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O Papai Noel seria bem-vindo?

Figura quase onipresente no mês de dezembro, o Papai Noel está em shopping centers, peças publicitárias, enfeites e muito mais.  Todo esse carinho tem motivo claro: o bom velhinho recompensa as crianças que tenham se comportado bem ao longo do ano com presentes que ele mesmo distribui na madrugada do dia 24 para o dia 25 do referido mês.  Tudo gratuitamente. 

Para mim, o único problema dele é a inexistência. Mas pode ter certeza: se o Papai Noel existisse, seria odiado pela maioria dos proeminentes políticos e economistas. 

Por quê?  Simples: como tais pessoas tendem a ser hostis à entrada de produtos estrangeiros melhores ou mais baratos do que os nacionais, é óbvio que não iriam gostar que um groenlandês entrasse no país e distribuísse brinquedos gratuitamente. 

Ao tentarem impor barreiras ao bom velhinho, provavelmente o acusariam de dumping, de maltratar suas renas ou de escravizar os duendes, tudo com o intuito de enquadrá-lo como praticante da "concorrência desleal" ou coisa parecida.  No entanto, não há dúvidas de que seria a mera atitude de dar presentes que faria o Papai Noel ser pintado como um sabotador da economia nacional, responsável pelo fim de empregos e pelo enfraquecimento da indústria.

Teriam razão?  É claro que não.  A ideia de que importações são maléficas possui claras pitadas de nacionalismo e xenofobia, mas sua raiz é mais profunda.  Dado que a existência de uma necessidade não satisfeita é o pressuposto de toda e qualquer atividade econômica, os ignorantes em economia dizem que o fim de uma necessidade ou a sua total satisfação são eventos que devem ser evitados, pois provocariam uma diminuição da atividade econômica.  Seguindo-se essa lógica, quem odeia importações também odeia máquinas e certamente acredita que guerras e desastres naturais têm efeitos positivos para a economia.  Um grande equívoco! 

O aparecimento de soluções mais eficientes para certos problemas de fato prejudica o pequeno grupo que está acostumado a ganhar dinheiro lidando com esses problemas, mas beneficia aqueles que sofrem com tais problemas, pessoas que certamente formam um grupo bem maior.  Além disso, o pequeno malefício é passageiro, visto que os beneficiários buscam satisfazer outras de suas infinitas necessidades, demandando soluções para outros problemas, antes preteridos.   

Sendo assim, é correto afirmar que a existência do Papai Noel seria nefasta para fabricantes de brinquedos e afins, mas é preciso destacar que a economia nos gastos natalinos possibilitaria aos pais de crianças bem comportadas a aquisição de outros produtos e serviços — o que não apenas aumentaria o conforto material deles, mas também direcionaria a energia produtiva do setor de brinquedos para os setores contemplados. 

Com as importações comuns (em que se busca lucro) ocorre o mesmo fenômeno, embora, infelizmente, sem a mesma intensidade de um presente dado por Papai Noel, pois a quantia economizada por quem compra os produtos importados não é tão grande quanto — afinal, está havendo apenas uma compra mais barata, e não uma doação. 

As práticas protecionistas, portanto, criam barreiras à entrada de soluções, o que é economicamente equivalente a criar novos problemas.  É como se o Estado furasse pneus em prol de borracheiros.  Ora, não precisamos de mais dificuldades no caminho da prosperidade.  Basta!  Soluções são bem-vindas e ponto final.  O Papai Noel infelizmente não existe, mas tem muita gente disposta a atravessar o mundo para nos servir um pouco melhor.  Por que recebê-los mal?

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Veja todos os nossos artigos sobre protecionismo.



autor

Bill Mantum
é homeschooler de três filhos e autodidata em economia.

  • Lucas Amaro  24/12/2011 07:30
    Iriam cobrar taxas pro Papai Noel poder entregar presentes e ainda por cima iriam cobrar alguma porcentagem de "nacionalização dos bens e serviços" prestados.
  • Mohamed Attcka Todomundo  24/12/2011 13:44
    Papai Noel filho da puta/ Rejeita os miseráveis/ Eu quero matá-lo!/ Aquele porco capitalista/ Presenteia os ricos/ E cospe nos pobres/ Presenteia os ricos/ E cospe nos pobres

    Mas nos vamos seqüestrá-lo/ E vamos matá-lo!/ Por que?/ Aqui não existe natal!/ Aqui não existe natal!/ Aqui não existe natal!/ Aqui não existe natal!/ Por que?/ Papai noel filho da puta/ Rejeita os miseráveis/ Eu quero matá-lo!/ Aquele porco capitalista/ Presenteia os ricos/ E cospe nos pobres/ Presenteia os ricos/ E cospe nos pobres

    (Ratos de Porão - Papai Noel, velho batuta)

    "Rejeita os miseráveis": exerce o sagrado direito à discriminaçao www.mises.org.br/Article.aspx?id=914
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=885
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=320

    "Presenteia os ricos/ E cospe nos pobres": "Ninguém deve nada a você. - Isso significa, por exemplo, que ninguém é obrigado a amar você. Se alguém a ama, é porque existe algo de especial em você que dá felicidade a essa pessoa. Descubra o que é essa coisa de especial que você tem e se esforce para amplificá-la. Assim você será ainda mais amada." - eu ñ sei porque papai noel ama aos ricos, mas sei que eles proporcionam ao bom velhinho algo que este valoriza, e endosso seu direito de valorizá-lo, mesmo que isto me exclua, seja por eu ser pobre, ou por ser Islâmico, ou por qualquer outra razao
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=863

    "Mas nos vamos seqüestrá-lo/ E vamos matá-lo!": uns querem fazê-lo pq acham q tem q "impor barreiras ao bom velhinho", outros por dumping, ou por "maltratar suas renas e escravizar os duendes", e tb p/ "enquadrá-lo como praticante da 'concorrência desleal'", e ainda pq é um "sabotador da economia nacional"; e outros pq ele ñ faz nada gratuitamente, e seleciona a quem dá presentes, gastando suas economias e capital. Seja como for, é fácil odiar o sucesso

    "Aqui não existe natal!": resolva-se!!!!!!! vá chorar no colo da mamãe ou da psicoterapeuta, seu maricas socialista!!!!!!!

    Feliz Natal a todos q tem algo que celebrar nele, pois vcs merecem o q tem p/ celebrar
  • Pobre Paulista  26/12/2013 21:27
    Essa música não é do Ratos, é dos Garotos Podres.

    E para ser bem específico, a música é uma crítica ao consumismo e não ao capitalismo em si.
  • anônimo  26/12/2013 22:34
    Mas na perspectiva de um socialista, consumismo e capitalismo são sinônimos. Você sabe que não, e por que não*, mas não eles.

    *Eis o porquê:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=761
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=850


    Além do mais, é uma letra tão pobre e superficial que pode ser interpretada de várias formas, bem como adoram os socialistas com o seu duplipensar. Tudo parte do estratagema gramsciano.

    Veja: Eu posso falar que o Papai Noel representa cada pai do mundo, e ao passo que alguns destes pais t~em condições de presentear seus filhos, outros pais são marginalizados e jogados à pobreza - por quem? pelos seus "exploradores", os "capitalistas", os pais ricos. Papai Noel capitalista.
  • Pobre Paulista  27/12/2013 20:56
    Pois é...

    chamar Garotos Podres de "Socialista", logo uma das bandas que mais declaradamente apoiam a anarquia, faz tanto sentido quanto confundir consumismo com capitalismo.
  • Pobre Paulista  27/12/2013 21:22
    Continuando a advogar para o diabo...

    Anarquia Oi!
    Um dia você vai descobrir / que todos te odeiam e te querem morto / Pois você representa perigo / ao poder!!! / Anarquia oi, oi! (4x)

    Nada de socialismo nessa letra.

    Sem contar um sem número de críticas jocosas e sarcásticas a movimentos específicos, como surfistas, skatistas e etc... Coisas que os socialistas adoram apoiar (vc já viu algum surfista falando que capitalismo é "cool"?)
  • Mohamed Attcka Todomundo  30/12/2013 22:58
    so p/ ficar claro, ñ fiz essa postagem. tão me trollando!

    ñ fosse suficiente ter desaparecido a honra entre ladrões, agora nem + entre trolls?! onde esse mundo vai parar?! (tão vendo? so o verdadeiro Mohamed Attcka Todomundo é capaz de um trocaralho ducadilho desses, na falta de um trocadilho do caralho [e aliás, q faltem mesmo caralhos, ou se ñ faltarem, podem ficar com eles p/ vcs. kkk!]. por isso, p/ q ficar com o pirateado se o original é + fofinho, gostoso e de gratis? pro inferno com os trolls,. exceto eu, claro)
  • heloisa  27/09/2018 22:52
    Se aí não tem natal, aí também não tem corações bondosos.
  • anônimo  25/12/2011 10:15
    Eles provavelmente chamariam a força aérea para a abater o velhinho em seu trenó e depois abafar o caso, se tiver alguma testemunha iriam falar que foi acidente em um exercício de guerra.rsrs
  • Tiago RC  26/12/2011 01:43
    hehehe, bem legal o texto. Na mesma linha da excelente petição dos fabricantes de velas de Bastiat. Protecionismo é realmente algo ridículo.
  • Vitor Hoher Nunes  26/12/2011 03:42
    Me fez lembrar dessa charge
  • Anônimo qualquer  26/12/2013 12:07
    Em seu interessante texto, o autor termina assim:
    "O Papai Noel infelizmente não existe, mas tem muita gente disposta a atravessar o mundo para nos servir um pouco melhor. Por que recebê-los mal?"

    Parece que a diferença está exatamente em ser Papai Noel ou ser essa "gente disposta a atravessar o mundo para nos servir um pouco melhor". É que Papai Noel é bonzinho, mas "essa gente disposta..." talvez não o seja! O sistema é o capitalista, o melhor que inventaram até agora, e o que move o sistema é o lucro, e o lucro vem de investimentos. Se olharmos Papai Noel do ponto de vista econômico, se ele existisse, seria uma aberração teórica, de onde vem o dinheiro de Papai Noel, esse dinheiro que ele doa ao mundo na noite de Natal? Cai do céu? Será que Papai Noel com essa idade trabalha? Será que tem investimentos acumulados no passado, e simplesmente queima esses investimentos doando brinquedos? Realmente, Papai Noel não existe! Parece ser uma perda de tempo tentar entender essas questões, porque Papai Noel é uma criação descompromissada com qualquer modelo econômico! Mas, é simpático, o velhinho, uma bela invenção!

    Mas, "essa gente disposta a atravessar o mundo para nos servir um pouco melhor", não, essa gente é de carne e osso, gente que precisa investir capital produtivo, geram emprego em seus países, pagam impostos, e exatamente no "nos servir um pouco melhor", é que mora o perigo, apenas Papai Noel é bonzinho! É fácil de explicar.

    A razão que uma economia tem para importar é única, não existem duas razões, idiotices como por exemplo, "eles têm ótimo preço para nós", a "importação vai gerar emprego aqui", "esse produto ninguém faz igual ao estrangeiro" ... tolices que não se sustentam à luz do raciocínio econômico, desculpem o pleonasmo, racional! A única razão que justifica a importação é a geração de um excedente econômico que possa ser usado ou, em benefício dos trabalhadores, ou em benefício das empresas, ou em benefício do compromisso que uma economia tem com o resto do mundo. Para ser mais claro, se a importação não aumenta nem o agregado consumo, nem o agregado investimento ou o saldo do balanço de pagamentos, quero dizer, comparada com o que seria a produção doméstica desses produtos importados, então, nenhuma importação seria bem-vinda, nem mesmo se viesse de doações de Papai Noel, essas doações não gerariam nenhuma renda para o país visitado pelo "bom" velhinho, uma vez que brinquedos doados cumprem apenas satisfazer o desejo dos consumidores, brinquedos produzidos internamente geram investimentos em fábrica de brinquedos, geram empregos em fábrica de brinquedos e por efeito multiplicador, empregos em outros setores da economia... sem falar no efeito monetário via aumento dos gastos, que faz decrescer a demanda por moeda e isso contribui com a queda da taxa de juros, etc, etc.

    Bem, só desejei alertar para o fato de que nem Papai Noel, nem importações que vem dessa "gente disposta a atravessar o mundo para nos servir um pouco melhor" são tão interessantes como possa parecer, são boazinhas demais para conosco! Mas, se analisarmos cada caso, até Papai Noel pode ser aceito com seus presentinhos, mas que trouxesse em sua sacola apenas carteiras de trabalho assinadas para os pais das crianças, no ano que vem ele nem precisaria voltar aqui! Quanto à importações, tem que provar que são úteis a economia, isso não quer dizer que não o sejam, mas não basta desejar "nos servir um pouco melhor", nem Papai Noel é tão bonzinho assim, e já não somos mais crianças pedindo brinquedos!

    Anônimo qualquer.
  • Renato Souza  26/12/2013 21:27
    Errado

    A função da produção é atender as demandas e não o contrário. Ninguém precisa "gerar empregos", o desemprego é um artificialismo criado por leis estúpidas. O texto explicou bem isso, se certas demandas forem atendidas de graça, ou a um preço mais barato, a riqueza será utilizada para satisfazer outras demandas. Como as demandas são infinitas, a economia nunca "entrará em crise" por falta de demanda.
  • gabriel  27/12/2013 21:42
    Fica até engraçado algumas leituras as vezes, pra mim economia domestica é a da minha casa, se quem produz coisas melhores ou mais baratas esta na china ou na esquina aqui de casa pouco importa, é mais justo que esse melhor produtor ganhe a recompensa, claro que pensando num estado tudo faz mais sentido, melhor que sobrevivam as fabricas do meu território, mesmo que menos eficientes, porque por pior que sejam elas geram renda pra mim como estado tirar o meu deles.
    Engraçado que se analisar por individualmente, bem como com agregado de satisfação/crescimento de um todo (cada um no seu individual sem deixar ninguem de fora) não faz nenhum sentido protecionismo
  • Trevor Reznik  26/12/2013 13:59
    Lindo texto!
  • Andre  26/12/2013 14:40
    Isso me lembra quando o governo aumentou os impostos sobre os carros importados.

    Quem concordou com tal medida deve pensar da seguinte forma:

    "
    Oh não!!! Pessoa malvadas querem nos vender produtos por um preço MAIS BARATO!!!
    Isso vai destruir a nossa economia!!!
    Já pensou se todos os produtos do mundo custassem apenas, por exemplo, um centavo!? Que horrível seria viver com tanta opulência!!!
    Salve-nos da abundância poderoso governo, aumente os impostos dos carros importados!!!
    Precisamos pagar MAIS CARO POR TUDO se quisermos ter uma vida melhor, ó grandioso governo!!!
    "
  • Andre  26/12/2013 14:42
    Esqueci de comentar...

    O pior de tudo é que tem MUITOS IDIOTAS que falam que o governo TEM QUE COBRAR IMPOSTOS sobre os produtos importados SIM!
  • Lucas  26/12/2013 16:33
    Isso já acontece nessa nossa terra brazuca:
    zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2013/12/o-guarda-me-multou-e-mandou-todo-mundo-descer-diz-motorista-de-papai-noel-autuado-em-brusque-4374345.html
    E na mesma época em que dão tapinhas nas costas da dilma que, ao invés de tirar de seu próprio bolso qualquer coisa, fez tudo com o NOSSO dinheiro! Ela não ganhou multa, o papai noel sim: noticias.r7.com/brasil/dilma-escapa-de-multa-por-transportar-neto-no-colo-23122013

    Pior mesmo, foi agora pouco eu escutar na rádio um cara defendendo exatamente isso: que está certo foder o papai noel (no natal!) e deixar a dilma na boa já que ela é governo e governo, como vcs bem sabem, pode tudo, sempre.
  • Típico Filósofo  26/12/2013 17:04
    5 outros motivos pelos quais o Patriarca-Noel não seria bem-vindo:

    (Recuso-me a chamá-lo de "papai", palavra perversa que visa disfarçar a fome do patriarcado pela submissão das mulheres)

    1. Ele representa o imperialismo polo-nortista (ao analisar um mapa, verificamos facilmente que a Groenlândia localiza-se curiosamente próxima dos EUA) sobre o polo sul. Não é por frivolidades que a família doutrina as crianças do sul a crer que um homem branco, estrangeiro, heterossexual, obeso, idoso e vindo da América do Norte vem trazê-los presentes: trata-se de descarada propaganda entreguista-neoliberal e colonialismo cultural.

    2. Ele banaliza as cores e emblemas da Internacional Comunista. Ao vestir-se de vermelho (coloração imposta pela multi-nacional imperialista Coca-Cola durante as primeiras décadas do século XX), ao invadir a propriedade privada alheia sem hesitação, ao colocar-se sob uma grande barba e ter como um de seus símbolos uma estrela; o Patriarca-Noel visa satirizar a figura de Friedrich Engels, Mikhail Bakunin e Karl Marx, uns dos grandes fundadores do comunismo que verdadeiramente contribuíram ao legado intelectual e social da humanidade.

    3. Inúmeros crimes ambientais e apologia ao de-florestamento. Não há quaisquer garantias da jurisdição dinamarquesa de que o senhor Patriarca-Noel possui uma legítima licença estatal para o uso de animais em seu deslocamento (que é válido ressaltar: em nada respeita as leis de transporte internacional de produtos e responsabilidades fiscais, consistindo em um evidente ato de imperialismo).

    4. Exploração de mão-de-obra barata de minorias étnicas. O senhor Patriarca-Noel vem retirando inescrupulosamente a mais-valia de milhares de Gnomos, o que consiste não só em alienação do trabalhador da estrutura de produção como também em hierarquização das condições sociais baseadas na estrutura produtiva. São uma raça sofrendo exploração como classe, o que é um absurdo inaceitável.

    A ONU deve de imediato emitir sanções severas contra infrações dos direitos humanos na Groenlândia e é imprescindível que ocorra um esforço da esquerda internacional para abrigar os Gnomos em seus países como refugiados, onde lá sua cultura, idioma e religião devem ser conservados por políticas afirmativas e direitos multiculturais.

    5. Ele desrespeita as tradições culturais de inúmeros povos. Explicações são dispensáveis: é completamente anacrônico que um santo católico branco de tradição européia e vestes norte-americanas visite como um igual uma nação culturalmente tão vasta e disforme como o Brasil.

    Trata-se de um desrespeito à nação e faz-se imprescindível que o Ministério da Cultura manifeste-se para criar um símbolo natalino que esteja mais adequado à realidade da democracia brasileira do século XXI e às metas da república: deve ter sexo indeterminado (em respeito à igualdade sexual), chamar-se de "Camarada" (pondo fim à sua apologia ao patriarcado), deve viajar em um carro de modelo 100% nacional e não portar quaisquer referências à exploração de animais silvestres; deve carregar consigo símbolos do Candomblé em respeito às minorias religiosas e é claro, deve ter prestado concurso público (detendo cotas para minorias étnicas) para exercer a profissão.

    Enquanto tal símbolo não é criado, aqui está um candidato provisório de minha confiança: www.imagensdokibe.blogger.com.br/Lula-Papai-Noel.jpg

    _____________________________________________________________________________________
    Boas festas aos senhores.
  • Emerson Luis, um Psicologo  26/12/2013 20:23

    Caro Senhor Típico Filósofo:

    Depois deste artigo utilizar os conceitos da economia liberal para destroçar minha crença na existência do Papai Noel, eu fui lendo os comentários com os olhos marejados e, quando vi o seu nick, um lampejo de esperança brilhou no meu coração. Pensei: "Oh, o Típico Filósofo vai utilizar os argumentos neomarxistas e keynesianos para refutar essa postagem e provar que o Papai Noel existe sim!"

    Quão decepcionado eu fiquei ao constatar que, em vez de provar que o Papai Noel existe sim, o senhor concordou com o pressuposto de que ele não existe e passou a argumentar que PN transigiria o protecionismo, o assistencialismo e outros "ismos" tão importantes. Eu até aceitaria se o senhor dissesse que ele "não é" bem-vindo, mas disseste que ele "não seria" bem vindo. Como pode concordar com eles neste ponto-chave?

    Se o Papai Noel não existe, quem me proporcionou este computador no qual escrevo? Os capitalistas em busca de lucro? Como alguém tão instruído como o senhor (pareado com a Marilena Chauí) pode acreditar em "mais-valia" e "multiplicadores keynesianos" e não acreditar na existência do Papai Noel, algo bem mais verossímil???

    Estou desapontado com o senhor ante o malogro de minhas expectativas. Só falta dizer agora que coelhos não botam ovos de chocolate... não, isso seria demais!

    * * *
  • Silvio Pinheiro  27/12/2013 02:19
    Sr. Filósofo, no item 2 até parece que vossa senhoria saiu do papel ao defender a inviolabilidade da propriedade privada alheia. O que é isso, companheiro?
  • Típico Filósofo  29/12/2013 15:18
    Caros Emerson e Sílvio,

    Dado que houve uma explícita má-compreensão de minhas últimas observações - provavelmente produto de vossa leitura de material reacionário, elucidar-lhes-ei os pontos em que tenha ocorrido algum desentendimento.

    "Afinal, o Patriarca Noel existe ou não? Como o senhor pôde concordar com o autor neoliberal a respeito de tantos pontos - o que está contrário ao polilogismo de vanguarda que impera em suas análises filosóficas? Afirmar que ele não existe não está de alguma forma contrário ao pensamento keynesiano e neo-marxista? O senhor de fato discorda que algo possa surgir do nada?!" - Emerson, o psicologo.

    O Patriarca Noel existe, dado que a realidade consiste em visões inconciliáveis concebidas separadamente de acordo com a classe que a torna inteligível; sendo o autor um burguês, ele está automaticamente equivocado a respeito de quaisquer afirmações suas; recomendo que o senhor Emerson retome de imediato suas leituras de Mikhail Bakunin e do polilogismo classista do próprio Karl Marx. Entretanto, de longe os poderes desta figura são aqueles clamados pela mídia liberal burguesa. Ao trazer presentes natalinos gratuitamente às crianças, esta figura abominável sutilmente reduz a demanda agregada, desincentivando a indústria nacional de brinquedos. Assim como outras figuras imperialistas, como a Lua, por exemplo, que reflete a luz solar durante as noites e assim, enfraquece a indústria nacional de lâmpadas.

    O objetivo real do Patriarca Noel sempre foi prejudicar o acúmulo de capital nas nações em desenvolvimento, o que sob uma perspectiva neomarxista, consiste em perpetuar a dominação de uma burguesia internacional sobre o mundo. É exatamente por tal motivo que foi expulso do Brasil.
    Sobre o poder de criar prosperidade do nada que a mídia neoliberal burguesa clama equivocadamente que o Patriarca Noel possui, recomendo que leia minha refutação cabal ao resumo de final deste ano do Leandro, quando através de uma perspectiva keynesiana, demonstrei que este poder apenas pertence ao Banco Central e ao BNDES. Não existe nenhuma privatização do compromisso social que seja aceitável.
    ____________________________________________________________________________________
    Caro Sílvio,

    de forma alguma concordo que a "propriedade alheia" é inviolável. Primeiramente, NÃO EXISTE PROPRIEDADE ALHEIA, esta é uma invenção da classe dominante. Para discordar de um fundamento, é mister reconhecer sua existência; e isso eu não faço.
  • Rafael  30/12/2013 16:29
    "Assim como outras figuras imperialistas, como a Lua, por exemplo, que reflete a luz solar durante as noites e assim, enfraquece a indústria nacional de lâmpadas."

    Genial este típico filósofo! Sempre fico chateado quando ele não faz comentários por aqui. Sugiro à equipe do IMB que o entreviste por escrito (por escrito para preservar sua instigante e misteriosa personalidade) para que possamos dissecar a mentalidade esquerdista brasileira. clap clap clap. Palmas para o típico filósofo, um verdadeiro artista da retórica!!!
  • Emerson Luis, um Psicologo  01/01/2014 17:30
    Camarada Típico Filósofo:

    A questão é mais séria do que imagina. Existem três correntes que dizem que Karl Marx não morreu, pelo menos não quando e como se acredita.

    Keynes nasceu no mesmo ano em que Marx morreu. Coincidência? Não segundo as duas primeiras seitas. Uma diz que Marx reencarnou em Keynes para dar continuidade ao aperfeiçoamento de suas ideias. A outra versão diz que Marx forjou sua própria morte, passou anos escondido em uma cidade perdida e socialista no Himalaia, onde rejuvenesceu e mudou sua aparência para depois retornar com uma nova identidade para prosseguir sua doutrina: Keynes.

    Ambas as seitas afirmam que, depois de alguns anos, Keynes/Marx morreu ou forjou sua morte de novo e foi para o Polo Norte ou para a Lapônia, onde estabeleceu (ou restabeleceu) seu quartel-general com o cognome "Papai Noel", de onde distribui brinquedos em 25/12 e no restante do ano influencia os líderes mundiais.

    Mas as duas seitas estão erradas: na verdade, Marx/Keynes faz parte de uma espécie de seres imortais entre nós, como no filme Highlander. O objetivo de distribuir presentes é desestabilizar a família por fazer a figura paterna parecer supérflua (Quem deu o presente? Foi o pai, que trabalhou para ter o dinheiro? Não! Foi um ser sobre-humano chamado "Papai Noel". Então para quê serve o pai? Para nada, a família é só uma invenção burguesa).

    Isso explica as capacidades sobre-humanas de Marx. Exemplo: ele explicou que cada ser humano só consegue pensar de acordo com sua própria classe social, mas ele próprio não era proletário e conseguia pensar fora de sua classe. Como só ele conseguia fazer isso, a não ser que fosse um ser sobre-humano, hein???

    Portanto, quem critica o Papai Noel está criticando o próprio Karl Marx, que está vivo e liderando secretamente a revolução cultural. Compreendo que o senhor não soubesse disso, pois é uma informação ultraconfidencial.

    PS1- O Lula é um clone de Marx;

    PS2- Outro dia eu conto sobre o Coelhinho da Páscoa.

    * * *



  • JBALL  26/12/2013 20:10
    Uma perguntinha. Na África, os países recebem dinheiro e investimentos do mundo todo. Seria basicamente isso, uma entrada de produtos doados. E mesmo assim, com essa abertura toda, eles ainda não conseguem crescer. A entrada de divisa estrangeira não melhorou a vida das pessoas.
  • Magno  26/12/2013 20:30
    Hein?! Divisas e investimentos estrangeiros na África? Esse delírio do qual você acabou de acordar deve ter sido forte. O link abaixo mostra todo o estoque de investimentos estrangeiros por país. O único país relativamente decente do continente, a África do Sul, está na 32a posição.

    https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2198rank.html

    Ou seja, o que realmente falta na Africa são investimentos estrangeiros e divisas. Não sei de onde você tirou essa sua afirmação.
  • anônimo  26/12/2013 20:58
    O investimento estrangeiro serve como um catalizador para o crescimento, não é o motivador exclusivo. Mas claro, sem segurança institucional e respeito à propriedade privada, lugar nenhum vai a algum lugar - e este é o verdadeiro problema da África.
  • JBALL  26/12/2013 23:23
    Doam-se mais de 15 bilhões por ano para África. Essa entrada de dinheiro não ajudou em nada o povo.
  • Magno  27/12/2013 00:17
    Ah, você está surpreso que as ajudas internacionais, todas eles mediadas por governos, não deram certo? Puxa, daqui a pouco você anuncia a descoberta da fogo.

    "As ajudas internacionais fortificaram os piores regimes políticos , atrasaram indefinidamente as reformas necessárias e destroçaram dezenas de países, com vários grupos étnicos e raciais recorrendo à violência para tentar se apropriar de parte do dinheiro das ajudas internacionais.  A própria ideia da ajuda internacional introduziu incentivos perversos a essas sociedades; tornou-se insensato criar coisas que satisfizessem os desejos de seus conterrâneos, pois era mais racional dedicar esforços improdutivos para fazer campanhas que lhe garantissem mais dinheiro externo.  Por outro lado, Hong Kong, Chile e Coréia do Sul só se tornaram prósperos depois que a ajuda internacional foi interrompida e eles foram forçados a adotar políticas econômicas racionais e sensatas."

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1548
  • anônimo  26/12/2013 20:51
    JBALL,

    acho que você se refere às doações de artistas e "intelectuais" na forma de caridade através de eventos como, por exemplo, o USA for Africa, certo?

    Bem, trata-se, apenas, de financiamento das máfias estatais destes países, já que os estados sempre foram os beneficiários destes montantes de bens e dinheiro, e não a população em geral.

    Abertura de investimento é para civis, para as pessoas, e não para políticos e o seus estados.
  • anônimo  26/12/2013 20:54
    Vale lembrar, ainda, que doações, ainda mais de bens de consumo, não são investimentos. Investimentos são necessariamente em bens de produção, coisa que é nula na África, sobretudo dada a aversão da maioria dos estados africanos aos estrangeiros, que são os que detêm o capital para ser investido lá.
  • LUCIANO SILVA  27/12/2014 01:30
    E a ECT? Estatal conhecida simplesmente por Correios. Com certeza ela não daria boas vindas ao Bom Velhinho. Vai que ele resolva ficar por aqui e queira entrar para o ramo de correspondências.
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1340

  • ocarinha  29/12/2014 02:44
    Texto excelente.
    Também gostei dos vários comentários nessa pagina, e principalmente do Típico Filósofo.

    Obrigado à todos. Abraços!


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