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As distorções geradas pelos sindicatos e pela política de salário mínimo

O ápice da sabedoria política intervencionista consiste em querer encarecer o preço do trabalho, seja por decreto governamental, seja pela ação violenta ou pela ameaça de tal ação por parte dos sindicatos. Aumentar os salários acima do nível que eles teriam em um mercado livre e desimpedido é considerado um postulado das leis da moralidade, e também uma medida indispensável do ponto de vista econômico. Quem se atrever a desafiar esse dogma ético e econômico é considerado depravado e ignorante.

Muitos dos nossos contemporâneos veem as pessoas que são suficientemente corajosas para "atravessar uma linha de piquetes" da mesma forma que os membros de uma tribo primitiva viam os que violavam os preceitos de um tabu.  Milhões de pessoas exultam quando um desses "fura-greves" recebe o seu merecido castigo das mãos dos grevistas, enquanto a polícia, o ministério público e os tribunais mantêm uma arrogante neutralidade — isso quando não tomam abertamente o partido dos grevistas.

Os salários determinados por um mercado livre e desimpedido tendem para um nível que permite àqueles que quiserem trabalhar conseguir emprego, e aos que desejarem contratar trabalhadores empregar tantos quantos desejam.  Tende para aquilo que hoje em dia é denominado de pleno emprego.  Onde não houver interferência do governo e dos sindicatos no mercado de trabalho só pode existir desemprego voluntário.  Mas tão logo uma pressão externa ou uma coerção, seja da parte do governo, seja da dos sindicatos, tenta elevar os salários acima do valor de mercado, surge o desemprego institucional.  

Enquanto prevalecer no mercado de trabalho livre e desimpedido uma tendência a que desapareça o desemprego voluntário, o desemprego institucional não poderá desaparecer enquanto o governo ou os sindicatos conseguirem impor a sua vontade.  Se o salário mínimo se aplica apenas a algumas ocupações, enquanto outros setores do mercado de trabalho continuam livres, os que por esse motivo perderam o seu emprego tentarão empregar-se nos setores livres, aumentando assim a oferta de trabalho nos mesmos.  Se o sindicalismo se restringir principalmente à mão de obra qualificada, o aumento salarial conseguido pelos sindicatos não conduzirá ao desemprego institucional; simplesmente diminuirá o nível salarial nos setores em que os sindicatos não são tão eficientes ou não existem.  A consequência natural do aumento salarial para os trabalhadores organizados é uma queda salarial para os trabalhadores não organizados.  Mas, com a generalização da interferência governamental sobre os salários e com o apoio que o estado vem dando ao sindicalismo, as coisas mudaram.  O desemprego institucional tornou-se um fenômeno de massa crônico e permanente.

Escrevendo em 1930, Lorde Beveridge, que mais tarde viria a ser um defensor da ingerência governamental e sindical no mercado de trabalho, assinalava que o efeito potencial do fato de uma "política de salários altos" provocar o desemprego é algo que "não pode ser negado por nenhuma autoridade competente".[1]  De fato, negar esse efeito equivale a desconhecer a existência de qualquer regularidade na sequência e na interconexão dos fenômenos de mercado.  Os economistas mais antigos, que simpatizavam com o movimento sindical, tinham plena consciência do fato de que o sindicalismo só pode atingir seus objetivos se ficar restrito a uma minoria de trabalhadores.  Aprovavam o sindicalismo como expediente benéfico aos interesses de um grupo privilegiado de trabalhadores, sem se importarem com as consequências para todos os demais assalariados.[2]  Ninguém até hoje conseguiu demonstrar que o sindicalismo poderia melhorar a situação e elevar o padrão de vida de todos os assalariados.

É importante lembrar também que o próprio Marx nunca sustentou que os sindicatos pudessem aumentar os salários em geral.  "A tendência geral da produção capitalista — dizia ele — não é aumentar, mas diminuir o nível médio dos salários". Sendo essa a tendência, tudo o que o sindicalismo pode conseguir em relação aos salários é "tirar o melhor partido possível das eventuais chances de melhorá-los".[3]  Os sindicatos, para Marx, só tinham importância na medida em que atacassem "o próprio sistema da escravidão salarial e os métodos atuais de produção".[4]  Deviam compreender que "em vez do lema conservador: Um bom salário por dia,  um bom dia de trabalho!", deveriam inscrever na sua bandeira a palavra de ordem revolucionária: Abaixo o sistema salarial!".[5] 

Os marxistas mais consistentes sempre se opuseram às tentativas de impor salários mínimos por considerá-las prejudiciais aos interesses da classe trabalhadora como um todo.  Sempre houve, desde que teve início o moderno movimento trabalhista, um antagonismo entre os sindicatos e os socialistas revolucionários.  Os sindicatos americanos e ingleses mais antigos dedicavam-se exclusivamente à obtenção de salários mais elevados. Não viam o socialismo com bons olhos, tanto o "utópico" como o "científico".  Na Alemanha havia uma rivalidade entre os adeptos do credo marxista e os líderes sindicais.  Finalmente, nas últimas décadas que antecederam à Primeira Guerra Mundial, os sindicatos triunfaram: conseguiram virtualmente converter o Partido Social Democrata aos princípios do intervencionismo e do sindicalismo.  Na França, George Sorel procurava imbuir nos sindicatos aquele espírito de agressão e de guerra revolucionária que Marx lhes recomendava.  Em todos os países não socialistas existe hoje um conflito ostensivo entre duas facções sindicais.  Um grupo considera o sindicalismo como um instrumento para melhorar a situação dos trabalhadores no contexto do capitalismo.  O outro grupo quer usar os sindicatos como organizações a serviço da causa comunista, só os aprovando na medida em que sejam os pioneiros na derrubada violenta do sistema capitalista.

Os problemas do sindicalismo trabalhista foram ofuscados e completamente confundidos por um verbalismo pseudo-humanitário.  Os defensores do salário mínimo, seja decretado e imposto pelo governo, seja obtido pela violenta ação sindical, afirmam estar lutando pela melhoria da situação das massas trabalhadoras.  Não permitem que alguém conteste o dogma de que os salários mínimos sejam o meio apropriado para elevar permanentemente os salários de todos os assalariados.  Orgulham-se de ser os únicos verdadeiros amigos dos "trabalhadores" e do "homem comum", do "progresso" e dos eternos princípios de "justiça social".

Entretanto, o problema é precisamente o de saber se existe alguma outra maneira de aumentar o padrão de vida dos que querem trabalhar que não seja o aumento da produtividade marginal do trabalho mediante o incremento de capital per capita.  Os teóricos do sindicalismo procuram fugir dessa questão essencial e nunca mencionam o único ponto realmente importante: a relação entre o número de trabalhadores e a quantidade de bens de capital disponíveis.  

Os sindicatos lutam para reduzir a oferta de mão de obra por meio de leis contra a imigração e de medidas que impeçam os não sindicalizados ou os ainda inexperientes de competir nos setores sindicalizados do mercado de trabalho.  Por outro lado, opõem-se à exportação de capitais.  Essas políticas seriam absurdas se fosse verdade que a quota de capital disponível per capita não tivesse importância na determinação dos salários.

A essência da doutrina sindical está contida no slogan "exploração".  Segundo a versão sindical da teoria da exploração, que é diferente do credo marxista, o trabalho é a única fonte de riqueza, e os gastos com trabalho são os únicos custos reais.  De direito, toda a receita obtida com a venda de um produto deveria pertencer aos trabalhadores.  Ainda segundo essa doutrina, o trabalhador manual pode legitimamente reivindicar para si a "produção total do trabalho".  O mal que o sistema capitalista de produção faz ao trabalhador fica evidente pelo fato de permitir que os proprietários de terras, capitalistas e empresários retenham para si uma parte do que pertence de direito aos trabalhadores.  A parcela retida por esses parasitas sociais é chamada de renda não ganha.  Os trabalhadores têm razão em lutar pela elevação passo a passo dos salários, até que não sobre mais nada para a classe dos exploradores socialmente inúteis.  Ao visar a esse objetivo, os sindicatos dão prosseguimento à luta, deflagrada há gerações, pela emancipação dos escravos e dos servos, e pela abolição dos impostos, tributos, dízimos e do trabalho obrigatório gratuito que pesava sobre o campesinato em benefício da aristocracia proprietária de terras.  O movimento trabalhista é uma luta pela liberdade e pela igualdade, em favor dos inalienáveis direitos do homem.  Sua vitória final é fora de dúvida, uma vez que a tendência inevitável da evolução histórica é eliminar todos os privilégios de classe e instaurar definitivamente o reino da liberdade e da igualdade.  As tentativas dos empregadores reacionários para impedir o progresso estão condenadas ao fracasso.

Tais são os princípios da doutrina social contemporânea.  É verdade que algumas pessoas, embora inteiramente de acordo com esse ideário, só apoiam as conclusões práticas dos radicais com algumas reservas e sob certas condições.  Esses moderados não pretendem abolir inteiramente a parcela que deveria caber à "administração"; contentam-se em limitá-la a um valor "justo".  Como as opiniões relativas a qual seja o valor justo da receita dos empresários e dos capitalistas variam muito, a diferença entre o ponto de vista dos radicais e o dos moderados tem pouca importância.  Os moderados também endossam o princípio de que os salários reais deveriam aumentar sempre e nunca baixar.  Em ambas as guerras mundiais, poucos foram os que nos Estados Unidos questionaram o pleito dos sindicatos segundo o qual os salários líquidos dos trabalhadores, mesmo numa emergência nacional, deveriam crescer mais do que o custo de vida.

Segundo a doutrina sindical, não há nenhum inconveniente em confiscar, parcial ou totalmente, a renda dos capitalistas e dos empresários.  Ao tratar desse assunto, empregam o termo lucros com o mesmo sentido empregado pelos economistas clássicos.  Não distinguem lucro empresarial de juro sobre o capital investido e de compensação pelos serviços técnicos prestados pelo empresário.

Foi Ricardo quem, pela primeira vez, enunciou a tese de que um aumento nos salários encorajaria os capitalistas a substituírem mão de obra por equipamentos e vice-versa.[6] Portanto, concluem os apologistas do sindicalismo, uma política de aumentos salariais acima do valor que teriam no mercado de trabalho não obstruído é sempre benéfica.  Gera progresso tecnológico e aumenta a produtividade do trabalho.  Salários mais altos pagam-se por si mesmos.  Ao forçarem os empregadores que relutam em aumentar os salários, os sindicatos estariam cumprindo o papel de vanguarda do progresso e da prosperidade.

Muitos economistas aprovam essa tese de Ricardo, embora poucos entre eles sejam suficientemente consistentes para endossar a inferência que dela tiram os sindicalistas.  Na verdade, o efeito de Ricardo é um argumento que só pode impressionar os principiantes em economia; é um dos maiores erros econômicos.

A confusão começa com o equívoco de que a máquina "substitui" a mão de obra.  Na realidade, o que a máquina faz é tornar a mão de obra mais eficiente.  A mesma quantidade de trabalho possibilita a obtenção de uma maior quantidade ou de uma melhor qualidade de produtos.  O uso da máquina em si não resulta diretamente em ma redução do mínimo de operários empregados na fabricação de um artigo A.  O que provoca esse efeito secundário é o fato de que — tudo o mais constante — um aumento da oferta de diminui a utilidade marginal de uma unidade de em comparação com as unidades de outros artigos; por consequência, a mão de obra é deslocada da produção de para a produção de outros artigos.

O progresso tecnológico ocorrido na produção de torna possível realizar certos projetos que antes não poderiam ser executados porque os trabalhadores necessários estavam ocupados na produção de A, cuja demanda pelos consumidores era considerada mais urgente.  A redução do número de trabalhadores na indústria produtora de é provocada pela maior demanda desses outros setores aos quais é oferecida a oportunidade de expansão.  Consequentemente, tudo o que se costuma dizer sobre "desemprego tecnológico" fica devidamente refutado.

As ferramentas e as máquinas são primordialmente meios para aumentar a produção por unidade de aporte e não dispositivos para economizar mão de obra.  Parecem ser dispositivos para economizar mão de obra se considerados exclusivamente do ponto de vista do setor da atividade econômica em questão.  Vistos do ângulo dos consumidores e da sociedade em geral, são instrumentos que aumentam a produtividade do esforço humano.

Aumentam a oferta e tornam possível consumir mais bens materiais e usufruir mais lazer.  Que bens serão consumidos em quantidade maior e até que ponto as pessoas preferirão usufruir mais lazer depende dos julgamentos de valor de cada indivíduo.

O emprego de mais e melhores ferramentas só é viável na medida em que o capital necessário esteja disponível.  A poupança — isto é, um excedente da produção sobre o consumo — é condição indispensável de todo aperfeiçoamento tecnológico.  O mero conhecimento tecnológico é inútil se não houver capital para utilizá-lo. Os empresários indianos estão familiarizados com os métodos americanos de produção; o que os impede de adotá-los é a falta de capital e não os baixos salários da Índia.

Por outro lado, a poupança capitalista necessariamente gera o emprego de máquinas e ferramentas adicionais.  O papel que a poupança simples — isto é, a acumulação de bens de consumo como uma reserva para dias mais difíceis — representa na economia de mercado é de menor importância.  No regime capitalista, a poupança é geralmente poupança capitalista.  O excesso de produção sobre o consumo é investido seja diretamente no próprio negócio ou na fazenda do poupador, seja indiretamente nas empresas de outras pessoas por meio dos depósitos de poupança, ações ordinárias ou preferenciais, títulos, debêntures e hipotecas.[7]  Na medida em que as pessoas mantenham o seu consumo abaixo de sua renda líquida, cria-se capital adicional que é empregado na expansão do capital fixo do aparato de produção.  Por um lado, o que é invariavelmente necessário para o emprego de mais e melhores ferramentas é a acumulação adicional de capital; por outro lado, não há melhor emprego para o capital adicional do que a utilização de mais e melhores ferramentas.

A tese de Ricardo e a doutrina sindical que dela deriva invertem as coisas.  Uma tendência de alta dos salários não é a causa, mas o efeito, do progresso tecnológico.  A atividade econômica com fins lucrativos é obrigada a empregar os métodos de produção mais eficientes.  O que impede um empresário de melhorar o equipamento de sua empresa é somente a falta de capital.  Se o capital necessário não estiver disponível, nenhum aumento salarial poderá proporcioná-lo.

O máximo que os salários mínimos podem conseguir em relação ao emprego de maquinaria é desviar investimentos adicionais de um setor para outro.  Suponhamos que em um país economicamente subdesenvolvido, a Ruritânia, o sindicato dos estivadores consegue forçar os empresários a pagarem salários que são comparativamente maiores do que os pagos nas outras atividades econômicas.  Pode ocorrer então que o emprego mais rentável para o capital adicional seja utilizar dispositivos mecânicos para carga e descarga dos navios.  Mas o capital assim empregado foi subtraído de outros setores da atividade econômica da Ruritânia, nos quais, não fosse a pressão sindical, teria sido empregado de uma maneira mais vantajosa.

O efeito dos altos salários dos estivadores não é um aumento, mas uma diminuição da produção total da Ruritânia.[8]  Salários reais só podem aumentar, mantidas inalteradas as demais circunstâncias, na medida em que o capital se torne mais abundante.  Se o governo ou os sindicatos conseguem forçar salários superiores aos que teriam sido estabelecidos pelo mercado de trabalho não obstruído, a oferta de mão de obra excede a demanda por mão de obra.  Surge o desemprego institucional.

Firmemente comprometidos com os princípios do intervencionismo, os governos tentam impedir esta indesejada consequência de sua interferência pelo recurso a medidas conhecidas hoje em dia como política de pleno emprego: auxílio-desemprego, arbitragem de questões trabalhistas, realização de obras públicas por meio de gastos volumosos, inflação e expansão creditícia.  Todos esses remédios são piores do que os males que pretendiam corrigir.

O auxílio dado aos desempregados não acaba com o desemprego.  Facilita para quem prefere permanecer ocioso. Quanto mais próximo este subsídio estiver do nível que teriam os salários no mercado não obstruído, menor será o incentivo para o beneficiado procurar emprego.  É uma maneira de prolongar o desemprego e não de suprimi-lo.  As desastrosas consequências financeiras desse tipo de auxílio-desemprego são por demais conhecidas.

A arbitragem não é um método adequado para decidir disputas quanto a valor de salários.  A sentença do árbitro se fixar os salários exatamente no valor potencial de mercado ou num valor mais baixo, não terá efeitos práticos; se fixá-los acima do valor potencial de mercado, as consequências serão as mesmas que as provocadas por qualquer outro modo de fixar salários mínimos acima do nível de mercado, qual seja, desemprego institucional. Não importa que razões o árbitro tenha invocado para justificar sua decisão.  O que importa não é saber se os salários podem ser considerados "justos" segundo algum critério arbitrário; é saber se provocam ou não um excesso de oferta de mão de obra sobre a demanda por mão de obra.

Para algumas pessoas, pode parecer justo fixar os salários num nível tão alto que uma grande parte da força de trabalho fique condenada a um longo período de desemprego.  Mas ninguém poderá dizer que isso seja conveniente e benéfico para a sociedade.

Se os recursos para a realização de obras públicas são obtidos através de impostos ou de empréstimo, o aumento de recursos do Tesouro equivale à diminuição da capacidade de investir e de consumir dos cidadãos.  Nenhum emprego adicional pode ser criado dessa maneira.  Mas se o governo recorre à inflação para custear os seus gastos — aumentando a quantidade de moeda e expandindo artificialmente o crédito (isto é, sem que esteja havendo poupança) —, o máximo que consegue é um aumento geral de todos os preços e serviços.

Se, no curso dessa inflação, o aumento dos salários não acompanhar o aumento de preços das mercadorias, o desemprego institucional pode diminuir ou mesmo desaparecer completamente.  Mas o que o faz diminuir ou desaparecer é precisamente o fato de que houve uma redução dos salários reais.  Lorde Keynes considerava a expansão do crédito um método eficiente para eliminação do desemprego; acreditava que uma "diminuição gradual e automática dos salários reais em decorrência do aumento dos preços" não encontraria tanta resistência por parte dos trabalhadores, quanto uma redução no valor nominal dos salários.[9]  Todavia, o sucesso de um plano tão ardiloso implicaria um grau de ignorância e estupidez dos assalariados altamente improvável.  Enquanto os trabalhadores acreditarem que o estabelecimento de salários mínimos lhes beneficia, não se deixarão enganar por esse tipo de subterfúgio.

Na prática, todos esses expedientes de uma suposta política de pleno emprego mais cedo ou mais tarde conduzem à instauração de um socialismo modelo alemão.  Levando-se em conta que os membros de uma comissão de arbitramento indicados pelos empregadores nunca chegam a um acordo com os indicados pelos sindicatos quanto à remuneração que possa ser considerada justa, a decisão virtualmente fica com os membros indicados pelo governo.

Assim, o governo se investe no poder de determinar o valor que devem ter os salários.  Quanto mais proliferam as obras públicas e quanto mais o governo toma iniciativas para suprir a "incapacidade da empresa privada de gerar emprego para todos", mais se retrai o campo de ação da iniciativa privada.  Isso nos coloca, mais uma vez, diante da alternativa: capitalismo ou socialismo.

Uma política de salários mínimos que produza resultados duradouros é inteiramente inconcebível.


Leia também Trabalho, emprego, poupança e capital



[1] Ver W.H. Beveridge, Full Employment in a Free Society, Londres, 1944, p. 92 e segs.

[2] Ver Hutt, The Theory of Collective Bargaining, p. 10-21.

[3] Ver Marx, Value, Price and Profit, ed. E.Marx Aveling, Chicago, Charles H. Kerr & Company, p.125.

[4] Ver A.Lozovsky, Marx and the Trade Unions, Nova Iorque, 1935, p. 17.

[5] Ver Marx, op. cit, p.126-127.

[6] Ver Ricardo, Principles of Political Economy and Taxation, cap. i, seção v. O termo "efeito de Ricardo" é usado por Hayek em Profits, Interest and Investment, Londres, 1939, p.8.

[7]  Como estamos lidando com as condições de uma economia de mercado não obstruído, podemos desprezar os efeitos de consumo de capital provocados pelos empréstimos públicos.

[8] O exemplo é meramente hipotético. Um sindicato tão poderoso provavelmente impediria a utilização de dispositivos mecânicos para carga e descarga de navios, a fim de "criar mais empregos".

[9] Ver Keynes, The General Theory of Employment, Interest and Money, Londres, 1936, p. 264. Para um exame crítico dessa ideia, ver Albert Hahn, Deficit Spending and Private Enterprise, Postwar Reajustments Bulletin n. 8, U.S. Chamber of Commerce, p. 28- 29; Henry Hazlitt, The Failure of the "New Economics",Princeton, 1959, p. 263-295.



autor

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".


  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  25/02/2012 08:57
    "Marx" nunca foi referência para ninguém. Ele foi apenas um frio assassino.
  • Carlos  25/02/2012 14:49
    Quem Marx matou que eu não estou sabendo?
  • anônimo  25/02/2012 19:08
    Dos seis filhos que teve com a mulher, Jenny, uma aristocrata, três morreram na primeira infância, em decorrência do estado de penúria a que foram submetidos, e os outros – as filhas Jenny, Laura e Leonor – terminaram a vida cometendo suicídio. O único sobrevivente, Freddy, filho de Marx com a empregada, Helene, nunca reconhecido pelo pai, foi adotado por Engels para "salvar as aparências". Jenny, a mulher, prematuramente envelhecida pelo sofrimento, morreu aparentemente sem perdoar o marido por ter engravidado a empregada.

    Com os pais, Marx não se comportou de modo menos egoísta. Por ocasião da morte do pai, Heinrich, vítima de câncer no fígado, não compareceu ao enterro porque, segundo ele próprio, "não tinha tempo a perder". Por conta disso, a mãe, Henriette, saturada de pagar suas dívidas, com ele cortou relações, não antes de adverti-lo: "Você devia juntar algum capital em vez de só escrever sobre ele."

    Mas foi ao cometer grosseria com a amigo e provedor de todas as horas, Engels (1820/95), que Marx concedeu a chave para explicação de sua moralidade. Após a morte da companheira amada Mary Burns, Engels escreve ao amigo dizendo-se arrasado pelo fato (Karl Marx, Francis Wheen, Record, 2001). Marx, por carta, responde que a notícia o surpreendeu, mas logo passa a tecer considerações sobre as próprias necessidades pessoais. Engels, magoado com a frieza do outro, suspende dádivas e correspondência. O que leva Marx, apressado, não propriamente a pedir desculpas pela conduta mesquinha, mas a admitir, com franqueza brutal, que "em geral, nessas situações, meu único recurso é o cinismo".

    fonte:
    www.olavodecarvalho.org/convidados/ipojuca2.htm
  • mcmoraes  25/02/2012 19:33
    Não, o Marx não matou ninguém. As 149.469.610 pessoas mortas pelo comunismo não tem nada ver com o Marx. Só o que o ilibado Marxinhos fez foi escrever uns livros teóricos, mais nada. Se outras pessoas decidiram botar as idéias dele em prática e com isso assasinaram multidões, ele não teve nada com isso.
  • luizhenrique  13/01/2016 14:55
    Por esse ponto de vista então Hitler não matou ninguém também, Hitler não teve culpa se seguiram o que ele disse.
  • Carlos  25/02/2012 15:05
    Marx foi um brilhante intelectual e filósofo. Não importa o revisionismo nem mesmo uma eventual superação do pensamento marxista, Marx sempre terá um lugar especial na história do pensamento.
  • Catarinense  25/02/2012 18:15
    Que mané. Marx tem o seu lugar especial na história do pensamento, isto é uma certeza. Mas não creio que a lixeira seja um lugar para se gabar de estar. Só sendo um analfabeto funcional para idolatrar tamanha besta -ou ser extremamente funesto.
  • mcmoraes  25/02/2012 19:37
    Diga-nos, Carlos, por favor: quais são os pensamentos do Marx que mais lhe causam admiração?
  • Carlos  25/02/2012 18:41
    Sem leis de salário mínimo, pisos salariais e leis trabalhistas, a prática de trabalho escravo tornaria se praticamente legal. Quem sofreria mais seria obviamente os trabalhadores dos paises subdesenvolvidos. Essas regulamentações são muito importantes para protegê-los.
  • marcel  26/02/2012 07:18
    ué, na dinamarca não existe lei de salário mínimo. o trabalho escravo é uma realidade na dinamarca carlos?
  • Leandro  26/02/2012 07:26
    Nem na Suécia, nem na Alemanha, nem na Áustria, nem na Noruega e nem na Finlândia. Lá o pessoal certamente trabalha sob o chicote e com correntes em suas pernas.
  • Paulo  26/02/2012 17:00
    Por que, segundo a Heritage Foundation a Alemanha, Suécia e Noruega apresentam liberdade laboral mais baixa do que o Brasil?
  • Leandro  27/02/2012 02:19
    Boa pergunta em relação à Alemanha. Bastante esquisita a pontuação, mesmo porque os relatos da própria Heritage contradizem suas notas. Compare Brasil e Alemanha:

    Brasil (59,1) = Stifling labor regulations continue to undermine employment and productivity growth. Mandated benefits amplify overall labor costs.

    Alemanha (41,1) = Labor relations are sound, and employers and workers have worked cooperatively to adjust wages and work hours in response to the changing economic environment.


    Já sobre a Suécia e a Noruega, não é surpresa alguma. Pode não haver salário mínimo, mas há encargos e lei trabalhistas.

    Suécia (54,6) = Labor regulations are among the most rigid in Europe.

    Noruega (46,3) = The labor market lacks flexibility, although the non-salary cost of employment is not high in comparison to other countries in the region.
  • Paulo  27/02/2012 12:57
    No indicadores deste ano, o heritage não explica, mas em rankings anteriores eles explicam a baixa pontuação da Alemanha:

    Em 2011:

    www.heritage.org/index/pdf/2011/countries/germany.pdf

    LABOR FREEDOM: 40.6
    Labor regulations are burdensome and costly. The non-salary cost of employing a worker is high, and the severance payment system is expensive. Wages and fringe benefits remain among the world's highest.

    Em 2010:

    www.heritage.org/index/pdf/2010/countries/germany.pdf

    LABOR FREEDOM — 39.9
    Labor regulations are restrictive. The non-salary cost of employing a worker is high, and dismissing an employee is costly. Wages and fringe benefits remain among the world's highest.

    Mas mesmo estes países tendo leis trabalhistas mais rígidas, você não acha que o simples fato de não existir uma lei de salário mínimo, já era para dar uma pontuação mais alta do que o Brasil?

    E tem outros, que são líderes no ranking, como HONG KONG, que criaram uma lei de salário mínimo.

    Não quero dizer que o salário mínimo é critério para dar pontuação nas questão da liberdade laboral. Outros critério também. Por exemplo, a Suécia não estabelece um salário mínimo, mas a licença maternidade é de mais de 1 ano.
  • Leandro  27/02/2012 13:14
    Agora veja que interessante. De acordo com a Heritage, um dos problemas da Alemanha são os altos salários. Ué, como assim? Como podem os salários ser tão altos se não há nem salário mínimo? Não era para haver apenas trabalho escravo nestas condições? A esquerda pira.

    Quanto às regulamentações trabalhistas específicas de lá, não posso comentar pois não sei detalhes. Porém, como vimos explicando em nossa série de artigos sobre o euro, houve uma imposição de harmonização das regulamentações trabalhistas por toda a zona do euro. Países pobres e pouco produtivos, como Portugal e Grécia, repentinamente ficaram iguais à Alemanha em termos de legislação. Nessas condições de igualdade forçada, é claro que todo mundo vai preferir produzir na Alemanha, onde a mão-de-obra e a produtividade são melhores. Daí a disparidade entre o desemprego destes países em meio a esta crise.
  • Carlos  25/02/2012 18:54
    O problema de vcs é que ficam muito no plano das idéias e abstem se da realidade. Nada garante que essas teorias são válidas. Precisa se buscar ostensivamente evidências concretas de que funcionam. E deve se tomar cuidado pq pode funcionar bem numa sociedade e mal em outra. Não se pode fechar se numa torre de marfim para teorizar sobre s problemas humanos, sejam econômicos, sociais, ou de outro tipo, pois o homem não é previsível. Ele não é uma coisa, nem um animal irracional. Ele é dotado de profunda subjetividade, que se constrói dentro dele e na própria sociedade, na vivência diária, e vai se modificando constantemente. Isso complica tudo e é o que torna o homem tão complexo.
  • Fernando Chiocca  25/02/2012 19:55
    Parabéns Carlos, bateu o recorde da ignorância nesse comentário.

    Sim as teorias são válidas, e com garantia. A teoria econômica praxeológica é axiomática, ou seja, suas proposições são válidas a priori. Isto quer dizer não só que não necessitam ser testadas para terem suas veracidadade comprovada como também nenhum teste empirico subsequente pode refutá-las.

    E suas proposições são universalmente válidas, ou seja, esse seu patético argumento historicista de que pode ser que funcione em uma sociedade ou tempo e em outra não, não tem fundamento.

    Carlos, coném saber o básico daquilo que se está tentando criticar antes de tentar criticar, ou corre-se o risco de passar a vergonha que vc acabou de passar....

    Mas seu caso parece não só ser de ignorância, pois vc demonstra possuir muita burrice tb:

    o homem não é previsível. Ele não é uma coisa, nem um animal irracional. Ele é dotado de profunda subjetividade, que se constrói dentro dele e na própria sociedade, na vivência diária, e vai se modificando constantemente. Isso complica tudo e é o que torna o homem tão complexo.

    Ou seja, o homem não é prevísivel, mas vc, espantosamente, faz uma previsão precisa do comportamento do homem...

    Vai pra casa, vai..
  • Deilton  26/02/2012 09:01
    Compare a Coreia do Norte com a Coreia do Sul. Rússia com USA. Olhe o bem que o capitalismo fez para alguns países e o mal que o socialismo fez para outros. Olhe que USA tem muita intervenção estatal, que infelizmente é crescente. Apesar da intervenção estatal os países onde há mais capitalismo há mais riqueza e mais qualidade de vida.
  • David  27/02/2012 10:58
    Desculpe minha curiosidade, caro Carlos.

    mas voce lê os textos que voce critica?
  • Raphael Auto  25/02/2012 18:59
    O IMB pensa em traduzir o "Socialism" de Mises?
  • Fernando Chiocca  27/02/2012 19:35
    Pensa. Mas sem previsão por enquanto.
  • anônimo  26/02/2012 08:16
    "Os salários determinados por um mercado livre e desimpedido tendem para um nível que permite àqueles que quiserem trabalhar conseguir emprego."

    Concordo, mas não temos um mercado livre no Brasil, e uma suposta política de pleno emprego nunca foi conseguida, Keynes sugeriu que a economia poderia estabilizar-se num ponto aquém do nível de pleno emprego, como? especulando e baixando a renda.

    O consumo não mais de terminado pela renda do individuo e sim pela renda disponível.

  • Rhyan  26/02/2012 08:34
    Sempre bom ler Mises...

    "Por um lado, o que é invariavelmente necessário para o emprego de mais e melhores ferramentas é a acumulação adicional de capital; por outro lado, não há melhor emprego para o capital adicional do que a utilização de mais e melhores ferramentas."

    Não entendi bem, não é um argumento circular?
  • Leandro  26/02/2012 08:48
    Não é um argumento circular, mas sim a ilustração de um ciclo auto-alimentável. A frase é um complemento de tudo o que foi escrito acima e pode ser reescrita e ilustrada da seguinte forma:

    1) As pessoas consomem menos do que ganham;

    2) acumula-se capital adicional;

    3) este capital adicional gera mais e melhores ferramentas (maquinários, computadores, instalações etc.);

    4) todo e qualquer capital adicional que não for consumido será (inevitavelmente) reempregado na aplicação de mais e melhores ferramentas -- o que significa que não há capital desperdiçado; o que significa que a poupança (consumir menos do que a renda) nunca será algo ruim.
  • Rhyan  26/02/2012 09:49
    Ficou mais claro, obrigado!
    Abraço!
  • Pedro Valadares  08/05/2012 13:09
    Mas e se o montante economizado for destinado para o rentismo e não para um investimento em maquinário? O capital ficaria parado.
  • Leandro  08/05/2012 13:38
    O que você chama de rentismo? Investimento em títulos públicos? Pois é, também concordo plenamente: o déficit público tem de ser proibido por lei, assim como a emissão de títulos. O governo que se vire apenas com o que coleta de impostos. Se não for o suficiente, que corte gastos e reduza os salários de seu funcionalismo.
  • Pedro Valadares  08/05/2012 13:48
    Leandro, mas não só títulos públicos. Todos os tipos de investimentos não produtivos. Por exemplo, a própria caderneta de poupança. O que acontece se um empresário ao lucro R$1 milhão decidir aplicar na caderneta e parar de investir, vivendo somente de renda?

    Ele estaria represando capital?
  • Leandro  08/05/2012 13:56
    Pedro, e de onde vem a remuneração da caderneta de poupança? Acha que ela é criada do nada? Se sim, então esses bancos são muito bonzinhos, não?

    Dica: a remuneração da poupança vem de empréstimos feitos com esse dinheiro (65% vi para financiamentos de compra de imóveis). Se o pessoal tirar o dinheiro da poupança, tais empreendimentos simplesmente ficarão sem nada. Colocar dinheiro na poupança não é rentismo; é um investimento que permite a criação de capital (embora seja um investimento sem risco por questões de interferência governamental).

    Rentismo ocorre apenas quando se compra títulos do governo. Dado que o governo nada produz, ele precisa confiscar dinheiro de uma parcela da população para pagar aquela outra parcela que comprou seus títulos. Isso sim é rentismo e parasitismo.
  • Mr.Garone  26/02/2012 14:55
    Esse Carlos vive em qual planeta? Eu acho que ele acredita em duendes, papais noeis ou então ele nunca leu nada sobre Marx e os efeitos do comunismo e muito menos não deve saber nada de matemática econômica e financeira.

    Eu fico agressivo com pessoas ignorantes assim tipo o Carlos, mas coitado dele acredita nas mentiras do Marx ele ainda é uma criança que não saiu das fraldas, muito burrinho!
  • Victor  26/02/2012 16:42
    Olá, alguém sabe me dizer como funciona a aposentadoria nesses países sem salário mínimo? Digo, quanto um idoso ganha no início?
  • Andre Cavalcante  27/02/2012 08:55
    Olá

    Olha, eu não responder a tua pergunta diretamente, até porque nunca fui à Dinamarca, mas se fosse criar um sistema sem salário mínimo, a aposentadoria seria relativo à contribuição (e seria sim contribuição e não imposto, como é no Brasil) de cada qual. O indivíduo contribuiu por 30 anos equivalentemente ao seu salário mensal, receberá então o valor justamente devido. Se contribui uma parcela ínfima, vai receber infimamente. Quem não contribuir, não recebe nada. Claro que nada impede de haver instituições sociais que cubram essa parcela da população, financiadas por outros meios, mas creio que seria uma minoria.

    Abraços.
  • Rene  27/02/2012 09:22
    Acredito que, se realmente tivéssemos opção, pouquíssimas pessoas iriam optar pela aposentadoria estatal. Desde sempre ouço falar sobre o rombo da previdência, que cresce ano a ano, já que o valor que é descontado da folha de pagamento não é investido em um título de longo prazo, mas é utilizado para pagar a aposentadoria de quem já está aposentado. Quando converso com as pessoas sobre a possibilidade da previdência estatal quebrar, percebo um ar de pânico na maioria delas, indicando claramente que não possuem um plano B.\r
    \r
    Se tivéssemos a opção, poderíamos escolher não apenas uma empresa que ofereça um plano de aposentadoria X, mas várias empresas com pequenos planos distintos, o que minimizaria o risco de uma destas empresas quebrar. Pessoas mais ousadas poderiam escolher investir o dinheiro na bolsa de valores, ou até abrindo seu próprio negócio. Ou poderiam simplesmente ter muitos filhos e esperar que um deles o sustentasse na velhice, que é o sistema previdenciário que funcionou por mais tempo na humanidade.
  • Victor  28/02/2012 07:41
    Obrigado pela resposta, pessoal.
  • Fabio  27/02/2012 05:13
    "Sim as teorias são válidas, e com garantia. A teoria econômica praxeológica é axiomática, ou seja, suas proposições são válidas a priori. Isto quer dizer não só que não necessitam ser testadas para terem suas veracidadade comprovada como também nenhum teste empirico subsequente pode refutá-las."

    E você tem consciência das implicações epistemológicas disso? A de que essa teoria não diz nada sobre a realidade independente dos sentidos. Ei, não fique bravo comigo, é voce quem está dizendo isso. Se alguém escolhe construir uma teoria formal, ou puramente sintática, é essa a consequencia epistemológica. Nesse sentido a praxeologia é um meio de chegar a algo, como o cálculo de preposições da lógica, dependendo de um indivíduo que conheça a realidade e consiga elaborar premissas válidas.

    Por isso é perigoso sair por ai simplesmente dizendo que a praxeologia é válida por definição. Isso é verdade, mas não mostra como é possível extrair previsões sobre a realidade usando-a. Um construto puramente sintático não possui relação com a realidade.

    Mais informações sobre o assunto, ver as críticas do Wittgenstein à matemática. Lógico que o Goddel provou que o Witt está errado, mas a essencia da argumentação é que interessa. Quem está dizendo que a praxeologia é puramente sintática não sou eu.
  • mcmoraes  27/02/2012 06:22
    Fábio, vc seria poderia por favor elaborar um pouco mais a sua crítica e/ou dar alguns exemplos? Eu não entendi bem o que você quis dizer. Obrigado desde já.
  • Fabio  27/02/2012 11:28
    Uma teoria puramente sintática é apenas um conjunto de regras coerentes entre si que servem para chegar a alguma conclusão (realizar inferência) a partir de algumas premissas. Não existe relação com a realidade. Quer um exemplo:

    1- Todos os cachorros são verdes

    2- Eu tenho um cachorro

    Conclusão: meu cachorro é verde.

    Isso está logicamente correto, mas é obviamente um absurdo. COMO ISSO? O cálculo de preposições da lógica foi demonstrado pro Godel como meramente sintático, em seu trabalho de doutorado. De forma resumida, que a lógica sustenta a si mesma! A consequencia é que isso não te permite conhecer a realidade, mas é uma poderosa ferramenta de inferência a partir de premissas válidas.

    Teorias da Física não são meramente sintáticas, pelo contrário. Elas não se sustentam sozinhas. Elas fazem referencia a algo externo a elas, que é a natureza, que existe independente da nossa própria existencia. Elas não são apenas um conjunto de regras coerentes entre si.

    No começo do século passado o Wittgenstein disse que a matemática era meramente sintática, ou seja, que era apenas um conjunto de regras coerentes entre si e que não tinha relação com o mundo real. Aí o Godel foi lá e provou, através dos seus DOIS teoremas da incompletude, que a aritmética básica não é meramente sintática (e ela é a base de toda a matemática). Portando pelo que se sabe a matemática é algo mais do que uma ferramenta de inferência, ela está ligada de algum modo à algo da realidade, como se existisse uma realidade matemática no universo. É talvez o resultado mais importante do século passado na matemática.

    Pelo que entendi, a praxeologia é meramente sintática. Ela, por si só, é apenas uma ferramenta de inferência. É preciso premissas válidas extraídas por alguém para que se obtenha resultados úteis sobre a realidade. Ou voce acha que é só chegar, postular que sua teoria é verdadeira, e a realidade irá se moldar às suas palavras? Se fosse assim cada um criaria seu proprio universo com suas próprias leis físicas, economicas...
  • mcmoraes  27/02/2012 12:25
    Obrigado, Fábio. Sua crítica então resume-se ao fato de que o Fernando esqueceu de mencionar que a praxelogia é completamente baseada na realidade. Sendo assim, você está de acordo com o mesmo trecho, ligeiramente modificado:

    "...Sim as teorias são válidas, e com garantia. A teoria econômica praxeológica é axiomática, ou seja, suas proposições são válidas a priori. Isto quer dizer não só que não necessitam ser testadas para terem suas veracidadade comprovada como também nenhum teste empirico subsequente pode refutá-las. Além disso, a praxeologia é baseada na realidade...

    Correto?
  • Fabio  27/02/2012 17:02
    Ele se contradisse, na verdade. Uma teoria que não pode ser refutada pela realidade (infalseável, nas palavras de Popper) também não se pode mostrar verdadeira pela realidade. Assim a teoria NÃO GUARDA RELAÇÃO com a realidade, ela é INDEPENDENTE da realidade. Ela é válida mesmo que vivêssemos em outro universo com outras leis físicas e econômicas. Ela é válida até mesmo se não existíssemos.

    A grande sacada do Mises é que ele entendeu que átomos e moléculas podem ser conhecidos através da experiencia, mas a motivação humana não, pois cada indivíduo possui motivações muito particulares impossíveis de serem conhecidas em grande escala. Dessa forma teorias economicas feitas a partir da experiencia estão fadadas ao fracasso...

    A partir disso, ele criou uma teoria "a priori", que é absolutamente verdadeira e infalseável. No entanto ela não guarda relação com a realidade. Isso é problema? Não. A função dessa teoria é a de ser METACONHECIMENTO para fundamentar um conhecimento econômico mais fidedigno. Ou seja, ele criou um sistema de inferência para a economia. Ele criou um modo de raciocinar sobre economia. Pouco, não? Uma comparação que tenho pra mim é que ele é o Aristóteles da economia.

    Dessa forma voce não precisa convencer alguém a acreditar na ação humana, ela é verdadeira independente da nossa existência. Voce precisa mostrar que essa é a melhor maneira de raciocinar sobre fenomenos econômicos. E eu não tenho dúvidas de que é. O Mises é obviamente genial.

    Eu estou usando termos simples pra tentar explicar, um filósofo de verdade ficaria um pouco chateado comigo. Eu espero ser entendido mais pelo espírito do que pela explicação de fato da coisa.
  • Fernando Chiocca  27/02/2012 19:32
    Como assim "não tem relação com a realidade"? De onde tirou isso?

    As proposições economicas são derivadas de axiomas, e o axioma fundamental da praxeologia é "o homem age". Este é um fato irrefutável da realidade, pois aquele ("ser", "homem racional e real") que tentar refutar, estará no momento da tentiva de refutação, afrimando a veracidade do postulado, pois estará agindo.

    E esta ação humana não é derivada de observações pois não há nada a ser observado além de movimentos corpóreos. E nenhuma experiência é necessária para comprovar e muito menos seria capaz de refutar a veracidade da proposição de que o homem age, e é um absurdo dizer que se perde alguma realação com a realidade por conta disso. Perder o contato com a realidade é dizer o contrário.


    E não entendi onde está o absurdo em concluir que seu cachorro é verde a partir das premissas que vc apresentou. Absurdo é dizer que ele não é verde.

    Fabio, acho que você vai gostar desta obra: A Ciência Econômica e o Método Austríaco
  • Tiago RC  28/02/2012 02:00
    Acho que o problema está em dizer isso: "nenhum teste empirico subsequente pode refutá-las".

    Se você faz uma proposição de verdade absoluta, basta um contra-exemplo pra refutar sua proposição. Um contra-exemplo indica que ou você cometeu algum erro na sua dedução, ou partiu de falsos axiomas. Não é porque o axioma da ação humana é verdadeiro que qualquer lógica que você derivar dele estará correta.

    Claro que também não é assim tão simples encontrar contra-exemplos válidos às teorias praxeológicas... a maioria delas chega a conclusões que têm como premissa "tudo o mais constante" (ceteris paribus). Para apresentar um contra-exemplo válido a uma teoria dessas, você precisaria provar que de fato tudo o mais estava constante, o que é praticamente impossível.
    Mas se, por ex., alguém usar a praxeologia para derivar a conclusão de que "X nunca poderá acontecer, em nenhuma situação", e alguém mostrar um único caso de X acontecendo, essa última pessoa usou um teste empírico para refutar com sucesso uma afirmação praxeológica.
  • mcmoraes  28/02/2012 04:59
    @Fabio: "Ele se contradisse, na verdade. Uma teoria que não pode ser refutada pela realidade (infalseável, nas palavras de Popper) também não se pode mostrar verdadeira pela realidade. Assim a teoria NÃO GUARDA RELAÇÃO com a realidade, ela é INDEPENDENTE da realidade..."

    @Tiago RC: "Acho que o problema está em dizer isso: "nenhum teste empirico subsequente pode refutá-las"...

    Não vejo onde está o problema. Vamos usar por exemplo a seguinte afirmação:

    "Todo consumo deve ser precedido de produção."

    Essa afirmação é completamente baseada na nossa realidade. Num universo paralelo, onde o simples fato de querer alguma coisa permitisse seu consumo direto, essa afirmação não seria válida. No entanto, no nosso universo, até onde eu sei, é impossível falseá-la.



  • Fabio  28/02/2012 04:59
    Nenhuma teoria verdadeira à priori tem relação com a realidade. Isso é um fato básico que qualquer um se depara num curso de epistemologia. Uma teoria assim é puramente sintática. Simplesmente leia Wittgenstein e toda a controvérsia sobre a matemática no inicio do século XX. A realidade não se molda à teoria, mas o contrário! Observe o que voce disse:

    "E não entendi onde está o absurdo em concluir que seu cachorro é verde a partir das premissas que vc apresentou. Absurdo é dizer que ele não é verde"

    O absurdo é que a conclusão pode não corresponder com a realidade, pois parti de uma premissa inválida. A lógica é falsa? Não, ela apenas não guarda relação com a realidade. Somos nós que a fazemos servir para fazer inferências sobre a realidade através do seu uso correto e do estabelecimento de premissas válidas.

    Se voce estabelecer premissas errôneas e usar a praxeologia, é possível extrair conclusões que não correspondam à realidade, o que não nos interessa. Mas a praxedologia continua válida, verdadeira, para todo o sempre. A praxeologia é um sistema de inferência, tal qual é a lógica. Esse é o poder dela, essa é a genialidade do Mises.

    E se esse aspecto não ficar claro, o indivíduo pode acabar recusando a escola austríaca por achar que ela se baseia na fantasia de um tal Mises. O caráter irrefutável da praxeologia precisa ser esclarecido e justificado. O que se baseia na realidade não é a praxeologia, mas a escolha por criar uma teoria puramente sintática a partir da impossibilidade de conhecer o interesse individual de milhoes de pessoas.
  • mcmoraes  28/02/2012 09:02
    @Fabio: "...Nenhuma teoria verdadeira à priori tem relação com a realidade. Isso é um fato básico que qualquer um se depara num curso de epistemologia. Uma teoria assim é puramente sintática. Simplesmente leia Wittgenstein e toda a controvérsia sobre a matemática no inicio do século XX. A realidade não se molda à teoria, mas o contrário!..."

    Vou botar na pilha de leituras o Wittgenstein. Mas enquanto a minha leitura não acontece, você não seria generoso (ou capaz) o suficente de defender essa idéia com as suas palavras, quero dizer, explicar aquilo que você entendeu de sua leitura do Wittgenstein? É muito cômodo fazer uma afirmação dessas e simplesmente dizer "leiam o fulano e você entenderão". Ora, se você já leu o fulano, já entendeu e está pleanamente convencido de que ele está certo, por que simplesmente não explicar de uma vez a idéia que você e o fulano defendem. De que forma o axioma fundamental da praxeologia "o homem age" está desconectado da realidade?

  • Fernando Chiocca  28/02/2012 09:27
    Poizé. O que está desconectado da realidade foi a sua premissa de dizer que todos os cachorros são verdes. A praxeologia não parte de premissas falsas, ela parte de axiomas, que são, na realidade, irrefutáveis.

    A praxeologia não é apenas sintática, a ação é o elo de ligação entre a mente e a realidade exterior, e as proposições praxeológicas reivindicam estar dizendo algo verdadeiro sobre a realidade.

    Wittgenstein é citado no livro que te indiquei, mas a epistemologia misesiana avança em áreas que ele jamais considerou.

  • Fabio  28/02/2012 11:22
    Mcmoraes

    Eu não estou dizendo o que entendi, eu estou dizendo que é razoável consenso entre vários filósofos: teoria puramente sintática não guarda relação com a realidade. Vou te indicar um livro direto sobre o assunto, bastante interessante de ler: Incompletude: A Prova e o Paradoxo de Kurt Gödel - Rebecca Goldstein - todos os meus alunos que indiquei gostaram do livro, e eu também.

    Nele há uma discussão para qualquer mortal entender o que estou incessantemente repetindo. Aproveite e tenha uma noção de um dos mais belos resultados da matemática do século 20.
  • mcmoraes  28/02/2012 11:37
    @Fabio: "Eu não estou dizendo o que entendi, eu estou dizendo que é razoável consenso entre vários filósofos..."

    Como assim? O que isso significa? Se você não é capaz de justificar com as suas palavras o significado da sua afirmação no contexto da nossa discussão, como você pode dizer que o consenso dos filósofos é razoável para o que estamos discutindo aqui? Lerei os livros sim, muito obrigado, mas se, por acaso, nenhum deles me mostrar de que forma o axioma básico da praxeologia está desconectado da realidade, o que eu faço? Nesse caso, como deverei entender tudo o que você me disse nos comentário anteriores?
  • Fabio  28/02/2012 11:23
    Chiocca: Ok lerei a referência. A discussão foi ótima.
  • Fernando Chiocca  28/02/2012 12:45
    Valeu. Se achar algum erro na tradução, por favor me envie.
  • Jose Roberto Baschiera Junior  16/03/2012 09:48
    A Suíça!

    No turbilhão de péssimas noticias, eis que surge uma para no dar esperanças:

    "Suíços dizem "não" a mais duas semanas de férias pagas

    O que você responderia se fosse perguntado pelo governo se gostaria de mais dias de férias por ano? No início desta semana, os eleitores na Suíça foram às urnas e disseram "não" a um adicional de férias de duas semanas por ano.
    No referendo suíço, 66,5% se mostraram contra a folga adicional, que colocaria o país no mesmo patamar de seis semanas de Alemanha e Itália. Para os suíços, que consideraram os apelos dos representantes governamentais e de empresários, a quinzena adicional de férias pagas poderia aumentar os custos do trabalho e colocar a economia em risco.
    Uma pesquisa realizada pela empresa de viagens online Expedia, com entrevistados de 20 países, apontou que o Brasil é um dos países em que as pessoas mais tem dias de férias remunerados (30) - mesmo número de França, Espanha e Dinamarca. Os brasileiros disseram que aproveitam todos os dias das férias.
    O estudo foi feito entre setembro e outubro de 2011, com 7.083 entrevistados. Holanda, Suécia, Noruega e Reino Unido estão em segundo lugar na lista, com 25 dias de férias remuneradas aos habitantes. Os americanos, que têm 14 dias de férias remuneradas, dizem que usam apenas 12. Os asiáticos são os que se mostraram mais avessos às férias. No Japão, os funcionários recebem apenas 11 dias pagos e dizem que usam, de fato, apenas cinco, enquanto os sul-coreanos recebem dez dias e aproveitam apenas sete."

    not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201203161439_TRR_80993163
  • Roberto Vieira  29/04/2014 03:00
    Uma premissa verdadeira e uma conclusão falsa:

    Noruega, Finlândia, Estados Unidos são ricos e bem sucedidos porque são capitalistas.

    O Brasil, os países da África, os países da América Latina são capitalistas.

    Portanto, o Brasil, os países da África, os países da América Latina são ricos e bem sucedidos.

    Isto não é uma construção lógica?

    Pode não ser lógico, mas tenho visto muita gente fazendo estas comparações absurdas entre países do hemisfério norte e do hemisfério sul. O que vocês aprendem em geografia e em história? Façam uma relação entre estes conhecimentos antes de escrever tanta bobagem. O hemisfério sul foi por décadas saqueado e colonizado pelos europeus e americanos. Como comparar o Brasil com eles???

    Quanto ao texto de Mises é um pensamento da Economia Ortodoxa que prega a submissão dos países do terceiro mundo as economias capitalistas centrais. As crises do capitalismo, prevista por Marx, encontram-se no acúmulo de capital e na superprodução. Na falta da massa salarial quem vai consumir? O Kenesyanismo é uma resposta intessante a burrice do capitalismo selvagem proposto por Mises.

    A "mão invisível" do mercado, que tudo regula, mostrou-se uma mão de batedor de carteira que canalizou trilhões de dólares do setor público para o setor privado. Os bancos federais de vários países tiveram que criar o "bolsa família" para países, através do Banco Mundial, Bird e FMI para que o mundo não fosse a bancarrota nestes últimos 5 anos.

    O capitalismo nos moldes da produção está sendo superado e controlado pelo capitalismo especulativo que nada produz. Novas crises estão por vir.
  • Liam Neeson  29/04/2014 04:41
    "Isto não é uma construção lógica?"

    A única coisa lógica aqui é a profundidade de sua ignorância. O capitalismo presente na Noruega, na Finlândia e nos EUA sempre foi mais avançado do que o presente no Brasil. Já os países da África, coitados, nunca souberam o que é capitalismo

    "Pode não ser lógico, mas tenho visto muita gente fazendo estas comparações absurdas entre países do hemisfério norte e do hemisfério sul."

    Coloque aqui os links de artigos que fazem isso. Caso contrário, você é um mero caluniador e difamador.

    "O hemisfério sul foi por décadas saqueado e colonizado pelos europeus e americanos. Como comparar o Brasil com eles???"

    Ainda há quem recorra a essa afetação vitimista de que somos pobres porque fomos colônias? Inacreditável. Pensei que tamanho coitadismo já havia sido superado.

    O curioso é que Austrália e Nova Zelândia também foram colônias exploradas. Aliás, o caso da Austrália foi ainda pior: o país era utilizado pelos britânicos como um mero campo de prisioneiros. Toda a escumalha do Reino Unido era deportada para a Austrália. Pela sua lógica, o país deveria ser pior do que a Zâmbia.

    Outro país que foi "explorado" mas enriqueceu é o Chile, nosso vizinho. A sorte deles é que sua população não é formada por chorões e derrotados como você.

    Por fim, a marca distintiva de um ignaro é a de usar o recurso dos três acenos ortográficos para dar ênfase à sua indignação.

    "Quanto ao texto de Mises é um pensamento da Economia Ortodoxa [...]"

    Essa foi a primeira vez que vejo alguém dizer que Mises -- que é ignorado (quando não desprezado) pelos economistas ortodoxos -- é ortodoxo. Incrível. Sugestão aos detratores: organizem-se minimamente e certifiquem-se de homogeneizar os ataques, apenas para evitar contradições. Nesse ritmo, chegaremos a um ponto em que será impossível um detrator fazer um crítica sem que ele próprio seja contraditado por outro crítico que falou algo imediatamente antes dele.

    "que prega a submissão dos países do terceiro mundo as economias capitalistas centrais."

    Coloque aqui trechos da obra de Mises que substanciem essa sua afirmação. Não vale correr.

    "As crises do capitalismo, prevista por Marx, encontram-se no acúmulo de capital e na superprodução. Na falta da massa salarial quem vai consumir? O Kenesyanismo é uma resposta intessante a burrice do capitalismo selvagem proposto por Mises."

    Como é que é? Ajude-me, por favor, a entender a lógica desse abismo de ignorância que é o seu cérebro. Quer dizer que crises são causadas por causa do aumento da capacidade produtiva (acúmulo de capital) e do aumento da oferta de bens (superprodução)? Quer dizer então que, quanto mais uma economia produz, maior é a crise em que ela está?

    Por essa lógica sensacional, quanto maior a penúria de uma economia, quanto maior a sua escassez, mais pujante ela é. Fenomenal!

    De resto, é curiosa a sua afirmação sobre Keynes versus Mises. Nenhum país do mundo adotou as políticas sugeridas por Mises; quase todos os países do mundo adotaram ou o keynesianismo pleno ou suas variantes. E todos esses países vivenciaram crises.

    Qual a conclusão que você deriva disso?

    "A "mão invisível" do mercado, que tudo regula, mostrou-se uma mão de batedor de carteira que canalizou trilhões de dólares do setor público para o setor privado."

    Mais uma lógica impecável!

    Segundo você, não é o governo, mas sim a "mão invisível" do mercado quem cobra impostos dos cidadãos e em seguida redistribui esses impostos para salvar justamente aquelas empresas que o próprio mercado levou à falência!

    Seus "raciocínios" têm o mesmo som de relinchos.

    "Os bancos federais de vários países tiveram que criar o "bolsa família" para países, através do Banco Mundial, Bird e FMI para que o mundo não fosse a bancarrota nestes últimos 5 anos."

    E o que causou essa quase bancarrota? Você pode começar aqui, se for capaz.

    "O capitalismo nos moldes da produção está sendo superado e controlado pelo capitalismo especulativo que nada produz. Novas crises estão por vir."

    Fechou com chave de latão!

    Veja a sua contradição: lá em cima você criticou severamente o "capitalismo de produção" dizendo que ele gera superprodução, acúmulo de capital e preços baixos. Agora, no entanto, está lamentando que ele está sendo substituído por especulação? Ué, decida-se. Afinal, a produção é boa ou é ruim? Especulação, até onde se sabe, não gera superprodução. Logo, pela sua lógica de jerico, a especulação tem de ser o modelo ideal a ser adotado para um capitalismo sem crises.

    Vá se informar minimamente, cidadão.


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