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O socialismo como um imperativo moral

Este artigo foi extraído do capítulo 30 do livro Socialism an economic and sociological analysis

 

Engels classificou o Movimento Trabalhista alemão como o herdeiro da filosofia alemã clássica.[1]  Seria mais correto dizer que o socialismo alemão (não somente o marxista) representa a decadência da escola de filosofia idealista.  O socialismo deve a soberania que conseguiu adquirir sobre a mentalidade alemã à ideia de sociedade concebida pelos grandes pensadores alemães.  Partindo-se do misticismo kantiano sobre o trabalho e da deificação hegeliana do estado, é fácil remontar a evolução do pensamento socialista.

Em décadas recentes, o ressurgimento da análise kantiana — esta tão aclamada façanha da filosofia alemã — serviu para beneficiar o socialismo.  Os neokantianos, especialmente Friedrich Albert Lange e Hermann Cohen, se declararam socialistas.  Simultaneamente, os marxistas tentaram conciliar o marxismo com a Neocrítica.  Desde que as fundações filosóficas do marxismo começaram a mostrar sinais de rachadura, multiplicaram-se as tentativas de encontrar na filosofia crítica um suporte para as ideias socialistas.

A parte mais fraca do sistema de Kant é a sua ética.  Embora seus conceitos individuais sejam fortificados pelo seu poderoso intelecto, a grandeza deles não consegue esconder o fato de que seu ponto de partida foi escolhido desastrosamente e sua concepção fundamental é totalmente errônea.  A desesperada tentativa kantiana de erradicar o eudemonismo fracassou.  No campo da ética, Bentham, Mill e Feuerbach triunfaram sobre Kant.  A filosofia social de seus contemporâneos, Ferguson e Adam Smith, não o afetou.  A ciência econômica permaneceu totalmente estranha a ele.  Todas as suas percepções sobre problemas sociais sofrem destas deficiências.

Neste aspecto, os neokantianos não fizeram progressos em relação ao seu mestre.  Eles, também, não possuem grandes discernimentos sobre a fundamental lei social da divisão do trabalho.  Eles apenas creem que a distribuição de renda não condiz com o seu ideal apregoado, e que as maiores rendas não vão para aqueles que eles consideram ser os mais dignos e os mais merecedores, mas sim para uma classe que eles desprezam.  Eles veem pessoas pobres e necessitadas, mas não tentam descobrir se isto é uma consequência da instituição da propriedade privada ou de tentativas de se restringi-la.  Eles condenam de pronto a existência da instituição da propriedade privada, pela qual eles — que sempre viveram totalmente distantes dos problemas empreendedoriais — jamais tiveram qualquer simpatia.  Seus pensamentos são dominados por imagens de pessoas mais prósperas do que eles próprios.  Eles fazem comparações entre, de um lado, seus próprios valores e a falta de valores destas pessoas, e, de outro, sua própria pobreza e a riqueza destas outras pessoas.  No final, raiva e inveja, em vez de razão, motivam seus escritos.

Isso por si só explica por que pensadores lúcidos como os neokantianos ainda não pensaram claramente sobre os problemas mais prementes da filosofia social.  Nem mesmo os rudimentos de uma filosofia social mais abrangente são encontrados em suas obras.  Eles fazem inúmeras críticas infundadas a certas condições sociais, mas se omitem de discutir os mais importantes sistemas sociológicos.  Eles fazem julgamentos sem antes terem se familiarizado com os resultados da ciência econômica.

O ponto de partida de seu socialismo geralmente é a frase: "Aja de tal maneira que você utilize o seu ser, de maneira idêntica ao ser de qualquer outro, sempre como uma finalidade, jamais como meramente um meio".  Nestas palavras, diz Hermann Cohen, "o mais profundo e poderoso significado dos imperativos categóricos é expresso: eles contêm o planejamento moral da era moderna e de toda a história do mundo futuro."[2]  E daí até o socialismo, infere ele, não há uma grande distância.  "A ideia de que a humanidade possui um propósito final se transmuta diretamente na ideia do socialismo quando cada indivíduo é definido como sendo o propósito supremo, um fim em si próprio."[3]

É evidente que este argumento ético em defesa do socialismo ou se mantém de pé ou é demolido pela declaração de que, na ordem econômica baseada na propriedade privada dos meios de produção, todos os homens, ou alguns homens, são meios e não fins.  Os neokantianos consideram isso como algo já completamente comprovado.  Eles acreditam que, em tal ordem social, existem duas classes de homens, os proprietários e os não-proprietários, dos quais somente os primeiros levam uma existência digna de um ser humano, ao passo que os últimos meramente sobrevivem.  É fácil ver de onde vem esta ideia.  Ela se baseia nas sempre populares ideias sobre as relações entre ricos e pobres, e é amparada na filosofia social marxista, pela qual os neokantianos professam grande simpatia sem, no entanto, explicitar suas considerações a respeito dela.

Os neokantianos ignoram completamente a teoria social liberal.  Eles admitem como fato consumado que se trata de algo insustentável e indefensável, e creem que seria uma perda de tempo criticá-la.  No entanto, é somente refutando as ideias liberais a respeito da natureza da sociedade e da função da propriedade privada que eles conseguiriam justificar a afirmativa de que, em uma sociedade baseada na propriedade privada dos meios de produção, os homens servem apenas como meios, e não como fins.  Pois a teoria social liberal prova que cada indivíduo isolado vê todos os outros, acima de tudo, somente como meios para a realização de seus objetivos, ao passo que ele próprio é visto por todos os outros como um meio para a realização dos objetivos deles; e que, finalmente, por meio de suas ações recíprocas, na qual cada indivíduo é simultaneamente um meio e um fim, alcança-se o mais elevado objetivo da vida social — a concretização de uma melhor existência para todos. 

Se a sociedade só é possível se todos os indivíduos, ao mesmo tempo em que vivem suas próprias vidas, ajudam os outros a viver, se cada indivíduo é simultaneamente meio e fim, se o bem-estar de cada indivíduo é simultaneamente a condição necessária para o bem-estar de outros, então se torna evidente que o contraste entre mim e você, meio e fim, é automaticamente superado. 

O peculiar argumento destes neokantianos em defesa da abolição da propriedade privada revela a ignorância que ainda viceja em suas mentes no que diz respeito a este fundamental problema da vida social.  Objetos, dizem eles, têm valor.  Pessoas, por outro lado, não têm valor.  Elas têm dignidade.  O preço de mercado do valor da mão-de-obra é incompatível com a dignidade do indivíduo.  Isto nos leva ao abismo da fraseologia marxista e à doutrina do "caráter de mercadoria" da mão-de-obra, bem como todas as objeções que tal expressão desperta.  Esta expressão acabou fazendo parte dos tratados de Versalhes e Saint Germain, exigindo a aceitação do princípio básico de que "a mão-de-obra não deve ser considerada meramente como um artigo de comércio".[4] 

Após tudo isto, não devemos nos surpreender ao encontrar repetidamente nas obras neokantianas todas aquelas palavras-chaves que por milhares de anos foram empregadas contra a instituição da propriedade privada.  Os neokantianos rejeitam a propriedade privada porque o proprietário, ao assumir o controle sobre uma ação isolada, se torna o proprietário de fato do indivíduo.  Eles rejeitam a propriedade privada porque ela retira do trabalhador os produtos do seu trabalho.

Evidentemente, o argumento em prol do socialismo apresentado pela escola kantiana sempre nos remete de volta aos conceitos econômicos dos vários escritores socialistas que a precederam; acima de tudo a Marx e aos socialistas "acadêmicos" que seguiram seus passos.  Seus argumentos são exclusivamente econômicos e sociológicos, e todos eles se comprovam insustentáveis.

A função do trabalho como um alicerce do socialismo

"Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer", diz a Segunda Epístola dos Tessalonicenses (2 Tessalonicenses 3:10), a qual é atribuída ao Apóstolo Paulo.  Esta advertência e exortação ao trabalho é dirigida àqueles que querem viver sua cristandade à custa dos membros trabalhadores da congregação; tais pessoas devem se prover a si próprias sem representarem um fardo para seus semelhantes.  Retirada deste contexto, tal passagem há muito vem sendo interpretada como uma crítica à "renda imerecida", ou seja, à renda que não advém do trabalho puro, mas sim de outras atividades, como ganhos de capital.[5]  Ela contém um preceito moral expresso de maneira bastante sucinta, o qual vem continuamente sendo advogado com enorme vigor.

A sequência de ideias que levou as pessoas a este princípio pode ter sua origem rastreada a uma frase de Kant: "O homem pode ser extremamente engenhoso e criativo, mas, ainda assim, ele não pode forçar a Natureza a aceitar outras leis.  Ou ele próprio deve trabalhar, ou deve fazer com que os outros trabalhem por ele; e seu trabalho irá roubar dos outros a exata quantidade de felicidade que ele precisa adquirir para elevar a sua própria felicidade para acima da média."[6]

É importante observar que a indireta rejeição da propriedade privada contida nestas palavras kantianas está baseada estritamente em uma visão utilitarista ou eudemonística.  O conceito do qual parte Kant é o de que, por meio da propriedade privada, uma maior quantidade de trabalho é imposta sobre alguns, enquanto outros podem se dar ao luxo de permanecer ociosos.  Porém, esta crítica não prova que a propriedade privada e as diferenças na quantidade de propriedade representam um confisco ou uma espoliação de alguma pessoa.  Tampouco ela desmente o fato de que, em uma ordem social em que a propriedade privada fosse abolida, a produção de bens e serviços seria acentuadamente reduzida e a quota per capita do produto da mão-de-obra seria menor do que aquela que um trabalhador que não é proprietário de nenhum meio de produção recebe como renda em uma ordem social baseada na propriedade privada.  Tal crítica kantiana entra em colapso tão logo é desmentida a afirmação de que o lazer e o ócio dos proprietários são comprados com os esforços extras daqueles que não possuem propriedades.

Tais julgamentos éticos contra a propriedade privada também demonstram claramente que toda e qualquer avaliação moral sobre determinadas atribuições econômicas baseia-se, em última instância, na percepção de quais efetivamente foram suas realizações econômicas — nisso e em nada mais.  Rejeitar somente em "bases morais" uma instituição que não é considerada repreensível do ponto de vista utilitarista não é, se analisarmos mais detidamente, o objetivo de uma consideração ética.  Na realidade, em todos estes casos, a única diferença de opinião é uma diferença de opinião a respeito da função econômica de tais instituições.

Este fato tem sido negligenciado pelos defensores da propriedade privada porque, ao tentarem refutar as críticas éticas à propriedade privada, eles recorrem a argumentos errados.  Em vez de demonstrar a importância social da propriedade privada, eles normalmente se contentam em demonstrar que existe um direito de propriedade, ou se contentam em provar que o proprietário não é alguém inativo, uma vez que ele trabalhou para adquirir sua propriedade e trabalha para mantê-la.  E vários outros argumentos desta natureza. 

A fraqueza de todas estas argumentações é óbvia.  É paradoxal se referir a uma lei existente quando o problema todo está em definir qual deve ser a lei; é paradoxal se referir ao trabalho em que o proprietário incorre ou incorreu quando o problema não é se um determinado tipo de trabalho deve ou não ser remunerado, mas sim se a propriedade privada dos meios de produção sequer deve existir; e, se ela existe, se a desigualdade gerada por ela pode ser tolerada.

Portanto, do ponto de vista ético, não se deve perguntar se um determinado preço é justificável ou não.  Um julgamento ético tem de escolher entre uma ordem social baseada na propriedade privada dos meios de produção e uma baseada na propriedade comunitária.  Assim que se tiver chegado a uma decisão — a qual, para a ética eudemonística, deve ser baseada somente em uma opinião sobre qual seria o resultado de cada uma das duas formas imaginadas de sociedade —, não se pode rotular de imoral as consequências isoladas da ordem escolhida.  Se a ética escolheu uma determinada ordem social, suas consequências serão necessariamente morais, e todas as outras alternativas serão imorais.

A igualdade de renda como um postulado ético

Sobre a afirmação de que todos os homens devem ter rendimentos iguais, pouco pode ser dito cientificamente tanto a favor quanto contra.  Eis um postulado ético que só pode ser avaliado subjetivamente.  Tudo o que ciência pode fazer é mostrar o quanto tal objetivo iria custar para a humanidade, e de quais outros objetivos deveríamos abrir mão em nosso esforço para tentar alcançar este. 

A maioria das pessoas que exige a maior igualdade possível de rendas não percebe que o objetivo que elas desejam só pode ser alcançado pelo sacrifício de outros objetivos.  Elas imaginam que a soma de todas as rendas permanecerá inalterada e que tudo o que elas precisam fazer é apenas distribuir a renda de maneira mais uniforme do que a distribuição feita pela ordem social baseada na propriedade privada.  Os ricos abdicarão de toda a quantia auferida que estiver acima da renda média da sociedade, e os pobres receberão tanto quanto necessário para compensar a diferença e elevar sua renda até a média.  Mas a renda média, imaginam eles, permanecerá inalterada.  É preciso entender claramente que tal ideia baseia-se em um grave erro.  Como demonstrado em capítulos anteriores, não importa qual seja a maneira que se conjeture a equalização da renda — tal medida levará, sempre e necessariamente, a uma redução extremamente considerável da renda nacional total e, consequentemente, da renda média.  Quando se compreende isto, a questão assume uma complexidade bem distinta: agora temos de decidir se somos a favor de uma distribuição equânime de renda a uma renda média mais baixa, ou se somos a favor da desigualdade de renda a uma renda média mais alta.

A decisão irá depender essencialmente, é claro, de quão alta será a redução estimada na renda média causada pela alteração na distribuição social da renda.  Se concluirmos que a renda média será mais baixa do que aquela que é hoje recebida pelos mais pobres, nossa atitude provavelmente será bem distinta da atitude da maioria dos socialistas sentimentais. Se aceitarmos o que já foi demonstrado sobre o quão baixa tende a ser a produtividade sob o socialismo, e especialmente a alegação de que o cálculo econômico sob o socialismo é impossível, então este argumento do socialismo ético também desmorona.

É incorreto dizer que alguns são pobres simplesmente porque outros são ricos.  Se uma sociedade capitalista fosse substituída por uma sociedade baseada na igualdade de renda, todos os cidadãos se tornariam mais pobres.  Por mais paradoxal que isso possa soar, os pobres só recebem o que recebem porque os ricos existem.  Não fossem os ricos, os pobres estariam em situação muito pior.

O homem moderno sempre teve perante si a possibilidade de enriquecer por meio do trabalho e do empreendedorismo.  Nas sociedades econômicas mais rígidas do passado, isto era mais difícil.  As pessoas eram ricas ou pobres desde o nascimento, e assim permaneciam por toda a sua vida, a menos que tivessem a chance de mudar de posição em decorrência de algum fato inesperado, o qual não poderia ser causado ou evitado pelo seu próprio trabalho ou iniciativa.  Consequentemente, tínhamos os ricos caminhando nas alturas e os pobres, nas profundezas.  Mas não é assim em uma sociedade capitalista.  Os ricos podem mais facilmente se tornar pobres e os pobres podem mais facilmente enriquecer.  E dado que cada indivíduo não mais nasce, por assim dizer, com seu destino ou com o destino de sua família já selado, ele tenta ascender ao mais alto que for capaz.  Ele jamais poderá ser suficientemente rico, pois em uma sociedade capitalista nenhuma riqueza é eterna.  No passado, o senhor feudal era intocável.  Quando suas terras se tornavam menos férteis, ele tinha de reduzir seu consumo; porém, desde que ele não se endividasse, ele mantinha sua propriedade.  O capitalista que empresta seu capital e o empreendedor que produz têm de ser aprovados no teste do mercado.  Aquele que investir insensatamente, ou produzir a custos altos, estará arruinado.  Isolar-se do mercado não mais é uma possibilidade.  Mesmo as fortunas fundiárias não podem escapar da influência do mercado; a agricultura, também, tem de produzir capitalisticamente.  Hoje, um homem deve obter seu dinheiro em troca do trabalho.  Caso contrário, ele empobrece.

Aqueles que desejam eliminar esta necessidade de trabalhar e de empreender precisam entender bem claramente que o que eles estão propondo é o solapamento dos pilares do nosso bem-estar.  Que hoje a terra seja capaz de alimentar muito mais seres humanos do que jamais conseguiu em toda a sua história, e que eles hoje vivam em condições muito melhores que as de seus ancestrais, é um fato que se deve inteiramente ao instinto aquisitivo do ser humano.  Se o empenho da indústria moderna fosse substituído pelo estilo de vida contemplativo do passado, incontáveis milhões de pessoas estariam condenadas à morte por inanição.

Na sociedade socialista, a arrogância e a preguiça dos funcionários do governo assumirão o lugar da ávida e perspicaz atividade das indústrias modernas.  O funcionário público irá substituir o empreendedor vigoroso e dinâmico.  Se a civilização vai ganhar com isso é algo que deixaremos para os autonomeados juízes do mundo e de suas instituições julgarem quando estiverem famintos.  Seria o burocrata realmente o tipo humano ideal, e deveríamos nós almejar a preencher o mundo com este tipo de gente a qualquer custo? 

humna.jpgMuitos socialistas descrevem com grande entusiasmo as vantagens de uma sociedade formada por funcionários públicos em detrimento de uma sociedade formada por indivíduos em busca do lucro.  Para eles, em uma sociedade deste último tipo (a Sociedade Aquisitiva), cada indivíduo busca apenas a sua própria vantagem, ao passo que na sociedade daqueles dedicados à sua profissão (a Sociedade Funcional), cada indivíduo realiza suas tarefas visando ao bem de todos.  Esta avaliação mais elevada da burocracia é apenas mais uma nova forma de desdém pelo trabalho diligente e meticuloso do empreendedor e do assalariado.

Se rejeitarmos o argumento em prol do trabalho funcional e o argumento em prol da igualdade de riqueza e renda, o qual se baseia na afirmação de que alguns desfrutam sua fortuna e lazer à custa da crescente exploração do trabalho e da pobreza alheios, então os únicos fundamentos que restam para estes postulados éticos é o ressentimento e a inveja.  Ninguém deve poder ficar ocioso se eu tiver de trabalhar; ninguém dever ser rico enquanto eu for pobre.  E assim se constata, reiteradas vezes, que o ressentimento e a inveja estão por trás de todas as ideias socialistas.



[1] Engels, Ludwig Feuerbach und der Ausgang der klassischen deutschen Philosophie, 5th ed. (Stuttgart, 1910), p. 58.

[2] Cohen, Ethik des reinen Willens, Berlin, 1904, pp. 303 ff.

[3] Ibid., p. 304.

[4] Art. 427 do Tratado de Versalhes e Art. 372 do Tratado de Saint Germain.

[5] Todt, Rudolf (Der radikale deutsche Sozialismus und die christliche Gesellschaft, 2nd ed. Wittenberg, 2878), pp. 306—19, é um bom exemplo de como, por meio desta e de outras passagens similares, as pessoas do movimento anti-liberal recorrem ao Novo Testamento para tentar justificar suas palavras-chaves modernas.

[6] Kant, "Fragmente aus dem Nachlass," Collected works, ed. Hartenstein, Vol. VIII (Leipzig, 1868), p. 622.



autor

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".


  • Arion Dias  13/02/2012 06:11
    Simplesmente brilhante.\r
    \r
    É de textos como esse que tiro minha munição para duelar com os socialistas na universidade.
  • Pedro  04/04/2013 00:42
    E infelizmente, mesmo com argumentos tão sólidos quanto os expostos nesse brilhante artigo, a discussão nesse ambiente universitário é desigual, devido a forte propagação dessa classe.
  • Clayton Our  22/02/2012 10:51
    O pensamento é bastante claro e defensável, ele peca no mesmo ponto que os socialistas ao exagerar na tese final, quando confunde a ação do Estado (ou funcionalismo) com a burocracia...\r
    O Estado, sim, temos este conceito que pode incentivar ou coibir determinadas ações.\r
    O pensamento de Mises (ao contrário do que possa parecer é bem social, e não socialista). Pretende explicar como a ação individual na economia capitalista pode beneficiar o todo. Pareceu-se bem lúcido...\r
    Não entendi como daí deste pensamento lúcido, derivam campanhas anti-tributários ou anti-regulatórias do Estado, penso que tenho que ler mais coisa a respeito...\r
    Mas exagerou final (ou não chegou a analisar a questão, pelo menos, neste artigo) sobre a necessidade da regulação estatal.\r
    O direito de propriedade é uma premissa no modo de produção atual (é um conceito), mas sair deste conceito para a idéia total de falta de regulação também não me parece que seria um conclusão "lógica" do analista, pois a falta de regulação pode ser contrária a própria "ética" da propriedade privada.\r
    Não consegui extrair do texto dele, deste pelo menos, qualquer idéia contrária aos mecanismos reguladores atuais, nem achei que o funcionalismo público a que ele se refere é o funcionalismo atual que deve ser das atividades de equilibrio concorrencial (seja que educação gratuita, como forma de mobilidade social, seja no seu papel proativo e regulador), mas uma contraposição a uma sociedade de funcionalismo público.\r
    Não entendi o que esta texto tem a ver com a Guerra do Contestado?\r
    Pelo que me consta, alguns investidores precisavam das terras do Contestado para os empreendimentos privados de colonização e, por este desejo, retiraram as pessoas que se apropriaram inicialmente do local. Foi um processo de colonização organizada e orquestrada pelo iniciativa estatal de garantir a propriedade local para os nacionais, ou pretensamente organizada (no interior de SP e PR deu certo, não sei dizer se SC este processo funcionou, acreditava que sim).\r
    No geral, gostei do pensamento organizado do autor, como estou estudando agora não posso fazer maiores considerações, só acho que tem um legião de pessoas aqui muito mais preocupadas em justificar a sonegação fiscal, do que entender a teoria (se a propriedade é instituída como modelo ético de uma nação/estado, como negar a este que a institui parte dos resultados/lucros auferidas para ele usar como bem entender como um ente privado faz?).
  • Renato  11/09/2012 15:11
    Clayton\r
    \r
    Embora muitos seguidores das idéias de Mises sejam anarco-capitalistas, Mises não era. Ele acreditava que a melhor solução seria limitar o poder do estado (como de resto pensavam também os fundadores dos EUA). Eu, pessoalmente, não acredito no anarco-capitalismo.\r
    \r
    Quanto à relação entre funcionários públicos e burocratas, creio que o mesmo mal atinge a ambos: o descaso pelos que eles "servem".\r
    \r
    Nas no geral, um texto primoroso.
  • Tory  03/04/2013 13:21
    Clayton, para entender os problemas da regulação você poderia ler Bastiat, por exemplo. Não é difícil encontrá-lo aqui no site. Este texto trata de outros problemas do socialismo.
  • Renato Souza  03/04/2013 21:57
    Clayton

    Sou miniarquista. Não sei exatamente o que você chama de regulação. Ancaps (a maioria aqui) acredita que as leis devem existir sem governo. Eu acridito que as leis devem ser públicas (isto é da região, não dos indivíduos).

    Agora, uma coisa é existirem leis, as quais permitem que as relações sociais sejam pacíficas. Outra coisa muito diferente é a regulação do mercado pelo estado. Leis justas diriam por exemplo, que você não pode fraudar os seus clientes ou seus fornecedores, ou seus empregados. Regulamentações, no limite, diriam quanto você deve pagar pelo trabalho ou pelos produtos, por quanto deve vender, de quem deve comprar, quando deve pagar de juros, etc. Exemplos fortes de regulamentação do mercado foram o Brasil no tempo do plano cruzado, a Alemanha nazista (onde as regulamentações atingiram tal amplitude, que o país funcionava virtualmente como um regime socialista) e outros mais.

    Não entendi o que a Guerra do Contestado tem a ver com o texto.
  • Thyago  26/02/2012 11:15
    Muito da teoria econômica convencional serve para justificar essa ideia de renda como sendo um bolo fixo...

    Parabéns ao IMB por demonstrar essa falácia. Aos poucos essa concepção vai mudando, e ajudando a acabar com a argumentação igualitarista.
  • Vitor  18/11/2012 19:42
    "É importante observar que a indireta rejeição da propriedade privada contida nestas palavras kantianas está baseada estritamente em uma visão utilitarista ou eudemonística. O conceito do qual parte Kant é o de que, por meio da propriedade privada, uma maior quantidade de trabalho é imposta sobre alguns, enquanto outros podem se dar ao luxo de permanecer ociosos. Porém, esta crítica não prova que a propriedade privada e as diferenças na quantidade de propriedade representam um confisco ou uma espoliação de alguma pessoa. Tampouco ela desmente o fato de que, em uma ordem social em que a propriedade privada fosse abolida, a produção de bens e serviços seria acentuadamente reduzida e a quota per capita do produto da mão-de-obra seria menor do que aquela que um trabalhador que não é proprietário de nenhum meio de produção recebe como renda em uma ordem social baseada na propriedade privada. Tal crítica kantiana entra em colapso tão logo é desmentida a afirmação de que o lazer e o ócio dos proprietários são comprados com os esforços extras daqueles que não possuem propriedades."

    Se é assim, por que então existem as cooperativas?
  • Luis Almeida  19/11/2012 00:52
    Exato! Por que os trabalhadores que não querem ser explorados e que querem assumir o controle dos meios de produção não criam cooperativas? Absolutamente nada os impede de fazer isso.

    Se uma enorme quantidade de trabalhadores se juntasse, eles sequer precisariam de financiamento. Poderiam utilizar a própria poupança. O que houve com o "trabalhadores do mundo, uni-vos!"? Qualquer grupo de 100 operários do ABC poderia se juntar e criar suas próprias cooperativas. Eles não são pobres. O que os impede?
  • Rafael George  03/04/2013 15:21
    O medo de perder o seu salario certinho caindo na conta no fim do mes.

    Qualquer pessoa que acha que empreender é fácil só pode acreditar que não há riscos em empreender. Esses operários não formam suas próprias cooperativas pq é melhor contar com o salário do que lançar-se as incertezas do mundo empreendedoral.
  • 5 minutos de ira!!!  14/08/2018 12:07
    caramba, que bofetada...
  • Guilherme  03/04/2013 14:01
    "Quando se compreende isto, a questão assume uma complexidade bem distinta: agora temos de decidir se somos a favor de uma distribuição equânime de renda a uma renda média mais baixa, ou se somos a favor da desigualdade de renda a uma renda média mais alta."

    Acredito que esse seja o ponto mais critico. A grande questão sempre foi o tamanho da desigualdade da renda. Mesmo aceitando uma renda média maior, esta renda pode estar concentrada em 1% da população.

    "É incorreto dizer que alguns são pobres simplesmente porque outros são ricos. Se uma sociedade capitalista fosse substituída por uma sociedade baseada na igualdade de renda, todos os cidadãos se tornariam mais pobres. Por mais paradoxal que isso possa soar, os pobres só recebem o que recebem porque os ricos existem. Não fossem os ricos, os pobres estariam em situação muito pior."

    Por que ele afirma que sem os ricos todos seriam pobres? digo que todos seriam iguais! se seriam pobres é relativo.
    O que defina a pobreza? a capacidade do individuo de manter sua necessidades basicas? ou a relação dele com o considerado mais rico?


    "Mas não é assim em uma sociedade capitalista. Os ricos podem mais facilmente se tornar pobres e os pobres podem mais facilmente enriquecer."

    Concordo. Mas a questão é o por que separar o individuo de sua sociedade? O individuo realmente precisa deste incentivo individual para empreender? O "driver" que motiva o empreendedor precisa ser individual? ou poderia ser coletivo?
    Não acho que está na natureza humana toda esta competitividade, e sim no ambiente formado para tal comportamento.
  • Thales  03/04/2013 14:05
    "Por que ele afirma que sem os ricos todos seriam pobres? digo que todos seriam iguais! se seriam pobres é relativo. O que defina a pobreza? a capacidade do individuo de manter sua necessidades basicas? ou a relação dele com o considerado mais rico?"

    Todo o seu conforto você deve ao capitalismo e aos ricos

    Por que todos deveriam ser a favor de se diminuir impostos para os "ricos"

    Condenar o lucro é defender o retrocesso da humanidade
  • Tory  03/04/2013 16:12
    Ok, então explique porque todo experimento socialista termina em miséria.

    E eu é que pergunto para você se você se considera pobre porque não tem o dinheiro do Jeff Bezos. Se for isso seu problema não é pobreza, é inveja.
  • Renato Souza  03/04/2013 22:07
    Não é uma simples questão de competitividade.

    Há certas pessoas que, pela sua própria personalidade, querem ter mais para mostrar para os outros. Mas dizer que esse é o motor que move o mundo é falso. Conheço muitas e muitas pessoas, e me incluo entre elas, que querem obter mais ganho para ter um pouco mais de conforto, cuidar bem de seus filhos, etc.

    Quanto a sua pergunta, se as pessoas não poderiam ser movidas por um sentimento coletivo, eu diria que sim, e é o que acontece nas associações voluntárias, religiões, associações beneficentes, comunidades voluntárias. Agora o que é imoral é o estado se tornar dono de tudo e obrigar as pessoas a trabalharem para ele, serem seus escravos, não poderem nem dizer coisas que desagradem os donos do estado. Isso se chama socialismo e é uma monstruosidade.
  • 5 minutos de ira!!!  14/08/2018 12:14
    Quantas pessoas ficaram pobres para Bill Gates ficar bilionário?

    Melhor... quantas pessoas recebem bons salários da microsoft?

    Ele criou riqueza!!! muitos melhoraram de vida com o empreendimento individual dele.

    mas vamos pensar:

    supomos que ele pague 20 mil para 1000 funcionários e ele mesmo tenha 20 bilhões. Que desigualdade, não!?

    Será que esses funcionários gostariam que o ganho deles fosse pela média aritmética entre eles e Bill Gates?... tentador, sqn. Simplesmente não haveria microsoft nesse caso.

  • Getulio Malveira  03/04/2013 14:26
    Um texto que mostra a profundidade do pensamento de Mises, que sabia ir à raiz dos problemas e à origem dos erros. Essa brilhante crítica ao pensamento kantiano me lembra uma máxima de Nietzsche: Kant nada mais fez que defender os preconceitos populares para os eruditos e em linguagem erudita.

    Encontrar em potência no imperativo categórico de Kant a ideia de que o trabalho não pode ser transacionado como mercadoria é prova do gênio filosófico de Mises.


    OBS: perdoem-se se eu estiver equivocado, mas o link no termo "neocrítica" me parece equivocado. No texto, "neocrítica" parece estar sendo usado como sinônimo de neocriticismo, o mesmo que "neokantismo", corrente que foi muito popular na Alemanha no século XIX como reação ao hegelianismo. Contava, entre seus principais expoentes, com Hermann Cohen e Lange, citados por Mises, além de Ernest Cassirer, Afrikan Spir, de Shopenhauer e de seus seguidores, em certo sentido.
  • Leandro  03/04/2013 14:34
    Você está certo, Getulio. O link é outro. Já corrigido. Grande abraço e obrigado!
  • Anarcofobico  03/04/2013 14:30
    Esse autor desconhecido parece nada entender de economia, seus argumentos são facilmente refutáveis! Ora, é incontestável que a busca selvagem pelo lucro tem sido extremamente prejudicial. Tudo o que o capitalista quer é explorar seus semelhantes para auferir maiores lucros. Numa sociedade capitalista salários serão os mais baixos possíveis e ninguém terá escolha ou poder de reclamar contra os abusos. Não há como negar que mtos enriquecem por sorte e, por isso, devem contribuir para os menos afortunados! Não podemos nos alienar, precisamos lutar para que a sociedade seja mais igual, ainda que isso signifique empobrecer a população, pois é simplesmente o certo. Sem o governo não haveria incentivo a produções, industrias e outros desenvolvimentos. Graças ao estado temos tecnologia e qualidade de vida. Não fossem as regulações estaríamos extintos, pois somente regulações completas podem aprumar o desenvolvimento. Por fim, não há qualquer função social da propriedade privada, o autor sequer demonstrou essa tal função. Tudo o que ela faz é gerar diferenças e oprimir minorias. Somente a propriedade pública pode prosperar eficientemente e uma sociedade em que todos são funcionários públicos certamente seria um sonho! Se os funcionários publicos já são tão produtivos, imagine como seria?? Maravilhoso!
  • Leandro  03/04/2013 14:50
    De leve, Anarco...
  • Leonardo Faccioni  03/04/2013 16:42
    "Esse autor desconhecido ..."

    Hahah, admitamos, nossos fakes são uns tremendos atores. Incorporam essas personagens-tipo da akademia soviética à perfeição!
  • Luiz Rodrigo  03/04/2013 17:21
    Eu acho o Um Filósofo mais convincente (e intelectualmente desafiante).
  • Anarcofobico  03/04/2013 17:47
    Quem me dera ter o conhecimento e inteligência do Filósofo! A mim basta colocar os questionamentos do homem comum, do dia a dia, do que se ouve nas ruas...
  • Renato Souza  03/04/2013 22:20
    Apenas para não deixar sem resposta (porque há pessoas que realmente pensam assim):

    Se o estado fosse a causa da criação das tecnologias, os países onde o estado é maior teriam mais tecnologia que os países onde o estado não faz todas as coisas. Coreia do Norte teria mais tecnologia que Coreia do Sul, etc. Isso é o contrário do observado.

    Quanto aos salários os mais baixos possíveis, é inteiramente verdade. Entretanto, numa sociedade de mercado os salários são bem maiores que numa sociedade socialista.
  • YBS  04/04/2013 08:26
    Digo mais, diria que uma sociedade com apenas funcionários públicos seria verdadeiramente o Olimpo! Um bando de ególatras sem fazer nada com pensamentos autoritários e quando resolvessem interferir no mundo, só aconteceriam trapalhadas.
  • Mercado de Milhas  03/04/2013 16:29
    Concordo inteiramente com Mises. A propriedade privada é injusta, mas menos injusta que a propriedade coletiva. Ou seja, apoio a propriedade privada não porque é justa ou boa, mas porque é menos pior (ou melhor) pra sociedade que a propriedade coletiva.

    Foi bom ler esse artigo pra calar alguns aí que acreditam que o direito a propriedade é um direito natural. Tomô?

    ---
    Kant: "O homem pode ser extremamente engenhoso e criativo, mas, ainda assim, ele não pode forçar a Natureza a aceitar outras leis. Ou ele próprio deve trabalhar, ou deve fazer com que os outros trabalhem por ele; e seu trabalho irá roubar dos outros a exata quantidade de felicidade que ele precisa adquirir para elevar a sua própria felicidade para acima da média."[6]
    ---
    Mises:
    Este fato tem sido negligenciado pelos defensores da propriedade privada porque, ao tentarem refutar as críticas éticas à propriedade privada, eles recorrem a argumentos errados. Em vez de demonstrar a IMPORTANCIA SOCIAL DA PROPRIEDADE PRIVADA, eles normalmente se contentam em demonstrar que existe um direito de propriedade, ou se contentam em provar que o proprietário não é alguém inativo, uma vez que ele trabalhou para adquirir sua propriedade e trabalha para mantê-la. E vários outros argumentos desta natureza.
  • Luiz Rodrigo  03/04/2013 17:26
    Não exatamente. A falha de um apoio utilitarista à propriedade privada (e a qualquer coisa) é que circunstâncias mudam. A visão naturalista da propriedade privada tapa esse buraco. É claro que alguém que acredita no direito natural à propriedade também o considera a que causa as melhores consequências para a sociedade, mas basear a argumentação somente no utilitarismo te deixa bastante vulnerável. É bom ler Rothbard e Hoppe para complementar essa defesa, não para tornar as duas mutuamente excludentes.
  • anônimo  03/04/2013 18:26
    Mises já conhecia os mesmos argumentos que Rothbard e Hoppe usam pro direito 'natural', e nunca aceitou nenhum.
    E onde é que está essa falha utilitarista à propriedade privada?
  • Leonardo Couto  03/04/2013 19:01

    Qualquer erro na avaliação do "custo/benefício" que tem o direito à propriedade privada ocorrido na cabeça de um utilitarista o levará a advogar sua violação - comunismo, o keynesiano estado de mal-estar social e o monetarismo são exemplos de cenários onde se é necessário o uso de força e violação de propriedade. Já a posição moral do direito de propriedade entende a situação em que não se destituem terceiros de suas propriedades como a melhor a priori, sendo também comprovada na história de modo invicto.

    Além disso, a visão de que o indivíduo é menos importante do que a "sociedade", além de sua falta de moralidade, sempre apresentou o problema de conceber não menos que regimes tirânicos e opressivos, além de subtrair da grande imensidão de pessoas a felicidade em nome da "função social", ou mais realisticamente, em nome dos encarregados de definir este etéreo termo.
  • Leonardo Faccioni  03/04/2013 20:00
    Quiçá seja uma falha de percepção minha, mas não identifiquei neste capítulo qualquer colocação de Mises com intento de corroborar uma suposta inadequação do instituto da propriedade privada aos critérios da Justiça.

    Pelo contrário. Parece-me, à primeira vista, que o trecho do autor destacado pelo Mercado de Milhas não pretende invalidar por completo as fórmulas argumentativas atribuídas aos defensores da propriedade privada, mas sim demonstrar como tais colocações não refutam o núcleo do raciocínio idealista neokantiano, sendo, pois, uma contra-argumentação ineficiente, mal colocada.

    Se em algum momento Mises indica entender o instituto da propriedade privada como um "mal menor" ao qual se deva, à moda de uma terceira via social-democrata, conceder o beneplácito de uma "certa tolerância utilitarista" (tal qual os minarquistas concedem ao Estado), ou como uma "afronta aceitável" aos critérios de justiça, não me parece que seja aqui, ou ao menos não no trecho apontado.

    A propriedade privada não é um "mal menor", mas uma condição de possibilidade da civilização como a conhecemos. Deste modo, parece-me estranho considerar uma conditio sine qua non da sociedade como uma ferida aceitável aos critérios da justiça, que são válidos exclusivamente em relações sociais. Não creio que Mises pudesse entender a propriedade em abstrato como injusta, mesmo que de uma "injustiça necessária ou tolerável", como parece querer o comentário acima.
  • Renato Souza  03/04/2013 22:15
    Não vi ele escrever que é um mal menor. Ele apenas considerou que argumentos morais não respondem a questões de ordem utilitarista. Se as pessoas acreditarem que ficarão menos pobres no socialismo, por utilitarismo o apoiarão.
  • Leonardo Couto  03/04/2013 22:34

    Poderia ficar "menos pobre" ao roubar você.
  • Renato Souza  03/04/2013 22:52
    Leonardo

    Aparentemente você não me entendeu. Eu respondi ao Mercado de Milhas, e o significado da minha resposta é que tanto os argumentos morais é filosóficos quanto os argumentos práticos devem ser usados contra o socialismo.
  • Leonardo Faccioni  04/04/2013 12:27
    Renato, meu comentário não pretendia responder ao seu (com efeito, nos posicionamos em sentidos idênticos, embora eu considere que seu pronunciamento tenha logrado maior clareza). Direcionava-se também ao Mercado de Milhas, logo acima, que aparenta ter "concordado" com o que Mises não disse.
  • Ambientalista  03/04/2013 19:00
    Peca-se muito na ética ambiental dos defensores da propriedade privada. A argumentação de Mises contra a exploração e a funcionalidade do socialismo são convincentes, mas não o são no que tange de qualquer forma a natureza.

    Argumentos "naturais" contra a propriedade privada.

    No estado natural, tudo pertence a todos os homens e quando uns clamam a natureza para si, os remanescentes perdem parte de sua propriedade. Logo, a propriedade privada é um conceito auto-excludente, pois mesmo que a primeira seja legitimada pelo trabalho de um indivíduo, ainda sim significará perda na propriedade de outros.

    Independente do fato de eu construir um palácio com todo meu trabalho em uma planície descopada, eu não poderei chamá-lo de meu, pois o fiz com os recursos que pertenciam à toda natureza(Debateremos a legitimidade do homem como senhor da Terra mais tarde) e um espaço que costumava pertencer a ela. Melhorei minha condição, porém, para tal, retirei o que antes era patrimônio de todos os homens e tomei como meu.

    Resumindo: Sendo tudo uma propriedade de toda a humanidade no estado primitivo, qualquer direito exclusivo de propriedade é um roubo das posses de outros.

    Argumentos "naturais" contra o direito do homem sobre a natureza.

    Não há nenhuma justificativa ética-racional para o ser humano ser o posseiro de toda a natureza, pois somos apenas um ser que fora beneficiado com um grande intelecto. Defensores do homem como herdeiro da Terra podem utilizar o argumento cristão para tal, porém, o mesmo é apenas válido em seu próprio contexto religioso; sendo a visão espiritual da natureza variante entre as diversas crenças mundiais.

    Sendo a identificação do homem como proprietário da natureza injustificada, deduz-se que independentemente da legitimidade do direito de propriedade entre humanos, toda posse por si só é ilegítima em relação aos outros seres com quem compartilhamos a Terra. Sendo assim, deduz-se que toda a atividade humana deveria ser, ao menos sob um ponto de vista ético, direcionada para a ação que causasse menos intervenção na natureza. Se tal direcionamento deve ser determinado centralmente ou descentralizadamente, ficaria sob o critério da análise de qual é capaz de executar uma existência humana menos interventora.

    Mais ainda: Como uma manifestação mais racional da natureza, cabe a nós protegê-la ao máximo e zelar por seu equilíbrio. É uma visão profundamente anti-ética e até egocêntrica, por exemplo, identificar a natureza como invasora de nossas propriedades, pois a priori, nós é que violamos aquilo que antes pertencia à essa.

    Espero ter trazido aqui uma crítica construtiva, sólida e alternativa à propriedade privada. Eu considero um absurdo que o debate ético sobre propriedade apenas consista na perspectiva humana dessa, ignorando o fato de que os homens são meramente apenas uma outra parte da natureza e que por isso não lhes pertence nenhum direito supremo sobre essa.
  • Tiago Moraes  08/04/2013 12:36
    Peca-se muito na ética ambiental dos defensores da propriedade privada. A argumentação de Mises contra a exploração e a funcionalidade do socialismo são convincentes, mas não o são no que tange de qualquer forma a natureza.


    Isso é opinião sua, porquê ao menos empiricamente, a ausência de propriedade tem sido o principal fator causal da degeneração ambiental.


    No estado natural, tudo pertence a todos os homens e quando uns clamam a natureza para si, os remanescentes perdem parte de sua propriedade. Logo, a propriedade privada é um conceito auto-excludente, pois mesmo que a primeira seja legitimada pelo trabalho de um indivíduo, ainda sim significará perda na propriedade de outros.


    Não existe "propriedade coletiva", este conceito é logicamente inconsistente e empiricamente inexequível. Ou há a propriedade ou não há propriedade, duas ou mais pessoas não podem ser proprietárias da mesma coisa, isso geraria um conflito material insolúvel. No mais, seu argumento não faz nenhum sentido, como um indivíduo que ocupa um espaço e trabalha nele, garantido a oferta de bens e serviços, estará prejudicando pessoas, que inclusive nunca viram ou se interessaram pelo espaço que ele ocupou?

    Independente do fato de eu construir um palácio com todo meu trabalho em uma planície descopada, eu não poderei chamá-lo de meu, pois o fiz com os recursos que pertenciam à toda natureza(Debateremos a legitimidade do homem como senhor da Terra mais tarde) e um espaço que costumava pertencer a ela. Melhorei minha condição, porém, para tal, retirei o que antes era patrimônio de todos os homens e tomei como meu.


    A natureza não tem consciência, logo ela não pode manifestar interesse em se apropriar de algo, quando você nega que um indivíduo que incorpora trabalho em um espaço tenha legitimidade sobre ele, você está afirmando que o trabalho humano é inócuo. Se isso fosse aplicado a toda a humanidade, viveríamos eternamente em um estado primitivo, pois o homem não manifestaria interesse algum em sua ação, se o resultado do seu esforço não fosse compensado, pois como convencer alguém a incorporar trabalho em um espaço que não chamar de seu?

    Resumindo: Sendo tudo uma propriedade de toda a humanidade no estado primitivo, qualquer direito exclusivo de propriedade é um roubo das posses de outros.


    Não há propriedade no estado primitivo, sua afirmação é um engodo. Um indivíduo que ocupa um espaço virgem ou adquire, através do trabalho, um espaço e outra pessoa, não está roubando ninguém. Pelo contrário, ao garantir legalmente a posse sobre um território, se está garantido os frutos e resultados do trabalho da pessoa, que contribui para a subsistência da sociedade com seu trabalho. Então, dizer que um gaúcho em sua fazenda que planta trigo e cria insumos que fabricarão o pão que alimenta uma família baiana estaria na verdade a prejudicando, é raciocínio típico de um esquizofrênico, me desculpe a sinceridade...


    Não há nenhuma justificativa ética-racional para o ser humano ser o posseiro de toda a natureza, pois somos apenas um ser que fora beneficiado com um grande intelecto. Defensores do homem como herdeiro da Terra podem utilizar o argumento cristão para tal, porém, o mesmo é apenas válido em seu próprio contexto religioso; sendo a visão espiritual da natureza variante entre as diversas crenças mundiais.


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    Sendo a identificação do homem como proprietário da natureza injustificada, deduz-se que independentemente da legitimidade do direito de propriedade entre humanos, toda posse por si só é ilegítima em relação aos outros seres com quem compartilhamos a Terra. Sendo assim, deduz-se que toda a atividade humana deveria ser, ao menos sob um ponto de vista ético, direcionada para a ação que causasse menos intervenção na natureza. Se tal direcionamento deve ser determinado centralmente ou descentralizadamente, ficaria sob o critério da análise de qual é capaz de executar uma existência humana menos interventora.


    Se fosse ilegítimo a humanidade se apropriar de toda a natureza, o homem, como ser criado por essa própria natureza, não teria sido concebido pela mesma com o poder de se apoderar dela, não acha?? No final, você ataca as construções humanas em defesa de uma suposta legitimidade natural do mundo em seu estado bruto, porém recorrendo a um instrumento criado pelo próprio homem, uma moral passional e um naturalismo piegas.

    Mais ainda: Como uma manifestação mais racional da natureza, cabe a nós protegê-la ao máximo e zelar por seu equilíbrio. É uma visão profundamente anti-ética e até egocêntrica, por exemplo, identificar a natureza como invasora de nossas propriedades, pois a priori, nós é que violamos aquilo que antes pertencia à essa.


    Ninguém vê as coisas dessa forma, isso é algo particular a você. O homem adquiriu e desenvolveu a capacidade de interferir no meio natural, como forma de otimizar sua situação material, se você acha isso ruim, veste uma tanga e vai viver no mato amigo!


    Espero ter trazido aqui uma crítica construtiva, sólida e alternativa à propriedade privada. Eu considero um absurdo que o debate ético sobre propriedade apenas consista na perspectiva humana dessa, ignorando o fato de que os homens são meramente apenas uma outra parte da natureza e que por isso não lhes pertence nenhum direito supremo sobre essa.


    Infelizmente não conseguiu fazer isso, suas críticas não foram construtivas e sua apreensão do tema abordado mostrou-se nula.
  • Reinaldo  03/04/2013 19:26
    Acho que o Mises deveria ter sido proibido de escrever. Um texto desses traz à tona toda a desigualdade intelectual que existe na humanidade. Deveríamos propor que todos escrevessem dentro de uma média. Afinal de contas, a existência de um conhecimento acumulado, lúcido e articulado dessa magnitude somente pode ser produto de uma espoliação do conhecimento de pessoas que, devido a este fato, são ignorantes. Só existem ignorantes porque existem sábios. Portanto, sendo todos de igual padrão mental, não haveria sábios ou ignorantes. Seriam todos iguais. O rebaixamento do padrão de pessoas como o Mises certamente elevaria o padrão mental da maioria da população. É completamente injusto que todo o conhecimento, que vele a pena ser aprendido, esteja concentrado em apenas 0,00000000001% da população mundial.
  • Anarcofobico  03/04/2013 19:57
    Permita-me oferecer uma resposta adequada ao sarcasmo. A verdade é que as elites capitalistas têm impedido um ensino público de melhor qualidade. Assim, apenas os exploradores e seus filhos podem ter acesso a educação de qualidade, pois cobram preços exorbitantes e injustos por seu ensino, o que pode ser perigoso, afinal, muitos textos como esse podem enganar os incautos e alienados.

    É certo que o governo precisa investir mais em educação, para que outras pessoas tenham uma oportunidade igualitária de apresentar respostas a altura. Só assim teremos mais homens como Saint-Simon, Marx, Gunnar Myrdal, Robert Owen, Vladimir Lenin, Pierre-Joseph Proudhon, entre muitos outros.
  • Reinaldo  03/04/2013 22:00
    De maneira alguma há sarcasmo nas minhas colocações. Concordo em gênero, número e grau com você, camarada Anarcofóbico. Em tempo, Saint-Simon, Marx, Gunnar Myrdal, Robert Owen, Vladimir Lenin, Pierre-Joseph Proudhon eram todos legítimos representantes da classe não capitalista que nós tanto defendemos. Eram proletários presos a corpos burgueses. Pena que ainda não havia uma operação para troca de classe naqueles tempos! Nunca gerou-se tanta igualdade no conhecimento (e, portanto, não-opressão pelo conhecimento) como nos regimes comunistas. O conhecimento estorva a razão e aliena o homem!
  • Renato Souza  08/04/2013 22:12
    Thiago

    Você disse:
    "Não existe "propriedade coletiva", este conceito é logicamente inconsistente e empiricamente inexequível. Ou há a propriedade ou não há propriedade, duas ou mais pessoas não podem ser proprietárias da mesma coisa, isso geraria um conflito material insolúvel. No mais, seu argumento não faz nenhum sentido, como um indivíduo que ocupa um espaço e trabalha nele, garantido a oferta de bens e serviços, estará prejudicando pessoas, que inclusive nunca viram ou se interessaram pelo espaço que ele ocupou?"

    Como assim, "duas ou mais pessoas não podem ser proprietárias da mesma coisa, isso geraria um conflito material insolúvel". Cara, foi isso mesmo que você disse? Já ouviu falar de sócios proprietários? de soceidades por cotas, de sociedades por ações, de sociedades limitadas? Já ouviu falar de comunhão parcial ou universal de bens? Desde que existem pessoas vivendo nessa terra, existem prorpiedades que são comuns a mais de uma pessoa. Mas segundo você disse, isso não pode acontecer. Faça as pazes com a realidade...

  • anônimo  03/04/2013 20:10
    Parece piada, mas é exatamente como a grande maioria das pessoas, inclusive pretensos intelectuais, pensam.
  • Eduardo França  03/04/2013 20:27
    Hahaha! Pois é. Viva a igualdade!

    Sobre o texto, realmente é incrível a carga de argumentos que ele usa. Não só nesse, mas em "As seis lições", "Uma crítica ao intervencionismo", "O cálculo econômico sob o socialismo" etc. Sempre vai discorrendo de uma forma que fica praticamente impossível refutá-lo. Se existem, ainda não conheço teorias que o refutaram ou ao menos tentaram. Deveria-se ler mais Mises. O pior é que tem gente que não lê nada sobre nada e acha que vence debate com as próprias teorias baseadas em achismos.
  • Marcio  04/04/2013 12:32
    Desenvolvimento em um pais capitalista depende dos peão. Quanto mais trabalham pra seus patrões ficarem ricos melhor, isso é o que chamam de desenvolvimento. Eu chamo de exploração.

    Muito facil falar bem do capitalismo, experimente trabalhar em um supermercado.



    Achei isso aí em negrito por acaso. Parece que a fala desse pessoal é uniforme, são sempre as mesmas ladainhas.
  • anônimo  04/04/2013 12:38
    Só postando mais uma:

    O que significa crescer na vida ? qual sua visão disso ? se forma e ganhar 10 mil reais por mes, e não ter tempo nem pra acompanhar os filhos direito ?

    A pessoa recebe seus 2,500 e vive bem melhor do que muitos com salarios maior.



    Percebe-se que a visão de crescer na vida só é boa na concepção dele mesmo.
  • Típico Filósofo  06/10/2013 23:19
    "Programa submete CEOs a fazerem trabalho de estagiários no Canadá"

    www.administradores.com.br/noticias/marketing/acao-realizada-no-canada-coloca-chefes-na-pele-de-estagiarios/80655/?google_editors_picks=true

    Bem que poderia ser repetido no Brasil. Porém permanentemente em um local isolado e protegido onde possam refletir sobre sua natureza cruel e exploradora.


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