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Observações sobre minha interação com os economistas dos principais bancos centrais do mundo

Semana passada, participei de um seminário promovido pelo Banco Central Europeu sobre Liquidez Global.  Liquidez Global, obviamente, se refere a todo dinheiro circulando pelo mundo em decorrência das impressões de dinheiro praticadas pelos bancos centrais ocidentais — principalmente o Fed.  Imaginei ser interessante e proveitoso compartilhar algumas constatações, bem como destacar algumas descobertas que fiz.

1. A esmagadora maioria dos participantes era formada por economistas dos principais bancos centrais do mundo.  O grupo de 40-50 pessoas parecia estar de acordo com o fato de que sua política monetária — e em particular a do Fed — é a principal causadora do aumento dos preços dos ativos financeiros, inclusive das commodities e dos imóveis.

Aprendi que, embora não haja um consenso entre os banqueiros centrais sobre o aumento do crédito bancário ser o único fator a impulsionar os preços dos ativos (não obstante tenham me falado que muitos dizem que é sim, e um economista com quem conversei disse que era), há um consenso de que, no longo prazo, ele de fato é o único fator que gera inflação de preços.  Os fatores que alteram a inflação de preços no curto prazo são bastante insignificantes.  Um fator de curto prazo com o qual concordo são as mudanças na oferta de produtos importados.  Como diz um panfleto que comprei: "A inflação é, em última instância, um fenômeno monetário".

Por que os banqueiros centrais concordam que aumentos contínuos nos preços dos bens de consumo são em última instância causados por um aumento da oferta monetária, mas acreditam que aumentos contínuos nos preços dos ativos são apenas parcialmente causados por um aumento da oferta monetária é algo que está além da minha compreensão.

Só para esclarecer, perguntei a um banqueiro central sobre a teoria de que os sindicatos e suas exigências salariais podem elevar continuamente os preços.  Ele disse que podem — mas só se houver um aumento da quantidade de dinheiro na economia.  Perfeitamente correto.

Uma observação bastante interessante ocorreu quando ele disse que eu soava como um monetarista.  Disse-lhe que, na realidade, eu me alinhava mais com os austríacos.  Ele imediatamente respondeu dizendo que a Escola Austríaca não é muito diferente dos monetaristas em relação ao assunto em questão.  Ele estava certo, é claro, mas impressionou-me o fato de ele estar intimamente familiarizado com as visões austríacas.  Afinal, um banqueiro central italiano com quem conversei há alguns anos me perguntou: "o que é um austríaco?"

2. O grupo também discutiu os efeitos da política monetária sobre a economia e o sistema financeiro.  A conclusão foi a de que ela possui tanto um efeito auxiliador quanto um efeito desestabilizador (nós austríacos, obviamente, diríamos que ela é a única estimuladora da inflação de preços de ativos, do PIB e do consumo no longo prazo).  Uma apresentação de PowerPoint feita por um economista do Banco de Compensações Internacionais, a respeito da crise financeira, concluía: "A quem culpar? Segundo o modelo, o Fed".  Concordo.  Mas não deixa de ser espantoso que eles de fato digam/admitam isso.

Outra declaração foi a de que "o banco central pode criar distorções".  De novo, para nós austríacos — na ausência de catástrofes naturais —, um banco central é a única instituição capaz de criar profundas distorções.  E que estes banqueiros centrais estejam aceitando as consequências de sua influência é surpreendente, para dizer o mínimo.

3. O grupo comentava seguidamente que o que estimulou a alavancagem dos bancos foi o aumento do crédito.  Eles concordam que é a alavancagem o que impulsiona os preços dos ativos.  Porém, como disse uma pessoa, "o aumento da alavancagem tem de estar vindo de algum lugar" — isto é, você não pode criar mais alavancagem sem criar mais dinheiro/crédito.  (Eles definiram alavancagem como sendo o total de ativos bancários dividido pelo patrimônio líquido do banco).  Mais interessante, várias pessoas debateram e ventilaram a hipótese de que a alavancagem dos bancos está inversamente relacionada com o VIX [índice de volatilidade do S&P 500].

4.  Há toda uma área de pesquisa relacionada à seguinte informação, cuja importância eu também tive de aprender mais cedo em minha carreira: a maneira como o fluxo de dinheiro que entra na economia é transmitido para os preços dos bens de consumo é completamente diferente da maneira como um mesmo fluxo de dinheiro é transmitido para os preços dos ativos.  Os mecanismos de transmissão são distintos.  O dinheiro que afeta os preços dos bens de consumo é o dinheiro criado via expansão do crédito/empréstimos bancários, ao passo que o dinheiro que afeta os preços dos ativos é o dinheiro originado de empréstimos no mercado interbancário (entre os grandes bancos).  Este último vai parar nos hedge funds, nas grandes corretoras e nos investidores institucionais (institutos financeiros que investem grandes quantias de dinheiro) na forma de "passivos bancários não-monetários, tais como papeis do mercado financeiro, certificados de depósito, papeis comerciais, títulos e derivativos, os quais [são créditos bancários, mas] não são reconhecidos como o meio de troca comum".

Em decorrência disto, há um amplo debate sobre qual dos dois lados dos balancetes dos bancos é o responsável pelo aumento nos preços: o lado dos ativos ou o lado dos passivos.  Este debate é conhecido como 'a visão monetária versus a visão creditícia'.  A visão monetária é a visão dos passivos, e argumenta que é a criação de dinheiro na forma de depósitos bancários o que estimula a inflação de preços.  Já a visão creditícia é a visão dos ativos, e argumenta é a criação de crédito na forma de empréstimos bancários a responsável pelo aumento dos preços.  Eles observaram que o crédito cresceu muito mais rapidamente do que a oferta monetária ao longo dos últimos 25 anos.

Isso explica por que tanto o crescimento do PIB quanto os preços dos bens de consumo (na Europa e nos EUA) tiveram baixas taxas de crescimento enquanto que os preços dos ativos explodiram.  Explica também por que o desempenho do mercado financeiro não está relacionado ao desempenho da economia real — o dinheiro pode fluir para ativos e aumentar seus preços sem, no entanto, fluir totalmente para os bens de consumo, o que faz com que o PIB, que mensura o volume de dinheiro gasto em bens e serviços, permaneça baixo.

5. Embora ainda haja algum debate sobre isso, foi dito várias vezes que "os EUA são o provedor global de liquidez".  Eu imaginava que a Europa e partes da Ásia também eram provedoras, por meio de uma política monetária coordenada.  No entanto, de alguma forma, são os EUA quem supostamente conduz sozinho a liquidez.  Talvez o que eles quiseram dizer foi que o Fed é quem primeiro inicia as políticas monetárias e, após isso, todos os outros bancos centrais têm de seguir os mesmos passos do Fed, de modo não oficial, com a intenção de manter suas taxas de câmbio alinhadas.  Ao intencionalmente se esforçarem para manter suas taxas de câmbio alinhadas ao dólar, eles sugam capital estrangeiro, o que estimula os preços de seus ativos.  Portanto, a liquidez criada nos EUA se transforma em liquidez global.

6. Uma das teses apresentadas argumentava que a Europa influi enormemente nos preços dos ativos americanos, mas que isso não é observado explicitamente porque os eurodólares utilizados neste processo estão depositados em bancos americanos (tanto nos EUA quanto na Europa), o que significa que eles aparecem como sendo apenas ativos americanos.  Se isso for verdade, então os bancos europeus afetam os preços dos ativos americanos muito mais do que até então se imaginava.

7. Fiquei surpreso em constatar como o linguajar destes banqueiros centrais era bastante similar ao linguajar austríaco, considerando-se que, normalmente, os economistas do mainstream mascaram seus argumentos com uma linguagem obscura, indireta e tortuosa.  Os economistas monetários ali presentes não somente falavam com total desenvoltura sobre bancos centrais criando dinheiro, como também seguidamente observavam que isso só é possível devido à existência de um sistema bancário de reservas fracionárias.  Eles até mesmo utilizaram o termo criação de dinheiro "ex nihilo" (do nada), exatamente como os austríacos.  Além disso, eles também falaram sobre alocação errônea e insustentável de capital, distorções, e ciclos econômicos.  Curiosamente, uma monografia apresentada fazia uma distinção entre demanda agregada artificial, causada exclusivamente pela impressão de dinheiro, e demanda agregada real, que só pode aumentar em decorrência de um aumento na produção [para que alguém possa genuinamente consumir algo, primeiro ela tem de produzir; só assim ela irá conseguir o dinheiro necessário para o consumo].

8. Embora eles tenham deixado claro saber que são os responsáveis por causar as elevações de preços, os ciclos econômicos, a volatilidade nas commodities e nos ativos, e as crises financeiras, ainda assim eles seguem apoiando a existência do sistema bancário de reservas fracionárias e a criação artificial de crédito.  Eles realmente, genuinamente, acreditam que as economias precisam de criação de crédito para crescer.  Esta é a falha de raciocínio que origina todos os problemas.

 

A principal conclusão é que foi bastante surpreendente constatar o quão alinhado com as ideias e com o linguajar austríacos os economistas ali presente estão.  Creio que isso ocorre porque estas pessoas se concentram tão detalhadamente em questões monetárias e de preços que acaba sendo inevitável elas perceberem a realidade dos fatos.  Dentro da esfera de ação de sua rotina diária, tais indivíduos não lidam com politicagens e propagandas.  Eles estão apenas tentando entender — assim como os austríacos — como as coisas realmente funcionam.  A se lamentar apenas que, baseando-se em suas conclusões, eles não defendam políticas distintas das que implementaram até então.

 


autor

Kel Kelly
foi, durante 13 anos, corretor de Wall Street, analista de finanças e diretor de pesquisa para uma empresa de consultoria de organização listada na Fortune 500.  Os resultados de suas análises financeiras já foram apresentados na CNBC Europa e nas edições online da CNN, Forbes, BusinessWeek e Wall Street Journal.  Kel é formado em economia pela Universidade do Tennessee, possui MBA pela Universidade de Hartford e mestrado em economia pela Florida State University.  Mora em Atlanta e é autor do livro The Case for Legalizing Capitalism.


  • amauri  14/02/2012 05:46
    Bom dia!
    "A se lamentar apenas que, baseando-se em suas conclusões, eles não defendam políticas distintas das que implementaram até então."
    Este é o ponto. Conhecer eles conhecem. Por que então que as medidas tomadas só fazem piorar a situação? Porque só pioram para a maioria da população e eles não estão na maioria.
    abs
  • Marcos Campos  10/04/2012 14:00
    Exatamente, eles estão pouco preocupados para quem vai conseguir sobreviver...o deles já está garantido e mesmo que quizesem mudar, existem forças além de nossos poderes que os influenciam a fazer o que se é mandado.
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  14/02/2012 06:01
    Esse texto demonstra que esses economistas ligados a bancos centrais sabem exatamente o que estão fazendo. Eles sabem qual a solução, mas não a implementam porque isso seria o fim de seus empregos. Quando o caos financeiro e econômico se instalar, não será por falta de conhecimento das verdadeiras causas do problema que isso irá acontecer. É uma pena. Porque o diagnóstico existe para a doença, mas ninguém quer receitar o remédio amargo que realmente funciona. Preferem continuar continuar administrando doses cada vez maiores de placebo monetário criado ex-nihilo ao organismo econômico profundamente enfermo: a moeda fiduciária sem lastro. Criou-se a síndrome da dependência monetária crônica, doença que drena capitais para investimento da iniciativa privada, estanca a produtividade, reduz o crescimento econômico e produz acumulação crescente de gordura financeira no sistema bancário, obstruindo perigosamente as artérias do sistema produtivo real, o que irá levar fatalmente ao colapso do sistema econômico já enfartado.
  • Arabatzoglou  14/02/2012 07:35
    Prezado Leandro, gostaria de parabenizá-lo pelo seu trabalho. É realmente prazeroso ler seus artigos e de todo o Instituto de forma geral.

    Apesar disso, fiquei com uma dúvida no comentário do item 4. O autor indica que a criação de dinheiro gera aumento de bens de consumo e ativos financeiros de forma diferenciada. Uma pelo lado creditício, o outro pela visão monetária. E aqui ficou a dúvida: como o mercado interbancário influência exatamente o aumento de ativos financeiros? A única razão que me veio a mente é a de que desta forma, o dinheiro trocado no sistema interbancário altera a taxa de juros da moeda e por consequência influencia os depósitos bancários. Menor juro estimula os poupadores a levar o dinheiro para ativos que poderiam trazer retornos mais altos (e aqui em particular, ativos negociados nas bolsas de valores, imóveis e commodities), fazendo aumentar seus preços.
    Estou certo com relação a isto?

    Se este motivo estiver correto, porque o autor diferencia entre a visão creditícia e monetária, já que ambas não parecem "andar" independentemente uma da outra? Caso os BCs não alterem os parâmetros de controle (taxa de redesconto e compulsório), o crédito só aumentaria pelo aumento de depósitos ou pela criação do dinheiro nas operações de mercado aberto, certo? Portanto, seria possível afirmar que não se tratam de fenômenos independentes. Qual seria o raciocínio correto neste tema?

    Eu já li diversos artigos mas não me lembro de nenhum explicar este ponto em específico. No entanto, caso vc possa sugerir algum que tenha passado despercebido, eu agradeço. Continuem com o excelente trabalho.
  • Leandro  14/02/2012 08:09
    Prezado Arabatzoglou, muito obrigado pelos elogios ao nosso trabalho.

    Sobre sua pergunta específica, trata-se de um mecanismo um tanto mais oculto. O autor se refere àquele dinheiro movimentado no interbancário que, em vez de terminar nas reservas bancárias (que é o que afetaria os juros), é direcionado para hedge funds, grandes corretoras e investidores institucionais na forma de "passivos bancários não-monetários, tais como papeis do mercado financeiro, certificados de depósito, papeis comerciais, títulos e derivativos, os quais [são créditos bancários, mas] não são reconhecidos como o meio de troca comum".

    Ou seja, trata-se daquele dinheiro que os próprios bancos levantam entre si no interbancário para se alavancarem e investirem em ativos, mas com uma diferença: quando o dinheiro chega neste mercado, não está mais na forma de dinheiro, mas sim de papeis. Sim, é fato que toda a origem deste fluxo está na criação de dinheiro, porém, ao longo do percurso, este dinheiro se transforma em instrumentos financeiros.

    Como disse o artigo, trata-se de uma área de pesquisa que só agora vem ganhando atenção. E, certamente, eu ainda não estou entre aqueles que já a domina.

    Grande abraço!
  • Alexandre M. R. Filho  14/02/2012 07:41
    Que belo texto. Pra mim, o relato do autor mostra que tem muito economista (tipo o Mendonção, conforme aquele vídeo) que estão balançando em suas crenças.\r
    \r
    Agora, realmente é difícil admitir que se esteve errado. Ainda mais pra quem é mais velho, já ocupou cargos altos em bancos/governo etc.\r
    \r
    Mas que tá mudando, tá mudando...
  • Diego  14/02/2012 09:22
    Leandro poderia explicar um pouco melhor sobre o que é um ativo e o que é um passivo?
  • Leandro  14/02/2012 09:59
    Prezado Diego, ativo e passivo são conceitos contábeis e extremamente importantes.

    Vejamos como funciona no caso do setor bancário.

    Por exemplo, quando você deposita R$1.000 em espécie (dinheiro vivo) na sua conta bancária, em termos do balancete do banco haverá:

    1) um aumento de R$1.000 no lado do ativo (o banco agora possui cédulas totalizando R$1.000);

    2) um aumento de R$1.000 no lado do passivo (o banco agora tem para com você uma obrigação de R$1.000, os quais você pode sacar a qualquer momento de minha corrente).

    Neste mesmo cenário, imagine agora que eu vá a este banco e peça um empréstimo de R$10.000. O banco vai criar dinheiro do nada e abrir uma conta-corrente em meu nome. Neste caso, em termos do balancete do banco, haverá:

    1) um aumento de R$ 10.000 no lado do ativo (o banco agora criou um ativo que vai lhe render juros);

    2) um aumento de R$ 10.000 no lado do passivo (o banco agora tem para comigo uma obrigação de honrar R$ 10.000 em minha conta-corrente).

    Observe que se por acaso eu der um calote nesses R$ 10.000, haverá uma redução de R$10.000 no lado do ativo, porém o lado do passivo permanecerá inalterado (afinal, foi um dinheiro que eu utilizei e não paguei). Neste caso, haverá uma redução de R$10.000 no capital (ativo - passivo = patrimônio líquido) do banco, o que pode deixá-lo insolvente.

    Foi isso que ocorreu na atual crise financeira. O pessoal parou de pagar as hipotecas e os bancos sofreram uma redução no valor dos seus ativos (empréstimos hipotecários). Igualmente, o valor dos imóveis utilizados como garantia para as hipotecas também caiu, o que gerou o mesmo efeito de reduzir o valor dos ativos e deixar os bancos insolventes -- daí os pacotes de socorro governamental.

    Sugiro a leitura destes dois artigos para entender melhor estes dois conceitos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=705

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1145


    Grande abraço!
  • Diego  16/02/2012 05:25
    Obrigado pelas dicas, Leandro. Finalmente entendi essa contabilidade esdrúxula usada pelos bancos.
  • Getulio Malveira  14/02/2012 15:16
    Texto muito interessante. Realmente não dá pra acreditar que a esmagadora maioria dos economistas do mundo ignora esses fatos. É mais plausível pensar que eles conhecem perfeitamente o problema mas se negam a aceitar a solução proposta pelos austríacos por razões pessoais e políticas. Curiosamente, vejo isso como um ótimo sinal: mais tempo ou menos tempo verão que os BCs não tem poder para resolver os problemas que criam, logo...
  • anônimo  14/02/2012 21:39
    Olá, gostaria saber sua opinião sobre o modelo econômico do distributivismo, me falaram de uma tal cooperativa Mondragón que teve sucesso com esse sistema.Um abraço.
  • Rhyan  15/02/2012 02:17
    A visão austríaca da inflação está do lado dos passivos, ativos ou nenhuma delas?
  • Leandro  15/02/2012 06:42
    Não posso falar pelos austríacos em geral; falarei apenas por mim. Em minha concepção, a inflação é gerada "pelo lado dos ativos", isto é, pela criação de crédito (expansão dos meios fiduciários).

    O "lado dos passivos" argumenta que é a criação de dinheiro na forma de depósitos bancários o que estimula a inflação de preços. Porém, um aumento na quantidade de dinheiro nas contas-correntes não necessariamente irá causar inflação de preços simplesmente porque tal dinheiro não necessariamente precisa ser utilizado. Eu posso depositar R$ 100.000 em dinheiro vivo na minha conta-corrente e deixá-lo lá, parado. E o banco, por sua vez, pode não conseguir emprestá-lo para ninguém. Neste caso, houve um aumento nos depósitos bancários, mas não haverá aumentos nos preços (o dinheiro não se espalhou pela economia).

    Por outro lado, um aumento na criação de crédito significa que os bancos estão emprestando dinheiro. Não é concebível imaginar que pessoas e empresas peçam dinheiro emprestado apenas para deixá-lo parado em suas contas. Elas certamente irão gastar esse dinheiro, colocá-lo para circular. E é nesse processo que haverá aumento de preços.

    Portanto, criação de crédito gera inflação de preços, ao passo que um simples aumento das contas-correntes não necessariamente. É por isso que analisar a variação dos meios fiduciários (criação de crédito) é, em minha opinião, mais acurado do que analisar o M1 ou apenas os depósitos em conta-corrente.

    Abraços!
  • Rhyan  15/02/2012 07:06
    Estou confuso, parece a mesma coisa. Parece que o aumento de crédito vai gerar aumento dos depósitos.

    Obrigado, abraço!
  • Leandro  15/02/2012 07:15
    Sim, sim. Aumento do crédito inevitavelmente gera aumento dos depósitos em conta-corrente. Porém, o oposto não necessariamente é verdadeiro. Um aumento das contas-correntes não necessariamente decorre de um aumento no crédito. É possível haver um aumento do volume de dinheiro nas contas-correntes sem que este dinheiro seja utilizado.

    Para pegar um exemplo extremo: se o governo aumentar R$ 100 nas contas-correntes de todos os brasileiros (por meio da simples criação de dinheiro), e por algum motivo ninguém gastar este dinheiro, então não há por que haver inflação de preços. Mas houve aumento das contas-correntes. É um cenário improvável, é claro, mas é teoricamente possível.

    Por outro lado, se um sujeito pega R$ 100 emprestados (criados via reservas fracionárias), não é cabível imaginar que este sujeito não utilizará este dinheiro. Afinal, ele pediu emprestado para quê? Vai deixar o dinheiro parado e pagar juros sem utilizá-lo? Neste caso, tanto houve um aumento na quantidade de contas-correntes (estamos trabalhando com reservas fracionárias), mas tal aumento decorreu da criação artificial de crédito.
  • Rhyan  15/02/2012 07:18
    Perfeito, entendi!

    Valeu, Abraço!
  • Maurício Gonçalves  15/02/2012 10:19
    Olá, Leandro,

    Quais indicadores que compõem o que vc chama de meios fiduciários ?

    Abraços!

    Maurício
  • Leandro  15/02/2012 10:42
    Prezado Maurício, como tentei explicar aqui, meios fiduciários são os depósitos em conta-corrente que podem ser utilizados como meios de pagamento e que não estão lastreados por dinheiro padrão, seja esse dinheiro alguma commodity como ouro ou simplesmente cédulas de papel-moeda. Ou seja, trata-se da moeda escritural que não tem nenhuma reserva lastreando-a, pois foi criada do nada pelo sistema bancário. Ou, para ficar no popular, é o dinheiro que você utiliza como pagamento via cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos ou nos depósitos dos bancos junto ao Banco Central. Trata-se de um dinheiro sem lastro, que foi criado via reservas fracionárias.

    E para que este dinheiro sem lastro surja, é necessário que tenha havido a criação de algum empréstimo via reservas fracionárias. Sem este tipo de empréstimo, não haveria meios fiduciários (e, consequentemente, não haveria criação artificial de crédito).

    No Brasil, os meios fiduciários são definidos ao se subtrair a base monetária do M1.

    Grande abraço!
  • Rhyan  15/02/2012 07:09
    As vezes perco meus comentários quando envio, aparece:

    Server Error in '/' Application.
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    Source Error:

    [No relevant source lines]


    Source File: App_Web_s7yp_qhq.30.cs Line: 0

    Stack Trace:

    [ViewStateException: Invalid viewstate.
    Client IP: xxxxxxxxx
    Port: 64194
    User-Agent: Mozilla/5.0 (Windows NT 6.1; WOW64; rv:10.0.1) Gecko/20100101 Firefox/10.0.1
    ViewState: /wEPDwUIMjM3NTQyMjEPZBYCZg9kFgICAw9kFjYCAQ8PFgIeBFRleHQFUDxpbWcgc3JjPSdpbWFnZXMvdXNhX2ZsYWcuanBnJyBib3JkZXI9JzAnIGFsaWduPSdhYnNtaWRkbGUnPiBFbmdsaXNoIFZlcnNpb248L2E+ZGQCAw8PFgIeCEltYWdlVXJsBRVpbWFnZXMvbG9nb190ZXh0Mi5qcGdkZAIHD2QWAgIBDw8WAh8ABQlQcmluY2lwYWxkZAIJD2QWAgIBDw8WAh8ABQpTb2JyZSBuw7NzZGQCCw8PFgQeCENzc0NsYXNzBQxwbmxBcnRpY2xlczEeBF8hU0ICAmQWAgIBDw8WAh8ABQdBcnRpZ29zZGQCDQ9kFgICAQ8PFgIfAAUEQmxvZ2RkAg8PZBYCAgEPDxYCHwAFC011bHRpbcOtZGlhZGQCEQ9kFgICAQ8PFgIfAAUKQmlibGlvdGVjYWRkAhMPZBYCAgEPDxYCHwAFB0V2ZW50b3NkZAIVD2QWAgIBDw8WAh8ABQxMb2phIFZpcnR1YWxkZAIXD2QWAgIBDw8WAh8ABQdDb250YXRvZGQCGw9kFgICAw8PFgQfAgUXcG5sQXJ0aWNsZVJpZ2h0X0FydGljbGUfAwICZGQCHw8PZBYGHglvbmtleWRvd24FowFpZihldmVudC53aGljaCB8fCBldmVudC5rZXlDb2RlKXtpZiAoKGV2ZW50LndoaWNoID09IDEzKSB8fCAoZXZlbnQua2V5Q29kZSA9PSAxMykpIHtlb19DYWxsYmFjaygnQ2FsbGJhY2tQYW5lbDEnLCAnY21kU2VhcmNoJyk7cmV0dXJuIGZhbHNlO319IGVsc2Uge3...]

    [HttpException (0x80004005): Validation of viewstate MAC failed. If this application is hosted by a Web Farm or cluster, ensure that configuration specifies the same validationKey and validation algorithm. AutoGenerate cannot be used in a cluster.]
    System.Web.UI.ViewStateException.ThrowError(Exception inner, String persistedState, String errorPageMessage, Boolean macValidationError) +106
    System.Web.UI.ViewStateException.ThrowMacValidationError(Exception inner, String persistedState) +14
    System.Web.UI.ObjectStateFormatter.Deserialize(String inputString) +237
    System.Web.UI.ObjectStateFormatter.System.Web.UI.IStateFormatter.Deserialize(String serializedState) +4
    System.Web.UI.Util.DeserializeWithAssert(IStateFormatter formatter, String serializedState) +37
    System.Web.UI.HiddenFieldPageStatePersister.Load() +207
    System.Web.UI.Page.LoadPageStateFromPersistenceMedium() +105
    System.Web.UI.Page.LoadAllState() +43
    System.Web.UI.Page.ProcessRequestMain(Boolean includeStagesBeforeAsyncPoint, Boolean includeStagesAfterAsyncPoint) +6785
    System.Web.UI.Page.ProcessRequest(Boolean includeStagesBeforeAsyncPoint, Boolean includeStagesAfterAsyncPoint) +242
    System.Web.UI.Page.ProcessRequest() +80
    System.Web.UI.Page.ProcessRequestWithNoAssert(HttpContext context) +21
    System.Web.UI.Page.ProcessRequest(HttpContext context) +49
    ASP.article_aspx.ProcessRequest(HttpContext context) in App_Web_s7yp_qhq.30.cs:0
    System.Web.CallHandlerExecutionStep.System.Web.HttpApplication.IExecutionStep.Execute() +181
    System.Web.HttpApplication.ExecuteStep(IExecutionStep step, Boolean& completedSynchronously) +75


    Version Information: Microsoft .NET Framework Version:2.0.50727.4216; ASP.NET Version:2.0.50727.4223
  • anônimo  15/02/2012 13:38

    +1

    Tanto que passei a fazer CTRL+C de cada mensagem, antes de enviar. O engraçado é que, sempre que faço o CTRL+C, não dá erro!

    Abraços
  • kofka  16/02/2012 04:11
    Isso que dá querer economizar e contratar um provedor meia boca.
  • Mohamed Attcka Todomundo  16/02/2012 05:39
    é por isso q sempre respondo aos evangelicos, quando eles dizem "cristo salva", q CTRL+S é + garantido (e q CTRL+C dá pro gasto)
  • Tiago RC  30/10/2012 01:41
    O BCE recentemente publicou um relatório sobre moedas virtuais, disponível aqui: www.ecb.europa.eu/pub/pdf/other/virtualcurrencyschemes201210en.pdf
    Fiquei sabendo porque o relatório passa umas boas páginas comentando sobre bitcoins, e comete poucos deslizes.

    O mais curioso - e que me motivou a escrever esse comentário - é ver na página 23 do pdf (22 do relatório) o quão bem eles conhecem a teoria austríaca dos ciclos econômicos! Definitivamente eles não podem alegar ignorância. ;)

    Abraços!


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