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Observações sobre a economia brasileira

Veja a seguir algumas notícias importantes que não ganharam a devida atenção:

Inadimplência maior eleva a taxa de juros

O custo do crédito voltou a subir neste início de ano, apesar da queda na taxa básica de juros e da tentativa do governo de usar os bancos públicos novamente para baratear os empréstimos. Pesquisa do Banco Central divulgada ontem mostra que a taxa média de juros cobrada dos consumidores e empresas subiu para 38% ao ano em janeiro, maior valor em três meses. Dados parciais para fevereiro mostram nova alta, para 38,3%. [...]

De acordo com o BC, o problema está ligado principalmente à inadimplência, fator que mais pesa no cálculo do spread. O porcentual de prestações em atraso, no caso das pessoas físicas, cresceu pelo sétimo mês seguido e chegou a 7,6% das dívidas, maior nível em 25 meses.

Bancos só veem queda do calote no 2º semestre

Juntos, Itaú, Bradesco e Santander reservaram R$ 57,3 bilhões para se proteger contra calotes, R$ 8,7 bilhões a mais do que determinam as regras do Banco Central (BC) e 22% mais do que no encerramento de 2010. "Na melhor das hipóteses, vemos a inadimplência estabilizada no primeiro semestre", afirmou o diretor executivo adjunto do Bradesco, Moacir Nachbar Junior.

Inadimplência empresarial cresce 4,4% em janeiro

Na comparação com janeiro de 2011, o Indicador de Inadimplência das Empresas apresentou alta de 26,7%, segundo a Serasa Experian

Inadimplência de veículos atinge maior patamar desde 2009

A taxa de inadimplência de veículos, considerando atrasos acima de 90 dias, alcançou 5% da carteira de crédito para pessoa física em dezembro no país. O percentual é o dobro do registrado no mesmo mês de 2010 e o mais alto desde agosto de 2009.

Confiança do consumidor cai em fevereiro, diz CNI

A confiança do consumidor diminuiu em fevereiro, de acordo com a pesquisa Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice alcançou 112,8 pontos em fevereiro, ou seja, queda de 0,7% na comparação com janeiro, quando marcou 113,6 pontos.

O indicador que mede a expectativa de inflação subiu de 100,9 pontos, em janeiro; para 101,3 pontos, em fevereiro, representando maior preocupação do consumidor com o comportamento dos preços, aponta a confederação. O indicador que mede a expectativa de desemprego caiu de 130,0 pontos, em janeiro, para 127,4 pontos, em fevereiro, o que significa maior temor com a perda do posto de trabalho, explica a confederação. O indicador que mede a expectativa de renda pessoal caiu de 115,4 pontos, em janeiro; para 114,1 pontos, em fevereiro.

Confiança da Indústria sobe 0,2% em fevereiro

Apesar da alta, índice encerrou o sétimo mês consecutivo abaixo de sua média histórica desde 2003.

A tímida melhora na confiança do empresário foi influenciada por melhora na percepção sobre a situação presente e ligeira piora das expectativas em relação aos meses seguintes. [...]

As expectativas dos empresários industriais para o meses seguintes tornaram-se menos otimistas em relação à produção. Das 1.142 empresas consultadas, o porcentual de empresas entrevistadas que planejam reduzir a produção no trimestre fevereiro-abril deste ano subiu de 5,7% em janeiro para 12,6% em fevereiro.

Abimaq: projeção de faturamento cai para 5% em 2012

As perspectivas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) para o desempenho do faturamento em 2012 foram revistas e reduzidas em relação ao projetado no final do ano passado. Antes, era previsto um crescimento do faturamento de 7% a 8%, que caiu para 5%, segundo o presidente da entidade, Luiz Aubert Neto. A redução se deve a dados como o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) de janeiro, que foi de 75,8%, o pior desempenho desde 1990, quando, segundo a Abimaq, a média do ano ficou em 67,8%.

O fraco desempenho do setor, segundo Aubert Neto, se reflete no número de empregos da indústria de máquinas e equipamentos. Apesar do ano passado ter mostrado um crescimento de 3,6% do número de vagas, em comparação a 2010, desde outubro de 2011 o setor verificou uma perda de 2.322 postos de trabalho. "Perdemos quase 3 mil empregos em relação a outubro, que foi o pico do ano, e não tenho dúvidas de que a tendência é de mais demissões", disse.

Todas estas notícias têm o mesmo fator subjacente, mas que poucas pessoas entendem ou sequer sabem: a redução da taxa de crescimento da quantidade de dinheiro na economia. 

Desde 2009, após a forte recessão do quarto trimestre de 2008, o Banco Central reduziu os juros e começou a injetar quantidades substanciais de dinheiro na economia brasileira.  A oferta monetária cresceu volumosamente em 2009 e 2010, o que fez com que indivíduos e empresas vivenciassem um aumento de sua renda nominal, aumento este decorrente justamente do fato de haver continuamente mais dinheiro na economia. 

Ao que tudo indica — e esta, aliás, parece ser uma característica indelével de todos os períodos de expansão econômica gerada pela criação de dinheiro —, ambos (famílias e empresas) imaginaram que tal aumento de renda continuaria no futuro.  Qual foi a consequência disto?

Os indivíduos se endividaram para poder consumir, na crença de que o aumento futuro esperado na sua renda facilitaria a quitação destas dívidas.  Já as empresas, como bem explica a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, embarcaram em investimentos de longo prazo, levadas tanto pela redução artificial dos juros criada pela expansão monetária do Banco Central (o que fez com que os investimentos se tornassem mais financeiramente viáveis), quanto pela expectativa de que o aumento futuro da renda possibilitaria o consumo dos produtos criados pelos seus investimentos — no caso de construtoras imobiliárias, tal aumento da renda geraria a valorização de seus ativos, os imóveis.

No entanto, basta o Banco Central reverter sua política monetária e reduzir a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro na economia brasileira para fazer com que todos estes projetos não se concretizem.  No caso dos indivíduos, tal redução faz com que suas rendas não aumentem como esperado, o que torna suas dívidas difíceis de serem quitadas.  No caso das empresas, tal redução faz com que suas receitas futuras não sejam as previstas, ao mesmo tempo em que seus custos (com mão-de-obra e bens de capital) seguem crescendo em decorrência da inflação passada.

Veja a seguir alguns gráficos que ilustram o comportamento da oferta monetária da economia brasileira desde janeiro de 2007.

O primeiro gráfico mostra a taxa de crescimento anual da base monetária (cédulas e moedas metálicas + reservas que os bancos mantêm depositadas junto ao Banco Central), variável inteiramente sob controle do Banco Central:

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Observe que, após passar todo o ano de 2010 crescendo a uma taxa média de 20%, o crescimento desacelerou bruscamente durante 2011, de modo que hoje a base monetária é apenas 5% maior do que era em fevereiro de 2011.

Mas a base monetária, embora seja o indicador que mostre qual tem sido a postura monetária do Banco Central, não é o melhor mensurador de expansão da oferta monetária, dado que parte das cédulas e moedas ficam retidas no sistema bancário.  Sendo assim, o M1 (cédulas e moedas em poder do público + depósitos em conta-corrente) é um melhor indicador para analisar a variação real da quantidade de dinheiro na economia. 

Por que é o melhor indicador?  Porque representa o dinheiro de maior liquidez da economia, aquele dinheiro que você pode trocar imediatamente por bens e serviços.  Além do papel-moeda, é sobre o volume das contas-correntes que se baseiam todas as formas de crédito do sistema financeiro de uma economia.  Todas as outras aplicações financeiras — sejam elas renda fixa, curto prazo, multimercado, referenciado, ações, depósito a prazo etc. — são meros papeis que, para serem convertidos em dinheiro, precisam antes ser vendidos para algum agente obviamente disposto a comprá-los.  E este só irá fazê-lo se houver dinheiro disponível em sua conta corrente.  Isso explica também por que outros indicadores mais amplos, como M2, M3 e M4 (que contabilizam cadernetas de poupança, os títulos emitidos por bancos, quotas de fundos de investimentos, títulos públicos federais, estaduais e municipais) são inúteis.

Portanto, a seguir, o gráfico de sua taxa de crescimento anual desde 2007:

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Note que, após passar o ano de 2007 crescendo a taxas anuais superiores a 20%, ele entra em queda brusca em 2008, o que precipitou a recessão de 2009.  Mas já em meados de 2009 ele voltou a crescer, passando todo o ano de 2010 crescendo entre 17 e 19%.  Já durante todo o ano de 2011 a queda foi fragorosa, chegando a apresentar contração em dezembro.  Atualmente, o M1 está apenas 1% maior do que era em fevereiro de 2011.

Por fim, vejamos agora a evolução dos meios fiduciários, os quais representam a expansão artificial do crédito ocorrida neste período.

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Observe o mesmo padrão de queda em 2008, após um forte crescimento em 2007.  (Aquela redução no final de 2009 se deveu a uma redução no compulsório que havia sido feita em novembro de 2008, e a qual foi revertida em 2009, de modo que ela deve ser desconsiderada).  Observe também o aumento de aproximadamente 15% durante todo o ano de 2010 e a forte desaceleração no primeiro semestre de 2011 e a subsequente contração no semestre seguinte.

Atualmente, os meios fiduciários estão 8% menores do que eram em fevereiro de 2011.  Isso significa que houve uma contração na quantidade de crédito artificial criada pelo sistema bancário de reservas fracionárias.  Tal contração pode ser ou porque houve mais quitação do que concessão de empréstimos — pouco provável —, ou porque está havendo alguns calotes — mais provável, como mostra o aumento da inadimplência e a recente postura cautelosa dos bancos. 

Um exemplo prático da influência dessa desaceleração e subsequente contração da expansão do crédito pode ser verificado no setor de bens de capital (produtos industriais, máquinas e equipamentos utilizados na indústria de transformação).  Como explicado no início, quando há uma expansão do crédito e os juros diminuem, há um incentivo ao empreendimento de investimentos de longo prazo (como construção de imóveis ou mesmo a abertura de novos empreendimentos ou franquias), pois os empreendedores imaginam que a renda futura continuará crescendo no ritmo atual, o que garantirá mercado consumidor para seus produtos futuros.  Tais investimentos demandam o uso maciço de bens de capital.  Sendo assim, este setor é um dos primeiros a ser afetado por variações na oferta monetária.

A variação dos preços no setor de bens de capital anda praticamente pari passu com a variação da oferta monetária, embora com um atraso de alguns meses, obviamente.  Eis o gráfico do comportamento dos preços dos bens de capital (IPA-DI).

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Após encarecerem 18% em um ano, durante 2008, os preços entraram em queda livre e chegaram a apresentar deflação durante o segundo semestre de 2009, deflação essa que ajudou enormemente na recuperação da economia.  Em 2010, com a forte expansão monetária e a subsequente demanda gerada por essa expansão, os preços voltam a disparar, chegando a crescer 14%.  Desde maio, no entanto, está havendo um severo arrefecimento, de modo que em janeiro os preços foram apenas 3% maiores do que em janeiro de 2011.  E a tendência é de queda.

Outro indicador preocupante

O gráfico abaixo mostra outra consequência inevitável da expansão artificial do crédito: o endividamento das famílias.  Mais especificamente, o gráfico mostra o "endividamento das famílias em relação à renda acumulada nos últimos 12 meses".

cewolf.png

Em novembro de 2011, este endividamento chegou a 43%, o que significa que uma família está, em média, devendo o equivalente a 43% da sua renda.  Em janeiro de 2009, este valor era de 32%, e em janeiro de 2005 era de 18%.  Ou seja, houve um aumento de quase 34% no endividamento em apenas 3 anos, e de 139% em 7 anos. Isto dificilmente teria acontecido sem a expansão da quantidade de dinheiro na economia

O que isso tudo pode gerar?

A atual interrupção do crescimento da quantidade de dinheiro na economia — e, no caso dos meios fiduciários, uma genuína contração —, que vem ocorrendo desde meados de 2011, tende a gerar uma estabilização no volume de gastos.  Se os preços continuarem subindo, pois ainda estão sendo reajustados em decorrência de toda a expansão monetária havida anteriormente, pode haver uma redução no volume de gastos, pois há agora uma combinação entre menos dinheiro e preços mais altos.

Em qualquer um destes cenários, isso significa que aquele aumento esperado da renda não mais se materializará, nem para empresas e nem para indivíduos.  Essa súbita "asfixia" na criação de dinheiro pega empreendedores e trabalhadores de surpresa. 

Para as empresas, tal asfixia gera uma interrupção no aumento de suas receitas nominais ao mesmo tempo em que seus custos de produção (gastos com salários e equipamentos) seguem aumentando.  Como consequência, seus lucros diminuem.  A estabilização (ou redução) no volume de gastos faz com que o capital que foi empregado em investimentos mais vultosos tenha seu valor reduzido (ou, pelo menos, não se valorize como inicialmente imaginado), o que deixa as empresas em uma posição contabilmente delicada.  Por exemplo, uma construtora que iniciou a construção de um prédio de luxo imaginando que sua construção custaria X e a venda de suas unidades renderia Y (sendo Y maior do que X, obviamente), descobrirá que o custo total será, digamos, X+100 e o preço de venda será Y-50.  Isso gerará uma redução no seu patrimônio líquido (capital), pois seu ativo barateou e o seu passivo encareceu. (E a forte desvalorizacao das empresas imobiliárias na bolsa de valores demonstra isso).  Tal redução do capital irá afetar sua capacidade futura de novos investimentos, o que consequentemente afetará o emprego neste setor.

Já para os indivíduos, a consequência desta súbita asfixia e consequente estabilização do volume de gastos é que a quitação de parcelas de suas dívidas fica mais difícil, o que faz com que as dívidas se acumulem.  Sua renda não cresceu como eles inicialmente imaginavam que cresceria, iludidos que foram pelo aumento da oferta monetária e pela redução artificial dos juros.

A consequência geral disso tudo é que o volume de gastos em toda a economia pode se reduzir tanto por causa da estagnação da oferta monetária (ou redução dos meios fiduciários) quanto por causa do maior endividamento das pessoas e das empresas.  E isso pode afetar o emprego.

E tudo isso, vale lembrar, foi originalmente causado pelas manipulações monetárias feitas pelo Banco Central, o qual pilotou a variação da quantidade de dinheiro na economia como se fosse um fliperama.

Logo, é possível que haja uma recessão talvez já no atual trimestre ou no próximo.

Entretanto, e isso deve ser muito enfatizado, tudo vai depender de como o Banco Central vai continuar se comportando.  Caso ele, já no próximo mês, reverta a atual postura, nitidamente contracionista, e adote uma mais expansionista, tanto a desaceleração econômica quanto a atual desinflação da bolha imobiliária podem ser revertidas — porém, ao custo de um novo aumento da inflação de preços e um inevitável e ainda mais rigoroso reajuste econômico (recessão) no futuro.

As consequências futuras da economia agora dependem totalmente do que fará o Banco Central.



autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Daniel  02/03/2012 04:06
    Ótimo artigo!\r
    \r
    Fiquei com uma dúvida:\r
    \r
    Por que os depósitos em poupança, fora do M1, não são computados para se aferir a expansão da oferta monetária? Eu imaginava que se tratava de dinheiro "líquido", já que bastará a quem detiver depósitos em poupança sacá-los para utilizar em alguma compra... Por que não serve?\r
    \r
    Obrigado!
  • Leandro  02/03/2012 04:28
    Prezado Daniel,

    Prezado Daniel, de fato, há um debate sobre se depósitos em poupança deveriam ou não ser incluídos neste quesito "oferta monetária de alta liquidez". Principalmente pelo fato de hoje existirem as contas-poupanças, que funcionam como conta-corrente mas rendem juros de poupança.

    Em minha opinião -- mas posso ser convencido do contrário --, tais depósitos não devem ser incluídos, pelo seguinte motivo: ainda que na prática você possa utilizar seu dinheiro da conta-poupança via cartão de débito, o que está ocorrendo na verdade é que o banco irá tirar parte da sua aplicação em poupança e transformá-la em dinheiro. Essa operação significa que o banco vendeu algum ativo pra transformar em dinheiro pra você. Ele não tinha o dinheiro parado ali; o dinheiro estava aplicado em outro ativo de alta liquidez, o qual teve de ser vendido para conseguir de volta este dinheiro.

    Uma prova disso pode ser obtida conversando com donos de estabelecimento que fazem vendas no cartão de débito: muitas vezes, o dinheiro que foi pago pelo cliente via cartão de débito (e que muito provavelmente saiu de uma conta-poupança) chega a demorar até três dias para cair na conta do estabelecimento. Ora, se o dinheiro fosse realmente líquido, a transferência teria de ser imediata -- ou, no mínimo, ocorrer já no final do dia ou no primeiro dia útil seguinte.

    Portanto, minha opinião é não. Poupança não deve ser incluída, pois ela não é uma aplicação tão líquida quanto o dinheiro em espécie ou uma conta-corrente.

    Grande abraço!
  • tulio  02/03/2012 04:15
    Muito bom. Parabéns novamente.
    Aproveitando:

    Neste caso o BC tem que escolher entre perder o controle da inflação (expandindo a base monetária e jogando a recessão para frente) ou encarar logo a recessão?

    Pode se deduzir que o menor crescimento da base monetária está acontecendo para possibilitar uma maior redução da taxa selic como menos impacto inflacionário?

    Mais uma dúvida. Normalmente, quando a bolsa cai (dólar saindo) o dólar sobe. Contudo, em alguns momentos, vemos tanto o dólar quanto a bolsa caindo. Para onde está indo esse dinheiro que entra? Títulos da dívida?

    A última (te abusando), se o BC parar de expandir a base monetária o governo não corre o risco de insolvência ( no estilo grego)?

    Obrigado,

    Túlio
  • Leandro  02/03/2012 04:48

    Prezado Túlio, vamos lá.

    "Neste caso o BC tem que escolher entre perder o controle da inflação (expandindo a base monetária e jogando a recessão para frente) ou encarar logo a recessão?"

    É bem isso mesmo. Sempre lembrando que, quanto mais a recessão for postergada, maiores serão os desequilíbrios criados na economia, maior será a destruição de capital (o qual está sendo aplicado em investimentos que revelar-se-ão insustentáveis) e mais aguda será a inevitável recessão vindoura.

    "Pode se deduzir que o menor crescimento da base monetária está acontecendo para possibilitar uma maior redução da taxa selic como menos impacto inflacionário?"

    Sim. Algo que muita gente confunde -- especialmente economistas -- é que, no longo prazo, quanto menor o crescimento da quantidade de dinheiro, menores serão as taxas de juros. Pense nos juros como a diferença entre a quantidade de dinheiro que você pega emprestado e a quantidade de dinheiro com o qual você paga o empréstimo. Quanto menor estiver sendo a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro, menores terão de ser os juros. Afinal, em uma economia com quantidade de dinheiro fixa, seria irrealista você exigir, por exemplo, juros de 50% ao ano. Sem que tenha havido crescimento na quantidade de dinheiro, o devedor simplesmente não terá como pagar essa quantia. Por outro lado, se a quantidade de dinheiro crescer, por exemplo, 200% em um ano, pagar uma taxa de juros de 50% acaba sendo moleza.

    E o mesmo é válido para a base monetária e a SELIC. Quanto menor for o crescimento das reservas bancárias (que é um componente da base monetária), menor será, no longo praza, a taxa de juros para empréstimos interbancários, taxa essa que é justamente a SELIC. Um ótimo exemplo prático disso é o Japão, que tem crescimento nulo da base monetária desde 2003, e sua "taxa SELIC" é de zero.

    Outro exemplo eram os juros nominais astronômicos da década de 1980 e primeira metade da década 1990 no Brasil, quando a inflação anual frequentemente ultrapassava os 1.000%.

    "Mais uma dúvida. Normalmente, quando a bolsa cai (dólar saindo) o dólar sobe. Contudo, em alguns momentos, vemos tanto o dólar quanto a bolsa caindo. Para onde está indo esse dinheiro que entra? Títulos da dívida?"

    Impossível saber com tamanha precisão. Porém, em minha opinião, boa parte da atual entrada de dólares no Brasil está sendo canalizada para a bolsa, pois não há justificativa monetária para que ela suba baseando-se exclusivamente no aumento da quantidade de dinheiro na economia. Logo, é bem possível que dólares estejam sendo trocados por reais e direcionados para a bolsa. Mas isso é puro palpite. De novo, há tantos caminhos para o dólar, que não dá pra saber ao certo para onde ele está indo.

    "A última (te abusando), se o BC parar de expandir a base monetária o governo não corre o risco de insolvência ( no estilo grego)?"

    A interrupção no crescimento da base monetária, que por sua vez tende a gerar interrupção no crescimento do M1, de fato dificulta a quitação de dívidas pendentes. Mas não creio que chegue a essa ponto que você falou, não. Na Grécia, o governo, por adotar o euro, não tem como imprimir dinheiro, o que dificulta enormemente sua situação. Já no Brasil, ele pode fazer isso quando quiser, assim como nos EUA -- que aliás fazem isso rotineiramente.

    Grande abraço!
  • tulio   02/03/2012 05:14
    Muito obrigado pelas respostas.
    Têm me ajudado muito a compreender um pouco os cenários.
  • Diego  02/03/2012 07:31
    Aqui tem um gráfico mostrando o aumento do capital estrangeiro na Bolsa:

    www.bolsafinanceira.com/fluxo-de-capital

    E como podemos ver essa recente alta da Bolsa está totalmente relacionada com a entrada deste capital.
  • Leandro  02/03/2012 07:38
    Excelente o gráfico, Diego. Não o conhecia.

    Ele mostra perfeitamente o que ensina a teoria. Sem expansão monetária, não há como pessoas físicas e empresas aumentarem globalmente sua participação na bolsa. Pelo visto, nem mesmo os bancos estão participando. A demanda está vindo toda de fora.

    Abraços!
  • Rhyan  02/03/2012 09:49
    Essa explicação da taxa de juros no longo prazo tem a ver com a diminuição da demanda por crédito?
  • Leandro  02/03/2012 10:17
    Em princípio, não. A demanda pode permanecer a mesma. A taxa de juros vai cair porque, sem aumento da oferta monetária, é impossível pagar juros nominais altos. Quanto maior a taxa de aumento da oferta monetária, maior tende a ser o aumento dos juros e também dos lucros nominais (tudo o mais constante).
  • Rhyan  02/03/2012 11:26
    Beleza, obrigado!
    Abraço!
  • Allan  04/03/2012 12:22
    Leandro, pode me explicar isso de outra forma, por favor?
    "Sim. Algo que muita gente confunde -- especialmente economistas -- é que, no longo prazo, quanto menor o crescimento da quantidade de dinheiro, menores serão as taxas de juros."

    Quanto menor for o crescimento da quantidade de dinheiro hoje (que faz os juros subir no presente, ex: contração monetária de 2011) menor será os juros no futuro. É isso?
    Obrigado
  • Leandro  04/03/2012 12:55
    Exatamente, Allan. Leia minha resposta completa ao Túlio e ao Rhyan. É indispensável. Caso ainda ache insuficiente, leia a primeira metade deste artigo, que dá um exemplo prático sobre essa relação.

    No mais, observe que o BACEN começou a estabilizar a taxa de crescimento da oferta monetária em janeiro de 2011. A SELIC, consequentemente, começou a subir e subiu até julho, exatamente como explica a teoria. Passado este período, ela começou a cair e continuará caindo enquanto for mantida a atual política.

    Abraços!
  • Diego  08/03/2012 18:35
    Leandro, uma dúvida...

    Para manter os juros artificialmente baixos o BC não acaba imprimindo dinheiro? Quer dizer então que atualmente os juros não estão tão "artificialmente" baixos, e que o BC está na verdade até atuando, de certa forma, de modo prudente, justamente para acompanhar a diminuição da quantidade de dinheiro na economia?

    Será o momento de começar a apostar na venda de índice da bovespa, bem alavancado? hahaha
  • Leandro  09/03/2012 04:48
    Diego, sobre a sua primeira pergunta, isto ocorre no momento da expansão monetária. Quando o Banco Central aumenta a taxa de injeção de dinheiro na economia, os lucros e os rendimentos das empresas aumentam. Em seguida, os preços e custos também começam a aumentar. Por último, os juros. Os juros aumentam pelo mesmo motivo pelo qual preços e custos aumentam. Se os juros não aumentarem, quem está emprestando dinheiro irá, na verdade, ganhar menos quando seu empréstimo for quitado, pois os preços de todas as outras coisas estão subindo. Logo, o valor real do dinheiro que ele irá receber será menor. Portanto, os juros sobem em decorrência de uma expansão monetária vigorosa.

    E quando estes juros começam a subir, o Banco Central -- justamente para conter esta subida dos juros e manter a economia crescendo artificialmente -- aumenta suas injeções de dinheiro. Isto irá, momentaneamente, conter a escalada dos juros; mas, com o tempo, irá reiniciar todo o processo descrito acima.

    E tal processo durará até o momento em que, temeroso em relação à escalada de preços, o BC irá simplesmente reduzir seu ritmo de criação de dinheiro. Ao fazer isto, a reação inicial dos juros será um aumento. Os juros irão aumentar por causa desta repentina "secagem" da fonte de dinheiro. Porém, com o tempo, ao constatarem que não está havendo aumento da oferta monetária -- e, logo, não tem como continuar havendo seguidos aumentos dos lucros e das receitas --, as taxas de juros começam a cair. A assim vão até encontrarem seu patamar natural.

    Suíça e Japão sempre apresentaram juros nominais irrisórios e inflação de preços quase nulas, justamente porque não há expansão monetária (embora a Suíça tenha ligeiramente revertido esta sua postura quase secular após a crise de 2008).

    Por fim, sobre a última pergunta, apenas enfatizo que não está havendo "diminuição da quantidade de dinheiro na economia" -- ao menos não em termos de M1. Está havendo apenas uma desaceleração, forte, é verdade, da taxa de aumento da quantidade de dinheiro na economia. Mas deflação definitivamente não está havendo.

    Abraços!
  • Vinicius Aguilar  02/03/2012 05:16
    Bom dia Leandro,\r
    \r
    Mais um ótimo artigo, parabens.\r
    \r
    Fui atrás dos dados dos gráficos no site do Banco Central e não encontrei, \r
    teria como se possivel indicar as fontes dos mesmos ?\r
    \r
    Abraço
  • Leandro  02/03/2012 05:30
    Prezado Vinícius, à exceção dos dados dos meios fiduciários, para os quais você precisa subtrair a BM do M1, todos os dados (recentes) estão no link imediatamente acima das gravuras.

    Porém, se você quiser dados mais completos -- como, por exemplo, para os anos de 2007, 2008 e 2009 -- você terá de ir à seção de séries temporais.

    Vá aqui: www.bcb.gov.br/?SERIETEMP

    Depois, clique em "Acesso ao Sistema de Séries temporais"

    Depois, em "Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS)"

    Depois em "Indicadores monetários"

    Depois, em "Agregados monetários"

    Depois em "Meios de pagamento"

    Depois selecione "M1 (saldo diário)".

    Finalmente, selecione o "Total emitido"

    Clique lá em embaixo em "Acrescentar séries" e depois em "Consultar Séries"

    Selecione as datas desejadas.

    Depois você terá a opção de ou visualizar o gráfico desta variável (que estará em valores nominais e não em taxa de crescimento anual, como eu fiz) ou simplesmente ver uma planilha de Excel ("visualizar valores")

    Caso opte pelo Excel, que é o que eu faço, logo após clicar em "Visualizar valores", clique no canto superior direito em "Arquivo CSV".

    Você terá agora uma planilha de Excel com os valores diários de M1, podendo fazer com eles a operação que você quiser.

    Para obter o gráfico que eu obtive, faça as operações matemáticas necessárias obter a variação percentual no exato período de um ano (você terá de saber o básico de Excel para tal tarefa). Uma vez obtido os resultados, escolha uma média móvel com período de 22 dias, que é exatamente o número de dias letivos de um mês.

    O gráfico estará formado. (Faça o exatamente o mesmo para a base monetária, selecionando este item em vez de "meios de pagamento", como foi feito lá em cima).

    Abraços!
  • Rhyan  02/03/2012 06:42
    Leandro, as imagens que você usa, você que cria no excel ou já vem prontas como estão aqui?

    Valeu, parabéns pelo artigo!
  • Leandro  02/03/2012 06:44
    Rhyan, é tudo no Excel. Exige paciência e muito amor...

    Abraços!
  • Adriano Chaves  02/03/2012 12:58
    Lenadro,

    usa o metastock, é mais fácil de trabalhar gráficos.

    abraços,

    Adriano
  • Vinicius Aguilar  02/03/2012 06:45
    Obrigado Leandro,\r
    \r
    Agora, na minha percepção, o Banco Central será praticamente obrigado a continuar baixando juros, com a inflação convergindo pra meta, e o excesso de liquidez externa, a única forma de conter a desvalorização do dólar frente ao real seria diminuindo os juros reais, \r
    \r
    Se isso realmente acontecer não seria uma ótima oportunidade para a industrialização?\r
    Real valorizado, logo importação barata, com juros baixos, a meu ver é a saída para o aumento da produtividade na indústria brasileira.\r
    \r
    Abraço\r
  • Leandro  02/03/2012 07:03
    Vinícius, sim. A SELIC será reduzida em março. Está em 10,50% e irá ou para 10,25% ou pará 10%. Estou apostando em 10%.
  • Diego  02/03/2012 07:41
    Infelizmente o buraco para o desenvolvimento da indústria brasileira fica mais embaixo.
    Para que haja uma indústria competitiva a nível internacional são necessárias inúmeras reformas, as quais nem são cogitadas por nossos iluminados governantes. Em vez disso eles preferem manipular o câmbio, para que os companheiros exportadores não percam sua fatia e as indústrias nacionais não sejam engolidas pelos produção estrangeira (mais barata e de maior qualidade).

    E os únicos que perdem com isso somos nós, os consumidores.
  • JC  02/03/2012 09:03
    Parabés ao Leandro por este apanhado.

    Acho que a sua percepção está correta, mas concordo com o Diego que isso não resolveria o problema de competitividade da indústria.

    O governo tenta conter a desvalorização de dólares e euros com a desvalorização do Real. Todos se atiram juntos em uma inflação supostamente controlada.

    Especialmente se começar a quebradeira e especialmente se chegar no setor imobiliário. E, conhecendo o PT, eles sempre podem inventar alguma desinformação para justificar uma inflação mais alta.

    Só que tem um probleminha : já faz alguns anos em que vivemos em uma situação com preços livres subindo bastante e só recentemente desacelerando, mas nesse meio-tempo todos os preços administrados ou pressionados indiretamente pelos governos ( incluindo os estaduais ) ficaram sem reajustes ou com reajustes abaixo do valor de mercado. Isto feito para manipular o índice de inflação. Então estamos 'devendo' vários pontos de inflação.

    diariodopara.diarioonline.com.br/N-151791-CELPA+PEDE+REAJUSTE+DE+20+PORCENTO+NA+TARIFA.html

    Essa semana a Celpa entrou em concordata, aparentemente para ser absorvida pela eletrobras ou se o governo quiser, vendida para outra empresa. O fato é que temos isso além da famosa distorção na gasolina isso acontecendo com energia e gás natural.

    Ou seja, uma argentinização enorme da nossa política econômica. Se isto se acentua, pode estourar essa meta bem mais acima, mesmo em um cenário de retração moderada. Possível cenário de Brasil estagflacionado.
  • Flávio Antônio Ferreria Barroso   02/03/2012 05:48
    Leandro.\r
    \r
    Parabéns, excelente artigo.\r
    \r
    Uma Pergunta: gostaria de saber quais são os meios utilizados pelo BC para expandir ou para comprimir a base monetária?\r
    \r
    Se possível, gostaria que me indicasse um site no qual eu pudesse acompanhar a evolução dos meios utilizados pelo BC para a expansão e para a contração da base monetária.\r
    \r
    Desde já agradeço.\r
    \r
    Abraço.\r
    \r
    Flávio
  • Leandro  02/03/2012 05:59
    Prezado Flávio, este artigo responde de maneira completa à primeira sua pergunta, bem como este (a primeira metade dele).

    Quanto à segunda pergunta, há o próprio site do BACEN, atualizado todas as quartas-feiras. Clique em www.bcb.gov.br/?INDECO. Role a página até a seção "Capítulo II – Moeda e crédito" e clique em "Base monetária e componentes – Média nos dias úteis do mês".

    Obrigado e grande abraço!
  • Rodrigo Santos  02/03/2012 06:06
    Agradeço ao Instituto Von Mises Brasil por permitir que logo de manhã me delicie com artigos deste nível. Confesso que tenho um incontrolável impulso em abrir primeiramente este site p/ ver qual será o mais novo acertado artigo sobre economia.
    Parabéns ao autor do trabalho. Meu café da manhã será bem digerido. Sucesso e Sucesso!
  • Rafael Hotz  02/03/2012 06:41
    Leandro, você não acha que enquanto a poupança externa continuar cobrindo o buraco a situação possui alguma austentabilidade?

    Eu tenho um gráfico de média móvel com a variação anual do crédito total e a variação anual das reservas internacionais (uma proxy da entrada de dólares). Em 2008 em diante a correlação do movimento é quase perfeita.

    Ao meu ver, o maior risco, além do ritmo de impressão do BACEN, é a falta de um QE3 e a secagem da torneirinha externa. O BCE imprimiu um pouco e absorveu muita maturity, mas euros não são dólares... E nos EUA, o déficit vai ser maior que o previsto, e quero ver quem vai comprar tantos títulos a yields ridículos se não for o Fed, como vem sendo desde 2008...

    Abraços.
  • Leandro  02/03/2012 06:53
    Certo, mas se está havendo entrada de dólares, estes têm de ser convertidos em reais para ser investidos aqui, correto? Dado que as reservas crescem e o M1 não, então isso significa que o BACEN está comprando dólares e, em seguido, esterilizando os reais que imprimiu para comprar dólares. Logo, criação artificial de crédito não está havendo. O total de crédito segue aumentando exclusivamente de acordo com aquele mecanismo descrito no meio do texto, que mostra que é sim possível aumentar o crédito mesmo como o M1 estagnado. O problema vai ser quando começarem a quitar as dívidas. Sem aumento no M1, a coisa complica -- como, aliás, como mostram as notícias sobre inadimplência, já está acontecendo.

    Por isso enfatizei ser muito importante ficar de olho em como o BACEN vai agir daqui pra frente.

    Abração!
  • Julio  03/03/2012 03:09
    Como o M1 não está aumentando e as reservas sim, significa que novas reservas são adquiridas via mais dívida pública?
  • Leandro  03/03/2012 04:28
    Significa que o BACEN está vendendo os títulos que possui em sua carteira. Isso não necessariamente aumenta a dívida, pois são títulos que já haviam sido emitidos (e quando estes títulos estavam sob o Banco Central, eles continuavam coletando juros, ao contrário do que muita gente pensa). E quanto menos título ele possui em sua carteira, menor a capacidade de fazer política monetária -- no caso, de enxugar dinheiro da economia. Mas isto ainda não é preocupação no momento.


    Agora, há também a hipótese de ser o Tesouro quem esteja por trás da operação. Neste caso, ao emitir títulos, aí sim estaria havendo um aumento da dívida.
  • Rene  02/03/2012 06:47
    "As consequências futuras da economia agora dependem totalmente do que fará o Banco Central."\r
    \r
    Considerando que este é ano de eleições, será que o governo deixará a economia entrar em uma recessão no segundo trimestre? A imagem do ParTido tem que ser preservada, especialmente em prefeituras estratégicas que não estão nas mãos deles, como é o caso da prefeitura de São Paulo. Se levarmos em consideração o quanto a dívida pública cresceu no governo petista, percebe-se que eles não tem problema nenhum em empurrar problemas com a barriga, penalizando duramente gerações futuras, em troca de benefício próprio imediato.
  • mcmoraes  02/03/2012 06:58
    O Jim Rogers acha que esse ano ainda tá safo porque é de eleições em diversos países, mas ano que vem a coisa muda...
  • Andre Cavalcante  02/03/2012 07:45
    Leandro,

    Talvez merecesse um comentário os atuais discursos do governo:

    economia.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2012/03/01/governo-promete-medidas-para-conter-tsunami-cambial.jhtm

    Pelo jeito eles vão ter que liberar a torneira de reais pra poder conter o dólar, já que o FED e o BCE não param de abrir a torneira deles. Parece que vai significar que o BACEN vai ter que fazer o mesmo.

    Seria efetivamente ruim para a indústria um real mais valorizado?

    Abraços.
  • Leandro  02/03/2012 07:57
    Prezado Andre, como explicado nos artigos deste link, não faz sentido algum querer manipular câmbio contendo fluxo de capital, pois o que determina câmbio no longo prazo é o poder de compra da moeda e não o balanço de pagamentos. Logo, você está certo ao dizer que a única maneira de conter o câmbio é imprimindo dinheiro. Por enquanto, o BACEN tem se contido e ainda não está fazendo isso -- por isso o real se apreciou de R$1,86/dólar para R$ 1,71, não obstante nossa taxa de inflação de preços acumulada em 12 meses estar muito alta, em 6,22%.

    Quanto à indústria, se tudo continuar como está -- como detalhado neste artigo sobre o Mantega --, algumas perderão. Mas se bem que, com todo o protecionismo que o governo está criando, quem irá realmente perder seremos nós.

    Abraços!
  • Flávio Antônio Ferreira Barroso   02/03/2012 08:03
    Leandro,\r
    \r
    Você afirmou que sem aumento no M1, a coisa complica como, aliás, nos mostram as notícias sobre inadimplência, já está acontecendo e que por isso é imortante ficarmos de olho em como o BACEN vai agir daqui pra frente.\r
    \r
    Baixando os juros ele já não estaria agindo jogando dinheiro no mercado? Porque?\r
    \r
    Como ele poderia agir se resolvesse postergar tal desaceleração? \r
    \r
    Mais uma vez agradeço-lhe antecipadamente.\r
    \r
    Abraço.\r
    \r
    Flávio Barroso\r
    \r
    \r
    \r
  • Leandro  02/03/2012 08:14
    Prezado Flávio, como explicado ao Túlio ali em cima, no longo prazo, a estabilização da quantidade de dinheiro na economia leva inevitavelmente a juros menores. No curto prazo, quando você interrompe repentinamente a expansão monetária, os juros aumentam. Com o tempo, eles têm de cair, e caem a um nível menor do que estavam antes da expansão. Mas isso só num prazo bem elástico. (É exatamente isso o que acontece no Japão hoje, que interrompeu a expansão da sua base monetária desde 2003, e tem sua taxa básica de juros a 0% há anos).

    Por outro lado, a SELIC também pode cair quando, por exemplo, os bancos estão receosos de fazer novos empréstimos. Sendo assim, aumenta o volume de dinheiro disponível para os empréstimos interbancários. Aí os juros do interbancário (SELIC) caem sem que tenha havido expansão dos meios fiduciários. Logo, os juros podem cair sem que haja necessariamente criação de dinheiro.
  • Flávio   02/03/2012 08:53
    Leandro.\r
    \r
    Descupe-me pelo excesso de perguntas. prometo ser a última. \r
    \r
    Para que o BC estimule a economia a crescer mais como desejam os políticos, mesmo que. como fora falado, a economia como um todo, pague um preço maior mais a frente, como ele deveria agir neste momento?\r
    \r
    Obrigado.\r
    \r
    Abraço.\r
    \r
    Flávio \r
    \r
  • Alexandre M. R. Filho  02/03/2012 08:53
    Ao ler esse artigo eu fico com nojo... da minha faculdade.\r
    \r
    Quanto tempo perdido lendo Marx (o livro texto de uma das disciplinas é "O Capital") e outras bobagens...\r
    \r
    Leando, obrigado pelos ensinamentos que realmente valem a pena.
  • Alex  02/03/2012 08:57
    Excelente artigo!
  • Leandro  02/03/2012 09:01
    Flávio, estimular no curto prazo é fácil. É só aumentar a quantidade de dinheiro. Quanto mais dinheiro, mais gastos (tudo o mais constante). Quanto mais gastos, maior o PIB. Se a quantidade de dinheiro (e o volume de gastos) aumentar mais do que a inflação de preços, o PIB sofre uma bela aditivada. É tudo artificial, é claro, pois não se está produzindo riqueza alguma, mas sim apenas consumismo. E a ressaca virá depois. Porém, no curto prazo, principalmente em uma democracia, a coisa é uma beleza.

    Isso foi comentado na primeira seção deste artigo.

    Alexandre, força aí! Alex, obrigado, e abraços aos três!
  • Rhyan  02/03/2012 09:39
    Leandro, alguma previsão de um artigo com análises econômicas semelhante da atual economia americana? Faz tempo que não vejo tópicos sobre isso aqui.
  • Apoc  02/03/2012 10:31
    É diferente o endividamento da família brasileira e a de um país desenvolvido.\r
    As taxas de juros reais no nosso caso, são asfixiantes.\r
    38% contra 6% de inflação e as pessoas tomam, achando que é barato.\r
  • anônimo  02/03/2012 10:47
    ??
  • Apoc  07/03/2012 10:22
    Anônimo,\r
    teve episódios do House que ele contratou detetive para espionar as pessoas de sua equipe.\r
    Num deles, numa conversa com a "Treze" ele perguntou que estúpido contratava empréstimo a 12% ao ano. \r
    Bem, muitos brasileiros compram bens e pagam juros de cartão e cheque especial, pagando juros REAIS acima de 25% ao ano.\r
    O endividadamento acaba ficando mais explosivo, mesmo que a base de endividados seja menor.
  • anônimo  07/03/2012 12:07
    Desculpa, me corrijam se eu estiver errado, mas a taxa de juro real no Brasil não está em 5% a.a.(sim, sei que é das mais altas comparada a outros países)?
  • Leandro  07/03/2012 12:31
    Correto. A taxa de juros real, que nada mais é do que a divisão da SELIC pelo IPCA -- indicador este que, diga-se de passagem, não tem a mais mínima importância, pois não indica nada --, está em 5% e irá cair para 4,5% (ou ainda menos) hoje à noite, quando o Bacen reduzir a SELIC.

    O Apoc se referiu aos juros bancários para pessoa física, que de fato estão nesta faixa mesmo.

    Abraços!
  • Apoc  15/03/2012 11:50
    É anônimo. O Leandro explicou a taxa real básica (Selic - IPCA).\r
    Mas crédito ao consumidor, cartão de crédito e cheque especial, dentre outros, não utiliza a taxa básica.\r
    Põe um spread na lua.\r
    \r
    Nossa taxa real está em torno de 5%, mas o voluntarismo da manteiga de conversa mole e ruim, vai acabar fazendo com que ela tenda a zero.\r
    \r
    O Tombini é estafeta do mantega nas reuniões do COPOM.\r
    \r
    A ata do COMPOM insinua SELIC abaixo de 9%.
  • Lord Keynes  02/03/2012 10:48
    Desde 2002 que voces falam que com o aumento da oferta de crédito a inflação ia explodir. O BC da Dilma e do Tombini estão implodindo a selic e a inflação está em queda. Quem é o professor de vocês, o Mises ou a Miriam Leitão, a Urubulóloga ??
  • Leandro  02/03/2012 10:58
    Em primeiro lugar, é impossível termos falado algo em uma época em que ainda não existíamos. Só viemos ao mundo em 2008. Antes disso, nunca falamos nada sobre nada. Desde então, desde 2008, modéstia à parte, todas as nossas previsões sobre recessão (incluindo-se aí, obviamente, artigos traduzidos) vêm se mostrando certeiras.

    Sobre aumento da oferta de crédito gerar inflação, tivesse você lido o texto veria que há uma passagem que explica especificamente que um aumento do crédito, desde que não haja aumento da quantidade de dinheiro, não tem por que gerar inflação.

    Sobre implodir a SELIC, acho ótimo. Quanto menor a SELIC, menor o gasto do governo com a dívida. Sobre implodir a inflação, de fato a inflação monetária está caindo, e isso é ótimo (e totalmente antikeynesiano, diga-se de passagem). Sobre a inflação de preços, esta ainda perdura dolorosamente, prejudicando principalmente os mais pobres. E espero sinceramente que o Banco Central não mude a postura.

    Sempre bom saber que Keynes bate ponto por aqui.
  • Paulo Sergio  07/03/2012 13:04
    Quem diria hein, o longo prazo chegou e ele nem morreu!
  • Julio  02/03/2012 11:05
    Uma curiosidade minha: como o BC compra dólares? Se a resposta for criando dinheiro nacional e trocando por dóalres, como fica a questão da inflação?
  • Leandro  02/03/2012 11:18
    Julio, o Banco Central imprime reais e compra dólares com esses reais. Mas ele pode fazer o que se chama de "esterilização", isto é, limpar do mercado esses dólares que ele imprimiu. Basta para isso vender títulos públicos que estejam em sua posse.

    O curioso é que, ao passo que estes títulos públicos agora em posse dos bancos custam ao Tesouro uma taxa SELIC ao ano (10,50%), as reservas internacionais rendem por volta de 0,25% ao ano.

    Esse é o custo do Tesouro em ficar comprando dólares.

    Abraços!
  • Cesar  02/03/2012 11:58
    Caro Leandro,
    Parabéns por mais essa comtribuicao responsável ao entendimento do funcionamento de uma economia. Em tempo, nao compreendi bem dois pontos principais:
    a) Diminuição do M1 ocasiona queda das taxas de juros! Nao é justamente o contrário?
    b) Há um trade off entre " continuação do crescimento" e " inflação". Na ocasião, foi argumentado que se o BC continuar com o enxugamento haverá uma recessão, caso ele reverta essa política haverá uma inflação maior. Analisando o gráfico constata-se que desde Setembro (seu artigo acerca do ponto do ciclo econômico) o BC continuou enxugando e tanto inflação quanto crescimento aumentaram!
    Grato pela atenção .
  • Leandro  02/03/2012 12:29
    Prezado Cesar, começando pela sua segunda afirmação, ela simplesmente não é verdadeira. O crescimento do PIB do terceiro trimestre foi zero. Pode conferir.

    economia.estadao.com.br/noticias/economia,com-industria-e-servicos-em-queda-economia-fica-estagnada-no-3-tri,94896,0.htm.

    Para o quarto trimestre, por causa de todo o volume de despesa das festas de fim de ano (que é o que realmente é contabilizado no PIB), é bem provável que a economia aponte um crescimento em relação ao terceiro trimestre. Mas, de novo, o que estará sendo medido é puro consumismo e não criação de riqueza.

    Quanto à inflação de preços, como também explicado neste presente artigo, ela se deve aos repasses da inflação passada. De 2009 a meados de 2011, a inflação monetária cresceu bastante, e esse aumento ainda não foi completamente repassado aos preços. De novo, tudo isso foi dito no presente artigo (mais especificamente no primeiro parágrafo da última seção).

    Sobre a relação entre aumento da quantidade de dinheiro e aumento dos juros no longo prazo, já expliquei detalhadamente lá em cima tanto para o Túlio quanto para o Rhyan. Por favor, tenha a bondade de ler o que expliquei a eles. Caso ainda ache insuficiente, leia a primeira metade deste artigo, que dá um exemplo prático sobre essa relação. Fora isso, não tenho mais o que acrescentar.

    Abraços!
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  02/03/2012 12:39
    Leandro, supondo, em um exercicio hipotético (e improvável) que o BC mantivesse a única variável que controla, a base monetária, fixa indefinidamente. Qual o impacto disso sobre: 1) os juros, 2) o câmbio, 3) o crescimento econômico e 4) a duração dos ciclos econômicos.

    Agradeço desde já pela resposta à minha pergunta.
  • Leandro  02/03/2012 12:58
    Prezado Lívio, a pergunta tem dados insuficientes. Por exemplo, continua havendo reservas fracionárias? O BC continua regulando o compulsório?

    Se sim, isto é, se continua tudo como está hoje, mudando apenas o fato de que a base monetária ficou fixa,

    1) Os juros nominais cairiam no longo prazo (mas aumentariam no curto prazo). Porém, se os bancos estiverem operando com reservas fracionárias, eles podem expandir a quantidade de dinheiro. E se fizerem isso ciclicamente, aí é impossível determinar um rumo específico para os juros.

    2) A tendência seria de apreciação contínua, o que estimularia investimentos estrangeiros na economia. Com uma política monetária não inflacionista, o câmbio se apreciaria continuamente. Esse ambiente de moeda estável, com crescente apreciação cambial, é extremamente atrativo para investimentos estrangeiros. Imagine, por exemplo, que US$ 100 sejam investidos no Brasil quando o câmbio está a R$1,50. Ao chegar aqui, 100 dólares viram R$ 150. A uma taxa de lucro de, suponhamos, 10%, R$ 150 viram R$ 165. Como durante esse período o real foi se apreciando continuamente em relação ao dólar -- por causa da política monetária não inflacionista --, suponha que, na hora de repatriar os lucros, o dólar esteja custando R$ 1,30. Sendo assim, R$ 165 viram US$ 127. Portanto, 100 dólares viraram 127 dólares, o que dá uma taxa de lucro real de 27%, muito maior do que os 10% iniciais.

    3) Estável, sem surtos. Nos EUA do século XIX, foi uma média de 4% ao ano.

    4) Vai depender do comportamento dos bancos de reservas fracionárias e se o BC deixa claro que não irá salvá-los caso façam gracinhas. Neste cenário de prudência e de pouca expansão monetária, ciclos econômicos seriam curtos e pouco destruidores de riqueza.


    Se eu fosse o presidente do BACEN, e tivesse plenos poderes, mas sem poder aboli-lo, e considerando-se que não haverá padrão-ouro, eu

    1) imporia 100% de reservas (o que significa que BM=M1);

    2) acabaria com a SELIC (consequência inevitável do item 1; agora os juros são de mercado);

    3) aboliria todas as operações de mercado aberto;

    4) Bancos desesperados poderiam recorrer apenas à janela de redesconto, com taxas de juros punitivas;

    5) Apenas depósitos à prazo poderiam ser emprestados;

    6) E aumentaria a oferta monetária a uma taxa de 2% ao ano, com esse dinheiro caindo diretamente na conta dos aposentados do INSS (22 milhões de pessoas), que foram os mais logrados da sociedade.


    É uma reforma longe da ideal, mas, em minha concepção, é a mais próxima do "politicamente viável".
  • Roberto  02/03/2012 14:50
    Leandro, nessa proposta de aumentar a oferta monetária 2%a.a., seria como a idéia do Friedman, basicamente? Uma idéia mais próxima do padrão-ouro não seria simplesmente congelar a oferta monetária e deixar os preços deflacionarem?

    E no caso de BM=M1, significa que os Bancos não poderiam emprestar dinheiro de conta corrente, somente de poupança, CDB, etc? E nesse caso não existiria possibilidade de quebrar um banco se todos quisessem sacar seu dinheiro de conta corrente?

    abs
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  02/03/2012 13:32
    Leandro, muito grato pela sua resposta, plenamente fundamentada e convincente. Eu havia esquecido, na pergunta anterior, de acrescentar a famosa expressão CETERIS PARIBUS, e daí, de fato, a pergunta ficou com dados incompletos.

    Pelas suas proposições a respeito de como atuaria na presidência de um banco central, na impossibilidade política de extingui-lo, o que seria o ideal, proponho abertamente: Leandro Roque para a presidência do Banco Central já!

    Um abraço
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  02/03/2012 13:41
    Leandro, permita-me mais uma vez fazer mais duas perguntas: em relação ao item 6 de sua Reforma Monetária, um aumento a uma taxa fixa da oferta monetária não seria propriamente uma medida "austríaca" mas sim de política monetarista à la Chicago? E como se daria, na prática, a recepção dessa quantidade adicional de dinheiro apenas por aposentados?

    Mais uma vez grato pela atenção.
  • tulio  02/03/2012 14:23
    Olá Leandro,

    abusando novamente.

    Por que você faria essas duas?

    3) aboliria todas as operações de mercado aberto;

    6) E aumentaria a oferta monetária a uma taxa de 2% ao ano, com esse dinheiro caindo diretamente na conta dos aposentados do INSS (22 milhões de pessoas), que foram os mais logrados da sociedade.


    Obrigado mais uma vez
  • Leandro  02/03/2012 15:08
    Prezados Lívio, Túlio e Roberto:

    A opção pela taxa de 2% é porque, historicamente, esta é a taxa anual do aumento do estoque de ouro no mundo.

    Mas há outro efeito colateral benéfico. Uma economia desregulamentada pode crescer -- isto é, aumentar sua oferta de bens e serviços -- continuamente a uma taxa de 2, 3 ou 4%.

    Em um cenário com crescimento de 3% e aumento da oferta monetária de 2%, haveria uma tendência de queda de preços de 1% ao ano. Porém -- e é aqui que vem a melhor parte --, uma queda de preços de 1% em conjunto com um aumento da renda nominal de 2% teria o efeito de fazer não apenas com que o padrão de vida das pessoas aumentasse seguidamente, como também faria os mesmo com que as receitas e os lucros das empresas -- tanto pela maior demanda (preços em queda e renda em alta) quanto pelo maior volume de vendas.

    Ocorreria a chamada "deflação saudável", que foi justamente aquela que ocorreu nos EUA de 1870 a 1913, quando os preços caiam e a economia crescia. Queda de preços com aumento da renda é uma combinação econômica imbatível.

    Túlio, a opção pelo INSS é fácil: sempre que se cria dinheiro, ocorre uma redistribuição de renda. Os primeiros a receber esse dinheiro recém-criado são os beneficiados, pois seu poder de compra aumentou sem que ainda tenha havido um aumento nos preços. No atual arranjo, os beneficiados são o sistema bancário, o governo, seus funcionários, e todos os empresários que possuem conexões com o governo.

    A opção pelos usuários do INSS é justificada pelo fato de serem pessoas que foram ludibriadas pelo governo, tiveram sua renda confiscada de maneira compulsória durante toda a sua vida sob a promessa de que teriam uma aposentadoria boa, e hoje estão recebendo apenas o salário mínimo. Seria, portanto, uma forma não de beneficiar, mas sim de não prejudicar quem já foi prejudicado a vida inteira. Ademais, faça as contas aí. Hoje o M1 está em 265 bilhões e temos 22 milhões de aposentados pelo INSS. 2% de 265 bilhões são 5,3 bilhões. Logo, 241 reais a mais para todos no primeiro ano. Se alguém tiver outro plano, aceito perfeitamente.


    Roberto: não teria como quebrar pois o dinheiro na conta-corrente está 100% lastrado por dinheiro no cofre. E sim, os empréstimos seriam CDB, poupança etc. Em minha opinião, tal arranjo iria aumentar a oferta de crédito, pois as pessoas tenderiam a aplicar o máximo, deixando em conta-corrente apenas aquilo que julgassem necessário para o dia a dia. Sugiro este artigo sobre o assunto.

    Abraços!
  • ANDRE LUIS  02/03/2012 18:37
    Olá Leandro

    Segundo um conhecido que vive de comprar e vender ouro, as atuais legislações ambientais estão simplesmente inviabilizando a exploração de ouro pelo mundo inteiro. Quem comprava 100k/mês agora só consegue comprar 30 ou 40. Pode vir por ai uma enorme alta nos preços por conta disso, então talvez seja a hora de investir. Vc teria algum indicativo econômico recente que possa tornar verossímil esta informação?

  • Roberto  05/03/2012 12:56
    É verdade, além disso muitos especialistas acham que a produção de ouro mundial vai diminuir daqui pra frente, e a extração vai ficar mais dificil e custosa. Tem que considerar tb que o ouro tem um uso industrial e no setor de joias, que absorvem parte da demanda.
  • Julio  03/03/2012 02:47
    Logo, é possível que haja uma recessão talvez já no atual trimestre ou no próximo.

    Entretanto, e isso deve ser muito enfatizado, tudo vai depender de como o Banco Central vai continuar se comportando. Caso ele, já no próximo mês, reverta a atual postura, nitidamente contracionista


    Porque vc fala em postura contracionista do Banco Central se ele está reduzindo a selic desde agosto do ano passado?
  • Leandro  03/03/2012 04:30
    Julio, se você analisar a evolução das reservas bancárias, variável totalmente sob o controle do Banco Central (clique aqui e veja a coluna da extrema direita), verá que desde agosto elas apresentam taxa de crescimento anual negativa. Isto é, estão encolhendo -- e sem que tenha havido nenhuma alteração no compulsório.

    E é sobre o volume de reservas bancárias que os bancos criam empréstimos via reservas fracionárias. Se um encolhimento de 7% das reservas bancárias não representa uma postura contracionista, então novos adjetivos precisam ser criados.

    Quanto à SELIC estar caindo junto com a queda destas reservas, ora, o estranho seria se ocorresse o oposto. Vários economistas acham que juros é o preço do dinheiro, e que, sendo assim, quanto maior a oferta de dinheiro, menor serão os juros. Mas isto é errado. Embora seja verdade que, no curto prazo, um aumento na quantidade de dinheiro gere uma redução de juros, o fato é que, no longo prazo, quanto maior for a taxa de aumento da quantidade de dinheiro, maiores serão os juros. E vice-versa.

    Pense nos juros como a diferença entre a quantidade de dinheiro que você pega emprestado e a quantidade de dinheiro com o qual você paga o empréstimo. Quanto menor estiver sendo a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro, menores terão de ser os juros. Afinal, em uma economia com quantidade de dinheiro fixa, seria irrealista você exigir, por exemplo, juros de 50% ao ano. Sem que tenha havido crescimento na quantidade de dinheiro, o devedor simplesmente não terá como pagar essa quantia. Por outro lado, se a quantidade de dinheiro crescer, por exemplo, 200% em um ano, pagar uma taxa de juros de 50% acaba sendo moleza.

    E o mesmo é válido para a base monetária e a SELIC. Quanto menor for o crescimento das reservas bancárias (que é um componente da base monetária), menor será, no longo praza, a taxa de juros para empréstimos interbancários, taxa essa que é justamente a SELIC. Um ótimo exemplo prático disso é o Japão, que tem crescimento nulo da base monetária desde 2003, e sua "taxa SELIC" é de zero.

    Outro exemplo eram os juros nominais astronômicos da década de 1980 e primeira metade da década 1990 no Brasil, quando a inflação anual frequentemente ultrapassava os 1.000%.

    Por isso, a persistir o atual cenário contracionista é certo que a SELIC continuará caindo.

    Ademais, outro fator que também pode afetar a SELIC é a questão da demanda. Os bancos podem estar receosos de fazer novos empréstimos. Sendo assim, aumenta o volume de dinheiro disponível para os empréstimos interbancários. Aí os juros do interbancário (SELIC) caem sem que tenha havido expansão dos meios fiduciários. Logo, este é outro cenário em que os juros também podem cair sem que haja necessariamente criação de dinheiro.

    Abraços!
  • Julio  03/03/2012 06:51
    Vc acha que a selic pode ficar abaixo de 9%?
  • Leandro  03/03/2012 07:58
    Ainda não. Não há essa previsão. Com o volume de dívida que tem de ser refinanciada anualmente, a SELIC só poderia ficar abaixo de 9% se praticamente todos os outros países do mundo não oferecessem nenhum investimento mais rentável.

    Em 2009, com a crise global, a SELIC caiu para 8,75%, mas a consequência é que foi extremamente difícil refinanciar a dívida. Logo, 2009 foi ano em que mais se gastou com amortizações: R$252 bilhões, recorde.

    Não acho que o governo vá querer isso de novo. Ainda mais em uma democracia, na qual o longo prazo não importa.
  • Julio  03/03/2012 09:07
    E de onde o governo tirou esses R$ 252 bilhões para fazer amortizações?
  • Julio  03/03/2012 09:14
    Mas supondo que a selic chegue a 9% e a economia continue fraca. O BC vai reduzir mais a selic, não? Apenas fazendo um exercicio de suposição, o que aconteceria com a rolagem da dívida pública se o BC tivesse que baixar a selic até 5% para a economia se reaquecer?
  • Leandro  03/03/2012 09:21
    O dinheiro ele tirou de impostos, é claro. A receita total de 2009 (Tesouro, Previdência e Banco Central) foi de R$ 739,3 bilhões.

    Sobre a SELIC, não acredito que consiga. Mesmo se conseguisse, ele dificilmente conseguiria rolar as dívidas como vem fazendo hoje. Portanto, ele teria de amortizar um volume bem maior do que vem amortizando atualmente. Isso significa que uma fatia considerável do orçamento seria despendida apenas com o pagamento de dívidas. Em uma democracia, impossível.
  • Julio  03/03/2012 10:05
    Estou estranhando essa informação de 252 bi retirados do orçamento, pq eu sempre leio que a união não consegue nem sequer economizar o suficiente para pagar toda a conta de juros da dívida e banca o que falta aumentando a dívida pública, e o que vence ela rola.
  • Leandro  03/03/2012 11:16
    Julio, não entendi seu estranhamento. Uma coisa não exclui a outra. Esses R$252 bilhões foram apenas de amortizações (dívida quitada). Juros e encargos consumiram mais R$124 bilhões do orçamento. E, como dito, teve o refinanciamento de mais R$ 265,6 bilhões.

    Ou seja, gastos efetivos foram R$376 bilhões e dívida rolada foi R$265,6 bilhões. Veja que tudo relacionado à dívida já consumiria praticamente o orçamento inteiro do ano (excluído previdência).

    Se você excluir os gastos com dívida, o governo tem superávit primário. Se você incluir os gastos com dívida, o governo tem déficit nominal. No final do ano, apesar de tudo, a dívida aumentou.
  • Julio  03/03/2012 11:27
    Na prática a união não retirou dinheiro do orçamento para quitar a dívida, mas a aumentou na proporção de seu deficit nominal, correto?
  • Julio  03/03/2012 11:51
    Qual a diferença entre dívida rolada e dívida amortizada?
  • Leandro  03/03/2012 12:00
    Dívida amortizada é dívida quitada; dívida rolada é dívida refinanciada. Sugiro a leitura deste artigo, que explica isso de maneira clara.
  • Julio  03/03/2012 12:08
    Aqui diz que a dívida pública federal aumentou R$ 100 bilhões em 2009. Então como a união passou aperto em 2009 com a selic muito baixa se conseguiu subir a dívida pública em tantos bilhões?

    www.brasildiario.com/noticias/politica-e-economia/divida+publica+sobe+715+em+2009+e+totaliza+r+149+trilhao/0001,0000035,index.html
  • Leandro  03/03/2012 12:20
    Ué, mas essa notícia comprova exatamente o que eu falei. Estou tendo uma dificuldade enorme em entender a sua dúvida, prezado Julio. Pelo que me parece, você está confundindo conceitos básicos como amortização e refinanciamento (leia o texto que sugeri lá em cima).

    Sim, é claro que a dívida aumentou em 2009. Ela aumenta continuamente desde 1994 (a dívida bruta, que é o que realmente conta e que é o que todos os países do mundo usam; dívida líquida é invencionice do FMI para dar uma ajudinha a países de terceiro mundo endividados). E em 2009 ela tinha de aumentar, pois, como o governo teve dificuldade de refinanciar sua dívida (operação essa que deixa a dívida inalterada), ele teve de amortizar uma quantidade excepcional de dívidas que estavam vencendo. Como não tinha dinheiro para essa excepcionalidade, ele teve de lançar mais dívida para pagar as dívidas vincendas, bem como os juros da dívida total. No final, a dívida se elevou, é claro.

    Por favor, tenha a bondade de esclarecer seus conceitos antes (leia o texto que indiquei), senão isso aqui vai virar um diálogo de surdos.
  • Julio  03/03/2012 12:40
    Mas quando o governo refinancia a dívida pública, ele não emite novos títulos e com o dinheiro quita os que venceram? Por exemplo, emite 100 bi e quita 100 bi. Ou ele troca os títulos vencidos por novos sem precisar vender novos títulos?
  • Leandro  03/03/2012 12:48
    Ambos os métodos. Vai depender do credor. Em ambos os casos a dívida não se altera, embora o volume da dívida amortizada sim (há amortização no primeiro caso, pois houve uma troca de credores).

    Em 2009, por exemplo, o governo teve de emitir títulos tanto para amortizar, quanto para rolar, quanto para apenas pagar juros. Aliás, ele faz isso todo ano. Por isso a dívida sobe.
  • Julio  03/03/2012 10:24
    Mas se a selic chegar a 9% e a economia continuar fraca, a pressão será enorme para que seja reduzida mais até onde a economia volte a ficar aquecida, a não ser que a inflação comece a incomodar com uma economia fraca, o que acho difícil.
  • Leandro  03/03/2012 11:20
    Não funciona assim. Juros não são definidos por canetada. É possível reduzir na marra até um certo ponto após o qual as forças de mercado não permitem. No Brasil, por exemplo, se você aumentar a taxa de impressão monetária, você pode conseguir juros baixos por um certo tempo, após o qual as taxas começarão a subir para compensar a inflação de preços que inevitavelmente surgirá. Vide década de 1980: economia em permanente estagnação, juros nominais nas alturas e juros reais negativos.

    Ademais, creio já estar mais do que comprovado (sempre foi explicado pela teoria, mas parece que economista só aceita ver na prática) que juros baixos não recuperam economia nenhuma. Europa e EUA que o digam.
  • Julio  03/03/2012 13:35
    No artigo que vc me passou, me chamou a atenção o fato de que há vários países com NFSP maiores que o Brasil e juro menor.
  • Leandro  03/03/2012 16:00
    Correto, e todos eles, sem exceção, estão com dificuldades para refinanciar suas dívidas -- como, aliás, foi explicado naquele mesmo artigo, imediatamente após a tabela.
  • Julio  05/03/2012 06:00
    Mas o gov não pode reduzir a selic para menos de 9%, 5% ou menos, desde que a inflação não dispare, clro, mudando mais o perfil da dívida pública, reduzindo mais a parcela de títulos atrelados a selic?
  • Arabatzoglou  03/03/2012 12:28
    Leandro,
    Apesar de toda sua explicação através dos artigos e comentários, ainda fiquei com uma dúvida. O que determina os juros no longo prazo não é o nível de poupança?
    Pela explicação dos seus comentários e do artigo, compreendo que pode haver juros baixos sem expansão monetária e vice versa. Como voce citou, no curto prazo os juros podem subir, mas no longo prazo acredito que o nível de poupança é o parâmetro que vai determinar o valor dos juros. Portanto, entendo que os juros serão baixos no longo prazo se a quantidade de poupança permitir. Caso eu esteja errado, onde esta a falha neste raciocínio?

    Um abraço!
  • Leandro  03/03/2012 12:39
    A poupança determina os juros em um livre mercado, sem intervenções e manipulações de um banco central imprimindo dinheiro. Neste arranjo de livre mercado, os juros são determinados pela oferta de poupança e pela demanda por poupança para investimento (acrescidos de um adicional de risco). Em termos um pouquinho mais técnicos, é a preferência temporal dos poupadores que vai determinar os juros a serem cobrados dos tomadores de empréstimo.

    Porém, no arranjo atual, em que há um banco central manipulando de maneira imprevisível a oferta monetária, não faz nenhum sentido dizer que os juros serão definidos pela poupança. O simples acréscimo inesperado de dinheiro na economia já altera todas as expectativas e valorações futuras dos agentes de mercado. Se antes não havia poupança suficiente para empreendimentos imobiliários de longo prazo, a criação de dinheiro faz parecer haver. E é aí que tudo se desequilibra. Logo, não. No atual arranjo, não dá pra dizer que, no longo prazo, o que determina é a poupança. O real nível da poupança sempre estará sendo desvirtuado pelas intervenções do banco central.

    Este artigo explica este raciocínio de forma detalhada.

    Abraços!
  • Arabatzoglou  04/03/2012 14:03
    Leandro, meu ponto de dúvida é justamente este que voce citou. Voce afirma que num mercado controlado não é o nível de poupança que determina os juros. Correto, até aqui entendo perfeitamente, sendo que o BC no atual arranjo imprime dinheiro do nada criando uma falsa "poupança". Mas a questão é que mesmo num ambiente controlado, é o nível de poupança que determina os juros, desde que o BC não crie dinheiro do nada.
    Veja, se o BC não expandir a base monetária ou mesmo contraí-la, os juros de curto prazo aumentam, até aí tudo bem. Na medida que estes juros aumentam, devido a um maior risco de crédito, os bancos aumentam suas reservas, diminuindo os meios fiduciários a fim de se protegerem. Este aumento das reservas, através da diminuição da alavancagem, vai criar uma poupança genuína, forçando os juros para baixo até alcançar um ponto de equilibrio. Este ponto de equilibrio só vai mudar, se o sistema como um todo mudar o seu nível de reservas (poupança). Claro, estou assumindo aqui, que o BC não vai expandir a base monetária.
    É assim que eu vejo o caso do Japão (inclusive citado como sugestão de artigo). Me parece que foi o nível de poupança por parte privada que permitiu um juro monetário tão baixo. E foi justamente a não expansão monetária do BC de lá que permitiu um aumento no nível de poupança genuíno, imprenscindível para abaixar os juros no longo prazo.
    Espero não tomar muito do seu tempo para ler e reponder este comentário. No entanto, ficarei agradecido se puder fazê-lo. Certamente, vai enriquecer bastante o meu aprendizado.
  • Leandro  04/03/2012 14:42

    Prezado Arabatzoglou, a sua descrição foi perfeita. Mas atente para um detalhe: neste cenário que você descreveu não está havendo nem manipulações na oferta monetária e nem manipulações nas taxas de juros. Logo, por definição, foi exatamente a este cenário que me referi ao dizer "livre mercado sem intervenções e manipulações de um banco central imprimindo dinheiro." Este seu cenário é igual ao meu; não há mercado monetário controlado e centralizado. (Coisas como regulamentações, tributação etc. não alteram o fato de que seria a poupança a determinante dos juros).

    Neste seu cenário, a preferência temporal das pessoas será uma das determinantes da taxa de juros. Só que a preferência temporal determina apenas o quanto as pessoas irão poupar, mas não determina inteiramente a taxa de juros de mercado. Além da preferência temporal, coisas como risco, produtividade marginal, demanda por dinheiro, demanda por empréstimos etc., todas elas têm um papel determinante na formação dos juros de mercado.

    Entendido isto, se, neste seu cenário, começar a haver um aumento da quantidade de dinheiro, se começar a haver seguidas injeções de dinheiro no mercado, o que ocorrerá no curto prazo será uma redução da taxa de juros, pois esse dinheiro recém-criado passará a impressão de que há mais poupança disponível para empréstimo. Com o tempo, à medida que estas seguidas injeções de vão sendo emprestadas e se espalhando pela economia, as seguintes coisas ocorrerão:

    1) A renda nominal das pessoas aumentará;

    2) A receita nominal das empresas aumentará;

    3) Os preços começarão a subir;

    4) Os salários começarão a subir;

    5) Os juros subirão e terminarão em um nível maior do que aquele em que estavam antes do início da expansão monetária;

    6) Novas injeções monetárias serão feitas para tentar conter essa subida dos juros, objetivo este que será atingido no curto prazo;

    7) Isso fará com que os itens de 1 a 5 se repitam, o que obrigará uma nova dose do item 6.

    8) Esse ciclo durará até o momento em que o item 6 não mais for implementado. Aí termina o ciclo de expansão artificial da economia e dá-se início ao processo de correção does excessos (recessão).

    Para mais detalhes sobre este processo, recomendo a primeira metade deste artigo.

    Abraços!
  • Carlos  03/03/2012 03:15
    Segundo o gráfico do artigo as famílias brasileiras comprometem 42,5% da renda com dívidas. Isso é pouco se comparado às famílias americanas, cujo mesmo indicador chega a mais de 120% da renda. E aqui também o crédito não chega nem a 50% do PIB.
  • Leandro  03/03/2012 04:29
    Carlos, você pegou dois indicadores totalmente distintos e fez uma comparação sem sentido. Pra começar, o gráfico não é sobre o quanto as famílias comprometem de sua renda com a dívida. O gráfico é sobre a dívida total de uma família em relação à sua renda.

    Isso que você falou seria o "Comprometimento de renda das famílias com o serviço das dívidas". E, neste caso, tenho péssimas notícias.

    No Brasil, atualmente, este valor chega a 22,3% da renda. Isto é, uma família, em média, compromete 22,3% da sua renda com juros e amortização de sua dívida.

    E nos EUA? Esse mesmo valor é de 11% (veja aqui)

    Ou seja, uma família brasileira média gasta o dobro da americana com o serviço de sua dívida.

    Abraços!
  • João  03/03/2012 04:52
    Leandro, sou leigo em economia, então não sei se estou falando besteira.
    Será que a estratégia do governo não seria parar de expandir a oferta monetária para poder baixar os juros, e com isso evitar (ou pelo menos diminuir) o carry-trade (que acaba apreciando o real), além de ter um gasto menor com a dívida pública?
    Isso no médio prazo não levaria os juros pra baixo e o dólar pra cima?
  • Leandro  03/03/2012 05:28
    Caro João, se a intenção é esta, eu não sei; mas sei que o efeito seria o contrário no que tange ao câmbio: a interrupção da expansão monetária geraria a apreciação do real. O que determina a taxa de câmbio no longo prazo é o poder de compra de uma moeda, e não saldos no balanço de pagamentos.

    Quanto a gastar menos com a dívida, isso é o desejo de todos. Ano passado, o gasto total com juros, encargos e amortizações foi de R$228,67 bilhões, ao passo que R$479,3 bilhões foram refinanciados. (Para entender melhor estes conceitos, veja aqui)

    Abraços!
  • Joao  03/03/2012 10:55
    Então essa idéia, falada de forma recorrente por economistas da mídia tradicional, de que um dos motivos para o dólar estar no patamar atual é devido o diferencial de juros não faz o menor sentido?
  • Leandro  03/03/2012 11:20
    Não. O que interessa, no longo prazo, é o poder de compra de cada moeda. Agora, é claro que um influxo maciço ou uma fuga volumosa de dólares irão afetar o câmbio no curto prazo. É claro. Afinal, estará havendo um volume enorme de conversão de uma moeda para outra. E isso, obviamente, afeta o câmbio no curto prazo. Mas, no longo prazo, o que interessa é o poder de compra.
  • Arion Dias  03/03/2012 11:33
    Leandro,

    Fiquei pasmo de ver tua paciência explicando tudo parabéns pela paciência e pelo excelente artigo. Muitas das dúvidas que eu tinha sobre o artigo acabaram de serem respondidas. Ficaram somente umas que eu gostaria de compreender melhor:

    Existe possibilidade de estouro da nossa bolha imobiliária como ocorreu na europa, fazendo o preço dos imóveis cair acentuadamente?

    Ligando o modo paranóia, como tu enxerga a possibilidade de conluio dos bancos com o governo para promover artificialmente esta valorização do real (via taxa de juros "atrativas") e depois simplesmente imprimir reais no estilo QE, inflacionando nossa moeda e "roubando" de todos que emprestaram dinheiro para o governo em real?

    Faço essa pergunta porque o governo se orgulha muito de quitar a dívida internacional (mesmo que tenha aumentado a dívida no total) fazendo um discurso nacionalista.

    Como curiosidade, tu acredita no Bitcoin? Haverá tentativas governamentais de tentar controla-la?
    Vai haver algum evento do Mises Brasil no fórum da liberdade?

    PS Lord Keynes deve ser mais um militante pago e descerebrado para vigiar a net.

    Obrigado.
  • Leandro  03/03/2012 12:02
    Obrigado, Arion. Tem que ter amor... mas confesso que chega a um ponto que cansa. Mais de três leitores fazendo exatamente a mesma pergunta que já foi respondida lá em cima.

    Quanto à sua pergunta, possibilidade há. Mas como a nossa ainda é relativamente nova, os estragos tendem a ser bem menores.

    Sobre a questão da paranóia, vou me abster, porque aí já entramos no campo da especulação e saímos da economia. E especular as reais intenções do comportamento alheio não é bem a minha vocação. (Se fosse, eu teria escrito no artigo da estatização de Guarulhos que tudo aquilo ali foi um mero estratagema para driblar a lei de licitações...)

    Quanto ao Bitcoin, torço para que dê certo -- o que, obviamente, o colocaria sob ataque governamental. Mas não tenho muita esperança de um uso difundido. O e-gold, que era realmente lastreado em ouro, foi destruído pelo governo americano (o "guardião da liberdade", segundo alguns pretensos liberais); se o Bitcoin fizer o mesmo sucesso, a mesma coisa ocorrerá, principalmente por sua possibilidade de anonimato.

    Abraços!
  • anônimo  03/03/2012 12:03
    Que eu sei, a indaimplência aumentou por causa dos gastos do fim de ano com natal, aí chega Março e as pessoas ainda estão devendo. Acontece todos os anos e é normal.
  • Leandro  03/03/2012 12:21
    A inadimplência, em seu maior nível em 25 meses, é apenas um sintoma de uma doença bem mais grave, que é aquela ilustrada pelo último gráfico.
  • Cristiano  03/03/2012 17:52
    Leandro,
    Desculpa mudar de assunto mas eu preciso compartilhar com um representante do Instituto Mises Brasil o post do blog Moral Hazard que acabei de ler.
    O post se refere a uma crítica muito infeliz do economista José Luis Oreiro (um keynesiano convicto) sobre os fundamentos teóricos da Escola Austríaca!
    Segue abaixo o link:
    hazardm.blogspot.com/2012/03/honestidade-intelectual-e-tudo.html
    Esse Oreiro é ridículo! Não faz a mínima idéia do que é a Escola Austríaca.
    O blog Moral Hazard é de um economista neoclásico mas pelo menos esse neoclássico respeita a Escola Austríaca.
    Seria interessante se o Instituto Mises Brasil respondesse ao professor Oreiro e explicasse para ele porque os remédios keynesianos não estão resolvendo a atual crise!
    Abraço!
  • Leandro  03/03/2012 18:07
    Prezado Cristiano, obrigado pela informação. Eu já havia sido alertado e fui lá dar uma conferida. O melhor foi ver alguém postando dados numéricos macroeconômicos sobre a recessão de 1920-1921 nos EUA (os quais ele deveria conhecer), e o elemento responder dizendo que, se tais dados não constam em jornais acadêmicos brasileiros, então eles não valem nada...

    A arrogância dessa gente universitária, que mal sabe escrever, chega a ser superior à de alguns políticos.

    No mais, deixei lá um comentário ao tal Daniel que mencionou meu nome, mas meu comentário não foi publicado pelo excelentíssimo professor (e olha que fui educadíssimo e me dirigi exclusivamente a outro leitor). Logo, perda de tempo lidar com essa gente.

    Quanto a falar sobre a ineficácia dos remédios keynesianos, bom, creio serem estes os mais fartos artigos que temos neste site. Mas certamente nada que irá interessar ao Oreiro. Afinal, como explicado aqui, a evidência raramente consegue mudar a mentalidade de um indivíduo contaminado pela ideologia. Na melhor das hipóteses, a evidência serve apenas para validar a sua crença. Se o sujeito investiu toda a sua vida e toda a sua carreira acadêmica ou profissional defendendo teorias keynesianas, ou se a sua fé no estado é aquilo que dá sentido à sua vida, divorciar-se da economia keynesiana seria um choque e tanto. Dependendo da idade do sujeito, o estrago pode ser irreparável.

    Grande abraço!
  • garfield  03/03/2012 19:02
    Leandro,
    o que você acha que acontecerá com a economia chinesa nos próximos 3 anos? É possível um hard landing?
    E as consequências para o Brasil?
  • Leandro  03/03/2012 19:38
    Prezado Garfield, nenhum palpite. Não tenho nenhuma informação concreta, imparcial e especial a respeito daquele país. Mas sugiro a você ler nossos artigos sobre a China. Várias informações boas ali.

    Se a China vivenciar dificuldades, é claro que isso será péssimo para o Brasil, principalmente para o setor exportador de commodities. Mas, também, todo o mundo estará pior com a China em dificuldades. E não precisa nem ser hard landing. Um soft landing, com flaps abertos no máximo, já quebra o trem de pouso.

    Abraços!
  • PESCADOR  03/03/2012 20:25
    Isso aí que o Leandro escreveu não foi um simples artigo. Foi uma aula de economia! Parabéns, Leandro.
  • Rhyan  04/03/2012 00:19
    Lembrei que não houve uma resposta do Murphy sobre se o padrão-ouro está imune de ciclos econômicos.

    Alguma luz sobre esse tema, Leandro?
  • Leandro  04/03/2012 04:13
    Ué, como não? Tá aqui:

    Pode o ouro provocar ciclos econômicos?

    Abraço!
  • Rhyan  04/03/2012 07:13
    Sim, Leandro, mas ele não dá uma resposta definitiva.
  • Leandro  04/03/2012 11:04
    É perfeitamente possível haver ciclos econômicos sob um padrão-ouro. Para isso, basta que:

    1) os bancos pratiquem reservas fracionárias. Os bancos emprestam dinheiro que não existe (criando os meios fiduciários), há a expansão dos investimentos e da renda, uma subida de preços, uma subsequente contração na concessão de empréstimos (contração dos meios fiduciários)para conter a subida de preços e a recessão; ou

    2) haja o fenômeno da maturação descompassada. Neste caso, mesmo que o sistema bancário opere com 100% de reservas e não haja banco central, haverá ciclos. Basta que o tempo de maturação dos empréstimos seja descasado. Por exemplo, você empresta seu dinheiro ao banco por 1 ano, e o banco o empresta a um empreendedor que precisa de 3 anos para completar o investimento. Se o empreendedor não conseguir rolar a dívida, terá problemas. Se isso ocorrer generalizadamente na economia, poderá haver um ciclo econômico.
  • Rhyan  04/03/2012 12:08
    Não tem como tornar o padrão-ouro 100% infalível?
  • Leandro  04/03/2012 12:53
    Ter, tem. É só evitar que haja a maturação descompassada. Como? Isso ficará a critério de cada banco. Os mais conservadores, os mais temerosos de quebras, aprenderão de acordo com as condições de mercado a saber como equalizar seus períodos de concessão de empréstimos com os períodos de tomada de empréstimos, bem como os juros de cada um. Certamente não é algo que possa ser planejado centralmente.
  • Paulo  04/03/2012 12:13
    Philipp Bagus trata da questão maturity mismatching em um sistema bancário com 100% de reservas.

    libertarianpapers.org/articles/2010/lp-2-2.pdf

    Pelo que eu entendí, os ciclos econômicos em um sistema bancário com 100% de reservas não tem nada a ver com isso que você explicou. Só "maturity mismatching" excessivo for induzido pelo governo e pelos Bancos Centrais:
    "Even with 100 percent reserve banking and a constant money supply there can be economic cycles, when banks engage in excessive maturity mismatching induced by the existence of government guarantees or a central bank that can step in at times of roll-over problems.
    A central bank or a government can induce moral hazard in maturity mismatching. Banks borrow short-term and lend long-term, arbitraging the yield curve. For instance, they attract funds saved for one year and lend them for 10 years. Therefore, banks decrease long-term interest rates, even though there is no increase in savings. There is the illusion that via maturity mismatching, reduction of long-term interest rates and central bank bail outs, investments can sustainably be increased. Entrepreneurs consequently engage in longer investment projects than are possible with the available savings. Banks do engage in this behavior, because there is a central bank or the government ready to bail them out, when they suffer losses or have roll-over problems." (página 14 e 15)


    E depois no conclusão, ele diz:

    "Maybe the most important conclusion of our analysis is that not only fractional reserve banking can lead to an Austrian business cycle. Even with 100 percent reserve requirements for demand deposits and a constant money supply, excessive maturity mismatching induced by government guarantees and central bank lending of last resort can lead to unsustainable booms. Future research should be directed on the question how excessive maturity mismatching and the business cycle could be effectively prevented. Our conclusion indicates that a 100 percent reserve requirement in a free monetary system would prevent excessive maturity mismatching. In light of these considerations, excessive maturity mismatching helps to explain the extent and length of historical boom and bust cycles like the current crisis."
  • Leandro  04/03/2012 12:52
    E foi exatamente com esta monografia que tomei conhecimento deste problema, Paulo. E ele relata em 16 páginas exatamente o que eu expliquei resumidamente em seis linhas
  • questionador  08/05/2012 11:49
    Mas se com a abolição das alegadas causas das crises (banco central, moeda sem lastro e reservas fracionárias), os ciclos economicos podem ocorrer, não estariam as causas das ciclos em outros fatores?
  • Leandro  08/05/2012 12:11
    Não. A única maneira de haver ciclos econômicos neste cenário seria, como dito, se houvesse o fenômeno da maturação descompassada. No entanto, não apenas tal fenômeno não teria por que ser recorrente, como também a quantidade de desequilíbrios gerados seria extremamente menor. É incomparável o volume de desarranjos gerados por uma acentuada expansão monetária em relação a uma mera maturação descompassada. Acima de tudo, esta última nem seria inflacionária, o que não teria como gerar bolhas. Especuladores e financistas seriam os principais perdedores deste novo arranjo. Não haveria setores privilegiados a expensas de outros. E, principalmente, não haveria por que tal padrão se repetir ciclicamente -- seria muito arriscado para os bancos.
  • Thyago  05/03/2012 15:14
    Interesssante o comportamento do M0 e M1...

    O BACEN está reduzindo a SELIC, contudo, os indicadores tem crescido pouco... Um tanto quanto estranho. Outra sugestão de texto.

    Abc,

    Thyago.
  • Leandro  05/03/2012 15:29
    Nada estranho, Thyago. Ao contrário. É justamente o que explica a teoria. Se os juros estivessem aumentando após mais de um ano com oferta monetária estabilizada, aí sim seria estranho.

    Tenha a bondade de ver minhas respostas aos leitores Tulio e Allan.

    E já há também um texto sobre isso. Aqui.

    Abraços!
  • Jose Roberto Baschiera Junior  05/03/2012 18:25
    Hoje saiu na TV que a inflação(usando a definição mainstream) em janeiro foi de 0,66%. Em fevereiro deflação de 0,07%... como?
  • Leandro  05/03/2012 18:56
    Notícia bem em linha com a evolução da oferta monetária. A alta de janeiro se deveu majoritariamente ao fenômeno da volta às aulas e a alguns reajustes que sempre ocorrem nesta época do ano. Já a deflação de fevereiro tende a ser apenas uma ligeira da alta de janeiro. Apenas para deixar claro, não é muito comum deflação em preços de bens de consumo final. Se os preços destes itens caem, então é porque eles realmente estavam bem acima da demanda permitida pela oferta monetária.

    Outra notícia que merece destaque é a deflação que o Índice de Preços ao Produtor vem apresentando. O IPP mede a evolução dos preços de produtos "na porta de fábrica", sem impostos e fretes, de 23 setores da indústria de transformação. O acumulado em 12 meses é de apenas 1,72%.
  • anônimo  06/03/2012 03:57
    Leandro, isso é bom ou indica alguma "maquiagem"?
  • Leandro  06/03/2012 04:04
    É bom e não acho que seja maquiagem. Já passou da hora de todos os desequilíbrios gerados na economia pela expansão artificial do crédito serem corrigidos. Aparentemente, o processo está começando.
  • Pipe  06/03/2012 04:10
    Será que o governo vai permitir que essa correção continue quando ela passar a ter resultados desagradáveis? Sei não, uma hora o governo acabará injetando mais dinheiro e dizendo que precisa "investir" para o país continuar crescendo. Vide o discurso bizarro da Dilma a favor de "mais investimentos" para salvar a Europa da crise.
  • Jose Roberto Baschiera Junior  06/03/2012 04:12
    Sendo assim o Copom têm tudo para abaixar bem a SELIC esse ano, e recomeçar o processo, correto?
  • Leandro  06/03/2012 04:37
    A SELIC será reduzida já agora, e muito (entre 0,5 e 0,75%), mas isto não necessariamente implicará aumento da oferta monetária, como já explicado umas 15 vezes aqui na seção de comentários. (Dê um CTRL F e escreva SELIC).

    Grande abraço!
  • S.Ritter  05/03/2012 20:54
    Parabéns Leandro pela paciência em responder a todos.
    Aprendi muito lendo o artigo e também os comentários.
  • Jose Roberto Baschiera Junior  06/03/2012 07:31
    Leandro, se a base monetária não tem sido aumentada, não consigo ver de onde veio um aumento de preços de 6,5% ano passado. Se você já respondeu isso, me desculpe, li quase tudo que você escreveu mas não encontrei.
  • Leandro  06/03/2012 07:44
    Caro José, na verdade eu estava me referindo à relação entre SELIC e variação da base monetária. Não entendi que você estava se referindo à variação de preços.

    Quanto à inflação de preços, em primeiro lugar vale ressaltar que a base monetária, também como explicado no artigo, não é o melhor indicador para correlacionar com variação de preços. Uma das variáveis da base monetária mensura a quantidade de dinheiro parado no cofre dos bancos. E trata-se de uma variável significativa. Portanto, o M1 seria mais de acordo.

    E o M1, como o próprio gráfico mostra, cresceu, durante o primeiro semestre, entre 7 e 15%. Ora, isso é um crescimento nada desprezível. Não se deve confundir desaceleração do crescimento com contração. Uma desaceleração ainda representa um aumento na quantidade de dinheiro. E vale também lembrar que o efeito de uma redução na taxa de crescimento não é imediato. Há sempre uma defasagem, que costuma ser de 6 meses a 1 ano, dependendo da economia.

    Logo, olhando o comportamento do M1 em 2010 e durante todo o primeiro semestre de 2011, não é absolutamente nada estranho a inflação de preços de 6,5% para 2011. Este valor de inflação, por outro lado, seria estranho se ele se repetir ao final de 2012, após todo o ano com M1 constante.

    Abraços!
  • Jose Roberto Baschiera Junior  06/03/2012 11:28
    Então é possível afirmar que, mesmo reduzindo juros agora e considerando que o Bacen siga esse mesmo padrão, 2012 será um ano de baixa inflação?
  • Pipe  06/03/2012 07:41
    Dilma culpa crise europeia por baixo crescimento econômico e cobra solução de Merkel

    Como sempre, a Dilma, muito inteligente e perspicaz, acha que os problemas podem ser resolvidos com "mais investimentos".

    Dilma afirmou que "o governo brasileiro terá uma posição proativa no sentido de ampliar cada vez mais a taxa de crescimento no Brasil de forma sustentável, respeitando o equilíbrio macroeconômico com finanças públicas e uma estrutura fiscal sólidas".

    É claro que as finanças públicas do Brasil estão uma maravilha, como todos estamos vendo. A estrutura fiscal está muito sólida: o governo está arrecadando cada vez mais. Resumindo: as contas públicas são maquiadas o tempo todo, e o governo conta com aumentos na arrecadação para continuar gastando. Muito bom!

    A premiê alemã é a principal defensora, dentro da União Europeia, das medidas de cortes de gastos e austeridade fiscal como mecanismos para a retomada da confiança dos mercados sobre a saúde das economias europeias e a saída da atual crise.

    O governo brasileiro, porém, já expressou preocupação com o efeito recessivo dessas políticas e defende investimentos para fomentar o crescimento.


    Realmente, cortar gastos quando não há mais de onde tirar dinheiro é algo terrível. Melhor mesmo é torrar dinheiro em "investimentos" e sair comemorando números de "superávit primário". Podemos ver que o Brasil está em boas mãos!

  • Leandro  07/03/2012 05:38
    E seguem os efeitos já esperados:

    Produção industrial cai 2,1% em janeiro -- em relação a janeiro de 2011, a produção da indústria caiu 3,4%

    Atenção para a tabela no link abaixo:

    www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2094&id_pagina=1

    A desculpa oficial é que é tudo culpa do câmbio. Balela. Além de o dólar ter se valorizado no segundo semestre de 2011, câmbio não gera contração de 16% no setor de bens de capital em apenas um mês.
  • Pipe  07/03/2012 07:13
    E se o governo decidir que isso é inaceitável e começar a injetar um monte de dinheiro e criar montanhas de programas de crédito para tentar impedir essa queda?
  • Leandro  07/03/2012 07:24
    De certa forma ele já decidiu que isso é inaceitável, e optou pelo protecionismo, pela manipulação do câmbio e por várias outras medidas totalitárias capitaneadas por este inacreditável Guido Mantega:

    economia.estadao.com.br/noticias/economa%20brasl,governo-fara-novas-medidas-de-estimulo-da-economia-se-necessario-diz-mantega,105050,0.htm

    Quanto a criar montanhas de crédito, isto só terá efeito se houver uma concomitante expansão da quantidade de dinheiro na economia. E esta última é atribuição exclusiva do Banco Central. Hoje, às 12:30h, sai a atualização semanal do BACEN sobre a evolução da oferta monetária. Aguardemos.
  • Flávio  08/03/2012 04:02
    Leandro,\r
    \r
    O BC reduziu a taxa básica de juros em 0,75% e o mercado já prevê uma redução de mais 0,75%. \r
    \r
    Segundo analistas, entre os fatores que levaram o Copom a aumentar a velocidade do corte está a apreciação do câmbio, o fraco desempenho do crédito interno e a forte retração da indústria nos últimos meses.\r
    \r
    Na sua opinião ele conseguirá obter êxito em seu objetivo?\r
    \r
    Se obtiver êxito ele não estaria comtribuinto para inflar ainda mais a bolha imobiliária?\r
    \r
    Na minha opinião já está se formando uma outra bolha: a do mercado de ações. Penso que muitas companhias listadas no Bovespa já estão muito acima do seu valor justo, principalmente se levarmos em conta as expectativas futuras de lucro. Você tem uma opinião a respeito deste assunto? Os juros mais baixos podem contribuir para inflar ainda mais a Bovespa?\r
    \r
    Eu poderia comparar o que está acontecendo agora com os fatos que antecederam à grande crise de 1929?\r
    \r
    \r
    Desde já lhe agradeço pela sua presteza e paciência.\r
    \r
    Flávio \r
    \r
  • Leandro  08/03/2012 04:53
    Flávio, concordo quanto ao Ibovespa. Não há nenhum fundamento econômico que sustente o atual nível. Como mostra este gráfico indicado pelo leitor Diego, o que realmente está sustentando o Ibovespa é o volume de dinheiro estrangeiro. Basta esse pessoal bater em retirada e tudo se esfacela (como em 2008, quando o índice caiu de 75 mil para 29 mil).

    Sobre a questão dos juros e do crédito, é mais complexo. O que o pessoal não entende é que a taxa de juros não é tudo; ela não será o determinante de novos investimentos neste momento. O que guiará a continuidade dos investimentos é a perspectiva de lucros futuros (como você perfeitamente citou no caso das empresas da Bovespa). Os juros bancário podem cair para 10%, mas se os empreendedores acharem que não haverá um substancial aumento da renda futura das pessoas -- que é o que permite que haja consumidores aptos a garantir retorno ao seu investimento --, eles não empreenderão. Caso contrário, estarão apenas se endividando.

    Vou dar um exemplo. Aqui perto de casa há dois prédios em construção. Um está sendo tocado por uma imobiliária famosa e muito rica; já o outro está a cargo de uma construtora qualquer. Neste último, as obras simplesmente pararam. Do nada, de repente, eles pararam. E já faz quase dois meses. Aí ficou aquele esqueleto ali, sem ninguém. Já a outra obra, a da construtora rica, acelerou fortemente o ritmo. O motivo destas duas posturas aparentemente tão díspares é a mesma: a expectativa de que não há espaço para novas valorizações dos imóveis no futuro. Logo, ou eles lançam os imóveis rapidamente, para ver se ao menos ainda conseguem vender com algum lucro antes que os preços caiam, ou eles simplesmente interrompem a obra, pois os custos da mão-de-obra e dos materiais (que seguem aumentando, decorrência de toda a inflação passada) já superam qualquer possível retorno.

    Logo, o que vai determinar o futuro da economia é o aumento da quantidade de dinheiro na economia. Se seguir no ritmo em que está, haverá muita quebradeira. Se o BACEN reverter sua postura, aí realmente ele pode voltar a inflar a bolha imobiliária. Tem de ficar de olho nestes indicadores.

    Abraços!
  • Jose Roberto Baschiera Junior  08/03/2012 05:30
    Leandro.

    Por esse gráfico do Diego é fácil notar a ligação entre o investimento externo e a Bovespa.

    Peguei dados do Bacen e notei que a Bovespa segue também o mesmo ritmo do M1.

    O que acontece? Quando esse dinheiro externo entra no Brasil é capaz de modificar o M1, é isso?

    Foi a única explicação que encontrei, o Bacen não vem ampliando demais a Base Monetária, o que impede grandes variações do M1. Ai os estrangeiros investem na Bovespa e para isso precisam trocar outras moedas por reais(onde conseguem esses reais?), o que modifica o nível do M1. Porém o M1 vem caindo mesmo assim, já que o Bacen não vem expandindo a economia como fazia, o que puxou(pelo menos até o fim de 2011) a Bovespa para baixo.

    Meu raciocínio está correto?
  • Leandro  08/03/2012 05:39
    Caro José, quando dólares entram no Brasil, o BACEN tem três opções.

    1) Ele pode imprimir reais e comprar estes dólares, aumentando o M1.

    2) Ele pode imprimir reais, comprar estes dólares e, em seguida, vender títulos que estejam em sua posse para enxugar estes reais recém-criados. Neste caso, não houve alteração do M1.

    3) Ele pode não fazer nada.

    O primeiro caso, como você constatou, não está ocorrendo. Também não parece ser o terceiro, pois a demanda de dólares por reais teria de gerar fortes oscilações diárias no câmbio. Logo, parece que estamos vivenciando o segundo caso. Sendo assim, os dólares entram, são transformados em reais e vão para a bolsa. Sobra ao BACEN a tarefa de retirar reais de outros setores da economia para compensar estes reais que ele recém-criou.
  • Jose Roberto Baschiera Junior  08/03/2012 06:08
    Obrigado Leandro

    Então como o Bacen vende títulos após comprar dólares, ele anula as variações do M1, o que mantém a mesma quantidade de reais na economia geral, porém há um aumento de dinheiro na Bovespa(retirado do resto da economia).

    Mas para mim a Bovespa deveria estar subindo, já que tem mais dinheiro lá.

    O que imagino é erro de análise meu, porque não estou olhando os valores do gráficos, mas sim os "desenhos", e eles mostram que Bovespa, investimento estrangeiro e M1 estão caminhando juntos, quando na realidade a Bovespa cai em um ritmo menor do que o M1, acompanhando melhor apenas o investimento estrangeiro. Seria isso? Minha preguiça em ver números me concluir que os três andam juntos quando na verdade só estão parecidos?
  • Alinson  09/03/2012 03:48
    O que o pessoal do Mises acha dessa análise da folha acerca da taxa básica de juros SELIC?

    www1.folha.uol.com.br/poder/1058620-veja-como-a-taxa-basica-de-juros-influencia-a-economia.shtml

    Introdução do artigo:

    "A taxa de juros é o instrumento utilizado pelo BC (Banco Central) para manter a inflação sob controle ou para estimular a economia. Se os juros caem muito, a população tem maior acesso ao crédito e consome mais. Este aumento da demanda pode pressionar os preços caso a indústria não esteja preparada para atender um consumo maior.

    Por outro lado, se os juros sobem, a autoridade monetária inibe consumo e investimento --que ficam mais custosos--, a economia desacelera e evita-se que os preços subam --ou seja, que ocorra inflação."
  • Leandro  09/03/2012 05:01
    Esta nada mais é do que a "explicação de manual" da macroeconomia. Os tecnocratas creem que o que determina a expansão da economia e o "nível de preços" é a taxa de juros, e não as alterações na quantidade de dinheiro na economia. O próprio BC trabalha com metas de juros e não com a variação na quantidade de dinheiro na economia. O BC simplesmente estabelece qual deve ser a SELIC, e aí, de acordo com esta meta estipulada, ele fica injetando e tirando dinheiro da economia, justamente para conseguir alcançar esta meta. Para o BC, a quantidade de dinheiro é apenas uma consequência da estipulação dos juros, de importância secundária. E depois o pessoal estranha a recorrência dos ciclos econômicos (e dos vôos de galinha da economia brasileira).

    Quem quiser comprovar as trapalhadas do BC, basta acessar seus relatórios trimestrais sobre as metas estipuladas para a variação dos agregados monetários. Por exemplo, em janeiro de 2011, eles estipularam (página 13) que a base monetária cresceria 10,5% e o M1, 11,3% até o final do ano. No final, a primeira cresceu 2% e a última, quase zero. Isso é que é ter comando.

    Abraços!
  • Alinson  09/03/2012 08:17
    Muito obrigado pela resposta.

    Posso concluir que um austríaco afirmaria que eles (membros do BC) simplesmente não sabem o que estão fazendo?
  • Fellipe  13/03/2012 09:24
    Leandro,

    Olha o absurdo que um economista mainstream está dizendo, que o problema brasileiro é o Real forte.

    blogs.estadao.com.br/radar-economico/2012/03/12/maior-desafio-do-brasil-e-desvalorizar-real-diz-criador-do-bric/

    Queria saber se os suíços acham ruim o franco forte...

    Abs,
  • Alexandre M. R. Filho  13/03/2012 10:47
    Leandro, o tema já foi repisado, mas será que vale um "preto e vermelho" pra essa notícia aqui?\r
    \r
    g1.globo.com/economia/noticia/2012/03/nao-podemos-fazer-papel-de-bobos-diz-mantega-sobre-cambio.html
  • Observadordepirata  15/03/2012 06:23
    off topic

    A AMBEV SE TORNOU A SEGUNDA MAIOR EMPRESA DO PAÍS POR VALOR EM BOLSA DE VALORES. A VALE CAI PARA A TERCEIRA POSIÇÃO.

    UM PAÍS QUE TEM COMO SUA SEGUNDA MAIOR EMPRESA, UMA CERVEJARIA, REALMENTE NÃO PODE SER LEVADO A SÉRIO.
    R.I.P. BRASIL.

    Nós estamos vivendo um processo de desindustrialização "como nunca antes nesse país".
  • Rhyan  19/03/2012 02:49
    Leandro, tudo certo? Eu tava lendo essa reportagam e fiquei com uma dúvida: www1.folha.uol.com.br/poder/1063415-juros-nao-sao-nosso-unico-problema-afirma-ex-diretor-do-bc.shtml

    Não entendi essa resposta:

    "O Brasil precisa financiar sua conta corrente, temos um déficit de 2% este ano e acho que ele pode subir até 3% e a gente tem um financiamento expressivo via investimento direto. Então a gente precisa de algum dinheiro."

    Pode me ajudar? Abraço!
  • Leandro  19/03/2012 02:53
    Rhyan, a conta corrente é uma contabilidade que registra o saldo da balança comercial (exportações menos importações) e da balança de serviços (fretes, seguros, turismo, recebimento de juros, remessas de lucros etc.).

    Ela registra, em resumo, a entrada e saída de divisas estrangeiras em decorrência do comércio de bens e serviços.

    Quando há um déficit na conta-corrente, isto significa que está saindo mais divisas estrangeiras do que entrando. Para financiar este déficit, o país precisa atrair divisas por meio da chamada "conta capital" (investimentos estrangeiros: seja em papeis de curto ou longo prazo, seja em obras de infraestrutura etc.).

    A soma entre conta corrente e a conta capital forma aquilo que se chama de balança de pagamentos. Contabilmente, a conta corrente tem de ser compensada pela conta capital. Logo, se há déficit na conta corrente, a conta capital tem de ser superavitária, o que significa que o país tem de atrair investimentos externos de qualquer tipo para tentar compensar este déficit na conta corrente.

    É isto que o economista se refere: à necessidade de atrair divisas por meio da conta capital (investimento estrangeiro).

    Este assunto foi abordado mais detalhadamente aqui.

    Grande abraço!
  • Rhyan  19/03/2012 13:46
    Ah, pensei que era sobre depósito à vista.

  • Felipe Rosa  19/03/2012 04:24
    Acabo de ler o artigo (que já estava na lista a tempos)e os mais de 140 comentários. Uma verdadeira aula de economia Leandro, parabéns pela paciência e pelo extasiante artigo. E ao muito produtivo e esclarecedor debate econômico que essa seção de comentários proporciona. Incluindo momentos de comédia promovido pelo leitor travestido de Keynes!!! Até o III Seminário de EA. Abraços!!
  • Leandro  19/03/2012 04:40
    Obrigado pelas palavras e, principalmente, pela paciência, prezado Felipe. Grande abraço e até a III Conferência!
  • Rene  19/03/2012 05:36
    A respeito da bolha imobiliária:\r
    \r
    www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=1234974&tit=Preco-do-imovel-usado-dispara-e-venda-trava\r
    \r
    Incrível como a teoria dos ciclos econônicos não falha.
  • Glelson Fontes  19/03/2012 07:42
    "Marcos Kahtalian, consultor do Sinduscon no Paraná, acredita que não há bolha, mas que um eventual desaquecimento da economia, com perda de renda e do ritmo do consumo das famílias, pode frear as vendas do mercado imobiliário. "Mas bolha ocorreria se os preços tivessem sido inflados artificialmente, desconectados da realidade, o que não ocorreu", afirma. Ele cita diferenças entre o modelo do mercado imobiliário no Brasil e nos Estados Unidos. "Lá o problema se deu com o 'empacotamento' da dívida, a criação de subprodutos do mercado, o que não existe aqui."\r
    \r
    Faz-me rir.\r
  • Rene  19/03/2012 09:09
    Chamo a atenção para a frase: "Mas bolha ocorreria se os preços tivessem sido inflados artificialmente, desconectados da realidade, o que não ocorreu". Realmente, 200.000 reais em um apartamento é um valor que qualquer curitibano médio é capaz de arcar. E se ele não quiser, pode alugar um apartamento por 1.400 reais por mês, sem problemas. Os preços estão completamente de acordo com a realidade.\r
  • Leandro  02/04/2012 10:28
    Atualização da recessão:

    As três notícias a seguir ilustram -- como se fossem exemplos de livro-texto -- as consequências da expansão monetária e do crédito. Como explicado no artigo, a expansão monetária gera uma expectativa de aumento contínuo da renda das pessoas e das receitas das empresas. Como consequência, as empresas expandem seus investimentos de maneira infundada, na expectativa de que o aumento esperado na renda futura das pessoas irá gerar demanda para tais investimentos.

    Porém, a inesperada interrupção da expansão monetária não permite que este aumento esperado da renda e das receitas se concretize. Ao mesmo tempo, os custos de produção (ainda defasados em decorrência de toda a inflação monetária anterior) seguem aumentando. Tem-se então um cenário de aumento de custos e de não-materialização da demanda esperada. As empresas repentinamente se descobrem com balancetes apertados. Demissões e cortes de custos são a única solução.


    Após euforia, ressaca na aviação

    Com prejuízos que, somados, superam R$ 1 bihão, Gol e TAM vão reduzir as frotas pela primeira vez em dez anos

    [...]

    Só as líderes TAM e Gol somaram um prejuízo líquido acima de R$ 1 bilhão em 2011. Agora, tentam encontrar uma saída para voltar a alcançar a lucratividade.

    As outras companhias brasileiras não têm capital aberto e não informam dados financeiros. Mas especialistas do setor acham muito difícil que alguma delas tenha lucrado em 2011. "A situação adversa é generalizada. Todo mundo perdeu dinheiro pesado no ano passado", disse o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), José Márcio Mollo.

    [...]

    Animadas pelo crescimento do mercado nos últimos anos, elas saíram às compras e encomendaram mais aeronaves. Gol e TAM juntas trouxeram 40 novos aviões para voar no Brasil em 2010 e 2011. E a Azul, que começou a operar em dezembro de 2008, já tem 52 aeronaves.

    [...]

    Os dados mais recentes do setor mostram que a demanda não acompanhou a expansão da oferta. Em janeiro deste ano, as companhias ofereceram 12,2% mais passagens que no mesmo mês de 2011, mas as vendas cresceram menos (7,8%) e as aeronaves voaram mais vazias, de acordo com informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

    Para tentar encher os aviões, as empresas travaram uma guerra de preços, principalmente no primeiro semestre do ano passado. Uma enxurrada de promoções de passagens aéreas derrubou em cerca de 10% a tarifa média em 2011, segundo dados da Anac, em um ano em que a inflação atingiu 6,5%.

    A irracionalidade, segundo especialistas, foi vender passagens mais baratas em um momento em que os custos do setor dispararam. As despesas operacionais da Gol subiram 23% no ano passado e as da TAM, 15,5%, mais do que a expansão que ambas tiveram na receita.

    [...]

    O que preocupa o presidente da TAM é, sim, o cenário para 2012. Para ele, a pressão dos custos será ainda maior, tanto do lado do combustível, quanto das tarifas aeroportuárias, e a desaceleração da economia deve afetar a demanda por voos.

    TAM e Gol deram uma resposta parecida ao cenário adverso. Pela primeira vez em dez anos, as duas empresas vão reduzir a frota no mercado doméstico. A decisão visa aumentar os preços e a ocupação dos aviões.


    Gol começa a demitir pilotos e comissários nesta 2ª feira

    Companhia faz reunião para comunicar funcionários; número de desligamentos não foi informado

    SÃO PAULO - A Gol começa hoje a realizar uma série de demissões em seu quadro de pilotos, copilotos e comissários de bordo.

    [...]

    Na semana passada, após a publicação de seu balanço financeiro, no qual apresentou prejuízo de cerca de R$ 700 milhões em 2011, o presidente da empresa, Constantino de Oliveira Junior, anunciou que estão sendo eliminados entre 80 e 100 voos diários (essa revisão da malha teve início em março e deve ser concluída agora em abril). O número equivale a 8% dos voos diários totais da Gol e da WebJet.

    De acordo com o executivo, os cortes de pilotos e comissários são necessários em razão desse ajuste na malha, que têm como principal objetivo reduzir custos. Na ocasião, ele disse que ainda não podia citar o número de funcionários que seriam demitidos.


    Gafisa sai de lucro para prejuízo de R$ 1,1 bilhão em 2011

    De acordo com a empresa, o resultado, ainda preliminar, é explicado por ajustes de R$ 889,5 milhões

    A Gafisa adiou a divulgação de seu balanço financeiro do quarto trimestre para 9 de abril, após o fechamento do mercado, mas anunciou resultados financeiros preliminares não auditados referentes ao ano passado, no qual registrou prejuízo líquido de R$ 1,1 bilhão em comparação com lucro liquido de R$ 416,1 milhões de 2010. De acordo com a empresa, o resultado é explicado principalmente pelos ajustes de R$ 889,5 milhões (31% de Gafisa e 69% de Tenda).

    O Ebitda (lucro antes dos impostos, depreciação e amortização) consolidado do ano foi negativo em R$ 489,5 milhões comparado aos R$ 747,5 milhões positivos em 2010. Gafisa e Tenda registraram Ebitda negativo de R$ 77,4 milhões e de R$ 636,8 milhões, respectivamente, enquanto o Ebitda de Alphaville atingiu R$ 224,6 milhões.
  • Domingos  02/04/2012 11:31
    Excelente atualização, Leandro.

    Creio serem alguns dados para ilustrar a fase "f" do ciclo econômico que está ocorrendo no Brasil atualmente (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1222)

    Será que teremos intervenção do governo no cartel (por ele protegido) da aviação civil nas cenas dos próximos capítulos? Difícil dizer que não.

    Um abraço.
  • Leandro  02/04/2012 14:31
    Prezado Domingos, eu não saberia citar um só setor importante, de nível nacional, no qual o governo já não esteja fortemente envolvido. Com a recessão vindoura, a tendência é que ele intensifique o protecionismo para proteger o setor industrial (o que mais sofre na fase recessiva do ciclo econômico) e aumente os subsídios para os outros setores que inevitavelmente se contrairão.

    A sombria tendência é que o governo se expanda ainda mais em decorrência da recessão que ele próprio criou. O futuro é sombrio.
  • Catarinense  04/04/2012 14:46
    Leandro, mais uma injeção de ar na bolha?\r
    \r
    www.infomoney.com.br/credito-e-financiamento/noticia/2392859-banco+brasil+anuncia+reducao+nos+juros+das+suas+principais+linhas
  • Leandro  04/04/2012 15:02
    Catarinense, tudo vai depender do comportamento dos tomadores de empréstimos. Em teoria, um banco pode reduzir os juros o quanto quiser, mas se não houver tomadores dispostos a se endividar mais, então nada feito.

    Pela notícia, esta "benesse" do Banco do Brasil está vindo exclusivamente da redução de seus spreads, coisa típica de banco que está já há algum tempo sem conseguir aumentar seu volume de empréstimos e que, por isso, está louco pra emprestar mais pra ver se consegue um aumento do faturamento.

    Porém, como comentei no artigo acima e neste blog, de nada adianta ofertar crédito a juros mais baixos se não há uma perspectiva de aumento futuro da renda. Afinal, um empreendedor não vai se endividar e investir se ele acha que não vai haver demanda forte para seus produtos futuros. Logo, não creio que os empreendedores sejam tão imediatistas assim. Mas posso estar enganado.

    Por outro lado, é sim bem possível que pessoas físicas caiam na armadilha dos juros mais baixos e saiam se endividando, principalmente aposentados com consignado, gente querendo carro e gente doida pra estourar o cartão de crédito. Este é, em minha opinião, o maior perigo desta política. Ela não necessariamente gera bolha, mas gera endividamento, o que compromete severamente o gasto futuro -- logo, o bem-estar -- destas pessoas.
  • Catarinense  04/04/2012 15:15
    Entendi, vi que na notícia estavam incluídos os materiais de construção nesta linha de crédito e pensei na bolha imobiliária, mas como você falou, as empresas e as pessoas precisam se animar para tomar os empréstimos e iniciar projetos de construção, de nada adianta crédito farto e barato se o clima for de pessimismo. Valeu!
  • Diego  10/04/2012 05:22
    Leandro, o que podemos esperar dessa combinação:
    Aumento da inadimplência + Governo, BB e Caixa cortando suas taxas de juros?
  • Leandro  10/04/2012 05:54
    Aumento ainda maior da inadimplência.

    O governo, ignóbil por natureza, acha que basta reduzir juros na canetada e tudo voltará às mil maravilhas. Esta gente simplesmente não entende que crédito barato gera endividamento, e que endividamento só é quitado se houver aumento contínuo da renda. Caso contrário, maior endividamento gera mais calotes, o que é péssimo para toda a economia.

    Em nível pessoal, a redução de juros para o consumismo gera apenas aumento das dívidas. Não gera absolutamente nenhum aumento de riqueza. Em nível empreendedorial, uma redução de juros pode levar a uma maior disputa por fatores de produção, o que tende a elevar ainda mais os preços destes bens, o que por sua vez irá encarecer ainda mais os custos de produção, fazendo com que os projetos não sejam rentáveis e sejam abandonados no meio do caminho (o que representará uma desnecessária destruição de capital e de riqueza).

    Mas ainda há a esperança de que nem os consumidores nem os empreendedores sejam ludibriados por esta artimanha política. Há a esperança de que os consumidores não se endividem ainda mais e que os empreendedores não sejam ludibriados a investir em projetos para os quais não haverá demanda quando concluídos (pois não haverá um equivalente aumento da renda).

    A economia brasileira, após mais de dois anos de forte expansão creditícia artificial, precisa urgentemente de passar por um período de purgação de todos os investimentos insustentáveis que foram feitos neste período, principalmente no setor imobiliário. Quanto mais este processo for adiado, maior será a destruição de capital e a perda de riqueza. Será que essa turma de Brasília não aprendeu nada com a Europa e com os EUA?
  • Marco Aurelio Agarie  10/04/2012 07:31
    Prezado Leandro,\r
    \r
    A resposta para seu último questionamento (não aprender nada com a Europa e EUA) pode estar na afirmação do início de sua ótima explicação: o governo não só tem sido ignóbil como revela de forma densa e profunda uma soberba e um otimismo pueril ilimitados. Se não fosse tão arraigado esses sentimentos então ele não tentaria essa irresponsabilidade de ludibriar os empreendedores e principalmente os consumidores com esse "canto de sereia" dos juros reduzidos. A impressão que tenho é que o Executivo brasileiro está convencido de que consegue agir acima das leis de mercado que atingem todos os outros países e que pode, sorrateiramente, usar de quaisquer meios para manter as aparências de um Brasil alteroso, pujante, superior às demais nações que sofrem tantas vicissitudes e assim continuar lucrando politicamente.
  • Leandro  16/04/2012 06:53
    Prévia do PIB divulgada pelo Banco Central indica contração

    Atividade econômica tem pior desempenho desde outubro de 2011



    Inadimplência bate recorde e consumidor dá carro de graça para se livrar de dívida

    Como o carro deprecia rápido, valor conseguido na venda não é suficiente para quitar a dívida

    A inadimplência recorde e o aperto dos bancos no crédito têm causado algo além de concessionárias vazias. Muitos consumidores que, com o incentivo do governo, compraram carro financiado nos últimos anos, chegam a um verdadeiro limbo quando têm dificuldade em pagar as parcelas. Tentam vender o veículo, mas, como o carro deprecia rápido e há grande oferta, o valor conseguido na venda não é suficiente para quitar a dívida.

    Para resolver o problema, muitos consumidores têm tentado uma solução caseira: repassar o automóvel e a dívida a outra pessoa. Às vezes, no desespero, até de graça.

    Em janeiro, o paulistano Felipe Di Luccio percebeu que as contas não fechavam. A faculdade, a parcela do apartamento recém-comprado e o financiamento do carro consumiam boa parte do salário.

    Para sair do vermelho, decidiu vender o Celta comprado sete meses antes em 60 parcelas. "Mas não dava. Receberia R$ 20 mil, insuficiente para quitar a dívida de R$ 23,5 mil no banco. Então, decidi repassar a dívida."

    O plano do estudante de arquitetura era simples. Como a venda do carro não bastava para liquidar a dívida, queria se livrar do financiamento com a entrega do carro para outra pessoa. "Vai o carro, vai a dívida", resume. Não há números oficiais, mas financeiras e lojas de automóveis reconhecem que a iniciativa de Luccio tem se repetido cada vez mais no País.

    Após a exuberância do crédito fácil e abundante dos últimos anos, clientes com dificuldade financeira se desesperam ao perceber que não basta vender o carro para quitar o empréstimo. Os que mais sofrem são aqueles que optaram pelo financiamento de 100% do veículo, exatamente como Luccio.
  • Marcio Estanqueiro  18/04/2012 09:03
    Prezado Leandro

    O assunto já está por demais explicado, mas você poderia ser mais direto sobre essas duas afirmações da Dilma e do Mantega:

    1) Repetidas vezes, em seus pronunciamentos mais recentes, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, responsabilizaram o spread cobrado pelos bancos privados pela limitação do crédito e, por extensão, pelo desempenho da economia brasileira inferior ao que o governo havia projetado, é lógico que isso é um subterfúgio para não encarar a verdade. Qual?

    2) Dilma Rousseff e Guido Mantega afirmaram que com a redução da taxa básica de juros, que vem ocorrendo há meses, não há razão para que os bancos privados não reduzam também o spread cobrado daqueles que se veem na necessidade de contrair algum empréstimo. Isso é simples assim na prática?

    agradeço desde já

    Grande abraço.
  • Leandro  18/04/2012 09:29
    Trata-se da mera tática de se arrumar culpados externos. A culpa é sempre dos outros e nunca nossa. O plano era perfeito, mas faltou combinar com os russos...

    Spread é a diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que eles cobram para emprestar. Quando se fala em reduzir o spread, está-se falando, na prática, em reduzir os juros cobrados sobre os empréstimos, que é o sonho de absolutamente todos os governos. O que se quer, na prática, é que os bancos reduzam voluntariamente seus lucros e aumentem o risco de calotes e inadimplência. Juros menores estimulam mais endividamento, principalmente dos mais pobres. Porém, se não houver um enorme aumento na renda, quem pegou empréstimo vai dar calote, certamente. Não à toa, a inadimplência vem crescendo vigorosamente.

    Os bancos privados, obviamente, não querem incorrer neste risco. Já os bancos estatais, que podem se dar ao luxo de fazer gracinhas (pois, se ficarem em apuros, receberão injeções financeiras do governo), estão reduzindo os juros justamente para atiçar o endividamento dos mais pobres, fazer com que eles consumam mais e, com isso, garantir alguns pontos a mais na aprovação do governo. Para não perder mercado, é bem possível que os bancos privados se vejam obrigados a fazer a mesma coisa.

    A catástrofe vem depois.
  • Leandro  19/04/2012 22:52
    Primeiro a Gafisa. Agora é a tradicional Lider. Aqui em BH, o mercado imobiliário está visivelmente sangrento.

    www.hojeemdia.com.br/noticias/venda-ou-fus-o-s-o-as-opc-es-para-a-construtora-lider-1.434160

    Com dívidas de R$ 67,5 milhões, a mais tradicional e conceituada construtora mineira entrou com processo de recuperação judicial e prepara plano de ação

    A Construtora Lider não descarta um processo de fusão ou venda dos ativos para quitar o passivo de R$ 67,5 milhões junto a bancos e fornecedores. A afirmação é do advogado José Murilo Procópio de Carvalho, que representa a empresa no processo de recuperação judicial impetrado na segunda-feira. "Nenhuma proposta foi recebida, mas o jogo está aberto", disse. Além disso, os lançamentos previstos para 2012 foram alterados, segundo o presidente da empresa, Carlos Carneiro Costa, em nota.

    O maior credor da Lider é a Construtora Liderança, do mesmo grupo, que tem créditos de R$ 28,14 milhões a receber. O restante da dívida é pulverizado entre fornecedores de materiais de construção e instituições financeiras. Somente com o banco Daycoval, o passivo chega a R$ 4,8 milhões. Banco Votorantim, HSBC, Bicbanco e Banco Mercantil completam a lista.

    Para a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Minas Gerais (ABIH-MG), Rafaela Fagundes, a forte redução no ritmo de vendas dos quartos de hotéis não é exclusividade do Ramada. "Houve queda no ritmo em todos os empreendimentos", comenta. O motivo, segundo ela, seria a desaceleração do setor imobiliário.
  • Augusto  20/04/2012 02:40
    Seria otimo se isso viesse acompanhado de queda nos precos. A Gafisa esta no maior rolo, mas o preco do metro quadrado construido deles nao baixou um centavo.
  • Leandro  20/04/2012 03:17
    Isso é a última coisa que irão fazer. Estando com os balancetes no vermelho, o último recurso é reduzir preços. Demissões e cortes de custos têm preferência. Mesmo porque, com financiamento subsidiado pelo governo, não há justificativa nenhuma para se reduzir preços. Preços só irão cair quando houver uma desaceleração no volume de crédito concedido para a compra de imóveis.
  • Flávio  20/04/2012 08:52
    Leandro,\r
    \r
    Porque você afirmou que "Aqui em BH, o mercado imobiliário está visivelmente sangrento."\r
    \r
    Obrigado.\r
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    Flávio\r
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    \r
    \r
  • Leandro  20/04/2012 12:41
    Porque é algo visível. Há várias construções inacabadas e sem nenhum operários nelas. Verdadeiros esqueletos. Há relatos de corretoras matando cachorro a grito, implorando por compradores (se você passar em frente ao escritório de uma corretora ou até mesmo de uma imobiliária, corre o risco de ser sequestrado e ser liberado somente depois de jurar que vai se endividar para comprar seus apartamentos ultravalorizados).

    O que ocorre é que, como explicado pelo artigo, as construtoras parecem não ter se preparado para o vigoroso aumento que ocorreu nos custos de construção. Como explica a teoria dos ciclos econômicos, a expansão do crédito via aumento da oferta monetária não apenas não faz com que as pessoas poupem, como na verdade atiça ainda mais o consumo. Com todo mundo consumindo, os recursos ficam escassos e seus preços sobem.

    De 2008 até hoje, os custos gerais da construção civil aumentaram 36%. Os custos da mão-de-obra cresceram 45% e os custos dos materiais e serviços subiram 28%.

    Se, de um lado, os custos subiram mais que o esperado, de outro as receitas ficaram abaixo do previsto. Com o aperto monetário ocorrido em 2011, as receitas anteriormente imaginadas pelas construtoras não se concretizaram. O ritmo de vendas diminuiu. Sendo assim, elas agora são obrigadas a rever seus planos e suas estratégias de lançamento, bem como seus preços.

    Como os preços são a última coisa em que irão mexer, a solução é cortar custos. Daí as obras interrompidas, certamente à espera de algum novo incentivo estatal para a aquisição de imóveis.
  • Pipe  20/04/2012 13:00
    Acho que o próximo passo do governo será dar um jeito de injetar mais crédito no mercado imobiliário. Deve vir logo depois dessa queda nas taxas de juros de cheque especial, financiamento de imóveis, etc.

    Não sei se vai resolver por muito tempo, pois os valores dos imóveis já estão em um patamar que impede que qualquer cidadão comum consiga comprar um imóvel sem financiamento do SFH ou similar. Aí todo mundo vai correr atrás de financiamento imobiliário de volta, e a tendência é que os preços tenham que subir ainda mais. Só que os valores já estão altos demais para praticamente todo mundo, se subirem mais aí é que ninguém vai conseguir nem sequer financiar alguma coisa. Veremos o que vai acontecer com as construtoras quando isso acontecer.
  • Alvaro  25/04/2012 08:12
    Como o BACEN determina a variação na base monetária?

    Entendo que ela na verdade seria uma conta "passiva" em função da taxa selic determinada no copom. Quando o BACEN determina uma taxa selic ele compra e vende títulos (gerando e destruíndo dinheiro) no mercado financeiro a fim de manter a taxa selic onde foi determinado. Estou errado?

    Nesse raciocínio, numa eventua política de fixar a tx de crescimento da base monetária num valor pequeno (ou nulo), o que aconteceria com o juros no mercado secundário?

    Há algum artigo que mostre o processo pelo qual a variação da base monetária acaba gerando inflação?

    Obrigado!
  • Leandro  25/04/2012 08:23
    Prezado Alvaro, para uma explicação completa, recomendo estes dois artigos:

    A taxa SELIC - o que é, como funciona e outras considerações

    Em que ponto do ciclo econômico está a economia brasileira? (a parte inicial)

    Abraços!
  • Flávio  26/04/2012 04:50
    Leandro,\r
    \r
    Em resposta à minha pergunta anterior você me explicou porquê você havia afirmado que "Aqui em BH, o mercado imobiliário está visivelmente sangrento."\r
    \r
    Ocorre que, hoje ao ler o jornal metro, link abaixo, na folha de número 5, me deparei com a notícia de que a venda de apartamentos subiu 163% em fevereiro de 2012 que o número de unidades lançadas aumentou em 171%.\r
    \r
    www.readmetro.com/en/brazil/metrobh/20120426/\r
    \r
    Isso me deixou muito confuso.\r
    \r
    Será que você poderia me fazer a gentileza de explicar porque isso ocorre, ou seja, aumentam-se significamente as vendas e lançamentos e ao mesmo tempo uma grande empresa de construção civil solicita recuperação judicial além de constatarmos a presença de várias construções inacabadas e sem nenhum operários nelas. Verdadeiros esqueletos.\r
    \r
    Desde já agradeço antecipadamente.\r
    \r
    Flávio \r
    \r
  • Leandro  26/04/2012 06:19
    A notícia é interessante, mas bastante incompleta e não oferece grandes detalhes.

    Mas há algumas considerações a se fazer:

    1) Pra começar, os dados são de fevereiro. E eu comecei a notar a mudança em meados março (e este meu comentário foi em abril).

    2) Adicionalmente, aumentar o número de lançamentos não apenas é compreensível, como na verdade seria estranho se isso não ocorresse. Afinal, lançamento é quando o imóvel já está pronto (depois de um ou dois anos de construção), e tudo que a construtora quer é vender o mais rápido possível enquanto os preços ainda estão altos. Depois da orgia de 2010 e 2011, quando as construções se intensificaram, a tendência é que a desova comece a ocorrer agora. Até aqui, nada de estranho.

    3) Sobre estar havendo vendas, também é algo perfeitamente compreensível -- afinal, imóvel é algo que nunca deixará de ser comprado.

    4) Porém, das 575 unidades vendidas, nada menos que 520 eram de valores "abaixo de R$500 mil", o que implica um enorme leque de possibilidades. Aqui em BH, qualquer apartamento usado e bem localizado já está na casa dos R$ 700 mil (sério), o que pode ajudar a explicar a demanda por estes mais "baratos".

    5) Os prédios que eu vejo vazios são prédios mais luxuosos, que certamente custam mais de R$ 500 mil por apartamento.

    6) Por fim, não há detalhes, por exemplo, sobre o comportamento dos preços (as compras aumentaram porque os preços caíram?), sobre em qual região da cidade se concentraram as vendas, e tampouco sobre a classe social dos compradores (ricos, novos ricos, gente com estabilidade no emprego ou gente no Minha Casa, Minha Vida, que concede financiamento subsidiado para gente de até 10 salários mínimos?). O que é fato é que os imóveis mais "caros" (acima dos R$ 500 mil) apresentaram valores pra lá de minguados (55 vendas).

    Ainda é preciso esperar para ver se esta alta pontual (ocorrida em fevereiro, enfatize-se) é apenas sazonal ou se ela vai se perpetuar também para os próximos meses. Se isso ocorrer, aí realmente BH estará em um mundo paralelo, diferente das outras capitais do Brasil.

    Grande abraço!
  • Flávio  26/04/2012 10:36
    Leandro,\r
    \r
    Respondendo à minha indagação supra você afirma que "Afinal, lançamento é quando o imóvel já está pronto (depois de um ou dois anos de construção), e tudo que a construtora quer é vender o mais rápido possível enquanto os preços ainda estão altos.".\r
    \r
    Ocorre que as construtoras tratam lançamento como a venda de imóveis ainda na planta.\r
    \r
    Dessa forma, como posso saber se a máteria mencionada na mensagem anterior se referia a imóveis prontos.\r
    \r
    Obs.: Existem boatos em BH dando conta de que outra construtora irá ou já pediu recuperação judicial, você sabe algo a respeito. \r
    \r
    Agradeço-lhe antecipadamente.\r
    \r
    Flávio.
  • Leandro  26/04/2012 10:49

    É verdade. Tecnicamente, um lançamento é a abertura de vendas de um empreendimento imobiliário para o público. Confesso desconhecer a partir de quando isso pode começar a ocorrer (especificações técnicas e jurídicas do setor imobiliário não são meu forte...). Logo, retiro o que disse nesta minha frase que você destacou.

    Sobre esta outra imobiliária que entrou com pedido de recuperação judicial, confesso desconhecer. Mas adoraria saber. Se descobrir, por favor, não hesite em me deixar a par.

    Grande abraço!
  • Francisco Campos  28/04/2012 15:48
    Leandro,\r
    \r
    Existe algum site onde eu possa acompanhar a evolução do gráfico da "curva de rendimentos dos juros" do Brasil?\r
    \r
    Grato.
  • Leandro  28/04/2012 16:06
    Francisco, você pode acompanhar os números pelo próprio site do BACEN:

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/ie3-03.xls

    Há ali um gráfico meia-boca, mas há também uma tabela com números, e é perfeitamente possível visualizar o formato da curva tendo apenas estes números. No momento, ela é declinante.

    Abraços!
  • Flávio  02/05/2012 15:31
    Leandro,\r
    \r
    Pelo que tenho acompanhado, mesmo com a pressão política do governo a oferta monetária está diminuindo. Penso que seja em virtude da alta alavancagem de pessoas físicas e jurídicas, o que você acha?\r
    \r
    Contudo a inflação teima em não dar trégua ao governo. Penso que em virtude de tal redução da base monetária a inflação já deveria estar cedendo. porque isto não está acontecendo?\r
    \r
    Se tal inflação persistir a tendência é mais inadimplência seguida de mais restrição da base monetária independentemente do patamar da taxa de juros. Estou certo no meu raciocínio? neste caso o BC teria espaço para abaixar o juros para patamares inferiores a 8,50%?\r
    \r
    Desde já agradeço.\r
    \r
    Flávio
  • Leandro  02/05/2012 15:47
    Não é que a oferta monetária esteja diminuindo; ela está aumentando a um ritmo bem contido. Em março, a base monetária apresentou um crescimento de 5,3% em 12 meses (a título de comparação, em março do ano passado ela havia crescido 14%). E o M1 teve um crescimento de 1,8% em 12 meses (a título de comparação, em março do ano passado o crescimento havia sido de 11%).

    A inflação de preços arrefeceu bastante nos setores de bens de capital, como explicado no artigo. Em março, no acumulado de 12 meses, o IGP-M ficou em 3,23% (estava em 11,5% no início de 2011). O IPA para produtos industriais, também no acumulado de 12 meses, ficou em 2,53% em março (foi de 9,16% em março do ano passado).

    Ou seja, nos setores sensíveis a variações na oferta monetária, os preços variaram de acordo. A questão é que, para o IPCA, além dos bens de consumo, há também a questão do setor de serviços, que não sofre de concorrência externa. Some-se a isso a recente disparada do dólar (de R$1,65 para R$1,90, com o BACEN atuando diariamente no mercado, às vezes fazendo até dois leilões de compra por dia), e realmente não há por que o IPCA arrefecer muito.

    Se a taxa de inflação de preços se mantiver neste patamar, e a oferta monetária continuar restringida (como vem acontecendo), alguém terá de ceder. Inevitavelmente. O endividamento já está em níveis recordes e a inadimplência vem arrasando, como previsto no artigo:

    Inadimplência de empresas sobe 18,8% em março

    Nos três primeiros meses do ano, o incremento da inadimplência foi de 21,1% em relação ao mesmo período de 2011, segundo o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas

    Agora que o governo resolveu estimular as pessoas a se endividar ainda mais, sendo que endividamento e inadimplência já são recordes, os presságios não são nada bons. O que tem sido realmente interessante até agora é a postura do BACEN. Seguem impávidos. Vai ser muito interessante ver o desenrolar das coisas.
  • Flávio  03/05/2012 03:45
    Leandro,\r
    \r
    Segue logo abaixo o artigo "O fim da era Lula na economia" que,embora com algum atraso - você e os demais articulistas deste site foram os primeiros - faz um diagnóstico, no meu ver, bastante atual da economia brasileira.\r
    \r
    clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/5/3/o-fim-da-era-lula-na-economia\r
    \r
    Abraço.\r
    \r
    Flávio \r
  • Leandro  03/05/2012 16:46
    Eis a lamentável situação do pensamento econômico no Brasil: estamos no mês de maio e só agora os "economistas" começaram a atentar para o fato de que, no primeiro trimestre deste ano, a economia pode, sim, ter estagnado, por causa da forte contração industrial ocorrida.

    Nós do IMB, por outro lado, previmos ainda em julho do ano passado não apenas esta recessão, como também a atual situação industrial, como pode ser comprovado na parte final deste artigo. Tal previsão foi ainda mais realçada neste artigo de setembro. E seguiu sendo mencionada aqui e aqui.

    Eis a diferença entre se apegar à genuína ciência econômica, como nós fazemos, e entre ficar batendo bumbo e tocando tuba para as políticas do establishment, como fizeram a mídia e ainda fazem os economistas dos bancos entrevistados nesta reportagem.
  • Hay  04/05/2012 03:54
    Eu estou realmente pasmo com os economistas no Brasil. Da população em geral, inclusive dos mais supostamente esclarecidos, eu até esperava isso. Já de economistas eu esperava ao menos um pouquinho de realismo. E está todo mundo achando que os problemas serão resolvidos com juros baixos. Estimular a indústria através de juros baixos e chuva de dinheiro? Poxa, isso nunca foi feito antes!
  • Rene  04/05/2012 05:01
    Alterar as regras da caderneta de poupança e baixar os juros só vai desestimular a poupança e estimular o consumismo. Isso vai dar uma boa inflada na bolha e piorar os efeitos dos estragos quando esta estourar de vez. Daqui a algum tempo, estes "economistas" vão estar desorientados frente à situação do país, sem saber o que deu errado. Lógico, terão vários palpites para fazer as coisas melhorarem, e todo mundo vai fazer exatamente o que eles disserem.
  • Rodrigo  08/05/2012 04:04
    Estava pensando em abrir uma empresa, uma franquia, lanchonete. Ia dar emprego direto a 5 pessoas, e inderetos, talvez, umas 8 contando o frete e o escritorio.

    Desisti. Vou estudar para concursos, o que TODO MUNDO está fazendo, ao perceber inconscientemente a catástrofe que está vindo que somente a tal "estabilidade" de quem tiver pendurado em emprego publico vai garantir, isso SE garantir.

    As pessoas parecem estar percendo que é iminente um futuro ruim e por isso sonham com um emprego publico, ganhando menos mas mesmo assim "estável" para depois usar o proprio Estado para cobrar as dividas que tem com ele.

    Não há sistema que sobreviva assim. Eu mesmo conheço várias funcionarios publicos que enriqueceram em processos trabalhistas contra o Estado. Em determinado momento, ele deixa de pagar salários ou dá aumento a uma categoria e outra não. E dá-lhe chuva de processos.




  • Miguel  08/05/2012 07:03
    Cada um com sua consciência...
  • Steve Ling  08/05/2012 13:59
    Eu li que o governo pretendia implantar o deficit nominal zero, ainda que isso seja verdade quais seriam as vantagens e desvantagens? Isso realmente reduziria os juros?\r
    www.valor.com.br/arquivo/895983/deficit-nominal-zero-ajudaria-juros-cair\r
    \r
  • Leandro  08/05/2012 14:15
    Essa conversa vem desde a criação do Real. Obviamente, nunca foi levada a sério. Se o governo passasse a apresentar déficit nominal zero, isso significaria que o Tesouro não mais teria de emitir títulos para financiar déficits.

    Caso essa política se mantivesse continuamente, eis o que ocorreria:

    1) Como o Tesouro não mais precisaria lançar títulos públicos para se financiar, a dívida do governo não mais aumentaria.

    2) A quantidade de títulos públicos em posse dos bancos, das empresas e das pessoas iria diminuir constantemente, pois eles estariam sendo quitados (afinal, se o déficit nominal foi zero, então quer dizer que o governo também teve dinheiro para amortizar dívidas).

    3) Como os bancos não mais estariam emprestando dinheiro para o Tesouro, haveria mais dinheiro disponível para o setor privado, o que faria com que os juros sobre os empréstimos caíssem.

    4) Dado que a SELIC é a taxa que os bancos cobram para emprestar dinheiro entre si no interbancário para manter o nível de suas reservas, e dado que os bancos não mais emprestam para o governo, então a SELIC cairia, pois haveria mais dinheiro disponível para o interbancário.

    5) No extremo final, toda a dívida seria quitada, não mais haveria títulos públicos no mercado e o Banco Central perderia sua desculpa para fazer política monetária. Qualquer criação de dinheiro seria vista como um ato explícito de privilégio, pois o BC teria de dar o dinheiro diretamente para o recebedor, e em troca de nada (atualmente ele cria dinheiro e compra os títulos da dívida em posse dos bancos).

    Ou seja: não se trata de uma política nem um pouco popular para o poder, muito embora ela possa vir a ser seguida em um mês ou outro, tempo este em que nenhum dos efeitos acima pode surgir.

    Abraços!
  • Steve Ling  09/05/2012 07:50
    Muito obrigado pelas explicações. A idéia me pareceu boa porque se aproxima com minhas finanças pessoais, ou seja evitar dívidas, embora eu não acredite que isso venha a se tornar realidade no Brasil justamente por ser uma boa.
  • Leandro  15/05/2012 08:26
    Como previmos aqui, o acentuado aumento do endividamento e da inadimplência levou a uma forte redução na concessão de empréstimos. Daí o fato de, não obstante os seguidos pedidos dos leitores, não termos feito azáfama quanto ao decreto do governo para os bancos reduzirem os juros. Uma coisa é eles dizerem que reduziram os juros; outra coisa é eles de fato saírem emprestando a juros baixos para pessoas altamente endividadas. Banqueiros não são burros. (Muito embora os bancos estatais possam de fato fazer isso, pois sabem que, se estiverem em dificuldades, o governo irá salvar. Isso foi feito a rodo nas décadas 1980 e 1990).

    Busca por crédito cai 11,2% e atinge menor nível desde 2008, diz Serasa

    Demanda por crédito recuou em todas as faixas pesquisadas, em especial entre os consumidores com maior renda

    A busca do consumidor por crédito caiu 11,2% em abril na comparação com março, resultado que contribuiu para o primeiro quadrimestre fechar em queda de 7,6% ante o mesmo período do ano passado, com o pior nível em termos de demanda desde 2008, informou hoje (15) a Serasa Experian. Em relação a abril de 2011, o Indicador da Demanda do Consumidor por Crédito recuou 9,8%, a sexta queda consecutiva na comparação anual.

    A demanda por crédito recuou em todas as faixas de renda pesquisadas. No entanto, a queda foi um pouco maior entre os consumidores com maior renda. Entre os que ganham entre R$ 5.000 e R$ 10.000 mensais, houve diminuição de 12,5% na procura por crédito em abril ante março. Entre os que recebem de R$ 2.000 a R$ 5.000, a variação negativa foi de 12,3% no período. Consumidores com salários acima de R$ 10.000 diminuíram a procura por crédito em 11,8% em abril na comparação com março.

    Na faixa de renda que compreende vencimentos entre R$ 1.000 e R$ 2.000, o recuo foi de 11,8% em abril ante o mês anterior. Entre os que recebem de R$ 500 a R$ 1.000, a queda foi de 10,7% e entre aqueles que possuem salário abaixo de R$ 500 a demanda caiu 9,1%. Os consumidores dessa faixa de renda menor, porém, foram os únicos que apresentaram avanço na busca por crédito no quadrimestre, com leve alta acumulada de 1,6% frente ao mesmo período de 2011.

    Na comparação entre regiões do País, a maior queda em abril ante março ocorreu no Sul (-15%) e a menor, no Norte (-6%). Na comparação do acumulado do ano sobre o mesmo período de 2011, o Sul também lidera as quedas (-9,4%) e o Norte segue com as menores variações negativas na demanda por crédito (-1,3%).

    Para a Serasa Experian, o recuo do indicador é explicado pelo aumento da inadimplência verificado desde o início do ano passado, o que leva os consumidores a dar prioridade à quitação das dívidas em atraso. "Além disso, com inadimplência mais elevada aumenta o rigor na aprovação de novos créditos, o que também contribui para desestimular o consumidor na busca por novos financiamentos", afirma a empresa, em nota distribuída hoje à imprensa.
  • Diego  15/05/2012 14:24
  • Leandro  18/05/2012 12:57
    Apenas confirmando o que já havíamos antecipado aqui ainda em julho do ano passado (e depois reafirmado em setembro), o primeiro trimestre foi recessivo, e a economia está parada desde o terceiro trimestre de 2011. Obviamente, o governo tentará dar uma "corrigida" nestes números, mas sem efeito.

    Prévia do PIB recua 0,35% em março, aponta Banco Central

    Índice antecendente do Produto Interno Bruto apresentou contração de 0,35% em março, na comparação com fevereiro

    De acordo com estes números do BACEN, no primeiro trimestre a economia recuou 0,23% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Em doze meses, o crescimento foi de 1,57%.

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/ie1-54.xls
  • Flávio   25/05/2012 04:16
    Leandro,\r
    \r
    Tem uma coisa que está me intrigando: apesar do nosso pequeno crescimento, assistimos a uma melhora na taxa de desemprego e a uma procura por trabalhadores ligados à atividades do setor comercial e do setor da construção civil.\r
    \r
    Como isso pode ser explicado?\r
    \r
    Desde já agradeço.\r
    \r
    Flávio
  • Leandro  25/05/2012 08:03
    Prezado Flavio, há várias considerações.

    1) A taxa de desemprego é a última variável a ser afetada. Vale lembrar que a recessão americana começou a ficar clara em julho de 2007, mas o desemprego ficou estável até abril de 2008, começando a se agravar apenas a partir de maio. Isso porque demitir trabalhadores costuma ser o último recurso das empresas, pois, na expectativa do empresariado, sempre poderá haver uma melhora já no curto prazo, de modo que mais vale a pena manter a folha de pagamento atual -- cujos empregados já conhecem a filosofia da empresa e já são experientes na profissão -- do que demitir agora e ter o trabalho de recontratar depois, sendo que a nova mão-de-obra precisa ser retreinada.

    2) Acima de tudo, é preciso ler com mais atenção os relatos do IBGE, em vez de se contentar apenas com as manchetes dos jornais. Por exemplo, a quantidade de gente empregada com carteira assinada caiu em abril em relação a março.

    3) Já a taxa de desemprego de abril se manteve inalterada em relação a março, segundo o próprio IBGE. A variação se de totalmente dentro da margem de erro, o que significa que a variação não foi estatística. Adicionalmente, isso significa que o desemprego está hoje no mesmo nível de junho de 2011, quando foi de 6,2% -- vale lembrar que o desemprego foi caindo de julho até dezembro.

    4) A renda média caiu, algo que, por si só, ajuda o emprego. Esse foi um fator positivo.

    5) A indústria, como bem explicado pela teoria dos ciclos, vem sangrando continuamente. Já a construção vem contratando, segundo o IBGE, majoritariamente em São Paulo e em Recife, onde há várias obras estatais sendo feitas. Nas construtoras privadas, voltadas para o setor residencial, a situação continua, no mínimo, delicada.

    6) Por fim, a legislação trabalhista torna quase que proibitivo demitir trabalhadores, o que nos remete novamente ao item (1). As empresas preferem manter a mão-de-obra a se dar ao trabalho (e, principalmente, ao custo) de ter de recontratar e retreinar mão-de-obra mais tarde. Enquanto isso, os balancetes vão sangrando.

    7) O emprego nos setores de bens de consumo final, como varejista e comércio, são os que menos sofrem, como explica a teoria dos ciclos. Alguns, sequer sentem qualquer efeito. Logo, nada de estranho este setor não estar demitindo.

    Grande abraço!
  • Leandro  01/06/2012 07:15
    O consumismo e os gastos do governo mantiveram o PIB do primeiro trimestre em terreno positivo.

    De acordo com o IBGE, "o consumo da administração pública (1,5%) e o consumo das famílias (1,0%) subiram, enquanto que a formação bruta de capital fixo caiu 1,8%."

    Ou seja, o consumo das famílias (leia-se 'endividamento') e os gastos do governo (leia-se 'empobrecimento de quem está fora do estado') contribuíram para aditivar o PIB, ao passo que um item de extrema importância, a formação bruta de capital fixo, apresentou variação negativa, de -1,8%.

    Adicionalmente, "a taxa de investimento no primeiro trimestre de 2012 foi de 18,7% do PIB, inferior à taxa do mesmo período do ano anterior (19,5%). [...] A taxa de poupança alcançou 15,7% no primeiro trimestre de 2012 (ante 17,0% no mesmo trimestre de 2011)."

    Com poupança e investimento em queda, o PIB se manteve em terreno positivo graças exclusivamente ao endividamento das famílias (em níveis recordes) e aos gastos do governo.

    Apenas comprovando que o cálculo do PIB não é apenas inútil; ele é perigoso, pois coisas ruins (endividamento e gastos do governo) passam a ser vistas como soluções de curto prazo -- exatamente como quer Guido Mantega.
  • Leandro Rousselet  23/07/2012 04:46
    Onde consigo encontrar informações sobre o atual crescimento do M1, M2, M3 e M4?No site do Banco Central só encontro o crescimento da base monetária.
  • Fernando  04/07/2016 00:10
    É Leandro. Vendo isso em 2016 deu pra ver que a TACE é definitiva.


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