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É possível fazer concessões a ideias socialistas?

A distinção entre propriedade privada dos meios de produção (economia de mercado ou capitalismo) e propriedade pública dos meios de produção (socialismo, comunismo ou "planejamento central") é bastante nítida.  Cada um desses dois sistemas de organização econômica da sociedade pode ser descrito e definido de maneira precisa e sem ambiguidades.

Não podem jamais ser confundidos um com o outro; não podem ser misturados ou combinados; não podem transitar gradualmente de um para o outro; são mutuamente incompatíveis.  Um fator de produção ou é de propriedade privada ou pública.  

Se, no contexto de um sistema de cooperação social, alguns meios de produção são de propriedade pública, enquanto os demais são controlados por entidades privadas, isto não configura um sistema misto combinando socialismo e propriedade privada.  O sistema continuará sendo uma sociedade de mercado desde que o setor socializado não se tornar inteiramente separado do setor não socializado, passando a ter uma existência estritamente autárquica.  (Neste último caso, estaríamos diante de dois sistemas que coexistem independentemente lado a lado — um capitalista e outro socialista).

Empresas estatais funcionando em um sistema no qual existam empresas privadas e um mercado — assim como países socialistas que trocam bens e serviços com países não socialistas — estão integradas em um sistema de economia de mercado.  Estão sujeitas às leis do mercado e têm a possibilidade de recorrer ao cálculo econômico.

Se quisermos considerar a ideia de colocar lado a lado a estes dois sistemas, ou entre eles, um terceiro sistema de cooperação humana baseado na divisão do trabalho, teremos necessariamente de partir da noção de economia de mercado e não da noção de socialismo. A noção de socialismo, com seu monismo e centralismo rígidos, em que uma só vontade tem o poder de escolher e agir, não dá margem a qualquer tipo de acordo ou concessão; não é um sistema passível de ajustes ou alterações.

Mas o mesmo não ocorre em relação à economia de mercado.  Neste sistema, a coexistência do mercado com o poder de coerção e compulsão do governo dá margem a diversas possibilidades.  Seria realmente necessário ou conveniente, perguntam-se as pessoas, que o governo se mantenha fora do mercado?  Não seria uma tarefa do governo interferir e corrigir o funcionamento do mercado?  Será que não há uma terceira alternativa entre capitalismo e socialismo?  Será que não existem outros sistemas viáveis de organização social que não sejam nem o comunismo e nem a pura economia de mercado?

Em resposta a essas questões já foram arquitetadas várias soluções — também chamadas de terceira via — que, segundo os seus criadores, estariam tão distantes do socialismo como do capitalismo.  Alegam esses autores que tais sistemas não são socialistas porque preservam a propriedade privada dos meios de produção, e não são capitalistas porque eliminam as "deficiências" da economia de mercado.  

Um tratamento científico dessa questão deve necessariamente ser neutro em relação a quaisquer julgamentos de valor — e, portanto, não pode condenar de antemão nenhum aspecto do capitalismo como sendo prejudicial, defeituoso ou injusto.  Consequentemente, não faz sentido recomendar, em bases puramente emocionais, o intervencionismo.  Cabe à ciência econômica analisar essas questões e buscar a verdade; não pode ser invocada para louvar ou condenar a realidade a partir de postulados preconcebidos e de preconceitos.  Em relação ao intervencionismo, cabe à ciência econômica apenas perguntar e responder: como é que funciona?

O intervencionismo

Existem duas maneiras de se chegar ao socialismo.

A primeira (podemos denominá-la de modelo leninista ou russo) é puramente burocrática.  Todas as fábricas, lojas e fazendas são formalmente estatizadas; passam a ser departamentos do governo dirigidos por funcionários públicos.  Cada unidade do aparato de produção mantém com o órgão superior central a mesma relação que uma agência local dos correios mantém com a central dos Correios.

A segunda maneira (podemos denominá-la de modelo alemão ou de Hindenburg) preserva nominal e aparentemente a propriedade privada dos meios de produção, fazendo parecer que continuam a existir mercados, preços, salários e juros.  Entretanto, já não existem empreendedores, mas apenas gerentes de empresas (Betriebsführer na terminologia nazista).

Esses gerentes de empresa parecem estar efetivamente no comando das empresas que lhes foram confiadas; compram e vendem, contratam e dispensam trabalhadores, fixam remunerações, contraem dívidas, pagam juros e amortizam empréstimos. Mas, ao exercer a sua atividade, são obrigados a obedecer incondicionalmente às ordens emitidas pela agência central do governo encarregada de dirigir a produção.

Essa agência (a Reichswirtschaftsministerium na Alemanha nazista) instrui os gerentes das empresas sobre o que e como produzir, de quem comprar e a que preços, e a quem vender e a que preços.  Especifica o emprego de cada trabalhador e fixa o seu salário.  Decreta a quem, e em que termos, os capitalistas devem confiar os seus fundos.  Em tais circunstâncias, as trocas de mercado tornam-se meramente uma farsa. Os salários, preços e juros são fixados pelo governo; são salários, preços e taxas de juros apenas na aparência; na realidade, são meramente as expressões quantitativas das ordens do governo, as quais determinam o emprego, a renda, o consumo e o padrão de vida de cada cidadão.

O governo de fato dirige toda a atividade econômica.  Os gerentes das empresas obedecem às ordens do governo e não à demanda dos consumidores e à estrutura de preços do mercado. Isso é socialismo, só que disfarçado pelo uso da terminologia capitalista.  Alguns rótulos da economia de mercado capitalista são mantidos, mas com um significado inteiramente diferente do que têm na economia de mercado.

É necessário salientar este fato a fim de evitar que se confunda socialismo com intervencionismo. O intervencionismo — ou a economia de mercado obstruída — difere do modelo alemão de socialismo pelo simples fato de ainda ser uma economia de mercado.  As autoridades interferem no funcionamento da economia de mercado, mas não desejam eliminá-la completamente.  Querem que a produção e o consumo sigam caminhos diferentes dos que seguiriam se não houvesse as obstruções, e querem atingir esse objetivo por meio de ordens, comandos e proibições, para cujo cumprimento contam com o respaldo do seu poder policial e de seu correspondente aparato de compulsão e coerção.  

Tais medidas, entretanto, são atos isolados de intervenção. Não pretendem as autoridades integrá-las a um sistema que determinaria todos os preços, salários e taxas de juros, colocando em suas mãos o controle absoluto da produção e do consumo.

O sistema de economia de mercado obstruída, ou intervencionismo, procura preservar o dualismo de duas distintas esferas: a atividade do governo de um lado e a liberdade econômica do sistema de mercado de outro.  O que caracteriza o intervencionismo é o fato de que o governo não limita suas atividades à preservação da propriedade privada dos meios de produção e à proteção contra as tentativas de violência ou fraude; o governo interfere na atividade econômica através de ordens e proibições.

A intervenção é sempre um decreto emitido, direta ou indiretamente, pela autoridade responsável pelo aparato administrativo de coerção e compulsão que força os empreendedores e os capitalistas a empregarem alguns dos fatores de produção de maneira diferente daquela que o fariam se estivessem obedecendo apenas aos ditames do mercado.  Tal decreto pode ser uma ordem para fazer ou para deixar de fazer alguma coisa.  

Não é necessário que o decreto seja emitido diretamente pelo poder legitimamente constituído e estabelecido.  Pode ocorrer que algumas outras agências se arroguem o direito de emitir tais ordens ou proibições, e as imponham por meio do seu próprio aparato de coerção e opressão.  Se o governo legalmente constituído tolera esse procedimento ou até mesmo o apoia por meio de seu aparato policial, as coisas se passam como se a ordem fosse do próprio governo.  Se o governo se opõe à ação violenta dessas outras agências, e, embora o desejando, não consegue evitá-las nem com o emprego de suas forças armadas, advém a anarquia.

É importante lembrar que intervenção do governo significa sempre ou ação violenta ou ameaça de ação violenta. Os fundos gastos pelo governo em qualquer de suas atividades são obtidos por meio de impostos.  E os impostos são pagos porque os contribuintes não se atrevem a desobedecer aos agentes do governo; eles sabem que qualquer desobediência ou resistência seria inútil.  Enquanto perdurar esse estado de coisas, o governo tem a possibilidade de arrecadar tanto quanto queira para suas despesas.

Governo é, em última instância, o emprego de homens armados, de policiais, guardas, soldados e carrascos.  A característica essencial do governo é a de impingir os seus decretos por meio do espancamento, do encarceramento e do assassinato. Quem pede maior intervenção estatal está, em última análise, pedindo mais coerção e menos liberdade.



autor

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".


  • Erik Frederico Alves Cenaqui  02/01/2012 04:47
    Prezada equipe do IMB\r
    \r
    Inicialmente gostaria de dizer que os textos do site que são conceituais e/ou principiológicos, como este que estou comentando, são muito bons porque estabelecem critérios para identificar o mercado e o estado.\r
    \r
    Dentro da Escola Austriaca é inegável a superioredade dos textos do Ludwig Von Mises, que são sempre muito claros e objetivos.\r
    \r
    O texto ora comentado trata de um dos pontos mais interessantes da obra do LVM: a impossibilidade da existência de uma "terceira via" na forma de organizar a economia.\r
    \r
    Eu já havia percebido isso quando eu li o livro "As Seis Lições".\r
    \r
    O intervencionismo é uma técnica de transformação do capitalismo em socialismo, nada mais do que isso.\r
    \r
    observando-se a forma como o LVM apresenta suas idéias não é a toa que a obra deste grande pensador não aparece para o grande público.\r
    \r
    Os diversos livros do Ludwig Von Mises deixam claro que o mundo todo é há muito tempo socialista.\r
    \r
    Os marxistas tem conseguido obter vitórias importantes em todos os países do mundo.\r
    \r
    O capitalismo e o liberalismo clássico estão quase mortos no mundo, o que é lamentável.\r
    \r
    Eu tenho aprendido muito com o Instituto Ludwig Von Mises Brasil.\r
    \r
    Abraços\r
    \r
  • Brunno  11/01/2013 15:45
    Erik Frederico : "Os diversos livros do Ludwig Von Mises deixam claro que o mundo todo é há muito tempo socialista" Hããã?? Não entendi?

    O que acredito é que nunca existiu e nem tem a menor possibilidade de vir a existir um socialismo marxista. Não nem uma fagulha. O que ocorreu não chega nem perto de uma revolução dos proletáriados, mas antes um totalitarismo. Aliás, não há pq questionar se o capitalismo é bom ou ruim, é o que é. Como bons libertários e libertaristas que somos admito que o capitalismo está longe de se extinguir. Portanto, continuemos com Locke e todas as defesas de propriedade privada; Adam Smith e a mão invisível do livre mercado, que controla com maestria nossa sociedade entre outros princípios que todos já estão cansados de pregar.

    Abs
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  11/01/2013 20:29
    Prezado Brunno

    Boa tarde.

    Os textos do IMB são muito claros em conceituar o que é socialismo.

    O socialismo é o estado ser o principal protagonista social. A definição é absurdamente simples.

    Lendo o livro as "As Seis Lições" do LVM fica muito claro que o Brasil nunca foi capitalista.

    Peço a gentileza que leia este livro pois ele é muito importante para entender os textos do site.

    O mundo sempre tendeu para o socialismo sempre.

    Poucas pessoas se interessam em defender o Mercado e o sistema capitalista.

    Saudações
  • Brunno  14/01/2013 16:28
    Ok, valeu pela dica. Vou ler.

    Abs
  • mcmoraes  02/01/2012 05:45
    Com esse excelente artigo, começamos muito bem este ano.

    Sem concessões ao socialismo!!
  • Pj Santos  02/01/2012 08:37
    O estado pode ter e deve ter propriedade. É impossível haver mercado sem estado. O estado deve regular o tamanho da propriedade, o salário mínimo(para limitar o mercado), imposto único para os direitos negativos, e serviço que são impossíveis para o setor privado realizar por completo ou com justiça, como luz, gás, agua... O setor privado não pode parar um rio para fazer um represa pois ninguém é dono do rio senão o estado.
  • Marc...  02/01/2012 09:57
    Em pensar que um dia fui ignorante assim também, hehehe.

    Vai estudar filho, comece por aqui: mises.org.br

    Todas suas dúvidas e errôneas pressuposições serão curadas, e de graça!

    Lista para lhe ajudar no caminho da verdade:

    Por que todos deveriam ser a favor de se diminuir impostos para os "ricos"
    mises.org.br/Article.aspx?id=208

    Nenhum imposto é neutro; qualquer imposto sempre afetará os mais pobres
    mises.org.br/Article.aspx?id=1156

    O estado dos 5 macacos
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=678

    Uma sociedade de criminosos
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=625

    Reflexões sobre a origem e a estabilidade do estado www.mises.org.br/Article.aspx?id=402

    O fundamento lógico para a privatização total
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=973

    Por que não podíamos abolir a escravidão ontem e não podemos abolir o governo hoje
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=899

    Mercado versus estado
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=827

    A fraude chamada 'estado'
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=151
  • mcmoraes  02/01/2012 10:51
    Que interessante esse comentário do Pj Santos. Fiquei com a impressão de que ele não está tão seguro (como tantos outros que comentam por aqui) de que Mises era um defensor do estado mínimo e não um ancap.
  • anônimo  07/01/2013 12:04
    Gás? Não sei como funciona aí na sua cidade, mas aqui onde moro, se você quiser comprar gás basta ligar para uma distribuidora. Em 10 min os gas estará na sua casa. Se você morar em apartamento, normalmente o gás é pago junto com o condôminio e distribuido por uma rede construída dentro do condomínio. (ainda estou tentanto entender onde o governo entra nessa história)
    E assim poderia ser feito com a água e também com a luz.
  • Luis Almeida  02/01/2012 09:22
    Concodo, PJ. E a primeira propriedade que o estado deve regular e limitar o tamanho deve ser a sua casa. Após limitá-la, acho correto que ele a exproprie, pois, afinal, o estado não pode ficar sem propriedade. Melhor ainda seria se ele tomasse a propriedade de toda a sua família para construir uma represa. Fechou?
  • vanderlei  02/01/2012 13:11
    www.pampalivre.info/noticias.htm\r
    \r
    Polícia Federal brasileira recebe mensalão do governo dos Estados Unidos\r
    27 de dezembro de 2009\r
    \r
    Carlos Costa, que chefiou o FBI no Brasil por quatro anos, fala sobre como os EUA "compraram a Polícia Federal" e como a "ABIN se prostitui...". Uma das contas bancárias secretas utilizadas para receber o mensalão é a de número 284002-2, na agência 3476-2 do Banco do Brasil, em Brasília. O valor do mensalão depende do cargo que o indivíduo ocupa (delegado, etc.), mas em média gira em torno de 800 dólares por mês por cabeça.\r
    \r
    \r
    \r
    No Brazil só bandido pode portar armas\r
    POLÍCIA FEDERAL ATACA DIREITO DAS PESSOAS HONESTAS À ARMAS DE DEFESA\r
    11 de junho de 2011\r
    \r
    Há poucos dias a Polícia Federal, uma das mais corruptas do mundo, foi denunciada por estar, de forma arbitrária e ilegal, negando TODAS as solicitações de registro de armas de fogo. No dia 6 de junho, o chefe da quadrilha no comando do Serviço Nacional de Armas, delegado da Polícia Federal (PF) Douglas Saldanha, confirmou a denúncia dizendo que "desenvolveu uma interpretação rigorosa do conceito de efetiva necessidade" \r
  • Carlos  02/01/2012 13:17
    O segredo está em combinar os acertos do socialismo com os da economia de mercado, pois nenhum nem outro é de todo mal ou de todo ruim, cada um tem suas vantagens e desvantagens.
  • Catarinense  02/01/2012 16:04
    É, Carlos. Leia este artigo, e tente manter a sua afirmação:\r
    \r
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=995
  • Marc...  02/01/2012 18:12
    Errado. Só se esse for o seu segredo para o fracasso!
    O socialismo é TODO ruim (só tem desvantagens) e o capitalismo laissez-faire é TODO bom (só tem vantagens).

    Quanto mais socialista for a esfera político-econômica pior fica, e quanto mais capitalista melhor. Quanto mais pobre o cidadão, mais é afetado por essa regra.

    Releia o artigo se não entendeu: Não é possível fazer concessões a idéias socialistas!

    A "terceira via" é escravidão disfarçada
    mises.org.br/Article.aspx?id=995

    [/i]Ludwig von Mises, ainda em 1921, já havia [b]acabado[/i] com essa noção de que você pode combinar o "melhor" do socialismo e do capitalismo. Não existe isso de "o melhor" do socialismo, escreveu ele, pois mesmo a menor quantidade de socialismo distorce o funcionamento de uma sociedade livre.[/i]
  • Carlos  02/01/2012 22:09
    Se fosse segredo para o fracasso os países nórdicos não teriam dado certo, e eles são o exemplo do que deu mais certo. Conseguiram combinar bem socialismo com economia de mercado e tem excelentes indicadores, alta renda, alta proteção social, alto IDH e baixo coeficiente de gini.
  • Leandro  02/01/2012 22:27
    Prezado Carlos, sugiro a leitura destes artigos sobre o mito escandinavo, apenas para você deixar de lado essa constrangedora mistificação. É incrível como as pessoas aceitam tudo o que ouvem, sem um mínimo de raciocínio crítico.

    Dentre todos os escandinavos, quem deu mais certo foi a Dinamarca. Curiosamente, ninguém fala que sua economia está entre as mais livres do mundo, tendo de 'socialista' ali apenas a alta carga tributária. (Aí o brasileiro logo conclui: "Ah, então é só Brasil aumentar impostos, dar mais dinheiro para Brasília e o país repentinamente ficará rico!")

    O que o pessoal ignora é que os países escandinavos primeiro enriqueceram (o fato de não terem participado de nenhuma guerra ajudou bastante), e só depois adotaram um estado assistencialista. E com um detalhe inevitável: após essa adoção, a criação de riqueza estagnou.

    Veja alguns detalhes sobre a Dinamarca:

    1) Você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);

    2) as tarifas de importação estão na casa de 1,2%, na média (7,9% no Brasil);

    3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (36% no Brasil);

    4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);

    5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho);

    6) não há nenhum banco estatal (sério mesmo!); e

    7) horror dos horrores, o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Estrovengas como a CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nunca seriam levadas a sério por ali.

    Num ambiente assim, a eficiência e o dinamismo econômico são altos, o que resulta em uma economia rica, capaz de sustentar seu enorme sistema de bem-estar social. Não fosse pela economia desregulamentada e a riqueza por ela gerada, o assistencialismo dinamarquês não duraria dois dias.

    Com seu atual nível de riqueza acumulada per capita, o Brasil não tem a menor chance de adotar um modelo assistencialista escandinavo. Primeiro um país precisa enriquecer (acumular capital); só então ele pode se dar ao luxo de consumir esse capital (gastos assistencialistas). E, mesmo assim, o consumo desse capital só vai perdurar se continuar havendo poupança e investimento, que é exatamente o que permite o acúmulo de capital que vai financiar o consumo.

    Os escandinavos fizeram isso durante o século XIX e metade do século XX. O Brasil, não.

    Novamente: tenha a bondade de ler estes artigos.
  • Renato Souza  07/01/2013 14:17
    Lendro

    Efetivamente, em termos econômicos, parece que os escandinavos se convenceram de que um intervencionismo exagerado iria matar a galinha dos ovos de ouro.

    Mas em termos culturais, a intervenção dos governos escandivos é escandalosa, chega a ser quase comparável ao comunismo ou nazismo. O "politicamente correto" virou lei, e a coerção é cada vez maior. O governo parece firmemente decidido a reinventar a sociedade.
  • Renê  20/01/2013 20:49
    É verdade, estou vendo uma série de Tv de um desses países e ela trata exatamente do governo. A governanta deles vive falando abobrinhas politicamente corretas. É até estranho que com governantes assim eles tenham ficado ricos.
  • anônimo  21/01/2013 09:53
    'É até estranho que com governantes assim eles tenham ficado ricos.'

    E não ficaram.
  • Cleiton  07/01/2013 10:36
    Você poderia mostrar pelo menos 1 acerto do socialismo?
  • vanderlei  02/01/2012 14:47
    "O capitalismo e o liberalismo clássico estão quase mortos no mundo, o que é lamentável."\r
    \r
    A melhor ideia, trabalho, esforço não serão recompensados, vencerá o que for melhor para a coletividade, se o seu produto for superior, não importa.\r
    \r
    E você será obrigado a utilizar o produto escolhido pela coletividade, suas opiniões, escolhas, ideias serão aniquiladas em benefício da coletividade. \r
    \r
  • vinci  03/01/2012 10:51
    Fiz aniversário no domingo passado (01 de janeiro) e recebi de presente - talvez o melhor que já recebi - 'Ação Humana' - de minha namorada, pasmem, marxista! Fantástico! Todos os dias olho aquele calhamaço com profunda admiração. Como não admirar a ousadia e generosidade intelectual de Mises, para não dizer de sua genialidade em desnudar os véu de mistério por trás do que realmente é o capitalismo - ao contrário do velho aloprado e histérico Marx. E foi além, ao tratar de compreender a natuzera da ação humana. E o admirável é sua capacidade de explicar ideias que me pareciam tão complexas em economia e questões ontológicas de maneira clara e pedagógica, sem qualquer necessidade de usar subterfúgios e discursos obscuros para enganar os menos atentos - como fizeram Hegel e o velho barbudo. Simplismente fantástico. Comecei a ler, e sinto que somente irei parar quando minhas faculdades mentais já não me permitirem a cognição.


    E vejo as ideias da escola austríaca com otimismo, vislumbrando o dia em que o grande mal gerado pelas ideias socialistas-marxistas-leninistas-keynesianas-estatistas forem finalmente bombardeadas no atacado, pois infelizmente ainda estamos no varejo.
  • Cedric  07/01/2013 14:52
    Parabéns, também ganhei da minha namorada no meu aniversário mês passado. =]
  • vinci  03/01/2012 11:22
    Meus Caros,

    Como ainda li muito pouco das palavras de Mises, se possível me tirem algumas dúvidas:

    Era ele um minarquista ou um anarcocapitalista? Acreditava na possibilidade de alguma função para o Estado ou defendia sua total extinção, deixando à livre iniciativa o caminho livre?

    E quanto a vocês do Mises Brasil? Me parece que são todos anarcocapitalistas, mas gostaria de saber a opnião de vocês sobre essas questões de tamanho do estado e suas defesas. Se a resposta a primeira pergunta for que Mises foi um Minarquista, como vocês lidam com essa posição?



    PS: Vejam que em minhas perguntas não fiz juizo de valor sobre Minarquia ou Anarquia capitalista, apenas coloquei-as antes da exclamação.
  • mcmoraes  03/01/2012 16:31
    Complementando: alguém sabe de algum minarquista ou grupo de minarquistas que tenha defendido/propagado/desenvolvido consistentemente os ensinamentos de Mises?
  • Leandro  03/01/2012 18:10
    Mises era a favor de o estado se ocupar exclusivamente da defesa da vida e da propriedade. E só. E não se via ele advogando o monopólio deste último.

    Isso o torna muito mais, digamos, libertário do que a esmagadora maioria dos pretensos minarquistas, que querem estado cuidando de educação, saúde, infraestrutura.

    Outra curiosidade é que Mises jamais condenou o anarcocapitalismo de seus seguidores. Não serei leviano ao ponto de dizer que ele tinha simpatias pelo anarcocapitalismo, mas, ao menos em seu comportamento, era algo um tanto claro que ele não o rejeitava.

    Há alguns pretensos misesianos difusos pela internet que gostam de sair citando passagens de Mises criticando o anarquismo. O que esses 'misesianos' tão eruditos não dizem é que esse anarquismo que Mises criticava era justamente a variante de anarquismo que estava em voga em sua época: o anarco-comunismo ou o anarco-sindicalismo.
  • Luiz Padilha  07/01/2013 10:47
    @Leandro,

    Deixe-me corrigi-lo (que honra!). O Anarquismo é um movimento Comunista. Isso mesmo, infelizmente o termo foi corrompido pelo uso dado pelas pessoas que defendem a propriedade coletiva... utilizá-lo no contexto da EA tem de ser sempre pontuado por essa corrupção. O Anarco-capitalismo não tem relação com o Anarquismo e compartilham apenas a aversão ao governo.

    Embora eu tenha simpatia pelo Anarco-capitalismo, acho que Mises era o pensador da EA que mais se aproxima do conceito de sociedade ideal: Não vamos abolir o Estado. Ele está muito entranhado na história e no inconciente coletivo para que tenhamos sucesso nesse empreendimento (tanto Anarquistas quanto Anarco-capitalistas). O mais eficiente é limitar a sua ação à preservação da vida e da propriedade e ainda nessas esferas permitir a competição com a iniciativa privada em igualdade de termos.

    Dito isso, Mises era um Minarquista muito mais próximo do Anarco-capitalismo do que os Minarquistas que o sucederam, mas como os últimos, reconhecia a instabilidade do Anarco-capitalismo, pelo menos de forma conceitual.
  • anônimo  07/01/2013 11:16
    Realmente, 'anarco' capitalismo e direito 'natural' são péssimos rótulos pra grandes idéias

  • Luiz Padilha  07/01/2013 12:09
    @anônimo,

    IMHO, Anarco-capitalismo e Direito Natural são bons termos, mas não são suficientes dadas a carga que as palavras carregam pelo seu uso disfuncional na história anterior. Precisam de uma nota de rodapé toda vez que forem mencionadas.

    Alias, Anarquismo é que é um termo absurdo... o que os Anarquistas defendem é a propriedade comum e não a ausência de governo. O Anarco-capitalismo, por outro lado, defende a ausência de governo... Paradoxalmente, o Anarco-capitalismo é mais "anarquista" do que o Anarquismo. :-)

    Quanto a Direito Natural, há muita confusão com declaração de direitos universais e benesses dos Estados Assistencialistas pro meu gosto. No entanto, quando enunciado como "direito a vida e a fruto do seu trabalho (e, portanto a propriedade)", fica mais lógico e difícil de ser confundido.

    Ruim mesmo é saber que a maioria aceita a Teoria do Contrato Social sem grandes dificuldades enquanto não entendem os termos acima. Aquela teoria sim é que é um argumento convoluto e de difícil compreensão. Um termo imbecil para uma ideia ainda mais estapafúrdia.
  • Mark  03/01/2012 12:59
    Falando de concessões, espero que ninguém atire pelo que vou escrever aqui, mas eu apóio regulamentação governamental do mercado e (horror!) a participação do
    estado na economia. Também considero que direitos de propriedade devem (pânico!) serem relativos. Quem não teve um enfarto lendo isso, continue abaixo que e
    u explico porque essas ideias são bem-vindas e podem ajudar o desenvolvimento da economia -- mas adianto que são bem diferentes do que vemos no Brasil e um p
    ouco mais próxima do que vemos em alguns países europeus (especialmente a Alemanha):

    Da regulamentação do mercado: para mim é aceitável, e faço concessões, que o governo use sua máquina para:

    - manter leis de defesa dos consumidores (isso é sagrado!);
    - impedir monopólios, cartéis, trustes e afins (eles invariavelmente levam a um desempenho sub-ótimo do mercado);
    - regulamentar publicidade (se ninguém me matar por isso, um exemplo do que *eu* considero justo para, por exemplo, anúncios na TV: toda a publicidade de um
    empreendedor tem valor legal de contrato. Tudo que foi anunciado deve ser cumprido. Toda informação para ser válida deve estar acessível para o consumidor no anúncio (se não está visível por pelo menos 'x' frações se segundo ocupado no mínimo 'y'% do espaço na tela, a informação pode ser oficialmente ignorada pelo comprador sem perda dos seus direitos perante o vendedor. Leis semelhantes para outros tipos de publicidade. A consequência é que o consumidor sabe sempre o que estará consumindo e faz as tentativas de enganá-lo causarem MUITO prejuízo para o comerciante/fabricante/etc.);
    - regulamentar a ocupação do espaço (coisas como destinação de terrenos e tal. Assim o cidadão que compra ou constroi uma casa seguindo os ditames governamentais terá a garantia que as condições iniciais serão respeitadas depois. Ele não terá surpresas como uma refinaria de petróleo sendo construída ao lado da casa de campo idílica que ele acabou de comprar);
    - manter um sistema de patentes, copyright e registro de marcas (mas longe da aberração do sistema americano; o sistema europeu é um bom começo. Nenhum dos direitos assegurados por esses sistemas poderá ser usado para impedir a concorrência legítima entre negócios. Nada de patentes de software ou de modelo de negócio. O sistema de copyright deve privilegiar os criadores/artistas/escritores/etc. e não os distribuidores/editoras/etc.);
    - regulamentação e validação de produtos/serviços perigosos ou delicados (alimentos, remédios, serviços médicos, ou qualquer coisa que possa ser um risco à saúde ou à propriedade dos cidadãos);
    - controle do acesso aos recursos naturais para evitar que a influência nociva das externalidades ou a exaustão dos recursos do meio-ambiente levem a sociedade a um colapso;
    - regulamentação se serviços imprescindíveis para o funcionamento da sociedade e da economia (energia, abastecimento de água, telecomunicações, etc.). Em especial para evitar monopólios nessas áreas;
    - regulamentação do sistema educacional e de classes profissionais (assim o cidadão sabe que está contratando uma universidade confiável e que o diploma emitido por ela tem boa base. Esse cidadão não será prejudicado quando comparado com outro que estudou em uma instituição menos séria e que forneceu um diploma dito equivalente).


    O governo pode ter participação no mercado quanto à:
    - fornecer serviços de educação, saúde, etc. *paralelamente* aos fornecedores privados. Serviços governamentais desse tipo serão cobrados com base no uso, não em impostos (ex. "se quero usar uma escola do governo, pago por ela. Se não quiser, pago para um empresário do setor mas não subsidio o governo com meus impostos"). A questão aqui é que o governo, ao contrário do empreendedor, *precisa* ter a capacidade de fornecer esses serviços para todos os cidadãos que os desejarem.
    - manter certos serviços culturais e de entretenimento que são importantes para a sociedade mas nem sempre lucrativos -- bibliotecas públicas, parques, museus, etc.
    - agir como concorrente em áreas onde a oferta é insuficiente;
    - manter obras de infraestrutura importantes para a sociedade que não são especialmente atraentes para o empreendedor privado (estradas, portos, etc.). Mas jamais ele poderá ter monopólios dessas áreas.

    Aceito que a propriedade é relativa em casos como:
    - direitos de animais. Animais são entes dignos de direitos e o cidadão, mesmo dono de um animal, mas não pode infligir sofrimento além daquele estritamente necessário;
    - objetos, prédios, documentos e locais de valor histórico ou cultural (ex. se eu tenho uma casa enxaimel tombada como patrimônio histórico, não posso destrui-la ou fazer outra ação danosa a sociedade que também é co-proprietária de bens culturais);
    - uma ação sobre um bem pode prejudicar diretamente o direito de outro (ex. não posso represar um rio da minha fazenda e privar o dono da fazenda logo abaixo no curso do rio);
    - certas questões urbanísticas são suficientes para limitações do direito de propriedade (ex. a "lei cidade-limpa" de SP. Sério, alguém imagina defender ela entre anarco-capitalistas? Meu raciocínio é que a cidade pertence aos seus cidadãos e ações que tornam ela desagradável aos seus donos são sujeitas a regulamentação);
    - o uso de informações coletadas de terceiros é limitado (por ex. sou obrigado a ter a autorização dos usuários do meu site se eu quiser usar as informações fornecidas por eles para qualquer finalidade diferente da especificada);


    Essas são algumas concessões que faço aos governos (e algumas eu faço questão de *exigir* dos governos). Espero que dê algum bom debate e não me xinguem (muito) aqui.
  • Leandro  03/01/2012 18:30
    Prezado Mark, as suas modestas 'concessões' englobam simplesmente toda a economia.

    Dizer que o estado é imprescindível para tarefas aparentemente bem intencionadas como "leis de defesa dos consumidores (isso é sagrado!)", "impedir monopólios, cartéis, trustes e afins", "regulamentar publicidade", "regulamentar a ocupação do espaço", "controle do acesso aos recursos naturais", "regulamentação se serviços imprescindíveis para o funcionamento da sociedade e da economia", "regulamentação do sistema educacional e de classes profissionais", "fornecer serviços de educação, saúde", "manter certos serviços culturais e de entretenimento", "agir como concorrente em áreas onde a oferta é insuficiente" e "manter obras de infraestrutura importantes para a sociedade" não é uma postura moderada, mas sim uma postura totalitária.

    Qualquer um destes termos que você delineou podem ser permissivamente interpretados e implementados, levando ao controle total de toda a economia. Por exemplo, como pode o estado impedir "monopólios, cartéis, trustes e afins" se é exatamente ele quem os cria e mantém? Você está apenas repetindo lugares-comuns, sem pensar em suas consequências.

    Não vamos lhe xingar aqui, obviamente; apenas vamos lamentar sua defesa da tirania.

    Abraços!
  • Joao Alberto  07/01/2013 13:21
    Olá Leandro,

    Só queria salientar que antes de conhecer o Instituto Mises eu pensava de forma idêntica ao @Marc. Espero que ele mantenha curioso e crítico, acredito que que assim abandonará o estatismo por bom senso.


    O que me chama atença do mises.org são a qualidade dos artigos e também dos comentários (até de quem se opõem).


    Abraço a todos
  • Tory  07/01/2013 12:06
    Mark, prometo que não vou xingar. Só me explique como o governo brasileiro impede que você seja alvo dos monopólios da entrega de cartas e de fornecimento de água e luz. O resto dos 200 milhões de brasileiros não têm a mesma sorte.
  • Luiz Padilha  07/01/2013 13:41
    Vou tentar ajudar. Desculpe uma ou outra ironia pontual...

    - manter leis de defesa dos consumidores (isso é sagrado!);
    Por que elas são necessárias hoje? Você já pensou que elas são necessárias para defender o consumidor dos efeitos das regulações do governo sobre as empresas?
    Elas são tão "sagradas" que nem precisam ser enunciadas... todo empreendimento em um livre mercado visa agradar ao consumidor. O empreendimento que não o fizer vai ser removido do mercado pela concorrência. Se uma empresa não entrega um bem pelo qual foi paga ela acaba sendo vítima da difamação dos clientes lesados e, ou se emenda, ou cai fora do mercado.

    - impedir monopólios, cartéis, trustes e afins (eles invariavelmente levam a um desempenho sub-ótimo do mercado);
    Hm... todo o monopólio é fruto da regulação do governo, e não o contrário. Se não houver barreiras ao empreendimento, toda empresa que obtiver o monopólio temporário em um livre mercado vai ser desafiada por empresas entrantes com uma ideia inovadora e melhores custos de produção.

    - regulamentar publicidade (...);
    Bem, pelo menos você defende a punição da propaganda enganosa e não a proibição de veiculação de anuncios de qualquer tipo... De qualquer forma, é apenas mais um exemplo de coisa que o próprio mercado e a reputação da empresa se encarregaria de resolver sem a interveção do estado.

    - regulamentar a ocupação do espaço (coisas como destinação de terrenos e tal. Assim o cidadão que compra ou constroi uma casa seguindo os ditames governamentais terá a garantia que as condições iniciais serão respeitadas depois. Ele não terá surpresas como uma refinaria de petróleo sendo construída ao lado da casa de campo idílica que ele acabou de comprar);
    Hein??? O que impede hoje de que uma refinaria seja instalada no terreno ao lado da sua casa?
    Isso é uma bobagem e novamente regulada de forma satisfatória pelo livre mercado.

    - manter um sistema de patentes, copyright e registro de marcas ...
    Cara... ideias são não-tangíveis. Como disse o Bernard Shaw "se eu tenho uma maçã e você tem outra maçã e trocarmos de maçãs, no final cada um continua com uma maçã. se eu tenho uma ideia e você tem outra ideia e trocarmos de ideias, no final cada um termina com duas ideias". Ideias não são propriedade privada, a menos que não enunciadas (onde elas não tem muito efeito). Patentes e direitos autorais são uma invenção do estado e completamente contrários ao Direito Natural.

    - regulamentação e validação de produtos/serviços perigosos ou delicados (alimentos, remédios, serviços médicos, ou qualquer coisa que possa ser um risco à saúde ou à propriedade dos cidadãos);
    Novamente um exemplo de onde o livre mercado brilha! Quem fizer produtos nocivos vai ser simplesmente expulso do mercado. Quem não conduzir as pesquisas médicas-científicas direito está expulso do mercado. Não precisa de nenhum aparato de coerção montado para isso!

    - controle do acesso aos recursos naturais para evitar que a influência nociva das externalidades ou a exaustão dos recursos do meio-ambiente levem a sociedade a um colapso;
    Puxa! Por que isso não pode ser regulado pelo Livre Mercado? Se eu poluo um Rio vou ser expulso do mercado, ter prejuízo, falir e o rio que passa na minha propriedade vai acabar nas maos da minha concorrencia que faz um trablaho melhor do que eu. Do jeito que é hoje, uma grande empresa polui um rio, paga uma multa e continua poluindo ele. Como isso é melhor do que o livre mercado?

    - regulamentação se serviços imprescindíveis para o funcionamento da sociedade e da economia (energia, abastecimento de água, telecomunicações, etc.). Em especial para evitar monopólios nessas áreas;
    Como escrevi acima, monopólios duradouros emanam das regulações do governo e são impossíveis no Livre Mercado. O setor de Energia Elétrica é um excelente exemplo! Você pode escolher a sua provedora de EE? Não pode! Se ela para de te fornecer EE vá reclamar e ficar sem EE enquanto isso! Não tem alternativa pq não é um setor privado na economia brasileira (é um setor privatizado na moda tupiniquim).

    - regulamentação do sistema educacional e de classes profissionais (assim o cidadão sabe que está contratando uma universidade confiável e que o diploma emitido por ela tem boa base. Esse cidadão não será prejudicado quando comparado com outro que estudou em uma instituição menos séria e que forneceu um diploma dito equivalente).
    Você sabe que uma universidade é confiável pq o governo te disse ou pq as pessoas que se formam naquela universidade são mais preparadas nas áreas que escolheram? Ora... esse é mais um exemplo de onde o Livre Mercado é melhor que o governo, e não o contrário. Ademais, manter um currículo conforme as normas e regras de um Ministério é uma afronta ao livre pensamento e só serve para formar pessoas que nunca vão questionar o Governo.

    O governo pode ter participação no mercado quanto à:
    - fornecer serviços de educação, saúde, etc. *paralelamente* aos fornecedores privados. Serviços governamentais desse tipo serão cobrados com base no uso, não em impostos (ex. "se quero usar uma escola do governo, pago por ela. Se não quiser, pago para um empresário do setor mas não subsidio o governo com meus impostos"). A questão aqui é que o governo, ao contrário do empreendedor, *precisa* ter a capacidade de fornecer esses serviços para todos os cidadãos que os desejarem.

    Eu até concordaria com isso, do ponto de vista Minarquista. Mas isso só ocorreria se o financiamento desses empreendimentos do Governo não viesse dos impostos... mas sabemos que uma escola pública qualquer que fechar no vermelho a contabilidade vai ser socorrida pelo dinheiro dos contribuintes... então não tem lógica o governo fornecer esse serviço que, novamente, é melhor fornecida pelo Livre Mercado.

    - manter certos serviços culturais e de entretenimento que são importantes para a sociedade mas nem sempre lucrativos -- bibliotecas públicas, parques, museus, etc.
    Por que os grupos de interesse privados não podem manter esses serviços? Um grupo de curadores com financiamento advindo das pessoas que se interessam por aquele assunto pode muito bem manter um museu, uma biblioteca, um parque. Por que eu tenho de contribuir para a manutenção de uma biblioteca de livros Marxistas, por exemplo (ou você contribuir para a manutenção de uma biblioteca com as obras de Mises)?

    - agir como concorrente em áreas onde a oferta é insuficiente;
    Em um Livre Mercado, não existe Oferta Insuficiente. A oferta é tão quande quanto a demanda... A escassez é causada pelas regulações do governo, que tornam algumas atividades insustentáveis através dos altos impostos cobrados da cadeia produtiva em questão.

    - manter obras de infraestrutura importantes para a sociedade que não são especialmente atraentes para o empreendedor privado (estradas, portos, etc.). Mas jamais ele poderá ter monopólios dessas áreas.
    Por que o Livre Mercado não pode manter somente as obras necessárias? Se um porto é necessário, ele será construido pelas empresas que usufruirem de seus serviços. Se nenhuma empresa quer construir, que benefício real tem esse tal porto?
    E quanto a monopólios... "jamais ele poderá ter monopólios dessas áreas" é uma falta de contato com a realidade... se o governo construiu um porto ele reivindica o monopólio dos serviços do porto para ele mesmo... Virtualmente todos os portos brasileiros são exemplos disso.

    Aceito que a propriedade é relativa em casos como:
    - direitos de animais. Animais são entes dignos de direitos e o cidadão, mesmo dono de um animal, mas não pode infligir sofrimento além daquele estritamente necessário;

    Novamente regulado com sucesso pelo Livre Mercado. Se algum produtor produz as expensas de sofrimento aos animais e não causar sofrimento a animais for uma coisa importante para uma sociedade particular, esse produtor será preterido em favor de outro produtor que faça a mesma coisa com respeito aos animais. Gradualmente ele vai ser expulso do Mercado. Hoje ele paga uma multa e segue em frente.

    - objetos, prédios, documentos e locais de valor histórico ou cultural (ex. se eu tenho uma casa enxaimel tombada como patrimônio histórico, não posso destrui-la ou fazer outra ação danosa a sociedade que também é co-proprietária de bens culturais);
    E por que eu não posso vender a minha casa com significado histórico para uma associação de indivíduos que, voluntariamente, decidem manter a casa pelo seu valor histórico?? Como isso é pior do que as casas com valor histórico que não podem ser derrubadas mas que estão praticamente caindo sozinhas pela falta de manutenção?

    - uma ação sobre um bem pode prejudicar diretamente o direito de outro (ex. não posso represar um rio da minha fazenda e privar o dono da fazenda logo abaixo no curso do rio);
    Opa! Mas a nascente do rio está na minha propriedade! Se eu fizer isso meus vizinhos vão me difamar e eu vou ter de liberar o rio, ou vou poder oferecer algum serviço agregado e vender a água do meu reservatório. Tudo de forma pacífica. Do jeito que é hoje eu represo o rio e pago uma multa e todos ficam sem água.

    - certas questões urbanísticas são suficientes para limitações do direito de propriedade (ex. a "lei cidade-limpa" de SP. Sério, alguém imagina defender ela entre anarco-capitalistas? Meu raciocínio é que a cidade pertence aos seus cidadãos e ações que tornam ela desagradável aos seus donos são sujeitas a regulamentação);
    Putz... Tem um artigo muito bom sobre essa lei imbecil aqui no IMB... A lei só serviu para sancionar a propaganda oficial: governo é o único que pode pendurar outdoors por aí. Toda lei com uma boa intenção pode ser pervertida pelo governo.
    Em um Livre Mercado as pessoas incomodadas pelo outdoor em questão têm liberdade para boicotar o anunciante, para demonstrar a indignação fazendo um piquete em frente ao outdoor. Agora, por que eu não posso pendurar a placa que for em minha propriedade??

    - o uso de informações coletadas de terceiros é limitado (por ex. sou obrigado a ter a autorização dos usuários do meu site se eu quiser usar as informações fornecidas por eles para qualquer finalidade diferente da especificada);
    Hein??? Você leu o que escrevi sobre ideias serem bens intangíveis, certo??? Tem um artigo muito legal sobre isso escrito pelo David Sugar... sugiro a leitura.

    Essas são algumas concessões que faço aos governos (e algumas eu faço questão de *exigir* dos governos). Espero que dê algum bom debate e não me xinguem (muito) aqui.
    Cara... você precisa abrir a cabeça. Eu já pensei assim também... mas percebi que quando você dá poder ao Estado, simplesmente não tem como prever onde ele vai parar. O poder exercido no Livre Mercado é limitado por natureza e é preferível a qualquer Estado, por menor que seja...
  • Um Filósofo  07/01/2013 16:00
    Padilha, permita-me quebrar seu comentário:

    "Por que elas são necessárias hoje? Você já pensou que elas são necessárias para defender o consumidor dos efeitos das regulações do governo sobre as empresas?
    Elas são tão "sagradas" que nem precisam ser enunciadas... todo empreendimento em um livre mercado visa agradar ao consumidor. O empreendimento que não o fizer vai ser removido do mercado pela concorrência. Se uma empresa não entrega um bem pelo qual foi paga ela acaba sendo vítima da difamação dos clientes lesados e, ou se emenda, ou cai fora do mercado."

    E se uma empresa de doces decidir adicionar nicotina a seus produtos e torná-los viciantes com o intuito de obter lucros máximos? O consumidor não será avisado de forma alguma da mudança e estará viciando seus filhos nos produtos. E se uma empresa de fast-food recusar informar o valor nutricional de seus alimentos?

    "Hm... todo o monopólio é fruto da regulação do governo, e não o contrário. Se não houver barreiras ao empreendimento, toda empresa que obtiver o monopólio temporário em um livre mercado vai ser desafiada por empresas entrantes com uma ideia inovadora e melhores custos de produção."

    Monopólio é fruto da acumulação de capital por uma determinada instituição que dispõe-se a dominar outras através do dumping.

    "Bem, pelo menos você defende a punição da propaganda enganosa e não a proibição de veiculação de anuncios de qualquer tipo... De qualquer forma, é apenas mais um exemplo de coisa que o próprio mercado e a reputação da empresa se encarregaria de resolver sem a interveção do estado."

    Regular a propaganda é MAIS que necessário. Indivíduos são vítimas de torturas psicológicas pelas mesmas e são incapazes de dizer não. Elas o fazem sentir inferioridade e necessitar consumir para preencher tal vazio. É uma brutalidade. Todo tipo de propaganda precisa ser abolido.

    "Por que os grupos de interesse privados não podem manter esses serviços? Um grupo de curadores com financiamento advindo das pessoas que se interessam por aquele assunto pode muito bem manter um museu, uma biblioteca, um parque. Por que eu tenho de contribuir para a manutenção de uma biblioteca de livros Marxistas, por exemplo (ou você contribuir para a manutenção de uma biblioteca com as obras de Mises)?"

    Porque a burguesia não deseja manter as obras dos grandes pensadores do passado, deseja sufocá-los ao máximo.

    "Putz... Tem um artigo muito bom sobre essa lei imbecil aqui no IMB... A lei só serviu para sancionar a propaganda oficial: governo é o único que pode pendurar outdoors por aí. Toda lei com uma boa intenção pode ser pervertida pelo governo.
    Em um Livre Mercado as pessoas incomodadas pelo outdoor em questão têm liberdade para boicotar o anunciante, para demonstrar a indignação fazendo um piquete em frente ao outdoor. Agora, por que eu não posso pendurar a placa que for em minha propriedade??"

    A propaganda precisa ser evitada e mantida sob controle para a preservação do patrimônio urbano. Simples. Por que isso é um escândalo?
  • Miqueias  07/01/2013 19:02
    "Putz... Tem um artigo muito bom sobre essa lei imbecil aqui no IMB... A lei só serviu para sancionar a propaganda oficial: governo é o único que pode pendurar outdoors por aí. Toda lei com uma boa intenção pode ser pervertida pelo governo."
    "Do portão pra fora já é público, entendeu?"
  • Antonio Galdiano  08/01/2013 14:04
    Luiz Padilha, no geral eu gostei bastante de suas respostas.
    Eu tenho os seguintes pontos de discordância:

    1 - "- uma ação sobre um bem pode prejudicar diretamente o direito de outro (ex. não posso represar um rio da minha fazenda e privar o dono da fazenda logo abaixo no curso do rio);
    Opa! Mas a nascente do rio está na minha propriedade! Se eu fizer isso meus vizinhos vão me difamar e eu vou ter de liberar o rio, ou vou poder oferecer algum serviço agregado e vender a água do meu reservatório. Tudo de forma pacífica. Do jeito que é hoje eu represo o rio e pago uma multa e todos ficam sem água."

    Nesse caso específico, eu não concordo no seguinte sentido:
    Geralmente os direitos de propriedade foram estabelecidos sobre um determinado uso da propriedade, e quando se estabelece outros usos com mudanças dramáticas, esses direitos precisam de outra solução. No caso de o uso habitual for o de não represamento do rio (como era o caso em que a tecnologia de represamento não era viável para fins agrícolas comums em algum momento no passado), e o novo uso passa a ser prejudicial aos outros proprietários, como no exemplo citado, há de haver uma outra solução mais adequada que a que foi sugerida (mas de forma a não excluí-la das possibilidades).

    Uma das características da realidade é a incerteza genuína. Este é um caso em que isso se configura. Nesses casos em que o uso de uma forma específica é prejudicial a outros proprietários e passa a ser viável, a sugestão que dou não é mais governo e sim mais contratos. A priori, não deveria somente ser mediado por contrato a delimitação da propriedade, mas também seu uso. Em casos específicos que novo uso passe a prejudicar os demais, deveria ser acordado a priori que uma corte privada arbitraria a questão de acordo com princípios pré-estabelecidos (incluindo a possibilidade de, pela interpretação dos princípios, de se manter a situação prejudicial à maioria). Assim, no meu entendimento, este é um caso em que o direito de propriedade não está completamente definido e que, portanto, seria ilegítimo reivindicar um determinado uso que prejudique os demais antes mesmo de definir inteiramente os direitos de propriedade.

    Vejamos através de um outro exemplo hipotético mais dramático:

    Suponhamos que a tecnologia de obtenção de energia solar se torne viável em larga escala. Ainda, suponha que um produtor agrícola tenha sua propriedade esteja na localidade alta de uma determinada região e que o tamanho dos painéis de energia solar que viabilize a produção no local seja tão grande que prejudique o fornecimento gratuito de iluminação solar para os demais agricultores. É ético permitir tal uso nesse formato? No meu ponto de vista não!
    Este é outro caso em que os direitos de propriedade não são completamente definidos e que demandaria soluções contratuais estabelecidas antes mesmo de o evento incerto ocorrer. Essa situação é completamente diferente da situação em que o produtor de computadores desbanca sua concorrência com os produtores de máquinas de escrever (também exemplo de incerteza a que se submeteram os produtores de máquinas de escrever), justamente por ser mais corriqueira.

    Se você for reparar bem, eu não dei uma solução para esse problema. A solução que dei foi a de que as partes deveriam ter contratado a priori como lidar com os eventos incertos. Eu não tenho soluções para os casos em que não havia acordo prévio nessa área e não sei como lidar com essa situação. Intuitivamente não acredito que ninguém se sujeitaria a ter o patrimônio agredido por não ter acordo prévio que harmonize a situação.

    Essa discussão é importantíssima: trata-se da confrontação de 2 princípios, o princípio da não iniciação de agressão e o princípio da defesa da propriedade privada. A solução que proponho é por intermédio de contratos que de alguma forma lidem com a incerteza genuína, através de princípios pré-estabalecidos e por cortes privadas, definindo completamente a propriedade privada.

    Nesse sentido, o mecanismo que o Luiz Padilha sugere (difamação) eu entendo como insuficiente para lidar com essa situação, inclusive porque a manutenção do painel solar, no exemplo que dei, enfraqueceria economicamente uma das partes litigantes mediante a manutenção da agressão o que inviabilizaria progressivamente as chances de defesa dessa parte.


  • Samuel  07/01/2013 17:12
    Mark. Existe um problema sério na ação do governo: O governo não age no sentido de prover bons serviço e benefícios aos cidadãos! O governo age para conservar-se (enquanto grupo político) no poder. E beneficar os "companheiros" na burocracia estatal, em proveito de alguns. Para isso ele atua da maneira mais conveniente a ele (governo) não ao coletivo. De quebra oferece alguns serviços aos cidãos que de maneira bastante acomodada aceitam, achando que se está fazendo algum tipo de caridade com dinheiro público. O argumento que mais consigo reter das discussões aqui nesse espaço é o seguinte: O MERCADO, atua de maneira mais racional do que o governo na alocação de recursos. Pode ser socialmente questonável essa alocação, mas as capacidades e os empenhos das pessoas também são uma vez que não somos iguais.


    Veja só, boa parte das regulamentações que você deseja são desnecessárias se a pessoa (agente privado) que presta o serviço quiser continuar servindo ao mercado (trocas voluntárias). Se um produto é ruim ou a propaganda é enganosa, as pessoas deixariam de consumí-lo. Concordo que em alguns setores há rigidez na oferta do serviço: Por exemplo a distribuição de energia elétrica. Como não iventaram ainda um meio de transmitir energia pelo ar, as pessoas necessitam de empresas que gerenciem o "FIO" de condução, uma vez que os custos são mais acessíveis do que gerar por conta própria (ainda). Tais empresas são tidas como monopólios naturais, devido aos custos de concorrência nesse mercado. Talvez o valor esperado da regulamentação governamental diminua os malefícios desse setor (que é altamente monopolizado), contudo não se sabe o que a livre concorrência poderia trazer de benefícios as pessoas caso a lógica fosse outra.


    Assim não é possível confiar no estado como "o dono da verdade" ou o melhor gestor de todos, quando na verdade o interesse político diverge muito do interesse econômico e social! Como você meu caro Mark, eu creio que o melhor resultado coletivo não surge apenas de decisões individuais, mas sim de decisões coletivas sujeitas a um conjunto de regras de interação, defendidas por institições como a justiça, e o próprio governo. Entretanto algumas condições são inalienáveis para esse sucesso: Uma delas e a mais importante é a defesa da propriedade privada, outra seria a diminuição galopante da máquina coercia estatal. Outras coisas mais intangíveis também são úteis como a elevação da cultura e da educação das pessoas. Não me pergunte com fazer isso porque eu não sei. Mas sei que da ação do governo é muito complicado que surja algo positivo, uma vez que o seu interesse (político) é manter a ignorância das massas.
  • Vinci  03/01/2012 19:37
    Prezado Leandro,

    Então Mises seria um minarquista? Se assim o for, como vocês lidam com essa posição? O que você acha da posição minarquista de Mises? Como li em um artigo aqui, minarquismo, segundo o artigo, culminaria fatalmente num estado gigante. Então teria Mises sido ingênuo ou a posição dele pode ser logicamente bem defendida?
  • Leandro  03/01/2012 19:58
    Prezado Vinci, não entendi por que teríamos de "lidar" com a posição de Mises, mesmo porque, ao contrário dos marxistas e keynesianos, não somos um culto que se ajoelha perante qualquer coisa que seja dita pelo deus do movimento. Temos cérebro, inteligência, razão, lógica e sabemos pensar por conta própria. Utilizamos o monumental e portentoso pensamento de Mises como base de nossa filosofia, mas isso não significa que endossamos absolutamente 100% de suas ideias. Aliás, temos dó de pessoas que endossam bovinamente 100% do que um líder (intelectual) diz.

    O fato de Mises não ter concluído que um estado mínimo logicamente leva a um estado máximo (e os EUA são um perfeito exemplo prático dessa teoria) pode sim ser considerado uma, digamos, lacuna em sua teoria, a qual já foi perfeitamente remediada por seus principais seguidores, como Murray Rothbard e Hans-Hermann Hoppe. E estes sempre fizeram questão de enfatizar que só perceberam esta lacuna justamente porque estavam se apoiando sobre os ombros do gigante austríaco. Sem ele, nada seriam.

    E você? Segue bovina e incondicionalmente tudo o que um ser humano diz?
  • Glelson Fontes  04/01/2012 04:59
    Na prática, como seria o processo da Desconstituição de um Estado?\r
    Recentemente vi um vídeo no Youtube, um "mini-debate' com Rodrigo Constantino e Ciro Gomes debatendo sobre a necessidade e tamanho do Estado. Ciro fez uma pergunta para o Constantino em relação à forma que seria feita, na perspectiva libertária, a diminuição do Estado, e Constantino citou a diminiuição da quantidade de ministérios como início.\r
    Enfim, como iniciar o processo da desconstituição do Estado num país onde 60% (Segundo Eduardo Giannetti) do dinheiro movimentado passa pelo governo, onde há uma tributação maluca sobre tudo, onde 80% dos jovens tem como sonho serem "funcionários públicos". Qual a estratégia para essa mudança de visão da população sobre o Estado?\r
  • Leandro  04/01/2012 05:23
    Ótima pergunta. Alguns defendem uma abordagem mais gradualista, em que a redução do estado vai ocorrendo a conta-gotas. Outros defendem uma abordagem inflexível, na qual a redução se dá da noite pro dia.

    Humildemente, adotei um meio termo, delineando os passos essenciais para transformar o atual Brasil em uma genuína federação (veja que sou bem moderado). Caso esteja interessado, tenha a bondade de ler este artigo.

    Grande abraço!
  • Fabio MS  07/01/2013 12:01
    Gelson,

    você poderia, por favor, me indicar a fonte da pesquisa que diz que 80% quer ser funcionário público? É que estou procurando dados semelhantes e não consegui encontrar nada além de enquetes.
  • anônimo  04/01/2012 18:11
    O melhor que já li no Ação Humana foi a notícia - que até então eu ignorava - de que Marx publicou o primeiro volumo do Capital e não publicou os outros dois.

    Estes só foram publicados após sua morte.

    Também fiquei sabendo que Marx parou de escrever depois disso.

    Enfim, tudo indica que ele viu a cagada que fez e se arrependeu, apesar de não ter sido homem o suficiente para admitir isso.
  • Kondde  07/01/2013 11:53
    Nada é tão ruim que não possa piorar.

    Projeto MEGA:

    www.bbaw.de/bbaw/Forschung/Forschungsprojekte/mega/en/Startseite

  • Vinci  03/01/2012 20:34
    Não, não. Justamente por não seguir líderes intelectuais que a pergunta me pareceu importante ser feita aqui. Concordo plenamente que grandes intelectuais tem lacunas sim, e seus sucessores buscarão preenche-las.

    "Prezado Vinci, não entendi por que teríamos de "lidar" com a posição de Mises..."

    "O fato de Mises não ter concluído que um estado mínimo logicamente leva a um estado máximo (e os EUA são um perfeito exemplo prático dessa teoria) pode sim ser considerado uma, digamos, lacuna em sua teoria, a qual já foi perfeitamente remediada por seus principais seguidores, como Murray Rothbard e Hans-Hermann Hoppe. E estes sempre fizeram questão de enfatizar que só perceberam esta lacuna justamente porque estavam se apoiando sobre os ombros do gigante austríaco. Sem ele, nada seriam."

    Pronto, é assim que você lida com a posição de Mises. Não perguntei por ironia.


    De qualquer forma, fico grato pela resposta.
  • Kondde  07/01/2013 15:14
    Eu entendo que o Mises como economista que era abordou os problemas pela ótica, é claro, economica.
    Muitos dos problemas que hoje que estamos cançados de conviver teriam sua solução prática pela adoção de medidas simples, mas corajosas que um dia foi vislumbrado por Mises e outros teóricos da escola austriaca. Mas, como pessoas sensatas devemos saber que não se criaria nenhum paraíso na terra como os diregentes dos PC de hoje em dia tanto alardeiam aos quatro ventos.

    Na prática um país com economia socialista é impossível, o máximo que temos, mesmo na antiga URSS e nas ecatombes que vemos dos países que se dizem comunistas hoje como a Coréia do Norte e Cuba vemos no máximo um estado socializante, ou seja, um estado que caminha em direção a utopia (inexistente é claro) do Comunisto teórico.

    Vejo todos os outros países, mesmo EUA, Inglaterra e Austria como países que não tem na sua constituição um ideal comunista, mas de alguma forma mesclam, do ponto de vista economico o livre mercado e em sertos segmentos o socialismo, claro que em maior ou menor grau dependendo do país e sistema político adotado. Quanto mais hipócrita mais socialista quanto menos mais capitalista de adorção ao livre mercado. Podemos dizer assim.

    Afinal existe alguma economia em algum lugar do globo que possa se dizer de livre mercado, vamos dizer, uma forma clássica de que Mises teria ratificado?

  • Cristiano Arruda   06/02/2012 04:37
    Traduzindo: A DILMA É NAZISTA!
  • Kondde  07/01/2013 11:17
    Srs.

    Não precisa explicar muito, vejam as séries de reportagem que o Fantástico está mostrando (mesmo a idiota da reporter levando em conta o viés aquecimentista, ela deve estar uns 5 anos atrasada) sobre o problema da Infraestrutura nesse pais.

    Vejam como a Petrosauro é a campeã na lambança! Vejam o que ela esta fazendo em relação as refinarias de caetité na BA e aqui no RJ em São Gonçalo é um desperdício de dinheiro e notariamente mais um case of faluire do que a mão estatal pode fazer.

    A vcs socialistas meu muito bom dia aos srs. Começem bem sua semana mais com essa!

  • Kondde  07/01/2013 12:39
    Srs.
    Curiosidade pura e simples:

    Existe em algum lugar do planeta onde existe instituído a verdadeira economia de mercado?

    Sem intervenção estatal alguma?



    Att
  • Leandro  07/01/2013 12:53
    Economia de mercado pura, sem intervenção estatal alguma, é algo que, por definição, só pode ocorrer se não houver estado. Se existir estado, existirá intervenção. À exceção do Vaticano, que é o único estado do mundo que se financia por meio de doações voluntárias, todos os outros estados se financiam por meio de impostos, inflação e endividamento. Tal financiamento, além de ser uma forma de intervenção, permite várias outras formas de regulamentação econômica.

    O que você pode fazer é um ranking dos graus de intervencionismo. Em termos puramente econômicos, há menos intervencionismo econômico em Hong Kong do que na Venezuela. Há menos intervencionismo na Suíça do que no Brasil. Há menos intervencionismo na Dinamarca do que na Argentina. Mas em todos esses países há intervencionismo.
  • Sueco  07/01/2013 13:21
    Leandro, eu sei que você tem várias sugestões todos os dias para traduções, mas eu posso sugerir que você traduza esse?:

    mises.org/daily/2259
  • Paulo Freire  07/01/2013 12:54
    Ótimo texto exemplificando a luta de classes. Surpreendo-me com a capacidade do senhor Mises de questionar as maiores conquistas do socialismo ao mesmo tempo que as louva.

    "Governo é, em última instância, o emprego de homens armados, de policiais, guardas, soldados e carrascos. A característica essencial do governo é a de impingir os seus decretos por meio do espancamento, do encarceramento e do assassinato. Quem pede maior intervenção estatal está, em última análise, pedindo mais coerção e menos liberdade."

    O senhor Mises realizou a incomparável façanha de descrever o pensamento burguês desde Locke em apenas um parágrafo. Permita-me satirizá-lo:

    "Mercado é, em um última instância, o emprego de homens necessitados para a realização das piores tarefas sob os piores salários possíveis. A característica essencial do mercado é a de impingir os seus decretos através da alienação, da propaganda e da exploração. Quem pede maior liberdade econômica está, em última análise, pedindo mais pobreza e menos igualdade"

    O problema não está, Senhor Mises, no emprego do policial, do guarda e do encarceramento; está na motivação. Quando tais ações são tomadas visando o bem comum, ou seja, a justiça social; não há dano ocorrido à sociedade além da eliminação da pobreza. Entretanto, quando são utilizadas para favorecer a burguesia, a tragédia está feita. Muito além da definição de abstração ou loucura um indivíduo, por mais "liberal" que seja, ser oposto à saúde pública de qualidade a todos(Incluindo à burguesia); não é inteligente ou ético. Ser contra o soldado do Estado quando esse apenas visa tirar alguns centavos de um bilionário é irracional, independente de quantas abstrações e retóricas em "economês" sejam a mim direcionadas - não faz o menor sentido no mundo real.

    Enfim, rompendo com minha refutação à retórica do senhor Mises, aplaudo sua tentativa. Porém, ela não funciona e não decola além do discurso, assim como todas as características dos cientistas reacionários. Passar bem.
  • Kondde  07/01/2013 15:45
    Paulo Freire?


    Bem característico... heheh

    Att
  • André Caniné  07/01/2013 17:01
    "Quando tais ações são tomadas visando o bem comum, ou seja, a justiça social; não há dano ocorrido à sociedade além da eliminação da pobreza"




    Adianta indicar livros e artigos da escola Austríaca para um sujeito desses?
  • Blah  07/01/2013 17:14
    Você, colega, foi oficialmente trollado :)
  • Paulo Freire  07/01/2013 22:06
    Sou vacinado contra "economáfia", amigo. Conheci e debati contra diversos economistas brasileiros durante esses últimos 20 anos. Bati de frente com inúmeras fórmulas para o sucesso, mas nunca surgiu uma que eu não pudesse desarmar. A priori, toda a ciência econômica pode ser facilmente desconstruída através de um simples e brilhante raciocínio: Se a sociedade que desejamos criar é igualitária, por que insistir nos "liberalismos"? (Vide o debate de Rawls contra o insano Nozick) São fatos consumado e indiscutíveis a mais-valia e a obsolescência programada.

    Uma economia monetária, por definição, foi simplesmente feita para quebrar devido à existência de juros; não requer um gênio para entender que sempre precisará haver dívida, se todas fossem pagas, não haveria um centavo restante. Os recursos terrestres são finitos, logo, há a necessidade de uma instituição central(Por mais falha que algumas tenham sido durante o "Socialismo Real") que faça a distribuição dos recursos de forma igualitária, pois se todos consumissem como nos EUA, precisaríamos de mais que a Terra. Escorregando os olhos sobre o conteúdo de seu instituto, descobri um fantasma que há muitas épocas havia sido sufocado por uma teoria histórica mais precisa(Marxista): Frédéric Bastiat! Surpreendo-me com a forma que um espectro das décadas de 40 permanece vivo, alegrar-me-ei com a preservação de sua memória, mas não com a utilização de suas idéias obsoletas e, sinto dizer, primitivas.

    Sobre Mises - consultei um economista amigo pois confesso desconhecê-lo a fundo, trata-se de um isolacionista reacionário liberal quem em meio à crise de seu próprio sistema, ousou insistir em defendê-lo. Embora seja um exemplo de coerência, mostrou-se um intelectual falho por não admitir os próprios equívocos. Seu trabalho(O Cálculo Econômico Socialismo), quando retirados os jargões morais que defendem a visão dos mais necessitados famintos e doentes sobre as ruas, resume-se em uma retórica abstrata que apenas seria vista como relevante entre economistas. Não apenas Lange o refutou respeitosamente ainda em seu tempo como também a própria definição é um tanto risível. A ausência da mecânica do lucro não desestimula indivíduos, quem o fez foram os oficiais corruptos da URSS que abusaram de sua posição de comando enquanto os trabalhadores sofriam. A ausência da mecânica do lucro não impede a alocação racional de recursos da economia, apenas exige uma completa reforma do sistema econômico vigente para um de fato sustentável onde as necessidades dos indivíduos não são decididas pelos mesmos, mas sim por teses científicas visando a sobrevivência da sociedade à longo prazo. Tal arranjo, como Lange explicara genialmente, seria descoberto como qualquer modelo empírico: Através da experimentação.

    Sobre os trabalhos relacionados à economia brasileira, eu recomendo fortemente o geógrafo Milton Santos. Décadas atrás ele explicou o que ocorreria caso houvesse uma maior abertura do Brasil ao capitalismo globalizado e hoje vivemos tal cenário de crise. Ele também explica a desindustrialização e a perda constante da produtividade da mão-de-obra brasileira. Quanto as hipóteses sobre uma economia "Laissez Faire", deixarei os problemas sob sua análise. Informá-los-ei apenas três importantes elementos brasileiros que, se não fosse o Estado, não teriam existido: A USP, a Ponte Rio-Niterói e a povoação da região Centro-Oeste.

    Espero que após tais explicações os senhores elaborem refutações mais elaboradas. Apesar de não parecer, admiro muito o que é construído e feito aqui todos os dias(Admito: Muito superior ao Fórum Social, do qual sou membro). Meu único pesar é que as idéias, simples, bem explicadas e fáceis de refutar permanecem onipresentes nesta comunidade devido à clara ausência de pensamentos contrários.

    Encerro meu comentário com um "Boa Sorte". Passar bem, companheiros.
  • Blah  10/01/2013 16:53
    Tal arranjo, como Lange explicara genialmente, seria descoberto como qualquer modelo empírico: Através da experimentação.

    Sabe o que é pior? Esse comentário irônico seria facilmente tido como algo sério por muita gente que eu conheço. Basicamente, Lange disse que o problema do cálculo econômico seria resolvido na "tentativa e erro". O cara nunca chegou nem perto de aplicar algo que fosse parecido com isso.

    E pensar que Paulo Freire é realmente tido como sendo um grande gênio. Isso me faz perder as esperanças na capacidade intelectual do brasileiro quando o assunto é política ou economia.
  • Deilton  12/01/2013 16:49
    "A ausência da mecânica do lucro não impede a alocação racional de recursos da economia, apenas exige uma completa reforma do sistema econômico vigente para um de fato sustentável onde as necessidades dos indivíduos não são decididas pelos mesmos, mas sim por teses científicas visando a sobrevivência da sociedade à longo prazo."

    "onde as necessidades dos indivíduos não são decididas pelos mesmos"

    Genial!
  • Lucas Silva  07/01/2013 19:48
    Ele é tipo o típico filosofo?

    Não quero explicar toda lógica pro cara de graça. xD
  • Luiz Padilha  07/01/2013 22:29
    Lei de Poe?
  • Rodrigo Polo Pires  08/01/2013 00:53
    Sei, o estado precisa cobrar impostos sobre a comida por uma questão de justiça social. È em nome da igualdade que os pobres devem pagar ao governo para poderem adquirir o leitinho das crianças. Agora Paulo Freire, se restar alguma coisa em você parecida com um homem, raciocine e tire suas pròprias conclusões. A minha è que no socialismo atè os heròis são ladrões.

  • Paulo Kogos  07/01/2013 19:08
    2 erros de Ludwig von Mises

    erro 1

    tanto no leninismo qto no intervencionismo ocidental, o mercado ainda existe de alguma forma ainda q reprimido. Se existe livre arbitrio na mente humana existe mercado.

    Portanto qualquer tipo de intervencao do Estado caracteriza socialismo. A morte do mercado é impossivel (ainda bem)
    Mas se existe Estado, por menor q seja, a economia pode ser chamada de planificada


    erro 2

    mesmo um Estado q se atenha a funcoes de defesa e justiça está interferindo nos meios de produção (meios de producao de defesa e justiça) e está distorcendo preços

    se existe Estado existe socialismo
  • Rodrigo  07/01/2013 20:19
    Poderíamos dizer que a nova medida Venezuelana de prender empresários que não vendam a quantidade de produtos que o governo quer no preço que eles querem (inclusive invadindo galpões para checar estoques) uma prova de que a Venezuela não é mais uma economia de mercado?
  • anônimo  07/01/2013 21:16
    Depende de como vc define economia de mercado, todos os países tem o governo se metendo na economia em algum grau, na venezuela isso só tem piorado
  • Rodrigo  08/01/2013 12:44
    Mas a última notícia que li dava conta que o Estado determinaria o que, quanto e por quanto o produto seria vendido. Isso vai além de uma intervenção.
  • Henrique  07/01/2013 21:04
    Acho que um grande problema para o avanço das ideias libertárias é que as pessoas veem as crises causadas pelo governo e as atribuem ao livre mercado!

    Quando ocorre uma crise, 90% (ou mais) das pessoas pedem mais regulamentações!

    Para quem tiver estômago, fica o link de um sociólogo polonês criticando a atual situação devida a medidas "neoliberais":

    www.youtube.com/watch?v=4S71MSAEwhU

    E a sua maior pérola: "O capitalismo é, na essência, um sistema parasitário. Como todos os parasitas, pode prosperar durante algum tempo uma vez que encontra o organismo ainda não explorado do qual pode se alimentar, mas não pode fazê-lo sem prejudicar o hospedeiro nem sem destruir cedo ou tarde as condições de sua prosperidade ou até de sua própria sobrevivência."

    Ugh!
  • Rodrigo D.  08/01/2013 13:01
    Não adianta. Eles ignoram o fato que riqueza é produzida. São mercantilistas. Acham que a riqueza existe e é apenas realocada. A economia para eles é um jogo de soma zero.
  • B.  10/01/2013 16:02
    Bom, há uma enorme confusão com relação ao Estado .

    Deixando de lado , por hora, a demonização do mesmo, posso definir o Estado em algumas palavras; O Estado é um aparato que em última instância é a amálgama dos vários setores da sociedade , em maior parte os que defendem o status quo, uma vez que sendo o capitalismo o sistema dominante, nada mais óbvio que o Estado ter os representantes da burguesia, latifundio e religiosos e etc, em predominância, uma vez que esses detêm dinheiro, e poder em consequência.

    Ok, vejo a grande parte dos comentários desprezar esse perfil estatal, e apenas demonizá-lo como um câncer, porém a causa do Estado ser um mal e não um bem são as forças que tomam a liderança dele, e não o Estado em sí enquanto seu sentido de existência . Como já disse o capitalismo que prega o livre mercado e concorrência, está ali presente exercendo sua influência nas esferas do poder e reforçando todas as vantagem monopolistas as quais são inerentes ao capitalismo.

    Bom, se pedir a intervenção do estado, é pedir coerção e violência, ela é provocada pelos defensores da virtuosidade "natural" do mercado e das leis da concorrência, o detentor dos meio de produção, o Capitalista. Nunca vi um capitalista , na prática, obstruir sua expansão para priorizar o livre mercado, mas vejo a totalidade infiltrada nos poderes estatais para suprimir a população e suas demandam em prol de aumento de lucro e influências.

    Por fim, advogo que o estado tem a função maior de defender o capitalismo, e se há pretensão de acabar com ele, o modo de produção precisa mudar também.
  • Leandro  10/01/2013 16:46
    Quanta confusão de conceitos. Primeiro você diz, muito corretamente, que o estado atende aos interesses de uma classe de capitalistas. Depois você diz que estes capitalistas vão ao estado para defender o livre mercado e o monopólio, conceitos totalmente opostos.

    Vamos por partes.

    "O Estado é um aparato que em última instância é a amálgama dos vários setores da sociedade , em maior parte os que defendem o status quo, uma vez que sendo o capitalismo o sistema dominante, nada mais óbvio que o Estado ter os representantes da burguesia, latifundio e religiosos e etc, em predominância, uma vez que esses detêm dinheiro, e poder em consequência. Ok, vejo a grande parte dos comentários desprezar esse perfil estatal."

    Você certamente chegou a este site agora. Temos inúmeros artigos que centram fogo exatamente neste arranjo chamado corporativismo (vulgo fascismo) em que grandes empresários utilizam o estado para proteger seus interesses e abolir qualquer resquício de livre concorrência. Alguns exemplos:

    As parcerias público-privadas - a porta de entrada para o socialismo

    O que realmente é o fascismo

    As diferenças essenciais entre uma genuína economia de livre mercado e uma economia intervencionista

    Fascismo à brasileira


    "a causa do Estado ser um mal e não um bem são as forças que tomam a liderança dele, e não o Estado em sí enquanto seu sentido de existência."

    Uma coisa é indissociável da outra. Se o estado é, por definição, o ente que detém o monopólio da coerção, da violência e da tributação, então é óbvio que os mais poderosos irão se apossar dele para oprimir mais seus concorrentes. Não há nenhuma exceção no mundo a este arranjo; o que varia é apenas o grau de transparência com que isso ocorre.

    "Como já disse o capitalismo que prega o livre mercado e concorrência, está ali presente exercendo sua influência nas esferas do poder e reforçando todas as vantagem monopolistas as quais são inerentes ao capitalismo."

    Frase completamente contraditória. Se o capitalismo prega livre mercado e concorrência, então quem recorre às esferas do poder para reafirmar seus poderes monopolistas (algo que só pode ser feito pela coerção sobre a concorrência; ver links acima) está praticando o oposto de capitalismo. Está praticando protecionismo, fascismo, intervencionismo, dirigismo -- escolha o rótulo.

    "Bom, se pedir a intervenção do estado, é pedir coerção e violência, ela é provocada pelos defensores da virtuosidade "natural" do mercado e das leis da concorrência, o detentor dos meio de produção, o Capitalista."

    Outra contradição. Sim, é o capitalista quem pede intervenção. Mas este capitalismo não é favorável ao livre mercado e nem às leis da concorrência. Ele quer protecionismo e não livre concorrência. Quem pede proteção e abolição da concorrência não é um defensor da "virtuosidade natural do mercado". Fique mais atento aos seus adjetivos.

    "Nunca vi um capitalista , na prática, obstruir sua expansão para priorizar o livre mercado,"

    Frase sem sentido. Um empreendedor pode ser extremamente favorável à livre concorrência e ainda assim expandir seus empreendimentos. Por que não faria isso? Qual o sentido de ter um empreendimento e não querer expandi-lo quando possível? Ao fazer isso, ele beneficia seus consumidores. Por que ele deixaria de investir e se expandir?

    "mas vejo a totalidade infiltrada nos poderes estatais para suprimir a população e suas demandam em prol de aumento de lucro e influências."

    Correto. Mas estes não são livre mercadistas. São apenas incompetentes que querem que o estado os proteja da concorrência. Qualquer esquerdista que pede tarifas de importação e depreciação cambial está defendendo esta laia parasitária.

    "Por fim, advogo que o estado tem a função maior de defender o capitalismo, e se há pretensão de acabar com ele, o modo de produção precisa mudar também."

    O estado tem a função maior de defender seus financiadores e grupos de interesse que lhe pagam propinas e, na democracia, fazem contribuições de campanha. O fim do estado representaria o fim do poder execrável desta gente.

    Mais dois artigos:

    Monopólio bom e monopólio ruim - como são gerados e como são mantidos

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    Sobre as privatizações (Parte 1)
  • B.  11/01/2013 16:24
    Caro Leandro,

    Gostei de suas críticas, e afirmo que as contradições que você diz ter encontrado no texto são realmente difícis de serem explicada, uma vez o capitalismo é contraditório sob a forma como expus meus comentários.

    O ponto central do meu texto é que o capitalista, enquanto o agente principal do modo de produção( e aqui me aproprio de marx), prega em suas idéias um livre mercado, mas recorre as esferas de poder para destruir possibilidade de concorrência. Cito as agências de controle de concorrência de mercado que estipulam regras e vão as afrouxando de acordo com a necessidade de grandes conglomerados.

    Eu discordo fundalmentalmente de sua crítica, ao dizer que o capitalista que busca monopólio está em contradição, ou é anticapitalista. Na história a tedência de empresas sempre foi ser grande, exercer poder e entrar na política para defender a demanda de seus grupos nas esferas burocráticas. O setor da construção civil financia candidaturas de vereadores, por exemplo, para mudarem o plano diretor de suas cidades e permitir que prédios possam ter maiores proporções, afim de aumentar seu faturamento. Bom esse efeito se alastra por todas as instâncias, tanto a municipal,estadual , quanto federal.

    Concordo com você que a "Lei de Mercado" seria eficiente se não houvesse essa conjuntura de poderes, porém quando digo que não conheço nenhum capitalista ser a favor da lei do mercado, penso nos que detêm as maiores riquezas; Os sheiks que dominam a OPEP e determimam os preços do petróleo, os capitalistas do sistema financeiro que criam produtos que amarram a produção e especulação na forma de bounds, os verticalizadores e horizontalizadores de suas produções - a Volkswagem , que é uma empresa conhecida por produzir carros, detêm a maior parte de seus lucros com produção de soja na america latina- só para elencar alguns.

    Bom, faço questão de ler todos os artigos que foram colocados na sua crítica, mas vejo por aqui uma tentativa de dogmatização dos temas, essa não é uma crítica direta a você, é apenas uma observação dos comentários dos participantes em geral. Prefiro , para além da leitura dos texto, buscar números e dados , para no confrontamento de idéias encontrar algo próximo da verdade.

  • Leandro  11/01/2013 23:27
    "as contradições que você diz ter encontrado no texto são realmente difícis de serem explicada, uma vez o capitalismo é contraditório sob a forma como expus meus comentários."

    Não, não há contradição no capitalismo. Capitalismo é apenas um sistema social baseado na propriedade privada dos meios de produção, na poupança, na acumulação de capital, nas trocas voluntárias intermediadas pelo dinheiro, na busca do lucro, na livre concorrência, no sistema de preços, na ausência de coerção ao empreendedorismo, no progresso econômico, e na harmonia da busca pelo interesse próprio material de todos os indivíduos que dele participam. Se esses itens não são respeitados, não há capitalismo.

    Logo, por definição, não há como um sistema cuja definição é clara ser "contraditório". A única coisa contraditória é que intelectuais ensinam nas universidades, que foi onde você adquiriu seu conhecimento.

    "O ponto central do meu texto é que o capitalista, enquanto o agente principal do modo de produção( e aqui me aproprio de marx), prega em suas idéias um livre mercado,"

    Errado. É raríssimo você encontrar um capitalista que genuinamente defenda o livre mercado. E o motivo óbvio: ninguém gosta de concorrência. Concorrência dá trabalho, tira seus lucros e o obriga a ser mais eficiente e produtivo, e a estar sempre se especializando e se aprimorando. Ninguém quer isso. Uma vida mansa é sempre melhor. Exatamente por isso os capitalistas mais poderosos recorrem ao governo atrás de subsídios, protecionismos e regulamentações para barrar a entrada de concorrentes.

    "mas recorre as esferas de poder para destruir possibilidade de concorrência."

    Correto. Não entendo como você pode falar esta frase corretíssima logo após ter falado a bobagem acima. Quem quer suprimir a concorrência não pode, ao mesmo tempo, pregar ideias de livre mercado (não seriamente, é claro).

    "Cito as agências de controle de concorrência de mercado que estipulam regras e vão as afrouxando de acordo com a necessidade de grandes conglomerados."

    As agências reguladoras existem justamente para proteger as grandes empresas da concorrência de outras. São as agências reguladoras que estipulam quais empresas podem entrar num mercado, quais serão os tipos de serviços prestados, quais os preços a serem cobrados e quais as regulamentações a serem seguidas. Elas cartelizam e fecham o mercado para as favoritas do governo, impedindo a entrada de novas. Anatel, Anac, Aneel, Ana, ANVISA etc. Tudo isso já foi explicado nos artigos que linkei na primeira resposta.

    "Eu discordo fundalmentalmente de sua crítica, ao dizer que o capitalista que busca monopólio está em contradição, ou é anticapitalista."

    Vide novamente minha segunda resposta.

    "Na história a tedência de empresas sempre foi ser grande, exercer poder e entrar na política para defender a demanda de seus grupos nas esferas burocráticas."

    Corretíssimo. Exatamente como disse na minha segunda resposta também.

    Não vou comentar o resto porque é mais do mesmo. Vi apenas, no final de sua postagem, que você disse que ainda não leu os textos indicados. Tenha a imensa bondade de fazer isso, por gentileza. Senão o diálogo fica sem liga.

    Abraços!
  • maurício barbosa  10/01/2013 16:54
    B, o capitalismo é uma expressão criada por marx.Mises prega a liberdade de empreender,portanto não é uma questão de rótulo,esquerda,direita,capitalista ou seja lá quem esteja a frente do estado,acontece é que esta instituição beneficia quem se apodera dela seja esquerdista,direitista,socialista ou capitalista ou seja lá quem for,ou seja esta é uma instituição demoníaca sim,pois ela favorece quem só quer roubar,matar e destruir,pois quem quer fazer o bem sofre todo tipo de pressão e constrangimento,de maneira que desiste de fazer carreira politica por coerência ética.
  • Cesar  11/01/2013 22:24
    Eu tenho a apreço tanto por causas libertarias como prinicipio da não agressão,liberdade individuais como marxistas como trabalho é a essencia do homem e a sociedade burguesa não realiza a essencia do homem,é o conceito de super estrutura ideologica que legitima a desigualdade para a super estrutura economica,meu pensadores preferidos são Marx e Nozick,alguem esta disposto a me convencer que eu estou errado,não posso ser um libertario marxista?,pretendo entrar para o LIBER.
  • kondde1@hotmail.com  12/01/2013 19:09
    Que liberdade individual Marx advogava?!?, acho que voce não leu Marx, alguém deve ter lido para vc meu caro.

    Posso resumir os princípios de não agressão e liberdade individual que vc tem tanto apreço pelos Marxistas:

    A principal liberdade individual que Marx pregava era a do indivíduo não ter liberdade nenhuma.
    A não agressão é só não poder agredir um Marxista, mas agredir outros não-Marxistas isso não é apenas permitido como era até encorajado.

    Exemplos dessas duas dialéticas tem do montes por aí.

    Existe um livro que eu ainda não li, mas já vi a resenha e de pessoas que o leram, é de um Psiquiatra que procura demonstrar que toda essa doutrina marxista-esquerdista e liberal (como nos EUA são chamados os de esquerda) só pode ser criada e sustentada por pessoas com sérios problemas psiquiatricos.

    O nome do livro é "The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness " de Jr. M.D., Lyle H. Rossiter

    www.amazon.com/Liberal-Mind-Psychological-Political-Madness/dp/0977956318

    Cuidado que Marxisita usa a dialética, como o comunismo não é nada mais que uma ideologia cultural eles vão aproveitando em discurso tudo que é útil para eles em determinado momento mesmo que só em discurso, quando ele detem o poder aí começam as tragédias, em movimentos organizados ou em governos estabelecidos.

    Nos já vimos esse filme antes não é meu amigo?

    O cara era simplismente contra toda e qualquer forma de propriedade privada e voce ainda quer conseguir ser libertário e marxista? Os dois não, não dá pra ser.

    A principal liberdade individual que Marx pregava era a do indivíduo não ter liberdade nenhuma. Para ele a única liberdade verdadeira só seria alcançada plenamente com o absoluto controle do indivíduo?!? Isso pode ser lógico de alguma maneira? Claro que não!

    Att
  • Gilmar  12/01/2013 20:27
    "como trabalho é a essencia do homem"

    Ah faça meu favor, quanta lorota, pra mim a essencia do homem é ser feliz, se ele pudesse não trabalhava. Ou, no mínimo, trabalha pra melhorar de vida e, então, ser feliz DO JEITO QUE QUISER, respeitando o principio da não agressão é claro...

    Queria ver, num sistema marxista, se esse intelectuais de esquerda ou aqueles paspalhões militantes de universidade iriam querer trabalhar em uma fabrica ou ter um cargo no Politburo...

    "sociedade burguesa não realiza a essencia do homem,é o conceito de super estrutura ideologica que legitima a desigualdade para a super estrutura economica"

    Vixe...deve ser trecho de livro isso...

    Arbeit macht frei hein?








  • Deilton  12/01/2013 17:48
    Preocupante:

    www.youtube.com/watch?v=kDtUbdOLjDg
  • Aldenir  21/05/2013 19:38
    Olá, gostaria de saber de que ano é este artigo. Como faço para descobrir isso com relação aos artigos do IMB? Seria interessante dados como este para se situar melhor na leitura, mesmo sendo relativamente atemporal o artigo do Mises.
  • anônimo  21/05/2013 19:44
    É um trecho de Ação Humana, de 1949.
  • Carlos Prado  19/02/2014 13:18
    Hoje em dia temos estatais de propriedade privada. Algo que alguns chamam de neoliberalismo. É tudo feito com dinheiro estatal, é controlado pelo estado junto com alguns amigos, é protegido pelo estado - que lhes asseguram um monopólio...
    Tá ai um bicho que é publico e privado, e mais, com um nome terminado em liberalismo.


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