roberto Santiago: "...Alguém já leu o livro "Coca-Cola: a história negra das águas negras", ou "O Livro Negro das Marcas"?..."

    E você já leu "O Livro Negro dos Funças"?
  • Jose Roberto Baschiera Junior  08/03/2012 04:59
    Roberto Santiago.

    O setor privado, trabalhador, honrado, é obrigado a sustentar o setor parasita do qual você faz parte. Você pode ser um médico e salvar 2.000 vidas por dia, mas se pessoas estão sendo roubadas para te sustentar, você é parasita.

    Todo funcionário público, independente do cargo, é parasita.
  • Arion Dias  08/03/2012 08:47
    Roberto, acho que o pessoal está sendo um tanto duro contigo. Mas vou colocar em palavras diferentes para tu ver se compreende:\r
    \r
    Digamos que tu trabalhasse para uma milícia. Alguém da organização miliciana queria contratar um médico (supondo que tu é médico) para atender a comunidade e, em ''troca'' as pessoas pagariam uma taxa pelo serviço prestado pela milícia.\r
    \r
    Ato contínuo a milícia te contrata, repassando o dinheiro arrecadado com essa "taxa".\r
    \r
    O fato de tu ter feito um acordo voluntário com a milícia não muda o fato de que a milícia obrigou as pessoas a pagarem por algo.\r
    \r
    É o ato de obrigar alguém que aqui vemos como algo errado. É isso que diminui uns perante outros e os torna escvravos.\r
    \r
    Quando um ser humano se acha no direito de determinar o que os outros fazem isso se chama escravidão. Logo, tu és um beneficiário da escravidão alheia (assim como eu).\r
  • Marcus V. Benites  08/03/2012 21:59
    Advogado do diabo: o Roberto, de forma parasita, recebe o seu salário, roubando o setor privado. Aí vai ao mercado da esquina e compra produtos, gastando o dinheiro roubado. O mercado recebe o dinheiro roubado por seus produtos, não importando, ao mercado, de onde venha o dinheiro, mesmo que roubado. O mercado da esquina, assim, beneficia-se também do dinheiro roubado, donde se possa concluir que também seja parasita. Pode-se argumentar que o mercado apenas está recuperando a parte que lhe foi tirada quando ele, mercado da esquina, foi roubado pelo governo nos impostos. Mas o Roberto, a cada pirulito que compra, também é roubado, pagando ao governo de modo não voluntário. Em suma: todos acabam entrando no ciclo. Será que o trabalhador público, mesmo que parasita, deva ser condenado por trabalhar para o setor público, em uma sociedade estatal que, justamente por ser estatal, tolhe as chances do Roberto trabalhar em outro lugar, pois gera seus monopólios e impede o setor privado de desenvolver-se?

    Pensemos no caso de um professor de universidade pública. O estado, enquanto sistema monopolista, impede que haja ensino superior de qualidade privado, pois regula, controla e oferece o ensino "gratuito" de relativa qualidade (não houvesse o estado e seria de maior qualidade, dentro do setor privado), de onde se possa concluir que, se o professor é realmente bom, fica na sinuca de bico: ou trabalha para uma instituição privada que, pelo sistema como está, não está ao seu nível; ou trabalha para a instituição pública, ao seu nível, mas parasitando.

    O que quero colocar é que, dentro do atual contexto, daria para excluir o setor privado de, também ele, receber dinheiro roubado, mesmo que só retomando o que dele também foi roubado? Se sim, por que condenar o trabalhador público que, embora parasita, às vezes não vê outra forma de desenvolver-se profissionalmente e intelectualmente a não ser entrando no jogo? Não seria mais justo, mesmo em se reconhecendo o parasitismo do trabalhador público (inegável), não culpá-lo necessariamente por isso, uma vez que o estado, criando o contexto de roubo, de impedimento do desenvolvimento pleno do setor privado e através de seus monopólios, tira as reais opções desse trabalhador?

    É inegável que há o parasitismo. No entanto, seria o trabalhador público culpado dele, ou não seria, ele também, uma relativa vítima da situação, que não foi criada por ele?

    Faço o comentário no tom de questionamento, pois o interesse é, realmente, o de que, de repente, eu compreenda alguns pontos ainda não aclarados.
  • Paulo Sergio  09/03/2012 03:17
    'Pensemos no caso de um professor de universidade pública. O estado, enquanto sistema monopolista, impede que haja ensino superior de qualidade privado, pois regula, controla e oferece o ensino "gratuito" de relativa qualidade'

    Como assim o estado impede? Eu tenho colegas que estudam em univ. publica e privada, e eles falam que não tem essas diferenças todas não, e aliais a maior diferença é que a pública é um trambolho caindo aos pedaços.Pra cursos que precisam de laboratórios então, é um inferno.
    Já falaram que na pub chega ao ponto de um professor no primeiro dia de aula falar assim: olha pessoal, meu nome é fulano, o livro que vcs tem que estudar é esse, cap tal e tal, prova dia tal, meu tel é esse, qualquer coisa me liguem.E foi embora.

    Se as públicas tem resultados melhores em enade, essas coisas, é porque ela seleciona os alunos na entrada, o moleque que ama decorar mil e uma frescuras que nem um profissional da área precisa, esse é o que vai pra pública.
    Enquanto que o aluno da particular tem que trabalhar pra pagar a facu, pq afinal ele paga duas vezes, sobra menos tempo pra estudar e tal.

    Agora claro, tb tem as particulares que não valem nada.Mas na minha opinião isso não é culpa do mercado e sim do povo que quer porcaria.Por muito tempo existiu uma cultura tipo, de endeusar quem tem diploma, talvez herança do brasil agrário.Isso ficou de um jeito que as pessoas acabaram perdendo o foco, achando que o certificado vale mais do que o conhecimento,(conhecimento que dá pra adquirir até sozinho) e o resultado foi esse, vc quer diploma? Então vai ter fábricas de diploma em toda esquina.
  • Andre Cavalcante  09/03/2012 07:23
    Paulo teu comentário foi um pouco na contramão do cometário do Marcus. A linha de argumentação dele era sobre se os funças são ou não mais parasitas que a empresa privada que compra do governo. A questão da "qualidade" nas Universidades e-lhe secundário, contudo, vamos lá.

    "Como assim o estado impede?"

    Impede de várias formas: regulação pura, direta e simples da Universidade, salários públicos mais altos que o do mercado, exigência de diploma para certas profissões, etc.

    "Eu tenho colegas que estudam em univ. publica e privada, e eles falam que não tem essas diferenças todas não"

    Olha, aqui há alhos e bugalhos. Já dei aulas em particulares e públicas e te digo que HÁ sim MUITA diferença, tanto dos professores quanto dos alunos. O que impacta diretamente na qualidade. É fácil ver: quantos alunos estão em uma mesma sala de aula em uma disciplina de 1º semestre em uma Universidade pública (40 a 50) e quantos em uma Universidade privada (já dei aula em uma turma com 110 matrículas)? quantos artigos científicos são produzidos no âmbito das Universidades privadas no Brasil? Quantos nas públicas? Quantas patentes ou registros nas privadas, quantos nas públicas? Essa conta ainda não bate bem em relação à privadas brasileira (dá uma olhada no Web of Science (ou mesmo no Scielo que vais perceber). Participando de congressos internacionais, às vezes encontramos brasileiros que, em geral são das Universidades federais, raras vezes encontramos das privadas (ao menos na minha área).

    "e aliais a maior diferença é que a pública é um trambolho caindo aos pedaços. Pra cursos que precisam de laboratórios então, é um inferno."

    Isso é verdade. Era uma coisa que não entendia: porque, ano a ano, a qualidade da pública cai (sem contudo termos um aumento na qualidade da privada)?. Precisei do IMB para enxergar isso. No longo prazo, o governo e toda forma de administração governamental é fadada ao fracasso (independente da boa vontade dos funças), simplesmente porque não consegue compensar os bons em detrimento dos ruins. Como os recursos são escassos, eles deveriam ser direcionados para melhoria na qualidade, aumento na quantidade e diminuição dos custos (visão do mercado para solucionar os problemas). Como o estado não segue essa lógica, se algo vai mal, põe mais verba para resolver, o que faz os bons pioram, os ruins, até porque são ruins, não melhoram, os recursos são divididos e desperdiçados. Resultados, laboratórios ruins, estrutura ruim, professores ruins que se mantém, etc.

    Se olharmos o mundo acadêmico fora do Brasil, a iniciativa privada é fundamental no ensino de 3º grau e em pesquisa e inovação. Por causa das barreiras que foram elencadas acima, simplesmente as brasileiras não conseguem fazer a mesma coisa.

    Resumo da prosa: as privadas não conseguiram, ainda, dar aquele salto qualitativo para a frente (claro há honrosas exceções), quase como limitadas pelo nível das públicas, sendo este nível diminuído ano a ano. Tá todo mundo nivelando por baixo.

    "Se as públicas tem resultados melhores em enade, essas coisas, é porque ela seleciona os alunos na entrada"

    Selecionar os alunos na entrada é ruim? Se a privada não seleciona bem seus candidatos é uma questão de opção, não?

    "o moleque que ama decorar mil e uma frescuras que nem um profissional da área precisa, esse é o que vai pra pública."

    Esse é tipo de aluno mais comum. Mas não é só na pública, na privada também. E é o pior tipo de aluno, que não pensa.

    "Enquanto que o aluno da particular tem que trabalhar pra pagar a facu, pq afinal ele paga duas vezes, sobra menos tempo pra estudar e tal."

    A questão é: porque ele tem que trabalhar para pagar a Universidade? Porque não tem poupança suficiente para tal, justamente porque esta foi confiscada pelo governo desde o seu nascimento! Esse é o tipo de ciclo vicioso que temos que quebrar.

    Abraços.
  • Paulo Sergio  09/03/2012 07:52
    'Selecionar os alunos na entrada é ruim? Se a privada não seleciona bem seus candidatos é uma questão de opção, não?'

    Por selecionar eu estava falando do vestibular.Quem não quer estudar de graça? O que leva os mais 'estudiosos' pras públicas.Essa é uma situação que as privadas não tem como competir, alguém tem que pagar.

    Abraços
  • Marcus V. Benites  09/03/2012 11:17
    Exato. Eu não defendi que uma universidade pública seja melhor que uma privada. Eu apenas citei o fato, esse inegável, que hoje, dado o atual contexto, se há alguma qualidade no ensino superior brasileiro, é nas universidades públicas. E não é só status não. Também posso referendar, na prática, como é. Nível dos alunos que entram; exigência ao currículo dos professores; direcionamento à pesquisa, etc. Penso que, houvesse de fato a chance do setor privado fazer a coisa com qualidade, obviamente faria melhor que o setor público. Mas não há. Sobra pro setor privado um rebanho que sequer sabe ler e escrever e a concorrência não se dá em nível educacional, mas no quanto se bajula esse aluno ou não. O público que quer algo a mais já é absorvido pela universidade pública, portanto não interessa ao setor privado competir em condições desiguais, com honrosas exceções, como PUC e Mackenzie, por exemplo.

    O fato é que, se você quer um ensino minimamente decente no Brasil hoje, você deve ir para uma universidade pública. Quanto a isso não se questiona. Deve-se, somente, evitar qualquer generalização.

    Outro fato é que, não houvesse a universidade pública, provavelmente haveria universidade privada de qualidade, o que não ocorre pois a pública toma esse espaço, e provavelmente também haveria universidade privada com maior qualidade que a das públicas hoje.

    Isso, embora sendo o ideal, não condiz com a nossa realidade. Sendo assim, cabe a um aluno ou mesmo professor, se quiser trabalhar dentro de um contexto que possibilite qualidade ou estudar na mesma situação, o caminho do parasitismo. Ou é isso, ou é formação ruim e trabalho pior ainda. Não nego que seja parasitismo, apenas questiono a culpa dessas pessoas nisso, sendo que todo um sistema estatal não deixou outra opção a elas.
  • Andre Cavalcante  09/03/2012 11:51
    Paulo, Marcus,

    Perfeito,

    Mas aí tem o ponto, o que fazer? Se continuar o barco do jeito que vai, todos afundaremos.
    Teria que ter algum maluco para começar a privatizar as Universidades públicas...

    Abraços
  • Luis Almeida  09/03/2012 12:03
    Eu tenho lá minhas dúvidas sobre se uma universidade pública é realmente melhor que uma privada; ambas abrigam exatamente o mesmo conteúdo (se é que me entendem).

    Quanto a esta discussão específica, confesso nunca ter entendido por que ela ainda acontece. Ambos os tipos de universidade são a mesma coisa, pois o currículo quem define é o estado, via Ministério da Educação. E os professores de ambas são quase todos analfabetos. Pode pesquisar.

    Este artigo já abordou o problema de maneira integral e, ao meu ver, definitiva:

    A obrigatoriedade do diploma - ou, por que a liberdade assusta tanto?
  • Paulo Sergio  09/03/2012 12:29
    É só comparar a prova do mesmo assunto de uma univ provada com a de uma pública
    Meu irmão começou a fazer acho que era 'sistemas de informação' numa dessas FODERJ da vida (faculdades odair ernesto junior), uma vez eu vi uma prova dele e o negócio era tão básico, tão elementar que dava vontade de chorar
  • Alan Denadary  09/03/2012 13:15
    E eu quase chorei de tanto rir com o FODERJ (faculdades odair ernesto junior)

  • Paulo Sergio  10/03/2012 11:13
    'quantos artigos científicos são produzidos no âmbito das Universidades privadas no Brasil? Quantos nas públicas?'

    André, agora pra mim como aluno, que diferença faz se o prof tal tem n sei quantos artigos científicos? A única coisa q me interessa é ele saber ensinar.
    Assim que entrei vi essa cena, um prof que dava aula tanto em publica qto privada, com mestrado, doutorado n sei das quantas, se perdendo na hora de resolver uma questão de física I
  • Leandro Pereira  10/03/2012 16:04
    Concordo totalmente. Estudo em uma Universidade que custa R$2.500 mensais. Nao vejo diferencas entre ela e as publicas. Mais, TODAS as Universidades brasileiras sao um lixo na competicao internacional.
  • Leandro Pereira  10/03/2012 16:01
    Universidade Publica = Qualidade? So' pode ser brincadeira essa afirmacao.
  • Andre Cavalcante  10/03/2012 20:55
    Leandro,

    Exato. Algumas poucas com alguma expressão internacional são públicas e temos aí a Mackenzie e a PUC das privadas (em áreas bem específicas). Resumo: a educação de 3º grau, espelhando a educação de base (1º e 2º graus) é sofrível no Brasil. Claro, há honrosas exceções.

    Isso porque o governo trava o desenvolvimento das privadas e vai diminuindo ano a ano a já pouca qualidade das públicas.

    "André, agora pra mim como aluno, que diferença faz se o prof tal tem n sei quantos artigos científicos? A única coisa q me interessa é ele saber ensinar.
    Assim que entrei vi essa cena, um prof que dava aula tanto em publica qto privada, com mestrado, doutorado n sei das quantas, se perdendo na hora de resolver uma questão de física I"

    Na média melhora, sim. Tem que ver onde esse teu professor tá publicando. Mas o mais grave não é ele dizer bobagens para vocês, é a gerência da Universidade ter colocado o cara lá!

    Há parâmetros internacionais bem estabelecidos para a produção acadêmica. O número de artigos é importante, mas aonde você publica também. Outros parâmetros são: constância nas publicações (não adianta publicar 10 artigos num ano e passar 10 anos sem publicar nada, nem tampouco os artigos serem sempre do mesmo autor ou do mesmo grupo dentro da Universidade), pedidos de patentes, registros de ideias, registros de marcas, prêmios nobel alcançados por alunos da instituição e até a o volume de doações de ex-alunos contam, e muito, para esse ranking da qualidade, sem falar, é claro, das avaliações que o próprio mercado faz dos alunos ali aprovados. Neste sentido, é relativamente fácil mensurar a "qualidade" de uma Universidade. As públicas, na média, ainda são "melhores" que as privadas no Brasil. Agora note a contramão da coisa: 80% das vagas de Engenharia (vou restringir à Engenharia porque eu sei os números, de acordo com o COBENGE 2007) já são promovidas por entidades privadas (ou seja, não mais que 20% são públicas), e isso já na altura, há vários anos. Então, JÁ ERA TEMPO de as privadas terem passado a qualidade das públicas, mas isso ainda não aconteceu! TEM que acontecer (<torcer on>VAI ACONTECER</torcer off>), se não a gente tá com o futuro comprometido, porque tá tudo nivelado "por baixo".

    Deixe-me contar um caso curioso: o último trabalho que tive em uma Universidade privada, o coordenador do curso teve a cara de pau de pedir que eu passasse um certo aluno. Palavras dele: "É interesse da Universidade e o SEU também, que ele passe!" (ele realmente mudou o tom de voz quando disse "SEU também"). Não passei o cara (não sabia nada, mas nada mesmo da disciplina!), entreguei as notas e meu pedido de demissão. Minha justificativa na carta: "Enquanto essa Universidade não tiver uma meta estabelecida do quer ser, não alcançará absolutamente nada, mas eu tenho uma meta, e vejo que aqui não a alcançarei!" (A carta foi aceita imediatamente!).

    Abraços
  • Paulo Sergio  11/03/2012 03:31
    Pior que é... eu estou estudando engenharia numa privada, vejo muitos alunos que realmente n sabem p nenhuma mas passam.Dá uma tristeza saber que vou ter o mesmo diploma que eles.
    Por enquanto eu tento compensar assistindo as aulas e fazendo os exercícios do MIT open courseware,(ocw.mit.edu) mas eles não botam online todas as matérias que me interessam, então depois n sei como vai ser...
  • Hay  11/03/2012 08:55
    A liberdade e facilidade de se encontrar material para aprendizado é a maravilha de trabalhar na área de TI, e é justamente a beleza que querem tirar dela com a criação do tal "Conselho" de TI. Sim, um monte de gente trabalha na área sem saber p... nenhuma, mas ao mesmo tempo muita gente extremamente competente consegue se firmar na área sem ter que ficar lambendo as botas de burocratas.
  • Paulo Sergio  11/03/2012 13:33
    Certo, mas não só pra TI.O MIT opencourseware tem matéria de quase todas as engenharias.
    Aposto que tb tem aulas grátis de outras universidades famosas...mas MIT é MIT
  • Catarinense  11/03/2012 14:03
    Valeu pelo link Paulo Sérgio, não conhecia mas já deixei salvo aqui. Vamos ver por onde começo!
  • Paulo Sergio  11/03/2012 14:59
    De nada, também tem umas aulas no canal deles no youtube
    www.youtube.com/user/MIT
  • Paulo Sergio  12/03/2012 07:10
    @Andre
    'Na média melhora, sim. Tem que ver onde esse teu professor tá publicando. Mas o mais grave não é ele dizer bobagens para vocês, é a gerência da Universidade ter colocado o cara lá!'

    Ok, mas vc repetiu o que já tinha dito antes, o que eu perguntei era o porquê.
    Não consigo imaginar nenhum motivo para que um cara com artigos científicos em revistas respeitadas seja NECESSARIAMENTE um bom professor
    E eu não torço pras privadas superarem as públicas, o que eu queria mesmo era a separação das aulas do certificado.Pagar só pra fazer a prova, se eu prefiro estudar sozinho, problema meu.
  • Andre Cavalcante  12/03/2012 11:38

    Pois é Paulo,

    Entendi agora a tua colocação. É verdade, o que faz um bom professor vai muito além de conhecimento puramente técnico.

    A sua sugestão é o que já é feito nas certificações de TI, por exemplo, em que se tem curso (até com certificado), mas o certificado profissional mesmo é feito "independente" do curso. É uma saída. Se o governo não se metesse, talvez todos adotassem tal procedimento. Mas os caras tem regras, sabe como é, governo...

    Abraços
  • Marcus V. Benites  12/03/2012 20:31
    Gente, na boa, lutar contra os fatos é a pior forma de se enganar. Não generalizando, admitindo cursos e faculdades pontualmente, admitindo que, não fosse a intervenção estatal e provavelmente hoje haveria um ensino privado forte no Brasil, não dá pra tecer qualquer comparação entre o ensino supeior público e privado no contexto atual. Publicações e qualificações acadêmicas do docente não só são importantes, como muito importantes. Seleção dos alunos idem. Tenho toda minha formação em faculdade pública mas leciono em privadas. Não há como haver qualquer intenção de real comparação e digo isso com conhecimento grande de causa. Com as exceções já ressalvadas, não se faz pesquisa e não se desenvolve realmente o conhecimento em uma faculdade privada hoje no Brasil. Há casos de cursos ruins em públicas também, mas da pouca coisa que se salva no país, é no setor pública. Se não competem com as internacionais, as privadas nacionais sequer competem com as públicas nacionais.

    Provavelmente, repito, a causa de um ensino privado ridículo é o domínio do estado na área, fazendo com que o ensino público tenha qualidade melhor, mas não permitindo que chegue à qualidade que poderia ter sem sua interferência. Mas daí a dizer que é exatamente tudo a mesma coisa, no contexto atual, é estar bastante desinformado.
  • Luis Almeida  13/03/2012 01:21
    Sim, é exatamente tudo a mesma coisa. Quem está no comando da educação é o Ministério da Educação. No Brasil, pessoas que nunca se educaram na vida é que determinam como deve ser a educação dos outros.

    Veja a uniformidade das grades curriculares dos cursos universitários. Veja também o atual nível da qualificação dos universitários brasileiros. Principalmente, veja o nível de "sapiência" dos professores. Veja se há algum trabalho acadêmico brasileiro utilizado como fonte em outros estudos no mundo. Veja se nossa academia possui alguma significância.

    Quer outra coisa? Consulte o anuário científico da Enciclopédia Britânica, que todo ano traz uma lista dos prêmios científicos concedidos no mundo. Veja lá: tem nêgo da Zâmbia, de Serra Leoa, da Costa do Marfim, de Uganda, tem nêgo até de outro planeta, mas não há um só brasileiro, com todo o tamanho que tem esse país tem e com tudo que se investe em "cultura". Não possuímos sequer capacidade para contribuir para a ciência mundial.

    Negar este fato aterrador e, pior ainda, dizer que nosso sistema de ensino público não é tão ruim assim, não passa de nacionalismo ignóbil, um genuíno culto ao atraso.
  • Andre Cavalcante  13/03/2012 01:59
    "Sim, é exatamente tudo a mesma coisa. Quem está no comando da educação é o Ministério da Educação. No Brasil, pessoas que nunca se educaram na vida é que determinam como deve ser a educação dos outros."

    Concordo que o ME é o responsável pelo estado de coisas que aí estão.

    "Veja a uniformidade das grades curriculares dos cursos universitários. Veja também o atual nível da qualificação dos universitários brasileiros. Principalmente, veja o nível de "sapiência" dos professores. Veja se há algum trabalho acadêmico brasileiro utilizado como fonte em outros estudos no mundo. Veja se nossa academia possui alguma significância."

    Sim, há vários brasileiros fonte de referência internacional. Sim, algumas de nossas academias tem algum peso internacional, também. O Brasil é referência em oncologia, por exemplo. Concordo com Marcus, generalizar aqui é um problema.

    "Quer outra coisa? Consulte o anuário científico da Enciclopédia Britânica, que todo ano traz uma lista dos prêmios científicos concedidos no mundo. Veja lá: tem nêgo da Zâmbia, de Serra Leoa, da Costa do Marfim, de Uganda, tem nêgo até de outro planeta, mas não há um só brasileiro, com todo o tamanho que tem esse país tem e com tudo que se investe em "cultura". Não possuímos sequer capacidade para contribuir para a ciência mundial."

    Ooops, vejo que estais um pouco desinformado: veja Miguel Nicolelis, por exemplo. Meu orientador é outro exemplo, General Chair do IFAC, e por aí vai... Temos um bocado de gente boa, algumas trabalhando no Brasil e outras fora. Premiações são importantes mas temos que ter noção do seu significado. Por exemplo, o Nobel é um prêmio de muito peso, mas tem conotações políticas importantes para a escolha dos premiados (em língua portuguesa, somente o Saramago, que é português, ganhou um nobel, mas me diz que a gente não tem outros escritores que mereciam ter ganho?). O Brasil não é zero em ciência, mas não está nas cabeças. Temos o 6º PIB do mundo, mas, em ciência, não passamos de 13º.

    "Negar este fato aterrador e, pior ainda, dizer que nosso sistema de ensino público não é tão ruim assim, não passa de nacionalismo ignóbil, um genuíno culto ao atraso."

    Acho que você não entendeu o ponto. O ensino público É RUIM! e MUITO RUIM! O problema é que o privado, por tudo o que já foi comentado por mim e os colegas acima, principalmente pela ação reguladora do ME, não consegue ser melhor do que isso. Esse é ponto! Negar isso é que faz a gente achar que o governo ainda pode "salvar" a educação no Brasil. NÃO, não pode, e nunca vai poder, pelo que já foi fartamente explicado nos artigos aqui no Mises Brasil, sobre o funcionamento da "coisa pública" e, em especial pelos cartéis dos conselhos.

    Só um exemplo, aconteceu um congresso internacional em 2008 aqui no RS sobre pesquisa e inovação, com participação de representantes dos EUA, Europa, Israel e, claro, Brasil. O representante do MIT era o mesmo da Embraer! A representante de Israel, falando sobre a Universidade Hebraica, em Jerusalém, que é uma das tops em várias áreas, comentou que a Universidade recebia, somente em royalts algo em torno de 60mi USD por ano. Uma universidade assim não precisa depender de pagamento de aluno para produzir ciência! Sabe quem representou o Brasil? A UFRGS (pública).

    Abraços
  • Luis Almeida  13/03/2012 02:15
    Prezado Andre, não me refiro a prêmios políticos, mas sim a prêmios científicos. E brasileiros trabalhando no exterior obviamente não contam, pois o objetivo é justamente o de avaliar a nossa academia. Não discuto o mérito e a competência de brasileiros que trabalham em instituições estrangeiras.

    Quanto ao ensino privado ser ruim, isto é algo que nunca neguei. Muito pelo contrário, até. Veja a resposta anterior que dei a você mais ali em cima. Todo o ensino brasileiro é ruim, e sua piora coincide com o aumento do envolvimento estatal no setor educacional, via regulações e imposições. Enquanto isto não for revertido, continuaremos no caminho da latrina.
  • Marcus V. Benites  13/03/2012 09:53
    Ok, mas, repito: não é tudo a mesma coisa. Há um abismo entre a pública e a privada no Brasil hoje, mesmo a pública sendo ruim também (a privada é horrível, pois). A culpa disso, obviamente, é o estado. No entanto, só diz que o ensino está igual quem não pôde comparar uma e outra concretamente. Sobre os professores serem todos horríveis, também, não só digo que há exceções, como talvez isso não chegue a ser regra. Apesar dos pesares, o nível geral da USP, Unicamp, Unesp, Ufscar, Unifesp, UFRJ, UFRS e UNB é, no mínimo, regular, ao passo que nas particulares, comparando mesmo, sequer há ensino, poderíamos dizer, com as exceções já citadas.
  • Alexandre  13/03/2012 10:30
    Posso falar como aluno de uma universidade pública (USFCar), que começou fazendo o curso em uma particular, a diferença entre as duas é gritante (exceto raras exceções que já foram comentadas), apesar de ter uns professores que pregam a palavra do estado em certas disciplinas de cunho um pouco mais social.

    Na universidade particular eu não precisava estudar (não que eu seja um gênio mas sei que a minha capacidade está acima da média brasileira, que qualquer um com pouco esforço consegue) mas isso era por causa do nível dos alunos, não rolava debate de idéias, tinham alunos com deficiências básicas em matemática, português e interpretação sofríveis, muitos professores, que julgo serem bons apesar de não publicarem tantos artigos, tinham grande experiência no mercado como empresários e diretores de empresas, mas não conseguiam explorar a matéria devido a deficiência dos alunos, em sua maioria vindo de escolas públicas, ou seja os alunos que têm melhor formação nas escolas privadas entram nas universidade públicas, que apesar dos pesares, por terem os melhores alunos elevam a qualidade do ensino e o nível do curso.

    Além do mais (tirando as exceções), as universidades particulares não oferecem tantas atividades extracurriculares como as públicas, que ajudam na formação do aluno, resumindo, agora que estou em uma universidade federal vi algumas aulas que já tive na univ. privada (esperando dispensa de disciplina) e por comparação vi que as aulas rendem mais, os alunos são mais comprometidos em aprender e participam efetivamente das aulas, resumindo, tenho certeza que vou aprender muito mais na pública.

    Obs.: tenho sorte de estar em um campus novo, muitas universidades federais sofrem pela ineficiência do estado em dar infraestrutura básica. Não defendo a intervenção do governo na área de educação, é justamente ele que impede que exista um maior número de boas faculdades privadas,por não ter demanda suficiente de bons alunos sendo formados as universidades públicas atraem os melhores alunos e isso faz a diferença. Uma coisa é você defender algo, outra é fechar os olhos para a realidade e dizer que não são as universidades públicas as melhores do país.
  • Roberto Santiago  22/03/2012 17:36
    AIRON DIAS, obrigado por ter sido o único (ou um dos únicos) a me responder de forma mais educada, sem apelar para zombaria e ridicularização. Vai ver nem leram o conselho "Enviem-nos seu comentário inteligente e educado". Se o pessoal aqui não está aberto a um diálogo cordial, azar o deles, pq eu não tenho paciência pra isso.\r
    Adeus, e até mais.
  • Pipe  23/03/2012 08:58
    Roberto, o último artigo do site, O problema não é pessoa, é institucional fala justamente sobre as questões a respeito dos funcionários públicos que se sentem ofendidos.
  • mcmoraes  23/03/2012 09:39
    @Roberto Santiago: "...Adeus, e até mais."

    É adeus ou até mais? Ou o oxímoro foi proposial?
  • Leninmarquisson da Silva  08/03/2012 09:15
    Mal comecei a ler o artigo, assim que o Tucker falou "vejamos o que há de errado na frase" não consegui ler a frase toda e já rachei de rir:

    "Todos devemos oferecer voluntariamente..." Porra, "dever voluntariamente" é foda. Pior que é essa mesma a mentalidade esquerdista duplipensante..."todos temos a obrigação de prestar serviço voluntário...blá blá blá"

    Hhoaeohaheho
  • Lucio  08/03/2012 12:24
    Na verdade todos nós realizamos trabalho "voluntário". 5 meses do nosso trabalho anual já é "voluntário", não há necessidade alguma de se sentir culpado por não realizar trabalho voluntário EXTRA.
  • Alexandre  08/03/2012 13:54
    Sei que não tem haver com o texto mas gostaria de agradecer a toda a equipe do Mises, obrigado por ter me vacinado contra Keynes, Marx e companhia. Comecei o curso de administração na UFSCar e lendo os primeiros textos de economia , de um tal de Paul Singer, não pude suportar termos como mais valia, proletariado, burguesia e outras pérolas do marxismo, pelo menos estou devidamente informado graças a vocês. Serão longos seis meses mas a UFSCar não vai me fazer comunista...
  • Andre Cavalcante  08/03/2012 16:11
    Eles dão algum espaço para exposção e debate de ideias?
  • Angelo Viacava  13/03/2012 03:41
    Tuas opiniões foram contra-argumentadas. Queres mais espaço para debate ainda?
  • Ney D.  08/03/2012 18:49
    Legal. Mas....

    "Não há problemas com o pedido de servir aos outros, mas há um enorme problema com o termo "devolver". Ele sugere que as pessoas que têm dinheiro tomaram alguma coisa de outras pessoas. Embora isso seja verdade para pessoas que trabalham no setor público"

    Imaginem a seguinte situação: Um homem rouba de outro 2000 reais. E com esses 2000 reais ele compra um computador.

    Eu posso dizer que o vendedor de computador tomou algo de alguém?
  • Andre Cavalcante  08/03/2012 19:47

    "Imaginem a seguinte situação: Um homem rouba de outro 2000 reais. E com esses 2000 reais ele compra um computador.

    Eu posso dizer que o vendedor de computador tomou algo de alguém? "


    A grosso modo, não. O dinheiro em si é neutro, meio de troca, então o que faz ele "sujo" ou "limpo" é a arbitrariedade das pessoas e da lei. Você não pode comprar ou receber um produto roubado (recptação de produto roubado é crime na lei e creio que os libertários estão de acordo com isso). Mas, como diferenciar o dinheiro roubado do dinheiro não roubado? Essa eu vou deixar pros colegas mais experientes aqui do site.

    Mas é um caso interessante. Esse teu pensamento pode ser extrapolado exatamente para a situação dos funças...

    Só há uma pequena diferença, o governo rouba e depois paga o professor, o médico, o policial, soldado etc. Mas todas a sociedade sabe que o dinheiro foi roubado, então sabe, de antemão que o dinheiro não é "limpo". A arbitrariedade do governo está em divulgar que imposto não é roubo e que não é crime o governo fazer isso (apesar de o ser para todo o resto da sociedade). Seria até mais criminoso do que eu vender uma casa pro chefe do tráfego: todo mundo na comunidade sabe de onde vem o dinheiro, se aceito fazer negócio, é de livre e espontânea vontade e pactuação com o comportamento (por exemplo, eu também achar que o chefe do tráfego só que ganhar a vida como qualquer outro vendedor). Então, se recebo do governo, sei, de antemão, que o dinheiro é fruto de roubo alheio. Em última análise, até quem faz obras para o governo entra no mesmo saco (e todos de antemão estão pactuados com o fato de que são receptadores de roubo, mas, neste caso, por ser governo, "tudo bem"?).

    Abraços
  • Leninmarquisson da Silva  13/03/2012 07:03
    Gostaria de uma luz...

    Faço faculdade integral, quero ter meu dinheiro próprio e sou libertário, claro.
    Apareçeu a oportunidade de me tornar funça dando aulas numa escola estadual à 100m de casa. Porém, minha consciência me perturba.

    Compartilho da mesa visão do mcmoraes, todo funça, sem excessão, é criminoso. Incluindo Ron Paul, o Prof. Ubiratan Iório, entre outros que eu tanto admiro. Mas então sobra o óbvio: já que não dá pra escapar disso, é melhor que o fruto desse roubo vá para pessoas que lutam contra ele, do que para pessoas que não só defendem esse roubo, como esperam que ele seja maior.
    E por fim, fica aquilo que o Peter Klein disse (se não me engano), "o importante é não alimentar o Leviatã".

    Não vou mentir. A minha faculdade é um porre e eu mal dou conta dos meus compromissos aqui. Já não tenho quase nada de vida social e não serei tão competente quanto eu poderia ser se eu precisasse realmente do emprego. Não é minha prioridade; eu iria dar apenas algumas aulas eventuais (2x por semana, no max) e meus interesses são enriquecer currículo, ter um emprego onde minha falta de experiência e/ou competência iniciais não me ferrassem (no privado seria demitido antes que pudesse adquirí-las, isso se eu de fato fosse selecionado) e dar em cima das piriguetinhas do ensino médio.

    Claro que faria meu máximo para ensinar, além de promover o Libertarianismo, pois isso resultaria no ganho de experiência, mas não gastaria 1min sequer fora de classe planejando aula ou qualquer coisa que tomasse meu escasso tempo.
    Sei que, como o Leandro uma vez disse, não dá para avaliar a eficiência dos funças porque eles não estão sujeitos ao mercado; mas como já trabalhei nessa escola (antes de ser liber) sei que a maioria se importa menos em ensinar do que eu pretendo me importar, além da competência ser tanta ao ponto de professores de matemática (bacharéis) pedirem para as secretárias (ensino médio) calcularem seus holerites, onde o máximo que se precisa saber é porcentagem...

    Enfim, falei de mais, mas eu realmente gostaria de uma luz para, seja qual for a decisão, não ser assombrado pela minha consciência.
  • Alexandre  08/03/2012 19:22
    Hoje tive aula de economia, ele abre espaço para debate mas no final sempre acha um jeito de defender o intervencionismo do governo, sobre taxar os ricos e distribuir riqueza, que keynes salvou o mundo da crise de 29 com suas idéias entre outras coisas do tipo... como não tenho embasamento teórico suficiente e sou o elo mais fraco não bato de frente, mas tentei ver o que ele acha do que ele chama de "escola ortodoxa, marginalista", as menções a Hayek e Mises e a escola Austríaca duraram 1 minuto após minha pergunta...

    foi interessante ver o que ele acha da crise do Euro, falando que dívida é bobagem e que o governo tem que se endividar e que poupança não faz sentido, sobre regulamentação do mercado entre outras coisas... porém não me deu respostas conclusivas quando indaguei sobre o fato da atual crise ter a ver com intervenção dos governos, da política expansionista dos Bancos centrais e dos gastos assistencialistas entre outras coisas que venho lendo aqui no site. Mas no meu caso tenho sorte de não fazer Economia e sim Administração... hoje entendo porque dizem que as faculdades federais estão aparelhadas por essas linhas de pensamento, principalmente nas ciências socias
  • Paulo Sergio  09/03/2012 03:25
    Alexndre, a coisa mais comum do mundo é professor que n sabem porra nenhuma.E é muito fácil enrolar, porque os alunos geralmente sabem menos ainda.
    Se eu fosse vc largava adm e fazia engenharia, tem mercado, paga bem e vc se livra da propaganda esquerdista.
  • Leninmarquisson da Silva  13/03/2012 12:36
    Não necessariamente, a não ser que opte por essas engenharias hardcore como elétrica ou mecânica.

    Faço engenharia de produção e tenho que lidar com esquerdopatas quase que diariamente.
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  09/03/2012 02:28
    Saudações, Alexandre, sem sombra de dúvida, você percebeu deu no mestre um flagrante de doutrinação, risos, normal para os despertos, veja outros pontos percebíveis:


    - se desvia freqüentemente da matéria objeto da disciplina para assuntos relacionados ao noticiário político ou internacional;
    - adota ou indica livros, publicações e autores identificados com determinada corrente ideológica;
    - impõe a leitura de textos que mostram apenas um dos lados de questões controvertidas;
    - exibe aos alunos obras de arte de conteúdo político-ideológico, submetendo-as à discussão em sala de aula, sem fornecer os instrumentos necessários à descompactação da mensagem veiculada e sem dar tempo aos alunos para refletir sobre o seu conteúdo;
    - ridiculariza gratuitamente ou desqualifica crenças religiosas ou convicções políticas;
    - ridiculariza, desqualifica ou difama personalidades históricas, políticas ou religiosas;
    - pressiona os alunos a expressar determinados pontos de vista em seus trabalhos;
    - alicia alunos para participar de manifestações, atos públicos, passeatas, etc.;
    - permite que a convicção política ou religiosa dos alunos interfira positiva ou negativamente em suas notas;
    - encaminha o debate de qualquer assunto controvertido para conclusões que necessariamente favoreçam os pontos de vista de determinada corrente de pensamento;
    - não só não esconde, como divulga e faz propaganda de suas preferências e antipatias políticas e ideológicas;
    - omite ou minimiza fatos desabonadores da corrente político-ideológida de sua preferência;
    - transmite aos alunos a impressão de que o mundo da política se divide entre os "do bem" e os "do mal";
    - não admite a mera possibilidade de que o "outro lado" possa ter alguma razão;
    - promove uma atmosfera de intimidação em sala de aula, não permitindo, ou desencorajando a manifestação de pontos de vista discordantes dos seus;
    - não impede que tal atmosfera seja criada pela ação de outros alunos;
    - utiliza-se da função para propagar idéias e juízos de valor incompatíveis com os sentimentos morais e religiosos dos alunos, constrangendo-os por não partilharem das mesmas idéias e juízos.
  • mcmoraes  09/03/2012 04:39
    É curioso que nenhum desses itens contradiz a definição do verbo professar.
  • Ricardo De Lucia Leite  09/03/2012 15:03
    Advogado do diabo 2: Se levarmos em conta a brilhante contribuição do Prof. Iorio ao Mises, teremos que admitir que também somos beneficiados pelos parasitas?

    Se realmente quisermos mudar a situação atual, teremos que virar parasitas e depois nos suicidarmos privatizando tudo, mas teremos que ser parasitas por um tempo.

    Porque não unimos forças para criarmos uma escola privada para ensino da EA?

    Precisamos conquistar as pessoas e não espantá-las! Tenho certeza que o Roberto Santiago não volta mais ao site...
  • Leandro Pereira  10/03/2012 16:08
    Concordo 100% !
  • Leandro Pereira  10/03/2012 16:11
    Essa e' a qualidade das federais propagada pelo Marcus..
  • Alexandre  13/03/2012 10:42
    Mas as federais são muito melhores, expliquei o que penso em um post acima, vim de uma faculdade particular e falo com conhecimento de causa, acontece que em certas disciplinas há uma pregação ideológica, e outra, estava falando do professor de economia, acho que a maioria aqui sabe que ele é só mais um no meio da multidão que pensa igual em todo o mundo, os restos dos professores meus são bons, mas a principal diferença são os alunos que são melhores formados, em sua maioria em escolas particulares.

    eu vim de escola pública, nem 10% dos alunos da minha sala devem estar fazendo um curso superior, e somente eu e mais um entramos em uma federal, não graças ao estado, mas sim por a gente ter estudado além do que nos ensinam na escola.


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