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A veneração da turba

Vários meses atrás, quando estava em Sydney visitando alguns amigos, fui convidado para ir à casa de um amigo de um amigo para alguns drinques noturnos e um bate-papo.  Meu anfitrião e seus amigos faziam o tipo "boêmios de esquerda" e haviam sido devidamente informados por meu amigo que eu era um "anarquista livre-mercadista", ou algo do tipo.  Eles ficaram intrigados com este conceito e, naturalmente, se puseram a me perguntar o que isso significava.  Inevitavelmente, a conversa avançou para uma discussão sobre os méritos de um livre mercado versus os problemas da democracia.

A discussão foi bastante cordial, e ocorreu como a maioria destas discussões nas quais conversamos com pessoas que jamais haviam sido anteriormente expostas a uma consistente filosofia libertária.  Meu anfitrião e seus amigos levantaram praticamente todas aquelas típicas objeções ao livre mercado e à ideia de uma sociedade de leis privadas e sem estado, enquanto eu explicava por que considerava incorretas cada uma de suas objeções[1].  Embora o pessoal aparentemente considerasse meus argumentos sobre cada um de seus pontos intelectualmente instigantes, eles se mantiveram hesitantes e não foram persuadidos.  A principal questão na qual a conversa se fixou foi naquela generalizada e predominante preocupação de que o livre mercado não permite uma ação democrática por parte do estado — ou seja, a ideia de que o povo deve ter o direito de coletivamente determinar "as regras do jogo" elegendo seus políticos favoritos e dando-lhes plenos poderes para que suas determinações sejam legitimamente vinculantes para todos os membros de uma sociedade.

A sanção das vítimas

Esta discussão teria sido totalmente rotineira — como foram inúmeras outras discussões similares que já tive sobre tais questões anteriormente — não fosse por uma interessante peculiaridade.  Enquanto eu argumentava sobre as virtudes da não-coerção e explicava por que o axioma da não-agressão deveria ser o princípio governante de uma sociedade, e meu anfitrião e seus amigos seguiam defendendo resolutamente a ideia de uma democracia ilimitada, todos eles se divertiam cheirando carreiras de cocaína, utilizando cédulas de papel impressas monopolisticamente pelo governo como acessório para a aspiração.  (Eles graciosamente me ofereceram um pouco do produto, mas como a minha única droga recreativa é o álcool, eu declinei).

Isto deu à discussão uma interessante tonalidade que ilustra bem um importante aspecto desse amor que as pessoas têm pelo governo da maioria: "Será que nenhum de vocês se sente incomodado", perguntei a eles, "com o fato de que, sob o sistema político que vocês tanto defendem, todos vocês são considerados criminosos?  Isso que vocês estão fazendo neste exato momento é considerado um crime, e vocês podem ser multados ou até mesmo encarcerados por isto."

A resposta foi não; eles não se incomodavam com isso.  Com efeito, nenhuma pessoa que defenda o modelo de governo da maioria como sendo uma desejável forma de organização social se incomoda com isso.  E o motivo é que democratas nunca consideram a atual democracia como seu sistema político favorito — eles consideram o atual modelo apenas um necessário estado de transição para uma utopia plenamente democrática, na qual todos os líderes eleitos concordarão plenamente com os valores e com as visões sócio-políticas de todos os seus eleitores.  Mises observou que "os críticos da ordem capitalista sempre parecem propensos a crer que o sistema socialista com o qual sonham irá realizar exatamente aquilo que eles julgam ser correto".[2] 

Por esta razão, quando as pessoas falam sobre a importância da democracia, elas jamais se referem à democracia que sempre existiu no mundo, aos políticos que de fato foram eleitos, e às políticas que eles de fato implementaram.  Não.  Elas se referem àquela democracia que imaginam que irá existir quando elas conseguirem eleger apenas "as pessoas certas" — o que, na visão delas, significa pessoas que concordem plenamente com seus ideais, e que são consistentes e incorruptíveis na implementação das políticas defendidas por estes ideais.  É esta ilusão que faz com que um grupo de pessoas inteligentes advogue o governo da maioria como sendo um postulado desejável, ainda que elas paradoxalmente incorram em atos que irão inevitavelmente classificá-las como criminosos dignos de encarceramento sob a vigência do exato sistema social que defendem.

Ayn Rand se referiu a este fenômeno como "a sanção da vítima"[3] — um indivíduo pode se divertir cheirando carreiras de cocaína em sua casa ao mesmo tempo em que aceita a ideia de que é moralmente correto as outras pessoas da sociedade utilizarem de violência contra ele caso ele seja flagrado fazendo isso.  O motivo deste comportamento paradoxal está na equivocada visão de que o governo da turba é uma forma de organização social desejável e moralmente legítima.  Tendo isto em mente, examinemos a real natureza da tão enaltecida democracia.

Democracia ilimitada é uma forma de socialismo

A democracia do tipo ilimitada, que é justamente aquela que é enaltecida atualmente[4], é apenas mais uma forma de socialismo, no sentido de que defende que o poder supremo sobre todas as decisões seja entregue ao governo.  Implícita na defesa do domínio da maioria está a presunção de que o governo, por meio do coletivo "desejo do povo", deve ter o privilégio de ser o real proprietário de todos os recursos da sociedade, caso escolha exercer tal privilégio.  O democrata não tolera nenhuma limitação sobre os poderes legítimos do governo e, como consequência, concede a esta instituição o privilégio da propriedade ilimitada sobre toda a sociedade.  Em sua mente, a única limitação que pode haver é a limitação da própria democracia — que os governantes no controle do aparato estatal devem prevenir-se contra serem substituídos por outro conjunto de governantes, mesmo que isso seja uma demanda do povo.

A natureza socialista da democracia é real independentemente do tamanho do governo eleito sob uma ordem democrática ou de suas políticas específicas.  É real até mesmo quando um governo democraticamente eleito implementa políticas relativamente liberais e aparentemente defende a propriedade privada.  Pois, ainda assim, a propriedade privada estará sendo relativizada, considerada algo meramente condicional.  Defensores do sistema democrático afirmam terem o direito de interferir coercivamente na vida das outras pessoas sempre que estiverem munidas do apoio da turba para isso; ou forem capazes de capturar o poder político.  Ao apoiarem a existência de uma ordem democrática, eles implicitamente ratificam ao governo a presunção de proprietário supremo de toda a sociedade, tornando irrelevante o fato de os recursos privados, ao menos em teoria, não pertencerem à esfera do governo.

Qualquer propriedade privada ou autonomia individual permitidas sob a democracia existem somente com a permissão do governo, e estão sob a constante ameaça dos caprichos da turba.  Ambas não existem como um direito moral reconhecido e de respeito obrigatório, como deveria ser em uma sociedade livre.  O ideal democrático proclama que os direitos de propriedade de um indivíduo estão sempre sujeitos a ser invalidados pelo governo, de modo que na realidade é o governo o proprietário implícito de todos os recursos (e de todas as pessoas) em seu território.  Tal sociedade é implicitamente socialista em seu caráter, a menos e até que as pessoas rejeitem a legitimidade do poder estatal sobre seus recursos — uma visão que requer a rejeição do governo da maioria como um princípio de organização social.

O fato de que a maioria dos governos democráticos proíbe a posse, o comércio e o consumo de cocaína — e trata aqueles que incorrem nestas atividades como criminosos — é apenas um ínfimo corolário da tácita suposição de que um governo democrático é o proprietário do indivíduo.  Aqueles que estão no controle do governo não estão realmente preocupados se você discorda ou não de suas "políticas públicas"; o que importa a eles é que você lhes conceda a legitimidade do poder de impor tais políticas sobre você.  Discordar ou desgostar de algumas de suas políticas específicas não é o bastante — para conseguir direitos que sejam genuinamente respeitados, as pessoas terão de rejeitar a legitimidade moral da interferência governamental sobre suas vidas.

Não aceite ser governado

Aqueles que defendem a democracia tendem a confundir duas questões completamente distintas: o método de seleção dos governantes e a questão essencial sobre o poder político ser algo realmente legítimo.  Portanto, é preciso deixar claro, sem nenhuma margem para dúvidas, que a objeção ao governo democrático não significa a preferência por ditaduras — significa apenas que o indivíduo não aceita que terceiros iniciem violência ou ameaça de violência contra ele, independentemente de qual seja o método de seleção daqueles que deterão o poder de utilizar esta coerção.  Com efeito, é perfeitamente possível um indivíduo preferir democracia a ditaduras ao mesmo tempo em que considera ambos estes sistemas inferiores a uma sociedade em que não haja governantes políticos.

Se você está inclinado a acreditar que a democracia irá funcionar corretamente quando "as pessoas certas" forem eleitas, então o seu desejo já se realizou — afinal, cada político foi eleito justamente porque foi considerado pela maioria dos eleitores como a melhor opção disponível no momento.  Olhe bem para as pessoas que foram eleitas e que estão hoje no poder, e veja todas as medidas que elas implementaram.  Eis aí o seu modelo de democracia em ação.  Não reclame.  E toda a destruição e autoritarismo que estão ocorrendo em decorrência deste seu apoio à democracia nada mais são do que a consequência natural da ideia de que os desejos da turba devem se sobrepor aos direitos do indivíduo.

Em vez de se preocupar com como seus governantes devem ser escolhidos, por que não utilizar a outra opção disponível, qual seja, rejeitar a ideia de que você precisa ter soberanos e que, consequentemente, não quer seguir ordens de nenhum político?

A maioria das pessoas não passa suas noites de sexta-feira cheirando carreiras de cocaína.  Porém, praticamente qualquer pessoa adulta inevitavelmente irá, em vários momentos de sua vida, transgredir uma das inúmeras e onipresentes leis e regulamentações criadas por um governo democrático.  E, independentemente de suas ações, toda e qualquer pessoa que viva sob uma democracia ilimitada sempre será tratada como propriedade do governo, com seus direitos sendo descartados aos meros caprichos da turba.  Sob a democracia, todo indivíduo sempre estará sujeito ao domínio de qualquer grupo que consiga reunir um grande número de pessoas que se tornem especialistas em capturar o poder político.

As pessoas ainda não absorveram aquela lição sobre democracia que deveriam ter aprendido quando Sócrates foi condenado à morte por seus conterrâneos atenienses por sua impiedade.  Ter poderes não é ter direitos especiais: seja por meio da força física bruta ou por meio de uma urna, é ilegítimo e indesejável que as pessoas agridam seus semelhantes.  Rejeitar a tirania da maioria é um importante passo rumo à paz e à prosperidade.



[1] As objeções incluíam a certeza de que a livre concorrência leva à formação de enormes monopólios corporativos, a alegação que as grandes corporações dominariam o mundo, a noção de que empresas privadas de segurança formariam grupos que operariam como a máfia, o delírio de que os pobres morreriam nas ruas por falta de alimentação e cuidados médicos, além de várias outras objeções que já foram refutadas ad nauseam em diversas obras libertárias numerosas demais para serem citadas aqui.  Não fornecerei respostas a estas objeções neste artigo, embora elas sejam facilmente encontradas em outras literaturas.

[2] Ludwig von Mises, Uma Crítica ao Intervencionismo, capítulo 3.

[3] A referência de Rand à "sanção da vítima" foi utilizada para se referir mais especificamente ao fato de que as vítimas fornecem as armas de sua própria destruição aos destruidores, os quais são incapazes de produzi-las sozinhos.  Embora Rand não considerasse o consumo de cocaína uma atividade produtiva que fornecesse armas para os destruidores do indivíduo, ela de fato considerava a sanção moral da vítima como sendo uma ferramenta indispensável para seus destruidores.  É neste sentido que utilizo a expressão.

[4] A maioria dos atuais estados democráticos mantém alguma forma de constituição cujo propósito é limitar seus poderes.  No entanto, os poderes estatais estão sendo contínua e crescentemente ampliados em decorrência tanto da predominante aceitação de que a democracia ilimitada é o mais desejável dos ideais políticos quanto da capacidade do executivo eleito de escolher os membros do judiciário que irão interpretar este suposto dispositivo de limitação do governo.  Com efeito, nenhum documento pode limitar os poderes de um governo, pois se trata meramente de um instrumento de lei estatal que é administrado por funcionários do próprio governo.  Eventos ocorridos rotineiramente em países democráticos demonstram de maneira inequívoca que tais constituições não exercem nenhuma restrição genuína sobre os poderes dos governos, mesmo quando os membros do governo agem em evidente contradição com as proibições enunciadas nestes documentos.

 


autor

Ben O'Neill
é professor de estatística na Univesidade New South Wales, em Canberra, Austrália.  Já foi também advogado e conselheiro político.  Atualmente é membro do Independent Institute, onde ganhou em 2009 o prêmio Sir John Templeton de competição de ensaios.



  • Peterson Mota  03/02/2012 07:04
    Simplesmente perfeito!
  • Sergio Gouvêa  10/08/2014 00:16
    Fico triste ao ler isso, e saber que quase ninguém tem paciência de ler até o fim, nem paciência de parar um pouco e tentar entender e refletir sobre o significado dessas reflexões. Nós estamos a anos-luz de distância do entendimento destas questões....infelizmente.
  • Gabriel  21/10/2014 23:51
    Simplesmente magnífico o texto e suas referências, vou levar estes argumentos pra sala de aula e tentar mostrar pros meus colegas que eles não precisam se submeter ao poder maior estatal.
  • Catarinense  03/02/2012 07:06
    Será que o século 21 será o século onde A Revolta de Atlas vai deixar as páginas escritas e se tornar um reflexo da realidade?
  • Roberto Chiocca  03/02/2012 07:36
    "A Revolta de Atlas" nunca foi apenas uma obra de ficção, sempre foi uma obra baseada na realidade e na teoria economica.
    Por isso, sempre que se lê este livro você acaba se espantando com como os fatos do livro se assemelham a fatos que você nas manchetes dos jornais. Algumas vezes as coincidencias são espantosas demais, como os Wesley Mouch da vida real!
  • Tiago  03/02/2012 07:51
    E o mais incrível ainda nesse caso é o nome do juiz que defende a propriedade privada: ARISTÓTELES!
  • Catarinense  03/02/2012 08:00
    Verdade! Estou terminando a leitura, parece até que certas pessoas usam o livro como guia para fazer justamente o que o livro critica, tamanha a semelhança com algumas atitudes e medidas estatais. Cheguei a dar risada em voz alta quando vi a notícia da lanchonete com controle de preços para "estimular a concorrência" no aeroporto de Curitiba, meus colegas no trabalho (trabalho atualmente no referido aeroporto) estavam todos concordando que seria uma boa atitude, imagine a cara de espanto deles quando comecei a rir! E pra explicar pra eles depois... E a mulher da infraero, cheia de orgulho, explicando pra repórter da tv?
  • Leonardo  03/02/2012 07:22
    Como seria a justiça, as PRISÕES em um regime libertário?

    Os empresários substituindo os políticos, com o tempo, conseguiriam ter o apoio do povo, a ponto de os deixarem tomar decisões sobre suas vidas (leis, éticas, morais)?

    MAS... Enquanto esse "tempo" não chega, toda pessoa teria uma arma na cintura e depois seria cada um por si?
  • Tiago RC  03/02/2012 08:43
    A exemplo de outras sociedades que tiveram um sistema de justiça descentralizado, eu acredito que prisões seriam extremamente raras, ou mesmo inexistentes.
    Punições seriam baseadas em ressarcimento e indenização às vítimas. Eventualmente os criminosos poderiam ter seus bens confiscados, ou mesmo serem obrigados a fornecer parte de seu trabalho para as vítimas até pagarem suas dívidas. E, em casos realmente extremos, talvez ocorram penas de morte. Mas não acho que existiriam prisões.. não faz muito sentido pagar pra sustentar um criminoso numa cela.
  • void  04/02/2012 14:01
    Só pra deixar claro, não se trata de "empresários substituindo os políticos". Na prática isso é mudança de políticos, e não de sistema. A proposta não é terceirizar os serviços. É difícil entender isso?

    Existem dúzias de artigos no site que tratam do assunto da segurança e justiça privadas, uma pequena pesquisa não vai fazer mal, mas se quer uma dica, comece lendo isto: mises.org.br/Ebook.aspx?id=12

    Use o índice para achar o que interessa. Sua resposta está em mais de um capítulo.
  • Andre Cavalcante  03/02/2012 07:43
    "Como seria a justiça, as PRISÕES em um regime libertário?"

    Os condenados iriam trabalhar para pagar a sua "estada" na prisão e, provavelmente a vítima. Note-se que, neste caso, a prisão é privada, assim como a justiça.

    "Os empresários substituindo os políticos, com o tempo, conseguiriam ter o apoio do povo, a ponto de os deixarem tomar decisões sobre suas vidas (leis, éticas, morais)?"

    Sim e não. Sim, e isso já acontece. Quando você clica em instalar o Windows, você se submete a uma série de restrições quanto ao uso do software, restrições a maior parte delas, absolutamente morais e que, na prática, não valem absolutamente nada, porque as pessoas continuam pirateando o sistema, no mínimo. E não porque, em uma sociedade livre, admite-se que, se uma empresa abusar desse poder consentido, outra, mais branda, poderia assumir o lugar daquela e todas as pessoas passariam a vincular-se a esta outra, derrubando a 1a. Não aconteceria do dia para a noite, mas é possível.

    "MAS... Enquanto esse "tempo" não chega, toda pessoa teria uma arma na cintura e depois seria cada um por si?"

    Não necessariamente. Eu por exemplo odeio armas. Então contrataria uma empresa de segurança privada para a minha casa e meu trabalho. Eles sim teriam obrigação de andar armados. (E isso já acontece hoje, pois não!?)

    Abraços.
  • José Ricardo das C.Monteiro  03/02/2012 08:17
    Saudações, Aristóteles em uma de suas obras discute a democracia praticada na Grécia, ele considerava a democracia um regime instável, exposto à degeneração ou à corrupção,por essas razões, difícil de manter. Uma democracia estável só poderia existir em casos raros, quando aplicada a comunidades com as seguintes características:
    1- composta de indivíduos naturalmente iguais; 2- cujo número permitesse que, quando reunidos em assembleia, a voz de cada um pudesse ser ouvida por todos os demais; 3- que vivessem dispersos (pastores,agricultores,navegadores); 4- reuniões esporádicas para tratar de assuntos de interesse comum; 5- indivíduos autônomos e aptos a se defender por si mesmos; 6- o governo jamais se intrometesse na vida privada de cada um; 7- os tributos fossem pagos de modo equitativo, e despendidos exclusivamente no interesse comum; 8- respeito solene pelos contratos, cujas regras ninguém pudessem quebrar ou modificar, ainda que a maioria concordasse. Na democracia assim, o poder do governo é mínimo.
    Longe de considerar a democracia como regime desejável ou virtuoso, Aristóteles a enumerava com mais uma forma de governo, entre outras. Forma peculiar, que só servia em casos excepcionais e, se fosse aplicada fora das suas condições naturais, eria impraticável, ou pior, não seria regime, mas doença degenerativa.
    Faltou saber como terminou a reunião, abraços.
  • Daniel Marchi  03/02/2012 08:21
    Argumentação irretocável.

    Lamentavelmente as sequelas provocadas pelo pensamento coletivistas e anti-humano são cada vez mais profundas. Muitos defensores do sistema democrático sequer vão conseguir entender os argumentos do texto acima. O estatismo atrofia a própria capacidade de abstração das pessoas.
  • Joao Pedro Souza Matos  03/02/2012 10:59
    Texto Excelente! Épico!
  • mcmoraes  03/02/2012 11:26
    Já entrou pra minha lista dos melhores do site.
  • André  03/02/2012 13:33
    Muito bom texto! Já foi devidamente arquivado. hehe
  • Joao  03/02/2012 13:35
    Perfeito!!!

    Precisamos discutir como esse conjumto de ideias pode ser implantado numa democracia como a nossa, toda corrompida por politicos vivendo da inicencia/ignorancia da turba

    Que tal comecair com a bamdeira de que quem recebe "welfare", por exemplo bolsa familia perde o direito de voto?? Assim como seus parentes proximos??

    Apesar de algumas ou ate muitas imperfeicoes o nosso modelo de CCT, Conditional Cash Transfer, ajuda a tirar da exetrema miseria algumas pessaos...o que nao acho justo e que elas possam "vender" seu voto em troca de migalhas
    O que acham???
    Pelrdao pelos erros de digitacao..

    Joao
  • Daniel  04/02/2012 04:08
    (...) "é ilegítimo e indesejável que as pessoas agridam seus semelhantes" (...)\r
    \r
    Os bandidos em Salvador não absorveram essa lição... dezenas de homicídios, centenas ou milhares de roubos e saques no primeiro dia de greve da PM... (de ontem para hoje)\r
    \r
    Gostaria de saber a opinião dos comentaristas IMB acerca do "(des)controle" da violência numa sociedade sem corporação policial. Ou cada um terá que portar uma arma para espantar o bandido?\r
    \r
    Esse negócio de contratar segurança privada não é barato e não é para todo mundo, quem não tiver dinheiro para isso, fica ao Deus-dará?\r
    \r
    Eu acompanho este site já faz um tempo sempre com muita curiosidade, principalmente pelos diferentes comentários acerca de economia, a teorida dos ciclos econômicos, etc., e sei que isso de fato leva o pensador a advogar contra qualquer espécie de Estado. Contudo, certas coisas ainda não me convenceram no pensamento libertário: uma delas, como seria de fato feito o controle da violência pelos comuns?
  • Paulo Sergio  04/02/2012 08:29
    Fortaleza tb teve greve da polícia, não foi um décimo disso que ta acontecendo em salvador
    Eu até achei legal...a cidade deserta...como num mundo pós apocalíptico...
  • Cândido L. T. Rezende  04/02/2012 09:39
    Primeiro a polícia desarma a população, depois ela entra em greve e é protegida pelo mesmo tipo de lei que incita as ultimas.
  • Andre Cavalcante  04/02/2012 10:27
    Desculpe-me os soteronopolitanos, mas Salvador tem esses índices de violência porque, apesar de ser uma das cidades mais negras do Brasil (se não for a maior) é também a em que o racismo é um dos mais acentuados. A minoria branca de Salvador é também a mais rica, e costuma tratar o restante da população exatamente assim: o resto (aja coletivismo, não?!).

    Realmente não me surpreende tais notícias. Depois de séculos de "escravidão", uma hora a turba se revolta.

    Sobre a questão da polícia privada, você partiu do pressuposto que as pessoas não tem dinheiro para pagar segurança privada, como se a segurança "pública" não fosse igualmente paga pelos impostos. Se a carga tributária no Brasil não fosse os absurdos 40% (taxas nórdicas para serviços africanos), com certeza as pessoas teriam rendimentos suficientes para providenciar algum tipo de proteção às suas casas, famílias e negócios. Dada a incapacidade do Estado de prover o mínimo de segurança, muitas das ruas com comércio, hoje em dia, já pagam por alguma segurança privada (ou seja, estão pagando 2x).

  • void  04/02/2012 10:47
    Anets de tudo é necessário lembrar-mos que vivemos num ambiente de escassez artificial da oferta de segurança pública. Esta escassez torna o serviço (segurança e justiça) extremamente caros, portanto, é precipitado dizer que se trata de algo naturalmente caro e inacessível apenas pela análise do contexto em que vivemos hoje.

    Também é necessário considerar que setores controlados por monopólios são sempre os mais suscetíveis à crises. Como esta que está ocorrendo em Salvador. Se você tem apenas uma empresa para prestar um serviço, e ela falha em sua proposta, então seus consumidores estão reféns da situação.

    É óbvio que o ideal para uma sociedade livre é o respeito à propriedade sempre, e que "bandidos não absorveram essa lição" - e de outra forma não seriam bandidos-, devem ser combatidos, e o direito de portar armas para se proteger é apenas uma pequena parte da solução para isso - também deveria haver o direito de pessoas se juntarem e formarem organizações de auto-defesa, e a estas organizações se dá o nome de empresas.

    A oferta de segurança é, hoje, como qualquer monopólio em qualquer outra área seria. Imagina se o estado guardasse para si o direito de produzir e distribuir alimentos. Nós já vimos isso antes, e sabemos o que acontece.
  • Roberto  04/02/2012 12:24
    Concordo mas ainda acho que é preciso uma legislação para regular os limites dessas empresas, não queremos máfias usando a força para persuadir indivíduos que deveriam ser livres de coerção.
  • Arnaldo  04/02/2012 17:09
    # Roberto, não é necessário mais regulamentação externa, pois a contratação é
    voluntária entre as partes.Ademais, máfias já existem - órgãos do estado.
  • Andre Cavalcante  04/02/2012 21:12

    Não é bem assim... É possível, quando não há respeito pela propriedade alheia, que uma "empresa" exija pagamento dos moradores de determinada localidade para sua própria "segurança", esquecendo-se que, neste caso, a única segurança é contra a própria empresa. Isso é máfia e isso é crime! A tal empresa cria um monopólio e nenhuma outra pode entrar, pois é necessário força e é uma situação muito difícil para as pessoas da localidade, com o sem o Estado.
  • void  04/02/2012 14:05
    antes*
    lembrarmos*
    extremamente caro*
    suscetíveis às*
    ...

    Essa foi feia.
  • Willian  04/02/2012 19:46
    Como seria a a legislação e aplicação das leis numa sociedade libertária? Seria imposta pelo "mercado", ou seja, a vontade da maioria? Se sim, isto não seria um retorno ao mesmo problema da democracia? E as minorias, como conseguiriam impor suas próprias leis, como eles as garantiriam? Será que o Libertarianismo não é tão impraticável quanto o comunismo, um outro extremo do espectro político?
  • Willian  07/02/2012 05:05
    Pelo visto as minhas perguntas ficaram sem respostas.
  • Luis Almeida  07/02/2012 05:20
    Como assim? Existe o direito natural. Você tem três direitos negativos: você tem o direito que não tirem a sua vida, a sua liberdade e a sua propriedade honestamente adquirida.

    Qualquer atentado contra algum destes direitos implica crime. Qual a pena para cada crime é algo que pode ser discutido. Alguns defendem olho por olho. Outros defendem dois olhos por um olho. O fato é que a definição certamente não seria mais arbitrária do que o atual conjunto de penalidades definidas por burocratas aos quais todo mundo ama obedecer.
  • Hay  07/02/2012 05:25
    Bem, há vários artigos no site que falam a respeito disso. Basta fazer uma rápida pesquisa.
  • Paulo Sergio  07/02/2012 12:33
    'E as minorias, como conseguiriam impor suas próprias leis, como eles as garantiriam? '

    A única coisa que teoricamente seria garantida é que não ia ter ninguém mechendo com elas, com a liberdade delas e com a propriedade delas
    Mas se a maioria,por um motivo qualquer, quisesse muito ferrar com a vida da minoria, não ia precisar de nada disso, bastava boicotar
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1184
  • yldogaucho  04/02/2012 20:31
    Muito bom o artigo. Sou leigo mas os achei muito elucidativos. Parabens!
  • Thyago  06/02/2012 12:08
    Texto muito bom... Sobretudo:

    Rejeitar a tirania da maioria é um importante passo rumo à paz e à prosperidade.
  • João Vicente de A. da Costa  07/02/2012 03:26
    Alguns comentaram acerca de eventuais penas para criminosos numa sociedade "pós-estatal". Beleza. Mas e quem elabora o Direito nessa sociedade? Se é o indivíduo quem tem o comando, o Direito como nós conhecemos hoje não existe(logo o crime, a pena, o dever de reparação etc. tb. não...).

    Não se está aqui incorrendo no mesmo erro do socialista, ao se pensar que "uma sociedade libertária com o qual se sonha irá realizar exatamente aquilo que seus defensores julgam ser correto"?
  • Tiago RC  07/02/2012 05:57
    João Vicente, você encontrará respostas a essas suas dúvidas na seção "Lei privada" desse texto: www.libertyzine.com/2007/04/teoria-do-caos-robert-p-murphy.html

    Abraços
  • Angelo Viacava  07/02/2012 05:17
    As pessoas comuns não lutam contra sistemas porque têm apenas uma vida para viver neste mundo, o tempo é curto, e seus problemas particulares são bem maiores e mais próximos do que a salvação de um imaginário coletivo. Na prática passamos a vida tirando o bode da sala, em busca de um pouco mais de conforto. Dentro do possível, realizamos individualmente pequenas melhorias em nosso ambiente particular. Por que a população de Cuba não derruba Fidel? E se o que vier depois, mesmo com a promessa de melhora for na prática a mesma coisa? O cidadão simples não se ilude com banquetes imaginários do qual nunca fará parte. Fazer uma revolução para servir de bucha de canhão? Isso é coisa para crentes na ideologia, que escolheram perder a fé no transcendente, necessitados de se agarrarem a qualquer coisa que lhes dê um pouco de sentido à vida. Generais fazem acordos, soldados morrem. Conversar com pessoas - cheirando cocaína ou não - faz pouca diferença. Se bem que dizem os defensores da cocaína o seu uso realçar certas características de quem usa; e se for a idiotice a realçada? Também eu gostaria de um mundo de liberdades ao cidadão de bem, agressores presos, punidos de alguma forma, governos que não se intrometessem em minha vida particular. Dizem que na Suíça é ótimo, na Nova Zelândia também. Talvez eu nunca vá lá pra ver e sentir por mim mesmo, fico só lendo e tentando acreditar que seja, e acho que é mesmo, porque melhor do que o Brasil tem quase uma centena em quesitos de liberdade individual.
  • Marc...  07/02/2012 07:11
    O cidadão simples não se ilude com banquetes imaginários do qual nunca fará parte. Fazer uma revolução para servir de bucha de canhão? Isso é coisa para crentes na ideologia, que escolheram perder a fé no transcendente, necessitados de se agarrarem a qualquer coisa que lhes dê um pouco de sentido à vida. Generais fazem acordos, soldados morrem.

    Imaginário? Mais concreto do que apresentado nesse instituto impossível. Quando você sente fome, fica se desiludindo que um dia poderia ter comida?, ou vai ao encontro do restaurante?

    É sabido que um cidadão só não resolverá TUDO, mas se cada um fizer sua parte os resultados acontecem, o banquete imaginário vai se tornando cada vez mais real. Eu vejo os resultados de CADA UM do mises.org.br para a solução, para nosso banquete, o banquete de todos e não só dos exploradores. Um banquete de paz, progresso, sem violência, sem ignorância ou alienação.

    Sou grato por todos e não quero ser só consumidor mas também produtor desse "projeto" de vida - economia austríaca :)
    Que eu seja um exemplo para alguém da mesma forma que admiro aqueles em que me espelho.
    "As palavras convencem, mas o exemplo arrasta" ?

    Minha vida foi melhorada pelo trabalho de cada UM, estou fazendo a minha parte para a de outros e assim seguimos, quanto maior nossa vontade e menor nossa indiferença mais rápido prosperaremos.
    Quanto mais difícil o objetivo é que os fortes sobressaem.
    Que ninguém aqui perca sua fé, na ética, na honestidade ou na verdade, na razão e no correto, em fazer o bem, para si e para todos, que amamos ou não.
    "Chegou o momento que todo silêncio é traição."
    Martin Luther King

    Eu escolhi ter fé em minhas capacidades e deixei de ser crente que não posso nada.
    Vou viver minha vida toda até morrer fazendo o que considero certo, que eu perca 30 anos como fez o Ron Paul lutando pela liberdade, mas já sei que terei orgulho de todos esses anos.
    "Aquele que não descobriu pelo o que morrer, não é digno de viver."
    Martin Luther King

    Uma revolução não tem que necessariamente ser violenta. Essa revolução deve começar em nós e em nossas atitudes, não só de palavras. "Pelos seus frutos os conhecereis." Mateus 7.16-20
    Compreensão com os outros e saber o porquê dos seus erros nos permite agir de forma mais eficaz, a desobediência civil já venceu antes e pode vencer aqui.

    Cure sua apatia!
  • Angelo Viacava  07/02/2012 11:40
    Marc... : É um ponto de vista respeitável. Grato pela resposta. Ainda não vi resultado prático na desobediência civil além de poder comprar uns produtos no Paraguai ou na internet sem pagar impostos. O que já é bem bom, óbvio. Porém muito limitado. A não ser que eu não seja um iniciado na arte da desobediência civil e esteja perdendo muitas outras vantagens. Na questão moral e ética, também levo minha vida na base do trabalho, na esperança de um futuro melhor e tudo o mais.
  • mcmoraes  07/02/2012 12:48
    @Angelo Viacava: "...levo minha vida na base do trabalho, na esperança de um futuro melhor e tudo o mais..."

    Pra mim isso já está de bom tamanho. Deixemos o resto nas mãos de Deus, ou, como diriam os pinkfloydianos:

    "... everything under the sun is in tune,
    but the sun is eclipsed by the moon.
    There is no dark side of the moon really.
    Matter of fact it's all dark."

  • mcmoraes  08/08/2012 11:31
    Caras, vocês já leram o artigo do Ben O'neil publicado hoje no MI?

    The Apocalyptic Vision of The Road

    De tão bom, merece uma tradução e publicação aqui no IMB.
  • Catarinense  08/08/2012 12:05
    Achei o Mises Daily de hoje sensacional:\r
    \r
    Anarchy in the Aachen
  • samir  04/03/2013 01:16
    Acredito em grandes textos e questões resumidas, ou seja, é necessario reconhecer que nosso país possui uma história de
    "superação" em muitas questões, e que por sua vez jamais alcançara plenitude de perfeição. Erros é a maior e universal caracteristica humana. Sempre as questões que nos envolvem geram diferentes opiniões, então nasce a necessidade do encontro e convencimento multiplo pelo mesmo objetivo, "democracia" de certa forma é "ser livre." O que resta é concientizar de modo geral o que realmente é vive-la. Não se pode julgar de modo tão frio o ser humano, de modo que perderiamos a razão e fariamos julgamento de nós mesmos. As diferentes classes não poderiam ultrapassar além dos patrimonios, os investimentos na alta cultura e demais "gradualismo" deveria fazer parte da refeição de todas as mesas, para assim avaliar melhor a inumeras questões que dificultam o convivio social.
    Como exemplo, Sou um ex presidiario, ex viciado e estudante apenas do 5 ano fundamental, posso dizer que de certa forma em algum momento faltou isso em minha mesa.
    "Mesmo assim nunca deixei de sonhar.


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